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10 julho 2019

Sonhos e profecias - Edvaldo Kulcheski

 
SONHOS E PROFECIAS


Se a lembrança das vidas passadas e o conhecimento do futuro fossem de essencial importância para o progresso do homem encarnado, a natureza teria nos dotado de um sentido para tal.

Vejamos, então, o que nos falam os espíritos sobre o conhecimento do futuro, nas questões 868 a 871 de O Livro dos Espíritos. Dizem-nos eles que, em princípio, o futuro é oculto ao homem e só em casos raros e excepcionais permite Deus que seja revelado. A finalidade de se conservar o futuro oculto ao ser humano reside no fato de que, se o conhecêssemos, negligenciaríamos o presente e não obraríamos com a liberdade com que agimos, porque nos dominaria a idéia de que, se uma coisa tem que ocorrer, inútil será ocupar-se com ela, ou então procuraríamos obstar que tal coisa não acontecesse.

A certeza de um acontecimento venturoso nos lançaria na animação e a de um acontecimento infeliz nos encheria de desânimo.

O livre-arbítrio


Não podemos esquecer que uma das provas pela qual o espírito passa é a do livre arbítrio. Se nossa liberdade de agir fosse influenciada por alguma coisa, a ponto de entravá-la, a responsabilidade da ação seria menor ou nula. Por isso é que tanto o nosso passado espiritual quanto o conhecimento sobre o nosso futuro só são revelados em casos excepcionais e de forma natural, e isso quando o conhecimento prévio facilite a execução de alguma coisa.

Além de tudo, nunca devemos nos esquecer de que assim como os acontecimentos do presente têm sua causa na nossa vida passada, os acontecimentos do futuro têm como base as nossas ações presentes. É a lei de Ação e Reação.

Assim, não há razões para o homem viver em busca de informações sobre seu futuro. Tal atitude revela falta de confiança nos desígnios divinos.

O que ocorre é que, na maioria das vezes, encontrará exploradores e enganadores da boa fé alheia.


Se cremos em Deus, por conseqüência cremo-lo justo e infinitamente bom, nada melhor que, em todos os lances da vida, exercitarmos a confiança irrestrita nele.

As existências são planejadas 

Cada existência é planejada, com antecedência, no plano espiritual, antes da reencarnação. Exceto nos casos de reencarnação compulsória, a duração da existência, saúde, doenças mais sérias, riqueza, pobreza fazem parte do planejamento.

E todos os espíritos reencarnam com o objetivo de progredir, de só fazer o bem e de reparar os erros cometidos em outras existências. Ninguém vem à Terra para fazer o mal.

Depois de reencarnados, os espíritos conservam o livre-arbítrio, podem desviar-se dos rumos traçados no mundo espiritual, abandonar os planos de trabalhar pelo próprio aperfeiçoamento e desviar-se para o caminho do mal.

Os espíritos mais imperfeitos correm maior risco de cometer tais desvios, enquanto os que já conquistaram certas qualidades costumam cumprir os planos traçados antes da reencarnação. Deus não intervém. Deixa que suas leis se cumpram no momento oportuno.

Ensina-nos Allan Kardec: "A prosperidade do mau não é senão momentânea, e se ele não expia hoje, expiará amanhã, ao passo que aquele que sofre, está expiando o passado" (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, item 6).

O futuro depende do presente


Quanto mais evoluirmos, mais teremos livre-arbítrio e, na mesma proporção, diminuirá o determinismo sobre nós.

As nações, assim como as sociedades e os indivíduos, têm a sua liberdade de ação, de onde resulta o mérito ou demérito de cada um.

Grande é a liberdade individual, maior é a das sociedades e ainda mais ampla, é a das nações.

Todos nós só colheremos no futuro os frutos das sementes que semearmos hoje. Serão bons frutos quando semearmos bons frutos, serão maus frutos quando forem más as sementes.

Fica claro, pois, que o próprio espírito, utilizando o livre arbítrio que Deus concede a todos, escolhe a sua trajetória de deslizes e crimes hoje e grandes sofrimentos no futuro, ou de aprendizado, lutas e, talvez, sofrimentos hoje, mas felicidade no futuro.

Premonição/pressentimento


O pai do piloto do Fokker 100 que caiu, em São Paulo, matando mais de 100 pessoas, contou e repetiu, na televisão, que sonhara na véspera com o pavoroso desastre, ficando muito impressionado e comentando a visão com familiares e amigos.

Também a mulher de um passageiro declarou que sua filha pequena despertara e lhe dissera que o pai não voltaria mais, pois, o avião em que viajava caíra. Daí a pouco, assistia à catástrofe na TV.

Comprovadamente, a premonição sempre existiu. Mas o que é, como e por que acontece?

Quando o homem dorme, seu espírito deixa o corpo, sem, contudo, dele se desligar, e é nessas ocasiões que, às vezes, vislumbra o futuro próximo, com maior ou menor clareza.

Ao despertar, imaginará tratar- se de um sonho ou pesadelo. A isso chamamos "aviso ou premonição".

O espírito Adolfo Bezerra de Menezes, no livro Recordações da Mediunidade, psicografado por Yvonne Pereira, edição da Federação Espírita Brasileira, explica que tais possibilidades derivam de uma faculdade psíquica que possuimos, espécie de mediunidade.

A premonição não existe no mesmo grau em todas as criaturas, embora seja disposição comum a qualquer ser humano.

O pressentimento é o conselho íntimo e oculto de um espírito que vos dedica afeição, decorrente da escolha que se tenha feito: antes de reencarnar, o espírito tem conhecimento das várias fases da sua nova existência, isto é, dos principais gêneros de provas a que vai se entregar.

José, por exemplo, relata Mateus, foi avisado por um anjo que, aparecendo-lhe em sonho, o aconselhou fugir de Herodes, para o Egito, com Jesus.

Os avisos por meio de sonhos são comuns nos livros sagrados de todas as religiões.

Sabemos que o tempo do sono é aquele em que o espírito, desprendendo-se dos laços materiais, entra momentaneamente no mundo espiritual, onde se encontra com conhecidos de outras encarnações.

Esse instante é, muitas vezes, escolhido pelos espíritos protetores para se manifestar aos seus protegidos e dar-lhes conselhos mais diretos. Neste caso, o que ocorre é uma adaptação, feita por espírito especializado neste assunto, das ondas mentais de 4ª dimensão que estão presentes no cérebro perispiritual para que possa ser interpretado pelo cérebro físico que sabe apenas interpretar as ondas de 3ª dimensão, ocorrendo assim, uma lembrança mais nítida das orientações que o espírito queira que a pessoa se lembre ao acordar.

As profecias e a doutrina espírita


A aceitação dos textos bíblicos ao pé da letra tem levado parcela significativa da Humanidade a ter a convicção de que haverá uma segunda volta de Jesus à Terra, completamente visível, para separar os eleitos do seu reino. Que todas as mudanças ocorrerão de forma brusca e violenta. É o juízo final e o fim do mundo. É a síndrome do fim do mundo.

Entretanto, Allan Kardec nos recomenda cautela. A doutrina espírita nos ensina que o progresso se processa de acordo com as leis imutáveis criadas por Deus.

Como a natureza não dá saltos, todas as mudanças previstas haverão de processar-se lenta, mas inexoravelmente em gradativa intensidade. Em A Gênese, Kardec, esclarece que as mudanças se realizam de duas maneiras: "uma gradual, lenta, imperceptível; outra por movimentos relativamente bruscos".

Certamente, a forma que ocorrerão essas mudanças anunciadas dependerão muito do rumo que a humanidade estiver seguindo. Trata-se de um movimento, a operar-se no sentido do progresso moral, durante o qual a rebeldia humana, pelo acúmulo de faltas e pelo predomínio do orgulho e do egoísmo, em muitos séculos, precisa ser refreada, em benefício dos próprios homens, antes que novos débitos venham agravar a situação espiritual do planeta. Portanto, as mudanças mais profundas ocorrerão no comportamento dos seus habitantes, que passarão a se conduzir pelas Leis Divinas. Os espíritos recalcitrantes no mal não poderão reencarnar mais neste planeta. Irão para mundos primitivos, onde expiarão os débitos contraídos aqui. No lugar destes espíritos reencarnarão outros com propensão para o bem.

O que são as profecias


Porque existem essas percepções do futuro? É um aviso, uma advertência, que algo muito provável, mas não certo poderá acontecer.

É um aviso que as coisas ficarão pior se não houver uma mudança de rumo.


Para entendermos o mecanismo das previsões, temos que primeiramente entender que tudo o que já passamos e o que projetamos para o futuro está gravado na nossa mente. Como alicerce de todas as realizações nos planos físico e extrafísico, encontramos o pensamento por agente essencial.

Entretanto, ele é matéria – matéria mental – em que as leis de formação das cargas magnéticas ou dos sistemas atômicos prevalecem.

Essas forças, em constantes movimentos sincrônicos ou estados de agitação pelos impulsos da vontade, estabelecem para cada pessoa uma onda mental própria.

A matéria mental dos seres se graduam nos mais diversos tipos de onda, passando pelas oscilações curtas, médias e longas.

A indução mental significa o processo através do qual um corpo que detenha propriedades eletromagnéticas pode transmiti-las a outro corpo sem contato visível. No reino dos poderes mentais a indução exprime processo idêntico.

Emitindo uma idéia, passamos a refletir, idéia essa que logo se corporifica, com intensidade correspondente à nossa insistência em sustentá-la. É nessa projeção de forças que se nos movimenta o espírito no mundo das formas-pensamentos, construções substanciais na esfera da alma.

Nós, os encarnados na Terra, vivemos na 3ª dimensão e nosso cérebro físico está preparado para as informações desta dimensão.

Os espíritos desencarnados que vivem no lado espiritual da Terra, vivem na 4ª dimensão. Tanto os encarnados como os desencarnados têm cérebro perispiritual, que está preparado para as informações da 4ª dimensão. Nosso passado e nosso futuro estão no nosso cérebro perispiritual, portanto estão sob a forma de ondas que se encontram na 4ª dimensão.

Nossos pensamentos formam ondas eletromagnéticas. Sabemos que a matéria é energia condensada, portanto, nossos pensamentos são energias, que inclusive adquirem as formas-pensamento. As formas mentais também são trabalhadas no cérebro perispiritual, portanto, se encontram em ondas de 4ª dimensão.

Entre nós existem pessoas com capacidade perceptiva de visualizar o que está em nosso cérebro perispiritual, ou seja, captam o passado que está armazenado em nosso inconsciente ou o futuro que está em nosso superconsciente (em forma de plano ou forma apenas de pensamento). Toda pessoa encarnada que vive na 3ª dimensão e que por efeito de determinado dom percebe o que acontece na 4ª dimensão é denominado de médium, ou seja, é intérprete, intermediário entre essas dimensões.

Se hoje eu consultar um médium que tenha esse dom, e estiver tudo em paz com meus pensamentos, ele irá fazer um ótimo prognóstico de minhas projeções futuras, mas se amanhã, acontecer um sério aborrecimento em minha vida, que afete meu estado mental e novamente consultar o mesmo médium, com certeza o prognóstico de minhas projeções futuras será outro.

Na verdade, o futuro e as formas-pensamento formam uma espécie de mundo virtual, não real, porque não aconteceu ainda, e poderá nunca acontecer, porque pode ser mudado, como poderá ser confirmado. Nossas projeções de futuro são muito dinâmicas, podem mudar minuto a minuto.

Desse futuro virtual faz parte tudo o mentalizamos, nossos planos, metas, enfim tudo o que pensamos. Por isso se diz que quando se quer alguma coisa temos que pensar, mentalizar para que aquilo se materialize.

Um Espírito também pode captar das pessoas os dados mentais referentes ao passado e ao futuro e repassá-las para o médium nas diversas forma de mediunidade, tais como audiência, psicofônia, psicografia, etc.

Não existem definições antecipadamente dos destinos dos indivíduos, das sociedades, das nações. O que existe são planos para novas etapas de progresso, que são preliminarmente traçados, depois acompanhados e avaliados, e quando necessário, se fazem ajustes para que as metas evolutivas sejam atingidas. Cada indivíduo, cada cidade, cada nação, cada planeta tem espíritos protetores, que ajudam traçar os planos, fazem o acompanhamento, avaliam a evolução e, muitas vezes fazem as correções do rumo. Foi de uma destas avaliações siderais, que o Apostolo João participou.

As visões de João


João achava-se na ilha de Patmos, por causa da difusão da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.

Certo dia, achava-se em espírito (projeção) e ouviu por detrás grande voz. Voltou-se para ver quem falava e viu...

Assim como nós podemos prever, da árvore que hoje nasce, o tempo da frutificação, a qualidade dos seus frutos, ou que, se continuar a poluição dos rios faltará água, igualmente os espíritos de grande elevação podem perceber uma parcela considerável do futuro e deduzir acontecimentos. Em cada espírito se assinala o "dom da previsão"; uns têm em pequena escala, outros têm maior capacidade, de acordo com a sua capacidade moral e intelectual.

Se as profecias que estavam previstas não aconteceram, é porque a humanidade entendeu as advertências e mudou de rumo. Se atentarmos bem, vamos ver o quanto aumentou a busca pela espiritualidade. Uma evidência disso é o aumento de freqüentadores nas casas espíritas. Nunca se falou tanto em amor, em ecologia etc. Isto fez com que se alterasse o futuro, confirmando que a cada dia nós construímos o futuro. Isto aplica-se ao futuro individual, de uma localidade, de uma nação e até de um planeta, como foi o caso da Terra. Se continuarmos assim, não haverá necessidade de mudanças bruscas.

A impreessão que se tem é que a Humanidade não está muito bem, mas isto acontece por causa da mídia, que veícula mais as coisas negativas que acontecem, mas tenhamos certeza, existe muito mais coisa boa acontecendo dos que as ruins.

Quando a pessoa tem certa maturidade, não se preocupando com as profecias, buscará trabalhar mais intensamente sua reforma íntima, para que se for necessário passar por momentos mais difíceis esteja preparada. Quando a pessoa não tem preparo, passa a duvidar de Deus e ter medo, e esse medo a leva ao desânimo.

Temos que fazer o que for preciso, não interessando como estejamos – encarnados ou desencarnados. O importante é estarmos do lado do bem. Como disse Jesus, "Amai-vos uns aos outros".


Edvaldo Kulcheski
Este artigo foi publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição especial 08.



09 julho 2019

Nem toda Pessoa que se Mata tem Depressão - Karina Okajima Fukumitsu



NEM TODA PESSOA QUE SE MATA TEM DEPRESSÃO


Há 24 anos, a psicóloga Karina Okajima Fukumitsu, 43, se dedica a explorar profissionalmente um tabu, o suicídio. Seu envolvimento com o tema, porém, começou na infância. Sua mãe tentou se matar inúmeras vezes. Mais tarde, foi ela mesma quem tentou tirar a própria vida em três situações.

“Comecei a estudar psicologia para compreender e poder ajudar pessoas que passam por um sofrimento existencial e, por isso, tentam se matar”, conta. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida por ano no mundo. No Brasil, acontecem, em média, 11 mil suicídios em 12 meses, de acordo com levantamento do Sistema de Informação sobre Mortalidade.

Em 2016, foram registradas no país 30 mil tentativas de mulheres e 15 mil de homens. Para Karina, os altos números refletem também tentativas de comunicação. Apesar de homens tentarem menos, eles são as maiores vítimas letais, por usarem métodos mais agressivos.

“Suicídio é a concretização da falta de sentido da vida, é o ápice de um processo de ‘morrência’. Ele costuma ser cometido por alguém que está definhando existencialmente, que deixou de acreditar em sua própria capacidade, como ser humano, de transformar a dor em amor”, explica Karina.

A psicóloga recebeu a reportagem em seu consultório, em São Paulo, onde atende de adolescentes a idosos que tentaram ou cogitam o suicídio, para desmistificar essa morte violenta.

Como começou seu envolvimento com a questão do suicídio?


Karina Okajima Fukumitsu: Eu tinha 8 anos quando começaram as crises suicidas da minha mãe. Aos 10 anos, me lembro claramente de ir ao pronto-socorro, tentando socorrê-la das várias tentativas de se matar. Em 1989, entrei no curso de psicologia para compreender esse fenômeno, ajudar quem queria se matar e acolher quem estivesse passando por sofrimentos existenciais.

Essa foi a causa da morte da sua mãe?


Não. A última vez que ela tentou o suicídio foi em 2006, quando me declarei como suicidologista. Eu estava grávida do meu primeiro filho, o telefone tocou e ela disse que estava pensando em se matar novamente. A gente falava abertamente do processo de ‘morrência’ dela. Pedi que tivesse calma, porque a morte viria para todo mundo, é uma condição do ser humano. Durante a conversa, tive um aborto espontâneo e vi minha mãe renascer das cinzas, dizendo que eu a tinha convencido sobre ter uma missão de vida. Foi um verdadeiro paradoxo. Coincidência ou não, ela acabou desenvolvendo a doença do ‘coração grande’, uma miocardiopatia grave. Foram 18 internações até 2013, quando ela foi vencida pela doença.

De que maneira essa experiência ajudou você a seguir adiante?


Com a história dela entendi que é possível resignificar a vida, ter alguma esperança. Em 2012, durante o lançamento do meu primeiro livro, ‘Suicídio e Gestalt-Terapia’ (ed. Digital Publish & Print), ela ficou do meu lado. Eu dizia que ela era minha coautora e ela se apresentava dizendo: ‘Oi, eu sou a kamikaze”. Ela é a prova de que o acompanhamento cura.

Você já tentou o suicídio?


Sim, três vezes. A primeira aos 12 anos, meu pais tinham se separado e eu estava exausta de tantas brigas. Lembro de estar na cozinha e ter tomado medicamentos da minha mãe. Eu não queria mais viver. Quando ela me viu, perguntou o que eu estava fazendo. Respondi: “Exatamente aquilo que você sempre faz”. Ela me fez vomitar e nada aconteceu. Mas foi o mais próximo que cheguei do ato. Nunca mais falamos sobre isso. Depois, aos 20 anos, descobri que um namorado de longa data me traía. Pensei na possibilidade da morte, mas não agi. A terceira vez foi em 2014, quando recebi o diagnóstico equivocado de esclerose múltipla. Fiquei internada por 13 dias, parei de andar, esqueci a ordem alfabética, os números e fatos da minha vida. No ápice do meu desespero, pensei novamente em suicídio. Mas me agarrei na certeza de que a vida não é do jeito que a gente quer. Me recuperei completamente.

Suicídio é hereditário?


Não, o suicídio não corre nas veias. Só que existem modelos de repetição de enfrentamento que são prejudiciais, é o que a gente chama de “transmissão psíquica geracional familiar”. Alguns comportamentos tóxicos da família se repetem. Se a gente não tiver plena atenção, entra num círculo vicioso. Cabe a cada um construir novas modalidades de responder às adversidades da vida.

Por que ainda é um tabu?


Porque é uma morte violenta, repentina e que confronta exatamente o sentido de instinto de sobrevivência que aprendemos. É quando a pessoa começa a acreditar que a morte é mais interessante que a vida. Às vezes, a pessoa não quer morrer, ela só quer matar uma parte dela que está causando sofrimento. Viver sem sofrer é uma utopia. Por isso, precisamos trabalhar a tolerância existencial.

Por que suicídio é visto como algo abominável?


Não temos tempo e espaço para lidar com a vulnerabilidade humana. Isso que o torna abominável. Ele escancara aquilo que mais se quer esconder, sentimentos indesejáveis, como tristeza, raiva, fraqueza. Não cabe a ninguém julgar o outro. Suicídio não é loucura, fraqueza, covardia ou coragem. O suicidologista norte-americano Edwin S. Shneidman, referência no assunto, o definiu como um ato definitivo para um problema que deveria ser temporário.

É irresponsável defini-lo como uma escolha pessoal?

Não. Se a gente pensar que cabe a cada um sua própria vida, o mesmo vale para a morte. Mas o ideal é que ela seja natural. Então, cada ser humano deve se apropriar e zelar pelos seus sentimentos, e pedir colo quando eles estiverem borbulhando. Costumo dizer que suicídio é uma dor sentida, mas não consentida. Criei um mantra que é: se tem vida, tem jeito.

Como você avalia o cenário brasileiro?


Infelizmente, estamos entre os dez países com as maiores taxas de suicídio do mundo. Está mais perto do que imaginamos. É muito comum conhecer alguém que se matou, só que preferimos fingir que não existe. Lamento que seja um problema de saúde pública, mas não existam planos de prevenção efetivos. O Ministério da Saúde trouxe uma possibilidade de diminuir os números até 2020. Na prática, porém, nada está sendo feito para isso.

Há poucos profissionais dedicados a isso?


Vejo poucos profissionais treinados para acolher o sofrimento humano. Quando uma pessoa está desesperançosa, desamparada e/ou desesperada – o DDD da cartilha da psiquiatria -, precisamos encontrar uma maneira de mostrar a ela um sentido para sua vida. Já ouvi muito médico dizendo que quem tenta o suicídio atrapalha o tempo deles. Quando eu levava a minha mãe ao hospital, lembro das enfermeiras dizendo: “Dona Yoko, a senhora não tem o que fazer a não ser tentar se matar? Não tem dó dessas meninas que te trazem aqui há tanto tempo? De pessoas que estão querendo viver?”. Esses comentários machucam ainda mais a pessoa que está em sofrimento. Se não houver resignificação, vai acontecer novamente. Quando há diagnóstico de transtorno mental, a reincidência acontece entre 40% e 50% dos casos.

Existem grupos de vulnerabilidade?


Sim. A comunidade LGBT, as vítimas de violência doméstica e aqueles diagnosticados com doenças mentais. Ou seja, grupos que não têm suas dores legitimadas nem espaço para expor suas vozes e se defenderem.

Quais são os sinais de alerta de quem pensa em se matar?


Isolamento, abuso de álcool e drogas, e qualquer mudança abrupta de comportamento. Há sinais indiretos também. É preciso estar atendo a quem começa a se desfazer de coisas importantes, a declarações de amor inesperadas e quando a pessoa usa expressões como “pode ser tarde”, “não vou dar mais trabalho”. Tem ainda a “falsa calmaria”, que é o caso de quem sempre falou que ia se matar e parou de comunicar de uma hora para outra. Isso é uma pegadinha. Ela fica quieta para não ser interrompida. Prevenir é olhar para esses sinais e tentar criar espaços de diálogo.

A depressão é um fator comum aos suicidas?


Não, acho reducionismo pensar assim. Não necessariamente uma pessoa que se mata é deprimida, apesar de existirem vários casos de pessoas que tinham depressão e se mataram. Quando isso acontece, é que elas perderam o sentido de viver.

Quais são os maiores mitos sobre suicídio?


O principal é achar que se vai provocar o suicídio ao perguntar diretamente para a pessoa se ela está pensando em se matar. O suicídio é um ato de comunicação. E a pessoa, na maioria das vezes, tenta comunicar em morte o que ela gostaria de comunicar em vida. Precisamos falar abertamente sobre isso. Os sinais de alerta são pedidos de acolhimento.

E se a pessoa nos disser que quer se matar?


Pergunte de volta como pode ajudar. É muito equivocado achar que quem tenta se matar está querendo só chamar atenção. Aliás, acho ótimo que eles chamem atenção. Prejudicial é tratar com desprezo. Se você não der atenção agora, vai se sentir culpado mais tarde por não ter atendido ao chamado de um ente querido.

O que você mais ouve de quem quer se matar?


“Eu não vou aguentar se algo acontecer”. “Se eu fracassar, não vou suportar.” Ela começa a antecipar tudo o que ela imagina que de pior vai acontecer, porque não sabe lidar com situações de fracasso. Diante do desespero, num ato impulsivo, ela tenta o suicídio.

É um processo?


Salvo os casos de impulsividade, que acontecem em menores proporções, o comportamento suicida passa pelo pensamento, ideação, planejamento e só então chega ao ato.

É perverso buscar as motivações daqueles que tentam se matar?


Acho que é elucubração, porque não existe uma única causa para o suicídio. Mas é importante entender a fantasia da pessoa na tentativa. O que ela queria matar? O que ela queria que morresse? Já quando a morte é consumada, ela leva toda a verdade.

O que buscam os sobreviventes do suicídio?


Existem dois grupos de sobreviventes: aquele dos que tentaram, mas não tiveram a morte consumada, e os enlutados pela morte de alguém próximo. Os dois buscam a mesma coisa, um acolhimento para os seus sofrimentos. O problema é que ainda existe um forte julgamento, quem tentou ou se matou é visto como louco. Não quero normalizar o suicídio, quero deixar claro que disfuncionalidade acontece com todo mundo.

Procurar culpados é um caminho positivo?


De jeito nenhum. Como diz o filósofo Jean-Paul Sartre, “nós somos aquilo que nós fazemos com o que o outro faz da gente”. E esse foi um dos grandes problemas da série “13 Reasons Why”. A personagem principal fica culpando os outros por suas escolhas erradas e em nenhum momento exercitou a capacidade de enfrentamento. Mais grave ainda foi mostrar a maneira como ela se matou. Isso é grave.

Onde buscar ajuda?


Não existe uma única fórmula. Vale procurar desde alguém próximo, até especialistas. O Centro de Valorização à Vida é um ótimo caminho. O que digo sempre para as pessoas em sofrimento é: acredita que você merece receber amor e ajuda.

O quão pesado é lidar com a morte tão de perto?


Acho que a gente lida muito mal com aquilo que é mais nosso. A única certeza que temos é a de que morreremos. Precisamos falar mais sobre isso. Ela faz parte do nosso desenvolvimento. Só que, no intervalo entre nascer e morrer naturalmente, precisamos aprender a viver com qualidade.



Karina Okajima Fukumitsu
Fonte: UOL/Universa


08 julho 2019

Em face da Morte - Joanna de Ângelis




EM FACE DA MORTE 


A mais pungente dor moral, pertinaz e profunda, é a que decorre da separação imposta pela morte física.

Nada que se lhe equipare, considerando as injunções que impõe, de tal modo que dilacera os tecidos sutis da alma.

Mesmo quando aguardada ou almejada, constitui surpresa, graças ao convite vigoroso que faz em relação à única realidade de que ninguém se pode eximir: - a imortalidade!

Sorrateira, arrebata os afetos e carrega os adversários, produzindo inusitada emoção que sempre aflige, particularmente quando se trata dos amores, aos quais se tem vinculado o coração.

Enigmática, transfere os seres de um para outro estágio de vida, mas não os aniquila.

Libertação para uns, ensejando felicidade e triunfo; após as caminhadas rudes faz-se grilheta e cárcere para a consciência que se intoxicou pelos vapores da insensatez, ou que cultivou os cardos da criminalidade a que se submeteu, em demorada constrição.

Concessão divina, é incompreendida por aqueles que amam a ilusão e se arrogam a fatuidade do poder terreno.

A ninguém poupa e a todos iguala, temporariamente, para selecioná-los logo depois, através dos títulos morais de que Não te rebeles ante as conjunturas da morte, que te separou, momentaneamente, do ser a quem amas.

Não será definitiva tal circunstancia.

Tem paciência e espera, preparando-te para o reencontro que logo mais se dará.

Os teus afetos te aguardam, esperançosos. Não os decepciones com a revolta ou com o desespero injustificado.

Eles vivem como também viverás.

Anleciparam-te na viagem, mas não se apartaram, realmente, de ti.

Não os vês, mas estão ao teu lado...

Se os amas, estão contigo, se os detestas, vinculam-se a ti.

Não os fixes às memórias inditosas, aos impositivos da paixão, às condições da tua dor.

Luariza a saudade, mediante a certeza de reencontrá-los.

Assim, utiliza as tuas horas disponíveis para produzir no Bem, pensando neles, orando por eles, convertendo moedas em pães, flores transitórias em reconforto para outros seres que padecem privações.

Se desejares fazer mais, coloca alguém arrancado dos braços da orfandade ou da miséria, da velhice ou da viuvez, no lugar deles, no lar, e ajuda por amor a eles.

Bendirão teu gesto e acercar-se-ão mais de ti, ajudando-te também.

*

Essa dor angustiante e hebetadora diminui quando o amor se desdobra em direção do sofrimento humano, por afeição e gratidão dos que morreram, e vivem.

No Calvário, rompendo o silêncio dominador, à hora extrema, Jesus, antes da libertação total, fez-nos o precioso legado de entregar Sua mãe a João e este àquela, como a legislar que a mais alta expressão do amor é a doação da vida a outras vidas, por tributo de carinho à Sua vida.

Medita e enxuga o pranto da saudade, transformando-o em esperanças de felicidade porvindoura.

Joanna de Ângelis
Médium: Divaldo Pereira Franco 


07 julho 2019

Noites de Vigília - Lucy D. Ramos



NOITES DE VIGÍLIA



Os momentos de solidão, quando bem aproveitados, são de grande importância em nossas vidas. Eles nos levam a reflexões mais profundas e duradouras a respeito dos problemas que nos afligem e ao amadurecimento, propiciando-nos conhecer, detalhadamente, nosso mundo íntimo pela observação e enfrentamento do que nos acontece, sem outras interferências.

Das lutas e do sofrimento saímos mais fortes para prosseguir vivendo...


Existem situações nas quais testamos nossa capacidade de perdoar, de tolerar as dores morais que nos chegam como bênçãos a nos induzir ao despertar para a melhoria íntima, a nos convidar à compreensão dos que não podem, mesmo em momentos difíceis, estar ao nosso lado, com o apoio fraterno que gostaríamos de receber. São momentos ímpares, oportunidades valiosas de aprendizado desta difícil mas maravilhosa arte de bem viver.

Esses pensamentos afloram em minha mente, nesta noite fria de junho, na solidão de um quarto de hospital, em vigília constante ao lado de meu companheiro de tantos anos... Vejo-o no leito tão tranquilo e distante, nesta madrugada, e me recordo de outras noites de insônia, por motivos tão diversos, ao longo de nossa vida comum - preocupações profissionais, com nossos filhos, com nossos pais, com nossos amigos - quando juntos conversávamos buscando soluções e nos confortando mutuamente... Hoje, não ouço sua voz, não posso compartilhar com seu coração generoso minhas preocupações e meus medos, todavia, busco, na prece e na aceitação do sofrimento atual, a calma e a serenidade íntima de que necessito para poder ajudá-lo e os meus familiares.

0 silêncio que nos envolve nos leva a ouvir sons diferentes do habitual, que nos chegam através dos aparelhos sofisticados de sustentação e equilíbrio da vida física. 0 borbulhar do líquido de receptor que umedece o oxigênio lembra-me o murmúrio da queda d'água, ligeiro e constante, com o qual tantas vezes nos aquietamos na contemplação da Natureza, refazendo nossas energias e equilibrando nossas emoções.


Desejando suavizar a noite que nos envolve, quando a cidade adormece, procuro visualizar outros momentos...


O pensamento nos leva para longe e caminho na estrada ensolarada que contorna o lago da fazenda, aspirando o ar da manhã e contemplando a beleza da Natureza num turbilhão de cores e sons que me encantam... Posso nesse devaneio, deslocando meu espírito, suavizar um pouco as agruras deste momento, e é justamente no contato com as árvores amigas, com os pássaros que voejam em torno de mim, com o suave som da água corrente, que refrigero a sede do entendimento e amenizo a dor da ausência, da solidão.

Retorno ao quarto confortável do hospital e agradeço a Deus tanto amparo, tantas demonstrações de apoio e lembro a cada instante os recursos salutares que a Doutrina Espírita nos confere...

Quando sofremos, recordamos mais intensamente os ensinos de Jesus e em suas palavras encontramos a motivação para prosseguir. No cap. VI, item 6, de O Evangelho segundo o Espiritismo, há um trecho que nos consola quando diz:

Venho instruir e consolar os pobres deserdados. Venho dizer-Ihes que elevem a sua resignação ao nível de suas provas, que chorem, porquanto a dor foi sagrada no Jardim das Oliveiras; mas, que esperem, pois que também a eles os anjos consoladores lhes virão enxugar as lágrimas.7'KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Cap. VI, it. 6.

Quantas vezes já lera esta página e não havia avaliado com maior intensidade estas palavras. Talvez porque ainda não tivesse em outros momentos de dor, sentido como hoje, a necessidade de buscar um maior aprofundamento nas palavras consoladoras desta mensagem.

Instruir e consolar - apontando as razões do sofrimento, a resposta a cada um de nós, ante a necessidade da dor, de sua função educativa, para podermos, no resgate de atos pretéritos, renovar nossas mentes, restabelecer o equilíbrio perante a Lei Divina.

Consolar os deserdados, os que padecem... Que de mais valioso existe, em momentos de dor, que recebermos as vibrações carinhosas dos amigos espirituais envolvendo-nos em fluidos de paz, de reconforto e harmonia íntima?

Que elevem a sua resignação ao nível de suas provas - quanto maior o sofrimento, mais necessidade de equilíbrio, de confiança em Deus, de calma ante as dificuldades, conscientes de que temos condições de suportá-las, de recebê-las para tranquilidade de nossa consciência diante da responsabilidade de nossos atos passados. Sentimos, aos poucos, ao vencer as etapas deste processo de retificação, que nossa alma se acalma, fica mais leve e temos a certeza de que estamos desonerando nossas vidas dos compromissos assumidos quando aqui retornamos, em paz e amparados pelo amor dos que nos ajudam. Que esperem, pois que também a eles os anjos consoladores lhes virão enxugar as lágrimas - quando a dor nos visita o coração, termos a certeza de que os amigos espirituais estão a nosso lado, amenizando nossas dores, suavizando a angústia que, às vezes, tenta solapar nossa esperança, enxugando nossas lágrimas e refazendo nossas energias para que possamos prosseguir vivendo.

Da vivência espírita, das lições edificantes que fomos assimilando ao longo da vida, recebemos, em momentos assim, os recursos valiosos para manter a fé, o equilíbrio e a confiança de que tudo passa, tudo o que nos chega em forma de sofrimento ou momentos de felicidade são instrumentos de que a Lei Divina se utiliza para o nosso progresso moral. E vamos recordando as lições de Bezerra de Menezes, de Emmanuel, de Joanna de Angelis, de Manoel Philomeno de Miranda, de André Luiz e tantos outros benfeitores espirituais que pelos seus ensinamentos nos encorajam a prosseguir...

A Doutrina Espírita enriquece nosso viver quando nos desperta para a realidade existencial e sabemos que viver as diferentes etapas da vida nem sempre constitui motivos de júbilo e contentamento. Todos nós somos testados e examinados à luz da Justiça Divina.

Para concluir, transcrevo um trecho de Joanna que nos diz:


Uma existência feliz não é, necessariamente, aquela que se faz breve ou larga, mas sim aquela que se transforma em mensagem de alegria e bem-estar para a própria pessoa, bem como para todos aqueles que a cercam. Cada existência é uma mensagem, cujo conteúdo deve ser positivo, de forma que dignifique outras, enriquecendo-as de esperança. A doença, os problemas não são aspectos de infelicidade, porém convites do organismo da vida, para dizer que é necessário estar lúcido e consciente. A morte, por isso mesmo, não é um fracasso da vida, mas uma nova admirável experiência.

Confiemos em Deus e prossigamos em paz!



Lucy D. Ramos


06 julho 2019

Sintonia da Atitude - Richard Simonetti




SINTONIA DA ATITUDE


Segundo os princípios da Mediunidade, vivemos todos em permanente regime de permuta psíquica, sintonizados com faixas vibratórias a que nos ajustamos.

O indivíduo perturbado é alguém que sintonizou com correntes de extremo negativismo, enquanto que estará a caminho da santidade aquele que, vencidas as limitações humanas, mantiver uma sintonia positiva, em comunhão com as esferas mais altas.

O Homem, regra geral, é um ser milenarmente viciado em atitudes negativas, assimilando, assim, com lamentável frequência, vibrações tóxicas que o desajustam espiritualmente, da mesma forma que sofre constantes distúrbios digestivos quem não faz uso de alimentação adequada.

Faz parte da higiene mental, na preservação da estabilidade íntima, o esforço por eliminar elementos de sintonia negativa. Para tanto, é necessário que saibamos distinguir o que são atitudes positivas e atitudes negativas.

Se dizemos: "Oh! Meu Deus, como sou infeliz! Ninguém me compreende!" — é uma atitude negativa.

Se dissermos: "Ajuda-me, Senhor, a compreender meu semelhante!" — será uma atitude positiva.

Se dizemos: "Não perdôo!" — é uma atitude negativa.

Se dissermos: "Não há o que perdoar!" — será uma atitude positiva.

Se dizemos: "Estou exausto! Não posso!" — é uma atitude negativa.

Se dissermos: "Hei de ter forças!" — será uma atitude positiva.

Se dizemos: "Não o tolero!" — é uma atitude negativa.

Se dissermos: "Provavelmente tivemos algum desentendimento no passado e Deus fêz nossos caminhos cruzarem no presente para que nos reconciliemos!" — será uma atitude positiva.

Se dizemos: "Perdi o ente caro ao meu coração! Que desgraça!. .. Tudo acabou para mim!" — é uma atitude negativa.

Se dissermos: "Deixou o exílio terrestre e tornou à pátria comum, onde, pela graça de Deus, nos reencontraremos um dia!" — será uma atitude positiva .

Se dizemos: "O Evangelho é a Luz do Mundo, mas sou muito imperfeito para viver seus ensinamentos!" — é uma atitude negativa.

Se dissermos: "Sou muito imperfeito, mas, com a proteção de Jesus, haverei de proceder como bom cristão!" — será uma atitude positiva.

Se dizemos: "O Espiritismo proclama que fora da caridade não há salvação, mas as lutas da existência absorvem todas as minhas atenções!" — é uma atitude negativa.

Se dissermos: "Minha luta é grande, mas não me faltarão meios de confortar os que sofrem e socorrer os necessitados, na conciliação dos interesses efêmeros do mundo com os interesses eternos do Espírito!" — será uma atitude positiva.

Se costumamos comentar nossas dificuldades e dores; se o nervosismo e a irritação nos visitam com assiduidade; se bradamos aos céus pelo peso de nossa cruz, isto significa que adotamos uma atitude negativa, insatisfeitos com a posição em que a Vida nos situou, a qual, deveríamos saber, é a que melhor nos convém, porque Deus conhece nossas reais necessidades.

A vitória sobre as limitações humanas e a plena valorização das oportunidades de edificação na jornada terrestre, são apanágios dos fortes, corajosos e otimistas, que silenciam em relação às suas atribulações e males; que buscam apenas o lado bom das pessoas; que se empolgam pela oportunidade de serem úteis e se esforçam em cumprir os ensinamentos cristãos.

Estes vivem positivamente e sintonizam com o Alto, no caminho de nobres realizações.

Raros, na Terra, desenvolvem esta capacidade em toda a sua plenitude, mas, quando tal acontece, surge um Francisco de Assis, a distribuir luzes e bênçãos, espírito de extraordinária positividade, que finalizava sua oração dizendo:

"Divino Mestre! Permiti que eu não procure tanto ser consolado quanto consolar; ser compreendido quanto compreender; ser amado quanto amar. Porque é dando que recebemos; perdoando é que somos perdoados, e é morrendo que nascemos para a Vida Eterna."

Richard Simonetti


05 julho 2019

Testemunho pessoal o maior desafio da atualidade - Geraldo Campetti Sobrinho



TESTEMUNHO PESSOAL O MAIOR DESAFIO DA ATUALIDADE


Quantas vezes você já se sentiu desafiado na vida?

Há momentos em que tudo parece se acabar. O mundo está contra nós. A situação complicada.

A conhecida Lei de Murphy entra em ação: “se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará”. A vida é bela para uns; porém, muitos estão fora desse elenco, pois a crise indica uma existência difícil. Estão vivendo maus momentos.

Aí dá aquela vontade de jogar tudo para o alto, abandonar o barco. Os pensamentos e expressões que nos vêm: eu não mereço nada disso; isso não é justo; tudo dá certo para fulano, para mim, tudo dá errado!

Não creio que só eu tenha passado por essa circunstância. Você já deve ter se sentido assim em alguma ocasião.

Mas, não vamos nos abater. Esse privilégio não é exclusivo. Outros também se sentem como a gente.

Por que será que algumas coisas desagradáveis ocorrem conosco? Por que quando tudo parece que vai mal, ainda pode piorar, trazendo desconforto e sofrimento?

Vivemos interessante momento de transição planetária. Isso mesmo: a Terra está se transformando. Mudanças climáticas, degelos, efeito estufa, terremotos, maremotos, erupções vulcânicas, desastres ambientais, enfim a lista é extensa… Tudo aponta para um período de transformações que pareciam estar aguardando o momento propício para se manifestar. E, agora, não desejam esperar mais.

A Natureza chegou a um limite e precisa extravasar sua potência criadora para continuar viva e oferecer condições de existência a seus habitantes.

É o prenúncio de que os tempos já chegaram…

Em mensagem recebida por Divaldo Franco em abril de 2010, Bezerra de Menezes afirma: “esses dias assinalam o período de transição do mundo de expiação e provas para o mundo de regeneração”. É uma excelente notícia, por um lado. Um novo mundo, melhor daquele em que vivemos, onde haja paz e fraternidade, união e solidariedade entre os povos, no qual o bem possa se manifestar afastando o mal, onde o entendimento e o amor empanem a ignorância e o ódio.

Por outro lado, essa revelação suscita preocupações. O portal oferece acesso ao novo mundo e já foi instalado na Terra. Será que estamos em condições de atravessá-lo?

Deus não deseja que nenhum de seus filhos se perca. O Criador tenciona resgatar o maior número possível de criaturas, ensejando-lhes o despertar para as desafiadoras realidades da Nova Era.

As chamadas “provas de fogo” surgem para testar se já estamos aptos à superação de uma etapa e preparados para enfrentar outras oportunidades mais complicadas.

Em vez de castigo ou punição, a Justiça Divina age com amor e bondade, oferecendo os elementos necessários ao processo de renovação interior pelo esforço próprio de cada ser humano. Sem privilégios ou favorecimentos de quaisquer ordens, há o mérito ou demérito pelas ações assertivas ou equivocadas dos habitantes desse mundo-escola, a Terra.

Para Joanna de Ângelis, “reclamar é perder tempo”. Daí, a necessidade de nos dedicarmos ao trabalho, com esforço e perseverança, para superarmos dificuldades que jazem na intimidade de nossos seres. São roupagens antigas a ser trocadas, revestidas pelo comportamento renovado da reforma íntima.

Se o plano terrestre está em mudança, nós também somos convocados à ‘alquimia interior’, pelo exercício do controle das más tendências e do empenho na transformação moral.

Agradeçamos o ensejo ofertado pela existência na escola terrestre, fazendo-nos dignos de habitá-la como orbe regenerado, em que todos vivam renovados na pureza de coração e na paz de consciência.


Fonte: FEBNet

04 julho 2019

Novamente em Roma - Divaldo P.Franco



NOVAMENTE EM ROMA



Antigo brocardo popular afirma que “todos caminhos levam a Roma”.

O destino dessa cidade nascida nos pântanos do Lacium, é surpreendente.

Suas legiões no passado conquistaram o mundo, e quando entrou em decadência reergueu-se e, novamente, passou a ser poderosa, temida e invejada, em razão do Cristianismo, a princípio ferozmente combatido, para depois, tornar-se seu favorito, submetendo o mundo ocidental aos seus impositivos, muitas vezes cruéis.

Desafiando os tempos, muitos dos seus monumentos grandiosos do passado incomum, permanecem como soberbos escombros, que os ventos e as circunstâncias ameaçam, apesar dos esforços da tecnologia moderna para mantê-los.

Já visitamos um pouco mais de uma dezena de vezes, essa cidade incomparável que se nega a desaparecer e que, periodicamente renasce da destruição com novos padrões de deslumbramento.

Em toda parte se encontram as heranças do passado, evocando os dias de glórias e desgraças do seu tempo de império ou república, de poder ou de desolação, demonstrando a vacuidade das vitórias materiais consumidas pelo suceder dos evos.

Desta última vez, visitamos a extraordinária Vila de Adriano, o grande imperador, considerado historicamente como um dos cinco mais brilhantes, nascido no clã dos Antoninos.

A grandeza que revelam comove pela estrutura dos edifícios, elegância dos jardins e piscinas, estátuas, colunas quebradas e sobranceiras e as árvores coníferas altíssimas como dedos vegetais apontando os céus…

Adriano viveu no luxo e desfrutou das honras que eram atribuídas aos imperadores, tendo-se apaixonado pelo jovem Antinoo de 15 anos. Nada obstante, os prazeres e as glórias da posição que ambos desfrutavam, o jovem suicidou-se no Egito, afogando-se nas águas do Nilo, deixando o amante profundamente infeliz…

Reflexionava em torno das grandezas terrenas e da sua vacuidade, assim como da pobreza do hedonismo muito disputado, na ânsia de conseguir-se a felicidade.

A glória terrestre é sempre transitória, o que produz o vazio existencial. Alguns historiadores asseveram que Antinoo procurava entender o sentido da vida, mesmo quando o célebre amante escrevia páginas de grande beleza em recanto, preparado unicamente para esses momentos…

O sentido da vida, menosprezado na atualidade, tem como fator preponderante o autoconhecimento, a fim de entender-se a rapidez com que os dias passam e a inevitável aproximação da morte que, inexoravelmente a todos vencerá. Eis porque, neste período de grandeza e misérias, faz-se inadiável a reflexão em torno da imortalidade do Espírito, trabalhando-se com ardor para os dias porvindouros, qual o fazem todos aqueles que se utilizam da previdência social para os dias da velhice ou das enfermidades.

Perfeitamente compreensível que todos busquem os prazeres que a existência proporciona, as posições de destaque, a independência econômica e demais favores, sem esquecimento, porém, da sua imortalidade.



Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, 30 de maio 2019
Fonte: FEBNet


03 julho 2019

Ódio, Intolerância e Racismo - Maurício Pestana



ÓDIO, INTOLERÂNCIA E RACISMO


Vivemos um dos momentos mais conturbados da história da humanidade. Um período parecido com o que antecedeu a Segunda Guerra Mundial, em que nacionalismos e separatismos, bem como conflitos que opunham etnias e religiões, mascaravam as verdadeiras razões políticas e econômicas subjacentes àquela época -como a crise da Bolsa de Valores, de 1929, e a Grande Depressão. Cenários como esses propiciam e potencializam sentimentos de xenofobia, ódio, intolerância e racismo.

No âmbito internacional, as diferenças religiosas têm exacerbado o preconceito em relação aos muçulmanos, induzindo-se a crer que todo o adepto da religião islâmica tem a responsabilidade por ataques terroristas causados por uma minoria radical sem nenhum princípio ético e humanitário, base fundamental de qualquer doutrina religiosa. Exemplo recente é a intensificação do conflito das duas potências petrolíferas no Oriente Médio -Irã e Arábia Saudita- tencionando ainda mais uma região marcada por confrontos de origem religiosa.

A intolerância religiosa e o racismo motivaram e foram pano de fundo para quase todos os conflitos armados que ocorreram no século 20. A morte de mais de seis milhões de judeus, no período sinistro e obscuro da ascensão do nazismo, que perdurou por mais de uma década na Alemanha, é um exemplo claro desse fenômeno.

Historicamente, o Brasil não ficou ao largo desse processo de radicalização e intolerância religiosa. No momento em que o fascismo aterrorizava a Europa, movimentos como o integralismo, que pregava o racismo, ganhava força entre nós. É só lembrar que o candomblé e até mesmo a capoeira, com seus batuques e cantigas, eram proibidos no Brasil até meados do século 20.

Nosso país é dos locais que apresentam a maior diversidade de credos do mundo. Abriga diferentes comunidades religiosas e culturais e é considerado a maior nação espírita e católica do planeta, com a presença de diversas instituições ecumênicas. Aparentemente “pacífico”, o Brasil é constitucionalmente laico, sem religião oficial, o que garante a seus cidadãos a liberdade de crença e de expressão.

Ao mesmo tempo, é possível afirmar, contraditoriamente, que, com o aumento da diversidade religiosa, aqui verifica-se o agravamento da intolerância e do racismo. O problema se revela frequente, com relatos de destruição de imagens de orixás, símbolos do candomblé ou de imagens de santos católicos.

Trajar roupas brancas como nos rituais ancestrais às sextas-feiras, como símbolo de quem cultua religião de matriz africana, é visto hoje em certos ambientes em nosso território como uma ofensa. Alguns programas de televisão tratam abertamente as religiões de matriz africana como seitas satânicas do mal.

Também têm sido cada vez mais frequentes os casos de queima de terreiros de candomblé e os relatos de mães de santo que sofrem pequenos atentados a seus seguidores, como o esvaziamento dos pneus de carros estacionados nas proximidades de seus terreiros. É comum, igualmente, a depredação de capelas católicas, sobretudo as localizadas em áreas isoladas, à beira das estradas. No entanto, há pouca reação contra esse tipo de atentado e discriminação.

Nos últimos meses, a Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial de São Paulo (SMPIR) registrou aumento significativo do volume de denúncias de atos de intolerância contra crenças de matriz africana, sendo superado apenas pelos registros de práticas de discriminação em escolas. Pior ainda quando as duas coisas vêm juntas: crianças são discriminadas no ambiente escolar pelas suas vestimentas ou religiões (candomblé, islamismo ou judaísmo). Muitos casos nem sequer chegam ao conhecimento do poder público.

A intolerância religiosa é um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana. E o país, que abriga uma das maiores diversidades religiosa do mundo, tem a obrigação de ser verdadeiramente um exemplo de paz nessa questão.


Maurício Pestana


02 julho 2019

São as vítimas da Inquisição, hoje reencarnadas, as responsáveis pelos conflitos atuais no Mundo? - Fernando Rossit


 
SÃO AS VÍTIMAS DA INQUISIÇÃO, HOJE REENCARNADAS, 
AS RESPOSÁVEIS PELOS CONFLITOS ATUAIS NO MUNDO!



Vem da Idade Média o ódio de povos de várias nacionalidades, seitas e crenças religiosas contra os cristãos. E quem são os responsáveis por tudo isso? De acordo com Manoel Philomeno de Miranda, no livro “Transição Planetária”, somos nós mesmos, quando, no passado, nos autoproclamando “cristãos”, seguidores da Doutrina de Jesus, cometemos inumeráveis atrocidades contra o próximo, sob a acusação de hereges.

Vejamos alguns trechos do Capítulo 17 do livro citado:

“Em nome de Jesus, vinculamo-nos ao poder imperial, deixamos de ser perseguidos para nos tornarmos perseguidores, abandonamos a humildade, sob os mantos do orgulho e da soberba… Encontramos meios de afastar os inimigos aos quais deveríamos amar, os antipatizantes que pensávamos conquistar, os equivocados que nos cabia esclarecer, e demos início às aventuras da loucura, criando as Cruzadas, os Tribunais do Santo Ofício, as perseguições inclementes aos mouros e judeus, a todos aqueles que não compartilhavam das nossas idéias, afundando-nos no abismo das aberrações mais desastros. “


“E martirizamos milhares de trabalhadores de Jesus nos mais diversos setores do pensamento e dos ideais, somente porque não se submetiam ao talante das nossas equivocadas determinações.”


“Na península ibérica, por exemplo, seguindo os exemplos terríveis de outros países, em nome da hegemonia católica e da fidelidade ao papa, utilizamo-nos de recursos ignóbeis para permanecermos em domínio político, religioso e cultural da sociedade, expulsando das formosas terras aqueles que chamávamos de hereges, somente porque não aceitavam o nosso Jesus. Naturalmente não O aceitavam em razão dos nossos exemplos de anticristianismo, de perversidade e de presunção com que nos vestimos para representá-lO, quando Ele se deixou dominar pelo amor, pela compaixão, pela misericórdia, pelo perdão…”


“E atualmente, o que ocorre? Não nos fazem recordar os comportamentos cavilosos a que nos entregamos no passado? É compreensível, portanto, que sejamos alvos que desejam atingir, em razão do mal que lhes fizemos, quando tivemos ensejo de ajudá-los a sair das deploráveis situações em que se demoravam. Os seus sentimentos inamistosos defluem dos ressentimentos que mantêm desde aqueles já recuados tempos, embora ainda vivos nas carnes das suas almas, que anelam por desforço e paz, que não têm ideia sequer, pensando que ela virá após atenderem a sede de vingança a que se entregam.”


“Lares e vidas foram destroçados, santuários de fé e educandários religiosos foram praticamente destruídos e a fúria da malta ensandecida, após incendiar as cidades e perseguir os sobreviventes, hasteou a bandeira da vitória onde antes tremulava a muçulmana…”


“Expulsos também os judeus, as suas sinagogas, seus lares foram destruídos, suas vidas tornadas banais e vendidas a peso de ouro, a fim de poderem permanecer depois da apostasia das doutrinas a que se vinculavam anteriormente, mudando os antigos nomes para aqueles que seriam denominados como cristãos. “


A fim de arrancar-se a confissão do infiel, eram usados todos os meios bárbaros concebíveis, incluindo-se o empalamento, a roda, a tortura da polé, e tudo quanto de hediondo a mente humana pode conceber quando enlouquecida. As mulheres eram violadas, as crianças assassinadas ou vendidas como escravas, separadas para sempre dos seus pais, os homens válidos eram igualmente vendidos, os idosos e doentes vilmente mortos após suplícios extenuantes… E dizíamos que assim nos comportávamos em nome de Jesus e de Sua doutrina…”

Significado de:


1) empalamento: é um método de tortura e execução que consistia na inserção de uma estaca pelo ânus, vagina, ou umbigo até a morte do torturado. A vítima, atravessada pela estaca, era deixada para morrer sentido dores terríveis, agravadas pela sensação de sede.


2) roda: tipicamente, a roda era nada mais do que uma grande roda de carroça com diversos raios. O condenado era amarrado a ela e seus membros, expostos entre os raios, eram quebrados com massas e martelos. O corpo despedaçado do condenado podia ficar exposto para o público.


3) polé: antigo instrumento de tortura no qual se pendurava o punido pelas mãos com uma corda e se prendia pesos de ferro nos pés, deixando-o cair com violência.



Fernando Rossit

01 julho 2019

Quando não aprende através do amor, aprende-se através da dor - Dilemar Neto




QUANDO NÃO APRENDE ATRAVÉS DO AMOR, 
APRENDE-SE ATRAVÉS DA DOR


Existem dois principais caminhos a escolhermos durante a nossa existência e as suas devidas conseqüências. Podemos escolher o caminho do aprendizado e do esforço próprio, mais difícil mas meritório e com consequências felizes; ou, pelo contrário, o caminho mais fácil, que é o das paixões e da preguiça, que com certeza nos trará consequências dolorosas.

A Doutrina Espírita tem como maior objetivo nos fazer adquirir uma fé racional, ajudando-nos a mudar os nossos posicionamentos perante as mais variadas situações da vida. Esta mudança se dá quando procuramos pensar antes de agir ou de falar, raciocinando se aquela atitude é correta ou não, se as conseqüências são boas ou ruins. Mas para fazermos este julgamento de valores, devemos procurar conhecimentos em que possamos basear nossas análises, para termos uma visão mais justa do conjunto de fatos em que estamos inseridos.

O Evangelho de Jesus Cristo, junto com a Doutrina Espírita, são os que nos oferecem as mais perfeitas informações neste sentido, onde acharemos a fonte dos mais valiosos ensinos morais e comportamentais, para a melhoria de nossa personalidade. Segue-se uma lista das mais variadas qualidades morais, junto com os correspondentes defeitos, para analisarmos as conseqüências de cada um deles em nossas vidas, gerando, conforme o caminho que escolhermos, felicidade ou sofrimentos.

Humildade e Orgulho: O orgulho é o maior dos defeitos e o mais difícil de ser combatido, pois ele está no âmago do nosso ser. Dizem os espíritos superiores que é o último a ser eliminado. Ele nos faz ter a falsa idéia de que somos melhores e superiores às outras pessoas, e em alguns casos até mais que o próprio Deus. Ele dificulta muito o aprendizado moral, pois o orgulhoso não está disposto a se melhorar porque acha que não necessita disto. Este defeito se manifesta de várias formas e maneiras.: podemos encontrar dentro de nós o orgulho racial, profissional, religioso, social entre outros. Às vezes temos até mesmo o orgulho de sermos caridosos, de sermos espíritas, mas não devemos nos iludir e achar que somos melhores que as outras pessoas. O melhor combate a este perigoso defeito é adquirirmos a humildade, que se faz quando nos colocamos abaixo de Deus e iguais aos nossos irmãos. O exercício da humildade se dá quando procuramos em nós os defeitos que vemos nos outros, procurando aprender com tudo e todos que estão em nossa volta.

Caridade e Egoísmo: O Egoísta pensa primeiro em si, depois pensa nas necessidades dos outros, e é isto exatamente que o mundo nos ensina atualmente. Se deixarmos o materialismo tomar conta do nosso ser, iremos nos tornar uma pessoa do mundo, ou seja, um egoísta de primeira. Para combater isto é necessário procurarmos compreender o que a Doutrina fala a respeito da verdadeira caridade e vivenciarmos este sentimento que vai trazer a felicidade para nós e para os que nos rodeiam. A verdadeira caridade modifica o nosso posicionamento de vida, fazendo-nos perceber que os nossos problemas não são os maiores e nem os mais importantes do mundo. Onde vamos compreender as necessidades e os problemas dos nossos semelhantes e trabalhar para melhorar este estado de coisas.

A solução dos maiores problemas da nossa sociedade seria a prática da caridade cristã, onde o mais forte e preparado ajudaria e amparar o mais fraco e o oprimido

Paciência e Irritação: Irritação e nervosismo mostram bem a situação atual de desequilíbrio por que passa a sociedade. Todos estão com pressa, correndo atrás apenas de sua vida e de seus interesses. E se alguém ou algo atrapalha esta correria, as pessoas se descontrolam e se atiram contra este obstáculo de uma forma lamentável. Estes descontroles emocionais não só trazem conseqüências espirituais funestas, como também causam graves males físicos.

Com a prática diária da paciência, que é a tranqüilidade e a calma perante os obstáculos ou às coisas que nos atingem, nós iremos cultivar uma vida mais saudável, tanto no campo espiritual como na parte física.

Citamos a passagem de Jesus, do Evangelho de Mateus, capítulo 6, versículos 25 a 34, onde o Mestre nos diz: "Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, pois o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal".

Fé e Insegurança: Nos ensina Kardec que a fé não é só religiosa, mas é sim um sentimento de força de vontade, ou vontade de querer, que pode ser usado em todos os aspectos de nossa vida. A fé nos dá a capacidade de usarmos os nossos atributos para atingirmos certos objetivos. Ela tem que estar aliada à humildade, para reconhecermos as nossas limitações e procurarmos superá-las. Já a fé religiosa direciona todas as nossas capacidade para procurar somente o bem, dando-nos uma confiança no futuro e na justiça de Deus. A Doutrina Espírita alia a este sentimento a lógica e a razão, transformando este sentimento em fé racional, que é o maior instrumento para combater as inseguranças que tomam conta do nosso ser em alguns momentos de nossa vida.

Simplicidade e Vaidade: A vaidade reflete em todos os aspectos do nosso ser e não somente na aparência. Claro que devemos nos vestir de uma forma adequada ao lugar em que estivermos indo. Para as mulheres não é proibido se arrumar ou usar maquiagem ou jóias. Também não é proibido cuidar do nosso corpo com exercícios ou dietas. O que a Doutrina pede é que não haja exageros e que não se faça disto o objetivo de nossa existência. Antes de tudo, deve-se pensar no Espírito, e depois na saúde do corpo e então a boa aparência física será consequência, pois o belo não é só aquilo que está na moda. É bom lembrar-nos que a simplicidade é a atitude dos espíritos superiores, aqueles que já estão despidos dos defeitos mais grosseiros.

Perdão e Mágoa: A mágoa é um dos mais destrutivos venenos espirituais, trazendo prejuízos incalculáveis ao ser. Jesus colocou uma grande ênfase ao perdão das ofensas, porque Ele sabia que só assim poderemos evitar sofrimentos profundos, para nós e os nossos companheiros de vida. E só se perdoa de verdade quando esquecemos emocionalmente as ofensas recebidas, não relembrando mais os sentimentos negativos que aquele ato gerou. Esta atitude é indispensável para a nossa saúde mental, espiritual e física.

Indulgência e Maledicência: A pessoa indulgente é aquela que é tolerante e compreensiva para com os defeitos alheios. Não comenta levianamente os erros dos outros, e sempre procura realçar o melhor lado das pessoas. Quando fala de um defeito ou erro alheio, é sempre com caridade e benevolência e com objetivo de aprender ou ensinar.

Disse Jesus: "Com a medida que medirdes, vos medirão também" (Mateus, 7; vers. 2), para que compreendamos que se falarmos mal de alguém, não poderemos reclamar quando outros agirem da mesma forma conosco.

Mansidão e Brutalidade: Jesus ensinou que precisamos ser como Ele, que foi manso e humilde de coração. E ser manso é ser afável para com o próximo, evitando o máximo a destemperança e a violência, mesmo em situações adversas. Nós que pretendemos ser espíritas temos a obrigação de cultivarmos a mansidão, pois ela é filha da racionalidade, viga mestra da Fé Espírita.

Obediência e Revolta: A obediência aos desígnios da vida e às Leis de Deus é a condição primordial para evitarmos um sentimento comum, que é a revolta perante as mais variadas situações da vida. Ensinam-nos os espíritos evoluídos, que a melhor e mais rápida maneira de passarmos por um período ruim é aceitarmos a situação, e não reclamar dela, trabalhando incessantemente para melhorá-la. Revolta gera desequilíbrio e desequilíbrio gera mais dor e sofrimento.

Razão e Ignorância: A ignorância é a ausência de conhecimento e compreensão das coisas. E só iremos superar a ignorância que mora dentro de todos nós, exercitando o que Deus nos deu de mais valioso, que é a nossa inteligência. E ela deve ser usada a todo o momento para analisarmos tudo o que iremos falar ou fazer, para evitarmos o máximo os erros provenientes de nossa ignorância das situações vivenciadas por nós. A razão ou racionalidade é o exercício deste ato, que deve ser contínuo e diário. Só assim iremos aproveitar o máximo as oportunidades de aprendizado que esta atual reencarnação nos oferece.

Seguindo estes importantes princípios é que conseguiremos cumprir a nossa tarefa primordial aqui na Terra, que é a de sairmos desta vida mais evoluídos e sábios do que entramos

Dilemar Neto