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17 maio 2015

Os Espíritos se alimentam no Mundo Espiritual ? - André Luiz


OS ESPÍRITOS SE ALIMENTAM NO MUNDO ESPIRITUAL?

Como se verifica a alimentação dos Espíritos desencarnados?


– Encarecendo a importância da respiração no sustento do corpo espiritual, basta lembrar a hematose no corpo físico, pela qual o intercâmbio gasoso se efetua com segurança, através dos alvéolos, nos quais os gases se transferem do meio exterior para o meio interno e vice-versa, atendendo à assimilação e desassimilação de variadas atividades químicas no campo orgânico. O oxigênio que alcança os tecidos entra em combinação com determinados elementos, dando, em resultado, o anidrido carbônico e a água, com produção de energia destinada à manutenção das províncias somáticas. Estudando a respiração celular, encontraremos, junto aos próprios arraiais da ciência humana, problemas somente equacionáveis com a ingerência automática do corpo espiritual nas funções do veículo físico, porque os fenômenos que lhe são conseqüentes se graduam em tantas fases diversas que o fisiologista, sem noções do Espírito, abordá-los-á sempre com a perplexidade de quem atinge o insolúvel. Sabemos que para a subsistência do corpo físico é imprescindível a constante permuta de substâncias, com incessante transformação de energia.

Substância e energia se conjugam para fornecer ao carro fisiológico os recursos necessários ao crescimento ou à reparação do contínuo desgaste, produzindo a força indispensável à existência e os recursos reguladores do metabolismo.

O alimento comum ao corpo carnal experimenta, de início, a digestão, pela qual os elementos coloidais indifusíveis se transubstanciam em elementos cristalóides difusíveis, convertendo-se ainda as matérias complexas em matérias mais simples, acessíveis à absorção, a que se sucede a circulação dos valores nutrientes, suscetíveis de aproveitamento pelos tecidos, seja em regime de aplicação imediata, seja no de reserva, destinando-se os resíduos à expulsão natural. A ciência terrena não desconhece que o metabolismo guarda a tendência de manter-se em estabilidade constante, tanto assim que, reconhecidamente, a despesa de oxigênio e o teor de glicemia em jejum revelam quase nenhuma diferença de dia para dia.

É que o corpo espiritual, comandando o corpo físico, sana espontaneamente, quando harmonizado em suas próprias funções, todos os desequilíbrios acidentais nos processos metabólicos, presidindo as reações do campo nutritivo comum.

Não ignoramos, desse modo, que desde a experiência carnal o homem se alimenta muito mais pela respiração, colhendo o alimento de volume simplesmente como recurso complementar de fornecimento plástico e energético, para o setor das calorias necessárias à massa corpórea e à distribuição dos potenciais de força nos variados departamentos orgânicos. Abandonado o envoltório físico na desencarnação, se o psicossoma = (perispirito) está profundamente arraigado às sensações terrestres, sobrevém ao Espírito a necessidade inquietante de prosseguir atrelado ao mundo biológico que lhe é familiar e, quando não a supera ao preço do próprio esforço, no auto-reajustamento, provoca os fenômenos da simbiose psíquica, que o levam a conviver, temporariamente, no halo vital daqueles encarnados com os quais se afine, quando não promove a obsessão espetacular.

Na maioria das vezes, os desencarnados em crise dessa ordem são conduzidos pelos agentes da Bondade Divina aos centros de reeducação do Plano Espiritual, onde encontram alimentação semelhante à da Terra, porém fluídica, recebendo-a em porções adequadas até que se adaptem aos sistemas de sustentação da Esfera Superior, em cujos círculos a tomada de substância é tanto menor e tanto mais leve quanto maior se evidencie o enobrecimento da alma, porquanto, pela difusão cutânea, o corpo espiritual, através de sua extrema porosidade, nutre-se de produtos sutilizados ou sínteses quimio-eletromagnéticas, hauridas no reservatório da Natureza e no intercâmbio de raios vitalizantes e reconstituintes do amor com que os seres se sustentam entre si.

Essa alimentação psíquica, por intermédio das projeções magnéticas trocadas entre aqueles que se amam, é muito mais importante que o nutricionista do mundo possa imaginar, de vez que, por ela, se origina a ideal euforia orgânica e mental da personalidade. Daí porque toda criatura tem necessidade de amar e receber amor para que se lhe mantenha o equilíbrio geral.

De qualquer modo, porém, o corpo espiritual com alguma provisão de substância específica ou simplesmente sem ela, quando já consiga valer-se apenas da difusão cutânea para refazer seus potenciais energéticos, conta com os processos da assimilação e da desassimilação dos recursos que lhe são peculiares, não prescindindo do trabalho de exsudação dos resíduos, pela epiderme ou pelos emunctórios normais, compreendendo-se, no entanto, que pela harmonia de nível, nas operações nutritivas, e pela essencialização dos elementos absorvidos, não existem para o veículo psicossomático determinados excessos e inconveniências dos sólidos e líquidos da excreta comum.


Pelo André Luiz
Psicografia Chico Xavier
Fonte - EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS

16 maio 2015

Redenção - Amélia Rodrigues



REDENÇÃO

O mergulho de Jesus nos fluidos grosseiros do orbe terráqueo é a história da redenção da própria humanidade, que sai das furnas do “eu” para os altos píncaros da liberdade.

Vivendo nos reinados de Augusto e Tibério, cujas vidas assinalaram com vigor inusitado a História, o Seu berço e o Seu túmulo marcaram indelevelmente o tempo, constituindo sinal divisório da Civilização, acontecimento predominante nos fastos da vida humana.

Aceitando como berço o reduto humílimo de uma estrebaria, no momento significativo de um censo, elaborou, desde o primeiro momento, a profunda lição da humildade para inaugurar um reinado diferente entre as criaturas, no justo momento em que a supremacia da força entronizava o gládio e a púrpura atapetava o solo, alcatifando o piso por onde passavam os triunfadores.

E não se afastou, jamais, da diretriz inicial assumida: o de servo de todos.

Acompanhando a marcha tresloucada do espírito humano que se encontra atado aos sucessivos ciclos dos renascimentos inferiores, na roda das paixões escravizantes, fez que pioneiros e embaixadores da Sua Morada O precedessem cantando as glórias superiores da vida e do belo, para propiciar os sonhos de elevação e as ânsias sublimantes...

Alexandre Magno conquistou o Mundo sem conseguir, no entanto, intimidar os filósofos que habitavam as margens do Indo. Apaixonado por Homero, dizia encontrar na Ilíada inspiração ao amor e à guerra que lhe dava glórias... Logo passou, e aos 33 anos sucumbiu, depois de ter vivido o correspondente a várias vidas... Os direitos dos povos pertenciam aos dominadores e o homem não passava de animal de carga, nas garras da força.

Depois dEle, Marco Aurélio registra os pensamentos que fluem da mente privilegiada, sob elevada inspiração de Emissários Sábios enquanto peleja nos campos juncados de cadáveres...; as hostes selvagens, em nome da hegemonia política de vândalos elevados ao poder, irrompem voluptuosas, quais labaredas humanas crepitantes e carbonizantes, e atrás de suas legiões ficam os destroços, as cinzas, as dores agudíssimas das cidades vencidas e enlutadas.

Os triunfadores de um dia erigem monumentos à própria insânia, que a soberba qualifica de glória, mas que ruem quando os construtores se consomem... ... Tudo passa! A Grande Esfinge tudo devora...

Tronos refulgentes, sólios esplêndidos, coortes brilhantes ao Sol, conquistas grandiosas, civilizações douradas e impiedosas, os tempos vencem... Ele chega silencioso, pulcro, e fica.

Reúne a malta dos aflitos e os agasalha ao próprio peito.

Nada solicita, coisa alguma exige.

Libertador por excelência, canta o hino da verdadeira liberdade, ensinando a destruição dos elos da inferioridade que junge o homem às mais cruéis cadeias... Embosca-se na carne, mas é Sol de incomparável luz, clareando o fulcro dos milênios.

Ao suave balido da Sua mansa voz, acordam as esperanças e se levantam os ideais esquecidos.

Ao forte clamor do seu verbo, erguem-se os dias, e as horas do futuro vibram, aprofundando no cerne do mundo os alicerces da Humanidade Feliz do porvir. Admoesta e ajuda.

Verbera, rigoroso, e socorre.

Aceita a oferenda do amor mas não enclausura a verdade nas paredes do suborno.

Rei Celeste, comparte das necessidades dos pecadores e vive entre eles.

Permuta o contato dos anjos pela comunhão do populacho da verdejante e calma Cafarnaum, trocando os esplendores da Via-Láctea pelas madrugadas rubras do lago piscoso.

Prefere os entardeceres ardentes de Jericó à epopéia célica dos astros em infinito meio-dia.

Aceita o pó das estradas ermas e calcinadas de Caná, Magdala, Dalmanuta, e as suas fronteiras que se perdem no Sistema Solar, Ele as estreita entre o Mar e o Hebron, entre a Síria e o país de Moab...

Deixa a gleba paradisíaca para tomar de um grão de mostarda e elaborar com ele uma cantata, sofrendo calor asfixiante; esfaimado, pede a uma figueira frutos que, fora de época, não os pode dar...

Senhor do Mundo, Causa anterior existente, deixa-se confundir na turba, na multidão esfarrapada, que em fúria busca o amor sem saber identificá-lo; na multidão, sim, na qual, sofrendo, encontra a razão do Seu glorioso martírio.

Entre os sofredores, canta as mais eloqüentes expressões que o homem jamais ouviu.

As Suas Boas Novas são orquestradas pela musicalidade espontânea da Natureza, no cenário das primaveras e dos verões, entre as aldeias e o lago, no coração exuberante da Terra em crescimento...

E traído, magoado, encarcerado, vencido numa Cruz, elege uma tranqüila e luminosa manhã para ressurgir, buscando uma antiga obsediada para dizer-lhe que a vida não cessa, e que o Reino de Deus está dentro do coração, reafirmando, insofismável, ficar “conosco todos os dias até o fim do Mundo”, retornando, assim, ao Pai, onde nos espera vencidas as refregas libertadoras da ascese em que hoje nos empenhamos com sofreguidão.

Pelo Espírito Amélia Rodrigues
Do livro: Primícias do Reino
Médium: Divaldo P. Franco

15 maio 2015

Coloque Amor Na Sua Vida - Maisa Baria


COLOQUE AMOR NA SUA VIDA

Para termos uma vida feliz é preciso observar a todo instante as atitudes que podem fazer com que essa felicidade aconteça. O amor que nós amamos é feito de pequenos gestos, são nas pequenas coisas que expressamos a sua grandiosidade.

Quando exercitamos o amor que sentimos nas atitudes do dia a dia, na maneira com a qual nos comunicamos com o outro, demonstrando respeito, carinho, atenção, se fazendo presente, fortalecemos os laços que nos unem e nos aproximamos uns dos outros.

O amor fortalece a relação humana. Pais e filhos terão uma relação mais sólida e real ao passo que o amor é exercitado diariamente entre eles; familiares se sentiram mais próximos quando tratados com amor; amigos serão mais amigos conforme se conhecem e se aproximam; casais serão mais cúmplices à medida que se amam mais. Quanto mais exteriorizamos o amor que sentimos em palavras, atitudes e gestos, mais forte esse sentimento se torna.

No entanto é preciso aceitar que por mais que eu me esforce e queira fazer tudo certo em alguns momentos eu vou errar com as pessoas que amo, e quando eu errar preciso ter consciência de “como eu erro?”, “quando eu erro?” e “por que eu erro?”, e a partir dessa reflexão tentar me corrigir e melhorar onde posso na tentativa de conseguir neutralizar e evitar essas situações que me levam ao erro.

É preciso buscar o autoconhecimento, saber como funcionamos internamente. O que te irrita? O que te leva ao seu limite? É preciso conhecer essas respostas para então disciplinar-se, trabalhar essas questões sem se acomodar ou se sabotar dizendo “ah é o meu jeito”. Não se entregue a fraqueza, precisamos ser fortes em todos os sentidos, e precisamos ser ainda mais fortes quando isso requer de nós encararmos a nós mesmos, identificar nossas falhas, admiti-las e estar disposto a corrigi-las para superá-las. Essa é a nossa luta pessoal contra nossas fraquezas e a favor de nossas virtudes.

Da mesma forma que nós, ainda que sem querer, iremos magoar aqueles que amamos, também nós seremos magoados. É preciso lembrar que na dinâmica do amor está o perdão. O outro também vai falhar, também vai errar e será a nossa vez de estar do lado de lá dessa situação, perdoar ou não? Quantas vezes eu devo perdoar? Tantas quantas eu tiver motivos para isso. Tantas quantas eu puder compreender que se eu erro, o outro erra também. Se eu falo demais, o outro também fala. Se muitas vezes digo coisas sem pensar, o outro também diz. Não existe limite para quantas vezes devemos perdoar.

Toda atitude de perdão deve ser motivadora de uma atitude de mudança que deve compreender todos os envolvidos. Quem foi perdoado deve se comprometer consigo mesmo e com o outro a não recair no mesmo erro (daí o autoconhecimento). Quem perdoou deve estipular limites e deixar claro seu posicionamento em relação ao ocorrido. Quem tem disposição para amar tem também disposição interior para perdoar, para entender, para se comprometer e mudar.

Vamos colocar amor em nossas vidas, agindo com cuidado com aqueles que amamos, tentando o quanto possível evitar o erro que causa mágoa e arrependimento, e se preciso for compreender com carinho que o outro também erra. Somente o amor sincero e verdadeiro quando exercitado com ternura é capaz de tocar e unir verdadeiramente as almas.

Maisa Baria

14 maio 2015

Poderes Psíquicos - Emmanuel


PODERES PSÍQUICOS

Autoridades eminentes em assuntos do espírito desaconselham a educação da mediunidade, alegando que o desenvolvimento dos poderes psíquicos oferece perigos ao candidato, seja por exaurir-lhe a força nervosa ou por situá-lo na vizinhança das esferas inferiores do Mundo Espiritual.


Não obstante o respeito que nos merece a presença edificante dos investigadores da verdade que adotam semelhante atitude, é preciso compreender que nos achamos à frente da energia medianímica, na mesma posição daqueles que se surpreenderam, um dia, perante a eletricidade ou a roentgenterapia.

Seria justo fugir da força elétrica, recusando-lhe os benefícios, tão somente porque o trato com ela ofereça riscos aos que lhe controlam o material de condução? Desistir do serviço radioterápico simplesmente porque, em certas condições, é suscetível de causar queimaduras?

Todos sabem que o fogo é benção do reduto doméstico, desde épocas imemoriais da Humanidade e todos estamos igualmente informados de que o fogo desgovernado gera o incêndio destruidor.

Urge compreender que a Doutrina Espírita é o sistema de preparação do médium, tanto quanto o instituto eletrotécnico é a casa de formação do eletricista.

Mediunidade na família humana é semelhante a qualquer agente da natureza, reclamando orientação e burilamento.

Falem por nós os obsediados de todos os graus e de todas as procedências que, desde milênios, expiam, nos manicômios ou nas prisões, nos hospitais e nos lares da Terra, a ignorância que até hoje mantemos, coletivamente, no que diz respeito à energia mediúnica explorada ou dominada pelas inteligências enfermiças ou delirantes nas trevas de espírito.

Auxilia a educação da mediunidade, onde estiveres, com todos os recursos lícitos ao teu alcance.

Raciocínio e discernimento.

Serviço e amor.

Todo médium consagrado ao bem é veículo precioso para a manifestação dos Mensageiros do Eterno Bem.


Pelo Espírito Emmanuel

Do livro: No Portal da Luz
Médium: Francisco Cândido Xavier

13 maio 2015

Estar Desperto - Joanna de Ângelis


ESTAR DESPERTO


A humanidade em geral vive em estado de sono, em letargo, e, por isso mesmo, padece da enfermidade mais dominadora, que é a ignorância de si, da destinação de cada um, do significado da existência.

Acomodados à situação em que se encontram, os indivíduos queixam-se, mas quase nada fazem para mudar os fatores degenerativos do conjunto social, normalmente neles mesmos presentes: lamentam-se, por necessidade masoquista de inspirar compaixão; entregam-se à ocorrência por comodismo, não se esforçando, realmente, para conseguir superação de todo aparente obstáculo que surge como ameça ou impedimento ao seu progresso.

A consciência de sono predomina no mundo moderno, em razão das suas concessões ao prazer imediato, sem a consequente proposta e oportunidade para as emoções libertadoras. Assim, a sociedade se divide em grupos que se hostilizam sub-repticiamente, distanciando-se cada vez mais uns dos outros, quando deveriam eliminar as barreiras separatistas, e não manter ignorância sobre as infinitas possibilidades de realização e de despertamento.

Surge, inevitavelmente, o instante em que o ser vê-se induzido a despertar ou permanecer na morte da realidade. Para que consiga acordar do pesado sono a que se submete, é necessário todo o empenho possível, de modo que possa arrebentar as cadeias que o vêm atando ao processo de autocompaixão e infelicidade, de autodesestima e desrespeito para com ele próprio.

Estar acordado é encontrar-se pleno, consciente da sua realidade interior e das infinitas possibilidades de crescimento que estão ao seu alcance; libertar-se dos medos que o imobilizam na inutilidade; redescobrir a alegria de viver e de agir; ampliar o campo da comunicação com a Natureza e todos os seres; multiplicar os meios de dignificação humana, colocando-os ao alcance de todos; submeter-se à eloquente proposta de iluminação que pode encontrar em toda parte...

O Apóstolo Paulo estava tão certo do valor do despertamento da consciência, que em memorável carta aos Efésios, conforme se encontra no capítulo cinco, versículo catorze, conclamou: Desperta, ó tu que dormes, levanta-te entre os mortos e o Cristo te esclarecerá. Isso porque, sono é forma de morte, de desperdício da oportunidade educativa, esclarecedora, terapêutica, enriquecedora. E nesse sentido, quando se está desperto, Jesus o esclarece, a fim de que avance corajosamente na busca da sua auto-identificação.

Todos os triunfadores foram e são pessoas despertas para a sua atividade, o seu compromisso para com a vida, conscientes do próprio valor, sem os pieguismos e fugas psicológicas de autodesvalorização, de autopunição. Desfraldando o estandarte da coragem, partem para a batalha a que se entregam, superando os vícios e desenvolvendo as virtudes, no campo imenso da consciência, qual a proposta feita por Krishna a Arjuna, no Bhagavad Gita, essa maravilhosa canção de dignidade psicológica e saga de um triunfador sobre as próprias paixões...

O ser desperto não se permite a astúcia de Sísifo nem a crueldade de Zeus, que tinham necessidade de demonstrar a sua força, o seu poder, na fragilidade do homem imaturo e dormido.

Quando o Príncipe Sidarta Gautama fez-se Buda, portanto, quando se permitiu iluminar, porque acordou do letargo, após uma das suas preleções educativas, foi interrogado por um discípulo: - Senhor, já encontrastes Deus? E se o defrontastes, onde se encontrar Ele? O missionário meditou por um pouco e respondeu sem preâmbulos: - Após penetrar na realidade de mim mesmo, encontrei Deus no mais íntimo do meu ser, em grandiosa serenidade e ação dignificadora.

Quando se está desperto, as conquistas e encontros são internos, resplandecentes e calmos, poderosos como o raio e suaves como a brisa do amanhecer.

Portadores de vida, conduzem o indivíduo na direção segura de si mesmo, fazendo que possa compreender os que dormem e não se interessam pela decisão de entender-se ou compreender a finalidade da existência. Tampouco se irrita, ou se enfastia, ou se perturba com aqueles que os agridem, que os perseguem, que buscam afligi-lo.

Maria de Magdala despertou da loucura em que se encarcerava ao encontrar Jesus, e transformou-se totalmente; Paulo de Tarso despertou, após o chamado de Jesus e nunca mais foi o mesmo. 

Francisco de Assis aceitou o convite do Mestre e renasceu, abandonando o homem velho e tornando-se cantor da Natureza; Leonardo da Vinci, Galileu, Newton, René Descartes, Pasteur, Albert Schweitzer e muitos outros nos vários campos do pensamento, da ciência e da arte, da religião e do amor, após despertarem para a Realidade, alteraram a própria rota e ergueram a Humanidade para um patamar de maior beleza e de mais ampla felicidade.

Estar desperto significa encontra-se construindo, livre de preconceitos e de limites, aberto ao bem e à verdade de que se torna vanguardeiro e divulgador.



Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis
Livro: Vida: Desafios e Soluções
LEAL – Livraria Espírita Alvorada Editora

12 maio 2015

Amar e em Seguida Instruir - Segundo Proclama a Lei - Jorge Hessen

(by Stefano De Rosa -  www.ofpink.wordpress.com)

AMAR E EM SEGUIDA INSTRUIR – SEGUNDO PROCLAMA A LEI

O sentimento e a sabedoria são as duas asas com que a alma se elevará para a perfeição infinita. O Espírito de Verdade adverte: “Espíritas: amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo”.[1] Tal pensamento tem sido amplamente divulgado nas hostes espíritas. O primeiro ensinamento é claro, reforçando a base cristã do Espiritismo. É a reprodução das palavras do Cristo, “Este é o meu mandamento: Amai-vos uns aos outros, como eu vos amo”. [2] O segundo amplia-nos a capacidade de raciocínio, por isso devemos estudar incessantemente a fim de amarmos com grandeza e liberdade.

Com o amor e a instrução alcançamos o avanço moral e adiantamento intelectual, ambos imprescindíveis ao nosso progresso, sendo importante contudo ponderar a superioridade do primeiro sobre o segundo, porquanto o aspecto intelectual sem a moral pode oferecer numerosa perspectivas de queda, na repetição das experiências, enquanto que o avanço moral jamais será excessivo, representando o núcleo mais importante das energias evolutivas.

O Espiritismo possui todas as verdades do Cristianismo, que nele se encerra. Os Benfeitores reafirmam a imortalidade entronizando Jesus como o vencedor do Mal”.[3] Obviamente, se o Espiritismo perder o seu sentido cristão, ele permanecerá uma bela doutrina de confirmação científica, à semelhança da metapsíquica e da parapsicologia, sem o amplo conteúdo moral que foi a base essencial da proposta do Codificador.

Sim, é importante amarmos para nos unir no sentimento que funde os corações, e nos instruir para que conheçamos a verdade, e conhecendo a verdade nos unamos ainda mais no amor que instrumentaliza o conhecimento, e afasta o orgulho e o egoísmo. A instrução dissipa o erro e nos mostra o objetivo da provação humana. O Espiritismo dispõe de recursos para a edificação do templo da educação, de modo a esclarecer recalques, neuroses, distonias que surgem desde os primeiros instantes da vida física pelos processos reencarnatórios. A instrução moral pela educação encontra no Espiritismo ensinamentos preciosos.

Para instruir-nos é necessário “consagrarmos diariamente alguns minutos a leitura de obras edificantes, esquecendo os livros de natureza inferior, e preferindo, acima de tudo, os que, por alimento da própria alma, versem temas fundamentais da Doutrina Espírita.” [4] Entretanto, precisamos estudar inicialmente as obras básicas do Espiritismo. Sim, estudar para aprender. Aprender para trabalhar. Trabalhar para servir melhor.

A base do amor incondicional encontra-se em Jesus Cristo. O amor é um sentimento de diversos significados. Entre eles, encontramos a seguinte definição: é uma força tendente a aproximar e a unir, numa relação fraterna todos seres humanos. Kardec diz que Sócrates foi precursor do Evangelho e o primeiro homem a nos dar uma imagem desse tipo de amor. Por transgredir as ordens dos deuses gregos e almejar abrir a mente dos jovens, foi compelido a beber o veneno letal. Ainda assim, não fugiu de suas ideias na busca do bem comum. Valia-se do convencimento e da razão para alcançar alguma coisa. Mahatma Gandhi, nesta mesma direção, confrontou o poderio do tacão britânico sem empregar o discurso da violência, e Martin Luther King, outro expoente do apelo à não-violência, seguiu os ditames da razão cristã.

A instrução, baseada na pedagogia de Jesus, prepondera a afinidade recíproca entre o educador e o principiante. O mestre não se coloca como o “sabe-tudo”, por ter ciência de que o Espírito, criado simples e ignorante, não tem idade. A faixa etária da idade física é apenas um momento particular em seu longo caminho evolutivo. Tive alunos que eram para mim legítimos catedráticos. A finalidade da instrução é divulgar os princípios espíritas, para que mais pessoas possam entrar em contato com os conceitos que libertam consciências.

Para que possamos nos instruir com esmero necessitamos debruçar sobre as Obras Fundamentais do Espiritismo, igualmente citadas como livros da “Codificação” Espírita. São os cinco volumes publicados por Allan Kardec, entre 1857 e 1868, a saber: “O Livro dos Espíritos” [Carta Magna do Espiritismo]-1857; “O Livro dos Médiuns” [exame experimental e investigativo, teórico-metodológico para compreensão dos fenômenos mediúnicos]-1861; “O Evangelho segundo o Espiritismo” [o mais completo código moral da humanidade]-1864; “O Céu e o Inferno” [estuda a transcendental Justiça Divina]-1865 e “A Gênese” [examina a formação dos mundos e da criação dos seres animados e inanimados, os supostos milagres e as profecias]-1868.

Amando e estudando conseguiremos nos auto avaliar, averiguando quem somos, donde “viemos e para onde iremos após a desencarnação, a fim de nos convencer do valor da nossa própria personalidade e à nossa própria elevação nos dediquemos.”[5] E o meio prático mais eficaz que temos de nos melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal, há 2500 anos “um sábio da antiguidade nos ensinou: “Conhece-te a ti mesmo”.[6]

Se não realizarmos um mergulho em nosso mundo íntimo, para superar as paixões, harmonizar com os adversários, perder-nos-emos no tumulto externo que nos cerca. O Evangelho nos fala do amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Este autoamor é essencial para compreendermos a família, para termos paciência. Para não impor, tão-somente expor; instruir pelo exemplo e compreender que não poucas vezes a família é um desafio no mapa da reencarnação. Estamos diante de uma proposta que devemos dignificar pelo exemplo. A serenidade somente nos virá quando conseguirmos um auto encontro para conseguir o ENCONTRO com Jesus. Está no Evangelho: de que nos adianta saber muito, conquistar todo o mundo e arruinar a alma? A nossa inquietação de modificar os outros, fazer os outros “felizes”, sem estar feliz, é ficção, é inútil.

É possível ser bem instruído doutrinariamente e totalmente obsedado, em decorrência de um transtorno moral causado por rigidez mental, dogmatismo, preconceitos, prepotência, vaidade etc. Muitas vezes “a saturação de conhecimentos impede o uso livre da razão: satisfeitos com um cabedal de informações, descansamos tranquilos na ignorância de nós mesmos”.[7] Não afirmamos com isso que a acumulação de conhecimentos doutrinários seja inútil. Óbvio que não! A instrução é matéria-prima para o raciocínio e suporte para o amor.

Amar, sim, amar incondicionalmente; Instruir, sim, e sempre, ou, fundamentalmente amar e em seguida instruir, aprender! Conforme proclama a Lei. É um princípio Divino; É uma regra universal! Logicamente, se assim aprendemos como teoria, assim também deverá ser feito no exercício do bem maior. Senão, estaremos propagando ilusões, e isso não é Cristianismo, muito menos Espiritismo.  




Referências bibliográficas:

[1] Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. VI, item 5, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999
[2] Jo 14:12
[3] Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. VI, item 5, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999
[4] Xavier, Francisco, Cândido e Viera Waldo. Conduta Espírita, ditado pelo espirito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000
[5] Pereira, Yvone A. Memorias de um suicida, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1977
[6] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999 perg. 919.
[7] Xavier, Francisco, Cândido. Nos Domínios da Mediunidade , ditado pelo espirito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001″, cap.5 

11 maio 2015

No Reino em Construção - Emmanuel



NO REINO EM CONSTRUÇÃO

“Na casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, já eu vo-lo teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar.” JESUS – JOÃO, 14: 2. “Entretanto, nem todos os Espíritos que encarnam na Terra vão para aí em expiação.” —E.S.E., Cap. III, 14.

Escutaste o pessimismo que se esmera em procurar as deficiências da Humanidade, como quem se demora deliberadamente nas arestas agressivas do mármore de obra-prima inacabada e costumas dizer que a Terra está perdida.

Observa, porém, as multidões que se esforçam silenciosamente pela santificação do porvir.

* Compulsaste as folhas da imprensa, lendo a história do autor de homicídio lamentável e, sob extrema revolta, trouxeste ao labirinto das opiniões contraditórias a tua própria versão do acontecimento, asseverando que estamos todos no teatro do crime.

Recorda, contudo, os milhões de pais e mães, tocados de abnegação e heroísmo, que abraçam todos os sacrifícios no lar para que a delinquência desapareça. Conheceis jovens que se transviaram na leviandade, desvairando-se em golpes de selvageria e loucura e, examinando acremente determinados sucessos que devem estar catalogados na patologia da mente, admites que a juventude moderna se encontra em adiantado processo de desagregação do caráter. Relaciona, todavia, os milhões de rapazes e meninas, debruçados sobre livros e máquinas, através do labor e do estudo, em muitas circunstâncias imolando o próprio corpo à fadiga precoce, para integrarem dignamente a legião do progresso.

Sabes que há companheiros habituados aos prazeres noturnos e, ao vê-los comprando o próprio desgaste a preço de ouro, acreditas que toda a comunidade humana jaz entregue à demência e ao desperdício.

Reflete, entretanto, nos milhões de cérebros e braços que atravessam a noite, no recinto das fábricas e juntos dos linotipos, em hospitais e escritórios, nas atividades da limpeza e da vigilância, de modo a que a produção e a cultura, a saúde e a tranquilidade do povo sejam asseguradas.

Marcaste o homem afortunado que enrijeceu mãos e bolsos, na sovinice, e esposas a convicção de que todas as pessoas abastadas são modelos completos de avareza e crueldade.

Considera, no entanto, os milhões de tarefeiros do serviço e da beneficência, que diariamente colocam o dinheiro em circulação, a fim de que os homens conheçam a honra de trabalhar e a alegria de viver.

*

Não condenes a Terra pelo desequilíbrio de alguns.

Medita em todos os que se encontram suando e sofrendo, lutando e amando, no levantamento do futuro melhor, e reconhecerás que o Divino Construtor do Reino de Deus no mundo está esperando também por ti.

Espírito Emmanuel
De “Livro da Esperança”
De Francisco Cândido Xavier

10 maio 2015

As Profissões de Minha Mãe - Momento Espírita




A PROFISSÕES DE MINHA MÃE


Minha mãe foi, com certeza, a mulher que mais profissões exerceu em toda sua longa vida, sem ter sequer concluído o curso fundamental.

Tudo que ela aprendeu foi nas primeiras quatro séries que cursou, quando criança. Contudo, era de uma sabedoria sem par.

Descobri que minha mãe era uma decoradora de grandes qualidades, à medida que eu crescia e observava que ela sempre tinha um local no melhor móvel da casa, para as pequenas coisas que fazíamos na escola, meu irmão e eu.

Em nossa casa, nunca faltou espaço para colocar os quadrinhos, os desenhos, os nossos ensaios de escultura em barro tosco.

Tudo, tudo ganhava um espaço privilegiado. E tudo ficava lindo, no lugar que ela colocava.

Descobri que minha mãe era uma diplomata, formada na melhor escola do mundo (nosso lar), todas as vezes que ela resolvia os pequenos conflitos entre meu irmão e eu.

Fosse a disputa pela bicicleta, pela bola, pelo último bocado de torta, de forma elegantemente diplomática ela conseguia resolver. E a solução, embora pudesse não agradar os dois, era sempre a mais viável, correta, honesta e ponderada.

Descobri que minha mãe era uma escritora de raro dom, quando eu precisava colocar no papel as ideias desencontradas de minha cabecinha infantil. Ela me fazia dizer em voz alta as minhas ideias e depois ia me auxiliando a juntar as sílabas, compor as palavras, as frases, para que a redação saísse a contento.

Descobri que minha mãe era enfermeira, com menção honrosa, toda vez que meu irmão e eu nos machucávamos.

Ela lavava os joelhos ralados, as feridas abertas no roçar do arame farpado, no cair do muro, no estatelar-se no asfalto.

Depois, passava o produto antisséptico e sabia exatamente quando devia usar somente um pequeno band-aid, o curativo ou a faixa de gaze, o esparadrapo. Descobri que minha mãe cursara a mais famosa Faculdade de Psicologia, quando ela conseguia, apenas com um olhar, descobrir a arte que tínhamos acabado de aprontar, o vaso que tínhamos quebrado.

E, depois, na adolescência, o namoro desatado, a frustração de um passeio que não deu certo, um desentendimento na escola.

Era uma analista perfeita. Sabia sentar-se e ouvir, ouvir e ouvir. Depois, buscava nos conduzir para um estado de espírito melhor, propondo algo que nos recompusesse o íntimo e refizesse o ânimo.

Era também pós-graduada em Teologia. Sua ciência a respeito de Deus transcendia o conteúdo de alguns livros existentes no mundo.

O seu era o ensino que nos mostrava a gota a cair da folha verde na manhã orvalhada e reconhecer no cristal puro, a presença de Deus.

Que nos apontava a fúria do temporal e dizia: Deus vela. Não se preocupem.

Que nos alertava a não arrancar as flores das campinas porque estávamos pisando no jardim de Deus. Um jardim que Ele nos cedera para nosso lazer, e que devíamos preservar.

Ah, sim. Ela era uma ecologista nata. E plantava flores e vegetais com o mesmo amor. Quando colhia as verduras para as nossas refeições, dizia: Não vamos recolher tudo. Deixemos um pouco para os passarinhos. Eles alegram o nosso dia e merecem o seu salário.

Também deixava uns morangos vermelhinhos bem à mostra no canteiro exuberante, para que eles pudessem saboreá-los.

Era sua forma de manifestar sua gratidão a Deus pelos Seus cuidados: alimentando as Suas criaturinhas.

Minha mãe, além de tudo, foi motorista particular. Não se cansava de ir e vir, várias vezes, de casa para a escola, para a biblioteca, para o dentista, para o médico, para o teatro e de volta para casa.

Também foi exímia cozinheira, arrumadeira, passadeira, babá. E tudo isto em tempo integral.

Como ela conseguia, eu não sei. Somente sei que agora ela está na Espiritualidade. E Deus, como recompensa, por tantas profissões desempenhadas na Terra, lhe deu uma missão muito, muito especial: a de anjo guardião dos filhos que ficaram na bendita escola terrena.

Redação do Momento Espírita




09 maio 2015

O Advento do Consolador - Caibar Schutel




O ADVENTO DO CONSOLADOR


O mundo passava por momentos decisivos, transformadores, oferecendo condições para o surgimento de uma nova humanidade.

Ao mesmo tempo, ocorria o rompimento com idéias cristalizadas do passado no campo da religião e da cultura.

No século imediatamente anterior à Codificação foram lançados os alicerces da renovação do pensamento ocidental com os chamados iluministas que definiram uma arena de fermentação de ideais arrojados, apontando para um futuro glorioso no qual o homem assumiria o comando de si mesmo, aprendendo a valorizar a liberdade de pensar, falar e agir.

O século dezoito apresentou o início de uma nova era, propriamente dita.

O homem foi sacudido pelo vendaval das mudanças ocorridas nos diferentes campos do saber humano.

Discutiu-se muito, surgiram as ciências diversificadas tanto na área das relações humanas, como nas voltadas para o estudo das conexões nervosas, com o objetivo de melhor compreender a mente.

A religião, anteriormente abalada em seus fundamentos, encontrava-se oscilante; de um lado, entre católicos fielmente vinculados aos ditames da igreja de Roma ou aos renovadores da contra reforma protestante, os jesuítas, e, de outro, aos adeptos da igreja Reformada que, então, se auto intitulavam reformadores.

O Cristo era, então, o centro para onde convergiam todas as discussões, os debates, as disputas e as intrigas.

Homens de fé, teólogos respeitáveis, ou simples sacerdotes eram tomados por um frenesi, uma agitação febril, muitas vezes doentia, sempre com o intuito de demonstrar a grandeza e a superioridade das interpretações teologais.

Entre estes, poucos se deixavam manter-se no silêncio e na oração, buscando Jesus no íntimo do ser.

Angustiados, vezes sem conta se viam jogados de um lado para outro, como frágil barco na tempestade.

O século seguinte, o dezenove, nasceu desse caldo de idéias revolucionárias.

Muitas rebeliões e revoluções surgiram, em conseqüência, no velho continente europeu para, ao final, delinear e organizar as nações do mundo atual.

O século dezenove, o século das revoluções liberais, passou à história como uma época de construção civil, política, sobretudo religiosa.

Foi quando Jesus saiu dos altares e dos púlpitos, reuniu seus servos fieis e estabeleceu que era chegado o momento de materializar o Consolador, por Ele prometido, no mundo das formas.

A Humanidade encontrava-se mais lúcida, já detinha valores morais e conhecimentos suficientes para começar a exercitar a lei de amor, explicitada no seu Evangelho de Luz e Amor.

Sob os sons vibrantes de novas clarinadas, uma etérea e argêntea luz espalhou-se pelo Planeta, e, um exército de servidores, constituídos por soldados devotados e compromissados com o Bem Maior, organizou uma invasão em todos os recantos, convidando a Humanidade para receber o Cristo no coração, servindo ao próximo, amando e protegendo-o.

Médiuns surgiram aos borbotões para trazer à Terra a mensagem Sublime do Céu.

Em 18 de abril de 1857 um coro de Espíritos peregrinos, uniram-se em cântico celestial para fazer o mundo conhecer O Livro dos Espíritos.

Livro imortal, gravado no infinito com chispas de luzes do coração amoroso do Senhor.

A Verdade chegou por meio do zelo, cuidado, amor e muito senso de responsabilidade do Sr. Hippolite Léon Denizard Rivail que, sob o impacto da luz e do amor de Jesus abstraiu-se de si mesmo, livrando-se daquela sua personalidade de mestre lionês para, então, se converter no humilde servidor, denominado Allan Kardec.

O Livro dos Espíritos foi forjado, assim, nas oficinas divinas e continua representando o legado espiritual do Cristo para Humanidade.


Cairbar Schutel

Mensagem psicográfica recebida no dia 16.04.15, na FEB por Marta Antunes de Moura
Fonte: site "Fórum Espírita"

Dias de Sombra - Joanna de Ângelis

 (By Jeremi Holmes)

DIAS DE SOMBRA


Coincidentemente, há dias que se caracterizam pela sucessão de ocorrências desagradáveis. Nada parece dar certo. Todas as atividades se confundem e os fatos se apresentam deprimentes, perturbadores.

A cada nova tentativa de ação, outros insucessos ocorrem, como se os fenômenos naturais transcorressem de forma contrária. Nessas ocasiões as contrariedades aumentam e o pessimismo se instala nas mentes e nas emoções, levando-as a lembranças negativas com presságios deprimentes.

Quem lhe padece a injunção tende ao desânimo e refugia-se em padrões psicológicos de auto-aflição, de infelicidade, de desprezo por si mesmo. Sente-se sitiado por forças descomunais, contra as quais não pode lutar, deixando-se arrastar pelas correntes contrárias, envenenando-se com o mau humor. São esses, dias de provas, e não para desencanto; de desafio, e não para a cessação do esforço.

Quando recrudescem as dificuldades, maior deve ser o investimento de energias, e mais cuidadosa a aplicação do valor moral na batalha. Desistindo-se sem lutar, mais rápido se dá o fracasso, e quando se vai ao enfrentamento com ideias de perda, parte do labor já está perdido.

Nesses dias sombrios, que acontecem periodicamente, e às vezes se tornam contínuos, vigia mais e reflexiona com cuidado. Um insucesso é normal, ou mesmo mais de um, num campo de variadas atividades.

Todavia, a intérmina sucessão deles pode ter gênese em fatores espirituais perniciosos, cujas personagens se interessam em prejudicar-te, abrindo espaços mentais e emocionais para intercâmbio nefasto contigo, de caráter obsessivo.

Quanto mais te irritares e te entregares à depressão, mais forte se te fará o cerco e mais ocorrências infelizes tomarão forma. Não te debatas até a exaustão, nadando contra a correnteza.

Vence-lhe o fluxo, contornando a direção das águas velozes.

Há mentes espirituais maldosas, que te acompanham, interessadas no teu fracasso. Reage-lhes à insídia mediante a oração, o pensamento otimista, a irrestrita confiança em Deus.

Rompe o moto-contínuo dos desacertos, mudando de paisagem mental, de forma que não vitalizes o agente perturbador.

Ouve uma música enriquecedora, que te leve a reminiscências agradáveis ou a planificações animadoras.

Lê uma página edificante do Evangelho ou de outra Obra de conteúdo nobre, a fim de te renovares emocionalmente.

Afasta-te do bulício e repousa; contempla uma região que te arranque do estado desanimador.

Pensa no teu futuro ditoso, que te aguarda. Eleva-te a Deus com unção e romperás as cadeias da aflição.

Há sempre Sol brilhando além das nuvens sombrias, e, quando ele é colocado no mundo íntimo, nenhuma ameaça de trevas consegue apagar-lhe, ou sequer diminuir-lhe a intensidade da luz.

Segue-lhe a claridade e vence o teu dia de insucessos, confiante e tranqüilo.


Joanna de Ângelis
Recebido espiritualmente por Divaldo Pereira Franco
Texto extraído do livro "Momentos de Saúde"
Editora Liv. Espírita Alvorada

08 maio 2015

Divórcio e Lar - Emmanuel


DIVÓRCIO E LAR

Indubitavelmente o divórcio é compreensível e humano, sempre que o casal se encontre à beira da loucura ou da delinqüência.

Quando alguém se aproxima, reconhecidamente, da segregação no cárcere ou no sanatório especializado em terapias da mente, através de irreflexões com que assinala a própria insegurança, é imperioso se lhe estenda recurso adequado ao reequilíbrio.

Feita a ressalva, e atentos que devemos estar aos princípios de causa e efeito que nos orientam nas engrenagens da vida, é razoável se peça aos cônjuges o máximo esforço para que não venham a interromper os compromissos a que se confiaram no tempo. Para que se atenda a isso é justo anotar que, muitas vezes, o matrimônio, à feição de organismo vivo e atuante, adoece por desídia de uma das partes.

Dois seres, em se unindo no casamento, não estão unicamente chamados ao rendimento possível da família humana e ao progresso das boas obras a que se dediquem, mas também e principalmente - e muito principalmente - ao amparo mútuo.

v Considerado o problema na formulação exata, que dizer do homem que, a pretexto de negócio e administração, lutas e questões de natureza superficial, deixasse a mulher sem o apoio afetivo em que se comprometeu com ela ao buscá-la, a fim de que lhe compartilhasse a existência?.

E que pensar da mulher que, sob a desculpa de obrigações religiosas e encargos sociais, votos de amparo a causas públicas e contrariedades da parentela, recusasse o apoio sentimental que deve ao companheiro, desde que se decidiu a partilhar-lhe o caminho?.

Dois corações que se entregam um ao outro, desde que se fundem nas mesmas promessas e realizações recíprocas, passam a responder, de maneira profunda, aos impositivos de causa e efeito, dos quais não podem efetivamente escapar.

Todos sabemos que no equilíbrio emocional, entre os parceiros que se responsabilizam pela organização doméstica, depende invariavelmente a felicidade caseira.

Por isso mesmo, no diálogo a que somos habitualmente impelidos, no intercâmbio com os amigos encarnados na Terra, acerca do relacionamento de que carecemos na sustentação da tranqüilidade de uns para com os outros, divórcio e lar constituem temas que não nos será lícito esquecer.

*

Se te encontras nas ondas pesadas da desarmonia conjugal, evoluindo para o divórcio ou qualquer outra espécie de separação, não menosprezes buscar alguma ilha de silêncio a fim de pensar.

Considera as próprias atitudes e, através de criterioso auto-exame, indague por teu próprio comportamento na área afetiva em que te comprometeste, na garantia da paz e da segurança emotiva da companheira ou do companheiro que elegeste para a jornada humana. E talvez descubras que a causa das perturbações existentes reside em ti mesmo. Feito isso, se trazes a consciência vinculada ao dever, acabarás doando ao coração que espera por teu apoio, a fim de trabalhar e ser feliz, a quota de assistência que se lhe faz naturalmente devida em matéria de alegria e tranqüilidade, amor e compreensão.

Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier
 

07 maio 2015

Responsabilidade Penal – Uma reflexão espírita - Milton R. Medran Moreira



RESPONSABILIDADE PENAL


“Redução da maioridade penal ataca efeitos e não a causa.”
(Tadeu Alencar – Deputado Federal, membro da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara Federal.)

O incremento da violência no Brasil provoca, uma vez mais, debate em torno da redução da maioridade penal, constitucionalmente fixada em 18 anos.

Reconhecem-se algumas verdades a fundamentarem os argumentos dos defensores da ideia.

A primeira delas: as estatísticas atestam a crescente escalada de violência entre adolescentes, na faixa dos 15, 16 e 17 anos.

A segunda, e particularmente relevante para quem, como nós, espíritas, defende a condição evolutiva humana: cada vez mais cedo a criança atinge condições biopsicológicas de entender o caráter delituoso de fatos definidos como crime.

A tradição cristã admite, de há muito, que a criança aos sete anos alcança a “idade da razão” e, teologicamente, já se lhe pode imputar o cometimento do pecado, até dos chamados “mortais”, passíveis de punição eterna.

Um modelo, diga-se de passagem, anacrônico e nada compatível com o espiritualismo humanista e minimamente racional.

De qualquer sorte, sustentam os defensores da redução da maioridade penal que um jovem na faixa de 16 anos, aliás, hoje muito bem informado, graças ao avanço das comunicações, e a quem já se faculta, inclusive, participar, pelo voto, dos destinos da nação, deveria, necessariamente, ser responsabilizado pela prática de delitos, muitas vezes de enorme gravidade.

Estão equivocados. A responsabilização existe. O Brasil dispõe de uma legislação modelar prescrevendo a menores inimputáveis medidas socioeducativas que vão da mera advertência, para infrações de baixo potencial danoso, até a supressão da liberdade, retirando-se o menor do convívio social para submetê-lo, teoricamente, a rigorosos processos educativos em estabelecimentos especializados.

O espírito da lei, observe-se, para o menor de 18 anos, não é de punição, mas de reabilitação.

Em perfeita consonância, aliás, com preceito expresso na questão 796 de O Livro dos Espíritos, onde se deplora a existência de leis que “mais se destinam a punir o mal depois de feito do que de lhe secar a fonte”, acrescentando: “só a educação poderá reformar os homens que então não precisarão mais de leis tão rigorosas”.

Mostra-se correta, pois, a posição de alguns parlamentares brasileiros que se opõem à redução da maioridade penal, sob o argumento de que isto apenas atacaria os efeitos, quando, o que a lei deve buscar é reduzir a prática do crime.

É equivocada a ideia de que a criminalidade infanto juvenil decorra da lei ou da falta dela.

O fenômeno, antes, é fruto das graves distorções educativas de nossa sociedade.

Famílias desestruturadas, ausência de valores éticos motivadores do agir pessoal, exemplos danosos partindo de autoridades públicas, descaso com o ensino e a educação no lar e na escola contribuem, sabidamente, para uma cultura criminógena.

Na quadra da vida em que o Espírito encarnado é mais suscetível à aquisição de hábitos a nortearem sua vida, tais distorções muito provavelmente o impelirão a rumos nefastos para si e para os que o rodeiam.

Não será aplicando-lhes as mesmas sanções de pessoas adultas e, muito menos, fazendo-os cumprir suas penas junto a experientes e empedernidos criminosos que se irá resolver o grave problema da criminalidade de jovens de 16 a 18 anos.

Há, sim, que se aprimorar o sistema, dotando os meios hoje existentes - tão precários, ainda -, de efetivos recursos materiais e humanos, voltados à sua educação e recuperação.

Sempre é tempo para isso, especialmente a partir da premissa de que Espírito algum é irrecuperável.

Milton R. Medran Moreira, advogado e jornalista, é presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.
Fonte: Revista "O Consolador"

06 maio 2015

Planejamento Reencarnatório - Antonio Moris Cury

 

PLANEJAMENTO REENCARNATÓRIO


No intervalo compreendido entre as reencarnações (reencarnação = entrar de novo na carne, isto é, em novo corpo físico), em geral, o Espírito imortal, no exercício de seu livre-arbítrio, escolhe o gênero de provas por que há de passar em sua próxima experiência e, com isso, assume desde logo a responsabilidade por suas decisões e logicamente pelas conseqüências delas decorrentes. Sendo importante destacar que esta escolha di

z respeito ao gênero das provas propriamente dito, e não às suas particularidades, razão pela qual os Mentores Espirituais, como sempre, recomendam cautela. Toda reencarnação é precedida de planejamento. O Espírito trabalha, pesquisa, estuda e observa para fazer a sua escolha. Tal afirmação às vezes provoca surpresa, por existir quem acredite que, na Terra, integra determinada família por engano. Entretanto, e como facilmente se pode observar, um mínimo de planejamento é necessário até mesmo para o cumprimento de tarefas primárias de nosso dia-a-dia. E quanto ao trabalho (toda ocupação útil é trabalho” – “O Livro dos Espíritos”, questão 675), não deveria nos surpreender a afirmação de sua existência após a desencarnação diante do que disse Jesus, o Cristo, há mais de dois mil anos: O Pai trabalha até hoje, isto é, sempre!

De outra parte, informado do planejamento, há quem não compreenda, por exemplo, a razão de alguém escolher a prova da miséria quando poderia optar pela prova da riqueza, que proporciona facilidades, conforto, bem-estar. No entanto, completada a informação, passa a entender que ambas as provas são difíceis e que a prova da riqueza provavelmente seja mais difícil porque pode torná-lo avaro e egoísta; pode lançá-lo aos vícios.

De certo modo, agimos assim, quando fisicamente adoentados, por exemplo, tomamos o remédio mais desagradável para nos curarmos de pronto.

Está mais do que comprovado que precisamos aprender, crescer, progredir intelectual e moralmente e que não nos encontramos em férias, e muito menos em férias permanentes.

Até atingir a perfeição relativa, o Espírito passa por provas e expiações (“A prova examina, experimentando o grau de preparação do educando” – “A expiação ensina, rigorosa, a lição desperdiçada na inutilidade ou na viciação.” – livro “Dimensões da Verdade”, Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal, cap. “Sob testes e exames”). O ideal é que enfrentemos com fé, resignação e amor, mantendo-nos ativos, trabalhando e estudando sempre, procurando eliminar quanto antes as queixas de nossa vida.

A propósito, como já esclareceu André Luiz, Espírito, no livro Agenda Cristã: “As suas reclamações, ainda mesmo afetivas, jamais acrescentarão nos outros um só grama de simpatia por você.” (psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB, cap. 38).

Na mesma linha, no livro “Para Uso Diário”, o Espírito Joanes aconselha: “Evite a lamentação, uma vez que ela em nada lhe auxiliará. Não diminuirá o peso da sua cruz, nem dispensará as nuvens que estejam toldando, porventura, os seus horizontes.” (psicografia de José Raul Teixeira, Ed. Fráter, cap. 20).

Como se pode observar com muita facilidade, a queixa não soluciona qualquer problema. Logo, se não resolve nem sequer acrescenta nos outros um só grama de simpatia por nós, cabe perguntar: que postura devo adotar? Qual a mais adequada? Qual a que mais nos beneficia?

A reencarnação, repetimos para enfatizar, é sempre precedida de planejamento, de modo que ninguém está solto, só, e muito menos por acaso na Terra, havendo fortíssimas razões para termos renascido neste ou naquele país, nesta ou naquela cidade, nesta ou naquela família, com incontáveis facilidades ou dificuldades, etc., mesmo que agora não saibamos identificá-las e apontá-las.

A reencarnação, como bênção de oportunidade, reflete a Justiça de Deus. Oportunidade de corrigir nossos erros, males e equívocos, ainda que parcialmente, de ajustar e reajustar contas. Oportunidade de crescimento, de evolução, de progresso intelectual e moral. Oportunidade ímpar de dar nova direção à nossa Vida, com o ingresso definitivo na estrada do Bem, praticando-o onde quer que nos encontremos.

Antonio Moris Cury