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15 setembro 2020

Pelas trilhas de Jesus - Joanna de Ângelis


PELAS TRILHAS DE JESUS


A medida que se avolumam o desespero e os desvios de conduta entre as criaturas terrestres, aumentando os índices dos crimes hediondos e a terrível avalanche dos caminhantes sem roteiro, a maioria delas vencida pelos desconsertos da emoção e pela perda do sentimento nobre da alegria de viver, as notáveis conquistas da inteligência deste século de tecnologia e de ciência perdem o brilho, por não haverem conseguido tornar o ser humano mais feliz do que os seus antepassados...

As gloriosas aquisições que lhe facultaram uma existência mais longa, assinalada por muitas comodidades e recursos para a fácil locomoção, para as comunicações, para o desaparecimento e a diminuição de várias enfermidades físicas, infelizmente não lhe alteraram as angústias, as dores morais, nem lhes preencheram as necessidades de acompanhamento, de afeto, de autorrealização.

Um grande número de seres humanos movimenta-se como sonâmbulo inconsequente, transitando de um para outro lado, sem se dar conta do que lhe sucede em volta, enquanto outros, desarvorados, atiram-se na correria intérmina pela busca de coisa nenhuma, acumulando haveres sem maior significado pela impossibilidade de armazenar paz interior e enriquecimento espiritual.

O vazio existencial domina as diversas classes sociais, mesmo aquelas ditas privilegiadas pelo poder temporal, pelos haveres amoedados, pelas posições de destaque social e político, empurrando-as para a drogadição, o sexo exaustivo, o alcoolismo, o tabagismo, a agressividade, em que se desgastam e sucumbem.

A perda de objetivos relevantes caracteriza-lhes a fuga para a futilidade e o prazer que não satisfazem as ânsias do coração nem as aspirações profundas do pensamento.

Quanto mais aumenta a população terrestre mais se amplia a área da solidão, impondo grande silêncio aos relacionamentos, em decorrência da desconfiança que assalta, zombeteira as criaturas, armando-as, quase sempre, umas contra as outras, quando se deveriam amar umas às outras.

Os condomínios de luxo multiplicam-se numericamente assinalados pelos mecanismos de proteção aos seus residentes que constroem ilhas de prazer distanciando-se cada vez mais da sociedade em geral, impossibilitados de viverem em paz e em saudável alegria, porque, mesmo nesses seletos paraísos, a maquilagem da ilusão não consegue ocultar a realidade pessoal, mascarando as suas faces sem modificar os seus sentimentos...

Predador, o ser humano parece retornar à caverna em mecanismo defensivo-agressivo, ansiando por afeição e entendimento fraterno..

Dois mil anos de mensagem cristã, incontáveis denominações religiosas, exibições doutrinárias utilizando os mais avançados mecanismos da cibernética e da informática, e pouquíssima religiosidade no comportamento e na ação dos novos crentes! Técnicos em administração de empresas orientam núcleos de fé religiosa, preocupados em acumular poder e finanças, falhando, porém, nos objetivos essenciais, porque, embora esses lugares se apresentem repletos de assistentes, os mesmos sorriem combatendo-se mutuamente através das rixas de fluentes da insegurança psicológica, da inveja, da insensatez, do quase total desconhecimento ou crença na imortalidade do Espírito, que prosseguirá após a disjunção molecular com o patrimônio do que fez durante a vilegiatura carnal, conduzindo os valores reais que lhe caracterizam o processo evolutivo e não com a aparência habilmente cuidada.

E tão fácil, no entanto, seguir pela trilha percorrida por Jesus! Ele não se preocupou em ter, em amealhar, mas em ser, em distribuir.

Jamais se prendeu às questões transitórias, sempre preocupado com aquelas de natureza imorredoura.

Nunca se dispôs a prejudicar quem quer que fosse desculpando até mesmo os que se compraziam em Lhe ser adversários perversos e impertinentes.

Aberto ao amor, nunca se impôs, deixando livres todos quantos se Lhe acercassem, embora os sentimentos nem sempre edificantes que os assinalavam.

Jamais se dedicou à censura, à maledicência, à perda de tempo nos jogos de interesses materiais.

Desobrigou-se de todos os deveres que Lhe diziam respeito com naturalidade, sem ostentação, afável e simples como o lírio do campo, sempre vigilante em relação ao verbo servir sem esperar resposta dos que se beneficiavam da Sua bondade.

Filho excelente de Deus, jamais se jactou dessa condição superior, misturando-se aos mais infelizes, aos perseguidos e indesejados, tendo paciência incomum com as suas misérias e mesquinhezes, sem deixar de atender aos outros infelizes mergulhados no poder temporal, nos negócios de César, nas disputas de toda natureza...

Absolutamente consciente da Sua missão entre as criaturas humanas, dignificou-as com a Sua ternura, orientando-as e vivendo de tal forma que ninguém pudesse duvidar da autenticidade dos Seus ensinamentos.

Despojado de tudo, era possuidor dos tesouros da paz e da alegria, submetendo-se às injunções mais penosas sem qualquer queixa nem reclamação, sempre exaltando o Pai de Quem procedia...

A trilha percorrida por Jesus encontra-se vazia, empoeirada, com espinhos e pedrouços à mostra, queimada pelo Sol ardente...

Vez que outra se pode ver alguém se movimentando pelo terreno áspero, tentando repetir-Lhe a passagem, quase sempre, porém, sob o sarcasmo de outros companheiros que estão na margem e lhe atiram pedras, vencidos pelas trevas interiores e pelos desencarnados adversários do Bem, tentando desviá-los, para que se percam no desespero ou no desencanto...

Vinculado, no entanto, a Jesus, esse alguém segue dominado pela consciência do dever, sem a preocupação das láureas nem dos aplausos da mentira que tanto agradam a vacuidade e a ilusão.

Não dispondo de tempo para as discussões inúteis, para os debates da vaidade exacerbada, para as defesas pessoais, seguem incompreendidos, para serem laureados depois da desencarnação com os encômios insignificantes das glorificações terrestres, porque, então, as homenagens que lhes dedicam permitem que a sua luz projete aqueles que os engrandecem inutilmente...

Não são poucos aqueles que exaltam outros que crucificaram! A memória deles lhes permite exibir-se e se tornar herdeiros da sua mensagem, continuadores do seu trabalho, mais em teoria do que na realidade.

Desejassem honestamente dar-lhes continuidade ao estafante labor, fariam um grande silêncio exterior, a fim de que as suas obras exaltassem-lhes o Bem disseminado em todas as suas formas de expressão.

Sucede que, enquanto entoam hinos de gratidão àqueles que optaram pela renúncia e pelo trabalho de abnegação, tornam-se conhecidos, comentados, disputados, saciados na sede de projeção humana.

....E Jesus continua esperando no fim da trilha percorrida por aqueles que tiverem a coragem de completá-la.

Desse modo, não te olvides nunca de Jesus, dAquele que se fez guia e modelo para toda a Humanidade, a quem amas e a quem desejas servir.

Deixa-te impregnar por Suas lições de amor e te entrega docilmente a Ele, tentando segui-lo pela trilha que te deixou, talvez incompreendido, mas isso não é significativo, porque nem Ele foi respeitado ou estimado, antes arrojaram-no desdenhosamente em uma cruz de ultrajes que transformou em sublime ponte de vinculação com Deus.

Aproveita hoje para O seguir, sem passado nem futuro, com o coração e a mente tomados pelo Seu amor.

Joanna de Ângelis
Médium: Divaldo P. Franco
Livro: Liberta-te do Mal


14 setembro 2020

As Flores Voltarão - Momento Espírita

 
AS FLORES VOLTARÃO

Uma suave melancolia canta uma balada. E essa música sinfônica da nostalgia, da saudade, nos alegra.

Apesar da pandemia nos ter roubado a primavera, nossos corações estão florescendo, porque a nossa estação das flores está no mundo íntimo, independendo dos fatores do lado de fora.

Aprendemos com Jesus Cristo que a alegria real é aquela que diz respeito à plenitude do mundo espiritual.

Essa primavera nada, ninguém nos pode roubar.

A pandemia passa e as flores voltarão a perfumar os bosques, voltarão a cantar as aves, a murmurar os córregos. E a vida em abundância irá repetir a inolvidável canção da gratidão.

Divaldo Pereira Franco, médium e orador espírita, finalizou com estas belas palavras o seu Roteiro Europa de palestras, edição 2020.

Pela primeira vez, sem estar presente fisicamente nas atividades doutrinárias, essa alma de luz cumpriu sua missão no formato on-line.

Divaldo utilizou todas as oportunidades para usar seu verbo seguro para acalmar os corações do mundo, tão ansiosos nos dias atuais.

O orador fez menção a um trecho da obra Il capitano e il mozzo, do escritor italiano Alessandro Frezza, que descreve o diálogo entre um jovem e o capitão de um navio.

Toda tripulação está retida no navio, devido à quarentena, e o jovem reclama da situação pela qual estão passando, em tom de desânimo.

Diz que a pandemia estava fazendo com que ele perdesse muitas coisas.

O capitão, com toda sua experiência de outras quarentenas, lembrando de uma outra ocasião em que fora obrigado a permanecer na embarcação, o esclarece:

Sim, naquele ano me privaram da primavera, e de muitas coisas mais, porém eu, mesmo assim, floresci. Levei a primavera dentro de mim, e ninguém, nunca mais, pôde tirá-la.

Estamos sendo privados de primaveras lá fora. Muitos ficamos privados da liberdade de ir e vir. Muitos não pudemos nos despedir de nossos amores, que partiram de forma repentina.

São, realmente, duras provações.

No entanto, tais experiências, quando enfrentadas com consciência, nos fortalecem muito. Fazem o trabalho de anos e anos de dias comuns.

Que possamos entender que este é o mundo que habitamos, mundo das provas, das batalhas diárias, dos sacrifícios constantes.

Ninguém nos prometeu o paraíso na Terra. Ninguém nos disse que seria fácil, porém, nos garantiram sim, que teríamos condições de superar, de vencer.

A primavera interior é uma analogia perfeita. A vida nos ensinou que as estações devem ser cultivadas na alma e não do lado de fora.

Voltamos os pensamentos para nós mesmos. Fomos convidados a refletir sobre questões graves, muito mais importantes do que as distrações que consumiam todas as nossas energias.

Não nos assustemos diante do flagelo que nos alcança. Não estamos desamparados. Nunca estivemos.

E, quando tudo tiver passado, olharemos para trás e nos haveremos de surpreender com tudo o que enfrentamos, com tudo que superamos.

Confiemos, as flores voltarão.

Redação do Momento Espírita, com base em trecho de conferência proferida por Divaldo Franco, no encerramento do Roteiro Europa 2020, em 7.6.2020 e citação de frase da crônica O Moço e o Capitão, de Alessandro Frezza.

13 setembro 2020

Viroses – Divaldo Pereira Franco


VIROSES


Periodicamente são utilizadas palavras que se tornam famosas pelo sentido de que se revestem.

Na área da saúde, de quando em quando, questões de alta importância são repudiadas por inúteis e outras consideradas nulas passam a merecer maior consideração. Assim também ocorre com determinadas enfermidades que se tornam pandêmicas e perdem o significado após o excesso em que se manifestam.

É o caso das viroses hoje em alta moda. É certo que a tecnologia médica e os avanços da ciênc ia contribuem para a desmistificação de muitas tradições e a descoberta de muitos males antes ignorados. No entanto, é surpreendente como as viroses estão no top.

Qualquer mal-estar ou ocorrência afligente na área da saúde, logo os leigos diagnosticam seguros: Trata-se de virose.

Estranhável é que, não poucas vezes, após o paciente submeter-se a exames exaustivos e não se lhe encontrando a causa, o médico, com as exceções compreensíveis, para não deixar de apresentar um diagnóstico, utiliza-se do mesmo chavão: É virose!

Na visão espírita, todos os males que afligem a Humanidade têm a sua gênese no ser, no Espírito, propiciando ou utilizando-se dos fatores ambientais para a instalação das enfermidades. Logo, a terapêutica deveria ser realizada na origem, na transformação moral do enfermo para melhor, e naturalmente com a valiosa contribuição médica, porque a Divindade, proporcionando o progresso à Humanidade, tem facultado à ciência médica conquista s imensuráveis.

É o caso das viroses, reais ou imaginárias.

Não seria de bom alvitre pensar-se que os vírus, organismos primitivos e simples, poderiam estar sendo alimentados pelas mentes em desalinho muito comum na atualidade e procurar-se, simultaneamente ao contributo médico, a psicoterapia moral, através da mudança do comportamento para melhor?

Diante, portanto, da quase epidemia de viroses que hoje nos assaltam, propomos também a terapia do Evangelho: amar mais a si mesmo e ao próximo, a fim de melhor amar a Deus.

Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião em 02-07-2015.

12 setembro 2020

Como o Espírito é Resgatado no Velório? - Leonardo Marmo Moreira

(Ilustração do Livro: Voltei - Irmão Jacob - Psicografia de Chico Xavier)


COMO O ESPÍRITO É RESGATADO NO VELÓRIO?


O momento da morte representa um impacto emocional muito forte para a maioria dos seres humanos. Isto se aplica tanto aos próprios desencarnantes como aos seus entes queridos. Como ninguém sabe ao certo quando será sua morte, ou, em outras palavras, por quanto durará o resto da sua própria existência física e a dos seus amigos e familiares, a morte quase sempre representa uma surpresa e um grande choque emotivo.

Sendo assim, a preparação para o enfrentamento da complexa transição desencarnatória consiste em uma tarefa espiritual relevante, urgente e contínua. De fato, a preparação para a morte, bem como a auto estruturação para a vida requer um processo de “educação continuada” para o Espírito que almeja passar bem por estes dois estágios da vida imortal.


Como age as equipes de resgate nos velórios?

Entretanto, grande número de criaturas desencarna diariamente na Crosta terrestre sem uma preparação prévia mínima para enfrentar esta difícil transição. O mesmo vale para a maioria dos amigos e familiares do desencarnante que muitas vezes não está preparada para encarar adequadamente este tipo de ocorrência, a começar pelo comportamento de disciplina espiritual requisitada no chamado “velório”.

O velório consiste em um período de mais ou menos 24 horas em que os indivíduos próximos “velariam” a alma desencarnante, em etapa preparatória para a fase decisiva e terminal do processo em questão, que seria a inumação definitiva dos despojos carnais. O velório funcionaria também como um momento de despedida e de assimilação emocional do choque por parte dos entes queridos.
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Além disso, o velório ainda apresenta uma relevância pragmática e significativa, que obviamente tinha uma maior importância nos séculos passados, que consiste em evitar que o indivíduo seja enterrado vivo. Antigamente, os critérios para certificação da morte, bem como a assistência médica, eram de qualidade precária. Isto ocorria em muitos rincões distantes das grandes cidades e em situações caóticas como a guerra, onde as certidões de óbito não eram proporcionadas ou eram emitidas de forma irresponsável. Assim, o intervalo de tempo respeitado desde a pressuposta morte até o enterro seria de vital importância para que muitas pessoas não fossem inumadas vivas. De fato, há muitos casos documentados no Brasil e no exterior de indivíduos que “acordaram” durante o seu próprio velório, em função de estados de letargia ou catalepsia associados à negligência e/ou imperícia dos responsáveis pela identificação e caracterização do óbito.

Do ponto de vista espiritual, a tradição de nossa sociedade de respeitar um período de vigília entre o óbito propriamente considerado e o enterro é totalmente justificada. As preces e o amor dos amigos ajudariam muito o desencarnante nessa viagem, muitas vezes perturbadora, para o mundo espiritual. Até porque as preces e as vibrações ambientes podem gerar, quando realmente elevadas, barreiras magnéticas que impeçam a presença de Espíritos sofredores e/ou vampirizadores que possam vir a prejudicar o desenlace de nosso irmão.

Respondendo sobre cremação, Emmanuel recomendou que se respeitasse um mínimo de 72 horas antes de se efetuar tal procedimento, pois isso evitaria sofrimentos desnecessários para o Espírito desencarnante, uma vez que tal período seria, a priori, suficiente para o total desligamento dos últimos liames que manteriam o perispírito conectado ao corpo físico. Tal informação denota que a desvinculação do perispírito não seria algo trivial e, ademais, demonstra que o processo crematório pode gerar repercussões em relação ao perispírito do Espírito que ainda não se libertou totalmente das impressões do corpo. De qualquer maneira, a recomendação do Benfeitor Espiritual demonstra como é importante nossa atuação efetiva do ponto de vista espiritual durante o velório.

Considerando esse contexto relevante e complexo de natureza espiritual, seria interessante frisar alguns comportamentos interessantes para todos aqueles que se dirigirem a um velório:


1) Somente permanecer presente no velório enquanto puder manter uma postura de vigilância;

2) Orar com sinceridade em favor do desencarnante e de sua família, compreendendo que mais cedo ou mais tarde chegará a nossa hora e que, então, constataremos o gigantesco valor da prece a nós dirigida em situações como a desencarnação;

3) Esforçar-se para não lembrar episódios infelizes envolvendo o desencarnante, compreendendo que todo pensamento tem elevada repercussão espiritual;

4) Estar sempre disponível para o chamado “atendimento fraterno” com os irmãos presentes, mas não esquecer que o velório não é uma situação adequada a debates de natureza filosófico-religiosa;

5) Respeitar a religião de todos os presentes e os cultos correspondentes a essas crenças, buscando contribuir efetivamente para a psicosfera de solidariedade do ambiente mesmo que em silêncio;

6) Não perder o foco do objetivo maior da presença no velório que é o auxílio espiritual ao desencarnante e aos familiares assim como aos Espíritos desencarnados que estejam no local necessitando de auxílio fluídico através da oração para contribuir no desligamento do desencarnante;

7) Estar disponível, na medida do possível, para contribuir espiritual e/ou materialmente com os irmãos presentes, sobretudo aqueles que estiverem sob maior impacto pela morte do irmão;

8) Se convidado a enunciar prece ou algumas palavras de homenagem ao desencarnante, tomar o cuidado de manter sempre a brevidade, a objetividade e o otimismo, evitando quaisquer imagens negativas que possam ser sugeridas por nossas palavras em relação aos irmãos presentes, sejam eles encarnados ou desencarnados;

9) Aproveitar a ocasião para refletir sobre a impermanência de todas as situações materiais da vida física, fortalecendo o nosso desejo de amar e servir durante o tempo que ainda nos resta no corpo físico.

10) Guardar a certeza de que o Espiritismo é “O Consolador” prometido por nosso Mestre Jesus e que a mensagem da Imortalidade da Alma desvelada por Jesus e por Kardec é a base de todas as nossas buscas de amor e fraternidade, bem como nosso refúgio em momentos dolorosos como a morte, sendo antes de tudo uma mensagem de alegria e otimismo, verdadeiramente a nossa “Boa Nova”.

Leonardo Marmo Moreira
O Consolador

11 setembro 2020

A Doutrina é dos Espíritos - Orson Peter Carrara


A DOUTRINA É DOS ESPÍRITOS

Foram eles que provocaram os fenômenos, que buscaram os médiuns, que responderam às instigantes questões propostas pelo Codificador. Também, em diferentes casos, submeteram-se às pesquisas de nobres cientistas que investigaram os ditos e variados fenômenos, que inspiraram textos e ditaram páginas e livros que orientam, elucidam, ensinam.

A Doutrina Espírita é, pois, dos Espíritos. A iniciativa foi deles, embora com a participação de médiuns – desde o seu advento até os dias de hoje – e do notável e incomparável trabalho daquele que organizou sistematicamente os ensinos para publicar as obras básicas, que se desdobraram nas complementares; na Revista Espírita, fez surgir os adeptos, que se organizaram em grupos variados, e que trabalham pelo ideal daí surgido, inspirando outros autores – encarnados e desencarnados –, ao longo do tempo, que haurem nessa fonte inesgotável os conhecimentos que dela jorra sem cessar, a partir de O Livro dos Espíritos.

A reflexão surge em virtude de uma velha questão, bem própria de nossa condição humana, ameaçadora da plena vivência espírita: a questão dos extremos entre o carinho que se possa ter por destacados expoentes doutrinários do Espiritismo e os perigos ou ilusões do endeusamento de pessoas, médiuns, dirigentes, escritores ou palestrantes.

A qualificação de expoentes doutrinários destina-se a nominar autênticos trabalhadores da causa que se destacaram em suas cidades, estados ou países, ou mesmo na intimidade de instituições – não importando o tamanho –, com suas posturas de humildade e serviço, desprovidos de intenções contraditórias e de cuja coerência desdobram-se inúmeras bênçãos em favor de muitos.

É o caso de nomes respeitáveis, que não se valem do Espiritismo para nada, exceto para promover sua plena vivência e divulgação. São muitos os exemplos, apesar de serem humanos e limitados em muitos aspectos, como ocorre com nossa condição de cidadãos comuns.

Tais comportamentos e legado de exemplos gera carinho e gratidão, que não deve nunca se confundir com endeusamento. Esse, o endeusamento, é postura equivocada, por variadas razões, bem óbvias, por sinal, e por isso, desnecessário enumerá-las.

A vigilância deve ser nossa. O respeito e o carinho nos permitem observar e aprender com quem nos dá exemplos de perseverança, trabalho, de prudência e dedicação, onde se somam as virtudes também da humildade e da exata noção do servir.

Esses exemplos de conduta e trabalho se tornam referências em quem podemos confiar. Traduzem estímulos de trabalho e coerência. Isso não significa endeusamento (e temos que lutar contra os excessos de quaisquer gêneros), mas sim as exceções que inspiram confiança e, se estabelecermos o critério de que não devemos endeusar nem seguir pessoas, referido critério generaliza-se como regra a pretexto de estarmos endeusando. E aí casas e pessoas ficam condução segura. Não se trata, pois, de endeusamento, mas gratidão e carinho, cujos limites devemos discernir, sem generalizar com leviandade.


Caso contrário, viveremos ou alimentaremos o Espiritismo sem os Espíritos.

As instituições espíritas necessitam e devem cultivar com todo empenho a fraternidade espontânea em seus ambientes. Senão teremos casas deprimidas, sem vida, onde o contato pessoal é a pedra de toque para vivermos o Espiritismo em sua grandeza e essência, na vivência plena da fraternidade, do carinho e da gratidão.

Daí a importância das lideranças autênticas, daquelas em quem podemos confiar e sempre resultante do trabalho e do empenho no bem. Daquelas que não geram fanatismo, nem tampouco estimulam endeusamentos, mas que respeitam a própria equipe com o exemplo pessoal de dedicação ao ideal que esposam.

Nós, por nossa vez, devemos cuidar para buscar sempre o equilíbrio nesse campo sutil entre o carinho e a gratidão, ou o reconhecimento pelo trabalho – integrando-se inclusive ao trabalho – sem buscar autopromoção ou elegendo o fanatismo como regra de conduta. Esse é sempre prejudicial, bem ao oposto da gratidão, que reconhece o trabalho como caminho de equilíbrio.

Sendo a Doutrina dos Espíritos, sigamos sim os bons Espíritos, ou em outras palavras, os bons exemplos, que todos saberemos identificar, estejam eles encarnados ou desencarnados.

Orson Peter Carrara
Fonte:
Espiritismo na Rede

10 setembro 2020

O Momento da Morte e o Desencarne - Marcelo Medeiros


O MOMENTO DA MORTE E O DESENCARNE


Muito comum, mesmo entre os espíritas, que se faça confusão entre os termos morte e desencarne, porém os termos possuem sentidos diferentes e a compreensão deles nos ajudará a esclarecer um assunto muito importante: o que acontece com o Espírito no momento da morte do corpo? Ela é dolorosa? É igual para todos? É a todas essas perguntas que tentaremos esclarecer neste artigo.

Para ajudar a esclarecer esse assunto tão fascinante é preciso, antes de tudo, conhecermos o significado dos termos morte e desencarne para o Espiritismo.

  • A morte é o fim da vida do corpo físico, ocorre quando o corpo, natural ou forçadamente, não tem mais condições de se manter vivo. 
  • O desencarne é o processo de desligamento do Espírito, e seu corpo espiritual ou perispírito, do corpo físico.

Ao reencarnar o Espírito se une ao corpo físico através de seu perispírito molécula a molécula, no desencarne esse processo é invertido e o Espírito se desligará do corpo também molécula a molécula. A esse respeito Kardec escreveu que “o fluido perispiritual só pouco a pouco se desprende de todos os órgãos, de sorte que a separação só é completa e absoluta quando não mais reste um átomo do perispírito ligado a uma molécula do corpo” [1]. É importante ressaltar o fato de que morte e desencarne acontecem, normalmente, em momentos distintos e é isso que veremos agora com mais detalhes.

Kardec generaliza os diferentes “tipos” de desencarne quanto ao momento em que se dão e consequentemente quanto à facilidade ou dificuldade do processo. Os exemplos devem ser entendidos como casos extremos e, portanto, existem muitas variações entre um tipo e outro. Essa generalização foi feita em quatro grandes grupos que são:

“Se no momento em que se extingue a vida orgânica o desprendimento do perispírito fosse completo, a alma nada sentiria absolutamente.

"Se nesse momento a coesão dos dois elementos (os dois corpos: espiritual e carnal) estiver no auge de sua força, produz-se uma espécie de ruptura que reage dolorosamente sobre a alma.

"Se a coesão for fraca, a separação torna-se fácil e opera-se sem abalo.

"Se após a cessação completa da vida orgânica existirem ainda numerosos pontos de contato entre o corpo e o perispírito, a alma poderá ressentir-se dos efeitos da decomposição do corpo, até que o laço inteiramente se desfaça” [2].

Após esses oportunos esclarecimentos sobre os diferentes processos de desencarne, Kardec finaliza dizendo que “daí resulta que o sofrimento, que acompanha a morte, está subordinado à força adesiva que une o corpo ao perispírito; que tudo o que puder atenuar essa força, e acelerar a rapidez do desprendimento, torna a passagem menos penosa; e, finalmente, que, se o desprendimento se operar sem dificuldade, a alma deixará de experimentar qualquer sentimento desagradável” [3].

Mas então o que gera essa força “adesiva” que torna o corpo espiritual mais ligado ao corpo carnal e, por consequência, mais difícil e penoso o seu desligamento para o Espírito? Kardec mais uma vez vem nos esclarecer quando responde que “o estado moral da alma é a causa principal que influi sobre a maior ou menor facilidade do desligamento. A afinidade entre o corpo e o perispírito está em razão do apego do Espírito à matéria; está em seu máximo no homem cujas preocupações todas se concentram na vida e nos gozos materiais; ela é quase nula naquele cuja alma depurada está identificada por antecipação com a vida espiritual. Uma vez que a lentidão e a dificuldade da separação estão em razão do grau de depuração e de desmaterialização da alma, depende de cada um tornar essa passagem mais ou menos fácil ou penosa, agradável ou dolorosa”.[4]

Fica agora fácil entender que os fenômenos da morte e do desligamento do Espírito em relação ao corpo (desencarne) ocorrem, de modo geral, em momentos distintos podendo ser essa diferença de tempo em horas, dias, meses e mesmo anos. O que também nos chama a atenção é o fato de depender de cada um tornar esse momento mais fácil e agradável ou mais penoso e doloroso. A vida plenamente material onde se busca tudo que a matéria oferece como gozos e posses é aquela que dará mais dificuldade ao Espírito na hora do desencarne. Aquele que vive conforme a moral do Evangelho, dando importância relativa às coisas materiais, reconhecendo seu valor, mas não vivendo em função disso e principalmente reconhecendo e aceitando os Desígnios Divinos acima de qualquer revolta, esse sim terá uma passagem tranquila e fácil quando chegar sua hora.

Existe um outro fenômeno que possui relação direta com a moral do indivíduo e que começa a acontecer imediatamente após a morte do corpo, é o fenômeno da perturbação espiritual. Como nos esclarece Kardec a esse respeito “[...] nesse momento a alma sente um entorpecimento que paralisa, momentaneamente, as suas faculdades e neutraliza, pelo menos em parte, as sensações; está, por assim dizer, cataleptizada, de sorte que quase nunca testemunha consciente o último suspiro. [...] A perturbação pode, pois, ser considerada como estado normal no instante da morte; a sua duração é indeterminada; varia de algumas horas a alguns anos. À medida que ela se dissipa, a alma está na situação do homem que sai de um sono profundo; as idéias estão confusas, vagas e incertas; vê-se como através de um nevoeiro; pouco a pouco a visão se ilumina, a memória retorna e ela se reconhece. Mas esse despertar é bem diferente, segundo os indivíduos; nuns é calmo e proporciona uma sensação deliciosa; noutros, é cheio de terror e ansiedade, e produz o efeito de um horrível pesadelo”.[5]

Assim fica mais uma vez clara a importância de uma vida reta, onde impere a moral do Evangelho de Jesus e onde cada um se esforce para ser cada dia melhor que no dia anterior. Para fechar a questão trago mais uma citação de Kardec onde ele fecha o assunto com muita clareza e objetividade:

“O último alento quase nunca é doloroso, uma vez que ordinariamente ocorre em momento de inconsciência, mas a alma sofre antes dele a desagregação da matéria, nos estertores da agonia, e, depois, as angústias da perturbação. Demo-nos pressa em afirmar que esse estado não é geral, porquanto a intensidade e duração do sofrimento estão na razão direta da afinidade existente entre corpo e perispírito. Assim, quanto maior for essa afinidade, tanto mais penosos e prolongados serão os esforços da alma para desprender-se. Há pessoas nas quais a coesão é tão fraca que o desprendimento se opera por si mesmo, como que naturalmente; é como se um fruto maduro se desprendesse do seu caule, e é o caso das mortes calmas, de pacífico despertar”.[6]



Marcelo Medeiros

Referências:

1. Kardec, Allan. O Céu e o Inferno. 2ª parte, cap. 1, item 4.
2. Idem. Ibidem, item 5.
3. Idem. Ibidem.
4. Idem. Ibidem, item 8.
5. Idem. Ibidem, item 6.
6. Idem. Ibidem, item 7.



09 setembro 2020

O Aborto na visão Espírita - Revista Reformador

 
O ABORTO NA VISÃO ESPÍRITA

A Doutrina Espírita trata clara e objetivamente a respeito do abortamento, na questão 358 de sua obra básica O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec:

Pergunta – Constitui crime a provocação do aborto, em qualquer período da gestação?

Resposta – “Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando”.

Sobre os direitos do ser humano, foi categórica a resposta dos Espíritos Superiores a Allan Kardec na questão 880 de O Livro dos Espíritos:

Pergunta – Qual o primeiro de todos os direito naturais do homem?

Resposta – “O de viver. Por isso é que ninguém tem o de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal”.

Início da Vida Humana

Para a Doutrina Espírita, está claramente definida a ocasião em que o ser espiritual se insere na estrutura celular, iniciando a vida biológica com todas as suas conseqüências. Na questão 344 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec indaga aos Espíritos Superiores:

Pergunta – Em que momento a alma se uns ao corpo?

Resposta – “A união começa na concepção, mas só é completa por ocasião do nascimento. Desde o instante da concepção o Espírito designado para habitar certo corpo a este se liga por um laço fluídico, que cada vez mais se vai apertando até ao instante em que a criança vê a luz. O grito, que o recém-nascido solta, anuncia que ela se conta no número dos vivos e dos servos de Deus.”

As ciências contemporâneas, por meio de diversas contribuições, vêm confirmando a visão espírita acerca do momento em que a vida humana se inicia. A Doutrina Espírita firma essa certeza definitiva, estabelecendo uma ponte entre o mundo físico e o mundo espiritual, quando oferece registros de que o ser é preexistente à morte biológica.

A tese da reencarnação, que o Espiritismo apresenta como eixo fundamental para se compreender a vida e o homem em tua sua amplitude, hoje é objeto de estudo de outras disciplinas do conhecimento humano que, através de evidências científicas, confirmam a síntese filosófica do Espiritismo: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a Lei.”

Assim, não se pode conceber o estudo do abortamento sem considerar o princípio da reencarnação, que a Parapsicologia também aborda ao analisar a memória extracerebral, ou seja, a capacidade que algumas pessoas têm de lembrar, espontaneamente, de fatos com elas ocorridos, antes de seu nascimento. Dentro da lei dos renascimentos se estrutura, ainda, a terapia regressiva a vivências passadas, que a Psicologia e a Psiquiatria utilizam no tratamento de traumas psicológicos originários de outras existências, inclusive em pacientes que estiveram envolvidos na prática do aborto.

Aborto Terapêutico

O procedimento abortivo é moral somente numa circunstância, segundo O Livro dos Espíritos, na questão 359, respondida pelos Espíritos Superiores:

Pergunta – Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mão dela, haverá crime em sacrificar-se a primeira para salvar a segunda?

Resposta – “Preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe.’ (Os Espíritos referem-se, aqui, ao ser encarnado, após o nascimento.)

Com o avanço da Medicina, torna-se cada vez mais escassa a indicação desse tipo de abortamento. Essa indicação de aborto, todavia, com as angústias que provoca, mostra-se como situação de prova e resgate para pais e filhos, que experimentam a dor educativa em situação limite, propiciando, desse modo, a reparação e o aprendizado necessários.

Aborto por Estupro

Justo é se perguntar, se foi a criança que cometeu o crime. Por que imputar-lhe responsabilidade por um delito no qual ela não tomou parte?

Portanto, mesmo quando uma gestação decorre de uma violência, como o estupro, a posição espírita é absolutamente contrária à proposta do aborto, ainda que haja respaldo na legislação humana.

No caso de estupro, quando a mulher não se sinta com estrutura psicológica para criar o filho, cabe à sociedade e aos órgãos governamentais facilitar e estimular a adoção da criança nascida, ao invés de promover a sua morte legal. O direito à vida está, naturalmente, acima do ilusório conforto psicológico da mulher.

Aborto “Eugênico” ou “Piedoso”

A questão 372 de O Livro dos Espíritos é elucidativa:

Pergunta – Que objetivo visa a providência criando seres desgraçados, como os cretinos e os idiotas? [entenda-se aqui a definição de "cretinos" e "idiotas" como deficientes físicos, limitação cerebral, nada tendo a ver com intelecto ou comportamento moral]

Resposta – “Os que habitam corpos de idiotas são Espíritos sujeitos a uma punição. Sofrem por efeito do constrangimento que experimentam e da impossibilidade em que estão de se manifestarem mediante órgãos não desenvolvidos ou desmantelados.”

Fica evidente, desse modo, que, mesmo na possibilidade de o feto ser portador de lesões graves e irreversíveis, físicas ou mentais, o corpo é o instrumento de que o Espírito necessita para sua evolução, pois que somente na experiência reencarnatória terá condições de reorganizar a sua estrutura desequilibrada por ações que praticou em desacordo com a Lei Divina. Dá-se, também, que ele renasça em um lar cujos pais, na grande maioria das vezes, estão comprometidos com o problema e precisam igualmente passar por essa experiência reeducativa.

Aborto Econômico

Esse aspecto é abordado em O Livro dos Espíritos, na questão 687:

Pergunta – Indo sempre a população na progressão crescente que vemos, chegará tempo em que seja excessiva na Terra?

Resposta – “Não, Deus a isso provê e mantém sempre o equilíbrio. Ele coisa alguma inútil faz. O homem, que apenas vê um canto do quadro da Natureza, não pode julgar da harmonia do conjunto.”

Em O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XXV, a afirmativa de Allan Kardec é esclarecedora: “A Terra produzirá o suficiente para alimentar a todos os seus habitantes, quando os homens souberem administrar, segundo as leis de justiça, de caridade e de amor ao próximo, os bens que ela dá. Quando a fraternidade reinar entre os povos, como entre as províncias de um mesmo império, o momentânea supérfluo de um suprirá a momentânea insuficiência de outro; e cada um terá o necessário.”

Convém destacar, ainda, que o homem não é apenas um consumidor, mas também um produtor, um agente multiplicador dos recursos naturais, dominando, nesse trabalho, uma tecnologia cada vez mais aprimorada.

O Direito da Mulher

Invoca-se o direito da mulher sobre o seu próprio corpo como argumento para a descriminalização do aborto, entendendo que o filho é propriedade da mãe, não tem identidade própria e é ela quem decide se ele deve viver ou morrer.

Não há dúvida quanto ao direito de escolha da mulher em ser ou não ser mãe. Esse direito ela o exerce, com todos os recursos que os avanços da ciência têm proporcionado, antes da concepção, quando passa a existir, também, o direito de um outro ser, que é o do nascituro, o direito à vida, que se sobrepõe ao outro.

Estudos científicos recentes demonstram o que já se sabia há muito tempo: o feto é uma personalidade independente que apenas se hospeda no organismo materno. O embrião é um ser tão distinto da mãe que, para manter-se vivo dentro do útero, necessita emitir substâncias apropriadas pelo organismo da hospedeira como o objetivo de expulsá-lo como corpo estranho.


Consequências do Aborto

Após o abortamento, mesmo quando acobertado pela legislação humana, o Espírito rejeitado pode voltar-se contra a mãe e todos aqueles que se envolveram na interrupção da gravidez. Daí dizer Emmanuel (Vida e Sexo, psicografado por Francisco C. Xavier, cap. 17, ed. FEB): “Admitimos seja suficiente breve meditação, em torno do aborto delituoso, para reconhecermos nele um dos fornecedores das moléstias de etiologia obscura e das obsessões catalogáveis na patologia da mente, ocupando vastos departamentos de hospitais e prisões”.

Mulher e homem acumpliciados nas ocorrências do aborto criminoso desajustam as energias psicossomáticas com intenso desequilíbrio, sobretudo, do centro genésico, implantando nos tecidos da própria alma a sementeira de males que surgirão a tempo certo, o que ocorre não só porque o remorso se lhes estranha no ser mas também porque assimilam, inevitavelmente, as vibrações de angústia e desespero, de revolta e vingança dos Espíritos que a lei lhes reservava para filhos.

Por isso compreendem-se as patologias que poderão emergir no corpo físico, especialmente na área reprodutora, como o desaguar das energias perispirituais desestruturadas, convidando o protagonista do aborto a rearmonizar-se com a própria consciência.

No Reajuste

Ante a queda moral pela prática do aborto não se busca condenar ninguém. O que se pretende é evitar a execução de um grave erro, de consequências nefastas, tanto individual como socialmente, como também sua legalização. Como asseverou Jesus: “Eu também não te condeno; vai e não tornes a pecar.” (João, 8:11.)

A proposta de recuperação e reajuste que o Espiritismo oferece é de abandonar o culto ao remorso imobilizador, a culpa autodestrutiva e a ilusória busca de amparo na legislação humana, procurando a reparação, mediante reelaboração do conteúdo traumático e novo direcionamento na ação comportamental, o que promoverá a liberação da consciência, através do trabalho no bem, da prática da caridade e da dedicação ao próximo necessitado, capazes de edificar a vida em todas as suas dimensões.

Proteger e dignificar a vida, seja do embrião, seja da mulher, é compromisso de todos os que despertaram para a compreensão maior da existência do ser.

Agindo assim, evitam-se todas as conseqüências infelizes que o aborto desencadeia, mesmo acobertado por uma legalização ilusória. “O amor cobre a multidão de pecados”, nos ensina o apóstolo Pedro (I Epístola, 4:8).

II – Considerações Legais e Jurídicas

Alteração do Código Penal

Tramita no Congresso Nacional Projeto de Lei que altera o Código Penal Brasileiro, nos seus artigos 124 a 128, elaborado por uma comissão especialmente criada com esse fim, e que já recebeu a acolhida do Ministério da Justiça e da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

O Código vigente, Decreto-Lei 2.848, de 7-12-1940, pune o aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento (art. 124), o aborto provocado por terceiro (art. 125), o aborto provocado com o consentimento da gestante (art. 126), e prevê formas qualificadas em caso de superveniência de lesões graves ou morte da gestante (art. 127). No art. 128, expressa não ser punível o aborto praticado por médico: “(…) II – Se a gravidez resultante de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal”, além, claro, daquele autorizado para salvar a vida da gestante (inciso I).

O anteprojeto de alteração do Código Penal Brasileiro vai além, em especial no seu artigo 128, com a ampliação de sua área de abrangência, ou seja, permitindo a prática do aborto: a) não só quando houver perigo de vida à gestante, mas também para, em caráter amplo, “preservar a saúde” da mulher (inciso I), ou b) não só em razão da gravidez originada de estupro, mas também quando a gravidez for resultado da “violação da liberdade sexual ou do emprego não consentido de técnica de reprodução assistida” (inciso II) e c) quando houver fundada probabilidade de o nascituro apresentar graves e irreversíveis anomalias físicas ou mentais, mediante constatação e atestado afirmado por dois médicos (inciso III).

Dada a gravidade da questão, eis que as alterações propostas ampliam a descriminalização do aborto e implicam o poder de decidir sobre a vida de um ser humano já existente e em desenvolvimento no ventre materno, oferecendo à gestante inúmeras alternativas legais, não há como permanecer em silêncio, sob a pena de conivência com um possível procedimento que, frontalmente, fere o direito à vida, cuja inviolabilidade tem garantia constitucional. À vista dessas propostas, é necessário que se dê ênfase à responsabilidade assumida por todos quantos participem da perpetração do ato criminoso, desde a atividade legislativa e sua promulgação, convertendo em lei o leque abrangente da prática do abortamento, até quem o autoriza, com ele consente e o executa.

Vale notar que existem outros projetos de lei no Congresso sob o mesmo enfoque e, recentemente, o Sr. Ministro da Saúde, através de Norma Técnica, procurou antecipar a prática de procedimentos abortivos no sistema SUS.

O Direito À Vida

O direito à vida é amplo, irrestrito, sagrado em si e consagrado mundialmente. No que tange ao direito brasileiro, a “inviolabilidade do direito à vida” acha-se prevista na Constituição Federal (artigo 5º “caput”), o primeiro entre os direitos individuais, quando essa lei básica, com ênfase, dispõe sobre os direitos e garantias fundamentais.

O ser humano, como sujeito de direito no ordenamento jurídico brasileiro, existe desde a sua concepção, ainda no ventre materno. Essa afirmativa é válida porque a ciência e a prática médica, hoje, não têm dúvida alguma de que a criança existe desde quando fecundado o óvulo pelo espermatozoide, iniciando-se, aí, o seu desenvolvimento físico. Tanto correta é essa afirmativa que, no ordenamento jurídico brasileiro, há a previsão legal de que “a personalidade civil do homem começa pelo nascimento com vida, mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro” (artigo 4º do Código Civil – grifou-se). Entre esses direitos está, além daqueles que ostentem caráter meramente econômico ou financeiro, o primeiro e o mais importante deles, vale dizer, o direito à vida.

Surge, aqui, uma conclusão: a de que a determinação de respeito aos direitos do nascituro acentua a necessidade legal, ética e moral de existir maior e quase absoluta limitação da prática do abortamento. Uma exceção, apenas, há: quando for constado, efetivamente, risco de vida à gestante.

Essa limitação quase absoluta da permissibilidade do abortamento, com a exclusão da responsabilidade tão-somente no caso do inciso I do artigo 128 do atual Código Penal (risco de vida à gestante), afasta, moralmente, a possibilidade do abortamento em virtude do estupro (constrangimento da mulher à conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça), embora permitido no inciso II do dispositivo legal em tela. Isso porque, analisando-se o fato à luz da razão e deixando de lado, por ora, os reflexos do ato, na gestante, estar-se-ia executando autêntica pena de morte em um ser inocente, condenado sem que tivesse praticado qualquer crime e – o que se afigura pior e cruel -, sem que se lhe facultasse o direito de defender-se, direito esse conferido,legalmente e com justiça, até àqueles acusados dos crimes os mais hediondos.

Eis a razão do grito de repúdio ás propostas de alteração do Código Penal pátrio e, conseqüentemente, do alerta em defesa da vida, já que, no caso do abortamento, o destinatário do direito a ela se acha impossibilitado de exercê-lo. E mais: penalizam-se duas vítimas, a mãe que se submeterá ao abortamento, cuja prática pode gerar conseqüências físicas indesejáveis, além das de ordem psicológica, e o filho, cuja vida é interrompida, enquanto que o agressor, muitas vezes, remanesce impune, dadas as dificuldades que ocorrem, geralmente, na apuração da autoria do crime cometido.

Diante dessa situação, deve ser preservada a vida da criança como dádiva divina que é não obstante as circunstâncias que envolveram a sua concepção. Se, contudo, a mãe não se sentir com estrutura psicológica para aceitar um filho resultante de um ato sexual indesejado, a atitude que se afigura correta e justa é que se promova sua adoção por outrem, oferecendo-se a ele um lar onde possa ser criado e educado, enquanto é desenvolvido trabalho para reequilíbrio da mãe, com a superação (ainda que lenta e dolorosamente, mas saudável para seu crescimento moral, social e espiritual) dos efeitos nocivos do crime de que foi vítima. Não será, evidentemente, o sacrifício de um ser sem culpa, que desabrocha para a vida, que resolverá eventuais traumas da infeliz mãe, sem falar na possibilidade de sofrer ela as conseqüências físicas e psicológicas já referidas, além do reflexo negativo de natureza espiritual.

Há necessidade urgente de que se tenha consciência do crime que se pratica quando se interrompe o curso da vida de um ser. Não importa se, como no caso, esse curso esteja em sua fase inicial. Não se pode, conscientemente, acobertá-lo com o manto de questionável “legalidade”.

Cabe a cada um de nós amar a vida e dignificá-la, tanto quanto cabe aos homens públicos e, principalmente, aos legisladores e governantes criar as condições necessárias para que o respeito à vida e aos direitos humanos (inclusive do nascituro), a solidariedade e a ajuda recíproca sejam não só enunciados, mas praticados efetivamente, certos, todos, de que, independentemente da convicção religiosa ou doutrinária de cada um, não há dúvida de que somos seres criados por Deus, cujas Leis, entre elas, a maior, a Lei do Amor, regem nossos destinos.

Espera-se que, como resultado deste alerta que o quadro social está a sugerir, possa ser vislumbrada a gravidade contida nas alterações legislativas propostas. É urgente e necessário que todas as consciências responsáveis visualizem, compreendam e valorizem o cerne do problema em questão – o direito à vida -, somando-se, em conseqüência, àqueles muitos que, em todos os segmentos da sociedade, o defendem intransigentemente.

A análise e as conclusões aqui expostas, como decorrência lógica do pensamento espírita-cristão sobre o aborto, representam contribuição à ética, à moral e ao direito do ser humano à vida. Não há, no contexto desta mensagem, a pretensão de que todos que a lerem aceitem os princípios do Espiritismo. Espera-se, todavia, confiantemente, que haja maior reflexão sobre tão importante assunto, notadamente ante a observação de que conquistas científicas e médicas atuais, comprovando de forma irrefutável a existência de um ser desde a concepção com direito à vida, oferecem esclarecimentos e razões que orientam para que se evite qualquer ação, cujo significado leve à agressão à vida do ser em formação no útero materno. Afigura-se, assim, de suma importância qualquer manifestação de repúdio aos propósitos da alteração legislativa referida. Esse o objetivo desta mensagem.

Enquanto nós, os homens, cidadãos e governantes, não aprendermos a demonstrar amor sincero e acolhimento digno aos seres que, de forma inocente e pura, buscam integrar o quadro social da Humanidade, construindo, com este gesto de amor, desde o início, as bases de um relacionamento realmente fraternal, não há como se pretender a criação de um ambiente de paz e solidariedade tão ansiosamente esperado em nosso mundo.

Não há como se pretender que crianças, jovens e adultos não sejam agressivos, se nós os ensinamos com o nosso comportamento, logo de início, e até legalmente, a serem tratados com desamor e com violência.

Amor à Vida! Aborto, não!

(Este texto – O aborto na visão espírita – aprovado pelo Conselho Federativo Nacional em sua Reunião Ordinária de 13 a 15 de novembro de 1999, em Brasília, constitui o documento que a FEB está levando, como esclarecimento, à consideração das autoridades do Governo Federal, do Congresso Nacional e do Poder Judiciário. As Entidades Federativas estaduais, por sua vez, realizam o mesmo trabalho junto aos Governadores, Deputados Estaduais, Prefeitos, Vereadores, outras autoridades e ao público em geral, em seus Estados.)

Revista Reformador, Nº 2051, Fevereiro de 2000.
 

08 setembro 2020

Conquista tua paz - Joanna de Ângelis

CONQUISTA A TUA PAZ

Na turbulência dos dias que se vive na Terra, fenômenos perturbadores multiplicam-se a cada instante, desafiando os valores éticos das pessoas.

Notícias destituídas de significado repletam as redes sociais, e a variedade de distrações compete com os deveres que se encontram aguardando, sem oportunidade de ser atendidos.

O tempo parece escoar com rapidez em razão da multiplicidade de mecanismos de fuga das responsabilidades, facultando a bisbilhotice e a curiosidade em torno de futilidades que assumem significados que não merecem, ao mesmo tempo que produzem vazio existencial, ante o exibicionismo de pessoas atormentadas, que se fazem notícia através dos artifícios virtuais.

Nunca houve tanta solidão entre as criaturas humanas como atualmente, ao mesmo tempo que a população do planeta atinge índice elevado e lota os espaços disponíveis.

Ambições desordenadas e inquietações injustificáveis campeiam, atormentando as mentes ávidas de projeção, como se o objetivo existencial fosse apenas o mentiroso prato do prazer social, que provoca inveja nuns e antipatia noutros.

A ilusão atinge exagerado panorama, arrancando o indivíduo da sua realidade para as paisagens tresvairadas da fantasia.

Tem-se a impressão de que somente o sonho do ter e do poder proporciona bem--estar, mesmo que dispare o gatilho interno da insatisfação e do medo de não poder gozar indefinidamente.

As exigências da moderna tecnologia impuseram o comportamento da velocidade, a fim de serem apreciadas todas as contribuições da comunicação virtual, impedindo-se, de certo modo, o aprofundamento das questões normais da existência.

Impuseram-se novos padrões de conduta, e, de alguma forma, a robotização do ser humano tem-se feito automaticamente.

Com essa automação, os sentimentos de amor, de solidariedade, de ternura e de caridade, assim como outros, têm ficado à margem, a prejuízo do desenvolvimento emocional enriquecido de compreensão da finalidade da vida tanto quanto das suas reais necessidades.

A valorização do corpo, da sua aparência num culto extravagante e muitas vezes patológico, vem substituindo os impositivos profundos do ser cada vez mais exigente do ego.

Aqueles indivíduos que, no entanto, não podem desfrutar dessas comodidades exageradas parecem fantasmas perdidos no ar, sem objetivos nem significados.

Como consequência desses fenômenos, aumentam os tormentos emocionais e as suas estruturas muito frágeis cedem lugar ao transtorno depressivo em alguns, enquanto noutros açulam os mecanismos de violência.

A estabilidade psicológica é muito necessária para a realização do ser humano, desde que saiba administrar os diferentes acontecimentos que lhe sucedem a cada momento.

Esse controle, que nem sempre é conseguido, resulta do hábito saudável de conduzir-se socialmente, graças ao exercício de natureza interior.

A criatura humana é o conjunto dos seus comportamentos que se transformam em mecanismos de sustentação da sua existência.

Por esta razão, nestes dias de desafios contínuos, a conquista da paz se transforma há mais valiosa meta a ser conseguida.

*

Pensa-se, normalmente, que a paz é a ausência de preocupação ou de ação contínua, não passando esse comportamento de modorra, ausência de dinamismo, paralisia.

Muitas vezes, um semblante sereno oculta uma existência assinalada por preocupações, angústias e desesperos vencidos com denodo e persistência.

A luta, sob qualquer aspecto, é mensageira da ordem por cuja execução se permite a conquista da harmonia interior.

A questão diz respeito à maneira como se faz administrada a atividade que exige esforço, abnegação e persistência.

O amadurecimento psicológico do indivíduo é fator decisivo para o comportamento edificante em quaisquer circunstâncias, que culmina nesse estado de equilíbrio, prenunciador de paz e de plenitude.

Trata-se de experiências adquiridas no dia a dia, que acumulam decisões enobrecedoras.

Se desejas realmente manter a postura saudável, aquela que faculta a conquista da felicidade real, mune-te de paciência e perseverança em todas as situações em que te encontres, avançando sem cessar, passo a passo, na conquista do que te constitui meta prioritária.

Não te desanimem os obstáculos, nem receies os insucessos iniciais, que fomentarão os meios hábeis para a tua conquista definitiva. Tem em mente que toda conquista autoiluminativa é realizada com tenacidade e amor, confiança e dedicação.

A paz política muitas vezes falha, porque não há como fazer o indivíduo harmonizar-se com qualquer tipo de imposição exterior. Pelo contrário: quando se alcança o equilíbrio interior de imediato, apresentam-se os efeitos pacificadores à volta.

Pode-se, em consequência, afirmar que num lar onde alguém logra a paz, toda a família faz-se beneficiária do equilíbrio. Quando em uma rua existe uma família pacífica, o reflexo estende-se pelos vizinhos, Uma rua onde existe valorização da vida amplia-se pelo bairro, pela cidade, pela região, pelo mundo...

A paz é portadora de bênçãos que facultam a capacidade do amor e da caridade, tornando-se fundamental para a construção da vida exuberante.

A sua ausência transtorna o indivíduo, porque, sem a serenidade que acalma as ansiedades dos desejos e auxilia no discernimento daquilo que é melhor para o desenvolvimento ético-moral, deixa vazios existenciais que se tenta preencher com atitudes de arrogância e de perturbação.

Nesse sentido, o Espiritismo, explicando as razões fundamentas do existir, os objetivos a conquistar, possui os mais excelentes elementos elucidativos para a aquisição da harmonia interior.

A paz, portanto, deve e pode ser trabalhada com serenidade, mediante ações de amor e de misericórdia que diluem as sombras da ignorância e da perversidade.

Com essa visão interna de como proceder na jornada evolutiva, os sentimentos ampliam-se e abarcam a mente que se esclarece numa perfeita identificação de significados.

Desse modo, nunca cesses de amar e de servir, assinalando os teus atos pela bondade e pela compaixão.

Não se trata de anuência com os comportamentos insanos, nem indiferença ante as agressões do mal, mas decisão de permanecer em estado de vigilância ativa, sem os altibaixos das emoções em desgoverno.

Quando não se está impregnado pela compreensão do progresso de todos, o ego produz situações muito especiais em benefício próprio, liberando arquivos do inconsciente que dão lugar a conflitos que ressurgem, porque não foram realmente superados.

Cuida para que os teus atos sejam resultado de reflexão profunda, que te propicie a escolha certa do caminho a seguir.

Toma o Evangelho de Jesus como roteiro para o comportamento e em qualquer situação desafiadora pergunta-te como faria o Mestre caso fosse Ele que tomaria a decisão. Essa indagação abre o matagal dos tormentos habituais e, como luz meridiana, clareia o pensamento e faculta o encontro seguro da trilha a percorrer.

*

Quando Jesus nos prometeu a Sua Paz, afirmou-nos que somente Ele a poderia dar. Isto porque, esta é consequência do comportamento individual na vivência dos postulados por Ele ensinados e vividos.

A Sua serenidade em todas as situações demonstrou-nos a grandeza dos valores éticos de que era portador.

Sabendo que seria traído por um amigo e por outro negado, não demonstrou contrariedade nem decepção, antes lhes revelou com delicadeza os perigos em que tropeçariam e, após consumada a tragédia, buscou o primeiro, que se suicidara, nas regiões tormentosas para onde se atirou e o outro novamente convidou a que pastoreasse o Seu rebanho.

Se desejas essa paz, segue o Mestre e imita-O sempre que possas, e, sem que te apercebas, estarás entesourando a paz que te fará verdadeiro Filho de Deus.

Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, em 24 de outubro de 2018, na Mansão do Caminho, em Salvador, Bahia.

07 setembro 2020

Afastar-se de Certas Pessoas Melhora a Saúde e a Alma - Raquel Aldana


AFASTAR-SE DE CERTAS PESSOAS MELHORA A SAÚDE E A ALMA

“Ame sempre, mas não te permitas relacionamentos conflituosos sob a justificativa de que tens a missão de salvar o outro, porque ninguém é capaz de tornar feliz aquele que a si mesmo se recusa a alegria de ser pleno.” (Divaldo Pereira Franco)

Algumas pessoas cansam-nos, sugam-nos energia e aniquilam a nossa capacidade de reação. Elas são verdadeiras destruidoras da nossa saúde e paz interior, adoecem a nossa capacidade emocional e distorcem as nossas sensibilidades. Afasta-te delas e verás a incrível melhoria na tua saúde física e emocional.

A verdade é que ao longo do tempo, passamos a desconhecer muitas pessoas que pensávamos conhecer, e percebemos que vivemos sujeitos às suas exigências, à sua conversa, ao seu comportamento e, especialmente, às suas emoções tóxicas.

Essas pessoas não sabem como respeitar e considerar os outros, e utilizam-nos como marionetes do seu mau caráter e alvos de conflitos externos e internos. Elas não vivem e deixam viver e, portanto, impedem o desenvolvimento e crescimento pessoal dos que as rodeiam.

“Podem fazer isso de forma consciente ou não, mas é evidente que nos afogam e intoxicam, fazem-nos sentir vulneráveis, fazem com que fiquemos com raiva facilmente ou que desejemos fugir e abandonar tudo.”

Obviamente, embora fosse mais adequado, nem sempre podemos afastar-nos fisicamente destas pessoas, pois podem ser da família ou colegas de trabalho. No entanto, podendo ou não fazê-lo, o importante é conseguir um distanciamento emocional. Então, o melhor a fazer é começarmos a ter a força para nos mantermos fora da sua capacidade de ação, não permitindo que elas influenciem o nosso comportamento.

Como podemos distanciar-nos emocionalmente de alguém que nos fere?

Se tens alguém na tua vida que te está a magoar, tu podes jogar com a vantagem da antecipação, porque sabes que as suas reações ou intenções são previsíveis. Para de dar importância ao que essas pessoas fazem e foca-te nos problemas que elas te estão a criar, assim terás mais oportunidades de crescimento e pararás de minar a tua força e autoestima.

Temos também que jogar com as expectativas. Esperamos tanto dos outros que somos incapazes de aceitar a realidade como ela é. Isto gera desapontamentos e desilusões, alimentando uma atmosfera na qual é muito difícil respirar.

“Manter uma perspectiva saudável da situação irá ajudar-nos a alcançar certa indiferença e desceremos dessa montanha-russa emocional, separando-nos das nossas preocupações e libertando as nossas inseguranças e reações desproporcionais. Isto terá um resultado tão rápido e direto quanto satisfatório: os nossos problemas irão diminuir e poderemos viver em paz.”

Quando nos afastamos da dor, aproximamo-nos da felicidade.

Afasta-te do medo e aproxima-te da indiferença. Não te magoes a tentar manter uma boa impressão sobre os outros ou a pensar que eles têm sempre boas intenções.

Dizem que quando alguém tem a intenção de prejudicar-nos, o melhor desprezo que podemos fazer é não dar importância; ou seja, não deixar que minem a nossa autoestima.

Ambientes tóxicos e em conflito têm uma capacidade de contágio devastadora para a nossa saúde. Quanto mais tomarmos distância emocional deles, melhor nos sentiremos.

“A vida é muito curta para viver em angústia. Assim, ama as pessoas que te tratam bem e distancia-te daquelas que não o fazem. Sem arrependimentos.”

Texto de Raquel Aldana
Fonte:
Kardec Rio Preto


06 setembro 2020

Depois do Passamento - Nilton Moreira


DEPOIS DO PASSAMENTO


Seguidamente nos perguntam a respeito de questões sobre a vida no além-túmulo, e isso geralmente acontece quando alguém perde um ente querido, principalmente quando o passamento se dá em razão de violência ou acidentes inesperados.

Sempre dizemos que somos espíritos/almas vivendo momentaneamente num corpo carnal, perecível, cujo invólucro com a decomposição se transforma em outros micros organismos. Isso não deveria ser novidade pra ninguém, pois acontece desde os primórdios. Apenas espíritos evoluídos é que não experimentam mais a decomposição dos corpos, como foi o caso de Jesus que não encontram seus restos mortais onde houvera sido sepultado, mas isto é assunto para outro momento.

Para quem se vai é muito angustiante após recobrar a clareza do raciocínio, tomar conhecimento que os seus entes queridos que aqui ficam pensam que tudo terminou e que estão impossibilitados de comunicarem-se.

As comunicações entre os que se foram e os que estão ainda no corpo carnal pode se dar através das aproximações, onde podemos sentir leves arrepios ou sonolência. Também o intercâmbio acontece através de intuições ou mensagem que são filtradas em locais específicos por pessoas que se dedicam a estudar a mediunidade.

Mas a maneira mais comum de comunicação entre os chamados “vivos e mortos” acontece quando dormimos, pois neste momento abandonamos o corpo carnal que fica apenas com a vitalidade, e ingressamos no mundo espiritual. Nesse momento a conexão é direta e podemos ir a muitos lugares e ter contato dos mais diversos.

Portanto, não devemos pensar que a morte é o fim ou que é um sono eterno como muitos acreditam, pois isso ocasionará com que ao efetuarmos o passamento não consigamos acordar no outro plano e podemos ficar anos e anos dormindo conforme é narrado no livro "Os Mensageiros de Chico Xavier", existindo na colônia nosso lar um local denominado “os que dormem”.

É importante que estudemos as questões que envolvem a vida depois do túmulo, pois que não existe solução de continuidade na nossa existência, já que vivemos a vida de espírito, e se hoje estamos com este corpo, numa próxima vida estaremos habitando outro que será devidamente preparado para nós e que virá através de uma criança, pois que geramos corpos, mas não almas como todos são sabedores.

Ter conhecimento do que virá facilitará nosso passamento. Vivamos intensamente o presente, realizando nossos objetivos, utilizando nossa intuição para saber o melhor caminho e conduta seguir em determinadas situações da vida, mas não devemos esquecer que a vida continua depois do passamento.

Força a todos.

Nilton Moreira
Coluna Semanal - Estrada Iluminada
Fonte: Espirit Book

04 setembro 2020

A mentira e as suas consequências - Anselmo Ferreira Vasconcelos


A MENTIRA E AS SUAS CONSEGUÊNCIAS


Dada a persistência de inúmeras ocorrências desagradáveis relacionadas ao hábito de mentir, volto ao tema. [1] Por que escrevo novamente sobre esse tema? Porque me causa espanto – e certamente o mesmo acontece para muitos – saber que se trata de comportamento corriqueiro em nosso país. Talvez também seja em outras nações do mundo, particularmente naquelas onde a ética ainda não constitua uma preocupação geral. Em todo caso, não é comum encontrar notícias dessa natureza no noticiário internacional, exceção aos Estados Unidos por motivos óbvios.

A questão é que a mentira apresenta muitas facetas. Aliás, não é, por exemplo, a chamada fake news uma atividade espúria que visa, nada mais nada menos, do que macular reputações ilibadas através da disseminação de mentiras? Com efeito, há atualmente um esforço para no mínimo tolher esta prática abjeta, que, por incrível que pareça, é abraçada por muita gente que faz disto uma profissão de fé.

As fake news, cumpre recordar, distorcem, confundem e, principalmente, entesouram inverdades cruéis, que tornam mais complicada a vida das vítimas dos comentários levianos. Portanto, é decepcionante perceber que há indivíduos que ainda se dedicam, de maneira contumaz, ao mister da mentira. Não bastasse isto, a prática de mentir propriamente dita – é preciso reconhecer – envolve todos os segmentos da sociedade.

Nesse sentido, já é de amplo conhecimento que, conforme revelam recrutadores profissionais, os candidatos a emprego têm a péssima mania de “inflar” os seus currículos, normalmente listando uma língua que não dominam ou experiências que nem chegaram perto de ter. Em face disso, o profissional de recrutamento precisa ser meticuloso em sua análise, checando e rechecando as informações prestadas pelo aspirante ao cargo, para que a sua indicação seja precisa.

É igualmente comum – embora indesejável – observar políticos exagerarem os seus supostos feitos ou proezas em discursos ou falas. Lembro-me, por sinal, de uma famosa novela exibida na minha adolescência, O Bem-Amado, cujo protagonista, o prefeito Odorico Paraguaçu, extraordinariamente interpretado pelo ator Paulo Gracindo, fazia estripulias no campo da linguagem em seus pronunciamentos para justificar as suas tramoias.

Histórias à parte, tal hábito, infelizmente, continua entranhado em nosso meio. Aliás, recordo-me igualmente de certo político do passado da minha querida São Paulo, que costumava usar este expediente para ganhar a simpatia do eleitorado. A sua fala caricaturada era tão distante da realidade, tão eivada de inverdades, que, geralmente no dia seguinte, os jornais tratavam de publicar artigos desmentindo-o com veemência. Triste figura!

No entanto, mais triste ainda é o fato de se tratar de atitude generalizada, isto é, muito longe de ser apanágio exclusivo dos políticos espertalhões. Sabe-se agora que também educadores mentem descaradamente sobre os seus cursos e diplomas. A propósito, um candidato a ministro recentemente teve o seu currículo acadêmico devassado e, para a sua infelicidade, inúmeras inconsistências foram encontradas.

O resultado foi a simples retirada do convite para assumir posição altamente relevante na administração pública do país. Por conta disso, esse indivíduo – embora não seja o único, vale frisar – terá de conviver com uma dolorosa pecha para o resto dos seus dias. O seu caso despertou a atenção para outros que também mentiram sobre os seus títulos, mas que gozam de maior complacência. Até mesmo no Espiritismo – valha-me Deus – há gente que afirma ter conhecido em tom de jactância este ou aquele expoente, esquecendo-se da sempre elogiável discrição como princípio.

Seja como for, a questão central é que mentir não é uma atitude sã. Tal desvio de conduta revela que o seu portador possui alguma anormalidade que o impede de se apresentar ao mundo tal como é. Por isso, independentemente das nossas características intrínsecas ou extrínsecas, não devemos temer a atitude de empregar a verdade em todas as ocasiões. O cultivo da verdade é diretriz seguida por almas essencialmente maduras, cientes da sua real condição, e que não sucumbem mais aos apelos das falsas aparências.

Consagrar-se ao hábito de mentir, por outro lado, é conduta típica daqueles que não conseguem alcançar o estado ou condição que propalam, e que se valem desse recurso obscuro para alcançar vantagens ou conquistas imerecidas. Mas como não há mal que fique indefinidamente encoberto, um dia a verdade vem à tona e com ela a vergonha de ser desmascarado. Na verdade, os recursos tecnológicos ora existentes contribuem significativamente para desvendar a verdadeira identidade de cada um. Diria, por isso, que mentir é fundamentalmente perda de tempo, já que se gasta o precioso recurso em atividades que não se sustentarão para sempre. Posto isto, recorro uma vez mais ao ensinamento do Espírito Joanna de Ângelis, no livro Luz da Esperança (psicografia de Divaldo Pereira Franco): “Acostuma-te a ser fiel à verdade e ela estará à tua frente, abrindo-te os caminhos por onde palmilharás, sem que receies ser por ela seguido, corrigindo as tuas informações e dando a dimensão do teu comportamento, como sucede ao mentiroso”.

Sendo assim, sejamos verdadeiros em todas as circunstâncias de nossas vidas. Não atribuamos a nós características ou feitos que ainda não somos capazes de realizar.

AnselmoFerreira Vasconcelos
Fonte: Espiritismo na Rede

Nota:

[1] Avaliei outros aspectos no seguinte artigo: Enfrentando os males da mentira. O Consolador [On-line], ano 12, nº 578, 29 de julho de 2018.