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26 setembro 2013

Conquista e Liberdade - Irmão X


CONQUISTA E LIBERDADE

Quase todas as criaturas guardam ciosamente as disposições da avareza. Seja entre as possibilidades do dinheiro ou da inteligência, do favor público ou da autoridade, a tendência de amontoar caracteriza a maioria dos homem. O tirano congrega fâmulos e turiferários, como os magnatas monopolizam os grandes negócios materiais. Os pregadores, quase sempre, estimam os ouvintes, não pela qualidade, mas pelo número. Os escritores, em geral, sentem-se desvanecidos com as gentilezas da multidão. Não importa se o simpatizante de suas obras é algum êmulo de José do Telhado. Sabem apenas que a lista de seus leitores relaciona mais um. Madame de Staël reunia admiradores para a sua inteligência. Ninon de Lenclos arrebanhava adoradores para a sua beleza.

Minúsculos sóis revestidos de lama, quase todos os Espíritos encarnados exigem satélites para a sua órbita. Quanto maior a côrte de pessoas, situações, problemas e coisas, maior importância atribuem a si mesmos. No entanto, em vista da exatidão da Contabilidade Divina, os conquistadores humanos convertem-se, aos poucos, em escravos das próprias conquistas. Exigem as grandes naus para singrarem o mar da vida, mas Deus, à medida que lhes satisfaz os caprichos, decuplica-lhes as obrigações e tormentos. Alexandre Magno, rei da Macedônia, submeteu a Grécia, venceu a Pérsia, conquistou o Egito, tomou Babilônia e morreu, atacado de febre maligna, aos trinta e três anos, dividindo-se-lhe o vasto império entre os generais de suas aventuras sangrentas. Napoleão Bonaparte, após distribuir coroas na Europa, improvisando príncipes e administradores, sob as volutas de incenso do poder, morre, melancolicamente, em Santa Helena, como fera acuada num cárcere defendido pela extensão do mar.

Nem todos passam no mundo, agraciados pelo favor das armas, como Alexandre e Napoleão, todavia, copiando-lhes o impulso, quase todos os homens e mulheres da Terra são teimosos conquistadores a se mergulharem, cada dia, nas pesadas e angustiosas preocupações por novos troféus. Reclamam incessantemente mais tesouros, garantias, facilidades, distrações e prazeres. As aquisições a que se agarram, porém, efetuam-se no campo da morte. Intensificam a satisfação egoística do corpo jovem, obtendo a velhice prematura. Amontoam dinheiro para serem escravos de sua defesa.

Raríssimos Espíritos encarnados se recordam da conquista de si mesmos, na posse gradual da virtude santificante e da sabedoria libertadora. E é por isso que, terminada a lição carnal, penetram no pórtico do túmulo, como grandes desesperados, lastimando a perda do instrumento físico.

É necessário libertarmo-nos, para que compreendamos a liberdade. E, sem luz no coração, é impossível fugir ao jogo de sombra das conquistas exteriores. Não preconizamos a impassibilidade que alguns budistas aconselham, a distância dos ensinamentos reais do Gautama. Proclamamos a necessidade do trabalho das mãos com a iluminação do entendimento.

A morte esperará todas as criaturas em seu campo de verdade. E ao influxo de sua luz, devemos restituir ao mundo todos os patrimônios exteriores que ajuntamos, em nossa mania de conquistar ao inverso, revelando o que amontoamos, dentro de nós, para a verdadeira vida.

Terá bastante força a palavra dos mortos para despertar a consciência dos vivos? Não acredito. Mas se Jesus, que é o Divino Senhor da Humanidade, continua semeando a verdade e o bem, porque deixaríamos, nós outros, de semear?

O mundo de carne é vasta esfera, cheia de berços luminosos, onde a vida é provável, e repleta de sepulturas sombrias, onde a morte é fatal.

Bias, o sublime cidadão de Priene, viveu para a bondade e para a sabedoria, no serviço aos semelhantes. Filósofo eminente e sábio generoso, era o amigo de todas as classes, e nunca se escravizara às posses efêmeras, nem conspurcara a consciência ouvindo as sugestões do mal.

Quando os soldados de Ciro ameaçavam a cidade com invasão e ruínas, seus compatriotas amealhavam, apressadamente, seus pequenos tesouros domésticos para a retirada. Homens e mulheres, velhos e crianças, atropelavam-se uns aos outros, tentando salvar, com êxito, as jóias e haveres, os perfumes e tapetes custosos. Observando, porém, que o sábio se mantinha calmo e indiferente às inquietações da hora, interpelaram-no quanto à carga que deveria conduzir, mas, com espanto, ouviram-no informar :“Eu trago tudo comigo!”

Guardava o nobre cidadão seus patrimônios inalienáveis de bondade, retidão e inteligência.

No supremo instante da morte, quando nos sitiam as armas invisíveis da realidade, ai daqueles que não puderem repetir a inesquecível informação do filósofo aos companheiros em desesperação!

A ignorância estabelece o cativeiro, mas a sabedoria oferece a liberdade.

Se as conquistas do homem restringem-se ao plano das aquisições externas, com o desconhecimento do caráter transitório da existência humana, chegado o momento decisivo em vão tentara carregar alfaias e adornos, vestuários e depósitos terrestres, porque, em verdade, não ficará pedra sobre pedra.


Pelo Espírito Irmão X *
Do Livro: Lázaro Redivivo 
Médium: Francisco Cândido Xavier
 * Humberto de Campos

25 setembro 2013

Os Transgêneros sob o Enfoque de um Espírita - Jorge Hessen


OS TRANSGÊNEROS SOB O ENFOQUE DE UM ESPÍRITA

Wren Kauffman, um garoto canadense de 11 anos , vai voltar à escola nesta semana sem omitir um fato importante de sua vida – ser transgênero, isso é, ter nascido como menina. Wren, como outros casos já registrados, se reconhece como uma pessoa do sexo oposto.  Estudos citados pela Associated Press indicam que seis em cada mil estudantes vivem a experiência de ser transgênero.

Professores e colegas no colégio onde Wren estuda sabem a verdade – que ele, cujo nome original era Wrenna, vive e sente-se como um garoto. Sempre odiou usar vestidos, é fã do homem-aranha e se vestiu de super-herói em um Dia das Bruxas. Quando tinha cinco anos, Wren fez sua mãe levá-lo para cortar o cabelo bem curto – ele queria ficar parecido com um dos atores da série “High School Musical”. Kauffman afirma não se lembrar do momento em que não se identificou com o sexo masculino. (1)

A partir de 1º de novembro de 2013, a justiça alemã oferecerá aos pais de recém-nascidos transgênero três opções para registrar seus filhos: “masculino”, “feminino” e “indefinido”. (2) Deste modo, os germânicos serão os primeiros europeus a oficializar o terceiro gênero. Sob o ponto de vista espírita é compreensível que esses pais optem por “terceiro gênero” para registro de nascimento. A sociedade dá sinais de avanço para compreender que o ser humano não se reduz a morfologia de macho ou fêmea.  Encontramo-nos  diante  do fenômeno  “transexualidade” perfeitamente compreensível, à luz da reencarnação.

Inobstante as características morfológicas, o Espírito reencarnado, em trânsito no corpo físico, é essencialmente superior  ao simples gênero masculino ou feminino. O Espírito Emmanuel adverte que aprenderemos, gradualmente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos, para se erguerem como  agentes mais elevados de definição da dignidade humana, de vez que a individualidade, em si, exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento  na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinquência.”(3)

A lei alemã (4) é protegida por decisão do tribunal constitucional, estabelecendo que pessoas profundamente identificadas com um determinado gênero têm o direito de escolher seu sexo legalmente. Com isso, abre a possibilidade de o Espírito reencarnado, ao se tornar fisicamente adulto, escolher posteriormente se prefere ser definido como homem ou mulher segundo sua composição psíquica. Ou até mesmo seguir com o sexo [morfologicamente] indefinido pelo resto da vida.

Para os Benfeitores espirituais “as características sexuais dos Espíritos fogem do entendimento humano, até porque são os mesmos os Espíritos que animam os corpos de homens e as mulheres. Para o Espírito; (re)encarnar no corpo masculino ou feminino [acrescentamos corpo sexualmente indefinido] pouco lhe  importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar.” (5)

Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres, porque não têm sexo. “Visto que lhes cumpre progredir em tudo, cada sexo [experiência masculina ou feminina], como cada posição social, lhes proporciona provações e deveres especiais e, com isso, ensejo de ganharem experiência. Aquele que só como homem [ou mulher] encarnasse só saberia o que sabem os homens [as mulheres].” (6)

Notemos o que nos explica o Espírito Emmanuel. (7)  Através dos milênios, o Espírito  passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas.O homem e a mulher serão, desse modo, de maneira respectiva, acentuadamente masculino ou  acentuadamente feminina, sem especificação  psicológica absoluta. A face disso, a individualidade em trânsito, da experiência feminina para a masculina ou vice versa, ao envergar o casulo físico, demonstrará fatalmente os traços da feminilidade em que terá estagiado por muitos séculos, em que pese ao corpo de formação masculina que o segregue, verificando-se análogo  processo com referência à mulher nas mesmas circunstâncias.

Em vista do exposto, o Espírito ao renascer pode adotar um corpo feminino ou masculino, não somente atendendo-se ao imperativo de encargos particulares em algum setor de atuação, como igualmente no  que pertence a comprometimentos regenerativos. O ser que abusou das capacidades genésicas, arruinando a vida de outras pessoas com o aniquilamento de uniões construtivas e lares distintos, em muitos casos é levado a procurar nova experiência sexual, na reencarnação, em corpo morfologicamente inverso à sua natureza psíquica, aprendendo, em regime de prisão, a reajustar os próprios sentimentos.

Observadas as tendências homossexuais dos Espíritos reencarnados nessa faixa de prova ou  de experiência, é forçoso se lhes dê o amparo educativo  adequado, tanto quanto se administra instrução à maioria heterossexual. E para que isso se verifique em linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje para mais alto entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto, à frente da vida eterna, segundo o Mentor de Chico Xavier “os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do  sexo  e do amor, são analisados pelo  mesmo elevado  gabarito de Justiça e Misericórdia. Isso porque todos os assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da consciência de cada um.”(8)

Jorge Hessen


Referências bibliográficas:

(1)    Disponível em http://www.marataizes.com.br/noticias/news.php?codnot=298361 acesso 05/09/2013
(3)    Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1997, Cap. Homossexualidade
(4)    A lei só contempla bebês que tiveram diagnóstico médico de hermafroditismo.
(5)    Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Parte 2ª – Capítulo IV – DA PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS – Sexo nos Espíritos, questões 200, 201 e 202.
(6)    Idem .
(7)    Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1997, Cap. Homossexualidade
(8)    Idem



24 setembro 2013

Causa Dano Psicológico à Criança um Casal Homossexual Adotá-la? - Wellington Balbo

 

CAUSA DANO PSICOLÓGICO À CRIANÇA UM  CASAL  HOMOSSEXUAL ADOTÁ-LA?


Há alguns meses na cidade de São Paulo participei de seminário sobre homossexualidade com renomado psicólogo.

Uma das perguntas endereçadas a ele foi a seguinte: Qual o dano psicológico para uma criança se for adotada por um casal homossexual?

Sua resposta foi: Nenhum dano psicológico, porquanto o fundamental não é a opção sexual dos pais, mas, sim, as referências de pai e mãe que a criança deve ter em sua educação. E continuou o aluno a perguntar: Mas esta criança não poderá ser homossexual como seus pais? Bem, disse ele, lembre-se, meu caro amigo, que todo homossexual é filho de um casal heterossexual.

Por qual razão abordo este assunto aqui? É que dias atrás ministrei palestra sobre o tema família em um centro espírita e, claro, o assunto abordado neste texto foi motivo de muitas indagações.
Pode ser considerada família esta composição: Papai, papai e filhinhos? Ou: Mamãe, mamãe e filhinhos?

Pesquisa realizada pela USP (Universidade de São Paulo), uma das mais renomadas universidades de nosso país, e coordenada por Ricardo Vieira de Souza, corrobora com os dizeres do conferencista acima, de que não há danos psicológicos para a criança adotada por casais homossexuais, porquanto, como já dissemos, o relevante é a referência de pai e mãe, ou seja, os papéis  desempenhados pelo casal.

Portanto, pode ser considerada uma família casais homossexuais que adotam crianças, sem qualquer problema.

Você poderá me indagar: Mas então você é a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, da adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo?

Não sou a favor e nem contra. Também não estou em cima do muro. Sou a favor da felicidade, do amor e de crianças bem cuidadas, que recebam carinho e afeto, enfim, uma boa educação.

Sabe o que causa dano psicológico a uma criança? Violência seja física ou psicológica. O que causa danos são os pais espancando-se, agredindo-se com palavras de baixo calão ou fazendo chantagens emocionais... Amar alguém não causa dano algum, jamais causará dano quando se quer bem um ser humano.

Jesus, em sua infinita sabedoria afirmou que o importante desta vida é amar fazendo ao próximo tudo aquilo que queremos nos seja feito.

Ora, como cristãos e espíritas cabe-nos exercitar o amor não julgando situações que nos escapam ao alcance. Desconhecemos o histórico espiritual das pessoas envolvidas, dos homossexuais e também dos heterossexuais, logo, é complicadíssimo qualquer julgamento sobre alguém que está simplesmente utilizando o seu direito de amar.

Já nos disse Kardec que a natureza deu ao homem a necessidade de amar e ser amado.

Maravilha de mensagem!

Portanto, papai, papai e filhinho e mamãe, mamãe e filhinho só causarão dano à criança se não tiverem amor um pelo outro...

Nunca se perde por amor... Nunca se perde... Seja de mesmo sexo ou sexo oposto, quando se tem amor tudo se resolve.






23 setembro 2013

Meimei - Um Amor das Estrelas - Carlos Alberto Braga Costa



MEIMEI  - UM AMOR DAS ESTRELAS
A primeira comunicação

Neste episódio celebraremos o primeiro contato do Espírito Meimei com o seu viúvo Arnaldo Rocha.



Com o objetivo de sermos fidedignos a esta história, já contada anteriormente por Arnaldo a Wallace Leal Rodrigues, transcreveremos, do livro Meimei – Vida e Mensagem, o trecho que se refere a este episódio, em vez de contá-lo com as nossas deficientes palavras.


Arnaldo faz referência à mudança de Chico Xavier para Uberaba.


– Toda a minha história se iniciou com o desencarne de Meimei em 1 de outubro de 1946. Em 11 de outubro do mesmo ano, numa noite de quarta-feira chuvosa e fria, procurava me esconder do temporal e aportei-me na residência de meu irmão Geraldo Benício Rocha:



“Ao abrir-me a porta, deparei com cerca de seis ou oito pessoas, livros sobre a mesa... compreendi que iriam fazer reunião espírita. Quis retornar meus passos, mas começou a chover torrencialmente. Contrariado, mesmo assim resolvi ficar. Dos presentes, conhecidos somente ele, sua esposa, minha cunhada Luíza, e uma velha e querida amiga, Da. Eny Fassanello, velha e bem amada amiga de nossa família, italiana de origem, já de há muito residindo no Brasil, porém, falando muito deficientemente o português, sabe como é, tudo era um ‘imbróglio’. Como amo esta querida e sofredora criatura! Quanto lhe devo! Os demais, nunca os tinha visto.


Apresentações rápidas. Uma senhora, de mais ou menos trinta anos, simpática, gorda, nunca mais a vi, parece-me que era do interior de Minas Gerais. O fato é que nunca mais foi às reuniões. Segurando-me as mãos, carinhosamente, olhou-me profundamente e começou a contar toda a vida de Meimei (Naná, como ela dizia, esse era o apelido familiar de Meimei), com detalhes impressionantes, coisas de nossa vida em comum que somente Meimei e eu sabíamos — nossos sonhos, esperanças, decepções. 

Finalizou falando de nossa casucha, dando local, os nossos sonhos para futuras modificações.


(...). A segunda senhora a ser-me apresentada, jovem ainda, talvez entre uns vinte e três a vinte e oito anos, bonita criatura, palavra fluente, inteligente, olhar meigo e encantador -durante o período em que conversávamos, não sei explicar, parecia-me que algo indefinível e estranho ligava-me, bem como Meimei, a essa criatura. Essa senhora, também, nunca mais retornou às nossas reuniões.

 Falava-me com uma infinita ternura sobre Meimei, porém de uma forma que somente as amizades muito lindas e sinceras possuem tais expressões, disse-me da vida íntima de Meimei, da forma com a qual ela foi vestida no caixão – em Minas é comum vestir os defuntos. Meimei, por sugestão de minha querida irmã Filute, foi vestida com as vestes de Nossa Senhora das Dores. Não sei lhe explicar isso, falou-me do local onde é sua sepultura, e, fato estranho, que Meimei, dias antes de se recolher ao leito, submeteu-se a um tratamento odontológico, sofreu uma apicectomia, dente incisivo, esquerdo, maxilar inferior e, por um acidente, o dentista quebrou-lhe a parte superior do dente.


Ora, meu querido, quem sabia disto, apenas eu, Meimei e o dentista. Esta querida senhora deu-me muitos conselhos e reconfortou o meu pobre coração. Falou uma alma irmã, sem nenhuma preocupação de fazer-me acreditar no fenômeno, porém falou o verdadeiro espírito da caridade cristã. Aí, (...), aconteceu algo que me deixou profundamente abalado... segurando minhas mãos, olhou-me com profundo amor e ternura, e disse-me:


– Naldinho – era a primeira vez que eu via a tal criatura –, você não vai compreender agora, porém, alegre o seu coração, não permita que a tristeza o impeça de compreender a Bondade de nosso Pai Celestial; todavia, meu bom amigo, nossa Meimei está muito bem, ela retornou ao convívio de almas que muito a amam e que muito colaboraram para que ela pudesse levar avante e vencer uma série de provas e resgates. Não se assombre se eu lhe disser que você voltará a se casar: é preciso resgatar certas coisas. Ela, na época oportuna, buscará alguém a quem ambos muito devem, não retire suas mãos das minhas e ouça-me com humildade e paciência. Ela promoverá, se você quiser, o reencontro de muitos e muitos corações queridos, dos quais seu orgulho, fanatismo religioso e prepotência os separou.


(...), sinceramente, não sei explicar o porquê de me lembrar destas coisas depois de tantos e tantos anos, parece-me que isto ocorreu agora. Enquanto ela falava eu pensava com os meus botões: ‘Luiza deve ter contado o dia todo a estas senhoras minha vida e de Meimei, esse povo todo é completamente fora de órbita! Pensam que me enganam, afivelemos a máscara da credibilidade e da bobice e fiquemos calados? E o melhor que podemos fazer’.

Muito bem, fez-se silêncio. Oraram, fizeram leituras. Apagaram-se as luzes. Para mim, na época, nada entendia do assunto, meu irmão pôs-se de pé e começou a falar, e, intimamente, eu pensava: ignorava que o mano possuísse tanta cultura, que lindas expressões de carinho e consolações, prendi-me à palavra do mano. Hoje sei que através de seus canais psicofônicos falava um velho e querido amigo de nossa família – na época já desencarnado havia mais de trinta anos – Dr. Cornélio Millowald, de nacionalidade inglesa, que residiu por muitos anos em Tiradentes. Bem, eu estava preso à palavra que ouvia. 

(...), qual não foi minha surpresa ao lado oposto à cabeceira da mesa, onde se encontrava de pé o mano, assentava-se a querida Da. Eny. Fazia frio, havia jogado em seus ombros um agasalho de lã, qual não foi minha surpresa quando Da. Eny, em um gesto que me era profundamente conhecido, com os polegares jogou para trás o casaqjuinho e pôs-se, como se estivesse a vomitar uma. grande substância grossa, apresentando uma grande aflição. 

(...) Há muitos anos que eu não orava, deu me uma vontade imensa de o fazer, porém algo estranho ocorria comigo, meu peito crescia como se fosse um imenso balão, queria orar mas não me lembrava das palavras. Somente comecei a pedir a Deus que se compadecesse de quem ali se encontrava. Mais terna, mais dulçorosa, mais linda e amorosa continuava a palavra através do mano; à medida em que ele falava à criatura, e não sei me explicar, meu pensamento foi então ficando calmo e tranqüilo, cessaram aquelas expressões de pavor e medo, não vomitava mais. Uma sensação de paz e tranqüilidade em seu rosto. Quanto tempo durou isto eu não sei dizer. Houve um interregno de alguns segundos, creio, e o mano dirigiu-se diretamente a Da. Eny, dizendo: – ‘Fale, minha querida amiga, diga o que seu coração ditar’ (eu, cá comigo: pensei: ‘isto é gaiato, ainda perguntam se a criatura quer bater um papo’). Bom, foi aí que minha querida e sempre lembrada amiga ‘entornou o caldo’. Nunca mais presenciei tal fenômeno, e hoje, sem nenhuma vaidade, posso lhe dizer que conheço o transe mediúnico em todas as suas mais variadas formas – pela primeira e única vez ouvi algo que me estarreceu. ‘Não, meu querido amigo, ‘rialmente’, nada posso dizer, o meu Sozinho não vai entender’.


(...), a médium era sexagenária, falava horrivelmente o português, porém a voz que eu ouvi, a inflexão, o tom, o jeitinho de dizer errado “realmente” era de Meimei! Fiquei completamente transtornado. Daí a instantes a reunião terminou. Carinhosamente, todos vieram conversar comigo e eu, simplesmente, deixei-os falando sozinhos e enfrentei o temporal. Dentro de minha alma havia um temporal muito maior e muito mais avassalador”.Depois das emoções projetadas no painel do coração devido à narrativa do amigo,  conseguimos formular uma pergunta singela.

– Arnaldo, apesar da tristeza que a narrativa suscita, a ligação existente entre Meimei e Naldinho emoldura o quadro dos corações mais apaixonados. Conte, um pouco, para nós, sobre esse romance e a participação de Chico Xavier, que se tornou, após a partida de Meimei, um legítimo portador das mais belas missivas entre a Terra e o Céu.


– Meu filho, o tempo reúne sempre os corações para os devidos ajustes na ordem da justiça e do amor. Todas as mensagens que recebi de Meimei, através de Chico, revolucionaram todos os meus conceitos de vida, pois expressavam o amor que continuava a nutrir os anseios de nossas almas, apresentando novas disposições para a eternidade que nos esperava. Meimei permanecia viva entre os “mortos”, e Chico Xavier, lidando com eles diuturnamente, ajudava-me a compreender os ensinos que não paravam de chegar do Alto, em uma interação quase perfeita.


Os Espíritos, dentre eles Meimei, descortinaram o passado para justificar as dores do presente, indicando os passos de Jesus como o Verdadeiro roteiro da definitiva libertação espiritual. Nesse período é que aprendi a ser, na expressão popular, “um viúvo quase feliz”.


Carlos Alberto Braga Costa. Chico Diálogos e Recordações. Editora UEM, 2006. 3ª Edição.
Wallace L. V. Rodrigues, Meimei – Vida e Mensagem. Casa Editora O Clarim, I994.Matão: Casa Editora O Clarim. 3a edição, pág. 54 a 58. 206





22 setembro 2013

Perdoar é Libertar-se - Momento Espírita



PERDOAR É LIBERTAR-SE

Se alguém lhe atirasse uma pedra, o que você faria com ela?

Você a ajuntaria e guardaria para atirar no seu agressor em momento oportuno a ou jogaria fora?

Trataria dos ferimentos e esqueceria a pedra no lugar em que ela caiu?

Se você respondeu que a guardaria para devolver em momento oportuno, então pense em como essa pedra irá atrapalhá-lo durante a caminhada.

Vamos supor que você a guarde no bolso da camisa, onde fique bem fácil pegá-la quando for preciso.

Agora imagine como essa pedra lhe causará bastante desconforto.

Primeiro porque será um peso morto a lhe dificultar a caminhada lhe exigindo maior esforço para mantê-la no lugar.

Segundo porque cada vez que você for abraçar alguém, ambos sentirão aquele objeto estranho a machucar o peito.

Terceiro porque se você ganhar uma flor, por exemplo, não poderá colocá-la no bolso já que ele estará ocupado com aquele peso inútil.
Em quarto lugar, o seu agressor poderá desaparecer da sua vida e você nunca mais voltar a encontrá-lo e, nesse caso, terá carregado a pedra inutilmente.

Fazendo agora uma comparação com uma ofensa qualquer que você venha a receber, podemos seguir o mesmo raciocínio.

Se você guardar a ofensa para revidar em momento oportuno, pense em como será um peso inútil a sobrecarregar você.

Pense em quanto tempo perderá mentalizando o seu agressor e imaginando planos para vingar-se.

Pondere quantas vezes você deixará de sorrir para alguém pensando em como devolverá a ofensa.

E se você insistir em alimentar a idéia de revide, com o passar do tempo se tornará uma pessoa amarga e infeliz, pois esse ácido guardado em sua intimidade apagará o seu brilho e a sua vitalidade.

Mas se você pensa diferente e quando recebe uma pedrada, trata dos ferimentos e joga a pedra fora, perceberá que essa é uma decisão inteligente, pois agirá da mesma forma quando receber outra ofensa qualquer.

Quem desculpa seu agressor é verdadeiramente uma pessoa livre, pois perdoar é libertar-se.

Ademais, quem procura a vingança se iguala ao seu agressor e perde toda razão mesmo que esteja certo.

Somente pode considerar-se diferente quem age de forma diferente e não aquele que deseja fazer justiça com as próprias mãos.

Em casos de agressões que mereçam providências, devemos buscar o apoio da justiça e deixar a cargo desta os devidos recursos.

Todavia, vale ressaltar que perdoar não é apenas esquecer temporariamente as ofensas, é limpar o coração de qualquer sentimento de vingança ou de mágoa.

Pense nisso!

A pedra bruta perdoa as mãos que a ferem, transformando-se em estátua valiosa.

O grão de trigo perdoa o agricultor que o atira ao solo, multiplicando-se em muitos grãos que, esmagados, enriquecem a mesa.

O ferro deixa-se dobrar sob altas temperaturas e perdoa os que o modelam, construindo segurança e conforto.

Perdoar, portanto, é impositivo para toda hora e todo instante, pois o perdão verdadeiro é como uma luz arremessada na direção da vida e que voltará sempre à fonte de onde saiu.
Pense nisso!

Equipe de Redação Momento Espírita.
Pensamento do livro Repositório de Sabedoria vol.II, verbete: perdão

21 setembro 2013

Renovação - Martins Peralva


RENOVAÇÃO 
Brilhe a vossa luz

O supremo objetivo do homem, na Terra, é o da sua própria renovação. Aprender, refletir e melhorar­se, pelo trabalho que dignifica - eis a nossa finalidade, o sentido divino de nossa presença no mundo. 

Descendo o Cristo das esferas de luz da Espiritualidade Superior à Terra, teve por escopo orientar a Humanidade na direção do aperfeiçoamento. 

"Brilhe a vossa luz" - eis a palavra de ordem, enérgica e suave, de Jesus, a quantos Lhe herdaram o patrimônio evangélico, trazido ao mundo ao preço do Seu próprio sacrifício. A infinita ternura de Sua Angelical Alma sugere­nos, incisiva e amorosamente, o esforço benéfico: "Brilhe a vossa luz." 

O interesse do Senhor é o de que os Seus discípulos, de ontem, de hoje e de qualquer tempo, sejam enobrecidos por meio de uma existência moralizada, esclarecida, fraterna. 

O Evangelho aí está, como presente dos céus, para que o ser humano se reflete com as suas bênçãos, se inunde de suas luzes, se revigore com as suas energias, se enriqueça com os seus ensinos eternos. 

O Espiritismo, em particular, como revivescência do Cristianismo, também aí está, ofertando­nos os oceânicos tesouros da Codificação. 

Pode-­se perguntar: De que mais precisa o homem, para engrandecer­se, pela cultura e pelo sentimento, se lhe não faltam os elementos de renovação, plena, integral, positiva?... Que falta ao homem moderno, usufrutuário de tantas bênçãos, para que "brilhe a sua luz? 

A renovação do homem, sob o ponto de vista moral, intelectual e espiritual, é difícil, sem dúvida. Mas é francamente realizável. É indispensável, tão somente, disponha­se ele ao esforço transformativo, com a consequente utilização desses recursos, desses meios, desses elementos que o Evangelho e o Espiritismo lhe fornecem exuberantemente, farta e abundantemente, sem a exigência de qualquer outro preço a não ser o preço de uma coisa bem simples: a boa vontade. 

A disposição de auto­melhoria. O homem, para renovar­se, tem que estabelecer um programa tríplice, como ponto de partida para a sua realização íntima, para que "brilhe a sua luz", baseado no Estudo, na Meditação e no Trabalho.

ESTUDO: - O estudo se obtém através da leitura do Evangelho, dos livros da Doutrina Espírita e de quaisquer obras educativas, religiosas ou filosóficas, que o levem a projetar a mente na direção dos ideais superiores.18 - Martins Peralva O estudo deve ser meditado, assimilado e posto em prática, a fim de que se transforme em frutos de renovação efetiva, positiva e consciente: "Conhecereis a Verdade e a Verdade vos fará livres." 

MEDITAÇÃO: - A meditação é o ato pelo qual se volve o homem para dentro de si mesmo, onde encontrará a Deus, no esplendor de Sua Glória, na plenitude do Seu Poder, na ilimitada expansão do Seu Amor: "O Reino de Deus está dentro de vós." Através da prece, na meditação, obterá o homem a fé de que necessita para a superação de suas fraquezas e a esperança que lhe estimulará o bom ânimo, na arrancada penosa, bem como o conforto e o bem­estar que lhe assegurarão, nos momentos difíceis, o equilíbrio interior. Na meditação e na prece haurirá o homem a sua própria tonificação, o seu próprio fortalecimento moral e a inspiração para o bem.

TRABALHO: - O trabalho, em tese, para o ser em processo de evolução, configura­se sob três aspectos principais: material, espiritual, moral. Através do trabalho material, propriamente dito, dignifica­se o homem no cumprimento dos deveres para consigo mesmo, para com a família que Deus lhe confiou, para com a sociedade de que participa. Pelo trabalho espiritual, exerce a fraternidade com o próximo e aperfeiçoa­se no conhecimento transcendente da alma imortal. 

No campo da atividade moral, lutará, simultaneamente, por adquirir qualidades elevadas, ou, se for o caso, por sublimar aquelas com que já se sente aquinhoado. 

Em resumo: aquisição, cultivo e ampliação de qualidades superiores que o distanciem, em definitivo, da animalidade em que jaz há milênios de milênios: "É na vossa perseverança que ganhamos as vossas almas." 

A estrada é difícil, o caminho é longo, repleto de espinhos e pedras, de obstáculos e limitações, porém, a meta é perfeitamente alcançável. Uma coisa, apenas, é indispensável: um pouco de boa vontade. Boa vontade construtiva, eficiente, positiva. O resto virá, no curso da longa viagem... 

Martins Peralva


20 setembro 2013

Labor Transcendental - Bezerra de Menezes



LABOR TRANSCENDENTAL

... E necessário que exerçamos a mediunidade com Jesus.

Que a figura incomparável do doce Rabi penetre-nos, e que logremos insculpi-la no ádito do nosso coração. 

Fomos chamados para um labor de natureza transcendental, a nossa é uma tarefa de abnegação e de sacrifício.

Médium sem as cicatrizes do sofrimento ainda não se encontra em condições de servir em plenitude Àquele que é o exemplo máximo da doação. 

Convidados ao banquete da era nova na vinha do Senhor, trabalhemos as vestes espirituais que são os nossos hábitos para que, em chegando o dono do banquete, nos possa colocar no lugar que nos está destinado.

Companheiros de jornada, filhos do coração, honrados com a faculdade mediúnica para o serviço do bem, estendei os vossos tesouros íntimos oferecendo-os aos transeuntes da vida.

Não podeis imaginar o benefício do socorro espiritual em uma reunião mediúnica, quando alguém crucificado nas traves do sofrimento do além-túmulo por decênios, em se utilizando da vossa aparelhagem consegue receber o lenitivo da palavra que ilumina e que liberta da ignorância, a energia que lhe atenua a dor; a página de esperança que se lhe acena na direção do futuro.

Entregai-vos ao labor da caridade da condição de trabalhadores que somos da última hora.

Jesus espera que nos desincumbamos das tarefas que nos foram confiadas e, dentre muitas, a da mediunidade dignificada pela conduta coerente com os postulados espíritas que tem primazia.

Filhas e filhos do coração, não vos esqueçais que Jesus nos fez um pedido e que ainda não O atendemos: Amai-vos uns aos outros para que todos saibam que sois meus discípulos.

Foi um pedido do Mestre, busquemos atendê-Lo de tal forma que o amor flua de nós como uma cascata de bênçãos e a aridez do terreno dos corações se fertilize e se transforme o deserto em jardim; o pântano das paixões em pomar...

O Senhor espera-nos com ternura, compaixão e misericórdia. Façamos, dentro das nossas possibilidades, o melhor ao nosso alcance.

Os Espíritos-espíritas que aqui mourejam, por meu intermédio, pedem que nos unamos na construção de um mundo melhor.

E rogamos, por fim, ao Senhor da Vinha que nos abençoe e nos dê a Sua paz.

Que essa paz, filhos e filhas da alma e do coração, permeie-nos hoje e sempre.

São os votos do servidor humílimo e paternal de sempre,

Bezerra

Mensagem psicofônica obtida pelo médium Divaldo Pereira Franco, no encerramento da conferência, no Grupo Espírita André Luiz, no Rio de Janeiro, na noite de 22 de agosto de 2013.

19 setembro 2013

Insegurança - Hammed


INSEGURANÇA

A insegurança traz como características psicológicas os mais variados tipos de medo, como o de amar, o da mudança, o de cometer erros, o da solidão, o de se pronunciar e o de se desobrigar. O inseguro não confia no seu valor pessoal, desacredita suas habilidades e desconfia de sua possibilidade de enfrentar as ocorrências da vida, o que o impulsiona a uma fatal tendência de se apoiar nos outros.

Por não compreender bem seu poder interior, apega-se na afeição do cônjuge, filhos, outros parentes e amigos e, assim, acaba dependendo completamente dessas pessoas para viver. Em vez do amor, é a insegurança a fonte principal que o une aos outros; por isso, controla e vigia em razão das dúvidas que tem sobre si mesmo.

O inseguro, por não saber que não pode controlar os atos | atitudes das outras criaturas, cria grandes dificuldades em seus relacionamentos, gerando, consequentemente, maiores cobranças e barreiras entre eles.

A hesitação torna-o criatura incapaz de se sentir bastante firme para agir. Nunca possui certeza suficiente e quer sempre mais se certificar das coisas. É excessivamente cauteloso e vigilante; está em constante sobreaviso e desconfiança de tudo e de todos, por causa do medo das consequências futuras de suas ações do presente.

Os inseguros desenvolvem muitas vezes uma “devoção mórbida” em relação às causas e aos ideais, ou se associam a um parceiro forte e dinâmico para compensar sua necessidade de apoio, consideração e segurança. No primeiro caso, eles podem assumir diante do mundo a posição de “crentes exaltados”, querendo convencer todos de uma verdade que eles mesmos não acreditam; no segundo, buscam alguém que lhes corresponda ao modelo de seus genitores, para que, novamente, venham a se nutrir da autoridade, decisão e firmeza que encontravam nos pais, quando crianças.

Muitos ainda buscam refúgio numa atividade intelectual e se colocam, por exemplo, na posição de autoridade literária, como estratégia emocional, a fim de estimular em torno de si uma atmosfera de “bem informados” e, portanto, grandiosos e seguros.

Kardec, Discípulo de Jesus, pergunta aos Instrutores Espirituais: “Quando um Espírito diz que sofre, de que natureza é o seu sofrimento? ” A Espiritualidade elaborou a seguinte resposta: “Angústias morais, que o torturam mais dolorosamente do que todos os sofrimentos físicos.”1

“Angústias morais” podem ser entendidas como a fragilidade em que se encontram as criaturas inseguras, a sensação de mal-estar que sentem, por acreditarem que estão constantemente sendo observadas e julgadas e também pela perpétua situação mental de vulnerabilidade diante do mundo.

Os inseguros não são assertivos; em outras palavras, não se expressam de modo direto, claro e honesto. Omitem defesa a direitos pessoais por medo e evitam encontros ou situações que precisam expor suas crenças, sentimentos e ideias.

O título de “Senhor de Si Mesmo” poderá definir bem a segurança e firmeza de Jesus Cristo. Suas palavras “Seja, porém, o vosso falar: sim, sim; não, não” 2 ainda hoje ressoam, convidando todas as criaturas à autonomia espiritual. Realmente, o comportamento assertivo do Mestre e sua significativa liberdade de expressão revelavam:
- franqueza em dizer o que pensava;
- segurança de olhar, ouvir e convidar qualquer um;
- independência de exprimir seus sentimentos com absoluta transparência;
- liberdade de pedir o que quisesse;
- coragem de correr riscos para concretizar tudo aquilo em que acreditava.

Essas alegrias os inseguros não sentem. Seguindo, porém, os passos de Jesus, Nosso Guia e Senhor, a humanidade alcançará a estabilidade e serenidade interior que busca há tantos séculos – conquista dos seres despertos e amadurecidos do futuro.

¹ O Livro  dos Espíritots, Questão 255
Quando um Espirito diz que sofre, de que natureza é o seu sofrimento?  Angústias morais, que o torturam mais dolorosamente do qne todos os sentimentos  físicos.
² Mateus 5:7


Livro As Dores da Alma, item Insegurança, 
Espírito Hammed
Psicografia de Francisco do Espírito Santo Neto


18 setembro 2013

Dever Paterno - Vinícius

 

DEVER PATERNO

Duas verdades muito simples devem estar presentes na imaginação dos pais: de um saco vazio nada podemos tirar; de um terreno inculto, abandonado, nenhum bom grão podemos colher.

Estas duas asserções, banais em aparência, naturalmente servirão para lhes trazer à mente um fato de suma importância: a educação dos filhos.

Sim, se eles descurarem o cumprimento deste dever, chegará o dia em que debalde procurarão obter alguma coisa dos filhos. Estes lhe darão o que se pode tirar de um saco vazio ou aquilo que se pode colher de um terreno abandonado.

A autoridade paterna, elemento indispensável na orientação e direção da mocidade, não surge do vácuo nas ocasiões prementes das grandes necessidades, dos lances aflitivos em que ela é reclamada. Se essa autoridade existe,, apresenta-se, impõe-se, age, luta e consegue. Se não existe, é escusado apelar-se para ela, no paroxismo de qualquer aflição. A autoridade paterna se desenvolve paulatinamente, como fruto da educação que os pais dão aos filhos, quando essa educação se funda na base sólida de exemplos dignos e elevados. Ela se desenvolve e frutifica como as plantas de valor. Pretendê-las num dado momento, como façanha de prestidigitador, é ilusão que nenhum pai sensato deve alimentar.

Há exemplos, não contestados, de filhos bons e dignos, à revolta da influência doméstica, e outros que são maus, a despeito dos desvelos paternos; porém tais casos são exceções que não anulam a regra e, menos ainda, os deveres dos pais, no que concerne à formação do caráter de seus filhos.

Sabemos que nossos filhos são espíritos reencarnados, os quais semelhantemente ao vento, segundo disse Jesus ninguém sabe donde vêm. É possível que sejam espíritos de sentimento e moral elevados; assim sendo, não nos darão maior trabalho: é a exceção. Caso contrário, como é de regra, trarão consigo defeitos, vícios e paixões, para cujo extermínio cumpre providenciarmos, empenhando, todos os meios ao nosso alcance. E isto se obtém, ministrando a educação cristã, firmada sobre os alicerces de exemplificações acordes com aquela doutrina.

Educar é salvar. O Espiritismo é a religião da educação. Não há lugar para superstições, na trama urdida pelos postulados cristãos que o Espiritismo veio restaurar em toda a sua verdade.

Eduquemo-nos, pois, e eduquemos nossos filhos. Um mau chefe de família nunca pode ser um bom espírita.


De “Na Escola do Mestre”, de Vinícius*
Pseudônimo de Pedro de Camargo
 

17 setembro 2013

Função do Doutrinador - José Ferraz


FUNÇÃO DO DOUTRINADOR

Na prática mediúnica devem ser consideradas três funções específicas; o dirigente-doutrinador, o médium ostensivo e o assistente participante.
Para efeito informativo, daremos a seguir algumas conotações observadas durante uma frequência prolongada nas reuniões  mediúnicas espíritas, onde assimilamos uma série de orientações dadas pelos mentores espirituais e outras das nossas observações para manter-se uma conduta salutar na convivência com os desencarnados no desempenho da função de doutrinador, considerado atualmente como um psicoterapeuta de Espíritos sofredores.
Deve adquirir o hábito de primeiro ouvir o que diz o comunicante para iniciar o diálogo, num tom de voz natural, de forma coloquial, não tendo a preocupação de se fazer ouvir por todos os componentes do grupo.
Nunca esquecer que está conversando com um indivíduo que somente não possui mais um corpo carnal, no entanto as suas reações psicológicas são semelhantes às daqueles que ainda esão encarnados, precisando naquele instante de atenção especial, quando não se deve prescindir de transmitir tolerância, compreensão e otimismo, para a superação das suas dificuldades na transição para além da sepultura.
Deve-se, portanto, pronunciar as palavras com delicadeza para o envolvimento vibracional, não se esquecendo da austeridade, sem o autoritarismo radical, nas ocasiões do atendimento aos Espíritos malévolos e impenitentes da erraticidade inferior.
Evitar explanações doutrinárias discursivas e sobretudo não emitir críticas ostensivas ou veladas pelo estado de sofrimento apresentado pela entidade comunicante que está sendo atendida.
Atuar mais com o sentimento de bondade do que com palavras excessivas. Deixar o Espírito externar-se para identificar a causa do problema, antes de tomar o pulso da comunicação para ajudar o suplicante corretamente.
Não se preocupar em identificar quem é a personalidade sofredora, pois o trabalho de intercâmbio espiritual tem por base a caridade anônima.
Desnecessário explicar a razão do sofrimento atual trazendo à baila o comportamento incorreto durante a existência carnal, porque isto tem o efeito de um ácido a queimar as fibras íntimas da criatura sofredora.
Quanto menos informações forem dadas melhor, inclusive não se utilizar da terminologia espírita, a não ser com muita cautela, nem tampouco insistir impositivamente na sugestão para que o comunicante adote uma postura oracional, pois quem está sentindo sensações dolorosas ou desesperadoras não tem a mínima condição de entender ou assimilar ideias ou conselhos de que nunca ouviu falar.
O doutrinador deve ter sempre em mente que a finalidade do fenômeno que ocorre na ligação que se dá perispírito a perispírito para a psicofonia, tem um sentido prioritário, de por em contato o comunicante com o fluido animalizado do médium para a ocorrência do chamado choque anímico.

Allan Kardec utilizou o termo fluido animal, porque na ligação perispiritual ente o comunicante e o médium, para que se processe a psicofonia, acontece uma transferência de elevada carga de energias animalizadas, absorvidas pelo desencarnado, produzindo-lhe um choque energético que promove o seu despertamento para uma realidade nova de que ainda não se deu conta.

Isto se torna necessário, porque na desencarnação o ser inteligente leva consigo inúmeras impressões físicas e mentais que persistem no seu campo perispiritual depois da morte biológica. Daí o conceito doutrinário de que morrer definitivamente é adquirir consciência  e familiaridade do mundo que passa a habitar.
Por isso, o doutrinador deve ser muito cauteloso no momento de fazer a revelação do estado presente do Espírito que está sendo atendido. Precipitar o conhecimento da sua morte biológica pode causar-lhe um trauma desestruturador da emoção, com consequências desagradáveis para o comunicante e para o médium também, que recebe as descargas psíquicas do sofredor.
Consideremos alguém que teve morte repentina decorrente de uma crise cardíaca, sem nenhum conhecimento da vida espiritual, acordando num ambulatório médico e sendo atendido por uma pessoa que lhe diz de chofre: “Você já morreu.” Naturalmente a reação imediata é a da descrença, com uma resposta de pronto: “Como pode isto ter acontecido; eu estou vivo e dizem-me que já morri!”.
Se o doutrinador persiste na ideia de convencer o Espírito, poderá ocorrer o medo e em seguida o pânico patológico, não resultando da revelação nada de positivo para o bem-estar da entidade sofredora. Neste particular a função do doutrinador é de efeito preparatório, deixando a cargo dos Benfeitores Espirituais a escolha do momento aprazado para fazer com que o desencarnado tome conhecimento da sua nova realidade.
No diálogo com os Espíritos empedernidos no mal, a técnica de doutrinação também exige cuidados especiais na forma em que deve ser praticada. Essas entidades sabem do estado em que se encontram e agem intencionalmente para perturbar o desenrolar da programação previamente estabelecida pelos instrutores espirituais.
Uma pergunta se impõe de imediato: “Por que razão permitem os mentores espirituais esta intromissão inoportuna?” Simplesmente, para aprendermos as lições decorrentes dessa convivência e, ao mesmo tempo, neutralizar a influência malfazeja dessas entidades sobre os encarnados.
O doutrinador deve precaver-se, a fim de não se deixar envolver pela tática usual desses Espíritos, qual seja a de provocar discussão com o intuito de roubar o tempo disponível das reuniões de atendimento aos sofredores, e ao mesmo tempo perturbar o ambiente mediúnico por meio de irradiações desagradáveis que a todos irritam, provocando um mal-estar generalizado.
O tratamento ideal no relacionamento com o visitante perturbador é o da amabilidade, mantendo-se a ascendência moral através de vocabulário próprio, demonstrando não estar atemorizado com as ameaças ostensivas, não se deixando contaminar com a violência do linguajar vulgar e desafiador, e, sobretudo manter uma confiança irrestrita na ação dos Benfeitores Espirituais.
Evitar a todo custo utilizar argumentos a fim de fazê-lo desistir dos seus propósitos. Durante o tempo em que se encontra ligado ao médium o Espírito vingativo está perdendo força. Cada vez que isto ocorre, essas entidades perdem uma alta cota de energia que antes descarregavam nas suas vítimas.
  
No trabalho de doutrinação, o encarregado dessa tarefa conscientizado da grave responsabilidade que assume não somente naquilo que diz respeito aos desencarnados, mas, também, na questão dos danos físicos, emocionais e espirituais que pode causar ao médium quando o atendimento não é feito de forma correta.

Outro detalhe importante é o doutrinador não tocar no médium, no transcorrer da comunicação. Este é um hábito extremamente inconveniente, não somente no sentido ético como estético. Além disso, promove no sensitivo uma irritação muito desagradável, podendo em alguns casos danificar a sua aparelhagem mediúnica e nervosa. Em situações específicas pode causar-lhe uma dor de cabeça insuportável.
Em decorrência do que foi dito anteriormente, a nenhum pretexto o médium deve ser seguro pelo doutrinador, no caso de agitação excessiva, pois não é a força física, e sim a psíquica que atua efetivamente para controlar os impulsos descontrolados da entidade comunicante, refletidos no comportamento do medianeiro.
Finalmente o doutrinador, depois do atendimento ao sofredor, deve transferir de imediato a sua atenção para o médium. Não raro o sensitivo para se reajustar depois do estado de transe, na roupagem carnal, necessita de uma transfusão de energias que deve ser feita através dos passes magnéticos. 


JOSÉ FERRAZ


16 setembro 2013

A Pena de Morte - André Sobreiro


A PENA DE MORTE

Há vários países em nosso orbe, como sabemos, que adotam a pena de morte como forma de punição para os cidadãos que infligem  as leis humanas. Em nosso país, como também não é segredo, essa prática não é adotada, não sendo permitida pelo nosso código civil.

Nosso objetivo, na presente reflexão, é contextualizar essa forma de punição, aferindo o quanto a mesma pode (ou não) ser útil, e possíveis fatores pró e contra a pena de morte.

Essa prática consiste em provocar a morte (física) do chamado criminoso, e cada país (ou cada estado, dentro de um mesmo país) adota técnicas diferentes para consumá-la. Antigamente, a forca era muito usada como forma de levar o condenado à morte. A guilhotina também foi prática bastante usual, no passado.

Modernamente, temos mais referências sobre a injeção letal (que consiste na injeção de quantidade letal de substância líquida que paralisa o coração e/ou o diafragma do condenado), a cadeira elétrica (imobilização do condenado em uma cadeira e eletrocução do mesmo, com o uso de tensões elétricas de dois mil volts) e, em algumas regiões, ainda ouve-se a respeito do fuzilamento, principalmente em regiões e épocas de guerras.

Vários irmãos usam a superlotação dos presídios para justificar a pena de morte. Alegam que, com a execução do criminoso, o problema estaria “resolvido”, diminuindo inclusive os investimentos públicos feitos em pessoas que, na opinião deles, “não valem a pena”. Evitar-se-ia, com a punição máxima, as rebeliões, as fugas em massa, etc.

Vamos observar, desse ponto da reflexão em diante, a pena de morte pela ótica espírita.

Em vários pontos da chamada “Codificação” Espírita, Kardec e o “Espírito da Verdade” deixam claro que a desencarnação consiste apenas da separação do espírito, em relação ao corpo, e que esse processo de libertação não nos redime, isto é, não nos liberta das nossas imperfeições.

Por consequência, a pena de morte não resolve problema algum... A “ovelha perdida” que sofre essa punição retorna ao plano espiritual com as mesmas tendências e imperfeições continuando sua prática por lá. Muitas vezes, o irmão assassinado, ao adentrar o plano dos imortais, continuando com suas tendências más, forma ali grandes organizações para a prática do mal, liderando-as ou delas participando. Usam toda a sua inteligência e capacidade de organização, montando várias equipes para que não percam seu poder e domínio, aumentando-s até.

Como também nos é relatado na “Codificação” e nos livros confiáveis da nossa doutrina, o corpo físico serve de limitador vibratório e, ao mesmo tempo, funcional. A ele ligado (encarnado, portanto), o espírito encontra-se limitado, pela necessidade de conduzi-lo. Usando conhecida metáfora: estamos nós (os encarnados)  encarcerados a esse corpo que nos possibilita o progresso.

Portanto, levar o “criminoso” à desencarnação (pela pena de morte) significa libertá-lo da limitação corporal, dando a ele liberdade consideravelmente maior, inclusive para penetrar nosso mundo mental. Estando encarnado, as trancas de porta e as grades e cadeados nas janelas nos manteriam seguros... Desencarnado o malfeitor, só a moral nos manteria imunes às suas investidas invisíveis.
 
Mas, como somos devedores...

Na 1ª obra da “Codificação”, Kardec questiona os Imortais da seguinte forma:

760. Desaparecerá algum dia, da legislação humana, a pena de morte?

“Incontestavelmente desaparecerá e a sua supressão assinalará um progresso da Humanidade. Quando os homens estiverem mais esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida na Terra. Não mais precisarão os homens de ser julgados pelos homens. Refiro-me a uma época ainda muito distante de vós”.

Nossas considerações tentam reforçar o “não julgueis” sugerido por Jesus, uma vez que nossa consciência ainda encontra-se enodoada de nossos erros pretéritos... E também porque só devemos oferecer ao próximo, aquilo  que queremos para nós mesmos.

Por André Sobreiro

 

15 setembro 2013

Desprendimento e Desapego - Miramez



DESPRENDIMENTO E DESAPEGO

Amar, mesmo que seja de forma egoísta, todos os seres humanos o fazem, nem que seja a si mesmos. Amar de forma verdadeira, sem egoísmo e posse, demonstra o que se aprendeu. Amando verdadeiramente, anulamos erros e irradiamos alegrias em nossa volta.

Amar e desapegar-se dos seres que amamos não é fácil.

 Encarnados, quando aprendem a se desprender do que lhes é caro, chegam a ter sensações de dor, porque sufocam a ilusão de ter. Amar a tudo, dando valor, mas sabendo que nos é emprestado. E por quem: Pelo nosso Criador. Com objeto emprestato, cuidado dobrado. 

Sim, realmente, tudo nos é emprestado, já que não somos donos de nada material, não possuímos nada. Nosso amor pelas coisas deve ser incondicional, usar o que nos é permitido, sem abusar. 

Dar valor à casa que nos serve de lar, às roupas que vestem nosso corpo, ao local em que trabalhamos, onde recebemos o dinheiro para o sustento material, enfim, a todos os objetos que nos são úteis. 

Porém, teremos um dia que deixar tudo para outros, e que o deixemos da melhor forma possível, para que eles possam desfrutar dos objetos emprestados tanto quanto nós. 

Até o corpo físico temos que devolver à natureza. E como essa devolução é difícil para muitos!

Até aí, parece fácil, embora saibamos que muitos, possuídos pelo desejo de ter, se esquecem desse fato, apegam-se às coisas, aos objetos, julgando ser deles, e quando desencarnam não querem deixá-los e a eles ficam presos. 

Há uma parte mais difícil, que é amar nossos entes queridos sem apego. 

Quase sempre nos julgamos insubstituíveis junto daqueles que amamos, que ninguém os ama mais que nós e que somos indispensáveis na vida deles. 

Apegamo-nos assim a estes, esquecendo que eles também são amados por Deus e que somos companheiros de viagem, cabendo a cada um caminhar com seus próprios passos. 

E muitas vezes, nessas caminhadas, somos levados a nos distanciar um do outro, mas afetos sinceros não se separam. 

Podem estar ausentes, não separados. Deixar que nossos afetos sigam sozinhos, sem nós, é algo que devemos entender. É o desapego. 

Ao desencarnarmos, ausentamo-nos do convívio de nossos entes queridos e, se não entendermos isso, consideraremos essa ausência como separação definitiva. 

Precisamos aprender a amar com desapego, ampliar o número de nossos afetos, sem a ilusão da posse. 

Se formos chamados a nos ausentar, pela desencarnação, continuemos a valorizá-los, respeitando-os, ajudando-os. Estaremos no caminho do desapego, mas continuaremos a amá-los da mesma forma.

Livro O Vôo da Gaivota, cap. Colóquio Interessante, Espírito Patrícia – psicografia de Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho.