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17 outubro 2014

Força e Amor - Joanna de Ângelis

 

FORÇA E AMOR


A força do amor que dimana de Deus vitaliza o Universo e movimenta a vida.

Estabeleceu as leis que equilibram o Cosmo e regem os destinos.


Predestinou o homem para a glória estelar e programou todos os critérios da evolução.

Aglutina as moléculas através da coesão e espalha os elementos mediante a repulsão.

No caos aparente, organiza novas estruturas e impõe ordem, graças ao fatalismo que a tudo comanda.

Essa força do amor é responsável pelo primeiro movimento e surgimento de tudo.


Sendo o amor a manifestação da sabedoria divina, a sua é a força para o progresso e a felicidade.


* * *

Há muitos homens que acreditam apenas na força.

Constroem impérios que o tempo consome e fomentam guerras que deixam escombros e cinzas.

À medida que a sua força se expande e atemoriza, mais necessidade têm da força para preservar os domínios, que depois lhes escapam, frustrando-os e levando-os ao desespero, à alucinação, de certo modo alienados que são.

A força vence; jamais convence.

A força domina; nunca felicita.

A força se impõe; não é recebida.

A força se gasta; permanece a vida.


* * *

O amor à arte conquista beleza.

O amor ao trabalho favorece o progresso.

O amor ao bem ilumina o mundo.

O amor ao próximo dignifica a vida.


* * *

A força que se instala, dominadora, não logra tanger a cítara da emoção de quem se lhe submete, para um poema de ternura.

O amor inspira a sinfonia.

O amor transforma o húmus em perfume.

A força esmaga a violeta que se esvai em aroma.

A força tiranizante subleva quem lhe sofre o guante.

O amor que reina, desenvolve o júbilo de quem lhe experimenta a governança.

Quanto mais grandioso é o ser, mais eloqüente é a sua capacidade de amar. O inverso é também real: quanto mais primitivo o indivíduo, mais dominador através da força.


* * *

O amor à força brutaliza, asselvaja.

A força do amor dulcifica, aprimora.

A força das hostes de Átila passou.

O amor do Cristo permaneceu.


* * *


Foi, portanto, com muita propriedade, que o evangelista João anotou, no capítulo quatro, versículo oito da sua primeira Epístola: "Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor."


Pelo Espírito Joanna de Ângelis
Livro: "Luz da Esperança"
Psicografia: Divaldo Pereira Franco


16 outubro 2014

Pureza Doutrinária - Hélio Tinoco

 

PUREZA DOUTRINÁRIA

Em uma Época de transição planetária, tão amplamente discutida no meio Espírita, tornam-se necessárias as inúmeras comunicações dos Prepostos do Cristo, chamando-nos a Oração e a Vigilância.

 São palavras de Manoel Philomeno de Miranda, através das confiáveis mãos de Divaldo Franco, no Livro ‘Trilhas da Libertação’, e também em ‘Amanhecer de uma Nova Era’, que nos alerta para as “armas” que os ainda Inimigos do Cristo iriam se utilizar a fim de tentar promover a falência do projeto de resgate da humanidade promovido por Jesus com a participação de seus companheiros que viriam de todas as partes (Livro Boa Nova, capítulo 3). Entre estas, estaria a ideia de criar dissenção e divisão por questões doutrinárias.

Dividir e não unificar, aguçar trevas e não exaltar a luz, trazer ensinos passageiros em vez da mensagem renovadora do Evangelho de Jesus... tomar tempo desviando o olhar para os valores mais importantes do ensino do Cristo...

Diante deste quadro real e vigente em nossas Casas Espíritas e em especial nos Eventos que promovemos, me sinto compelido a me levantar em defesa da imperiosa necessidade de falarmos e ‘fazermos’ a tão cantada Pureza Doutrinária. É Meimei, através das abençoadas mãos de Chico Xavier, que no Livro Caminho Espírita traz-nos a “Prece diante da palavra”, onde em uma de suas partes, nos orienta a rogar aos Céus que ‘não me deixes emudecer diante da verdade, mas conserva-me em Tua prudência’. Embora seja um assunto de difícil abordagem, não me resta senão outra atitude amorosa que não seja a dizer ‘sim, sim, não, não’ como a orientação do Cristo nos propõe.

Bem, vamos lá: Quando abracei a Tarefa de pesquisar e divulgar o Espiritismo há alguns anos à traz, um veterano companheiro de Juiz de Fora (Cidade que iniciei minha caminhada no Espiritismo) comentou em uma de suas exposições, sobre a necessidade do palestrante espírita ser também ouvinte de palestras.

Recomendou, baseado na sua própria experiência, que a cada palestra feita deveria se escutar três! Daí em diante tenho procurado ser assíduo nas Reuniões de Palestras públicas da minha região, o que de fato muito me tem ajudado nas reflexões pessoais para a minha reforma moral e também na elaboração do conteúdo das palestras que faço.

É nesta frequência que tenho observado, de forma preocupante, a infiltração de ideias não espiritas, muitas vezes proferidas por companheiros bem intencionados, mas que têm se tornado, por conta da invigilância, instrumentos das Sombras para minar, pouco a pouco, a genuinidade da Doutrina trazida pelos Espíritos, tornando-se coparticipantes do projeto macabro de atrapalhar a expansão do Reino de Deus no coração dos homens.

Algumas destas palestras, que tem por certo alguma utilidade, embora distantes do propósito maior de instruir e consolar propostos pela Doutrina Espírita, acabam por tomar acentuadamente um cunho de ‘auto ajuda’, permeadas por mensagens filosóficas de autores não espíritas, trazendo para dentro da Doutrina informações que destoam da verdadeira mensagem do Consolador Prometido. Tenho visto e ouvido a exaltação dos ‘chacras’ e do ‘carma’, oriundos da cultura indiana, trazendo um conceito diferente e arriscado para ‘Centros de Força’ e ‘Lei de Causa e Efeito’; tenho observado também palestras inteiras onde o nome de Jesus sequer é citado e nada se fala de Espiritismo... temas que até atraem e congregam inúmeras pessoas, mas que deixam de fora o propósito mais nobre, que é a transformação do homem em um ser melhor e com maior utilidade no bem e no amor, para ser utilizado por Deus para a transformação da humanidade.

Nestas reuniões, os ouvintes são instruídos distantes dos princípios basilares da Doutrina Espírita, e muitos dos que nos visitam em busca de consolo deixam nossas Casas e Eventos decepcionados, e talvez não tenham tão cedo uma nova oportunidade...

Essa estratégia com aparência inocente e de pouco volume, vai lentamente construindo um tipo de seguido sem raízes e que facilmente é levado ao sabor dos ventos de um para outro lado. 

Alguns se auto intitulam, espíritas não praticantes, fazendo com que a Verdade seja banalizada e tida como possível de se seguir sem esforço e dedicação. Isso nos faz pensar se já não seja a hora de repensarmos se de fato estamos alcançado o objetivo primordial de levar a mensagem rediviva do Cristo até os confins do mundo.

O Cristo nos alertou quanto à presença de falsos Cristos nos ‘fins dos tempos’, e as perguntas responsáveis e honestas que devemos fazer a nós mesmos são: Não estarei eu sendo um falso Cristo? Que mensagem tenho pregado e por que motivo a tenho pregado?

Emmanuel nos diz no Livro Estude e Viva, no capítulo 40, que a maior caridade que podemos fazer pela Doutrina é sua própria divulgação. É preciso divulgar de forma acertada os ensinos evangélicos redivivos, sem permitir quaisquer infiltrações de conceitos que choquem com as verdades das obras básicas, sob pena de estarmos semeando sombras com aparência de luzes, e conduzindo muitos aos caminhos do conformismo, da desesperança e da insegurança, angariando para nós mesmos consequência inevitáveis de dor, quando a proposta maior é de exaltar Jesus e seus ensinos, hoje tão claros e racionais, trazidos pelo Espiritismo.V Pensemos, companheiros Expositores, sobre nossa responsabilidade. Mergulhemo-nos em pesquisas sérias e roguemos aos Bons Espíritos do Cristo que nos orientem, inspirem, intuam e instruam a fim de fazer o melhor sempre para Jesus e cumprimos nossa missão de divulgar com esmero e dedicação.

Tomemos o máximo de cuidado com a ‘pureza doutrinária’ dos princípios Espíritas e não nos descuidemos de vigiar, a fim de que não sejamos disseminadores de inverdades que levem as pessoas em direção à ruina e não à renovação espiritual... Muita paz!

15 outubro 2014

As penas futuras segundo o Espiritismo - Octávio Caúmo Serrano

  

AS PENAS FUTURAS SEGUNDO ESPIRITISMO

No capítulo VII da primeira parte do livro “O Céu e o Inferno”, encontramos interessantes questões sobre a vida futura.

As explicações do Espiritismo sobre a crença na vida futura, não se fundamentam em teorias nem em sistemas preconcebidos, mas nas constantes observações oferecidas pelas almas que deixaram a matéria e gravitam na erraticidade nos diferentes planos evolutivos.

Há quase século e meio, essas informações são cuidadosamente anotadas, comparadas e selecionados e formam um compêndio que esclarece devidamente o estado das almas no mundo espiritual.

Quando levamos em conta a universalidade das informações, observamos que as pessoas que viveram em diferentes raças, credos, condições sociais ou intelectuais, religiões, e mesmo ateus, confirmam que a sua situação atual é decorrência do seu próprio passado.

Ao reencarnar, o espírito vem com uma programação geral, tendo como base os velhos erros e acertos, sem que isso determine um destino fatalista. Submete-se às provas e expiações que mais possam ajudá-lo a livrar-se do passado delituoso e fazê-lo avançar na escala espiritual. Há vezes que, além dos fatos da encarnação imediatamente anterior, há outros pendentes de outras passagens pelos planetas que já podem ser enfrentados. Porém, se forem penosos, só poderão ser atendidos por um espírito amadurecido e com capacidade para vencer problemas mais graves. Se ele ainda não tem condição, as provas e as expiações serão ainda suaves, em atenção à pouca capacidade do espírito, no atual momento, e as mais difíceis ficam para outra oportunidade.

A vida do espírito na erraticidade e a sua intenção ou não, conhecimento ou não, aceitação ou não de encarnar depende da situação em que se encontra. A maioria dos que desencarnam na Terra continuam imperfeitos e sofrem na espiritualidade todas as conseqüências dos defeitos que carregam. É este grau de pureza ou impureza que o faz feliz ou infeliz no plano espiritual.

Para ser ditoso o espírito necessita da perfeição. Como isso é raro neste mundo, é fácil concluir-se que a erraticidade que circunda o planeta é ainda um vale de lágrimas, semelhante ao mundo material. É essa comunidade que nos rodeia e influencia os nossos pensamentos, exigindo de nós muita oração e vigilância.

A compreensão e a crença nessa verdade farão os homens melhorar para sofrer menos. Cada um tratará de construir com sabedoria seu próprio futuro para ficar livre das dores.

Estas notícias deixam claro que não há castigo de Deus porque Deus é a Lei. Não pune nem dá prêmios. Toda imperfeição, e as faltas dela nascidas, embute o próprio castigo em condições naturais e inevitáveis. Assim como toda doença é uma punição contra os excessos, como da ociosidade nasce o tédio, não é necessária uma condenação especial para cada falta ou para cada pessoa em particular. Quando segue a lei o homem pode livrar-se dos problemas pela sua vontade. Logo, pode também anular os males praticados e conseguir a felicidade.

A advertência dos espíritos nessa nossa escalada é objetiva e segura. Dizem que “o bem e o mal que fazemos decorrem das qualidades que possuímos. Não fazer o bem quando podemos, é, portanto, o resultado de uma imperfeição.” Observem que não basta não fazer o mal. É preciso fazer o bem.

Os espíritos advertem, também, que não é suficiente que o homem se arrependa do mal que fez, embora seja o primeiro e importante passo; são necessárias a expiação e a reparação.

Quando falta ao espírito a crença na vida futura, fica difícil ele lutar por algo que não acredita e, nesse caso, pratica o mal sem preocupar-se com futuras conseqüências. Por isso, é comum aos espíritos atrasados acreditarem que continuam vivos, materialmente, mesmo após a desencarnação. Continuam com as mesmas necessidades que tinham quando eram humanos. Sentem fome, frio e enfermidades, como qualquer encarnado.

Tudo o que acontece a qualquer um de nós está inscrito na nossa consciência. Dela não podemos fugir por mais longe que estejamos do lugar onde cometemos as faltas. A solução para ter a consciência tranqüila é reparar os erros e desfazer-se do presente que nos atormenta. Quanto mais demoramos na reparação mais sofremos. Não devemos adiar. Nas suas lições, já nos ensinou Jesus: “Reconcilia-te com teu adversário enquanto estás a caminho.”

No próprio capítulo em questão de “O Céu e o Inferno”, há uma indagação que todos nós certamente já fizemos algum dia: Por que tanto sofrimento? “Deus não daria maior prova de amor às suas criaturas criando-as infalíveis, perfeitas, nada mais tendo a adquirir, quer em conhecimento quer em moralidade?” Mas a resposta é óbvia. Deus poderia tê-lo feito, mas não o fez para que o progresso constituísse uma lei geral. Deixou o bem e o mal entregue ao livre-arbítrio de cada um, a fim de que o homem sofresse as dores dos seus erros, mas também o prazer dos seus acertos. E dando “a cada um, segundo as suas obras, no Céu como na Terra.” Esta é a Lei da Justiça Divina. Se assim não fosse, a vida não teria tempero.

O sofrimento, em resumo, é inerente à imperfeição. Livre-se o homem da imperfeição pela sua própria vontade e anulará os males dela decorrentes; conquistará nesse momento a sonhada felicidade.

Octávio Caúmo Serrano
Fonte: Portal Espírita

14 outubro 2014

A Vontade do Homem - Camille Flammarion



A VONTADE DO HOMEM

A palavra liberdade é empregada num sentido mais ou menos lato. 

Há filósofos que atribuem ao homem uma liberdade ilimitada. A seu ver, o homem cria, por assim dizer, a sua própria natureza, adquire as faculdades que deseja e age independente de qualquer lei. Tal liberdade está em contradição com um ser criado. Tudo quanto possam dizer a seu favor não passará de declamações enfáticas, desprovidas de senso e de veridicidade.

Outros há que admitem uma liberdade absoluta, em virtude da qual o homem age sem motivo. Isso, porém, é presumir efeito sem causa, é isentar o homem da lei de causalidade. Seria uma liberdade contraditória de si mesma, podendo-se proceder num mesmo caso bem ou mal, mas sempre sem motivo. Inúteis seriam, então, todos os institutos de finalidade beneficente, individual ou coletiva. De que serviriam as leis, a Religião, as penalidades e recompensas, se nada determinasse o homem? Por que esperar de outrem amizade e fidelidade, antes que ódio e perfídia? Promessas, juramentos, votos, tudo ilusão! Tal liberdade nada tem de real, não passa de especulativa e absurda.

Precisamos, ao contrário, reconhecer uma liberdade acorde com a natureza humana, liberdade que a legislação pressupõe liberdade raciocinada.

Três são as condições fundamentais da legítima liberdade: em primeiro lugar, é preciso que a criatura possa escolher entre vários motivos. Seguindo o motivo mais forte, ou agindo só por prazer, já se não opera com liberdade. O prazer não é mais que uma falsa aparência de liberdade. A ovelha que mastiga a erva com prazer não está exercendo um ato livre.

Obedecendo a um desejo mais forte, também o animal, quanto o homem, não pratica livremente, tampouco. A condição precípua da liberdade é a inteligência, ou a faculdade de conhecer e escolher os motivos. Quanto mais ativa a inteligência, mais ampla a liberdade. 

Os idiotas natos, as crianças até uma certa idade, têm, às vezes, desejos muito enérgicos, mas ninguém os considera livres, visto não possuírem inteligência bastante para distinguir o falso do verdadeiro. Os homens mais bem educados e os mais inteligentes são os de quem, mais que dos ignorantes, deploramos as faltas. À medida que se elevam na série das faculdades intelectivas, os animais vão-se tornando mais livres e modificam mais individualmente os seus atos, de acordo com as circunstâncias exteriores e com as lições de sua prévia experiência. Se empregamos a violência para impedir o cão de perseguir a lebre, ele se lembrará das pancadas que o aguardam e, árdego e trêmulo ao império dos próprios desejos, não deixará de ceder. O homem, superior a todos os seus irmãos da escala zoológica, é, por sua mesma natureza, o ser que goza de liberdade no grau mais eminente. Só ele procura encadear efeitos e causas, comparar melhor o presente e o passado, e daí tirar conclusões para o futuro. Pesa as razões, detém-se nas que lhe parecem preferíveis, conhece a tradição. Seu raciocínio decide e perfaz a vontade esclarecida, muitas vezes contrariamente aos seus desejos.

Uma última condição da liberdade é a influência da volição sobre os instrumentos que devam operar suas ordens pessoais. O homem não é responsável por desejo ou por faculdades afetivas dele independentes. A responsabilidade individual começa com a reflexão e com a possibilidade de proceder voluntariamente. No estado de saúde os instrumentos operatórios subordinam-se à influência da vontade. A fome é involuntária, mas, se em senti-la, eu me abstiver de comer, exerço a influência da minha vontade sobre os instrumentos do movimento voluntário. A cólera é involuntária, mas eu não sou forçado a maltratar quem me provoque, só porque a minha vontade influi em meus músculos. Perdido o domínio dessa influência, então sim, o homem já não é livre. É o que amiúde sucede com os alienados, que experimentam desejos, reconhecem a sua inconveniência, chegam a maldizê-los, mas não têm a força de restringir os movimentos involuntários, chegando mesmo, algumas vezes, a pedir que lhos embarguem.

A liberdade moral é a base mesma da sociedade e se ela não passa de ilusão, todo o gênero humano, tanto as nações incipientes como as mais civilizadas, que cultivam a Ciência e governam a Matéria, bem como os povos remotos, toda a Humanidade, – repetimo-lo – ter-se-ia deixado iludir pelo mais colossal dos erros que ainda existiu, depois de enveredar pela senda mais falsa e injusta que possamos imaginar. Mas... que dizemos: – injusta? Neste sistema, essa palavra nada significa e visto que o bom e o mau não existem; visto não haver ordem moral, claro é que todas as palavras concernentes à descrição dessa ordem, todos os pensamentos e julgamentos carecem de sentido. E, contudo, a menos que abstraiamos a própria consciência, não podemos anuir a semelhantes conclusões.

Quaisquer que sejam as conclusões teóricas a que cheguem os lógicos na questão do livre arbítrio – dizia Samuel Smiles –, todos sentimos que somos praticamente livres de escolher entre o bem e o mal. Não somos o seixo que, lançado na torrente, apenas pode seguir o curso das águas. Ao contrário, sentimos em nós a força do nadador, que pode escolher a direção convinhável, lutar contra a corrente, ir mais ou menos aonde lhe praza. Nenhum constrangimento absoluto nos empece a vontade. Sentimos e sabemos no concernente aos nossos atos, que não somos encandeados por qualquer espécie de magia. Todas as nossas aspirações para o bem e para o belo ficariam paralisadas se pensássemos de modo diverso. Todos os negócios, nossa conduta na vida, regime doméstico, contratos sociais, instituições públicas, tudo, enfim se baseia na noção prática do livre-arbítrio. E sem ele, onde estaria a responsabilidade? De que serviria ensinar, aconselhar, predicar, reprimir, punir? Para que leis, se não houvesse uma crença universal como o próprio fato universal, de que dos homens e de sua determinação depende conformar-se ou não? O homem que melhor evidencia seu valor moral é o que se observa a si mesmo, dirige as suas paixões, vive conforme a regra que se impôs, estuda suas aptidões e suas falhas.

Eis, verdadeiramente, o homem: sua grandeza está na sua liberdade. Não fora livre o homem, não se lhe permitiria ter fome e sede, nem comer nem beber; nem senhorear, em coisa alguma, as tendências do seu corpo. A ordem social não se teria constituído.

Mas nós não temos necessidade de prova alguma exterior para afirmar a nossa liberdade. Ninguém melhor o sabe do que a nossa própria consciência. Ela é, aliás, a única coisa que possuímos completamente nossa, e a boa ou má direção que lhe damos, em definitivo, só depende de nós. Nossos hábitos e pendores não são nossos amos, mas servos. Mesmo quando com eles transigimos, a consciência adverte-nos de que poderíamos resistir e que, para vencê-los, não careceríamos de fortaleza superior às nossas possibilidades, se fizéssemos finca-pé. É pelo emprego livre da razão que nos fazemos o que somos. Se ela apenas propende para o sensualismo é que a vontade, forte e demoníaca, subjuga e escraviza a inteligência. Bem dirigida, porém, essa mesma vontade compara-se a uma rainha, tendo por ministros as faculdades intelectuais e presidindo ao maior desenvolvimento compatível com a natureza humana.

Este pretenso ateísmo científico tomou o encargo de rebaixar e destruir todos os caracteres da grandeza humana. Não pode, contudo, impedir a alma de provar o seu valor, de assomar a matéria, construindo-se de si mesma com os elementos do seu meio e do seu clima.

Ele, o materialismo, não percebe que se a personalidade humana fosse resultado de influências fatalísticas da Natureza, a criança e o selvagem, sob o governo quase exclusivo dessas forças, seriam mais sensatos, mais íntegros que o sábio, o filósofo, o artista. Tal consequência destrói, por si só, a teoria dos nossos adversários.

Camille Flammarion
Fonte: Espiritismo Na Rede

13 outubro 2014

Resgatando Valores Esquecidos - Maria Luzia Almeida Rosa



RESGATANDO VALORES ESQUECIDOS!


A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.

O homem terá que conviver com a natureza social do próprio homem; mas sempre nos vem à mente: será que estamos realizando as tarefas adequadamente ou esperando que os outros façam por nós, aquilo que somente à nós compete.

A mídia nos contempla todos os dias com fatos, notícias, ocorrências, acontecimentos muito duros, tragédias, barbáries que nos amedrontam.

A passividade tomou conta do homem, levando-o a uma acomodação que dá medo de viver. Medo de tudo, da vida.

A vida moderna com todas as facilidades e dificuldades vem preenchendo tanto o tempo e a vida fugaz do ser humano, que o pouco espaço que lhe resta não sobra lugar para a busca dos valores nobres do espírito.

Onde estão a ética, a justiça, a disciplina, a honestidade, a solidariedade, a verdade? Valores imprescindíveis para o desenvolvimento de uma sociedade equilibrada e mais feliz.

Como almejar esse equilíbrio social se perdemos a dignidade, a beleza e a graça da vida, tornando-nos engenheiros do mau humor.

Clientes assíduos das clínicas psicológicas e das sessões de terapia, até mesmo regressões de vidas passadas para resolver problemas emocionais criados pelas nossas invigilâncias, nossos deslizes, nossos lixos mentais, emocionais e afetivos no coração. Geralmente, vivemos caçando e remexendo lixos alheios.

Há gente que só tem olhos para o lixo e, lamentavelmente, não cogitam em reciclar suas próprias atitudes, seus pensamentos, seus posicionamentos e ideias.

Acomodam-se na busca insana pelo lixo dos outros; criticam os familiares, parentes, amigos, vizinhos, o governo, o salário, a política, a religião do outro, o lixo e a sujeira da cidade e esquece o lixo seu.

Viu como adoramos caçar encrencas para nós próprios?

Não mandamos em nossos hábitos, não respeitamos leis impostas pelo próprio homem, há um desrespeito total a tudo: a natureza, ao trânsito, ao corpo físico, a saúde, ao ser humano, ao outro; é um abuso à integridade, a esse espírito reencarnante que veio para a busca da perfeição.

Onde estão os valores essenciais para essa constante busca?

Que condições o planeta Terra nos oferece?

O que estamos fazendo para melhorar?

O que nos resta é a Educação dos sentimentos; a Pedagogia do respeito, o resgate da dignidade humana e a valorização do Ser.

A receita é fácil e maravilhosa: adote o Cristo em suas atitudes. Se sonhamos com uma sociedade justa e feliz estamos precisando um pouco de luz e beleza; de graça e alegria para continuar a sonhar, para que a vida se torne suportável e especial.



Maria Luzia Almeida Rosa é funcionária pública aposentada, dirigente na Instituição Nosso Lar em Araçatuba e ex-presidente da União das Sociedades Espíritas (USE).  Fonte: CACEF

12 outubro 2014

A Paixão de Jesus - Ewerton Quadro

 
A PAIXÃO DE JESUS

O Espiritismo não nos abre o caminho da deserção do mundo.

Se é justo evitar os abusos do século, não podemos chegar ao exagero de querer viver fora dele. Usufruamos a vida que Deus nos dá, respirando o ar das demais criaturas, nossas irmãs.

Para seguir a própria consciência, podemos dispensar a virtude intocável que forja a santidade ilusória.

Não sejamos sombras vivas, nem transformemos nossos lares em túmulos enfeitados por filigranas de adoração.

Nossa fé não é campo fechado à espontaneidade.

Encarnados e desencarnados precisamos ser prudentes, mas isso não significa devamos reprimir expansões sadias e não nos abracemos uns aos outros. A abstinência do mal não impõe restrições ao bem.

Assim como a virtude jactanciosa é defeito quanto qualquer outro, a austeridade afetada é ilusão semelhante às demais.

Não façamos da vida particular uma torre de marfim para encastelar os princípios superiores, ou estrado de exibição para entronizar o ponto de vista.

A convicção espírita não é insensível ou impertinente.

A inflexibilidade, no dever, não exige frieza de coração. Fujamos ao proselitismo fanatizante, mas nem por isso cultivemos nos outros a aversão por nossa fé.

Se o papel de vítima é sempre o melhor e o mais confortável, nem por isso, a título de representá-lo, podemos forçar a nossa existência, transformando em verdugos, à força, as criaturas que nos rodeiam.

Não sejamos policiais do Evangelho, mas candidatemo-nos a servidores cristãos.

Nem caridade vaidosa que agrave a aspereza do próximo, nem secura de coração que estiole a alegria de viver.

Quem transpira gelo, dentro em breve caminhará em atmosfera glacial.

A crença aferrolhada no orgulho desencadeia desastres tão grandes quanto aqueles criados pelo materialismo.

Não sejamos companhias entediantes.

Um sorriso de bondade não compromete a ninguém.

A fé espírita reside no justo meio-termo do bem e da virtude.

Nem o silêncio perpétuo da meia-morte, que destrói a naturalidade, nem a fala medrosa da inibição a beirar o ridículo.

Nem olhos baixos de santidade artificiosa, nem anseio inexperiente de se impor a todo preço.

Nem cumplicidade no erro, na forma de vício, nem conivência com o mal, na forma de aparente elevação.

Fé espírita é libertação espiritual. Não ensina a reserva calculada que anula a comunicabilidade, constrangendo os outros, nem recomenda a rigidez de hábitos que esteriliza a vida simples. Nem tristeza sistemática, nem entusiasmo pueril.

Abstenhamo-nos da falsa ideia religiosa, suscetível de repetir os desvios de existências anteriores, nas quais vivemos em misticismo acabrunhante.

Desfaçamos os tabus da superioridade mentirosa, na certeza de que existe igualmente o orgulho de parecer humilde.

O Espiritismo nos oferece a verdadeira confiança, raciocinada e renovadora; eis por que o espírita não está condenado a atividade inexpressiva ou vegetante. Caridade é dinamismo do amor. Evangelho é alegria. Não é sistema de restringir as ideias ou tolher as manifestações, é vacinação contra o convencionalismo absorvente.

Busquemos o povo – a verdadeira paixão de Jesus –, convivendo com ele, sentindo-lhe as dores, e servindo-o sem intenções secundárias, conforme o “amai-vos uns aos outros” – a senda maior de nossa emancipação.


Pelo Espírito Ewerton Quadros
Do livro: O Espírito da Verdade
Médium: Francisco Cândido Xavier



11 outubro 2014

Um Dia Você Aprende que ... - Veronica Shoffstall

 


UM DIA VOCÊ APRENDE QUE...


Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.

E você aprende que:-

- Amar não significa apoiar-se,

- Que companhia nem sempre significa segurança, e começa a aprender que:-

- Beijos não são contratos, e que:-

- Presentes não são promessas.

Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança; aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo, e aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai ferí-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.

Aprende que falar pode aliviar dores emocionais, e descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida; aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida, e que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que eles mudam; percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos.

Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.

Começa a aprender que não se deve compará-los com os outros, mas com o melhor que pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.

Aprende que não importa onde já chegou, mas onde se está indo, mas se você não sabe para onde está indo qualquer lugar serve.

Aprende que ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.

Aprende que paciência requer muita prática.

Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se;

- Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou;

- Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha;

- Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens; poucas coisas são tão humilhantes... e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando se está com raiva se tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.

Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém; algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.

Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.

Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás, portanto, plante seu jardim e decore sua alma ao invés de esperar que alguém lhe traga flores, e você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.

Descobre que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!

Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.


Veronica Shoffstall

10 outubro 2014

No Lar - André Luiz


NO LAR

Começar na intimidade do templo doméstico a exemplificação dos princípios que esposa, com sinceridade e firmeza, uniformizando o próprio procedimento, dentro e fora dele.

Fé espírita no clima da família, fonte do Espiritismo no campo social.

*

Calar todo impulso de cólera ou violência, amoldando-se ao Evangelho de modo a estabelecer a harmonia em si mesmo perante os outros.

A humildade constrói para a Vida Eterna.

*

Proporcionar às crianças os fundamentos de uma educação sólida e bem orientada, sem infundir-lhes medo ou fantasias, começando por dar-lhes nomes simples e naturais, evitando a pompa dos nomes famosos, suscetíveis de lhes criar embaraços futuros. 

O lar é a escola primeira.

*

Sempre que possível, converter o santuário familiar em dispensário de socorro aos menos felizes, pela aplicação daquilo que seja menos necessário à mantença doméstica.

A Seara do Cristo não tem fronteira.

*

Se está sozinho com a sua fé, no recesso do próprio lar, deve o espírita atender fielmente ao testemunho de amor que lhe cabe, lembrando-se de que responderá, em qualquer tempo, pelos princípios que abraça.

A ribalta humana situa-nos sempre no papel que devamos desempenhar.

*

Ao menos uma vez por semana, formar o culto do Evangelho com todos aqueles que lhe co-participam da fé, estudando a Verdade e irradiando o Bem, através de preces e comentários em torno da experiência diária à luz dos postulados espíritas.

Quem cultiva o Evangelho em casa, faz da própria casa um templo do Cristo.

*

Evitar o luxo supérfluo nos aposentos, objetos e costumes, imprimindo em tudo características de naturalidade, desde os hábitos mais singelos até os pormenores arquitetônicos da própria moradia.

Não há verdadeiro clima espírita cristão sem a presença da simplicidade conosco.

*

“Aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família e a recompensar seus pais, porque isto é bom e agradável diante de Deus.”

Paulo. (1ª carta a Timóteo, capítulo 5, versículo 4.)

Pelo Espírito André Luiz
Médium: Waldo Vieira
Obra:  Conduta Espírita

09 outubro 2014

Ter sempre razão - Momento Espírita

 
TER SEMPRE RAZÃO

Quanto custa ter sempre razão?

Em algum momento, paramos para analisar esta questão? Já pensamos quais são as consequências de sempre querer provar que estamos certos?

É claro que defender um ponto de vista é corriqueiro. Colocar nosso posicionamento ou nossas ideias perante um fato, de maneira sensata, é mesmo saudável.

Trocar ideias a respeito de um tema, argumentar a favor de um conceito no qual acreditamos, são posturas naturais e comuns nas nossas relações cotidianas.

Porém, quando essa atitude supera todas as barreiras, está sempre como ponto de honra de nossa palavra, quando se torna fundamental ter a razão, qual o preço a ser pago?

Quantas vezes nos aborrecemos com alguém pelo simples fato de querermos convencê-lo de que ele está errado em sua forma de pensar?

Quem de nós não se pegou transformando uma discussão tranquila em um afrontamento pessoal?

Ou ainda, quantas vezes não elevamos o tom da conversa, nos tornamos ríspidos no enfrentamento de ideias?

Defendemos nosso ponto de vista como acreditamos ser o mais adequado. E, naturalmente, temos nossa maneira de ver a realidade, conforme nossos valores, conceitos e capacidades.

Quatro pessoas, cegas de nascença, ao serem colocadas junto a um elefante vão conseguir relatar o que puderem tocar do animal.

Se não lhes derem a oportunidade de perceber as diferenças entre orelha, cauda, tromba, corpo, terão apenas uma ideia parcial.

Não estarão erradas, apenas cada uma terá somente parte da razão.

Muitas vezes isso acontece nos nossos relacionamentos. Temos a nossa percepção, a nossa capacidade de análise.

Não quer dizer que estejamos errados ou que não tenhamos razão em nossos argumentos.

Porém não podemos esquecer de que o outro tem sua própria forma de ver, seus valores, suas ideias.

Enfrentar-se nessas situações, será o duelo de ideias, a briga de argumentos, em que, quase sempre, o que existe, de verdade, é o desejo de impor nosso raciocínio, nossa argumentação.

Inúmeras vezes, em nome de desejarmos provar que a razão nos pertence, usamos nossa palavra como quem está numa batalha, não desejando nunca perder.

Ter sempre razão às vezes custa o preço de uma amizade.

Buscar impor aos outros nossos argumentos, repetidamente, pode ocasionar o desgaste da relação.

Querer estar sempre certo, no campo das ideias e reflexões, pode causar fissuras nas relações familiares.

Assim, antes de buscarmos ter razão, melhor buscarmos a preservação da harmonia.

Antes de querermos ser vencedores em nossa argumentação, melhor que tenhamos paz de espírito.

A verdade, mais dia, menos dia, se fará presente, duradoura, perene.

Assim, mesmo quando toda a razão nos pertença, vale refletirmos se devemos continuar nossos duelos de ideias.

Talvez, o melhor, em determinadas situações, seja utilizarmos nossa capacidade pensante, nosso senso de validação para buscar compreender o próximo.

Ao assim procedermos, poderemos entender o porquê dos argumentos alheios, de sua forma de agir, facilitando e aprofundando nossas relações.

Dessa maneira, evitaremos o granjear de atritos e dissabores, pesos desnecessários ao nosso coração.

Pensemos nisso.




08 outubro 2014

Corpo - Emmanuel


CORPO


Abstendo-nos de qualquer digressão científica, porqüanto os livros técnicos de educação usual são suficientemente esclarecedores no que reporta aos aspectos exteriores do corpo humano, lembremo-nos de que o Espírito, inquilino da casa física, lhe preside à formação e à sustentação, consciente ou inconscientemente, desde a hora primeira da organização fetal, não obstante quase sempre sob os cuidados protetores de Mensageiros da Providência Divina.

Trazendo consigo mesmo a soma dos reflexos bons e menos bons de que é portador, segundo a colheita de méritos e prejuízos que semeou para si mesmo no solo do tempo, o Espírito incorpora aos moldes reduzidos do próprio ser as células do equipamento humano, associando-as à própria vida, desde a vesícula germinal.

Amparado no colo materno, estrutura-se-lhe o corpo mediante as células referidas, que, em se multiplicando ao redor da matriz espiritual, como a limalha de ferro sobre o ímã, formam, a principio, os folhetos blastodérmicos de que se derivam o tubo intestinal, o tubo nervoso, o tecido cutâneo, os ossos, os músculos, os vasos.

Em breve, atendendo ao desenvolvimento espontâneo, acha-se o Espírito materializado na arena física, manifestando-se pelo veículo carnal que o exprime. Esse veículo, constituído por bilhões de células ou individuações microscópicas, que se ajustam aos tecidos sutis da alma, partilhando-lhes a natureza eletromagnética, lembra uma oficina complexa, formada de bilhões de motores infinitesimais, movidos por oscilações eletromagnéticas, em comprimento de onda específica, emitindo irradiações próprias e assimilando-as irradiações do plano em que se encontram, tudo sob o comando de um único diretor: a mente.

Desde a fase embrionária do instrumento em que se manifestará no mundo, o Espírito nele plasma os reflexos que lhe são próprios.

Criaturas existem tão conturbadas além-túmulo com os problemas decorrentes do suicídio e do homicídio, da delinqüência e da viciação, que, trazidas ao renascimento, demonstram, de imediato, os mais dolorosos desequilíbrios, pela disfunção vibratória que os cataloga nos quadros da patologia celular.

As enfermidades congênitas nada mais são que reflexos da posição infeliz a que nos conduzimos no pretérito próximo, reclamando-nos a internação na esfera física, às vezes por prazo curto, para tratamento da desarmonia interior em que fomos comprometidos.

Surgem, porém, outras cambiantes dos reflexos do passado na existência do corpo, da culpa disfarçada e dos remorsos ocultos. São plantações de tempo certo que a lei de ação e reação governa, vigilante, com segurança e precisão.

É por isso que, muitas vezes, consoante os programas traçados antes do berço, na pauta da dívida e do resgate, a criatura évisitada por estranhas provações, em plena prosperidade material, ou por desastres fisiológicos de comovente expressão, quando mais irradiante se lhe mostra a saúde.

Contudo, é imperioso lembrar que reflexos geram reflexos e que não há pagamento sem justos atenuantes, quando o devedor se revela amigo da solução dos próprios débitos.

A prática do bem, simples e infatigável pode modificar a rota do destino, de vez que o pensamento claro e correto, com ação edificante, interfere nas funções celulares, tanto quanto nos eventos humanos, atraindo em nosso favor, por nosso reflexo melhorado e mais nobre, amparo, luz e apoio, segundo a lei do auxílio.


Pelo Espírito Emannuel
Do livro: Pensamento e Vida
Médium: Francisco Cândido Xavier


07 outubro 2014

A Inveja - Orson Peter Carrara


A INVEJA
A inveja é a arma dos fracos. Matriz de inúmeros males, mentora de muitas desordens, alicerce de incontáveis desventuras. Discreta, incomodamente, tem sido deixada à margem pelos expositores das verdades evangélicas em todas as crenças. Sutil como é, passa despercebida, embora maliciosa, comparável a vapor deletério que intoxica todo aquele que lhe padece a presença, espalhando miasma em derredor.
         
Hábil, consegue travestir-se de ciúme exacerbado, quando não o faz como arrogância vingadora ou aparenta na condição de humildade, sempre perniciosa, ou se disfarça como orgulho prepotente.
         
A inveja, além dos males psíquicos que produz, em razão dos pensamentos negativos que dirige contra outrem, proporciona, simultaneamente, graves prejuízos morais àquele que dela se empesta.
         
A inveja é capaz de caluniar, investindo contra uma vida com uma frase dúbia, na qual consegue infamar o mais puro caráter. Soez, transmuda palavras e infiltra doestos perniciosos; vê o que lhe apraz e realize conforme lhe parece lucrar.
         
Consequentemente, o invejoso é um peso infeliz na comunidade humana, porque débil moral; adapta-se, amolda-se, é venenoso na bajulação e terrível na agressividade...
         
A arma do invejoso é o ódio desenfreado, mortífero. Na impossibilidade de valorizar o trabalho que alguém faz, procura inspirar em muitos o despeito e a mágoa, a raiva e a imponderação, e palavra ácida e a acusação mordaz, a fim de realizar-me e afligir.

As lições da convivência, todavia, muito ensinam. Desprendimentos de uns, simplicidade de outros, confiança de muitos e não obstante a deficiência que há em cada um, sempre menor do que as minhas imensas mazelas da inveja, é preciso aprender a respeitar, porquanto o invejoso não considera ninguém, padecendo despeito de todos, a todos apedrejando, maldizendo...
        
O exercício é para querer estimar, conseguir amizade e plantar no coração o que muitos chamam amor, mas que ao ególatra constitui um fardo pesado, tenebroso, difícil de carregar.
         
Sim, o espírito invejoso odeia,  persegue, porque, tendo ciúme da felicidade alheia, corrói-se pela inveja da felicidade dos demais.
         
Os que apresentam recalques entre os homens, os que cultivam complexos de inferioridade, no fundo são Espíritos invejosos, malévolos, insidiosos, infelizes, pois somente quem é desventurado se compraz na desventura alheia...
         
Por isso o exercício é treinar a largueza da generosidade, a difusão da gentileza, a ampliação dos horizontes imensos da caridade, porque as mãos que esparzem rosas sempre ficam impregnadas de perfume... Como é ditoso oferecer-se rosas, muito melhor seria tirar-lhes, também, os espinhos, como os cardos do caminho por onde transitam incautos pés.


 Orson Peter Carrara

Nota do autor: adaptado do texto A INVEJA, constante do livro Depoimentos Vivos, de Divaldo Pereira Franco, Ed. LEAL, com transcrições parciais.

06 outubro 2014

Carta de um Morto - Irmão X



CARTA DE UM MORTO

Pede-me você notícias do cemitério nas comemorações de Finados. E como tenho em mãos a carta de um amigo, hoje na Espiritualidade, endereçada a outro amigo que ainda se encontra na Terra, acerca do assunto, dou-lhe a conhecer, com permissão dele, a missiva que transcrevo, sem qualquer referência a nomes, para deixar-lhe a beleza livre das notas pessoais.

Eis o texto em sua feição pura e simples:

Meu caro, você não pode imaginar o que seja entregar à terra a carcaça hirta no dia dois de Novembro.

Verdadeira tragédia para o morto inexperiente.

Lembrar-se-á você de que o enterro de meu velho corpo, corroído pela doença, realizou-se ao crepúsculo, quando a necrópole enfeitada parecia uma casa em festa.

Achava-me tristemente instalado no coche fúnebre, montando guarda aos meus restos, refletindo na miserabilidade da vida humana...

Contemplando de longe minha mulher e meus filhos, que choravam discretamente num largo automóvel de aluguel, meditava naquele antigo apontamento de Salomão – vaidade das vaidades, tudo é vaidade –, quando, à entrada do cemitério, fui desalojado de improviso.

Na multidão irrequieta dos vivos na carne, vinha a massa enorme dos vivos de outra natureza. Eram desencarnados às centenas, que me apalpavam curiosos, entre o sarcasmo e a comiseração.

Alguns me dirigiam indagações indiscretas, enquanto outros me deploravam a sorte.

Com muita dificuldade, segui o ataúde que me transportava o esqueleto imóvel e, em vão, tentei conchegar-me à esposa em lágrimas.

Mal pude ouvir a prece que alguns amigos me consagravam, porque, de repente, a onda tumultuária me arrebatou ao circulo mais íntimo.

Debalde procurei regressar à quadra humilde em que me situaram a sombra do que eu fora no mundo... Os visitantes terrestres daquela mansão, pertencente aos supostos finados, traziam consigo imensa turba de almas sofredoras e revoltadas, perfeitamente jungidas a eles mesmos.

Muitos desses Espíritos, agrilhoados aos nossos companheiros humanos, gritavam ao pé das tumbas, contando os crimes ocultos que os haviam arremessado à vala escura da morte, outros traziam nas mãos documentos acusadores, clamando contra a insânia de parentes ou contra a venalidade de tribunais que lhes haviam alterado as disposições e desejos.

Pais bradavam contra os filhos. Filhos protestavam contra os pais.

Muitas almas, principalmente aquelas cujos despojos se localizam nos túmulos de alto preço, penetravam a intimidade do sepulcro e, de lá, desferiam gemidos e soluços aterradores, buscando inutilmente levantar os próprios ossos, no intuito de proclamar aos entes queridos verdades que o tímpano humano detesta ouvir".

Muita gente desencarnada falava acerca de títulos e depósitos financeiros perdidos nos bancos, de terras desaproveitadas, de casas esquecidas, de objetos de valor e obras de arte que lhes haviam escapado às mãos, agora vazias e sequiosas de posse material.

Mulheres desgrenhadas clamavam vingança contra homens cruéis, e homens carrancudos e inquietos vociferavam contra mulheres insensatas e delinqüentes.

Talvez porque ainda trouxesse comigo o cheiro do corpo físico, muitos me tinham por vivo ainda na Terra, capaz de auxiliá-los na solução dos problemas que lhes escaldavam a mente, e despejavam sobre mim alegações e queixas, libelos e testemunhos.

Observei que os médicos, os padres e os juízes são as pessoas mais discutidas e criticadas aqui, em razão dos votos e promessas, socorros e testamentos, nos quais nem sempre corresponderam à expectativa dos trespassados.

Em muitas ocasiões, ouvi de amigos espíritas a afirmação de que há sempre muitos mortos obsidiando os vivos, mas, registrando biografias e narrações, escutando choro e praga, tanto quanto vendo o retrato real de muitos, creio hoje que há mais vivos flagelando os mortos, algemando-os aos desvarios e paixões da carne, pelo menosprezo com que lhes tratam a memória e pela hipocrisia com que lhes visitam as sepulturas.

Tamanhos foram meus obstáculos, que não mais consegui rever os familiares naquelas horas solenes para a minha incerteza de recém-vindo, e, somente quando os homens e as mulheres, quase todos protocolares e indiferentes, se retiraram, é que as almas terrivelmente atormentadas e infelizes esvaziaram o recinto, deixando na retaguarda tão somente nós outros, os libertos em dificuldade pacífica, e fazendo-me perceber que o tumulto no lar dos mortos era uma simples conseqüência da perturbação reinante no lar dos vivos.

Apaziguado o ambiente, o cemitério pareceu-me um ninho claro e acolhedor, em que me não faltaram braços amigos, respondendo-me às súplicas, e a cidade, em torno, figurou-se-me, então, vasta necrópole, povoada de mausoléus e de cruzes, nos quais os espíritos encarnados e desencarnados vivem o angustioso drama da morte moral, em pavorosos compromissos da sombra.

Como vê, enquanto a Humanidade não se habilitar para o respeito à vida eterna, é muito desagradável embarcar da Terra para o Além, no dia dedicado por ela ao culto dos mortos que lhe são simpáticos e antipáticos.

Peça a Jesus, desse modo, para que você não venha para cá, num dia dois de Novembro. Qualquer outra data pode ser útil e valiosa, desde que se desagarre daí, naturalmente, sem qualquer insulto à Lei. Rogue também ao Senhor que, se possível, possa você viajar ao nosso encontro, num dia nublado e chuvoso, porque, em se tratando de sua paz, quanto mais reduzido o séqüito no enterro será melhor.

E porque o documento não relaciona outros informes, por minha vez termino também aqui, sem qualquer comentário.

Livro: Cartas e Crônicas
 Irmão X - Médium: Francisco Cândido Xavier