Total de visualizações de página

07 outubro 2010

Caridade e Esperança - Emmanuel

Caridade e Esperança

Lembra-te da esperança para que a tua caridade não se faça incompleta.

Darás ao faminto, não somente a côdea de pão que lhe mitigue a fome, mas também o carinho da palavra fraterna, com que se lhe restaurem as energias.

Não apenas entregarás ao companheiro, abandonado à intempérie, a peça que te sobra ao vestiário opulento, mas agasalha-lo-ás em teu sorriso espontâneo a fim de que se reerga e prossiga adiante, revigorado e tranqüilo.

Não olvides a paciência divina com que somos tolerados a cada hora.

Qual acontece ao campo da natureza, em que o Sol mil vezes injuriado pela treva, mil vezes responde com a bênção da luz, dentro de nossa vida, assinalamos a caridade infinita de Deus, refazendo-nos a oportunidade de servir e aprender, resgatar e sublimar todos os dias.

Não te faças palmatória dos próprios irmãos, aos quais deves a compreensão e a bondade de que recebes as mais elevadas quotas do Céu, na forma de auxílio e misericórdia, em todos os instantes da experiência.

Não profiras maldição nem espalhes o tóxico da crítica, no obscuro caminho em que jornadeiam amigos menos ditosos, ainda incapazes de libertarem a si mesmos das algemas da ignorância.

Recorda que Jesus nos chamou à senda terrestre para auxiliar e salvar, onde muitos já desertaram da confiança no eterno bem.

Seja onde for e com quem for, atende à esperança para que o mundo conquiste a vitória a que se destina.

Aliviar com azedume é alargar a ferida de quem padece e dar com reprimendas é envolver o socorro em repulsivo vinagre de desânimo ou desespero.

À maneira de raio solar que desce à furna cada manhã, restaurando o império da luz, sem reclamação e sem mágoa, sê igualmente para os que te rodeiam a permanente mensagem do amor que tudo compreende e tudo perdoa, amparando e auxiliando sem descansar, porque somente pela força do amor alcançaremos a luz imperecível da vida.

De "Caridade" Espírito deEmmanuel Médium: F. C. Xavier - Espíritos Diversos

06 outubro 2010

Dupla Renovação - Emmanuel

DUPLA RENOVAÇÃO

"Época de transição", esta é a legenda que repetis freqüentemente para definir a atualidade terrestre, em que surpreendeis, a cada passo, larga fieira de ocorrências inusitadas.

Conflitos.
Desencarnações em massa.
Acidentes enlutando almas e lares.
Desvinculações violentas.
Dramas no instituto doméstico.
Processos obsessivos, culminando com perturbações e lágrimas.
Moléstias de etiologia obscura.
Incompreensões.

Forçoso observar, no entanto, que o Plano Físico e o Plano Espiritual que se lhe segue reagem constantemente um sobre o outro. Criaturas desencarnadas atuam no ambiente dos companheiros desencarnados e vice-versa. E se vos reportais ao término do segundo milênio de civilização cristã em que vos achais, com a expectativa e o entusiasmo de quem se vê à frente de uma era nova, as mesmas circunstâncias se verificam na Espiritualidade, entre aqueles que aspiram a obter o retorno à Terra, expressando propósitos de autoburilamento em nível mais alto de evolução.

E por isto que legiões enormes de irmãos, domiciliados no Mais Além, vêm solicitando, desde algum tempo, reencarnações difíceis; testemunhos acerbos de aperfeiçoamento íntimo; tempo curto no veículo físico, de modo a complementarem tarefas inacabadas em diversos setores da experiência humana; presença ligeira, junto de seres queridos, a fim de chamá-los à consideração da Vida Superior; ou empreitadas de serviço moral para a liquidação de empreendimentos redentores, largados por eles nos caminhos do tempo.

Para isso, tentam aproveitar-se da última vigésima parte do segundo milênio, a que nos referimos, para encerrarem o balanço das experiências menos felizes que lhes dizem respeito nos séculos últimos.

Perante a Vida Maior, quase tudo aquilo que vedes, presentemente, em matérias de agitação ou desequilíbrio, nada mais significa que a movimentação mais intensa de vastas coletividades que retornam à Esfera Física, em regime de urgência, no intuito de conseguirem retoques e meios com que possam abordar os tempos novos em condições mais dignas de trabalho e progresso.

Mantenhamo-nos prudentes, abstenhamo-nos de agravar dificuldades, evitemos a formação de problemas, orando e construindo, seja nos obstáculos que nos atinjam, sejam nas inquietações que assaltem aos outros. Mas sejam quais forem as circunstâncias, estejamos atentos à fé para servir e compreender, reconhecendo que todas as provas de hoje são recursos e instrumentos de que se vale a Providência Divina a fim de conduzir-nos à Vida Melhor de amanhã.

Pelo Espírito Emmanuel
Do livro: Diálogo dos Vivos
Médium: Francisco Cândido Xavier e J. Herculano Pires

05 outubro 2010

Avaliação de Tarefas - Marco Prisco

AVALIAÇÃO DE TAREFAS

Estabeleça um programa de periódica avaliação dos seus atos, a fim de examinar com acerto como decorre sua vida.

O tempo não pára, desenvolvendo-se dentro de uma medida harmônica, incessante.

Aprenda a usá-lo com sabedoria.

A hora se repete, dentro, porém, de outras circunstâncias.

A terra improdutiva é problema do abandono que lhe dá o proprietário.

O charco pútrido é questão de desprezo por parte do agricultor.

Examine o que você tem feito do solo do seu coração e da terra da sua mente.

Contendas e querelas refletem paixões perniciosas e ociosidade da ação.

Toda colheita responde pela sementeira realizada.

Utilize melhor a oportunidade.

Caminhos em sombra e impérvios dispensam maldições, requerendo luz e correção do piso.

A estrada fala do trânsito que suporta.

Aplique corretamente as energias.

Muita movimentação, pouca produtividade na tarefa.

Trabalhador agitado, rendimento precário.

Organize o mapa de serviços e aja com ordem.

Congele a mentira e a calúnia nos ouvidos, não as passando adiante.

As palavras insensatas ateiam lamentáveis incêndios em mentes e corações fracos.

Manipule seu tempo, objetivando rendimentos superiores.

O que você não puder fazer, evite censurar.

A crítica honesta soluciona o problema; a viciosa agrava-o.

Exercite seus sentimentos, ajudando sempre.

Os heróis e missionários merecem acatamento e respeito.

Siga-lhes os exemplos, aprendendo com eles otimismo e perseverança no bem.

A admiração que nada produz é adorno inútil.

Anote os seus compromissos diários e revise o que logrou atender, ao chegar a hora do repouso noturno. Seja exigente com seus erros e desculpe os dos outros.

O que você não pôde fazer, que o não desanime; o que você fez mal, que o não perturbe.

Avalie a sua produção e renove-se, recomeçando os deveres amanhã com o mesmo alento e disposição de hoje.

Marco Prisco Beja, Portugal, 11/08/1980 Do livro "Roteiro de Libertação" De Divaldo P. Franco - Espíritos diversos

04 outubro 2010

De Lá Prá Cá - Emmanuel

DE LÁ PRÁ CÁ

Ninguém julgue que a morte represente salvo-conduto para a beatitude celeste.

Muitas existências em que o programa do bem padece frustração pela nossa rebeldia ou indiferença somente recolhem, depois do túmulo, a aflitiva purgação de nossos erros deliberados.

O inferno mental estabelecido por nós, dentro de nossas próprias almas, exige-nos o retorno à matéria densa para que as chamas do remorso ou do arrependimento se apaguem ao contato de novas lutas . . .

Aqui, é o usuário que deseja desvencilhar-se da obsessão do ouro usando a túnica da pobreza.

Ali, é o tirano que se propõe a aprender humildade nas linhas do anonimato e da angústia.

Mais além, é o delinqüente que suspira por reencontrar as vítimas de omtem a fim de resgatar os débitos contraídos.

Na conquista, porém, do recomeço, é indispensável se esforcem com devotamento e renúncia, por alcançar a reencarnação que os investirá na posse da oportunidade pretendida.

Para isso, empenha-se em rasgos de sacrifício, plantando entre os encarnados a bênção da simpatia, o indispensável passaporte para a estação do lar humano, em que se renovarão, à frente do progresso.

Eis porque, a experiência na Terra não representa mera aventura da alma e sim precioso tempo de aprendizado e serviço que não devemos menosprezar.

Pela instrumentalidade do Plano Físico, reaproximamo-nos de antigas dificuldades ou de passados desafetos para que a obra do amor se reajuste e se consolide, conosco e junto de nós.

Não menoscabes o ensejo de elevação que a atualidade te confere.

A máquina fisiológica em que provisoriamente estagias pode ser uma escada para a esfera superior ou declive sutil para regiões expiatórias, dependendo de ti fazê-la degrau para a luz ou novo salto ao despenhadeiro da sombra.

Valoriza a existência terrestre e caminha para diante, convertendo a luta redentora em recursos de ascensão.

Recorda que o tempo é o mordomo fiel da vida e se a Bondade do Senhor ter concedeu para hoje a riquesa do corpo físico, a justiça dEle mesmo, espera-te, amanhã, para a conta imprescindível.

Pelo Espírito Emmanuel
Do livro: Atenção
Médium: Francisco Cândido Xavier

Sociedade - Emmanuel

SOCIEDADE

A sociedade humana pode ser comparada a imensa floresta de criações mentais, onde cada espírito, em processo de evolução e acrisolamento, encontra os reflexos de si mesmo.

Aí dentro os princípios de ação e reação funciona exatos.

As pátrias, grandes matrizes do progresso, constituem notáveis fulcros da civilização ou expressivos redutos de trabalho, em que vastos grupos de almas se demoram no serviço de auto-educação, mediante o serviço à comunidade, emigrando, muita vez, de um país para outro, conforme se lhes faça precisa essa ou aquela aquisição nas linhas da experiência.

O lar coletivo, definindo afinidades radicais e interesses do clã, é o conjunto das emoções e dos pensamentos daqueles que o povoam.

Entre as fronteiras vibratórias que o definem, por intermédio dos breves aprendizados “berço-túmulo”, que denominamos existências terrestres, transfere-se a alma de posição, conforme os reflexos que haja lançado de si mesma e conforme aqueles que haja assimilado do ambiente em que estagiou.

Atingida a época da aferição dos próprios valores, quando a morte física determina a extinção da força vital corpórea, emprestada ao espírito para a sua excursão de desenvolvimento e serviço, reajuste ou elevação, na esfera da carne, colhemos os resultados de nossa conduta e, bastas vezes, é preciso recomeçar o trabalho para regenerar atitudes e purificar sentimentos, na reconstrução de nossos destinos.

Dessa forma, os corações que hoje oprimem o próximo, a se prevalecerem da galeria social em que se acastelam, na ilusória supremacia do ouro, voltam amanhã ao terreno torturado da carência e do infortúnio, recolhendo, em impactos diretos, os raios de sofrimento que semearam no solo das necessidades alheias,.

E se as vítimas e os verdugos não souberem exercer largamente o perdão recíproco, encontramos no mundo social verdadeiro círculo vicioso em que se entrechocam, constantemente, as ondas da vingança e do ódio, da dissensão e do crime, assegurando clima favorável aos processos da delinqüência.

Sociedades que ontem escravizaram o braço humano são hoje obrigadas a afagar, por filhos do próprio seio, aqueles que elas furtaram à terra em que se lhes situava o degrau evolutivo.

Hordas invasoras que talam os campos de povos humildes e inermes, neles renascem como rebentos do chão conquistado, garantindo o refazimento das instituições que feriram ou depredaram.

Agrupamentos separatistas, que humilham irmãos de cor, voltam na pigmentação que detestam, arrecadando a compensação das próprias obras.

Citadinos aristocratas, insensíveis aos problemas da classe obscura, depois de respirarem o conforto de avenidas suntuosos costumam renascer em bairros atormentados e anônimos, bebendo no cálice do pauperismo os reflexos da crueldade risonha com que assistiram, noutro tempo, à dor e à dificuldade dos filhos do sofrimento.

Em todas as épocas, a sociedade humana é o filtro gigantesco do espírito, em que as almas, nos fios da experiência, na abastança ou na miséria, na direção ou na subalternidade, colhem os frutos da plantação que lhes é própria, retardando o passo na planície vulgar ou acelerando-o para os cimos da vida, em obediência da evolução.

Pelo Espírito Emmanuel
Do livro: Pensamento e Vida
Médium: Francisco Cândido Xavier

03 outubro 2010

Antes de Tudo, Perdão - Joanna de Ângelis


ANTES DE TUDO, PERDÃO

Falsas noções de caráter insistem no culto à personalidade, estimulando o egoísmo e os males que dele decorrem.

Conceitos retrógrados repetidos maquinalmente prescrevem a manutenção do clima de ódios e mágoas, em nome da honra.

Considerações obsoletas, transmitidas de geração a geração, atentam contra a harmonia da família humana com funestas consequências.

Para uns, dignidade significa acendrada consideração ao próprio "eu". Para outros, representa valor que exige desforço pessoal em vindita despótica, quando se creem feridos...

No entanto, nem os primeiros nem os segundos interpretam com justeza a elevada posição da honradez.

Agir com brio ou reagir em nome dele são efeitos mui diversos de conduta social e humana.

A violência perde a força no choque com o não-revide.

O crime se entibia e desaparece diante do amor.

O desrespeito cessa quando desabrocham as vergônteas vigorosas da saúde moral. E em razão disso, o caduco direito da força sucumbe ao imperativo da força da verdade e do direito.

*

Enquanto as suscetibilidades infestam o homem, este mantém nocivos compromissos com a inferioridade.

É desnecessário despojar-se de toda cultura perniciosa para que se ensejem seminários de enobrecimento.

Em vista disso o perdão irrestrito e incondicional tem primazia no programa de renovação de todo homem que busca espiritualizar-se.

Uma fagulha de ira pode atear fogo num depósito de ódio latente.

Uma palavra de cólera oferece combustível para desmandos injuriosos.

Extremunhamento conservado - antipatia em elaboração.

Suspeita incensada - declive derrapante para a inimizade.

A animosidade vitalizada é semelhante à úlcera pútrida nos tecidos orgânicos. Suas emanações venenosas empestam aqueles que se acercam, ampliando o campo de virulência...

Somente o amor, nas bases em que o postulou Jesus, dispõe dos recursos para a conservação da honra no esmero do caráter.

Evita, pois, a maledicência que dilata o círculo das malsinadas suspeitas, buscando aquele que talvez ignore o mal de que te supões vítima, esclarecendo a dúvida e põe cobro à sementeira da aversão em começo...

*

No versículo vinte e cinco das anotações de Mateus, no capítulo cinco, está registrado: "Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele"... para que a serenidade real te siga imperturbavelmente.

Hoje o ofensor está contigo. Amanhã, talvez, não o tenhas mais ao lado.

Agora é o momento de desculpar. Depois o tempo terá agravado o mal.

Possivelmente quem te magoa carrega pesado tributo de desequilíbrio emocional sob tormentos que desconheces.

Perdoa hoje e já. Faze mais: ama o verdugo da tua harmonia íntima, da tua honra...

Há forças tirânicas a conspirarem contra o império do amor na Terra.

A Doutrina Espírita revelou-te que, na Erraticidade, deambulam, infelizes e sediosos aqueles que desencarnaram vencidos pelo ódio, corroídos pela azedia do ciúme e dominados pela paixão.

Evoca o Mestre traído pelo companheiro obsidiado; Pilatos indiferente por cegueira moral obsidente; Pedro acovardado por hipnose obsessiva; os amigos distantes por obsessão coletiva e a turba desenfreada por momentânea subjugação, que a todos comandava para a execução do hediondo crime. Todavia, perdoando a todos, antes de morrer, enquanto os perseguidores estavam ali, o Mestre, exorando bênçãos ao Pai, clareou as mentes obnubiladas com o corretivo incorruptível do amor, em festa de luzes inapagáveis.

De "Dimensões da Verdade'
De Divaldo P. Franco
Pelo Espírito Joanna de Ângelis

02 outubro 2010

Segue para o Grande Futuro - Camilo

Segue para o Grande Futuro

Aquele que vem a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora. - Jo, 6:37

Novos tempos são anunciados para a Terra!

Desde as épocas prístinas, a alma humana aguarda os dias venturosos em que se poderá desfrutar os dulçores de uma era nova, quando a fraternidade não será quimera nem a paz um sonho distante.

Profetas de todos os tempos, no bojo dos mais distintos núcleos humanos, afirmaram a realidade desses dias porvindouros de delícias e de amor.

Contudo, quanto mais se esgaça o tempo, sob o efeito delongado das experiências, parecem distantes essas aneladas expectativas, parece ilusória agonia que se aguarde esse deleite.

A descrença a respeito dessas promessas alastra-se em múltiplas almas, até o limite do deboche, da zombaria atirada sobre os crentes dessa ordem, como se fossem almas ingênuas crendo em disparatadas afirmações de estonteados visionários.

Nada obstante, dentre os que se reportaram a esses tempos novos de formosuras e de bendições, está o Nazareno, o Profeta Maior gerado em Israel, Alma que, por Sua índole sublimada, não nos apresentaria qualquer impostura.

O que vem retardando o alcance dessas luminosas ocorrências, não tem sido senão o próprio ser terrestre, imerso em sua rebeldia contumaz, a desprezar os valores mais substantivos da existência humana, atrelado ao materialismo imediatista e incômodo que temos conhecido.

O que sucede ainda é que um grande pugilo dos que se arvoram em condutores da verdade ou paladinos da luz, não tem feito senão alimentar e difundir incorreções e mentiras; não tem conseguido senão espalhar sombras.

Quando é que os homens despertarão dessa letargia? Em que momento desejarão ver a celeste claridade? Quando se decidirão por caminhar ao encontro Daquele que nos abriu as portas planetárias, a fim de que, então, realizemos a própria evolução?

Já sinalizou o Celeste Guia, conforme as notas atribuídas ao Apóstolo João, que aqueles que O buscarem serão por Ele abraçados, pois que jamais fora os atirará. Há, desse modo, em nome do respeito ao livre-arbítrio, a espera do Mestre pelas disposições humanas.

Perde o sentido, assim, a proverbial descrença nos tempos novos, quando também se desfazem as crenças em futuro gratuito, distanciado da boa vontade e dos esforços do ser humano.

O tempo de agora, rico em oportunidades, abre-se para que todos unamos os recursos disponíveis do saber e das virtudes, para demandarmos ao encontro de Jesus Cristo.

Não há mais tempo para lamúrias ou reclamações quanto às condições da época presente ou do mundo atual. O que nos cabe fazer é, ainda que solitariamente, ou em pequenos grupos de valorosos e intrépidos vanguardeiros, tomar do arado das boas obras e partir em busca desse encontro psíquico com o Amigo Celestial, com a garantia de que seremos por Ele agasalhados, e que passaremos a fazer parte dos servidores do amor e da paz, partícipes do círculo de seareiros que vivem com os pés no mundo tendo, porém, a mente fixada nos astros luzentes.

Camilo Mensagem psicografada por Raul Teixeira, em 19.04.2009, em Mértola-Alentejo, Portugal.

01 outubro 2010

Os Dias Graves do Senhor - Bezerra de Menezes

Os Dias Graves do Senhor

Estes são os dias, os dias graves do Senhor!

É necessário que as criaturas humanas abramo-nos ao Evangelho restaurado e nos permitamos ser instrumentos do Condutor de Vidas, para que possamos aplainar os caminhos que a Sua Misericórdia vem percorrer.

Espíritas!

Assumistes um compromisso antes do berço. Firmastes no Além um documento de responsabilidade para proclamar o Reino de Deus na Terra, no momento das grandes aflições.

Pedistes o testemunho e o sofrimento para respaldarem a qualidade da vossa tarefa.

Não recalcitreis, pois, ante o espinho do testemunho.

Permanecei solidários para que não experimenteis solidão.

Cantai um hino de louvor e de bem-aventuranças, para que as vossas não sejam as lágrimas do remorso, ao contrário, sejam as da gratidão.

Não postergueis o momento da renovação interior.

Se colheis, por enquanto, os cardos e se sorveis a taça da amargura que preparastes antes, semeai paz, alegria e amor para a colheita do futuro.

O Espiritismo é Jesus voltando de braços abertos e trazendo no Seu séquito os corações afetuosos que vos anteciparam na viagem de volta ao Grande Lar, e que, numa canção de júbilo, agradecem a Deus a honra de participarem da Era Nova do Espírito imortal.

Tornai-vos sábios na simplicidade, na cordura, na gentileza e ricos na compaixão.

O amor cobre a multidão dos pecados e a compaixão coroa o amor de ternura.

Começando por agora, aqui, o trabalho de lapidação do caráter para melhor, conseguireis, como estamos tentando conseguir, a palma da vitória.

Nada que vos atemorize. Que mal podem fazer aqueles que caluniam, que mentem, que perseguem, se tudo quanto fizerem perde o seu sentido no túmulo?

Jornaleiros da Imortalidade, avançai cantando Jesus para os ouvidos moucos do mundo, e apresentando-O para os que se ocultaram nas furnas da loucura, das sensações e do despautério.

Hoje é o momento sublime de construir e, em breve, o momento de ser feliz.

Muita paz, meus filhos. Com todo carinho, o servidor humílimo e paternal de sempre,

Bezerra de Menezes Mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco, ao final da Conferência pública, realizada no Grupo Espírita André Luiz, no Rio de Janeiro, na noite de 26 de agosto de 2010.



30 setembro 2010

A Lente e o Espelho do Espiritismo - Rita Foelker

A LENTE E O ESPELHO DO ESPIRITISMO

Nossa vida é resultado dos nossos pensamentos. Para comprovar isto, basta que observemos nossos pensamentos habituais e quanto eles se relacionam ao modo como trabalhamos, como estudamos, como resolvemos nossos problemas, como tratamos as pessoas e, consequentemente, ao modo como somos tratados.

Mas há dois pensamentos que realmente moldam a nossa vida: nosso conceito de Deus e nosso conceito de nós mesmos.

Em todas as sociedades é assim. Por exemplo: a maneira como os muçulmanos concebem Alá define seu viver e não lhes permite imaginar um outro tipo de vida, sem deixarem de ser o que são. E é importante observar como acontece numa cultura diferente da nossa, porque a nossa ideia sobre Deus está tão entranhada em nossas vidas, que perceber isto fica difícil.

Muitas de nossas decisões são tomadas a partir do que imaginamos que agrada ou desagrada Deus, por mais que pareçam nascer exclusivamente de nosso livre-arbítrio.

Somos muito mais condicionadas pelos nossos pensamentos do que gostaríamos de admitir.

E o que pensamos do Criador se transmite ao que pensamos de suas criaturas, que somos nós. O sistema que criamos internamente (para entender a razão de havermos sido criados por um Deus com as características que lhe atribuímos) confere-nos um papel, uma função na vida e no Universo, a qual tratamos de cumprir tanto melhor, quanto maior seja a nossa fé.

O poder transformador da Doutrina Espírita está em nos fazer olhar novamente para estes dois conceitos, o conceito de Deus e o conceito de nós mesmos, com olhos amadurecidos e preparados pelos ensinamentos de Kardec e dos Espíritos Superiores.

O Espiritismo é uma lente para se ver o mundo, os fatos e a vida com mais nitidez e profundidade. Não há nenhum tema para o qual ele não ofereça uma perspectiva e uma compreensão racional quando, ao invés de nos determos na leitura superficial dos livros, estudamos e seguimos seus princípios norteadores.

O Espiritismo é um espelho a revelar quem somos, quem são as pessoas em torno de nós, sustentando nossas ações morais em sólidas bases filosóficas.

E não é possível olhar através dessa lente e desse espelho, sem que mudanças fundamentais aconteçam dentro de nós.

De "Força Interior"
De Rita Foelker

29 setembro 2010

Reforma Íntima em Seis Perguntas - Ney Pietro Peres

REFORMA ÍNTIMA EM SEIS PERGUNTAS

1. O QUE É A REFORMA ÍNTIMA?
A Reforma Íntima é um processo contínuo de autoconhecimento, de conhecimento da nossa intimidade espiritual, modelando-nos progressivamente na vivência evangélica, em todos os sentidos da nossa existência. É a transformação do homem velho, carregado de tendências e erros seculares, no homem novo, atuante na implantação dos ensinamentos do Divino Mestre, dentro e fora de si.

2. PORQUE A REFORMA ÍNTIMA?
Porque é o meio de nos libertarmos das imperfeições e de fazermos objetivamente o trabalho de burilamento dentro de nós, conduzindo-nos compativelmente com as aspirações que nos levam ao aprimoramento do nosso espírito.

3. PARA QUE A REFORMA ÍNTIMA?
Para transformar o homem e a partir dele, toda a humanidade, ainda tão distante das vivências evangélicas. Urge enfileirarmo-nos ao lado dos batalhadores das últimas horas, pelos nossos testemunhos, respondendo aos apelos do Plano Espiritual e integrando-nos na preparação cíclica do Terceiro Milênio.

4. ONDE FAZER A REFORMA ÍNTIMA?
Primeiramente dentro de nós mesmos, cujas transformações se refletirão depois em todos os campos de nossa existência, no nosso relacionamento com familiares, colegas de trabalho, amigos e inimigos e, ainda, nos meios em que colaborarmos desinteressadamente com serviço ao próximo.

5. QUANDO FAZER A REFORMA ÍNTIMA?
O momento é agora e já; não há mais o que esperar. O tempo passa e todos os minutos são preciosos para as conquistas que precisamos fazer no nosso íntimo.

6. COMO FAZER A REFORMA ÍNTIMA?
Ao decidirmos iniciar o trabalho de melhorar a nós mesmos, um dos meios mais efetivos é o ingresso numa Escola de Aprendizes do Evangelho, cujo objetivo central é exatamente esse. Com a orientação dos dirigentes, num regime disciplinar, apoiados pelo próprio grupo e pela cobertura do Plano Espiritual, conseguimos vencer as naturais dificuldades de tão nobre empreendimento, e transpomos as nossas barreiras. Daí em diante o trabalho continua de modo progressivo, porém com mais entusiasmo e maior disposição. Mas, também, até sozinhos podemos fazer nossa Reforma Íntima, desde que nos empenhemos com afinco e denodo, vivendo coerentemente com os ensinamentos de Jesus.

Do "Manual Prático do Espírita"
De Ney Prieto Peres


28 setembro 2010

A Sós com os Outros - Joanna de Ângelis

A SÓS COM OS OUTROS

Não te creias a sós, embrulhando os sonhos que acalentavas nos pesados tecidos da revolta.

Há tantos solitários que não se resolvem a arrebentar as amarras do egoísmo para serem úteis a alguém!...

Sê tudo quem consiga esse fanal.

O lago plácido e sonhador, que reflete o céu de astros pulverizado qual espelho precioso, desfaz-se ante o batráquio que nele se arremessa, apagando a ilusão da beleza.

Desejarias felicidade contemplativa cercado de carinhos, inútil, refletindo sonhos impossíveis.

No entanto, enquanto te crês solitário e triste, frustrado nos anseios que acalentavas, perdes os olhos nas tintas carregadas do pessimismo e não vês aqueles olhos que te fitam inquietos, desejando acercar-se de ti, sem oportunidade de fazê-lo.

A semente, que se sente desventurada numa arca de mogno e bronze valiosos, desdobra-se em bênçãos para muitos quando acolhida pelo solo que lhe oferece destino.

A água morta entre sombras alimenta a vida, se vai depurada.

O monturo desprezível enriquece-se de perfume quando agasalho os bulbos do lírio.

O coração ao teu lado, na vida diária, é a sublime meta da tua oportunidade no corpo.

Mata a solidão, asfixiando-a nos tecidos leves da cordialidade para com os outros.

Não creias que haja um abismo entre ti e os outros.

Se o vês ou o sentes, lança a ponte da afabilidade e atapeta-a da doçura.
Escorregarão muitos seres imersos no personalismo atormentado das vacuidades da Terra, que se aconchegarão ao país da tua alma, sedentos, necessitados e amigos teus, dando carinho também.

Compreenderás que o receber é efeito do dar, tanto quanto o colher é o resultado do plantar.

A lagarta que teme a metamorfose jamais plainará como borboleta leve, no azul do ar.

A flor que receia o desgaste nunca atingirá a semente que a perpetua.

O amor que se enclausura não amadurecerá em dádivas renovadoras.


Aparecendo à pecadora de Magdala, após a Ressurreição, o Mestre premiou o esforço de quem tanto deu à causa da Mensagem Viva da Fé, a ponto de, vencendo-se a si mesma, oferecer-se entre tormentos íntimos de paixões sem nome que sublimou, para renascer dos escombros qual Circe de luz... E Maria o mereceu, pois que, esquecida do próprio eu, cindiu a casca da autopiedade e da falsa solidão a que muitos a si se impõe, para atirar-se à glória do serviço ao próximo sem fronteira nem limite por amor a Ele.

Pelo Espírito Joanna de Ângelis
Do livro: Dimensões da Verdade
Médium: Divaldo Pereira Franco - Editora Leal

27 setembro 2010

Amas? - Camilo

AMAS?

Por toda a parte o horror se patenteia nas rotas do crime, da defecção, da indiferença para com o bem.

Pelo mundo parece que o coração humano já não crê no restabelecimento da ordem divina, que orienta para a saúde geral, para a beleza total, para o amor.

E tu, como te movimentas pelas estradas desse orbe em conflito, que se vê a braços com tormentosos dilemas?

Tens considerado a mensagem enlouquecedora do caos? Ou buscas apoiar-te nos alicerces do amor ensinado pelo Venturoso Guia da Cruz?

Amas, enfim?

Se amas, não é preciso explicar-te os motivos dos perturbadores episódios do mundo, pois compreendes que, em sendo espíritos renascidos para retomar a conquista do progresso, estão se corrigindo das distorções dos caracteres próprios.

Se amas, já identificaste a ação de Deus na Terra, localizando os indivíduos que se encontram nos aprendizados do bem, muito próximos daqueles outros que ainda mantêm vínculos com as grotescas ou sombrias aberrações, a fim de que os primeiros tenham chances de exercitar o bom e o bem que apregoam e dizem seguir, junto aos que são baldos de qualquer sentido de vida superior.

Se amas, não te deixarás consumir pela rebeldia, ou pela ira, ou pela violência, ao perceberes os infaustos arroubos de despudorados e atormentados irmãos da estrada terrena, tendo em vista que, com base nos ensinos da reencarnação, tu te dás conta de que não és inocente, tampouco te está experimentando o Criador. Sabes que o que hoje te desassossega no mundo, está vinculado ao campo dos teus desatinos pretéritos, o que te permitirá a realização por te superares, cooperando como podes para que o mundo e os seus habitantes sejam melhorados.

Se amas, estarás sempre nutrindo-te na Fonte do Amor na Terra, que é a Mensagem de Jesus. E, por essa razão, terás sempre a visão aclarada para o fato de que, nesse momento desencontrado da humanidade, a orientação de Cima é no sentido de trabalhar incansavelmente, servir alegremente, cooperar com a Luz onde reine a sombra, ensinar onde a ignorância campeie, compreender a quem não te assimila as orientações, firmar-te na oração e na vigilância que pôr-te-ão à cavaleiro dessas influências nefastas que cavalgam sobre o planeta.

Se amas, enfim, és alguém amigo do equilíbrio e aconselha-te com as lições felizes que o Celeste Amigo deixou, para quem desejasse seguir após os Seus passos.

Assim, então, se de fato amas, sabes que deves tomar sobre os ombros a cruz dos teus compromissos, dos teus deveres; renunciar às forças do egocentrismo, esquecendo-te de ti mesmo, e seguir o Bom Amigo para sempre.

Se amas, antegozas as formosuras do mundo novo, que já se instala em teu âmago, e que fazem luzir tua existência desde agora.

Pelo Espírito Camilo
Do livro: Revelações da Luz
Médium: J. Raul Teixeira

26 setembro 2010

Do Lar para o Mundo - Isabel Cintra

DO LAR PARA O MUNDO

O jardim do mundo continua repleto de possibilidades divinas, mas nem sempre conseguimos colher as rosas de nossa plantação.

Comumente, é imprescindível saber aguardar.


A Terra da experiência é sempre a mesma, onde nossas esperanças foram semeadas um dia, para recebermos, hoje, a fé que nos revigora os corações.
Tenhamos paciência e bom ânimo.

A mais santa qualidade do amor é a de saber esperar sem desesperar.

Nossos filhos são sempre os mais lindos rebentos da árvore de nosso ideal.

Entretanto, não lhe formamos a vida terrestre para nós...

A maneira do escultor que alça a argila informe à condição de vaso inapreciável para servir no mundo, pela graça de Deus, assumimos o papel de mães, na vida que nos pede os filhos do coração; para que integrem as legiões de sua glória.

Maria não recebeu Jesus para dele orgulhar-se, qual se fora o nosso Divino Mestre uma orquídea celestial, a nutrir-se, invariavelmente, da seiva de sua alma sublime. Alentou-o e preparou-o para a Humanidade, entregando, aos homens, um berço de luz na manjedoura e recebendo, em retribuição, o madeiro escuro da morte.

Saibamos, pois, superar nossas mágoas e indecisões com a certeza de que a união imperecível nos aguarda, além de todos os espinheiros da separação.

O Espiritismo, felizmente, não nos plasma o ideal religioso para a imobilidade dogmática.

Confere-nos o conhecimento superior, habilitando-nos ao serviço da comunidade. Com ele descobrimos, finalmente, que a nossa família não está circunscrita às fronteiras do templo doméstico. Somos a esposa de um companheiro de luta e a mãe de nossos filhinhos; mas, igualmente, a irmã e a serva do progresso, do progresso geral, em cujas linhas encontramos as nossas ocupações de fraternidade redentora.

Religião, para nós, significa atividade e diligência no bem, de vez que sabemos o Mestre Divino à nossa espera na pessoa de nossos semelhantes necessitados. Em razão disso, a morte do corpo, para nós outras, constitui abençoada porta de libertação para o trabalho maior.

Realmente, os nossos continuam sendo o canteiro perfumado de nosso carinho, o oásis fechado de nossa devoção particular; mas a Terra se nos afigura a bendita lavoura de nosso enriquecimento novo e o trabalho, exigente, luminoso e fecundo, nos arrebata a novos horizontes, em que a nossa mente cresce, feliz, no rumo dos mais altos interesses de nosso espírito.

Nesse critério, louvemos, agora, as dificuldades que nos distanciam de certos círculos de ternura...

Exaltemos as dores que nos renovam, agradeçamos a Deus os açoites invisíveis que nos vergastam a alma sensível. Com semelhante auxílio, erguer-nos-emos, sem tropeços, para a vida superior.

Do livro "Relicário de Luz" Pelo Espírito Emmanuel, Médium: Francisco C. Xavier, Autores Diversos

25 setembro 2010

Religiões - Emmanuel

RELIGIÕES

As religiões são degraus de ascensão à verdade divina.

Cada uma retém nossa alma transitoriamente, em determinados aspectos da revelação do Além, conclamando-nos à comunhão com a Espiritualidade Santificante.

Através de todos os campos agrestes da animalidade primeva, a idéia de Deus refulgiu nas sombras de nossa longa estrada evolutiva, descortinando-nos a visão religiosa sempre mais alta, mais enobrecida e mais pura.

Assim é que todos os condutores dos povos antigos constituíram-se pregoeiros da Luz Magna, que deveria clarear todos os séculos da Terra.

Escritores chineses, profetas judeus, filósofos indus, sacerdotes egípcios, artistas gregos e pensadores romanos, todos, sem exceção, foram gloriosos precursores do Cristo que, sem dúvida, é a Estrela Resplandecente, nos cimos da sabedoria e do amor, gerando, através do Evangelho, a Nova Humanidade.

Assim, pois, em qualquer das escolas cristãs em que estejamos jornadeando, à maneira de aprendizes em cursos diversos, destinados ao aperfeiçoamento moral gradativo, busquemos em Jesus a meta que nos cabe atingir.

Nele temos a resposta divina a todas as velhas indagações terrestres...

Mas para que nos integremos com a claridade regeneradora, que dimana dos seus ensinamentos de humildade e abnegação no bem – alicerces inamovíveis da verdadeira paz e da verdadeira felicidade – é imprescindível aceitá-lo, não só como salvador distante, mas, acima de tudo, na condição de Mestre presente, a cujas lições devemos afeiçoar nossa alma imperecível.

Conduzamos ao Cristo Vivo, Augusto e Soberano, o nosso coração, porque é do coração que procedem as fontes de nossa vida, e, então, nosso sentimento aprimorado Nele, com Ele e por Ele reestruturará os quadros de nossa inteligência e purificar-nos-á os raciocínios, a fim de que, através dos nossos pensamentos, das nossas palavras, das nossas atitudes e dos nossos braços, seja a nossa existência, um sublime instrumento para a exteriorização de Sua vontade justa e misericordiosa.

Todas as religiões são educandários do Espírito, em processo de crescimento para a vida eterna.

Procuremos, desse modo, a nossa posição de trabalhadores leais de Jesus, onde estivermos, fugindo à expectação inoperante, e o Espiritismo representará para nós, realmente, o degrau mais próximo da comunhão com o Supremo Senhor, em razão de constranger-nos sem violência ao serviço da compreensão e da bondade, em favor da Humanidade inteira.
Pelo Espírito Emmanuel
Do livro: Escrínio de Luz
Médium: Francisco Cândido Xavier

24 setembro 2010

Aptidão e Habilitação - Emmanuel

APTIDÃO E HABILITAÇÃO

Aptidão é a capacidade do espírito para executar essa ou aquela tarefa no plano evolutivo em que se vê situado.

Por isso mesmo, aptidão aplicada é acesso do homem a níveis mais altos, de conformidade com a Lei Divina que retribui a cada um, segundo as obras que realiza.

A Terra é vasto campo de oportunidades ao desenvolvimento de nossos recursos potenciais.

Com o fim de aperfeiçoá-los, distribui a Bondade Eterna as habilitações humanas, de acordo com as nossas petições e desejos.

Entretanto, não bastará obtê-las para que a alma se honorifique com o triunfo indispensável nesse ou naquele círculo de ação.

Deus concede os títulos, cabendo ao homem o justo dever de usá-los e enobrecê-los.

Aqui vemos um médico, dignamente formado para o sacerdócio da cura, no entanto, se o esculápio, com diploma de mérito, não suporta os enfermos, debalde receberá beneplácito da escola de medicina.

Além, anotamos um professor devidamente preparado à frente do magistério, mas se lhe falta amor para com os aprendizes, em vão terá recolhido as bênçãos da cultura.

E, em toda parte, vemos operários convocados ao trabalho, desprezando a oficina que os acolheu; mães que se ausentam do templo doméstico, hostilizando a nobre missão que o Céu lhes conferiu, e pais que desertam do lar. Fugindo deliberadamente ao apostolado afetivo que lhes poderia preparar no presente de trabalho e futuro iluminado de amor.

Segundo é fácil perceber, somos depositórios felizes de preciosas habilitações na Terra que muitas vezes menosprezamos em prejuízo próprio, esquecendo que todos possuímos aptidões para concretizar o melhor em nosso próprio caminho.

Se já podes compreender a verdade, aproveita os títulos que te foram emprestados pelo Senhor na pauta das convenções terrestre, na certeza de que, com eles, deténs contigo as mais amplas oportunidades de servir aos semelhantes e crescer para Deus.

Recorda que a enxada mais rica é simples candidata à ferrugem quando não atende à habilitação a que se destina e, fazendo da própria vida o teu instrumento de trabalho e de estudo, sem que percebas, o mundo conferir-te-á outros talentos e outros valores, armando-te de novos recursos para a conquista de novas e mais belas experiências.

Do livro "Família"
Pelo Espírito Emmanuel
Médium: Francisco C. Xavier

23 setembro 2010

Prêmio - Neio Lúcio

PRÊMIO

Na semana última, terminei o primeiro ano de minha permanência no Parque e devo assinalar que recebi valioso prêmio de grata significação para mim.

Trabalhei, esforçando-me quando que possível para ser disciplinado, com aproveitamento das lições.

Nos dez últimos meses, gastei as horas de recreio em serviços de proteção aos animais, que passaram a querer-me bem, com amizade e simpatia; realizei estudos espirituais de muita importância para o meu futuro, e participei, algumas vezes, de comissões de auxílio fraternal, enviadas a companheiros de luta. Alegre tranquilidade banhava-me a consciência.

Muitos meninos de minha classe foram promovidos a curso mais elevado, entre os quais tive o júbilo de ser incluído.

Houve uma festa, cheia de alegria e beleza, em que recebi o distintivo da “Boa-Vontade”, uma linda medalha, esculturada numa substância semelhante a prata e luminosa, apresentando essas duas palavras escritas, em alto relevo, com uma tinta dourada.

Nesse dia venturoso, o professor abraçou-me comovidamente e declarou-me que eu poderia solicitar alguma coisa, alguma concessão nos trabalhos finalistas.

No fundo de meu coração, estava o desejo de ir a casa. Queria abraçar mamãe, papai e ver você. Tinha a idéia de que me encontrava distante há muitos anos e, por isso mesmo, recebi a notificação com imensa alegria.

Respondi, ansioso, que, se me fosse permitido rogar algum contentamento maior que o de ser promovido à categoria superior, pediria para visitar o lar terreno, a fim de abraçar os entes amados de meu coração.

O instrutor, porém, afagando-me delicadamente, ponderou que eu ainda não possuía as forças precisas para semelhante cometimento. Ave frágil, não dispunha de penas para vôo tão arrojado. Mas acrescentou que o meu desejo seria atendido em parte.

No dia seguinte, fui notificado de que veria mamãe, apenas mamãe, por alguns momentos, numa instituição piedosa situada nas regiões mais próximas daí.

Logo após, numa linda noite, acompanhado de tia Eunice, a cujos cuidados me deixou o orientador, fui ao encontro de nossa mãezinha, numa casa grande e bonita, onde havia intensa movimentação de Espíritos amigos já distanciados do corpo carnal.

O que foi essa hora divina, não poderei descrever. Mamãe foi trazida por uma senhora iluminada e bela. Parecia mergulhada numa indefinível admiração que a tornava perplexa. Parecia não ver a senhora que a amparava, maternalmente, e, ao aproximar-se de nós, não percebeu a presença de nossa tia, ao meu lado. Quando pousou os olhos sobre mim, reconheceu-me e gritou meu nome muitas vezes. Atirei-me, chorando de júbilo, aos seus braços e estivemos assim, unidos e em lágrimas, durante todos os minutos reservados ao reencontro.

Por fim, a generosa mensageira que a trouxera aproximou-se de mim e falou:

- Basta, meu filho! A alegria também pode prejudicar os que ainda se encontram no corpo.

- Em seguida, retirou mamãe, devagarinho, como quem cuida de uma pessoa doente.

Voltei, então, ao Parque, junto de tia Eunice, com uma esperança nova a banhar-me o coração.

A Bondade de Deus não nos separa as almas para sempre.

Pelo Espírito Neio Lúcio
Do livro: Mensagens do Pequeno Morto
Médium: Francisco Cândido Xavier

22 setembro 2010

Propaganda Espírita - Manuel Vianna de Carvalho

PROPAGANDA ESPÍRITA

Irmãos!

A Terra de hoje, com suas injunções de dor e renovação, é o abençoado solo a que fostes chamados pela reencarnação para ajudar.

Embora as aflições e os descobrimentos notáveis, todos os labores oferecem resultados inesperados.

Em cada coração humano estiolado pelas vicissitudes, surpreendemos os que apregoam justiça mancomunados com o crime, e os que falam em paz armando cidadãos e fortalecendo fronteiras.

Por outro lado, a corrida armamentista, em nome da supremacia política ou da denominação econômica, transforma o mundo num grande palco, em que as personagens mudam, mas a peça tragicômica da guerra prossegue implacável.

Estômago e sensualidade, abraçados, jornadeiam devorando conquistas nobres do saber, qual Moloch hodierno, conduzindo às entranhas, sem saciar-se, os que repontam em seu caminho...

Os veículos da imprensa falada e escrita apresentam, em manchetes lamentáveis, as contradições do século, pervertendo consciências e afligindo sentimentos. O ultraje ao pudor e o atentado à integridade física ou moral atestam o desequilíbrio emocional do mundo moderno.

A propaganda mercenária, escrava dos interesses de grupos minoritários ou serva de objetivos subalternos, ameaça inquietante.

Por que, até o momento, a imprensa tem sido, quase sempre, veículo de destruição guerreira e de morte?

Ontem, era o panfleto ironizando e ferindo.

No passado, era o folhetim como veículo da perversão dos costumes, registrando anedotário soez e perversor.

No presente, é o livro obsceno e comercial, incendiando mentes embrutecidas nas noites orgíacas e corações sacudidos por emoções selvagens.

A princípio, eram o jogral e o segrel visitando propriedades para deleitar feudos e senhores, misturando divertimento com infâmias e veleidades em nome da corrupção.

Agora, é o rádio repetindo as expressões da indignidade humana em caracteres apaixonados.

Antes, era o desenho escabroso jornadeando de mão em mão, adquirido a peso de ouro.

No momento, é a cinematografia indigna, aviltando a moral em nome de um realismo cultural que se expressa pela apresentação do crime e do vício, arrancados aos antros de degradação onde reinam...

O sistema audiovisual de televisão, enfeixando as aspirações argentárias dos patrocinadores, faz-se porta-voz das sugestões que estimulam os sentimentos vulgares, como se o homem moderno estivesse resumido a um feixe de sensações expressas no prazer da luxúria e da sexualidade pervertida.

E a propaganda, que tem a força descomunal dos grandes deslocamentos atmosféricos, é utilizada como arma impiedosa e inconsciente.

Ao brilho das luzes da cultura atual o homem surge como um desajustado, procurando, através da Psiquiatria respeitável, solucionar os problemas que o desequilíbrio lhe tem criado e desenvolvido.

O índice de criminalidade fala das psicopatias atuais...

... Porque o homem moderno "perdeu o endereço de Deus".

O Cristianismo, que lhe chegou ao conhecimento desfigurado e tíbio, não pôde resistir ao impacto das novas e desordenadas paixões...

***

Com o nascimento da Doutrina Espírita, porém, há pouco mais de um século, paulatinamente o Cristo que o mundo olvidou retorna à tela mental e aos corações da Humanidade, renovando as concepções da vida.

Não mais o "crê ou morre" das velhas e superadas dominações religiosas.

Não mais a cruz da aflição em nome da fé.

Não mais aparatos impostos e ritos supostamente pertencentes a Jesus Cristo.

Agora fulgura a nova luz, semelhante àquela que brilhava nas lições primitivas do Divino Vidente, o legítimo Embaixador do Celeste Pai.

Não basta, pois, simplesmente aceitar as experiências evangélicas de comunhão com as Esferas Espirituais. É imprescindível propagá-las para conhecimento de todos.

A mensagem de alento, a revelação que esclarece, o ensino consolador, o roteiro seguro, a lição que norteia, ajudando o homem a vencer-se, equilibrado e livre, são oportunidades de propaganda honesta que não podemos descurar.

A experiência cristã começou no estábulo, mas não terminou na cruz...

A mensagem espírita surgiu com Allan Kardec e jamais desaparecerá...

Vexilários da renovação cristã ao impositivo das leis de amor expressas na reencarnação, desdobremos os recursos e avancemos no campo onde nos encontramos para servir.

E dilatando a claridade do sol espírita conscientemente, através da exposição e da narrativa, falando ou escrevendo, vivamos a mensagem excelente que reflete o amor de Deus a todas as criaturas, porquanto, se até ontem recebemos uma fé desfigurada, enigmática e simbólica, com o Espiritismo, nos moldes com que Allan Kardec, no-lo ofereceu, ressurge a verdadeira religião, apresentando o Senhor Jesus desvelado e simples, fazendo-se conhecer e amar em nós e conosco, até o fim dos tempos!

Mensagem, psicografia de Divaldo P. Franco
Pelo Espírito Manuel Vianna de Carvalho
Livro: À Luz do Espiritismo

21 setembro 2010

Recordando o Filósofo - Irmão X

RECORDANDO O FILÓSOFO

Conta-se que Epicteto, o escravo filósofo, visitado por Lisandro, liberto de Epafrodita, que lhe apresentava despedidas, em razão de mudança precipitada para Roma, entrou em fundo silêncio, diante do amigo íntimo.

– Pois não te regozijas? – exclamou o amigo, exonerado do cativeiro – não sentirás comigo o júbilo da transferência feliz?

O interpelado fixou-o, de frente, e indagou:

– Que pretendes?

– Uma viagem maravilhosa, o ambiente diverso, a modificação da vida, o esplendor da cidade imperial, a honra de ouvir os tribunos célebres, a contemplação dos espetáculos faustosos e, quem sabe, talvez o destaque entre os patrícios dominadores.

O filósofo escutava o companheiro sem o mais leve movimento.

Terminada a breve exposição, objetou, imperturbável:

– Empreendes longa e perigosa jornada, em busca de importância pessoal que te satisfaça a ambição. No entanto, que viagem já fizeste para modificar opiniões e melhorar sentimento?

O amigo surpreendido não conseguiu responder.

– Procuras ambiente diverso – prosseguiu o sábio sem alterar-se –; todavia, em que idade tentaste a própria renovação? Odeias sempre que te ferem, reages quando te insultam, justificas-te apressadamente quando te acusam de alguma falta... Que novidades poderás encontrar no caminho da vida? Desejas o esplendor da cidade dos Césares, mas não acendeste ainda a mais humilde candeia dentro de ti. Queres o júbilo de escutar os oradores famosos; porém, jamais consultaste alguém sobre os recursos que te façam melhor. Buscas espetáculos extravagantes para os olhos de carne, esquecido de que há prisioneiros contemplando festas loucas das grades do cárcere. Sonhas figurar entre os que dominam, mas não tens ainda o comando da própria existência.

O amigo corou ante as palavras serenas, mas exclamou irritadiço:

– No entanto, eu agora sou livre...

Epicteto sorriu e terminou :

– Tens a liberdade, mas não fugirás de ti mesmo...

O episódio recorda-nos a própria vida.

Na juventude, cheia de sonhos, à velhice coroada de desilusões, convida-nos a verdade ao campo consciencial para os serviços de iluminação íntima. A maneira do amigo de Epicteto, contudo, repousamos à sombra das árvores floridas de mentiras deliciosas, na floresta inextricável das emoções humanas. Procuramos melodias que nos embalem os ouvidos e decorações de luxo que nos magnetizem o olhar, colhemos botões de flores e inutilizamos frutos verdes, ciosos de nossa independência, permanecera sempre os mesmos joguetes da reação inferior, quando a luta nos visita de leve.

Desejamos e realizamos no plano exterior, penetrando, em seguida, os caminhos do tédio mortal.

Esgotamos a taça de vinho embriagador para encontrarmos, no fundo, o vinagre do desalento.

Terminadas as decepções da natureza física, conservamos o derradeiro e mais terrível engano. Esperamos na morte a revelação de um paraíso maravilhoso de ambrosias e cânticos angélicos. Sonhamos atravessar sublimes pórticos de misteriosos palácios, repletos de tesouros augustos e láureas imortais.

É a viagem difícil do liberto a uma Roma diferente, aureolada de púrpuras e riquezas.

Entretanto, à frente do castelo celestial, resplendente de luzes, estacamos, defrontados por nós mesmos, em amargosas sombras do coração. Intentamos avançar, ébrios de esperança, gritando nosso júbilo diante da “terra nova”. Todavia, pesadas algemas agrilhoam-nos o espírito ao que somos, fazendo-nos reconhecer que a semeadura da indiferença, produz abundante colheita de remorsos e lágrimas.

Reclamamos, choramos, suplicamos...

A consciência retilínea, porém, responde calma.

- Que realizaste senão repetir, até hoje, o que fazias há séculos? Odeias, quando te perseguem; reages, quando te apedrejam; defendes-te, apressado, quando te acusam... Não compreendeste, não ajudaste, não amaste.

Ansiosos pela fuga, contemplamos o plano infinito que se desdobra, convidando-nos à maravilhosa aventura, no limiar da Eternidade, e, tentando último esforço, para nos desvencilharmos das próprias obras, exclamamos, também:

- No entanto, eu agora sou livre...

E a consciência, divina e irrepreensível, replica-nos com a serenidade imperturbável do sábio cativo:

E a consciência, divina e irrepreensível, replica-nos com a serenidade imperturbável do sábio cativo:

– Tens a liberdade, mas não fugirás de ti mesmo.

Pelo Espírito Irmão X
Do livro: Luz Acima
Médium: Francisco Cândido Xavier

20 setembro 2010

Ante o Evangelho - Emmanuel

ANTE O EVANGELHO

Realmente, por séculos sucessivos, temos realizado a transliteração do Evangelho em todos os climas culturais.

Na senda de todos os povos, as Boas Novas de Salvação surgem por florilégio religioso, revelando sentenças inimitáveis pelo seu conteúdo de beleza e sabedoria.

Indubitavelmente, não possuímos na Terra outra forma de plantação primária do conhecimento, que não essa, através da letra que constitui a base da instrução clareando o pensamento.

Contudo não basta nos detenhamos na fraseologia brilhante, no gesto sutil ou nas aparências elogiáveis para demonstrar assimilação do ensinamento transformador.

Cristianismo não é somente a forma da civilização que nos propomos construir com Jesus.

É, acima de tudo, essência dela mesma, com que devemos plasmar o mundo novo em que as relações humanas representem o alicerce do Reino de Deus.

Urge, pois, configurar a revelação não apenas no tesouro verbalístico que nos lastreia as conquistas filosóficas e artísticas de quase dois milênios.

É indispensável que o apelo do Grande Renovador encontre resposta na consciência e no coração, em nossas idéias e em nossos sentimentos, a fim de que a fé se exprima em trabalho incessante na extensão do bem.

Até hoje, a maioria das escolas cristãs tem adorado santos e apóstolos nos altares de pedra, mas, como nunca, necessitamos presentemente dos heróis do cristianismo nos tribunais e nas escolas, nos templos e nos hospitais, nos lares e nas oficinas, nos escritórios e nos campos, nos divertimentos e nas ruas.

Almas valorosas e decididas que disponham a romper com os impedimentos do próprio egoísmo e da própria vaidade, entusiasmadas com a visão do porvir e libertas do pessimismo que negreja, na volúpia da destruição por onde passa ...

Considerando, qual aconteceu à mulher sofredora na praça pública, somos passíveis de condenação pela ociosidade com que vimos congelando as nossas melhores oportunidades de serviço.

Todos nos encontramos à face do julgamento, pelo delito de lesaconsciência, de vez que temos adulterado a mensagem do Divino Benfeitor de mil modos, em cada romagem no mundo.

Jesus, porém, tolera-nos compassivo e reforma-nos o empréstimo de tempo e de valores novos ...

Mas, se é verdade que nenhum de nós está em condições de atirar a primeira pedra no irmão de caminho, cabe-nos a todos ouvir o Mestre Inesquecível em sua amorosa e segura advertência: - “ Vai e não peques mais”.

Renovemo-nos oferecendo ao mundo e à vida o que possuamos de melhor, porquanto se a ignorância era a nossa furna de sombra até ontem, pelo conhecimento de agora, podemos avanças para futuro, em companhia de Jesus, desde hoje.

Pelo Espírito Emmanuel
Do livro: Construção Do Amor
Médium: Francisco Cândido Xavier

19 setembro 2010

A Lição do Esquecimento - Emmanuel

A LIÇÃO DO ESQUECIMENTO

Não fosse o olvido temporário que assegura o refazimento da alma, na reencarnação, segundo a misericórdia do Senhor que lhe orienta a reta justiça, decerto teríamos no mundo, ao invés da escola redentora, a jaula escura e extensa, onde os homens se converteriam em feras a se digladiarem indefinidamente.

Não fosse o dom do esquecimento que envolve o berço terrestre, o ódio viveria eternizado transformando a Terra em purgatório angustioso e terrível, onde nada mais faríamos que chorar e lamentar, acusar e gemer.

A Divina Bondade, contudo, em cada romagem do espírito no campo do mundo, confere-lhe no corpo físico o arado novo suscetível de valorizar-lhe a replantação do destino, no rumo do porvir.
De existência a existência, o Senhor vela-nos caridosamente a memória, a fim de que saibamos metamorfosear espinhos em flores e aversões em laços divinos.

O Pai, no entanto, com semelhante medida, não somente nos ampara com a providencial anestesia das chagas anteriores, em favor do nosso êxito em novos compromissos.

Com essa dádiva, Ele que nos reforma o empréstimo do ensejo de trabalho, de experiência à experiência, nos induz à verdadeira fraternidade, para o esquecimento de nossas recíprocas, dia à dia.

Aprendamos a olvidar as úlceras e as cicatrizes, as deformidades e os defeitos do irmão de jornada, se nos propomos efetivamente a avançar para diante, em busca de renovadores caminhos.

Cada dia é como que a “reencarnação da oportunidade”, em que nos cabe aprender com o bem, redimindo o passado e elevando o presente, para que o nosso futuro não mais se obscureça.

Nas tarefas de redenção, mais vale esquecer que lembrar, a fim de que saibamos mentalizar com segurança e eficiência a sublimação pessoal que nos cabe atingir.

O Senhor nos avaliza os débitos, para que possamos adquirir os recursos destinados ao nosso próprio reajustamento à frente da Lei.

Recordemos o exemplo do Céu, destruindo os resíduos de sombra que, em forma de lamentação e de queixas, emergem ainda à tona de nossa personalidade, derramando-se em angústia e doença, através do pensamento e da palavra, da voz e da atitude.

Exaltemos o bem, dilatemo-lo e consagremo-lo nos menores gestos e em nossas mínimas tarefas, a cada instante da vida, e, somente assim, aprenderemos com o Senhor a olvidar a noite do pretérito, no rumo da alvorada que nos espera no fulgor do amanhã.

Do livro "Família"
Espírito de Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier

18 setembro 2010

O Amor não Morre - Momento Espírita

O Amor Não Morre

Um compositor brasileiro teve oportunidade de se expressar quanto ao amor, dizendo que O amor é eterno enquanto dure.

É, com certeza, uma visão parcial do amor. Talvez a visão de um amor não verdadeiro. Uma tênue aparência de amor.

A vida nos mostra exemplos inúmeros de que o amor não fenece, não se extingue. Nem o tempo, nem as circunstâncias mais adversas o apagam.

Foi por essa razão que Ida Brown escreveu para o editor de um jornal, dizendo de sua fidelidade à sua coluna. E pedindo um favor.

Ela dizia ter oitenta anos, ser viúva e se encontrar em uma casa de repouso. Contava que, aos dezessete anos, se apaixonara por um rapaz.

Ele era pobre e sua família recém-chegada do Leste Europeu. Ela era rica, de família influente, quarta geração de americanos vindos da Alemanha.

Ele tinha vinte e três anos. Amavam-se. A família de Ida, contudo, não desejando, de forma alguma, aquele consórcio, a levara para a Europa por quase um ano.

Quando ela retornara, seu grande amor não estava mais na cidade. Parecia ter desaparecido da face da Terra. Ninguém sabia para onde ele fora.

Ela acabara por se casar, mais tarde, com um homem maravilhoso com o qual vivera por cinquenta anos. Mas, ele morrera há um ano e agora, ela não conseguia senão pensar no antigo amor.

Desejo encontrar Harry, é o que ela escrevia. A única pista que lhe posso fornecer é o nome dele completo e o antigo endereço.

E concluía a carta com um Aguardo com fé e ansiedade a sua resposta.

O homem, embora cheio de afazeres, se emocionou com a carta e prometeu a si mesmo ajudá-la.

Várias semanas depois, ele fez uma viagem e foi até a Casa de Repouso.

Foi ao sexto andar e falou com um cavalheiro idoso, mas elegante, com os olhos brilhando de inteligência e energia.

Depois, o tomou pelo braço e o levou até o elevador. Desceram ao terceiro andar, onde Ida estava esperando.

O encontro foi dos mais emocionantes. Sem que soubessem, os dois estavam morando na mesma Casa de Repouso, há cinco meses, a três andares de distância.

Algumas semanas mais e o editor do jornal retornou à mesma Casa de Repouso.

Desta vez, para assistir ao casamento de Ida e Harry, com mais de cinquenta anos de atraso.

* * *

Você pode pensar que esta é mais uma história ideal para um filme hollywoodiano. Pode ser. Mas a arte imita a vida, se serve de exemplos de amor para os imortalizar nas telas.

O amor existe. Aí estão milhares de casais a dizer que ele é verdadeiro. E nada o arrefece.

O verdadeiro amor é profundo como o mar, infinito como o céu.

Cultivemo-lo!

Redação do Momento Espírita, com base em história do livro Pequenos milagres, v. II, de Yitta Halberstam e Judith Leventhal, ed. Sextante e penúltima frase colhida no cap. XLIV, do livro Depois da morte, de Léon Denis, ed. Feb

17 setembro 2010

Veículo Poderoso - Momento Espírita

VEÍCULO PODEROSO

Veículo poderoso é a palavra que reflete, de forma segura, o nível moral em que nos encontramos.

Com a palavra se propagam as boas obras e se acende a esperança. Pode-se fortalecer a fé vacilante e sustentar-se a paz. Também serve para alimentar o vício e a delinquência.

Falando, o professor eleva a mente dos seus aprendizes às culminâncias do saber. Usando do verbo, o malfeitor arroja muitos para o fosso do crime.

Conversando, a mãe educa o filho, apontando-lhe os caminhos da honra e do dever.

Usando da palavra, maus líderes conduzem os povos às guerras cruentas, permitindo que a boca escancarada da morte ceife vidas preciosas.

Bons governantes, preocupados com os seus comandados, sua responsabilidade, elaboram discursos de paz e se esforçam por concedê-la.

Jesus falou e o Evangelho surgiu como a Boa Nova que todos aguardavam, sofridos e desalentados.

Antes Dele, a fim de preparar os caminhos, uma voz se ergueu desde o deserto até as margens do rio Jordão, pregando um novo tempo.

Um tempo em que as veredas do Senhor seriam aplainadas e os homens poderiam ouvir o doce cântico de um Rabi.

Nas tardes quentes, nas noites amenas, Jesus serviu-Se da palavra para ensinar as verdades do Pai que está nos céus, para manifestar a Sua vontade generosa e curar enfermos.

Com Seu verbo, salvou da morte por apedrejamento uma mulher que se equivocara, esquecendo dos seus deveres de esposa. E a outra ofereceu a água viva que mata a sede de saber espiritual.

Serviu-Se da palavra e pediu perdão ao Pai para os que O crucificaram e com a palavra da fé entregou-Se a Deus.

O apóstolo Paulo, pela palavra consciente e esclarecedora, levou as boas novas do Reino de Deus a muitos lugares.

De tal forma deixava-se inflamar pela inspiração dos céus, que seu verbo convertia multidões. Tão bem se expressava e com tal fervor que chegaram a confundi-lo com o próprio Deus.

Gandhi serviu-se da palavra para convidar a todos os seus irmãos da Índia a se unirem pelo mesmo ideal. Martin Luther King Jr. discursou em nome da paz, desejando que brancos e negros se sentissem irmãos.

Quando a guerra civil devastava o solo americano, o Presidente Lincoln usou da palavra de bom ânimo para levantar a moral dos soldados abatidos pelas derrotas e pelo abandono que acreditavam sofrer.

O verbo é sempre a manifestação da inteligência sadia ou enferma. É a base da escrita.

E, toda vez que utilizamos a palavra, semeamos bênçãos ou espalhamos tempestades.

Desse modo, ainda que trevas e espinheiros se alonguem junto a nós, governemos a emoção, e pronunciemos sempre a palavra que instrua ou console, que ajude ou santifique.

Mesmo que a provocação do mal nos convide à desordem, a condenar e a ferir, abençoemos a vida, onde estivermos.

Aprendamos a calar toda frase que destrua porque toda palavra que agride é moeda falsa no tesouro do coração.

* * *

Existem três coisas que não têm volta: a flecha lançada, a palavra falada e a oportunidade perdida. Uma vez que a palavra é pronunciada, não há maneira de fazer com que ela retorne.
Lembremo-nos de que uma vez dita a palavra, ela foge ao nosso controle.

Pensemos bem antes de falar, porque mesmo que não possamos fazer com que a palavra volte, teremos que responder por ela.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. Palavra, do livro Seara dos médiuns, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb e no cap. 14, do livro
A carta de Tiago, de L. Palhano Jr., ed. Fráter.

16 setembro 2010

No Meu Tempo é Que Era Bom - Momento Espírita

No Meu Tempo é Que Era Bom

Quantas vezes você já ouviu alguém afirmar: “No meu tempo é que era bom... Na minha infância tal coisa era melhor” ou “Não se fazem mais as coisas como antigamente...?”

Possivelmente, tenha reagido com dúvida quanto às maravilhas ou excelências desse “tempo passado”, tão diferente, tão melhor.

Por outro lado, pode ter-se mostrado com dúvidas diante de tanta coisa boa “do passado”, quando depara com criaturas tão difíceis, complicadas ou negativas no presente.

O que é importante para se refletir é que todo o tempo traz coisas grandiosas e maravilhosas em seu seio, tanto quanto apresenta coisas negativas e lamentáveis.

Assim, não há porque enaltecer o passado e menosprezar o presente, quando encontramos belezas e feiúras num e noutro tempo.

O que caracteriza determinada época são os indivíduos nela renascidos, o que eles realizam e como suas realizações influenciam as sociedades em que vivem, ou mesmo o mundo.

O tempo de Jesus também foi o de Herodes, de Pilatos e de Barrabás.

Enquanto o Divino Mestre semeou luz, amor e paz, a criminalidade foi o legado dos demais: o homicídio, a viciação e a covardia moral.

A época em que viveu Adolfo Hitler, também foi o tempo de Mohandas Gandhi e de Madre Teresa.

Uma determinada coisa não é boa por ser antiga, nem é má por ser atual.

Bom é que saibamos aproveitar as coisas boas, sejam do passado ou do presente.

Aprendamos a rechaçar a impostura negativa de ontem como a de agora, evitando apegos indevidos a tradições retrógradas e perturbadoras, ou a inovações descabidas e às vezes criminosas.

* * *

A nostalgia descreve uma sensação de saudades de um tempo vivido, frequentemente idealizado e irreal.

Ela surge a partir do sentimento de não poder mais reviver certos momentos da vida.

Quando ela se desenvolve como um relembrar feliz, otimista, que coloca luz no coração, ela será sempre saudável.

Porém, quando ela descamba para o estado depressivo, negativo, de não conseguir mais voltar no tempo e viver aquele momento de novo, ela passa a ser nociva.

As pessoas que vivem no passado são comumente tristes e deixam de aproveitar o que a vida tem a oferecer agora, no tempo presente.

Reviver o passado é bom quando se tem o objetivo de aprender com os erros e com os acertos.

Reviver o passado é ruim quando a intenção é a fuga da realidade.

Assim, reflitamos muito antes de voltar a dizer: No meu tempo é que era bom.

Qual é o nosso tempo? O de ontem, que não volta? Ou o de agora, quando ainda temos chances de transformar, de refazer, de mudar?

Passado não existe mais. Futuro não existe ainda. Entre a inexistência desses dois tempos, o que nos resta, senão bem viver o agora?

Pensemos nisso já.

Redação do Momento Espírita com base no cap. 9, do livro Ações corajosas para viver em paz, pelo Espírito Benedita Maria, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter

15 setembro 2010

Causas das Aflições - Momento Espírita

Causas das Aflições

A Terra é uma grande escola, na qual os homens são matriculados pela divindade, a fim de que aprendam a viver.

Mas o aprendizado sempre exige algum esforço para efetivar-se.

Nos colégios da Terra, o aluno não aprende a lição a menos que dedique algumas horas ao estudo.

Também na esfera profissional toda nova tarefa demanda alguma dedicação, até ser desempenhada a contento.

No contexto maior da vida, a situação não é diferente.

Somos chamados ao burilamento de nosso ser, mediante o enfrentamento de inúmeras situações.

As dificuldades são inerentes a nossa posição de aprendizes.

Se já fôssemos mestres na arte de viver, à semelhança de Jesus, tudo nos seria fácil.

O Amigo divino é nosso maior exemplo de alguém que sabe viver.

Ele transitou entre seres rudes e cruéis, mas não gastou seu tempo em contendas.

Ao invés de isolar-se das criaturas, amou-as ternamente.

Acolheu os equivocados, embora não aprovasse seus equívocos.

Jesus foi doação, trabalho, compreensão e perdão, em todas as circunstâncias.

Ele jamais titubeou em sua condição de mestre.

O Cristo é o modelo que nos foi enviado por Deus.

A distância que separa nosso comportamento do dele bem evidencia o longo caminho que temos a percorrer.

É justamente a ignorância que nos dificulta o viver.

Afinal, para quem já domina determinado assunto, este parece fácil, ainda que guarde grande complexidade.

Esse raciocínio demonstra o papel que as dificuldades cumprem em nossa vida.

Elas constituem nossos desafios, revelam as lições que necessitamos aprender.

Por vezes revestem-se de caráter aflitivo, justamente para nos incitar ao esforço necessário para vencê-las.

Desse modo, fica claro que a principal causa das aflições que nos atingem, reside em nosso estado de ignorância.

Essa ignorância tanto se traduz pela falta de conhecimento, como pela má vontade de viver o que sabemos ser correto.

Quando nos esclarecermos, quando formos plenos de virtudes, não mais necessitaremos de experiências dolorosas.

Na verdade, as falhas morais das criaturas constituem a origem imediata da maioria absoluta de suas dores.

Não são raros os protestos contra a providência divina, quando o próprio sofredor deu causa as suas agruras.

Muitas enfermidades decorrem da falta de equilíbrio no beber e no comer.

Quantos pais reclamam dos filhos, mas não gastaram tempo orientando os próprios rebentos.

Inúmeras pessoas entregam-se ao vício da maledicência e depois se surpreendem por conviver com desafetos.

Há quem reclame pela ausência de carinho no núcleo familiar, mas jamais se preocupou em estreitar laços de afeto com os seus.

Incontáveis gastam seus recursos com futilidades e depois reclamam da falta de dinheiro.

Outros não se dispõem ao estudo e se afirmam injustiçados, por falta de oportunidades na vida.

Em tudo isso vê-se a presença de inúmeros vícios que infelicitam a humanidade.

O homem sensato e operoso, por certo enfrenta menores obstáculos do que o leviano.

É impossível colher uvas de espinheiros.

Quem não joga boas sementes no solo da vida não pode reclamar pela ausência de boa colheita.

Assim, é importante refletir sobre a forma como estamos gastando nosso tempo na terra.

Demonstramos esforço sincero no aprendizado do ofício de viver ou parecemos crianças teimosas, clamando por corrigenda?

Se queremos paz, se desejamos a libertação do sofrimento, não há muitas alternativas.

Somente o abandono da ignorância e dos vícios, pela vontade firme de conquistar virtudes, possui o condão de nos libertar.

Pensemos nisso.

Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita