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19 junho 2014

A Saudade e o Apego - Momento Espírita


A SAUDADE E O APEGO

Boa tarde, disse-me a senhora que encontro, todos os dias, no parque em que costumo me exercitar.

Boa tarde, respondi.

Ela pediu licença e se sentou ao meu lado, no banco no qual eu me encontrava.

Sabe, meu filho,disse ela, dando uma leve batidinha em minha mão, hoje estou muito feliz, pois essa noite tive um sonho maravilhoso e muito peculiar.

Ela desejava conversar, compartilhar com alguém a sua experiência. Encorajei-a a que me relatasse o que sonhara.

Sonhei que caminhava por uma belíssima praia, sozinha, sentindo a brisa doce do mar.

Porém, em certo momento, duas figuras vieram ao meu encontro e me ofertaram os braços. E, mesmo que eu não conseguisse identificar os rostos delas, aceitei o convite gentil.

Desse modo, uma à minha direita e outra à minha esquerda, começamos a caminhar os três, de braços dados.

­Percebendo o meu interesse, ela prosseguiu:

Em certo momento do meu sonho, aqueles desconhecidos que caminhavam comigo me apontaram o pôr do sol, que se fazia esplêndido no horizonte.

Extasiada, contemplei aquela beleza. Quem estava à minha esquerda falou: “Não seria perfeito se o tempo congelasse, neste instante, e tivéssemos este espetáculo eternamente? Assim, em qualquer momento que o quiséssemos, ele estaria à nossa disposição.

Ponderei tais palavras e, quando estava prestes a concordar, a figura da direita disse: Melhor ainda não seria registrar tal instante nas telas de nossas recordações e acessá-lo sempre, onde e quando quisermos?

Lembraríamos do momento com carinho e o teríamos dentro de nós, como prova de que esse momento fez-se inesquecível.

Porque o tempo garante que tudo passe, que tudo se modifique, que tenhamos encontros e reencontros, mas as boas recordações são a certeza de que eles foram especiais.

Assim ocorre com o sol em seu curso diário, ora nascendo, ora se pondo. Mas são as lembranças que trazemos de cada ciclo que o faz único.

­Quando o sol, finalmente, desapareceu no horizonte, as duas figuras despediram-se de mim e fizeram menção de partir... Dei-me conta de que não as conhecia, não conseguira lhes enxergar o rosto. Perguntei: Quem são vocês?

Aquela que estivera à minha esquerda foi a primeira a responder: Chamo-me apego.

A da direita respondeu imediatamente depois: Chamo-me saudade.

Dando outro tapinha carinhoso em minha mão, a senhora levantou-se do banco e, sorrindo, disse adeus, deixando-me mergulhado em pensamentos e na companhia de um belo cair de tarde...

* * *

Alguns de nós confundimos saudade com apego.

Quando um ente querido parte para as esferas do infinito, muitas vezes transformamos as boas recordações que dele temos em apegos infindos, inconformados por esses instantes de alegria terem ficado no passado.

E, por muito pensarmos no ontem, nos esquecemos do futuro.

Que a saudade que cultivamos daqueles que partiram nos conserve a certeza de que o passado foi valoroso e que o tão desejado reencontro se dará.

Tão certo como o sol irá nascer mais uma vez amanhã...

Pensemos nisso.


Redação do Momento Espírita


18 junho 2014

Uma Despedida - José Gomes


UMA DESPEDIDA

Em nossa reunião da noite de 10 de março de 1955, por permissão de nossos Benfeitores Espirituais, no horário dedicado às palestras dos Instrutores, o amigo desencarnado que conhecemos por José Gomes ocupou a organização psicofônica, falando-nos de sua penosa experiência no Além. Nosso visitante, há seguramente dois anos, passou pelos serviços assistenciais de nossa agremiação, desorientado e aflito, voltando até nós, agora calmo e consciente, para relatar-nos sua história, por intermédio da qual nos faz sentir toda a gama de sofrimentos em que se enleou, depois do homicídio em que se comprometeu na Terra. “Uma Despedida” oferece-nos amplo material para meditação e para estudo.

Trazido até aqui por devotados benfeitores, venho agradecer-vos e despedir-me.

Há quase dois anos, fui socorrido nesta casa, fazendo-se luz nas trevas de minhalma...

Eu era, então, um assassino que por cinqüenta anos padecia no ergástulo do remorso.

Crendo preservar a minha felicidade, apunhalei um amigo, instigado pela mulher que eu amava e, apoiando-me na desculpa de legítima defesa, consegui absolvição na justiça terrestre.

Contudo, que irrisão! O homem que eu supunha haver aniquilado, mais vivo que nunca prendeu-se-me ao corpo e, em poucos meses, sucumbi devorado por estranha moléstia que escarneceu de todos os recursos da medicina.

Ai de mim! Nas raias da morte, apesar do conforto que me era oferecido pela fé, através de um sacerdote, não encontrei para mentalizar senão o quadro do homicídio que perpetrara.

E à maneira do homem vitimado por tormentoso pesadelo, sem sair do leito em que se acolhe à prostração, vi-me encarcerado em meus próprios pensamentos, vivendo a tortura e o pavor que alimentava no campo da minha alma...

Sempre o terrificante painel a vibrar na memória!...

Um companheiro infeliz, suplicando indefeso: — «Não me mate! Não me mate!... » A presença da mulher querida... Os gênios do crime a gargalharem junto de mim e a calma impassível da noite, com a minha cólera insopitável a dessedentar-se num peito exangue e aberto...

Em me cansando de enterrar a lâmina na carne sem resistência, arrojava-me ao piso da câmara iluminada, mas, a onda esmagadora de sangue levantava-se do chão, tingindo paredes, afogando móveis, empapando-me a vestimenta e, quando me sentia semi-sufocado, eis que me erguia de novo para continuar no duelo indefinível.

Se tinha fome, mãos invisíveis ofereciam-me sangue coagulado; se tinha sede, davam-me sangue para beber...

Era dia? Era noite?

Ignorava.

Somente mais tarde, quando amparado pelas palavras de esclarecimento e de amor dos nossos benfeitores, por vosso intermédio, vim a saber que o inimigo se contentara com o meu cadáver e que eu não vivia senão minha própria obsessão, magnetizado por minhas idéias fixas, jungido ao pó do sepulcro, durante meio século, recapitulando quase que interminavelmente o meu ato impensado.

Circunscrito à alcova fatídica, que jazia em minhas reminiscências, passei da extrema cegueira à desmedida aflição.

Existiria, realmente, um Deus de paz e bondade?

Bastou essa pergunta para que réstias de luz se fizessem sentir em meu espírito entenebrecido, como relâmpago em noite de espessa treva...

No entanto, para chegar à certeza de Deus, precisava de um caminho.

Esse caminho era ela, a mulher amada.

Queria vê-la, ouvi-la, tocá-la...

E tanto clamei por isso que, em certa ocasião, senti como que uma rajada de vento forte, arrebatando-me para o seio da noite...

Carregava comigo aquele fatal aposento, contudo, podia agora respirar a brisa refrescante, entre as sombras noturnas que filtravam, de leve, as irradiações da lua nova.

Mais ágil, andei apressadamente...

Onde estaria ela, a mulher que estava em mim?

Favorecia-me o sopro do vento e, a minutos breves, alcancei pequeno jardim, vendo-a sentada com uma criança ao colo...

Ah! somente aqueles que sentiram na vida uma profunda e irremediável saudade poderão compreender o alarme de meu espírito naquela hora de reencontro!...

Mas, assim que me percebeu, conchegou a criança ao coração e fugiu, espavorida...

Eu devia ser aos seus olhos um fantasma repelente a regressar do túmulo!

Persegui-a, porém, até que a vi penetrando um quarto humilde... Observei-a, ajustando-se ao corpo de carne, tal qual a mão em se colando à luva...

Entendi, sem palavras, a nova situação.

Enlaçada a um homem que lhe partilhava o leito, reconheci, sem explicações verbais, que o filhinho nascituro era meu velho rival e que o homem desconhecido era-lhe agora o esposo, outro adversário que me cabia vencer.

O ódio passou a estourar-me o crânio.

O cheiro acre e fedentinoso de sangue novamente me ensandeceu.

Beijei-a, delirando em transportes de amor não correspondido, e consegui instilar-lhe aversão pelo marido e pelo filho recém-nato.

Queria matá-la... desejava que ela vivesse novamente para mim... pretendia sugar-lhe os eflúvios do coração...

E, durante muitos dias, permaneci naquela casa, desvairado e irresponsável, envenenando a própria medicação que lhe era administrada...

Consegui dominá-la até o dia em que foi conduzida a um círculo de orações...

E, nesse círculo, vossos amigos me encontraram... Encontraram-me e trouxeram-me a esta casa...

Com os ensinamentos que me dirigiram, a câmara do crime desapareceu de minha imaginação... Todas as idéias estagnadas que me limitavam o pensamento, qual se eu fora o próprio remorso num casulo infernal, desfizeram-se, de pronto, como escamas de lodo que, em se desintegrando, me libertaram o espírito...

Desde então, fui admitido em uma escola...

Transcorridos seis meses, tornei ao lar que eu me propunha destruir, transformado pelas lições dos instrutores que vos orientam o santuário.

Novos sentimentos me vibravam no coração.

Compadeci-me daquela que sofria tanto e que tanto se esforçava por reabilitar-se perante a Lei!

Contemplei-lhe o filhinho e o esposo, tomado de viva compaixão...

Achava-me renovado...

Compreendi então convosco que o coração humano — concha divina — pode guardar consigo todos os amores...

Observei a extensão de minhas faltas e voltarei à carne em dias breves!

Aquela por quem me perdi ser-me-á devotada mãe... Terei um pai humilde, generoso e trabalhador, abençoando-me o restabelecimento moral, e, em meu irmão, já renascido, encontrarei não mais o antagonista, mas o companheiro de provação com quem restaurarei o destino...

Ante o coração que me estimula a esperança, não mais direi: — «mulher que eu desejo»! e sim «mãezinha querida!..»

Nossos sentimentos pairarão em esfera mais alta e de seus lábios aprenderei, de novo, as sublimes palavras: — «Pai Nosso, que estás no Céu...»

Fitar-lhe-ei nos olhos o celeste horizonte e, trabalhando, enxergarei feliz a senda libertadora...

Ah!... entendereis comigo semelhante ventura?

Creio que sim.

Partirei, desse modo, não para a companhia dos anjos, mas para o convívio dos homens, refazendo meu próprio caminho e regenerando a própria consciência.

E, abraçando-vos com afetuosa gratidão, saúdo em Nosso Senhor Jesus-Cristo a fé que nos reúne!...

Terra — abençoado mar de lutas...

Carne — navio da salvação!

Lar — templo de luz e trabalho...

Mãe — santuário de amor!...

Meus amigos, até amanhã!

Bendito seja Deus.

Pelo Espírito José Gomes
Do livro: Instruções Psicofônicas
Médium: Francisco Cândido Xavier


17 junho 2014

Gratidão Infinita - Amélia Rodrigues


GRATIDÃO INFINITA

Recordo-me, mãezinha, de algumas das noites em que me encontrando enferma você velava pela minha saúde, demorando-se insone e preocupada.

Toda vez quando eu despertava, após ligeiro sono produzido pela febre, o seu rosto sorridente e os seus olhos fixos em mim, ofereciam-me segurança e proporcionavam-me paz.

Naqueles dias eu não entendia exatamente o que se passava, mas a sua presença constante era para mim a felicidade que sempre almejava.

Os anos foram se acumulando e eu, ao adquirir a experiência do conhecimento, passei a compreendê-la, a amá-la profundamente, em razão de todos os sacrifícios silenciosos que você sempre realizava.

A sua vida passou a girar em torno da minha, devotando-se sempre e renunciando sempre, a fim de que nada me faltasse, fosse do ponto de vista material ou, principalmente, moral e espiritual.

Os seus exemplos de dignidade enriqueceram-me o coração e a mente, ensinando-me a melhor conduta a manter em todos os meus dias, havendo resultado em uma existência feliz.

Sem o seu amparo e a sua fé generosa e firme na Divindade, eu não teria conseguido edificar-me interiormente, e me encontraria assinalada por inúmeros conflitos que o seu carinho diluiu no nascedouro.

Sua presença em minha existência é tão forte e significativa que a revejo em mil acontecimentos do dia a dia mas, sobretudo, na forma como você me ajudou a amadurecer psicologicamente, a fim de preservar a minha liberdade, movimentando-me na construção moral edificante que você me proporcionou.

Observo a sociedade em desalinho, na atualidade, os descalabros que tomam conta da família e da comunidade, e constato que todo esse fenômeno começa no lar, especialmente naquele no qual o anjo maternal foi relegado a plano secundário. seja porque não soube ou não quis cumprir com a missão para a qual veio à Terra, ou porque filhos difíceis e espiritualmente enfermos desertaram dos compromissos assinalados pela educação doméstica.

Você conseguiu o milagre de ser generosa e severa, amiga e confidente, sem pieguismo nem censuras descabidas, mãe e mestra bondosa e sábia.

Não é fácil reunir tantas qualidades morais em uma só pessoa, mas as mães abnegadas logram possuir e aplicar esses tesouros sublimes na educação dos filhos.

Nunca poderei retribuir-lhe parte sequer de tudo quanto me ofertou, mas cabe-me o dever de ser fiel à verdade e preservar a honra acima de quaisquer vantagens enganosas, não a decepcionando em momento algum, porque foi dessa maneira que você viveu e me aparelhou para os enfrentamentos do processo da evolução.
Abençoo-lhe a memória e comovo-me ao recordar os momentos que vivemos juntas, nossos diálogos edificantes e nossos momentos de preocupações assim como os de sorrisos.

Sabendo-a no país da imortalidade triunfante, desejo expressar-lhe o meu carinho filial, suplicando à Mãe Santíssima de Jesus que a tenha entre as Suas beneficiadas pelo amor, fazendo parte da corte dos anjos que a auxiliam no socorro à Humanidade.
Mãezinha querida!

Por sua vez, abençoe a filha que a ama e lhe é profundamente reconhecida.

Amélia Rodrigues
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na tarde de 29 de abril de 2014, na Mansão do Caminho, em Salvador, Bahia.
 

16 junho 2014

A Quem Serves? - Joana de Ângelis



A QUEM SERVES?


A mulher e o homem contemporâneos, que vivem no mundo, ataviam-se em exagero, a fim de fruírem até a exaustão as concessões enganosas e agradáveis do trânsito carnal.

Fixados às sensações buscam, em contínuos esforços, às vezes, sacrificiais, os favores prazenteiros do momento, sem outros quaisquer compromissos, exceto, os para conseguirem recursos que lhes facultem a continuidade do gozo.

Vivem em função do imediato, celebrando o culto do corpo, sem a preocupação mínima com a essência que o mantém, excepcionalmente quando se instalam distúrbios psicológicos, alguns deles frutos da insensatez, no uso dos eventos de vida.

Desgastam-se com facilidade e, por mais se utilizem dos meios e técnicas de rejuvenescimento, dos recursos valiosos das cirurgias plásticas, sofrem os transtornos que se derivam da opção de comportamento a que se entregam, na incessante correria para ganhar o tempo.

No passado, as religiões preconizavam a fuga do mundo e das suas maquiavélicas manipulações para o isolamento monacal ou as cavernas desérticas para refúgio em rude ascetismo.

Nada obstante, embora a boa intenção, levavam-se a si próprios, as suas necessidades e conflitos que os alucinavam na solidão e, não raro, os vinculavam mais fortemente aos inimigos desencarnados com os quais mantinham conúbios muito perturbadores.

A visão de Jesus sobre a existência terrena é, no entanto, otimista e rica de sabedoria, adornada pela beleza, ao propor viver-se no mundo, embora não dependendo das suas constrições ou excessivas liberações.

É compreensível a ocorrência, porque todos somos servidores a soldo dos nossos amos.

Existem aqueles que, dependentes dos instintos primários, servem aos senhores perversos, que são os desejos infrenes neles dominantes.

Por essa razão, a Mitologia oferece um panteão de deuses, tantos quantos os níveis de consciência e de evolução dos seus adoradores, que se lhes vinculam através da similitude de hábitos e de aspirações.

Outros, são servidores da ira e do ódio, do ressentimento e da inveja, vivendo encarcerados em tormentos inimagináveis.

Igualmente, missionários da luz e da imortalidade renasceram no mundo para oferecer as inestimáveis contribuições que proporcionam a harmonia íntima, a superação das paixões primárias neles em primazia.

Superando, porém, a todos os construtores da fé religiosa e das filosofias idealistas encontra-se Jesus, que alterou a ética do comportamento, demonstrando a transitoriedade da organização física e a perenidade da vida.

Depois dEle, a cultura e a civilização encontraram a diretriz para dar sentido psicológico profundo à existência terrena.

Não padece dúvida que a Sua é a doutrina da mansidão, da paz, da pura alegria.

Servi-lO, passou a ser o objetivo fundamental da jornada humana.

As atrações e divertimentos, no entanto, necessários para proporcionar bem-estar, trabalhadas pelas mentes viciadas, passaram a constituir-se essenciais, superando os deveres e a dedicação ao fundamental, a vida espiritual!

*

Face ao tumulto que toma conta irrefreada de quase toda a sociedade, é indispensável que faças uma reflexão cuidadosa e, durante a mesma, uma interrogação: A quem sirvo?

Se abraças a doutrina da compaixão e da caridade, não te permitas os desvios de rota, buscando os prazeres e as futilidades que distraem, mas não preenchem o imenso vazio interior.

Todo aquele que procura a embriaguez dos sentidos consome-se no fogo das ansiosas mudanças de jogos, tentando renovação e preservação das satisfações sensoriais, vivendo sedentos de contínuos gozos.

Os servidores de Jesus são alegres e joviais, mas suas metas são significativas e gratas, duradouras, porque avançam além do portal de cinzas do túmulo.

Não cansam, nem debilitam o organismo, pelo contrário, fortalecem-no e mantêm-no saudável, mesmo quando frágil ou delicado. Observa os ases campeões do mundo, no seu envelhecimento precoce, no desgaste imposto pelos hábitos doentios, como o álcool, o tabaco, as drogas aditivas, o sexo irresponsável...

...E de quando em quando, os suicídios espetaculares pelos excessos das substâncias destrutivas ou mesmo pela falta de motivação para viver, após alcançarem o topo da fama, na carreira a que se dedicaram, a admiração e a paixão das massas, que os não preencheram de alegria real, mantendo-os em tremenda solidão...

O serviço com Jesus, porém, não te impedirá o sofrimento, as vicissitudes que fazem parte do processo iluminativo, mas que contribuem com o conforto moral e o conhecimento da sua causalidade e da sua significação para o alcance da plenitude.

Como a existência na Terra tem por finalidade a depuração moral e a conquista da harmonia plena, ninguém transita sem a dor nem permanece, indefinidamente, sem a vivência da reflexão em torno do próprio sofrimento.

O servidor do mundo, por desconhecer esse mecanismo superior da evolução, quando chamado ao processo inevitável, desanima ou reage com violência, desespera-se ou recalcitra, tomba ou enlouquece...

O servidor de Jesus, porém, comporta-se de forma tranquila, porque sabe que também a aflição é transitória.

*

A quem serves?

Se elegeste Jesus, não te envergonhem a cruz dos testemunhos, nem as problemáticas que te auxiliam no crescimento espiritual. Cristão sem cruz é apenas simpatizante do ideal que Ele ensinou e viveu.

Conduz, desse modo, a problemática afligente que te crucifica interiormente, mantém a alegria e torna-a fácil de superar, porque o Seu fardo é leve e o Seu jugo é suave.

A quem serves? 

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão da noite de 31 de março de 2014, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

15 junho 2014

Diante de Cristo - Alexandre Melo Morais



DIANTE DO CRISTO


Com imensa alegria fomos visitados, na noite de 8 de dezembro de 1955, por novo mensageiro da Espiritualidade Superior. Esse mensageiro foi o Dr. Alexandre Melo Morais (Espírito) que, controlando as possibilidades mediúnicas, pronunciou a brilhante alocução que prazerosamente reproduzimos neste capítulo.

Diante do Cristo encontra-se o homem à frente da luz do mundo.

Antes dele, embora a ciência de Hermes, a filosofia de Sócrates e a religião de Buda, que lhe foram excelsos mensageiros, a vida no mundo era a absoluta dominação da conquista.

Tenebrosa noite envolvendo o sentimento, rios de sangue afogando a celebração...

Ei-lo, no entanto, que se manifesta no trono da humildade, convidando as Nações à glória da sabedoria e do amor..

Seu programa divino, a espelhar-se no Evangelho que lhe reúne as boas-novas da salvação, preconiza a fraternidade ao invés do egoísmo, a renúncia edificante em vez da posse inútil, o perdão em lugar da vingança, o trabalho com a supressão da inércia, a liberdade, com o olvido da escravidão, e o auxílio à felicidade dos outros, como garantia da própria felicidade.

Defendendo-lhe o código de luz, de Tibério a Diocleciano, milhares e milhares de criaturas sofrem a flagelação e a morte no decurso de quase trezentos anos.

Além disso, desde a conversão de Constantino, em 312, até a morte de Isaac II, em 1204, do ocidente ao oriente todas as gerações de príncipes e guerreiros senhorearam a casta dos sacerdotes, oprimindo as lições do Senhor.

E desde a perseguição ordenada por Inocêncio III contra os albigenses, em 1209, até a Revolução Francesa, a casta dos sacerdotes, através de todos os processos da imposição inquisitorial, senhoreou as gerações de príncipes e guerreiros, deturpando os ensinamentos do Divino Enviado.

Durante quinze séculos sucessivos, os religiosos e os políticos, com justas exceções, empenharam-se ao dogmatismo e à violência, à crueldade e à devassidão, à vindita e ao banditismo coroado.

Eis, porém, que, na atualidade, com a evolução do Direito, acalentado ao sol dos princípios cristãos, culminando na extinção do cativeiro organizado, no seio de todos os povos cultos da Terra, temos no Espiritismo o Cristianismo renascente, concitando-nos, de novo, ao reinado do amor e da sabedoria.

Qual aconteceu ao próprio Evangelho, a Doutrina que o revive nasce sem guerras de sangue e lágrimas. . .

A fonte da Verdade e do Bem sulca o terreno moral do mundo, ao alcance de ignorantes e sábios, felizes e infelizes, justos e injustos.

Até ontem, à face da aventura política dominando tribunais e escolas, casernas e santuários, era de todo impraticável a experiência cristã na vida individual.

Hoje, entretanto, com o avanço da idéia religiosa que nos cabe preservar nobre e livre, pela dignificação e excelência de nossa conduta, conseguimos empreender o nosso reencontro com Jesus, elegendo-o Mestre incomparável de nossos destinos, podendo reverenciá-Lo cada dia em nosso próprio espírito, repetindo a antiga saudação dos primeiros seguidores da Boa-Nova – “Salve Cristo!” - não mais com o objetivo de empunhar, de imediato, a palma do martírio e da morte, mas, a fim de viver e servir com, o nosso Mestre e Senhor para a eternidade...


Pelo Espírito Alexandre Melo Morais
Do livro: Vozes do Grande Além
Médium: Francisco Cândido Xavier

14 junho 2014

O Rigor Absoluto do Horário nas Reuniões Espíritas - Luiz Carlos Barros Costa


O RIGOR ABSOLUTO DO HORÁRIO NAS REUNIÕES ESPÍRITAS

É importante o respeito do horário nas reuniões espíritas. As pessoas nos dias atuais precisam realizar múltiplas tarefas e organizam tudo o que fazem, dentro dos compromissos que assumem. 

Nas casas espíritas o horário é importante, pois o período reservado às palestras públicas correspondem ao que é utilizado à ministração das aulas de evangelização infantil, caso o orador não respeite o horário, os passes se atrasam às crianças e numa sequencia de desequilíbrios, perde-se a harmonia do trabalho no bem.

Porém, não se pode deixar de observar a advertência de Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, na parte reservada às REUNIÕES MEDIÚNICAS, no final da obra de relevante importância.

333. REGULARIDADE DAS SESSÕES – é uma condição interessante, pois estarão sempre presentes os Espíritos protetores, que darão proteção a fim de que se manifestem todos os que deverão comunicar com esse grupo.

Quando as reuniões se realizam em dias e horas fixos, fácil também para os Espíritos que podem se comunicar, de forma espontânea como favorece a organização prévia do elenco das manifestações.

Há mesmo os que levam a pontualidade ao excesso. Ofendem-se com o atraso de um quarto de hora, e se foram eles que marcaram uma reunião será inútil iniciá-la alguns minutos antes.

Os Espíritos “[...] verdadeiramente superiores não são tão meticulosos. A EXIGÊNCIA DE RIGOROSA PONTUALIDADE É SINAL DE INFERIORIDADE, COMO TUDO O QUE É PUERIL." NOTA: PUERIL (ingênuo, infantil)”.

Mesmo fora das horas marcadas os Espíritos podem comparecer, e na verdade comparecem espontaneamente quando a finalidade é útil.

Há diretores de casas espíritas que interrompem uma reunião mediúnica, durante manifestações mediúnicas de socorro, invocando A NECESSIDADE ABSOLUTA DE CUMPRIMENTO DO HORÁRIO, com uma justificativa: "Os Espíritos possuem compromissos e vão nos deixar sozinhos...".

Também não autorizam alguma reunião de emergência para atendimento de uma pessoa que passou pelo atendimento fraterno e que está, por exemplo, com MARCANTES IDEIAS DE SUICÍDIO.

Dizem eles: "É PRECISO ESPERAR A PRÓXIMA REUNIÃO MEDIÚNICA."

Nada, entretanto, é mais prejudicial à recepção de boas comunicações do que evocar os Espíritos a torto e a direito, por simples capricho ou sem um motivo sério. Como não estão sujeitos aos nossos caprichos, poderiam não nos atender. E é, sobretudo nessas ocasiões, que outros podem tomar-lhes o lugar e o nome.

Esse ensinamento doutrinário é essencial à produção elevada das questões mediúnicas. Mas, é preciso analisar cada caso com bom senso, pois fica evidente que há situações nas quais os Bons Espíritos estejam disponíveis ao envolvimento da luz aos irmãos que se encontram em complexos desesperos, esperando dos espíritas conscientes, ação imediata e eficaz.

Nas complexas questões mediúnicas Eliseu Rigonatti, agora no mundo espiritual, em São José do Rio Preto, nos casos que sentia a necessidade atendimento urgente, não sonegava prontos socorros espirituais.

Esse inesquecível trabalhador da Seara de Jesus instituiu, na sua época, atendimento mensal, de natureza mediúnica, aos suicidas, aos enfermos internados no Hospital de Doenças Mentais Doutor Adolfo Bezerra de Menezes e à APAE, com esclarecimentos doutrinários e evangélicos a centenas de Espíritos atormentados.

Fica aqui a análise dessas reflexões e, óbvio, os comentários que ensejam sempre extraordinárias oportunidades de troca de experiências com os confrades que entretém a prática mediúnica, uma das contribuições das casas espíritas, aos companheiros que jornadeiam conosco a estrada terrena.


Luiz Carlos Barros Costa (Fernandopolis/SP) é  membro da Rede Amigo EspíritaVice Presidente e Diretor de Doutrina da Associação Espírita “Missionários da Luz", Presidente da Use Intermunicipal Espírita de Fernandópolis - SP eDivulgador e Expositor da Doutrina Espírita. e-mail: lubacosta@terra.com.br .  Fonte: Rede Amigo Espírita

13 junho 2014

O Espiritismo na Atualidade - Emmanuel


O ESPIRITISMO NA ATUALIDADE

O Espiritismo, nos tempos modernos, é, sem dúvida, a revivescência do Cristianismo em seus fundamentos mais simples.

Descerrando a cortina densa, postada entre os dois mundos, nos domínios vibratórios em que a vida se manifesta, mereceu, desde a primeira hora de suas arregimentações doutrinárias, o interesse da ciência investigadora que procura escravizá-lo ao gabinete ou ao laboratório, qual se fora mera descoberta de energias ocultas da natureza, como a da eletricidade, que o homem submete ao seu bel-prazer, na extensão de vantagens ao comodismo físico.

Interessada no fenômeno, a especulação analisa-lhe os componentes, acreditando encontrar, no intercâmbio entre as duas esferas, nada mais que respostas a velhas questões de filosofia, sem qualquer consequência de ordem moral, na experiência humana.

Erra, todavia, quem se norteia por essas normas, de vez que o Espiritismo, positivando a sobrevivência além da morte, envolve em si mesmo vasto quadro de ilações, no campo da ética religiosa, constrangendo o homem a mais largas reflexões no campo da justiça.

Não cogitamos aqui de dogmática, de apologética ou de qualquer outro ramo das escolas de fé em seus aspectos sectários.

Não nos reportamos a religiões, mas à Religião, propriamente considerada como sistema de crescimento da alma para celeste comunhão com o Espírito Divino.

Desdobrando o painel das responsabilidades que a vida nos confere, o novo movimento de revelação implica abençoado e compulsório desenvolvimento mental.

A permuta com os círculos de ação dos desencarnados compele a criatura a pensar com mais amplitude, dentro da vida.

Novos aspectos da evolução se lhe descortinam e mais rico material de pensamento lhe enriquece os celeiros do raciocínio e da observação.

Entretanto, como cada recipiente guarda o conteúdo dessa ou daquela substância, segundo a conformação e a situação que lhe são próprias, a Doutrina Renovadora, com os seus benefícios, passa despercebida ou escassamente aproveitada pelos que se inclinam às discussões sem utilidade, pelos que se demoram no êxtase improdutivo ou pelos que se arrojam aos despenhadeiros da sombra, companheiros ainda inaptos para os conhecimentos de ordem superior, trazidos à Terra, não para a defesa do egoísmo ou da animalidade, mas sim para a espiritualização de todos os seres.

De que nos valeria a prodigiosa descoberta de Watt, se o vapor não fosse disciplinado, a benefício da civilização? Que faríamos da eletricidade, sem os elementos de contenção e transformação que lhe controlam os impulsos?

No Espiritismo fenomênico, somos constantemente defrontados por aluviões de forças inteligentes, mas nem sempre sublimadas, que nos assediam e nos reclamam.

Aprendemos que a morte é questão de seqüência nos serviços da natureza.

Reconhecemos que a vida estua, ao redor de nossos passos, nos mais variados graus de evolução.

Daí o impositivo da força disciplinar.

Urge o estabelecimento de recursos para a ordenação justa das manifestações que dizem respeito à nova ordem de princípios que se instalam vitoriosos na mente de cada um.

E, para cumprir essa grande missão, o Evangelho é chamado a orientar os aprendizes da ciência do espírito, para que, levianos ou desavisados, não se precipitem a imensos resvaladouros de amargura ou desilusão.

Emmanuel (Espírito) 
Roteiro. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. 14ª Edição,  Brasília: Federação Espírita Brasileira, 2012. Capítulo Vinte e Dois.

12 junho 2014

Talidomida - Irmão X


TALIDOMIDA

Na tela cinematográfica, junto da qual sentíamos a realidade sem distorção, o professor do Plano Espiritual exibiu dois pequenos documentários sobre o assunto que nos fora motivo a longo debate.

1939 – 1943 – Surgiu à cena agitada metrópole européia. Em tudo, o clima de guerra. Desfiles militares de pomposa expressão. Na crista dos edifícios mais altos, bocas de fogo levantavam-se em desafio. Nas ruas, destacavam-se milhares de jovens em formações de tropa, ao rufar de tambores, ostentando símbolos e bandeiras. O povo, triste e apreensivo nas filas de suprimento, parecia desvairar-se de júbilo, nas paradas políticas, ovacionando oradores nas praças públicas. De vez em vez, sirenas sibilavam gritaria de alarme. Aviões sobrevoavam, incessantemente, o casario enorme, lembrando águias metálicas, de atalaia nos céus, para desfechar ataques defensivos contra inimigos que lhes quisessem pilhar o ninho.

Através de informações precisas, registrávamos os mínimos tópicos de cada conversação.

De súbito, vimo-nos mentalmente jungidos a dilatado recinto, onde centenas de policiais e civis cochichavam na sombra.

Articulam-se avisos. Ramifica-se a trama.

Camionetas deslizam dentro da noite.

Outros agrupamentos se constituem.

Mais algum tempo e magotes de transeuntes se agregam num ponto só, formando vasta legião popular em operoso bairro de ascendência israelita.

São paisanos decididos à rapinagem.

Homens e mulheres de raciocínio maduro combinam o assalto em mira. Madrugada adiante, quando a soldadesca selecionada desce dos veículos com a ordem de apressar famílias inermes, ei-los que invadem as residências judias, agravando o tumulto.

Para nós que assistíamos ao espetáculo, transidos de dor, era como se fitássemos corsários da terra, no burburinho do saque.

Mãos que retivessem anéis, pulsos que ostentassem adornos, orelhas ornamentadas de brincos e bustos revestidos de jóias sofriam golpes rápidos, muitos deles tombando decepados em torrentes sanguíneas. Alguém que aparecesse com bastante coragem de investir contra os malfeitores, cuja impunidade se garantia com a indiferença de quantos lhes compartilhavam a copiosa presa, caía para logo de pernas mutiladas, para que não avançasse em socorro das vítimas.

E os quadros vivos se repetiam em outros lugares e em outras noites, com personagens diversas, nos mesmos delírios de violência.

1949 – 1953 – A tela passa a mostrar escuro vale no Espaço. Examinamos, confrangidos, milhares de seres humanos em condições deploráveis. Arrastam-se em desgoverno. Há quem chore a ausência dos braços, quem lastime a perda dos pés. Possível, no entanto, identificar muitos deles. São os mesmos infelizes de 1939 a 1943, participantes das empresas de furto e morte, à margem da guerra. Desencarnados, supliciam-se no remorso que se lhes incrusta nas consciências. Carregando a mente vincada pelas atrocidades de que foram autores, plasmaram em si, nos órgãos e membros profundamente sensíveis do corpo espiritual, as deformidades que infligiram aos irmãos israelitas indefesos. Ainda assim, almas heróicas atravessam o nevoeiro e distribuem consolações. Para que se refaçam, é preciso que reencarnem de novo, em breves períodos de imersão nos fluidos anestesiantes do plano físico. Necessário retomem a organização carnal, à maneira de doentes complicados que exigem regime carcerário para tratamento preciso.

Ensinamentos prosseguem ao redor do filme.

Sofrerão, sim, mais tarde, as provas regenerativas de que se revelam carecedores, mas, por enquanto, são albergados por braços afetuosos de amigos, que se prontificam a sustenta-los, piedosamente, ou entregues a casais necessitados de filhinhos-problemas, a fim de ressarcirem dívidas do pretérito.

A maioria dos implicados renasce no país em que se verificou o assombro delito, e muitos deles, em vários pontos outros do mundo, ressurgem alentados por famílias hospitaleiras ou endividadas, que se aconchegam, para a benemerência do reajuste.

Certamente – comentou o instrutor, ao término da película - certamente que nem todos os casos de malformação congênita podem ser debitados à influência da talidomida sobre a vida fetal. Em todos os tempos, consoante os princípios de causa e efeito, despontam crianças desfiguradas nos berços terrestres. O estudo, porém, que realizamos pela imagem esclarece com segurança o fenômeno das ocorrências de má-formação que repontaram em massa, entre os homens, nos últimos tempos.

Achávamo-nos suficientemente elucidados; no entanto, meu velho amigo Luís Vilas indagou:

- Isso quer dizer então, professor, que a talidomida e a provação funcionaram em obediência à justiça, mas não será lícito esquecer que o lar e a ciência vigilante dos homens também funcionaram em obediência à Misericórdia Divina, que a tudo previu, a fim de que a administração daquele medicamento não ultrapassasse os limites justos. Compreenderam?

Sim, recebêramos a chave para entender o assunto que envolvia dolorosa disciplina expiatória, e, à face da emoção que nos impunha silêncio, a lição foi encerrada.

Pelo Espírito Irmão X
Do livro: Contos desta e Doutra Vida
Médium: Francisco Cândido Xavier

11 junho 2014

O Sopro dos Espíritos - Um Amigo

 

O SOPRO DOS ESPÍRITOS

Os Espíritos do Bem sopram onde quer que se encontrem seres encarnados.

Assim como eles podem descer até as cavernas que servem de esconderijos aos assassinos e soprar-lhes boas ideias ao pensamento, com o propósito de subtraí-los à vida do crime, podem também ditar conteúdos positivos e esclarecedores aos médiuns com os quais estão acostumados a trabalhar, ou então com médiuns com os quais nunca trabalharam, mas lhes oferecem boas condições de receptividade.

Os Espíritos do Bem podem inspirar os fiéis das diferentes religiões.

Não se exclua a possibilidade de inspirarem também pessoas que não professam religião nenhuma.

Eles não são propriedades deste ou daquele, pois trabalham a serviço do engrandecimento moral da humanidade; não se fazem de rogados e marcam presença onde lhes apraz.

Não é regra básica que revelem seus nomes, assim como podem escrever, aparecer, falar, pintar e compor músicas através de médiuns diferentes.

O cuidado que devemos ter é o de analisar o teor das comunicações.

Isso é fundamental.

O veneno do egoísmo, do orgulho, da dureza de pensamentos e sentimentos vem se infiltrando no Espiritismo.

Desta maneira, fornece-se pasto para a discórdia.

A luz fica nublada por palavras impensadas.

Depende muito dos leitores avaliarem e ajudarem a dissipar as trevas que ameaçam tolher a beleza das comunicações, a nos trazerem conhecimentos.

Cuidado com elogios capazes de introduzir os médiuns em searas individualistas que patrocinam ilusões descabidas.

Médiuns famosos e conceituados são passíveis de absorverem as energias descompensadas dos aduladores.

Desejamos mesmo contribuir para com a divulgação honesta e abrangente do Espiritismo, acalentador dos ensinos de Jesus?

Então, estudemos, avaliemos e fiquemos longe de comentários pueris.

Considerando estas verdades, tenhamos a certeza que o Bem, através de seus Legítimos Representantes, é como o pólen que se esparrama na superfície da Terra, levado pelas abelhas, pelas borboletas e pelo vento.

É também como as sementinhas disseminadas pelos pássaros, tanto em áridos como em férteis terrenos.

Assim foi, é e será sempre.

Acalmem-se os ânimos e considerem a positividade das comunicações, deixando de dar tanta importância a nomes de espíritos e de locais.

Valorizar o que é bom e sublime, evitando contendas, é agradável ao Senhor.

A Paz e a Harmonia envolvam a todos.

Um Espírito Amigo 
Psicografia:- Maria Nilceia em 06/04/2014



10 junho 2014

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Vianna de Carvalho


O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

A Revolução Francesa, ao libertar o ser humano da escravidão política, quando passou a entoar o hino da liberdade, da igualdade e da fraternidade, desenhou e inscreveu, com sacrifícios inomináveis, os direitos do homem e os da mulher nos grandiosos códigos da Justiça.

No fragor das lutas intérminas, os objetivos dos filósofos e dos idealistas da primeira hora foram substituídos pela alucinação dos famigerados assassinos do período do Terror, insculpindo no destino do país lamentáveis consequências, que seriam sofridas em amarguras indescritíveis.

Nesse enlouquecer das paixões asselvajadas, as turbas napoleônicas estimularam seus exércitos a expandir os horizontes da Flor de Lis por outros países europeus, que passaram a submeter-se-lhes, após as batalhas memoráveis.

Ao tornar-se Imperador da França, em 2 de dezembro de 1804, Napoleão Bonaparte governou o imenso território conquistado, até o período das desditas de 1815, com a derrota na batalha de Waterloo, durante os dias 16 a 19 de junho, com a sua respectiva prisão e exílio vergonhosos.

Houvera retornado a Paris por 100 dias, num verdadeiro golpe de Estado, para perder-se e, em Santa Helena, encerrar a jornada terrestre no dia 5 de maio de 1821, quando desencarnou.

Os céus da França encontravam-se plúmbeos e a sua psicosfera permanecia carregada dos ódios seculares que se prolongavam, desde a Noite de São Bartolomeu, nos trágicos 23 para 24 de agosto de 1572...

A religião dominante, enceguecida pelo poder temporal, manteve-se pela força da hediondez e da criminalidade, restaurada pela mão de ferro de Carlos Luiz Napoleão III, cognominado por Victor Hugo, como O Pequeno.

Desde o século XVII, quando houve a ruptura entre a Ciência e a Religião, a negação da fé religiosa substituiu a crença tradicional e cega, passando a predominar nos arraiais intelectuais e nas academias, o conhecimento, a experiência de laboratório, em vez da ingenuidade imposta aos simples e a todos que temiam o poder da Igreja.

Em pleno século XIX, nobres sacerdotes como Montalembert, Lamennais, Lacordaire e outros anelavam pela vivência do conceito Deus e liberdade, sendo alguns depostos das vestes que ostentavam, e tornou-se insuportável o relacionamento entre as academias e as sacristias.

Nesse ínterim de conflitos religiosos e acadêmicos, em que a política de Estado unida ao Clero interferia no destino das criaturas no país, Allan Kardec e a equipe luminosa do Espírito de Verdade já se encontravam em ação, preparando o advento de O Consolador, que logo mais se instalaria na Terra, porque pairava glorioso na Erraticidade e aguardava o momento de manifestar-se.

Lançados O Livro dos Espíritos, em 1857 e O Livro dos Médiuns, em 1861, vitoriosamente, uma nova ciência e uma filosofia otimista – o Espiritismo – passaram a iluminar as consciências e predispor a cultura vigente para o momento em que seria publicado O Evangelho Segundo o Espiritismo, libertado dos grilhões escravagistas dos teólogos insanos, distantes do amor de Jesus.

Em abril de 1864, Allan Kardec, sob a inspiração do Excelso Mestre, trouxe a lume a Sua superior moral, ao publicar a obra que iria consolar e esclarecer a Humanidade com as dúlcidas lições da ética e de valores elevados, todas exaradas nos sublimes sentimentos do amor, da caridade, da misericórdia, da compaixão...

Ao dedicar-se, exclusivamente, ao estudo e significado dos ensinamentos morais das palavras do Senhor, por serem de todos os tempos, o mestre de Lyon teve o cuidado de arrancar o joio que penetrara no trigal e transformou as espigas abundantes em celeiros de luz, que atravessaram os decênios como farol inapagável e apontam o rumo do porto seguro da plenitude para todos.

A noite densa e dominante passou a salpicar-se de diamantes estelares e nunca mais haverá escuridão.

As vozes dos Céus começaram a cantar as sinfonias incomparáveis enunciadas nos gloriosos dias em que Ele passeou pelas terras palestinas, quando encerrou o Seu ciclo de amor, não na cruz de vergonha, como se pensava, mas nas paisagens iridescentes da ressurreição triunfante.

Filósofos, missionários, cientistas, luminares da cultura, da arte, da abnegação, lídimos representantes do Sermão da montanha compuseram a partitura musical da Mensagem e Jesus retornou à Terra conforme prometera.

A partir desse novo momento, toda dor passou a encontrar lenitivo, toda aflição tem recebido conforto, e qualquer tipo de alucinação e ódio tem disposto de diretriz de segurança para a vivência da saúde e da paz.

As vozes siderais, ao exaltarem o triunfo da vida sobre a morte, glorificam Deus e Sublime Guia, preparam o Reino dos Céus nos corações terrestres, ansiosos pela conquista da plenitude.

Instaurada a Era que prenuncia o mundo de regeneração, quando o sofrimento cederá lugar à alegria de viver e o desespero facultará o encantamento da irrestrita confiança na Vida, as criaturas passam a experimentar novos estímulos para o prosseguimento da jornada, embora ainda enfrentem os últimos vestígios de inquietação que irão desaparecer por definitivo.

Em face do novo e ditoso acontecimento, saudamos, emocionados, o Sesquicentenário da publicação de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, que permanece como um luzeiro na penedia ante o mar proceloso e aponta o porto de segurança para todos os viajores da Terra.

Nestes tumultuosos dias da sociedade, glória a Allan Kardec e à sua obra, que proporcionam as vindouras alegrias do encontro com a harmonia espiritual!

Vianna de Carvalho

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 18 de dezembro de 2013, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

09 junho 2014

A Bênção do Sofrimento - Joanna de Ângelis



A BÊNÇÃO DO SOFRIMENTO


Acompanhas o deperecer das forças do ser querido, que a enfermidade vitima silenciosamente, roubando-lhe as energias que antes oferecia movimento e saudável alegria.

Agora contemplas o corpo debilitado, assinalado pelas dores que o consomem, ora em delírio, fruto da enérgica medicação que faz diminuir a intensidade das dores, noutros momentos a débil lucidez que o faz reconhecer o estado de fraqueza em que se encontra.

Anelarias que as dores fossem diminuídas, e perguntas a razão pela qual a admirável máquina orgânica, rica de potencialidades e capaz de produzir tantas realizações edificantes, de um para outro momento é devorada por peculiares limitações, desconsertos, em marcha irrefreável para o fenômeno da morte.

Observas como experimentam aflições alguns Espíritos nobres e gentis, que trabalham em favor do Bem e cultivam os ideais de edificação e da caridade, enquanto outros, que se dedicam ao mal e preservam sentimentos destrutivos permanecem em irretocável estado de saúde ou desencarnam sem a presença das dores angustiantes.

Não é raro inquirires, porque coisas más acontecem a pessoas boas.

Esses fenômenos, porém, fazem parte do processo da evolução e constituem desafios que facultam o crescimento espiritual do ser.

O sofrimento, do ponto de vista espiritual, é uma verdadeira bênção que Deus oferece aos Seus filhos, a fim de proporcionar-lhes o desenvolvimento dos tesouros divinos que lhes permanecem em germe, liberando-os das heranças ancestrais que o capacitaram a alcançar o estado de humanidade.

Naturalmente que aqueles que hoje são bons, nem sempre o foram, e ora resgatam os lamentáveis enganos de jornadas ancestrais, nas quais se comprometeram de maneira infeliz, escrevendo a trajetória pela qual hoje peregrinam.

Sucede que as Leis Soberanas da Vida são feitas de amor e de justiça irrefragáveis, e ninguém as burla sem sofrer-lhes as consequências.

Por outro lado, aqueles que hoje permanecem na indiferença ou se comprazem em gerar dificuldades para o seu próximo, desfrutando de alegrias e concessões que parecem não merecer, estão dispondo da oportunidade de produzir e de despertar os sentimentos elevados que jazem entorpecidos pela inferioridade na qual ainda se encontram...

Volverão ao proscênio terrestre oportunamente, e serão considerados bons, experienciando as aflições que soam como injustas.

Bendize, desse modo, a dor do ser querido, neste momento de testemunho e de elevação moral, porquanto ela é a benfeitora anônima, a mensageira do amor de Deus em favor dos Seus filhos.

*

A árvore que não suporta a tempestade na fase de crescimento, não adquire solidez para manter-se ereta e resistente às intempéries.

Os metais que não experimentam a ardência da fornalha, são facilmente carcomidos pela oxidação.

O diamante que não passa pela dureza da lapidação, permanece como escuro carvão destituído de qualquer beleza, impossibilitado de refletir a magnitude das estrelas.

O barro, aparentemente imundo, que não experimenta o calor da madeira em combustão, permanece informe, não possuindo força para preservar as formas belas e de utilidade que lhe dão as operosas mãos do oleiro.

A pedra que não rola ao sabor das águas do córrego, não logra arredondar-se adquirindo especial aparência.

Tudo no Universo é resultado de incessantes transformações.

A estrela refulgente que deslumbra, é massa ígnea de elevada temperatura, assim como a dádiva da luz do Sol e da sua irradiação resulta, da consumpção da matéria em energia...

Vegetais, animais e seres humanos também são modelados na fornalha que lhes consome as formas, a fim de adquirirem a beleza transcendental a que o Criador lhes destina. Nunca reajas com rebeldia à sublime experiência do sofrimento que te modela interiormente, demonstrando-te, por um lado, a transitoriedade da aparência material, ao tempo em que te prepara para a perenidade da vida além da disjunção molecular, pelos infinitos roteiros da imortalidade.

Renasceste para redimir-te dos equívocos e disparates que te permitiste nas experiências transatas.

A dor daquele a quem amas é mensagem oportuna e advertência aos teus sentimentos, falando-te sem palavras que não permanecerás indene a equivalente processo iluminativo.

Preparas-te para a construção do Reino de Deus no próprio coração, de modo que, se estiver na divina planificação um testemunho equivalente para ti, estejas em condições de enfrentá-lo com elevação e alegria, considerando os benefícios que te advirão pelo sublime resgate.

E, se por acaso, fores convocado ao retorno, inesperadamente, sem o contributo da bênção do sofrimento na etapa final, por certo não estarás isento de o experimentares além da cortina da névoa carnal...

A existência material é concessão do Celeste amor para o aprimoramento do Espírito.

Aproveita toda e qualquer oportunidade para te edificares interiormente, valorizando a dádiva da saúde, assim como do conhecimento libertador, de modo que te transformes em exemplo de paz e de trabalho na ação imorredoura do Bem.

*

Mesmo Jesus, o Crucificado sem culpa, experimentou o sofrimento, a fim de ensinar pelo amor, que somente através da autodoação total é que se alcança a plenitude.

Toda a Sua existência na Terra foi assinalada pela sabedoria mediante o amor, a caridade, a misericórdia e o sacrifício pessoal. Nada obstante, não recalcitrou ante a dor que lhe impuseram os infelizes e desditosos, ensejando-lhe a máxima sublimação para que todos O pudessem imitar e agradecer, entregando-se-Lhe em regime de totalidade.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, enquanto acompanhava Nilson de Souza Pereira, durante a grave enfermidade que o vencia, no entardecer do dia 1º de novembro de 2013, no Hospital Santa Isabel, em Salvador, Bahia.