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21 setembro 2013

Renovação - Martins Peralva


RENOVAÇÃO 
Brilhe a vossa luz

O supremo objetivo do homem, na Terra, é o da sua própria renovação. Aprender, refletir e melhorar­se, pelo trabalho que dignifica - eis a nossa finalidade, o sentido divino de nossa presença no mundo. 

Descendo o Cristo das esferas de luz da Espiritualidade Superior à Terra, teve por escopo orientar a Humanidade na direção do aperfeiçoamento. 

"Brilhe a vossa luz" - eis a palavra de ordem, enérgica e suave, de Jesus, a quantos Lhe herdaram o patrimônio evangélico, trazido ao mundo ao preço do Seu próprio sacrifício. A infinita ternura de Sua Angelical Alma sugere­nos, incisiva e amorosamente, o esforço benéfico: "Brilhe a vossa luz." 

O interesse do Senhor é o de que os Seus discípulos, de ontem, de hoje e de qualquer tempo, sejam enobrecidos por meio de uma existência moralizada, esclarecida, fraterna. 

O Evangelho aí está, como presente dos céus, para que o ser humano se reflete com as suas bênçãos, se inunde de suas luzes, se revigore com as suas energias, se enriqueça com os seus ensinos eternos. 

O Espiritismo, em particular, como revivescência do Cristianismo, também aí está, ofertando­nos os oceânicos tesouros da Codificação. 

Pode-­se perguntar: De que mais precisa o homem, para engrandecer­se, pela cultura e pelo sentimento, se lhe não faltam os elementos de renovação, plena, integral, positiva?... Que falta ao homem moderno, usufrutuário de tantas bênçãos, para que "brilhe a sua luz? 

A renovação do homem, sob o ponto de vista moral, intelectual e espiritual, é difícil, sem dúvida. Mas é francamente realizável. É indispensável, tão somente, disponha­se ele ao esforço transformativo, com a consequente utilização desses recursos, desses meios, desses elementos que o Evangelho e o Espiritismo lhe fornecem exuberantemente, farta e abundantemente, sem a exigência de qualquer outro preço a não ser o preço de uma coisa bem simples: a boa vontade. 

A disposição de auto­melhoria. O homem, para renovar­se, tem que estabelecer um programa tríplice, como ponto de partida para a sua realização íntima, para que "brilhe a sua luz", baseado no Estudo, na Meditação e no Trabalho.

ESTUDO: - O estudo se obtém através da leitura do Evangelho, dos livros da Doutrina Espírita e de quaisquer obras educativas, religiosas ou filosóficas, que o levem a projetar a mente na direção dos ideais superiores.18 - Martins Peralva O estudo deve ser meditado, assimilado e posto em prática, a fim de que se transforme em frutos de renovação efetiva, positiva e consciente: "Conhecereis a Verdade e a Verdade vos fará livres." 

MEDITAÇÃO: - A meditação é o ato pelo qual se volve o homem para dentro de si mesmo, onde encontrará a Deus, no esplendor de Sua Glória, na plenitude do Seu Poder, na ilimitada expansão do Seu Amor: "O Reino de Deus está dentro de vós." Através da prece, na meditação, obterá o homem a fé de que necessita para a superação de suas fraquezas e a esperança que lhe estimulará o bom ânimo, na arrancada penosa, bem como o conforto e o bem­estar que lhe assegurarão, nos momentos difíceis, o equilíbrio interior. Na meditação e na prece haurirá o homem a sua própria tonificação, o seu próprio fortalecimento moral e a inspiração para o bem.

TRABALHO: - O trabalho, em tese, para o ser em processo de evolução, configura­se sob três aspectos principais: material, espiritual, moral. Através do trabalho material, propriamente dito, dignifica­se o homem no cumprimento dos deveres para consigo mesmo, para com a família que Deus lhe confiou, para com a sociedade de que participa. Pelo trabalho espiritual, exerce a fraternidade com o próximo e aperfeiçoa­se no conhecimento transcendente da alma imortal. 

No campo da atividade moral, lutará, simultaneamente, por adquirir qualidades elevadas, ou, se for o caso, por sublimar aquelas com que já se sente aquinhoado. 

Em resumo: aquisição, cultivo e ampliação de qualidades superiores que o distanciem, em definitivo, da animalidade em que jaz há milênios de milênios: "É na vossa perseverança que ganhamos as vossas almas." 

A estrada é difícil, o caminho é longo, repleto de espinhos e pedras, de obstáculos e limitações, porém, a meta é perfeitamente alcançável. Uma coisa, apenas, é indispensável: um pouco de boa vontade. Boa vontade construtiva, eficiente, positiva. O resto virá, no curso da longa viagem... 

Martins Peralva


20 setembro 2013

Labor Transcendental - Bezerra de Menezes



LABOR TRANSCENDENTAL

... E necessário que exerçamos a mediunidade com Jesus.

Que a figura incomparável do doce Rabi penetre-nos, e que logremos insculpi-la no ádito do nosso coração. 

Fomos chamados para um labor de natureza transcendental, a nossa é uma tarefa de abnegação e de sacrifício.

Médium sem as cicatrizes do sofrimento ainda não se encontra em condições de servir em plenitude Àquele que é o exemplo máximo da doação. 

Convidados ao banquete da era nova na vinha do Senhor, trabalhemos as vestes espirituais que são os nossos hábitos para que, em chegando o dono do banquete, nos possa colocar no lugar que nos está destinado.

Companheiros de jornada, filhos do coração, honrados com a faculdade mediúnica para o serviço do bem, estendei os vossos tesouros íntimos oferecendo-os aos transeuntes da vida.

Não podeis imaginar o benefício do socorro espiritual em uma reunião mediúnica, quando alguém crucificado nas traves do sofrimento do além-túmulo por decênios, em se utilizando da vossa aparelhagem consegue receber o lenitivo da palavra que ilumina e que liberta da ignorância, a energia que lhe atenua a dor; a página de esperança que se lhe acena na direção do futuro.

Entregai-vos ao labor da caridade da condição de trabalhadores que somos da última hora.

Jesus espera que nos desincumbamos das tarefas que nos foram confiadas e, dentre muitas, a da mediunidade dignificada pela conduta coerente com os postulados espíritas que tem primazia.

Filhas e filhos do coração, não vos esqueçais que Jesus nos fez um pedido e que ainda não O atendemos: Amai-vos uns aos outros para que todos saibam que sois meus discípulos.

Foi um pedido do Mestre, busquemos atendê-Lo de tal forma que o amor flua de nós como uma cascata de bênçãos e a aridez do terreno dos corações se fertilize e se transforme o deserto em jardim; o pântano das paixões em pomar...

O Senhor espera-nos com ternura, compaixão e misericórdia. Façamos, dentro das nossas possibilidades, o melhor ao nosso alcance.

Os Espíritos-espíritas que aqui mourejam, por meu intermédio, pedem que nos unamos na construção de um mundo melhor.

E rogamos, por fim, ao Senhor da Vinha que nos abençoe e nos dê a Sua paz.

Que essa paz, filhos e filhas da alma e do coração, permeie-nos hoje e sempre.

São os votos do servidor humílimo e paternal de sempre,

Bezerra

Mensagem psicofônica obtida pelo médium Divaldo Pereira Franco, no encerramento da conferência, no Grupo Espírita André Luiz, no Rio de Janeiro, na noite de 22 de agosto de 2013.

19 setembro 2013

Insegurança - Hammed


INSEGURANÇA

A insegurança traz como características psicológicas os mais variados tipos de medo, como o de amar, o da mudança, o de cometer erros, o da solidão, o de se pronunciar e o de se desobrigar. O inseguro não confia no seu valor pessoal, desacredita suas habilidades e desconfia de sua possibilidade de enfrentar as ocorrências da vida, o que o impulsiona a uma fatal tendência de se apoiar nos outros.

Por não compreender bem seu poder interior, apega-se na afeição do cônjuge, filhos, outros parentes e amigos e, assim, acaba dependendo completamente dessas pessoas para viver. Em vez do amor, é a insegurança a fonte principal que o une aos outros; por isso, controla e vigia em razão das dúvidas que tem sobre si mesmo.

O inseguro, por não saber que não pode controlar os atos | atitudes das outras criaturas, cria grandes dificuldades em seus relacionamentos, gerando, consequentemente, maiores cobranças e barreiras entre eles.

A hesitação torna-o criatura incapaz de se sentir bastante firme para agir. Nunca possui certeza suficiente e quer sempre mais se certificar das coisas. É excessivamente cauteloso e vigilante; está em constante sobreaviso e desconfiança de tudo e de todos, por causa do medo das consequências futuras de suas ações do presente.

Os inseguros desenvolvem muitas vezes uma “devoção mórbida” em relação às causas e aos ideais, ou se associam a um parceiro forte e dinâmico para compensar sua necessidade de apoio, consideração e segurança. No primeiro caso, eles podem assumir diante do mundo a posição de “crentes exaltados”, querendo convencer todos de uma verdade que eles mesmos não acreditam; no segundo, buscam alguém que lhes corresponda ao modelo de seus genitores, para que, novamente, venham a se nutrir da autoridade, decisão e firmeza que encontravam nos pais, quando crianças.

Muitos ainda buscam refúgio numa atividade intelectual e se colocam, por exemplo, na posição de autoridade literária, como estratégia emocional, a fim de estimular em torno de si uma atmosfera de “bem informados” e, portanto, grandiosos e seguros.

Kardec, Discípulo de Jesus, pergunta aos Instrutores Espirituais: “Quando um Espírito diz que sofre, de que natureza é o seu sofrimento? ” A Espiritualidade elaborou a seguinte resposta: “Angústias morais, que o torturam mais dolorosamente do que todos os sofrimentos físicos.”1

“Angústias morais” podem ser entendidas como a fragilidade em que se encontram as criaturas inseguras, a sensação de mal-estar que sentem, por acreditarem que estão constantemente sendo observadas e julgadas e também pela perpétua situação mental de vulnerabilidade diante do mundo.

Os inseguros não são assertivos; em outras palavras, não se expressam de modo direto, claro e honesto. Omitem defesa a direitos pessoais por medo e evitam encontros ou situações que precisam expor suas crenças, sentimentos e ideias.

O título de “Senhor de Si Mesmo” poderá definir bem a segurança e firmeza de Jesus Cristo. Suas palavras “Seja, porém, o vosso falar: sim, sim; não, não” 2 ainda hoje ressoam, convidando todas as criaturas à autonomia espiritual. Realmente, o comportamento assertivo do Mestre e sua significativa liberdade de expressão revelavam:
- franqueza em dizer o que pensava;
- segurança de olhar, ouvir e convidar qualquer um;
- independência de exprimir seus sentimentos com absoluta transparência;
- liberdade de pedir o que quisesse;
- coragem de correr riscos para concretizar tudo aquilo em que acreditava.

Essas alegrias os inseguros não sentem. Seguindo, porém, os passos de Jesus, Nosso Guia e Senhor, a humanidade alcançará a estabilidade e serenidade interior que busca há tantos séculos – conquista dos seres despertos e amadurecidos do futuro.

¹ O Livro  dos Espíritots, Questão 255
Quando um Espirito diz que sofre, de que natureza é o seu sofrimento?  Angústias morais, que o torturam mais dolorosamente do qne todos os sentimentos  físicos.
² Mateus 5:7


Livro As Dores da Alma, item Insegurança, 
Espírito Hammed
Psicografia de Francisco do Espírito Santo Neto


18 setembro 2013

Dever Paterno - Vinícius

 

DEVER PATERNO

Duas verdades muito simples devem estar presentes na imaginação dos pais: de um saco vazio nada podemos tirar; de um terreno inculto, abandonado, nenhum bom grão podemos colher.

Estas duas asserções, banais em aparência, naturalmente servirão para lhes trazer à mente um fato de suma importância: a educação dos filhos.

Sim, se eles descurarem o cumprimento deste dever, chegará o dia em que debalde procurarão obter alguma coisa dos filhos. Estes lhe darão o que se pode tirar de um saco vazio ou aquilo que se pode colher de um terreno abandonado.

A autoridade paterna, elemento indispensável na orientação e direção da mocidade, não surge do vácuo nas ocasiões prementes das grandes necessidades, dos lances aflitivos em que ela é reclamada. Se essa autoridade existe,, apresenta-se, impõe-se, age, luta e consegue. Se não existe, é escusado apelar-se para ela, no paroxismo de qualquer aflição. A autoridade paterna se desenvolve paulatinamente, como fruto da educação que os pais dão aos filhos, quando essa educação se funda na base sólida de exemplos dignos e elevados. Ela se desenvolve e frutifica como as plantas de valor. Pretendê-las num dado momento, como façanha de prestidigitador, é ilusão que nenhum pai sensato deve alimentar.

Há exemplos, não contestados, de filhos bons e dignos, à revolta da influência doméstica, e outros que são maus, a despeito dos desvelos paternos; porém tais casos são exceções que não anulam a regra e, menos ainda, os deveres dos pais, no que concerne à formação do caráter de seus filhos.

Sabemos que nossos filhos são espíritos reencarnados, os quais semelhantemente ao vento, segundo disse Jesus ninguém sabe donde vêm. É possível que sejam espíritos de sentimento e moral elevados; assim sendo, não nos darão maior trabalho: é a exceção. Caso contrário, como é de regra, trarão consigo defeitos, vícios e paixões, para cujo extermínio cumpre providenciarmos, empenhando, todos os meios ao nosso alcance. E isto se obtém, ministrando a educação cristã, firmada sobre os alicerces de exemplificações acordes com aquela doutrina.

Educar é salvar. O Espiritismo é a religião da educação. Não há lugar para superstições, na trama urdida pelos postulados cristãos que o Espiritismo veio restaurar em toda a sua verdade.

Eduquemo-nos, pois, e eduquemos nossos filhos. Um mau chefe de família nunca pode ser um bom espírita.


De “Na Escola do Mestre”, de Vinícius*
Pseudônimo de Pedro de Camargo
 

17 setembro 2013

Função do Doutrinador - José Ferraz


FUNÇÃO DO DOUTRINADOR

Na prática mediúnica devem ser consideradas três funções específicas; o dirigente-doutrinador, o médium ostensivo e o assistente participante.
Para efeito informativo, daremos a seguir algumas conotações observadas durante uma frequência prolongada nas reuniões  mediúnicas espíritas, onde assimilamos uma série de orientações dadas pelos mentores espirituais e outras das nossas observações para manter-se uma conduta salutar na convivência com os desencarnados no desempenho da função de doutrinador, considerado atualmente como um psicoterapeuta de Espíritos sofredores.
Deve adquirir o hábito de primeiro ouvir o que diz o comunicante para iniciar o diálogo, num tom de voz natural, de forma coloquial, não tendo a preocupação de se fazer ouvir por todos os componentes do grupo.
Nunca esquecer que está conversando com um indivíduo que somente não possui mais um corpo carnal, no entanto as suas reações psicológicas são semelhantes às daqueles que ainda esão encarnados, precisando naquele instante de atenção especial, quando não se deve prescindir de transmitir tolerância, compreensão e otimismo, para a superação das suas dificuldades na transição para além da sepultura.
Deve-se, portanto, pronunciar as palavras com delicadeza para o envolvimento vibracional, não se esquecendo da austeridade, sem o autoritarismo radical, nas ocasiões do atendimento aos Espíritos malévolos e impenitentes da erraticidade inferior.
Evitar explanações doutrinárias discursivas e sobretudo não emitir críticas ostensivas ou veladas pelo estado de sofrimento apresentado pela entidade comunicante que está sendo atendida.
Atuar mais com o sentimento de bondade do que com palavras excessivas. Deixar o Espírito externar-se para identificar a causa do problema, antes de tomar o pulso da comunicação para ajudar o suplicante corretamente.
Não se preocupar em identificar quem é a personalidade sofredora, pois o trabalho de intercâmbio espiritual tem por base a caridade anônima.
Desnecessário explicar a razão do sofrimento atual trazendo à baila o comportamento incorreto durante a existência carnal, porque isto tem o efeito de um ácido a queimar as fibras íntimas da criatura sofredora.
Quanto menos informações forem dadas melhor, inclusive não se utilizar da terminologia espírita, a não ser com muita cautela, nem tampouco insistir impositivamente na sugestão para que o comunicante adote uma postura oracional, pois quem está sentindo sensações dolorosas ou desesperadoras não tem a mínima condição de entender ou assimilar ideias ou conselhos de que nunca ouviu falar.
O doutrinador deve ter sempre em mente que a finalidade do fenômeno que ocorre na ligação que se dá perispírito a perispírito para a psicofonia, tem um sentido prioritário, de por em contato o comunicante com o fluido animalizado do médium para a ocorrência do chamado choque anímico.

Allan Kardec utilizou o termo fluido animal, porque na ligação perispiritual ente o comunicante e o médium, para que se processe a psicofonia, acontece uma transferência de elevada carga de energias animalizadas, absorvidas pelo desencarnado, produzindo-lhe um choque energético que promove o seu despertamento para uma realidade nova de que ainda não se deu conta.

Isto se torna necessário, porque na desencarnação o ser inteligente leva consigo inúmeras impressões físicas e mentais que persistem no seu campo perispiritual depois da morte biológica. Daí o conceito doutrinário de que morrer definitivamente é adquirir consciência  e familiaridade do mundo que passa a habitar.
Por isso, o doutrinador deve ser muito cauteloso no momento de fazer a revelação do estado presente do Espírito que está sendo atendido. Precipitar o conhecimento da sua morte biológica pode causar-lhe um trauma desestruturador da emoção, com consequências desagradáveis para o comunicante e para o médium também, que recebe as descargas psíquicas do sofredor.
Consideremos alguém que teve morte repentina decorrente de uma crise cardíaca, sem nenhum conhecimento da vida espiritual, acordando num ambulatório médico e sendo atendido por uma pessoa que lhe diz de chofre: “Você já morreu.” Naturalmente a reação imediata é a da descrença, com uma resposta de pronto: “Como pode isto ter acontecido; eu estou vivo e dizem-me que já morri!”.
Se o doutrinador persiste na ideia de convencer o Espírito, poderá ocorrer o medo e em seguida o pânico patológico, não resultando da revelação nada de positivo para o bem-estar da entidade sofredora. Neste particular a função do doutrinador é de efeito preparatório, deixando a cargo dos Benfeitores Espirituais a escolha do momento aprazado para fazer com que o desencarnado tome conhecimento da sua nova realidade.
No diálogo com os Espíritos empedernidos no mal, a técnica de doutrinação também exige cuidados especiais na forma em que deve ser praticada. Essas entidades sabem do estado em que se encontram e agem intencionalmente para perturbar o desenrolar da programação previamente estabelecida pelos instrutores espirituais.
Uma pergunta se impõe de imediato: “Por que razão permitem os mentores espirituais esta intromissão inoportuna?” Simplesmente, para aprendermos as lições decorrentes dessa convivência e, ao mesmo tempo, neutralizar a influência malfazeja dessas entidades sobre os encarnados.
O doutrinador deve precaver-se, a fim de não se deixar envolver pela tática usual desses Espíritos, qual seja a de provocar discussão com o intuito de roubar o tempo disponível das reuniões de atendimento aos sofredores, e ao mesmo tempo perturbar o ambiente mediúnico por meio de irradiações desagradáveis que a todos irritam, provocando um mal-estar generalizado.
O tratamento ideal no relacionamento com o visitante perturbador é o da amabilidade, mantendo-se a ascendência moral através de vocabulário próprio, demonstrando não estar atemorizado com as ameaças ostensivas, não se deixando contaminar com a violência do linguajar vulgar e desafiador, e, sobretudo manter uma confiança irrestrita na ação dos Benfeitores Espirituais.
Evitar a todo custo utilizar argumentos a fim de fazê-lo desistir dos seus propósitos. Durante o tempo em que se encontra ligado ao médium o Espírito vingativo está perdendo força. Cada vez que isto ocorre, essas entidades perdem uma alta cota de energia que antes descarregavam nas suas vítimas.
  
No trabalho de doutrinação, o encarregado dessa tarefa conscientizado da grave responsabilidade que assume não somente naquilo que diz respeito aos desencarnados, mas, também, na questão dos danos físicos, emocionais e espirituais que pode causar ao médium quando o atendimento não é feito de forma correta.

Outro detalhe importante é o doutrinador não tocar no médium, no transcorrer da comunicação. Este é um hábito extremamente inconveniente, não somente no sentido ético como estético. Além disso, promove no sensitivo uma irritação muito desagradável, podendo em alguns casos danificar a sua aparelhagem mediúnica e nervosa. Em situações específicas pode causar-lhe uma dor de cabeça insuportável.
Em decorrência do que foi dito anteriormente, a nenhum pretexto o médium deve ser seguro pelo doutrinador, no caso de agitação excessiva, pois não é a força física, e sim a psíquica que atua efetivamente para controlar os impulsos descontrolados da entidade comunicante, refletidos no comportamento do medianeiro.
Finalmente o doutrinador, depois do atendimento ao sofredor, deve transferir de imediato a sua atenção para o médium. Não raro o sensitivo para se reajustar depois do estado de transe, na roupagem carnal, necessita de uma transfusão de energias que deve ser feita através dos passes magnéticos. 


JOSÉ FERRAZ


16 setembro 2013

A Pena de Morte - André Sobreiro


A PENA DE MORTE

Há vários países em nosso orbe, como sabemos, que adotam a pena de morte como forma de punição para os cidadãos que infligem  as leis humanas. Em nosso país, como também não é segredo, essa prática não é adotada, não sendo permitida pelo nosso código civil.

Nosso objetivo, na presente reflexão, é contextualizar essa forma de punição, aferindo o quanto a mesma pode (ou não) ser útil, e possíveis fatores pró e contra a pena de morte.

Essa prática consiste em provocar a morte (física) do chamado criminoso, e cada país (ou cada estado, dentro de um mesmo país) adota técnicas diferentes para consumá-la. Antigamente, a forca era muito usada como forma de levar o condenado à morte. A guilhotina também foi prática bastante usual, no passado.

Modernamente, temos mais referências sobre a injeção letal (que consiste na injeção de quantidade letal de substância líquida que paralisa o coração e/ou o diafragma do condenado), a cadeira elétrica (imobilização do condenado em uma cadeira e eletrocução do mesmo, com o uso de tensões elétricas de dois mil volts) e, em algumas regiões, ainda ouve-se a respeito do fuzilamento, principalmente em regiões e épocas de guerras.

Vários irmãos usam a superlotação dos presídios para justificar a pena de morte. Alegam que, com a execução do criminoso, o problema estaria “resolvido”, diminuindo inclusive os investimentos públicos feitos em pessoas que, na opinião deles, “não valem a pena”. Evitar-se-ia, com a punição máxima, as rebeliões, as fugas em massa, etc.

Vamos observar, desse ponto da reflexão em diante, a pena de morte pela ótica espírita.

Em vários pontos da chamada “Codificação” Espírita, Kardec e o “Espírito da Verdade” deixam claro que a desencarnação consiste apenas da separação do espírito, em relação ao corpo, e que esse processo de libertação não nos redime, isto é, não nos liberta das nossas imperfeições.

Por consequência, a pena de morte não resolve problema algum... A “ovelha perdida” que sofre essa punição retorna ao plano espiritual com as mesmas tendências e imperfeições continuando sua prática por lá. Muitas vezes, o irmão assassinado, ao adentrar o plano dos imortais, continuando com suas tendências más, forma ali grandes organizações para a prática do mal, liderando-as ou delas participando. Usam toda a sua inteligência e capacidade de organização, montando várias equipes para que não percam seu poder e domínio, aumentando-s até.

Como também nos é relatado na “Codificação” e nos livros confiáveis da nossa doutrina, o corpo físico serve de limitador vibratório e, ao mesmo tempo, funcional. A ele ligado (encarnado, portanto), o espírito encontra-se limitado, pela necessidade de conduzi-lo. Usando conhecida metáfora: estamos nós (os encarnados)  encarcerados a esse corpo que nos possibilita o progresso.

Portanto, levar o “criminoso” à desencarnação (pela pena de morte) significa libertá-lo da limitação corporal, dando a ele liberdade consideravelmente maior, inclusive para penetrar nosso mundo mental. Estando encarnado, as trancas de porta e as grades e cadeados nas janelas nos manteriam seguros... Desencarnado o malfeitor, só a moral nos manteria imunes às suas investidas invisíveis.
 
Mas, como somos devedores...

Na 1ª obra da “Codificação”, Kardec questiona os Imortais da seguinte forma:

760. Desaparecerá algum dia, da legislação humana, a pena de morte?

“Incontestavelmente desaparecerá e a sua supressão assinalará um progresso da Humanidade. Quando os homens estiverem mais esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida na Terra. Não mais precisarão os homens de ser julgados pelos homens. Refiro-me a uma época ainda muito distante de vós”.

Nossas considerações tentam reforçar o “não julgueis” sugerido por Jesus, uma vez que nossa consciência ainda encontra-se enodoada de nossos erros pretéritos... E também porque só devemos oferecer ao próximo, aquilo  que queremos para nós mesmos.

Por André Sobreiro

 

15 setembro 2013

Desprendimento e Desapego - Miramez



DESPRENDIMENTO E DESAPEGO

Amar, mesmo que seja de forma egoísta, todos os seres humanos o fazem, nem que seja a si mesmos. Amar de forma verdadeira, sem egoísmo e posse, demonstra o que se aprendeu. Amando verdadeiramente, anulamos erros e irradiamos alegrias em nossa volta.

Amar e desapegar-se dos seres que amamos não é fácil.

 Encarnados, quando aprendem a se desprender do que lhes é caro, chegam a ter sensações de dor, porque sufocam a ilusão de ter. Amar a tudo, dando valor, mas sabendo que nos é emprestado. E por quem: Pelo nosso Criador. Com objeto emprestato, cuidado dobrado. 

Sim, realmente, tudo nos é emprestado, já que não somos donos de nada material, não possuímos nada. Nosso amor pelas coisas deve ser incondicional, usar o que nos é permitido, sem abusar. 

Dar valor à casa que nos serve de lar, às roupas que vestem nosso corpo, ao local em que trabalhamos, onde recebemos o dinheiro para o sustento material, enfim, a todos os objetos que nos são úteis. 

Porém, teremos um dia que deixar tudo para outros, e que o deixemos da melhor forma possível, para que eles possam desfrutar dos objetos emprestados tanto quanto nós. 

Até o corpo físico temos que devolver à natureza. E como essa devolução é difícil para muitos!

Até aí, parece fácil, embora saibamos que muitos, possuídos pelo desejo de ter, se esquecem desse fato, apegam-se às coisas, aos objetos, julgando ser deles, e quando desencarnam não querem deixá-los e a eles ficam presos. 

Há uma parte mais difícil, que é amar nossos entes queridos sem apego. 

Quase sempre nos julgamos insubstituíveis junto daqueles que amamos, que ninguém os ama mais que nós e que somos indispensáveis na vida deles. 

Apegamo-nos assim a estes, esquecendo que eles também são amados por Deus e que somos companheiros de viagem, cabendo a cada um caminhar com seus próprios passos. 

E muitas vezes, nessas caminhadas, somos levados a nos distanciar um do outro, mas afetos sinceros não se separam. 

Podem estar ausentes, não separados. Deixar que nossos afetos sigam sozinhos, sem nós, é algo que devemos entender. É o desapego. 

Ao desencarnarmos, ausentamo-nos do convívio de nossos entes queridos e, se não entendermos isso, consideraremos essa ausência como separação definitiva. 

Precisamos aprender a amar com desapego, ampliar o número de nossos afetos, sem a ilusão da posse. 

Se formos chamados a nos ausentar, pela desencarnação, continuemos a valorizá-los, respeitando-os, ajudando-os. Estaremos no caminho do desapego, mas continuaremos a amá-los da mesma forma.

Livro O Vôo da Gaivota, cap. Colóquio Interessante, Espírito Patrícia – psicografia de Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho.


14 setembro 2013

Escola - Espírito Carlos


ESCOLA

Porque o mandamento é uma lâmpada e a instrução uma luz e, as repreensões da disciplina são o caminho da vida. Pv. 6:23.

***

Os mandamentos espirituais são vidas iluminando vidas, em todas as direções.

A instrução é luz iluminando os caminhos da alma nos roteiros das existências.

A disciplina é a força que garante o Espírito em todas as tribulações.

***

Para quem quer aprender existe escola por toda parte e para quem quer ensinar não falta aprendiz nos diversos caminhos. Aluno e mestre, despertai-vos para que surja a instrução corrigindo faltas e ampliando virtudes na linha do Cristo, que é sempre Amar.

***

Acende uma lâmpada na tua vida, colhendo, no jardim do teu lar, as boas maneiras dos teus pais e procura multiplicá-las na semente da palavra que deves jogar no solo dos corações por onde transitas. O agricultor dinâmico tem sempre o celeiro cheio.

***

Não feches os olhos diante da escola, ajuda os semelhantes a progredirem mais.

***

Lembra que Jesus é o Mestre dos mestres. Professores e alunos harmonizam-se diante do Evangelho e dos livros. Não percas tempo, procura aprender e ensinar.

***

Mesmo que não tenhas forças para corrigir faltas e dar sequências em virtudes, faze o que puderes, qualquer esforço nesse sentido é abençoado.

***

Jesus, diante das dificuldades dos discípulos no aprendizado do amor, abriu a Escola do Evangelho. Logo após, passaram a brilhar, bem próximo ao Cristo, os astros como um sol de amor e esperança, iluminando a humanidade.

***

A Terra é uma academia cósmica. Quem vive ou flutua com ela está aprendendo, não o que quer, mas o que Deus achar mais conveniente. E se compreendemos a vontade do Senhor, mais depressa servimo-nos de instrumento à luz do Cristo.

***

Dentro do Cristianismo está cheio de autodidatas que aprenderam e estão ensinando o Evangelho de Jesus.


De “Gotas de Fé” 
De João Nunes Maia 
Pelo Espírito Carlos



13 setembro 2013

Prossegue Lutando - Joanna de Ângelis



PROSSEGUE LUTANDO

Levanta o espírito combalido e prossegue lutando:

a terra sofrida pelo arado mais produz;

a fonte visitada pelo balde mais dessedenta;

a árvore abençoada pela poda mais frutifica;

o coração mais visitado pela dor mais se aprimora.

Não te canses de lutar!

A reencarnação é oportunidade abençoada que os Céus concedem para refazimento moral, ajuste de contas e saldamento de dívidas.

Não te aflijas ante a imperiosa necessidade de resgatar.

Bendize as horas de dor, que passam como passam os momentos de prazer, avançando na tua luta, caindo para levantar, chorando por amor ao ideal e sofrendo por servir. Para onde sigas, defrontarás a luta em nome do trabalho sulcando o solo da humanidade.

A luta é clima em que são forjados os verdadeiros heróis e o sofrimento é a célula sublime que dá origem aos servidores verdadeiros.

Há mães que no sofrimento se converteram em anjos estelares; há corações que no sofrimento se transformaram em urnas sublimes de amor; há criaturas que no sofrimento se renovaram, fazendo de si mesmas sentinelas vigilantes, em defesa dos infelizes.

Prossegue lutando!

Esquece o próprio cansaço e escreve páginas de consolação; cessa de chorar e enxerga outras lágrimas com o lenço da tua compreensão; asserena tua inquietude e repete os excertos sobre a imortalidade, de que tua alma está impregnada pelos zéfiros do mundo espiritual, junto aos que nada conhecem do além-túmulo...

Há favônios cantantes que trazem blandícias de prece e te falam aos ouvidos, quando te aquietas para orar.
Não percas a oportunidade de sofrer nem te desalentes porque a dor te visita.

Quando menos esperares, um anjo incompreendido chegará de mansinho às portas do teu corpo e, selando teus lábios com o sinete da desencarnação, tomará tua alma de improviso. Abençoarás, então, ter prosseguido lutando.

E considerares que as provações que te visitam agora são aparentemente maiores do que tuas forças, recorda Jesus, o Anjo Crucificado, que no Gólgota, ainda pôde, sofrendo, prosseguir lutando, quando, atendendo à súplica do larápio infeliz, esperançou-o com o desejo de entrar no paraíso. E guarda a certeza de que, prosseguindo lutando, já estás no paraíso desde hoje.


De “Messe de Amor”
De Divaldo Franco
Pelo Espírito Joanna de Ângelis



12 setembro 2013

A Obesidade diante da Obessão, do Vampirismo e da Auto-Obsessão - Jorge Hessen


A OBESIDADE DIANTE DA OBSESSÃO, DO VAMPIRISMO E DA AUTO-OBSESSÃO

 

No Brasil, as doenças relacionadas à obesidade custam aos cofres públicos quase 500 milhões de reais, anualmente, segundo levantamento realizado pela UnB – Universidade de Brasília. Outra Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2009 assinalou que 21,7% dos brasileiros, na faixa etária entre 10 e 19 anos, apresentam obesidade. Ao todo, há quase 15 milhões de brasileiros rechonchudos. O número equivale a quase metade dos gordos existentes nos Estados Unidos. (1)

Estamos perante uma epidemia mundial. O governo de Dubai (Emirados Árabes Unidos) está oferecendo ouro (isso mesmo, ouro!) como recompensa para incentivar as pessoas a perderem peso e levarem um estilo de vida mais saudável. Para cada quilograma perdido, os participantes receberão um grama de ouro, que atualmente vale em torno de quarenta e cinco dólares (cerca de cem reais), mas para receber o prêmio é necessário perder no mínimo dois quilogramas. O programa de governo árabe reflete o aumento da preocupação das autoridades dos países do Golfo Pérsico com a taxa crescente de obesidade da população devido à vida sedentária e consumo descomunal de alimentos fast-food. (2)

Pesquisando aqui e alhures sobre a “obesidade”, esbarramos com alguns textos curiosos, que inobstante excêntricos, revelaram-se atraentes. A exemplo do texto de Andrew Oitke, um suposto catedrático de Antropologia, em Harvard, que teria divulgado o livro “Mental Obesity” (!?)…(3), que segundo os leitores, tem insurgido contra as áreas da educação, jornalismo e relações sociais em geral. O hipotético livro “Obesidade mental” consigna, dentre outros incisivos contextos, que décadas atrás a humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por causa da alimentação desregrada. Todavia, e poucos se dão conta, há abusos no campo da informação e conhecimento que estão criando problemas tão ou mais sérios que adiposidade física.


A sociedade está mais empanturrada de preconceitos que de gorduras protéicas; mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono. Os cozinheiros desta volumosa “fast food” intelectual são os jornalistas e colunistas, os editores da informação e filósofos, os romancistas e diretores de cinema. Nessas dantescas perversões alimentares, os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os pudins da imaginação. Com uma “alimentação intelectual” tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que as pessoas nunca consigam uma vida saudável e equilibrada depois de ingeri-la.

Notemos: um jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A informação das pessoas aumentou, mas é um conjunto de banalidades. Não é surpresa que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a educação abandonada, a cultura banalizada, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce a pornografia, a arrogância, a imitação, a insipidez, o egoísmo. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos. Cremos que a sociedade precisa menos de passeatas, reformas, desenvolvimento, progressos do que de dieta mental.

Voltemos ao tema. A obesidade é uma doença crônica, grave, de custos elevados em todas as áreas da existência humana – individual e social. Especialmente a do tipo visceral está associada ao diabetes mellitus e a doenças coronarianas em homens e em mulheres. Os níveis crescentes de sobrepeso estão associados à incidência aumentada de alterações endócrincas, artrite de mãos e joelhos, doenças de vesícula biliar, apneia do sono, alterações dos lipídeos sanguíneos, alterações da coagulação e alguns tipos de neoplasias, como câncer de mama e de endométrio em mulheres, e câncer de cólon em homens.

Do ponto de vista espírita, cremos que a obesidade pode decorrer de fatores genéticos preponderantes e até mesmo das influências de espíritos vingativos. Embora a obesidade não seja classificada como um transtorno psiquiátrico, entendemos que a extensão dos efeitos da obsessão pertinaz (vampirismo) pode induzir a transtornos psíquicos levando o obsedado à ingestão exagerada de alimentos e acentuar-lhe os problemas emocionais (ansiedade, temores e fobias).

Allan Kardec, em o Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 28, define obsessão como sendo a “ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo.” (4) 

A obsessão é sempre um processo mantido, contínuo, persistente em que as forças em demanda estão se afrontando num processo bem estabelecido. O obsessor estará atuando sobre o encarnado em alguns flancos: mente a mente, através da constrição mental; perispírito a períspirito, através do envolvimento fluídico que poderá levar o corpo físico a degenerar.

Comer exageradamente pode induzir alguém à obsessão (vampirismo). A gula pode ser matriz de obsessão relacionada à satisfação de vícios e paixões. “Vampiro”, na definição de André Luiz, “é toda entidade ociosa que se vale indevidamente das energias alheias”. (5) 

A vampirização ocorre através de espíritos corrompidos, apegados a certas emoções materializadas, quando se aproximam dos encarnados, portadores dos mesmos vícios, para sugarem as suas emanações vitais. Destarte, a atitude de fumar, beber em excesso, falar mal dos outros (maledicência), da agressividade, da avareza, da sensualidade, da ingestão exagerada de alimento poderá estabelecer vínculos com entidades vampirizadoras, sugadoras das energias essenciais do obsedado.

Há ainda as obsessões anímicas, que são causadas por uma influência mórbida residente na mente do próprio paciente. Por causa de vícios de comportamento, ele cultiva de forma doentia pensamentos que causam desequilíbrio em sua área emocional. Muitas tendências auto-obsessivas são provenientes de experiências infelizes ligadas a vidas passadas. Angústia, depressão, mania de perseguição ou carências inexplicadas podem fazer parte de processos auto-obsessivos.

O auto-obsediado costuma fechar-se em seus pensamentos negativos e não encontra forças para sair dessa situação constrangedora. Esse posicionamento mental atrai Espíritos vingativos que, sintonizados na mesma faixa psíquica, agravam a situação. Não podemos olvidar que a imprudência e o ócio se responsabilizam por múltiplas enfermidades, como sejam obesidade, os desastres circulatórios provenientes da gula, as infecções tomadas à carência de higiene, os desequilíbrios nervosos nascidos da toxicomania e a exaustão decorrente de excessos vários. De modo geral, porém, a etiologia das moléstias perduráveis que afligem o corpo físico e o dilaceram guarda no corpo espiritual uma das suas matrizes.


Jorge Hessen


Referências bibliográficas:

(3) Não encontramos na Web o nome da editora, local e ano de publicação.

(4) Kardec Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 1999, cap. 28

(5) Xavier, Francisco Cândido. Missionários da Luz, ditado pelo espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB, 1990

 

11 setembro 2013

Inteligência e Emoção - Joanna de Ângelis

 
INTELIGÊNCIA E EMOÇÃO

Na construção dos equipamentos orgânicos para a evolução, a Divindade programou que o hemisfério direito do cérebro seja responsável pela beleza, pela arte, pelos sentimentos, tendo um caráter criativo e holístico, enquanto que o esquerdo responda pelo conhecimento, pela razão e pela lógica, demarcadamente separados pelo corpo caloso.

Na atualidade, não há como negar as notáveis conquistas da inteligência, responsáveis pela Tecnologia e por todos os extraordinários contributos da Ciência, tornando a vida na Terra mais confortável, com muitos males eliminados ou contornados, propiciando bem-estar, conforto e facilidades de todo porte. Nada obstante, não se pode desconhecer que esses instrumentos fabulosos de que se tem utilizado o conhecimento são também responsáveis por males incontáveis e desastres dantes jamais imaginados de se tornarem realidade.

Referimo-nos às armas ditas inteligentes com o seu poder de destruição superlativa, assim como as elaboradas quimicamente para matar, as biológicas portadores de epidemias terríveis, ao lado de outras tantas capazes de destruir a flora, a fauna, contaminar as águas e intoxicar a atmosfera com o único objetivo ganancioso do poder arbitrário e egotista de governantes desalmados.

Ao lado das comunicações virtuais de inestimável significado para o progresso do indivíduo, assim como das massas, encontra-se a perversa utilização para o crime de várias expressões, para a dissolução dos costumes, para a promiscuidade, para o comércio nefando de vidas em florações, para a drogadição, com todo o seu cortejo de tragédias, para a expansão da loucura, para a perda do sentido psicológico existencial...

A imaginação exacerbada pelo conhecimento entorpece as emoções elevadas e contribui para as alucinadas fugas da realidade, para o prazer exaustivo e o gozo irrefreável, em nome do moderno, do oportuno e do inadiável. 

O tempo gasto na execução do anseio de estar em todo lugar ao mesmo tempo, desfrutando das concessões decorrentes de viagens fantásticas, de intercâmbios para o gozo exorbitante, esgota-se na ampulheta dos anos e logo surgem as frustrações atormentadoras, o tédio doentio, a indiferença pela vida e o desprezo dos valores éticos, relegados a plano secundário ou totalmente desconsiderados.

Criou-se um quase abismo entre o saber e o sentir, entre a inteligência e a emoção, gerando a perda da comunicação realmente afetiva, do espírito de gentileza e de bondade, do companheirismo, da autoiluminação pela conquista da consciência, reduzindo o ser humano à condição de máquina em funcionamento automático sem controle nem diretriz.

Vive-se a epopeia da cultura utilitarista e selvagem em detrimento da harmonia entre a inteligência e a emoção, para que seja possível o desenvolvimento e vivência das aspirações superiores da vida.

A existência tem como finalidade precípua a autoconquista, a transformação dos instintos violentos em emoções equilibradas, da agressividade defensiva em utilização da energia criadora, e não para o erotismo extravagante, para a fruição dos sentidos no mergulho da escuridão do ego, com total esquecimento do Espírito que se é.

* * *

O tradicional conceito em torno da voz do coração torna-se uma necessidade de atualização, por ensejar o aprimoramento dos valores éticos registrados no hemisfério direito, propiciando o seu enriquecimento emocional, que trabalhará em favor da conquista do bem que expressa a vontade e as leis de Deus.

A inteligência, portanto, desenvolvida e cultivada sem o controle das emoções radicadas nos princípios valiosíssimos do amor, torna-se alucinada, exacerbada pelo egoísmo de que se nutre, em detrimento das necessidades humanas que se movimentam em toda parte.

O coração humano é o grande motor responsável pela manutenção da vida física na viagem evolutiva, possuindo 40.000 células nervosas que são responsáveis por ações pensantes, quais se constituíssem um pequeno cérebro no seu conjunto, independendo das funções que são atribuídas ao órgão total.

Lentamente, após incontáveis padecimentos, o ser humano vai descobrindo que a inteligência sem a emoção dignificada transforma-se em conquista prejudicial, geradora de conflitos inomináveis e de condutas extravagantes quão alucinadas.

Como efeito, surge o impositivo de se trabalhar com a mesma intensidade o hemisfério direito, exercitando os valores da emotividade, da inspiração, do serviço de solidariedade humana, ao mesmo tempo em que se torna impostergável o dever de ampliar a área do afeto, vinculando-se aos ideais de enobrecimento e às pessoas lutadoras que se transformam em líderes do progresso social e moral da humanidade.

O conhecimento, que abre as janelas da alma para a percepção da realidade, quando não é nutrido pelo sentimento ético, conduz à cegueira da razão, que somente se direciona para o imediatismo do prazer e do interesse pessoal, com parcial ou total indiferença pelo que sucede em volta.

Assim tem sido o comportamento da sociedade nesses longos milênios de desenvolvimento da inteligência, na ânsia de ultrapassar os limites das ocorrências e no desespero de solucionar as dificuldades que parecem impedi-la de alçar voos cada vez mais amplos em busca do Infinito...

Enquanto o amor não vicejar nos sentimentos, contribuindo em favor da harmonia interna, do equilíbrio das emoções defluentes das sensações, ainda em fase primária de seleção, o sofrimento seguirá ao lado dos viandantes pelos caminhos carnais.

Desenvolver um programa de realizações internas, caracterizadas pelos sentimentos de compreensão em favor da família humana, torna-se uma urgente necessidade que não deve ser postergada, sem que surjam ocorrências nefastas, angustiantes.

Ninguém consegue viver em equilíbrio sem um projeto de existência alicerçado na afetividade, o que implica dizer que ninguém logra realizar-se durante a vida física sem um objetivo psicológico superior. Se esse objetivo é material, imediato, constituído pelos desejos egoicos, o sentido da vida logo desaparece e o ser derrapa em transtorno de comportamento, mergulhando em melancolia e asfixiando-se na depressão.

Unir, portanto, as aspirações da inteligência com as aplicações do sentimento, deve constituir a primeira meta a caminho dos ideais cósmicos, ínsitos no cerne do ser.

* * *

Sem dúvida, a inteligência é responsável pela grande horizontal das conquistas humanas, mas o sentimento é a grande vertical na direção de Deus.

No centro em que se encontram as duas vertentes, está o coração pulsando em amor e cantando as glórias do existir.

Joanna de Ângelis Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na manhã de 21 de maio de 2013, em Milão, Itália.


10 setembro 2013

E a Paz Chegou - Rabindranath Tagore




E A PAZ CHEGOU

O carro da guerra passou esmagador em desvario, deixando as marcas inapagáveis da desolação e da morte em toda parte. Uma nuvem de sofrimento cobriu o sol da esperança, enquanto as vozes em desespero misturavam-se ao murmúrio aflitivo das litanias.

A aldeia era uma pequena clareira na floresta do mundo ambicioso e temporal.

Os seus moradores nada sabiam da política perversa dos estranhos dominadores dos seus destinos.

A poeira que descia sobre as carnes trêmulas dos vencidos transformava-se em lama ensanguentada.

As crianças esmagadas não tiveram tempo de fugir, nem os seus pais atônitos de poder salvá-las ou salvar-se, e nem mesmo as virgens que se refugiaram no templo o conseguiram.

Somente dominava o crime com o terror que vencia tudo e todos.

Na turbulência alucinada pelo desespero, alguém arrancou a música aprisionada na garganta e suplicou em angústia por socorro e misericórdia: 

Oh! Doce amor dos desgraçados!

Desce a Tua ternura até nós e recolhe as nossas aflições na concha sublime das Tuas luminosas mãos.

Faze suavizar o peso em nossos ombros, carregados de opróbrio e de humilhação, com o bálsamo das doces esperanças da Imortalidade.

Toma nossas infinitas aflições e transforma-as em sorrisos como flores de incomparável delicadeza, ornando a Terra infeliz onde jazemos semimortos, de forma que se transforme num jardim de bênçãos para o futuro.

E silenciou, arquejante.

Somente se ouviam entre os gemidos, as onomatopeias da Natureza compadecida.

Krishna escutou-a e enfrentou Indra, o invejoso e temerário, que fugiu envergonhado para além das nuvens dos céus, permitindo que flechas de luz descessem sobre a aldeia vencida e triste, vestindo-a de claridade.

A partir daquele momento, todas as dores da Terra foram se transformando em rosais e festões de primavera eterna, a fim de que um Rei, que é o maior de todos os reis, um Deus que supera todos os outros deuses, aplacasse a crueldade onde surgisse e uma doce esperança nunca abandonasse aqueles que amam e confiam, deixando de ser desventurados.

O monstro da guerra, surpreendido, tentou fugir, ressurgindo, aqui e ali, todavia, a partir de então, a aldeia dos corações humanos ficou em harmonia, instalando-se um reino diferente que nunca mais desaparecerá do mundo.

Esse Rei Triunfante deu a Sua vida por todas as vidas, e o Seu canto de perdão elevou a humanidade aos Cimos anelados, superando reinos e principados, por entender-se para sempre o infinito da Imortalidade. 

Ei-lO novamente cantando o sermão da paz e da renovação da vida, quando parecia estar esquecido!


Pelo Espírito Rabindranath Tagore - Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na manhã de 2 de agosto de 2013, durante o 5º Congresso Espírita de Mato Grosso, em Cuiabá, MT. 



09 setembro 2013

Um Fofoqueiro no Centro - Wellington Balbo


UM FOFOQUEIRO NO CENTRO

Realizava palestra em determinada cidade do interior de um estado brasileiro qualquer, quando após a apresentação um senhor me procura e narra sua experiência.

“Moço, corria o ano de 1977 e eu labutava num centro espírita aqui da cidade. Nesta casa tínhamos um companheiro complicado, sujeito do vinagre, azedo, sua boca era um veneno só. Falava mal de todos, disseminava a fofoca, enfim, homem terrível de conviver. Mas eis que a vida não manda avisar quando a senhora da foice virá buscar e num certo dia recebemos a notícia do desencarne daquele indivíduo. Ataque cardíaco, fulminante! Enfim, estávamos livres dele!

Bom... o tempo passou e eu me esqueci completamente daquela pessoa desagradável, até que no ano de 1997, numa reunião mediúnica, eu tenho vidência e vi um homem sorridente vindo em minha direção. Ele estava bem, como se fosse uma entidade bem resolvida com seus traumas. Por Deus! Identifiquei a presença daquele fofoqueiro. Era ele. Mas como? Como alguém tão malvado poderia apresentar-se bem no mundo dos Espíritos? Até que o mentor da reunião disse-me: Amigo, admira-se de nosso irmão? Pois bem, e eu me admiro de você... Não percebeu que já se passaram 20 anos? Pelo visto, ele caminhou e você ficou estagnado, a julgar os outros, esquecendo-se de que com o tempo, seja aqui ou no além todos crescemos!”

Jesus! Como ficamos presos ao que passou. Não sem motivo Deus estabeleceu como condição reencarnatória o esquecimento temporário. Claro, é preciso desvencilhar-se do passado e de todos os passados, tanto o nosso quanto o dos outros.

Passado apenas para agregar experiência, jamais servir como elemento de condenação. Cada um de nós arca com as conseqüências de seus atos passados que repercutem, não raro, de forma dolorosa no presente. Portanto, o que não precisamos é de julgamentos, sentenças, vibrações contrárias, haja vista que responderemos pelos nossos atos.

Todavia, o mais interessante é nossa visão limitada, de rótulos, que estigmatiza este ou aquele pelos seus equívocos do passado.

Sem perceber, sem refletir, condenamos o outro às trevas quando fechamos o caminho para a luz.

Explico-me: O sujeito errou demais e tenta recomeçar, vai na igreja, no centro ou sei lá, e vamos nós: “Você viu o fulano? Fez um monte de besteira na vida e hoje vai ao centro”. Isso é cruel de nossa parte. As pessoas têm o direito de recomeçar suas vidas, de levantar a poeira e dar a volta por cima.

O que devemos fazer? Simples, orar por elas, orar para que prossigam firmes em seus propósitos. Não podemos ser nós os fiscais da vida alheia, aqueles que tentam impedir o outro de recomeçar. Que bom, que bom poder reconhecer os erros e  procurar uma religião, enfim, mudar de vida.

Deus possibilita-nos todas as chances do mundo. Ninguém está deserdado ao erro, ao equívoco, ao vício.
Irmã Rosália, em O Evangelho segundo o Espiritismo deixa a mensagem de que não incomodar com as faltas alheias é caridade moral.

É bem por ai. Caridade moral. Com a mesma ênfase que atendemos o pobre, o necessitado do pão material precisamos atender aquele que necessita do pão do espírito, ou seja, da compreensão, do carinho, da porta aberta para recolocar as coisas no lugar e seguir adiante. Nada de colocar o outro num balaio, estigmatizar. Quem nesta vida não erra?

Se ainda não conseguimos esquecer nossos erros desta existência, que ao menos não lembremos os dos outros para que eles possam recomeçar; recomeçar a busca pela felicidade... afinal, todos temos o direito de prosseguir, e se não queremos nós prosseguir, que ao menos não impeçamos os outros de “ajeitar” novos caminhos rumo ao progresso.

Pensemos nisto!