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21 junho 2020

A missão profética do coronavírus - Mário Frigéri




A MISSÃO PROFÉTICA DO CORONAVÍRUS


“Nada temais, pequenino rebanho: aprouve ao Senhor Deus vos dar o seu Reino.” – Jesus [Lucas, 12:32]

Este artigo contém um breve relato histórico da evolução de nosso planeta e de sua Humanidade, desde sua criação aos dias presentes, tendo por objetivo explicar a razão de estar ocorrendo em todos os seus quadrantes o atual surto de coronavírus. A explanação não tem o rigor de um trabalho científico e, em suas referências, cita fontes gerais e não específicas, pois se funda na fé e no conhecimento doutrinário e espiritual, que estão muito acima das comprovações requeridas pelo intelecto humano, sempre falível em seus fundamentos, não obstante sua pretensa precisão matemática. Contamos, pois, com a compreensão do leitor, que deverá entender esta abordagem como uma das muitas possíveis para esse intrincado problema.

Jesus é cocriador da Terra com Deus

1. Jesus criou este planeta por agregação atômica há aproximadamente quatro bilhões e setecentos milhões de anos, revestiu-o de vida vegetal e animal, e colocou nele o homem, ou seja, esta Humanidade que aqui se encontra até hoje. Pela lei da reencarnação, a Humanidade que aqui está, desde o primeiro homem que habitou o mundo, é a mesma que aqui permanecerá até o dia em que o planeta desaparecer no Universo, por dissolução atômica. Isto deverá ocorrer talvez daqui a oito bilhões de anos, como explano em meu livro O homem – da caverna à vida eterna, com forte embasamento científico, filosófico e religioso.

O homem tem um Espírito imortal

2. O homem – que é mortal e, em cada encarnação, nasce num corpo gerado pela união de um espermatozoide com um óvulo – tem um Espírito imortal, que nasceu das mãos de Deus, no Infinito, em um tempo que foge à nossa limitada compreensão intelectual. À medida que os corpos foram se multiplicando na Terra, os Espíritos, na mesma proporção, foram também trazidos gradativamente por Jesus de outros orbes do Universo, de onde precisaram ser excluídos por sua obstinação no mal.

A Terra é hospital e penitenciária

3. A Terra é, portanto, um hospital e uma penitenciária ao mesmo tempo – hospital, porque todos os seus habitantes estão espiritualmente doentes; e penitenciária, porque todos estão impedidos de ascender a mundos mais felizes até a quitação de seus débitos cármicos perante a Lei Divina. Como Deus respeita o livre-arbítrio humano, não há prazo determinado para a regeneração e cura da Humanidade, e esse prazo pode durar ainda alguns milhares de anos. A despeito disso e contrariando a própria palavra do Cristo, alguns formadores de opinião vêm, ao longo do tempo, estabelecendo datas de forma temerária para essa realização.

Deus envia Mensageiros de Luz 

4. Desde que há algumas dezenas de milênios começou a desabrochar na mente do homem as primeiras manifestações do raciocínio e da razão, Deus também começou a enviar-lhe Mensageiros de Amor e Luz que, de forma gradativa, lhe foram revelando a religião, a filosofia e a ciência que regem os Planos Superiores da Vida. A missão desses Emissários era acender luzes no espírito humano que lhe despertassem a alma para a fé, encurtassem o tempo de suas provas e expiações, e o conduzissem à sua quitação e plenificação espiritual.

Jesus viveu entre nós

5. Essa estratégia da Misericórdia Divina culminou, há dois mil anos, com a vinda do Cristo ao nosso meio, para nos trazer o Evangelho Redentor, no qual se encontram semeadas e exemplificadas por nosso Divino Mestre todas as virtudes capazes de fazer do homem um anjo de luz. Essas virtudes, como diamantes a faiscar perante nossos olhos, se contrapunham a todas as chagas morais que nos levaram, como Espíritos, a ser exilados na Terra: a humildade para eliminar a nossa soberba; a caridade para eliminar o nosso egoísmo; e a solidariedade para eliminar a guerra psíquica e física enraizada dentro de nós.

Nós escarnecemos de Jesus

6. E o que aconteceu? A Humanidade caiu de joelhos, em lágrimas, diante da presença do Cristo, agradecida por essa concessão da Bondade de Deus em prol de sua redenção? A Humanidade passou imediatamente a viver esses princípios sagrados, agarrando-se a eles como o náufrago se agarra a uma única tábua de salvação? Não. Não. Não. Mil vezes, não! Ela cuspiu no Evangelho, escarneceu do Mensageiro Sublime que o trouxe e, com instinto carniceiro, o levou à ignomínia da cruz. E não satisfeita com isso, para deixar patente sua repulsa à interferência de Deus nos negócios humanos, assumiu um débito cármico terrível perante a Vida, rogando que o sangue d’Aquele Justo caísse sobre si e seus descendentes para sempre. E esse sangue, de que estão retintas nossas mãos, está caindo sobre o mundo até hoje.

Hoje nós temos o Evangelho

7. E não se diga que isto aconteceu por culpa de romanos e judeus, e que nós nada temos com esse infausto acontecimento. Seria o mais grosseiro sofisma. Na esteira da História, nós somos aqueles romanos e judeus. Pela lei da reencarnação, nós é que estávamos lá esbravejando contra o Cristo. E hoje, dois mil anos depois, ainda permanecemos em situação pior que a deles, porque eles, até aquela data, não tinham as lições do Evangelho para nortear as suas ações. Mas nós, faz dois mil anos que temos o Evangelho diante de nossos olhos, sempre lembrado e recitado, mas não praticado nem vivido, pois isto demandaria uma reforma espiritual dificultosa que o ser humano não quer enfrentar nem assumir. Não temos, portanto, desculpas.

A ganância tem enceguecido o homem

8. Hoje, o mundo permanece absurdamente surdo à voz do Alto, envolvido pela trama da treva e voltado somente para o poder, o sexo, a droga, o enriquecimento material, a diversão que anestesia a mente, as fantasias que embriagam o coração, e todas as formas de prazeres transitórios que a matéria lhe proporciona. As religiões que, em princípio, deveriam ser o farol da Humanidade neste momento infeliz, também estão enceguecidas pela ganância, porque, com as louváveis exceções de praxe, vivem em sua maioria para extorquir seus adeptos financeiramente e subjugá-los espiritualmente.

Deus manda seus Ministros à Terra

9. Não é de admirar, portanto, que Deus ponha em ação seus Ministros Redentores, que existem para dar direção segura à Humanidade sempre que esta necessitar de correção em seus rumos. A meta é a redenção do homem, não a sua destruição; a renovação do planeta, não o seu fim. Para isso o arsenal de Deus está cheio de recursos a que nenhum poder humano pode se opor. Dentre esses recursos, podem ser citados os Quatro Cavaleiros do Apocalipse que, segundo os intérpretes mais acreditados, são a Luz, a Treva, a Doença e a Morte; os rebates de guerra das Sete Trombetas que, de tempos em tempos, a cada clarinada, revolvem as camadas da sociedade para arejá-las; e as Sete Taças com as Sete Últimas Pragas, uma delas despejada no ar e disseminada pela redondeza da Terra, talvez para atingir o homem na sua fonte de vida: a respiração.

O coronavírus tem missão reeducativa

10. É nossa firme convicção, com fundamento nas profecias bíblicas, que o coronavírus, em sua versão de Covid-19, não surgiu na Terra sem a determinação de Deus e não deixará a Terra sem a sua autorização. Ele tem uma importante missão reeducativa a cumprir e somente cessará essa atividade quando houver realizado integralmente a sua tarefa. Se, como revelou Jesus, não há um fio de cabelo de nossa cabeça que caia sem que Deus saiba, como é que vai cair um homem, milhares ou milhões de homens sem que Deus o permita? O vírus é sem dúvida terrível, mas não mais terrível que o carma virulento da Humanidade. Tudo isso encerra uma grande lição, muito bem lembrada pelo Apóstolo Paulo e ainda não assimilada pela mente infantil do ser humano: “Tudo aquilo que o homem semear, isto mesmo terá de colher”.

A Humanidade será separada em joio e trigo

11. Mas não nos iludamos quanto à resiliência da natureza humana. Quando Deus permitir à Ciência debelar o vírus de hoje – que deverá ocorrer em breve –, a Humanidade retornará à normalidade de seu curso. E então esquecerá a peste que a atormenta nos dias atuais e retornará também às ações irresponsáveis de antes, exatamente como o cão retorna ao vômito. Mas um dia que não vem longe, o gênero humano, por amadurecimento, estará separado em trigo e joio, segundo a parábola do Senhor. Nesse abençoado dia, Deus fará o banimento da Terra para planetas inferiores daquela parcela do mundo que permanecer impermeável às suas Diretrizes Divinas. Isto foi o que aconteceu no passado, de outros planetas para cá, e é o que acontecerá de novo, daqui para planetas mais primitivos, porque a História se repete nas regiões inferiores do Universo. É o que diz Jesus, em suas parábolas do Evangelho (que muitos leram e poucos entenderam), e é o que diz também em suas profecias do Apocalipse (que poucos leram e nada entenderam). Só restará um pequeno rebanho que, em face de um Novo Céu e uma Nova Terra, dará início a uma nova e gloriosa fase na História da Humanidade.

Fé e caridade são a salvaguarda do homem

12. A fé em Deus, no Cristo e no Espírito Santo ou Paráclito, e a prática permanente da caridade nos seus aspectos físico, moral e espiritual são a salvaguarda dos verdadeiros operários do Bem neste mundo, o único antídoto para o pânico que está tomando conta da Humanidade neste momento. Deus não tem religião. Os Mandamentos Divinos encontram-se revelados no seio das principais religiões, em muitas correntes filosóficas e em partes mais saudáveis da Ciência. E como Deus é justo e dá a cada um segundo suas obras, a vivência desses princípios em qualquer tempo ou lugar, por crentes e ateus, é que dará segurança a cada um, situando-o dentro de um casulo magnético protetor que o isolará de qualquer ataque a que não faça jus. Tudo o que há de bom já está em trânsito entre Deus e nós.

Jesus é o farol que resplandece nas trevas

13. Que as palavras do Cristo, portanto, sejam o nosso farol no momento grave que estamos vivendo. Primeiro, Jesus falando ao Pai Celestial e revelando que nem todos no mundo cerrarão fileiras ao seu lado na hora da Transição Planetária: 

1. Pai, Eu não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste do mundo, porque são teus. 
2. E Eu não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do mal [João, 17:9 e 15].
E agora, Jesus falando a cada um de nós e revelando que Fé, Amor e Boas Obras são o diferencial para a nossa segurança e salvação: 

1. Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, Ele o corta; e todo o que dá fruto, Ele limpa, para que dê mais fruto ainda. 
2. Como o Pai me amou, também Eu vos amei; permanecei no meu amor [João, 15:1, 2 e 9]. 
3. […] No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo: Eu venci o mundo. 
4. Não se turbe, portanto, o vosso coração nem se arreceie, porque Eu estarei convosco, todos os dias, até o fim do mundo [João, 16:33; 14:27; Mateus, 28:20].

Com Jesus somos invencíveis

14. Jesus declarou que o Reino de Deus está dentro de nós. Elevemos então a Ele esta súplica, nesta hora gravíssima para a Humanidade: “Senhor Jesus, permite que o Reino de Deus que existe dentro de mim esteja conectado ao Reino de Deus que existe dentro de ti, a fim de sermos um, como tu desejas no teu Evangelho”. E completemos nossa sintonia espiritual com o Cristo por meio desta chave luminosa de Casimiro Cunha: “O mundo faz vencedores, mas Jesus faz invencíveis”.


Chico Xavier contou, certa vez, que um aprendiz, chegando perto de um pastor de ovelhas, perguntou:

– Se uma ovelha cair na fossa, o que você fará?
– Eu a retiro da fossa e levo comigo – respondeu o pastor.
– Mas e se a ovelha se machucar, se estiver ferida? – tornou o aprendiz.
– Eu a curo, e mesmo se estiver sangrando, eu a carrego – retrucou o pastor.

O aprendiz pensou demoradamente e indagou, por fim:
– Mas e se a ovelha fugir para muito longe, léguas e léguas?

O pastor, zeloso e experimentado, fitando o rebanho que pastava no vale, respondeu:
– Eu não devo ir atrás dela, porque não posso deixar todo o rebanho por causa de uma ovelha rebelde. Então eu mando o cão buscá-la…

Coroando os preciosos apontamentos da tarde, Chico arremata com as seguintes palavras:
– A mesma coisa acontece com o Cristo diante de nós, quando nos afastamos léguas e léguas do caminho certo. Ele não vai atrás, mas vai o cão, que é o sofrimento…

E esse cão, completamos nós, para quem tem olhos de ver, pode muito bem ser o cãoronavírus…


Mário Frigéri
Fonte:  Revita Reformador - F.E.B.


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