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06 outubro 2013

Os Exilados de Capela - Richard Simonetti


OS EXILADOS DE CAPELA 

Emmanuel informa, no livro "A Caminho da Luz", psicografia de Chico Xavier, que há cerca de dez mil anos um planeta do sistema de Capela, situado na Constelação de Cocheiro, passava por decisivas reformas, consolidando importantes conquistas morais. 

Diríamos que se efetuava ali a transição anunciada para o próximo milênio na Terra: de "Mundos de Expiações e Provas", onde consciências despertas trabalham incessantemente em favor da própria renovação. 

No entanto, uma minoria agressiva, recalcitrante no mal, barulhenta na defesa de suas ambições, ainda que requintada intelectualmente, retardava a esperada promoção. 

Decidiram, então, os gênios tutelares que governam aquele orbe confiná-los em planeta primitivo, onde estariam submetidos a limitações e dificuldades que atuariam como elementos desbastadores de sua rebeldia. 

A escolha recaiu sobre a Terra, cujos habitantes praticamente engatinhavam nos domínios do raciocínio, e que de pronto beneficiaram-se com a encarnação dos capelinos. 

Inteligentes, dotados de iniciativa e capacidade de organização, dispararam um notável surto de progresso. 

No curto espaço de alguns séculos a Humanidade aprendeu a cultivar a terra, concentrando-se em cidades, aprimorou a escrita, inventou os utensílios de metal, domesticou os animais... 

A presença dos capelinos explica o espantoso "salto evolutivo" que ocorreu naquele período, chamado neolítico, que ainda hoje inspira perplexidade aos antropólogos. 

Concentrando-se em grupos distintos, explica Emmanuel, eles formaram 4 grandes culturas: egípcias, hindu, israelense e europeia, que se destacaram por extraordinárias realizações. 

É interessante salientar que nos princípios religiosos desses povos há a referência à sua condição de degredados, particularmente nas tradições bíblicas do paraíso perdido. 

Depurados após milênios de duras experiências, os capelinos regressaram ao planeta de origem. 

Com a nova migração, as civilizações que edificaram perderam consistência, sucedidas por culturas menores, filhas do homem terrestre. 

Informações da espiritualidade nos dão conta de que estamos às vésperas de dois surtos migratórios em nosso planeta. 

O primeiro, marcado pela encarnação de espíritos altamente evoluídos, que pontificarão em todos os campos do conhecimento, num grandioso renascimento moral e espiritual da Humanidade. 

Virão de esferas mais altas, preparando a promoção da Terra para Mundo de Regeneração. 

O segundo será constituído por milhões de Espíritos acomodados, comprometidos com o mal, que se recusam sistematicamente ao esforço por ajustarem-se às Leis Divinas, semelhante à minoria barulhenta de Capela. 

Confinados em mundos primitivos, também aprenderão, à custa de muitas lágrimas, a respeitar os valores da Vida, superando seus impulsos inferiores. Teremos, então, a decantada 

Civilização do Terceiro Milênio, edificada sob inspiração dos princípios redentores do Cristo, nosso Governador espiritual. 

A "senha" que nos habilitará a permanecer na Terra nesse futuro promissor está definida na terceira promessa de "O Sermão da Montanha": "Bem-aventurados os mansos e pacíficos, porque herdarão a Terra." A mansuetude, característica do indivíduo que cumpre a lei, que observa a ordem, que respeita o semelhante, que superou o individualismo e venceu a si mesmo, superando a agressividade, será o emblema do homem terrestre nesse sonhado Reino de Deus. 

Richard Simonetti 


05 outubro 2013

Rigidez - Hammed


RIGIDEZ

Quando agimos erroneamente é porque não sabemos como fazer melhor. 

Ninguém, de forma deliberada, tem o desejo de ser infeliz; portanto, ninguém escolhe o pior. 

Os feitos e as atitudes peculiares de cada criatura estão intimamente ligados a seu desenvolvimento físico, mental, social e moral. 

Nossa maturidade espiritual é adquirida através das experiências evolutivas no decorrer de todos os tempos, seja na atualidade, seja no pretérito distante. 

Tudo o que fazemos está relacionado com nossa idade astral. Inquestionavelmente, fazemos agora o que de melhor poderíamos fazer, porque estamos agindo e pensando conforme nossas convicções interiores; aliás, ela (a idade astral) é gradativa, pois está vinculada às nossas percepções evolutivas. As criaturas que agem com austeridade em determinada circunstância acreditam que aquela é a melhor opção a tomar. 

Porém, quando o amadurecimento conduzi-las a ter uma melhor noção a respeito dos relacionamentos humanos, elas assimilarão novas maneiras de se comportar e passarão a agir de forma coerente com seu novo entendimento. 

A concepção de bem se amplia de acordo com nosso desenvolvimento espiritual. 

A proposta cristã “pagar o mal com o bem” sugere: castigar por castigar não transforma a criatura para o bem, mas somente o amor é capaz de sublimar e educar as almas. 

A pena de morte é uma rigidez dos costumes humanos. 

Propõe matar o corpo físico como punição pelas faltas cometidas, com o esquecimento, porém, de que somente transfere a problemática para outras faixas da vida e cria revolta e desarmonia no ser em correção. 

A dor apenas terá função dentro dos imperativos da vida, enquanto os homens não aceitarem que somente o amor muda e renova as criaturas. O projeto da Vida Maior é conscientizar-nos, não sentenciar. 

Nosso planeta está repleto de criaturas intelectualizadas e influentes, mas nem por isso sábias e habilitadas para todas as coisas. Por mais inteligente que seja o ser humano, sempre haverá um universo de coisas que ele desconhece. 

Muitas pessoas matam, roubam e mentem sem vacilação alguma, mas será que sabem perfeitamente que isso não é certo? Estar no intelecto não é a mesma coisa que estar na profundeza da alma. 

Ter informações e receber orientações não é a mesma coisa que integralizar o ensinamento, ou mesmo, saber por inteiro. “(…) O homem julga necessária uma coisa, sempre que não descobre outra melhor.

À proporção que se instrui, vai compreendendo melhormente o que é justo e o que é injusto e repudia os excessos cometidos, nos tempos de ignorância, em nome da justiça.*

Os erros são quase que inevitáveis para quem quer avançar e crescer. São acidentes de percurso, contingências do processo evolutivo que todos estamos destinados a vivenciar. 

Em vez de repelirmos nossos erros, deveríamos analisá-los atentamente como se fossem verdadeiros objetos de arte, evitando, assim, futuros comprometimentos. Deus permite que o erro integre o nosso caminho. 

Aliás, ele faz parte das nossas condições evolutivas, para que possamos aprender e assimilar as experiências da vida. 

Os erros são ocorrências consideradas admissíveis pela legislação do Criador. Deus não condena ou castiga ninguém, mas o oposto: instituiu leis harmoniosas e justas que nos conduzirão fatalmente à felicidade plena, apesar de nossas faltas e desacertos. Por que então usar de rigidez perante os acontecimentos da vida? 

* O Livro dos Espíritos, Questão 762: A pena de morte, que pode vir a ser banida das sociedades civilizadas, não terá sido de necessidade em épocas menos adiantadas? Necessidade não é o termo. O homem julga necessária uma coisa, sempre que não descobre outra melhor. À proporção que se instrui, vai compreendendo melhormente o que é justo e o que é injusto e repudia os excessos cometidos, nos tempos de ignorância, em nome da justiça. 

Livro: As Dores da Alma, item Rigidez
Espírito Hammed
Psicografia de Francisco do Espírito Santo Neto


04 outubro 2013

Dinheiro e (in)Felicidade, Numa Breve Ponderação Espiríta - Jorge Hessen

 

 

DINHEIRO E (IN) FELICIDADE, NUMA BREVE PONDERAÇÃO ESPÍRITA

 

Sigmund Freud defendia a tese de que todo homem é instigado pela busca da felicidade, contudo essa procura soa como ilusória no mundo real, porquanto a pessoa tem experiências de fracassos e desencantos e o máximo que pode alcançar é uma “felicidade” ilusória. Contrastando porém com a tese freudiana, um grupo de consultores da Spectrem Group entrevistou 1.200 pessoas, interrogando-as sobre o nível de felicidade em relação a trabalho, casamento, hobbies, dinheiro entre outros temas. Constatou-se que quanto mais dinheiro possua uma pessoa maiores são os seus níveis de felicidade. (1) Todavia, será que o dinheiro compra a felicidade?

Na antiguidade examinava-se a felicidade sob o ponto de vista filosófico. Aristóteles afirmava que a felicidade está relacionada ao equilíbrio e harmonia advindos da prática do altruísmo. Por outro lado, Epicuro afiançava que felicidade seria reflexo da satisfação dos desejos carnais. O sábio Lao Tsé dizia que a felicidade poderia ser alcançada tendo como fonte a natureza. Porém, Confúcio acreditava na felicidade como resultado da harmonia entre as pessoas. Para Sócrates era impraticável alguém ser feliz se agisse contra suas próprias convicções.

“Conhece-te a ti mesmo”, pronunciava Sócrates, certificando que quem controla os instintos e extingue as coisas supérfluas, basta a si mesmo, dependendo exclusivamente de sua razão para que alcance a felicidade.
 Dessa percepção de consciência íntima, o mestre de Platão e Xenofonte aprofundava a sua concepção de felicidade, que não poderia vir de bens exteriores (dinheiro, por exemplo) e do corpo carnal, mas somente da alma, porque esta é a essência do homem.

É absolutamente lógico que necessitamos do dinheiro para viver. A nossa vida material está sujeita ao dinheiro, portanto necessitamos de recursos financeiros para dignificar nossa vida. Em verdade, o dinheiro é neutro – nem é bom, nem é mau em si. Utilizado para caridade, dinheiro é instrumento sublime. Porém, cobiçado, ou se dele fizermos mau uso, é instrumento de INFELICIDADE. Sem o altruísmo do desprendimento, “a fé se resume à adoração sem proveito; a esperança não passa de flor incapaz de frutescência, e a própria caridade se circunscreve a um jogo de palavras brilhantes, em torno do qual os nus e os famintos, os necessitados e os enfermos costumam parecer, pronunciando maldições.” (2)

Na parábola dos talentos, Jesus expõe que lucro, longe de ser mau, é o alvo de trabalho e investimentos. Ao mesmo tempo, nos ensina que o que se ganha deve ser usado para os propósitos do bem. Na metáfora, a condenação cai sobre o homem que não aproveita sua oportunidade – dinheiro é para usar, não para esconder ou guardar. É como o sangue que precisa circular no organismo social. Se ficar estagnado, provoca a “trombose” na sociedade.

O Espírito Emmanuel explica que o dinheiro “se faz dínamo do trabalho e da beneficência. Na base do dinheiro é que se fazem os aviões e os arranha-céus; no entanto, é igualmente com ele que se consegue o lençol para o doente desamparado ou a xícara de leite para a criança desvalida.” (3) Ora, trocando o dinheiro pelo alimento destinado a acudir as vítimas da escassez ou “permutando-o pelo frasco de remédio para aliviar o doente estendido nos catres de ninguém, reconheceremos que o dinheiro também é de Deus.” (4)
Embora não seja fundamentalmente a matriz da alegria ou da felicidade, reconhecemos que o dinheiro pode ser o medicamento ao enfermo, a comida aos desamparados, o teto aos desabrigados relegados ao frio da noite, o socorro silencioso ao peregrino sem lar. “Não nos esqueçamos de que Jesus abençoou o vintém da viúva, no tesouro público do Templo e, empregando o dinheiro para o bem, convertamo-lo em colaborador do Céu em todas as situações e dificuldades da Terra.” (5)

Jamais pronunciemos que o dinheiro é instrumento do mal; muito pelo contrário, pois o dinheiro é suor convertido em cifrão. É urgente que lhe apliquemos empregos nobres, lembrando que a moeda no bem faz prodígios de amor. Porém, vale refletir o preceito de Paulo: “tendo sustento e com o que nos cobrirmos, estejamos, com isso, contentes”. (6) Essa lição deve ser sempre ponderada quando nos faltam recursos financeiros. A circulação do dinheiro é uma condição importante para que a prosperidade apareça. Porém, raros são os indivíduos que mantêm uma relação equilibrada com o dinheiro, sem traumas, sem culpas, sem excessos de qualquer natureza.

Dinheiro e avareza não se deveriam misturar, pois os avarentos não gostam de “meter a mão no bolso” e, quase sempre, deixam de colaborar, financeiramente, com as obras sociais. Há muitos confrades espíritas, ativos participantes nos trabalhos das inúmeras Instituições doutrinárias espalhadas pelo Brasil que mudam de assunto tão logo o apelo que lhes são dirigidos implique na emissão de um cheque ou na entrega de algumas cédulas para socorrer os mais necessitados.

Tais confrades escravizam-se na vocação da sovinice impenitente, recolhem o ouro do mundo para erigir com ele o túmulo suntuoso em que se lhes sepultam a esperança e recebem a benção do amor para transformá-la na algema que os encarceram, por vezes, no purgatório do sofrimento.

O dinheiro “nas garras da mesquinhez é metal enferrujado, suscitando a penúria, mas um vintém no serviço de Jesus pode converter-se em promissora sementeira de paz e felicidade.” (7) 

Entretanto, infelizmente há cristãos apresentando claros sinais de uma vida confortável, portando-se como se não tivessem a mínima condição de ajudar o próximo através da doação do supérfluo de moedas que abarrotam suas contas bancárias. Nesse caso, o dinheiro estabelece vínculos profundos com a própria INFELICIDADE.

Jorge Hessen



Referências bibliográficas:

(2) Xavier, Francisco Cândido. Dinheiro, ditado pelo Espírito Emanuel, SP: IDE, 1990
(3) Idem
(4) Idem
(5) Idem
(6) ITimóteo 6:8
(7) Xavier, Francisco Cândido. Dinheiro, ditado pelo Espírito Emanuel, SP: IDE, 1990


03 outubro 2013

O Servidor Medroso - Momento Espírita


O SERVIDOR MEDROSO

A parábola dos talentos é uma das mais conhecidas dentre as contadas por Jesus.

Segundo ela, um senhor que se ausentaria em viagem chamou seus servidores e lhes confiou seus bens. 

A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro deu um.

Ao retornar de sua viagem, chamou os servidores para uma prestação de contas.

Os dois primeiros tinham multiplicado os talentos recebidos.

O senhor ficou satisfeito com sua fidelidade e prometeu lhes confiar mais coisas.

Entretanto, o terceiro limitou-se a enterrar o tesouro recebido.

Ao falar com o senhor, disse estar ciente da severidade dele e de que ele colhia onde nada semeara.

Por medo, não agira para multiplicar o talento que lhe fora confiado.

O senhor determinou que lhe tirassem o recurso que restara inútil em suas mãos.

É interessante observar a postura desse último servidor.

Por medo, ficou inerte.

Entendeu melhor enterrar seu talento do que se arriscar a cometer algum erro.

Terminou por perdê-lo de qualquer modo, tanto que foi entregue ao que já tinha dez talentos.

São inúmeras as leituras que se podem fazer dessa parábola.

Uma delas é que esses talentos representam os variados dons e recursos de que os homens são dotados.

A Providência Divina lhes faculta acesso a tesouros de inefável valor.

Pode ser a riqueza material, o dom da palavra, a vocação para as artes, para a maternidade, a medicina, o magistério.

Antes de retomar nova existência, renascendo, cada Espírito elabora, em linhas gerais, uma programação de vida.

Na existência terrena, lentamente os meios para cumprir o acordado e fazer o bem lhe chegam às mãos.

Nem sempre a criatura é feliz em suas opções.

São frequentes os êxitos parciais e mesmo os fracassos.

Como são imperfeitos e vivem para aprender, não é raro que homens se equivoquem.
Apenas é necessário tentar de verdade.

Dos equívocos surge a experiência, que facilitará o acerto mais tarde.

Nesse contexto, torna-se evidente o grave equívoco do servidor medroso.
Ele não se permitiu errar no empenho de acertar e ser útil.

Terminou por perder tudo sem ter auferido sequer a experiência oriunda da tentativa.

Convém refletir sobre isso sempre que surgir o desejo de desistir antes mesmo de tentar.

A prudência é uma virtude que mensura a eficiência dos meios de que se dispõe para a realização dos objetivos.

Se ela aponta alguma deficiência, esta deve ser trabalhada.

Entretanto, o medo é um péssimo conselheiro de vida.

Ele pode colocar a perder oportunidades valiosas de aprendizado e progresso.
Pense nisso.

Redação do Momento Espírita


02 outubro 2013

Ser Pai - José Antonio da Cruz


SER PAI


- Ser Pai é... Sonhar com um futuro melhor, é sentir em seu coração que faz parte do infinito criador, é viver sorrindo a todo o momento, é ouvir o primeiro choro e dizer: - Meu Deus! meu filho nasceu...

- Ser Pai é perder o sono nas noites de choro do filho querido, e ter a divina sensação de vê-lo adormecer sobre seu peito . - Ser Pai é acompanhar o filho em seus primeiros passos. É estar lá em seu primeiro tombo e ao olhar com firmeza e carinho em seus pequenos olhos, como se quisesse lhe passar a mais importante de todas as lições... você caiu filho, mas agora está pronto para começar de novo. Então diz:
  - Vem, vem com papai...

- Ser pai é um ato divino, é ganhar um eterno amigo, é dividir dores e alegrias, é ensinar e aprender. Pai não é aquele que impõe o medo, mas sim aquele que desenvolve a confiança, porque confia em seu filho e o filho em seu pai.

Ah! Quantos caminhos desviados no seio de lindas famílias teriam sido poupados se este sentimento tivesse sido estabelecido e cultivado no lar, confiança... Confiança irmãos, é um sentimento maravilhoso e abençoada a família que a cultiva, porque é dela que se pode esperar os bons frutos do porvir.

Pais sedes responsáveis. Fostes abençoados com o fruto do amor, não abandones sua missão. Cabe também a vós preparar o futuro junto a seus filhos.
  Que a estrela de nosso Senhor Jesus os ilumine. Para que possas educar vossos filhos com o brilho de sua luz... 

Agradeço por esta inspiração.





01 outubro 2013

Faze Isso e Viverás - Marco Prisco


FAZE ISSO E VIVERÁS

A delinquência, que você viu armar vidas precipitadas em ondas incessantes de crimes, não é ocasional. 

Decorre da convivência de pais e educadores descuidados, que não corrigiram em tempo hábil as imperfeições dos caracteres em formação, a eles confiados. 

Eduque seus impulsos, qual domador a corrigir animais selvagens.

O Egoísmo retém sequazes nas faixas da solidão.

Dispense o elogio nas suas atividades. O salário mais digno para o servidor é a satisfação sempre nova de haver feito o melhor que pôde.

Equilíbrio psíquico ou enfermidades expressam a sua conduta espiritual.

Enfermidades se proliferam porque a profilaxia da alma é deixada à margem.

Se, no entanto, dominado na vontade, incipiente na iniciativa, agoniado no equilíbrio, você não puder avançar, procure o concurso da água fluida e do passe curador, orando e meditando, e encontrará as forças para o esquema da saúde íntima que o enobrecerá em paz demorada, se lutar, igualmente, pela restauração da própria paz.

Considere o insucesso em suas experimentações humanas como fenômeno natural. Cada erro é lição valiosa que nos ensina o que não devemos fazer outra vez.

Quando você se candidatou ao Evangelho Libertador, inaugurou uma nova fase da vida. Para mantê-la, são necessários inauditos esforços que, lentamente, o aclimatam à esfera de lutas por onde você segue. E, à medida que o tempo lhe robustece a fibra moral, você experimenta segurança com alento renovado para as constantes batalhas do futuro.

Eleve o espírito às Alturas sem que exija que os outros sigam com você.

Cuido do espírito com o mesmo devotamento que você cerca o corpo.

O Espiritismo é doutrina de alegria.

Nas lutas de responsabilidade que você assume no Cristianismo novo, não abandone o dever por causa do espírita, mas prossiga pelo compromisso com o Espiritismo.

O espírita é alma em resgate – o Espiritismo é via de redenção.

Não rogue aos espíritos desencarnados a contribuição que nega a outrem.

O Verdadeiro receber é ainda o muito dar.

Pacifique-se interiormente.

O fenômeno mediúnico através de você refletirá sempre o seu estado íntimo.

Com o conhecimento do Evangelho, você tem ao alcance a chave para todos os problemas.

Embora haja variedade múltipla de recursos para a conquista sobre si mesmo, a opção pessoal define a evolução em que homem estagia.

Marcha lenta, chegada tardia.

Dissabor de ontem deve ser experiência que se converteu em sabedoria para hoje.

Antes de explodir com expressões coléricas, convém lembrar que nem todos são culpados da sua limitação de compreender. 

Não permita que sua precipitação interrompa o interlocutor. Se ele não é claro na exposição, certamente faz um grande esforço para ser entendido.


Pelo Espírito Marco Prisco
Do Livro: Faze Isso e Viverás 
Médium: Divaldo Franco
LEAL – Livraria Espírita Alvorada Editora 



30 setembro 2013

Quando Tudo Dá Certo - Patrícia


QUANDO TUDO DÁ CERTO 


“Normalmente, quando tudo dá certo conosco, achamos que é merecimento e que Deus nos faz justiça. Quando nos são negados nossos anseios de preenchimento mental e satisfação física, ou seja, quando não está acontecendo o que queremos, sentimo-nos injustiçados, principalmente ao nos compararmos com outras pessoas: ‘Por que ele tem e eu não?’ Achamos que Deus não está fazendo justiça conosco e que estamos sendo punidos.

É que trazemos cargas negativas do passado, que ocasionam frustrações no momento, como também atos desta encarnação podem ter sido os motivos para muitas decepções. Normalmente, não vemos a realidade da vida e sim a projeção das nossas ilusões, por considerarmos a vida física como fim e não como meio.

Muitas vezes, o justo ou o injusto, de acordo com nossa compreensão, baseia-se no que damos e no que achamos que devemos receber em troca.

Nós nos sentimos injustiçados, porque quase sempre temos como meta nossa distração, preenchimento e prazer. Transformamos as funções e necessidades do nosso corpo físico e a capacidade pensante como fim da nossa existência. Não chegamos a olhar a vida como um todo e a desempenhar eficientemente nossa parte nesse conjunto. Já imaginou se o coração do homem se sentisse injustiçado por não ter folga nem descanso físico? Que seria do homem? Diante desse exemplo, vemos que cada um deve fazer o que lhe compete, não esperando recompensas, mas, sim, estando consciente de que deve realizar o potencial nobre que a vida lhe concedeu. Apesar de insignificantes diante do cosmo, fazemos parte dele. Portanto, precisamos desempenhar nossa função como parte da vida, e não viver para os nossos prazeres e conquistas, materiais ou espirituais.

Deus não cria suas manifestações para puni-las ou agraciá-las. Cada qual tem sua função e utilidade, assim como o grão de areia tem sua função no deserto ou na praia do mar. Punir uma manifestação seria reconhecer Sua própria falha.

Ao comprarmos uma máquina nova, o fabricante nos dá garantia desta e, se ela falhar na sua função, não foi intenção do fabricante nos punir, pois a garantia dela fará com que ele lhe restaure as funções. Sendo ele, no caso, o mais prejudicado, pois, além da reposição, ainda poderia ter seu nome comercial prejudicado e posta em dúvida a sua idoneidade. Não somos uma máquina e a falha nunca está em Deus, está na nossa maneira de nos relacionarmos com Ele, com a vida. Na maioria das vezes, nossos ânimos e desejos não encontram ressonância nos planos traçados pela vida, pelas nossas existências anteriores. Às vezes, o que desejamos não é o que podemos ter. Quase sempre nossos desejos são saturados de egoísmo. Os da vida são saturados de grandeza, de amor e de realização plena do homem.

Na Terra, cada variedade de raça recebe, com maior ou menor intensidade, o que necessita para desempenhar e enobrecer as qualidades de sua espécie, a raça a que pertence. O grupo humano não foge à regra natural, só nos é acrescentada a liberdade de escolha, cumprindo a função para a qual fomos chamados. Ao nos harmonizarmos com as leis divinas, nos sentiremos felizes a caminho do progresso. Desprezá-las cria um ambiente vibratório individual de desarmonia, que pode chegar a atingir aqueles que nos cercam e terá ressonância de vibrações inferiores. Será que Deus criou a Terra, com todo o seu aparato animal e vegetal, somente para o desfrute do homem? O ser humano foi criado para desfrutar à custa daqueles que caminham com ele? Não! Por todos os seus atos de abuso, há a consequência de que, não compreendendo, ache que Deus lhe está sendo injusto.

Temos quase sempre nas nossas vivências buscado o significado da vida, tentando adivinhar por que razão Deus criou o homem, talvez por darmos importância demais ao que pensamos ser ou pelos sentimentos que cultivamos sobre tão importante questão. Deus é profundamente simples. Para que possamos ouvi-Lo e senti-Lo, é preciso antes de tudo ser simples como Ele. Um exemplo da simplicidade de Deus é Sua onipresença tanto no nosso Cristo quanto num verme desprezado por todos. Devemos nos despojar do cultivo da autovalorização: vaidade, orgulho e presunção, para nos tornarmos melhores. Não assumindo nossa participação no conjunto do orbe terráqueo, nos sentimos excluídos de obrigações e responsabilidades. Aí, o que acontece com o restante dos habitantes da Terra? A consequência é esta que estamos vendo: destruição e devastação do que a natureza levou milhões de anos para realizar. Não nos sentindo parte do universo, parece até que estamos aqui para usar e desfrutar, não tendo nada a responder, nem responsabilidades sobre o que acontece com a Terra e seus habitantes, se sofrem dores e misérias.

Não podemos compreender Aquele do qual estamos separados e, enquanto assim estivermos,  não faremos parte do todo. Se conseguirmos participar, seremos um só. Não haverá o maior, nem o menor, meu pequeno eu se perderá diante da importância do grande todo.

Que restou, então, para mim e para minha espécie? Viver e, neste viver, conhecer e compreender minhas funções e as dos que nos cercam, compondo assim um todo harmônico. O que os irracionais fazem instintivamente, o homem deve fazer consciente e espontaneamente. Os irracionais não têm escolha, o homem pode escolher entre participar ou recusar do banquete de Deus, que é a própria vida, refletindo assim a simplicidade e o equilíbrio do macro, refletido no micro. Sem nenhuma pretensão, anterior ou posterior, ou do momento presente, pois estes são produtos do egoísmo oriundo da mente temporal. Deus é atemporal.

Deus é profundamente justo. Não há desvios nem preferências nas suas leis. Recebemos de acordo com o que fazemos. As nossas vibrações são resultado de nosso estado interior, são elas que vão proporcionar união com vibrações harmoniosas ou perturbadas, causando dor e angústia, ou felicidade. Conhecendo a Lei da Reencarnação, entendemos melhor a justiça divina. Compreendendo Deus, veremos que tudo o que Ele faz é justo, pois nada deve a ninguém. Tudo o que recebemos é graça e de graça, nada temos feito para ter crédito com Deus. Pois, por mais que façamos, é Dele o potencial, a capacidade e a oportunidade de agir. Se vivermos esta verdade, nunca passará por nossa mente a questão de Deus ser justo ou injusto.”

Livro: O Vôo da Gaivota, cap. Numa Reunião Espírita
Espírito Patrícia
Psicografia de Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho



29 setembro 2013

Sonambulismo - Faculdade Intrigante e Pouco Debatida - Jorge Hessen

 

SONAMBULISMO – FACULDADE INTRIGANTE E POUCO DEBATIDA

Uma neozelandesa conseguiu dirigir e enviar mensagens (1) pelo celular (enquanto “dormia” ao volante) em completo estado de transe sonambúlico (2). Eis aqui um tema desafiador para cogitação espírita, porquanto o sonambulismo [do latim somnus= sono e ambulare= marchar, passear] consiste no estado de emancipação da alma mais completo do que no sonho. 

O sonho é um sonambulismo imperfeito. No sonambulismo, a lucidez da alma, isto é, a faculdade de ver, que é um dos atributos de sua natureza, é mais desenvolvida. Ela vê as coisas com mais precisão e nitidez, o corpo pode agir sob o impulso da vontade da alma. O esquecimento absoluto no momento do despertar é um dos sinais característicos do verdadeiro sonambulismo, visto que a independência da alma e do corpo é mais completa do que no sonho.

Allan Kardec informa na Introdução de O Livro dos Espíritos que se interessou pelo sonambulismo e magnetismo desde sua juventude. Na época o tema era observado em todo continente europeu, despertando interesse acadêmico de numerosos estudiosos. O Marques de Puysegur, um dos mais célebres discípulos de Franz Anton Mesmer, provocava a “crise mesmérica” e aproveitava esse período de “sono provocado” para curar seus pacientes. Durante o transe, certos sonâmbulos podiam ditar recomendações sobre o diagnóstico e o tratamento de enfermos ali presentes.

O século XIX, portanto, além de despertar o interesse da comunidade científica, o “magnetismo” foi bastante estudado nas obras Espíritas. O Codificador, um pesquisador do magnetismo desde os 18 anos de idade, redefiniu alguns conceitos sobre o tema. Palavras como “espírito” e “médium” já existiam, entretanto Kardec deu-lhes outra acepção, visando estratificar os arcabouços da Doutrina que vinha ao mundo sob as orientações dos Instrutores desencarnados. O “médium” na concepção mesmerista, significava uma pessoa que se colocava sob o controle de um magnetizador. Todavia, Kardec anota no Cap. XIV do Livro dos Médiuns que “médium” é todo aquele que, sente num grau qualquer, a influência dos espíritos.

Comparemos o termo “médium sonâmbulo”: para os seguidores de Mesmer era uma faculdade que permitia uma pessoa entrar em transe sonambúlico sob influência magnética. Kardec ao estudar o tema percebeu algumas variáveis do transe sonambúlico. Primeiro percebeu quando o sonâmbulo age espontaneamente sob a influência do seu próprio Espírito (animismo); é a própria alma que, nos momentos de emancipação, vê, ouve e percebe, fora dos limites dos sentidos. Por outro lado, o médium sonâmbulo, pode ser instrumento de uma inteligência estranha; quando é passivo e o que diz não vem de si. Em suma, o sonâmbulo exprime o seu próprio pensamento, enquanto que o médium exprime o de outrem.

Lembrando aqui que o Espírito que se comunica com um médium comum igualmente o pode fazer com um sonâmbulo; porque o estado de emancipação da alma facilita essa comunicação. Muitos sonâmbulos veem impecavelmente os Espíritos e os apresentam com tanta exatidão, como fazem os médiuns videntes. Podem dialogar com eles e transmitir-nos as suas ideias. O que narram, fora do âmbito de seus conhecimentos particulares, lhes é com certeza recomendada por outros Espíritos.

No Brasil o sonambulismo ainda é pouco compreendido porque é raramente pesquisado, daí a dificuldade de muitos dirigentes de reuniões mediúnicas em identificá-lo. Infelizmente é tema menosprezado pela maioria dos espíritas. Enquanto isso, sabemos de caso de sonâmbulo que se atirou do 7º andar do prédio em que residia. O infeliz caiu sobre a copa de uma árvore e só vindo despertar no pronto socorro com a medula completamente comprometida. Nunca mais conseguiu andar. Existem muitas pessoas sob o impacto das crises de sonambulismos.
Entendemos que o assunto merece ser examinado e debatido com mais frequência, mirando-se abrigo e socorro aos portadores dessa faculdade, que muitas vezes padecem agruras imensas, por não haver maior número de estudiosos para socorrê-los.

Como percebemos o sonambulismo natural é espontâneo ao passo que o sonambulismo magnético é voluntário e por isso pode ser provocado. Um não suprime o outro já que, em ambos persiste a faculdade da alma em emancipar-se; ocorre apenas outra diretriz, que disciplina o fenômeno. A educação mediúnica também permite ao médium que, por sua vontade, ele tenha controle voluntário sobre o Espírito que vai por ele se manifestar.

Assim sendo, pode considerar-se o sonambulismo como sendo uma variedade da faculdade mediúnica. Ambos caminham juntos e, nos dois fenômenos encontramos a alma, emancipada e livre para se manifestar. Reiteramos que o sonâmbulo age sob a influência do seu próprio Espírito, é sua alma que, nos momentos de emancipação, vê, ouve e percebe, fora dos limites dos sentidos. O médium ao contrário, como disse acima, é instrumento de uma inteligência estranha; é passivo e o que diz não vem de si. O sonâmbulo exprime o seu próprio pensamento, enquanto o médium exprime o de outrem. Sonâmbulos são médiuns independentemente de entrarem no transe anímico e, nessa condição, “incorporam” espíritos sofredores, ou não, mas o fazem também no decorrer desse transe, quando se desdobram e ocorre a psicofonia sonambúlica. Passam, assim, do transe anímico ao transe mediúnico.

Reenfatizamos que a deficiência de estudo dessa faculdade é falha gravíssima no movimento espírita, em face dos expedientes que proporciona no auxílio a espíritos padecentes, seja porque o médium, desdobrado, desloca-se a regiões distantes, ou próximas, onde existam intensos sofrimentos, seja porque permite “[quando os Mentores Espirituais concordam com a aplicação desse recurso ] submeter o espírito rebelde à regressão de memória, quando “incorporado” ao médium em transe sonambúlico e, em casos assim, ele atua na condição de médium, exercitando a psicofonia sonambúlica.” (3)

O sonambulismo puro, quando em mãos desavisadas, pode produzir belos fenômenos, mas é menos útil na construção espiritual do bem. Porquanto “a psicofonia inconsciente, naqueles que não possuem méritos morais suficientes à própria defesa, pode levar à possessão, sempre nociva, e que por isso, apenas se evidencia integral nos obsessos que se renderam às forças vampirizantes.” (4)


Jorge Hessen

Referências bibliográficas:

(1) As mensagens enviadas eram desconexa 
(2) Dados mostraram que ela estava enviando mensagens enquanto dirigia de sua casa, na cidade de Hamilton, à cidade de praia Mount Maunganui, a uma distância de 300 quilômetros. 
(3) XAVIER, Francisco C. Nos Domínios da Mediunidade. Pelo Espírito André Luiz. 9. Ed. – Rio de Janeiro: FEB, 1979. Cap. 3, 8 e 11. Sugerimos leitura do item 173, de O Livro dos Médiuns 
(4) Idem Cap. 3, 8 e 11.



28 setembro 2013

Ponte de Misericórdia - Joanna de Ângelis



PONTE DA MISERICÓRDIA

No báratro das aflições que aturdem o ser humano atormentado pelo consumismo e pelo individualismo, uma ponte de misericórdia existe lançada sobre o abismo escuro, facultando-lhe descortinar abençoadas paisagens transcendentais.

Sentindo-se despojado dos valores da fé, da confiança em Deus e no amor, quase vencido pelas circunstâncias constringentes e desesperadoras, defronta-se com esse inesperado contributo da Divindade que o convida a vencer a distância que o situa em relação à outra margem, a fim de que se lhe atenuem e mesmo desapareçam os fatores de sofrimento.

Passando a compreender a finalidade existencial, adquirindo consciência da própria imortalidade, graças, a essa ponte, renovam-se-lhe o entusiasmo e a alegria de viver por perceber que o sentido psicológico mantenedor da harmonia pode ser alcançado mediante a visão do futuro que o aguarda através da ação superior do bem.

Automaticamente experimenta inusitado desejo de sair do estado de depressão ou de revolta em que se encontra, a fim de cooperar com a sociedade irrequieta na qual se movimenta anelando por paz.

Essa ponte misericordiosa é a mediunidade iluminada pelas contribuições inestimáveis do Espiritismo, que lhe retiram as indumentárias místicas e complexas convencionais, para dar-lhe o exato sentido de vivência dentro dos padrões ético-morais do pensamento de Jesus a serviço de si mesmo, do seu próximo e do progresso geral.

Através da prática saudável dos recursos mediúnicos de que é portador, o indivíduo, que antes se encontrava sob a constrição das forças sombrias da perturbação em si mesmo, assim como das influências negativas impostas pelos Espíritos ignorantes ou perversos, redescobre o bem-estar que o toma suavemente, enquanto se aprimora interiormente, mudando de foco existencial e passando a viver sob novas diretrizes.

Enquanto era instrumento inconsciente dos transtornos psicológicos, alguns dos quais de natureza mediúnica obsessiva, era conduzido pelos terrenos ásperos dos comportamentos doentios e destrutivos.

Identificando-lhes, porém, as causas na própria realidade como autor dos atos que se transformaram em efeitos danosos, recupera-se emocionalmente, adquirindo o equilíbrio que favorece a melhor visão dos objetivos essenciais para a conquista de uma existência ditosa.

Passa, então, a reflexionar em torno do pensamento saudável, propondo-se a linguagem correta e edificante, e o comportamento trabalhado nos ideais de beleza, de harmonia e de fraternidade.

Já não lhe pesam na consciência os fardos das culpas do passado, nem o atormentam as interrogações que pareciam sem respostas, porque compreende que tudo depende exclusivamente da maneira como se conduza, projetando para o porvir, mediante as ações dignificadoras do presente, os resultados da sementeira de bênçãos do momento.
A mediunidade é a ponte libertadora através da qual o ser transita no rumo de plenitude espiritual.

Pouquíssimo compreendida, tem sido malsinada por informações destituídas de fundamentos, dentre os quais a assertiva de que todos os médiuns sofrem muito, como se a dor fosse impositivo dessa formosa faculdade.

Sob outro aspecto, existe uma reação psicológica à educação da mediunidade, em razão de as pessoas não desejarem assumir responsabilidades, especialmente em torno da renovação moral e da transformação dos hábitos infelizes, para ser pleno. O anseio imediato é o do prazer sem compromisso nem esforço, como se a finalidade da existência na Terra fosse assinalada por alegrias e gozos, normalmente extenuantes, que se transformam em vícios de consequências funestas.

Ainda sob outro enfoque, pensa-se que a faculdade mediúnica é algo estranho, de caráter mágico, carregada de simbolismos e fetiches para realizações de atos mirabolantes ou miraculosos, com especificidades materiais: casamento, emprego, sorte nos empreendimentos...

Algumas pessoas insensatas, quando se percebem portadoras da sensibilidade mediúnica, esforçam-se por encontrar meios para eliminá-la como se fosse um capricho do organismo que a elabora ao acaso, elegendo aqueles que a devem ou não experienciar.

Meditasse, aquele que assim pensa, em torno da nobre possibilidade de manter contato com o mundo espiritual de onde veio e para onde retornará, e, naturalmente, experimentaria um júbilo imenso, face à certeza da sobrevivência à morte, dando continuidade à vida.

Essa reflexão auxiliaria à conquista de um objetivo psicológico sério para a jornada física, facultando a aplicação das horas no trabalho incessante de autoaprimoramento com a consequente autoiluminação proporcionadora de plenitude.

A confirmação do intercâmbio entre as duas expressões da vida humana – na forma física e fora dela – faculta a descoberta de todo um universo de beleza que se encontra ao alcance de quem o deseje conquistar.

Enfermidades dilaceradoras, físicas, emocionais e mentais seriam evitadas com facilidade, comportamentos extravagantes seriam substituídos pelos de caráter equilibrado, a compreensão da vida se faria de imediato mais sensata e enriquecedora, enquanto o mundo passaria por uma grande renovação em decorrência da conduta dos seus habitantes.

A mediunidade, no entanto, quando relegada ao abandono ou permanece ignorada, torna-se, ainda assim, ponte para aflições e transtornos que dizem respeito ao Espírito endividado que necessita recuperar-se, a fim de prosseguir no seu processo de evolução moral.

Não é, portanto, a mediunidade em si mesma, que responde pelas alegrias ou angústias do seu portador, mas aquele que a possui ostensiva ou natural, de acordo com a direção que lhe oferece.

Inutilmente tentará diluir essa ponte parafísica da sua constituição orgânica, o homem ou a mulher que pretenda seguir em tranquilidade sendo-lhe possuidor.

Bênção dos céus à disposição dos transeuntes da Terra, a mediunidade deve ser vivenciada com carinho e respeito, oferecendo a todos quantos sintam de alguma forma a presença dos Espíritos, conforme esclareceu Allan Kardec, a excelente alavanca para o próprio progresso e redenção moral.
Jesus, que é o exemplo máximo de que dispõe a humanidade para encontrar a felicidade plena, prossegue na condição de Médium de Deus, tornando o Pai conhecido de todos os Seus filhos, através das inconfundíveis lições de amor e de misericórdia que a todos são ofertada.

Seguir-Lhe o exemplo, a fim de alcançar o mediumato, é a opção correta de todos aqueles que dispõem da abençoada ponte de misericórdia.
 

Joanna de Ângelis

Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na tarde de 31 de maio de 2013, na residência de Josef Jackulak, em Viena. Áustria

27 setembro 2013

A Sexualidade e a Força Criativa do Espírito - Magali Bischoff

A SEXUALIDADE E A FORÇA CRIATIVA DO ESPÍRITO

Para compreender a relação da sexualidade e a força criativa do Espírito,temos que aprofundar os estudos das mensagens contidas na Codificação,nas obras subsidiárias,e por autores diversos que pesquisam o assunto sob o ponto de vista espiritual.

André Luiz,no livro Evolução em dois Mundos,Cap.6,descreve informações importantes,sobre o aparecimento da função sexual na Terra:“...Durante um longo tempo, bactérias e células foram experimentadas em reprodução orgânica(sem gametas,isto é,assexuadas).Após esse período um determinado grupo passa a exibir no seu interior qualidades magnéticas positivas e negativas, que surgem desencadeadas por Orientadores Espirituais e acrescenta:"pressente-se a evolução animal em vésperas de nascer".

E com o desenvolvimento da sexualidade e o aparecimento dos seres humanos,sob a ação dos Espíritos Superiores,surge a necessidade do povoamento da Terra.

No seu livro "Forças Sexuais da Alma",Jorge Andréa, um grande pesquisador da fisiologia da Alma e da natureza do espírito,aborda a questão:"...Não podemos fazer confusão com atividades sexuais ligadas aos órgãos físicos e as energias sexuais que carregamos em nosso Espírito.Embora,as atividades sexuais na periferia sejam orientadas por essas forças do Espírito que denominamos "forças criativas". Essas forças são usadas para criar as coisas belas e úteis ou inferiores também. A arte, a literatura, a música, os impulsos para o bem, etc.”

É importante conhecer essa força criativa e analisar o processo mente/espírito e o arcabouço das experiências pretéritas para compreendermos as bases das nossas ações, sentimentos,tendências e convivências na encarnação presente.

Jorge Andréia separa em três zonas,as camadas do consciente e do inconsciente,de uma forma mais didática e de fácil compreensão:

1a.) Zona do Inconsciente Puro.

“Centro da vida, ponto de partida das energias diretivas do Espírito a distribuir-se por toda a estrutura do psiquismo.É uma zona inatingível por qualquer dos métodos psicológicos em vigor.Representaria a zona do autêntico Eu,com características de campo dimensional de energias tão específicas que, por seu intermédio, haveria a possibilidade de pensar-se que o "fluido universal"(elaboração do pensamento divino)aí encontrasse a porta de penetração e, consequentemente, de orientação e abastecimento das inesgotáveis vibrações divinas para os seres.Seria uma zona quitessenciada,faixa de nascimento das energias criativas do próprio psiquismo, a ponte de comunicação e local de canalização da Grande Lei da Vida;As energias criativas dessa zona, que nomeamos de inconsciente puro,distribuem, com ordem e precisão, os necessários impulsos nutridores para a camada que imediatamente lhe segue, por nós denominada de inconsciente passado ou arcaico. Esta, por sua vez, orientaria a que lhe sucede e,assim por diante,até o corpo físico.Desse modo,o Centro da Vida,a fonte criativa estaria,com seu inteligente direcionamento,nas células físicas orientando os processos bioquímicos,porém com energias perfeitamente adaptadas pelas respectivas filtragens que as camadas dimensionais do psiquismo podem oferecer.”

2a.) Zona Inconsciente Passado ou Arcaico

“É a camada que circunda a do inconsciente puro e onde estariam sedimentadas todas as experiências que determinado ser vivenciou através dos evos.Aí encontraremos os "núcleos” desses arquivos que, pela sua intensa atividade,denominamos de núcleos em potenciação;poderíamos nomeá-los, em pensamento de Jung,de arquétipos.Quanto mais vivenciou determinado ser,maior o lastro dessas fontes vibratórias pelo mecanismo incorporativo; nessa absorção e devida metabolização da mecânica psíquica,os arquivos do Espírito, aí situados, sempre se expressarão numa posição de unificação e totalidade sob forma de aptidões.Assim, os alicerces das experiências acumuladas transformam-se em aptidões,que poderão ser,cada vez mais, buriladas, ampliadas e melhoradas,na medida em que a evolução individual se for afirmando.Desses núcleos em potenciação partirão energias que percorrerão as diversas camadas do psiquismo até esbarrar no paredão das células físicas, especificamente em seus núcleos,impulsionando e direcionando o laboratório do código genético.Seria esse o modo pelo qual as forças do Espírito intervêm na organização física?”

3a.) Zona do Inconsciente Atual ou Presente

“Esta terceira zona de revestimento representaria uma região cujas funções psicológicas, por se encontrarem bem próximas da zona física, mais facilmente mostram parte dessa dinâmica já mais bem percebida pela zona consciente.É a zona onde os conflitos do psiquismo, sob forma de neuroses, mais facilmente derramam-se na zona consciente,natural canal de derivações.Diante dessa apresentação diríamos,de modo lógico,que é no inconsciente passado,onde os vórtices energéticos do Espírito se encontram enraizados,a absorverem experiências da zona consciente e,por processo inverso,com possibilidade de nutrirem os mecanismos da vida material. Essas fontes inesgotáveis de energia espiritual,pela condição de constante vibração,nos levaram a denominá-las núcleos em potenciação.E os correspondentes na periferia (células do corpo físico),os elementos onde os vórtices desses núcleos pudessem encontrar receptividade como se fora uma tela captativa, seriam os genes dos cromossomos.Estamos a ver que o psiquismo,nessa hipótese de trabalho,teria correlações,canais de entrosamento entre o Espírito e a matéria.A fim de que esses campos consigam,entre si, entrosagem e sintonia deverão ser adaptados pelas diversas mudanças dimensionais que as camadas do psiquismo devem apresentar. Quanto mais na periferia, na zona corpórea, mais densificação, quanto mais no centro, na zona espiritual, mais quintessência pela pureza dimensional. Ainda poderíamos acrescentar no esquema do psiquismo o corpo mental envolvendo o inconsciente atual.Quanto a esta camada ou campo temos que nos louvar nas informações espirituais, porquanto não existem possibilidades de conhecimento dessa zona pelos seus reflexos na zona consciente.

Pelo que nos fala André Luiz(entidade espiritual),ela representa o envoltório sutil da mente.Poderíamos dizer que nessa região,possivelmente,o perispírito encontre seus alicerces.A camada intermediária que poderá oferecer todas essas condições de adaptação,entre centro espiritual e periferia corpórea,seria o psicossoma ou perispírito.É na rede perispiritual que os canais do psiquismo encontram os autênticos caminhos de entrosagem de energia”.

No seu livro “Visão Espírita das Distonias Mentais”,ele diz: “...podemos considerar o inconsciente atual(ou presente) também funcionando como filtro entre as regiões nobres do Espírito e os campos mais externos do psiquismo.

Para quem ainda não está muito acostumado, com os termos utilizados nas obras da Codificação,Allan Kardec e os espíritos,definiram novas palavras, para diferenciar conceitos da sua época,já que a obra corria sério risco de interpretação.Uma delas é a palavra “quintessência”, termo pouco conhecido naquela época, e provavelmente,melhor aceito e compreendido nos dias de hoje,que sugere uma ideia daquilo que os espíritos desejavam informar.Eles tinham o cuidado de não utilizar a mesma definição para coisas diferentes.

E muito provavelmente,a definição de Quintessência utilizada no período de Kardec, vem da Cosmológica: dos Gregos:

Segue informação do Dicionário: "A ideia de uma Quintessência (ou 5o elemento) como um tipo especial de matéria que preenche o cosmos foi introduzida pelos gregos. Na Cosmologia Aristotélica, por exemplo, o Universo seria finito, estático e formado por cinco elementos primordiais: água, ar, terra, fogo e Quintessência. O 5o elemento seria uma substância diferente das outras; transparente, inalterável e imponderável; uma matéria prima que formaria a lua, os planetas, o sol e as estrelas".

"A Quintessência é um elemento essencial para tornar o modelo cosmológico grego consistente. Pela concepção grega, os elementos pesados devem cair para o seu lugar natural (o centro da terra),mas a lua mesmo parecendo pesada não cai. Isso explica a origem da Quintessência como formadora dos corpos celestes.A luz do renascimento científico e da revolução newtoniana, podemos afirmar que a Quintessência surgiu para resolver um problema de aceleração; um conceito que permitiria “sustentar" a lua e os demais corpos celestes em suas órbitas".(ver: Dicionário Informal)

Se estudamos a existência do Espírito,a sua energia criativa e a sua relação na Matéria,não podemos deixar de falar do Criador e as Leis que regem o Universo.Na primeira questão de “O Livro dos Espíritos”,Allan Kardec pergunta aos espíritos “ Que é Deus?”,não mais dentro da visão Antropomórfica de “Quem é Deus” (a imagem e semelhança dos Homens)mas de um Criador,Inteligência Suprema Causa primária de todas as coisas, que revela as Leis que regem todo o Universo, tendo como princípio As Leis Universais, entre elas de que os Espíritos foram criados, simples e ignorantes,mantendo a sua individualidade no exercício pleno do Livre arbítrio.

Dentro dessa compreensão,não podemos julgar a condição sexual,evolutiva de nenhum espírito encarnado e suas necessidades e escolhas,sem analisar todo o arcabouço espiritual.

Se Deus criou os Espíritos iguais,simples e ignorantes,e neles não existe essa diferenciação sexual(essa informação está contida em “O Livro dos Espíritos”questão 200,na pergunta formulada por Allan Kardec),precisamos compreender que ele é o responsável por sua trajetória,exercitando a energia criativa da forma que lhe cabe,segundo suas necessidades e entendimento.E na Lei de Causa e Efeito,os espíritos tem total liberdade para aprender,reparar, experimentar,equilibrar,desenvolver,aprimorar suas forças à caminho da Evolução.Lembrando somente,que cada ação do espírito em uma existência,tem a relação direta com a reação nessa ou em outra existência.

Para finalizar,segue os ensinamentos do Espírito Emmanuel, quanto à aplicação do sexo. No livro “Vida e Sexo”, umas das obras mais completas sobre o assunto,encontramos já na Introdução:

“...E para não nos delongarmos em considerações desnecessárias,concluiremos que,em torno do sexo, será justo sintetizarmos todas as digressões nas normas seguintes:Não proibição, mas educação.Não abstinência imposta, mas emprego digno,com o devido respeito aos outros e a si mesmo.Não indisciplina,mas controle.Não impulso livre,mas responsabilidade.Fora disso, é teorizar simplesmente,para depois aprender ou reaprender com a experiência.Sem isso, será enganar-nos,lutar sem proveito,sofrer e recomeçar a obra da sublimação pessoal, tantas vezes quantas se fizerem precisas,pelos mecanismos da reencarnação,porque a aplicação do sexo,ante a luz do amor e da vida,é assunto pertinente à consciência de cada um.

A Fundação Espírita André Luiz, realiza um excelente trabalho no esclarecimento de diversos temas que estão em debate na Sociedade através da programação da Rede Mundo Maior de Televisão e da Rede Boa Nova de Rádio,apresentando debates,entrevistas,comentários,estudos de expositores e pesquisadores da Doutrina Espírita.

Segue o Programa “Mundo Maior Repórter” da Rede Mundo Maior de Televisão, emissora da Fundação Espírita André Luiz,que abordou esse tema de forma imparcial, contribuindo com um trabalho jornalístico muito esclarecedor. Vale a pena assistir !


Bibliografia:
Xavier, Francisco Cândido - André Luiz, Evolução em Dois Mundos, 15 ed.: FEB Boletim Médico Espírita, outubro 1987.
Andréa, Jorge - "Palingênese, a Grande Lei". Editora Caminho da Libertação. 2ª edição, 1980, Rio de Janeiro.
Andréa, Jorge-"Energética do Psiquismo". Fronteiras da Alma. Editora Caminho da Libertação.2ª edição, 1978, Rio de Janeiro.
Andréa, Jorge- “As Forças Sexuais da Alma”, Publicação original 1998.Ed.FEB.
Kardec. Allan -“O Livro dos Espíritos” II parte Cap 1 76 a 83
Ciclo de Estudos sobre a obra Evolução em Dois Mundos. Emmanuel (Vida e Sexo – 21 Homossexualidade)

Biblia( Mt VII 1-2) :Não julgueis, para não serdes julgados, pois sereis julgados da mesma maneira como julgardes aos outros; e se usará para convosco, da mesma medida com que medirdes a eles".