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13 novembro 2018

Falsa Noção - Orson Peter Carrara



FALSA NOÇÃO


Trago aos leitores página preciosa do estudioso Deolindo Amorim (1906 – 1984), que foi jornalista, sociólogo,publicitário e escritor, nascido na Bahia. Pelo oportunismo do texto, bem adequado aos dias que vivemos, no quais muitos nos escondemos em diferentes máscaras e diante da crise moral que se abate sobre o País, sempre é bom refletir sobre essas questões. Peço ao leitor atenta leitura, embora a transcrição abaixo seja parcial:

“(...) muita gente pensa que ser humilde é não ter personalidade. O próprio Cristo, que foi o Cristo, o bom, o justo por excelência, não abriu mão de Suas ideias, não recuou diante das dificuldades... se Ele não tivesse personalidade, naturalmente ficaria acomodado à situação e não teria suportado o que suportou em defesa do ideal que O iluminava.

No entender de muitas pessoas, o que, aliás, está muito errado, ser humilde é dizer amém a tudo, é ficar bem com todos, ainda que tenha de sacrificar as mais fortes razões da consciência.

Não foi isto o que o Cristo ensinou. Nem foi isto o que Ele praticou.

Veja-se bem que o Evangelho reprova o procedimento dos que, calculadamente, ocultam os seus pensamentos, isto é, não dizem o que pensam nem o que sentem, porque preferem agir na sombra! Tanto é certo que o Cristo valorizava a personalidade, que ele mesmo disse, e de modo direto, que a criatura deve ser quente ou fria; ninguém deve ser morno. Que significa isto? Significa ter personalidade, no mais alto sentido humano e espiritual. Ficar morno é ficar indeciso, de caso pensado, é não se definir de propósito, para tirar algum partido próximo ou remoto. Isto, porém, não é procedimento compatível com a ética cristã. Não tenho receio das pessoas que tomam atitudes francas, para um lado ou para outro; mas tenho muito cuidado com os que ficam mornos, pois foi para estes que o Cristo chamou a atenção de Seus seguidores.

Se o Cristo disse que o nosso falar deve ser ‘sim sim’ e ‘não não’, é claro que, com isto, reconheceu que o homem deve ter personalidade. Vejo e ouço, constantemente, citar-se o Evangelho, mas também noto que muita gente ainda não compreendeu o sentido de certas máximas fundamentais do Evangelho. Vou dar um exemplo disto: quando alguém toma atitude, porque tem personalidade, e não está conformado com isto ou aquilo, logo se diz que é um antifraternista, que é um demolidor, etc. Pouco falta para se chamar o companheiro de um herético ou pecador público, simplesmente porque é sincero, é idealista, e diz o que pensa.

É preciso que se compreenda a situação de cada um de nós, em face da responsabilidade própria. Tomar uma atitude contra qualquer coisa venha de onde vier, não quer dizer que se pretenda destruir seja o que for. É agir sinceramente, de acordo com a consciência. Já é tempo de se acabar com a suposição ou com o sofisma de que, para praticar a humildade, é necessário curvar-se a tudo ou abdicar do direito de pensar e falar abertamente. Há, entre nós, uma noção muito falsa de humildade, para encobrir muita coisa ruim. (...)”

Coincidência ou não, o texto foi publicado em 1964 e parece-nos preciso ser republicado novamente, face à excessiva valorização de valores transitórios, com desprezo aos valores reais e morais, aqueles que permanecem.

Por Orson Peter Carrara

12 novembro 2018

Partidas e Chegadas - Richard Simonetti




PARTIDAS E CHEGADAS



Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara.

O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.

Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.

Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: “já se foi”.

Terá sumido? Evaporado?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.

O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas.

O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver. Mas ele continua o mesmo. E talvez, no exato instante em que alguém diz: já se foi, haverá outras vozes, mais além, a afirmar: “lá vem o veleiro”.

Assim é a morte.
Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro, e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos: “já se foi”.

Terá sumido? Evaporado? Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O ser que amamos continua o mesmo. Sua capacidade mental não se perdeu. Suas conquistas seguem intactas, da mesma forma que quando estava ao nosso lado.

Conserva o mesmo afeto que nutria por nós. Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita no outro lado.

E é assim que, no mesmo instante em que dizemos:
já se foi, no mais além, outro alguém dirá feliz: “já está chegando”.

Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a viagem terrena.

A vida jamais se interrompe nem oferece mudanças espetaculares, pois a natureza não dá saltos.

Cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário.V A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas.

Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada.

Um dia partimos do mundo espiritual na direção do mundo físico; noutro partimos daqui para o espiritual, num constante ir e vir, como viajantes da imortalidade que somos todos nós.


Richard Simonetti



11 novembro 2018

O Mundo de Regeneração- Antônio Carlos Navarro



O MUNDO DE REGENARAÇÃO



Steven Arthur Pinker, linguista e psicólogo, com doutorado em Psicologia Experimental, e escritor de livros de divulgação científica, foi durante 21 anos professor no Departamento do Cérebro e Ciências Cognitivas do Massachusetts Institute of Technology.

Ele demonstra, com estatísticas, que a humanidade passa por seu mais pacífico período histórico. Nessa visão, o terrorismo islâmico, os massacres em escolas e locais públicos e a criminalidade urbana empalidecem diante da brutalidade sem limites das eras anteriores. Pinker diz que o anjo civilizatório, enfim, aprisionou a maldade inata do homem, e que as estatísticas são imprescindíveis para justificar qualquer argumento científico. Elas são um método válido e seguro de avaliação. “É o que torna a minha tese legítima”.

Afirma ele: “O fato é que, desde 1945, o número de mortos em guerras ou de vítimas de assassinatos e estupros é o menor dos últimos 5.000 anos, quando se leva em conta a relação com o total da população”. Questionado por que então o mundo se tornou mais pacífico, ele afirma “que uma sucessão de eventos históricos fez com que o lado bom do homem sobressaísse ao violento e animalesco. Todos temos demônios e anjos dentro de nós. O processo civilizatório, com o advento do estado, a institucionalização da Justiça, a difusão e o aprimoramento da cultura, permitiu que os anjos derrotassem os demônios. Foi o que livrou a espécie humana da barbárie”.V Foge do nosso escopo, neste momento, discutir sua afirmativa quanto a existência de “anjos e demônios dentro de nós”, mas vale muito a pena assistir, com legendas, a defesa de suas idéias no endereço eletrônico http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/steven_pinker_on_the_myth_of_violence.html.

 Em nome da ciência, e por método científico, Steven Pinker prova que a civilização está muito melhor em comparação com o passado.

A esse respeito, atentemos para O Livro dos Espíritos.

Em sua questão 784 encontramos: “A perversidade do homem é muito grande. Não parece recuar em vez de avançar, pelo menos do ponto de vista moral? – Engano vosso. Observai bem o conjunto e vereis que o homem avança, uma vez que compreende melhor o que é o mal e a cada dia corrige abusos. É preciso o mal chegar a extremos para fazer compreender a necessidade do bem e das reformas.”

Avançar significa progredir, e como o progresso é parte da Lei Natural, o Codificador questionou na questão 779: O homem traz em si o impulso de progredir ou o progresso é apenas fruto de um ensinamento? – O homem se desenvolve naturalmente, mas nem todos progridem ao mesmo tempo e do mesmo modo; é assim que os mais avançados ajudam pelo contato social o progresso dos outros.

A resposta acima nos leva à particularidade do desenvolvimento dos espíritos, em função do Livre Arbítrio de cada um, e à “obrigatoriedade” dos que estão em posição superior, qualquer que seja essa posição, espiritual ou material, de socorrer os mais necessitados.

Com relação a dualidade do progresso do espírito, a questão 780 é muito clara: “O progresso moral é sempre acompanhado do intelectual? – É sua conseqüência, mas nem sempre o segue imediatamente”. Desta forma, há uma diversidade de entendimento moral entre os espíritos vinculados ao nosso globo, e a explicação vem pela questão 755, onde Kardec pergunta: “Como se explica existirem, no seio da civilização mais avançada, seres algumas vezes tão cruéis quanto os selvagens? – Exatamente como numa árvore carregada de bons frutos há os que ainda não amadureceram, não atingiram o pleno desenvolvimento. São, se o quiserdes, selvagens que têm da civilização apenas o hábito, lobos extraviados no meio de ovelhas. Espíritos de ordem inferior e muito atrasados podem encarnar em meio a homens avançados na esperança de avançarem; mas, sendo a prova muito pesada, a natureza primitiva os domina”.

O futuro é promissor, e é evidenciado pela questão 756: “A sociedade dos homens de bem estará um dia livre dos malfeitores? – A humanidade progride; esses homens dominados pelo instinto do mal que se acham deslocados entre as pessoas de bem desaparecerão pouco a pouco, como o mau grão é separado do bom depois de selecionado. Então renascerão sob um outro corpo e, como terão mais experiência, compreenderão melhor o bem e o mal. Tendes um exemplo disso nas plantas e nos animais que o homem conseguiu aperfeiçoar e nos quais desenvolveu qualidades novas. Pois bem! É somente depois de muitas gerações que o aperfeiçoamento se torna completo. É a imagem das diferentes existências do homem”. E o método utilizado pela Inteligência Suprema é descrito pela questão 783: “O aperfeiçoamento da humanidade segue sempre uma marcha progressiva e lenta? – Há o progresso regular e lento que resulta da força das coisas; mas quando um povo não avança rápido o suficiente a Providência provoca, de tempos em tempos, um abalo físico ou moral que o transforma”.

Como o estágio de regeneração é coisa para o futuro, convém nos inteirarmos a respeito da benção que temos nas mãos, entendendo que a mensagem do Consolador é redentora, conforme esclarece a questão 799: “De que maneira o Espiritismo pode contribuir para o progresso? – Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, e fazendo os homens compreenderem onde está seu verdadeiro interesse. A vida futura, não estando mais encoberta pela dúvida, fará o homem compreender melhor que pode, desde agora, no presente, preparar seu futuro. Ao destruir os preconceitos de seitas, de castas e de raças, ensina aos homens a grande solidariedade que deve uni-los como irmãos”.

Então, as perguntas que se seguem é: o que estamos fazendo com nossas possibilidades de progresso? Como estamos direcionando nossas conquistas? A quem temos ajudado? O que temos feito pelos nossos inimigos e pelos inimigos da sociedade?

O Senhor Jesus deixou claro que a seara é grande, e por isso há necessidade de muitos trabalhadores, e para que tenhamos o “direito” de viver em um mundo regenerado, será preciso crescer moral e intelectualmente, socorrendo os que se encontram à nossa retaguarda, desenvolvendo e exemplificando a confiança e o otimismo, porque, assim como o Senhor disse que iria nos preparar o lugar, disse também que a cada um sempre é dado segundo suas próprias obras.

Pensemos nisso.


Antônio Carlos Navarro
C. E. Francisco Cândido Xavier – São José do Rio Preto /SP 


10 novembro 2018

Relações Conjugais Cármicas - Fernando Rossit



RELAÇÕES CONJUGAIS CÁRMICAS


Nos sentimos atraídos por outras pessoas por duas razões, basicamente: afinidade ou compromissos espirituais.

Num primeiro momento, nem sempre é possível distinguir uma coisa da outra quando nos aproximamos de alguém com a intenção de consolidar um relacionamento mais íntimo (amizade, namoro, casamento…).

A dúvida é: – o que estou sentindo advém de uma “atração cármica” ou trata-se de um espírito amigo com o qual já me relacionei saudavelmente no passado?

“Quando duas pessoas se encontram nos caminhos da Vida e sentem, de forma imediata e automática, uma conexão/atração mútua e irresistível, pode tratar-se de uma situação de um relacionamento cármico entre os dois, que já vem de outras vidas”.V Talvez por isso é que muitos relacionamentos que inicialmente pareciam ter tudo para dar certo, acabam de forma dramática e muitas vezes trágica.

Mas por que será que isto acontece? E o que são encontros cármicos?

São encontros de almas que têm pendências de outras vidas para resolverem entre si.

A principal característica de um relacionamento cármico baseia-se no fato de que ambos parceiros carregam emoções não resolvidas dentro de si, tais como culpa, medo, dependência, ciúmes, raiva, ressentimentos etc, trazidas de outras vidas e que precisam ser resolvidas na vida atual.

E a oportunidade de resolver dá-se exatamente pelo “reencontro” entre as duas almas.

Num reencontro cármico, a outra pessoa é-nos imediata e estranhamente familiar, mesmo que nunca a tenhamos visto nesta vida ou que não a conheçamos bem.

Este tipo de reencontro, muitas vezes, acaba por se transformar num relacionamento amoroso ou numa intensa paixão. E então as emoções que experimentamos podem ser tão avassaladoras, que acreditamos ter encontrado a “alma gêmea”.

Por causa da “carga emocional” não resolvida, estes dois seres sentem-se atraídos um pelo outro na vida atual e o reencontro é a oportunidade de resolverem o que ficou pendente e libertarem-se, para uma vivência mais plena e feliz.

Então o que acontece quando duas pessoas assim se encontram?

Dois seres com questões por resolver, quando se encontram, sentem uma compulsão, quase que uma emergência em estar mais perto um do outro.

Entretanto, depois de algum tempo, por força dos problemas e atritos que inevitavelmente surgem no relacionamento atual (dessa vida), poderão repetir os mesmos padrões emocionais que causaram rompimentos e dores numa vida passada.

Uma nova existência juntos é a grande oportunidade para enfrentarem os problemas pendentes e lidar com eles de uma forma mais iluminada.

Ou não!

Tudo depende do grau de maturidade emocional de cada um e da vontade de superar as dificuldades do relacionamento.

Por isso, muitos casais acabam por se separar de forma dramática e dolorida, mesmo que o relacionamento tenha começado num aparente “mar de rosas” e, muitas vezes, nem eles mesmos conseguem perceber muito bem por que as coisas deram errado.

Este tipo de relacionamento, por causa da carga emocional e bloqueios que traz consigo, trará sempre grandes desafios, muitos deles bem dolorosos, que virão à tona mais cedo ou mais tarde.

Após algum tempo, geralmente os parceiros acabam envolvendo-se num conflito psicológico, que poderá ter como base a luta pelo poder, o controle e a dependência, seja emocional, material, ou de outra natureza.

E o que isto significa? Significa que muitas vezes, estes dois seres acabam repetindo comportamentos ou criando situações que o seu subconsciente “ reconhece” de uma vida anterior, onde essas pessoas podem ter sido amantes, pai e filho, patrão e funcionário, ou algum outro tipo de relacionamento.

Pode ser que, nessa vida anterior, um dos dois tenha aberto uma ferida emocional no outro, através infidelidade, abuso de poder, manipulação, agressão etc, tendo provocado cicatrizes profundas e trauma emocional.

O propósito espiritual deste tipo de “reencontro” para ambos os parceiros é que eles aproveitem esta oportunidade para fazer escolhas diferentes das que fizeram numa vida passada e aprendam um com o outro, tudo o que deve ser aprendido e absorvido, para a evolução de ambos.

Identifique se está neste tipo de relacionamento, aprenda as lições necessárias, cresça e amadureça.

Caso ambos parceiros sejam suficientemente maduros e evoluídos emocionalmente, o relacionamento cármico pode sim ser verdadeiramente benéfico e transformador para ambos.

Fernando Rossit
Bibliografia de apoio: Reencarnação – Richard Simonetti



09 novembro 2018

Superações íntimas por meio do perdão - Jorge Hessen



SUPERAÇÕES ÍNTIMAS POR MEIO DO PERDÃO


Com Kardec aprendemos que devemos amar os criminosos [que nos ultrajam] como criaturas de Deus, “às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos, se se arrependerem”(1), como também a nós, pelas faltas que cometemos contra sua lei. Não nos cabe dizer de um criminoso: é “um miserável; deve-se expurgar da terra; não é assim que nos compete falar. Que diria Jesus se visse junto de si um desses desgraçados? Lamentá-lo-ia; considerá-lo-ia um doente bem digno de piedade; estender-lhe-ia a mão. Em realidade, não podemos fazer o mesmo, mas pelo menos podemos orar por ele.” (2)

No quotidiano, quando somos ofendidos por esse ou aquele motivo, quase sempre encapsulamos o desejo de revanche e mantemos o “link” mental com as forças poderosas do mal, que somadas a outras tantas circunstâncias potencializam as sombras de nossos desagravos. Naturalmente, o perdão não significa conivência com o erro, até porque a atitude de perdoar e desculpar sem limites pode incitar o criminoso à prática do mesmo ato reprovável. Isso não é perdão, mas subserviência ou omissão.

Ora, todos sabemos que perdoar coisas leves contra nós mesmos é relativamente fácil; porém, quando se trata de algo mais grave como um assassinato, um estupro, uma infidelidade conjugal por exemplo, a dificuldade de superação da mágoa aumenta consideravelmente. Por isso a Doutrina Espírita leva a refletir que o perdão será sempre o sentimento que nas superações pessoais transcendem ao próprio ser.

Escutemos as palavras de Jesus: “Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem e caluniam” (3). E mais: “Se perdoares aos homens as faltas que cometeram contra vós, também vosso Pai celestial vos perdoará os pecados; mas, si não perdoardes aos homens quando vos tenham ofendido, vosso Pai celestial também não vos perdoará os pecados”. (4)

Não resta dúvida de que aprendendo a perdoar estaremos promovendo nosso crescimento espiritual. Mas não podemos nos deixar ensopar de hipocrisia ao ponto de dizermos que já conseguimos perdoar todos os que nos ofendem. Certamente os agravos que nos façam não ficarão isentos das consequências naturais, mas deixemos a cargo do Criador a justa reparação.

Ouçamos o Mestre: “Aprendestes que foi dito: olho por olho e dente por dente. – Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal que vos queiram fazer; que se alguém vos bater na face direita, lhe apresenteis também a outra…”. (5) Os Benfeitores advertem: “No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram. Jesus não quis dizer para deixarmos de reprimir o mal, mas para não pagar o mal com outro mal. Perdão é o pagamento do mal com o Bem… O perdão nivela os homens pelo que neles há de melhor, libertando quem perdoou dos maus sentimentos que o escravizavam a quem o feriu.” (6) 

Refrear o desejo de vingança não é possível quando alguém sente o coração transbordar de fúria. Contudo, lembremos que entre o desejo de vingança e a execução da ação vingativa existe espaço suficiente para exercermos o livre-arbítrio, ou seja, a escolha entre o bem e o mal. A vingança será sempre uma atitude insensata e inútil, até porque nenhum benefício trará ao nosso progresso, e uma vez consumada, terá satisfeito apenas a nossa inconformação diante dos desconhecidos motivos da nossa provação.


Jorge Hessen


08 novembro 2018

Tédio - Espiritismo na Rede




TÉDIO



Muitas pessoas estabelecem objetivos de vida, que passam a ser buscados com intensa determinação.


Limitam seus interesses na conquista de seus sonhos e quando os alcançam nem sempre encontram neles o sentido e o significado que esperavam.


A meta, que por tanto tempo representou a razão de viver, cede lugar ao tédio, empurrando os seres para os abismos da depressão ou dos vícios.


Por vezes, são pais que colocam na vida dos filhos os próprios sonhos.


Projetam no futuro de seus rebentos os desejos que eles próprios não puderam realizar.


No entanto, os filhos crescem e devem enfrentar as próprias lutas e dar curso às próprias vidas.


Por vezes a constatação dessa verdade causa nos pais, mais despreparados, amarga aflição.

Outros, ainda, anseiam por alcançar um patamar elevado na carreira para amealhar, assim, consideráveis recursos financeiros.

Porém, quando seus objetivos se realizam, sentem-se desestimulados.

Há aqueles que se esforçam para ter fama e destaque na sociedade e que, quando os alcançam, amargurados e vazios, entregam-se às drogas e aos abusos do sexo.

Inquietação e desequilíbrio costumam servir de base na busca por objetivos imediatos de prazer e de satisfação.

Tais metas são frutos do egoísmo que ainda move os seres, e quando alcançadas produzem tão-somente rápida e passageira satisfação.

Em pouco tempo a antiga e conhecida sensação de aborrecimento e de vazio volta a exercer forte influência no cotidiano.

Como se todo o esforço tivesse sido vão.

Como se toda a luta não tivesse valido a pena.

Nos lábios, a impressão de que alguma palavra ficou faltando.

Na boca, a permanente sensação de sede.

É a fome de realização plena.

É uma sensação de que, em sonho, tudo era mais belo e satisfatório.

É o tédio, terrível flagelo que consome existências.

Silencioso e ardiloso, penetra suavemente no comportamento, instalando-se na mente e no sentimento, depauperando e dominando os indivíduos.

Quando te percebas a um passo do tédio, assume nova postura e busca uma atividade que te preencha o tempo físico e mental de forma útil.

Nunca te consideres impossibilitado de trabalhar, de agir no bem e de produzir.

Considera o esforço dos artistas sem braços, sem pernas, que se revelaram excelentes pintores, escultores, desenhistas, ricos de inspiração e de alegria de viver.

Reflete sobre a vida de outros deficientes que se transformaram em mensageiros da renovação interior, tornando-se membros indispensáveis da economia moral e social no mundo.

O esforço que lhes foi exigido não lhes concedeu tempo para qualquer forma de tédio ou de desinteresse, entregando-se à lamentação ou ao desencanto.

Não cesses de edificar, nem te permitas contemplar a retaguarda do já feito.

Examina a perspectiva do quanto ainda necessitas realizar.

Aspira à conquista do infinito e nunca te sentirás entediado com os logros conseguidos.

Quem se basta com as aquisições meramente materiais ainda não alcançou a real maturidade, nem descobriu as prioritárias metas existenciais.

Aquele que anela pela alegria de viver, não apenas pelo que consiga deter nas mãos, jamais será vítima do tédio, porque estará sempre em ação, sentindo-se útil e pleno.


Redação do Blog Espiritismo Na Rede , com base no capítulo 13 do livro Diretrizes para o êxito, de Divaldo Pereira Franco, ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.



07 novembro 2018

Os tempos são outros - Adriana Machado



OS TEMPOS SÃO OUTROS


Estamos em um momento de transição.

Não estou me referindo ao momento eleitoral, apesar de ser real no nosso país, mas sim da transição planetária.

Estamos em um momento em que todas as nossas mazelas estão emergindo com as experiências que estamos vivenciando.

A espiritualidade fala abertamente que as nossas máscaras estão caindo. Elas já não se sustentam mais, elas não devem ser mais utilizadas para nos iludir porque os tempos são outros.

NÃO ENTENDERAM, EU EXPLICO

Para aqueles que não sabem do que eu estou falando, vai aqui um pequeno resumo: nosso planeta é habitado por espíritos imperfeitos, de terceira ordem[1], espíritos que podem ser descritos como propensos ao mal, ignorantes, orgulhosos, egoístas, etc.

Nossos conhecimentos sobre “as coisas do espírito” são limitados e o pouco que sabemos fazemos comparações que, por vezes, nos levam ao equívoco por não termos qualquer noção do que está além de nós, só do que vemos na matéria. Vivemos em um mundo interior de tormentos, porque, pela nossa ausência de entendimento da divina sabedoria, sentimos intensamente e nos revoltamos a cada circunstância que não nos agrada, a cada “injustiça” que pensamos ser alvo.

Em razão desse nosso grau evolutivo, vivemos em um mundo material que nos recepciona e que é descrito, na escala planetária, como de provas e expiações e que, abaixo de nós, somente os planetas primitivos, aqueles que recepcionam as almas humanas que acabaram de nascer. Então, podemos concluir que ainda muito precisaremos caminhar para atingirmos mundos mais evoluídos.

A boa notícia, no entanto, é que estamos saindo desse patamar planetário e estamos entrando em um novo nível, na regeneração. Nosso mundo está evoluindo e precisa que aqueles que nele habitam também cresçam. Não sairemos da escala de espíritos imperfeitos, mas diante do que já aprendemos (o que não é muito) teremos condições de buscar novas forças, repousando das lutas empreendidas, para enfrentarmos nossas novas expiações.

Para tanto, não conseguiríamos permanecer aqui, num planeta que está buscando novas energias, sem desabarem as máscaras que vestimos todos os dias, com as quais buscávamos iludir a quem conosco convive, com as quais buscávamos nos iludir para continuarmos vítimas (e sem responsabilidade) da Soberana Justiça.

O QUE FAZEMOS, ENTÃO?

TEMPO DE ILUDIR X TEMPO DE AGIR

Necessitamos saber quem somos. Necessitamos nos enxergar, doa a quem doer. Foi por isso que viemos nesta fase de transição e é por isso que tudo o que vemos está acontecendo agora. Todas as experiências que vivemos, da mais simplória circunstância à mais complexa, nos levam a enxergar quem somos. E sabendo quem somos, podemos fazer nossa escolha futura.

Pensem comigo: se temos segurança financeira, social e ideológica, nada nos levará a agir ou reagir com o que há de primitivo em nós. Nada nos incitará a trazermos à tona nossos instintos de sobrevivência, nossas reações egoístas e violentas. Mostrar-nos-emos sempre civilizados.

Para que fique palpável o que afirmo, pensemos no caso global dos refugiados (da Síria, Afeganistão, Somália, Venezuela...). São milhões de refugiados que fogem de seus países de origem em razão de perseguições políticas, de raça, de religião, necessitando do abrigo dos países que estão mais próximos e, principalmente, necessitando que os que os abrigarem os vejam como seres humanos.

Não afirmo ser errado um país temer receber um contingente enorme de pessoas que, por vezes, é até maior que o seu próprio número de cidadãos, mas, isso só acontece porque o mundo se faz cego diante da necessidade dos que sofrem. Afirma-se que não é problema nosso uma guerra, uma chacina no país vizinho e, quando somos pegos de surpresa com a imigração dos que fogem, não temos (como mundo) um planejamento de contingência para colocarmos em prática.

Mas, verdadeiramente, o que quero chamar a atenção de vocês nessa questão é (não passem adiante sem responder as perguntas):

  • O que pensamos e como agimos quando o problema é do outro (de outro país, por exemplo)? Julgamo-lo por fechar suas fronteiras?
  • O que pensamos e como agimos quando o problema chega em nossas mãos? Queremos abrir as nossas fronteiras para eles?

Conseguiram responder?

Quais foram os sentimentos que brotaram em seus corações?

  • Medo, temor deste acolhimento trazer prejuízos ao conforto que todos usufruem?
  • Medo, temor deles preencherem os empregos que já são tão poucos?
  • Medo, temor do aumento da violência e pobreza que vem com a falta de infraestrutura para toda essa gente?
  • Medo, temor de suas crenças tão diferentes das que possuem?

Mas, será que somos somente “trevas”?

  • Será que também não sentimos piedade, amor, necessidade de acolher aqueles que precisam mesmo que se lhes impunha algumas condições?
  • Será que também não sentimos piedade, amor, necessidade de acolher aqueles que precisam seja qual for o resultado que isso acarrete na nossa vida, na de nossos amores, ou em nosso país?

Qualquer que seja aquele(s) com o qual(is) nos identificamos somos nós! Esse ser que emergiu dos recôncavos de nosso mundo interior é quem estamos e que, sem um impulsionamento externo, não o flagraríamos. Esse ser que precisa ser elogiado ou lapidado com carinho e dedicação.

Não se iludam achando que, neste período, precisamos descobrir somente as nossas mazelas internas. Muitas vezes, precisamos enxergar o quanto crescemos, o quanto estamos melhores para nos sentirmos merecedores de permanecer neste planeta de regeneração.

Abramos os nossos olhos. Não queiramos esconder de nós mesmos quem ainda somos, porque não conseguiremos enganar a Supremacia Divina que sabe o que é melhor para nós.

Acreditem que estarmos em um mundo onde não nos enquadramos seria ruim. O ambiente nos incomodaria, as pessoas nos incomodariam, as nossas imperfeições nos dilacerariam interiormente, nos trazendo muito sofrimento. A boa notícia é que, se estamos aqui, ainda muito poderemos fazer para nos melhorar. Se estamos aqui é porque a Suprema Providência entende que temos os instrumentos para darmos a volta por cima porque, como foi dito acima, quem permanecerá aqui ainda é um espírito imperfeito, mas esse desejará mudança, esse terá em seu ser a vontade de valorizar suas vitórias, superar suas “chagas interiores” e seguir em frente, junto com toda a humanidade.

Os tempos são outros, mas nós estamos aqui. Façamos parte "destes tempos" com consciência.

[1] In “O Livro dos Espíritos”, p. 73, Ed Petit, 1999.


06 novembro 2018

Uma Reencarnação Identificada - Marlene R.S.Nobre



UMA REENCARNAÇÃO IDENTIFICADA


O estranho caso que vou contar aqui começou por volta de 1975, no Estado do Pará, com alguns de seus personagens consultando Chico Xavier, em Uberaba, Minas Gerais.

No verão de 76, o médium Chico recebeu a visita de uma professora muito simpática, acompanhada de seu irmão, um rico fazendeiro com muitas terras, lavouras e gado naquele Estado. Contou à professora que seu irmão ali presente tinha uma filha única de 21 anos, que se apaixonara por um rapaz filho de outro fazendeiro, cujas terras eram limítrofes com os campos de seu irmão.

Precisamente por causa de divisas de terra, os dois homens tornaram-se inimigos mortais, com atentados de ambas as partes. De forma que seu irmão, ao saber da paixão da filha pelo moço, primeiramente advertiu-a com a máxima severidade, mais tarde ameaçou deserdá-la e mais adiante prendeu-a por dez dias a pão e água no porão da casa da fazenda. Como a jovem não aceitasse o término daquele amor, o pai enviou-a para São Luiz do Maranhão, como interna num colégio de freiras.

Nesse ponto da narrativa o fazendeiro toma a palavra e diz a Chico Xavier: “Seu Chico, sou de outra religião mas aceitei vir aqui com minha irmã para lhe dizer que mesmo essa mudança de cidade não adiantou, porque o cabra da peste descobriu o paradeiro da minha filha, indo morar em São Luiz. Trouxe-a de volta e agora estou diante do senhor para saber se o senhor tem alguma reza forte para que minha Aninha esqueça esse cafajeste. Se não tem, o único jeito de solucionar o caso é mandar esse cara pros sete palmos. Não vou entregar minha fortuna para o filho de meu pior inimigo”.

Chico ponderou-lhe que um tal amor sugeria o encontro de almas afins, que esse amor não deveria ser proibido, que matar o rapaz também não extinguiria a ligação de compromisso entre os dois, e que a única prece a fazer era pedir muita inspiração a Deus, aos nossos espíritos superiores.

No dia seguinte, os dois irmãos regressaram a Belém do Pará e, um mês após essa visita, soube-se que o rapaz apaixonado fora morto numa emboscada por dois pistoleiros, caso esse que a polícia não haveria de deslindar.

Cinco anos após esse acontecimento, a professora paraense retorna a Uberaba para falar com o médium Chico, a quem contou isto:

“Após a morte do rapaz, sua sobrinha caiu em profunda depressão, quase a loucura. Ficou seis meses internada num hospital psiquiátrico, após o que ganhou alta médica, em observação. A seguir, a insistentes rogativas de seu pai, concordou finalmente em casar-se com o filho de um fazendeiro da região, este muito amigo da família.

Feito o casamento, com grande pompa e circunstância, 11 meses após nascia um lindo e robusto menino, quando então passou a surgir um novo problema. Com apenas um mês de idade, a criança demonstrava estranha alergia pelo avô, felicíssimo com o neto varão. Ao longo de três anos, uma imensa equipe de médicos especializados, psicólogos e pediatras examinou o menino sem êxito, nem explicação plausível”.

Agora, a tia vinha indagar de Chico Xavier se havia algum remédio para inverter ou melhorar essa situação, possibilitando que a criança gostasse um pouco mais do avô. Ao que Chico respondeu: Infelizmente, agora pouco há fazer. Estão me dizendo aqui que o Espírito dessa criança é o do próprio rapaz que foi morto. A paixão de ambos não se findou com a morte dele. Não tendo conseguido entrar na sua família pela porta do matrimônio, voltou aos braços de sua amada por via da reencarnação.


Marlene Rossi Severino Nobre
Lições de Sabedoria

05 novembro 2018

Onde nos situaremos? - Antônio Carlos Navarro



ONDE NOS SITUAREMOS?


Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração. Jesus (Mateus 6:21)

Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. Jesus (Mateus 18:18)

Nos esclarecimentos acima, dados pelo Senhor Jesus, observamos que tudo o que chama a atenção do Espírito propicia um elo formado pelo sentimento correspondente.

Bastará um pequeno esforço no sentido de observarmos a nós mesmos para percebermos o quanto estamos ligados a coisas, pessoas, cargos, posições sociais e pontos de vistas, e quanto os defendemos, até mesmo com ferocidade, para não nos sentirmos inferiorizados em caso de contrariedade e perdas.

E quanta energia gastamos nisso! Energia que seria melhor utilizada se a utilizássemos para o nosso progresso moral. 

Explica a Doutrina Espírita que o egoísmo, junto com o orgulho, é um dos maiores entraves ao progresso do Espírito por prendê-lo às coisas e situações que são passageiras, e que tem utilidade somente no que pode dar ao Espírito ensinamentos e experiências para o seu desenvolvimento rumo à perfeição a que está destinado.

Fora a questão da perda da liberdade material e espiritual no apego, corre-se outro risco que não é avaliado por nós outros no cotidiano.

Trata-se do que está embutido no segundo versículo acima anotado.

O vocábulo “céu”, no referido versículo, tem a conotação de Mundo Espiritual, e o Senhor está nos dizendo que se não nos desvincularmos sentimental e emocionalmente do que nos prende espiritualmente, ao desencarnarmos carregaremos os mesmos sentimentos e interesses emocionais para lado de lá, e por conta da ligação criada e mantida pelos interesses do Espírito, automaticamente nos manteremos preso ao Mundo Material, sem a possibilidade de enxergar não só as belezas da espiritualidade, como também as bênçãos do socorro espiritual.

Há consequências negativas nessa condição.

A convivência com desencarnados estacionados junto ao que lhe prendem a atenção, expõe ao risco da influência energética prejudicial causada pelo períspirito deles, desajustado pelo comportamento materialista, podendo resultar em impressões e sentimentos nocivos à saúde física e emocional dos encarnados.

Para o próprio desencarnado o prejuízo está justamente na interrupção do progresso espiritual, que o afasta da consequente percepção da felicidade que tanto se almeja, e que está à disposição de todos por determinação da Providência Divina.

A solução, evidentemente, não é abrir mão de tudo e de todos, vivendo uma vida sem sentimento e emoção mas, sim, de dar o justo valor a tudo o que nos envolve, tirando proveito para o crescimento do Espírito, obedecendo a vontade de Deus, que sempre sabe o de que necessitamos, muito antes de pedirmos, como asseverou Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

04 novembro 2018

Rigidez mental: Quando tua Forma de Pensar te Impede de Crescer - Tales Luciano Duarte



RIGIDEZ MENTAL: QUANDO TUA FORMA MENTAL IMPEDE DE CRESCER


Albert Einstein disse que “a mente que se abre a uma nova ideia nunca retorna ao seu tamanho original.” No entanto, abrir a mente é um exercício complicado, muito mais do que gostaríamos de admitir.

Na verdade, já começamos a construir a rigidez mental a partir do nascimento. Cada aprendizagem abre novas portas, mas também fecha outras.

À medida que crescemos e formamos nossa própria imagem do mundo, já estamos cheios de estereótipos, preconceitos e crenças que são muito difíceis de remover. No entanto, a rigidez mental não se refere apenas às ideias, mas, acima de tudo, a maneira de pensar.

A rigidez mental nos torna prisioneiros, pois diminui nossa capacidade de adaptação, criatividade, espontaneidade e positividade. Nos prendemos a velhos padrões que nos impedem de crescer intelectualmente e emocionalmente.

Na verdade, as pessoas rígidas mentalmente são aquelas que:

– Pensam que só há um “modo adequado” de fazer as coisas.

– Assumem que a sua perspectiva é a única correta e que as demais pessoas estão erradas.

– Não estão abertas à mudança porque isso as assusta.

– Se apegam ao passado e recusam se mover.

Mas, se há alguma coisa que caracteriza pessoas com rigidez mental, é o desejo de ter razão a todo custo. Elas não percebem que este desejo é extremamente prejudicial porque a possibilidade de estarem erradas e cometerem erros é, justamente, a principal ferramenta de aprendizado e crescimento.

Nós não podemos crescer, não podemos realmente assimilar novos conhecimentos, seja a nível intelectual ou emocional, se não nos dermos conta de que o que sabemos ou cremos pode estar errado ou, pelo menos, ser insuficiente. Flexibilidade mental é justamente saber que qualquer decisão que tomamos, sempre abre diante de nós um mundo de possibilidades.

Portanto, a flexibilidade mental consiste em estarmos dispostos a aceitar a possibilidade de equivocar-nos, não ter medo dos erros e tentar entender e abraçar as coisas novas ou pontos de vista diferentes dos nossos.

A Rigidez Mental como resistência inconsciente:

A pessoa que desenvolve uma maneira muito rígida de pensar, de certa forma, está se protegendo. De fato, a rigidez mental pode também ser entendida como uma resistência psicológica. Em certo ponto, pois quando uma ideia vai contra ao que se pensa, a pessoa experimenta uma sensação estranha que lhe confunde, paralisa e faz com que se feche às razões.

Assim, muitas pessoas simplesmente rejeitam o argumento, sem analisar. No entanto, a boa notícia é que, quando isso acontece, é porque algo no seu interior se dá conta que há um problema, algo precisa ser resolvido, embora o processo seja doloroso.

De fato, em muitos casos, perceber que algo que você acreditava cegamente por anos não é verdade, ou pelo menos não é toda a verdade, pode causar uma dor enorme que pode dar lugar a uma crise existencial.

Como Abrir a Caixinha:

A boa notícia é que a flexibilidade mental é uma habilidade que pode ser desenvolvida e aprendida.

1. Concentre-se em suas emoções

Quando você está tentado a rejeitar completamente uma ideia, observe como você se sente. Se você se sentir desconfortável com o que você ouve, é provável que a rigidez em sua maneira de pensar esconda uma resistência inconsciente.

Pergunte a si mesmo de que tem medo. Se você responder honestamente, irá descobrir muitas coisas. Na verdade, quanto mais medo você perceber que sente, mais será capaz de iluminar essa resistência.

2.  Alimente o desejo de crescer

A curiosidade continua sendo uma das ferramentas mais poderosas que temos à nossa disposição para crescer como pessoas.

Em vez de aceitar as velhas ideias, pergunta-se: “Por quê?”. Se começar a se questionar sobre tudo que você sempre deu como certo, não só encontrará respostas novas como também descobrirá um novo mundo, muito mais vasto.

3. Desenvolva empatia

Em muitos casos, você provavelmente não concordará com as ideias, as formas de pensar e atitudes dos outros. No entanto, em vez de rejeitá-los de imediato, tente se colocar no lugar deles para entender de onde vêm esse ponto de vista. Se você rejeitar o que não sabe ou não gosta, você será a mesma pessoa de antes, mas se você tentar entender o outro, terá caminhado um passo além e crescerá.

4. Abrace os erros

Ter certa flexibilidade mental significa não ter medo dos erros, significa estar disposto a aproveitar as novas oportunidades, mesmo que isso signifique se equivocar.

Trata-se de entender a vida como um contínuo aprendizado, onde cada erro não é um passo atrás, mas sim um passo a frente em nossa evolução, pois nos permite desfazermos velhos padrões já enraizados.

5. Não busque a verdade absoluta

Toda vez que assumimos uma verdade como um fato imutável, significa que paramos de olhar nessa direção e, portanto, começamos a morrer um pouco todos os dias nessa área. Assim, é importante não se prender a uma única maneira de ver as coisas e manter uma mente aberta.


Por Tales Luciano Duarte


03 novembro 2018

Perda de Pessoas Amadas - Bezerra de Menezes




PERDA DE PESSOAS AMADAS


"Na verdade, nosso ente querido não morreu, apenas regressou às regiões espirituais de onde partiu antes de renascer na Terra."

Ao nos defrontarmos com a morte de um ente amado, é natural que a dor da partida nos envolva com emoções de muita tristeza. Mas é necessário que ajustemos a nossa mente a um raciocínio mais amplo sobre as leis da vida, a fim de que a revolta e o desespero se apartam de nós o mais depressa possível.

Na verdade, nosso ente querido não morreu, apenas regressou às regiões espirituais de onde partiu antes de renascer na Terra. Carecemos de raciocinar espiritualmente, isto quer dizer abortar o pensamento materialista que estreita a nossa vida a limites muito pequenos entre berço e túmulo.

Ora, caríssimos irmãos, porventura Deus edificaria toda a obra maravilhosa do universo, com milhões de estrelas, rios, mares, florestas, para que o homem vivesse tão pouco? Não foram os homens criados para as estrelas, mas as estrelas é que foram concebidas por Deus para o homem. Por que a divindade se esmearia em criar tantas galáxias, numa vastidão tão infinita que o homem ainda não foi capaz de aquilatar a extensão dos mundos, apenas para que a criatura humana vivesse por tão poucos anos? Se Deus é o autor da vida, por que Ele se contentaria com a morte tal como o materialismo a concebe?

Raciocinemos mais amplamente, filhos. A morte é simples passagem desta realidade terrena para as outras infinitas realidades além da matéria. Comecemos a treinar nossa mente para conceber a vida além da realidade física que nos cerca. Nossos sentidos captam faixas limitadas da vida. Não queiramos pensar que só existe aquilo que vemos. A vida avança muito além daquilo que nossa limitada visão consegue captar. E é além dessa fronteira que nossos entes amados se encontram, refletindo, trabalhando, cooperando conosco, e esperando o dia do grande reencontro.


Espírito Bezerra de Menezes
Por José Carlos de Lucca
Do Livro Recados do Meu Coração , p. 143
Fonte: Intelítera


02 novembro 2018

O Perdão Verdadeiro - Hugo Lapa




O PERDÃO VERDADEIRO



No ato de perdoar, não podemos pensar dessa forma:

“Ele errou comigo. Ele me fez muito mal. Eu não merecia esse tipo de crueldade. Mas como eu sou uma pessoa boa e mais evoluída que meu algoz, vou deixar pra lá e esquecer o que passou. Não vou me vingar dele. Ele merecia, mas não o farei.”

Quem pensa dessa forma, não perdoa verdadeiramente. Apenas se engana que está perdoando.

O perdão verdadeiro consiste na seguinte postura:

“Não posso pensar que ele errou comigo, pois o julgamento só cabe a Deus. Todas as pessoas erram, inclusive eu mesmo. Se eu errasse com alguém, também gostaria de ser perdoado. As pessoas são diferentes e cada uma se encontra num certo nível de consciência e amadurecimento espiritual. Ele não sabe ao certo o que fez e não entende bem as consequências dos próprios atos. Como disse Jesus: Pai, perdoa-os, pois eles não sabem o que fazem. Vou perdoar para me libertar dessa mágoa e poder ser feliz. A mágoa não me leva a lugar nenhum. Não faz mal ao outro, mas prejudica apenas a mim mesmo. Eu também sou imperfeito e não tenho direito de julgar ninguém. Não permitirei mais o ato do outro me afetar. Por isso, entrego tudo a Deus com fé, pois somente a Ele cabe o juízo sobre a verdade das coisas e das pessoas.”

Se você perdoa da primeira forma, é preciso dizer que você está se enganando. Isso não é perdão verdadeiro.

O perdão real, verdadeiro e desprendido se consolida quando seguimos a segunda via, a segunda postura. O perdão não é um benefício que você concede ao outro por ser bonzinho e o outro ser mal. Perdão é um ato de libertação de uma prisão emocional. O que o outro faz é problema dele, é o karma dele. Como você vai reagir é problema seu, é seu karma, é sua vida, é sua semeadura no bem, na paz e no amor que depois você vai colher. E claro, vale lembrar que ninguém é obrigado a perdoar. No entanto, lembremos do ensinamento de Jesus quando ele diz: “Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas.” (Mateus 6:15)

Perdão é principalmente quando colocamos em prática o outro ensinamento de Jesus, que ele proferiu no momento do sofrimento mais intenso na cruz:

“Pai, perdoa-os, pois eles não sabem o que fazem.”


Hugo Lapa


01 novembro 2018

A escola poderá fazer o cidadão, mas somente o lar pode edificar o homem - Jorge Hessen




A ESCOLA PODERÁ FAZER O CIDADÃO, MAS SOMENTE O LAR PODE EDIFICAR O HOMEM  

No Japão, tarefas escolares como limpeza da sala de aula são feitas pelos próprios alunos que ainda têm atividades extracurriculares de esporte e artes que instruem para o respeito à coisa pública e a importância do trabalho em grupo. Além das aulas, a rotina de um professor no Japão inclui aconselhamento, serviços administrativos e visitas às casas dos alunos. Valoriza-se a aprendizagem ativa, onde o aluno é protagonista, e o professor mediador, sempre com o envolvimento da família na educação para se alcançar os melhores resultados.

Na verdade, os pais são responsáveis pelo desenvolvimento dos valores dos filhos e não devem apostar na escola para exercer essa tarefa. Um pai autêntico éaquele que cultiva em casa a cidadania familiar. Ou seja, ninguém em casa pode fazer aquilo que não se pode fazer na sociedade. É preciso impor a obrigação de que o filho faça isso, e assim cria-se a noção de que ele tem que participar da vida comunitária. Não há dúvida de que ante as balizas do bom senso e moderação os pais precisam estabelecer limites. Porém, essa exigência é muito mais acompanhar os limites daquilo que o filho é capaz de fazer.

Até os sete anos de idade aproximadamente é o período infantil mais acessível às impressões que se recebe dos pais, razão pela qual os pais não podem esquecer o dever de orientar os filhos quanto aos conteúdos morais. “O pretexto de que a criança deve desenvolver-se com a máxima noção de liberdade pode dar ensejo a graves perigos (…) pois o menino livre é a semente do celerado.” [1]

E mais, diante dos filhos insurgentes e incorrigíveis, insensíveis a todos os processos educativos, “os pais, depois de movimentar todos os processos de amor e de energia no trabalho de orientação deles, é justo que esperem a manifestação da Providência Divina para o esclarecimento dos filhos rebeldes, compreendendo que essa manifestação deve chegar através de dores e de provas acerbas, de modo a semear-lhes, com êxito, o campo da compreensão e do sentimento”. [2]

O período infantil é propício para deixar o espírito mais acessível aos bons conselhos e exemplos dos pais e educadores, pois o espírito é mais flexível em face da debilidade física, daí a tarefa de reformar o caráter e corrigir suas más tendências. Sob o ponto de vista moral, Allan Kardec faz comentário à questão 685-A de O Livro dos Espíritos: “Há um elemento que não se ponderou bastante, e sem o qual a ciência econômica não passa de teoria: a educação. Não a educação intelectual, mas a moral, e nem ainda a educação moral pelos livros, mas a que consiste na arte de formar os caracteres, aquela que cria os hábitos adquiridos”. [3]

Todos temos necessidade de instrução e de amor. A escola é um centro de indução espiritual, onde os mestres de hoje continuam a tarefa dos instrutores de ontem. A educação, com o cultivo da inteligência e com o aperfeiçoamento do campo íntimo, em exaltação de conhecimento e bondade, saber e virtude, não seráconseguida tão só à força de instrução, que se imponha de fora para dentro, mas sim com a consciente adesão da vontade que, em se consagrando ao bem por si própria, sem constrangimento de qualquer natureza, pode libertar e polir o coração, nele plasmando a face cristalina da alma, capaz de refletir a Vida Gloriosa e transformar, consequentemente, o cérebro em preciosa usina de energia superior, projetando reflexos de beleza e sublimação. [4]

A melhor escola ainda é o lar, onde a criatura deve receber as bases do sentimento e do caráter. Os estabelecimentos de ensino, propriamente do mundo, podem instruir, mas só o instituto da família pode educar. É por essa razão que a universidade poderá fazer o cidadão, mas somente o lar pode edificar o homem. [5]

O período infantil, em sua primeira fase, é o mais importante para todas as bases educativas, e os pais espiritistas cristãos não podem esquecer seus deveres de orientação dos filhos, nas grandes revelações da vida. Em nenhuma hipótese essa primeira etapa das lutas terrestres deve ser encarada com indiferença. O pretexto de que a criança deve desenvolver-se com a máxima noção de liberdade pode dar ensejo a graves perigos. Já se disse no mundo que o menino livre é a semente do celerado. Especialmente na primeira infância os pais espíritas devem alimentar o coração infantil com a crença doutrinária, com a bondade, com a esperança e com a fé em Deus.  

Jorge Hessen

Referências bibliográficas:
[1] XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995, perg. 113

[2] Idem perg. 190

[3] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. São Paulo: questão número 685, Ed. Feesp, 1972.

[4] XAVIER, Francisco Cândico. Pensamento e Vida, ditado pelo Espírito Emmanuel , RJ: Ed. FEB, 1997

[5] Idem