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16 agosto 2017

“Sim” ou “não”, eis a questão - Jorge Hessen



"SIM OU NÃO", EIS A QUESTÃO


Na Tailândia não se costuma dizer “não”. Isso é evidente até mesmo nas palavras mais simples: "sim" é chai e o mais próximo a "não" que existe em tailandês é mai chai - que pode ser traduzido como "não-sim". Com uma cultura voltada para o coletivo, os tailandeses são ensinados a se preocupar mais com o grupo do que consigo mesmos. É uma sociedade altamente conservadora e tradicional, com uma tradição de que demonstrar prazer e emoção é controlada por normas sociais restritas. “Um tailandês sempre vai dizer ‘sim’ porque a etiqueta social determina que ele o faça." [1]

Do mesmo modo, aqui no ocidente alimentamos o falso conceito que quem é bom nunca diz “não”. Contudo, a negativa salutar jamais perturba. O que despedaça é o tom contundente no qual é vazado o “não”! Proferir o “sim” ou dizer o “não” exige análise reflexiva e não deve nascer de um impulso ou estado de ânimo alterado ou inerte. É evidente que "tanto quanto o ‘sim’ deve ser pronunciado sem incenso bajulatório, o ‘não’ deve ser dito sem aspereza".[2]

Há dois mil anos Jesus nos ensinou: “seja o vosso falar: sim, sim; não, não". [3] Tal princípio está contido em O Sermão do Monte, que constitui a base do código de ética do Evangelho. Sobre isso, adverte-nos Emmanuel: “o sim’ pode ser aprazível em muitas circunstâncias, entretanto o ‘não’, em alguns setores da luta humana, é mais construtivo". [4]

Consentir que os outros decidam por nós é atitude de subserviência; não é humildade e muito menos tolerância e nem brandura. Notemos que a nossa vontade é tão importante quanto a vontade do nosso semelhante. Ora, os nossos anseios, sonhos e emoções têm o mesmo valor dos das outras pessoas. Não admitamos que determinem nossas aspirações, nossas ideias, nossas convicções religiosas, nossas rotinas, nossos modos de ser. Se não agirmos com coragem seremos domados na vontade, e o que é pior, seremos reprimidos nos próprios pensamentos.

Sem ferirmos o próximo, e isso é mais do que óbvio, é imprescindível dizer o “não”. Precisamos ter o traquejo para dizer o “não” sempre que a situação nos convide a fazê-lo. Até porque, é impossível agradarmos as pessoas a todo instante. Cedermos aos desejos e vontades dos outros pode ser a forma mais fácil de relaxarmos o empenho de busca das nossas intransferíveis necessidades de crescimento espiritual. Em certas ocasiões quando dizemos “sim” para os outros, pagamos um preço elevado por isso.

Nem sempre precisamos infligir nossa vontade, contudo não podemos deixar que os outros se imponham sobre nós. Não é ajuizado dizer “sim” quando devemos dizer “não”. Porém, por que às vezes quando temos que impor o “não”, cedemos ao “sim”? Cada vez que contemporizamos com o “sim” quando a situação exige o “não”, estamos nos definhando na autoridade moral, nos desmerecendo; estamos enfim dando mais importância aos outros do que a nós mesmos.

Na presunção de não magoarmos os outros, muitas vezes nos justificamos em demasia, como se estivéssemos rogando perdão por não podermos acorrer. Não carecemos de fazer isso! Não temos nenhuma necessidade de nos explicar em demasia e muito menos pedir desculpas pela nossa opção de negativa.

Ora, se não estamos fazendo nada de censurável ao priorizarmos outros compromissos, não precisamos ficar explicando ou detalhando quais são essas prioridades. Em determinadas circunstâncias, as nossas opções por fazer ou deixar de fazer algo é uma questão de autoconsciência, portando não é da jurisdição de mais ninguém.

Aprendamos a dizer “não”, ou seja, se não desejamos tal ou qual coisa, digamos “não”; se não concordamos com tal ou qual situação, pronunciemos “não’; se não almejamos compartilhar, falar ou adquirir algo, tão-somente digamos “não”.

O bom senso nos sussurra que ao dizer “não” estamos apenas dando uma resposta negativa, e isso não é insulto. Cabe aqui uma dica cristã: que os nossos “nãos” sejam proferidos sem rompantes e nem severidades e ponto final.


Referências bibliográficas:

[1] Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/vert-tra-39450642 acessado em 01/08/2017

[2] XAVIER, Francisco Cândido. Pão Nosso, ditado pelo Espírito Emmanuel, Cap. "O ‘não’ e a luta", RJ: Ed FEB, 1977

[3] Mateus 5, 37

[4] XAVIER, Francisco Cândido. Pão Nosso, ditado pelo Espírito Emmanuel, Cap. "O ‘não’ e a luta", RJ: Ed FEB, 1977


15 agosto 2017

Investimentos para Paz - Joanna de Ângelis

 

INVESTIMENTO PARA A PAZ


És partidário da paz universal e propões que ela mui pronto se estabeleça na Terra.

Compreendes que essa é uma necessidade geral, lamentando ser a tua uma voz de pequena ou quase nenhuma ressonância em empreendimento, de tal magnitude.

Detestas a guerra e invectivas contra a violência que alucina os homens, tornando-os desditosos.

Não obstante, a paz depende de cada indivíduo que a deve lograr em si mesmo, gerando um fenômeno de participação através do seu estão, em relação a quem lhe esteja próximo e possa vir a sofrer-lhe a influência.

A aquisição da harmonia íntima faculta um estado de felicidade que se expressa, alterando para melhor os comportamentos de quantos indivíduos participam da convivência com o homem tranquilo.

A paz é como a luz. Tão logo surge, se irradia benéfica, despertando a atenção.

Dinâmica por excelência, atua através da não-violência, resistindo a quaisquer embates de desconcerto exterior.

Não basta, porém, para adquiri-la, desenvolver teses ou discutir métodos. Ela resulta de um pleno entendimento dos valores e finalidades da existência, da predominância do bem sobre as imposições do mal, ensejando satisfação íntima e confiança irrestrita em Deus.

-o-o-

Quem ama a paz, não se opõe, apenas, à guerra. Vive em harmonia com a vida.

Quem cultiva a paz, não toma a defensiva. Irradia a confiança.

Quem vive em paz, não a impõe às demais pessoas Transmite-a em silêncio e ações positivas.

Quem confia na paz, não se precipita. Confia e aguarda com dignidade que ela se estabeleça em volta dos próprios passos.

-o-o-

Demonstrando a tua paz, no momento dos desafios, ela será absorvida por outras pessoas e modificará, inclusive, as circunstâncias em que ocorrem os problemas, como alterará a estrutura das dificuldades.

O homem de paz nunca teme. É integro e confiante, porque sabe que somente lhe acontece o que pode contribuir para a sua real felicidade, dele dependendo como canalizar para esse fim as ocorrências que outros consideram desditosas.

Não se irrita, nunca recua, nem se precipita.

Conhece o caminho a percorrer e segue-o com segurança, com calma.

Não censura, nem estimula paixões.

Valoriza cada pessoa, no seu devido lugar, respeitando-a como criatura em processo de crescimento espiritual e moral.

Ama sempre, em razão de conhecer o poder incontrolável desse sentimento.

Sacrifica-se mas não sacrifica.

Justifica os outros, evitando justificar-se.

É feliz sem exibição.

-o-o-

Tenta começar o teu programa de paz interior, auxiliando a paz no mundo.

Podes e deves fazê-lo.

Se os hábitos interiores te dificultarem a empresa, recorre à oração e à meditação, que constituem elementos fundamentais para lográ-la, a princípio em pequenos espaços de tempo, até que, por fim, te domine completamente.


Pelo Espírito Joanna de Ângelis 
De “Luz da Esperança”, de Divaldo Pereira Franco
 

14 agosto 2017

A Obra de André Luiz e a Física Quântica - Carlos A. Baccelli

 

A OBRA DE ANDRÉ LUIZ E A FÍSICA QUÂNTICA


A obra de André Luiz, através de Chico Xavier, em complemento à Codificação Kardeciana, em vários aspectos, gradativamente, vem mostrando quanto se antecipa às modernas conquistas da Ciência, mormente no campo da Física Quântica.

A partir de “Nosso Lar”, em 1943, a nossa concepção de Mundo Espiritual se amplia, consideravelmente, com a revelação da existência de diversas “Esferas Espirituais” que o constituem. Há, inclusive, um estudo muito interessante a respeito, num dos livros editados pela FEB, intitulado “As Sete Esferas da Terra”, de Mário Frigéri, todo ele calcado em André Luiz. Aliás, a referida publicação, em grande parte, se baseia ainda em “Cidade no Além”, publicado pelo IDE, de Araras, através dos médiuns Chico Xavier e Heigorina Cunha, pelos espíritos André Luiz e Lucius, este último, segundo informação de Chico Xavier, pseudônimo de Camille Flammarion.

O que Allan Kardec, genericamente, denomina de Mundo Espiritual, e André Luiz de “Esferas Espirituais”, a Física Quântica vem chamando de “Hiperespaço”. Em “Os Mensageiros”, cap. 15, encontramos na palavra de Aniceto:

“Há, porém, André, outros mundos sutis, dentro dos mundos grosseiros, maravilhosas esferas que se interpenetram. O olho humano sofre variadas limitações e todas as lentes físicas reunidas não conseguiriam surpreender o campo da alma, que exige o desenvolvimento das faculdades espirituais para tornar-se perceptível. A eletricidade e o magnetismo são duas correntes poderosas que começam a descortinar aos nossos irmãos encarnados alguma coisa dos infinitos potenciais do Invisível, mas ainda é cedo para cogitarmos do êxito completo.”

Nas considerações constantes do livro “Cidade no Além”, no cap. IV, “Localização de ‘Nosso Lar’ – Esferas Espirituais”, nos deparamos com preciosa elucidação: “O TRÂNSITO ENTRE AS ESFERAS SE FAZ POR MANEIRAS DIVERSAS. POR ‘ESTRADAS DE LUZ’, REFERIDAS PELOS ESPÍRITOS COMO CAMINHOS ESPECIAIS, DESTINADOS A TRANSPORTE MAIS IMPORTANTE. ATRAVÉS DOS CHAMADOS ‘CAMPOS DE SAÍDA’ QUE SÃO PONTOS NOS QUAIS AS DUAS ESFERAS PRÓXIMAS SE TOCAM. PELAS ÁGUAS, DE SE SUPOR AS QUE CIRCUNDAM OS CONTINENTES” (OCEANOS).

Vejamos agora o que transcrevemos da obra intitulada “Hiperespaço”, de Michio Kaku, professor de Física Teórica no City College da Universidade de Nova York. Graduou-se em Harvard e recebeu o título de doutor em Berkeley:

“NOSSO UNIVERSO, PORTANTO, NÃO ESTARIA SOZINHO, MAS SERIA UM DE MUITOS MUNDOS PARALELOS POSSÍVEIS. SERES INTELIGENTES PODERIAM HABITAR ALGUNS DESSES PLANETAS, IGNORANDO POR COMPLETO A EXISTÊNCIA DE OUTROS.”

“(...) NORMALMENTE, A VIDA EM CADA UM DESSES PLANOS PARALELOS PROSSEGUE INDEPENDENTEMENTE DO QUE SE PASSA NOS OUTROS. EM RARAS OCASIÕES, NO ENTANTO, OS PLANOS PODEM SE CRUZAR E, POR UM BREVE MOMENTO, RASGAR O PRÓPRIO TECIDO DO ESPAÇO, O QUE ABRE UM BURACO – OU PASSAGEM – ENTRE ESSES DOIS UNIVERSOS. (...) ESSAS PASSAGENS TORNAM POSSÍVEL A VIAGEM ENTRE ESSES MUNDOS, COMO UMA PONTE CÓSMICA QUE LIGASSE DOIS UNIVERSOS DIFERENTES OU DOIS PONTOS DO MESMO UNIVERSO”.

No livro “Voltei”, de Irmão Jacob, igualmente psicografado por Chico Xavier (obra de leitura obrigatória para os espíritas!), no capítulo “Incidente em Viagem”, há interessante narrativa que Mário Frigéri sintetiza em “As Sete Esferas da Terra”:

“Havia uma ponte luminosa assinalando a passagem das regiões de treva para as de luz. Um desencarnado do grupo que volitava sob a supervisão e sustentação fluídica de Bezerra de Menezes e do Irmão Andrade, se desequilibrou ante a visão magnífica da nova região e, recordando seus antigos deslizes na carne, passou a gritar:

— Não! não! não posso! eu matei na Terra! Não mereço a luz divina! sou um assassino, um assassino!
Quando seus brados ressoaram lúgubres pelas quebradas sombrias abaixo, outras vozes, parecendo provir de maltas de feras ao pé da ponte, esbravejaram, horríveis:

— Vigiemos a ponte! Assassinos não passam, não passam!”
Corroborando este rápido estudo, atentemos para a palavra l
úcida de Emmanuel, em carta dirigida a César Burnier, em 2 de abril de 1938, recentemente inserida na obra “Um Amor – Muitas Vidas”, de Jorge Damas Martins, da Editora “Lachâtre”: “Não podereis compreender, de pronto, o nosso esforço. Tendes de reconhecer, primeiramente, que o Além não é uma região, e sim um estado imperceptível para a vossa potencialidade sensorial. E entendereis que igualmente nós somos ainda relativos, sem nenhum característico absoluto, irmãos de vossa posição espiritual, em caminho para as outras realizações e conquistas, como vós outros”. (grifamos)

Em suma, a vasta obra que Emmanuel e André Luiz realizaram através de Chico Xavier, em complemento ao Pentateuco, estão a requisitar de nós, espíritas, uma releitura, à luz das modernas conquistas da Ciência, para que possamos mais bem assimilar as inúmeras informações que contêm, muitas vezes em textos que necessitam ser cotejados entre si, à espera de que disponhamos de maturidade espiritual a fim de compreendê-los em sua profundidade reveladora.

Porque permanecem na superfície da palavra, sem visão mais ampla desta ou daquela abordagem, muitos não conseguem atinar com o caráter progressivo da Doutrina, opondo-se, de maneira sistemática, ao que, por outros autores, encarnados ou desencarnados, lhes soa como novidade ou mesmo contrário aos princípios básicos da Terceira Revelação. 

Carlos A. Baccelli

13 agosto 2017

É só querer! - Orson Peter Carrara



É SÓ QUERER!


O exercício da vontade é o agente impulsionador na alteração das circunstâncias e fatos. É preciso ter vontade, querer, modificar estados emocionais depressivos para que todo o panorama interior e exterior comece apresentar os efeitos desse esforço. É comum que nos fechemos em pontos de vista sombrios, fixados no desânimo, na tristeza, no desprezo ou indiferença, na desconfiança ou no descrédito da própria capacidade em vencer obstáculos.

O simples fato de acreditar-se incapaz já é fator determinante de fracasso. A primeira postura é, pois, de confiança em si mesmo.

Acreditar, confiar, pensar de maneira positiva, por sua vez, igualmente é fator determinante para que se alterem as circunstâncias.

O fato de confiar e querer altera nossa maneira de pensar, de ver e analisar os fatos. E isso facilita o andamento melhor dos acontecimentos e a superação dos obstáculos.

Portanto, é só querer. Com um detalhe: é preciso saber querer. Afinal, esse querer tem que ser compatível com o tempo, o bom senso e a lógica. É comum que exageremos nas opiniões; é comum que nos deixemos vencer pela ansiedade, pelo medo ou pela precipitação... Até que uma certa dose de ansiedade e medo são salutares, defendendo-nos. Mas, existem comportamentos ansiosos que são extremamente danosos à serenidade que se busca.

Timidez, medo, complexo de inferioridade ou superioridade, insegurança chegam até a ser comportamentos normais, face à nossa condição humana. Tudo que é novo ou traz mudanças causa isso. O segredo está, porém, na administração da situação para superação desses desafios.

Aceitar-se a si mesmo, amar – principalmente a si mesmo igualmente –, ponderar com critério as situações, analisar com calma, saber esperar, refletir, são as atitudes recomendáveis. Todos somos capazes e detemos potencialidades imensas, interiormente. Mas é preciso querer. Sim, querer desenvolver-se, querer aprender, querer libertar-se do medo, das dependências...

E, ao mesmo tempo, procurar tirar de cada acontecimento, de cada obstáculo, de cada adversidade ou contrariedade, uma lição. Pois sempre há lições.

Por outro lado, renunciar à inveja, esquecer o ciúme. Eles são verdadeiros bloqueadores psicológicos de nossa intensa capacidade.

Fácil? Não, não é fácil. É, todavia, um exercício. Que vai exigir perseverança, determinação, mas cujos resultados trarão equilíbrio e paz interior.

Portanto, se você está triste, cansado, deprimido, analise a situação, busque as razões. Entreviste-se com perguntas claras e respostas honestas. Se está achando que tudo na vida lhe dá errado, reflita com mais atenção e descobrirá muitas vezes as causas na ansiedade, na precipitação, ou até mesmo em sentimentos que são simplesmente dispensáveis e muitas vezes inúteis. Já será meio caminho para recuperar-se.

Se você está bem, espalhe sua alegria, contagie o ambiente com o otimismo e estenda suas mãos para aqueles estão vivendo momentos de dificuldades. Com isso estaremos melhorando o ambiente do planeta...

Espalhar alegria e esperança e melhorar nosso ambiente familiar ou profissional também é só querer...


Orson Peter Carrara


12 agosto 2017

Quando Divaldo Franco desencarnar - Morel Felipe Wilkon

 
 QUANDO DIVALDO FRANCO DESENCARNAR

Divaldo Pereira Franco é um dos maiores nomes do Espiritismo – e o maior espírita em atividade.

Divaldo é o responsável por uma obra considerável: muitos livros, muitas palestras e conferências e uma obra assistencial de vulto.

Nós sabemos que o Divaldo não é mais um menino e que, como todos nós, vai morrer.

Antes que você me corrija, eu estou falando em morrer, mesmo; não em desencarnar. Eu espero que quando chegar a hora do Divaldo, ele morra – que a personagem construída por ele morra.

Eu explico.

A tendência para quase todos nós, espíritos apegados à matéria, quando o corpo físico morre, é nós desencarnarmos, ou seja, nos desligarmos da carne, mas permanecermos assumindo a mesma personalidade que construímos em nossa última reencarnação.

É isso que nós vemos nas mensagens dos espíritos – eles se apresentam, na maioria das vezes, com o nome, a aparência física e as mesmas características que tinham enquanto estavam encarnados.

Eu acredito que Chico Xavier tenha seguido o seu caminho e se desligado dos problemas mundanos. Chico avisou que a sua existência ele estava doando ao próximo, mas que a sua morte, ou seja, a sua vida depois da morte pertencia a ele. Por isso eu não acredito em nenhuma mensagem atribuída a Chico Xavier – nem em sinalzinho, senhazinha, três palavrinhas que iriam identificar supostas comunicações de Chico Xavier. Nada disso.


Nós temos o curioso exemplo de Bezerra de Menezes, falecido há mais de cem anos e que continua, segundo alguns, a atuar no Movimento Espírita. Isso, para mim, tem cheiro de apego ao poder.
Espero que isso não aconteça com o Divaldo. Que o Divaldo dê por encerrada a sua missão aqui e siga o seu caminho.

Mas o meu temor não é a respeito do que o Divaldo possa fazer ou deixar de fazer. O problema é o que os espíritas vão fazer com ele!
Eu espero e peço a Deus que o Divaldo não tenha nenhum Geraldinho.

Eu não tenho nada contra o Geraldo, pelo contrário, mas nós não precisamos de ninguém para contar “causos do Divaldo” – já chega os causos do Chico!

Eu sei que eu posso parecer antipático e até insensível ao me referir dessa forma aos casos contados sobre a vida de Chico Xavier.

Mas, pelo amor de Deus, isso não é assunto para ser tratado em centro espírita, isso não é assunto relevante para a Doutrina, isso não tem nada a ver com o propósito da Doutrina!

Estamos transformando Chico Xavier num mito, numa figura acima do bem e do mal, sem erros, sem falhas – tem gente aqui, no meu canal no Youtube, que diz que o Chico era infalível!

Veja a que ponto nós chegamos!

Recebemos de Kardec uma Doutrina que nos possibilitava a investigação de fenômenos, a busca pela verdade, a ampliação do nosso alcance mental – e vamos repassar para as novas gerações uma religião cheia de personalismos, dogmas e crenças limitadoras!
Quando atribuímos poderes extraordinários a uma pessoa, nós estamos abrindo mão da nossa capacidade de desenvolver grandes poderes.

Quando o Divaldo desencarnar não sobrará nenhum grande nome popular no Movimento Espírita. Quando o Chico desencarnou ficou o Divaldo. Quando o Divaldo for não terá mais ninguém para ocupar o vazio no Espiritismo popular. O caminho vai estar livre para mais um mito!

A FEB vem envidando todos os esforços para fazer do Haroldo Dutra Dias o seu garoto-propaganda. E não podemos esperar nada de diferente do Haroldo – se depender dele, Chico e Divaldo serão consolidados como mitos no imaginário popular espírita. Isso é profundamente lamentável!

– Qual é o problema de transformar um homem num mito?

São vários problemas.

Em primeiro lugar, nós temos a tendência de evitar a fadiga. Se nós não somos impelidos ao esclarecimento, nossa tendência é permanecer estagnados esperando consolo para as nossas dores. E a transformação de homens em mitos, como é o caso do Chico, com a proliferação de “causos do Chico”, não ajuda em nada no nosso processo de esclarecimento – pelo contrário: é uma distração momentânea que nos prende à zona de conforto; temos a impressão de que estamos tratando de uma outra espécie, de um ser superior, que de nada adiantam nossos esforços porque jamais seríamos capazes de fazer o que eles fizeram.

Em segundo lugar, quando nós tomamos pessoas como modelo, nós abraçamos erros e acertos dessas pessoas. Chico teve muitos acertos. Muito mais acertos do que erros. Mas também teve erros, e erros graves. Divaldo tem muito acertos. Muito mais acertos do que erros. Mas também comete erros, e esses erros não devem ser copiados.

Chico e do Divaldo devem ser respeitados e admirados como homens esforçados e trabalhadores incansáveis a serviço do bem – mas longe de serem infalíveis.

Quando Divaldo desencarnar o Movimento Espírita vai ficar órfão. O Movimento Espírita é um movimento religioso igrejista, e não foi preparado para sobreviver sem um grande líder.

Ou nós voltamos a pensar com as nossas próprias cabeças, questionando, buscando respostas e acima de tudo experimentando – ou estaremos condenados a ser mais uma seita cristã: a mais esdrúxula das seitas cristãs, que não acredita só na Bíblia cegamente, mas que acredita cegamente em mais ou menos uns mil livros espíritas.

O Espiritismo que nós conhecemos, que a minha geração conheceu, é um Espiritismo religioso. Nada contra, mas se isso teve razão de ser, já não tem mais razão de ser. Vou pegar o exemplo do Haroldo de novo, já que ele é o garoto-propaganda da FEB. Fazer palestra de apelo emocional contando causos baseados no Evangelho – isso não é Espiritismo – isso o Marcos Feliciano faz melhor que o Haroldo. Isso o Caio Fábio fazia melhor que o Haroldo. Não precisamos de contadores de causos, mesmo que esses causos sejam baseados no Evangelho, mesmo que esses causos tenham uma “moral da história”. Moral da história tem até nos filmes da Barbie que eu assisto com a minha filha Sofia.

Eu espero e peço a Deus que quando o Divaldo morrer aja um retorno às origens do Espiritismo. Vamos rever Kardec, vamos ver o que nos serve e o que não nos serve da obra de Kardec, vamos discutir os erros de Kardec, e vamos trazer a Doutrina para a realidade de hoje. A Doutrina precisa ser arejada. Muitas coisas novas foram descobertas, nós temos muito mais informações do que Kardec tinha no seu tempo.

– Você sabia que eu sei mais do que Kardec?

Sim, é isso mesmo que você ouviu: Eu sei mais do que Kardec!

Agora os fãs do Divaldo vão à loucura! Já não bastava colocar em dúvida os santos Chico e Divaldo, agora ele está dizendo que sabe mais do que Kardec. É a prova que faltava de que ele está obsediado!

Não estou, não!

Eu devo repetir mais uma vez que eu tenho um enorme respeito pelo Chico e pelo Divaldo. Tanto respeito que eu quero que eles sejam lembrados exatamente como foram.

E quanto a saber mais do que Kardec, isso é apenas uma constatação óbvia.

Kardec esteve envolvido com o Espiritismo durante uns 14 anos. Não sabia nada quando começou. Não teve quase ninguém com quem aprender. Não teve tempo de revisar sua obra. Não teve outras obras sólidas para consultar.

Eu estudo o Espiritismo há mais de 20 anos. Quando eu comecei meus estudos eu já tinha noções de Espiritismo porque as noções de Espiritismo estão espalhadas pelo Brasil. Eu tive grandes mestres com quem aprender, inclusive e em primeiro lugar o próprio Kardec. Eu tenho tempo de revisar a obra de Kardec e outras obras espíritas, analisando-as internamente e em comparação umas com as outras. Eu tenho virtualmente todo o conhecimento da Doutrina disponível para mim na internet.

Qualquer pessoa com razoável conhecimento do Espiritismo sabe tanto ou mais que Kardec. Não é nenhuma afronta dizer isso. Qualquer estudante de física sabe mais do que Newton, qualquer fabricante de lâmpadas sabe mais sobre lâmpadas do que Thomas Edison, que faz mais de mil experimentos até chegar à lâmpada incandescente.

Nós sabemos mais porque nos aproveitamos das experiências dos que nos antecederam e das nossas próprias experiências. Por isso nós temos o dever de ir adiante. Reduzir o Espiritismo a um movimento igrejista é um desrespeito com o trabalho de Kardec.

– Você ficou contrariado por eu ter me referido à morte do Divaldo?

Pois não devia. Ele mesmo já se referiu algumas vezes ao seu futuro desencarne. E não há nada mais natural na vida do que a morte. Nós não passamos tanto tempo lendo sobre a morte?

Antes que fique a dúvida: eu não considero, de jeito nenhum, que o Espiritismo se resuma a Kardec. Quando eu proponho voltar a Kardec eu quero dizer que temos que retomar o ponto de partida e buscar um novo rumo. Construímos muitas crenças – temos que nos livrar disso.

 Morel Felipe Wilkon

11 agosto 2017

Nas sendas do mundo - Emmanuel



NAS SENDAS DO MUNDO


Deus, que nos auxilia sempre, permite-nos possuir para que aprendamos também a auxiliar.

Habitualmente, atraímos a riqueza e supomos detê-la para sempre, adornando-nos com as facilidades que o ouro proporciona... Um dia, porém, nas fronteiras da morte, somos despojados de todas as posses exteriores, e, se algo nos fica, será simplesmente a plantação das migalhas de amor que houvermos distribuído, creditadas em nosso nome pela alegria, ainda mesmo precária e momentânea, daqueles que nos fizeram a bondade de recebê-las.

Via de regra, amontoamos títulos de poder e investimo-nos deles, enfeitando-nos com as vantagens que a influência prodigaliza... Um dia, porém, nas fronteiras da morte, somos despojados de todas as primazias de convenção, e, se algo nos fica, será simplesmente o saldo dos pequenos favores que houvermos articulado, mantidos em nosso nome pelo alívio, ainda mesmo insignificante e despercebido, daqueles que nos fizeram a gentileza de aceitar-nos os impulsos fraternos.

Geralmente repetimos frases santificantes, crendo-as definitivamente incorporadas ao nosso patrimônio espiritual, ornando-nos com o prestígio que a frase brilhante atribui... Um dia, porém, nas fronteiras da morte, somos despojados de todas as ilusões, e, se algo nos fica, será simplesmente a estreita coleção dos benefícios que houvermos feito, assinalados em nosso nome pelo conforto, ainda mesmo ligeiro e desconhecido, daqueles que nos deram oportunidade e singelos ensaios de elevação.

Serve onde estiveres e como puderes, nos moldes da consciência tranquila.

Caridade não é tão-somente a divina virtude, é também o sistema contábil do Universo, que nos permite a felicidade de auxiliar para sermos auxiliados.

Um dia, nas alfândegas da morte, toda a bagagem daquilo de que não necessitas ser-te-á confiscada; entretanto, as Leis Divinas determinarão recolhas, com avultados juros de alegria, tudo o que deste do que és, do que fazes, do que sabes e do que tens, em socorro dos outros, transfigurando-te as concessões em valores eternos da alma, que te assegurarão amplos recursos aquisitivos no Plano Espiritual.

Não digas, assim, que a propriedade não existe ou que não vale dispor disso ou daquilo Em verdade, devemos a Deus tudo o que temos, mas possuímos o que damos.


Emmanuel (Chico Xavier)

De “ESTUDE E VIVA”, de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, pelos Espíritos de Emmanuel e André Luiz


10 agosto 2017

O suicídio - Divaldo P.Franco



O SUICÍDIO

Com caráter epidêmico, o suicídio alcança índices surpreendentes na estatística dos óbitos terrestres, havendo ultrapassado o número daqueles que desencarnam vitimados pela AIDS.

A Ciência, aliada à tecnologia, tem facultado incontáveis benefícios à criatura humana, mas não conseguiu dar-lhe segurança emocional.

Em alguns casos, a comunicação virtual tem estimulado pessoas portadoras de problemas psicológicos e psiquiátricos a fugirem pela porta abissal do autocídio, como se isso solucionasse a dificuldade momentânea que as aturde.

Por outro lado, sites danosos estimulam o terrível comportamento, especialmente entre os jovens ainda imaturos, que não tiveram oportunidade de experienciar a existência. De um lado, as promessas de felicidade, confundidas com os gozos sensoriais, dão à vida um colorido que não existe e propõem usufruir-se do prazer até a exaustão, como se a Terra fosse uma ilha de fantasia.

Embalados pelos muito bem feitos estimulantes de fuga da realidade, quando as pessoas se dão conta da realidade, frustram-se e amarguram-se, permitindo-se a instalação da revolta ou da depressão, tombando no trágico desar.

Recentemente a mídia apresentou uma nova técnica de autodestruição, no denominado “clube da baleia azul”, no qual os candidatos devem expor a vida em esportes radicais ou situações perigosíssimas, a fim de demonstrarem força e valor, culminando no suicídio. Se, por acaso, na experiência tormentosa há um momento de lucidez e o indivíduo resolve parar é ameaçado pela quadrilha de ter a vida exterminada ou algum membro da sua família pagará pela sua desistência.

O uso exagerado de drogas alucinógenas, a liberdade sexual exaustiva e as desarrazoadas buscas do poder transitório conduzem à contínua insatisfação e angústia, sendo fatores preponderantes para a covarde conduta.

O suicídio é um filho espúrio do materialismo, por demonstrar que o sentido da vida é o gozo e que, após, tudo retorna ao caos do princípio.

É muito lamentável esse trágico fenômeno humano, tendo-se em vista a grandeza da vida em si mesma, as oportunidades excelentes de desenvolvimento do amor e da criação de um mundo cada vez melhor.

Ao observar-se, porém, a indiferença de muitos pais em relação à prole, a ausência de educação condigna e os exemplos de edificação humana, defronta-se, inevitavelmente, com a deplorável situação em que estertora a sociedade.

Todo exemplo deve ser feito para a preservação do significado existencial, trabalhando-se contra a ilusão que domina a sociedade e trabalhando-se pelo fortalecimento dos laços de família, pela solidariedade e pela vivência do amor, que são antídotos eficazes ao cruel inimigo da vida – o suicídio!


N.R.: Transcrição de artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 20 de abril de 2017.

09 agosto 2017

Acatemos a dor física como educadora da alma - Jorge Hessen

 
 ACATEMOS A DOR FÍSICA COMO EDUCADORA DA ALMA


Uma comovente batalha judicial dos pais de um bebê britânico em estado terminal acabou envolvendo até mesmo o Papa Francisco. Trata-se de Charlie Gard que sofre de síndrome de miopatia mitocondrial, uma síndrome genética raríssima e incurável que provoca a perda da força muscular e danos cerebrais. Ele nasceu em agosto de 2016 e, dois meses depois, precisou ser internado, onde permanece desde então, no Hospital Great Ormond Street, em Londres.

O serviço de saúde pública do Reino Unido (NHS) explicou que Charlie tem danos cerebrais irreversíveis, não se move, escuta ou enxerga, além de ter problemas no coração, fígado e rins. Seus pulmões apenas funcionam por aparelhos. O NHS disse que os médicos chegaram a tentar um tratamento experimental trazido dos EUA, mas Charlie não apresentou melhora. Por isso, defende o desligamento dos aparelhos que o mantêm vivo.

Mas seus pais, Chris Gard e Connie Yates - e uma comunidade de apoiadores -, lutam contra a decisão do hospital e pedem permissão para levar o bebê aos Estados Unidos para receber o tratamento experimental diretamente. No dia 27 de junho de 2017, entretanto, eles perderam a última instância do pedido na Justiça britânica, que avaliou que a busca pelo tratamento nos EUA apenas prolongaria o sofrimento do bebê sem oferecer possibilidade de cura.

A Corte Europeia de Direitos Humanos também concluiu que o tratamento "causaria danos significativos a Charlie", seguindo a opinião dos especialistas do hospital, e orientou pelo desligamento dos aparelhos. No dia 02 de julho de 2017, após a decisão da Justiça britânica, o Papa Francisco pediu que os pais de Charlie possam "tratar de seu filho até o fim". O Vaticano disse que o papa estava acompanhando o caso "com carinho e tristeza".

O serviço de saúde pública do Reino Unido (NHS) não propõe a eutanásia, mas a ortotanásia [1]. Os pais de Charlie lutam pela distanásia, ou seja, desejam o prolongamento artificial do processo de tratamento, o que para os juízes e médicos tem trazido sofrimento para Charlie, e nessa situação a medicina não prevê possibilidades de melhoria ou de cura.

No Brasil, médicos revelam que eutanásia é prática habitual em UTI’s, e que apressar, sem dor ou sofrimento, a morte de um doente incurável é ato frequente e muitas vezes pouco discutido nas UTIs dos hospitais brasileiros. [2] Nos Conselhos Regionais de Medicina, a tendência é de aceitação da eutanásia, exceto em casos esparsos de desentendimentos entre familiares, sobre a hora de cessar os tratamentos.

Médicos e especialistas em bioética defendem a ortotanásia, como no caso de Charlie Gard, que é o ato de retirar equipamentos ou medicações, de que se servem para prolongar a vida - Charlie hoje se encontra em estado terminal. Ao retirar esses suportes de vida (equipamentos ou medicações), mantendo apenas a analgesia e tranquilizantes, espera-se que a natureza se encarregue de agenciar a fatalidade biológica (morte).

Charlie está sofrendo com intensidade? Sim, está! Mas toda dor tem a sua serventia. Sob o ponto de vista espírita, aprendemos que a agonia física prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma, e a moléstia incurável pode ser, em verdade, um bem. Nem sempre conhecemos as reflexões que o Espírito pode fazer nas convulsões da dor biológica e os tormentos que lhe podem ser poupados graças a um relâmpago de arrependimento.

Entendamos e acatemos a dor física, como instrutora das almas e, sem vacilações ou indagações descabidas, amparemos quantos lhes experimentam a presença constrangedora e educativa, lembrando sempre que a nós compete, tão-somente, o dever de servir, porquanto a Justiça, em última instância, pertence a Deus, que distribui conosco o alívio e a aflição, a enfermidade, a vida e a morte no momento oportuno.

O verdadeiro cristão porta-se, sempre, em favor da manutenção da vida e com respeito aos desígnios de Deus, buscando não só minorar os sofrimentos do próximo - sem eutanásias passivas, claro! - mas também confiar na justiça e na bondade divina, até porque nos Estatutos de Deus não há espaço para dores injustas.

Notas:

[1] Etimologicamente, a palavra "ortotanásia" significa "morte correta", onde orto = certo e thanatos = morte. A ortotanásia, ou "eutanásia passiva" pode ser definida como o não prolongamento artificial do processo natural de morte, onde o médico, sem provocar diretamente a morte do indivíduo, suspende os tratamentos extraordinários que apenas trariam mais desconforto e sofrimento ao doente, sem melhorias práticas.

[2] Associação de Medicina Intensiva Brasileira nega que a eutanásia seja frequente nas UTIs no Brasil 


Jorge Hessen 


08 agosto 2017

A Importância dos Fenômenos Espíritas - Rita Foelker



A IMPORTÂNCIA DOS FENÔMENOS ESPÍRITAS



Os fenômenos espíritas constituem uma parte importante do estudo e da pesquisa do Espiritismo. Eles representam a possibilidade de comprovação dos princípios da Doutrina.

A reencarnação, por exemplo, é revelada pelas lembranças de vidas passadas e por aqueles talentos da alma que não foram adquiridos na presente encarnação.

A imortalidade e a evolução podem ser melhor observadas e compreendidas através da mediunidade.

A ação dos fluidos está presente na telepatia e nas curas, à distância ou pela imposição de mãos.

Mas Kardec deixa muito claro que, acima de tudo isto, é a filosofia que se depreende do estudo destes fenômenos que deveria nos interessar. Que eles são uma espécie de "porta de entrada" para pesquisas e reflexões mais profundas e conseqüentes.

É natural que muitas pessoas sejam despertadas para o estudo da realidade espiritual pelos fatos que não conseguem explicar, como efeitos físicos, psicografia, vidências, dejà vu, conhecimento de um assunto ou arte sem nenhuma dedicação prévia nesta existência, e tantos outros.

Porém, com o tempo e as reflexões, emergem conceitos e idéias que oferecem as verdadeiras explicações para eles e, também, para muitas outras indagações que os seres humanos de todas as épocas fizeram a si mesmos: quem somos? De onde viemos? Para onde vamos?

Após o compreensível espanto e o deslumbramento do primeiro impacto, aquele que presencia um fenômeno assim, pode ter dois tipos de comportamento. Pode guardar o assunto numa pasta da memória, onde ele ficará à espera de outras situações que o despertem. Ou pode dar um outro passo intelectual: estudar, pesquisar, investigar as verdadeiras causas por trás da realidade visível, que o conduzirão ao conhecimento mais completo de si mesmo e do Universo onde vive.

Rita Foelker
Fonte: Jornal do Cem - Ano VIII
Edição nº.8 - Janeiro de 2005

07 agosto 2017

Existe Destino? - Euripedes Rodrigues dos Reis

 

EXISTE DESTINO?

Lembrei-me daquela história que em uma cidadezinha modesta havia um grande sábio. A ele toda a população recorria em busca de ensinamentos e orientação para a vida. Havia, também,um rapaz que não aceitava a autoridade do sábio e vivia articulando uma forma de desmoralizá-lo perante a opinião pública. Depois de muito pensar imaginou um jeito: prenderia um pássaro em sua mão.Depois perguntaria ao sábio se o pássaro estava morto ou vivo. 

Se o sábio dissesse que ele estava morto, o rapaz soltaria o pássaro; se dissesse que ele está vivo, ele mataria a ave. Assim o sábio não acertaria nunca! E assim fez. Chegou perto do sábio e perguntou: – Mestre o senhor que sabe tudo, responda: este pássaro que está nas minhas mãos está vivo ou está morto? O sábio olhou sereno e fixamente em seus olhos e respondeu: – Meu filho, o destino do pássaro está nas suas mãos.

Nos dicionários está considerado que destino equivale a um potencia superior que parece regular de modo fatal os acontecimentos da vida humana. Fatal nos lembra fatalidade – inevitável Para a Doutrina Espírita não há destino, não há predestinação, não há sorte ou azar. O futuro é construído todos os dias. Já aprendemos que o universo é regido por leis. Leis perfeitas e justas. E todas as vezes que confrontamos essas leis, sofremos inevitáveis conseqüências. Assim a nossa principal meta é aprender essas leis e fazer com que as mesmas operem a nosso favor. 

Aprender e praticar. Não existe portanto uma força superior regulando os acontecimentos da vida humana. Estamos acostumados a burocracia onde pedidos são deferidos ou indeferidos.

A tendência do ser humano é transferir responsabilidades, escudar-se no destino. Eu nasci sem sorte… Deus quer assim… Quando entenderemos que reencarnar é ter a oportunidade p/ crescer ? E Que os fatos que nos acontecem são o reflexo daquilo que escolhemos. A evolução é o fundamento da vida e ocorre pela aquisição de conhecimentos em sentido amplo: técnico, afetivo, emocional, moral, filosófico, científico, religioso. O espírito adquire conhecimentos novos através das experiências, vivências e convivências acumuladas ao longo de sucessivas situações pelas quais passa.

Dentre os conceitos fundamentais que compõe o núcleo do Espiritismo, o livre-arbítrio é o aspecto da lei maior que sustenta a evolução do universo inteligente. Livre-arbítrio é a ação do espírito no limite de seu conhecimento, e responsável na medida de seu entendimento.As influências sobre o livre-arbítrio são em primeiro lugar relativas ao conhecimento alcançado. Quanto maior o domínio sobre um segmento de conhecimento, tanto maior será o entendimento e a responsabilidade sobre as decisões. As decisões tomadas por uma pessoa, no exercício de seu livre-arbítrio, podem alterar, potencializar ou limitar o exercício do livre-arbítrio de outras pessoas.

Se a situação parece de mau agouro, Joanna de Angelis no livro Leis Morais da Vida nos incita a que no lugar de nos revoltarmos, de fugirmos,devemos buscar a sensatez, a prudência, o amadurecimento. Fazer a pergunta fundamental: qual a lição? Se não aprendermos a lição provavelmente teremos que repetir a experiência. Se as ocorrências que classificamos como ruins continuam acontecendo nas nossas vidas isso significa que não aprendemos a lição.Kardec ensina que “ as aflições da vida na Terra são remédios para a alma” Assim podemos concluir: a sua vida também está nas suas mãos. Faça o melhor que puder por ela.


Autoria: Euripedes Rodrigues dos Reis
 

06 agosto 2017

O maior tratado - Orson Peter Carrara



O MAIOR TRATADO

Sim, ele é o maior tratado sobre mediunidade, já publicado. É o segundo livro da Codificação Espírita e surgiu em 1861, quatro anos depois de O Livro dos Espíritos.

Falamos sobre O Livro dos Médiuns, a notável obra da Codificação, que contém os fundamentos doutrinários do Espiritismo sobre essa faculdade humana que nada mais é do que a do intercâmbio entre o plano daqueles que estão encarnados, e portanto utilizando corpos carnais, e os espíritos, aqueles que já deixaram o mundo físico.

A mediunidade não é exclusividade nem invenção do Espiritismo. Trata-se de uma capacidade humana, estudada e orientada pela Doutrina Espírita, pois que lhe constitui um dos pilares de seus fundamentos. A comunicabilidade dos espíritos liga-se à nossa condição de imortalidade e, sendo que todos somos espíritos, o fato de habitarmos outra dimensão não nos separa dos laços de afeto ou desafeto, daí o permanente intercâmbio entre os planos dos encarnados e dos espíritos.

Imagina-se, equivocadamente, que os espíritos são seres envoltos em fumaça ou que aparecem revestindo lençóis esvoaçantes com dois furos no lugar dos olhos. Não! Os Espíritos somos todos nós, filhos de Deus, seres capazes de amar e pensar. Ocorre que utiliza-se a expressão espírito para designar a condição daqueles que virão ao planeta, aliás retornando a ele, ou que dele partiram, mas vivendo intensamente a natural continuidade da vida humana.

Por questão didática, Allan Kardec denominou espíritos os seres desprovidos do corpo carnal e alma para aqueles ligados à existência material. Mas são palavras sinônimas, significando apenas nossa condição de seres individuais e pensantes.

Na página de rosto da obra, encontramos Espiritismo Experimental e o subtítulo de Guia dos Médiuns e dos Evocadores, além do acréscimo indicativo do conteúdo da obra: o ensinamento especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo, em continuação de O Livro dos Espíritos.

Composto de duas partes, sendo a primeira com quatro e a segunda com 32 capítulos, além da esclarecedora introdução, a obra é um desdobramento natural do livro II (composto de 11 capítulos e 538 perguntas e que recebeu o título Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos de O Livro dos Espíritos), justamente ampliando o importante tema da mediunidade, essa capacidade humana que se apresenta em graus distintos, que não é doença, nem privilégio, mas compromisso de trabalho com o próprio aprimoramento e com o progresso da humanidade.

É obra para orientar e disciplinar o uso e prática dessa sensibilidade variável e presente em todo ser humano. Por isso deve ser consultada e estudada continuamente, para evitar-se os excessos do fanatismo, da crença cega e mesmo do misticismo que tantas vezes está presente nas referências aos chamados médiuns.

Foi através dela que surgiu a Codificação Espírita. É através dela que vieram e continuam a vir as instruções, o consolo e o conforto moral que ilumina a vida, através de textos e verbos lúcidos que nos ajudam a compreender a vida, provindos de inteligências lúcidas e moralizadas que trabalham igualmente pelo bem e pelo progresso.

Para entendê-la, todavia, é preciso estudar. Pois que também é usada, quando praticada sem conhecimento, sem discernimento, por mentes invigilantes e descompromissadas com a verdade e com o bem. É quando surge a fraude, o embuste, a exploração. Daí a necessidade de conhecer em profundidade.

É nossa indicação da semana.

Autor: Orson Peter Carrara

05 agosto 2017

Ingratidão dos filhos. Como superar? - Wellington Balbo


 

INGRATIDÃO DOS FILHOS. COMO SUPERAR?


Dia desses recebi email de uma mãe alegando sofrer demais com a ingratidão do filho. Estava ela numa cadeira de rodas, com o pé quebrado, e o rapaz, forte e saudável, recusou-se a ajudá-la. Naturalmente que, como mãe e ser humano que é, ficou chateada a indagar:

Que fiz eu, meu Deus, para merecer filho tão ingrato, que em nada ajuda a mãe, mesmo quando ela necessita?

Santo Agostinho, em O evangelho segundo o espiritismo, dá-nos sábias lições em mensagem intitulada – A ingratidão dos filhos e os laços de família.

Diz-nos o Espírito de Agostinho que Deus não faz provas superiores às nossas forças, e que podemos vencer o complicado desafio da ingratidão dos filhos.

Indica deixarmos de olhar apenas o presente e voltarmos os olhos ao passado para, com a ideia das múltiplas existências, encontrarmos um consolo e forças para prosseguir.

Pois bem, não é tarefa fácil deixar de esperar reconhecimento, ainda mais de alguém tão ligado a nós pelos laços do coração e do sangue, como os filhos.

O próprio Agostinho reconhece como é complicado assuntos pertinentes ao coração. Muito mais difícil enfrentar a ingratidão do que a mesa escassa.

Seria mesmo grande ingenuidade considerar que não brotará um mínimo de decepção no indivíduo que recebe a indiferença, quando não a aversão de alguém tão querido.

Entretanto, vale lembrar que estamos no Planeta Terra, orbe de provas e expiações e, portanto, o impossível é Deus errar. Logo, ingratidão, venha de quem vier é sempre algo possível e até comum de acontecer.

Aliás, eis a vida mostrando isto a todos os instantes.

O grande ponto é aprendermos a lidar com ela, a ingratidão, principalmente dos mais caros a nós.

Ou, melhor, iniciarmos o processo de não esperar nada, absolutamente nada de quem quer que seja.

Como fazer isto?

É um trabalho íntimo que requer muito esforço, porém, é possível realizá-lo.

Evoluir de tal modo que nosso agir seja sempre no bem, independentemente do que outras pessoas irão pensar ou falar, até porque isto não nos diz respeito.

Treinar o desapego do reconhecimento, pois será isto que nos dará a independência do “Obrigado”.

E buscar modificar a visão de caridade.

A caridade que praticamos, o amor que doamos, as provas de renuncia e abnegação, o suor que vertemos em benefício alheio, em realidade ajuda muito mais a nós do que ao outro, pois somos sempre os primeiros beneficiados da caridade praticada.

É como consta em O evangelho segundo o espiritismo, na mensagem de Lázaro denominada – O dever. O dever, em primeiro lugar é para comigo, depois com o outro. Ora, se o dever é para comigo, então vou estender minha mão ao outro, pois será assim que trabalharei pela minha própria evolução.

Quem acende em si a luz da caridade ilumina quem está ao redor e jamais ficará imerso nas trevas.

Portanto, agradecer é dever de quem recebe, mas nem todos cumprem o dever.

Entretanto, não esperar gratidão, reconhecimento ou mesmo um mero obrigado é o antídoto para livrar -se da decepção.

Tornar a prática do bem um hábito, de tal modo que, dia chegará em que agiremos no bem sem perceber, e de forma tão espontânea que agradeceremos quando recebermos e não cobraremos quando beneficiarmos…

Assim, livres de nos sentirmos vítimas da ingratidão alheia, seguiremos nosso caminho sempre fazendo o bem, não por recompensa, mas porque é um hábito que adquirimos com muito treino e vontade de gozar um pouco de liberdade que só o bem nos concede.

Pensemos nisto.


Wellington Balbo


04 agosto 2017

Companheiros de Viagem - Euripedes Rodrigues dos Reis



COMPANHEIROS DE VIAGEM


“Às vezes, imagino a vida como se fosse uma viagem de trem, feita com companheiros que a compartilham em determinados trechos. Quando nasci, entrei no trem em que estavam meus pais. 

Eles já conheciam algumas coisas sobre a viagem e sobre o trem. Certamente parte de seus conhecimentos correspondia à verdade e outra parte não passava de ilusões. No meio da minha viagem nasceram meus filhos. A essa altura eu também já conhecia algumas coisas a respeito da viagem e do trem. Igualmente, parte era verdadeira e parte não.Há pouco tempo meu pai deixou o trem e, com sua partida, a dor mudou a maneira de fazermos a viagem. Mas o trem continuou. Quando juntos, cada um dos companheiros de viagem faz suas descobertas e procura passá-las para os outros, sabendo que a riqueza da luz se amplia quando é compartilhada.”

O trecho acima é o início do livro de Roberto Shinyashiki “Companheiros de Viagem”, e nos faz refletir sobre o papel de cada um de nós nos relacionamentos, nas percepções da vida. Ao longo dos séculos esse tem sido o principal desafio da humanidade. Entender e aprimorar a convivência. E o Mestre dos mestres, Jesus de Nazaré, em inúmeras ocasiões deixou, para nós, ensinamentos consistentes de como, a partir de uma mudança comportamental, sermos agentes construtores e consolidadores de um mundo melhor.

É um processo que exige uma determinação muito grande pois, ao longo do caminho, ao longo da existência, ao longo da viagem iremos nos defrontar com situações e circunstâncias que nos colocam à prova. Por que? Porque nas convivências vamos estar vivenciando e experimentando momentos de conflito. Encontramos criaturas que nos auxiliam. De diversas formas. E precisamos estar atentos para perceber qual o grau e qual a espécie de envolvimento. Formas…situações… circunstâncias Oposições ? Algumas. E isso é ruim? Não totalmente. A oposição nos fortalece. Viver é enfrentar oposições. O próprio sistema muscular o comprova. A criança, após algum tempo de nascida começa a engatinhar. Depois de mais alguns meses ela tenta se levantar e enfrenta a primeira oposição. A oposição da lei da gravidade.

Ela se levanta e cai , atraída pelo sistema gravitacional da Terra. E nesse exercício fortalece sua musculação e acaba por vencer o desafio. Temos um exemplo de como a oposição é altamente salutar.Nossos opositores nos auxiliam a partir do momento em que nossas opiniões e ações são expostas à crítica. Bem mais complicado são aquelas pessoas que com o elogio fácil e vulgar nos aplaudem e nos enaltecem e não são autênticos com relação ao nosso comportamento. É comum ouvirmos: fui traído… fui apunhalado pelas costas. E as pessoas decepcionam-se umas com as outras E Joanna de Ângelis no seu livro “Leis Morais da Vida”, ao abordar a Lei da Sociedade alerta-nos para o cuidado de não sermos portadores do elogio gratuito.

Da mesma maneira, termos uma visão crítica e não nos iludirmos com eventuais aplausos e enaltecimentos para fatos que não se justificam. É lógico e natural que todos precisam de estímulo. Mas entre o estímulo sadio e a palavra enganosa existe uma longa distância. E respeitar, acima de tudo, aquelas pessoas com as quais temos contato.E buscar a amizade sincera. Fazer amigos é uma arte. Sermos companheiros nessa viagem (Cum panere…palavra latina que significa : aquele que reparte o mesmo pão comigo).

Autoria: Euripedes Rodrigues dos Reis