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10 junho 2015

Conforto - Espírito Carlos

 
 
 CONFORTO

O óleo e o perfume alegram o coração; assim o amigo encontra doçura ao conselho cordial. Pv. 27:9

  • O conforto é uma espécie de agasalho para a alma, desde que não passe dos limites traçados pelo discernimento. Dificilmente usas um bom perfume, sem ostentar uma cota de satisfação.
  • A cordialidade, quando acompanha um conselho nos moldes evangélicos, gera grande interesse no coração de quem ouve e alegra a consciência de quem a transmite. São agentes invisíveis congêneres que se permutam, de criatura para criatura.
  • O alento é um bálsamo que o coração busca por inspiração, onde quer que seja. No entanto, é enobrecedor que, quando consolado, oferta alguma coisa aos tristes e desesperados, para que ninguém venha a dizer com razão que és amigo do egoísmo e parente da usura.
  • Não deves ficar somente no consolo, sem que outros participem do que sabes; lembra-te que ainda tens muito que aprender. A sabedoria é infinita e o amor é sem limites.
  • O conforto espiritual é ponto dominante do coração, mas convém saber que o corpo físico não funciona bem, sem harmonia nos órgãos.
  • Animação vem da esperança, e essa oferece consolação, entretanto, é estipulado um preço no câmbio divino, que é o auto aperfeiçoamento. Quem não se esforça, não progride.
  • Dá lenitivo sem buscar refrigério, que os céus nunca se esquecem do trabalhador desprendido que somente se interessa pelo bem-estar da humanidade.
  • Quem doa sem esperar recompensa é sempre recompensado por Deus.
  • O trabalhador honesto, manso e cordial, recebe tudo de bom nos caminhos que percorre e, ainda mais, recebe o reconforto das mãos daquele que tudo vê nos corações benevolentes.
  • A consciência tranquila é o fruto do diploma da alma.
  • Trabalhemos, pois, para o nosso conforto, sem contudo esquecermos do bem-estar do próximo, porque sozinho ninguém vive, mesmo com abundância de tudo.

Pelo Espírito Carlos
De “Gotas de Amor”
De João Nunes Maia

09 junho 2015

A marcha ascendente dos antepassados do homem - Jorge Hessen

 

A MARCHA ASCENDENTE DOS ANTEPASSADOS DO HOMEM

 
Será que os chamados homens da “caverna” tinham consciência íntima? “Pesquisadores da Universidade de York descobriram que o homem de Neanderthal nutria um grande sentimento de compaixão. A conclusão adveio através das evidências arqueológicas e da observação sobre o modo como as emoções emergiram em nossos antepassados há seis milhões de anos, quando o ancestral comum dos homens e dos chipanzés vivenciou o despertar dos primeiros sentimentos. Para os arqueólogos, cerca de 1,8 milhão de anos atrás, o Homo erectus integrou o sentimento de compaixão com o pensamento racional através de ações como cuidar dos doentes e dedicar atenção especial aos mortos, demonstrando luto e desejo de suavizar o sofrimento alheio.”(1)

Cremos que as sepulturas datadas da era paleolítica comprovam já haver naquele período uma crença na vida após a morte e no poder ou influência dos ancestrais sobre a vida cotidiana do grupo familiar. Os integrantes do clã obrigavam-se a praticar ritos em homenagem a seus mortos pelo temor a represálias ou pelo desejo de obter benefícios, ou ainda por considerá-los seres divinizados.

Questão instigante é como o primata se tornou hominídeo. A resposta é ainda uma incógnita. Ainda não foi encontrado o “elo perdido”, a espécie biológica que represente essa transição. “Pode-se dizer que, sob a influência e por efeito da atividade intelectual de Espíritos mais adiantados [que os antropoides], o envoltório se modificou, embelezou-se nas particularidades, conservando a forma geral do conjunto. Melhorados os corpos, pela procriação, deu-se origem a uma espécie nova, que pouco a pouco se afastou do tipo primitivo, à proporção que o Espírito progrediu.”(2)

Allan Kardec explica que “desconhecemos a origem e o modo de criação dos Espíritos; apenas sabemos que eles são criados simples e ignorantes, isto é, sem ciência e sem conhecimento, porém perfectíveis e com igual aptidão para tudo adquirirem e tudo conhecerem”.(3) O Espírito André Luiz argumenta que “para alcançar a idade da razão, com o título de homem, dotado de raciocínio e discernimento, o ser automatizado em seus impulsos, no caminho para o reino angélico, despendeu nada menos que um bilhão e meio de anos”.(4)

Muitas das transformações que se verificaram no “homo” foram promovidas em suas estruturas perispirituais, entre uma existência e outra (ou seja, na dimensão espiritual). Os Espíritos construtores, sob a supervisão do Cristo, retocavam, em vezes sucessivas, as formas perispiríticas, e estas alterações criariam o campo magnético para as futuras mutações. Experiências múltiplas, no patrimônio genético dos nossos antepassados, coordenadas por geneticistas siderais, foram modelando aquelas formas que deveriam persistir até os tempos atuais. A seleção natural se incumbiria de fazer desaparecer as formas primitivas inaptas.

Linhagem definitiva para todas as espécies

Conforme afirma Emmanuel, atualmente a ciência procura os legítimos antepassados das criaturas humanas nessa imensa vastidão da arena da evolução anímica. “No período terciário(5), sob a orientação das esferas espirituais, notavam-se algumas raças de antropoides, no Plioceno inferior [de 5,3 milhões a 1,6 milhão de anos]. Esses antropoides, antepassados do homem terrestre, e os ascendentes dos símios que ainda existem no mundo, tiveram a sua evolução em pontos convergentes, e daí os parentescos sorológicos entre o organismo do homem moderno e o do chimpanzé da atualidade.”(6)

Para o autor de “Renúncia”, não houve propriamente uma “descida da árvore” no início da evolução humana. “As forças espirituais que dirigem os fenômenos terrestres, sob a orientação do Cristo, estabeleceram, na época da grande maleabilidade dos elementos materiais, uma linhagem definitiva para todas as espécies, dentro das quais o princípio espiritual encontraria o processo de seu acrisolamento, em marcha para a racionalidade.”(7)

Os antropoides das cavernas espalharam-se então aos grupos pela superfície do globo, no curso vagaroso dos séculos, sofrendo as influências do meio e formando os pródromos das raças futuras em seus tipos diversificados; a realidade, porém, é que as entidades espirituais auxiliaram o homem do sílex, imprimindo-lhe novas expressões biológicas.

Os milênios correram o seu toldo de experiências drásticas sobre a fronte desses seres de “braços alongados e de pelos densos, até que um dia as hostes do invisível operaram uma definitiva transição no corpo perispiritual preexistente dos homens, surgem os primeiros selvagens de compleição melhorada, tendendo à elegância dos tempos do porvir”.(8)

O tema da morte e “civilização”

O Homem só começa a ser Homem quando começa a enterrar seus mortos, diz-nos o historiador Aníbal de Almeida Fernandes, em “A Genealogia como fator básico na formação da Civilização”, e conclui: É o marco divisório entre o animal e o primeiro homem, e ocorreu há cerca de 40.000 anos com o Homo Sapiens e o Homo Neanderthal, antes mesmo da agricultura, e é o início da história humana. O sentimento de cultuar os mortos foi moldado, pois, a partir de época bem remota e está sedimentado em quase todas as tendências religiosas.

As comunidades primitivas, agropastoris, inclinadas ao culto agrícola e ao culto da fertilidade, acreditavam, originariamente, que, em sepultando seus mortos nas proximidades dos campos agrícolas, os Espíritos desses cadáveres ressurgiriam à vida com mais vigor, quais sementes plantadas em solo fértil, mas acreditavam que isso se daria como algo secreto e misterioso. Com essa crença, reverenciavam-se os mortos próximos às tumbas, com festas e, sobretudo, com muita alegria, prática que se estendeu viva em algumas culturas contemporâneas.

Os costumes dos povos primitivos foram-se modificando devido à influência de outros, vindos, provavelmente, do Norte da África (os Iberos) e do Centro da Europa (os Celtas). Veja-se o que nos revela um dos expoentes da Doutrina Espírita: “É dos gauleses que vem a comemoração dos mortos (…) só que, em vez de comemorar nos cemitérios, entre túmulos, era no lar que eles celebravam a lembrança dos amigos afastados, mas não perdidos, que eles evocavam a memória dos Espíritos amados que algumas vezes se manifestavam por meio das druidisas e dos bardos inspirados”.(9)

Ressalte-se, aqui, que os gauleses evocavam os ancestrais mortos (divindades) nos recintos de pedra bruta.

As druidisas (sacerdotisas) e os bardos (poetas e oradores inspirados) eram verdadeiros “médiuns” e somente eles tinham consentimento para consultarem os oráculos (na Antiguidade, resposta de uma divindade a quem a consultava). Os gauleses, portanto, não veneravam os restos cadavéricos, mas a alma sobrevivente, e era na intimidade de cada habitação que celebravam a lembrança de seus mortos, longe das catacumbas, diferentemente dos povos primitivos.

Advento dos forasteiros cósmicos

De onde vieram tais Inteligências? Elucida o Espírito Emmanuel que “há muitos milênios, um dos orbes da Capela(10), que guarda muitas afinidades com o globo terrestre, atingira a culminância de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos. Alguns milhões de Espíritos rebeldes lá existiam, no caminho da evolução geral, dificultando a consolidação das penosas conquistas daqueles povos cheios de piedade e virtudes, mas uma ação de saneamento geral os alijaria daquela humanidade, que fizera jus à concórdia perpétua, para a edificação dos seus elevados trabalhos”.(11)

As grandes comunidades espirituais, diretoras do Cosmos, “deliberam, então, localizar aquelas entidades, que se tornaram pertinazes no crime, aqui na Terra longínqua, onde aprenderiam a realizar, na dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente, as grandes conquistas do coração e impulsionando, simultaneamente, o progresso dos seus irmãos inferiores. Aqueles seres angustiados e aflitos seriam degredados na face obscura do planeta terrestre; andariam desprezados na noite dos milênios da saudade e da amargura; reencarnariam no seio das raças ignorantes e primitivas, a lembrarem o paraíso perdido nos firmamentos distantes”.(12)

A Natureza ainda era, para os trabalhadores da espiritualidade, um campo vasto de experiências infinitas; tanto assim que, “se as observações do mendelismo fossem transferidas àqueles milênios distantes, não se encontraria nenhuma equação definitiva nos seus estudos de biologia. A moderna genética não poderia fixar, como hoje, as expressões dos “genes”, porquanto, no laboratório das forças invisíveis, as células ainda sofriam longos processos de acrisolamento, imprimindo-se-lhes elementos de astralidade, consolidando-se-lhes as expressões definitivas, com vistas às organizações do porvir”.(13)

Solidariedade selvagem?

Apostam os arqueólogos que no interregno de 500 mil e 40 mil anos, o sentimento evoluiu e os primeiros seres humanos, como o Homo heidelbergensis e o Neanderthal, já demonstravam compromisso com o bem-estar dos outros, o que pode ser comprovado através de uma adolescência longa e a dependência em caçar juntos. Cremos que “não somos criações milagrosas, destinadas ao adorno de um paraíso de papelão. Somos filhos de Deus e herdeiros dos séculos, conquistando valores, de experiência em experiência, de milênio a milênio”.(14) Com a conquista da razão, aparecem o raciocínio, a lucidez, o livre-arbítrio e o pensamento contínuo.

“Até então, o progresso tinha uma orientação centrípeta [de fora para dentro]; o ser crescia pela força das coisas, já que não tinha consciência de sua realidade, nem tampouco liberdade de escolha. Ao entrar no reino hominal, o princípio inteligente – agora sim, Espírito – está apto a dirigir a sua vida, a conquistar os seus valores pelo esforço próprio, a iniciar uma evolução de orientação centrífuga [de dentro para fora].”(15)

Mas a conquista da inteligência é apenas o primeiro passo que o Espírito vai dar em sua estada no reino hominal. “Ele iniciou na valorosa luta para conquistar os valores superiores da alma: a responsabilidade, a sensibilidade, a sublimação das emoções, enfim, todos os condicionamentos que permitirão ao Espírito alçar-se à comunidade dos Seres Angélicos.”(16) Os sonhos premonitórios, as visões de Espíritos, a audição da voz dos mortos, inclusive nos fenômenos de voz direta, e a materialização de Espíritos foram fatos concretos, que levaram o homem primitivo à crença na continuação da vida após a morte.

Diretamente dos médiuns neandertalenses surgiram os feiticeiros, ancestrais dos sacerdotes de todas as religiões.(17)

Sentimento e humanização da Terra

Segundo um princípio sofista atribuído a Protágoras, “O homem é a medida de todas as coisas”, mas uma medida por assim dizer afetiva, sem o controle da razão. Por isso Herculano Pires afirma que “é pelo sentimento, e não pelo raciocínio, que o homem primitivo humaniza o mundo”.(18) Destarte, ficam ratificadas as teses científicas sobre o homem pré-histórico que integrou o sentimento de compaixão na síntese do pensamento racional através de ações efetivas para o outro semelhante.


Notas e referências bibliográficas:

(1) Publicado na Revista Galileu disponível no site.

(2) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1997, cap. 11, “Hipótese sobre a origem do corpo humano”.

(3) Kardec, Allan. Obras Póstumas, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, § 3º, 1ª Parte.

(4) Xavier, Francisco Cândido e Waldo Vieira. Evolução em Dois Mundos, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro; Ed. FEB, 1994.

(5) As designações terciário e quaternário são resquícios de uma nomenclatura geológica anterior, quando eram usadas para distinguir rochas mais recentes de outras, mais antigas, classificadas então como primárias e secundárias. O terciário subdivide-se em cinco épocas: paleoceno (de 66,4 a 57,8 milhões de anos), eoceno (de 57,8 a 36,6 milhões de anos), oligoceno (de 36,6 a 23,7 milhões de anos), mioceno (de 23,7 a 5,3 milhões de anos) e plioceno (de 5,3 milhões a 1,6 milhão de anos). O período quaternário subdivide-se, por sua vez, em pleistoceno (de 1,6 milhão a dez mil anos) e holoceno ou atual (os últimos dez mil anos).

(6) Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da luz, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro; Ed. FEB, 1991.

(7) Idem.

(8) Idem.

(9) Denis, Léon. O gênio céltico e o mundo invisível. Rio de Janeiro: Ed. CELD. 1995, p. 180.

(10) Capela é magnífico Sol, inúmeras vezes maior que o nosso Sol. Dista da Terra cerca de 42 anos-luz. Conhecida desde a mais remota antiguidade, Capela é uma estrela gasosa, segundo afirma o célebre astrônomo e físico inglês Arthur Stanley Eddington, e de matéria tão fluídica que sua densidade pode ser confundida com a do ar que respiramos.

(11) Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro; Ed. FEB, 1991.

(12) Idem.

(13) Idem.

(14) Idem.

(15) Idem.

(16) Xavier, Francisco Cândido e Waldo Vieira. Evolução em Dois Mundos, ditado pelo Espírito André Luiz. Rio de Janeiro; Ed. FEB, 1994.

(17) Djalma Argollo. Estudos da Mediunidade antes da Codificação Kardequiana - http://www.espirito.org.br

(18) Pires J. Herculano. O Espírito e o Tempo, Introdução Antropológica ao Espiritismo, São Paulo: Edicel, 1979, 3ª edição.

*Artigo publicado na Revista “O Consolador”

08 junho 2015

Relacionamento - Maisa Baria


RELACIONAMENTO


Relacionar-se com alguém não é apenas estar junto, é permitir que a outra pessoa adentre o seu mundo ao mesmo tempo em que exploramos gentilmente o mundo do outro.

Não é possível relacionar-se se não permitirmos que o outro nos desvende, nos conheça e mergulhe dentro de nós. Para um relacionamento dar certo é preciso despir-se do medo, deixar de lado a armadura que nos protege e permitir que o nosso parceiro acesse a nossa alma. No entanto vale lembrar que é essencial que ambos estejam dispostos a essa troca, do contrário não haverá relacionamento, apenas convivência.

O relacionamento acontece à medida que nos revelamos lentamente e damos ao outro a oportunidade de conhecer tudo de nós: da nossa fraqueza à nossa força, de nossos medos aos nossos sonhos, o nosso lado bom e também o ruim. Sem medo de recriminação, sem culpa, sem receio, na certeza de que o outro é parte de tudo isso junto de nós e não está ali para dividir, mas sim para somar conosco, realçando e amplificando os nossos pontos fortes, nos ajudando a superar a nós mesmos e a neutralizar nossas falhas.

Na medida em que permitimos ao outro saber daquilo que se passa dentro da gente, também nós vamos adentrando com cuidado e carinho o mundo interior de nosso parceiro, conhecendo melhor como ele é, do que gosta, o que teme, o que anseia, suas experiências e expectativas diante da vida, assim vamos percebendo onde nos encaixamos e qual o nosso real papel dentro dessa relação. Aos poucos identificamos os pontos que nos ligam e fazemos as conexões que servirão de base para essa relação se solidificar.

Não existe relacionamento perfeito, não existe um alguém perfeito esperando por cada um de nós. O que existe é um alguém que estará disposto junto com você a se permitir caminhar lado a lado pelo mesmo caminho, que te permitirá acessar tudo que se passa dentro dele e que investirá tempo se dedicando a te conhecer, a saber o que se passa dentro de você. E, então juntos vocês construirão essa relação, deixando os excessos de lado, cedendo onde for preciso, respeitando o que precisa ser respeitado, aceitando o que não se pode mudar, e também mudando quando isso for necessário para o crescimento de ambos. Relacionamento com base sólida é construído com tempo, dedicação, paciência e amor. Não acontece de uma hora para outra.

Em um relacionamento estruturado e saudável não nos tornamos um, nos tornamos dois a compartilhar um mesmo caminho, com um mesmo propósito em uma mesma sintonia. Um não caminha mais rápido do que o outro, caminham lado a lado, no mesmo passo, superando juntos cada obstáculo e as adversidades não nos amedronta, porque seja como for, haja o que houver, teremos sempre um ao outro para se apoiar e seguir adiante, e essa certeza por si só nos basta.

Relacionamento com amor é mais do que convivência, é doação, entrega, compreensão e carinho e isso só ocorre quando os parceiros se conhecem verdadeiramente, reconhecendo no outro uma extensão de si mesmos.


07 junho 2015

Num Dia Como o de Hoje - Momento Espírita


NUM DIA COMO O DE HOJE

Num dia como o de hoje, crianças desvalidas morrerão sem sonhos e sem pão... Mas, também, almas generosas poderão ser vistas auxiliando os órfãos a se tornarem menos tristes.

Num dia como o de hoje, mães herdarão os troféus de guerras sangrentas... Porém, em algum lugar, uma outra agradecerá a Deus pelo filhinho que respira.

Num dia como o de hoje, um assassino enlouquecido marcará com sangue a sociedade que o repele e o odeia... Porém, não longe da iniquidade, transbordará a graça de milhares de atos silenciosos de renúncia.

Num dia como o de hoje, um convite à corrupção chegará aos seus ouvidos intranquilos... Mas, um olhar amigo chamará você à reflexão.

Num dia como o de hoje, bactérias resistentes trarão medo e desafios difíceis... Porém, no deserto de desilusão, alguém semeará a confiança.

Num dia como o de hoje, você poderá ouvir centenas de inverdades desesperadoras... Mas, bastará enxergar o céu, o sol, a chuva, o mar e a criança dormindo, para que você perceba as mãos do Altíssimo sobre tudo e sobre todos.

Num dia como o de hoje, almas desequilibradas estimularão sua paciência e sua capacidade de exercer o bom aprendizado... Porém, não desista se a recaída da intempestividade se fizer presente.

Num dia como o de hoje, talvez você pense em desistir de um sonho superior, talvez até escute o convite amargo do pensamento suicida... Mas, por favor, espere até amanhã, não desista assim...

Num dia como o de hoje, todos nós estivemos sujeitos a derrapar no caminho, e quem sabe até derrapamos. Porém, já nos propomos a refletir e a gentilmente ouvir mensagens como esta... Portanto, hoje estamos, sem dúvida, melhores do que ontem.

Num dia como o de hoje, ainda há chances de acrescentar uma estrela luminosa em nossa trajetória na escola da vida...

Num dia como o de hoje, poderemos saltar séculos para a felicidade plena, ou atrasar a caminhada com milênios de arrependimento.

* * *

São nossas as escolhas.

Escolhemos ver a vida apenas através das lentes do pessimismo, ou escolhemos ver o lado bom de tudo.

São nossas as escolhas.

Escolhemos crescer, aprender, modificar. Ou escolhemos estagnar, conformar, permanecer.

São nossas as escolhas.

Lembremos sempre disso.

* * *

Toda escolha que você faça pelos caminhos da sua vida terrena, apresentará aos que o cercam e acompanham o grau da sua maturidade, o nível dos seus ideais, a qualidade de tudo quanto o sensibiliza.

Será consequente que os seus irmãos de jornada passem a conceber imagens suas, caricatas ou não, em função do que você elege para a sua existência.

Sobre o mundo você será sempre o retrato dos seus gostos, dos seus interesses, das suas ações.

Cada gesto seu conduzirá um retrato do que você é, um recorte dos seus comportamentos.

Bom será que esses gestos demonstrem equilíbrio, bom senso, harmonia, para que alcancem a felicidade após serem vistos e observados por incontáveis criaturas.

Redação do Momento Espírita

06 junho 2015

A Força do Espiritismo- Rita Foelker


A FORÇA DO ESPIRITISMO


Quando Allan Kardec formulou as bases da Doutrina Espírita, ele recebia comunicações mediúnicas de cerca de mil centros espíritas espalhados por diversos lugares do mundo. Além de dialogar, ele mesmo, com os Espíritos, ele estudou o assunto por sua própria conta, comparou todas essas comunicações, pesquisou fenômenos e, só depois, veio a publicar "O Livro dos Espíritos", a primeira das Obras Básicas do Espiritismo.

Um homem sozinho pode ser enganado. Pode enganar a si mesmo e a um pequeno número de pessoas.

Se a Doutrina Espírita tivesse sido concebida por um só homem, seria preciso acreditar neste homem para acreditar na Doutrina, e ela estaria limitada por seu nível de esclarecimento e cheia dos seus preconceitos. Seria uma Doutrina com falhas.

Se os Espíritos tivessem transmitido a Doutrina Espírita a um só homem, ele poderia ser enganado, por mais sinceros que fossem os seus propósitos, pois a razão de uma só pessoa pode errar em seus julgamentos.

Mas o Espiritismo começou a ser revelado através de fatos que movimentaram diversos pontos do mundo ao mesmo tempo, na segunda metade do século passado. Os ensinamentos dos Espíritos foram disseminados através de comunicações mediúnicas dadas em lugares muito distante entre si e, apesar disto, e apesar das diferenças de linguagem, os princípios coincidiam precisamente. Não seria possível que a mesma idéia fosse lançada em grupos tão diferentes e que não tinham contato entre si, se elas não tivessem a mesma origem, se não tivessem uma finalidade maior.

Segundo Allan Kardec, esta universalidade no ensinamento dos Espíritos é que torna o Espiritismo forte, indestrutível, garantindo, ao mesmo tempo, a autoridade do que ele nos ensina.

O Espiritismo é um trabalho conjunto de homens e Espíritos.

E pode-se, afinal, fazer desaparecer um homem, mas não se pode calar milhões de pessoas. Os fenômenos mediúnicos acontecem por toda parte, e mesmo que todos os livros espíritas fossem queimados, e os centros espíritas, fechados, o Espiritismo poderia começar novamente, pois a sua origem não está sobre a Terra. Onde houvesse um Espírito e um médium - e os há em todo lugar - poderia a Doutrina Espírita começar a ser revelada novamente.

Sempre haverá gente que veja com seus próprios olhos e que tire suas próprias conclusões, partindo da lógica irrefutável dos princípios do Espiritismo.


Rita Foelker
Livro: Um pouco por dia
Espiritismo, Amor e Luz, Bússola da Alma

05 junho 2015

Locais Assombrados - Allan Kardec


LOCAIS ASSOMBRADOS

132. As manifestações espontâneas verificadas em todos os tempos, e a insistência de alguns Espíritos em mostrarem a sua presença em certos lugares, são a origem da crença nos locais assombrados. As respostas seguintes foram dadas a perguntas feitas a respeito.

1. Os Espíritos se apegam somente a pessoas ou também a coisas?
— Isso depende da sua elevação. Certos Espíritos podem apegar-se às coisas terrenas. Os avarentos, por exemplo, que viveram escondendo as suas riquezas e não estão suficientemente desmaterializados, podem ainda espreitá-los e guardá-los. 

2. Os Espíritos errantes têm predileção por alguns lugares?
— Trata-se ainda do mesmo princípio. Os Espíritos já desapegados das coisas terrenas preferem os lugares onde são amados. São mais atraídos pelas pessoas do que pelos objetos materiais. Não obstante, há os que podem momentaneamente ter preferência por certos lugares, mas são sempre Espíritos inferiores.

3. Desde que o apego dos Espíritos por um local é sinal de inferioridade, será também de que são maus espíritos?
— Claro que não. Um Espírito pode ser pouco adiantado sem que por isso seja mau. Não acontece o mesmo entre os homens?

4. A crença de que os Espíritos frequentam, de preferência, as ruínas têm algum fundamento?
— Não. Os Espíritos vão a esses lugares como a toda parte. Mas a imaginação é tocada pelo aspecto lúgubre de alguns lugares e atribui aos Espíritos efeitos na maioria das vezes muito naturais. Quantas vezes o medo não fez tornar a sombra de uma árvore por um fantasma, o grunhido de um animal ou o sopro do vento por um gemido? Os Espíritos gostam da presença humana e por isso preferem os lugares habitados aos abandonados.

4.a . Entretanto, pelo que sabemos da diversidade de temperamento dos Espíritos, deve haver misantropos entre eles, que podem preferir a solidão.
— Por isso não respondi à pergunta de maneira absoluta. Disse que eles podem ir aos lugares abandonados como a toda parte. É evidente que os que se mantêm afastados é porque isso lhes apraz. Mas isso não quer dizer que as ruínas sejam forçosamente preferidas pelos Espíritos, pois o certo é que eles se acham muito mais nas cidades e nos palácios do que no fundo dos bosques.

5. As crenças populares, em geral, tem um fundo de verdade. Qual a origem da crença em lugares assombrados?
— O fundo de verdade, nesse caso, é a manifestação dos Espíritos em que o homem acreditou, por instinto, desde todos os tempos. Mas, como já disse, o aspecto dos lugares lúgubres toca-lhe a imaginação e ele os povoa naturalmente como os seres que consideram sobrenaturais. Essa crença supersticiosa é entretida pelas obras dos poetas e pelos contos fantásticos com que lhe embalaram a infância.(1)

6. Os Espíritos que se reúnem escolhem para isso dias e horas de sua predileção?
— Não. Os dias e as horas são usados pelo homem para controle do tempo, mas os Espíritos não precisam disso e não se inquietam a respeito.

7. Qual a origem da ideia de que os Espíritos aparecem de preferência à noite?
— A impressão produzida na imaginação pelo escuro e o silêncio. Todas essas crenças são superstições que o conhecimento racional do Espiritismo deve destruir. O mesmo se dá com a crença em dias e horas propícias. Acreditai que a influência da meia-noite jamais existiu, a não ser nos contos.

7.a . Se for assim, porque certos Espíritos anunciam a sua chegada e a sua manifestação para àquela hora e em dias determinados, como a sexta-feira, por exemplo?
— São Espíritos que se aproveitam da credulidade humana para se divertirem. É pela mesma razão que uns se dizem o Diabo ou se dão nomes infernais. Mostrai-lhes que não sois tolos e eles não voltarão.

8. Os Espíritos visitam de preferência os túmulos em que repousam os seus corpos?
— O corpo não era mais que uma veste. Eles não ligam mais para o envoltório que os fez sofrer do que o prisioneiro para as algemas. A lembrança das pessoas que lhes são caras é a única coisa a que dão valor.

8. a . As preces que se fazem sobre os seus túmulos são mais agradáveis para eles, e os atraem mais do que as feitas em outros lugares?
— A prece é uma evocação que atrai os Espíritos, como o sabeis. A prece tem tanto maior ação, quanto mais fervorosa e mais sincera. Ora, diante de um túmulo venerado as pessoas se concentram mais e a conservação de relíquias piedosas é um testemunho de afeição que se dá ao Espírito, ao qual ele é sempre sensível. É sempre o pensamento que age sobre o Espírito e não os objetos materiais. Esses objetos influem mais sobre aquele que ora, fixando-lhe a atenção, do que sobre o Espírito.

9. Diante disso, a crença em locais assombrados não pareceria absolutamente falsa?
— Dissemos que certos Espíritos podem ser atraídos por coisas materiais: podem sê-lo por certos lugares, que parecem escolher como domicílio até que cessem as razões que os levaram a isso.

9. a . Quais as razões que podem levá-los a isso?
— Sua simpatia por algumas das pessoas que frequentam os lugares ou o desejo de se comunicarem com elas. Entretanto, suas intenções nem sempre são tão louváveis. Quando se trata de maus Espíritos, podem querer vingar-se de certas pessoas das quais tem queixas. A permanência em determinado lugar pode ser também, para alguns, uma punição que lhe foi imposta, sobretudo se ali cometeram, para que tenham constantemente esse crime diante dos olhos.(2)

10. Os locais assombrados sempre o são por seus antigos moradores?
— Algumas vezes, mas não sempre, pois se o antigo morador for um Espírito elevado não ligará mais à sua antiga habitação do que ao seu corpo. Os Espíritos que assombram certos locais quase sempre o fazem só por capricho, a menos que sejam atraídos pela simpatia por alguma pessoas.

10. a . Podem eles fixar-se no local para proteger uma pessoa ou sua família?
— Seguramente, se são Espíritos bons. Mas nesse caso jamais se manifestam de maneira desagradável.

11. Há alguma coisa de real na estória da Dama Branca?
— É um conto extraído de mil fatos que realmente se verificaram.(3)

12. É racional temer os lugares assombrados por Espíritos?
— Não. Os Espíritos que assombram certos lugares e os põem em polvorosa procuram antes divertir-se à custa da credulidade e da covardia das criaturas, do que fazer mal. Lembrai-vos de que há Espíritos por toda parte e de que onde estiverdes tereis Espíritos ao vosso lado, mesmo nas mais agradáveis casas. Eles só parecem assombrar certas habitações porque encontram nelas a oportunidade de manifestar a sua presença.(4)

13. Há um meio de os expulsar?
— Sim, mas quase sempre o que se faz para afastá-los serve mais para atraí-los. O melhor meio de expulsar os maus Espíritos é atrair os bons. Portanto, atrai os bons Espíritos, fazendo o maior bem possível, que os maus fugirão, pois o bem e o mal são incompatíveis. Sede sempre bons e só tereis bons Espíritos ao vosso lado.

13.a. Mas há pessoas muito boas que vivem ás voltas com as tropelias dos maus Espíritos.
— Se essas pessoas forem realmente boas, isso pode ser uma prova para exercitar-lhes à paciência e incitá-las a serem ainda melhores. Mas não acrediteis que os que mais falam da virtude é que a possuem. Os que possuem qualidades reais quase sempre o ignoram ou nada falam a respeito.


14. Que pensar da eficácia do exorcismo para expulsar os maus Espíritos dos locais assombrados? 
— Vistes muitas vezes esse meio dar resultados? Não vistes, pelo contrário, redobrar-se a tropelia após as cerimônias de exorcismo? É que eles se divertem ao serem tomados pelo Diabo. Os Espíritos que não tem mais intenções podem também manifestar a sua presença por meio de ruídos ou mesmo tornarem-se visíveis, mas não fazem jamais tropelias incômodas. São quase sempre Espíritos sofredores, que podeis aliviar fazendo preces por eles. De outras vezes são mesmo Espíritos benevolentes que desejam provar a sua presença junto a vós, ou, por fim, Espíritos levianos que se divertem. Como os que perturbam o repouso com barulhos são quase sempre Espíritos brincalhões, o que melhor se tem a fazer é rir do que fazem. Eles se afastam ao verem que não conseguem amedrontar ou impacientar. (Ver o cap. V: Manifestações Físicas Espontâneas)

Resulta das explicações acima que há Espíritos que se apegam a certos locais e neles permanecem de preferência, mas não tem necessidade de manifestar a sua presença por efeitos sensíveis. Qualquer local pode ser a morada obrigatória ou de preferência de um Espírito, mesmo que seja mau, sem que jamais haja produzido alguma manifestação.

Os Espíritos que se ligam a locais ou coisas materiais nunca são superiores, mas por não serem superiores não tem de ser maus ou de alimentar más intenções. São mesmo, algumas vezes, companheiros mais úteis do que prejudiciais, pois caso se interessem pelas pessoas podem protegê-las.

(1) O instinto a que o espírito se referiu não é o biológico, mas o espiritual: a lembrança instintiva do Outro Mundo, de que ele veio para a Terra. Ver, no capítulo IX da segunda parte de O Livro dos Espíritos, o número o 522 e na edição da Edicel, a nota do tradutor na pág. 234. Deve-se ainda observar, na resposta acima, o problema psicológico da influência dos contos infantis, acentuada pelo Espírito, e a rejeição ao supersticioso e sobrenatural. (N. do T.)

(2) Ver Revista Espírita de fevereiro de 1860: História de um danado (N. de Kardec) – O caso mencionado não só confirma a explicação acima, como também representa um dos episódios mais instrutivos da pesquisa espírita realizada por Kardec. Indispensável a sua leitura para a boa compreensão do problema tratado neste capítulo. (N. do T.)

(3) A Dama Branca é uma figura das antigas mitologias escocesas e alemãs que aparece em lendas populares. (N. do T.)

(4) O filósofo grego Tales de Mileto dizia: O mundo é cheio de deuses. “Os deuses antigos eram Espíritos”, segundo o Espiritismo. A afirmação de Tales concorda com essa da resposta acima. Há Espíritos por toda parte. Ver em O Livrodos Espíritos o cap. IX da segunda parte: Intervenção dos Espíritos no Mundo Corpóreo. (N. do T.)


O Livro dos Médiuns
Por Allan Kardec – tradução de José Herculano Pires

04 junho 2015

Sensibilidade espiritual - Victor Rebelo


SENSIBILIDADE ESPIRITUAL


É muito comum confundirmos sensibilidade espiritual com mediunidade. Isso ocorre devido ao fato de Allan Kardec ter classificado, durante a codificação do Espiritismo, todo tipo de interação com o mundo espiritual como uma forma de mediunidade.

Mas, podemos ler em O Livro dos Médiuns, no capítulo XIV da segunda parte, que “(...) essa qualificação se aplica somente aos que possuem uma faculdade mediúnica bem caracterizada, que se traduz por efeitos patentes de certa intensidade, o que depende de uma organização mais ou menos sensitiva.”

Isso significa que nem todo mundo deve ser considerado médium (no sentido ostensivo da palavra), apesar do fato de todos, em maior ou menor grau, sentirem a influência dos espíritos.

Portanto, o fato de todos possuírem um certo grau de sensibilidade espiritual não significa que todos estejam aptos a serem intermediários dos espíritos, ou seja, médiuns.

Na matéria de capa da Revista Cristã de Espiritismo, edição 138, proponho uma visão mais ampla do conceito de sensibilidade espiritual, que, na verdade, seria mais um conceito de "desenvolvimento espiritual integral" do que a simples sensibilidade.

Meu objetivo é mostrar que podemos e devemos desenvolver nossa sensibilidade espiritual (que seria mais um desenvolvimento parapsíquico e bioenergético), independente de sermos médiuns ostensivos ou não. Também explico quais os benefícios que esse desenvolvimento pode trazer.

Faço, no artigo, uma distinção básica entre a minha abordagem para o conceito de sensibilidade espiritual e a mediunidade. O desenvolvimento da sensibilidade espiritual é mais amplo que o mediúnico. 

Na minha abordagem, ele envolve:

a) Percepção e relação com os espíritos e o plano espiritual, incluindo a clarividência e a projeção astral (desdobramento). b) Percepção energética de encarnados, desencarnados e ambientes; autodomínio bioenergético.
c) Mediunidade (ostensiva), propriamente dita
d) Autoconhecimento e reforma íntima (percepção profunda da própria realidade espiritual, que transcende o ego)
e) Percepção profunda da Consciência-Una, essência de toda a realidade (Deus)

Tudo isso pode ser desenvolvido por todas as pessoas, exceto a mediunidade (ostensiva) que, no caso, requer que a pessoa apresente certas condições mais específicas para que essa capacidade possa ser desenvolvida.

Victor Rabelo
Leia meu artigo na edição 138 da Revista Cristã de Espiritismo

03 junho 2015

A Morte Divide as Fases da Nossa Vida - Martins Peralva


A MORTE DIVIDE AS FASES DA NOSSA VIDA

"Necessário vos é nascer de novo" (Jesus a Nicodemos)

Entre inúmeros benefícios que decorrem do estudo e da assimilação da Doutrina Espírita, podemos indicar, sem dificuldade, aquele que orienta o homem acerca do milenário problema da Morte.

Inegavelmente, sem qualquer partidarismo, somos levados a compreender que só o Espiritismo estuda o velho problema, com riqueza de pormenores, uma vez que sobre tal assunto muito pouco, ou que nada, disseram as demais religiões, que se limitaram, simplesmente, a admitir e anunciar a existência do Mundo Espiritual.

Sem as consoladores luzes da nossa amada Doutrina, marcharia o homem para o túmulo - diremos melhor; para a Pátria da Verdade - sem idéia segura do que lhe acontecerá após o choque biológico do desenlace.

Nenhuma noção da morte.

Nenhum conhecimento das leis admiráveis que rege a vida no plano espiritual.

Nenhuma informação sobre o que sucede a alma durante e depois da desencarnação.

Em suma, verdadeiro cego, ante o mundo grandioso que o aguarda; um indígena, atônito, perplexo nos pórticos de estranha, quão maravilhosa civilização.

Essa ignorância, praticamente total, a respeito de tão importante problema, é a triste herança de velhas e novas religiões mestras no ocultar e fantasiar a realidade da vida além das fronteiras terrenas.

Religiões que procederam e procedem à maneira dos cronistas sociais modernas: depois eu conto.

O Espiritismo é profundamente, intensamente realista, tanto nesse como em todos os assuntos de interesse da alma eterna.

Identificando a criatura, sem subterfúgio de qualquer espécie, com os seus postulados, fazendo-a absorver a parcela de verdade que ela suporta, torna-se tranqüila ante a perspectiva da desencarnação.

Não cremos, nem anunciamos um Céu grandioso, adquirível à custa de promessas, espórtulas, louvaninhas ou petitórios, nem um inferna tenebroso, eterno, de onde jamais sairemos.

O nosso conceito a respeito da morte e de suas conseqüências, se alicerça no Evangelho: "A cada um será dado de acordo com as suas obras".

Seria, naturalmente, leviandade afirmarmos que o Espiritismo já revelou, em toda a sua extensão e plenitude, a vida no plano extrafísico.

Expressando, todavia, a misericórdia divina, vem erguendo gradualmente, em doses nem sempre homeopáticas, a cortina que separa o mundo físico do mundo espiritual, consentindo estendamos o olhar curioso, indagativo, sobre o belo panorama da vida além da carne.

O espírita convicto não teme a morte, nem para si nem para os outros, mas procurar cumprir, da melhor maneira possível, apesar de suas imperfeições, imperfeições que não desconhece, os deveres que lhe cabem na erra, aguardando, assim, confiante, a qualquer tempo, hora e lugar, o momento da Grande Passagem.

Não a considera pavorosa, lúgubre, terrificante, tampouco a define por suave e milagrosa porta de redenção e felicidade.

O Espiritismo ensina, com apoio no Cristianismo, que não há das vidas, mas sim duas fases, que se prolongam, de uma só vida.

Se a Doutrina preleciona: "nascer, morre, renascer ainda, progredir continuamente" Jesus notifica a Nicodemos: "necessário vos é nascer de novo".

A uma daquelas fases, dá-se o nome de Etapa Corporal. Vai do berço ao túmulo. À outra, dá-se o nome de Etapa Espiritual. Vai do túmulo ao berço.

A nossa alma é como o Sol, que se esconde no horizonte, ao pôr de um dia, para, no alvorecer de novo dia, retornar pelo mesmo caminho.

A vida, em si mesma, é sublime cadeia de experiências que se repetem, séculos e mais séculos, até que obtenhamos a perfeição. 

Maravilhosa cadeia, cujos elos se entrelaçam, se entrosam, se harmonizam, justapostos...

Pensando atuando dentro da conceituação, estranha para muitos, por enquanto, porém muito lógica e racional para nós, sabe o espírita, em tese, o que a Morte, como fenômeno simplesmente transitivo, lhe reservará.

Sabe que o sistema de vida adotado aqui na Terra, o seu comportamento ético, terá justa e equânime correspondência no mundo espiritual que é indefectivamente, um prolongamento do terráqueo.

Boas sementes, bons frutos produzem.

Más sementes, amargos frutos produzem.

Seremos, aqui e em qualquer parte, o resultado de nós mesmos, de nossos atos, pensamentos e palavras, sem embargo da generosas intercessões de amigos que se nos anteciparam na Grande Viagem.

Proporcionando alegria e amparo, alimento e instrução, aqui na Terra, aos nossos semelhantes, a Lei nos assegurará, no Plano Espiritual, instrução e alimento, amparo e alegria.

Tais noções, hauridas no Espiritismo, tornam o homem mais responsável e mais cuidadoso, mais esclarecido e mais consciente, compelindo-o a passos mais seguros, dentro da Vida - em suas duas faces - para que a Vida lhe sorria, agora e sempre.

Evidentemente, sem subestimar, nem superestimar a morte, o espírita caminha, luta, sofre, trabalha e evolui conscientemente, na direção do Infinito Bem, felicidade, os renas cimentos, sucessivos a que se referiu Jesus, no diálogo com Nicodemos.

Martins Peralva
Fonte: O Reformador - Nov/1959

02 junho 2015

Saúde - Emmanuel


SAÚDE

A saúde é assim como a posição de uma residência que denuncia as condições do morador, ou de um instrumento que reproduz em si o zelo ou a desídia das mãos que o manejam.

A falta cometida opera em nossa mente um estado de perturbação, ao qual não se reúnem simplesmente as forças desvairadas de nosso arrependimento, mas também as ondas de pesar e acusação da vítima e de quantos se lhe associam ao sentimento, instaurando desarmonias de vastas proporções nos centros da alma, a percutirem sobre a nossa própria instrumentação.

Semelhante descontrole apresenta graus diferentes, provocando lesões funcionais diversas.

A cólera e o desespero, a crueldade e a intemperança criam zonas mórbidas de natureza particular no cosmo orgânico, impondo às células a distonia pela qual se anulam quase todos os recursos de defesa, abrindo-se leira fértil à cultura de micróbios patogênicos nos órgãos menos habilitados à resistência.

É assim que, muitas vezes, a tuberculose e o câncer, a lepra e a ulceração aparecem como fenômenos secundários, residindo a causa primária no desequilíbrio dos reflexos da vida interior.

Todos os sintomas mentais depressivos influenciam as células em estado de mitose, estabelecendo fatores de desagregação.

Por outro lado, importa reconhecer que o relaxamento da nutrição constrange o corpo a pesados tributos de sofrimento.

Enquanto encarnados, é natural que as vidas infinitesimais que nos Constituem o veículo de existência retratem as substâncias que ingerimos.

Nesse trabalho de permuta constante adquirimos imensa quantidade de bactérias patogênicas que, em se instalando comodamente no mundo celular, podem determinar moléstias infecciosas de variegados caracteres, compelindo-nos a recolher, assim, de volta, os resultados de nossa imprevidência.

Mas não é somente aí, no domínio das causas visíveis, que se originam os processos patológicos multiformes.V Nossas emoções doentias mais profundas, quaisquer que sejam, geram estados enfermiços.

Os reflexos dos sentimentos menos dignos que alimentamos voltam-se sobre nós mesmos, depois de convertidos em ondas mentais, tumultuando o serviço das células nervosas que, instaladas na pele, nas vísceras, na medula e no tronco cerebral, desempenham as mais avançadas funções técnicas; acentue-se, ainda, que esses reflexos menos felizes, em se derramando sobre o córtex encefálico, produzem alucinações que podem variar da fobia oculta à loucura manifesta, pelas quais os reflexos daqueles companheiros encarnados ou desencarnados, que se nos conjugam ao modo de proceder e de ser, nos atingem com sugestões destruidoras, diretas ou indiretas, conduzindo-nos a deploráveis fenômenos de alienação mental, na obsessão comum, ainda mesmo quando no jogo das aparências possamos aparecer como pessoas espiritualmente sadias.

Não nos esqueçamos, assim, de que apenas o sentimento reto pode esboçar o reto pensamento, sem os quais a alma adoece pela carência de equilíbrio interior, imprimindo no aparelho somático os desvarios e as perturbações que lhe são conseqüentes.

Pelo Espírito Emmanuel
Do livro: Pensamento e Vida
Médium: Francisco Cândido Xavier

01 junho 2015

Depressão na Visão Espírita - Richard Simonetti


DEPRESSÃO NA VISÃO ESPÍRITA

A variação de humor ocorre em função de: pressões ambientais, problema de saúde, influências espirituais, o peso do passado e saudades do Além.

Vamos explicar cada uma:

1º - Pressões ambientais: é causado por desilusão sentimental, problemas familiares, perda do emprego ou seja, são pessoas plenamente realizadas no terreno afetivo, da saúde, social e profissional que, não obstante, experimenta períodos de angústia. Aqui confunde-se muito tristeza, desilusão, preocupação com depressão.

2º - Problema de saúde: anemia profunda (falta de ferro), causa fraqueza, de apatia; pode ser por problemas de hormonios como da tireoides, por exemplo; a falta da vitamina B12; a TPM (tensão pré menstrual), disturbio hormonal na menopausa, etc.

3º - Influências espirituais: estados depressivos podem originar-se da atuação de Espíritos perturbados e perturbadores, que consciente ou inconscientemente nos assediam. Popularmente emprega-se o termo “encosto” para esse envolvimento. Por outro lado, os estados de euforia, sem motivo aparente, resultam do contato com benfeitores espirituais que imprimem em nosso psiquismo algo de suas vibrações alentadoras.

4º - Peso do passado: a depressão pode ser herança, não de nossos pais, mas de nós mesmos. O que fizemos no passado determina o que somos no presente. O que pesa sobre nossos ombros, favorecendo os estados depressivos, neuroses, fobias, psicoses e demais elementos fragilizadores da consciência é a carga dos desvios cometidos, das tendências inferiores desenvolvidas, dos vícios cultivados, do mal praticado. Há pessoas que, pressionadas por esse peso mergulham tão fundo na angústia que parecem cultivar a volúpia do sofrimento, com o que comprometem a própria estabilidade física, favorecendo a evolução de desajustes intermináveis. O remorso é um dos mais avassaladores sentimentos e o Espírito que reencarna nesta condição carreará para o corpo físico todo esse desequilíbrio. Seu aspecto será o de um obsidiado. 

No entanto, ele é obsidiado apenas por sua memória profunda, que vinculou sua personalidade humana. Os transtornos mentais e emocionais, conforme assevera Divaldo Franco, tem raízes no Espírito que delinqüiu. A culpa, consciente ou inconsciente, imprimiu-lhe no perispírito o quadro psicológico que se irá refletir na organização física e mental durante o transcurso da reencarnação. Mas, como disse Joanna de Ângelis: "ocorre a possibilidade de interferências no campo mental, produzidos por entidades infelizes. Quando as duas coisas se juntam - Passado e Obsessão - os problemas se avolumam, os sintomas são mais severos e a cura, às vezes, é mais demorada."

5º - Saudades do Além: este aspecto é abordado pelo Espírito François de Genève, no cap. V, de “O Evangelho segundo o Espiritismo”: “A melancolia” – “Sabeis por que, às vezes, uma vaga tristeza se apodera dos vossos corações e vos leva a considerar amarga a vida? E que vosso Espírito, aspirando à felicidade e à liberdade, se esgota, jungido ao corpo que lhe serve de prisão, em vãos esforços para sair dele. Reconhecendo inúteis esses esforços, cai no desânimo e, como o corpo lhe sofre a influência, toma-vos a lassidão, o abatimento, uma espécie de apatia, e vos julgais infelizes. Crede-me, resisti com energia a essas impressões que vos enfraquecem a vontade. São inatas no espírito de todos os homens as aspirações por uma vida melhor; mas, não as busqueis neste mundo e, agora, quando Deus vos envia os Espíritos que lhe pertencem, para vos instruírem acerca da felicidade que Ele vos reserva, aguardai pacientemente o anjo da libertação, para vos ajudar a romper os liames que vos mantêm cativo o Espírito. 

Lembrai-vos de que, durante o vosso degredo na Terra, tendes de desempenhar uma missão de que não suspeitais, quer dedicando-vos à vossa família, quer cumprindo as diversas obrigações que Deus vos confiou. Se, no curso desse degredo-provação, exonerando-vos dos vossos encargos, sobre vós desabarem os cuidados, as inquietações e tribulações, sede fortes e corajosos para os suportar. Afrontai-os resolutos. Duram pouco e vos conduzirão à companhia dos amigos por quem chorais e que, jubilosos por ver-vos de novo entre eles, vos estenderão os braços, a fim de guiar-vos a uma região inacessível às aflições da Terra.”

E como superar as variações de humor, mantendo a serenidade e a paz em todas as situações?  É evidente que não o faremos da noite para o dia, como quem opera um prodígio, mesmo porque isso envolve uma profunda mudança em nossa maneira de pensar e agir, o que pede o concurso do tempo.

Considerando, entretanto, que influências boas ou más passam necessariamente pelos condutos de nosso pensamento, podemos começar com o esforço por disciplinar nossa mente, não nos permitindo idéias negativas.

Orientação:

Procure ajuda médica, mas: - Mexa-se. Desenvolva atividades. 

Ninguém “cai na fossa”; geralmente entramos nela quando renunciamos a uma vida ativa e empreendedora.

- Policie sua casa mental. Estados depressivos começam, com insinuantes idéias infelizes. - Ainda que não se sinta disposto, cultive a convivência com familiares, amigos, colegas de profissão. 

O isolamento contraria a natureza sociável do ser humano, favorecendo a instalação de desajustes íntimos.

 Richard Simonetti