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19 maio 2014

Tempo de Descarte - Momento Espírita

 

TEMPO DE DESCARTE

Nossos dias parecem feitos de momentos instantâneos. As coisas se transformam, as necessidades se sucedem e se modificam, fazendo com que tudo pareça volátil e fugaz.

Por vezes, nos parece que a própria vida é nada mais do que uma leve impressão e que nada vale um grande investimento, pois não há o que sobreviva ao descarte e a se tornar obsoleto.

Talvez por isso alguns de nós imaginamos que nossos relacionamentos também são descartáveis e fugazes, nesses dias em que vivemos.

Acabamos aceitando a ideia infeliz de que qualquer esforço de investimento nas pessoas parece algo inútil, uma verdadeira perda de tempo, pois logo essas serão, ou poderão ser substituídas.

Logo, é natural que nossos relacionamentos não suportem as primeiras rusgas, não sobrevivam aos primeiros embates, não ultrapassem os primeiros enfrentamentos.

Os investimentos da paciência, da consideração, do carinho, perdem sentido, nesse insistente descarte de tudo e de todos.

A amizade logo se desfaz, o relacionamento não cria raízes, os laços não se apertam e os nós se desfazem ao menor esforço.

Tudo isso porque esquecemos de que, muito embora o mundo esteja veloz, a comunicação seja instantânea, e a tecnologia se renove rapidamente, nossa mente e nosso coração são os mesmos de sempre.

Nossas necessidades emocionais em nada mudaram com a tecnologia.

A construção de nossos sentimentos ainda se faz gradual e lentamente, como a cem, quinhentos ou mil anos atrás.

Aprender a amar, cultivar uma amizade, aprender a querer bem, tudo se faz em velocidades medievais, poderíamos dizer.

Nada disso mudou no século XXI. O mundo externo se transformou por completo. Nossas necessidades e capacidades de amar são as mesmas.

Assim, cada vez mais se torna importante que resgatemos o tempo a dedicar aos nossos amores.

Nenhum casamento se fortalecerá sem o investimento de ambos.

Porém, se entre nossas prioridades não há tempo e investimento suficiente para que a vida seja compartilhada, natural que a relação feneça.

Se em nossos dias não há prioridade e tempo para os amigos, como manter as amizades?

Ninguém pode esquecer que a amizade se consolida lentamente, como quem cozinha no fogo brando, através da conversa solta e fraterna, da visita despretensiosa que estreita laços, ou do telefonema sem hora marcada mas que aconchega o ouvido.

Serão esses investimentos lentos, graduais, que serão efetivos, pois que criarão raízes profundas no coração.

Somente dessa forma nossos laços conseguirão vencer o tempo e a distância, a ponto de nos acompanhar para além desta vida, pois que permanecerão no coração.

O mais, o que efetivamente é descartável ou volátil, isso ficará, se perderá no tempo, ganhará esquecimento.
Entretanto, que nunca aquilo que pertença ao coração ganhe a falsa impressão de também ser descartável.

Porque, um dia, ao se perder tudo, inevitável fator da vida, permanecerá em nós somente aquilo que agasalharmos na mente e no coração.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita

18 maio 2014

Aborto: Crime e Conseqüências - Fernando A.Moreira


ABORTO: CRIME E CONSEQUÊNCIAS

O maior destruidor da paz no Mundo hoje, é o aborto. Ninguém tem o direito de tirar a vida; nem a mãe, nem o pai, nem a conferência, ou o Governo." Madre Tereza de Calcutá (Mensagem à Conferência na ONU).

O termo aborto que, cientificamente, indica o produto do abortamento, foi popularmente usado como sinônimo deste, confundindo-se, assim, a ação com o resultado dela, o ato de abortar com seu cadáver, o aborto. Apesar da ressalva, usa-remos indistintamente neste trabalho, dado a consagração do termo, uma ou outra denominação com a mesma finalidade.

Assim, aborto ou abortamento seria a expulsão do concepto, antes da sua viabilidade, esteja ele representado pelo ovo, pelo embrião ou pelo feto; a expulsão do feto viável, antes de alcançado o termo, denomina-se parto prematuro. É, pois, a interrupção da gravidez antes da prematuriedade – abortamento; durante – parto prematuro; completada – parto a termo; ultrapassada – parto serotino.

Pode ser o aborto, sob o ponto de vista médico, espontâneo ou provocado, e a diferença está na intenção, pois que este último é devido à interferência intencional da gestante, do médico ou de qualquer outra pessoa, visando ao extermínio do concepto. Neste trabalho, por motivos óbvios, só nos referiremos ao aborto provocado.
Incidência

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), feitos por estimativa e, antes de serem publicados, já foram divulgados pela Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos ("Dossiê Aborto Inseguro") através do jornal O Globo, é na América do Sul onde ocorre o maior número de abortos clandestinos no mundo, vindo em segundo a América Central e, em terceiro, a África. O Brasil é o campeão mundial, pois aqui são consumados 1,4 milhão de abortos clandestinos por ano, mais do que todos os outros países da América do Sul reunidos. Meninas e jovens de até 19 anos fazem 48% das interrupções legais da gravidez, segundo a nossa rede pública. Dados do Fundo das Nações Unidas para a População (FUNUAP) mostram que em conseqüência de complicações deles, morrem por ano nos países da América Latina (inclusive no Brasil) seis mil mulheres, consistindo na terceira causa de morte materna, depois das hemorragias e da hipertensão. Relatório do Instituto Allan Gutmacher (Folha de S. Paulo: 14-3-99) mostra que a maior incidência por percentagem de abortos (36%) acontece nos países desenvolvidos, graças à permissão da lei, sendo deles também a maior taxa de gravidez não planejada (49%), mas englobam apenas 28 milhões de mulheres grávidas por ano. Os países subdesenvolvidos apresentam planejamento melhor (36% dos nascimentos não são previstos) e menos abortos (20%), entretanto representam 182 milhões de grávidas. No Brasil, segundo o mesmo Instituto, a cada 1.000 adolescentes grávidas, 32 recorrem ao aborto. Somente a República Dominicana (onde também é proibido) e EUA (onde é legalizado), têm taxas maiores: 36.

Conclui ainda o relatório que nos EUA, como é crescente o número de mulheres que praticam o aborto, existe uma preocupação do Congresso, que prevê crescimento populacional negativo na próxima década, falta de mão-de-obra e colapso de sistema previdenciário em vinte anos. Outro dado importante é que 63% das mulheres norte-americanas chegam aos 18 anos já tendo praticado sexo. Só na Dinamarca (72%) e na Islândia (71%) o percentual é maior. O próprio Instituto reconhece que parte das mulheres só fazem sexo por saberem que não terão filhos (seja porque usam métodos contraceptivos, seja pela prática do aborto). Equivale dizer que, naqueles países onde o aborto foi legalizado, ganhando o nome, dado por eles, de "aborto seguro", o número de abortamentos vem aumentando assustadoramente e não menos assustadora foi a diminuição do número de gravidezes programadas, denotando ambos, o aumento da "irresponsabilidade segura".

As Conseqüências

O aborto é um crime hediondo que produz uma série de conseqüências espirituais, perispirituais, físicas, psicológicas e legais.[3]

Conseqüências espirituais e perispirituais: estão relacionadas ao crime, com repercussões para o criminoso e a vítima. PARA O CRIMINOSO: Em trabalho publicado na Revista Internacional de Espiritismo [x], referimo-nos à programação genética reencarnatória [4], já que "não existindo o acaso, tudo na reencarnação acontece sob a égide de Deus, o Senhor da Vida. Sendo esta programada, os Espíritos Superiores atuariam como construtores ou geneticistas, no fluxo da vida, selecionando o óvulo e o espermatozóide que originarão o ovo; sempre que possível participa nesta seleção genética o Espírito reencarnante, sendo o grau de comando dos Espíritos Superiores inversamente proporcional ao estágio evolutivo do Espírito. Estabelecem-se, outrossim, fortíssimos compromissos entre os pais e o Espírito reencarnante e vice-versa. Colaboram os Espíritos simpáticos e tentam interferir negativamente os Espíritos inimigos, de acordo com as possibilidades das sintonias". O produto deste magnífico trabalho de corporificação da espiritualidade é o ovo, que originará os 75 trilhões de células do corpo físico [3], indo servir de roupagem ao Espírito reencarnante, como veículo possuidor de todas as dimensões necessárias e suficientes, colocadas a seu serviço para executar sua proposta reencarnatória e conduzi-lo à evolução espiritual. O aborto não é uma solução, é um adiamento doloroso, uma porta aberta de entrada no crime e no mal, e um rompimento de compromissos estabelecidos pelo Espírito, ora delituoso, com Deus, com o reencarnante e em última análise consigo mesmo. Quem quer que venha praticar esse delito ou com ele colaborar predispõe-se a alterações significativas do centro genésico, em seu perispírito, com conseqüências atuais e posteriores, na esfera patológica de seus órgãos sexuais e também, por vezes, dos centros de força (chacras) coronário, cardíaco e esplênico com todas as repercussões pertinentes. Nós estamos preparando hoje a reencarnação de amanhã; um aborto provocado agora se refletirá no chacra genésico, e será mais além o aborto espontâneo, pois a paternidade e a maternidade não valorizados hoje, o serão com certeza amanhã, noutra encarnação, mas agora por um processo educativo, que passa pela dor e pelo sofrimento redentor. Em igual patamar, como conseqüência, estão a prenhez tubária, a placenta prévia, o descolamento prematuro de placenta, a esterilidade, a impotência, entre outras causas que atingem a esfera do aparelho reprodutor masculino e feminino. PARA A VÍTIMA: O único caso em que é aceito o aborto, pela Doutrina Espírita, é quando existe risco insuplantável para a vida da mãe [x] . Em todos os demais casos considera-se ser este compromisso inquebrantável, sob o ponto de vista moral e portanto consciencial espiritual, quer na prova dolorosa do estupro, quer nos fetos acárdicos e anencéfalos, ou qualquer argumento, como o direito de escolha da mulher e sua plasticidade, falta de recursos financeiros, etc. A luta entre o "devo mas não posso e o posso mas não devo" nada mais é do que "todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm" (Paulo, I Coríntios, 6:12). A reação da vítima, o Espírito reencarnante, varia, de acordo com seu grau evolutivo, da decepção, quando aproveita a reencarnação malograda para sua purificação, à obsessão, e dadas as circunstâncias, é mais provável que reaja da segunda forma, sintonizando-se às vezes com verdadeiras falanges de Espíritos obsessores: "(...) ódio aos que se recusaram a recebê-los num novo berço e, quando não lhes infernizam a existência terrena, em longos processos obsessivos, aguardam, sequiosos de vingança, que façam o trespasse, para então tirarem a forra, castigando-os sem dó nem piedade." [5]

Conseqüências físicas - Conseqüências físicas imediatas: Consideremos aqui as de ocorrência médica, que acontecem nesta encarnação. Estima-se que a morte da gestante ocorra em 20% dos casos de abortamento provocado na clandestinidade e além disso descrevem-se: perfurações do útero com cureta, sondas, velas, etc.; anemia aguda, decorrente de hemorragias provocadas por estas últimas, por abortamento incompleto (restos ovulares) e demais traumatismos da vagina, do útero e das trompas; infecções, inclusive tétano, abscessos, septicemias, gangrenas gasosas; esterilidade secundária; lesões intestinais, complicações hepáticas e renais pelo uso de substâncias tóxicas."[2] Assim, o aborto, quando não determina a morte, pode imprimir marcas indeléveis no corpo físico e, como vimos, também no corpo perispiritual.

Conseqüências psicológicas - Não podemos fugir da nossa consciência, nem pretextar ignorância das Leis Morais pois elas estão aí impressas"[6] , e quando se pratica este tipo de crime, desperta-se o sentimento de culpa, o arrependimento e às vezes o remorso, a nos perseguir por toda vida física e extrafísica. O arrependimento é a ante-sala da reabilitação, e quando dinâmico, canalizado para ações construtivas, pode levar, via reforma íntima e trabalho regenerador, e não raro espelhado na adoção, a minimização de nossas faltas. O remorso é a lamentação interior inoperante, completamente estático, que como um ácido corrói o recipiente onde é guardado, provocando a viciação mental, a mente em desarmonia, que é porta aberta aos processos obsessivos."[x]

Conseqüências legais - Não nos estenderemos sobre o tema, lembrando que "nem tudo que é legal é moral e nem tudo que é moral é legalizado"[7] . O aborto é um crime, e se não é admissível que morram mulheres jovens, menos admissível ainda é que se assassinem covardemente os mais jovens ainda e mais indefesos, praticando-o. O assunto é tratado nos artigos 124 a 128 do Código Penal, determinando penas que vão de 1 a 10 anos.

Conclusão

"O primeiro dos direitos naturais do homem é o direito de viver. O primeiro dever é defender e proteger o seu primeiro direito: a vida."[8]

O aborto é um crime nefando, porque praticado contra um inocente indefeso; o produto da concepção está vivo, e tem o direito Divino de continuar vivendo e de nascer. Transgride-se assim o 5o Mandamento: "Não Matarás".

Errar é humano; assumir o erro, é divino.

O Espiritismo não aceita a legalização do aborto, nem com ela compactua, porque legalizá-lo é legalizar o crime e a irresponsabilidade. O "aborto seguro" com que acenam, dizendo-se defensores da vida da mulher, mesmo se verdadeira, não passa de uma proposta para o crime, em que saem em desvantagem as vítimas, os inocentes e indefesos conceptos e aparentemente premiada a irresponsabilidade, excetuando-se desta os casos de estupro, no qual também não justificamos o delito, pois mesmo aí existe um compromisso cármico a ser cumprido.

"Lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe perguntará Deus:[9]

– Que fizestes do filho confiado à vossa guarda?"

E quem praticou o aborto responderá:

– Eu matei meu próprio filho...

Quem assim dirá, embora reconhecendo a grave falta em que incorreu, não deve cultuar o remorso ou consumir-se no sentimento corroente da culpa, que levariam à estagnação, mas dinamizar-se e orientar sua energia no trabalho regenerador, agora sim, na defesa da vida, praticando a caridade, dedicando-se ao próximo e servindo com amor, que alcançariam sua plenitude na dádiva espelhada da adoção, na certeza de que com esses procedimentos encontrará a justiça indulgente e a misericórdia do Criador.

"Não é na culpa corrosiva nem no remorso paralisante, mas sim no arrependimento dinâmico que nos remete à ação e ao amor, afastando-nos do vale da dor e do sofrimento, que encontraremos o caminho da libertação."[10]


Referências Bibliográficas

[1] FURLAN, Laércio. Respeito ao embrião e ao feto – Diga não ao Aborto. Mundo Espírita. Jan. 98, p. 2.

[2] REZENDE, Jorge. Ed. Guanabara-Koogan, 1963, p. 667.

[3] MOTA JR., Eliseu Florentino. Aborto sob a luz do Espiritismo. Matão (SP): Casa Ed. O Clarim, 1995, p. 97 e 121.

[4] MOREIRA, Fernando Augusto. Reencarnação e Genética, Revista Internacional de Espiritismo, março 2000, p. 6.

[5] CALLIGARIS, Rodolfo. As Leis Morais. 8. ed., Rio de Janeiro: FEB, 1991, p. 77.

[6] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, 80. ed., Rio de Janeiro: FEB, 1987, perg. 358, 359 e 621.

[7] CARVALHO, Alamar Régis. O Aborto e suas conseqüências, SEDA – Salvador, (BA): 31-7-99)

[8] KARDEC, Allan. Revista Espírita. Aborto; direito ou crime?; extraído do site www.cvdee.org.br , em 24-11-99.

[9] KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, 116. ed., Rio de Janeiro: FEB, 1987, p. 240.

[10] GANDRES, Doris Madeira. Tesouro maior, Revista Internacional do Espiritismo, jan. 1999, p. 220.

[1]1 XAVIER, Francisco Cândido. Pelo Espírito André Luiz. Missionários da Luz. 34. ed., Rio de Janeiro: FEB, 2000, p. 187 a 189 e 208.

[12] KÜHL, Eurípides. Genética e Espiritismo, Rio de Janeiro: FEB, 2. ed., 1996, p. 40.

[13] MIRANDA, Hermínio C. Nossos Filhos são Espíritos. Publ. Lachâtre, 1995, p. 47.

[14] SOARES, José Luis. Biologia. Ed. Scipione, 1997, p. 195.

[15] DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor, 23. ed. FEB, 2000, p. 193.

[16] ROCHA, Alberto de Souza. Além da matéria densa. Ed. Correio Fraterno, 1997, p. 153. Reencarnação em foco. Casa Editora O Clarim, 1991, p. 105.

[17] LIMA, Inaldo Lacerda. Reformador, jun. 1987, p. 169.

[18] SANTA MARIA, José Serpa de. Direito de Viver. Reformador, jun. 1992, p. 168.


* As referências assinaladas com [x] correspondem às de números [1] 1 a [18], pertencentes ao artigo Reencarnação e Genética (ver referência 1), em que se baseou o texto deste artigo.


Fernando A.Moreira
Fonte: Revista REFORMADOR Julho de 2001


17 maio 2014

O Sobrenatural e a Visão Espírita - Wellington Balbo


O SOBRENATURAL E A VISÃO ESPÍRITA

O milagroso, sobrenatural, místico, desde eras remotas causa grande fascínio à raça humana.

Presume-se que o caçador primitivo desenhava suas caças na parede da caverna para que isso lhe trouxesse o sucesso na empreitada.

Na Roma antiga, havia magia para obter sucesso no amor, nos negócios, nos jogos e até para proferir belos e persuasivos discursos.

Desde séculos imemoriais somos acometidos por um certo romantismo e ingenuidade de que algo ou alguém solucionará nossas dúvidas íntimas.

Os escritores, com acurada sensibilidade, captaram bem a vontade popular e trouxeram para enriquecer nosso imaginário os super-heróis, seres com qualidades extraordinárias que nos defendem do “mau”, esforçando-se para estabelecer a ordem e harmonia no planeta. Inconscientemente é mesmo super-heróis e salvadores que queremos.

Daí muitos considerarem que o Nazareno veio para nos salvar do pecado original.

Daí muitos consultarem o médium a fim de saber o rumo que sua vida tomará.

Daí muitos esperarem a alma gêmea que trará um amor de conto de fadas.

Daí muitos aguardarem o governante que nos colocará nos trilhos da dignidade.

Daí muitos sonharem com a vitória na loteria que trará a independência financeira.

A Doutrina Espírita, porém, nos apresenta uma outra visão, nos informando que:

O sobrenatural é apenas o natural que nossa inteligência não compreende.

Jesus, o professor que nos ensina o caminho a trilhar.

A propósito, as curas efetuadas por Jesus em sua passagem pela Terra nada têm de mágicas miraculosas, eram todas provenientes de seu completo domínio e conhecimento sobre a matéria. Jesus possuía a realeza moral e superioridade absoluta dos Espíritos puros e perfeitos, portanto seus feitos nada tinham de milagrosos, eram antes fruto de seu incomensurável conhecimento adquirido em milênios de aprendizado. Ele conhece-nos profundamente, sabe de nossas limitações, incertezas, receios e anseios, já esteve onde hoje estamos, portanto habilitado está a nos dirigir, tem ele o absoluto aval da experiência.

Aliás, o grande legado de Jesus à humanidade não foram suas curas e suas proezas no campo material, mas sim suas mensagens de paz e amor, sua palavra de mansuetude aconselhando o perdão como base da libertação, seu exemplo de renúncia em prol do semelhante

Por isso é o mestre, o professor, não o salvador, o milagroso; salvador somos nós mesmos a construir dia a dia nosso destino. (Para maior conhecimento do tema concernente as proezas de Jesus, aconselhamos o leitor a consultar a obra “A Gênese” de Allan Kardec, mais precisamente o capítulo XV – Os Milagres do Evangelho.)

Algo perfeitamente compreensível dentro dos padrões de justiça que regem o universo, porquanto colocam a responsabilidade pela felicidade ou desdita em nossas próprias mãos.

O relacionamento difícil pode se tornar fácil, não por mágica, mas por nosso próprio empenho.

O amor pode ser de conto de fadas, não porque somos almas gêmeas, privilegiadas pelos céus a viver harmoniosamente aqui na Terra, mas porque entendemos a importância do cônjuge ou do (a) namorado (a) em nossa vida.

Essa visão racional, sem devaneios, proporcionada pela Doutrina Espírita, é benéfica a todos, espíritas ou não, porque será desmistificando os acontecimentos existenciais que tomaremos ciência de que somos os construtores da própria felicidade; felicidade esta que independe de magias, milagres ou poções mágicas, dependendo apenas de nossa iniciativa em conquistá-la.

Wellington Balbo
 
 

16 maio 2014

O perigo da idolatria espírita - Eugênia Pickina


O PERIGO DA IDOLATRIA ESPÍRITA

Por enquanto pertencemos a uma época instável e compomos, no geral, uma sociedade instável. Porém, ser moderno não é apenas estar vivendo atualmente (2013), mas também procurar compreender o que denuncia nosso Zeitgeist, ou seja, tentar discernir os ecos do plano invisível que guiam os padrões do existir no plano visível – e, portanto, os comportamentos sociais não são apenas “eventos externos”, eventos da esfera privado-público, mas também “internos” e como ocorrências ou fatos da alma.

Por isso somos obrigados a tornar conscientes motivos e/ou convicções que no geral estão a orientar nossas vidas para que possamos viver “menos” às cegas, mais conscientes em relação a nós mesmos, nossos deveres, tarefas, compromissos e para que não sejamos escravos da biografia alheia.

É fato que as pessoas na Antiguidade tinham por hábito cultuar deuses. Não sem razão, Jung perguntou para onde foram os deuses depois que deixaram o Olimpo, e ele mesmo adivinhou que tinham ido para o plexo solar. Mais tarde, quando os homens descartaram as catedrais medievais – e o culto a reis e papas –, o mesmo Jung escreveu numa carta que eles, os ocidentais,despencaram no abismo do Si-mesmo.

Em consequência, embora a diversidade de facetas da experiência moderna, uma há que chama a atenção, porquanto hoje (como no passado) os homens estão a cultuar deuses, mas estes agora estão metamorfoseados de líderes políticos, atores, jogadores de futebol, celebridades em geral e, no contexto espírita, celebridades espíritas!

Sem alarde, sabemos, através de estudos e pesquisas sérias, que grande parte da população mundial sofre nos tempos de agora, em maior ou menor grau, da síndrome do culto à personalidade. Além disso, os adolescentes, insinuam os estudos dedicados ao tema, são os mais suscetíveis ao transtorno. Mas particularmente observo muitos adultos preocupados com o ídolo...

Compreendo o respeito que se tenha a pessoas pela admiração que elas nos provocam quando realizam (e/ou realizaram) ações (obras) que nos afetam ou cativam em profundidade por qualquer razão ou motivo sensato. É humano e um belo tributo à pessoa, que terá seu nome inscrito na história de um povo, de uma comunidade, e, no nosso caso, nos registros espíritas...

Mas a meu ver isso basta. A idolatria não dá certo.

Cada um de nós pode, de tempos em tempos, regredir através de um padrão que polariza uma pessoa (no caso uma personalidade pública), tornando-se prisioneiro da arte de idolatrar.

E o mínimo então que temos a fazer diante do risco das grandes forças regressivas dentro de nós, muito ligadas talvez ao antigo hábito de idolatrar ‘deuses ou bezerro de ouro’, é procurar retomar a consciência e se ater à prudente observação do poeta persa Rumi: “cada homem veio ao mundo para realizar um trabalho particular e esse é o seu propósito”. Quer dizer, mesmo “ele” [o ídolo] está fadado à realização de um trabalho particular e é um ser humano como qualquer outro.

Assim somos gratos a Francisco Cândido Xavier por sua fecunda mediunidade dedicada aos livros, por seus exemplos de consolo, caridade e humildade. Igualmente, sem olvidar que, segundo o próprio Jung, a coisa mais desastrosa sobre o inconsciente é que ele é inconsciente, somos gratos aos livros que alargaram nosso entendimento sobre o mundo interior, rigorosamente escritos pelo competente Espírito Joanna de Ângelis, e através da mediunidade de Divaldo Franco, cuja obra de assistência e de divulgação do Espiritismo pelo mundo é vasta e por si mesma denuncia o belo “trabalho particular” desse homem, trabalhador de Jesus.

Mas condutas que, no meio espírita, extrapolem o justo reconhecimento aos trabalhadores espíritas, infelizmente fazem aliança com o equívoco da idolatria. E creio que nenhum trabalhador espírita sério e mesmo Divaldo Franco mereçam ser alvos disso. Com ênfase, muito menos Divaldo Franco (1) e no instante do seu crepúsculo... Tenho certeza de que ele, se pudesse, apenas pediria para ser reconhecido como um trabalhador que de forma luminosa completou sua tarefa e que honra a Obra de Jesus.

Então, espíritas, por que dar vazão à síndrome do culto à personalidade e, em consequência, a esses excessos que observamos na mídia espírita, quando há registros de reportagens ou escritos de qualquer natureza carregados de expressões superlativas e/ou adulações? A discrição e humildade são sempre sinais de maturidade espiritual e essenciais para um existir equilibrado.

Como aprendizes da desistência da necessidade egoica de identificação/comparação, isto é, a atitude de estar ligado àquele que não sou,mas do qual dependo para ser quem sou, o culto à personalidade é sempre algo que urge ser retificado e evitado, principalmente no contexto espírita (e aqui me refiro especialmente aos responsáveis pela imprensa espírita), pois somos convocados a procurar nos precaver contra maneiras vicárias de viver.

Sabemos que Jesus é o modelo de todas as virtudes. E quando em sua passagem se reconheceu Mestre (Professor), recusou o qualificativo de bom, afirmando que somente o Pai merecia esse adjetivo. Uma clara prova de humildade e também uma atitude veementemente pedagógica contra o culto à personalidade.

Por fim, em julho deste ano, Papa Francisco pediu a remoção de uma estátua que o retrata, e que fora colocada nos jardins da Catedral Metropolitana de Buenos Aires. Ele, segundo o jornal Clarín, pediu a um padre da capital argentina: “tirem a minha estátua de Buenos Aires, sou contrário ao culto à personalidade”.

Assim como o Deus espírita não é um ídolo, “mas aquela realidade que, como dizia Descartes, está na consciência do homem como a marca do artista na sua obra” (Herculano Pires), tratemos pessoas e trabalhadores espíritas (2) como nossos irmãos (alguns mais experientes e, por isso, bem-sucedidos em suas tarefas e projetos), mas não como ídolos; afinal, o único modelo, e para todos nós, é Jesus, nosso Mestre e irmão mais velho, como bem esclareceu Francisco de Assis.

NOTAS:

(1) E que fique claro o objetivo deste escrito: o problema não é “Divaldo Franco”, trabalhador honesto e autor de uma obra dedicada à causa do Cristo bela e decente, mas sim os “divaldianos”. Meus professores diziam sempre que o problema dificilmente reside no “autor da obra”, mas no geral o “fator de complicação” está nos seguidores (pensemos aqui em Marx e os marxistas; em Kant e os kantianos; em Lacan e os lacanianos etc.). Com exceções, é claro, muitos seguidores correm o risco do fanatismo. E isso diz respeito também a uma das facetas da idolatria, e que pode mascarar-se como ideologia etc.

(2) O culto à personalidade espírita é um desserviço à divulgação da Doutrina, especialmente com o advento da Internet e mesmo das redes sociais. Poderíamos então evitar cultuar espíritas, estejam eles vivos ou mortos (vida além da vida). Senão corremos o risco, principalmente no Brasil, de observamos um “Espiritismo” polarizado nas figuras de “Chico e Divaldo” e isso não é saudável, pois muitos outros contribuíram e contribuem para a difusão desta Doutrina luminosa. E penso que nós temos o dever de analisar as coisas de maneira serena e compreensiva, mas é preciso dar nosso testemunho sempre. E o Espiritismo, como uma Doutrina evolutiva, não pode por ingenuidade/imaturidade anuir com a idolatria. Fiquemos, pois, com um só Modelo: Jesus. 

Eugênia Pickina

15 maio 2014

Odiar é Enfermar!


ODIAR É ENFERMAR

Mas todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” - Tiago, 1:19 (1)

Embora não demonstrando claramente a intenção de mágoa, muita gente, diante do mal que recebe de outrem, aguarda silenciosamente a oportunidade de desforrar-se e, enquanto não executam os planos devidamente arquitetados, armazenam e convivem internamente com os tóxicos perniciosos e doentios que ela transmite aos seus portadores, muitas das vezes por tanto tempo, que não se dão conta de que estão enfermos da mente, perturbada, com a ansiedade de vingança.

Está comprovada cientificamente que os desregramentos seja de que ordem forem conduzem os homens ao despenhadeiro dos processos doentios, causando o enfraquecimento do sistema de autodefesa do organismo humano, levando a criatura também ao enfraquecimento dos valores morais e causando-lhe sérias perturbações psíquicas, que podem levá-la até mesmo à morte física.

Dessa forma, é prudente e aconselhável todo o cuidado e atenção para não deixar que os processos venenosos do ódio entorpeçam nosso discernimento, invadindo os recessos de nossa alma, incendiando-a com a chama maléfica da vingança destrutiva e condenável em todos os seus aspectos, pois, se não for logo detectada, tornar-se-á insaciável prejudicando primeiramente aquele que a cultiva.

Com todo o seu poder de contágio, o ódio comanda as emoções descontroladas, prejudicando completamente o discernimento e a razão da vítima de seus efeitos maléficos, e, mais, tem o poder de se alastrar como uma doença contagiosa, produzindo milhões de desgraças em todas as partes do globo terrestre.

Por ser o homem ainda portador de farta bagagem de natureza primitiva, onde acumulou as práticas de atitudes inadequadas para a sua atual situação de homem “civilizado”, todos estamos sujeitos, dessa forma, a quedas lamentáveis nas teias do ódio, o que nos torna carentes de muita vigilância e oração.

“Certo, o caminho humano oferece, diariamente, variados motivos à ação enérgica; entretanto, sempre que possível, é útil adiar a expressão colérica para o dia seguinte, porquanto, por vezes, surge a ocasião de exame mais sensato e a razão da ira desaparece.” (2)

Assim sendo, necessário se faz toda atenção às nascentes do coração, de onde brotam nossos sentimentos, procurando evitar a todo custos os perigosos processos da animosidade, que nascem das discordâncias de algum ponto de vista de alguém em contraposição aos nossos, e geram as pequeninas discussões que devem ser bem esclarecidas de forma séria e respeitosa, a fim de se evitar as tolas querelas desnecessárias e condenáveis, que podem levar até mesmo às agressões verbais ou físicas, de conseqüências imprevisíveis.

Em qualquer situação, é conveniente manter sempre uma atitude equilibrada e pacífica, até mesmo quando provocado, evitando o revide, não se deixando envolver pelas vibrações de baixo teor moral, que só serviriam para fortalecer o mal com energia equivalente, colocando mais combustível na tocha já acesa.

“(...) É que toda palavra ofensiva exprime um sentimento contrário à lei do amor e da caridade que deve presidir às relações entre os homens e manter entre eles a concórdia e a união; é que constitui um golpe desferido na benevolência recíproca e na fraternidade que entretém o ódio e a animosidade; é' enfim, que, depois da humildade para com Deus, a caridade para com o próximo é a lei primeira de todo cristão.” (3)

Diante de uma situação embaraçosa, se soubermos nos utilizar da força magnética do amor, mantendo-nos em equilíbrio, poderemos até mesmo transformar o inimigo de hoje em companheiro de amanhã.

Que o mestre de Nazaré nos guarde em sua doce paz. 

Francisco Rebouças

Bibliografia:
(1) Epístola de Tiago, 1:19.
(2) Xavier, Francisco Cândido - Caminho Verdade e Vida, FEB, 1ª edição especial, cap. 77.
(3) Kardec, Allan – E.S.E. – FEB, 112ª edição, cap. IX, item 4.


14 maio 2014

Renovadas Esperanças - Divaldo P.Franco


RENOVADAS ESPERANÇAS

A esperança esvanecia-se nos corações aflitos e nas vidas sobrecarregadas pelas injunções penosas, sendo substituída lentamente pela amargura e pelo desencanto.

Mais uma vez a opressão asfixiava Israel, reduzindo o seu povo à situação de hilota, sob a poderosa força das legiões romanas.

O governo, tão imoral quão perverso de Herodes, o Grande, espalhava o terror por todo o país, embora subserviente ao imperador desde quando o Senado romano nomeou-o como Rei dos judeus.

Jerusalém era um covil de criminosos a soldo da impunidade, desde que protegidos pelo Sinédrio ou pelo déspota, que passaria à História como um dos mais perversos do seu tempo.

O silêncio das revelações que se prolongava por alguns séculos demonstrava a decadência moral que dominava o reino sob severas provações.

De um lado, a Torre Antônia vigiava os passos de todos quantos se movimentavam na velha urbe, e, do outro, o suntuoso Templo, no qual os serviços religiosos perderam totalmente o significado espiritual, substituído pelo comércio de toda ordem, dominavam as consciências e sufocavam as parcas esperanças de melhores dias.

A traição, as calúnias, a bajulação disputavam soberania nos palácios do Sumo sacerdote e do cruel dominador, enquanto Roma vigiava-os com rigor, sempre pronta a interferir nas tricas intermináveis entre os rabinos ambiciosos, assim como entre as castas dos fariseus, saduceus, publicanos e proletários reduzidos à quase miséria total.

A justiça cedera lugar à astúcia e à perversidade em campeonato de insensibilidade moral e emocional.

A pessoa humana valia quase menos que uma animália.

Ao mesmo tempo, a ignorância em torno do sentido existencial e da busca moral de evolução predominava em toda parte.

Os fraudadores, os agiotas e os mercadores mantinham as suas bancas e os animais para o sacrifício no santuário, que deveria ser dedicado aos objetivos do espírito, sem qualquer consideração pela dignidade.

A preocupação dos fariseus com as fórmulas e a aparência exterior, em terrível hipocrisia, assustava as massas em desgoverno emocional.

O formalismo substituía a legitimidade dos sentimentos, e os rabinos aproveitavam-se da situação para o enriquecimento ilícito e o luxo exorbitante, em detrimento dos sofredores e miseráveis que enxameavam as cidades, especialmente Jerusalém.

*

Foi nesse clima histórico de hediondez que nasceu Jesus numa noite estrelada, após deixar o sólio do Altíssimo.

Esse acontecimento sublime dividiu os fastos históricos da Humanidade e nunca mais a desfaçatez, a insensibilidade emocional e a dureza dos corações encontrariam apoio na sociedade, embora ainda permaneçam, em predominância.

Ele veio traçar a linha divisória entre a verdade e a mentira, o poder político e o espiritual, o amor e a misericórdia em lugar da astúcia e da selvageria... Suave e nobre como uma réstia, que diminuiu a escuridão aparvalhante, Ele inaugurou o período da fraternidade sem jaça, do trabalho honorável, da imaculada justiça sob a proteção do amor até a abnegação e o sacrifício.

Jamais a Humanidade conheceu alguém do porte de Jesus.

Nunca houve alguém à Sua semelhança, que vivenciasse todos os postulados que enunciava, amparando e convivendo com aqueles que eram considerados excluídos, pelo simples fato de serem infelizes.

Ele abriu os braços e envolveu os desventurados em doce amplexo de ternura incomum, atendendo as criancinhas ingênuas, os enfermos desditosos, as mulheres equivocadas e todos aqueles que tinham fome e sede de justiça e de misericórdia.

Por isso, a Sua é a vida mais bela e grandiosa que passou pela Terra, deixando pegadas luminosas, a fim de que, através dos séculos, os transviados pudessem identificar o caminho que os pode conduzir com segurança à meta anelada, que é a plenitude, o Reino de Deus no próprio coração.

Ao escolher um monte nas cercanias do mar da Galileia como cenário de beleza ímpar, ele cantou as Bem-aventuranças, o mais perfeito código de ética moral e de comportamento que prossegue ressoando através dos últimos dois milênios nas mentes e nos sentimentos humanos.

Quem reflexione sinceramente no seu conteúdo, nunca mais voltará às paisagens ermas e terríveis do egoísmo, da insensatez, da indiferença pelos valores elevados da existência.

Suas mãos cariciosas dedicaram-se a limpar os leprosos, a abrir os olhos aos cegos, a descerrar os ouvidos dos moucos, a restituir movimentos aos paralisados, mas sobretudo a guiar como pastor dedicado o rebanho pela trilha de segurança, fazendo-se, Ele próprio, o Caminho para a Verdade e para a Vida.

A Sua voz canora narrou as extraordinárias parábolas, sintetizando todas as necessidades humanas e as soluções nessas narrativas fecundas e inolvidáveis, hoje transformadas em recursos psicoterapêuticos para os depressivos, os atormentados, os perdidos no país de si mesmos.

Nunca mais se ouviria o canto nem o encanto desse Homem incomparável que se negou a ser rei dos judeus, por ser o Senhor das estrelas...

*

Lembra-te de Jesus na celebração do Natal, evocando-Lhe a vida incomum, o amor inefável de que se fez portador, aplicando na conduta as lições insuperáveis que legou à Humanidade.

Não te deixes perturbar pelos ruídos das propagandas da ilusão, mantendo o silêncio interno e a visão clara para identificar os necessitados aos quais Ele denominou como Filhos do Calvário, e sendo-te possível, em memória Dele atenua-lhes as dificuldades e os padecimentos atrozes que os vergastam.

Permanece vigilante, a fim de que neste Natal Jesus deixe de ser confundido com o mercado dos presentes e retorne ao convívio do povo como a esperança de felicidade que se converte em realidade.


Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na noite de 14 de outubro de 2013, na Mansão do Caminho, em Salvador, Bahia.

Nota: A mensagem no site www.divaldofranco.com.br, está sem identificar a autoria espiritual. 


13 maio 2014

Pequeno Detalhes - Momento Espírita


PEQUENO DETALHES

Você já se deu conta de que poucos de nós temos a preocupação em avaliar os detalhes da vida?

Preocupamo-nos com grandes ações, momentos de grande impacto, situações decisivas.

Marca-nos a emoção e a memória quando recebemos um presente significativo, quando algo surpreendente nos ocorre, ou quando alguém faz um grande gesto a nosso favor.

Nada mais natural que isso ocorra, pois existem situações e momentos que, efetivamente, fazem a diferença em nossa existência.

Como esquecer quando alguém nos estende a mão em um momento difícil ou quando um fato marcante ocorre em nossa vida?

Porém, frequentemente, nos passam despercebidos pequenos detalhes, que parecem simples ou de menor importância.

Quantas vezes nos chama a atenção a gentileza de alguém que nos cede a vez, nos dá a passagem quando estamos dirigindo?

Porém, se alguém é grosseiro quando estamos no trânsito, somos capazes de ficar o dia todo transtornados, de mudar de humor, de nos perturbarmos.

Chegamos em casa reclamando da falta de educação, da pouca cidadania das pessoas, contaminando a todos com nossa indignação.

Contudo, quando nos deparamos com alguém gentil e educado, poucos, ou quase nenhum comentário fazemos.

Qual a nossa reação quando alguém nos sorri generosamente, quando nos atende com gentileza, em uma loja, em uma repartição pública?

A nossa pressa, a loucura em que nos envolvemos no cotidiano, poucas vezes permite que nos contagiemos com tal delicadeza e alegria.

Entretanto, basta uma situação com alguém rude, agindo com má vontade ou indiferença para que isso se torne um divisor de águas em nosso dia. E carregamos a perturbação ao longo das horas.

Nossa experiência terrena é rica em possibilidades e vivências.

E a convivência humana, a vida de relação, é das oportunidades mais significativas e enriquecedoras que nossa encarnação pode nos oferecer.

Nesse relacionamento social em que todos estamos envolvidos, cada um de nós oferece aquilo de que já consegue dispor.

Não se pode exigir da criança os conhecimentos avançados das ciências ou das artes.

Da mesma forma, ainda são muitos aqueles com os quais convivemos que não possuem senão poucos tesouros a oferecer.

Ainda guardam na intimidade pedras brutas aguardando o devido burilamento, que só a maturidade e a vivência possibilitam, a fim de que se tornem joias de real valor.

Portanto, não tenhamos a ilusão de que na vida sempre encontraremos pessoas dispostas a oferecer gentileza, compreensão, bondade e tolerância.

Mas, quando isso ocorrer, quando a vida nos proporcionar esses pequenos presentes, que possamos valorizar, guardá-los na lembrança, e revivê-los em nossas conversas e comentários.

Quanto aos demais, aqueles que apenas conseguem oferecer as pedras brutas de que ainda são portadores, que os tenhamos como professores.

Afinal, serão eles os que nos darão a oportunidade de despertar e desenvolver em nós a compreensão, a tolerância e a paciência, virtudes que ainda teimam em não participar da nossa personalidade.

Pensemos nisso e atentemos mais para os pequenos e preciosos detalhes, com eles enriquecendo as nossas horas.

Redação do Momento Espírita


12 maio 2014

A Alegria Absoluta - Joanna de Ângelis



A ALEGRIA ABSOLUTA


Todos os seres humanos buscam infatigavelmente a alegria perfeita.

São inúmeros os conceitos em torno do fenômeno interior do júbilo em plenitude, quase sempre aureolado de sensações.

São Francisco de Assis teve a coragem de apresentá-la de maneira muito especial, como somente ele poderia fazê-lo, experienciando-a.

Em ditosa oportunidade, enquanto caminhava com o Irmão Leão entre Perugia e Santa Maria dos Anjos, em pleno inverno, padecendo penúrias incontáveis, foi tomado de arrebatamento e, sorrindo eufórico, disse:

Irmão Leão, mesmo que nossos irmãos em todo e qualquer lugar ofereçam um especial exemplo de santidade e de devoção, recorda e escreve no teu coração e no teu espírito, que isso não representa a alegria absoluta.

Logo depois, vencendo o trecho do caminho e ainda em plena exaltação, voltou a afirmar:

Oh! Irmão Leão. Se nossos irmãos puderem curar os cegos, expulsarem demônios, fizerem que mesmo os surdos ouçam, que os paralíticos caminhem e os mudos falem, e mesmo que logrem ressuscitar os mortos depois de quatro dias, escreve, Irmão, que tudo isso não seria razão para a alegria absoluta.

E, continuando a marcha, afirmou com valor e coragem:

Oh! Irmão Leão. Se os irmãos menores possuíssem o dom das línguas e das ciências, e que se encontrassem em condições de profetizar, podendo revelar não apenas as questões do futuro, mas também os segredos do coração da mente, escreve que também essa conquista não representaria a alegria absoluta.

Mais à frente exclamou, emocionado:

Oh! Irmão Leão, cordeirinho de Deus, até mesmo se falassem a linguagem dos anjos e conhecessem a música das estrelas e as forças das plantas, se todos os tesouros do mundo lhes fossem revelados e contassem com a energia dos pássaros e dos peixes, assim como dos outros animais e pessoas, as árvores e os minerais, as raízes e as águas, escreve que todas essas conquistas não seriam a alegria absoluta.

E, por fim, novamente expôs:

Oh! Irmão Leão. Se nossos irmãos pregassem e conseguissem converter os não crentes, escreve que ainda essa maravilhosa honra não constitui a alegria absoluta.

Ante o seu silêncio, o Irmão Leão perguntou-lhe, realmente surpreso:

Querido Pai, rogo-te pelo amor de Deus que me digas o que é a alegria absoluta.

O santo, ainda emocionado, replicou:

Oh! Irmão Leão. Estamos viajando a Santa Maria, molhados totalmente pela chuva e magoados pelo frio, cobertos de musgos e mortos de fome e, ao chegar, chamaremos à porta e o guarda nos perguntará aborrecido:

“Vocês quem são?”

Nós responderemos que somos dois irmãos dele. Mas ele, então, ainda mais aborrecido, voltará a afirmar:

“O que vocês dizem é mentira, são dois vagabundos que andam por aí enganando o mundo, furtando as esmolas dos pobres. Saiam daqui!”

E não nos abrindo a porta e não nos deixando entrar, a neve e a chuva, a fome e a noite gelada ameaçadora e nós toleremos com paciência semelhante injustiça e maus tratos, sem nos aborrecermos, e quando concluamos que o guarda tem razão e reconhecer que não somos dignos e que é Deus quem o manda falar dessa maneira, oh! Irmão Leão, escreve que essa é a alegria absoluta! Ouve ainda, que mais elevado do que todos os dons e bênçãos que o espírito de Jesus Cristo concede aos seus, encontra-se este: o de cada qual superar-se a si mesmo e, por amor ao Excelso Benfeitor, tolerar jovial e gostosamente o castigo, a injúria e o sofrimento.

* * *

Oportunamente, numa das suas viagens, ao desabrigo e sofrimento, chegou a um dos monastérios dos Menores e solicitou albergue durante a noite gelada, havendo sido considerado vagabundo e ladrão, ameaçado de uma surra, tendo a porta pesada sido fechada em sua face...

Sem reclamar nem justificar-se ou fazer-se identificar, por amor ao Nazareno que não tinha uma pedra para reclinar a cabeça, afastou-se louvando-O e bendizendo-O.

Essa opção pelos valores transcendentes dele fez o mais fiel seguidor de Jesus.

* * *

Numa reflexão psicológica moderna, pode-se dizer que o nobre Francisco, muito bem chamado o Pobrezinho de Deus, na sua inocência e submissão à vontade divina, exagerava no comportamento, tendo em vista a atitude que violenta o bom senso e a razão, apresentando sintomas graves de masoquismo, de distúrbio de comportamento.

A visão cristã do sofrimento, porém, difere muito da convencional do prazer, da alegria, da felicidade.

Perseguido, mas não perseguidor, maltratado, porém, nunca maltratando, incompreendido, sem revidar, compreendendo sempre, é a forma de anular a dominação do ego e iniciar a superação da sombra do Self, para alcançar o estado numinoso, a plenitude, a alegria absoluta...

Essa alegria que ele vivenciou até o momento da libertação, dele fez o herói que dilui a sombra e alcança a perfeita identificação do eixo ego-Self.

Se experimentares mudar o rumo das tuas reflexões, pensando na conquista da alegria absoluta, compreenderás que o Pobrezinho tem razão.


Joanna de Ângelis

Psicografia do médium Divaldo Pereira Franco, na manhã de 17 de fevereiro de 2014, na Mansão do Caminho, em Salvador, Bahia.

11 maio 2014

Ah, essas Mães - Momento Espírita



AH, ESSAS MÃES


Quando nos vem à mente uma figura de mãe, sempre surge acompanhada de um misto de divino e humano.

É muito rara a pessoa que não se comova diante da lembrança de sua mãe.

Meninos que abandonaram o lar por motivos variados e vivem nas ruas, quando evocam suas mães, uma onda de ternura lhes invade o ser.

Por que será que as mães são essas criaturas tão especiais?

Talvez seja porque elas têm o dom da renúncia...

Uma mãe consegue abrir mão de seus interesses para atender esse serzinho indefeso e carente que carrega nos braços.

Mas as mães também têm outras características muito especiais.

Um coração de mãe é compassivo. A mãe sempre encontra um jeito de socorrer seu filho, mesmo quando a vigilância do pai é intensa.

Ela alivia o castigo, esconde as traquinagens, defende, protege, arruma uns trocos a mais.

Sim, uma mãe sempre tem algum dinheiro guardado, mesmo convivendo com extrema necessidade, quando se trata de socorrer um filho.

Mães são excelentes guarda-costas. Estão sempre alertas para defender seu filho do coleguinha terrorista, que quer puxar seu cabelo ou obrigá-lo a emprestar seu brinquedo predileto...

Quando a criança tem um pesadelo no meio da noite e o medo apavora, é a mãe que corre para acudir.

As mães são um pouco fadas, pois um abraço seu cura qualquer sofrimento e seu beijo é um santo remédio contra a dor...

Para os filhos, mesmo crescidos, a oração de mãe continua tendo o poder de remover qualquer dificuldade, resolver qualquer problema, afastar qualquer mal.

No entender dos filhos, as mães têm ligação direta com Deus, pois tudo o que elas pedem, Deus atende.

O respeito às mães perdura até nos lugares de onde a esperança fugiu.

Onde a polícia não entra, as mães têm livre acesso, ainda que seja para puxar a orelha do filho que se desviou do caminho reto.

Até o filho bandido respeita sua mãe, e lhe reverencia a imagem quando ela já viajou para o outro lado da vida.

Existem mães que são verdadeiras escultoras. Sabem retirar da pedra bruta que lhe chega aos braços a mais perfeita escultura, trabalhando com o cinzel do amor e o cadinho da ternura.

Ah, essas mães!

Ao mesmo tempo em que têm algo de fadas, também têm algo de bruxas...

Elas adivinham coisas a respeito de seus filhos, que eles desejam esconder de si mesmos.

Sabem quando querem fugir dos compromissos, inventam desculpas e tentam enganar com suas falsas histórias...

É que os filhos se esquecem de que viveram nove meses no ventre de suas mães, e por isso elas os conhecem tão bem.

Ah, essas mães!

Mães são essas criaturas especiais, que Deus dotou com um pouco de cada virtude, para atender as criaturas, não menos especiais, que são as crianças.

As mães adivinham que a sua missão é a mais importante da face da Terra, pois é em seus braços que Deus deposita Suas jóias, para que fiquem ainda mais brilhantes.

Talvez seja por essa razão que Deus dotou as mães com sensibilidade e valentia, coragem e resignação, renúncia e ousadia, afeto e firmeza.

Todas essas são forças para que cumpram a grande missão de ser mãe.

E ser mãe significa ser cocriadora com Deus, e ter a oportunidade de construir um mundo melhor com essas pedras preciosas chamadas filhos...


Redação do Momento Espírita




10 maio 2014

Palavras às Mães - Emmanuel



PALAVRAS ÀS MÃES


Se o Senhor te concedeu filhos ao coração de mulher, por mais difícil se te faça o caminho terrestre, não largues os pequeninos à ventania das adversidades.

É possível que o companheiro haja desertado das obrigações que ele próprio aceitou, bandeando-se para a fuga sob a compulsão de enganos, dos quais um dia se desvencilhará. 

Não lhe condenes, porém a atitude. Abençoa-o e, quando possível, ampara os filhos inexperientes que te ficaram nos braços fatigados de espera. 

Quem poderá, no mundo, calcular a extensão das forças negativas que assediam, muitas vezes, a criatura enfrascada no corpo físico, induzindo-a a transitório esquecimento dos encargos que abraçou? Quem conseguirá, na Terra, medir a resistência espiritual da pessoa empenhada ao resgate complexo de compromissos múltiplos a lhe remanescerem das existências passadas? 

Se foste sentenciada à indiferença e, em muitas ocasiões, até mesmo à estremada penúria, ao lado de pequeninos a te solicitarem proteção e carinho, permanece com eles e, o trabalho por escudo de segurança e tranqüilidade, conserva a certeza de que o Senhor te proverá com todos os recursos indispensáveis à precisa sustentação. 

Natural preserves a própria independência e que não transformes a maternidade em cativeiro no qual te desequilibres ou em que venhas a desequilibrar os entes amados, através de apego doentio. Mas enquanto os filhos ainda crianças te pedirem apoio e ternura, de modo a se garantirem na própria formação da qual consigam partir em demanda ao mar alto da experiência, dispensando-te a cobertura imediata, auxilia-os, quanto puderes, ainda mesmo a preço de sacrifício, a fim de que marchem, dentro da segurança necessária, para as tarefas a que se destinam.

Teus filhos pequeninos!... Recorda que as Leis da Vida aguardam do homem a execução dos deveres paternais que haja assumido diante de ti; entretanto, se és mãe, não olvides que a Providência Divina, com relação ao homem, no que se reporta a conhecimento e convívio, determinou que os filhos pequeninos te fossem confiados nove meses antes.


Livro: "Na Era do Espírito"
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier
Fonte: CACEF

09 maio 2014

Almas Viajantes - Paulo Roberto Gaefke


ALMAS VIAJANTES

Somos almas viajantes, cruzando o tempo e a distância entre aquilo que desejamos ser e o que realmente somos.

Como na escola da vida, ainda no jardim da infância.

Representando papéis diferentes a cada nova jornada.

Etapas que vamos cumprindo com erros e acertos, acumulando dívidas e bençãos em nossa caminhada.

As dívidas resgatamos com suor,lágrimas e por vezes muita dor.

As bençãos são os lenitivos.

Fecha cicatrizes, cura feridas.

São decorrentes do amor que exercemos,seja no amparo aos irmãos caídos, seja no nosso próprio mover,no caminhar em direção a Luz.

Alma querida!

Se a dor lhe visita constantemente, aprende que, somente o amor incondicional pode libertar.

O abençoar o pão e o dia,o resgatar do aflito, o dividir do pão que por vezes já é tão pequeno.

O amor pede passagem na sua vida.

Abra as janelas do seu coração e se livre do ranço do tempo:-
- perdoe,
- ampare,
- não julgue,
- não calunie,
- não atire a pedra que está na mão.

Antes, livre-se das velhas roupas, como Francisco de Assis, dispa-se do mundo.

Fique com a simplicidade da vida, que lhe sorri como quem abraça.

E Deus, Pai de infinita misericórdia, cobrirá a sua vida com paz e Graça.

Fruto do seu esforço no caminho do bem, ainda que sem acreditar em nada e em ninguém, soube seguir no caminho da retidão, soube estender a mão,praticou o Evangelho Vivo, sem nunca tê-lo lido.

Somos almas viajantes em busca de um porto seguro, onde possamos ancorar nossos barcos envelhecidos, remoçados pela certeza, para vivermos a eternidade dos dias, em harmonia com a Natureza, fonte de toda a beleza.

Que assim seja.

Paulo Roberto Gaefke


08 maio 2014

A Educação Sexual na Visão Espírita - Dora Incontri



A EDUCAÇÃO SEXUAL NA VISÃO ESPÍRITA


A educação sexual aparece necessariamente relacionada à Educação moral, porque, ao contrário do que muitos pensam e praticam atualmente, ela não deve se constituir meramente de lições de anatomia e de prazer sensorial. À prática do sexo, está associada sua responsabilidade moral indispensável. É claro que, como em todos os outros campos, a canalização positiva do sexo deve em primeiro lugar partir do exemplo de pais e ou educadores. Em segundo, o assunto deve ser objeto de conversação aberta, mas dentro de um clima de responsabilidade. Nem tabu, nem deboche são próprios para o diálogo entre educador e educando sobre essa questão. Naturalidade, oportunidade, respeito e elevação são os ingredientes necessários.

É nesse ponto, que a Psicologia moderna atinge a sua máxima problemática em neutralidade moral. A maioria dos profissionais dessa área, e que exercem grande influência sobre a opinião pública, consideram o sexo como meramente fonte de prazer, admitindo como normais toda e qualquer prática, inclusive marturbação, homossexualismo, sexo oral, sexo anal, sexo grupal...

Sabemos o quanto esses temas são polêmicos atualmente, mesmo em ambientes religiosos e até entre espíritas - coisa aliás difícil de se entender, porque certos valores morais deveriam estar claros pelo menos para aqueles que têm maior compreensão das Leis Divinas. Entretanto, é preciso esclarecê-los quando se fala em Educação, porque tais problemas muitas vezes aparecem desde a infância.

Sabemos que o sexo é uma energia poderosa, que é melhor canalizada na formação de uma familia, na troca equilibrada entre duas pessoas do sexo oposto que se amam e cujos frutos serão filhos, ou mesmo trabalhos sociais e espirituais. A Lei Natural é a monogamia (e a prova disso é o equilibrio numérico entre os dois sexos no mundo).

A energia sexual, se for gasta apenas no prazer, sem um sentimento de amor, que eleve o seu diapasão, sem responsabilidade moral e uma finalidade nobre, que garanta o equilibrio, pode não só servir de alimento a Espíritos vampirizadores, como gerar profundos desequilibrios naquele que a está desperdiçando e malbaratando.

E, nesse caso, estão a prática da masturbação, do homossexualismo, do sado-masoquismo, do sexo grupal e de todas as formas de anormalidades. Ora, porque muita gente nasce já com tais tendências, alguns estudiosos modernos concluem que elas sejam naturais e que há pessoas, por exemplo, normalmente homossexuais, como há pessoas de olhos verdes e de pele vermelha ou amarela. A reencarnação nos explica que, de fato, tais tendências podem ser inatas, mas nem por isso deixam de contrariar as leis naturais. É que trazemos vícios do passado, assim como trazemos conhecimentos e virtudes. Cabe à Educação proporcionar os meios para o indivíduo vencer suas tendências negativas. Mas o que se faz hoje é justamente incentivar todo e qualquer desequilíbrio, porque se espalham falsas teorias e justificativas que proclamam que tudo é válido e moral.

É bem verdade que se, em todos os campos da vida moral, o indivíduo tem inteira jurisdição sobre si mesmo, seu comportamento sexual é algo ainda mais íntimo. A ninguém compete julgar e condenar o próximo, nesse sentido. Lembremo-nos da inesquecível lição de Jesus: "quem estiver sem pecado, atire a primeira pedra". É por isso também que se iniciou com tanta veemência a defesa dos chamados direitos das minorias, entre os quais se incluem os que praticam o sexo fora dos padrões aceitos pela sociedade. Mas o dever de se tratar um homossexual com respeito humano, não significa que o homossexualismo seja conforme às leis naturais.

Aliás, não só o homossexualismo é um desvio dessas leis; a heterossexualidade pode apresentar muitos outros tipos de desequilibrios. Mas a pretexto de tolerância e benevolência para com todos, não se pode deixar de reconhecer o que é certo ou o que é errado, o que é normal ou não, o que é elevado, bom e nobre e o que é rasteiro, grosseiro e vil.

Para uma Educação sexual saudável, além do exemplo e do diálogo, pressupõe-se que sejam estimulados no educando os seguintes valores:

1 - A Higiene Física e Mental. Trata-se de respeito pelo próprio corpo, o cuidado com a saúde, com a higiene e também a consciência de que o corpo é um templo do Espírito, no qual cada um deve trabalhar pelo seu progresso moral e não reduzí-lo a uma fonte inesgotável de prazer físico. A higiene mental implica na elevação de pensamento e por isso todo aquele que se alimenta mentalmente de imagens e propósitos saudáveis, equilibrados e bons, atrai para si afinidades nesse sentido e fugirá das atrações do abismo, que podem vir de fora ou nascer de dentro.

2 - O Respeito pelo Sentimento Alheio. Quando o educando aprendeu e viu desde cedo a prática,do respeito mútuo, o interesse pelo bem-estar do outro e o amor presidindo todas as ações, dificilmente será na fase adulta um gozador irresponsável, indiferente às consequência de suas relações afetivas.

3 - O Autodomínio. Também aquele que se viu desde cedo estimulado a controlar seus desejos, que não vê seus mínimos caprichos atendidos e cultiva a autodisciplina (que não é a mesma coisa que a disciplina imposta por outros, e sim uma disciplina despertada pela influência dos educadores, mas que cada um vai exercer dentro de si), já na adolescência saberá controlar seus desejos e orientar seus impulsos.

"A Educação segundo o Espiritismo" - Edições FEESP - Autora: Dora Incontri - Pós-doutoranda em História e Filosofia da Educação pela Universidade de São Paulo.