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13 outubro 2013

O Orgulho e o Egoismo - Miramez


O ORGULHO E O EGOISMO

Em que é que, na causa primária, se revela uma inteligência suprema e superior a todas as inteligências? "Tendes um provérbio que diz: Pela obra se reconhece o autor. Pois bem! Vede a obra e procurai o autor. O orgulho é que gera a incredulidade. O homem orgulhoso nada admite acima de si. Por isso é que ele se denomina a si mesmo de espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater!"(O LIVRO DOS ESPÍRITOS, questão 9) O Orgulho e o Egoísmo

O Espírito orgulhoso, encarnado ou desencarnado, se supervaloriza, criando assim em torno de si, o seu próprio mundo, de sorte a querer desconhecer os valores que não lhe pertencem e, principalmente, a Fonte Criadora de todas as coisas. O orgulho está sempre ligado ao egoísmo, estado deprimente daqueles que o possuem. Nós, os moradores da casa terrena nos dois planos de vida, estamos fechando o círculo de provações e começando a perceber o fim do materialismo. Graças a Deus, está morrendo essa época de descrer da Paternidade Universal.

Compete aos próprios homens erguerem seus pensamentos às alturas espirituais, reconhecendo e fazendo com que os outros encontrem a segurança de todas as seguranças, que é conhecer Deus dentro e fora de si e ouvir sua palavra a nos educar por todos os meios e métodos de que Ele dispõe, pelas formas visíveis e invisíveis da sua majestosa criação.

O egoísmo contrai todas as forças do Espírito e atrofia as sensibilidades, fazendo­as perderem o contato com os agentes da Divindade, que nos trazem as notícias de vida em todos os planos da vivência espiritual. Nós podemos dizer, pelos meios de que dispomos, que nada existe sem vida, mesmo a matéria que chamamos inerte. Em tudo manda a vida como vida de Deus.

O ser orgulhoso deixa de conhecer os seus próprios poderes, inerentes à sua personalidade. O ser egoísta facilita condições para a sua angustiosa solidão e sempre é portador desses dois carrascos. Não desconfia de que está andando para o abismo sem o perceber. Se queremos ser livres, procuremos educar­nos e instruir­nos, e o caminho mais acertado é Jesus Cristo. Ele é o Pastor Inconfundível de todos nós; o seu amor nos sustenta desde o princípio, nos abençoando em todos os caminhos e nos dando vida em todas as circunstâncias. Meu filho, não duvides mais da existência de Deus.

Se queres reconhecer seu valor, olha sua obra. Se tudo está em plena harmonia, certamente que o seu Criador é perfeito em todos os seus aspectos. Negar o Senhor nos dias que correm,é assinar o atestado de ignorância calculada, que desvincula o amor do coração e separa a fé do ambiente em que se vive. No lugar do orgulho, constrói a fraternidade, e na área do egoísmo, conquista o amor.

Não és diferente dos que já se realizaram na vida espiritual, e não existem outros caminhos que não sejam os delineados pelos grandes missionários da Caridade. Falar no bem e viver no bem é a meta do Espírito inteligente, que não se esqueceu da educação.

Quando admiramos uma pintura famosa, a primeira coisa que desejamos saber é quem foi seu autor. Pois bem, a natureza universal, de cujos benefícios desfrutamos, é a mais bela pintura, é a mais engenhosa construção que podemos contemplar. Façamos o mesmo, busquemos o seu autor. Encontraremos esse Deus de que sempre falamos com toda a nossa alegria, com toda a gratidão. A obra reflete a inteligência de quem a fez. Se ainda duvidas da nossa fala, procura­O nas diversas literaturas espiritualistas, busca meditar sobre Ele, que a sua presença tornar­se­á visível às tuas sensibilidades, bem como ao teu raciocínio. E Ele passará a ser teu companheiro permanente, porque abriste o coração à procura da sua benfeitora luz.

Já procuraste observar o teu próprio corpo e o seu funcionamento inteligente? Foi o acaso que o fez? Se desconheces o teu próprio corpo, foi alguém mais capacitado que o planejou; procura esse alguém, que O encontrarás sorrindo para ti, ajudando­te a desvendar os mistérios que existem em muitos outros ângulos da vida. Livra­te do orgulho e do egoísmo, que encontrarás as bênçãos do entendimento, encontrarás Deus dentro de ti.


Extraído do livro: "FILOSOFIA ESPÍRITA" (Cap. 9)
Pelo Espírito Miramez 
Por João Nunes Maia



12 outubro 2013

Viver, Amar, Ser Criança! - Irmão José

VIVER, AMAR, SER CRIANÇA! 


A vida terrena nos coloca em contato com prazeres, amores e alegrias ilusórias.

Hoje quero sugerir a vocês uma pausa em seus afazeres diários para refletirmos juntos sobre o significado da palavra AMOR e o sentido que damos a este sublime ato, quando nosso espírito esta sob a pesada matéria.

Confundimos os sentimentos. Ao sentirmos falta de alguém ou alguma coisa pensamos, acreditamos, juramos amar.

No estado de seres fisiológicos, pensamos que amamos, porém nosso sentimento é de posse.

Acreditamos que estamos cuidando, porém desejamos prender, amarrar a nós o "objeto" amado. A consequência desta ilusão é a dor, a falta de compaixão e a falta de amor. Emaranhados nas teias de nossas ilusões, deixamos de lado o que pensamos ter e pelo que pensamos proteger. O Amor, nossos amores.

Nossa falta de consciência chega a tal ponto que chegamos a pronunciar "Sofro por que amo demais".

Doce veneno, em doses homeopáticas, estes pensamentos e atos, filhos queridos!

Estamos na era dos valores do espírito. Tempos propícios para franco desenvolvimento moral. Vamos acordar do sono da matéria. Vamos nos libertar das falsas ilusões que minam nosso campo energético.

O verdadeiro Amor é sublime. O verdadeiro amor liberta. O verdadeiro Amor constrói pontes que nos levam ao caminho reto. Estamos sendo algozes de nós mesmos. Se pensamos, "aquele irmão me odeia". Na verdade somos nós mesmos que estamos nos odiando. Ninguém tem o poder de nos atingir. Este poder esta em nós. Somos nós que alimentamos o ódio e as atitudes malévolas que os outros tem para conosco.

Vamos recordar um belo ensinamento do mestre Jesus: "Pagar o mal com o bem". Esta é a única moeda que realmente quita qualquer dívida. Quando fazemos isso, estamos cortando a corrente que alimenta no outro, pensamentos e sentimentos negativos.

Em Coríntios temos um aprendizado mais claro ainda: "Ainda que eu falasse a língua dos homens. E falasse a língua dos anjos, sem amor nada seria".

Palavras lindas nos emocionamos quando sentimos a força e a energia delas.

Porém nosso ego se apresenta dominante e os pensamentos não geram motivação para a prática do Amor.
Hoje, proponho a vocês se despedirem das máscaras e couraças que foram vestindo.

Aproveitem a energia do momento. Apesar do dia das crianças ser uma data comercial, podemos transformar este sentimento. Vamos aproveitar para resgatar nossa criança interior. A centelha divina que existe em nosso espírito. Vamos exercitar o amor ao nosso próximo. Desejar amor aos que dizem nos odiar. Filhos, não adianta jogar o tapete, não querer suportar qualquer coisa! Somente o que resolve é amarmos, amarmos muito, com liberdade, com doação! "Que não saiba sua mão esquerda o que doa a direita."

Se queremos compaixão, sejamos benevolentes; Se queremos palavras doces e aconchegantes, sejamos humildes. Vamos agasalhar nossos corações com o manto do Amor. Este é o verdadeiro manto de Maria de Nazaré! Nossos olhos ainda imperfeitos enxergam sob os ombros da mãe bondosa, um pedaço de pano azul que lhe agasalha. Filhos, o pedaço de pano que vemos, na verdade é a representação do grande amor que o coração de Maria consegue gerar.

Deixamos o manto de Amor de nossa mãe agir sobre nós. Vamos abrir os cadeados e chaves da jaula dos nossos corações e deixar o caminho livre para o amor entrar, limpar e transformar.

Despeço-me hoje, amando muito, criando uma energia de amor incondicional que ficará agindo sob todos nós.

Em amor, vamos ao trabalho filhos queridos!


Espírito: Irmão José 
Psicografado pela médium: Ariana



11 outubro 2013

Um Jeito de Escapar do Inferno - Momento Espírita


UM JEITO DE ESCAPAR DO INFERNO 

Mohandas Karamchand Gandhi foi um homem fabuloso e inesquecível.


Seu conhecimento sobre as leis de Deus é digno de nosso mais profundo respeito e admiração.


Uma das mais belas passagens de sua vida é relatada com competência pelo cineasta britânico Richard Attenborough.


O filme mostra a sangrenta guerra civil que se seguiu à divisão da Índia em Paquistão muçulmano e Índia hindu.


As mortes só trouxeram retaliações e mais vítimas, até que Gandhi, líder espiritual respeitado por hindus e muçulmanos, iniciou um jejum e jurou que não comeria até que a matança terminasse, mesmo que isso significasse sua morte por inanição.


Esse foi apenas um dos muitos jejuns de Gandhi defendendo a não-violência.


Um hindu enlouquecido visitou o Mahatma e, ao chegar aos pés da cama onde estava, atirou-lhe um pedaço de pão enquanto gritava:


Eu já vou para o inferno e não quero a culpa da sua morte também em minha alma! Coma, por favor!


Gandhi, sereno como sempre, replicou:

Por que você vai para o inferno?


O hindu tremia ao responder:

Eu tinha um filho pequeno, mais ou menos deste tamanho, que foi assassinado pelos muçulmanos. Então, eu peguei a primeira criança muçulmana que consegui encontrar e a matei, arrebentando-lhe a cabeça contra uma parede.


Gandhi fechou os olhos e chorou por dentro.


Depois se recompôs, pois sabia da importância de seu papel perante aquele povo e, com esperança na voz, disse:

Eu conheço um jeito de escapar do inferno.

Muitos meninos agora estão sem os pais por causa da matança. Encontre um menino muçulmano, com mais ou menos este tamanho - repetindo o gesto feito pelo visitante há pouco – e o crie como se fosse seu. Adote-o.


O homem desorientado estava admirado com a proposta, e tentava assimilá-la da melhor forma. Uma brisa de esperança chegou-lhe ao rosto.


Porém, Gandhi não havia terminado sua fala:

Atente apenas para um detalhe: você não deve esquecer que deverá criá-lo como um muçulmano.


O hindu não estava preparado para aquela proposta. Era muito diferente de tudo que sentia, de tudo que pensava. Era uma proposta revolucionária.


Era a revolução da lei do amor, ensinada por Gandhi, de forma magistral.


O homem caiu aos pés do mestre. A loucura abandonou seus olhos, que choravam copiosamente.


Gandhi colocou as mãos na cabeça do hindu, abençoando-o do fundo de seu coração, desejando que ele pudesse aceitar seu novo caminho, o caminho para sair do inferno.


Quando o hindu saiu, ele tinha um pouco de paz no coração, e uma proposta da lei do amor em suas mãos: proposta de perdão e de autoperdão.


*   *   *


Nada como o amor, em toda sua resplandecência, para nos libertar desse estado d’alma de inferno.


Sim, já somos capazes de entender que o inferno não é um local delimitado no espaço, mas um estado d’alma temporário.


Para alguns, desorientados e reincidentes nos mesmos erros, esse estado de espírito parece uma eternidade, mas essa dita eternidade dura apenas o tempo do aprendizado, o tempo do despertar para o amor.


O amor cobre uma multidão de pecados, conforme tão bem afirmou o Apóstolo Pedro.


A lei de causa e efeito abraça-se à lei da amorosidade e ambas, interligadas sempre, carregam-nos para a tão desejada felicidade.

 
Redação do Momento Espírita



10 outubro 2013

O Poder do Pensamento - Mensagem Espírita




O PODER DO PENSAMENTO

Estou convencido de que uma das formas mais eficientes de mudar nossa vida é mudando nossos pensamentos. Sei disso por experiência própria!

Qual é a atitude das pessoas que você conhece frente aos acontecimentos? Tenho certeza de que você vai se lembrar daquelas que tem uma atitude positiva, confiante, que vêem as coisas e as pessoas pelo seu lado melhor e que diante de um problema, sempre dizem:

- Vamos resolvê-lo!

- Existe um jeito para tudo!

São pessoas que nos fazem bem, com quem gostamos de conviver, que emanam uma energia positiva contagiante e por isso mesmo, enfrentam as dificuldades com mais força e coragem. Em contrapartida, temos as pessoas criadoras de dificuldades, as que colocam obstáculos em qualquer tarefa, as que desconfiam de tudo e de todos, imaginando as piores intenções nos atos daqueles com quem convivem.

Você percebe todo este contexto são exemplos de pensamentos que facilitam ou dificultam a vida, que geram medo ou confiança, indisposição ou garra para lutar, persistência ou sentimento prévio de derrota?
Pare um pouco e pergunte-se:

- Quais são os seus pensamentos dominantes diante dos acontecimentos?

Tendo consciência disso, não para se acusar, se culpar ou se julgar, mas simplesmente para tomar consciência dos próprios pensamentos, verificamos se eles ajudam-nos a viver feliz e harmonicamente. 

Tenha a absoluta certeza: Nós temos uma imensa capacidade de mudar o mundo e nossas vidas com os nossos pensamentos! Quando você limpa a mente de todos os pensamentos negativos e lança as sementes de pensamentos positivos, aquilo que você pensa germina com absurda magnitude. Quando entendemos que os nossos pensamentos controlam a nossa vida, e que precisamos aprender a controlar a nossa maneira de pensar, adquirimos um poder que transborda e emana energia. Esta consciência nos dá enormes possibilidades para melhorar a qualidade de nossas vidas.

Somos, sem dúvida, um produto de nossos pais, de nossas escolas e da sociedade. Com eles aprendemos a nos comportar e pensar. No entanto, não somos escravos de nossa formação, criação, nem tampouco da sociedade em que vivemos porque, lembrem-se, todas as coisas em que acreditamos são somente pensamentos, e pensamentos podem ser mudados.

Consciente do poder que você possui de mudar e criar seus pensamentos, definitivamente devemos mudar nossas afirmações, afirmar no presente o que pretendemos para nossas vidas, o que pretendemos para nossa qualidade de vida e bem estar espiritual!
Somos o que pensamos ser...





09 outubro 2013

Curandeiros Endeusados, Cirurgiões do Além... - Jorge Hessen

 

“CURANDEIROS ENDEUSADOS”, CIRURGIÕES DO ALÉM – SOB OS NARCÓTICOS INSENSATOS DO COMÉRCIO

Após leitura de intrigante reportagem da Revista “VEJA” , deliberamos reproduzir e contextualizar alguns trechos da matéria publicada.  Intitulada “A face humana do mais endeusado médium brasileiro”(1) , a  “VEJA” destacou  a capacidade do famigerado médium de atrair gente do mundo inteiro para um município próximo do Distrito Federal. Afirma a reportagem que o “santificado médium” convive o cotidiano  sob o manto da contradição entre o “espírito e a carne”, a “cura e a doença”, o “desprendimento e a vaidade”, os gestos de “generosidade , os arroubos de cólera” e os negócios terrenos (2) [é milionário], os amores [tem onze filhos com dez mulheres diferentes]. A cada  dois anos, o “curandeiro-endeusado do cerrado”  troca a frota de carros da família. O dele é um Mohave Kia, avaliado em 170 000 reais..” (3)


Sabemos que a  mediunidade não guarda relação com o desenvolvimento moral, seu funcionamento independe das qualidades morais, assim como o coração pulsa independentemente dos sentimentos bons ou maus que a pessoa alimente. O fato é que os médiuns de tais “cirurgiões do além” sempre seduzem grande número de fregueses,  estabelecendo, não raro, com a mediunidade, um negócio rendoso,  uma polpuda fonte de captação de dólares e reais. Para comprovar, consideremos o fato aqui comentado. Chequemos o seguinte: o PIB – Produto Interno Bruto do município onde “médium-feiticeiro do cerrado” comercializa disfarçada e generosamente  a “cirurgia transcendental” é de 15 milhões de reais ao ano. No mesmo período, a instituição dirigida por tal “deus da mediunidade de cura” “ tem faturamento de ,no mínimo, 7,2 milhões de reais, levando-se em conta exclusivamente  o comércio de passiflora, preparado à base de maracujá, produzido ali mesmo, vendido a 50 reais o frasco e receitado a uma média de 3 000 visitantes semanais.” (4)


Por sérias razões não apreciamos e sequer indicamos esse tipo de mediunidade, embora, excepcionalmente, acatemos os efeitos mediúnicos atingidos por alguns poucos médiuns humildes e honestos. Infelizmente alguns  “deuses dos bisturis”, que promovem cirurgias com auxílio de supostos médicos do além,  conseguem robustecer suas contas bancárias. Há algumas décadas Chico Xavier advertiu: “Creio que isto deva ser fruto da educação da pessoa simplória, acreditar que, pagando bem, irá conseguir curas espirituais. O verdadeiro Espiritismo não pode cobrar, nem mesmo os remédios que receita aos doentes. Também sou contra essa estória de meter instrumentos cortantes no corpo dos outros, sem ser clínico. O médico estudou bastante anatomia, patologia e, por isso, está habilitado a fazer uma cirurgia. Por que eu, sendo médium, vou agora pegar uma faca e abrir o corpo de um cristão sem ser considerado um criminoso?” (5)


O médium de Pedro Leopoldo disse que foi operado pelos médicos terrenos cinco vezes, e vários médiuns lhe ofereceram seus serviços. “O Espírito Emmanuel lhe repreendeu: Você deveria ter vergonha até em pensar em receber esse tipo de cura, porque todos os outros doentes vertem sangue, usam éter, tomam determinados remédios para melhorar. Como você pretende se curar numa cadeira de balanço?”(6)

Do exposto, indagamos o seguinte: como ajuizarmos atualmente esses “curandeiros e cirurgiões do além”? Chico Xavier quando estava para se submeter a uma cirurgia, em 1968, de um tumor na próstata, Zé Arigó [que não era espírita], mandou lhe avisar que estava pronto para realizar a operação. Chico respondeu: “como é que eu ficaria diante de tanto sofredor que me procura e que vai a caminho do bisturi, como o boi vai para o matadouro? E eu, sabendo disso, vou querer facilidades? Eu tenho é que operar [com médicos encarnados] como os outros, sofrendo com eles! (7)   

Por isso, o Espírito André Luiz advertiu para “aceitar o auxílio dos missionários e obreiros da medicina terrena, não exigindo proteção e responsabilidade exclusivos dos médicos desencarnados”. (8)


É deplorável os médiuns evocarem “Espíritos”  para que lhes atendam como “cirurgiões do além”, a fim de  retalhar e perfurar  corpos em nome de “operações espirituais”; que lhes prescrevam placebos. É lamentável essa tendência de subestimar a contribuição da medicina humana, entregando nossas enfermidades aos Espíritos “curandeiros do além” (preferencialmente com nome germânico ou hindu) para que “curem” doenças.  Precisamos “aproveitar a moléstia como período de lições, sobretudo como tempo de aplicação de valores alusivos à convicção religiosa. A enfermidade pode ser considerada por termômetro da fé”. (9)


Não desconhecemos a plausível intervenção dos desencarnados nos processos terapêuticos na Terra, mas não se pode dar proeminência a esse tipo de trabalho, na suposição de curas ou na pérfida ideia de robustecimento do Espiritismo por esses meios. É urgente não abrirmos mão da precaução! Ainda mesmo  que o excesso em tudo seja prejudicial, contudo, Kardec endossa nossa atitude  dizendo que “em semelhante caso, vale mais pecar por excesso de prudência do que por excesso de confiança”. (10)


Acreditamos que as “terapias alternativas”, “curandeirismos” e a fascinação na prática mediúnica, são fatores que têm desestabilizado o plano [da união] entre os espíritas e da unidade doutrinária. (11) É pouco significante que um “cirurgião do além-túmulo”  faça desaparecer anomalias inibidoras ou deformantes do corpo. Até porque o perispírito conservará a patologia, que vai se projetar para reencarnações futuras, exceto que nos ajustemos com a lei da justiça, cobrindo com amor a “multidão de pecados” que carregamos. Jamais olvidemos que a cirurgia transcendente pode até mesmo refrear temporariamente as doenças físicas, mas o amor, trabalhando nos tecidos sutis da alma, cura, purifica e redime para a eternidade.


Segundo Divaldo Franco   “é uma temeridade transformar o centro espírita em pequeno hospital para atendimento de todas as mazelas , isso é uma loucura. É um desvio da finalidade da prática do Espiritismo. Podemos, sim, fazer uma atividade de atendimento a doentes que são portadores de problemas na área da saúde espiritual. Poderemos aplicar-lhes passes, doar-lhes a água fluidificada, se for o caso, mas a função principal do Centro Espírita é iluminar a consciência daqueles que o buscam.”(12)


Ressalta o tribuno baiano que certa vez o Espírito do “Dr. Fritz” quis operar Chico Xavier, em 1965, através do médium não espírita Zé Arigó: – “Eu te ponho bom desse olho. Faço-te a cirurgia agora! Pronunciou  Arigó e  Chico Xavier respondeu-lhe: – “Não, isso é um karma. Eu sei que o senhor pode consertar o meu olho. Mas como o karma continuará, vai aparecer-me outra doença. Como eu já estou acostumado com essa, eu a prefiro. Por que eu iria querer uma doença nova?”. (13)

Os Espíritos não estão a disposição para promoverem curas de patologias que não raro representam providências corretivas para nosso crescimento espiritual no buril expiatório.

 
Nesse sentido, os dirigentes de núcleos espíritas deveriam promover bases de estudos e reflexões sobre as propostas filosóficas, científicas e religiosas do Espiritismo ao invés de encetarem trabalhos espirituais para os inócuos “curanderismos”.


Jorge Hessen


Referências bibliográficas:


(2)    Suas economias vêm do garimpo. Ele é dono de fazendas na região, é proprietário de apartamentos em Brasília, Goiânia, Anápolis e Abadiânia.
(4)    Idem
(5)    Entrevista, concedida aos jornalistas goianos Batista Custódio — Diário da Manhã — e Consuelo Nasser — Revista Presença —publicado no jornal “Goiás Espírita” — órgão de divulgação da Federação Espírita do Estado de Goiás — edição 284, de janeiro/fevereiro de 1988
(6)    Idem
(7)    Idem
(8)    Vieira, Waldo. Conduta Espírita, Ditado pelo Espírito André Luiz, Cap.35. RJ: Editora FEB, 1977-5ª edição
(9)    Idem
(10)    Kardec, Allan. Viagem Espírita-1862, Brasília, Ed. Edicel, 2002, pág. 33
(11)    Franco. Divaldo. Publicado no jornal Alavanca – abril/maio-2000
(12)Entrevista com Divaldo Franco publicado no jornal “A Gazeta do Iguaçu” em julho de 1997
(13)Idem


08 outubro 2013

O Palavrão - Richard Simonetti


O PALAVRÃO

1 – Como você define o palavrão?
Um eco das cavernas, o rosnar do troglodita que ainda existe no comportamento humano.

2 – Conheço gente civilizada que diz palavrões.
Destempero verbal, civilidade superficial.

3 – Seria uma educação de fachada?
Sim. Não podemos confundir rótulo com conteúdo. É fácil cultivar urbanidade nos bons momentos. Mostramos quem somos quando nos pisam nos calos ou martelamos os dedos.

4 – Não seria razoável considerar que em circunstâncias assim o palavrão é útil, exprimindo indignação ou amenizando a dor?
Há quem diga que nessas situações ele é mais eficiente do que uma oração. Só que a oração nos liga ao Céu. O palavrão nos coloca à mercê das sombras.

5 – Mas o que vale não é o sentimento, expresso na inflexão de voz?
Posso fazer carinho com um palavrão ou agredir com palavras carinhosas. Não me parece do bom gosto demonstrar carinho com palavrões. imagine-se dando uma paulada carinhosa em alguém. Além disso há o problema vibratório.

6 – As palavras têm peso vibratório específico?
Intrinsecamente não. No entanto, revestem-se de magnetismo compatível com o uso que fazemos delas. Há uma vibração sublime, que nos edifica e emociona, a envolver o Sermão da Montanha. Quando o lemos contritos, sintonizamos com a vibração sublime de milhões de cristãos que ao longo dos séculos se debruçaram sobre seus conceitos sublimes, em gloriosas reflexões.

7 – Considerando assim, imagino a carga deletéria que há no palavrão mais usado, em que “homenageamos” a mãe de nossos desafetos.
Sem dúvida, além de nos colocar abaixo do comportamento do troglodita, já que este agredia seus desafetos, não a mãe deles.

8 – Você há de Convir que é difícil abolir o palavrão inteiramente. Há todo um processo de condicionamento, o ambiente. Lá em casa, por exemplo, ele corre solto.

Isso é relativo. Venho de uma família de italianos da Calábria, um povo que cultua adoidado o palavrão. Alguns tios meus, em situação de irritação extrema, dirigiam impropérios a Deus. Desde cedo, vinculando-me ao Espiritismo, compreendi que esse tipo de linguajar não interessa ao bom relacionamento familiar e muito menos à nossa economia espiritual.

Richard Simonetti 


07 outubro 2013

Perdoai - Bezerra de Menezes



PERDOAI

Façamos uma reflexão em torno dos objetivos essenciais da nossa existência na Terra, perguntando de maneira profunda e significativa: Que queres que eu faça, Senhor?

Quando Ele apareceu às portas de Damasco ao inimigo, a Sua pergunta foi caracterizada pela ternura: Saulo, Saulo, por que me persegues?

Quantas vezes estaremos repetindo essa mesma pergunta porque a dor agasalhou-se em nosso coração, porque o sofrimento tomou conta do país da nossa alma.

Saulo, no entanto, teve a sabedoria de contrainterrogar ao Senhor.

Era o servo que encontrava seu amo, o escravo que encontrava o seu Senhor.

Que queres que eu faça? 

Ele respondeu: Vai a Damasco e ali te dirão o que deves fazer.

Damasco, filhos da alma, é a província da nossa consciência.

Sigamos em direção da nossa consciência e descubramos o que nos é lícito fazer, diante dos desafios que se encontram à nossa frente.

Jesus veio para que tivéssemos vida e vida em abundância.

...E nos ofereceu em holocausto a Sua vida.

Não temais aquele que permanece no mal.

Não vos pode fazer mal algum, se não aceitardes o desafio do seu atrevimento.

Com Jesus aprendei a permanecer no bem.

A dor que a todos nos assalta é nada mais do que um acidente de percurso, induzindo-nos ao amadurecimento espiritual.

Sem qualquer masoquismo, bendizei a dor libertadora que demonstra a fragilidade do corpo no qual estais e a debilidade das forças morais que a todos nos caracteriza.

Somos da Divina Luz gerados.

Permitamos que o Deus interno expanda-se e consiga vencer todas as trevas.

Ide e amai!

Parti daqui com a alma referta de esperança e perdoai! Mesmo àquele que parece não ser credor do perdão, perdoai, porque vos fará bem.

A Justiça Divina, a seu modo e termo, realizará a retificação do infrator.

Mas a vós, a nós, cabe perdoar sempre e incessantemente.

Os Espíritos-espíritas que aqui se encontram em nome da brasilidade espiritual, enternecidos, distribuem energias saudáveis por sobre todos vós que nos ouvistes, onde quer que estejais e que acompanhais este momento de clausura de mais uma etapa que oferece iluminação para as consciências saírem daqui modificadas pelo Espírito do Cristo, vós que tendes a honra e a glória de conhecer Jesus.

E, quando alguma noite vos parecer excessivamente tempestuosa, buscai a Estrela de primeira grandeza que é Jesus e segui o Seu rumo, para que, no término, Ele passe a viver em vós.

Muita paz, filhos da alma!

São os votos do servidor humílimo e paternal de sempre,

Bezerra

Psicofonia de Divaldo Pereira Franco, no encerramento da 60ª Semana Espírita de Vitória da Conquista, Bahia, em 8 de setembro de 2013.


06 outubro 2013

Os Exilados de Capela - Richard Simonetti


OS EXILADOS DE CAPELA 

Emmanuel informa, no livro "A Caminho da Luz", psicografia de Chico Xavier, que há cerca de dez mil anos um planeta do sistema de Capela, situado na Constelação de Cocheiro, passava por decisivas reformas, consolidando importantes conquistas morais. 

Diríamos que se efetuava ali a transição anunciada para o próximo milênio na Terra: de "Mundos de Expiações e Provas", onde consciências despertas trabalham incessantemente em favor da própria renovação. 

No entanto, uma minoria agressiva, recalcitrante no mal, barulhenta na defesa de suas ambições, ainda que requintada intelectualmente, retardava a esperada promoção. 

Decidiram, então, os gênios tutelares que governam aquele orbe confiná-los em planeta primitivo, onde estariam submetidos a limitações e dificuldades que atuariam como elementos desbastadores de sua rebeldia. 

A escolha recaiu sobre a Terra, cujos habitantes praticamente engatinhavam nos domínios do raciocínio, e que de pronto beneficiaram-se com a encarnação dos capelinos. 

Inteligentes, dotados de iniciativa e capacidade de organização, dispararam um notável surto de progresso. 

No curto espaço de alguns séculos a Humanidade aprendeu a cultivar a terra, concentrando-se em cidades, aprimorou a escrita, inventou os utensílios de metal, domesticou os animais... 

A presença dos capelinos explica o espantoso "salto evolutivo" que ocorreu naquele período, chamado neolítico, que ainda hoje inspira perplexidade aos antropólogos. 

Concentrando-se em grupos distintos, explica Emmanuel, eles formaram 4 grandes culturas: egípcias, hindu, israelense e europeia, que se destacaram por extraordinárias realizações. 

É interessante salientar que nos princípios religiosos desses povos há a referência à sua condição de degredados, particularmente nas tradições bíblicas do paraíso perdido. 

Depurados após milênios de duras experiências, os capelinos regressaram ao planeta de origem. 

Com a nova migração, as civilizações que edificaram perderam consistência, sucedidas por culturas menores, filhas do homem terrestre. 

Informações da espiritualidade nos dão conta de que estamos às vésperas de dois surtos migratórios em nosso planeta. 

O primeiro, marcado pela encarnação de espíritos altamente evoluídos, que pontificarão em todos os campos do conhecimento, num grandioso renascimento moral e espiritual da Humanidade. 

Virão de esferas mais altas, preparando a promoção da Terra para Mundo de Regeneração. 

O segundo será constituído por milhões de Espíritos acomodados, comprometidos com o mal, que se recusam sistematicamente ao esforço por ajustarem-se às Leis Divinas, semelhante à minoria barulhenta de Capela. 

Confinados em mundos primitivos, também aprenderão, à custa de muitas lágrimas, a respeitar os valores da Vida, superando seus impulsos inferiores. Teremos, então, a decantada 

Civilização do Terceiro Milênio, edificada sob inspiração dos princípios redentores do Cristo, nosso Governador espiritual. 

A "senha" que nos habilitará a permanecer na Terra nesse futuro promissor está definida na terceira promessa de "O Sermão da Montanha": "Bem-aventurados os mansos e pacíficos, porque herdarão a Terra." A mansuetude, característica do indivíduo que cumpre a lei, que observa a ordem, que respeita o semelhante, que superou o individualismo e venceu a si mesmo, superando a agressividade, será o emblema do homem terrestre nesse sonhado Reino de Deus. 

Richard Simonetti 


05 outubro 2013

Rigidez - Hammed


RIGIDEZ

Quando agimos erroneamente é porque não sabemos como fazer melhor. 

Ninguém, de forma deliberada, tem o desejo de ser infeliz; portanto, ninguém escolhe o pior. 

Os feitos e as atitudes peculiares de cada criatura estão intimamente ligados a seu desenvolvimento físico, mental, social e moral. 

Nossa maturidade espiritual é adquirida através das experiências evolutivas no decorrer de todos os tempos, seja na atualidade, seja no pretérito distante. 

Tudo o que fazemos está relacionado com nossa idade astral. Inquestionavelmente, fazemos agora o que de melhor poderíamos fazer, porque estamos agindo e pensando conforme nossas convicções interiores; aliás, ela (a idade astral) é gradativa, pois está vinculada às nossas percepções evolutivas. As criaturas que agem com austeridade em determinada circunstância acreditam que aquela é a melhor opção a tomar. 

Porém, quando o amadurecimento conduzi-las a ter uma melhor noção a respeito dos relacionamentos humanos, elas assimilarão novas maneiras de se comportar e passarão a agir de forma coerente com seu novo entendimento. 

A concepção de bem se amplia de acordo com nosso desenvolvimento espiritual. 

A proposta cristã “pagar o mal com o bem” sugere: castigar por castigar não transforma a criatura para o bem, mas somente o amor é capaz de sublimar e educar as almas. 

A pena de morte é uma rigidez dos costumes humanos. 

Propõe matar o corpo físico como punição pelas faltas cometidas, com o esquecimento, porém, de que somente transfere a problemática para outras faixas da vida e cria revolta e desarmonia no ser em correção. 

A dor apenas terá função dentro dos imperativos da vida, enquanto os homens não aceitarem que somente o amor muda e renova as criaturas. O projeto da Vida Maior é conscientizar-nos, não sentenciar. 

Nosso planeta está repleto de criaturas intelectualizadas e influentes, mas nem por isso sábias e habilitadas para todas as coisas. Por mais inteligente que seja o ser humano, sempre haverá um universo de coisas que ele desconhece. 

Muitas pessoas matam, roubam e mentem sem vacilação alguma, mas será que sabem perfeitamente que isso não é certo? Estar no intelecto não é a mesma coisa que estar na profundeza da alma. 

Ter informações e receber orientações não é a mesma coisa que integralizar o ensinamento, ou mesmo, saber por inteiro. “(…) O homem julga necessária uma coisa, sempre que não descobre outra melhor.

À proporção que se instrui, vai compreendendo melhormente o que é justo e o que é injusto e repudia os excessos cometidos, nos tempos de ignorância, em nome da justiça.*

Os erros são quase que inevitáveis para quem quer avançar e crescer. São acidentes de percurso, contingências do processo evolutivo que todos estamos destinados a vivenciar. 

Em vez de repelirmos nossos erros, deveríamos analisá-los atentamente como se fossem verdadeiros objetos de arte, evitando, assim, futuros comprometimentos. Deus permite que o erro integre o nosso caminho. 

Aliás, ele faz parte das nossas condições evolutivas, para que possamos aprender e assimilar as experiências da vida. 

Os erros são ocorrências consideradas admissíveis pela legislação do Criador. Deus não condena ou castiga ninguém, mas o oposto: instituiu leis harmoniosas e justas que nos conduzirão fatalmente à felicidade plena, apesar de nossas faltas e desacertos. Por que então usar de rigidez perante os acontecimentos da vida? 

* O Livro dos Espíritos, Questão 762: A pena de morte, que pode vir a ser banida das sociedades civilizadas, não terá sido de necessidade em épocas menos adiantadas? Necessidade não é o termo. O homem julga necessária uma coisa, sempre que não descobre outra melhor. À proporção que se instrui, vai compreendendo melhormente o que é justo e o que é injusto e repudia os excessos cometidos, nos tempos de ignorância, em nome da justiça. 

Livro: As Dores da Alma, item Rigidez
Espírito Hammed
Psicografia de Francisco do Espírito Santo Neto


04 outubro 2013

Dinheiro e (in)Felicidade, Numa Breve Ponderação Espiríta - Jorge Hessen

 

 

DINHEIRO E (IN) FELICIDADE, NUMA BREVE PONDERAÇÃO ESPÍRITA

 

Sigmund Freud defendia a tese de que todo homem é instigado pela busca da felicidade, contudo essa procura soa como ilusória no mundo real, porquanto a pessoa tem experiências de fracassos e desencantos e o máximo que pode alcançar é uma “felicidade” ilusória. Contrastando porém com a tese freudiana, um grupo de consultores da Spectrem Group entrevistou 1.200 pessoas, interrogando-as sobre o nível de felicidade em relação a trabalho, casamento, hobbies, dinheiro entre outros temas. Constatou-se que quanto mais dinheiro possua uma pessoa maiores são os seus níveis de felicidade. (1) Todavia, será que o dinheiro compra a felicidade?

Na antiguidade examinava-se a felicidade sob o ponto de vista filosófico. Aristóteles afirmava que a felicidade está relacionada ao equilíbrio e harmonia advindos da prática do altruísmo. Por outro lado, Epicuro afiançava que felicidade seria reflexo da satisfação dos desejos carnais. O sábio Lao Tsé dizia que a felicidade poderia ser alcançada tendo como fonte a natureza. Porém, Confúcio acreditava na felicidade como resultado da harmonia entre as pessoas. Para Sócrates era impraticável alguém ser feliz se agisse contra suas próprias convicções.

“Conhece-te a ti mesmo”, pronunciava Sócrates, certificando que quem controla os instintos e extingue as coisas supérfluas, basta a si mesmo, dependendo exclusivamente de sua razão para que alcance a felicidade.
 Dessa percepção de consciência íntima, o mestre de Platão e Xenofonte aprofundava a sua concepção de felicidade, que não poderia vir de bens exteriores (dinheiro, por exemplo) e do corpo carnal, mas somente da alma, porque esta é a essência do homem.

É absolutamente lógico que necessitamos do dinheiro para viver. A nossa vida material está sujeita ao dinheiro, portanto necessitamos de recursos financeiros para dignificar nossa vida. Em verdade, o dinheiro é neutro – nem é bom, nem é mau em si. Utilizado para caridade, dinheiro é instrumento sublime. Porém, cobiçado, ou se dele fizermos mau uso, é instrumento de INFELICIDADE. Sem o altruísmo do desprendimento, “a fé se resume à adoração sem proveito; a esperança não passa de flor incapaz de frutescência, e a própria caridade se circunscreve a um jogo de palavras brilhantes, em torno do qual os nus e os famintos, os necessitados e os enfermos costumam parecer, pronunciando maldições.” (2)

Na parábola dos talentos, Jesus expõe que lucro, longe de ser mau, é o alvo de trabalho e investimentos. Ao mesmo tempo, nos ensina que o que se ganha deve ser usado para os propósitos do bem. Na metáfora, a condenação cai sobre o homem que não aproveita sua oportunidade – dinheiro é para usar, não para esconder ou guardar. É como o sangue que precisa circular no organismo social. Se ficar estagnado, provoca a “trombose” na sociedade.

O Espírito Emmanuel explica que o dinheiro “se faz dínamo do trabalho e da beneficência. Na base do dinheiro é que se fazem os aviões e os arranha-céus; no entanto, é igualmente com ele que se consegue o lençol para o doente desamparado ou a xícara de leite para a criança desvalida.” (3) Ora, trocando o dinheiro pelo alimento destinado a acudir as vítimas da escassez ou “permutando-o pelo frasco de remédio para aliviar o doente estendido nos catres de ninguém, reconheceremos que o dinheiro também é de Deus.” (4)
Embora não seja fundamentalmente a matriz da alegria ou da felicidade, reconhecemos que o dinheiro pode ser o medicamento ao enfermo, a comida aos desamparados, o teto aos desabrigados relegados ao frio da noite, o socorro silencioso ao peregrino sem lar. “Não nos esqueçamos de que Jesus abençoou o vintém da viúva, no tesouro público do Templo e, empregando o dinheiro para o bem, convertamo-lo em colaborador do Céu em todas as situações e dificuldades da Terra.” (5)

Jamais pronunciemos que o dinheiro é instrumento do mal; muito pelo contrário, pois o dinheiro é suor convertido em cifrão. É urgente que lhe apliquemos empregos nobres, lembrando que a moeda no bem faz prodígios de amor. Porém, vale refletir o preceito de Paulo: “tendo sustento e com o que nos cobrirmos, estejamos, com isso, contentes”. (6) Essa lição deve ser sempre ponderada quando nos faltam recursos financeiros. A circulação do dinheiro é uma condição importante para que a prosperidade apareça. Porém, raros são os indivíduos que mantêm uma relação equilibrada com o dinheiro, sem traumas, sem culpas, sem excessos de qualquer natureza.

Dinheiro e avareza não se deveriam misturar, pois os avarentos não gostam de “meter a mão no bolso” e, quase sempre, deixam de colaborar, financeiramente, com as obras sociais. Há muitos confrades espíritas, ativos participantes nos trabalhos das inúmeras Instituições doutrinárias espalhadas pelo Brasil que mudam de assunto tão logo o apelo que lhes são dirigidos implique na emissão de um cheque ou na entrega de algumas cédulas para socorrer os mais necessitados.

Tais confrades escravizam-se na vocação da sovinice impenitente, recolhem o ouro do mundo para erigir com ele o túmulo suntuoso em que se lhes sepultam a esperança e recebem a benção do amor para transformá-la na algema que os encarceram, por vezes, no purgatório do sofrimento.

O dinheiro “nas garras da mesquinhez é metal enferrujado, suscitando a penúria, mas um vintém no serviço de Jesus pode converter-se em promissora sementeira de paz e felicidade.” (7) 

Entretanto, infelizmente há cristãos apresentando claros sinais de uma vida confortável, portando-se como se não tivessem a mínima condição de ajudar o próximo através da doação do supérfluo de moedas que abarrotam suas contas bancárias. Nesse caso, o dinheiro estabelece vínculos profundos com a própria INFELICIDADE.

Jorge Hessen



Referências bibliográficas:

(2) Xavier, Francisco Cândido. Dinheiro, ditado pelo Espírito Emanuel, SP: IDE, 1990
(3) Idem
(4) Idem
(5) Idem
(6) ITimóteo 6:8
(7) Xavier, Francisco Cândido. Dinheiro, ditado pelo Espírito Emanuel, SP: IDE, 1990


03 outubro 2013

O Servidor Medroso - Momento Espírita


O SERVIDOR MEDROSO

A parábola dos talentos é uma das mais conhecidas dentre as contadas por Jesus.

Segundo ela, um senhor que se ausentaria em viagem chamou seus servidores e lhes confiou seus bens. 

A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro deu um.

Ao retornar de sua viagem, chamou os servidores para uma prestação de contas.

Os dois primeiros tinham multiplicado os talentos recebidos.

O senhor ficou satisfeito com sua fidelidade e prometeu lhes confiar mais coisas.

Entretanto, o terceiro limitou-se a enterrar o tesouro recebido.

Ao falar com o senhor, disse estar ciente da severidade dele e de que ele colhia onde nada semeara.

Por medo, não agira para multiplicar o talento que lhe fora confiado.

O senhor determinou que lhe tirassem o recurso que restara inútil em suas mãos.

É interessante observar a postura desse último servidor.

Por medo, ficou inerte.

Entendeu melhor enterrar seu talento do que se arriscar a cometer algum erro.

Terminou por perdê-lo de qualquer modo, tanto que foi entregue ao que já tinha dez talentos.

São inúmeras as leituras que se podem fazer dessa parábola.

Uma delas é que esses talentos representam os variados dons e recursos de que os homens são dotados.

A Providência Divina lhes faculta acesso a tesouros de inefável valor.

Pode ser a riqueza material, o dom da palavra, a vocação para as artes, para a maternidade, a medicina, o magistério.

Antes de retomar nova existência, renascendo, cada Espírito elabora, em linhas gerais, uma programação de vida.

Na existência terrena, lentamente os meios para cumprir o acordado e fazer o bem lhe chegam às mãos.

Nem sempre a criatura é feliz em suas opções.

São frequentes os êxitos parciais e mesmo os fracassos.

Como são imperfeitos e vivem para aprender, não é raro que homens se equivoquem.
Apenas é necessário tentar de verdade.

Dos equívocos surge a experiência, que facilitará o acerto mais tarde.

Nesse contexto, torna-se evidente o grave equívoco do servidor medroso.
Ele não se permitiu errar no empenho de acertar e ser útil.

Terminou por perder tudo sem ter auferido sequer a experiência oriunda da tentativa.

Convém refletir sobre isso sempre que surgir o desejo de desistir antes mesmo de tentar.

A prudência é uma virtude que mensura a eficiência dos meios de que se dispõe para a realização dos objetivos.

Se ela aponta alguma deficiência, esta deve ser trabalhada.

Entretanto, o medo é um péssimo conselheiro de vida.

Ele pode colocar a perder oportunidades valiosas de aprendizado e progresso.
Pense nisso.

Redação do Momento Espírita


02 outubro 2013

Ser Pai - José Antonio da Cruz


SER PAI


- Ser Pai é... Sonhar com um futuro melhor, é sentir em seu coração que faz parte do infinito criador, é viver sorrindo a todo o momento, é ouvir o primeiro choro e dizer: - Meu Deus! meu filho nasceu...

- Ser Pai é perder o sono nas noites de choro do filho querido, e ter a divina sensação de vê-lo adormecer sobre seu peito . - Ser Pai é acompanhar o filho em seus primeiros passos. É estar lá em seu primeiro tombo e ao olhar com firmeza e carinho em seus pequenos olhos, como se quisesse lhe passar a mais importante de todas as lições... você caiu filho, mas agora está pronto para começar de novo. Então diz:
  - Vem, vem com papai...

- Ser pai é um ato divino, é ganhar um eterno amigo, é dividir dores e alegrias, é ensinar e aprender. Pai não é aquele que impõe o medo, mas sim aquele que desenvolve a confiança, porque confia em seu filho e o filho em seu pai.

Ah! Quantos caminhos desviados no seio de lindas famílias teriam sido poupados se este sentimento tivesse sido estabelecido e cultivado no lar, confiança... Confiança irmãos, é um sentimento maravilhoso e abençoada a família que a cultiva, porque é dela que se pode esperar os bons frutos do porvir.

Pais sedes responsáveis. Fostes abençoados com o fruto do amor, não abandones sua missão. Cabe também a vós preparar o futuro junto a seus filhos.
  Que a estrela de nosso Senhor Jesus os ilumine. Para que possas educar vossos filhos com o brilho de sua luz... 

Agradeço por esta inspiração.





01 outubro 2013

Faze Isso e Viverás - Marco Prisco


FAZE ISSO E VIVERÁS

A delinquência, que você viu armar vidas precipitadas em ondas incessantes de crimes, não é ocasional. 

Decorre da convivência de pais e educadores descuidados, que não corrigiram em tempo hábil as imperfeições dos caracteres em formação, a eles confiados. 

Eduque seus impulsos, qual domador a corrigir animais selvagens.

O Egoísmo retém sequazes nas faixas da solidão.

Dispense o elogio nas suas atividades. O salário mais digno para o servidor é a satisfação sempre nova de haver feito o melhor que pôde.

Equilíbrio psíquico ou enfermidades expressam a sua conduta espiritual.

Enfermidades se proliferam porque a profilaxia da alma é deixada à margem.

Se, no entanto, dominado na vontade, incipiente na iniciativa, agoniado no equilíbrio, você não puder avançar, procure o concurso da água fluida e do passe curador, orando e meditando, e encontrará as forças para o esquema da saúde íntima que o enobrecerá em paz demorada, se lutar, igualmente, pela restauração da própria paz.

Considere o insucesso em suas experimentações humanas como fenômeno natural. Cada erro é lição valiosa que nos ensina o que não devemos fazer outra vez.

Quando você se candidatou ao Evangelho Libertador, inaugurou uma nova fase da vida. Para mantê-la, são necessários inauditos esforços que, lentamente, o aclimatam à esfera de lutas por onde você segue. E, à medida que o tempo lhe robustece a fibra moral, você experimenta segurança com alento renovado para as constantes batalhas do futuro.

Eleve o espírito às Alturas sem que exija que os outros sigam com você.

Cuido do espírito com o mesmo devotamento que você cerca o corpo.

O Espiritismo é doutrina de alegria.

Nas lutas de responsabilidade que você assume no Cristianismo novo, não abandone o dever por causa do espírita, mas prossiga pelo compromisso com o Espiritismo.

O espírita é alma em resgate – o Espiritismo é via de redenção.

Não rogue aos espíritos desencarnados a contribuição que nega a outrem.

O Verdadeiro receber é ainda o muito dar.

Pacifique-se interiormente.

O fenômeno mediúnico através de você refletirá sempre o seu estado íntimo.

Com o conhecimento do Evangelho, você tem ao alcance a chave para todos os problemas.

Embora haja variedade múltipla de recursos para a conquista sobre si mesmo, a opção pessoal define a evolução em que homem estagia.

Marcha lenta, chegada tardia.

Dissabor de ontem deve ser experiência que se converteu em sabedoria para hoje.

Antes de explodir com expressões coléricas, convém lembrar que nem todos são culpados da sua limitação de compreender. 

Não permita que sua precipitação interrompa o interlocutor. Se ele não é claro na exposição, certamente faz um grande esforço para ser entendido.


Pelo Espírito Marco Prisco
Do Livro: Faze Isso e Viverás 
Médium: Divaldo Franco
LEAL – Livraria Espírita Alvorada Editora