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13 janeiro 2019

Morte física e desencarne – porque demoramos para desligar da matéria? - Richard Simonetti



MORTE FÍSICA E DESENCARNE
PORQUE DEMORAMOS PARA DESLIGAR DA MATÉRIA


Morte física e desencarne não ocorrem simultaneamente. O indivíduo morre quando o coração deixa de funcionar. O Espírito desencarna quando se completa o desligamento, o que demanda algumas horas ou alguns dias.

Basicamente o Espírito permanece ligado ao corpo enquanto são muito fortes nele as impressões da existência física.

Indivíduos materialistas, que fazem da jornada humana um fim em si, que não cogitam de objetivos superiores, que cultivam vícios e paixões, ficam retidos por mais tempo, até que a impregnação fluídica animalizada de que se revestem seja reduzida a níveis compatíveis com o desligamento.

Certamente os benfeitores espirituais podem fazê-lo de imediato, tão logo se dê o colapso do corpo. No entanto, não é aconselhável, porquanto o desencarnante teria dificuldades maiores para ajustar-se às realidades espirituais. O que aparentemente sugere um castigo para o indivíduo que não viveu existência condizente com os princípios da moral e da virtude, é apenas manifestação de misericórdia. Não obstante o constrangimento e as sensações desagradáveis que venha a enfrentar, na contemplação de seus despojes carnais em decomposição, tal circunstância é menos traumatizante do que o desligamento extemporâneo.

Há, a respeito da morte, concepções totalmente distanciadas da realidade. Quando alguém morre fulminado por um enfarte violento, costuma-se dizer:

“Que morte maravilhosa! Não sofreu nada!”

No entanto, é uma morte indesejável.

Falecendo em plena vitalidade, salvo se altamente espiritualizado, ele terá problemas de desligamento e adaptação, pois serão muito fortes nele as impressões e interesses relacionados com a existência física.

Se a causa da morte é o câncer, após prolongados sofrimentos, em dores atrozes, com o paciente definhando lentamente, decompondo-se em vida, fala-se:

“Que morte horrível! Quanto sofrimento!”

Paradoxalmente, é uma boa morte.

Doença prolongada é tratamento de beleza para o Espírito. As dores físicas atuam como inestimável recurso terapêutico, ajudando-o a superar as ilusões do Mundo, além de depurá-lo como válvulas de escoamento das impurezas morais. Destaque-se que o progressivo agravamento de sua condição torna o doente mais receptivo aos apelos da religião, aos benefícios da prece, às meditações sobre o destino humano. Por isso, quando a morte chega, ele está preparado e até a espera, sem apegos, sem temores.

Algo semelhante ocorre com as pessoas que desencarnam em idade avançada, cumpridos os prazos concedidos pela Providência Divina, e que mantiveram um comportamento disciplinado e virtuoso. Nelas a vida física extingue-se mansamente, como uma vela que bruxuleia e apaga, inteiramente gasta, proporcionando-lhes um retomo tranquilo, sem maiores percalços.


Autor: Richard Simonetti 
Livro: Quem tem medo da Morte – Richard Simonetti


12 janeiro 2019

"Não voltes a pecar" - Nilton Moreira



"NÃO VOLTES A PECAR"


É fato que dificuldades sempre se apresentam, afinal nosso Planeta é de enfrentamentos e não existe quem não tenha problemas e sim quem tem menos problemas que outro isto porque cada um está numa determinada faixa evolutiva, embora estejamos todos no mesmo Globo, mas cada um trouxe consigo a bagagem da vida anterior que pode ser leve ou pesada dependendo de como nos conduzimos nas últimas encarnações.

Mas o que nos conforta é saber que o Criador manda para nos acompanhar na trajetória espíritos amigos, sendo um deles chamado de Protetor, Mentor Espiritual, Guia Espiritual, Anjo de Guarda, afinal o nome não interessa, e estes benfeitores tem a missão de nos auxiliar primeiramente com intuições, para que o fardo seja possível de ser suportado.

Ao mergulharmos na carne e quando já estamos numa fase final da adolescência, muitas vezes nos distanciamos de Deus e enveredamos por caminhos tortuosos e a vida torna-se mais difícil de ser trilhada. Para que tenhamos um bem estar na nossa trajetória aqui na Terra é necessário que sintonizemos com coisas boas, edificantes.

Conhecemos pessoas que ao perguntar-lhes como tem passado, imediatamente num baixo astral dizem estar mais ou menos. Ora, esta resposta é muito ruim para o organismo delas, pois estão puxando energias de baixa vibração. É como se fizéssemos aproximar de nós o lixo espalhado pelo ar. Mesmo que não estejamos bem no momento que nos perguntam, devemos sempre dizer que está tudo bem, afinal se estamos sofrendo algo, certamente merecemos e não devemos agravar esta condição manifestando situação que outrem não pode auxiliar! A própria pessoa que pergunta para nós como estamos, ao receber como resposta: mais ou menos ou não estou bem, vai formar em sua tela mental uma energia negativa a qual será emanada com agravamento a nós.v Vivamos a vida com otimismo, mesmo que estejamos passando dificuldades, pois certamente logo ali tudo se aclarará, e não vai ser com lástimas que iremos melhorar a situação. Nossa evolução ainda é pequena para entendermos bem como funcionam as energias, mas temos certeza de que elas são responsáveis por manter nosso corpo material em equilíbrio ou não.

Aquelas pessoas que normalmente reclamam da vida, e gostam de dizer que seu problema é maior que o do outro, acabam por não aproveitar os momentos que estão vivendo, e certamente são pessoas infelizes e sofrem muito, acabando por contrair várias doenças ao longo da vida. Restabelecem-se, mas logo em seguida voltam adoecer. Devemos passar ao outro otimismo, alegria, harmonia, serenidade, tudo isso nos envolverá num halo energético positivo e muitas patologias não se manifestarão em nós.

Lembra quando Jesus curava e dizia: “vai e não voltes a pecar”! Pois é, vamos manter nosso pensamento elevado o maior tempo possível do dia e certamente seremos mais felizes. Muita paz amigos.


Nilton Moreira
Coluna Semanal - Estrada Iluminada
Fonte: Espirit Book


11 janeiro 2019

Quem tem medo de “fantasmas”? - Jorge Hessen



QUEM TEM MEDO DE "FANTASMAS"?


O temor de “fantasmas” é uma atitude ingênua causada pela ausência de conhecimento a respeito da natureza etérea dos “mortos”. Sobre as suas aparições são mais frequentes do que se pensa e muitos creem que a preferência dos Espíritos [“fantasmas”] é pelos ambientes escuros, mas isso é um mito e um engano. Ocorre, simplesmente, que a substância vaporosa dos períspiritos dos “fantasmas” é mais perceptível no escuro, tal como ocorre com as estrelas que só podem ser visualizadas à noite. A claridade do dia, por exemplo, ofusca a essência sutil que constituem os corpos dos “mortos”. Isto porque os tecidos perispirituais são compostos de energia semelhante à luz , portanto, o perispírito dos “fantasmas” não é, digamos, fosco, ao contrário, é dotado de grande diafaneidade para ser perceptível a olho nu, durante o dia.

O perispírito, no seu estado normal, é invisível; mas, como é formado de substância etérea, o Espírito, em certos casos, pode, vontade própria, fazê-lo passar por uma modificação molecular que o torna momentaneamente visível. É assim que se produzem as aparições, que não se dão, do mesmo modo que outros fenômenos, fora das leis da Natureza. Conforme o grau de condensação do fluido perispiritual, a aparição é às vezes vaga e vaporosa; de outra, mais nitidamente definida; em outras, enfim, com todas as aparências da matéria tangível. Pode mesmo chegar à tangibilidade real, ao ponto do observador se enganar com relação à natureza do ser que tem diante de si. [1]

A pesquisadora Elizabeth Tucker, da Universidade Estadual de Binghamton, em Nova York, apresenta diversos relatos de aparições [Espíritos] em campus universitário. Conta-se que os fantasmas revelam o lado sombrio da ética. Suas aparições são muitas vezes um lembrete de que a ética e a moral transcendem nossas vidas e que deslizes podem resultar em um pesado fardo espiritual. No entanto, as histórias de fantasmas também trazem esperança. Ao sugerir a existência de uma vida após a morte, elas oferecem uma chance de estar em contato com aqueles que já morreram e, portanto, uma oportunidade de redenção - uma forma de reparar erros do passado.[2]

A crença nos “fantasmas” é comum, pois baseia-se na percepção que temos na existência e sobrevivência dos Espíritos e na possibilidade de comunicar-se com eles. Deste modo, todo Ser espiritual que manifesta a sua presença sob várias circunstâncias é um Espírito que no senso comum é chamado de “fantasma”. Comumente, pelo conhecimento vulgar, são imaginados sob uma aparência fúnebre, vindo de preferência à noite, e sobretudo nas noites mais sombrias, em horas fatais, em lugares sinistros, cobertos de lençóis ou bizarramente cobertos. Todavia, os tais “fantasmas” assustadores , longe de serem atemorizantes, são, comumente, parentes ou amigos que se apresentam por simpatia, entretanto podem ser Espíritos infelizes que eventualmente são assistidos; “algumas vezes, são farsantes do mundo Espírita que se divertem às nossas custas e se riem do medo que causam; Mas supondo-se mesmo que seja um mau Espírito, que mal poderia ele fazer, e não se teria cem vezes mais a temer de um bandido vivo que de um bandido morto e tornado Espírito!”[3]

Todos que vemos um “fantasma” podemos conversar com ele, e é o que se deve fazer nesse caso, podendo perguntar-lhe quem é, o que deseja e o que se pode fazer por ele. Se o Espírito for infeliz e sofredor, o testemunho de comiseração o aliviará. Se for um Espírito bondoso, pode acontecer que traga a intenção de dar bons conselhos. Tais Espíritos [“fantasmas”] poderão responder, muitas vezes verbalizando mesmo, porém na maioria das vezes o fazem por transmissão de pensamentos.” [4]

Os “fantasmas” afáveis, quando surgem, têm intenções elevadas ou, no mínimo para confortarem pessoas queridas que padecem com a desencarnação de entes queridos e ou com a dúvida sobre a continuação da vida post-mortem; oferecerem sugestões ou, ainda, solicitarem auxílio para si mesmos, “o que pode ser feito através de orações e boas ações, no sentido de corrigir ou compensar as transgressões do morto. Mas os espíritos perversos também aparecem e estes, sim, têm o intuito de "assombrar" os encarnados movidos por sentimentos negativos.” [5]

Os “fantasmas” , aliás, estão por toda parte e não temos a necessidade de vê-los para saber que podem estar ao nosso lado. “O Espírito [“fantasma”]que queira causar perturbação pode fazê-lo, e até com mais penhor, sem ser visto. Ele não é perigoso por ser Espírito [“fantasma”], mas pela influência que pode exercer em nosso pensamento, desviando-nos do bem e impelindo-nos ao mal.” [6]

Em resumo, não é lógico assustar-nos mesmo diante da “assombração de um morto”. Se raciocinarmos com calma compreenderemos que um “fantasma”, qualquer que seja, é menos perigoso do que certos espíritos encarnados que existem à sombra das leis humanas (marginais).


Jorge Hessen



Referências bibliográficas:

[1] KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns, II parte “das manifestações espíritas” capitulo VI “manifestações visuais”, RJ: Ed FEB 2000

[2] Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-46515221 acessado em 25/12/2018.

[3] KARDEC, Allan . Revista Espírita, julho de 1860, DF: Ed Edicel, 2002

[4] KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns , II parte “das manifestações espíritas” capitulo VI “manifestações visuais”, RJ: Ed FEB 2000

[5] KARDEC, Allan . Revista Espírita, julho de 1860, DF: Ed Edicel, 2002

[6] KARDEC , Allan. O Livro dos Médiuns , II parte “das manifestações espíritas” capitulo VI “manifestações visuais”, RJ: Ed FEB 2000


Jorge Hessen

10 janeiro 2019

Quais as causas do sono em uma reunião espírita? E como evitá-lo? - Raul Teixeira



QUAIS AS CAUSAS DO SONO EM UMA REUNIÃO ESPÍRITA? 
E COMO EVITÁ-LO


O sono em uma reunião espírita: Quais as causas do sono de que muitos companheiros se queixam quando participam de uma reunião mediúnica? Como evitá-lo?

Raul Teixeira: – As causas podem ser várias. Desde o cansaço físico, quando o indivíduo que vem de atividades muito intensas e que, ao sentar-se, ao relaxar-se, naturalmente é tomado pelo torpor da sonolência.

Também, pode ser causado pela indiferença, pelo desligamento, quando alguém está num lugar, fisicamente, entretanto, pensando em outro, desejando não estar onde se acha. Compelido por uma circunstância qualquer, a pessoa se desloca mentalmente.

O sono pode, ainda, ser provocado por entidades espirituais que nos espreitam e que não têm nenhum interesse em nosso aprendizado para o nosso equilíbrio e crescimento.

Muitas vezes, os companheiros questionam. ‘Mas nós estamos no Centro Espírita, estamos num campo protegido e como o sono nos perturba?”

Temos que entender que tais entidades hipnotizadoras podem não penetrar o circuito de forças vibratórias da Instituição ficam do lado de fora. Mas, a pessoa que entrou no Centro, na reunião não sintonizou-se com o ambiente, continua vinculada aos que se conservam fora, e através dessa porta, desse plug aberto, ou dessa tomada, as entidades que ficaram lá de fora lançam seus tentáculos mentais, formando uma ponte. Então, estabelecida a ligação atuam na intimidade dos centros neuroniais desses incautos, que dormem, que se dizem desdobrar:

“Eu não estava dormindo… apenas desdobrei, eu ouvi tudo…

“Eles viram e ouviram tudo o que não fazia parte da reunião. Foram fazer a viagem com as entidades que os narcotizaram.

Deparamos aí com distúrbios graves, porque quando termina a reunião o indivíduo está fagueiro, ótimo e sem sono e vai assistir à televisão até altas horas, depois de se haver submetido aos fluidos enfermiços. Por isso recomendamos àqueles que estão cansados fisicamente, que façam um ligeiro repouso antes da reunião ainda que seja por poucos minutos, para que o organismo possa beneficiar-se do encontro, para que fiquem mais atentos durante o trabalho doutrinário, levantar-se, borrifar o rosto com água fria, colocar-se em uma posição discreta, sempre que possível ao fundo do salão, em pé, sem encostar-se, a fim de lutar contra o sono.

Apelar para a prece, porque sempre que estamos desejosos de participar do trabalho do bem, contamos com a eficiente colaboração dos Espíritos Bondosos. Faze a tua parte que o céu te ajudará.

Temos, então, o sono como esse terrível adversário de nossa participação, de nosso aprendizado, de nosso crescimento espiritual. Não permitamos que ele se apodere de nós. Lutemos o quanto conseguirmos, e deveremos conseguir sempre, para combatê-lo, para termos bons frutos no bom aprendizado.

Raul Teixeira
Do livro: Diretrizes de Segurança (Divaldo Franco e Raul Teixeira)


09 janeiro 2019

O antídoto para a solidão - Octávio Caúmo Serrano


 
O ANTÍDOTO PARA A SOLIDÃO


Um dos flagelos da humanidade chama-se solidão.

Mas o que é a solidão? Seria a ausência de companhia, de pessoas à nossa volta? Seria estar longe das civilizações?

Mais grave do que estar só é sentir-se só. Duas pessoas que vivem situações parecidas poderão ter comportamentos diferentes. Enquanto uma é infeliz, a outra sobrevive, e bem.

Solidão, mais do que estar só, é a insatisfação da pessoa com a vida e consigo mesma. É precisar da multidão à sua volta, por não perceber que pode bastar-se por si mesma, desde que descubra a riqueza do seu interior. A solidão nasce da insegurança e da necessidade de sentir-se amada, porque ignora que o grande truque é amar.

Há quem use solidão como tempo de inspiração, análise e programação. Não é mais a solidão popularmente conhecida, porque se transforma em recolhimento ao próprio íntimo, necessidade que todos temos, sem nos dar conta. Vez que outra, é preciso estar só. Tentamos nos dar bem com os outros, mas não sabemos viver na harmonia de nós mesmos. Quando Amyr Klink, saindo da África, chegou à Bahia, navegando dias e dias, sozinho em sua pequena embarcação, perguntaram-lhe se a solidão não teria sido seu maior obstáculo. A resposta foi que nunca estivera só, porque muitos torciam por ele e, além disso, fazia o que lhe causava prazer. Quem age dessa forma não dá espaço para a solidão.

Cabe analisar quem são as vítimas da solidão. E responderíamos que são os que não lutam, que nada realizam, não amam, não vivem…!

Quem se fecha em seus problemas, em suas mágoas, melindra-se facilmente, auto-flagela-se e inutiliza preciosas oportunidades de realizações importantes. Deus não pode ocupar-se com os que insistem em ser infelizes. Deixa primeiro que despertem e valorizem a vida, para depois enviar-lhes a ajuda que possam compreender.

O antídoto para a solidão, mais do que os antidepressivos ou os divãs dos analistas, é a ocupação. De qualquer tipo. Trabalho profissional, trabalho de lazer, trabalho de amor ao próximo. Quem se achar em sofrimento, procure ser útil. Quem vive gastando o tempo para reclamar de má sorte, experimente aplicar as horas tristes no trabalho. E como catalisador para esse entendimento não podemos desprezar um agente eficaz contra a solidão: O Centro Espírita.

Nesse pequeno compartimento da imensa Casa de Jesus há, sempre, disponibilidade de vagas para serviços no bem. E, sempre, atinge primeiro o próprio agente. É aí que o jovem estudante busca serenidade para entender as lições mais difíceis; é aí que a moça, frustrada com a perda do namorado, encontra para substituí-lo um amor diferente, sublimado; é ai onde a mãe que ficou, prematuramente, sem o filho querido, conhece outros filhos que suprirão a falta dele; é ai onde a viúva, idosa e enferma, encontra a companhia de operosos auxiliares do Cristo, para suavizar o seu isolamento e a saudade do companheiro; é aí, enfim, onde todo sofrimento se transforma em progresso e entendimento.

Nenhum outro lugar, por mais prazer que ofereça, pode combater a solidão como o Centro Espírita, sem dispêndio para aquele que chega com a mágoa no coração. Ali, enquanto serve, se cura; quando oferece, recebe; ao sorrir, se alegra; com ajuda, se reergue.

Abençoado Centro Espírita, que além destes abriga também os que se sentem infelizes, que têm a alma sensível pronta para oferecer-se. São os que têm consciência de como a vida é boa e retribuem a Deus pela dádiva, ao invés de queixar-se do abandono ou revoltar-se contra os atos comuns da vida de todos nós. Centro Espírita que a todos recebe, servidores e necessitados, com a intenção de irmaná-los e integrá-los em um só propósito e diminuindo a infelicidade porque esta, sempre, faz seu ninho no escuro de cada um, independente da idade, saúde ou situação financeira.

Felizes os que despertam e passam pela porta estreita do Centro. Metade do problema já estará resolvido.

Felizmente, a cada dia os que ali aportam são em maior número e, brevemente, chegará o dia em que o entendimento será absoluto.


Octávio Caúmo Serrano
Redação do Blog Espiritismo Na Rede retirado - Fonte : da Revista Espírita Allan Kardec, nº 37.

08 janeiro 2019

Jesus e a Violência dos Cristãos - Dora Incontri



JESUS E A VIOLÊNCIA DOS CRISTÃOS


Não é de política que vou falar, por enquanto. Vou falar de humanismo, de cristianismo, de fraternidade. Estamos mergulhados numa onda de ódio, de radicalismo fascista, de rejeição ao bom senso.

E a quem podemos recorrer para inspirar nossas ações, nossas palavras, nossos pensamentos? Se nos pretendemos cristãos, sejamos católicos, evangélicos ou espíritas, ou simplesmente simpatizantes de Cristo, é justamente a ele que devemos apelar: para os seus ensinos, para o seu exemplo, para o seu legado. Jesus puro e simples e não aos cristãos, que dizem segui-lo.

Cristãos já fizeram as Cruzadas, já incendiaram gente na Inquisição, participaram e participam de grupos racistas e violentos, como a Ku-klux-klan, apoiaram o nazismo e perseguiram judeus e muçulmanos, séculos afora…

Mas será que, ao fazerem tudo isso, chegaram alguma vez perto de seu Mestre, foram semeadores do seu Reino nesse mundo? Ou a cada gesto de violência e intolerância, guerra e morticínio, retardaram a vinda do Reino e espalharam as sombras do fanatismo e da ignorância?

De novo hoje, vemos cristãos que não entendem Jesus, ou pelo menos, acham-no talvez um tanto utópico, um tanto mole, um tanto romântico, inaquedado para a dureza de nosso mundo e dos nossos tempos.

Não, Jesus não era um covarde, assim como não o foram seus verdadeiros seguidores, como Francisco de Assis, Gandhi (que apesar de hindu, se inspirava também no Sermão da Montanha), Martin Luther King e tantos outros, que enfrentaram a perseguição, a prisão e até a morte, para semear o Reino da verdade e da fraternidade no mundo.

O verdadeiro cristão não fere, não julga, não mata, não tem desejos de extermínio, tormento e castigo do outro. O verdadeiro cristão acolhe, perdoa, se compadece, entende que a violência do outro é doença, ignorância e não se rebaixa com mais violência, mas eleva-se em exemplo de paz, em proposta de educação. “Não julgueis para não serdes julgados”, “Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra!”

O verdadeiro cristão não discrimina, não fere, não grita, não favorece a guerra, não anda armado, não condena a sexualidade alheia. “Quem estiver sem pecado, atire a primeira pedra!” “Quem com ferro fere, com ferro será ferido”. Essa frase, aliás, foi dita a Pedro, no momento em que ele, Mestre, estava sendo preso e o apóstolo sacou de uma espada para defender Jesus. Nesse minuto, recebeu a lição máxima da não-violência: é melhor ser injustiçado do que injustiçar, ser ferido do que ferir, ser preso, torturado e morto, do que prender, torturar e matar…

Essa é a filosofia cristã… por isso, durante 300 anos, os primeiros cristãos se entregavam aos leões da arena romana, cantando seu perdão e orando pelos algozes.

Quem acha tudo isso rematada loucura, fraqueza ou utopia, não entendeu a mensagem de Jesus e ainda está vivendo os valores da velha Roma, em que é preciso lavar a honra com sangue e em que perdoar é indignidade e humilhação.

Nosso problema central é que depois de 300 anos sendo vítimas pacíficas da perseguição romana, os cristãos ascendem ao poder, pelas mãos de Constantino, funda-se a Igreja Católica Apostólica Romana e, de mártires, pouco a pouco, os cristãos se tornam perseguidores, inquisidores, guerreiros, poderosos – tudo em nome de Jesus, num permanente sofisma histórico!

Desde então, vivemos nessa contradição absurda: uma civilização que se diz seguidora de Jesus, mas que é constituída de Estados militarizados, de policiamento aos indivíduos, de repressão à liberdade, de descrença na fraternidade entre os seres humanos. Sociedades construídas em bases de violência, exploração e exclusão. Foi por isso que Tolstoi entendeu o cristianismo como uma forma de anarquismo, com a abolição de todos os poderes, porque todos são sustentados pela violência institucional.

Somos cristãos, discípulos de um Mestre que tinha entre seus seguidores mulheres de todas as condições e inclusive, após a morte, apareceu em primeiro lugar para uma mulher – mas a nossa civilização violenta, desrespeita, oprime a mulher…

Somos cristãos, discípulos de um Mestre que amava as crianças e dizia que deveríamos ser como elas, para ganhar o Reino dos Céus, e a nossa civilização ainda abusa, violenta, escraviza e domestica a criança…

Somos cristãos, discípulos de um Mestre que disse que deveríamos nos amar uns aos outros, como ele nos amou, e nossos Estados, a polícia e muitos cidadãos consideram natural matar, guerrear, torturar…

Somos cristãos, discípulos de um Mestre que andava com gente que era considerada ralé em sua época – prostitutas, escribas, cobradores de impostos – e consideramos desculpável discriminar (e até matar!!) alguém por sua orientação sexual.

Somos cristãos, discípulos de um Mestre que disse que seus seguidores viriam do Ocidente e do Oriente e pregou e viveu a fraternidade universal e praticamos durante séculos a escravidão de africanos e ainda estamos estruturados socialmente no racismo, na desigualdade, na exclusão social…

Jesus amado! Tanta clareza usaste, palavras tão poéticas, diretas e simples… Exemplos tão tocantes, arrebatadores e fortes! E parece que a maioria nada entendeu. Ou vamos descobrindo passo a passo, cada qual no seu ritmo evolutivo (Gandhi dizia que o bem anda na velocidade de uma lesma!!!) que: violência só gera violência, que o amor cobre a multidão de pecados e que o Reino só virá pela fraternidade entre todos os seres humanos!

O princípio da não-violência não nos induz à omissão, à covardia, à moleza de atitudes ou ao silêncio de quem consente com toda sorte de violência. A prática da não-violência é a resistência ao mal; é a luta pacífica, sem ódio, mas com firmeza; é a permanente semeadura de valores como dignidade humana, respeito a todas as criaturas, igualdade de direitos e justiça!

Justiça que não é vingança ou punição, massacre e ódio. Justiça que é o pão para todos, a vida respeitada, a educação garantida, a saúde cuidada e o crime, se existir nas condições de uma sociedade justa e bem organizada, tratado como um problema psíquico a ser cuidado e não como um motivo para arrancar do criminoso a sua dignidade e a sua capacidade de superação e educação.


Dora Incontri


07 janeiro 2019

A Noite a Obsessão É Maior - Fernando Rossit




A NOITE A OBSESSÃO É MAIOR


De acordo com Richard Simonetti, autor do livro “Quem tem Medo da Obsessão?”, a obsessão é mais intensa durante a noite, quando estamos dormindo.

Durante o sono o espírito se distancia do corpo físico, mas não fica inativo. Neste momento o encontro com entes queridos é possível da mesma forma com desafetos e Espíritos mal intencionados.

Essa influência, se não combatida, pode nos levar à Obsessão, isto é, a uma ação prejudicial que um ou mais Espíritos exercem sobre nós.

Simonetti, cita o livro “Libertação”, psicografia de Francisco Cândido Xavier, onde o Espírito André Luiz reporta-se à experiência de uma senhora perseguida por dois obsessores que tinham duplo propósito: comprometer sua tarefa como médium e conturbar o trabalho de seu marido, dedicado dirigente espírita.

Como sempre fazem, os Espíritos Obsessores atacam nossos pontos fracos ou, em outras palavras, nossos defeitos.V Essa Senhora citada na Obra “Libertação” era médium espírita, mas era frágil em suas convicções, gostava de se destacar pelas suas tarefas, se tornando presa fácil nas mãos dos Obsessores.

Como tinha dúvidas a respeito de sua mediunidade, os Espíritos perturbadores aproveitaram suas vacilações para incutir a ideia de que as manifestações que transmitia eram fruto de sua própria mente.

Além disso, como era também muito ciumenta, atiçavam nela tendências ao ciúme, sugerindo que o marido usava sua posição no centro espírita para seduzir mulheres.

Dois defeitos “bem aproveitados” pelos Espíritos perturbadores.

Os obsessores conversavam com ela, confundindo-a em relação aos seus compromissos mediúnicos e à fidelidade do marido.

Eles entravam em contato com ela durante as horas de sono.

O marido, homem disciplinado e esclarecido, amigo das virtudes evangélicas, afastava-se do veículo físico (desdobrava-se) e participava de atividades de aprendizado e trabalho, junto de benfeitores espirituais.

Já sua mulher, ao despertar, sente mal estar porque aquelas “orientações” que recebia dos Espíritos perturbadores repercutiam em seu psiquismo, inspirando-lhe desânimo e indignação.

André Luiz presencia uma dessas sessões de aliciamento para a perturbação e registra o deplorável estado da médium ao despertar.

“Oh! Como sou infeliz! – bradou, angustiada – estou sozinha, sozinha!”

O marido, inspirado por benfeitor espiritual, tem imenso trabalho para pacificá-la.

Os Obsessores, apresentando-se como “amigos” e “protetores”, conquistaram sua confiança. Como se programassem sua mente, incutem-lhes ideias infelizes que martelarão seu cérebro durante a vigília, emergindo na forma de dúvidas, temores, angústias, impulsos desajustados e depressão.

Ocorre, muitas vezes, uma verdadeira hipnose espiritual.

Seria equívoco situar as horas de sono como páginas em branco na existência humana.

São páginas escritas com tinta invisível, tão importantes quanto aquelas que escrevemos na vigília, com insuspeitada e ampla influência sobre nossos estados de ânimo, nossas ideias e sentimentos.

É muito importante nosso preparo antes de dormir, evitando programas de TV ou filmes de conteúdo negativo, por exemplo.

A prece antes de dormir é um excelente recurso para que possamos ter bons sonhos porque nos liga aos Bons Espíritos, garantindo-nos boas companhias espiritais.

No entanto, a forma mais eficaz para estarmos ligados ao Bem e impedirmos que venhamos a ser influenciados por Espíritos maus, é a nossa mudança de hábitos e costumes, nossa transformação moral.

Façamos sempre uma auto-análise sincera a respeito do nosso comportamento, analisando nossos pensamentos e atos, e busquemos ser melhores a cada dia.

Lembremo-nos: um mau pensamento sempre é inspirado por um Espírito perturbador. No entanto, a sua influência somente ocorrerá se houver sintonia, isto é, se ele encontrar dentro de nós o canal para estabelecer a perturbação espiritual.

Esse canal chama-se imperfeições morais, tais como: ciúme, inveja, maledicência, orgulho, vaidade, intolerância, preconceito, irritabilidade, hábitos negativos de reclamação, críticas, julgamentos, etc.

Atenção, portanto.



Fernando Rossit


Fontes:

-Quem tem medo da Obsessão, de Richard Simonetti

-O Livro dos Espíritos, Cap. VIII, 2ª parte, Allan Kardec.

-Libertação – Chico Xavier/André Luiz

06 janeiro 2019

Os espíritos e as datas festivas - Hugo Lapa



OS ESPÍRITOS E AS DATAS FESTIVAS


Os espíritos comemoram o ano novo, natal ou alguma outra data festiva?

Essa resposta é bem simples. Não, pois para os espíritos, não há tempo. Os espíritos vivem naquilo que chamamos aqui na Terra de eternidade. Não há passagem de dias, semanas, meses, anos ou eras… Há apenas o eterno agora… e é justamente no eterno agora onde reside a fonte de toda paz e felicidade infinita.

Podemos viver como os espíritos superiores e sermos eterna e infinitamente felizes e ter paz profunda. Basta que para isso passemos a viver plenamente o eterno agora. O momento presente é a fonte de toda criação. Alguns dizem que Deus criou o universo e os espíritos no passado. Mas se não há tempo e tudo o que existe é a eternidade… como Deus poderia ter criado algo no passado?

Não… Deus cria a tudo a todo momento. Justamente por isso a fonte de toda a vida não se encontra nem no passado nem num futuro distante onde só então poderemos nos tornar espíritos puros e perfeitos. Não… nada existe nem no passado nem no futuro. A vida só existe no eterno agora, assim como Deus, assim como a criação contínua, assim como a paz e a felicidade infinita.

Se você fica esperando algum momento do futuro para ser feliz ou ter paz de espírito… desculpe dizer isso, mas você já está morto. Esperar algo acontecer, é morrer a cada segundo. Viver de alegrias do passado é também morrer a cada segundo. Há um ditado que diz: “Quem espera sempre alcança”. Mas os espíritos são bem claros ao dizer que quem espera nunca alcança e viver infeliz, insatisfeito e é como se já estivesse morto.

Se a criação da vida existe no eterno agora, viver fora do agora é viver fora da fonte da vida… e viver fora da fonte da vida é o mesmo que morrer.

Chega de esperar algo… chega de memórias felizes ou infelizes do passado. Ou você para de esperar o próximo ano para ser feliz, ou você vai continuar assim… morto. Assim, respondendo a pergunta inicial, os espíritos mais adiantados não comemoram a passagem do ano, nem datas festivas, nem qualquer passagem temporal do mundo da matéria. Se eles já são eternamente felizes no agora, para que comemorar uma data, ou um tempo que nunca existiu?

Hugo Lapa

05 janeiro 2019

Recomeço sugere ampliar reflexão – Orson Peter Carrara



RECOMEÇO SUGERE AMPLIAR REFLEXÃO


O momento decisivo da evolução humana pede persistência, coragem, mas também calma.

Se pensarmos no alcance no final da conhecida expressão de Jesus: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei, podemos ampliar seu entendimento e entender seu divino convite.

Afinal o “como eu vos amei”, como devemos entender?

Como é que Ele nos amou?

Em boa síntese didática-educativa, podemos entender que:

1. a) Ele sempre respeitou nossa posição evolutiva. Tanto que sempre valorizava quem dele sem aproximava. Às diferentes personalidades que o procuraram, da mulher adúltera ao doutor da lei, respeitou-lhes o estágio moral.

2. b) Nada pediu em trocapelos inúmeros benefícios que trouxe à humanidade. Isso é uma demonstração de amor. Ama e porque ama ampara, consola, conforta, orienta; Nada exigiu, aguarda nosso despertar.

3. c) Importou-se conosco.Esse importar-se conosco foi demonstrado na prática pelas expressivas manifestações de entendimento de nossa precária condição evolutiva, estendendo-nos seu divino amparo e orientação.

Daí a recomendação fraterna: “Amai-vos uns aos outros”. Mas apresentou também a proposta de como fazê-lo, acrescentando o “como eu vos amei”. Até porque – e hoje entendemos com mais exatidão – ele é o Modelo e Guia, referência mais alta que possuímos no planeta para seguir e nos esforçarmos como exemplo para incorporarmos ao comportamento.

Essa adoção de postura no comportamento é capaz de vencer obstáculos, extinguir contendas e dispensar mágoas, ressentimentos ou sentimentos de vingança ou mesmo temores infundados, uma vez que estamos todos protegidos por sua grandeza e bondade.

É a calma, a resignação ativa, que trabalha, compreende e encontra outros caminhos que sejam de paz para superação dos imensos desafios da atualidade.


Orson Peter Carrara


04 janeiro 2019

Ciúme - Momento Espírita



CIÚME


Os ciumentos não precisam de causa para o ciúme: têm ciúme, nada mais. O ciúme é monstro que se gera em si mesmo e de si nasce.

William Shakespeare apresenta em sua obra Otelo, uma análise profunda, incômoda e intensa desse grande gigante da alma, o ciúme.

Na clássica peça shakesperiana, o general mouro Otelo é envenenado pela desconfiança, vinda do verbo afiado e sorrateiro de seu alferes, Iago.

Iago, também por ciúme e inveja, procura uma forma de destruir seu amo e sua amada, Desdêmona, e encontra nesse poderoso tóxico a maneira de promover sua vendeta.

Procurando descobrir mais sobre esta fragilidade humana, vamos perceber o ciúme como a inquietação mental causada por suspeita ou receio de rivalidade nos relacionamentos humanos.

É uma espécie de distorção, um exagero, um desequilíbrio do sentimento de zelo.

Adentrando na intimidade deste sentimento, vamos descobrir que ele é medo. Medo de algum dia sermos dispensáveis à pessoa com a qual nos relacionamos.

Medo de sermos abandonados, rejeitados ou menosprezados. Medo de não mais sermos importantes. Medo de não sermos mais amados, enfim, é, de certa forma, medo da solidão.

O psiquiatra e psicoterapeuta Eduardo Ferreira Santos revela que tal sentimento é totalmente voltado para si mesmo, egocentrado e, por esta afirmação, podemos entender o porquê da frase do personagem Iago, de Shakespeare, dizendo que o ciúme não precisa de causas exteriores, que se gera em si mesmo.

Suas causas interiores, segundo o Espírito Joanna de Ângelis, são encontradas principalmente na insegurança psicológica, na baixa autoestima, no orgulho avassalador que não suporta rivalidades.

E no egoísmo, que ainda nos faz ver aqueles que estão à nossa volta como posses.

O ser inseguro transfere para o outro a causa desta insegurança, dizendo-se vítima, quando apenas é escravo de ideias absurdas, fantasias, ilusões, criadas em sua mente, que ateiam incêndios em ocorrências imaginárias.

Agravado, este sentir leva a psicoses, a problemas neuropsiquiátricos, como diversos tipos de disritmias cerebrais, sendo causador de agressões físicas e crimes passionais.

O ciúme é um sinal de alerta, mostrando que algo não vai bem, que algo precisa ser reparado, repensado.

A terapia para o ciúme passa pelo autoconhecimento, quando percebemos a fragilidade em nós, e tomamos atitudes práticas de autocontrole, autodisciplina, para erradicá-lo gradualmente da vida.

O tratamento também prescreve uma reconquista da autoestima, da confiança em si mesmo, tornando-nos menos sensíveis às investidas cruéis desse vício moral.

Finalmente, as ações no bem, que fazem com que a alma se doe e amplie seu leque de relações, também colabora significativamente para educar o sentimento de posse exacerbado e inquieto.

O amor não precisa do sal do ciúme para temperar as relações. O sabor de todo relacionamento sadio virá da confiança irrestrita e do altruísmo, que pensa sempre no bem do outro.


Redação do Momento Espírita

03 janeiro 2019

O Santos segundo o Espiritismo - Decio Pattini




OS SANTOS SEGUNDO O ESPIRITISMO



Todos nós brasileiros de certa forma já ouvimos falar nos santos. Nosso calendário segue o cristianismo. Temos nele feriados, datas e festividades aos santos. E quem foram eles? Qual é a importância deles na sociedade? Qual é o papel deles no mundo espiritual?

Eles foram espíritos como nós, mas se destacaram e ficaram famosos pelos seus feitos. Uns carregavam as marcas de crucificação do Cristo, outros abriram mão de uma vida de paixões e luxo para se tornarem mais humildes e se levar o nome de Jesus adiante.

Outros foram levados ao altar por lutar (ir para a guerra) a fim de que o cristianismo não se enfraquecesse.

A Igreja Católica não tem em sua doutrina religiosa a reencarnação. E acham que esses espíritos continuam a ser como eram quando aqui encarnados. Acham que se o espírito foi um papa milagroso que faleceu há mais de 500 anos, ele continuaria a usar roupas de sacerdote católico. Mas perante a Doutrina Espírita, todos nós estamos em uma vida contínua, porém com diversas existências. 

Sabemos também que o espírito quando necessita retornar a terra para resgatar ou com uma missão, ele reencarna. Ele Volta e não se pode dizer que ele receberá o mesmo nome, nem seguirá a mesma filosofia religiosa, e aonde (em que país, nação) ele reencarnará será relativo.

Pense comigo: Vamos usar como exemplo, um santo muito popular que é São Jorge. Ele nasceu na atual Turquia e se formou no exército da Capadócia. Jorge foi casado, tinha família, e era um homem assim como nós. Sua missão seria vir na terra para defender e lutar pelo seu povo que tinha medo de falar que seguia ao Cristo. Sendo assim, reuniu um exército para defender, não para atacar. Portanto que os livros e biografias falam que Jorge apenas defendeu os cristãos no Império de Diocleciano. Mas foi pego e decapitado.

Esse ato de fé, naquela época serviria como exemplo para os homens. Sendo assim, puseram-no no altar, canonizando-o para que os homens se espelhassem nele.

Sabemos e temos a compreensão de que o mundo teve a necessidade das guerras, dos vultos luminosos, das renúncias e até mesmo dos martírios. Pois “Não há folha sequer que caia sem a permissão de Deus”.

Ele desencarnou há mais de mil anos. E será que ele não teria mais reencarnado na terra?

Claro que sim. Sob a visão da Doutrina espírita, claro que ele pode ou deve ter reencarnado. Assim como outros santos. Não que tenham reencarnado neste planeta, pois nós espíritas acreditamos que poderiam reencarnar em outros planetas também. Eles certamente tiveram essa missão. Vieram na terra para lutar para que o nome e os ensinamentos do Cristo não fossem extinto (o que não aconteceria, por isso vieram para terra).

Assim aconteceu com vários Mártires, como outro santo muito popular que é São Sebastião.

E as orações que são feitas a eles são atendidas? Por quem?

Claro que são atendidas, assim como são atendidas as orações feitas a Deus, aos médicos espirituais, entre outros espíritos. São atendidos por espíritos amigos. Muitos trabalham dessa forma. Pois o espírito pode se plasmar da maneira que achar melhor. Na forma mais feliz. Isso quando se trata de um espírito mais evoluído.

A Vida de Francisco de Assis, foi uma escolha dele seguir ao cristo renunciando todas as coisas mundanas que o atrasava. Ele com certeza deve se sentir muito feliz se plasmando dessa forma. Pode sim ter reencarnado e pode reencarnar quantas vezes achar necessário.

Muitos representantes da Igreja que ao desencarnar continuam a trabalhar com os santos ouvindo as orações e preces.

A nossa doutrina nos ensina que a dor, o sofrimento, ainda se faz necessário. É um modo de aprendermos a corrigir os erros do nosso passado e muitas vezes exigimos que os espíritos trabalhem em nosso benefício. Eles observam orações por orações e ajudam sim, mas se for contra as leis de aprimoramento do ser, eles não irão atender, pois seria ir contra as leis de Deus: a lei de ação e reação.

E as festas realizadas para eles?

A Doutrina espírita nos diz que os espíritos não necessitam disso. Eles não precisam de velas, flores, balões, entre outros. Vamos refletir um pouco:

Muitos, principalmente católicos e umbandistas no dia de cada santo atiram fogos de artifício. Lembremos que soltar fogos é muito bonito, mas não significa que o espírito necessita disso para atender às preces.

Acreditamos que as festas realizadas em nome dos santos, é uma boa ocasião para a confraternização. Mas a Doutrina Espírita não estipula nenhum calendário festivo. Nem realiza festas e procissões.

Representar esses espíritos por imagens. O que o espiritismo diz?

A Representação desses espíritos por imagens, vem também da Igreja católica. Os santos por serem espíritos esclarecidos, bondosos, que deram testemunho de que são acima da matéria, não ficam presos a representações nem a imagens.

Vamos lembrar que nenhum objeto tem força por si só. O que tem força é o seu pensamento. E se você acreditar que aquela imagem irá te ajudar irá registrar em sua mente que aquilo irá te salvar. Sendo assim, a cura, a bênção e o milagre virão, mas não pela imagem, e sim pela sua força mental.

Aspectos positivos nas Imagens:

Uma pessoa ao olhar para a imagem de Jesus, ela toma um respeito pela imagem e pelo nome dele. Quando ela entra em um lugar que tenha a imagem de um santo, ela vai se policiar para não xingar, não falar coisas indevidas, não dispersar o assunto, não pensar em coisas que não são vinculadas a fé.

Existem Espíritos nas Igrejas?

Claro que tem espíritos nas igrejas. Lembre que Jesus disse: onde houver duas ou mais pessoas reunidas em meu nome eu me farei presente.

Muitos católicos quando vão as missas rezam, pensam em coisas boas, tentam se auto melhorar. E como tal os espíritos se fazem presente. Aliás, em qualquer lugar onde houver pessoas os espíritos estão.

Os espíritos vão às igrejas, abençoam as hóstias, dão passes naqueles que estão em sintonia com o bem. Por isso muitos se sentem bem indo a missas. Além disso, muitos buscam as igrejas para fazerem missas, corrente de orações a familiares e amigos falecidos. É claro que tem espíritos com grau de evolução baixo, que necessita de ver e sentir o calor das vozes em oração a ele. E é claro que esse espírito se sente melhor com tantas preces feitas com o coração.

Os Espíritos, assim como todos nós podemos e devemos nos santificar, através de uma boa conduta, da perseverança na fé, em levar consolo e amor a todos que necessitam. Sem esperar ser santificado ou beatificado por qualquer pessoa encarnada. Dr. Bezerra de Menezes, o médico dos pobres, não foi santificado (certamente porque era espírita), mas seguiu ao Cristo, trabalhando no bem e em nome da caridade e da humildade. Outro exemplo é o querido Chico Xavier, não foi aureolado por mãos humanas, e sim se auto iluminou, atingindo um nível de evolução altíssimo.

Vamos irmãos que para os espíritos se “santificarem” não é necessário que nós os coloquemos em altares. Eles próprios se elevam pela sua moral e espiritualização. Não necessitam de que outras pessoas apontem e enumerem seus feitos para decidir se será ou não santificado.

Outro assunto que merece nossa reflexão é a respeito das mitologias que envolvem alguns santos. Pois sabemos que algumas figuras jamais existiram. É claro que respeitamos quem leva em consideração seu aspecto simbólico, assim como devemos nos respeitar e nos amar, pois é para isso que estamos aqui. Encontramo-nos neste planeta, não por acaso, e sim pela Providência Divina, que nos abre os caminhos do amor e da compreensão. Devemos amar incondicionalmente, buscando desenvolver o Amor de Jesus Cristo em nossos corações.

É BOM LEMBRAR

Assim como Emmanuel mentor de Chico usava roupas romanas, porque se sentia bem. O espírito de um Papa pode usar roupas sacerdotais. Assim como Joanna de Ângelis se plasma como freira.

Vamos lembrar que, Chico Xavier em sua Humildade, tinha imagens de santos. Não que ele as cultuava e adorava mas ele respeitava e gostava muito. Inclusive tinha muita fé em Nossa Senhora da Aparecida e Nossa Senhora da Abadia (padroeira da cidade de Uberaba-MG).

Dr. Bezerra de Menezes, o médico dos pobres, dizia que tudo o que ele fazia era em nome de Nossa Senhora.

A Doutrina Espírita não usa imagens, mas não condena aqueles que usam. Um bom espírita não condena, apenas auxilia quando solicitado.


Decio Pattini

02 janeiro 2019

Força moral - Divaldo P.Franco



FORÇA MORAL


Em todas as épocas da Humanidade a força brutal foi o instrumento que mais se destacou nos relacionamentos entre as pessoas e os povos.

Remanescente dos instintos agressivos, especialmente o de preservação da vida, vem-se impondo mediante os recursos da inteligência aplicada nas conquistas exteriores.

Ei-la presente nos desvãos escusos da personalidade, gerando mecanismos variados de apresentação.

Não apenas através da brutalidade, mas também sob disfarces com que oculta a dureza dos seus atos ela se faz presente.

Surge como dissimulação, agressividade e violência, assim como traição e engodo, ludibriando as leis e enganando as pessoas.

Com habilidade maldisfarçada, justifica os seus atos como sendo necessidade de manter ou restaurar a ordem, protestar, submeter.

No transcurso dos tempos, utilizou-se do poder para escravizar e cometer todas as arbitrariedades que a imaginação podia produzir.

O inevitável processo de evolução, no entanto, por necessidade, exigiu a mudança de hábitos e a adaptação aos recursos existentes, na fatalidade irresistível de atingir-se o estado de discernimento espiritual.

A fatalidade histórica de burilamento da forma física, em razão dos impulsos espirituais decorrentes da realidade transcendente, alterou o comportamento humano, que passou a submeter-se à consciência através dos recursos éticos capazes de produzir a felicidade.

O prazer estranho do triunfo mediante a força brutal começou a ceder lugar ao de natureza moral, estabelecendo princípios de equilíbrio e de respeito à vida em todas as suas expressões.

Ao ser alcançada a condição intelecto-moral, novos padrões de conduta ofereceram à sociedade terrestre o conhecimento dos valores éticos essenciais ao intercâmbio social.

O ser humano está fadado à sublimação que encontrou o seu momento máximo por ocasião da presença de Jesus na Terra. Os Seus ensinamentos exarados na força moral abriram horizontes infinitos em favor da fraternidade, do sacrifício pessoal, do amor em todas as suas variáveis expressões, que modificaram a estrutura do poder.

Antes dEle, nobres missionários estiveram no mundo demonstrando a grandeza e a plenitude de que eram portadores através da renúncia, do holocausto a que se entregaram e do amor espiritual.

Os processos de abnegação enriqueceram a sociedade com exemplos grandiosos, que proporcionaram a necessidade da libertação dos instintos agressivos que se transformariam em sentimentos de abnegação.

Nada obstante, ainda remanescem as fortes inclinações para a agressividade e o crime, heranças malditas do primitivismo da evolução.

Neste momento de cultura e civilização já não deveria haver lugar para a estupidez e a barbárie.

Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, de 15 de novembro de 2018

01 janeiro 2019

Este ano prometo - Nilton Moreira



ESTE ANO PROMETO


É chegado o momento que parece criar-se um vácuo no tempo e passarmos a refletir a respeito do ano que se encerra e das perspectivas para o ano que rompe. Momento de rever as promessas feitas, se efetivamente foram cumpridas, pelo menos algumas, e de renovar as que não tivemos êxito, complementando com outras.

No calor da emoção, em meio ao clima de harmonia que se instala no ar nesta época, ficamos sensíveis a promessas e acabamos dizendo: “este ano prometo”. São inúmeras que vão desde viagens e realização profissional até situações bem complexas como deixar de algum costume inadequado e até mesmo cuidar mais da saúde.

Sempre dizemos que devemos levar em consideração o prometer coisas que efetivamente poderemos alcançar, e quanto menos quantidade melhor, pois às vezes planejamos executar muitas coisas e acabamos não cumprindo nada, nos frustrando.

Uma das mais comuns promessas é a de cuidar mais do corpo para obter maior saúde e conseguir o emagrecimento ou preparo físico sonhado, pois quando chegam às festas de fim de ano exageramos nas guloseimas e acabamos vendo que só o próximo ano é que nos dará a capacidade de cortes no que for preciso.

Hoje um dos grandes problemas que atravessamos é a falta de emprego, então as promessas giram em torno muitas vezes desse vilão, e vemos a necessidade de nos preparar mais para enfrentar a concorrência das vagas que vão surgindo timidamente, e os que votaram no Presidente vencedor torcem que ele acerte, e os outros ficam na expectativa.

Mas muitos esquecem de que é importante para canalizar boas energias e ter êxito nas metas a alcançar, a modificação do comportamento, pois existem situações que não dependem apenas de nosso livre arbítrio para obter sucesso nos nossos anseios, e sim da Espiritualidade Maior que opera nos auxiliando, mas para isso é necessário que estejamos com capacidade de absorver as intuições que nos chegarem.

Conta Chico Xavier, através de psicografia, que determinado Espírito deveria reencarnar como filho de um casal na Terra, mas a gravides só poderia acontecer após a união conjugal dos noivos, e estes só iam ter um relacionamento sexual após o casamento concretizado, cujo enlace só aconteceria quando tivessem a casa pronta que estava em construção. Acontece que o rapaz estava desempregado e, portanto sem condições de tocar a obra. Então a Espiritualidade, através da Providência Divina propiciou emprego ao futuro papai, que pode concluir a obra, casar e procriar o corpo daquele que iam receber como filho.

Assim acontece no nosso cotidiano. Vivemos cercados de benfeitores que nos auxiliam a todo o momento, bastando que para isso estejamos receptivos e tenhamos boa vontade de vencer. Temos de fazer nossa parte. Certamente o rapaz que Chico se referiu, estava ansioso em preparar-se para conseguir um emprego que lhe desse a estabilidade necessária para formar a família e seguir a vida adiante.

Para que nossas promessas, sejam elas simples ou complexas deem certo, será preciso decisão, esforço e que façamos nossa parte, pois a ajuda com certeza virá, pois sempre dizemos que não estamos aqui neste Planeta abandonados a própria sorte.


Nilton Moreira
Coluna Semanal Estrada Iluminada
Fonte: Espirit Book