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11 setembro 2018

Assistência dos espíritos nas dificuldades da vida - J.Herculano Pires

 


ASSISTÊNCIA DOS ESPÍRITOS NAS DIFICULDADES DA VIDA


Confusões entre o meio e o fim acarretam decepções doutrinárias – O que importa no Espiritismo é o Reino de Deus e a sua Justiça.

Um dos fatores mais freqüentes de decepções, na prática espí- rita, é o utilitarismo dos praticantes. Há pessoas que só compreendem as coisas do ponto de vista da utilidade imediata. Essas pessoas não se dirigem ao Espiritismo na procura de uma visão mais ampla da vida, de melhor compreensão, de maior equilíbrio psí- quico. Desejam, pelo contrário, obter benefícios imediatos: cura, solução de problemas financeiros ou amorosos, arranjo da vida. Pretendem fazer do Espiritismo um meio de conquista de vantagens pessoais. Os resultados dessa atitude só podem ser negativos.

Não é missão do Espiritismo “arranjar a vida” de quem quer que seja. Os Espíritos superiores não estão a serviço dos pequeninos e passageiros interesses humanos. Dessa maneira, a pessoa que deseja benefícios acaba perdendo a assistência dos Espíritos superiores e sofrendo o assédio dos inferiores. Estes, sim, estão sempre prontos a atender a todos os pedidos, mesmo os mais injustos. E, se às vezes fazem alguns benefícios imediatos, não raro cobram muito caro o que fizeram, causando, mais tarde, amargas decepções.

O que se deve buscar no Espiritismo é a elevada compreensão do processo da vida, que ele oferece a todos os estudiosos. Buscando essa compreensão, colocamo-nos em sintonia espiritual com os Mensageiros do Alto, que por sua própria benevolência  nos atendem e nos socorrem em tudo o que é possível. Cumpre-se aquele ensinamento de Jesus, que todos os cristãos estudiosos conhecem: “Busca primeiramente o Reino de Deus e a sua Justiça, e tudo o mais te será dado por acréscimo”.

Os interesses, as paixões e as angústias humanas servem, muitas vezes, como meios de condução da criatura ao Espiritismo. Mas, não podem transformar-se em finalidade da prática espírita. É justo que a mão angustiada procure um Centro, um médium ou um doutrinador espírita, para solucionar o problema do filho enfermo. É justo que o homem de negócios, aturdido pelos insucessos, busque uma orientação no meio espírita, como é justo que a criatura atormentada por questões amorosas procure uma palavra de consolo na comunicação mediúnica. Mas, uma vez socorridas pelos Espíritos do Senhor, essas criaturas devem beneficiar-se com as luzes da doutrina, em vez de permanecerem na estagnação dos sentimentos comuns.

Não é somente no Espiritismo que isso acontece. Nas várias religiões, os sacerdotes enfrentam o mesmo problema, com os crentes interessados em transformar as práticas do culto em instrumentos de benefícios pessoais. Nas correntes ideológicas, nos partidos políticos, nos movimentos sociais, há sempre os que procuram apenas a satisfação de seus próprios interesses. Erram, pois, os que pensam que somente no Espiritismo somos assediados por essas questões, que não são privilégio de nenhum movimento, mas decorrem da própria natureza humana, em seu atual estado evolutivo.

O Espiritismo ensina que a vida tem um objetivo e, esse objetivo é o aperfeiçoamento espiritual. O que importa, pois, do ponto de vista espírita, como ensinava Jesus, é o Reino e sua Justiça, e não o bem-estar imediato, a felicidade passageira e ilusória. Pessoas que se aproximam do Espiritismo, tangidas por necessidades e interesses, mas não lhe absorvem os ensinamentos superiores, são as que acabam por decepcionar-se com a doutrina. Elas mesmas causam as suas decepções. De outro lado, como são felizes as que se servem da oportunidade de uma angústia ou de uma dificuldade, para assimilarem a mensagem renovadora do Espiritismo!

Essas são as que não se aproximam da luz de olhos fechados, e nunca se decepcionarão. Para elas, o Espiritismo se transforma naquilo que os místicos chamam, e com muita razão – a luz no caminho. 



J. Herculano Pires 
Obra: O Mistério do Bem e do Mal - Capítulo 18
2ª Edição - Do 6º ao 8º milheiro - Abril de 1992 
Editora Espírita Correio Fraterno do ABC

10 setembro 2018

Consequências do Suicídio - Richard Simonetti



CONSEQUÊNCIAS DO SUÍCIDIO



1 – Qual a primeira consequência do suicídio?

A terrível constatação: o suicida não alcançou o seu intento. Não morreu! Não foi deletado da Vida. Continua a existir, sentir e sofrer, em outra dimensão, experimentando tormentos mil vezes acentuados. É uma situação traumática e apavorante, conforme informam suicidas que se manifestam em reuniões mediúnicas.

2 – Seus sofrimentos são de ordem moral?

Em parte. Há outro aspecto a ser considerado: os estragos no perispírito, o corpo espiritual. O apóstolo Paulo o denominava corpo celeste. Um corpo feito de matéria também, mas em essência, numa outra faixa de vibração, como define Allan Kardec. É o veículo de manifestação do Espírito no plano em que atua, e intermediário entre ele e o corpo físico, na reencarnação.

3 – Quando o médium vidente diz que está vendo determinado Espírito, é pelo corpo espiritual que o identifica?

Exatamente. O Espírito não tem morfologia definida, como acontece com a matéria. É uma luz que irradia. Diríamos, então, que o vidente vê determinado Espírito em seu corpo espiritual, tanto quanto identificamos um ser humano pela forma física.

4 – O que acontece com o perispírito no suicídio?

Sendo um corpo sutil, que interage com nossos pensamentos e ações, é afetado de forma dramática. Se alguém me der um tiro e eu vier a desencarnar, poderei experimentar algum trauma, mas sem danos perispirituais mais graves. Porém, se eu for o autor do disparo, buscando a morte, o perispírito será afetado e retornarei ao Plano Espiritual com um ferimento compatível com a área atingida no corpo físico. É muito comum o médium vidente observar suicidas com graves lesões no corpo espiritual, produzidas por instrumento cortante, revólver ou outro meio violento por ele usado.

5 – Qualquer tipo de suicídio sempre afetará uma área correspondente no perispírito?

Sim, com tormentos que se estenderão por longo tempo. Dizem os suicidas que se sentem como se aquele momento terrível de auto aniquilamento houvesse sido registrado por uma câmera em sua intimidade, a reproduzir sempre a mesma cena trágica. Imaginemos alguém a esfaquear-se. A diferença é que, enquanto encarnado, essa autoagressão termina com a morte, enquanto que na vida espiritual ela se reproduz, insistentemente, em sua mente, sem que o suicida se aniquile.

6 – Digamos que a pessoa dê um tiro na cabeça…

Sentirá repercutir, indefinidamente, o som do tiro e o impacto do projétil furando a caixa craniana e dilacerando o cérebro. Um tormento indescritível, segundo o testemunho dos suicidas. Lembra a fantasia teológica das chamas do inferno, que queimam sem consumir.

7 – Falando em chamas, e se a pessoa se matou pelo fogo, desintegrando o corpo?

Vai sentir-se como alguém que sofreu queimaduras generalizadas. Experimentará dores acerbas e insuportável inquietação. É uma situação desesperadora, infinitamente pior do que aquela da qual, impensadamente, pretendeu fugir.

8 – Podemos situar os desajustes perispirituais como castigos divinos?

Imaginemos um filho que, não obstante advertido pelo pai, não toma os devidos cuidados ao usar uma faca afiada e se fere, seccionando um nervo. As dores e transtornos que vai sentir não serão de iniciativa paterna para castigá-lo. Ele apenas colherá o resultado de sua imprudência. É o que acontece com o suicida. Seus tormentos relacionam-se com os desajustes que provocou em si mesmo. Não constituem castigo celeste, mas mera consequência de desatino terrestre.


Richard Simonetti
 

09 setembro 2018

Tudo tem uma Consequência - Oceander Veschi



TUDO TEM UMA CONSEQUÊNCIA


Olhos que só vêem o lado ruim e negativo das pessoas tendem a apresentar problemas como glaucoma, descolamento de retina, miopia…afinal, pra quê ter boa visão, quando a utiliza para o mal?

Estômago de quem cultiva acidez no humor, vive irritado e ansioso tende a queimar feito brasa viva, com uma gastrite, azia ou refluxo. Como ter um estômago perfeito, e se ver livre de uma dor, quando se tem ímpetos agressivos, e que podem nos conduzir à agredir alguém, física e emocionalmente?

Sangue de quem não vê beleza na vida e “nada está bom” tem uma tendência a ficar excessivamente glicosado, causando diabetes. Como não sobrecarregar o pâncreas, o órgão controlador da insulina, se emitimos forte emotividade de insatisfação pela vida que temos?

Coluna de quem não cede, tem “convicção e personalidade forte”, vive contrariando e sendo contrariado, tem uma inclinação à hérnias discais, artrites e artroses prematuras, por conta do excesso de inflexibilidade com a vida e com as pessoas. Já pensou que estranho seria alguém tão rígido ter o centro do seu corpo diferente da sua ação mental?

Ah, são tantas enfermidades físicas, sempre precedidas por desconhecimentos de como agir melhor consigo, e especialmente com os outros. É preciso educar a mente, para que o corpo a siga com a mesma qualidade.

Estamos no aprendizado…

Te desejo saúde, especialmente a da alma…


Oceander Veschi
 
 

08 setembro 2018

Padres, gurus, médiuns, acusados de abuso. Como o espiritismo se posiciona?




PADRES, GURUS E MÉDIUNS, ACUSADOS DE ABUSO
COMO O ESPIRITISMO SE POSICIONA?



Na mesma semana em que saiu uma reportagem em O Globo sobre a investigação de 300 padres nos EUA, que teriam abusado de mil vítimas; aqui no Brasil, foi publicada a notícia, pela G1 sobre “médium presidente de sociedade espírita que vira réu por estelionato e violação sexual”. Ante o choque de muitos espíritas, que nos procuraram para comentar o fato, não poderíamos deixar de tecer uma análise a respeito, em que pese a nossa repugnância em tocar em assunto tão indigesto.

É preciso, porém, dizer que a prática (ou suspeita de prática) de abuso e assédio sexual e de desvio de bens financeiros entre líderes religiosos são tão antigos quanto as religiões. Mais recentemente na história, temos o desvendamento desses crimes na Igreja católica, que sempre os acobertou. Mas no Oriente, as coisas não se passam de forma diferente: Sai Baba, considerado pelos seguidores como uma encarnação divina, tinha inúmeros processos de pedofilia contra ele na Índia e no quarto em que dormia, foram encontrados milhões de rúpias e quantidades imensas de ouro. O guru aclamado em frases diárias de autoajuda, que primeiro se chamava Rajneesh e depois, para fugir de crimes de que estava sendo acusado, mudou seu nome para Osho, também tem denúncias várias envolvendo abuso sexual e acúmulo de fortuna, em rolls-royces, aviões etc.

Ou seja, assistimos a esse fenômeno universal de mestres, sacerdotes, gurus, chefes de seitas, líderes religiosos aclamados que têm uma face sombria, de dominação, exploração e violência contra mulheres, crianças, adolescentes, jovens e adultos.

Qual a explicação para isso? Muita gente sempre supôs que a Igreja Católica, pela sua imposição de celibato, tenha sido uma fábrica de pervertidos. Mas se observamos o mesmo fenômeno em outros movimentos (e agora no próprio movimento espírita), onde não há a imposição de celibato sacerdotal, então essa não parece ser a explicação, ou pelo menos não é a única explicação.

E se invertêssemos o raciocínio? E se justamente nos redutos da liderança religiosa, vão muitas vezes se esconder personalidades doentias, desejosas de dominação, que buscam o acobertamento da religião para a prática de seus crimes?

E por que acontece isso? Porque as religiões, com suas hierarquias instituídas, com sua produção de mestres artificiais que comandam ovelhas submissas, dependentes e idólatras, são lugares onde a idealização de alguém dá a esse alguém, carta branca para quase tudo.

Quando colocamos um ser humano, sempre falível, sempre simplesmente humano, com suas fraquezas e até doenças e desvios, como alguém superior a nós, alguém que não podemos questionar, que não está sujeito à crítica, que não é gente como a gente… alguém apenas reverenciado e idolatrado – estamos abrindo a porta para qualquer tipo de abuso, de sujeição, de violência mesmo.

Seria de se esperar que no espiritismo não ocorresse isso, porque não somos uma religião no sentido tradicional do termo. Não temos sacerdotes, não temos gurus, não temos mestres. Em matéria de espiritualidade e espiritismo, todos somos aprendizes. E para o espiritismo, todos somos aprendizes e sujeitos, capazes de raciocinar, com autonomia e espírito crítico.

Mas sim, no Brasil, o movimento espírita se tornou uma religião no sentido tradicional. Médiuns e dirigentes agem como gurus, são venerados como tais e se tornam referência inquestionável de determinado centro ou comunidade e até do movimento espírita inteiro. E de repente, a casa cai, porque toda idealização encontra a chão duro da realidade. Porque quem se deixa venerar e idealizar tem algo a esconder. As pessoas que são mais normais, mais acessíveis, mais despojadas, mais gente como a gente, costumam ter menos obscuridades, embora qualquer pessoa possa ter seu lado problemático.

Algumas palavras sobre esse caso do médium Maury Rodrigues da Cruz. Eu já o conhecia de um encontro apenas, já tinha estado na Faculdade que ele dirige e alguns discípulos seus haviam me enviado anos atrás, vários livros de sua autoria mediúnica, com um espírito chamado Leocádio Correia. Já tinha feito uma análise cuidadosa dos livros, que achei muito confusos, prolixos e repetitivos. E o pior, a bibliografia do curso de Teologia Espírita na faculdade dirigida pelo médium era predominantemente constituída desses livros mediúnicos. Vejam-se aí vários problemas (que aliás são generalizados no movimento espírita): textos supostamente psicografados, que são em linguagem empolada, ininteligível e que não passaram por nenhuma leitura crítica; centros, comunidades, baseadas inteiramente na liderança de um médium que se torna uma autoridade constituída pela sua própria e inquestionável mediunidade; e nesse caso específico, temos a proposta da constituição de um conhecimento (uma teologia espírita) baseada na obra de um médium, de um espírito, sem nenhum respaldo acadêmico, científico e sem nenhuma solidez filosófica.

Tudo isso, claro, não indicaria necessariamente essa acusação de abuso. Mas tudo isso abre a porta para qualquer desvio mais grave.

O espiritismo deveria ser – e é quando bem compreendido – uma ideia emancipatória, que entrega ao indivíduo a gestão de si mesmo, a uma proposta de autoeducação. Assim, as relações entre espíritas devem ser sempre horizontais, fraternas, abertas e jamais baseadas numa veneração submissa a uma suposta autoridade mediúnica. Isso perturba os que praticam a idolatria e perturba quem está posto no pedestal, pois que vai perdendo sua dimensão humana e igual aos outros e acaba acreditando em sua própria e suposta superioridade.

Lamentamos profundamente as vítimas desse caso e de outros, que sem dúvida acontecem em centros espíritas Brasil afora – mas alertamos a todos: estudemos o espiritismo, empoderemo-nos de seu caráter libertador e não rendamos culto a ninguém. Não alimentemos dependências doentias, que podem nos levar a situações de grande vulnerabilidade psíquica e mesmo ao perigo de sermos violados em nossa integridade.

Dora Incontri


07 setembro 2018

Reflexões sobre a mediunidade - Manoel Philomeno de Miranda

 


REFLEXÕES SOBRE A MEDIUNIDADE



Sabiamente, o emérito Codificador do Espiritismo constatou que a mediunidade é uma faculdade orgânica inerente a todos os seres humanos. Nada obstante, o fato de ser-lhe portador, não implica necessariamente em ter que a exercer quando não se apresente com um caráter ostensivo.

A faculdade natural é uma predisposição do organismo, que tem suas raízes no Espírito, como parte do seu processo evolutivo, adquirindo mais complexidade e enriquecimento das funções que o conduzem à transcendência.

Podendo manifestar-se na infância ou em qualquer período da existência física, merece estudos cuidadosos, de modo a atender a finalidade para a qual a Divindade a criou.

Nada obstante, todo aquele que pretenda educar as suas faculdades mediúnicas, deve antes aprofundar reflexões no estudo do Espiritismo, a fim de esclarecer-se sobre os valores reais da existência humana, a sua finalidade e os métodos mais compatíveis para desincumbir-se dos compromissos que foram assumidos antes da reencarnação.

O exercício de qualquer função requer esforços bem direcionados, de modo a adquirir a consciência em relação à mesma, do que resultarão os salutares efeitos em torno do empreendimento.

No que diz respeito à mediunidade que é em si mesma, amoral, será o comportamento do indivíduo que contribuirá para sua maior e melhor qualificação.

Quando os fenômenos não são expressivos, tendem a desaparecer, porque nem todos se encontram assinalados pela responsabilidade que o seu ministério exige.

Causa estranheza, não poucas vezes, que pessoas destituídas dos tesouros éticos recomendáveis recebam comunicações edificantes provenientes dos Benfeitores espirituais. É muito fácil, porém, entender-se o que ocorre. Desde que escasseiam aqueles que dispõem de mais amplas possibilidades, são usados os que as possuindo, lamentavelmente não se instrumentalizaram como deveriam.

Em uma emergência, em qualquer circunstância, à falta de servidores especializados, são usados quaisquer uns que possam contribuir em favor do bem-estar geral.

De maneira equivalente ocorre nas tarefas espirituais, nas quais, os Guias da humanidade aguardam melhores condições para interferir de maneira mais vigorosa em beneficio de todos.

Fundamentalmente, a mediunidade tem por objeto desvelar o mundo espiritual, a sua constituição, como são as condições ambientais, mas, por excelência, confirmar a imortalidade da alma e o que ocorre após a desencarnação e reflete-se em colheita no comportamento mental, emocional e moral vivenciados.

De resultados altamente relevantes para os seus portadores que, em geral, são Espíritos muito comprometidos com as Soberanas Leis, o seu exercício com abnegação oferece-lhes resistência contra as más inclinações que neles se demoram, ao tempo em que conquistam os tesouros do amor e da caridade que esparzem com os seus irmãos espirituais.

Sempre presente na história da humanidade desde priscas eras, foram os próprios imortais que a desvelaram aos deambulantes carnais, na intimidade das cavernas ou nos grandiosos mistérios dos templos de iniciação esotérica, sendo ocultada por fórmulas cabalísticas e rituais para a massa destituída de compreensão, portanto, exotérica.

Os livros sagrados de todas as doutrinas religiosas referem-se-lhe com denominações específicas, desde ontem como hoje, ornada de referências especiais, porém, com o mesmo significado e conteúdo.

Em especial a Bíblia, tanto no Velho como no Novo Testamento, apresenta-a de maneira clara e inequívoca, em momentos grandiosos, a partir dos extraordinários fenômenos produzidos por Moisés, desde o Egito antes de libertar o seu povo, como no deserto, no Monte Sinai, ao receber o Decálogo...

Todos os profetas eram médiuns portadores de alta inspiração, embora as paixões nacionais que aturdiam a alguns, culminando em Joel (2:28-29), quando afirmou: Acontecerá depois que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos anciãos terão sonhos, os vossos mancebos terão visões; e também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito.

Posteriormente, Lucas, em Atos dos Apóstolos (2:17-18), repete as sábias palavras do venerando profeta. Transcorridos dezenove séculos após a assertiva do amado discípulo de Paulo ao referir-se à mediunidade dignificada, Allan Kardec, o admirável codificador do Espiritismo, informou que a faculdade mediúnica se radica no organismo, confirmando a sua presença na carne, portanto, na constituição física de que se utiliza o Espírito imortal.

Se evocarmos o diálogo entre o rei Saul e a pitonisa do Endor em transe, o nobre Juiz repreende-o por havê-lo evocado por fútil motivo, em torno da guerra, a esse mesmo Saul, atormentado por Espíritos infelizes, que se acalmava ouvindo o canto e a música de Davi, voltando-se contra ele, em plena obsessão, violentamente, em razão da sua mediunidade atormentada e carregada de culpas... (I Samuel 28: 15 e ss)

Durante toda a trajetória no deserto, acostumados aos fenômenos no Egito, os judeus dedicavam-se a evocações frívolas e descontroladas, vendo-se Moisés compelido a proibir tal comportamento irregular, conforme se encontra exarado nas referências bíblicas. Não se tratava de impedimento das manifestações, mas do caráter das mesmas, que não devem ter finalidade vulgar, mas sim, revestir-se de caráter sério, quando ele próprio convocou setenta anciãos para ouvir o Senhor.

Nesse ínterim, conforme Números 11:26 a 29, dois homens na aldeia, Eldade e Medade, sentiram a presença do Espírito e começaram a profetizar, mediunizados.

De imediato, foi apresentada queixa a Moisés sobre essa prática e solicitação para que a proibisse, e o grandioso condutor, respondeu: Tens tu ciúmes por mim? Oxalá que do povo do Senhor todos fossem profetas, que o Senhor pusesse o seu espírito sobre eles!

Não bastassem esses fatos, e veremos o grande orientador aparecer ao Mestre, na inolvidável transfiguração no monte Tabor, (Mateus, 17:1 e ss, Marcos, 9:2-8, Lucas, 9:28-36) dialogando demoradamente, sendo visto e ouvido pelas testemunhas (Pedro, Tiago e João), assessorado por Elias, o inesquecível profeta, que houvera subido ao Céu em uma carruagem de fogo... (2 Reis 2-11)

Nas inesquecíveis pregações do apóstolo Paulo, o estoico divulgador de Jesus, o mesmo refere-se com segurança: Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito comum. Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; a outro a operação de milagres; a outro a profecia; a outro o dom de discernir espíritos; a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação de línguas. Mas um só é o mesmo Espírito que opera todas estas coisas, distribuindo particularmente a cada um como quer. Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos formam um só corpo, assim também é Cristo. (I Coríntios, 12:4-12)

Eis exarada uma página que parece haver sido retirada de O Livro dos médiuns, de Allan Kardec, quando estuda a diversidade das expressões mediúnicas, de efeitos intelectuais assim como de efeitos físicos.

É sempre o Espírito imortal que se manifesta sob a vontade do Senhor Jesus Cristo que administra o orbe terrestre.

Seja, porém, qual for a faculdade mediúnica, o seu exercício, por tratar-se de coisa santa, santamente, respeitosamente, deve ser executado com dignidade, a fim de atender aos elevados objetivos a que se encontra destinada.

Para ser logrado o mister básico da função mediúnica, a transformação moral do servidor toma-se essencial, trabalhando-se conscientemente para adaptar-se às injunções austeras que se fazem imprescindíveis para o desempenho feliz, a fim de lograr o estágio do mediunato.

A disciplina moral e a abnegação em todos os momentos tornam-se linhas de comportamento saudável para estar sempre às ordens do seu Guia espiritual, que conhece a programação traçada para o êxito da reencarnação.

A mediunidade, portanto, é um nobre investimento da Vida a benefício do Espírito reencarnado, que mais facilmente pode desenvolver as percepções da transcendência, sendo inspirado a desejar alcançá-la embora os percalços da jornada carnal.

O discernimento em torno das comunicações, a aceitação das mensagens, primeiro para si mesmo antes que para os outros, o reconhecimento de que, sendo médium, é apenas instrumento e não autor dos conteúdos que exterioriza, o bom senso para não se permitir envaidecer ou deslumbrar pelas mensagens de que se faz portador, tendo o cuidado de vigiar as nascentes do coração, são compromissos morais que ajudam a impedir as fascinações muito agradáveis ao ego.

O médium deve evitar a autopromoção através da faculdade, reconhecer a própria fragilidade e os riscos a que se encontra sujeito, em razão da delicadeza de que se reveste o ministério em que se encontra localizado.

A gratuidade dos labores mediúnicos é de capital relevância, a fim de atrair os Espíritos superiores, que se não subordinam aos favores materiais nem se sentem na obrigação de retribuir à clientela os benefícios monetários ou outros que sejam conferidos ao médium.

Na sua Primeira Epístola, no capítulo IV, versículo 1, adverte João Evangelista: Meus bem-amados, não creiais em qualquer Espírito, experimentai se os Espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.

É meritório desconfiar-se sempre dos Espíritos que se apresentam pomposamente, ditando mensagens esdrúxulas e em tons proféticos, ou elogiosos ao círculo no qual se manifestam ou que se recusam e se negam à análise das suas mensagens, apresentando-se como seres inatingíveis... Tais são características de Espíritos que falseiam a verdade.

De igual maneira, cuidar-se para que as comunicações tenham sempre caráter universal e conteúdo moral relevante, evitando detalhes desnecessários nas suas informações, sempre objetivando o bem comum.

A perseverança no trabalho contínuo e sem aplausos, mantendo a simplicidade, tanto material do ambiente como espiritual do servidor, é essencial ao êxito do compromisso abraçado.

Médiuns pomposos são dignos de Espíritos semelhantes, que lhes insuflam a presunção, como se fossem indispensáveis à humanidade, que sempre tem vivido sem a sua presença.

Jesus, o Excelente Filho e Médium de Deus, apagava-se, a fim de que o Pai através dEle se fizesse conhecido, tornando-se-Lhe o Caminho para O encontrar.

A mediunidade, de acordo com o nível de consciência em que o seu portador se encontra, pode apresentar-se como verdadeiro tormento, tornando-se uma provação, mediante a qual o devedor expungirá os delitos do passado. É, portanto, muito natural que nas manifestações iniciais, o fenômeno seja perturbador, assinalado pelas presenças espirituais infelizes e odientas, que geram transtornos de comportamento e facultam estágios de obsessão.

A mediunidade será, então, de prova para o Espírito, que se deve enriquecer de valores morais, para poder saldar os débitos anteriores através da paciência, da conduta correta, da ação da benevolência e da caridade, inclusive em relação àqueles que se comprazem em inquietá-lo.

Noutras vezes, após a cuidadosa terapia espírita, a mediunidade em casos dessa natureza desaparece, porque a sua foi uma finalidade moral de aprimoramento para o indivíduo, e não um instrumento para continuada realização.

Médiuns há desde a infância, que requerem conveniente assistência dos pais, que lhes devem explicar, de maneira própria para o pensamento infantil, o de que se trata e como proceder, para evitar a criação de imagens mentais perturbadoras e fantasias, em vãs tentativas de eliminar os fenômenos, quase sempre inquietantes.

Não é conveniente tentar trabalhar a faculdade mediúnica nesse período da existência, antes, porém, aplicar as terapias fluídicas, especialmente da oração, da água fluidificada e dos passes, bem como do diálogo com os perturbadores desencarnados, obviamente sem a presença do infante, para auxiliá-lo, jamais levando-o a participar de reuniões especializadas em busca de soluções rápidas e improfícuas.

Pode ocorrer o desaparecimento da faculdade, à medida que há o desenvolvimento físico e emocional do paciente, sendo essa fase de ajustamento do ser reencarnante no corpo, em grande parte convivendo simultaneamente no mundo espiritual.

De igual maneira, não é lícito conduzir-se portadores de obsessões às sessões mediúnicas, na expectativa de que, através desse procedimento se torna mais fácil a recuperação do enfermo.

Melhor ter-se em vista que o mesmo necessite da enfermidade para readquirir a paz íntima que ficou ferida no passado. O atendimento deve ser orientado no sentido da sua transformação moral para melhor, com participação nas elucidativas palestras de orientação, conforme o esclarecimento doutrinário, a fim de que bem entenda o que lhe ocorre.

Instrumentalizado pelo conhecimento, de mais hábeis recursos dispõe o obsidiado para a convivência com o seu perseguidor, sua vítima de antes, auxiliando-o no procedimento do perdão e da reconciliação de grandíssima utilidade para ambos os litigantes enfermos.

Seriedade e edificação no trato com a mediunidade constituem elementos básicos para uma existência saudável e uma edificante maneira de atender aos compromissos programados pelos Mentores espirituais.

Sem qualquer tinta de sobrenatural ou mágica, o fenômeno mediúnico tem finalidade superior que não deve ser menosprezada.

O prazer em exercer a faculdade na charrua do bem faculta ao servidor a conquista da simpatia dos Espíritos nobres, que mais o assessoram, porque sabem que podem contar com a sua espontânea cooperação sempre quando for necessária.

Ponte entre o mundo físico e o espiritual, a mediunidade conduzida com responsabilidade proporciona bem-estar, alegria de viver, certeza da imortalidade e antecipada visão daquilo que espera mais tarde o seu possuidor.

Ao relatar as próprias experiências, os Espíritos comunicantes advertem gentilmente, quando explicam o que lhes ocorreu após a desencarnação, maneira feliz de ensinar com sabedoria o que se deve esperar após o portal do túmulo. A desconsideração em torno da mediunidade apresenta vários riscos de natureza emocional, física e psíquica no seu portador.

O conhecimento do Espiritismo dá-lhe direcionamento seguro e estabilidade.

Alta responsabilidade, pois, cabe ao médium no desempenho da tarefa que lhe diz respeito, pela honra de conhecer a realidade da vida, ao conviver nas duas faixas vibratórias do mundo: o espiritual e o material.

Consciente da relevância do compromisso submete-se-lhe com imensa alegria, por saber que o sentido da reencarnação é a conquista da autoiluminação, seguindo os passos do Mestre e Senhor a quem tem a glória de servir.


Manoel Philomeno de Miranda
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na Mansão do Caminho, em Salvador, Bahia, em 12.11.2013.


06 setembro 2018

Diminuta Semente - Orsos Peter Carrara



DIMINUTA SEMENTE


Em visita em indústria alimentícia, deparei-me com o grão de mostarda. Pequenino grão, diminuta semente, no entanto comparada por Jesus para falar sobre a força da fé.

Ao ter o diminuto grão na palma da mão, lembrei-me dos ensinos do Mestre da Humanidade e emocionei-me com as lições profundas e sábias daquele que é a Luz do Mundo! Somente sua imensa sabedoria poderia mesmo fazer referida comparação.

Ele afirmou que se tivermos fé do tamanho do grão de mostarda somos capazes de remover os obstáculos da vida nas montanhas do orgulho, da vaidade, do ciúme e de tantas imperfeições que todos trazemos. Mas também o mesmo pequenino grão se existente daquele tamanho no coração como inspiração para a iniciativa e a perseverança, comparado para dizer da força da fé, é capaz de superar as lutas, as enfermidades e manter serenidade e confiança no amparo que nunca falta para estarmos com a cabeça erguida e prosseguindo nossos projetos de aperfeiçoamento.

O mesmo grão, utilizado por Jesus para falar da força moral de levantar-se diante da adversidade, vale igualmente para os projetos de realização e iniciativa pessoal ou coletiva. A fé é aquele elemento vital para as realizações em todas as áreas, não apenas moral. Sim, porque quem tem fé movimenta forças à sua volta e faz acontecer os projetos que alimenta antes no ideal e na mente.

Afinal, seria interessante perguntar: o que é fé?

Fé é confiança nas próprias forças, é sabedoria para escolher o melhor caminho, é igualmente a certeza de atingir determinado objetivo. Acompanhemos o comentário de Allan Kardec: “É certo que, no bom sentido, a confiança nas próprias forças torna-nos capazes de realizar coisas materiais que não podemos fazer quando duvidamos de nós mesmos. (…) As montanhas que a fé transporta são as dificuldades, as resistências, a má vontade, em uma palavra, que encontramos entre os homens, mesmo quando se trata das melhores coisas. Os preconceitos da rotina, o interesse material, o egoísmo, a cegueira do fanatismo, as paixões orgulhosas, são outras tantas montanhas que atravancam o caminho dos que trabalham para o progresso da humanidade. A fé robusta confere a perseverança, a energia e os recursos necessários para a vitória sobre os obstáculos, tanto nas pequenas quanto nas grandes coisas.

A fé vacilante produz a incerteza, a hesitação, de que se aproveitam os adversários que devemos combater; ela nem sequer procura os meios de vencer, porque não crê na possibilidade de vitória. Noutra acepção, considera-se fé a confiança que se deposita na realização de determinada coisa, a certeza de atingir um objetivo. Nesse caso, ela confere uma espécie de lucidez, que faz antever pelo pensamento os fins que se têm em vista e os meios de atingi-los, de maneira que aquele que a possui avança, por assim dizer, infalivelmente. Num e outro caso, ela pode fazer que se realizem grandes coisas. A fé verdadeira é sempre calma.

Confere a paciência que sabe esperar, porque estando apoiada na inteligência e na compreensão das coisas, tem a certeza de chegar ao fim. A fé insegura sente a sua própria fraqueza, e quando estimulada pelo interesse torna-se furiosa e acredita poder suprir a força com a violência. A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança, enquanto a violência, pelo contrário, é prova de fraqueza e de falta de confiança em si mesmo.(…)”.

E Jesus compara a força da fé, capaz de remover gigantescos obstáculos, com o diminuto grão de mostarda. Quanta sabedoria! Pensemos mais nesta notável comparação e movimentemos nossas forças para realizarmos o melhor a nosso alcance. Somos capazes!


Por Orson Peter Carrara

05 setembro 2018

Nós e o mundo - Emmanuel



NÓS E O MUNDO


“Dai e ser-vos-á dado” JESUS - LUCAS, 6: 38.

“Vós, porém, que vos retirais do mundo, para evitar as seduções e viver no insulamento, que utilidade tendes na Terra? Onde a vossa coragem nas provações, uma vez que fugis à luta e desertais a combate?” Cap.05, 26.

Muitos religiosos afirmam que o mundo é poço de tentações e culpas, procurando o deserto para acobertar a pureza, entretanto, mesmo ai, no silencioso retiro em que se entregam a perigoso ócio da alma, por mais humildes se façam, comem, os frutos e vestem a estamenha que o mundo lhes oferece.

Muitos escritores alegam que o mundo é vasto arsenal de incompreensão e discórdia, viciação e delinqüência. Como quem se vê diante de um serpentário, contudo, é no mundo que recolhem o precioso material em que gravam as próprias idéias e encontram os leitores que lhes compram os livros.

Muitos pregadores clamam que o mundo é vale de malicia e perversidade, qual se as criaturas humanas vivessem mergulhadas em piscina de lodo, todavia, é no mundo que adquirem os conhecimentos com que ornam o próprio verbo e acham os ouvintes que lhes registram respeitosamente a palavra.

Muitas pessoas dizem que o mundo é antro de perdição em que as trevas do mal senhoreiam a vida, no entanto, é no mundo que receberam o regaço materno para tomarem o arado da e experiência é no mundo que se nutrem confortavelmente a fim de demandarem mais altos planos evolutivos.

O mundo, porém, obra-prima da Criação, indiferentes às acusações gratuitas que lhe são desfechadas, prossegue florindo e renovando, guiando o progresso e sustentando as esperanças da Humanidade.

Fugir de trabalhar e sofrer no mundo, a título de resguardar a virtude, é abraçar o egoísmo mascarado de santidade.

O aluno diplomado em curso superior não pode criticar a bisonhice das mentes infantis, reunidas nas linhas primárias da escola.

Os bons são realmente bons se amparam os menos bons.

Os sábios fazem jus à verdadeira sabedoria se buscam dissipar a névoa da ignorância.

O Espírita, na essência, é o cristão chamado a entender e auxiliar.

Doemos, pois, ao mundo ainda que seja o mínimo do máximo que recebemos dele, compreendendo e servindo aos outros, sem atribuir ao mundo os erros e desajustes que estão em nós.

Pelo Espírito Emmanuel
Do livro: Livro da Esperança
Médium: Francisco Cândido Xavier.
“Dai e ser-vos-á dado” JESUS - LUCAS, 6: 38.

“Vós, porém, que vos retirais do mundo, para evitar as seduções e viver no insulamento, que utilidade tendes na Terra? Onde a vossa coragem nas provações, uma vez que fugis à luta e desertais a combate?” Cap.05, 26.

Muitos religiosos afirmam que o mundo é poço de tentações e culpas, procurando o deserto para acobertar a pureza, entretanto, mesmo ai, no silencioso retiro em que se entregam a perigoso ócio da alma, por mais humildes se façam, comem, os frutos e vestem a estamenha que o mundo lhes oferece.

Muitos escritores alegam que o mundo é vasto arsenal de incompreensão e discórdia, viciação e delinqüência. Como quem se vê diante de um serpentário, contudo, é no mundo que recolhem o precioso material em que gravam as próprias idéias e encontram os leitores que lhes compram os livros.

Muitos pregadores clamam que o mundo é vale de malicia e perversidade, qual se as criaturas humanas vivessem mergulhadas em piscina de lodo, todavia, é no mundo que adquirem os conhecimentos com que ornam o próprio verbo e acham os ouvintes que lhes registram respeitosamente a palavra.

Muitas pessoas dizem que o mundo é antro de perdição em que as trevas do mal senhoreiam a vida, no entanto, é no mundo que receberam o regaço materno para tomarem o arado da e experiência é no mundo que se nutrem confortavelmente a fim de demandarem mais altos planos evolutivos.

O mundo, porém, obra-prima da Criação, indiferentes às acusações gratuitas que lhe são desfechadas, prossegue florindo e renovando, guiando o progresso e sustentando as esperanças da Humanidade.

Fugir de trabalhar e sofrer no mundo, a título de resguardar a virtude, é abraçar o egoísmo mascarado de santidade.

O aluno diplomado em curso superior não pode criticar a bisonhice das mentes infantis, reunidas nas linhas primárias da escola.

Os bons são realmente bons se amparam os menos bons.

Os sábios fazem jus à verdadeira sabedoria se buscam dissipar a névoa da ignorância.

O Espírita, na essência, é o cristão chamado a entender e auxiliar.

Doemos, pois, ao mundo ainda que seja o mínimo do máximo que recebemos dele, compreendendo e servindo aos outros, sem atribuir ao mundo os erros e desajustes que estão em nós.


Pelo Espírito Emmanuel
Do livro: Livro da Esperança
Médium: Francisco Cândido Xavier

04 setembro 2018

Vícios - Nilton Moreira



VÍCIOS


Por ocasião que deixamos esta vida aqui na Terra existem algumas mudanças, pois nem tudo muda. Uma das coisas que não acontece é nos tornamos melhores nem piores do que somos. Não viramos santo da noite para o dia, e também não somos enviados a um lugar chamado céu onde tudo seria belo, ocioso, e com estado de contemplação, e também não vamos para um local específico denominado de inferno, onde como dizem seríamos queimados num fogo eterno, até porque não poderíamos ser destruídos outra vez, ou seja, não existe uma segunda morte.

Mas quando partimos daqui nos deparamos com a nossa própria consciência e fazemos uma análise do que praticamos de errado e do bem que poderíamos ter realizado e não o fizemos. Essa análise certamente nos causará um grande mal estar, arrependimento, frustração e vontade de voltar para reparar os erros.

O Criador que é misericordioso nunca deixará de dar uma nova oportunidade a quem realmente se arrepende e precisa para sua evolução moral uma nova chance de vida, se processando então uma nova existência em algumas das tantas Moradas da Casa do Pai, que são a infinidade de planetas espalhados pelo universo.

A nova vida em corpo carnal é bastante complexa, pois depende de acertamos a cronologia dos nascimentos, pois que se vamos resgatar alguma dívida com alguém, este alguém também terá de estar retornado novamente à carne, e isso às vezes demanda tempo e acertos entre os futuros reencarnantes.

Para quem não acredita que exista a reencarnação, isto é a volta do espírito que somos em uma vida futura, fica difícil entender como tudo acontece, pois grande parte das pessoas acredita que existe algo depois do passamento, mas que haverá uma ressurreição dos corpos. Ora, ter vida um corpo que está já decomposto é incoerência, o que está explicado pela ciência, mas se acreditarmos que a alma/espírito que sobreviveu retornar em um corpo novo para ele preparado, por ocasião do nascimento de uma futura criança, isso fica mais fácil entender.

Mas no contexto da volta devemos levar em consideração que algumas situações vivenciadas na vida anterior irão nos levar a certas tendências, como por exemplo, os vícios, sejam eles quais forem. Se partirmos daqui sem ter nos libertado de alguns deles, certamente a vontade eclodirá na nova vida e se não formos vigilantes poderemos voltar a ter os mesmos desejos. Isso explica o motivo pelo qual muitas pessoas se tornam dependente de drogas facilmente ao experimentá-las pela primeira vez.

É muito importante que nos libertemos dos vícios que possuímos hoje, para que na próxima vinda já estejamos livres dos apegos, e assim reencarnarmos com um corpo astral mais depurado, e com maior evolução.

Evitemos sempre de experimentar qualquer tipo de droga, seja lícita ou ilícita, pois não sabemos como o organismo vai reagir, complicando nossa nova oportunidade que Deus nos possibilita de voltar e reparar os erros cometidos.

Perseverança e equilíbrio é a frase amigos.


Nilton Moreira

03 setembro 2018

Campanhas - Joanna de Ângelis



CAMPANHAS


Sob os acordes maviosos da mensagem espírita que entesouras na mente, despertas, por fim, para a vida, desejando promover campanhas de enobrecimento.

Para tanto, começa na intimidade do lar, exercitando desapego e renunciação.

Se o fizeres, transferirás do largo campo do planejamento o ideal que acalentas para as rudes e valiosas experiências da ação, cultivando o bem em todas as latitudes.

Remove, inicialmente, de velhas gavetas objetos que constituem excessos, e das cômodas antigas retira tecidos e roupas usadas a se gastarem na inutilidade, oferecendo-lhes melhor aplicação.

Objetos mortos, que conservam valores de duvidosa expressão, catalogados como "de estimação" se transformariam em pães e socorro para quantos sofrem ao lado da tua indiferença.

Alfaias e baixelas cinzeladas, recordando antepassados queridos, poderiam tornar-se luz e esperança para aqueles que espreitam além da porta do teu domicílio.

Desapega-te hoje dos haveres, antes que se consumam amanhã, expressando coerência com as aspirações que vitalizas.

No entanto, se desejares traduzir melhor os sentimentos que atestam as tuas novas concepções através das campanhas que movimentas, faze mais.

Leva adiante, a outrem, não somente o tecido surrado e gasto, mas também o novo, para que a tua dádiva signifique mais do que transferência do desvalor.

Não apenas aquilo que não serve.

Em verdade é nosso tudo quanto oferecemos.

O que damos, possuímos, por demorar-se indestrutível dentro de nós.

E como os pertences, de que somos somente mordomos transitórios, mudam de mãos ao impositivo do tempo e da morte, distribuamos aquilo que supomos possuir a fim de que possuamos realmente.

Amplia tuas campanhas, cedendo quando uma contenda negativa te ameace o equilíbrio.

Esquece, quando ferido, sob apupos e ofensas.

Doa as difíceis moedas da gentileza.

E além das doações ao próximo, faze ofertas a ti mesmo.

Inicia a luta contra o egoísmo - velha roupa inútil que conservas no lar do orgulho.

Faze a campanha sistemática contra a maledicência - veneno sutil que dissemina morte, e guardas nos vasos brilhantes da vaidade.

Reage ao ciúme - companheiro míope da imperfeição que manténs disfarçada.

Exila a ira - ácido perigoso que carregas em vasilhames trabalhados.

Investe contra a vaidade própria - rainha da ilusão que ocultas jovialmente.

Concede ao próprio Espírito a luz do discernimento capaz de clarear-te por dentro, favorecendo-te com a limpeza dos antigos escaninhos onde viviam colônias de malfeitores morais.

Muitos homens fascinados pelo ardor do entusiasmo se despojam de haveres temporários, passando adiante utilidades e especiarias, mas são incapazes de descer dos altos postos onde situaram a personalidade desvairada, para que se façam mais simples, mais nobres e melhores.

Empenhado nas salutares campanhas do auxílio ao teu próximo, ajuda-te a ti mesmo, imprimindo intensamente a mensagem de sabor imortal com que os Espíritos da Luz te convidam de além-das-sombras da morte, para que singres o oceano da carne livre e tranqüilo como quem, nada mais possuindo, se tornou valiosa posse nas mãos do Nosso Pai Celestial.



Espírito Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco
Texto extraído do Livro SOS Família


02 setembro 2018

Pessoas impiedosas - Espiritismo na Rede



PESSOAS IMPIEDOSAS


Você se considera uma pessoa impiedosa?

Impiedade quer dizer falta de piedade, crueldade, desumanidade.

Talvez você nunca tenha pensado nisso ou até se ache uma pessoa piedosa, mas vale a pena refletir antes de responder.

Se você nunca fez nenhum comentário maldoso sobre alguém, se nunca matou a esperança de alguém, se jamais disse palavras ásperas a ninguém, talvez você possa responder negativamente.

Algumas pessoas, ditas piedosas, estavam no velório de um amigo da congregação religiosa de que faziam parte.

Aproximaram-se do caixão e viram que o cadáver estava vestido com um smoking aparentemente novo.

Como se achavam muito caridosas, passaram a fazer comentários maldosos, alegando que não entendiam como ele poderia fazer uma coisa dessas. Afinal, quantos pobres precisando de um agasalho e ele sendo enterrado com um traje de alto preço.

A conversa se espalhou e logo chegou aos ouvidos da viúva, como se já não bastasse o seu sofrimento.

Em princípio ela ignorou os falatórios mas, depois não achou justo que seu marido fosse julgado e condenado por um crime que não cometera.

Então, antes de cerrarem o caixão, ela pediu a palavra e deu a seguinte explicação:

Meu marido foi um homem muito generoso. Sempre se preocupou com aqueles que passavam por necessidades e procurava ajudá-los.

Antes de morrer ele me pediu, discretamente, para que o enterrasse com um traje que ele usou apenas uma vez na vida e que não serviria para ninguém.

Pediu-me também para distribuir todas as suas demais roupas para quem delas precisasse.

Por essa razão, meus amigos, é que ele está vestindo este smoking, que não teria utilidade nenhuma para os pobres que ele sempre ajudou.

Todas aquelas pessoas, impiedosas, que fizeram comentários cruéis, não foram capazes de se retratar, apenas se calaram.

Numa oportunidade, Benedita Fernandes, uma trabalhadora dedicada à causa dos pobres, na cidade de Araçatuba, Estado de São Paulo, foi convidada a participar de uma reunião das senhoras da alta sociedade que desejavam fazer um planejamento de assistência aos necessitados.

Como Benedita já realizava, há algum tempo, um eficiente serviço junto à comunidade pobre, recebeu o convite para opinar e levar suas experiências.

Era uma tarde quente e a velha Benedita chegou ao chá das senhoras, ditas caridosas, vestindo um casaco de pele.

As madames torceram o nariz ao notar que aquela mulher não sabia sequer se vestir de acordo com a ocasião e o clima.

Ouvia-se comentários como: Será que ela quer se exibir, pensando que não temos também casacos de pele?

Veja como transpira! Esta velha esnobe quer dar uma de chique.

Vamos obrigá-la a tirar o casaco, pois estou suando só de vê-la, comentou uma delas.

Façamos isto, concordou a maioria.

Dona Benedita, sem saída, tirou o casaco e o espanto foi geral. Seu vestido, muito simples e surrado, causou mais espanto ainda.

Muito sem jeito, ela se explicou às damas da caridade:

Este casaco de pele foi doado para nossa obra e como ainda não conseguimos vendê-lo, resolvi usá-lo hoje, para não envergonhar as senhoras, com minha pobreza.

Eu não tenho roupas boas para uma ocasião como esta, por isso coloquei este casaco para encobrir meus andrajos e não chocar as senhoras. Desculpem-me se lhes causei tanto desconforto.

Se você deseja ser uma pessoa realmente piedosa, pense muito bem antes de tecer comentários sobre o que desconhece.

Muitas vezes nossa língua tem sido motivo de muita dor e sofrimento para as pessoas que caminham ao nosso lado.

Pense nisso, e depois responda a si mesmo se é ou não uma pessoa impiedosa.


Redação do Blog Espiritismo Na Rede, com base em histórias narradas por Raul Teixeira, em palestra proferida na Comunhão Espírita Cristã de Curitiba-PR, no dia 11.04.2002.


01 setembro 2018

A força divina do amor - Devaldo Teixeira de Araújo




A FORÇA DIVINA DO AMOR


Afirma Emmanuel que o amor é a força divina do Universo, nos levando a refletir sobre o cuidado que devemos ter em não desviarmos essa força da sua conveniente e justa aplicação, que é voltada para a fraternidade e a caridade. Uma vez que o seu desvio é o que anuvia o discernimento, afastando-nos do entendimento da nossa realidade espiritual, que nos assegura como espíritos eternos e nos leva ao auto-aperfeiçoamento, nos aproximando do Pai Supremo, como tão bem nos ensinou e exemplificou o Divino Mestre Jesus.

E nos esclarece que o desvio dessa magnífica força para o exclusivo aspecto material, é o que nos leva aos desvarios de toda sorte; como a avareza – quando do apego excessivo aos valores financeiros do dinheiro e dos bens perecíveis; o egoísmo – representado pelo desejo de posse, sempre cada vez mais intenso e exclusivista; o que certamente induz à tormenta pela exacerbada disputa em desrespeito ao próximo – que traduz a inveja; assim como tantos outros males como o orgulho e a vaidade, que representam as chagas da Humanidade. Por isso mesmo, pensei e escrevi certa feita (2004), como aforismo: “Na raiz de todos os nossos males encontramos a obscuridade do egoísmo; enquanto em todas as realizações dignificantes encontramos a luz do amor”.

Da mesma forma como observamos os encontros e desencontros entre os pares ou casais que se buscam e dizem se amar, como centelhas do amor divino, quando alicerçados no discernimento, na compreensão, na sinceridade e no sentimento de afeição mútua e afinidades, que, assim, aliados à paixão humana natural, tendem a tornar-se uma união duradoura e feliz. Enquanto podemos perceber que, por outro lado, muito acontecem as arrebatadoras paixões sem o necessário discernimento, sem a verdadeira afeição mútua e afinidades, impelidas assim, quase sempre, por meros desejos muito mais ligados à sensualidade do que à afeição, ainda que inconscientes, quando não por interesses escusos; terminando então em posteriores desilusões e desencontros, de tristes conseqüências, que geram tanta infelicidade.

Considerando ainda a nossa condição de espíritos eternos, com nossos delitos do passado, de alguma forma registrados e latentes em nosso perispírito, ou como queiram denominar de inconsciente profundo; erros que quando mais marcantes, não ocultos, manifestam-se em nossas tendências comportamentais. E tais delitos geram, sob a ótica espírita, ‘débitos’ espirituais que exigem a devida correção ou reparação, impelindo o ser ‘devedor’ à corrigendas tal como nos exortou o grandioso filósofo francês, estudioso e divulgador do Espiritismo – Léon Denis: “Recorda-te que a vida é curta; esforça-te, pois, por conquistar, aquilo que vieste aqui realizar: o verdadeiro aperfeiçoamento. Possa teu espírito partir desta Terra mais puro do que quando nela entrou! Pensa que a Terra é um campo de batalha, onde a matéria e os sentidos assediam continuamente a alma; corrige teus defeitos, modifica teu caráter, reforça a tua vontade; eleva-te pelo pensamento, acima das vulgaridades da Terra e contempla o espetáculo luminoso do céu.” (do seu livro “Depois da Morte”).

Por isso, é essencial que em toda nossa existência tenhamos o imprescindível discernimento e a constante reflexão em torno do nosso pensar e agir, porquanto não basta o desenvolvimento científico, tecnológico e social, nem apenas o conhecimento e a cultura intelectual, como imperativos da vida e das convenções humanas; é preciso o aprimoramento espiritual, sobretudo, consoante os sábios ensinamentos dos Espíritos Iluminados, como missionários divinos, sempre a nos inspirar, esclarecer e indicar o caminho e os procedimentos fundados nos valores espirituais, que edificará a nossa consciência elevando-nos à sublime condição de espíritos eternos, como uma família universal, a caminho da plenitude do amor, e assim, sob os ideais do Cristianismo, irradiemos de nossas almas a verdadeira fraternidade para que a paz e a harmonia se estabeleça em todos e em tudo.

Repetindo o que pensei e escrevi noutro ensejo, reafirmo: O Amor, em sua verdadeira essência, é o que dá sentido à vida. E há de prevalecer em todas as situações, o que efetivamente contribui para consolidação das amizades, em quaisquer circunstâncias, na Terra como na Dimensão Espiritual.


Devaldo Teixeira de Araújo