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12 setembro 2018

A Empatia, em contrapartida ao Egoísmo - Devaldo Teixeira de Araújo



A EMPATIA, EM CONTRAPARTIDA AO EGOÍSMO



Há dias tenho pensado sobre nossas dificuldades em bem compreender e praticar a verdadeira atitude cristã e também cidadã, em nossa interação social, em face do atual estado de turbulência por que passamos de um modo geral, em que alguns se revoltam pela indignação ante as causas e circunstâncias que ocasionaram e motivam tal situação adversa. Enquanto outros, alheios aos reais e graves problemas que se nos defrontam, se iludem no marasmo a que se prestam ou até mesmo são induzidos, e se comprazem como se julgando bastar-se a si mesmo, por puro egocentrismo, muitos inconscientemente, esquecidos de que somos seres sociais e, como tal, interdependentes. E, portanto, necessitamos da convivência social, que, quando em uso consciente de nossas faculdades superiores, compreendemos que não poderemos viver e sermos felizes isoladamente, jamais.

Por isso, tenho convicção de que a nossa verdadeira felicidade, em paz de espírito, não pode se dar, exclusivamente; tal quando, por exemplo, vemos ao nosso redor situações conflitantes, injustiças e abusos, que ocasionam sofrimentos aos nossos semelhantes, mesmo que estes não façam parte de nosso convívio direto e até mesmo estejam noutro patamar social. Por termos a nossa corresponsabilidade social para com tudo e todos, se não estivermos com nossa consciência ou faculdades superiores entorpecidas pelo egoísmo das preocupações apenas imediatistas, na ilusão das vantagens e prazeres exclusivistas, alheios aos problemas que atingem os nossos semelhantes de todas as esferas.

E percebo que esse estado de descaso se dá por pura alienação, literalmente, fruto do egoísmo que se nos acerca de todas as formas e circunstâncias. Por falta da autêntica empatia, ou seja, dessa capacidade de compreensão dos sentimentos de outrem, de interpretar os desejos e as necessidades do próximo sem que seja preciso a verbalização; da habilidade de imaginar-se no lugar de outra pessoa (que é, sabidamente, a melhor forma de se julgar alguém); do envolvimento emocional; enfim, do verdadeiro sentimento de amor ao próximo. E, por isso, o individualismo nocivo em detrimento de outrem, que tanto vemos e sentimos em nossa sociedade, contrariando os exemplares ensinamentos do divino Mestre Jesus, guia e modelo para a Humanidade.

Nesse contexto, esclareceu-nos o primoroso Emmanuel: “O egoísmo, chaga da Humanidade, tem que desaparecer da Terra, a cujo progresso moral obsta. O egoísmo é, pois, o alvo para o qual todos os verdadeiros crentes devem apontar suas ‘armas’, dirigir suas forças, sua coragem. Digo: coragem, porque dela muito mais necessita cada um para vencer-se a si mesmo, do que para vencer os outros. Que cada um, portanto, empregue todos os esforços a combatê-lo em si, certo de que esse monstro devorador de todas as inteligências, esse filho do orgulho é o causador de todas as misérias do mundo terreno. É a negação da caridade e, por conseguinte, o maior obstáculo à felicidade dos homens.

Jesus vos deu o exemplo da caridade e Pôncio Pilatos o do egoísmo, pois, quando o primeiro, o Justo, vai percorrer as santas estações do seu martírio, o outro lava as mãos, dizendo: Que me importa! …

Expulsai da Terra o egoísmo para que ela possa subir na escala dos mundos, porquanto já é tempo de a Humanidade envergar sua veste viril, para o que cumpre que primeiramente o elimineis dos vossos corações.” (Transcrito e adaptado do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, c. XI, item 11 – Allan Kardec)

O que me faz lembrar e oportuno repetir o que pensei e escrevi em 2004: “Na raiz de todos os nossos males encontramos a obscuridade do egoísmo; enquanto em todas as realizações dignificantes encontramos a luz do Amor.”

Exercitemos, então, a empatia edificadora em contrapartida ao egoísmo destrutivo!

Devaldo Teixeira de Araújo

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