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18 novembro 2020

Obsessão anestesiante - Rogério Coelho

 
OBSESSÃO ANESTESIANTE

Aos dardos morbíficos que se destinam a retardar a ação do bem na Terra devemos contrapor a oração.

“E, voltando, achou-os outra vez adormecidos; porque os seus olhos estavam carregados.” (Mateus, 26.43)

Segundo o Espírito Camilo (1), os Espíritos inimigos da Luz, “(…) uma vez que não conseguiram impedir que muitas criaturas aceitassem e desejassem servir na Seara do Cristo, não se dão por vencidos com a primeira perda e atuam no sentido de obstaculizar a ação desses indivíduos a fim de que não se movimentem no bem, que tem caráter de premência e que depende tão somente da boa vontade dos lidadores. Estão no movimento do bem, mas, por influência dessas Entidades infelizes não atuam no bem, o que é lastimável”.

Assim, não raro, surpreendemos companheiros invigilantes na vanguarda espírita, líderes em suas comunidades que se enviscam nos ínvios cipoais do desentendimento, da irreflexão e da mágoa, perdendo tempo precioso a digladiarem na arena da discórdia e do azedume contumazes.
Continua o nobre mentor do médium fluminense (1):

“(…) variados têm sido os que se deixam conduzir pelas influências narcóticas de muitas mentes atreladas ao mal ou ao marasmo do Mundo Invisível, naturalmente desleixados com relação à vigilância íntima, realizando afazeres, quando os realizam, como que se desincumbe de um fardo pesado e difícil, mas não como quem participa do alevantamento espiritual da humanidade. Encontram-se elementos que se acostumaram a deixar tudo para que seja feito amanhã, quando o dia de hoje pede disposição e não adiamento…

Ninguém pode, em sanidade de consciência, afirmar que estará no corpo somático no dia seguinte. Temos aí, então, maior razão para que não retardemos os labores que têm regime de urgência em nossa pauta de tarefas.

Diversos irmãos da Terra, portadores de enorme cota de má vontade ou deixando as próprias mentes mergulhadas na displicência, são envolvidos nos vapores letárgicos, paralisantes, que impedem a continuidade dinâmica da obra sob seus cuidados.

Há sempre uma providência que se pode procrastinar… Surgem problemas a solucionar na esfera da renovação do Espírito, sempre postergados, sem que os companheiros se deem conta de que poderão estar sendo minados por fluidos anestesiantes da vontade.

É importante cuidar do corpo, repousar, quando os trabalhos imponham desgastes. É da Lei Divina… O que não nos cabe fomentar ou aplaudir é a postura dos que estão sempre esgotados, por pouco ou nada que façam, exigindo largos períodos de estacionamento e, quando se decidem por algo fazer, francamente embriagados por energias anestesiantes que, ameaçadoramente, têm tomado em seu bojo a muitos seareiros irrefletidos, preparando-lhes grandes tormentos de remorsos e angústias para logo mais, quando a hora propícia e ideal para o trabalho do bem já houver passado.

Quando sintas que, inobstante o repouso, não tens ânimo para as leituras e quefazeres edificantes, ou quando a sonolência tornar-se presença comum em tuas horas de estudo ou de necessária atenção aos chamados do Infinito, ergue a tua oração e roga dos Benfeitores Celestes o socorro, a assistência de que careças a fim de te desviares desses dardos morbíficos que se destinam a retardar a ação do bem na Terra, produzindo narcose nos combatentes invigilantes, exatamente porque esse bem, em última análise, é a atuação de Jesus Cristo reafirmando o Seu amor a todos nós, ovelhas desgarradas do Seu rebanho, da esperança e da ação.”

Rogério Coelho
Fonte:
Agenda Espírita Brasil

Referências Bibliográficas:

(1) Teixeira, Raul. Correnteza de Luz. Pelo Espírito Camilo – cap. 24.


17 novembro 2020

Pirâmides. Mistério - Nilton Moreira


PIRÂMIDES MISTÉRIO


A cada momento cientistas e estudiosos nas respectivas áreas, nos trazem informações valiosíssimas a respeito do passado.

É sempre uma incógnita de como as pirâmides foram construídas, e com uma perfeição em seus traços geométricos, construções estas que vararam os tempos e continuam intactas, principalmente em seu interior.

Somos seguidores daquela linha de raciocínio de que elas foram idealizadas e construídas por habitantes de outra esfera planetária, mais elevada do que a Terra e que aqui estiveram de passagem no sentido de evoluir o nosso planeta. Um povo com ideias e conhecimentos avançados, até porque Jesus mesmo nos disse que existem muitas moradas na Casa do Pai, sendo as moradas os mais diversos orbes existentes no universo.

Não faz muito tempo, Arqueólogos egípcios descobriram um grupo de novas tumbas de trabalhadores que construíram as pirâmides, abrindo espaço para entender a forma como eles viviam e comiam há mais de 4.000 anos. A revelação foi feita pelo departamento de antiguidades do país.

As tumbas são pertencentes à 4ª dinastia, entre os anos 2.575a.C. e 2.467a.C., quando as Grandes Pirâmides foram construídas, segundo o diretor do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, Zahi Hawass. As primeiras tumbas de trabalhadores que construíram as pirâmides foram encontradas nos anos 1990 e, junto com as novas descobertas, indicam que os trabalhadores não eram escravos, como se pensava anteriormente. "Essas tumbas foram construídas ao lado da pirâmide do rei, o que indica que essas pessoas não eram escravas, pois não poderiam ter construído suas tumbas dessa forma", disse Hawass. As tumbas eram usadas para trabalhadores mortos durante a construção.

As evidências encontradas apontam que aproximadamente 10 mil trabalhadores atuaram na construção das pirâmides e eles comiam 21 bois e 23 ovelhas que eram enviados diariamente para eles por fazendas do norte e do sul do Egito.

As pesquisas continuam até hoje e não se chegou ainda a uma conclusão do objetivo das pirâmides e efetivamente que tipo de equipamento foi utilizado para cortar e colocar milimetricamente as pedras.

Mas encontramos na literatura filosófica informações que a construção foi idealizada e construída por civilização bem evoluída que esteve aqui na Terra e retornou ao plano espiritual. São questões que ensejam um mistério, pois que traçando um parâmetro com os dias de hoje, vemos a complexidade que é construir um arranha céu, mesmo dispondo guindastes potentes.

Sabemos que pessoas dotadas de certas aptidões podem utilizando-se da concentração mental fazer transporte de objetos de um lugar para outro, às vezes até de longas distâncias, e tratando-se de seres com alto grau de sabedoria e conhecimento, nada seria de surpreender.

Certamente à medida que evoluirmos vamos encontrar os esclarecimentos necessários.

Nilton Moreira
Coluna Semanal - Estrada Iluminada
Fonte: Espirit Book

16 novembro 2020

Reflexões - Joanna de Ângelis

 
REFLEXÕES

Antes de iniciar-se o processo de tua reencarnação, estabeleceste condições delicadas e de alta significação para o teu êxito na Terra, e, considerando-se as graves responsabilidades que te seriam outorgadas, desfrutas as bênçãos da anuência divina.

Reflexiona com cuidado, realizando comparações com outras experiências humanas de viandantes do mesmo caminho ao teu lado.

Desejaste um corpo saudável, harmônico, possuidor de campos vibratórios produtores de simpatia e o conseguiste.

Anelaste por um lar saudável para renascer, onde fossem possíveis a compreensão e a fraternidade e conseguiste um ninho doméstico, no qual os deveres e os sentimentos emocionais poderiam exteriorizar-se com naturalidade.

Necessitaste de uma educação e uma instrução compatíveis com o processo de evolução da Humanidade, e foste aquinhoado com a bênção programada.

Chegaste à idade adulta, experienciando os favores juvenis e desfrutaste das alegrias compatíveis com as circunstâncias da época.

Pretendias construir uma família, na qual o equilíbrio se caracterizasse pelas concessões dos anjos protetores e foste beneficiado com os rebentos da carne que enfloram a família.

Atravessaste a floresta da convivência social com recursos e instrumentos próprios para uma existência feliz.

Foram equacionados desafios complexos e dificuldades que remanesciam no quadro da reencarnação; para tanto, encontraste solução própria sem deixar no passado um saldo de misérias de quaisquer denominações.

A fé religiosa chegou-te canora e instalou-se na harpa dos teus sentimentos e inteligência, por meio de almas abnegadas, mansas, que te fascinam e aprendeste a conversar com Deus.

Toda vez, quando as preocupações se tornaram graves, no momento adequado recebeste o auxílio do Alto, quase inesperado, mantendo-te no ritmo do trabalho e no labor dignificante.

Pudeste superar armadilhas de inimigos que te não perdoam o progresso que conseguiste, sem maior soma de sacrifícios.

Encontraste abertas as portas da edificação da Humanidade e estás em campo, qual habilidoso lutador que não teme os combates.

Concomitantemente, os instrumentos com que foste equipado para o triunfo existencial tornaram-se perigosos recursos que também atraíram presenças perigosas, semelhantes à flor fascinante e perfumada que, mediante esses tesouros, é atacada ferozmente pelos inimigos naturais.

Titubeaste, vezes sem conta, em razão da afetividade tumultuada pelo prazer superficial do novo e do diferente, tornando-se necessária a interferência dos teus guias espirituais que ajudaram a deslindar-te da hipnose devastadora, que poderia destruir os belos planos transcendentais.

* * *

Felizmente estás desperto para os deveres mais elevados, a fim de os atender com todos esses recursos com que estás aquinhoado. Saíste de situações embaraçosas que iriam tragar-te, lançando-te no abismo da sua perversa atração. Conseguiste perceber a tempo a cilada espiritual que te estava expondo à perda da oportunidade ímpar.

Mantém-te vigilante e cuidadoso, não permitindo que novas fascinações te arrebatem as emoções anunciando prazeres, que já conheces, mas que a vulgaridade do momento transforma em projeção social e alucinação nos relacionamentos sociais e morais.

A felicidade não ergue o seu edifício de paz sobre os escombros daqueles que foram derrubados.

Não se pode navegar com sorrisos, na barca da ilusão, sobre a torrente das lágrimas alheias de que se faz responsável.

A alegria somente é verdadeira, quando as suas nascentes não são as mesmas dos minadouros do sofrimento de outrem.

Quando as criaturas humanas compreenderem que a renúncia em benefício de alguém é conquista de alto preço, os rumos da sociedade serão muito diversos destes que vêm sendo percorridos.

Porque tal conduta ainda não foi conseguida, as enfermidades cruéis e dilaceradoras se encarregam de mudar as faces da beleza, da juventude e do encanto de um momento para o outro.

Não contes sempre com a aparência, que se altera a cada instante e joga para fora as aflições asfixiadas no oceano íntimo das necessidades reais ou imaginárias.

Sempre se considera a feiura, a dor, a ausência de recursos financeiros, a solidão, o abandono como provações ultrizes, com o que anuímos seguramente. Entretanto, é de considerar-se que tudo de bom que se recebe da Vida, na condição de empréstimo para a vitória, também é de caráter provacional, exatamente pelas facilidades que proporciona e os comprometimentos graves e infelizes a que dão lugar depois do seu mau uso.

O dinheiro, tão disputado, é um artefato muito perigoso, porque, se favorece a prática do bem, também empurra a comportamentos nos escusos campos da desgraça moral e de outros aspectos.

A beleza é uma concessão cheia de gravames, porque, se não se apoia em elementos interiores de expressões morais, torna-se portadora de tragédia como a da Medusa...

A saúde é patrimônio sublime que deve ser preservada, porque também é transitória, e quando escasseia torna-se um tormento sem nome.

Reflexiona, pois, em tudo com que tens sido aquinhoado e abençoa as tuas horas com respostas de amor e de caridade, assinalando a tua passagem no mundo com a gratidão e a ternura.

* * *

Se renasceste com deficiência desses recursos a que nos referimos, oh! agradece a Deus o corpo desfigurado, os problemas complexos e inibidores, as decepções sofridas e o descaso experimentado, porque lograrás ser um herói, vencendo-te a ti mesmo pela glória da imortalidade em plenitude.

Reflexiona sempre, coração amigo, na alegria ou na dor, porque Deus está sempre contigo.

Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão da noite de 13 de maio de 2020, na Mansão do Caminho, em Salvador, Bahia.


15 novembro 2020

O triste pacote de erros - Cristina Sarraf

 
O TRISTE PACOTE DE ERROS

Toda ideia nova encontra resistência e objeções, sobretudo quando não dá apoio a paradigmas, hábitos e crenças arraigados. Normal. Até porque não é por ser nova que deve ser apoiada, e sim por renovar moralmente e melhorar os conceitos e a vida das pessoas. O Espiritismo insere-se nessa situação de novidade, no século XIX. Já estamos no XXI…

O caráter altemente renovador e inovador de ideias e modos de entender a vida, que o caracteriza, encontrou rapidamente, um contingente grande de pessoas ávidas por sair das injustiças sociais e do marasmo das obrigações religiosas, detentoras do medo da punição divina. Mas também encontrou inimigos ferrenhos, ostensivos e disfarçados, até mesmo em seu meio.

Gigantescas a dedicação e a convicção de Kardec. Gigantescas as dificuldades encaradas com coragem, dor e dedicadíssimo prosseguimento de sua tarefa, sem polêmicas, acusações ou arrefecimento. Avisado estava e confiou!

Mas o tempo da completa “revolução” das ideias ainda não havia chegado nem para os adeptos do Espiritismo e muito menos para a humanidade. Ainda não chegou… Mas 150 anos depois já se pode ver com clareza que um grande e elaborado desvio, aparentemente natural, engripou a divulgação dos Princípios do Espiritismo, em detalhes relevantes.

Tão relevantes que descaracterizaram exatamente o grande diferencial libertador trazido ao mundo pelo trabalho exaustivo de Kardec. Ou seja, a divulgação desse desvio deu a aparência de o Espiritismo ser um repetidor de conceitos religiosos já entranhados na sociedade, com pequenas mudanças de ideias e nomes; fazendo dos espíritas, no geral, pessoas crédulas, carregando uma espécie de canga nas costas, cheios de culpas, medo e hipocrisia. Exatamente o que Jesus apontou como condenável e o próprio Espiritismo veio substituir integralmente, mostrando a incoerência e o grande engodo de se pensar assim.

É o que chamo de “pacote de erros”. Ei-lo:

Deus tido como um ser, juiz condenador, pune e premia, intervêm na vida das pessoas, decidindo e escolhendo acontecimentos, conforme seja obedecido ou não;

Reencarnação não vista como nova oportunidade, mas sim, para pagar “pecados”, desobediências e erros de vidas passadas; quanto maior a dificuldades, maior o “crime” cometido;

corpo físico escolhido por outros Espíritos, conforme os erros;

muitos estão na última oportunidade para se tornarem bons ou serão punidos com a expulsão para um planeta inferior;

Evolução dependente da intervenção dos Espíritos bons e superires, e não uma conquista pessoal; deve-se ser perfeito, ou seja, fala-se do processo evolutivo individual, gradual e eterno, mas é uma espécie de conto de fadas, que não funciona, por causa do medo da punição aos erros;

Arbítrio livre para que se obedeça o que dizem ser as leis/regras estabelecidas por Deus, e jamais se questionar a vida ou querer ser livre, porque isso acarreta erros e punições cada vez maiores. Kardec: o arbítrio se desenvolve proporcionalmente ao desenvolvimento evolutivo de cada Espírito;

Causa e efeito/ação e reação como lei moral que não existe no Epiritismo, gerando o falso entendimento de um determinismo das leis de Deus, que sujeita os Espíritos a serem punidos na medida em que erram; resultando disso as culpas, conceito também ausente no Espiritismo, mas vivo nas religiões e subjugador de consciências. Kardec deixou bem claro: livre arbítrio e consequências naturais, proporcionais às nuances evolutivas de cada Espírito; nada de castigos e prêmios divinos;

Desconhecimento de que são os pensamentos que determinam a vida de cada um, por qualificarem fluidicamente o perispírito e criarem condições semelhantes no corpo físico; em seu lugar entra a obediência cega e medrosa, bem como o dever de seguir os líderes e autoridades, para não errar e ser punido com uma reencarnação de dificuldades, defeitos e sofrimento;

Perispírito tendo um cordão de prata que o liga ao corpo durante a encarnação, sendo que isso é só uma ilusão de ótica, quando o Espírito se afasta do corpo que dorme;

dificuldade dos Espiritos superiores em ajudar habitantes dos mundos inferiores, pois têm que sofrer por tempos para adensar seu perispírito;

Erros, culpas e desvios de rota marcam fisicamente o perispirito, deixando todos verem as dívidas do Espírito. Imperfeição moral é apenas falta de evolução;

Mediunidade como causa de caridade aos infelizes sofredores e maus; o portador trás culpas graves do passado; e quando utilizada em reuniões espíritas, diminui as dívidas do médium, privilegiado por Deus e os bons Espíritos; bons médiuns são intermediários apenas de bons e elevados Espíritos e suas mensagens são para serem adotadas e seguidas;

Desencarnados, os Espíritos culpados pagam duramente seus erros, com dores e sofrimentos físicos atrozes, passando longos períodos no umbral; espíritas estão mais aptos a ficarem equilibrados logo após a desencarnação; os Espíritos bons e elevados como Jesus, choram por causa de nossos erros e calamidades; sofrem por nós;

Pessoas dígnas, obedientes, temerosas a Deus, boas não são influenciadas por Espíritos mal intencionados e vingativos…

Cristina Sarraf
Fonte: Espiritismo na Rede

14 novembro 2020

Cultive esse Hábito - Momento Espírita


CULTIVE ESSE HÁBITO

Você faz o mesmo trajeto, todos os dias, de sua casa para o trabalho, para o estudo, ou para qualquer outra atividade?

Se a resposta é sim, faça um teste. Tente lembrar se, nesse trajeto, há árvores. E, mais, se essas árvores têm flores em alguma época do ano.

Novamente, se a resposta for sim, você lembra de que cor são essas flores?

Talvez alguns possam responder a essas perguntas dizendo que, no caminho para o trabalho ou estudo estão absortos em suas preocupações, e não é possível apreciar algo à sua volta.

Outros poderiam dizer que, preocupados com o trânsito, ao dirigir, não podem se distrair com a paisagem.

Na verdade, grande número de pessoas, imersas na rotina das grandes cidades fazem, da correria do dia a dia, uma forma de vida, e fecham-se em um mundo só seu.

Não há nada que nos impeça de contemplar plantas, praças e jardins da janela do carro ou do ônibus que usamos diariamente. Se estamos dirigindo, há sempre um sinal vermelho que nos permite olhar para os lados.

Muitas pessoas acreditam que o contato com a natureza só se dá em passeios de fim de semana ou nas viagens de ecoturismo. Dessa forma, acabam por não valorizar os momentos diários.

Na verdade, qualquer contato com plantas, seja em pequenos vasos, seja em amplos e belos jardins, seja em uma praça ou em um parque pode nos proporcionar prazer.

O perfume das flores pode nos trazer lembranças muito caras.

Cultivar plantas é um hábito extremamente saudável. Há estudos que mostram que a jardinagem pode auxiliar no controle de algumas doenças, como pressão alta e doenças cardíacas, por exercer um efeito relaxante.

O contato com a terra, a expectativa do crescimento e do florescer da planta, a beleza e o perfume de suas flores como recompensa exercem sobre o organismo do ser humano um efeito muito positivo.

Observações em pacientes de terceira idade, que se dedicam ao cultivo de plantas, têm mostrado melhora no comportamento e na socialização dessas pessoas, além de levá-las a praticar exercícios.

Pacientes com necessidades especiais mostram-se mais calmos e cooperativos, quando inseridos em uma atividade de plantio ou de colheita.

Infelizmente há quem diga que não quer cultivar plantas para não ter responsabilidades, ou porque não têm espaço em suas moradias.

Espaço, na verdade, não é problema. É claro que muitos desejaríamos poder morar em residências com amplos jardins para cultivar flores, gramados e árvores.

Mas, a vida moderna muitas vezes nos impõe moradia em apartamentos, não raras vezes sem espaço externo. Nem mesmo essa condição nos impede de ter vasos, por menores que sejam, com plantas ornamentais.

Para aqueles que quiserem, os orientais desenvolveram a técnica do bonsai, que significa literalmente árvore em bandeja, para transportar para dentro de suas casas pequenas árvores em miniatura. Uma verdadeira arte.

Se você não lembra da natureza que se mostra em seu trajeto diário, faça um teste. A partir de hoje, procure olhar para os lados. Com certeza você se surpreenderá.

Dedique-se a prestar atenção às emocionantes explosões de flores nos jardins, prados e bosques, como tapetes vivos e guirlandas de variadas cores para embelezar nosso ambiente planetário.

Integre-se às belezas do seu mundo e valorize-o. Afinal você é parte dele!

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 32, do livro Conduta Espírita, pelo Espírito André Luiz, psicografia de Waldo Vieira, ed. FEB e do cap. I, do livro Para uso diário, pelo Espírito Joanes, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter.

13 novembro 2020

Carta do Além - André Luiz

 
CARTA DO ALÉM

Minha irmã,

Estou feliz, quanto é possível, em minha situação de trabalhador que não aproveitou o dia.

Lastimo que o egoísmo de homem não me tivesse permitido receber as graças do Céu, que me coroavam o caminho.

Que fazer agora, senão ajoelhar-me de mãos postas e suplicar as bênçãos de Deus?

Estou aprendendo que não possuímos bem algum sem preparação, assim como o lavrador nada colhe sem dedicação à sementeira.

Por que razão é preciso morrer para ver?

Hoje reconheço que era um cego. Estou ligado a imensas responsabilidades, mas espero desobrigar-me delas com seu amoroso amparo. Continue brilhando na sua fé, porque seu devotamento para mim, hoje, é uma estrela a guiar-me na viagem.

Como é rápida a experiência humana! Ontem, projetos a se expandirem para o futuro, com a falsa convicção de que o corpo de carne superaria todos os obstáculos, hoje, porém, a ausência dele, com problemas enormes no espírito.

Tanto quanto pode estar feliz um aluno atrasado no curso repentinamente tocado pela boa vontade, vejo-me reconfortado para seguir adiante.

Graças a Deus refugia-me na fé quando a tormenta de recordações me fustiga a alma, e, desse modo, vou reconquistando as próprias forças para lutar na vida verdadeira.

Ah! Se eu pudesse recuar no tempo, como seria diferente a minha conduta! Somente aqui conseguimos aquilatar o tempo perdido na procura de fantasias brilhantes e, com lágrimas tardias, reconhecemos que muito poderíamos ter feito, no erguimento de nossa própria felicidade nas sendas eternas.

Feliz quem sabe renunciar e não espera a morte do corpo para confiar-se à própria renovação!

A verdadeira fortuna é justamente essa – a da alma que se consagra ao Senhor, buscando-lhe os divinos desígnios.

Continuemos beneficiando a todos.

Quando as nossas obrigações para com os nossos se acham cumpridas, a nossa casa é o mundo inteiro e a nossa Família é a Humanidade.

Hoje entendo que a vitória maior é sempre a daqueles que sabem confiar, amar, perdoar, ajudar e esperar.

Sem o espírito de amor e perdão, que Jesus nos legou, a caminhada para o Alto é difícil, quando não verdadeiramente impraticável.

Trabalhemos na plantação do bem. Nossos corações agora se dirigem para o novo lar sem a dor e sem a sombra, que invadem na Terra o santuário da afeição mais sublime.

E que o Senhor nos proteja sempre em nossos novos propósitos de renovação para a eternidade.

Pelo Espírito André Luiz
Do livro: Cartas do Coração
Médium: Francisco Cândido Xavier

12 novembro 2020

Devotamento e Abnegação - Orson Peter Carrara


DEVOTAMENTO E ABNEGAÇÃO

As duas virtudes são análogas. Parecem iguais, mas tem uma diferenciação peculiar. Uma busca no dicionário indica que Devotamento é grande empenho, com generosidade e sacrifícios em muitas ocasiões, entrega com desinteresse, entre outras. Já Abnegação indica ação com desprendimento e altruísmo, dedicação extrema em favor de uma causa, de uma pessoa, de uma iniciativa.

Aparentemente parecem iguais, mas há uma diferença fundamental. No devotamento, o agente, embora mobilizando suas capacidades internas, doa algo externo ao bem do outro, com empenho, dedicação e muitas vezes no sacrifício do próprio interesse, enquanto que na abnegação, o agente, embora mobilizando as mesmas capacidades, doa ao outro algo interno de si mesmo para o bem alheio. Aqui a dedicação é extrema, em sacrifício até da própria vida, se preciso.

É muito interesse porque ambas as virtudes muito se aproximam, mas são diferentes. E há um detalhe que impressiona ao raciocinar sobre elas: a abnegação emerge sem que desapareça o devotamento, pois aí elas passam a coexistir. O devotamento já é uma grande virtude, mas seu exercício faz surgir a abnegação, atributo ou conquista das grandes almas, que já compreendem a vivência plena do amor, pois que o bem alheio é colocado acima de qualquer condição. É para pensar, não é mesmo? Conseguimos já exercitar o devotamento?

Por Orson PeterCarrara
Fonte:
Kardec Rio Preto


11 novembro 2020

Paz Interior - Divaldo Pereira Franco


PAZ INTERIOR

Se desejarmos qualificar a questão de mais importância da existência humana, teremos algumas dificuldades em razão da diversidade das aspirações e daquilo que cada qual lhe atribui esse significado.

Eliminando-se os valores normalmente considerados de maior expressão, tais o dinheiro, o destaque social, o poder político ou de outra ordem, existem conquistas outras que proporcionam plenitude e nem sempre são detectadas pelos lutadores e ambiciosos.

Há incontáveis exemplos de indivíduos que se esfalfam por ganhar e projetar-se, que vivem enclausurados nos seus castelos de ilusão, procurando superar os outros, mesmo ao preço de muita amargura e desar.

Há aqueles que se cercam de admiradores da sua juventude venturosa, das suas façanhas algo estranhas, do seu nome nas redes sociais mais famosas, dando a ideia de que as suas são as jornadas mais fascinantes e invejáveis a que se deve aspirar...

Observamos, às vezes, pessoas idosas amarguradas, agressivas, instáveis emocionalmente, porque lhes parece haver perdido com a idade que acumularam os tesouros mais valiosos, tais o prazer sexual, as viagens coloridas, os jogos nas bolsas, o corre-corre instável dos juros que os reduziram a uma situação econômica desagradável.

Em outras ocasiões detectamos pessoas jovens umas e maduras outras, gananciosas e avaras, com os sentidos fixados nas situações relevantes da sociedade, tentando organizar família reluzente ou desfazerem-se da que possuem, para saltos mais audaciosos, vivenciando situações íntimas desesperadoras e sempre insatisfeitos com os próprios feitos, acompanhando com mágoa as glórias alheias.

Encontramos religiosos fanáticos que pretendem viver o esplendor dos Céus na Terra sofredora, assim como céticos que se aferram ao materialismo e vivem como se cada dia fosse o último, necessitando de fruí-lo ao máximo, consumindo-se em condutas extravagantes e com vazios íntimos como resultado de uma vida sem sentido e de breve duração...

Há de tudo na multidão humana sem rumo, assim como naquela que acredita ser a sua a melhor maneira de encarar os acontecimentos e a própria caminhada, vivendo entre contínuas aflições.

É relativamente pequeno o número de quem busca a paz interior, seja na posse ou na escassez, na saúde ou na enfermidade, na juventude louçã ou na velhice tranquila.

A paz interior é um tesouro que se encontra ao alcance de toda a Humanidade sem lutas atrozes nem correrias desnecessárias.

Sócrates sugeriu como caminho seguro o roteiro: Conhece-te a ti mesmo.

Jesus estabeleceu a conduta: Do que vos adianta salvar o mundo e perder-se a si mesmo?

E Allan Kardec propôs: Fora da caridade não há salvação.

Não acha que está na sua hora?

Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 15.10.2020.


10 novembro 2020

Cofre cheio. Apego material. Pandemia - Nilton Moreira

 
COFRE CHEIO. APEGO MATERIAL. PANDEMIA

Somos muito apegados à matéria. Aos bens materiais. Não suportamos a ideia de morrer e deixar tudo que acumulamos durante a vida em mãos de outros, e quando acumulamos mais e mais dizemos que é para deixar aos filhos. Será?

Certa ocasião, numa atividade mediúnica nos foi trazido para esclarecimento um desencarnado que possuía muitas terras, e mantinha num grande cofre de uma das suas fazendas soma substancial em ouro. O espírito fazendeiro embora não pertencesse mais a esta vida permanecia agarrado ao cofre, tentando abri-lo e se negava a seguir a trajetória na espiritualidade, situação esta difícil de ser resolvida, pois que ele não acreditava estar sem o corpo físico, e sentia-se como se estivesse sonhando.

Estas situações são comuns acontecerem por ocasião do passamento, pois infelizmente somos preparados para viver e esquecemos que temos um tempo de validade. Tomamos sempre por base o nosso tempo de permanência aqui na Terra pela idade das pessoas idosas, e durante a maior parte de nossa vida não nos preparamos para o passamento.

A maioria das crenças religiosas não aborda vida além-túmulo, informando aos seguidores que tudo termina com a morte e que entrarão num sono profundo de descanso até o juízo final. No entanto quem assim acredita se depara com uma realidade diferente.

Mesmo agora com essa pandemia que pode nos levar de uma hora para outra, a exemplo de outras doenças repentinas, não conversamos sobre o que devemos adotar de um momento para outro. A maioria reclama do distanciamento, do ter que conviver com máscara, e higienizar-se constantemente, mas não troca informações a respeito de ser acometido pela doença e ter de separar-se de seus bens e entes queridos num piscar de olhos.

Ser curado de qualquer moléstia tem a ver com merecimento. Uma doença que pode ser considerada fatal vem sempre para nos mudar a maneira de encarar a vida. Às vezes nos achamos pessoas boas por fazermos caridades, de distribuir alimentos, roupas, ou dar quantia em dinheiro. Esta é a caridade mais simples de realizarmos e os governantes fazem isso rotineiramente, pois dependem apenas de recursos. Existem outras caridades que ai sim são meritórias, como adoção de uma criança sem lar, cuidar um doente ou tratar bem um idoso. Não basta sermos caridosos materialmente, temos de sermos nos moldes que Jesus ensinou.

Uma palavra amiga ou um bom conselho também é caridade. Lembremos que Jesus procurava sempre levar uma palavra de consolo e quando praticava a cura sempre orientava a não pecar mais, isto é, deveria o doente que conseguia escapar de doença grave, modificar seu comportamento. Assim continua nos dias de hoje, pois a evangelização de Jesus não mudou.

Pensemos um pouco mais no que pode nos acontecer repentinamente e procuremos nos esclarecer, para não ficarmos agarrados ao cofre. Muita paz amigos.

Nilton Moreira
Coluna Semanal - Estrada Iluminada
Fonte:
Espirit Book


09 novembro 2020

Examinando o Sofrimento - Joanna de Ângelis


EXAMINANDO O SOFRIMENTO

Fugir da aflição!

Libertar-se da dor! Esquecer...

Esquecer que se sofre! – exclamam os simplistas que pensam em solucionar o magno e palpitante problema do sofrimento não o considerando, como se, ignorando a enfermidade e a dor, a dor e a enfermidade ignorassem o homem.

Muitos dos que se filiaram às diversas correntes religiosas do Cristianismo procuram, por processo de transferência, librar-se acima das águas tumultuadas do sofrer, orando e, na prece, exorando libertação gratuita, como se o papel da Divindade fosse o de arrolar solicitações e atendê-las indiscriminadamente, longe da consideração aos títulos característicos do mérito e do demérito.

Alguns, vinculados às correntes do materialismo filosófico ou científico, fogem em busca do prazer como se este, entorpecendo o caráter, pudesse anular a sede dos registros do passado culposo, libertando os infratores sem a regularização dos seus débitos.

E como o prazer não consegue atender a sede de gozo e o gozo da fuga, fogem, desvairados, para os labirintos das drogas estupefacientes, procurando, na consciência em desalinho e em exaltação, uma felicidade a que não fazem jus, uma paz que não merecem.

E o sofrimento – esse ignoto servidor da alma – continua imperturbável no afã de sacudir e despertar mentes, realizando o impositivo divino de reequilíbrio da Lei.

Reponta aqui e surge adiante, de mil formas, falando vigorosa linguagem que somente raros conseguem escutar e entender.

* * *

Zenão de Cítio, o filósofo grego do IV século antes de Cristo, contemplando o panorama de dor que se apresentava afligente em todo lugar, elaborou o estoicismo, através do qual o desdém às coisas materiais e o culto das virtudes seriam os meios únicos de promover o equilíbrio no homem, desse modo valorizado para vencer a dor, enfrentando-a com nobreza e fé.

Sócrates, o célebre pai da Escola maiêutica e considerado o maior filósofo da Humanidade, encarcerado pela intolerância do ignóbil julgamento dos Heliastas preceituava, mesmo da prisão, o culto da moral e da virtude para vencer o sofrimento, suportando com estoicismo a injusta posição.

Francisco de Assis, o pobrezinho, desdenhando todas as coisas da Terra, experimentou a zombaria e sofreu aflições sem nome, mantendo a força do amor no exercício das virtudes cristãs, como chave do enigma angustiante do sofrimento. E bendizia a dor!

Joana D’Arc, encarcerada por circunstâncias óbvias procurou escutar as suas vozes e, animada pelos amigos espirituais que a norteavam, suportou o cárcere, a humilhação e o opróbrio, queimada, após infamante e arbitrário julgamento, chamando por Jesus e superando a própria dor...

Sofrimento é alta concessão divina.

Dor é moeda de resgate.

Aflição é exercício para fixação do bem.

Sem eles ignoraríamos a paz, desconsideraríamos a alegria, maldiríamos a saúde.

Aquele que sofre está sendo aquinhoado com os exercícios–lições de fixação do bem nas telas mentais. No leito de dor, na cadeira de rodas, nas amarras ortopédicas; sob os acúleos morais, nos tormentos familiares, nos cipós limitativos das aspirações; no corpo, na mente, na alma; na família, em sociedade, no trabalho; onde esteja a arder e queimar a brasa do sofrimento, agradece a Deus a oportunidade sazonada de reaprender e reparar.

Considera que, enquanto doam as tuas chagas abertas, queimadas por ácidos destruidores, outros companheiros desavisados atiram-se impertinentes pelas sendas da irresponsabilidade, dirigidos por irrefreável loucura, e acalma-te, embora a tormenta que te vergasta...

* * *

Jesus, tendo elegido o sofrimento como amigo de todas as horas, ensinou-nos sem verbalismo nem retórica que sofrer é ser feliz, e em todos os instantes, sofrendo, exaltou o amor e a bondade como rota de iluminação, pacífico e excelso, prosseguindo imperturbável.

Mesmo que o teu céu esteja carregado de cúmulos em forma de dores e preocupações, e aparentemente te encontres amesquinhado por angústias ultrizes, caminhando em terrível soledade, levanta, estoico e cristão, a cabeça, descrispa as mãos e torna-as asas de amor para com elas louvar o Senhor no trabalho e no bem com os quais alçarás voo às regiões da liberdade após o resgate que o sofrimento te enseja. Recebe-o, pois, com amor e não desvaries.

Joanna de Ângelis
Divaldo P. Franco
Livro: Dimensões da Verdade - 7

08 novembro 2020

Mediunidade na criança e no jovem - Fátima Moura


MEDIUNIDADE NA CRIANÇA E NO JOVEM

Muito se tem falado em mediunidade e no bom uso dela, dentro e fora das Instituições espíritas e nós não podemos nos esquecer de que muitas crianças e jovens já apresentam sintomas bastante expressivos dessa mediunidade, ao chegarem para a evangelizações ou mesmo em tenra idade.

Na infância, as comunicações com espíritos acontecem muitas vezes com crianças bem pequenas que dizem poder ver e ouvir espíritos. Na maior parte dos casos, as crianças não se sentem amedrontadas ao visualizar presenças extracorpóreas e não conseguem entender como os pais ou outras pessoas à sua volta, não conseguem ver o que eles estão enxergando e o porquê.

A médium Yvonne do Amaral Pereira nos fala de casos interessantes sobre mediunidade na infância.

Com quatro anos de idade, a menina já dizia ver e ouvir espíritos, os quais, segundo ela, considerava como pessoas normais. Dois dos amigos invisíveis que apareciam com mais frequência a ela, eram Charles, a quem ela considerava seu verdadeiro pai, devido a lembranças que teria de uma encarnação anterior, em que ele teria sido seu pai e Roberto de Canalejas, que teria sido um médico espanhol em meados do século XIX.

Yvonne também dizia sentir muitas saudades de uma encarnação anterior, na Espanha. Considerava seus atuais familiares, principalmente o pai e os irmãos, como pessoas estranhas, e em razão desses conflitos, até os dez anos de idade passou a maior parte do tempo na casa da avó paterna.

Aos oito anos de idade, a menina viveu um episódio de catalepsia. Durante o sono, visitou uma imagem do Senhor dos Passos ouvindo da imagem, as seguintes palavras: “Vem comigo minha filha: será o único recurso que terás para suportar os sofrimentos que te esperam”. A menina, aceitando a mão que lhe era estendida pela imagem, subiu os degraus do altar e não se lembrou de mais nada.

É muito conhecido entre as crianças, o amigo invisível ou amigo imaginário. Hermínio de Miranda relata fatos realmente interessantes sobre o assunto em seu livro: “Nossos Filhos São Espíritos”, de forma lúdica e dinâmica.

Com o jovem não é diferente. Muitos necessitam trabalhar sua mediunidade paralelamente ao aprendizado absorvido nas Mocidades Espíritas, mas não encontram campo favorável. Tenho observado com tristeza que em muitas de nossas Casas, os jovens não têem acesso as mesas mediúnicas, ou porque são estimulados a estudar “ad aeternum”, nunca recebendo o aval de estarem aptos ou preparados pelos orientadores de mocidades ou porque as mesas já estão ocupadas pelos médiuns veteranos, só liberando espaço com a sua possível desencarnação.

Como o assunto é delicado e urgente, convido os dirigentes, responsáveis e orientadores de jovens a repensar essas colocações, para que encontremos possíveis soluções. A existência da mediunidade nos jovens e nas crianças é fato e nós não podemos ignorar esse assunto.

Fátima Moura
Fonte:
Correio Espírita

07 novembro 2020

A Violência Interior de todos nós - Ivan René Franzolim


A VIOLÊNCIA INTERIOR DE TODOS NÓS

A violência do mundo se combate com as armas do bem apontadas em nossa própria direção.

A palavra violência exprime todo pensamento, complementado ou não por palavras e ações, que exteriorize um sentimento contrário à lei do amor e da caridade. No mundo atual acompanhamos muitas vezes com o requinte de detalhes, as notícias e reportagens sobre os atos mais violentos da humanidade. Esse contato diário com os atos extremados do ser humano toma as pessoas mais insensíveis, levando-as a desconsiderar suas pequenas atitudes de violência, esquecendo de colocá-las no rol daquelas que devem sofrer o esforço de transformação no trabalho constante de auto-aprimoramento.

A propensão à violência é característica dos Espíritos vinculados ao planeta Terra, variando apenas quanto a intensidade e aos estímulos necessários para desencadear a ação violenta. Daí o "não julgueis", induzindo-nos pelo raciocínio, a buscarmos maior prudência ao julgar o próximo, porque não sabemos se guardamos em nosso íntimo o mesmo grau de violência que condenamos, esperando apenas as condições propícias para despertar.

Segundo o Espírito da Verdade (perg. 785), o maior obstáculo ao progresso moral é o orgulho e o egoísmo. Ambos caracterizam o sentimento ainda muito imperfeito que aliado à ignorância das leis naturais e seus mecanismos de atuação, originam as ações contrárias a essas mesmas leis constituindo a violência. Essa ignorância, no entanto, não nos exime de culpa e responsabilidade pelos nossos atos uma vez que a lei de Deus está escrita na consciência de cada um (perg. 621), permitindo ao homem discernir sobre o bem e o mal. As imprudências cometidas sem intenção negativa ou consciência perfeita da situação estariam livres de culpa (perg. 954), embora o Espírito mais adiantado se sinta naturalmente compelido a auxiliar àqueles envolvidos pela sua imprudência. (Consultar "O Livro dos Espíritos")

Devemos combater a nossa violência interior em todas as suas formas e intensidades, porque, com ela e através da Lei de Sintonia contribuímos para a sua manutenção entre nós. Muitas vezes achamos que não fazemos mal a ninguém (pelo menos diretamente), apesar de fazermos mal a nós próprios diariamente, agredindo nosso corpo com fumo, bebidas, remédios e alimentos inadequados ou exagerados, agredindo nosso campo emocional e psíquico com impaciência, irritação e pensamentos infelizes.

Parece lógico supor que os pequenos atos de violência sejam mais fáceis de eliminar e que o conjunto desses atos favorecem perigosamente o aumento gradativo da tendência de agir com violência. Logo, convém priorizar a eliminação das pequenas atitudes inconvenientes, bem como evitar que elas se transformem em hábitos, o que dificultaria sua constatação e eliminação pelo seu portador.

O conhecimento espírita oferece diversas medidas preventivas imprescindíveis para evitar que o sofrimento surja em conseqüência da lei de ação e reação. Eis alguns deles: fixar objetivos de aperfeiçoamento moral, conhecer melhor a si mesmo, enriquecer dia-a-dia o seu conhecimento espiritual, estimular continuamente o bem interior, trabalhar pelo seu auto-aprimoramento, fazer o bem, evitar o mal, orar.

Estando a evolução do homem subordinada ao relacionamento com outros seres, pode-se concluir que os atos de violência surgem do conflito entre pessoas. O remédio auxiliar para prevenir conflitos maiores é a busca da compreensão pela prática da empatia, procurando sentir o que sentiria se estivesse na situação e circunstâncias experimentadas por outra pessoa. Este exercício proporciona ótimos resultados, mas requer muita boa vontade para desempenhar o papel de advogado de defesa, inclusive especulando sobre os possíveis componentes espirituais que possam estar influenciando o contexto analisado.

A consciência das dificuldades do processo de melhoria interior não deve ser causa de desânimo e sim de desafio a ser vencido. O fato de se possuir algum conhecimento das leis naturais não assegura a ninguém manter um comportamento equilibrado. É preciso entender, aceitar, enfrentar situações difíceis utilizando o conhecimento, para reavaliar os resultados num ciclo que se repete indefinidamente. No início nem nos lembramos do conhecimento ao começarmos uma ação violenta, mas temos a chance de identificá-lo e analisá-lo depois. A prática dessa conduta leva a um estágio mais adiantado, em que a exata consciência de estar procedendo mal surge no meio da ação, possibilitando algum reparo antes de sua finalização. O estágio seguinte permite detectar a tendência para agir negativamente antes de tomar qualquer atitude. No último estágio conseguimos responder automaticamente com boas ações e pensamentos, aos estímulos recebidos.

Existe a influência das ondas de pensamentos com as quais nos sintonizamos segundo o princípio que o semelhante atrai o semelhante, fortalecendo os pensamentos e sentimentos próprios da faixa vibratória em que nos situamos.

O Espiritismo oferece os meios para aceleração do sistema natural de evolução, exigindo, porém, vontade firme, melhoria contínua do conhecimento e prática incessante do bem. Ao absorver e procurar adotar o conhecimento espírita, o homem acerta as bases racionais do seu intelecto facilitando o trabalho de transformação dos seus impulsos emotivos inferiores.

O exame de consciência periódico é instrumento útil, não só de identificação dos erros cometidos, mas também como registro dos acertos e sucessos obtidos visando alimentar a motivação necessária para a continuidade da tarefa de melhoria interior. Tudo isso o homem pode fazer com o governo consciente de sua vida. Nada melhor do que poder conduzir com segurança a própria trajetória rumo à realização plena. É hora de agradecer a oportunidade e trabalhar pela própria felicidade.

Ivan René Franzolim
Fonte:
Espiritualidade e Sociedade

06 novembro 2020

A dor em nossas vidas - Mauro Falaster


A DOR EM NOSSAS VIDAS

Do ponto de vista espiritual, a dor transforma. No entanto, tal transformação vai depender de como vivemos a dor.

Passar incólume ao sofrimento é a grande meta que todos perseguem, ou, ao menos, diminuir-lhe a intensidade.Temos uma visão imediatista, interessa-nos o hoje, sem visão do futuro. Assim, o sofrimento tem sido considerado vingança ou castigo divino.

A dor pode ter causas em vidas anteriores quando violamos as leis de Deus, ou nessa vida, quando de forma invigilante caímos nas armadilhas de nossa imprevidência, orgulho ou ambição e, por conseqüência, sofremos imediatamente ou acumulamos novos débitos para o futuro.

Tudo gerado pelo nosso mal proceder.
Você já parou para pensar na razão da existência da dor, do sofrimento, em nossas vidas? Talvez num daqueles momentos de extrema angústia, em que o coração parece apertar forte, você tenha pensado em Deus, na vida, e gritado intimamente: por quê?! Isso porque, não a entendemos e não nos achamos merecedor dela.

O sofrimento pode e deve ser considerado uma doença da alma, onde optamos pelas direções e ações que produzem desequilíbrio.

Nessa fase, todo um emaranhado de paixões primitivas impulsiona o ser na direção do gozo, sem ética ou sentimento superior, e o leva aos conflitos que geram a desarmonia das defesas orgânicas, as quais cedem à invasão de micróbios e vírus que lhe destroem a imunidade, instalando-se, insaciáveis, devoradores da saúde.

Como podemos ver, o sofrimento não é imposto por Deus, constituindo-se eleição de cada criatura. Fugir, escamotear, anestesiar o sofrimento são métodos ineficazes. Pelo contrário, uma atitude corajosa de examiná-lo e enfrentá-lo representa valioso recurso para sua superação e propiciador de paz.

As reações de ira, violência e rebeldia ao sofrimento mais o ampliam, pelo desencadear de novas desarmonias em áreas antes não afetadas.

Pode-se dizer, portanto, que a sua presença resulta do distanciamento do amor, que lhe é o grande e eficaz antídoto.

DOR

Ela se revela a cada um de modo diferente, mas a todos visita.
  • Os pobres sofrem pela incerteza quanto à manutenção de sua família.
  • Os doentes experimentam padecimento físico.
  • Os idealistas se angustiam pelo bem que tarda em se realizar.
  • Os ricos que tudo podem possuir, não conseguem comprar a felicidade, a saúde e a paz.

Qualquer que seja a posição social de um homem, ele vive a experiência do sofrimento. A universalidade da dor chama a atenção dos homens para o fato de que são essencialmente iguais.

NECESSIDADE DA DOR

A dor é, ao mesmo tempo, um problema para os seres humanos e um termômetro indispensável para a nossa proteção dos perigos, riscos, acidentes e mesmo das doenças. Que paradoxo! Pensar que o mesmo sintoma que indica uma doença é também a nossa salvação. A dor informa.

E, do ponto de vista espiritual, a dor transforma. No entanto, tal transformação vai depender de como vivemos a dor.

A dor, fere-nos, corrige-nos como a mãe corrige o filho para educá-lo, melhorá-lo e para torná-los dóceis.

A dor é o remédio amargo que desperta no ser a necessidade de transformação. Mas, a dor será sempre proporcional ao estrago que fizermos em nós mesmos pelo mau uso do nosso livre-arbítrio.

Ninguém, sofre sem merecer. Se sofre muito é porque erra ou errou muito. Se soubéssemos por que sofremos, o mundo seria mais ditoso.

Sua serenidade perante a dor fará com que outros repensem a forma com que vivem.

CONCLUSÃO

Seja forte e corajoso. Não se deixe vencer pela dor, pelas dificuldades, pela doença. Procure entender o significado dos seus sofrimentos. Nunca se esqueça que é filho de Deus e Ele não desampara nenhum de seus filhos.

Coragem, bom ânimo e refúgio na prece são nossas melhores armas no momento de dor.

Mauro Falaster 
Palestrante e monitor na Nova Era

05 novembro 2020

Vamos falar de posvenção? - Wellington Balbo


VAMOS FALAR DE POSVENÇÃO

É chamado de posvenção os cuidados e atenções dedicados aos familiares e amigos de alguém que interrompeu a existência ao cometer o suicídio.

O suicídio é um evento traumático e que atinge um bom número de pessoas que estão no entorno de quem cometeu o ato. É algo que marca familiares e amigos pela vida toda. Na questão que envolve a morte, o que a torna mais ou menos dolorosa é o seu contexto. Uma coisa é a partida de um ente querido por doença de longo curso. Outra coisa é a morte por suicídio.

Portanto, quando se fala em posvenção, está, também, tratando do tema prevenção, pois cuidar dos enlutados, dedicar-lhes atenção, é prevenir outros suicídios e diminuir a dor da família e amigos abalados pelo contexto da morte do familiar.

Por isso, diante do preâmbulo e de como a posvenção é uma prática significativa, escrevo aos amigos espíritas para compartilhar ideias que surgiram após a pesquisa de campo que venho realizando há alguns anos sobre a referida temática.

Quero aqui falar sobre os cuidados ao abordar os familiares e amigos enlutados e que, por questões naturais, haja vista que o Espiritismo aborda muito bem os temas referentes à vida e à morte, procuram o centro espírita para receber o tão esperado consolo e paz ao coração.

Compreendo a boa vontade de alguns amigos espíritas que, ao se depararem com familiares enlutados pelo suicídio de algum afeto, indicam a literatura espírita como bálsamo à alma. De fato, por ser consolador, o Espiritismo tem em sua literatura bons livros para serem indicados no trabalho de posvenção.

Contudo, alguns livros espíritas podem causar mais mal do que bem ao familiar enlutado, e é neste ponto que o espírita deve prestar bem atenção. Livros que trazem alta carga de dramaticidade, com relatos dolorosos dos Espíritos que cometeram o ato do suicídio devem ser evitados, assim como deve ser evitada aquela visão muito próxima do inferno católico, vale dos suicidas e tantas outras coisas que podem causar dor ao familiar enlutado.

Antes de sugerir alguma leitura ou de proferir frases de efeito, recorde-se que você está atendendo alguém que passa por uma dor muito grande que é a do luto pelo suicídio. Lembre-se, portanto, que o objetivo é acalmar o familiar ou amigo e não assustar.

No trabalho de posvenção é importante destacar o Espiritismo que valoriza a vida e a esperança, a mostrar que não há penas eternas e nenhum Espírito está perdido, sem o amor de Deus.

Este perfil de consolo e esperança necessita ser trabalhado para que as famílias enlutadas vejam que apenas o corpo morreu, mas o Espírito é imortal, o que, certamente, ao menos diminuirá a dor pela forma da partida e a natural saudade advinda da separação, além de, é claro, colaborar para que outros suicídios não venham a ocorrer no seio da família enlutada.


Wellington Balbo
Fonte:
Agenda Espírita Brasil


04 novembro 2020

Pandemia do Desamor - Divaldo Pereira Franco


PANDEMIA DO DESAMOR

Passando os olhos pelo Facebook, um título chamou-me a atenção: “Jovem empurra namorada ao ônibus”.

A moça tomba quase que sob as rodas do veículo, mas salvou-se, levantando-se e buscando auxílio.

O mais impressionante foram a frieza e desfaçatez do psicopata, que tentou abraçá-la como se nada houvesse acontecido... Ela saiu manquejando.

Não me havia superado a emoção derivada do ato perverso, quando encontrei mais duas cenas equivalentes: dois novos pares caminhando, e os companheiros, ante aproximação de ônibus, empurram suas respectivas companhias, tornando o odiento crime como tentativa de homicídio algo banal.

A perda da sensibilidade humana está chegando a um ponto que ultrapassa os mais estranhos comportamentos.

Como se pode estar ao lado de alguém cuja atenção afetiva foi despertada e ao mesmo tempo ser detestada, ao limite de ser cometido um crime com todas as características da perversidade e da indiferença. O mais surpreendente é a ausência de sentimento de humanidade, num momento em que o amor pelas florestas e pelos animais atinge índices os mais elevados que se pode imaginar.

Repassamos mentalmente os hediondos crimes do nazismo e equivalentes no mundo, quando as pessoas eram assassinadas como insetos danosos que não faziam parte do concerto social.

A pandemia da Covid-19 preocupa a humanidade que ainda lhe sofre o aguilhão cruel e destruidor, enquanto as criaturas atormentam-se pelo medo dos relacionamentos domésticos, das agressões e enfrentam insensivelmente “paredões” e semelhantes, nos quais o contágio se torna volumoso e suicida, ampliando os quadros dos contaminados e dificultando o seu desaparecimento.

O ser humano, infelizmente, permanece o lobo devorador da velha tradição, para o qual o sentido da vida é o prazer servil, filho especial do egoísmo alucinado.

A decadência da ética moral, substituída pelas paixões amesquinhantes, exibida nos campeonatos da luxúria e da agressividade, vem governando, cada dia, o homem e a mulher, que se transformaram em objeto de prazer, a prejuízo da nobreza do caráter, dos sentimentos de solidariedade e da cultura tecnológica, que proporciona comodidades e bem-estar.

Os instintos que lhes predominam ainda se encontram nas fases básicas do comer, dormir e reproduzir-se, sem o acompanhamento luminoso e libertador das emoções superiores, que respondem pelas aspirações da inteligência.

Numa comparação estranha, a epidemia de desamor e a que diz respeito à saúde física, a Covid-19 parece menos danosa, porque a ciência médica vem vencendo-a com larga margem de triunfo, enquanto o crime de toda espécie domina imensa fatia da sociedade em desespero malcontido.

Artigo de Divaldo Pereira Franco
Publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 01/10/2020

Fonte: Intelitera
 

03 novembro 2020

Esquecimento do Petérito - Joanna de Ângelis


ESQUECIMENTO DE PRETÉRITO

Conquanto estejas informado a respeito da ação do passado sobre o presente, deixas-te dominar quase sempre por dúvidas atrozes que espezinham tuas convicções, fazendo-te sofrer.

Conjecturas quanto ao esquecimento que acompanha o espírito na reencarnação, e supões que esse olvido, de certo modo se faz obstáculo ao discernimento entre amigos e adversários da tua felicidade.

Seria mais justo que, assim pensas, em momentos de rudes provanças, os centros da memória anterior fossem libertados e a censura que frena as recordações deixasse fluir os rios do conhecimento de modo a agires com acerto.

Confessas intimamente o tormento que te consome por caminhares sem o conhecimento do destino, tendo em vista a ignorância do pretérito, assinalando desolação e dor.

E concluis, apressado, que a reencarnação, em tais bases, não expressa condignamente o amor de Nosso Pai, afirmando que, em ti mesmo não encontras, na memória, os fundamentos que favoreçam a segurança que gostarias de possuir para levares de vencida a experiência evolutiva.

Pensas, e no entanto desconheces a mecânica do raciocínio a nascer nos centros cerebrais.

Ages sob impulsos desconhecidos, e ignora a razão deles.

Vives governado por automatismos fisiológicos que te mantém a harmonia orgânica sem lhes conheceres a procedência...

....Vês, ouves, sentes, falas, distingues gostos, no que se refere aos débeis órgãos dos sentidos físicos sem indagações, sem exigências e, todavia, deixas-te conduzir tranqüilamente.

Observa a dificuldade que experimenta uma criatura excepcional aprendendo a falar, comer, controlar os movimentos...

Entenderás, então, que se não te é lícito recordar o passado, a outros espíritos mais esclarecidos e fortes que o teu é permitido navegar no oceano das recordações com alguma segurança e naturalidade....

Ao invés de castigo, o esquecimento das vidas passadas é dádiva celeste.

Desejarias identificar os sicários da tua paz e os cooperadores da tua alegria. Examina, no entanto, as afinidades, considera as emoções junto aos que te cercam, medita e conclui com o auxílio do tempo.

Abre, todavia, os braços, a quantos se acercam de ti, procurando envolvê-los nas vibrações do entendimento e da cordialidade, para fruíres afeição e simpatia.

* * *

Encontras obstáculos afetivos no lar entre os membros da família e experimentas, não raro, asco senão revolta por aqueles a quem deverias amar nas amarras do sangue.

Reações indomáveis, a se manifestarem como animosidade, alquebram o teu ânimo em casa, levando-te a desesperos e atritos lamentáveis.

Acalentas, ou és vítima de idiossincrasias, senão aversões, por filhos ou irmãos, lutando tenazmente por vencer a força negativa que te assoma na presença deles, sem resultados positivos.

A estada na intimidade doméstica se constitui penoso período, encontrando, todavia, motivos de júbilos sob tetos alheios...

....E desejarias recordar o ontem!...

Se em ignorância quanto ao mal que te hajam feito, eles os teus familiares, te sentes incapaz de fitá-los, entendê-los, ajudá-los e amá-los, oferecendo-lhes compreensão e simpatia, como te portarias se, na filha revel identificasses antiga companheira que o adultério arrastou, no irmão consangüíneo o destruidor do antigo ninho de venturas que o tempo não consumiu, no pai ou mãe, no filho ou noutro parente o arquiteto da tua ruína ou a vítima da sua sandice?

Esquecer o mal para agir com acerto é luz de amor na lâmpada da oportunidade.

Ignorar os maus para ajudá-los, significa ensejar-lhes, com igualdade de condições, ocasião de repararem os males que tenham praticado.

Lutar contra a antipatia, procurando ignorar as causas da aversão representa valioso esforço de libertação íntima.

Considerando a pequenez e a inferioridade moral de quantos se encontram na Terra, o abençoado Hospital-Escola para os recalcitrantes, os Excelsos Promotores dos renascimentos fazem que a mente espiritual mergulhe no olvido, a fim de que as lembranças dos atos infelizes não os enlouqueçam e as evocações abençoadas não os paralisem em recordação insensata ou improfícua.

* * *

Jesus, o Egrégio Coordenador da Vida na Orbe, lecionando sobre a necessidade do bem atuante, não poucas vezes exortou ao amor puro e simples com o esquecimento do mal, para que este não se corporificasse em sombra tenebrosa acompanhando nossa consciência. E desejando imprimir com sulcos profundos o ensino sublime, conclamou os que O seguissem a duplicar a bondade em relação aos que nos peçam algo, mandando oferecer a outra face ao agressor para que não fôssemos os promotores do mal ou vitalizadores da impiedade.

E assim o fez por conhecer o abismo que a ignorância da verdade representa e a balisa de luz que significa o amor no caminho da evolução, amor que nos faz esquecer o mal para somente nos lembrarmos do bem...

Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco
Livro: Dimensões da Verdade - 11


02 novembro 2020

Cemitério no dia de Finados - Rudymara


CEMITÉRIO NO DIA DOS FINADOS

O hábito de visitar os mortos, como se o cemitério fosse sala de visitas do Além, é cultivado desde as culturas mais remotas. Mostra a tendência em confundir o indivíduo com seu corpo. Há pessoas que, em desespero ante a morte de um ente querido, o “visita” diariamente. Chegam a deitar-se no túmulo. Desejam “estar perto” do familiar. Católicos, budistas, protestantes, muçulmanos, espíritas – somos todos espiritualistas, acreditamos na existência e sobrevivência do Espírito. Obviamente, o ser etéreo (espírito) não reside no cemitério.

Muitos preferem dizer que perderam o familiar, algo que mostra falta de convicção na sobrevivência do Espírito. Quem admite que a vida continua jamais afirmará que perdeu alguém. Ele simplesmente partiu. Quando dizemos “perdi um ente querido”, estamos registrando sérios prejuízos emocionais. Se afirmarmos que ele partiu, haverá apenas o imposto da saudade, abençoada saudade, a mostrar que há amor em nosso coração, o sentimento supremo que nos realiza como filhos de Deus. Em datas significativas, envolvendo aniversário de casamento, de morte, finados, Natal, Ano Novo, dia dos Pais, dia das Mães, sempre pensamos neles.

PODEMOS CHORAR? Podemos chorar, é claro. Mas saibamos chorar. Que seja um choro de saudade e não de inconformação e revolta. O choro, a lamentação exagerada dos que ficaram causam sofrimento para quem partiu, porque eles precisam da nossa prece, da nossa ajuda para terem fé no futuro e confiança em Deus. Tal comportamento pode atrapalhar o reencontro com os que foram antes de nós. Porque se eles nos visitar ou se nós os visitarmos (através do sono) nosso desequilíbrio os perturbará. Se soubermos sofrer, ao chegar a nossa vez, nos reuniremos a eles, não há dúvida nenhuma.

ENTÃO OS ESPÍRITAS NÃO VISITAM O CEMITÉRIO? Nós espíritas não visitamos os cemitérios porque homenageamos os “vivos desencarnados” todos os dias. Mas a posição da Doutrina Espírita, quanto as homenagens (dos não espíritas), prestadas aos “MORTOS” neste Dia de Finados, ao contrário do que geralmente se pensa, é favorável, DESDE QUE SINCERAS E NÃO APENAS CONVENCIONAIS. 
 
Compilação de Rudymara retirada de respostas de Richard Simonetti / Divaldo Franco


01 novembro 2020

Perdoar. Esquecer é mais difícil - Nilton Moreira


PERDOAR. ESQUECER É MAIS DIFÍCIL

Existe uma grande diferença em perdoar e do ato de esquecer. Acreditamos que é menos difícil perdoar do que esquecer, pois é comum dizer-se “quem leva o tapa nunca esquece”. De fato é tarefa complicada.

Tem um parente meu que o considero muito, e ele sempre diz “eu nunca faço a primeira ofensa”. É muito importante isso, pois constato que esta pessoa já atingiu um grau de evolução, mas como se comportará depois de ser ofendido?

Sabemos que existem pessoas que não estão nem ai para evolução moral ou conduta correta. Querem mesmo é ofender, passar por cima dos outros sem a mínima consideração. É destas pessoas que devemos nos cuidar, pois como estão acostumadas a estarem envoltas em energias ruins não se preocupam com a língua ou atitudes maldosas.

Mas no momento que somos ofendidos a tendência é revidarmos, pois é uma questão de autodefesa que nos acompanha desde o tempo que dispúnhamos apenas o instinto, embora após algum tempo constatemos que aquela energia péssima que nos envolveu não deve continuar conosco, motivo pelo qual devemos então pensar no perdão, já que a ofensa não partiu de nós.

Então vem o momento de trabalharmos o perdão, que não é fácil, mas com dedicação e muita meditação, vamos conseguindo. Mas repito: não é fácil! Pode demorar dias, meses, anos ou até nem acontecer nesta vida, mas se conseguirmos perdoar o que nos foi feito, temos então de tentarmos esquecer o acontecido.

Isso é mais difícil, pois embora tenhamos a capacidade de minimizar a lembrança da ofensa, calúnia, ou lá o que, sempre fica um resíduo em nossa mente do fato, e volta e meia comentamos com alguém ou até mesmo nos pegamos pensando, e isso nos reporta a um momento de energia muito prejudicial ao organismo.

Jesus sabendo da difícil tarefa de perdoar, respondeu dizendo que o deveríamos praticar setenta vezes sete, isto é, indefinidamente.

Mas não nos preocupemos de quantas vezes vamos lembrar o acontecido, o importante é que cada momento que aquela energia ruinzinha venha à mente, lembremos o Mestre, e perdoemos novamente. Esse é um exercício que vai de encontro ao que Ele falou. Agindo assim aquilo que nos fizeram vai ficando cada vez mais longe, e certamente ao longo do tempo quase nem lembraremos mais.

Não podemos sair desta vida levando conosco um rancor de uma pessoa que muitas vezes nem lembra o mal que causou, e que certamente terá de prestar contas ao Criador num futuro próximo ou até mesmo nesta existência, mas nós, não carregando o rancor estaremos livres do contato com o ofensor em outra vida, pois o liberamos de resgatar algo conosco.

Exercitemos o perdão setenta vezes sete, e tentemos esquecer, e certamente ficaremos livres. Energia a todos.


Nilton Moreira
Coluna Semanal - Estrada Iluminada
Fonte:
Espirit Book