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12 março 2018

Só o escândalo, rende audiência! - Francisco Rebouças



SÓ O ESCÂNDALO, RENDE AUDIÊNCIA!



E disse aos discípulos: É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem!” (Jesus – Lucas Cap. 17 v. 1).

Estamos fartos de testemunhar diariamente anos a fio, as notícias de escândalos de todo tipo. Quando a gente pensa que já viu de tudo, a mídia nos apresenta novidades de todos os tipos, antes impensados, que nos causam surpresa e nos entristecem.

São notícias de desastres nas estradas, por abusos e imprudências de pessoas que não se preocupam consigo mesmo e muito menos com os outros. Motoristas em velocidade acima do permitido, avanço de sinal vermelho, consumo de bebidas alcóolicas, carros sem a mínima condição de segurança para circular nas vias públicas etc., e o resultado disso são as pavorosas estatísticas de desgraças e mortes que causam dores e sofrimentos a incontáveis famílias, sem falar dos prejuízos financeiros aos cofres públicos.

Não bastam os noticiários sobre desastres naturais que comumente assolam comunidades inteiras, tais como: enchentes, deslizamentos de terras, incêndios nas matas, seca nos reservatórios de água, além de crimes variados e comuns em nossa sociedade, como corrupção, desrespeito aos direitos dos outros, assassinatos, abusos sexuais até mesmos de crianças indefesas etc., e que preferimos parar por aqui, por que a relação é grande demais.

Nesse momento, as notícias mais divulgadas pela mídia são as doenças causadas pelas várias espécies de mosquitos, tais como a microcefalia, a dengue, a chicungunha, a febre amarela e por aí vai, que espalham o medo e o sofrimento em nossa sociedade, que mesmo assim, despreza pequenas e simples atitudes que poderiam evitar uma série desses desastres.

Claro que muito mais fácil do que fazer a parte que nos cabe é culpar o governo e a natureza, entre muitas outras desculpas, é mais prático e cômodo do que não deixar acumular sujeiras e água em recipientes, não poluir os rios, não devastar as florestas, não jogar lixo nos bueiros, e ainda, educar as crianças pelo exemplo do bom procedimento, para evitar os desperdícios em todos os sentidos, respeitar as pessoas, os animais a natureza em geral, ações essas que nos poupariam dessas calamidades vivenciadas por toda população.

Esse nosso comportamento, remonta aos longínquos dias de um passado em que nos comprazíamos com as atitudes de animalidade e que ainda trazemos arraigados em nosso mundo íntimo, ao que os Espíritos Superiores nos chamam a atenção para que iniciemos o quanto antes a reforma íntima que necessitamos empreender, para dar maior liberdade ao “homem novo”, na busca de se divorciar definitivamente do “homem velho” e do seu “reinado” que sempre nos mantiveram escravizados na ignorância.

Nossa postura na atualidade é o reflexo da nossa milenar cultura do egoísmo, do orgulho e da falta de disposição para reformar os nossos arcaicos pontos de vista, que nos manteve até hoje na ilusória opinião de que os outros é que são os responsáveis por nossas desditas e por essa razão representam o obstáculo maior ao nosso crescimento e desenvolvimento intelectual, moral e espiritual.

“Por que há de cada um querer elevar-se acima de seu irmão? Desse fato sofre hoje a sociedade as consequências.

Não esqueçais que tal estado de coisas é sempre sinal certo de decadência moral.

Quando o orgulho chega ao extremo, tem-se um indicio de queda próxima, porquanto Deus nunca deixa de castigar os soberbos. Se por vezes consente que eles subam, é para lhes dar tempo a reflexão e a que se emendem, sob os golpes que de quando em quando lhes desfere no orgulho para os advertir. Mas, em lugar de se humilharem, eles se revoltam. Então, cheia a medida, Deus os abate completamente e tanto mais horrível lhes é a queda, quanto mais alto hajam subido.

Pobre raça humana, cujo egoísmo corrompeu todas as sendas, toma novamente coragem, apesar de tudo. Em sua misericórdia infinita, Deus te envia poderoso remédio para os teus males, um inesperado socorro à tua miséria. Abre os olhos à luz: aqui estão as almas dos que já não vivem na Terra e que te vêm chamar ao cumprimento dos deveres reais. Eles te dirão, com a autoridade da experiência, quanto as vaidades e as grandezas da vossa passageira existência são mesquinhas a par da eternidade. Dir-te-ão que, lá, o maior é aquele que haja sido o mais humilde entre os pequenos deste mundo; que aquele que mais amou os seus irmãos será também o mais amado no céu; que os poderosos da Terra, se abusaram da sua autoridade, ver-se-ão reduzidos a obedecer aos seus servos; que, finalmente, a humildade e a caridade, irmãs que andam sempre de mãos dadas, são os meios mais eficazes de se obter graça diante do Eterno. – Adolfo, bispo de Argel. (Marmande, 1862).” (1)

Está na hora de despertarmos para a mudança de atitude, modificar a nossa passividade diante de noticiários tão deprimentes, mudarmos de canal, de veículo de comunicação seja quais forem para buscar noticiários mais positivos, que destaquem as boas obras, as atitudes nobres que acontecem, mas que não merecem destaques, porque não alcançam audiência suficiente para que os órgãos da mídia mudem de postura e passem a noticiá-los.

Sabemos que estamos em um mundo de provas e expiações, sujeitos aos altos e baixos de nossa estrutura moral, onde as atrações de César ainda têm grande influência em nossas escolhas e por essa razão Jesus, Guia e Modelo da humanidade, nos recomendou vigiar e orar, pois não estamos largados à própria sorte, temos os amigos espirituais a nos relembrar suas lições e exemplos para nossa caminhada firme e proveitosa na estrada do progresso que precisamos percorrer.

Precisamos começar a caminhada com boa vontade e entusiasmo, certos de que temos em nós mesmos as ferramentas necessárias ao cultivo do campo fértil das virtudes ínsitas em nosso Ser, à espera de nosso trabalho no desenvolvimento e implantação do Reino de Deus em nós mesmos, pois somos filhos da Luz e para a Luz marchamos.
Não haverá paixões tão vivas e irresistíveis, que a vontade seja impotente para dominá-las?

“Há muitas pessoas que dizem: Quero, mas a vontade só lhes está nos lábios.

Querem, porém muito satisfeitas ficam que não seja como “querem”. Quando o homem crê que não pode vencer as suas paixões, é que seu Espírito se compraz nelas, em consequência da sua inferioridade. Compreende a sua natureza espiritual aquele que as procura reprimir.

Vencê-las é, para ele, uma vitória do Espírito sobre a matéria.”
Qual o meio mais eficiente de combater-se o predomínio da natureza corpórea?

“Praticar a abnegação.” (2)

O Dicionário da língua portuguesa nos define abnegação por substantivo feminino que significa: Renúncia espontânea do interesse, da vontade, da conveniência própria. Ou seja, fazer aos outros, o que gostaria que os outros nos fizessem, sem qualquer outra exigência, que não seja a vontade sincera de ser útil ao semelhante, pelo simples desejo de vê-lo satisfeito e feliz, o que por si só, representa a própria felicidade para aquele que assim procede.

Mantenhamos o otimismo e alimentemos nossas esperanças num mundo melhor, sem nos esquecer de realizar nossa mudança de atitude em qualquer situação que vivenciarmos, agindo de forma equilibrada para uma saudável convivência em nosso relacionamento na construção de uma nova mentalidade, voltada para o desenvolvimento e crescimento do bem e da paz.

Jesus nos sustente e guie na conquista desse nosso propósito!

Francisco Rebouças



11 março 2018

Envelhecimento – Quando a idade chega - Marcos Paterra



ENVELHECIMENTO - QUANDO A IDADE CHEGA



Para entender esse artigo devemos a priori entender o que é ser “idoso”, quando chegamos à chamada “terceira idade”?

A meia idade[1] é considerada para alguns pesquisadores[2], em termos cronológicos, a vida adulta intermediária como sendo dos 45 aos 65 anos; assim a partir daí é considerado “idoso” ou “terceira idade”.

Sabemos que envelhecer é um processo que, de fato, começa quando se é gerado e move-se inexoravelmente através de toda a vida. No entanto, depois dos cinquenta anos de idade, ordinariamente, o processo é acelerado.

Várias mudanças ocorrem na vida do homem nessa idade. Essas mudanças se dão na vida física, emocional, intelectual e social. Do ponto de vista fisiológico, o homem experimenta mudanças nos sistemas cardiovascular, digestivo, respiratório e nervoso, todas elas com profunda repercussão no seu comportamento em geral.

A isolação social e a solidão a que a pessoa idosa está sujeita, em muitos casos, é grandemente responsável pelo senso de inutilidade comum às pessoas idosas.

Deparamos assim com diversos fatores conceituais, entre eles destacamos:

* A idade para o estabelecimento desta situação não coincide nem em todos os países nem em todas as culturas;

* O envelhecimento é um fenômeno natural, inerente à finitude biológica do organismo humano, mas é um processo diferencial em cada um de nós;

* Envelhecimento é:

Cronológico – idade objetiva;

Biológico – molecular, celular, orgânico, estrutural e funcional.

À medida que as pessoas envelhecem, aumenta de forma gradual o risco de adoecerem e de terem dificuldades funcionais motoras e sensoriais (entre outras); os indivíduos sentem-se mais fatigados e tornam-se mais lentos.

Segundo Mataix[3] (2002) sob o ponto de vista funcional velhice é quando se produz pelo menos 60% das funções fisiológicas atribuíveis a idade ou capacidade reduzida de manter a homeostase[4].

O envelhecimento é uma preocupação que sempre esteve presente na história da civilização, podemos exemplificar através dos textos do antigo Egito, referencias de 2.890 aC de autoria do médico e arquiteto Imhotep[5]; O símbolo da medicina originário da Mesopotâmia o “Caduceu”, é representado por serpentes que significa também a preocupação com o rejuvenescimento.

Embora o envelhecimento tenha sido estudado por muitos no decorrer de nossa história somente como o livro “Gerontocomia”[6] de autoria do médico Gabriel Zerbi (1.468-1.505) que começaram-se a ser produzidos artigos e livros específicos sobre envelhecimento.

Não há duvidas quanto o crescimento da população de idosos em todo o mundo, em termos de percentuais hoje a já passa de 9%, o que dá 15 milhões de idosos acima de 60 anos.

Em 2020 a população mundial de idosos é estimada em 1,2 bilhões, no Brasil a estimativa é de 30 milhões[7], e esse aumento na longevidade tem como principais causas os avanços tecnológicos como vacinas, remédios e equipamentos, também está havendo uma melhor condição de vida, a grande maioria dos idosos hoje mantêm um estilo de vida ativo, aderindo à prática do exercício físico regular.

“O aumento da expectativa de vida e do contingente de idosos é um fenômeno mundial. Os avanços médicos e tecnológicos vêm propiciando o aumento considerável tanto na expectativa de vida da população, quanto na queda da taxa de natalidade” [8].

Porém ao se falar em envelhecimento seria hipocrisia não ter consciência de que a morte é inevitável, e nesse sentido a religião pode ser um dos fatores mais importantes na vida de uma pessoa idosa no sentido de ajustá-la ao processo do envelhecer e prepará-la par a continuidade persistente do “eu”, significando que o “eu” deve desenvolver-se rumo à maturidade; auto percepção, experiência que capacita a mente a projetar-se no mundo exterior e que resulta numa vida de atividade criativa; habilidade de mudar e modificar-se; capacidade de adaptação: habilidade de ter visão global da vida, que implica na aquisição de uma compreensão tanto da temporalidade quanto da eternidade da vida.

A luz dessa visão, a existência humana tende a ser vista como um contínuo mais ou menos independente do corpo “Material” e que faz da realidade da morte matéria secundária. A fé de um homem pode ajudá-lo na formulação de uma filosofia de vida que determinará sua atitude para com o seu próprio envelhecer e para com sua própria morte.

Victor Hugo brilhantemente nos brinda com a frase:

“Quando eu descer à sepultura, afirmarei, como muitos outros: ‘Terminei meu dia de trabalho.’ Mas não posso afirmar: ‘Terminei minha vida. Meu trabalho começará de novo na manhã seguinte. A tumba não é uma viela; é uma passagem livre. Fecha-se ao lusco-fusco; abre-se ao romper da alva.”[9]

Para a Doutrina Espírita o ciclo o da vida se altera consideravelmente: nascer, crescer, amadurecer, envelhecer, morrer e “renascer”. Eis o que nos diz o espiritismo. A morte é apenas um momento no infinito de nossas existências. Essa afirmativa dá um golpe sério no conceito tradicional de morte.

“Quando o Júri de Atenas condenou Sócrates à morte ao invés de lhe dar um prêmio, sua mulher correu aflita para a prisão, gritando-lhe: “Sócrates, os juízes te condenaram à morte”. O filósofo respondeu calmamente: “Eles também já estão condenados”. A mulher insistiu no seu desespero: “Mas é uma sentença injusta!” E ele perguntou: “Preferias que fosse justa?”“A serenidade de Sócrates era o produto de um processo educacional: a Educação para a Morte.”[10]

Na concepção espírita da vida a morte não é morte, é apenas passagem de um plano da vida para outro.

“Kardec lembrou que, se somos seres humanos, de natureza espiritual, temos também o ser do corpo, que mesmo na metamorfose da morte é vida e movimento. A concepção estática das coisas é uma ilusão sensorial. A Física atual abandonou a concepção material do Universo. Vivemos em espírito e pelo espírito, desde a pedra até o anjo.”[11]

Sob esse prisma lembramos a famosa frase:

“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”.[12]


Marcos Paterra


Referências:

[1] Termo apareceu pela 1ª vez nos dicionários em 1895, quando a expectativa de vida começa a se prolongar.

[2] . Papalia DE, Olds SW, Feldman RD. Desenvolvimento humano. Porto Alegre: Artmed; 2006.

[3] Lawrence, N., Wooderson, S., Mataix-Cols, D., David, R., Speckens, A., Phillips, M., (2002). Decision aking and set shifting impairments are associated with distinct symptom dimensions in obsessive-compulsive disorder. Neuropsychology, 20(4), 409-419.

[4] Equilíbrio entre mente e corpo.

[5] Imhotep (por vezes grafado Immutef, Im-hotep ou Ii-em-Hotep; É considerado o primeiro arquiteto, engenheiro e médico da história antiga.

[6] Fonte: NETO, M. PONTE,J. Envelhecimento: Desafio na transição do século. In: NETTO, Matheus Papaléo. Gerontologia. São Paulo. Ed. Atheneu.1996.

[7] Fonte: Porto. Longevidade: Atividade Física e Envelhecimento, Maceió: EDUFAL, 2008.

[8] Freitas, E. V. (2004) Demografia e epidemiologia do envelhecimento. In: L. Py, J. L.Pacheco & S. N Goldman. Tempo de envelhecer: percursos e dimensões psicossociais. pp. 19-38. Rio de Janeiro: Nova Editora.

[9] MARIOTTI, Humberto. Victor Hugo espírita. São Paulo, Correio Fraterno, 1989.

[10] PIRES. J. Herculano. Educação para a Morte. São Paulo, Correio Fraterno do ABC, 1984.

[11] PIRES. J. Herculano. Ciência Espírita e suas Implicações Terapêuticas. Paideia, São Paulo, 1981.

[12] Epitáfio no túmulo e Kardec no Cemitério do PèreLachaise, na capital francesa, Paris.

10 março 2018

Por que os sintomas das doenças pioram à noite? - Fernando Rossit



POR QUE OS SINTOMAS DAS DOENÇAS PIORAM A NOITE?


Os pesquisadores ainda não chegaram à conclusão a respeito das causas, mas avaliam que os sintomas de certas doenças (não todas) se acentuam à noite em função do nosso “relógio biológico”.

Quando estamos acordados, todos os sistemas do nosso corpo estão de prontidão e exercendo sua função de forma plena. Quando chega a hora de ir para a cama, esses sistemas diminuem sua atividade, dificultando a defesa do nosso corpo. Além disso, a ação de mediadores anti-inflamatórios diminui na ausência de luz e isso facilita a reação inflamatória no nosso corpo.

Mas ainda, durante o dia, a própria ação da gravidade, bem como a movimentação muscular propicia uma melhor drenagem das secreções, facilitando a desobstrução nasal, por exemplo. Em processos alérgicos, como rinite, asma ou outras alergias, ainda podem piorar à noite, devido ao contato com os ácaros presentes em cobertores e travesseiros.

Doenças como gripes, asma, artrite, dor de cabeça, febre, insuficiência cardíaca, refluxo gástrico, por exemplo, agravam-se muito durante a noite.

Para cada uma das doenças citadas, a medicina tem uma ou várias hipóteses – quase sempre ligada à posição do corpo (deitado, horizontal), à diminuição da produção de hormônios e ao ambiente.

“Existem teorias de que poderia estar relacionado com o ritmo circadiano do corpo (ciclo de 24 horas). Níveis de hormônios, como o do hormônio do estresse (cortisol), mudam durante a noite, o que afeta as vias aéreas. Depois da meia-noite, taxas de respiração estão mais lentas, resultando em uma transferência menos eficaz de oxigênio na corrente sanguínea e do dióxido de carbono para fora do corpo através dos pulmões”.

Mas existem causas espirituais que podem piorar do quadro clínico dos doentes à noite?

No Livro “Missionários da Luz”, o Espírito André Luiz recebe a seguinte instrução do Irmão Francisco, responsável por turmas de socorro aos doentes encarnados:

“De modo geral, as condições de luta para os enfermos são mais difíceis à noite. Os raios solares, nas horas diurnas, destroem grande parte das criações mentais inferiores dos doentes em estado melindroso, não acontecendo o mesmo à noite, quando o magnetismo lunar favorece as criações de qualquer espécie, boas e más (…)”.

Podemos acrescentar, também, o papel da Obsessão na piora dos sintomas.

V De acordo com Richard Simonetti, autor do livro “Quem tem Medo da Obsessão?”, a obsessão é mais intensa durante a noite, quando estamos dormindo.

Durante o sono o espírito se distancia do corpo físico, mas não fica inativo. Neste momento o encontro com entes queridos é possível da mesma forma com desafetos e Espíritos mal intencionados.

Simonetti ,cita o livro “Libertação”, psicografia de Francisco Cândido Xavier, onde o Espírito André Luiz reporta-se à experiência de uma senhora perseguida por dois obsessores que tinham duplo propósito: comprometer sua tarefa como médium e conturbar o trabalho de seu marido, dedicado dirigente espírita. Eles agiam durante a noite, hipnotizando-a.

Como sempre fazem, os Espíritos Obsessores atacam nossos pontos fracos ou, em outras palavras, nossos defeitos.

Sua ação poderá levar ao surgimento e/ou agravamento de doenças que já se manifestaram em nosso corpo físico.

A prece antes de dormir é um excelente recurso para que possamos ter bons sonhos porque nos liga aos Bons Espíritos, garantindo-nos boas companhias espirituais.

No entanto, a forma mais eficaz para estarmos ligados ao Bem e impedirmos que venhamos a ser influenciados por Espíritos perturbadores é a mudança de hábitos e costumes, nossa transformação moral.


Fernando Rossit

09 março 2018

O poder da não-violência - Richard Simonetti



O PODER DA NÃO-VIOLÊNCIA


Futuras gerações dificilmente acreditarão que tenha passado sobre a face da terra, em carne e osso, um homem como ele.

Essa afirmação de Albert Einstein (1879-1955) diz respeito ao líder indiano Mohandas Gandhi (1869-1948).

Quando analisamos sua existência, a maneira absolutamente incrível como libertou seu país do jugo inglês, entendemos a admiração do grande físico. A Índia era a joia mais preciosa da coroa britânica, destacando-se num império tão grande, em seu apogeu, que nele o sol nunca se deitava.

Os ingleses não estavam nada dispostos a atender os reclamos de liberdade do povo indiano, nem preocupados com aquele homem mirrado que encarnava os anseios populares.

Não contavam com sua espiritualidade, a capacidade de mobilização para o mais incrível de todos os movimentos em favor da liberdade – a desobediência civil. Por orientação de Gandhi, deveria ser sustentada pelo princípio da não-violência nos confrontos com os usurpadores do solo pátrio. Havia quatro itens fundamentais:

Violência física: Não agredi-los.

Violência verbal: Não falar mal deles.

Violência mental: Não pensar mal deles.

Violência emocional: Não odiá-los.

Os homens liderados por Gandhi paralisavam trens, desobedeciam leis, infringiam regulamentos, sustentavam greves… Pacificamente, deixavam-se prender e torturar sem alimentar ódios ou ressentimentos. E porque não podiam, indefinidamente, atacar e encarcerar aquelas multidões que corajosamente infringiam suas leis e obstinadamente recusavam reagir às suas agressões, os ingleses acabaram se convencendo de que a única solução seria deixar a Índia.

Diz Gandhi: A não-violência é a lei da espécie humana, assim como a violência é a lei do bruto. O Espírito jaz dormente no irracional, que não conhece outra lei senão a força. A dignidade do homem exige obediência a uma lei superior – ao poder do espírito.

O mahatma (grande alma) está nos convidando a assumir a condição humana, marcada pelo empenho de nos sobrepormos aos instintos. Foi assim que ele libertou um povo. É assim que nos libertaremos do bruto ainda dominante no comportamento humano.

Mostrando-nos o vasto painel que se desdobra além-túmulo, a Doutrina Espírita enfatiza que é de fundamental importância limpar nosso coração de mágoas e rancores, pesos terríveis que nos prendem a faixas vibratórias inferiores, a sustentar males variados que nos oprimem.

Sugiro, leitor amigo, façamos um teste para verificar nosso enquadramento nos princípios preconizados por Gandhi.

Imaginemos que alguém nos ofenda ou prejudique.

Consideremos o comportamento ideal:

Violência física: Não cogitamos de dar-lhe um tiro ou uns bons sopapos.

Violência verbal: Não exprimimos indignação em termos fortes e altissonantes, nem homenageamos a senhora sua mãe, atribuindo-lhe aquela profissão pouco recomendável.

Violência mental: Não alimentamos o desejo de que seja atropelado por um trem ou vá para o diabo que o carregue.

Violência emocional: Não ficamos a verrumar o mal que nos causou, a vibrar de ódio por ele e pena de nós mesmos.

Se forem essas as nossas reações estamos de parabéns. Deixamos a caverna do bruto ancestral.

Melhor ainda quando formos capazes de agir como o próprio Gandhi. Um repórter lhe perguntou se já havia perdoado seus inimigos.

– Nunca perdoei ninguém.

– Não entendo… o senhor, líder espiritual do povo indiano, contrário a qualquer sentimento de animosidade, não perdoa seus inimigos?!

– Não é preciso. Nunca me senti ofendido…


Richard Simonetti


08 março 2018

Solidão, sensação devastadora - Adriana Machado



SOLIDÃO, SENSAÇÃO DEVASTADORA


“Me sinto sozinho(a)!”, “Ninguém liga para mim”, “Não posso contar com ninguém”, “Não sou ninguém”... Não nos enganemos pensando que essas são frases faladas, pensadas e sentidas por quem só quer chamar a atenção. Muitos de nós as pensamos a todo momento, de forma consciente ou não.

Estamos o tempo todo nos colocando à prova sobre as nossas necessidades e sentimentos e, por um motivo ou outro, podemos entrar num turbilhão de emoções que nos levam a acreditar que estamos “sozinhos no mundo”!

E esse sentimento é real ou falso? Antes de responder a essa pergunta, gostaria de levantar outra: eu tenho a exata noção do quanto eu me valorizo nesta vida?

Bem, como eu disse acima, muitos de nós pensamos dessa forma a todo momento. E pensamos, na maioria das vezes, sem nos apercebermos disso. Vivenciamos uma tristeza, uma inadequação e não nos damos conta que o que acontece tem origem no nosso mundo interior por não nos apreciarmos o suficiente para aceitarmos que os outros podem gostar de nós; que a nossa presença é apreciada, não por todos, mas por muitos, o que é perfeitamente natural porque não conseguiremos agradar a todos. Se nem Jesus agradou!...

Isso se dá porque, em razão de pensarmos da mesma forma, nos fixamos somente em quem não nos aprecia e deixamos de valorizar quem naturalmente nos ama e nos quer bem.

Se não conseguimos enxergar esse processo interno, tampouco estas pessoas preciosas em nosso viver, teremos um sentimento muito real de inadaptação e ele será mais do que palpável. Quem se convence que ninguém o ama, se sentirá só e estará só, mesmo que viva no meio de uma multidão de amigos, parentes e amores. A pessoa não se enxergará amada, não se enxergará objeto e alvo de atenção, não se sentirá capaz, não se enxergará merecedora de nada, absolutamente nada.

Sem querer julgar, mas tentando achar uma das respostas para essa visão da “falta” de amor, acredito que muitos daqueles que se sentem assim supervalorizam à opinião alheia, tendo-a como um norteador perigoso. Por exemplo: eu só me sinto competente se os meus colegas de trabalho me elogiarem. Se eles nada disserem, começo a me sentir inseguro(a) e até sem criatividade. Sem perceber, eu deixo de usar algo que eu já possuo por acreditar que me falta o combustível (opinião alheia) que me alimentaria a capacidade de fazer bem feito.

Se fazemos isso no âmbito profissional, imagina o que não fazemos quando é de cunho pessoal!

Nenhum desconforto íntimo deve ser ignorado porque ele se agrava gradativamente. A solidão, quando sentida com intensidade, nos torna cegos. Não enxergamos caminhos a serem trilhados; nos tornamos escravos dos conceitos equivocados que vamos abraçando sobre nós mesmos; e, encarcerados a estas falsas impressões, tomamos atitudes drásticas para nos vermos livres dos grilhões da dor que nos sufocam.

Quando chegamos a este estado, o sentimento de inadequação é muito doloroso. Para aquele que o porta, o auxílio vindo somente de si deixa de ser suficiente e há a necessidade de uma ajuda externa para reconquistar o seu equilíbrio emocional. Acredito, piamente, que a associação do entendimento espiritual (seja de qual religião ou postural moral adotada for) com o auxílio profissional (terapias, tratamentos médicos) seja a resposta para um “navegar” a “portos” emocionais mais seguros. Em ambos os casos, tais ajudas levarão ao “solitário” maior capacidade para conhecer a si mesmo e, por consequência, enxergar melhor a realidade que o cerca.

Se alguém que amamos está passando por isso, mesmo que não entendamos o que está acontecendo com ele, não devemos deixar de ajudá-lo. Sem culpá-lo ou criticá-lo, percebamos que cada um de nós é passível de passar por isso em algum momento.

Assim, mais chances aquele com quem nos importamos chegará a sua autodescoberta e mais rápido poderá voltar a sorrir, não mais sentindo-se só.

 

07 março 2018

Os papéis que assumimos na vida - Benedita Maria



OS PAPÉIS QUE ASSUMIMOS NA VIDA


Como são perfeitamente inteligentes os programas em que o Pai do Céu mergulhou Seus filhos, destinados à vivência terrestre, com vistas ao seu progresso continuado para a vitoriosa imortalidade!

Todos, sem exceção, experimentam, ao longo dos séculos e dos milênios, as mais diversificadas posições no seio da família. Os membros que formam um grupo familiar no planeta, tendo ou não convivido juntos no passado, vivenciaram, com certeza, posições alternadas em suas idas e vindas, Além-Terra-Além.

São os mesmos os Espíritos que nascem homens e mulheres, no planeta terreno, conforme ensina o Espiritismo. Alternam-se em seu retorno do Além ao mundo, a fim de que possam fazer o aprendizado que coube ao outro, em outra ocasião.

Mulheres esposas de hoje podem ter sido os homens esposos do pretérito; quem foi pai ou mãe retorna como filho ou filha nos limites do lar.

Irmãos e primos, tios e avós costumam alternar essas posições em suas novas famílias, de modo a se enriquecerem com as vivências íntimas, marcadas pelos tempos, ansiedades, ternura, medos, amargura, preocupações e os investimentos do amor. Além do aprendizado íntimo, em nível sentimental e emocional, existem as atividades sociais e laborais que devem ser bem exercidas para o crescimento.

Independentemente dos papéis que são vividos e alternados na família, alternam-se também os quadros do trabalho com que se fundamentam as profissões; das buscas do entendimento religioso e outras incontáveis relações sociais.

Essas mudanças têm o poder de enriquecer de novas experiências cada Espírito que tenha que mergulhar no estuário das reencarnações. É por isso que todos vão conseguindo, pelos tempos afora, aprimorar-se, de modo a atender a parte que lhes cabe, com desenvoltura, na obra de Deus na Terra.

Embora haja muitos Espíritos que repetem tanto posições familiares quanto profissionais, tanto situações religiosas quanto sociais, o mais comum é que as suas posições em todos os contextos sejam modificadas para o engrandecimento geral.

Como um estupendo curso divino de aperfeiçoamento para o amor, ocupamos posições passageiras em cada existência, da qual deveremos retirar o melhor quinhão de aprendizagem e de aprimoramento que nos seja possível.

É para esse trabalho volumoso e belo que todos reencarnamos.


Psicografia de Raul Teixeira, pelo Espírito Benedita Maria


06 março 2018

Liberdade de consciência - Divaldo Pereira Franco



LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA


Um dos grandes desafios que a sociedade moderna tem enfrentado, entre outros mais graves, é aquele que diz respeito à liberdade de consciência e, por extensão, a de expressão e conduta. Todos somos livres para pensar, ninguém podendo conseguir impedir-nos desse admirável sentido da vida.

Graças às conquistas democráticas, podemos expender os nossos conceitos em decorrência do pensamento desde que não venhamos a ferir o direito alheio.

Entretanto, não são poucos aqueles que se tornaram vítimas dessa liberdade, ao apresentar as suas ideias à sociedade.

Sempre existem de plantão os cerceadores da liberdade dos outros, tentando cercear-lhes esse direito adquirido através dos séculos, quando as ideias apresentadas não obedecem aos seus padrões de pensamento e de conduta.

São proclamadores do direito deles e rudes atacam toda e qualquer expressão que não corresponde às suas paixões…

Fazem-se agressivos, voltando-se contra os idealistas e arrasando-os ou tentando fazê-lo.

Como os seus propósitos não são de iluminar consciências, partem para o ataque à pessoa e à sua conduta, assacando acusações mediante as quais os insultam e buscam manter intermináveis discussões nas quais exaltam as próprias qualidades, como se fossem os únicos que pensam e se apropriam de tudo que lhes deve passar pelo crivo da aceitação.

Na sua insânia acreditam que intimidam, quando procuram desmoralizar aqueles aos quais se opõem, arrogantes e temerários.

Não podendo discutir apenas no campo das ideias, perseguem os idealistas e estão sempre dispostos a sacrificar quem se encoraja a opinar livremente. Assim ocorre em todos os campos do pensamento.

Convém recordarmos que não se combatem ideias senão com outras superiores, e que toda vez quando um idealista é excruciado, o seu silêncio nobre, que resulta das convicções que mantém, mais desperta simpatia e credibilidade pela força do sentimento e a legitimidade do seu conteúdo.

Constitui um dever permitir a outrem o direito à liberdade que se desfruta, não lhe maldizendo o comportamento, muitas vezes sob a injunção da inveja e do despeito, travestidos de verdade e defesa do que abraçam.

Vale a pena repetirmos o pensamento de Voltaire, a respeito do tema, aliás, já muito conhecido: Não estou de acordo com o que dizes, porém, defenderei com a minha vida o teu direito a expressá-lo.

Os grandes líderes da Humanidade pagaram esse pesado tributo, sofrendo a perseguição dos apaixonados, principalmente quando dominados por políticas arbitrárias que sempre perseguem aqueles que se lhes não aderem aos postulados partidários.

Vale, no entanto, ser livre, sem deixar-se afligir ou abater pelos seus perseguidores gratuitos.

Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 22.2.2018.

05 março 2018

A vida não começa no berço e não termina no túmulo - Caibar Schutel




A VIDA NÃO COMEÇA NO BERÇO E NÃO TERMINA NO TÚMULO


A Doutrina da Preexistência do Espírito está em íntima relação com a da sobrevivência ao corpo. A lei das Vidas Sucessivas vem em apoio a esta verdade consoladora e luminosa. A vida não começa no berço e não termina no túmulo. É nas vidas múltiplas na Terra e em outros mundos que adquirimos, conhecimentos e vamos nos libertando da ignorância que nos prende à infância do espírito. É no perispírito que se gravam todas as imagens fornecidas à mente pelo mundo exterior, ele é o repositório de todas as aquisições, de todos os conhecimentos adquiridos, de tudo o que aprendemos, vimos, ouvimos e sentimos através das existências que percorremos...

Está, portanto, no perispírito a sede exclusiva da subconsciência.

A aceitação da subconsciência, em determinadas condições, implica, portanto, a aceitação da preexistência e da sobrevivência espiritual, bem como a reencarnação dos espíritos.

Quer isto dizer que os materialistas e os espiritualistas que não aceitam a reencarnação, não podem invocar a teoria do subconsciente para explicar fenômenos que estão na esfera do animismo; assim não explicam, porque não aceitam a doutrina das vidas múltiplas, a razão de ser da precocidade ou os “meninos prodígios”, que tanto os maravilha.

De fato, como dar provas de conhecimentos que se não se adquiriu na Terra, se a alma começa e termina com o corpo ou se a alma, como dizem o Catolicismo e o Protestantismo foi criada com o corpo?

Como proclamar a “teoria do inconsciente” - com “aquisições anteriores” se se tem certeza que o indivíduo, com quem ou em quem se observa os fenômenos, nenhuma aquisição tem de tudo a que disse e dos altos conhecimentos que manifestou?

Um indivíduo, por exemplo, em estado de transe, de sonambulismo, fala do que não estudou, trata de assuntos altamente científicos ou filosóficos que não estão ao seu alcance em estado normal, quando não há aí interferência de um Espírito, uma outra personalidade, não há dúvida que a “teoria do subconsciente” aí é manifesta, mas sem dúvida alguma, também essa teoria não é um derivativo materialista e sim está intimamente ligada aos princípios espíritas da preexistência e vidas sucessivas.

O corpo humano nada pode; o espírito sim, quando mais ou menos livre dum organismo denso e grosseiro que constitui o seu invólucro na Terra, pode dominar esse invólucro, e ler, remontando à corrente do passado, uma a uma, as páginas da sua existência integral, cujas ações e ideias desfilam ao longo do trajeto de suas encarnações.

Cairbar Schutel
Livro “Os Fatos Espíritas e as Forças X” – 1926 

 

04 março 2018

Casamentos provacionais - Ricardo Di Bernardi



CASAMENTOS PROVACIONAIS


Dois Espíritos que na romagem terrena se unem visando conviver sexualmente, o fazem, normalmente, buscando uma complementação física, emocional e sentimental... No entanto, a história de cada casal é muito mais antiga.

O planeta que habitamos é definido ou classificado pelos Espíritos superiores como um mundo de provas e expiações. O percentual maior de seres humanos que aqui na Terra renascem está sob o regime de testes para verificação de aprendizado, isto é, provas. Muitos outros ainda renascem para reequilíbrio de desarmonias em sua estrutura psíquica, necessitando eliminá-las ou expiá-las, são as reencarnações expiatórias.

Importante lembrar que nossas vidas apresentam mais de um conteúdo com relação à programação reencarnatória. Todos nós nos deparamos com aspectos provacionais, expiatórios, e, por que não, até missionários com relação à família e ao trabalho. Da mesma forma, os casamentos também apresentam diversos conteúdos, porém de forma didática os classificaremos conforme a característica mais significativa do programa reencarnatório.

Seguindo a concepção clássica, sobejamente conhecida dos estudiosos da vida espiritual, as uniões estáveis ou casamentos podem ser classificados em: provacionais, sacrificiais, acidentais, afins e transcendentais.

Os casamentos provacionais ainda constituem a maioria dos reencontros programados para os que renascem em nosso planeta. São duas criaturas que trazem em seu inconsciente um registro comum ou histórico de vivências anteriores.

A questão do amor sexual já esteve presente entre ambos. Como somos, todos nós, seres em aprendizado na escola da vida, já erramos muito e fizemos sofrer aos companheiros de jornada, gerando em nós mesmos núcleos energéticos em desarmonia e esses se registraram em nosso “computador de dados”, chamado de perispírito, psicossoma ou corpo astral.

Os dados computados e registrados em nosso corpo astral ocasionam um campo de energia que terá uma luminosidade específica, brilho, frequência de onda, coloração e outras peculiaridades, que determinam uma irradiação peculiar e toda nossa. O antigo parceiro, com quem convivemos uma ou mais vidas, traz em sua estrutura íntima os mesmos registros, alusivos à vida pretérita em comum conosco.

Uma questão, frequentemente mencionada em seminários que efetuamos sobre Amor, Sexo e Vidas Passadas: Como é possível que duas pessoas se sintam atraídas profundamente a ponto de se unirem de forma estável; já que não seriam almas afins, qual a “química” que as atraiu? Já que se trataria de um casamento provacional?

Trata-se da autoprogramação inconsciente que nossas estruturas extrafísicas determinaram. Quando aqueles que conviveram de forma tumultuada no passado se reencontram, se veem, na vida atual, estabelece-se um fluxo de energia entre ambos, motivado pela similaridade de seus registros energéticos. Uma sintonia automática ocorre, motivando um envolvimento ou encantamento no qual ambos imaginam estar diante do Ser mais especial que poderiam encontrar.

De fato é o Ser que precisam reencontrar, e o automatismo perfeito das leis da natureza assim o programou.v Sem dúvida que a espiritualidade superior acompanha cada caso, no entanto, é importante que saibamos ser a “Natureza” o livro divino onde Deus escreve a história de sua sabedoria...

Qual seria a finalidade de um casamento provacional? Sofrer? Estariam ambos destinados a um convívio desagradável? O “pagamento” das dívidas de um ou de ambos dar-se-ia pelo sofrimento?

Não, de forma alguma. A ideia de que sofrer “paga” dívidas é resquício da idade medieval e dos conceitos de penitência. As provas, sejam em casamentos ou não, existem para serem vencidas, superadas, abrindo-se caminhos para horizontes de felicidade.

Casamentos provacionais, com o esforço dos parceiros, poderão se tornar casamentos afins, se não nesta vida, em uma próxima encarnação, se o convívio atual criar estímulos novos e produtivos. Não se reencarna com finalidade de sofrer, mas para crescer, mudar, evoluir e amar. Por outro lado, não se está fazendo apologia da aceitação de convívios agressivos ou francamente nocivos e improdutivos nos quais a separação seria o caminho inexorável.

Temos notícia de que, em determinados casos, a superação dos problemas determinará no final da vida presente um convívio fraterno e respeitoso. A superação das dificuldades mútuas ocasionará a liberação de ambos que, ao se sentirem livres na espiritualidade, poderão renascer em outro contexto, isto é, junto de suas almas afins.


Ricardo Di Bernardi


03 março 2018

Qual o destino dos suicidas? - Hugo Lapa



QUAL O DESTINO DOS SUICIDAS?




Uma pessoa que se suicida vai sempre direto ao inferno ou ao umbral?

Não… Apesar de existir uma crença comum, tanto no catolicismo quanto no Espiritismo de que o suicídio conduz inevitavelmente ao umbral, essa ideia não tem razão de ser e vamos explicar por quê.

Quando uma pessoa se suicida, ela geralmente se encontra num estado de consciência de muita perturbação. Na maioria das vezes o suicida passou por muitos sofrimentos. Ele vive uma constante angústia, uma profunda depressão, já não acredita mais na vida e perdeu todas as esperanças de melhora. Por isso, a única saída que ele percebe para dar fim ao seu sofrimento é o suicídio. Nesse caso, o suicida pratica o autoextermínio e desencarna com uma imensa carga de emoções negativas.

Vamos então entender que, no momento do desencarne, o suicida faz a sua passagem bastante impregnado de uma energia muito negativa, muito densa, extremamente pesada e desarmônica. Essas energias bem baixas tomam conta de seu espírito, e consequentemente, o conduzem aos planos inferiores do mundo terrestre. Por que então se diz que o suicida vai direto ao inferno? Costuma-se fazer essa afirmação por que é imenso o número de suicidas que desencarnam com uma energia bastante pesada… e esse peso vibratório os conduz às zonas inferiores. Esse é o motivo dos espíritos que se suicidaram irem direto ao umbral. Na hora do ato suicida, eles estão demasiadamente envolvidos com energias inferiores, muito baixas, e por isso, acabam descendo a níveis igualmente inferiores, que são compatíveis com as energias que ele cultivou momentos antes de desencarnar, assim como horas antes, dias antes, meses antes e até anos antes.

Isso significa que os espíritos suicidas desencarnam com uma intensa carga negativa e é justamente essa carga que os leva a expiar nas zonas inferiores. Muitos acreditam que os suicidam vão ao umbral ou ao inferno por conta de um “pecado” que cometeram, por terem violado um “decreto” divino. Esse suposto decreto divino estabeleceria que todo suicida deve ir diretamente ao inferno ou ao umbral, porque esta é uma lei divina e a lei divina sempre se cumpre. Isso não é verdade. É verdade que a lei divina sempre se cumpre… mas não há nenhum decreto divino, nenhuma lei da natureza que estabeleça o destino inexorável infernal aos espíritos que se suicidam.

O que existe, isso sim, é uma lei denominada “lei da afinidade” ou “lei da sintonia”. Essa lei prevê que “semelhante atrai semelhante”. Logo, se um espírito desencarna com uma energia negativa, ele será automaticamente atraído para uma zona de igual negatividade. A negatividade que ele gerou vai leva-lo a mesma negatividade após a morte. Vamos supor que pudéssemos estipular níveis de vibração dos espíritos. Imaginemos que um espírito se suicide na vibração -34. Para onde iria esse espírito após a morte? Ele não poderia ir a outra zona espiritual senão para a zona -34 do umbral. Ele vai para esse nível pois é exatamente essa a energia que ele se encontrava antes e durante o ato de forçar a retirada do seu corpo físico. Vamos supor que outro espírito tenha desencarnado no nível -12. Para onde este espírito vai após a morte? Vai naturalmente para a zona -12 dos níveis espirituais do planeta Terra, pois é lá que a sua energia está sintonizada.

A lei da sintonia, essa sim, é inexorável. Não pode ser violada de nenhuma forma. Todos os espíritos estão no nível exato que lhes corresponde. Quem quiser informações mais detalhadas sobre a “lei da afinidade” pode ir ao blog de Hugo Lapa e pesquisar a mensagem com esse mesmo nome.

Dessa forma, fica claro que não existe nenhuma lei a priori, nenhum decreto de Deus que estipula algo como “Todo suicida deve ir necessariamente ao inferno”. Não existe tal coisa. Vamos lembrar de O Livro dos Espíritos quando o espírito da Verdade afirma que as leis de Deus estão inscritas na consciência. Por esse motivo, quem violar estas leis será punido por quem? Por Deus? Não… será punido pela própria consciência, que nos conduzirá a zona de consciência mais ou menos elevada, conforme a vibração e elevação espiritual atingida na Terra.

Essa explicação faz cair por terra a ideia de que “se matou, vai pro umbral”. Podemos dizer que é sim possível uma pessoa se suicidar e não ir ao umbral. Isso dependerá de sua energia, de sua consciência e também se seu arrependimento após a morte. Caso ele consiga se libertar das energias negativas que ele mesmo produziu, ele pode ascender e não precisar ir a zonas inferiores. Nossa própria consciência nos leva ao bem ou ao mal que criamos, nos conduz a ruína ou às realizações… nos leva a paz ou ao sofrimento. E tudo isso é decorrência de tudo o que criamos ao longo da encarnação e das sucessivas encarnações da alma. Como diz a máxima: “Não acredite em punição divina, pois o que o homem planta… ele mesmo colhe”.


Hugo Lapa


02 março 2018

Espiritismo e adultério - Morel Felipe Wilkon



ESPIRITISMO E ADULTÉRIO


O Espiritismo, tomando por base a questão 701 do Livro dos Espíritos, afirma que o casamento deve se fundar na afeição dos dois seres que se unem. Mas não podemos ignorar que o adultério é prática comum, tolerada pela sociedade.

Você já parou pra pensar a respeito do poder que há no sexo? O sexo sempre esteve por trás das grandes conquistas e das grandes tragédias da História. Talvez um dos desequilíbrios mais comuns na trajetória do espírito imortal seja justamente o sexo. Se você se alimenta pouco, enfraquece; se come demais, adquire doenças. Se você dorme pouco, não recupera totalmente as energias; se dorme muito, perde o dinamismo. Com o sexo ocorre o mesmo. É preciso equilíbrio.

O desejo sexual represado representa um grande perigo, pois poucas pessoas são elevadas a ponto de canalizar a energia sexual para o processo criativo. O represamento do desejo sexual pode levar ao descontrole e é causa de muitos crimes. Pessoas sexualmente equilibradas convivem melhor em sociedade e são mais felizes.

Nosso senso moral e nossa cultura cristã nos legaram a monogamia como relação ideal mais propensa a incentivar o amor. Mas não podemos ignorar que o adultério é prática comum, tolerada pela sociedade. Você tem ideia das consequências espirituais do adultério? A relação sexual é o momento de maior intimidade e troca de energias que se pode experimentar na Terra. Isso não fica restrito ao plano físico, mas também ao plano astral.

adultérioAo nos unirmos sexualmente com alguém, formamos ligações com as companhias espirituais da outra pessoa. Você sabe que nunca estamos sozinhos, estamos sempre acompanhados de espíritos que se afinizam conosco, com os nossos gostos, com nossas atividades, pensamentos, atitudes, emoções. Numa relação adúltera é inevitável que sejam atraídos por nós espíritos que se afinizam com este tipo de ato clandestino, furtivo, baixo. Em situações assim reatamos antigas ligações espirituais conflituosas ou encetamos novos comprometimentos.

O mesmo ocorre com o sexo pago. Você acha que quem recorre à prostituição pratica o ato sozinho? Na verdade quem costuma comandar a situação são os espíritos desencarnados viciados em sexo. Os lugares ligados à prostituição são habitados por inúmeros espíritos nessas condições, que vivem da energia dos encarnados que os frequentam. São verdadeiras parcerias que se formam entre os dois planos. Os dois lados em busca do prazer desenfreado oferecido pelo sexo.

Há muitos que não consumam a traição. Não se atrevem a levar o adultério às últimas consequências. Mas o fazem em pensamento. Jesus falou sobre isso, ao dizer que desejar a mulher do próximo em pensamento já é cometer adultério. Nada ativa tão bem a imaginação como o desejo sexual. O poder mental é capaz de atrair espiritualmente a pessoa desejada se for fortemente imaginada. Se houver reciprocidade de intenções, pode haver uma espécie de vida paralela em que os adúlteros em pensamento passam a encontrar-se no astral para saciar seus desejos. De qualquer maneira, sendo ou não sendo correspondido o desejo, outros espíritos sedentos por sensações prazerosas do sexo são atraídos. Qualquer pessoa que tenha seu pensamento dominado pela ideia do sexo atrai para si companhias espirituais das quais se torna muito difícil de se livrar.

Durante o período de sono físico, nada atrai tanto o espírito encarnado quanto o sexo. Muitos são habituados a se relacionar com desencarnados ou com outros encarnados desdobrados pelo sono. Às vezes são pessoas de conduta exemplar, que racionalmente não procurariam essa situação. Mas, parcialmente livres do corpo físico durante o sono, se deixam dominar pelo subconsciente. No subconsciente está armazenada a bagagem de todas as vidas anteriores do espírito imortal; é a soma de tudo o que ele é.

Quem vive essas experiências geralmente não tem vida sexual satisfatória; vive sem esperança amorosa. Geralmente essas pessoas roubam a energia das pessoas próximas; familiares, amigos, colegas. A energia que retiram de seus próximos é gasta em seus encontros no astral.

O sexo é energia sagrada, é criação de Deus que nos concedeu o poder de criar, pois somos Sua imagem e semelhança. O sexo equilibrado é manifestação de amor, e eleva o espírito a Deus. Mas o sexo em desequilíbrio pode ser motivo de queda e destruição. Deus não nos castiga, não há crime ou pecado. Há desgaste espiritual, há desperdício de forças criadoras, há desrespeito com o amor. E tudo isso tem um preço.

Morel Felipe Wilkon 

 

01 março 2018

Quem poderá acabar com a nossa solidão? - Adriana Machado



QUEM PODERÁ ACABAR COM A NOSSA SOLIDÃO?


Medo, angústia, frustração, tristeza são alguns dos sentimentos que algumas pessoas portam quando se sentem sozinhas. Mas, o que é estar sozinha?

Por séculos e séculos, ouvimos dizer que cada ser humano tem a sua alma gêmea, a sua cara metade, a sua outra banda da laranja... Ouvimos que o ser humano é um ser que vive no coletivo e que não sabemos viver sós.

Gostaria de colocar alguns pontos de vista que eu tenho sobre isso.

Primeiramente, tenho por convicção que Deus é Pai e não “carrasco”. Por isso, não acredito em almas gêmeas. Não no sentido que falam por aí. A conotação que dão para isso é de que, para sermos felizes, teríamos de encontrar alguém que nos faria sentir essencialmente plenos, que nos complementaria e que a sua ausência seria um martírio para a nossa alma solitária.

Pela concepção que tenho de Deus (Poderoso, Bom, Justo, Amoroso...), Ele não criaria essa dependência em nós porque não teríamos condições de compreender o amor do outro em toda a sua, ainda, imperfeição. Da forma que sabemos amar, nossa relação com o outro ainda é de muita cobrança, muita ilusão, muito egoísmo.

Vocês poderiam afirmar que já encontraram um casal assim, mas afirmo que essas pessoas não eram almas gêmeas, e sim somente pessoas que, como vocês, estão em pleno crescimento e que, hoje, sabem-se amar da forma que eles mais anseiam. Se assim é, possivelmente, nesta existência, eles tiveram a oportunidade de poder reviver um sentimento antigo sem as mazelas de um relacionamento corrompido. Talvez eles precisassem de uma existência mais calma neste sentido, para poderem enfrentar outras tantas dificuldades que fazem parte de suas superações.

Mas, o que é o amor? É um sentimento gostoso que nos vincula a alguém ou alguma coisa. É o único sentimento que sabemos criar em nosso mundo interior porque, sendo filhos de Deus, somente poderemos fazer o que Ele faz: amar.

No entanto, vocês me diriam que sentimos raiva, tristeza, mágoas, ódios... E eu os respondo: todos derivados do amor que sabemos amar. O que é o ódio, senão o amor violado? O que é a mágoa, senão o amor decepcionado? O que é a tristeza, senão o amor desmotivado? O que é o egoísmo, senão um amor exacerbado por nós mesmos? Tudo o que sentimos deriva-se do amor, mas um amor que foi transmutado por nós, transformado pela nossa ignorância sobre as verdades divinas.

Vivermos numa coletividade nos coloca à prova todos os dias, porque teremos de transmutar o nosso amor o tempo todo em resposta ao comportamento do outro e, quanto mais entendermos como fazê-lo sem prejudicar ao outro e a nós mesmos, mais perto de vivermos uma vida plena, com o outro ou sem ele.

A coletividade faz parte de nossa natureza. Desde o princípio, buscávamos o coletivo para nos proteger, para procriar, para sobreviver às intempéries do ambiente em que vivíamos. Essa coletividade está inserida nas leis divinas, através da Lei da Sociedade que tem como objetivo, além de outros mais, um crescimento intelectual, moral e emocional mais rápido para todos nós, mas nunca a escravidão de sentimentos ou dependência entre nós.

Mas, se não dependemos de ninguém, porque nos sentimos tão sós? Por que mesmo junto a tantos, nos sentimos desamparados, tristes?

Porque, pela nossa falta de conhecimento, ainda não compreendemos que a pessoa que nos fará efetivamente felizes está dentro de nós. A cada dia, buscamos em nosso mundo exterior a felicidade, não percebendo que ela depende de como este ser enxerga a vida. Estamos sós porque queremos viver uma vida que não existe. Os requisitos que numeramos para que a felicidade possa estar na nossa vida, como riqueza, fama, inteligência, influência, não farão qualquer diferença se não mudarmos a nossa forma de pensar.

Quantas celebridades (portadoras desses requisitos almejados) estão perdendo suas vidas, sua saúde, sua paz de espírito porque não deram a si mesmas a visão esclarecedora de que o maior tesouro que temos de cultivar é o do espírito. E aí, chega o ponto que quero lhes chamar a atenção: é nele que temos de nos curar da solidão. É em nós mesmos que precisamos achar a melhor companhia!

Se compreendermos isso, alcançaremos a felicidade e a sensação de solidão não fará parte de nós. E toda e qualquer companhia que conosco esteja estará ampliando, mas não completando a felicidade que já possuímos.