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18 julho 2009

Amor e Auxílio - Humberto de Campos (Irmão X)

AMOR E AUXÍLIO

Rolava a conversação em torno de proteção espiritual, quando Jonaquim, respeitado mentor de comunicabilidades cristãs, narrou com a voz aquecida de bondade e sabedoria:

- Ouvi de um instrutor amigo que Mardônio Tércio, convertido ao Cristianismo, nos primeiros dias do Evangelho em Roma, se fêz um discípulo tão valioso e humilde do Senhor que, para logo, teve o seu nome abençoado nos Céus. Patrício de enorme fortuna, desde muito cedo abandonado pela mulher que demandara Cartago para uma vida independente, Mardônio, assim que penetrou a essência da doutrina do Cristo, dividiu todos os bens com o filho único, Marcos Lício, e entregou-se à caridade e à renovação. Instrumento fiel do bem, abria os ouvidos a todos os apelos edificantes, fossem dos mensageiros de Jesus que lhe solicitavam a execução de tarefas benemerentes ou dos irmãos encarnados nos mais baixos degraus da penúria. Fizera-se espontaneamente o apoio das viúvas desamparadas e o tutor afetuoso dos órfãos. Além, disso, mantinha horários, cada dia, para o serviço de assistência direta aos doentes e sofredores, administrando-lhes alimento e socorro com as próprias mãos

Ao contrário do pai, o jovem Marcos se chafurdou em absurda viciação. Aos trinta de idade, parecia um flagelo ambulante. Distinguindo-se entre as forças do ouro e do poder, não vacilava em abusar das regalias que desfrutava para manter-se no banditismo dourado que os privilégios sociais tanta vez conservam impune.

Dois caminhos tão diferentes produziram, em consequência, duas posições diametralmente opostas no Mundo Espiritual. Sobrevindo a morte, Mardônio cresceu em tamanho merecimento que foi elevado à esfera do Cristo, acessível aos servidores que pudessem colaborar com ele, o Senhor, nos dias mais torturados do Evangelho nascente. Marcos, porém, arrojou-se a escuro antro das zonas inferiores, onde, conquanto afeito à revolta e à perversão, qual se trouxesse a consciência revestida em grossa carapaça de insensibilidade.

O genitor, convertido em apóstolo da abnegação, visitava o filho, no vale tenebroso a que se chumbava, sem que o filho, cego de espírito, lhe assinalasse a presença; e tanto se condoeu daquele com quem partilhara o afeto e o sangue que, certo feita, num rasgo de apaixonado amor pelo rebento querido, suplicou ao Senhor permissão para levá-lo consigo para as Alturas, a fim de assisti-lo, de mais perto.

Jesus sorriu compreensivo e aquiesceu, diante da ternura ingênua do devotado cooperador, e, antes que amigos experientes lhe administrassem avisos, lá se foi Mardônio para a cava sombria, onde o filho se embriagava de loucura e ilusão... Renteando com Marcos, positivamente distante de qualquer noção de responsabilidade, aplicou-lhe passes magnéticos, anestesiou-lhe os sentidos e, tão logo o beneficiado cedeu ao repouso, colocou-o enternecidamente nos ombros, à feição de carga preciosa, e, com imensos cuidados, transportou-o para os Céus...

Instalado num dos sítios mais singelos do Plano Superior, o recém-chegado, porém, usufruía luz mais radiante que a do dias terrestres, e, tão depressa acordou sob o encantamento paternal, viu-se coberto de fluidos repugnantes que lhe davam a impressão de ser um doente empastado de lama enquistada. Marcos se confrontou com os circunstantes, que se moviam em corpos tênues e luminosos, e passou a gritar impropérios e insultos. Ao pai que intentou reconfortá-lo, procurou esbofetear sem misericórdia, afirmando que não pedira e nem desejara a mudança. Exortado a respeitar o nome e a casa do Senhor, injuriou o ambiente com palavras e idéias de zombaria e ingratidão. Parecia uma fera desatrelada, buscando enlamear um fonte de luz. Interferiram amigos e o rebelado caiu de novo em prostração, sob hipnose benéfica...

Jonaquim fêz novo intervalo, e, porque se interrompera em apontamento culminante da historia, um dos companheiros interrompeu:

- E daí? Mardônio se viu coibido de amparar o filho a quem amava?

O instrutor explicou:

- Sim, meus amigos, Mardônio acabou compreendendo que nem Deus violenta filho algum, em nome do bem, e que o bem jamais foge à paciência, a fim de ajudar... Por isso, reconduziu Marcos ao antro de onde o arrancara e, sem nada perder em ternura e esperança, até que o filho quisesse ou pudesse de lá sair para novos passos no caminho da evolução, o ex-patrício, por noventa e dois anos consecutivos, desceu diariamente ao vale das trevas, oferecendo ao filho, de cada vez, a bênção de uma prece, uma frase esclarecedora e um naco de pão.

- Mas, isso não é o mesmo que acentuar a impraticabilidade do socorro? – aventou um dos presentes. – Não seria mais justo relegar o necessitado ao próprio destino para que ele mesmo cogitasse de si?

Jonaquim sorriu expressivamente e rematou:

- Não temos o direito de pôr em dúvida o poder e a eficiência da lei de auxílio. A renovação conseguida por noventa e dois anos de devotamento talvez custasse, sem eles, noventa e dois séculos. O amor, para auxiliar, aprende a repetir.

Por: Humberto de Campos (Irmão X)
Do livro: Cartas e Crônicas,
Médium: Francisco Cândido Xavier.

17 julho 2009

Mensagem Breve - Humberto de Campos (Irmão X)

MENSAGEM BREVE

Realmente você tem razão quando afirma que o mundo parece modificado e que precisamos imenso desassombro para viver dentro dele.

Os últimos cinqüenta anos operaram gigantesca reviravolta nos costumes da Terra. A casa patriarcal que havíamos herdado do século XIX transformou-se no apartamento a dependurar-se nos arranha-céus; a locomotiva enfumaçada é quase uma jóia rara de museu à frente do avião que elimina distancia; a gazeta provinciana foi substituída pelos jornais da grande imprensa; e os saraus caseiros desapareceram, ante a invasão do rádio, cuja programação domina o mundo.

O automóvel, o transatlântico, o cinema e a televisão constituem outros tantos fatores de informe rápido, alterando a mente do povo em todos os climas.

E a garantia dos cidadãos? Em quase todos os países há leis de segurança para empregados e patrões, homens, mulheres, jovens e crianças.

Há direito de greve, licença, litígio e descanso remunerado.

Existem capitães da indústria e comércio, acumulando riquezas mágicas de um dia para outro, desde que não soneguem o imposto relativo aos monopólios que dirigem contra a harmonia econômica.

Temos operários desfrutando inexplicável impunidade, na destruição das casas em que trabalham, com a indisciplina protegida em fundamentos legais.

Há jovens amparados na difusão da leviandade e da mentira, sem qualquer constrangimento por parte das forças que administram a vida pública.

Não estamos fazendo pessimismo.

Sabemos que o mundo permanece sob o governo místico das rédeas divinas e não ignoramos que qualquer perturbação é fenômeno passageiro, em função desajusta da própria região onde surge o desequilíbrio.

Com as nossas observações, tão somente nos propomos reconhecer que a criatura humana de nossa época está mais livre e, por isso, mais destacada em si mesma.

Nos grandes períodos de transição, qual o que estamos atravessando, somos como que chamados pela Sabedoria Divina a provar nossa, madureza interior, nossa capacidade de auto direção.

Dai resulta a desordem aparente, em que somos compelidos à revelação da própria individualidade.

Na organização coletiva, no grupo social, na equipe de trabalho ou no reduto domestico, vê-se o homem de hoje obrigado a mostrar-se tal qual é, classificando-se, de imediato, pela própria conduta.

As dissensões, os conflitos, as lutas e os embates de todas as procedências oferecem s impressão de caos, provocando a gritaria dos profetas da decadência, e, por isso mesmo, as almas que não se armaram de fé e que não se sustentaram fiéis às raízes simples da vida sofrem pavorosos desastres psíquicos, que as situam nos escuros domínios da alienação mental.

Cresce a loucura em todas as direções.

O hospício é a última fronteira dos enfermos do espírito, de vez que se agitam eles em todos os setores de nosso tempo, à maneira de consciências que, impelidas ao auto-exame, tentam fugir de si mesmas, humilhadas e estarrecidas.

Em razão disso, creia que o melhor caminho para não cair nas mãos dos psiquiatras é o ajustamento real de nossa personalidade aos princípios cristãos que abraçamos, porque o problema é da alma e não da carne.

Não precisaremos discutir.

A hora atual da Terra é inegavelmente dolorosa, mas a tempestade de hoje passará, como as de ontem.

Refugiemo-nos em Cristo.

O Senhor é a nossa fortaleza.

Se tivermos bastante coragem de viver o Cristianismo em sua feição pura, na condição de solitários carregadores de nossa cruz, poderemos encarar valorosamente a crise e dizer-lhe num sorriso confiante: - vamos ver quem pode mais.

Por: Humberto de Campos (Irmão X)
Do livro: Cartas e Crônicas,
Médium: Francisco Cândido Xavier

16 julho 2009

Jogo Perigoso - Richard Simonetti

JOGO PERIGOSO

Há um jogo sinistro, de humor negro, atribuído aos soviéticos, denominado "roleta russa". Sorteia-se o primeiro participante, que introduz uma bala no revólver. Em seguida gira aleatoriamente o tambor, encosta o cano nas têmporas e aciona o gatilho. Se ouvir um clique respirará aliviado e passará a arma ao parceiro. Este repetirá o ritual. Assim farão ambos, sucessivamente, até que um deles estoure os miolos.

Variante brasileira é a "roleta paulista", praticada por jovens em São Paulo, há alguns decênios. Consistia em cruzarem vias preferenciais em alta velocidade, sem respeitar sinais de trânsito, montados em suas possantes motos. Ao sabor da sorte o motoqueiro poderia chegar incólume do outro lado ou arrebentar-se de encontro a um veículo.

Mortes dessa natureza não podem ser atribuídas à fatalidade. Tanto quanto os que pressionam o corpo com suas intemperanças, estes cultores da aventura regressam prematuramente à Espiritualidade, expulsos do próprio corpo, após destrui-lo com sua inconseqüência. São suicidas inconscientes. Nunca pararam para pensar que acabariam se matando e que responderiam por isso.

Algo semelhante ocorre com milhares de pessoas, no mundo inteiro, que se espatifam nas estradas de rodagem, em acidentes fatais. Embora muitas dessas tragédias sejam cármicas, representando o resgate de velhos débitos, há aquelas que não estavam programadas. Aconteceram por imprudência..

Em qualquer setor de atividades há leis humanas e divinas a serem observadas. Nas estradas as primeiras estabelecem limites de velocidade, faixas de trânsito, sinalização, locais de conversão, trechos para ultrapassagem. As segundas orientam o respeito à Vida, seja nossa ou do semelhante.

Sempre que deixamos de cumpri-las candidatamo-nos a acontecimentos funestos que complicam a existência, mormente quando envolvemos outras pessoas.

Somos artífices de nosso destino e o fazemos a curto, médio e longo prazo, no dia-a-dia, no desdobramento de nossas ações. Num momento de imprudência podemos complicar a vida física ou deixá-la antes do tempo.

Evidentemente tudo isso representa experiência, num planeta de expiação e provas como a Terra, onde a Sabedoria Divina harmoniza os eventos e aproveita até nossa inconsequência para nos ensinar, porquanto sempre colhemos os frutos dela, aprendendo o que devemos ou não fazer.

No entanto, poderíamos aprender de forma mais suave, com prudência, orando e vigiando, segundo a expressão evangélica. Os que não o fazem jogam uma "roleta existencial", candidatando-se a problemas que poderiam ser evitados e a sofrimentos não programados.

De "Quem tem medo da morte?",
de Richard Simonetti

15 julho 2009

Idenficação dos Espirírtos - Joanna de Ângelis

IDENTIFICAÇÃO DOS ESPÍRITOS

Questão grave, a de identificação dos Espíritos, nos fenômenos mediúnicos.

Utilizando-se de um equipamento muito complicado, nem todos os comunicantes sabem manipulá-lo como seria de desejar.

Além disso, as próprias complexidades e circunstâncias em que ocorre o fenômeno geram desafios aos mais experientes desencarnados, que se vêem a braços com a vontade e o caráter do médium, no momento das comunicações.

Outrossim, deve-se ter em mente que a morte biológica não é igual para todos, sendo o despertar na ultra tumba conforme o comportamento vivenciado durante toda a existência corporal.

Tomando consciência da realidade na qual ora se encontram, os Espíritos lúcidos passam a experimentar verdadeira revolução conceptual, obrigando-se a reconsiderar opiniões e objetivos aos quais se aferravam antes da libertação.

A surpresa que lhes assinala a consciência ante outros valores, alguns dos quais lhes eram desconhecidos ou não considerados, fá-los reavaliar o comportamento cultural e emocional, direcionando-os a novas ações, algumas bem diversas daquelas a que se habituaram no corpo somático.

Ampliam-se-lhes os horizontes da compreensão humana, e a visão, a respeito do destino, passa a experimentar uma correção de ângulo, que exige acuradas reflexões e largo esforço reeducativo.

O problema, portanto, da identificação dos Espíritos, é mais de aparência do que de realidade, desde que, qualquer pessoa que ama, não terá dificuldade em descobrir o seu afeto de retorno em mil pequenos ou grandes informes que os tipificam, sem a necessidade mórbida de exigir-lhes minudências e sinais de que eles mesmos se desejam libertar, a fim de avançarem no rumo de outros valores, ricos de paz e alento, que lhes acenam felicidade e união, quando aqueles da retaguarda física, também amados, romperem as algemas de retentiva e seguirem ao seu encontro, num mundo que já preparam, para que lhes seja melhor do que este de provas e expiações de onde procedemos.

De "Temas da Vida e da Morte",
de Divaldo P. Franco,
pelo Espírito Manoel P. de Miranda

14 julho 2009

Hereditariedade Moral - Richard Simonetti

HEREDITARIEDADE MORAL

Frequentemente, os pais transmitem aos filhos a parecença física.

Transmitirão também alguma parecença moral?

Não, que diferentes são as almas ou Espíritos de uns e outros. O corpo deriva

corpo, mas o Espírito não procede do Espírito. Entre os descendentes das raças

apenas há consanguinidade. Questão 207 de O Livro dos Espíritos.

Vários provérbios ressaltam a ideia de que os filhos reproduzem defeitos e qualidades dos pais:

Tal pai, tal filho... Filho de peixe, peixinho é... Quem sai aos seus não degenera... Filhos de gatos, ratos mata... Filho de burro pode ser lindo, mas um dia dá coice...
Bem, depende do ângulo em que observamos o assunto.

Quanto à estrutura física é notório que funciona a hereditariedade. Filha de pais obesos dificilmente será manequim. Filho de pais magérrimos terá poucas chances de ser lutador de sumo.

Há, também, certo peso hereditário determinando o quociente de inteligência. Pais de QI elevado guardam melhores chances de gerar filhos inteligentes. Pesquisas demonstram isso.

Aqui é preciso levar também em consideração o nível social. Indivíduos de QI elevado obtem maior sucesso profissional, garantindo razoável estabilidade econômico-financeira. Consequentemente seus filhos serão bem nutridos, terão melhores escolas, cuidados médicos adequados, vida mais saudável, opções numerosas de esporte e lazer. Tudo isso favorece o desenvolvimento intelectual.

Imperioso recordar sempre, no estudo da reencarnação, que o Espírito subordina-se às possibilidades do corpo que lhe serve às experiências humanas, como um corredor de Fórmula Um está sujeito às potencialidades de sua máquina. Ayrton Senna, ás do automobilismo mundial, afundaria em ostracismo sem um carro de tecnologia de ponta.

Um gênio da Espiritualidade terá imensas dificuldades em mobilizar seu potencial num corpo subnutrido desde a gestação.

Isso é claramente demonstrado nas experiências com adoção. Filho de favelados humildes, paupérrimos, é adotado por família rica, ainda recém-nascido. Recebe desde logo o que há de melhor em nutrição e cuidados médicos. O confronto deste bebê, na idade adulta, com um irmão que permaneceu na favela, revelará sensível diferença em favor do primeiro.

O mesmo não se pode dizer quanto à moral.

Não herdamos a bondade ou a maldade, o altruísmo ou o egoísmo, o vício ou a virtude de nossos pais.

Esses valores não estão impressos nos genes, nem se condicionam à estrutura ou desenvolvimento.

Constituem patrimônio do Espírito.

Há, sem dúvida, também aqui, a influência do meio. A criança é sensível aos exemplos que recebe, ao pressionamento do ambiente em que vive.

Mas é uma influência relativa, mesmo porque a evolução moral opera-se de dentro para fora, a partir da disposição íntima do indivíduo em lutar contra suas imperfeições e deficiências.

Por isso os filhos revelam suas próprias características, eminentemente pessoais, sua maneira de ser, não raro em oposição ao lugar em que vivem e aos estímulos que recebem.

A melhor demonstração disso está no próprio lar.

Numa família de cinco filhos, com os mesmos pais, o mesmo ambiente, os mesmos cuidados, sob as mesmas condições, são todos diferentes entre si, como os dedos da mão.

Há um carinhoso; outro que é muito agressivo.

Há o que não gosta de mentir; outro que se destaca por ser amigo do engodo.

Há o fascinado por sons estridentes; outro que prefere música suave.

Há o ávido por aventuras amorosas; outro extremamente comedido no relacionamento afetivo.

Entre pais e filhos, a mesma antítese.

Exemplo marcante: Marco Aurélio e Cômodo.

Marco Aurélio, o mais virtuoso e sábio dos imperadores romanos, imortalizado por seu amor à filosofia e às letras.

Cômodo, seu filho, teria passado anônimo pela História, não fora o lamentável destaque para sua crueldade e devassidão.

A moral, portanto é a carteira de identidade do Espírito, dando-nos conta de que ele é filho de si mesmo, de seus patrimônios íntimos, de suas experiências pretéritas, revelando-nos o estágio de evolução em que se encontra.

Noutro dia, referindo-se a uma família onde pais e filhos têm comportamento imoral, sempre dispostos a lesar o semelhante, um amigo comentava:

- É tudo farinha do mesmo saco.

Realmente, isto pode acontecer, não por herança moral ou mera influência ambiente, mas por afinidade.

Uma família de bandidos é constituída por Espíritos que tem essa tendência.

Uma família de gente honesta e digna integra Espíritos do mesmo porte.

Há, ainda, a "ovelha negra", um filho degenerado, de comportamento inconsequente e vicioso, no seio de uma família ajustada. Espírito atrasado que foi acolhido com o propósito de ser ajudado em seu aprendizado.

O inverso também acontece: uma "ovelha branca" entre marginais. Espírito evoluído numa tarefa sacrificial em favor dos familiares.

Algo semelhante ocorre em relação à vocação, ponta visível de nosso universo íntimo, sem subordinação a fatores hereditários ou ambientes.

Desde a mais tenra infância a criança revela tendências e habilidades relacionadas com determinada atividade que, não raro, surpreendem os adultos.

Se houvesse uma escola para os pais uma disciplina seria indispensável: como ajudar os filhos a seguir suas inclinações, no indispensável casamento entre vocação e profissão.

Quando isto não ocorre, temos verdadeiros desastres:

Maus médicos que seriam excelentes fazendeiros. Maus advogados que seriam ótimos músicos. Maus administradores que se dariam bem melhor como operários.

Diz Gibran Khalil Gibran, em "O Profeta":

Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da Vida por si mesma. Eles vem através de vós mas não são de vós. E embora convivam convosco, não vos pertencem.

Jesus diz algo semelhante no famoso diálogo com Nicodemos, quando proclama:

O Espírito sopra onde quer; tu lhe ouves a voz, mas ignoras donde ele vem e para onde vai...
Os dois textos aplicam-se à concepção reencarnacionista, dando-nos conta de que os filhos trazem suas próprias aptidões e senso moral.

Podemos e devemos auxiliá-los a desenvolver para o Bem esses valores. Para isso estão juntos de nós.

Consideremos, contudo, que chegará o momento em que seguirão seus caminhos. Então, aprenderão com seus próprios erros e crescerão com seus próprios acertos.

De "Quem tem medo dos Espíritos?",
de Richard Simonetti

13 julho 2009

Obsessão - Richard Simonetti

OBSESSÃO
Por: Richard Simonetti

- Bondoso Lupércio - reclamava Eulália ao mentor espiritual numa reunião mediúnica - por que essa doença insidiosa que prende meu filho ao leito há mais de cinco anos?

- É o seu carma, uma expiação programada pela Justiça Divina.

- Não seria mais fácil pagar seus débitos desfrutando da plenitude de movimentos, participando Justificardos serviços assistenciais do Centro?

- O problema é que, envolvido num processo de fascinação, ele, além de comprometer-se no crime, desenvolveu tendências viciosas que fatalmente ressurgirão se experimentar liberdade de locomoção. A prisão no leito é um precioso recurso educativo em seu benefício.

- E quanto ao obsessor? Não responde pela influência nefasta que exerceu sobre ele?

- Sem dúvida. Um escritor famoso afirmou numa de suas obras que somos responsáveis por aqueles que cativamos (Saint-Exupery em "O Pequeno Príncipe"). De certa forma os obsessores cativam suas vítimas, na medida em que se seduzem com suas sugestões, levando-as às iniciativas que desejam. São co-responsáveis, portanto, em seus desatinos.

- Se assim acontece, não seria justo que o obsessor estivesse junto de meu filho, com o compromisso de ajudá-lo?

- É o que vem fazendo, com intensa dedicação.

- Poderíamos evocá-lo nesta reunião?

- Impossível.

- Não está por perto?

- Está entre nós.

- Por que, então, a impossibilidade?

- O obsessor é você.

Tivéssemos o dom de conhecer o passado e identificaríamos com espantosa freqüência os fascínios de ontem em dolosas experiências de hoje.

Enfrentam problemas mentais, limitações físicas, carências e dificuldades, relacionados com a semeadura de males que efetuaram a partir do momento em que vivenciaram as fantasias sugeridas pelos obsessores.

Estes, por sua vez, também submetidos às sanções divinas, ressurgem na Terra não raro na condição de angustiados enfermeiros de suas ex-vítimas.

Aprendem todos, à custa das próprias lágrimas, uma lição fundamental:

A faculdade de discernir - a razão - e a faculdade de escolher - o livre-arbítrio - que outorgam ao Homem a condição de filho de Deus, dotado de suas potencialidades criadoras, implicam necessariamente a observância plena dos princípios de Justiça e Amoe que regem o Universo.

Situam-se ambos como ideais a serem alcançados.

Ideais que jamais serão negados impunemente.

Ideais que, representando a vontade de Deus, significam, acima de tudo, o melhor para nós.

12 julho 2009

Eutanásia - Richard Simonetti

EUTANÁSIA
Por: Richard Simonetti

O termo eutanásia, cujo significado é “morte feliz”, foi criado pelo filósofo Francis Bacon. Ele argumentava que o médico tem a responsabilidade de aliviar doenças e dores, não somente com a cura do mal, mas também proporcionando ao doente uma morte calma e fácil, se o problema for irreversível.

Embora universalmente considerada homicídio, a eutanásia conta com a benevolência da justiça quando aplicada em pacientes terminais atormentados por dores e aflições. São raríssimos os processos contra pessoas envolvidas nesse crime.

Em alguns países cogita-se de considerá-la simples ato médico com o consentimento do próprio doente ou de familiares, no piedoso propósito de abreviar seus padecimentos.

As religiões em geral manifestam-se contrárias à eutanásia, partindo de dois princípios fundamentais:

Primeiro: Compete a Deus, senhor de nossos destinos, promover nosso retorno à Espiritualidade. Na tábua dos Dez Mandamentos Divinos, recebida por Moisés no Monte Sinai, onde estão os fundamentos da justiça humana, há a recomendação inequívoca: “Não matarás”.

Segundo: Ninguém pode afirmar com absoluta segurança que um paciente está irremediavelmente condenado. A literatura médica é pródiga em exemplos de pacientes em estado desesperador que se recuperam.

O Espiritismo ratifica tais considerações e nos permite ir além, demonstrando que a eutanásia não só interrompe a depuração do Espírito encarnado pela enfermidade, como lhe impõe sérias dificuldades no retorno ao Plano Espiritual.

André Luiz aborda esse assunto no livro “Obreiros da Vida Eterna”, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ao descrever o desencarne de Cavalcante, dedicado servidor do Bem, empolgado por injustificáveis temores da morte. Não obstante seus méritos e o amplo apoio dos amigos espirituais que o assistiam, ele simplesmente recusava-se a morrer, apegando-se à vida física com todas as forças de sua alma.

Com o moribundo inconsciente e sem nenhum familiar a consultar, o médico decide, arbitrariamente, abreviar seus padecimentos, aplicando-lhe dose letal de anestésico. Diz André Luiz:

“Em poucos instantes, o moribundo calou-se. Inteiriçaram-se-lhe os membros vagarosamente. Imobilizou-se a máscara facial. Fizeram-se vítreos os olhos móveis.”

“Cavalcante, para o espectador comum, estava morto. Não para nós, entretanto. A personalidade desencarnante estava presa ao corpo inerte, em plena inconsciência e incapaz de qualquer reação”.

Jerônimo, o mentor espiritual que acompanha André Luiz, explica:

“A carga fulminante da medicação de descanso, por atuar diretamente em todo o sistema nervoso, interessa os centros do organismo perispiritual. Cavalcante permanece, agora, colado a trilhões de células neutralizadas, dormentes, invadido, ele mesmo,de estranho torpor que o impossibilita de dar qualquer resposta ao nosso esforço. Provavelmente só poderemos libertá-lo depois de decorridas mais de doze horas.”

Finalizando o autor acentua:

“E, conforme a primeira suposição de Jerônimo, somente nos foi possível a libertação do recém-desencarnado quando já haviam transcorrido vinte horas, após o serviço muito laborioso para nós. Ainda assim, Cavalcante não se retirou em condições favoráveis e animadoras. Apático, sonolento, desmemoriado, foi por nós conduzido ao asilo de Fabiano(1), demonstrando necessitar de maiores cuidados.”

Aplicada desde as culturas mais antigas, a eutanásia, longe de situar-se por “morte feliz” é uma solução infeliz para o paciente, além de se constituir em lamentável desrespeito aos desígnios de Deus.

(1) Instituição socorrista do Plano Espiritual

11 julho 2009

O Bem Sem Propaganda - Richard Simonetti

O BEM SEM PROPAGANDA
Por: Richard Simonetti

“Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles; do contrário, recompensa não recebereis do vosso Pai que está nos céus. Quando, pois, derdes esmola, não mandeis tocar a trombeta à vossa frente, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Em verdade vos digo que esses já receberam a sua recompensa. Quando derdes esmola, não saiba a vossa mão esquerda o que faz a direita, a fim de que a esmola tique secreta; e vosso Pai, que vê o que se passa em segredo, vos recompensará.” — Jesus (Mateus, 6:1 a 4).

É ponto pacífico que o móvel das ações humanas, no atual estágio evolutivo, chama-se egoísmo. As nossas iniciativas, em qualquer setor de atividade, geralmente são inspiradas no propósito principal de atender a nós mesmos.

No campo profissional, por exemplo, muita gente escolhe sua profissão baseando-se em pesquisas no mercado de trabalho, sem nenhuma motivação de ordem vocacional, sem nenhum propósito de servir observam-se apenas as possibilidades financeiras, já que se considera apenas o propósito de realização econômica.

Qual o melhor funcionário? Aquele que ama seu trabalho. Mas, amar como, se sua opção foi de ordem pecuniária e não vocacional? Muitos chegam a detestar o que fazem!

Por isso, na maior parte das vezes, o funcionário dedicado é simplesmente aquele que deseja progredir na profissão e sabe que chegar mais cedo e sair mais tarde, demonstrando interesse, é uma forma de fazer “média”, de mostrar serviço. O trabalho torna-se para ele apenas um meio de atingir seus objetivos — os escalões mais altos da organização a que está vinculado.

Ante o casamento, a primeira preocupação do homem: “Ela vai cuidar bem da casa? Será boa cozinheira?” A preocupação da mulher: “Ele será carinhoso comigo? Vai me entender?”

Sempre o interesse pessoal determinando o comportamento, fazendo as indagações, orientando as preferências.

Como não podia deixar de ser, até o bem que praticamos costuma inspirar-se no egoísmo. Somos muito mais mercadores do que servidores. Pensamos em ser úteis não por espírito de fraternidade, mas no propósito de receber recompensas, já que todas as religiões consagram o atendimento das necessidades alheias, a compreensão das misérias humanas, o socorro ao necessitado como base de nossa edificação interior e porta de ingresso no Reino de Deus.

E porque o Espiritismo vai bem mais longe, ao destacar a necessidade de fazermos algo de bom pelo semelhante — não apenas para sermos bem recebidos no Além, mas, sobretudo, para que vivamos bem na Terra —, movimentam-se os espíritas no campo da filantropia, edificando escolas, creches, berçários, hospitais, orfanatos. Alguém diria que essa caridade interesseira, praticada com o propósito de ganhar o céu, na morte, ou de merecer seus favores, na vida, não tem nenhum valor. Realmente, de que vale pensar no bem dos outros, visando unicamente ao próprio bem?

No entanto, não se improvisa o servidor e a vocação de servir começa sempre no propósito de receber. Como ainda estamos no primeiro estágio, é natural que aspiremos a recompensas pelo bem praticado. Não apenas as celestes, mas também algo mais imediato, mais palpável, que fale mais de perto ao nosso ego — o reconhecimento alheio.

Se beneficiamos a alguém que não manifesta sua gratidão, logo o consideramos indigno de nossa ajuda e até nos irritamos. É que não lhe demos nada, apenas vendemos. Vendemos ajuda. O preço: a gratidão!

As mesmas motivações inspiram o secreto desejo de propaganda em torno do bem praticado. Se muitas pessoas tomarem conhecimento será formidável!

Conhecendo essa fraqueza, os organizadores de campanhas beneficentes instituem o “Livro de Ouro”, onde são registrados os nomes das pessoas que efetuaram doações maiores. E quanto maior o destaque que se dê ao livro, mais generosas as contribuições. Verdadeira glória para o doador é quando publicam sua fotografia nos jornais, ressaltando sua generosidade!

Pessoas assim parecem nada mais desejar senão fazer propaganda de si mesmas. Por isso Jesus proclama que já receberam sua recompensa.

Toda ação generosa, para ser autêntica, deve ser um ato do coração. E o coração trabalha em silêncio, escondido dentro do peito.

Começamos a agir como verdadeiros filhos de Deus, quando nossa dedicação ao semelhante se faça não porque queiramos ganhar o céu, a graça de uma cura, a solução de um problema; não porque pretendamos o apreço público, mas por sentirmos um pouco de comiseração, de piedade pelas misérias alheias.

Então seremos capazes de dar sem que a mão esquerda tome conhecimento do que faz a direita, isto é, de forma tão espontânea que nem teremos consciência de que estamos sendo bons!

10 julho 2009

A Melhora da Morte - Richard Simonetti

A MELHORA DA MORTE

Diante do agonizante o sentimento mais forte naqueles que se ligam a ele afetivamente é o de perda pessoal.

"Meu marido não pode morrer! Ele é o meu apoio, minha segurança!"

"Minha esposa querida! Não me deixe! Não poderei viver sem você!"

"Meu filho, meu filho! Não se vá! Você é muito jovem! Que será de minha velhice sem o seu amparo?"

Curiosamente, ninguém pensa no moribundo. Mesmo os que aceitam a vida além-túmulo multiplicam-se em vigílias e orações, recusando admitir a separação. Esse comportamento ultrapassa os limites da afetividade, desembocando no velho egoísmo humano, algo parecido com o presidiário que se recusa a aceitar a idéia de que seu companheiro de prisão vai ser libertado.

O exacerbamento da mágoa, em gestos de inconformação e desespero, gera fios fluídicos que tecem uma espécie de teia de retenção, a promover a sustentação artificial da vida física. Semelhantes vibrações não evitarão a morte. Apenas a retardarão, submetendo o desencarnante a uma carga maior de sofrimentos.

É natural que, diante de sério problema físico a se abater sobre alguém muito caro ao nosso coração, experimentemos apreensão e angústia. Imperioso, porém, que não resvalemos para revolta e o desespero, que sempre complicam os problemas humanos, principalmente os relacionados com a morte.

Quando familiares não aceitam a perspectiva da separação, formando a indesejável teia vibratória, os técnicos da espiritualidade promovem, com recursos magnéticos, uma recuperação artificial do paciente que, "mais prá lá do que prá cá", surpreendentemente começa a melhorar, recobrando a lucidez e ensaiando algumas palavras...

Geralmente tal providência é desenvolvida na madrugada. Exaustos, mas aliviados, os "retentores" vão repousar, proclamando:

"Graças a Deus! O Senhor ouviu nossas preces!"

Aproveitando a trégua na vigília de retenção os benfeitores espirituais aceleram o processo desencarnatório e iniciam o desligamento. A morte vem colher mais um passageiro para o Além.

Raros os que consideram a necessidade de ajudar o desencarnante na traumatizante transição. Por isso é freqüente a utilização desse recurso da Espiritualidade, afastando aqueles que, além de não ajudar, atrapalham. Existe até um ditado popular a respeito do assunto:

"Foi a melhora da morte! Melhorou para morrer!"

Por: Richard Simonetti

09 julho 2009

Renascimento - Joanna de Ângelis

RENASCIMENTO

A vida morre ou se desestrutura nas moléculas que a expressam para logo depois renascer. Tudo se decompõe e volta a reconstituir-se.

O incessante fenômeno da transformação molecular é inerente à condição de transitoriedade de todas as formas e coisas. Morre uma expressão e surge outra. O movimento vida-morte-vida obedece ao fluxo ininterrupto da imortalidade.

Somente eterno é o Espírito, que transita entre uma e outra aparência orgânica para atingir a excelsa destinação que lhe está reservada.

Essa é a fatalidade estabelecida pelo Pai Criador para todas as expressões sencientes do Universo. Mediante os renascimentos em diferentes etapas, o princípio espiritual desenvolve a consciência adormecida e todos os conteúdos da imagem e semelhança de Deus.

A semente, que possui o germe da vida, a fim de fazê-la desabrochar em plenitude, necessita ser sepultada no solo para morrer, quando então desperta e faz-se exuberante.

Também para o Espírito, torna-se indispensável envolver-se na indumentária material, propiciando-se a renovação de energias para desatar a divindade que nele dorme e que o convida a ininterrupto crescimento.

Cada existência orgânica constitui uma etapa através da qual os valores internos fixam-se na consciência, facultando novos investimentos-luz para a viagem de sublimação.

Libertando-se das camadas mais toscas e grosseiras do primarismo por onde inicia a jornada evolutiva, alcança os patamares do sentimento e da razão, programando-se a conquista da angelitude que poderá desfrutar desde o momento que se lhe imponham as intenções de auto-superação.

Renascer da carne e do Espírito, conforme acentuou Jesus no seu momentoso diálogo com o doutor da Lei, Nicodemos, significa sim a imantação nas moléculas constitutivas da germinação que se encarrega de construir o zigoto, depois o feto e, por fim, o ser humano.

Condensando a água que vitaliza com energia a forma física, nela imprime os equipamentos que lhe são necessários, graças às experiências transatas que lhe facultaram aquisição de implementos morais e vivenciais para atingir a meta.

Renasce a planta após a devastação da tormenta. Renascem os rios e fontes depois do ardor do verão sob as bênçãos da chuva.

Renascem os sentimentos passadas as ocorrências dilaceradoras.

Renasce a vida em todos os fenômenos conhecidos ou não.

Renasce o Espírito no corpo físico buscando a grande luz.

A experiência evolutiva começa na noite do minério e ruma para a claridade estelar da arcangelitude. É necessário nascer, morrer e renascer, conquistando níveis de sabedoria nos quais o amor e o conhecimento confraternizem em clima de libertação.

Somente através dos instrumentos que facultam o renascimento do corpo, lapida-se o Espírito que faz desabrochar todas as potencialidades adormecidas para cuja finalidade encontra-se no processo de evolução. da felicidade.

Necessário desalgemar-se das imperfeições, a fim de unir os sentimentos na construção da felicidade.

Há muita paisagem bela pelo caminho esperando contemplação.

No entanto, é necessário seguir adiante e vencer as muitas milhas que estão aguardando na estrada do progresso.

Quem se detém, seja por qual motivo for, transfere a oportunidade de conquistar o infinito. O hoje desempenha papel de fundamental importância na aquisição do futuro. Torna-se, portanto, indispensável investir em luz o que se possui em sombra, que deve ser transformada em claridade de amor e misericórdia.

São o amor e a misericórdia do Pai que facultam ao endividado resgatar o débito e ao calceta, o ensejo de reparar o delito. Da mesma maneira, cabe ao ser humano repartir a esperança, conceder ensejo de reparação, ampliar o perdão, a fim de que o seu próximo na retaguarda tenha acesso a outros patamares da emoção e da cultura, para saber, para discernir e para amar sem preconceito nem limitação.

O renascimento surge na árvore vergastada pela poda rude, abrindo-se em verdor, flores e frutos.

Sem qualquer ressentimento pelas ocorrências destrutivas que, em realidade, são apenas ocasiões transformadoras, a vida ressurge do pântano pela drenagem, do deserto pela fertilização, abençoando o mundo e todos os seres.

Morrer, desse modo, é conquistar novo campo vibratório para fortalecer as resistências e renascer crescendo na direção de Deus.

Nunca temas, nem a morte, nem a vida.

Renascerás após o trânsito espiritual conduzindo os tesouros que acumulaste na Terra e no mundo extracorpóreo, que te facultarão melhores investimentos em benefício próprio e da humanidade.

Todo renascimento é festa de compaixão pelo trânsfuga do dever. Renascendo, a paisagem está sempre rica de cor, de alimentos, de vida.

O renascimento na carne é a reconciliação do Espírito consigo mesmo, facultando-se ensejo novo para aprender e para viver melhor.

Quando a noite moral te envolver em sofrimentos inesperados e deixar-te em expectativas mais inquietadoras, não olvides que a semente que não morrer, não viverá, conforme acentuou Jesus.

Assim, todo aquele que não passar pela porta estreita do testemunho, não poderá contemplar a madrugada exuberante da imortalidade.

Jamais deixes que a esperança desapareça dos teus sentimentos.

Quando moram determinados objetivos, permanece no bem e renascerão todos eles em forma de novos desafios para o teu crescimento.

Por: Joanna de Ângelis
Médium: Divaldo Pereira Franco

08 julho 2009

Viciação Alcoólica - Joanna de Ângelis

VICIAÇÃO ALCOÓLICA

Sob qualquer aspecto considerado, o vício - esse condicionamento pernicioso que se impõe como uma "segunda natureza" constritora e voraz - deve ser combatido sem trégua desde quando e onde se aloje.

Classificado pela leviandade de muitos de seus medos como de pequeno e grande porte, surge com feição de "hábito social" e se instala em currículo de longo tempo, que termina por deteriorar as reservas morais, anestesiando a razão e ressuscitando com vigor os instintos primevos de que se deve o homem libertar.

Insinuante, a princípio perturba os iniciantes e desperta nos mais fracos curiosa necessidade de repetição, na busca enganosa de prazeres ou emoções inusitados, conforme estridulam os aficionados que lhe padecem a irreversível dependência.

Aceito sob o acobertamento da impudica tolerância, seu contágio destrutivo supera o das mais virulentas epidemias, ceifando maior número de vidas do que o câncer, a tuberculose, as enfermidades cardiovasculares adicionados... Inclusive, mesmo na estatística obituária dessas calamidades da saúde, podem-se encontrar como causas preponderantes ou predisponentes as matrizes de muitos vícios, que se tornaram aceitos e acatados qual motivo de relevo e distinção...

Os vitimados sistemáticos pela viciação escusam-se abandoná-la, justificando que o seu é sempre um simples compromisso de fácil liberação em considerando outros de maior seriedade que, examinados, a sua vez, pelos seus sequazes, se caracterizam, igualmente, como insignificantes.

Há quem a relacione como de conseqüência secundária e de imediata potência aniquilante. Obviamente situam suas compressões como irrelevantes em face de "tantas coisas piores"... E argumentam: "antes este" , como se um mal pudesse ter sopesado, avaliada e discutidas as vantagens decorrentes da sua atuação...

Indiscutivelmente, a ausência de impulsão viciosa no homem dá-lhe valor e recursos para realizar e fruir os elevados objetivos da vida, que não podem ser devorados pela irrisão das vacuidades.

A vinculação alcoólica, por exemplo, escraviza a mente, desarmonizando-a, e envenena o corpo deteriorando-o. Tem início através do aperitivo inocente, quão dispensável, que se repete entre sorrisos e se impõe como necessidade, realizando a incursão nefasta, que logo se converte em dominação absoluta, desde que aumenta de volume na razão direta em que se consome.

Os pretextos surgem e se multiplicam para as libações: alegria, frustração, tristeza, esperança, revolta, mágoa, vingança, esquecimento... Para uns se converte em coragem, para outros em entusiasmo, invariavelmente impondo-se, dominador incoercível. Emulação para práticas que a razão repulsa, o alcoolismo faz supor que sustenta os fracos, que tombam em tais urdiduras, quando, em verdade, mais os debilita e arruína.

Não fossem tão graves, por si só, os danos sociais que dele decorrem - transformando cidadãos em parias, jovens em vergados anciãos precoces, profissionais de valor em trapos morais, moçoilas e matronas em torpes simulacros humanos, aceitos e detestados, acatados e temidos nos sítios em que se pervertem, a caminho da total sujeição, que conduz, quando se dispõe de moedas, a Sanatórios distintos e em contrário, às sarjetas hediondas, em ambos os casos avassalados por alienações dantescas -, culmina em impor os trágicos autocídios, por cujas portas buscam, tais enfermos, soluções insolváveis para os problemas que criaram espontaneamente para si próprios... Não acontecendo à queda espetacular no suicídio, este se dá por processo indireto, graças à sobrecarga destrutiva que o alcoólatra ou simples cultivador da alcoolofilia depõe sobre a tecelagem de elaboração divina, que é o corpo. E quando vem a desencarnação, o que é também doloroso, não cessa a compulsão viciosa, em que o espírito irresponsável constata que a morte não resolveu os problemas nem aniquilou a vida...

Nesse capítulo convém considerarmos que a desesperada busca ao álcool - ou substâncias outras que dilaceram a vontade, desagregam a personalidade, perturbam a mente - pode ser, às vezes, inspirada por processos obsessivos, culminando sempre, porém, por obsessões infelizes, de conseqüências imprevisíveis.

A pretexto de comemorações, festas, decisões, não te comprometa com o vício.

O oceano é feito de gotículas e as praias imensuráveis de grãos.

Liberta-te do conceito: "hoje só", quando impelido a comprometimento pernicioso e não te facultes: "apenas um pouquinho", porquanto, uma picada que injeta veneno letal, não obstante em pequena dose, produz a morte imediata,

Está-se bafejado pela felicidade, sorve-a com lucidez.

Se te encontras visitado pela dor, enfrenta-a, abstêmio e forte.

Para qualquer cometimento que exija decisão, coragem, equilíbrio, definição, valor, humildade, estoicismo, resignação, recorre à prece, mergulhando, na reflexão, o pensamento, e haurirás os recursos preciosos para a vitória em qualquer situação, sob qual seja o impositivo.

Nunca te permitas a assimilação do vício, na suposição de que dele te libertarás quando queiras, pois que se os viciados pudessem querer não estariam sob essa violenta dominação.

Por: Joanna de Ângelis
Médiun: Divaldo Pereira Franco

07 julho 2009

O Espiritismo no Brasil - Humberto de Campos

O ESPIRITISMO NO BRASIL

Consolidadas as primeiras construções basilares de Ismael na Pátria do Cruzeiro, o Espiritismo derramou seus frutos sazonados e doces no coração da coletividade brasileira.

Em seu seio, nas grandes sociedades e nos lugarejos obscuros, a doutrina consoladora apresentou sempre as mais belas expressões de caridade e de fraternidade.

Jesus, com as suas mãos meigas e misericordiosas, fez reviver no país abençoado dos seus ensinamentos as curas maravilhosas dos tempos apostólicos.

Abnegados médiuns curadores, desde os primórdios da organização da obra de Ismael nas terras do Brasil, espalharam, como instrumentos da verdade, as mais fartas colheitas de bênçãos do céu, iluminando todos os corações. Curando os enfermos, os novos discípulos do Senhor restabeleciam o espírito geral para a grande tarefa; vestindo os andrajosos, tocavam as almas de uma nova roupagem de esperança.

Enquanto na Europa a idéia espiritualista era somente objeto de observações e pesquisas nos laboratórios, ou de grandes discussões estéreis no terreno da filosofia, não obstante os primores morais da codificação kardeciana, o Espiritismo penetrava o Brasil com todas as suas características de Cristianismo redivivo, levantando as almas para uma nova alvorada de fé. Aí, todas as suas instituições se alicerçavam no amor e na caridade. As próprias agremiações científicas, que, de vez em quando, aparecem para cultivá-lo, na sua rotulagem de meta psíquica, são absorvidas no programa cristão, sob a orientação invisível e indireta dos emissários do Senhor. Todas as possibilidades e energias são por Ismael aproveitadas para o bem comum e para a tarefa de todos os trabalhadores, e é por isso que todos os grupos sinceros do Espiritismo, no país, têm as suas águas fluidificadas, a terapêutica do magnetismo espiritual, os elementos da homeopatia, a cura das obsessões, os auxílios gratuitos no serviço de assistência aos necessitados, dentro do mais alto espírito evangélico, dando-se de graça aquilo que se recebeu como esmola do céu. Não é raro vermos caboclos, que engrolam a gramática nas suas confortadoras doutrinações, mas que conhecem o segredo místico de consolar as almas, aliviando os aflitos e os infelizes, ou, então, médiuns da mais obscura condição social, e nas mais humildes profissões, a se constituírem instrumentos admiráveis nas mãos piedosas dos mensageiros do Senhor.

A Europa recebeu a Nova Revelação sem conseguir aclimá-la no seu coração atormentado pelas necessidades mais duras. As próprias sessões mediúnicas são ali geralmente remuneradas, como se esses fenômenos se processassem tão-somente pelas disposições estipuladas num contrato de representações, enquanto que, no Brasil, todos os espiritistas sinceros repelem o comércio amoedado, nas suas sagradas relações com o plano invisível, conservando as intenções mais puras no hostiário da sua fé.

A obra de Ismael prossegue em sua marcha através de todos os centros de estudo e de cultura do país. Todavia, temos de considerar que um trabalho dessa natureza, pelo seu caráter grandioso e sublime, não poderia desenvolver-se sem os ataques inconscientes das forças reacionárias do próprio mundo invisível, e, como a Terra não é um paraíso e nem os homens são anjos, as entidades perturbadoras se aproveitam dos elementos mais acessíveis da natureza humana, para fomentar a discórdia, o demasiado individualismo, a vaidade e a ambição, desunindo as fileiras que, acima de tudo, deveriam manter-se coesas para a grande tarefa da educação dos espíritos, dentro do amor e da humildade. A essas forças, que tentam a dissolução dos melhores esforços de Ismael e de suas valorosas falanges do Infinito, deve-se o fenômeno das excessivas edificações particularistas do Espiritismo no Brasil, particularismos que descentralizam o grande labor da evangelização. Mas, examinando semelhante anomalia, somos forçados a reconhecer que Ismael vence sempre. Construídas essas obras, que se levantam com pronunciado sabor pessoal, o grande mensageiro do Divino Mestre as assinala imediatamente com o selo divino da caridade, que, de fato, é o estandarte maravilhoso a reunir todos os ambientes do Espiritismo no país, até que todas as forças da doutrina, pela experiência própria e pela educação, possam constituir uma frente única de espiritualidade, acima de todas as controvérsias.

É para essa grande obra da unificação que todos os emissários cooperam no plano espiritual, objetivando a vitória de Ismael nos corações. E os discípulos encarnados bem poderiam atenuar o vigor das dissensões esterilizadoras, para se unirem na tarefa impessoal e comum, apressando a marcha redentora. Nas suas fileiras respeitáveis, só a desunião é o grande inimigo, porque, com referência ao Catolicismo, os padres romanos, com exceção dos padres cristãos, se conservam onde sempre estiveram, isto é, no banquete dos poderes temporais, incensando os príncipes do mundo e tentando inutilizar a verdadeira obra cristã. Os espiritistas bem sabem que se eles constituem sérios empecilhos à marcha da luz, todos os obstáculos serão, um dia, removidos para sempre, do caminho ascensional do progresso. Além disso, temos de considerar que a Igreja Católica se desviou da sua obra da salvação, por um determinismo histórico que a compeliu a colaborar com a política do mundo, em cujas teias perigosas a sua instituição ficou encarcerada e que, examinada a situação, não é possível desmontar-se a sua máquina de um dia para outro. Sabemos, porém, que a sua fase de renovação não está muito distante. Nas suas catedrais confortáveis e solitárias e nos seus conventos sombrios, novos inspirados da Úmbria virão fundar os refúgios amenos da piedade cristã.

Depreende-se, portanto, que a principal questão do espiritualismo é proclamar a necessidade de renovação interior, educando-se o pensamento do homem no Evangelho, para que o lar possa refletir os seus sublimados preceitos. Dentro dessa ação pacífica de educação das criaturas, aliada à prática genuína do bem, repousam as bases da obra de Ismael, cujo objetivo não é a reforma inopinada das instituições, impondo abalos à natureza, que não dá saltos; é, sim, a regeneração e o levantamento moral dos homens, a fim de que essas mesmas instituições sejam espontaneamente renovadas para o progresso comum.

A tarefa é vagarosa, mas, de outra forma, seria a destruição e o esforço insensato. A obra da revolução espiritual, no Evangelho de Jesus, não se compadece com as agitações do século. Os que desejarem impor, no seu compreensível entusiasmo de crentes, os preceitos do Mestre às instituições estritamente humanas, talvez ainda não tenham ponderado que a obra cristã espera, há dois milênios, a compreensão do mundo. Todos os que lutaram por ela de armas na mão e quantos pretenderam utilizar-se dos processos da força para a imposição dos seus ensinamentos, no transcurso dos séculos, tarde reconheceram a sua ilusão, redundando seus esforços no mais franco desvirtuamento das lições do Salvador, porque essas lições têm de começar no coração, para conseguirem melhorar e regenerar o planeta.

É dentro dessa serenidade, sob a luz da humildade e do amor, que os espiritistas do Brasil devem reunir-se, a caminho da vitória plena de Ismael em todos os corações. Está claro que a doutrina não poderá imitar as disciplinas e os compromissos rijos da instituição romana, porque, nas suas características liberais, o pensamento livre, para o estudo e para o exame, deve realizar uma das suas melhores conquistas e nem é possível dispensar, totalmente, a discussão no labor de aclaramento geral. A liberdade não exclui a fraternidade e a fraternidade sincera é o primeiro passo para a edificação comum.

Dentro, pois, do Brasil, a grande obra de Ismael tem a sua função relevante no organismo social da Pátria do Cruzeiro, vivificando a seara da educação espiritual. E não tenhamos dúvida. Superior às funções dos transitórios organismos políticos, é essa obra abençoada, de educação genuinamente cristã, o ascendente da nação do Evangelho e o elemento que preparará o seu povo para os tempos do porvir.

Por: Humberto de Campos
Do livro: Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho,
Médium: Francisco Cândido Xavier.

06 julho 2009

Interdepência - Bezerra de Menezes

INTERDEPENDÊNCIA

... realmente, achamo-nos todos no campo da fé viva para trabalhar.
E servir, sem esquecer-nos para alcançar semelhante realização, é praticamente impossível.

... de quando a quando, pelo menos, ser-nos-á justo analisar a extensão e a qualidade de nossas tarefas, de modo a verificar-lhes o rendimento no bem.

... permaneceis conosco, não à maneira de cooperadores cativos, dependentes de nossas orientações.

Conquanto, a diferença de plano, cada um de nós, se detém na posição que lhe é própria, em matéria de encargos recebidos.

... esse recolheu a missão de planear o ensino e concretizá-lo: aquele se encontra compromissado em administrar; aquele outro ainda se vê compelido a zelar por essa ou aquela faixa de ação, para fazê-lo produzir determinados valores no bem geral.

Temos irmãos que se acharam trazidos a mandatos complexos na direção direta ou indireta de pequenas ou grandes comunidades; outros solicitaram e obtiveram da Vida Espiritual a felicidade de se reencarnarem nos postos de sacrifício, com o objetivo de se desvelarem no reajuste de alguém que lhes toma o convívio, sob os nomes de pai ou esposo, filho ou irmão; e outros muitos, ainda, por vezes, encontram em pleno anonimato, a condição de renúncia de que se reconheceram, um dia, necessitados, para a realização de encargos no auto-aperfeiçoamento.

... estejamos na certeza de que todos somos peças interdependentes nas engrenagens da vida. E as engrenagens a que nos referimos reclamam de cada um de nós fidelidade e disciplina, de maneira a que não venhamos a olvidar aquela área da existência, em que todos os dias surpreendem os desígnios do Senhor a nosso respeito, área que nomeamos com a palavra “dever”.

... aceitemo-nos como somos, trabalhando para melhorar-nos cada vez mais e aceitemos as atividades em que fomos necessariamente situados para que a rebeldia não se nos intrometa nas obrigações do cotidiano, fantasiada de liberdade.

... somos herdeiros e depositários da fé que precisa expressar-se no bem geral.

Caridade, entendimento, solidariedade, amparo, sacrifício, constituem frutos que nos compete espalhar onde estivermos.

... abençoemos aqueles que se nos façam instrumentos de prova; os que nos visitem o coração, à maneira do esmeril que o abrilhanta ou reajusta; os companheiros que se transformam em problemas que nos levam a conhecer o trabalho em suas mais íntimas nuances; e, sobretudo no lar, agradecemos a oportunidade de nos devotarmos em auxílio a outrem, às vezes, até mesmo com o desinteresse compulsório dos nossos sonhos mais ínfimos, a fim de que nos mantenhamos matriculados na escola do amor verdadeiro que inclui todos os sacrifícios para que a felicidade consiga viver com aqueles que mais amamos, erguendo-se-nos, por fim, na existência, em pão espiritual de cada dia.

... filhos, entendemos as vossas dificuldades que são também nossas e reconhecemos a inquietação com que muitos de vós outros nos bateis às portas do coração suplicando esperança e consolação.

Crede!

Não somos insensíveis aos vossos rogos, mas, porque também nos achamos lutando e trabalhando convosco no mesmo nível, convidamos a nós mesmos, para compartilharmos a mesma requisição de auxílio e força ao Senhor Jesus, a fim de que nos reunamos na mesma faixa de confiança redentora e produtiva, servindo e amando com a certeza de que se nos amarmos realmente. Uns aos outros, seguiremos adiante, superando todos os obstáculos, para o encontro sublime da União com Deus.

Por: Bezerra de Menezes
Do livro: Bezerra, Chico e Você,
Médium: Francisco Cândido Xavier

05 julho 2009

O Sentido da Vida - Momento Espírita

O Sentido da Vida

Você já reparou como é difícil, algumas vezes, ter respostas para algumas dúvidas do dia a dia? Ter respostas para essas perguntas que nos surgem quando estamos na fila do supermercado, ou escovando os dentes ou parados no sinaleiro, dentro da condução?

Você já não teve dessas perguntas que, um dia, sem pedir licença, entram em nossa mente e ficam rodando, rodando, até que desistimos delas, ou as guardamos no fundo, bem no fundo do baú de nossa mente?

Quem de nós já não se perguntou por que nascemos em situações tão diferentes? E quanto às nossas capacidades, será que Deus nos criou assim tão diferentes uns dos outros?

E por que Ele permite haver uns na Terra com tanto e outros com tão pouco? Ou ainda, por que pessoas boas sofrem, passam por provas, por dificuldades, dores?

Se Deus é soberanamente bom e justo, se Deus é, na profunda síntese do Evangelista, amor, qual a razão disso tudo? Qual o sentido de todas essas coisas, aparentemente tão incoerentes?

Na verdade, quando essas perguntas nos surgem, é nossa intimidade buscando respostas para o sentido da vida. São perguntas que a Filosofia vem se fazendo desde há muito, e que refletem o anseio que cada um de nós traz na intimidade: Afinal, qual o sentido da vida? Por que estamos aqui?

Deus, ao nos matricular na escola da vida, deseja de nós que o aprendizado aconteça. Como todo pai ao matricular seu filho na escola, Ele espera que aprendamos a lição.

Nos bancos escolares, nos matriculamos para aprender a escrever, a manipular os números, a entender um pouco as leis da Física, da Química e de tantas outras ciências. E na escola da vida, o que temos que aprender?

Jesus, no Seu profundo entendimento das Leis de Deus, foi firme ao nos ensinar que o maior mandamento da Lei do Pai é o do amor.

Assim, podemos entender que, quando matriculados na escola da vida, na escola que Deus nos oferece, Ele espera de nós essa única lição: aprender a amar.

Dessa forma, todas as oportunidades que a vida nos oferece, são oportunidades para aprendermos a amar. Seja na situação financeira difícil, ou no físico comprometido, estão aí, para nós, as melhores lições para amar.

A doença que nos surge, de maneira inesperada, é o convite à resignação e fé. O chefe difícil, intempestuoso, nos convida à compreensão.

O filho exigente é a oportunidade da paciência e do desvelo. O marido tirano, a esposa intransigente são os portadores do convite à humildade e compreensão.

A cada esquina, o que a vida nos oferece, seja da forma como ela nos oferece, sempre traz consigo oportunidade bendita do aprender a amar. Você já reparou nisso?

E o aprender a amar se faz no exercício diário desse sentimento, desdobrado nos inúmeros matizes que ele guarda em si, nas mais variadas virtudes que ele permite ser vivido.

Seja onde a vida nos colocar: no corpo doente, no lar carente, na família difícil, ali estará nossa melhor lição para amar.

Tenha sempre em mente que o maior sentido da vida é conseguir perceber e entender que ela guarda, em cada oportunidade, em cada desafio que nos oferece, bendita lição para aprender a conjugar o verbo amar.

Redação do Momento Espírita

04 julho 2009

Felicidade - Raul Teixeira

FELICIDADE

Costumeiramente, a felicidade é considerada a partir de valores de ordem material. É bem compreensível que assim seja no mundo em que nós vivemos. Afinal, vivemos num mundo cujas referências são todas elas, ou quase todas elas, a partir de coisas do mundo físico.

Nada obstante, em todos os tempos se haja falado que nós somos seres espirituais, ainda que as religiões hajam dito, desde sempre, que nós somos filhos de Deus e somos seres espirituais, essas informações, essas referências, quase sempre, deixaram a desejar. Elas não eram bem exatas, não eram bem completas.

A Humanidade passou a ter, a respeito das coisas espirituais, uma reflexão um tanto inadequada, porque passamos a associar o Espírito a fantasmas, às almas doutro mundo, a esses seres que são forjados na mente coletiva, na mente humana e, por causa disso, são fantasias que as mentes costumam criar.

Sempre que se fala em alma, em Espírito, se imaginam seres vestidos de lençois brancos, ou arrastando correntes ou uivando pelas noites, ou coisas desse gênero.

Poucas vezes se pensou na realidade nossa como Espíritos, em termos intelectuais, em termos mentais, em termos morais. Desse modo, as referências da felicidade estão atreladas a essas questões do mundo físico.

Costuma se pensar que felicidade está vinculada às posses que se tem. Muita gente imagina que só será feliz quando tiver o carro, quando tiver a casa, quando tiver dinheiro no banco, quando puder viajar, quando comprar roupas de grife, quando, quando, quando... Vamos sempre jogando a felicidade para patamares mais distantes.

Jamais fruímos a felicidade agora, já, no momento em que estamos vivendo. Há sempre um ritual intelectual que nos faz arremessar essa felicidade ou encontro com essa felicidade, para os dias do futuro.

Os discursos nossos, os discursos de todos ou de quase todos, estão sempre vinculados a: Quando eu tiver, quando eu comprar, quando eu for....

Então, a riqueza é uma das referências para a felicidade. No dia em que o indivíduo ganhar na loteria, no dia que conseguir uma herança, no dia em que ficar rico, ele será feliz.

Até conseguir ganhar na loteria, que dificilmente acontecerá; até o dia em que lhe surgir uma herança, que é uma coisa quase inabordável; até o dia em que ficar rico através do seu trabalho comum, o que também é, francamente, muito difícil, ele não consegue ser feliz.

O indivíduo não consegue ser feliz no momento em que está, com as pessoas com quem está, na realidade em que vive. Está sempre procrastinando, empurrando para trás, retardando a felicidade.

É muito interessante, porque Vicente de Carvalho, um poeta nosso, brasileiro, santista escreveu, um dia, que a felicidade é como um pomo, que nunca o pomos onde nós estamos, e nunca estamos onde nós o pomos.

Ele fez um jogo de palavras francamente verdadeiro, porque nunca pomos a felicidade onde estamos.

A felicidade está sempre além, num lugar, numa situação, numa condição social, numa condição de vida que não é aquela que estamos usufruindo agora. E onde pomos a felicidade, nós nunca estamos lá, porque a projetamos para somente quando determinadas coisas aconteçam.

É muito comum que o menino diga que ele será feliz quando fizer dezoito anos, e com dezoito anos, ele terá a chave da casa, ele poderá guiar carros, ele poderá fazer muitas coisas. Até chegar aos dezoito anos ele se impede de ser feliz aos treze, aos quatorze, aos quinze, etc.

Mas, depois que ele faz dezoito anos, a felicidade será quando ele conseguir uma namorada ou quando se casar. E ele vai empurrando isso. Quando se casa e não consegue a felicidade com o casamento, ele projeta quando tiver filhos. Desse modo, vamos empurrando para trás a felicidade que é como um pomo, como um fruto, nós nunca o pomos onde estamos, e jamais estamos onde nós o pomos.

É por causa disto que deveremos começar a refletir e a pensar que somos seres espirituais e que a felicidade não pode ser uma coisa projetada para longe, ela deve estar bem junto a nós.

* * *

É natural pensar que todo esse conforto material perseguido pelas pessoas, perseguido por nós, de fato nos dá uma gama de satisfação.

Quem é que não gostaria de ter dinheiro, quem é que não gostaria de ter uma boa posição social, econômica? Quem é que não gostaria de ser famoso e ser conhecido, de desfrutar dessas considerações do mundo, ainda que passageiras?

Poucas seriam as pessoas que responderiam que não.

No entanto, a felicidade decorre da maneira como nós encaramos a vida. Sim, a felicidade tem dimensões psicológicas.

Por isso, visitamos, muitas vezes, hospitais onde as pessoas sofrem, lugares de padecimentos, de dores, às vezes atrozes. Vamos visitar essas pessoas, cheios de angústias, com os nossos problemas cá de fora, do mundo e ao lhes perguntar como estão, elas nos surpreendem com uma bofetada de luvas: Eu estou bem, estou muito bem. E nós não conseguimos entender como é que uma pessoa operada, muitas vezes esperando morrer, com uma doença incurável ou com um mal grave, possa nos dizer que está bem.

Tudo com ela está bem, exatamente porque ela não está considerando o seu estado de felicidade a partir do corpo físico, embora o corpo físico também faça parte da nossa felicidade, ou deva fazer. Mas ela está além dessa consideração material. Porque é o modo como a gente vive por dentro que estabelece como é que vamos considerar a vida de fora.

Como o Cristo disse que o reino dos céus não tem aparências exteriores, está dentro de cada um de nós, é verdade que muitas vezes nós, ainda que passemos apertos materiais, carregamos uma certa satisfação interna, não por passar dificuldades, isso seria masoquismo, mas pela maturidade com que passamos essas dificuldades.

Daí encontrarmos pessoas pobres contentes e acharmos pessoas ricas desgraçadas.

É por isso que, ao pensarmos na felicidade como uma dimensão psicológica, uma dimensão psíquica, uma dimensão espiritual, verificamos que muitas pessoas que vivem dificuldades materiais conseguem extrair dessa dificuldade, alegrias íntimas, alegrias para sua vida, capazes de causar inveja a muita gente rica.

É por isso que muita gente rica, nada obstante tenha muito dinheiro, tenha posição social, tenha todas as facilidades, vive infeliz.

No meio dos ricos, quantas vezes achamos suicídios incompreensíveis a princípio, porque as pessoas dizem: Mas tinha tudo, tinha poder, tinha riqueza, tinha beleza! Mas não tinha harmonia íntima. Muitas vezes não tinha objetivo de vida. Então, a saída para esses indivíduos foi a tentativa de se autodestruir.

Encontramos, por vezes, nos meios ricos, homicídios. Mas como?

Pessoas às quais não faltava nada, pelo menos na suposição do vulgo. Faltava-lhes quase sempre o essencial, a harmonia interior. A felicidade nasce dessa harmonia.

Quantas vezes achamos no meio de gente rica a prostituição, de todos os sentidos. A prostituição dos costumes, a prostituição sexual. Encontramos a drogadição, no meio de gente que pode pagar caro pelas doses de cocaína, de heroína e de tudo mais que infelicita a vida.

Podemos garantir sim, como estabelece o brocardo popular que o dinheiro, a fortuna material não traz a felicidade. Indubitavelmente, ajuda no conforto, ajuda na harmonia material, mas não resolve os nossos enigmas da alma.

Desse modo, a felicidade vai sempre depender da nossa visão de mundo, da maturidade com que nós experimentamos o mundo.

Se estou no mundo como quem se acha numa penitenciária, a minha vida será um tormento, uma infelicidade. Se eu estiver no mundo como quem se acha numa escola, eu farei das dificuldades elementos de progresso, de crescimento, de harmonia.

Se eu me sentir na Terra como quem está num lar, entenderei que todas as dificuldades me são necessárias para que eu as supere, porque eu estou rodeado de irmãos, de criaturas com as quais eu posso interagir positivamente.

A felicidade não é, de fato, uma regalia deste mundo, ela está dentro de nós.

É por isto que Allan Kardec perguntou se no mundo se poderia experimentar a felicidade no grau maior, e os Seres Imortais responderam-lhe que não, porque a Terra é um mundo de provas e expiações. No entanto, poderemos ser tão felizes quanto a Terra permite que sejamos. Vamos buscar essa felicidade maior, que o mundo nos enseja.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 142, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em abril de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 1º de março de 2009.

03 julho 2009

Guerra - Maria Nunes

GUERRA

A guerra é a cirurgia do crime. Por má que ela seja, significa sempre a extirpação de qualquer coisa pior - Oliver W. Holmes

Impõe-se-nos o coração a sentir, mesmo que seja contrário aos nossos sentimentos superiores, que a guerra é de fato uma cirurgia das consequências dos crimes praticados pelos próprios homens.

Poderemos comparar a guerra a um remédio drástico, mas necessário ao corpo ciclópico da sociedade. Quando o corpo físico se encontra em determinadas situações em que o medicamento não atinge seus objetivos, a medicina por vezes usa a cirurgia, extraindo assim o tumor que gera os desequilíbrios, para que não aconteçam coisas piores.

A guerra quase sempre é um tumor criado pelas pessoas, alimentado por elas, de maneira que a cura careça de cirurgia dolorosa, mas indispensável para extrair a fonte geradora dos desequilíbrios.

Não estamos aqui incentivando lutas entre irmãos; longe disso, a Doutrina dos Espíritos, sob a direção de Nosso Senhor Jesus Cristo, está empenhada em eliminar as guerras, mas, começando pela educação das criaturas. Esse é o nosso grande trabalho, e a fonte desta educação e disciplina é o Evangelho de Jesus.

Todos nós sofremos com as guerras, participando ou não delas, porque ajudamos a criá-la no silêncio dos nossos pensamentos, com palavras e atos.

Todos nós impregnamos a psicosfera da Terra com magnetismo inferior, pelo ódio, a inveja e o ciúme, pela maledicência, pelo orgulho e pelo egoísmo.

Viajamos muito tempo no barco da usura, e o resultado está sendo e foram as guerras fratricidas, a destruição criada para o próprio bem da humanidade. No entanto, um dia - e que seja breve - Deus vai nos dizer basta, e o tempo há de fazer uma seleção entre os Espíritos que estagiam na Terra, e cada um deverá receber a morada a que faz jus.

O aviso está chegando ao planeta; pelos luminares da espiritualidade, aos seres humanos da mesma maneira como em Sodoma e Gomorra, em Herculano e Pompéia, Nagazaki e Hiroschima, estas últimas, cidades japonesas destruídas pela bomba atômica.

Sempre há avisos, e quando há justos nos locais, são retirados para não sofrerem injustiças, e no caso da Terra agora, serão retirados os malfeitores, sendo que os bons a herdarão, tornando-a um paraíso, esperado há muito pelos homens de bem.

No sentido exato do termo, a Terra será a terra da promissão, vista por Moisés, sendo esperança para seus seguidores.

As guerras que presenciamos no mundo das formas são reflexos das hostilidades dentro de cada um de nós; quando passarmos a harmonizar os nossos sentimentos, a razão nos informa que as guerras fratricidas desaparecerão da face da Terra, pois elas são os resultados do sentimento que vibra nos corações dos que alimentam a ignorância.

Trabalhemos unidos, a serviço da caridade, porque a cada passo que dermos com Jesus, estaremos semeando paz onde existem guerras.

De "Sabedoria - a lei de Deus no pensamento dos homens,
de João Nunes Maia,
pelo Espírito Maria Nunes

02 julho 2009

Guardados - Thereza de Brito

GUARDADOS

Curioso, no mundo, é que quase todas as pessoas costumam manter seus guardados.

São trastes emperrados, que o apego não permite deles se desfaça.

São vestes e utensílios que lembram essa ou aquela ocasião, detendo valores afetivos, conforme se diz nos caminhos terrestres.

Quinquilharias apresentam-se atulhando gavetas várias, assemelhando-se a museus pessoais, detidos nos lares ou em instituições específicas.

Vislumbram-se jóias caras, que não são usadas, em virtude do medo, nem têm outra finalidade senão agrilhoar as almas, já de per si tão presas ao amontoado de coisas verdadeiramente sem legítimos valores.

São nossos guardados, afiançamos.

Quem nos dera fosse mais fácil guardar virtudes e glórias das conquistas espirituais, em aplicação constante, que, sob nenhuma hipóteses, estariam paralisadas!

Quem nos dera fossem nossos guardados utilizados a benefício dos carentes, dos sofredores, adquirindo expressão nobre!

Comentamos, vastas vezes, acerca dos ensinamentos de nosso Jesus, com relação a não fazermos tesouros perecíveis, aqueles que não ficarão em nosso poder ou que são corroídos, consumidos, furtados; entretanto, continuamos a manter guardados inúteis, ao mesmo tempo que alegamos não dispor de recursos de servir a quem suplica amparo.

Ponha-se a criatura a armazenar alegria, para distribuí-las com os tristes; coloque-se o homem a amealhar sorrisos, espalhando bondade pelos caminhos; ajuste-se cada um ao labor de guardar ternura, ofertando-a aos irmãos ao redor, nessa quadra tão crua do sentimento humano, e, sem dúvida, os seus serão os melhores guardados, nas reservas felizes em sua vida, pelo possibilidade de dirigi-los a outros, promovendo júbilos e alevantando vidas.

Guardados que estamos no Amor Divino, guardemos na fé e no trabalho de cada hora o melhor dos nossos empenhos, de modo que, em nome do amor ao próximo, nos libertemos e nos iluminemos, fazendo amigos com os recursos que temos no mundo, como prelecionou Jesus.

Thereza de Brito
De "Nossas riquezas maiores",
de J. Raul Teixeira - diversos espíritos

01 julho 2009

A Grande Tarefa do Espiritismo - Amilcar Del Chiaro Filho

A GRANDE TAREFA DO ESPIRITISMO
Por: Amilcar Del Chiaro Filho

Enquanto muitas pessoas procuram o Espiritismo para resolver problemas triviais da vida, embora reconheçamos que alguns são especialmente dolorosos, não percebem que a grande tarefa do Espiritismo é mostrar a sobrevivência da alma, e a finalidade evolutiva do existir, assim como a orientação ético-moral, emanada do Evangelho de Jesus de Nazaré.

Ao se conscientizar da sobrevivência, o homem, se liberta do terror com que encara a morte. No entanto, o Espiritismo responsabiliza-o, também, pela aplicação do seu aprendizado moral, alargando os horizontes do conhecimento.

Devemos considerar que não é apenas o Espiritismo que ensina a sobrevivência, todas as religiões o fazem, contudo, o Espiritismo dá uma nova dinâmica à imortalidade, tirando-a de uma situação estática, para a dinâmica.

Consideramos, também, que a estrutura doutrinária do Espiritismo, não se limita a pregar a sobrevivência, mas comprova-a através das pesquisas. Ao falar da reencarnação, não a apresenta como um dogma de fé, mas como lei natural.

Quanto ao Evangelho, ele é visto, pelo espiritismo, como um código moral, suscetível de erros, interpolações, adulterações, por isso, seguindo os passos de Allan Kardec, aceitamos sem tergiversações os ensinamentos morais do Evangelho. É, sobretudo, um livro humano, portanto, com as limitações humanas. Nele, encontramos os maravilhosos ensinamentos de Jesus de Nazaré, juntamente com textos distorcidos ou interessados em defender idéias, nem sempre condizente com o próprio evangelho.

O Espiritismo não pode ficar subordinado a imposições dogmáticas ou aos convencionalismos humanos. Em espiritismo não cabe o crer pelo crer, pois a fé deve ser racional.

Sabemos que para muitos as proposições espíritas são assustadoras. Unir fé e razão, assim como a religiosidade à filosofia e à ciência, e transformar a alma ou espírito em objetos de observações e pesquisas, pode, realmente, desestruturar a mente humana.

Os místicos-religiosos, dificilmente aceitam as idéias espíritas. Aqueles que aprenderam ouvir e aceitar o que lhe dizem, desde crianças, sem questionar, não conseguem entender essa revolução conceptual. Ao contrário disso, aqueles que procuram novos rumos para as suas vidas, certamente encontrarão no espiritismo roteiro seguro para a emancipação do pensamento.

A fé espírita, afirma Herculano Pires, como já dizia Allan Kardec, é iluminada pela razão, mas a razão espírita, por sua vez, é iluminada pela fé, de maneira que não pode ser confundida com a razão céptica. Enquanto esta é espiritualmente estéril, a razão espírita é espiritualmente fecunda, abrindo para a mente humana perspectivas cada vez mais amplas de compreensão do homem, do mundo e da vida.

Jornal Verdade e Luz Nº 169 de Fevereiro de 2000