Total de visualizações de página

21 janeiro 2020

Uma atitude, um exemplo - Momento Espírita



UMA ATITUDE, UM EXEMPLO


Alguns afirmam que professor é tarefa que está em declínio, considerando-se os baixos salários da classe.


Outros apontam que professores dedicados, atenciosos, daqueles que abraçam a profissão por legítima vocação, estão em extinção. Sempre viável se reproduzir alguns fatos, que nos dizem que há muito amor circulando pelas escolas.


Um rapaz encontrou seu antigo professor e lhe perguntou: Oi, professor, lembra de mim?


Como muitos de nós, que não arquivamos na memória registros fotográficos, respondeu o profissional não se recordar dele, em absoluto.

Mas lhe perguntou: O que anda fazendo?

A resposta foi rápida: Sou professor. Abracei o magistério por sua causa.


A surpresa do professor foi grande. Não somente não se lembrava daquele aluno quanto nem remotamente, podia imaginar o que fizera que pudesse ter estimulado o jovem daquela maneira.


E o rapaz contou: Um dia, um amigo meu, estudante da mesma classe, apareceu com um relógio novo, lindo.

Era um modelo caro e, de imediato, o desejei para mim.

Num momento de distração do colega, eu o apanhei e coloquei em meu bolso.

Quando ele percebeu o furto, reclamou junto ao senhor.


Alto e claro, o senhor deu a ordem para que o relógio fosse devolvido ao seu dono. Ninguém se mexeu. Olharam uns para os outros, como eu mesmo fiz, para disfarçar.

Então, o senhor foi até a porta e a trancou. Pediu que todos ficássemos em pé e fechássemos os olhos.


Lentamente, foi de um para outro aluno, revistando os bolsos. Achou o relógio no meu, mas continuou passando revista até o último da classe.

Quando terminou, declarou que o relógio fora encontrado. Todos abrimos os olhos.

Não houve nenhuma acusação, nenhuma advertência. Nunca tornou a mencionar o episódio, não declarou para a turma curiosa quem tinha cometido o furto.

Naquele dia, o senhor salvou a minha dignidade. Foi o dia mais vergonhoso da minha vida.

Fiquei esperando que, em algum momento, me chamasse em particular, para me falar sobre honestidade, moral. Nada.

Então, eu entendi o que era um verdadeiro educador. E desejei, ardentemente, ser assim.

Ajudar, talvez, em algum momento, um menino indisciplinado, perdido em si mesmo.


Por fim, concluiu o moço: Acho estranho que o senhor não lembre disso. Não marcou a minha fisionomia?


E o professor, sereno, respondeu: Desculpe. Eu lembro do relógio furtado, de eu ter revistado toda a turma.


Mas, de verdade, não lembro de você por causa de um detalhe: quando fui fazer a revista, eu fui tateando, no escuro, porque eu também fechei os olhos.


Que lição! Quantos de nós precisamos seguir esse exemplo. Porque temos muita pressa e quase prazer em apontar as faltas alheias.


No entanto, a ação cristã nos diz que as faltas do próximo somente devem ser divulgadas quando objetivem o bem das pessoas.

Como um exemplo desses impressiona e marca, de forma positiva, uma vida.


Como precisamos, nos dias atuais, desse comportamento. Desse se importar com a imagem do outro, que, em momento de invigilância, cometeu um erro, uma falha.

E precisa da nossa compaixão, sobretudo, de uma segunda chance.

Pensemos a respeito.



Por Redação do Momento Espírita, com base em narrativa de autoria ignorada. 


20 janeiro 2020

Sobre a liberdade de expressão – Porta dos fundos - Antônio Carlos Navarro



SOBRE A LIBERDADE DE EXPRESSÃO
PORTA DOS FUNDOS


Não é “politicamente correto” que se fale, ou se satirize, quem não tem meios, se o quiser, de se defender.

Em tempos onde todos temos o direito de se defender e reclamar retratação, ou ainda cobrar compensação financeira por assédio moral, referir-se a alguém, mesmo que seja um vulto histórico não presente fisicamente é, no mínimo, antiético, e a exposição midiática a que foi exposto Nosso Senhor Jesus Cristo se enquadra nesse contexto.

A percepção e uso da liberdade é uma das necessidades básicas dos seres vivos, e muito mais dos seres humanos – ensina o notável psicanalista Erich Fromm. No entanto, a liberdade deve vir acompanhada de respeito, responsabilidade e limites, e tanto mais quanto mais atinge, direta ou indiretamente, os que estão vinculados ao personagem focado, pelos laços sagrados do sentimento e da crença.

Assim como se tolhe a liberdade das crianças em seu processo de aprendizado, a bem delas próprias, “crianças espirituais” também necessitam de contenção e vigilância em função de suas cegueiras morais.

A necessidade de se manter na mídia, em evidência, e a falta de criatividade moralmente sadia, inteligente, levam a aberrações morais que denotam a ignorância em relação ao sagrado, e ao Senhor Jesus e Sua mensagem de esclarecimento libertador.

Não se pode tudo em nome da liberdade. Sempre haverá prejuízos de monta.

Mas o Senhor Jesus não tem necessidade de defensores. Para quem sofreu a traição de um amigo muito próximo, a negação de outro, e a deserção de outros tantos, culminando com a coroa de espinhos, o flagelamento e a ignominiosa cruz, ser retratado como foi é “café pequeno”.

Trabalhando com e para Deus, o Pai Maior, amorosamente o Senhor Jesus espera que lobos se transformem em ovelhas, alertando, no entanto, que a vida não premia e não castiga, apenas conduz a consequências – à cada um segundo suas obras, ensinou-nos – e que cegos que conduzem cegos acabam por cair ambos no precipício. Não há uma só imperfeição moral que não resulte em sofrimento, ensina a Doutrina Espírita.

Mas, atenção, cristãos. É preciso tomar cuidado com nossas reações. Não nos cabe outra conduta senão a indicada pelo próprio Mestre Jesus – para nós, Espíritas, o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo:

“Perdoai setenta vezes sete vezes; orai pelos vossos inimigos e por aqueles que vos perseguem e caluniam; oferece a face esquerda ao que te bate na direita; não resistais ao mal”.

Nada de violência, portanto, de nenhum tipo, em hipótese alguma.

Evidentemente, pode-se, e deve-se, se posicionar a respeito dos fatos aberrantes, e externar esse posicionamento, mas não de forma equivalente moralmente. Que nos expressemos educando, aconselhando, mas sobre tudo exemplificando as lições que temos aprendido junto ao Evangelho do Senhor Jesus.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro


19 janeiro 2020

Liberdade, liberdade! - Divaldo P.Franco




LIBERDADE, LIBERDADE!


Há um velho dito que assim se expressa: Ainda não vi tudo!

Refere-se às surpresas do quotidiano, no que diz respeito aos acontecimentos durante a existência física.


Fatos aberrantes chocam-nos a cada momento, e, através da imprensa em seus vários aspectos, o noticiário surpreende-nos com ocorrências inimagináveis, que se vão tornando comuns em nosso processo de relacionamentos sociais.


Mais recentemente, todas as pessoas sensatas, religiosas ou não, fomos surpreendidas com o escândalo satírico, em torno das figuras históricas e nobres de Jesus, Seus familiares e seguidores mais próximos.


Em nome da liberdade de pensamento e de expressão, um grupo, repetindo-se em perversões chocantes, tenta denegrir o Homem de Nazaré, assim como todos aqueles que com Ele conviveram, em cenas vulgares de uma vileza moral que nos obriga a entretecer os comentários que seguem.


Essas pessoas permitem-se liberdades libertinas, confundindo-as e azorragando a cultura e a arte com baixeza moral alarmante.


Esses artistas que navegam contra a correnteza da História e da Ética dos bons costumes chegam ao despautério de ver todos os membros que envolvem Jesus, Ele inclusive, como portadores das chagas mais ultrizes que, certamente, são familiares aos sentimentos que se transferem deles na atualidade e atirados nos homens e mulheres do pensamento cristão inicial.


Têm, sim, um propósito destrutivo esses indivíduos anarquistas. Na falta de cultura e de arte para combaterem os nobres ideais com outros que lhes sejam superiores, rebaixam-nos à própria condição. Aquele que dividiu a História com a Sua existência ímpar e atraiu ao holocausto por aproximadamente trezentos anos mais de um milhão de pessoas de todas as classes sociais e culturais é inatacável.


Certamente essa visão atormentada não afeta a mensagem do Evangelho e muito menos o Seu autor, mas perturba as gerações novas despreparadas para o respeito ao próximo e à sociedade, criando um campo de tormentos morais mais servis do que aqueles que hoje arrastam multidões desassisadas.


Ninguém tem o direito de agredir impunemente as crenças e os ideais dos outros, especialmente aqueles que os não têm nenhuns, que se caracterizam pela zombaria, autodestrutivos e enfermiços.


O meu silêncio diante das ofensas propositais e patológicas ao Mestre venerado por mais de um bilhão de homens e mulheres de todo jaez será anuência à perversão e indignidade de que se reveste o ataque deplorável, perpetrado por esse grupo que elegeu a porta do fundo para se fazer conhecido.


Apresento, deste modo, o meu repúdio pessoal à anticultura e devassidão desses apóstolos da era de decadência da sociedade que perdeu o rumo da razão e dos deveres morais.


Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 9.1.2020.

18 janeiro 2020

Silêncio, instrumento de libertação - Adriana Machado



SILÊNCIO, INSTRUMENTO DE LIBERTAÇÃO


Nós, seres humanos, principalmente do Ocidente, não somos acostumados com o silêncio e quando nos deparamos com ele, buscamos qualquer coisa para fazer para não nos “entediarmos”.

Ouvimos rádio, lemos livros, entramos nas redes sociais, conversamos com alguém ao nosso lado... tudo para não ficarmos sozinhos com alguém que é muito especial para nós, mas que está sendo colocado de lado dia a dia: o nosso Eu interior.

Quem de vocês hoje se deu bom dia? Sim, se deu bom dia! Não estou dizendo dar um bom dia e ser grato pela vida, pelo sol, pelo trabalho, por Jesus... estou perguntando quem deu bom dia para si mesmo e se desejou um ótimo dia de grandes aprendizados?

Parece redundância quando pensamos que se estamos gratos pela vida, estamos gratos por existirmos!! 

Infelizmente, não é bem assim!

Nós podemos agradecer por tudo que há ao nosso redor, mas, neste tudo, nem sempre estamos nós.

O QUE FAZEMOS ENTÃO?

Infelizmente, o que vemos hoje é que estamos nos voltando para dentro de nós somente quando:
  1. não aceitamos que ainda somos aprendizes e que cada um, inclusive nós, tem o tempo certo para apreender a lição ofertada pela vida; 
  2. queremos apontar cada um dos nossos erros pessoais e dizer o quanto estamos decepcionados conosco por termos agido e produzido um resultado que não nos agradou; 
  3. queremos nos condenar com o peso de todo o nosso rancor e, em razão de nossa ignorância, nos mantemos encarcerados dentro de nós sem termos nos dado a chance de um julgamento mais justo.

Então, massacrados e aprisionados cada vez mais, nos mostramos para o mundo externo como amantes de nós mesmos, mas, algozes pelas raias da loucura de tantas atrocidades que fazemos conosco.

A pergunta é: merecemos “ouvir” tudo isso?

Sei que estamos acostumados a raciocinar para darmos vazão aos necessários aprendizados que nos elevam, mas, existem momentos que precisaremos ir para o deserto e jejuar por quarenta dias. (Mateus 4:1-11)

Jesus, na sua forma incrível de ensinar, nos alertou também nessa passagem que todos nós precisamos nos possibilitar:
  1. o jejum dos pensamentos mundanos,
  2. o jejum das autocobranças,
  3. o jejum dos encarceramentos mentais,
  4. o jejum dos julgamentos insanos, etc...
É aí que entra o silêncio.

Jesus dizia: quem não tem pecado que atire a primeira pedra. (Jo 8:1-11)

Não há lição maior do que esta quando aplicamos tal ensinamento frente às nossas iniquidades, percebendo, portanto, que nós também podemos errar; percebendo, portanto, que, se nós também erramos, o alvo a quem Jesus se referia não era somente o outro, mas também nós mesmos, porque, por não sabermos tudo, ainda estamos “pecando” e “errando”, “pecando” e “buscando acertar”.

Não merecemos tanto peso no julgamento a que nos submetemos.

Nós, como juízes, precisamos nos silenciar para “escutar” as vozes que nos ajudarão a compreender a nossa natureza íntima e, principalmente, a natureza deste grande Universo que nos abriga.

Será pelo silêncio (que no início nos parecerá ensurdecedor) que “ouviremos” o que é realmente importante: a nossa voz interior. Uma voz de nossa essência, uma voz que está conectada a tudo e a todos e que nos ama e compreende.

Será pelo silêncio que nos daremos a chance de descansar a nossa mente de tantas cobranças e tantas batalhas contra nós mesmos, mas principalmente nos reconectarmos conosco.

Parece incoerente para vocês o que digo?

SILENCIAR OU FALAR

Se precisamos ficar em silêncio, como poderemos nos escutar?

Pensem comigo: se estivermos num show, com música alta, teremos condições de escutar quem está ao nosso lado?

Hoje, estamos todos neste show: vivemos num fluxo de atividades e tumulto mental de toda espécie que nos impedem de escutarmos o que é importante e quem está mais próximo de nós. Pioramos a situação quando, por adorarmos a música que nos cerca, não buscamos prestar atenção naquele que muito tem a compartilhar conosco, mas que não está tendo a chance de ser ouvido.

Precisamos nos silenciar para que escutemos quem realmente precisa se manifestar. Por vezes, será a nossa essência, outras vezes, o nosso Criador. E afirmo que precisamos nos silenciar porque nenhum deles falará, mas sim, “se” emanará. Sentiremos tudo isso, e tudo isso nos trará a certeza do quanto estamos amparados e prontos para enfrentarmos as experiências que nos farão maiores e melhores.

Como em uma preparação para o vestibular, entramos nos cursinhos que nos darão mais confiança daquilo que sabemos e nos darão mais embasamento para outras questões ainda não dominadas.

Devagar, pelo silêncio, nos refletiremos e, portanto, nos conheceremos melhor.

Assim, teremos mais chances de um viver em paz conosco e um julgamento mais justo de nossa parte.

MAS, COMO FAZER ISSO?

Vou dar uma dica simples, mas outras muitas existem por aí.

Procurem um lugar tranquilo em seu ambiente material e, depois, em sua mente, onde vocês podem estar com alguém que é muito especial. Acreditem que este alguém tem muito a ensinar, mas que ele é educado e fala baixo. Por isso, há uma necessidade de fazer todos os outros e as outras coisas se calarem.

No início, parecerá impossível porque a nossa mente é expansiva e faladeira, mas devagar, vai se distanciando do que ela tem a lhe dizer; não se conecte com o turbilhão de assuntos que ela traz.

Logo no início, o silêncio não existirá em sua plenitude, mas poderá ser sentido (como uma paz interior) cada vez maior, mesmo com a nossa mente querendo fazer-se presente.

Sinta-se relaxado fisicamente e, parte a parte de seu corpo, vai tendo noção de sua existência através das sensações. Depois, quando todas as partes externas forem escaneadas, viaje para o seu mundo interno e deixe-se aconchegar nele.

Deixe-se ficar ali, como se flutuasse em uma rede na varanda, em um ambiente gostoso onde parece que só existe você, a natureza e Deus.

Não precisa temer imagens de onde você está. Se precisa delas, deixe-as ficar.

Não precisa ser um momento longo. Poucos segundos dessa sensação consigo e com Deus dará você a certeza do quanto somos capazes de ir além e que tudo aqui é transitório, e que a vida é muito mais.

Nada precisa ser pronunciado, só sentido.

O silêncio de sua alma levará ao seu juiz interior tudo o que ele precisa para lhe conhecer melhor (sem escárnio, sem preconceito) e, com isso, lhe julgar com mais amorosidade concedendo-lhe a liberdade que necessita para enfrentar as novas experiências. 




17 janeiro 2020

A Humanidade e a Religião - Cláudio C.Conti

(Entardecer  em Santos/SP - Antonino Giovani Terzariol)

A HUMANIDADE E A RELIGIÃO


Carl G. Jung compara a psique humana com uma ilha cercada pelo oceano. A ilha representaria o consciente e o oceano o inconsciente. 

Deste ponto de vista, pode-se perceber que somos muito mais inconsciente do que consciente.

Assim, conclui-se que muito pouco sabemos a nosso próprio respeito.

Ainda sob a visão de Jung, o inconsciente seria subdivido em "pessoal" e "coletivo".

O inconsciente pessoal seria a região da psique em que seriam armazenados os acontecimentos que não são registrados pelo consciente e se localizaria logo abaixo deste.

A idéia de um inconsciente coletivo surgiu ao observar pacientes que apresentavam manifestações psíquicas correlacionadas com acontecimentos específicos ocorridos em épocas e locais diversos. Na grande maioria das vezes, os fatos que reportavam estavam além do conhecimento do indivíduo em questão. Tais fenômenos, sob uma ótica não reencarnacionista, somente poderiam gerar a idéia de que, de alguma forma, a informação sobre todas as ocorrências da humanidade, em todos os tempos, deveria permanecer disponível em um local qualquer, sendo possível ser acessado quando em alguns estados da consciência.

Joanna de Ângelis nos informa, reconhecendo o grande legado deixado por Jung, que o denominado "inconsciente coletivo" seria o acervo conquistado ao longo de sua existência como espírito imortal que é, armazenando em seu arquivo extra-cerebral, isto é, nos fulcros energéticos do espírito.

Sob este prisma, é possível compreender que o ser humano possui inerentemente a idéia da existência de algo além do mundo material ao qual se tem um contato mais imediato, enquanto em estado de vigília, e que, pelos mecanismos da mente, são registrados no consciente e, por isso, de mais fácil percepção.

Portanto, desde tempos imemoriais a humanidade procura estabelecer procedimentos religiosos. Estes procedimentos consistem, na grande maioria das vezes, em rituais para satisfazer as necessidades do consciente, que precisa ser sensibilizado através da matéria e de dogmas, para tentar satisfazer, mesmo que precariamente, a necessidade de explicações por parte do inconsciente.

Nos séculos XVII e XVIII, no mundo ocidental, houve um crescimento do culto da razão em detrimento do culto da religião. Talvez tal comportamento seja decorrente da inabilidade das religiões vigentes na época de responderem ou saciarem as necessidades de um inconsciente que, embora permaneça sem ser visto, age sobre o indivíduo. Tal acontecimento pode ter gerado o atual preconceito de considerar a psique como produtos ilusórios e, por isso, não necessitando de dedicação. Tal posicionamento leva muitos pais a crerem que apenas a satisfação das necessidades materiais de seus filhos seja suficiente para que cresçam saudavelmente, o que, infelizmente, é o responsável por tantos desatinos atuais.

A Doutrina Espírita veio mostrar que, em se tratando de assuntos relativos ao espírito, não existe a necessidade de rituais, além de apresentar explicações claras para as questões espirituais, suprimindo a necessidade de dogmas.

Esclarece, ainda, que a perfeição é a única fatalidade a que o indivíduo está sujeito. Assim, os desajustes e faltas deverão ser reparados, para que o espírito possa atingir estados mais elevados, expurgando-se das tendências mais primitivas para alcançar a felicidade. Tudo isto foi dito por Jesus há mais de dois mil anos e é de tão difícil compreensão para nós.

Nos últimos anos, é possível verificar uma transformação na mentalidade humana. A busca por conhecimentos que transcendem o cotidiano vem crescendo gradativamente, o que pode ser facilmente verificado pelo crescimento da seção de livros religiosos e de auto-ajuda nas livrarias e pela freqüência cada vez maior nos templos religiosos.

Apesar disso, ainda impera um frenesi descabido por saciar o que se acredita serem necessidades materiais e gozos dos mais variados matizes, causando desarmonias para o espírito, acumulando desequilíbrios que, cedo ou tarde, deverão ser sanados.

Vivemos momentos difíceis, quando a incoerência de atos e de pensamentos oriunda de mentes em desalinho tenta frear a transformação. Mas, aqueles que já possuem o discernimento e que sentem a existência de Deus velando por todos devem permanecer firmes em seus propósitos de transformação para, gradativamente, através do exemplo, influenciarem beneficamente aqueles que estejam em volta.

Nos momentos mais difíceis, lembremos sempre de Jesus, que disse:

"Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei.

Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo. (MATEUS,cap. XI, vv. 28 a 30.)".


Cláudio C. Conti
Fonte: Jornal O APRENDIZ - Centro Espírita Maria Angélica

16 janeiro 2020

Vícios e Delitos - Joanna de Ângelis




VÍCIOS E DELITOS


Condicionamentos passados fortemente fixados nos tecidos sutis do espírito ressurgem como incontidas impulsões, que se transformam em vigorosos senhores dos que lhes padecem a injunção.


Procedentes do pretérito espiritual, fazem-se dilaceração da alma desde cedo, quando o processo da reencarnação se consuma...

Constituem imperiosos tormentos que aparecem reiteradamente, dominam e destroem os seus êmulos.

Formam as paisagens lôbregas do mundo moral da criatura humana.


Tomam corpo em decorrência dos maus hábitos, estimulados pela insensatez, cultivados pela permissividade social.

Assumem aspeto inocente e se incorporam à personalidade, tornando-se uma segunda natureza que absorve os recursos superiores da vida, culminando por seviciar e vencer os que derrapam na sua inditosa direção.

Defluem de inspirações perniciosas de mentes desencarnadas, em processo insinuante de obsessão simples, que se converte em subjugação selvagem, mediante a qual os cômpares se sustentam e se extremunham, infelicitando-se reciprocamente em doloroso processo de longo curso em que se interdependem, amargurados.

Possuem uma gênese e uma gama diversa e complexa.


Todos decorrem do espírito dúbio e procedem da fraqueza interior dos que se acumpliciam em consórcio de dependência inditosa.

Florescem, pestilenciais, na alma, na mente e no corpo.


São paixões dissolventes que envenenam com tenacidade, em programática segura.

Seja sob qual aparência os descubras em ti, não lhes dês trégua.

A mentira inocente estimulada transforma-se, um dia, numa calúnia bem urdida.

Uma taça de licor singela, repetida, faz-se veículo de alcoolofilia martirizante.

Um delíquio moral momentâneo, aceito com naturalidade, abre as portas da dignidade à corrupção.

Sê severo nos teus compromissos morais, nas tuas relações sociais, impondo-te elevação e austeridade.

Um descuido, uma concessão e se estabelecem os vínculos inditosos.


Morigeração e cuidado deves manter, mesmo que os outros se favoreçam com maior soma de liberdade, a fim de preservar-te das artimanhas dos vícios e delitos que trazes do ontem, que podes adquirir hoje e que estão fáceis por toda parte...

Sublimes realizações, tarefas nobilitantes que suportaram graves investidas do mal, homens e mulheres resolutos que se ofereceram ao bem e ao dever, tombaram, inermes, ante os vapores dos vícios sociais e delitos morais aparentemente ingênuos, que terminaram por vencer as decisões robustas em que fraquejaram...

Vigia e perscruta teus sentimentos.

Se descobrires tendências e inclinações não adies o combate, nem te concedas pieguismo.


Luta e vence-os de uma vez, arrebentando os elos mantenedores da viciação e dos delitos, a fim de lograres o êxito que persegues, anelas e necessitas.


Joanna de Ângelis
Médium: Divaldo P. Franco
Livro: Leis Morais da Vida

15 janeiro 2020

A Arte da Aceitação - Carneiro de Campos



A ARTE DA ACEITAÇÃO


Arrancado das masmorras, dos porões do obscurantismo, da ignorância para a praça pública da agressão e vulgaridade, o sexo continua a merecer, senão a exigir tratamento condigno por parte de educadores, psicólogos, religiosos, de todas as pessoas sensatas.

Ignoradas ou relegadas a plano secundário as funções da sua usança com responsabilidade no ministério procriativo, prossegue recebendo estardalhaço e escândalo, embora sob o disfarce de educação, em moldes provocativos e de escarnecimento.

A ausência de maturidade emocional em muitos daqueles que se encarregam de estudá-lo com objetivos de divulgação, quase sempre portando problemas de complexidade imensa, que os torna incapazes de formulações de elevado conteúdo , esses apressados educadores mais perturbam e açulam as mentes jovens do que as orientam para as finalidades superiores da vida.

De profundas e graves complexidades na sua aparelhagem fisiológica, com correspondentes vinculações psicológicas mais afetas ao campo da alma encarnada, o sexo é sempre resultado, numa vida, das experiências cultivadas nas existências anteriores.

Qualquer estudo das questões da sexualidade, portanto, para alcançar as legítimas finalidades, como contributo imprescindível para a paz do homem e o equilíbrio da comunidade, deverá ser feito mediante o exame da anterioridade da alma, sem o que, por mais se penetrem nas causas atuais dos seus distúrbios, defrontar-se-ão, em realidade, efeitos dos fatores reais que dormitam desde o pretérito espiritual, expressando-se nas caracterizações duvidosas em que ora sejam apreciadas.

Por isso que as várias gamas das suas manifestações fora da heterossexualidade não podem ser examinadas e concluídas perfunctoriamente, assim como os dramas da sexualidade no lar, de difícil compreensão imediata nas suas causalidades, jamais encontrarão soluções nos aberrantes comentários do sensacionalismo livresco ou do periodismo escabroso...

A ciência conhece, sem dúvida, grande parte dos mecanismos fisiológicos, anatômicos e alguns resultantes emocionais das engrenagens sexuais, após significativas incursões e honestos trabalhos de investigação responsável.

Falta, no momento, uma filosofia ética sobre a correta utilização do sexo como normativa eficaz para o exercício das suas faculdades.

O homem controla o fogo e drena regiões pantanosas.

Engenhos hidrelétricos extraem dos cursos dágua, em barragens monumentais, força colossal que movimenta cidades gigantescas.

As leis de trânsito corrigem os abusos de condutores de veículos, e policiais, juristas, administradores hábeis conduzem a disciplina na comunidade, tentando evitar a criminalidade, a corrupção...

Espaçonaves engenhosas rasgam os espaços sob controles remotos, respondendo corretamente a programações extensas com que o homem penetra nos intrincados fenômenos do Cosmo.

Hábitos de higiene confraternizam com técnicas de comportamento; criteriosas terapêuticas preventivas e medidas profiláticas contribuem eficazmente para o equilíbrio, para a felicidade humana...

Todavia, quando se trata dos compromissos e das relevantes manifestações sexuais recorrem-se a tabus ou a atitudes do cinismo, sem a preocupação de um comportamento sério, grave, com vistas ao entendimento da questão, em clima de elevação, naturalidade, sublimação.

Inclusive no capítulo do sexo, Jesus foi excelente educador, orientando-o embora veladamente, quanto à necessidade de o conduzir a fim de não ser por ele perturbado e mal dirigido, ao elucidar: "Onde estiver o tesouro aí se encontrará o coração".

O problema do sexo, em grande parte decorrente da educação, resulta, sem dúvida, da atitude mental que se mantém em relação a ele.

Colocando-se o pensamento exclusivamente nas suas necessidades reais ou falsas, estas assomarão em atividade perniciosa, geradora de alienações e promotora de suicídios.

Dirigido pela mente esclarecida, faz-se nobre instrumento da vida, produzindo equilíbrio emocional e paz, na programação para a qual foi elaborado pela Divindade com os elevados misteres da perpetuação da espécie.


Carneiro de Campos
Médium: Divaldo P. Franco
Livro: Terapêutica de Emergência

14 janeiro 2020

Lei da Causa e Efeito, Reencanação e os Gêmeos Siameses - Jorge Hessen



LEI DE CAUSA E EFEITO, REENCARNAÇÃO E OS GÊMEOS SIAMESES


Um caso raro de gêmeos siameses causou espanto na Índia. Babita Ahirwar e seu marido, Jaswant Singh Ahirwar, já sabiam que esperavam xifópagos [1], mas o nascimento da criança fez com que os pais entrassem em choque. As duas crianças compartilhavam os mesmos órgãos internos, incluindo um só coração, porém com duas cabeças separadas. Os bebês nasceram no dia 23 de novembro de 2019. O caso é descrito como sendo dicephalus parapagus [2], tipo que engloba cerca de 11% dos casos de gêmeos siameses, de acordo com uma revisão histórica feita pelo Journal of Pediatric Surgery. [3]

Pela tradição, o termo siameses surgiu no século XIX, precisamente em 1811, com o primeiro caso acadêmico registrado no mundo, ocorrido com os irmãos tailandeses Chang e Eng Bunker – decorrendo daí o termo “gêmeos siameses” [4]. Os dois irmãos foram conduzidos para a Inglaterra e posteriormente para os Estados Unidos.

Por uma questão de programação espiritual, e nem poderia ser diferente, Chang e Eng Bunker desencarnaram em 17 de janeiro de 1874, com poucas horas de diferença, aos 63 anos, estabelecendo um recorde de sobrevida dentre gêmeos siameses. O que nos chama atenção é o fato de que “os dois tiveram 22 filhos, que através deles geraram mais de 1.500 descendentes, a maioria deles não-gêmeos e em condições ideais de saúde.” [5]

Pelas leis reencarnatórias, num só corpo não há como reencarnar mais que um Espírito. Todavia, no caso dos seres xifópagos, existem dois espíritos em corpos grudados biologicamente, possuindo dois cérebros (dicéfalos), portanto são dois indivíduos e duas mentes.

Se na xifopagia os Espíritos forem amigos se aproximarão por afinidade de sentimentos e sentirão menos desconforto por estarem acoplados fisicamente. Todavia, nos casos dos Espíritos que afetivamente não se aturam e se repelem, serão intensamente infelizes como inquilinos de corpos grudados.

Nestas circunstâncias reencarnatórias, quais razões induziriam as Leis de Deus consentirem tamanhas anormalidades corporais?

Por quais razões esses espíritos necessitam permanecer algemados corporalmente, compartilhando vísceras e funções orgânicas, compreendendo que nada nos é mais intrínseco (íntimo) e individual que a organização física?

Na maior parte dos casos os xifópagos são dois espíritos comprometidos por imensos ódios, erigidos ao longo de múltiplas reencarnações, e que reencarnam nestas condições por recomendações dos Benfeitores sem que se constitua um processo de punição divina, até porque as Leis de Deus não são punitivas; elas apenas nos convidam (amorosa ou dolorosamente) para a reparação dos erros, sob às luzes misericordiosas da Lei de Causa e Efeito que funciona a fim de que nós nos protejamos de nós mesmos.

Alternando-se as posições como algozes e vítimas e, igualmente, nas dimensões físicas e espirituais, compelidos por irresistível atração de ódio e desejo de vingança, tais Espíritos pela divina Lei de Atração buscam-se continuamente e culminam se reaproximando em condições comovedoras, convidando-os a dividir amargamente o mesmo sangue vital e do ar que respiram.

Tal reencarnação dolorosa permitirá que ambos os espíritos, durante a experiência desafio no corpo carnal, ajustem os laços de união e sustentação moral, catalisando anseios de amizade, fraternidade e plausível começo de reconciliação pelo autoperdão e recíproco perdão.

Mesmo entre espíritos afins ou simpáticos, a experiência xifópaga deverá ser uma vivência muito desafiadora, inobstante ambos aceitarem, ou serem convidados a cumprirem a lei de amor, embora conectados biologicamente, tendo como meta diluir traumas morais do passado para robustecer a necessária reaproximação hoje para delinear um amanhã mais harmonioso.

Muitas vezes não é possível, de imediato, dissolverem-se essas vinculações anômalas, a fim de que haja total recuperação psíquica dos infelizes protagonistas. No decorrer dos anos, a imantação se avoluma, tangendo dimensões categóricas de alteração do corpo perispiritual de ambos. A analgesia transitória, pela comoção de consciência causada pela reencarnação expiatória, poderá impactar e recompor os sutis tecidos em desarranjo da mente doente.

Nessas reflexões doutrinárias não há como desconsiderar que os pais são invariavelmente co-participantes do processo, até porque são os vínculos solidários do passado que os convidam a experienciar o drama da vida atual com os filhos. Não podemos afirmar que são vítimas ingênuas de uma lei natural injusta e arbitrária. O reencontro comum pelas afinidades que atraem pais e filhos por simbiose magnética apenas retrata os lídimos mecanismos da Lei de Causa e Efeito à qual todos estamos submetidos.

A proposta espírita da questão aponta para algumas soluções que podem contribuir com a psicologia e a medicina de hoje e de amanhã, considerando a terapêutica. A prática da prece e da doação de energias magnéticas através do passe, por exemplo, são recursos adequados e indispensáveis para despertar consciências e minimizar os traumas psicológicos. Soluções essas que para eles (xifópagos) se descortinam eficazes, eliminando-lhes a mente para a necessidade da efetiva reconciliação, enfrentando a união pelo laço indestrutível e saudável do amor.


Jorge Hessen

Notas e referências:

[1] A nomenclatura provém de xifóide que é o apêndice terminal do osso esterno (com s ), situado na frente do tórax onde se unem as costelas, isto porque muitos dos xifópagos estudados eram unidos por esta parte do corpo.

[2] Gêmeos dicephalus parapagus são unidos lado a lado pela pelve e/ou em todo o abdômen e no peito, mas têm cabeças separadas. Os gêmeos podem ter dois, três (tribrachius) ou quatro (tetrabrachius) braços e duas ou três pernas.


[4] Termo advindo do antigo reino de Sião (Tailândia).


13 janeiro 2020

As normas de Kardec - J.Herculano Pires




AS NORMAS DE KARDEC


O desenvolvimento dos princípios espíritas não pode ser feito de maneira atrabiliária, pois no campo do Conhecimento há leis de lógica e de logística que regem o processo cultural. Kardec estabeleceu as normas que temos de observar para não cairmos nos enganos e nas ilusões tão comuns à nossa precipitação. Essas normas, elas mesmas, estão hoje sendo acrescidas de meios novos de verificação da realidade através da Ciência e da Filosofia. O bom senso, como ensinou Kardec, é o fio de prumo que nos garante a construção de um Conhecimento mais amplo e mais rico, mas ao mesmo tempo mais preciso.

Usar do bom senso é o primeiro preceito da normativa de Kardec.


Examinar com rigor a linguagem dos Espíritos comunicantes, submetê-los a testes de bom senso e conhecimento, verificar a relação de realidade dos conceitos por eles enunciados (relação do seu pensamento com os fatos, as coisas e os seres), enquadrar os seus ensinos e revelações no contexto cultural da época, verificando o alcance abusivo ou não das afirmações mais audaciosas — eis os elementos que temos de observar no trato da mediunidade, se não quisermos cair em situações difíceis, a que fatalmente nos levariam espíritos imaginosos ou pseudo-sábios. E ao lado disso submeter tudo quanto possível à comprovação experimental, à pesquisa.

Bem sabemos que tudo isso requer espírito metódico, um fundo básico de conhecimentos gerais, capacidade normal de discernimento, superação da curiosidade doentia, controle rigoroso da ambição e da vaidade, equilíbrio do raciocínio, maturidade intelectual, critério científico de observação e pesquisa e firme decisão de não se deixar levar pelas aparências, aprofundando sempre o exame de todos os aspectos dos problemas e das circunstâncias. Sim, tudo isso é difícil, mas sem isso não faremos ciência e sem ciência não teremos Espiritismo. Se alguém notar que não dispõe dessas qualidades deve reconhecer-se inábil para a investigação espírita. É melhor aceitar com humildade as próprias limitações do que aventurar-se a realizações impossíveis.

A luta necessária.


Infelizmente a maioria das criaturas não gosta de reconhecer os seus limites. A vaidade e a ambição levam muita gente a dar passos mais largos do que as pernas permitem. É o que hoje vemos, de maneira assustadora, em nosso meio espírita. Os casos de fascinação multiplicam-se ao nosso redor. Pessoas que podiam ser úteis se transformam em focos de confusão e perturbação, entravando a marcha do Espiritismo com a sustentação de teorias absurdas que levam a doutrina ao ridículo. Em nosso país esses casos se tornam mais graves por causa da falta geral de cultura. As pessoas incultas e ingênuas se deixam levar muito facilmente ao fanatismo, ante o brilho fictício de pessoas inteligentes e cultas, mas dominadas por fascinações perigosas.


A mania do cientificismo vem produzindo grandes estragos em nosso movimento espírita. Qualquer possuidor de diplomas de curso superior se julga capacitado a transformar-se em cientista do dia para a noite. E logo consegue uma turma de adeptos vaidosos, prontos a seguir o iluminado que lhes empresta um pouco do seu falso brilho. O desejo de elevar-se acima dos outros, conhecendo mais e sabendo mais, é praticamente incontrolável na maioria das pessoas. O resultado é o que vemos. Há mais joio do que trigo em nossa seara espírita. A luta contra essa situação é das mais árduas. 

Mas, árdua ou não, tem de ser enfrentada pelos que vêem as coisas de maneira mais clara. Temos de ferir susceptibilidades, magoar o amor próprio de amigos e companheiros, levantar no próprio meio espírita inimigos gratuitos, provocar revides apaixonados. Mas, de duas, uma: ficamos com a verdade ou ficamos com o erro, defendemos a doutrina ou nos acomodamos na falsa tolerância, clamando por uma paz de pantanal, que nada mais é do que covardia e traição à verdade. Aí estão, diante de nossos olhos, as fascinações da vaidade nos empantanando os caminhos da evolução natural e necessária da doutrina. Ou lutamos contra elas ou incentivaremos a sua propagação e proliferação.


Podemos enumerar as mais acentuadas e nefastas: o roustainguismo, defendido e semeado sob o prestígio da FEB; o Divinismo ou Espiritismo Divinista, que contradiz a própria essência racional do Cristianismo e do Espiritismo; o ramatisismo, que conseguiu envenenar a própria FEESP e ainda hoje não foi completamente eliminado da sua estrutura; o heterodoxismo ou armondismo (mistura de doutrinas ocultistas com o Espiritismo), que anda de mãos dadas com o ramatisismo; a teoria do continuum mediúnico, que vem de fora, com ares de teoria sociológica, estabelecendo confusões, com suposto apoio científico, entre Espiritismo e Umbanda; o andreluizismo, que à revelia de André Luiz é sustentado por instituições que se apóiam na caridade para desviar adeptos ingênuos da verdadeira compreensão doutrinária. E outras subcorrentes que amanhã se tornarão fortes e dominadoras, se não forem sustadas a tempo.


Todos esses movimentos se valem de uma arma contra os que perseveram no campo limpo da doutrina: a acusação de sectarismo. Fazem seitas e acusam os outros de sectários. Clamam pelo direito de alargar e arejar os conceitos fundamentais de Kardec, sem que os seus expoentes se lembrem de que não possuem condições culturais para essa tarefa de gigantes. Afrontam e amesquinham Kardec na vaidosa suposição de que o estão auxiliando, quando não o agridem abertamente, com o menosprezo à sua missão espiritual e à sua qualificação cultural. Não foram ainda capazes de encarar a missão de Kardec e a obra de Kardec sem pensar primeiro em si mesmos e nas suas supostas capacidades culturais ou supostas habilitações espirituais.


Em meio a esse panorama de confusões, mutilado em suas pretensões iniciais, mas ainda atuando em desvios estratégicos, subsiste a ameaça do Espiritismo Corpuscular. E ao seu lado surgem outros movimentos pseudoculturais, como o atual Massenismo da antiga e veneranda Sociedade de Medicina e Espiritismo do Rio de Janeiro, com sua direção entregue às mãos de um leigo, a suscitar inovações aberrantes na prática doutrinária, em nome de uma suposta evolução, e uma onda de culturalismo místico que se opõe à restauração do verdadeiro Espiritismo nos quadros de instituições representativas da doutrina.


O desenvolvimento da Parapsicologia e a falta de capacidade de nossos meios universitários para acompanharem essa evolução científica deu motivo a ampla e escandalosa exploração desse novo ramo das Ciências psicológicas em nossa terra. Uma exploração dirigida em dois sentidos: o combate pseudocientífico ao Espiritismo e o comércio desenfreado de cursos deformantes sobre o assunto.


A reação espírita surgiu de maneira acertada: colocar o problema em seus devidos termos, mostrando as ligações naturais entre Espiritismo e Parapsicologia, sem misturar as duas Ciências nem deturpá-las. Mas não tardou a surgir no próprio meio espírita os que se aproveitaram da situação para a defesa de seus pontos de vista pessoais, aumentando a confusão e torcendo a realidade parapsicológica a favor de suas teorias pseudo-espíritas. A falta de formação cultural do nosso povo ofereceu condições propícias ao desenvolvimento dessa contrafacção, tão nefasta como a outra, a facção deformadora da nova ciência.


J. Herculano Pires
Livro: A Pedra e o Joio

12 janeiro 2020

Profecias, Nova Terra - Nilton Moreira



PROFECIAS, NOVA TERRA


É comum nos depararmos com predições, adivinhações, profecias sobre o fim do mundo. Houve até vários filmes que ilustraram o acontecimento apocalíptico, pois que consta nos livros mais antigos que haverá um fim para a humanidade.

Certamente os livros registram, mas não podemos seguir ao pé da letra como se diz, pois em razão de terem sido editados há muitos anos, devem ser interpretados segundo uma realidade, sem fanatismos, sem interesses econômicos, pois muitas pessoas se aproveitam de textos isolados para usufruírem vantagem sobre outras menos esclarecidas.

Temos de nos questionar sobre tudo, e uma das reflexões que devemos fazer é a de que Deus não iria criar algo para destruir. Na realidade quem destrói é o homem e um exemplo está no meio ambiente. Destruímos e depois sofremos as consequências. Espalhamos o lixo pelas cidades, revestimos os terrenos com asfalto e quando a chuva vem não consegue escoamento e empurra os resíduos sólidos pelas superfícies impermeáveis, entupindo bueiros e bocas de lobo, dai os alagamentos, que chegam até custar à vida de pessoas.

Realmente o mundo a cada dia se modifica, pois que nada na Criação fica inerte, e embora alguns parâmetros se desviem do bem, que é o caso de pessoas que são refratárias a melhorias e se dedicam a prática do mal, enveredando para o lado do crime na intenção de obter vantagem financeira como é o caso do comércio de drogas em geral, o mundo segue o curso evolutivo.

Nos primórdios quando a Terra estava em formação, logo após o resfriamento, aqui foi palco de um grande laboratório, onde se reuniram os intérpretes da vontade do Plano Cristo, tendo havido posteriormente o desaparecimento, por exemplo, dos Sauros, animais gigantescos que povoaram a Terra por algum tempo, mas que não podiam permanecer aqui em razão inclusive da falta de alimentação, pois haveria um desequilíbrio ecológico. Mas depois com a fixação das raças nada mais desapareceu, a não ser alguns animais que foram extintos pela conduta equivocada do próprio homem.

Haverá sim uma Nova Terra, mas esta não será extinta, apenas transformada, e tudo inicia pela modificação dos que aqui habitam, onde pessoas que hoje se tornaram entrave ao progresso não mais aqui retornarão após o passamento. Por outro lado já chegam ao mundo crianças que se tornarão adultos compromissados no bem, mais evoluídas, com alto conhecimento tecnológico, capaz de dar o salto de qualidade em nosso Planeta, possibilitando a transformação, acontecendo então a Nova Terra.

Quanto a datas limite, final dos tempos, isto não se confirma, até porque a espiritualidade através de mediunidades sérias não nos informa isso, e tem a contagem do tempo diferenciada cronologicamente do nosso tempo carnal.

Por derradeiro, não devemos nos preocupar com os comentários de fim do mundo, pois a existência do ser humano é tão curta aqui, que no momento que fosse acontecer esse comentado final, certamente já poderíamos estar em outro Planeta mais evoluído. Preocupemo-nos com o presente. Vivamos intensamente ele para ter saúde, evitando nos deprimir com assuntos do passado ou ficarmos ansiosos com situações do futuro.


Nilton Moreira
Coluna Semanal Estrada Iluminada
Fonte: Espirit Book

11 janeiro 2020

Por que nos sentimos mal em determinados ambientes? - Wellington Balbo



POR QUE NOS SENTIMOS MAL EM DETERMINADOS AMBIENTES?



Você já esteve em ambientes em que se sentiu mal, constrangido, pouco à vontade?

Ao comentar essas coisas com alguém pode ser que tenham dito que é coisa de sua cabeça, ou, então, má vontade de sua parte para com aquela "turma".

Até pode ser, mas... nem sempre é má vontade de nossa parte.

Ocorre que nossa alma sente, por intermédio da expansão do perispírito, se aquele ambiente ou aquelas pessoas têm fluidos simpáticos aos nossos.

O corpo engana, os gestos podem ser perfeitamente traçados e planejados para agradarmos os outros, mas o mesmo não ocorre com os fluidos que não podem ser manipulados por algo que não seja o pensamento.

Os fluidos não se corrompem com as aparências e os sorrisos falsos, eis porque podemos sentir uma estranha sensação de mal querer mesmo com todos nos tratando de forma simpática.

Nossos fluidos, pois, conforme ensina Kardec, interpenetram-se com os de outros Espíritos e sentimos bem ou mal estar, a depender dos Espíritos encarnados ou desencarnados que estejam ao nosso redor.

Eis a razão pela qual buscamos, até de forma inconsciente, estar ao lado de pessoas que possuem valores semelhantes aos nossos. É que nossa alma anseia a calmaria e busca ficar longe dos embates, principalmente os embates psíquicos, internos, que ocorrem longe da vista de todos.

Em nossa relação com as pessoas, ou com os Espíritos, há muito mais do que atração dos corpos, há, sobretudo, uma busca da alma, da essência que existe em nós por fluidos que se combinem com os nossos.

Nosso ser almeja a felicidade mesmo que relativa, e impossível é ser feliz num ambiente de constante intriga, mal querer, inveja, portanto, de fluidos que não se combinam.

Não é sem razão que os Espíritos informam ser uma das maiores felicidades da Terra estar ao lado de almas amigas, que têm valores muito próximos aos que temos.

Entretanto, vale salientar que, conforme crescemos, levaremos em nós somente o amor e a simpatia, de tal modo que teremos poucas antipatias e muitas afeições.

Mas isto é fruto de um intenso labor do Espírito por conquistar a capacidade de amor incondicional.

Um dia chegaremos lá e teremos apenas afetos, amores, pessoas pelas quais simpatizamos, pois pouco importará o fluido que emana do outro, porquanto o fundamental será o fluido que nós emanamos, e este será, tão somente, salpicado de amor e bem querer.


Wellington Balbo

10 janeiro 2020

Educação no Lar - Divaldo P.Franco


EDUCAÇÃO NO LAR


Cada dia a violência torna-se mais constante e perversa, atingindo índices insuportáveis. Todo o sentido ético da existência humana vem desaparecendo para dar lugar à agressividade, ao desrespeito aos códigos do dever e do respeito que nos devemos todos uns aos outros. As estatísticas sobre o comportamento primitivo são alarmantes, inclusive, na intimidade doméstica, na qual não vigem a consideração nem a compreensão entre pais e filhos, irmãos e demais membros da família.

O feminicídio covarde assusta e a cada dia aumenta na razão direta em que se avolumam os desequilíbrios de toda ordem, inclusive, de natureza sexual, que se fazem naturais na sociedade. A mulher, quase sempre desrespeitada, vem sofrendo tratamento incompatível com os princípios da cultura e da civilização.

Nas escolas confundem-se as más condutas de alguns mestres despreparados para o mister, assim como de alunos deseducados e cínicos que se agridem reciprocamente, assim como aos professores, especialmente femininos.

A desordem reina de maneira assustadora e as pessoas estão praticamente armadas umas contra as outras, demonstrando nas feições carrancudas os tormentos íntimos que as afligem e descaracterizam.

Sem dúvida, vivemos momentos muito graves na infeliz civilização dos nossos dias, nos quais o amor e a honra perderam o significado, estimulando os valores insensatos do aventureirismo.

Há uma necessidade urgente de reorganizar-se o lar, de voltar-se para os costumes retos e as famílias equilibradas, reconstruindo-se o ninho doméstico e tornando-o essencial para uma existência feliz.

Narra-se que oportunamente o jovem Edison entregou à genitora uma carta que o seu professor encaminhara-lhe. Indagada sobre o conteúdo, ela explicou ao filho que se tratava de uma informação na qual o professor explicava-lhe ser necessário que ela mesma educasse e instruísse o filho, por ser ele portador de inteligência brilhante e de muitos valores morais que necessitavam ser trabalhados.

Edison, o criador da lâmpada elétrica entre outros notáveis descobrimentos, sensibilizou o mundo e o deslumbrou com as suas conquistas. Após a desencarnação da mãezinha, dispôs-se a arrumar papéis e outros objetos, havendo reencontrado a carta em uma gaveta. Abriu-a e leu-a.

Tomado de surpresa, constatou que a carta dizia exatamente o contrário do que a sua mãe lera: Seu filho é um doente mental e não tem condições de frequentar a escola. Assim cancelamos sua matrícula.

A nobreza dessa senhora incomum transformara o diamante bruto em estrela luminosa que clareia o mundo até hoje.

Ninguém mais nem melhor do que os pais para serem os primeiros educadores, porque o lar é a primeira escola, no qual se corrigem as heranças morais negativas, as tendências nefastas, as paixões primitivas e mediante os exemplos de amor e de treinamento para o bem são desenvolvidos os sentimentos morais que jazem adormecidos.

O ser humano está fadado a conquistar as estrelas, mas necessita muito antes de autoiluminar-se, conhecendo as imensas possibilidades espirituais e morais que lhe jazem adormecidas no imo do ser.

Na convivência doméstica caldeiam-se as paixões que se transformam em fontes de bênçãos e de plenitude.


Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, de 28.11.2019.

09 janeiro 2020

Sempre é tempo de ajudar - Momento Espírita


SEMPRE É TEMPO DE AJUDAR


É bastante comum o comportamento da maioria das pessoas que viajam de avião.


Mal adentram a aeronave, procuram o seu assento, de forma rápida cumprimentam os ocupantes vizinhos e logo colocam os fones de ouvido, tomam de um jornal, revista ou livro e passam o resto da viagem ignorando a presença de todos.

A última coisa que desejam é dividir o espaço com alguém tagarela que tente invadir a sua privacidade.


Esse comportamento pode, no entanto, nos privar da oportunidade de manter contatos profissionais, de fazer novos amigos ou mesmo perder algo muito valioso como uma vida humana.


Allen Van Meter, um homem simpático e alegre, com sua facilidade de fazer amigos, não era do tipo de ficar mudo ao lado de alguém.

Foi assim que, ao sentar-se, ele olhou para quem ocupava o assento ao seu lado, naquele dia.

De imediato, perguntou: Sem querer incomodar, mas que papel é esse em suas mãos?


Janet não se fez de rogada. Explicou que aquele era o diagrama de um rim. Disse que sua irmã fizera um transplante, mas seu corpo rejeitara o órgão, exigindo que ela passasse a tomar diversos remédios.

O problema é que esses medicamentos estavam danificando ambos os rins.

Ela precisava com urgência de substituição do órgão ou poderia morrer a qualquer momento.


Allen ouviu com tristeza. Ele viajava, naquele dia, por problemas familiares. Seu sobrinho, de apenas vinte e cinco anos, sofrera dano cerebral irreversível.


A família desejava doar os órgãos. Ele tomou a decisão. Pediu para utilizar o telefone do avião, contatou o hospital onde se encontrava o corpo do seu sobrinho para a remoção dos aparelhos e retirada dos órgãos.


Desejava saber da possibilidade de uma doação direta, ou seja, a família indicar a pessoa para receber o órgão.


Foram muitos telefonemas, para um e outro hospital. Os passageiros do avião ficaram sabendo, aos poucos, o que estava acontecendo e passaram a prestar atenção ao que ocorria.

Não houve quem não vibrasse por um desfecho exitoso.


As equipes dos dois hospitais começaram a se falar, para descobrir o tipo de sangue de ambos, doador e receptora. Depois, foi providenciado o transporte da irmã de Janet para o outro hospital.


Naquela mesma noite, ela recebeu o transplante. Durante a cirurgia, os médicos descobriram que a artéria principal que alimentava seu rim estava quase totalmente bloqueada.

Caso não tivesse recebido com urgência o novo órgão, poderia ter morrido.

Quem poderia imaginar que uma simples indagação pudesse levar a um desfecho tão excelente?

Por vezes, o que nos basta é olharmos para o lado para descobrir o quanto bem se pode proporcionar.

E, reflexionarmos a respeito dos estranhos caminhos da Providência Divina.

Quiçá, algum dia, descubramos as tantas fórmulas de atendimento de Deus aos Seus filhos.

Um jovem partiu. Outra pessoa, graças ao desprendimento de uma família, teve a sua vida prolongada.

Coisas de Deus. Coisas do amor.


Por Redação do Momento Espírita, com base no cap. 7, do livro Milagres em família, de Yitta Halberstam e Judith Leventhal, ed. Butterfly.