Total de visualizações de página

18 outubro 2018

Alguns parcos vinténs - Kelvin Van Dine




ALGUNS PARCOS VINTÉNS


A alma não se alimenta de filé, não se veste pelos figurinos de passarela, não se maquila, nem tem registro de nascimento nos cartórios humanos.

Fora das realizações de consequências nobilitantes e duradouras, todas as cogitações da criatura mostram-se insatisfatórias.

Dinheiro, beleza física, popularidade, poder, juventude, força ou dominação social não comunicam nenhum descanso de espírito referente ao amanhã.

Dinheiro exige carteira para guardá-lo, apetrecho que a alma não carrega.

Toda beleza exterior se desfaz com sol e chuva.

Em qualquer setor ou lugar, a popularidade se esfuma de um mês para outro.

Poder terrestre exprime simples reflexo de contingências instáveis.

A cada dia a juventude se desmancha.

Força, por mais se suponha vitoriosa, exprime processo de violência.

Brilhos mundanos são fulgurações terra-a-terra que vigem até que a moda os apague ao sopro de seus caprichos.

Ocupada unicamente com tais mecanismos superficiais do cotidiano, a pessoa, por maior seja a sua capacidade de iludir-se e atordoar-se, acaba constrangida à frustração pelo auto desperdício.

De tanto baratear-se, acorda como que desmoralizada ao mundo de si mesma. Suicídio moral em que atira fora, sem objetivo, os talentos da vida eterna que carreia e, instintivamente, reconhece possuir.

Atingindo esse ponto, a criatura já conheceu todos os itinerários humanos sem afazer-se a nenhum. Confundida e agitada, a consciência, então, só repousa na paz quando começa a crer racionalmente e a servir na edificação da melhoria comum.

Eis porque se pergunta: onde a maior força da Doutrina Espírita? A resposta fundamental é sempre única: na certeza do futuro de amor e felicidade para onde caminhamos.

Carece o espírito da fé incorruptível que lhe afugente, em definitivo, o medo da morte. Nada melhor que as realidades do Consolador para suscitar essa confiança.

Ponderemos nossas obrigações ante os princípios que manejamos.

Não queira viver só de você. Ninguém, em estado normal, o consegue.

Acima de suas moedas, você dispõe de tesouros muito mais vastos: seus sentimentos. Além de sua autoridade social, uma vantagem maior você possui: sua compreensão da Imortalidade.

Escolha o seu posto de atividade: sustentação do estudo, auxílio à nova geração, exposição de postulados libertadores, distribuição de consolo, socorro aos doentes, recuperação dos obsessos, proteção aos desvalidos, apostolados multiformes que convertem o Espiritismo num parque de construções e de bênçãos.

Não seja avaro de espírito.

Aja sem demora. Produza. Mostre o seu rendimento. Que fez você esta semana na distribuição de, pelo menos, alguns parcos vinténs dessas verdades?


Pelo Espírito de Kelvin Van Dine
Psicografia de Waldo Vieira
Obra:  “Técnica de Viver”


17 outubro 2018

O espírito deseja, o perispírito vibra e o corpo experimenta - Jorge Hessen



O ESPÍRITO DESEJA, O PERISPÍRITO VIBRA E O CORPO EXPERIMENTA


Pesquisadores da divisão de doenças digestivas do Mount Sinai Medical Center, em Nova York, nos Estados Unidos, encontraram um “novo órgão” do corpo humano. A descoberta só foi possível porque eles utilizaram um novo equipamento, uma nova versão do endoscópio, mangueira com uma câmera na ponta que permite analisar o sistema digestivo.

Para Neil Theise, professor em patologia e um dos responsáveis pela pesquisa, existe uma unidade e singularidade de estrutura ou de função do fluido intersticial, que compõe 20% do líquido do corpo. Esse fluido intersticial circunda as partes do corpo que se movem, como a pele ou o pulmão. O pesquisador jamais questiona como o fluido intersticial (densa camada de tecido conjuntivo) sobrevive a tanto estresse sem se romper. Agora se sabe que não são tecidos conectivos densos; eles são distensíveis e compressíveis espaços cheios de fluido. Isso pode inclusive ajudar a explicar como o câncer se espalha pelo corpo”, segundo Theise. [1]

Os espíritas sabem que a nossa carcaça biológica é o espelho do corpo perispiritual. Para que futuramente a ciência avalie melhor a mecânica e a natureza do corpo humano, necessitará estudar mais profundamente a estrutura funcional do perispírito, como matriz gerenciadora das funções do corpo físico. O perispírito não tem sido estudado atualmente por ausência de instrumentos e equipamentos de laboratório mais possantes. A ciência acadêmica ainda está muito distante de conhecer e melhor entender a estrutura de funcionamento do psicossoma.

A nossa realidade mento-espiritual gera o impulso criador que se projeta no corpo perispiritual e, depois, no corpo físico. Em outras palavras: quando o espírito deseja, o psicossoma vibra e o corpo experimenta. Nessa linha de raciocínio concluímos que o processo imunológico, que neutraliza o desenvolvimento de doenças (inclusive o câncer), é resultante do trabalho permanente no bem e na prática da solidariedade, da fraternidade e do perdão irrestrito, atributos estes do espírito imortal.

Alguns embriogenistas atuais “desconfiam” da existência desse princípio e tentam, de alguma forma, comprovar essa desafiadora “matriz gerenciadora” no mecanismo da geração orgânica. Ensinam os benfeitores espirituais que o psicossoma tem função organogênica. Destarte, permite a formação do próprio organismo e funciona em harmonia com os códigos genéticos. Por essa razão, na sua ausência, o processo de fecundação seria uma composição orgânica sem forma definida (amorfa).

O espírito, através do perispírito, “influencia o citoplasma (sede das forças fisiopsicossomáticas), juntamente com as funções endocrínicas, por estar fixado no sistema nervoso central e enraizado intrinsecamente no sangue, sendo o modelador definitivo da célula”. [2]

Sabe-se que se forem colocados fragmentos de tecidos orgânicos da epiderme ou do cérebro numa porção de soro em temperatura ideal, o fragmento acusa uma intensa vida. Depois de algumas horas, os produtos da excreta intoxicam o soro, impedindo, com isso, o desenvolvimento celular. Renovando o soro, as células crescem novamente. Porém, sem o governo mental, através do perispírito, em nada ficam sequer parecidas com as suas irmãs em funções orgânicas. [3]

A nossa realidade mento-espiritual gera o impulso criador que se projeta no corpo psicossomático e, depois, no arcabouço físico. Em outras palavras, quando o espírito quer, o períspirito amolda e o corpo é formado de conformidade com o molde perispiritual.

Jorge Hessen


Referências bibliográficas:


[2] XAVIER, Francisco Cândido & VIEIRA Waldo. Evolução em Dois Mundos, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB, 2002

[3] As células tomam aspectos diferentes conforme a natureza das organizações a que servem e a inteligência, influenciando o citoplasma, obriga as células ao trabalho de que necessita para expressar-se, trabalho este que, à custa de repetições quase infinitas, se torna perfeitamente automático para as unidades celulares que se renovam, de maneira incessante, na execução das tarefas que a vida lhes assinala.


16 outubro 2018

Atitudes - Joanna de Ângelis



ATITUDES



Atitude mantida pelo indivíduo em relação à vida e às demais pessoas é a radiografia moral que melhor o define.

Nascida nos hábitos do comportamento, cada qual expressa os sentimentos e as qualidades que lhe são peculiares.

Certamente, não poucos conseguem dissimular a sua realidade íntima, graças à maleabilidade emocional, mascarando-se para não se permitir identificação por parte dos outros.

Mesmo na usança de tal conduta, sem dar-se conta, desvela a pusilanimidade e a insegurança pessoal, sem a coragem para enfrentar-se e assumir os valores que lhe são pertinentes.

É muito fácil e saudável a exposição do mundo interior, especialmente quando de referência às atitudes gentis e bondosas que contribuem para tornar os relacionamentos duráveis e edificantes.

A feição dura, assinalada pela revolta ou pela amargura, pelo ressentimento ou pela ira, além de embrutecer, desvela o nível primário de evolução em que se estagia.

Por outro lado, a atitude vulgar, irresponsável ou doentia, exterioriza a irreflexão e a imaturidade, em escala de primitivismo emocional.

Todos transitam no mundo experienciando aprendizagem que irá contribuir para a autoiluminação, a autoconsciência.

Os enfrentamentos de qualquer natureza constituem oportunidades preciosas para o amadurecimento espiritual de relevância no processo evolutivo.

Eis aí a providencial finalidade da reencarnação que, além, de ensejar reparações morais diante da Consciência Cósmica, também faculta conquistas imprescindíveis à felicidade.

A atitude decisiva de trabalhar em favor do próximo e do progresso geral, quando é adquirida a responsabilidade que promove o ser interiormente, é conquista significativa.

As atitudes são a chave de segurança para o êxito ou o fracasso em qualquer empreendimento.

As atitudes ressaltam dos atos cultivados, nem sempre felizes, que se incorporam à conduta do indivíduo, passando a caracterizá-lo.

Os hábitos fazem parte do cotidiano de todas as criaturas, dando surgimento, pela repetição, às atitudes perante a vida.

Os hábitos saudáveis conduzem à felicidade, à harmonia, enquanto que aqueles perturbadores respondem pelos desequilíbrios, gerando transtornos emocionais.

Torna-se necessária a atitude positiva em relação aos objetivos elevados, de forma que a sua conduta se transforme em uma agradável maneira de viver.

As atitudes funcionam como reflexos da vida interior podendo ser renovadas, transformadas, trabalhadas pelo Espírito, que é o comandante do corpo.

O pensamento, dessa forma, é convidado a reflexões agradáveis e felizes, de maneira que dê surgimento ao hábito saudável que contribui em favor do crescimento espiritual.

Por hábito, pensa-se mais no negativo, recordando-se dos momentos difíceis, portanto, afligentes, quando seria mais proveitoso evocar-se alegrias, realizações edificantes, a fim de que possa prolongar satisfações e encantamentos pessoais, transformando-se em atitudes agradáveis.

* * *

Cuida com atenção de preservar as atitudes de edificação, aquelas que te apresentam como candidato à perfeição, deixando, à margem, ressentimentos e desconfortos morais, vivenciando sempre os momentos agradáveis e abençoados.

É certo que nem sempre se pode estar sorrindo ou numa atitude jovial. No entanto, pode-se evitar a expressão de mau humor e espalhar dissabores que ressumam do inconsciente assinalado pelo acumular das questões negativas e infelicitadoras.

Não penses que o mundo irá trabalhar-te a evolução, favorecendo-te com a conquista estelar, nem que as demais pessoas poderão fazer aquilo que te está destinado.

Nele encontrarás as oportunidades favoráveis ao teu adiantamento, mas a atitude combativa é tua.

O amor de que te revistas tornará as tuas atitudes de paz e de enternecimento, atraindo para o teu círculo emocional as vibrações favoráveis ao crescimento íntimo, enquanto as reações da mágoa e do ódio, à semelhança de cimitarras, terminam por ferir-te antes que afetem aos demais.

Cultivados os hábitos mentais, conforme as emanações educadas ou não, eles transformam-se em atitudes existenciais que irão fomentar novos comportamentos.

Ilumina a mente com as sublimes lições do Evangelho, enriquece os lábios com palavras edificantes e as tuas serão palavras dignas.

Tudo quanto seja armazenado no pensamento transforma-se em alimento emocional que, de acordo com a qualidade, envenena ou santifica a alma.

Seleciona reflexões e treina atitudes mentais pacíficas, compassivas, misericordiosas, e conseguirás fruir do bem-estar que a retidão proporciona àqueles que se lhe entregam.

As tuas atitudes falam sem palavras a teu respeito, desvelando os recursos de que dispões nos cofres do coração.

Exercita a coragem de ser verdadeiro sem agressividade, de ser amigo sem bajulação e as tuas atitudes solidárias estimularão outras que se converterão em nobre corrente de amor humano, tornando a vida mais rica de luzes e de harmonia.

* * *

Jesus manteve todas as atitudes coerentes entre o que falava e o que fazia.

O Seu exemplo de fidelidade ao ideal para o qual viera tornou-se respeitado mesmo pelos adversários, aqueles que O combatiam e O vilipendiavam.

Mediante esse comportamento, era a Luz para o mundo em trevas de ignorância, o Caminho a ser seguido no matagal de crueldade, a Porta de acesso ao Reino de Deus.

As atitudes são expressões de identificação entre o ser íntimo que as desvela e o mundo exterior que lhes ignora a realidade.

Sejam, portanto, as tuas atitudes elegantes e cristãs para o teu próprio bem.

Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica de 31 de janeiro de 2005, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

15 outubro 2018

Buscar os interesses da Pátria - Hugo Lapa




BUSCAR OS INTERESSES DA PÁTRIA


Devemos buscar os interesses de nossa pátria?

O Livro dos Espíritos, que é a obra que lançou todas as bases da doutrina espírita, diz o seguinte:

Para o espírito, “a pátria é o universo”.

Kardec comenta essa resposta:

“A situação dos Espíritos e sua maneira de ver as coisas variam ao infinito, na razão do grau de seu desenvolvimento moral e intelectual. Os Espíritos de uma ordem elevada geralmente fazem, na Terra, estações de curta duração. Tudo quanto aqui se faz é assaz mesquinho em comparação com as grandezas do infinito; as coisas a que os homens atribuem a maior importância são tão pueris aos seus olhos, que eles encontram poucos atrativos neste mundo, a menos que tenham sido chamados a fim de concorrer para o progresso da humanidade.”

A resposta dos espíritos superiores a Kardec e as palavras do próprio Kardec não deixam dúvidas sobre o posicionamento ideal com relação àquilo que chamamos de pátria. Existem aqueles que se dizem “nacionalistas” e que visam sempre os interesses de seu país. No entanto, o que é na verdade um país?V As diferenças de países, cidades, culturas, nacionalidades, territórios, etc… fomos nós que criamos. O ser humano criou determinadas linhas fronteiriças entre os espaços terrestres do nosso globo e denominou isso de “países”, “estados”, “distritos”, “cidades”, etc. Mas há de se refletir… Existem mesmo essas fronteiras que nós criamos? Essas linhas são reais? Alguns países colocam suas fronteiras em rios que passam e dividem um país do outro. Outros colocam montanhas como uma divisão e um estabelecimento de fronteiras. Outros traçam uma linha imaginária que separa uns dos outros.

Mas essa linha é apenas isso… imaginária: ela não é um limite real, mas um limite que nós mesmos impomos à geografia local. Uma montanha não é uma fronteira… é apenas uma montanha. Um rio não é uma fronteira… é apenas um rio. As fronteiras são decididas arbitrariamente pela mente divisionista do ser humano. Por isso não devemos buscar o bem de nosso país, pois este país não existe, é mera criação de nossa mente, de nossos valores, de nossa cultura, de nossas tradições. O mundo não tem fronteiras, ele é uno e todos nós somos espíritos irmãos vivendo as experiências terrenas evolutivas no mesmo orbe planetário… Não devemos buscar nosso bem, nossos interesses, a nossa melhoria, conquistar isso ou aquilo, ser melhor que outros povos, nos achar mais capazes, mais inteligentes, etc.

Devemos buscar o bem de todo o mundo… e não pensar apenas em nossos próprios interesses. Como disseram os espíritos superiores, para o espírito, a pátria é o universo, e quanto mais elevado é o espírito, menos ele se preocupa com os interesses de uma ínfima localidade. O universo é infinito, não tem fronteiras, divisões, nem linhas demarcatórias. Os espíritos superiores se veem como parte desse infinito e desse ilimitado… desse eterno sem dimensões e sem temporalidade.

Divisões, fronteiras e linhas demarcatórias só existem para nos dividir, para criar zonas de conflito e fazer uns brigarem com os outros pelos seus próprios interesses. Cada um defendendo seu lado e esse comportamento gerando um eterno conflito. Vamos dar fim a todas as divisões… e sermos como os espíritos elevados que dizem, claramente, que sua pátria é o universo infinito.

Hugo Lapa


14 outubro 2018

Primeiro livro de Simonetti publicado pela FEB - Geraldo Campetti Sobrinho



PRIMEIRO LIVRO DE SIMONETTI PUBLICADO PELA FEB


Para viver a grande mensagem

Amigo leitor, você está diante do primeiro livro de Richard Simonetti, publicado pela Federação Espírita Brasileira em 1970.

Nesta valiosa obra, Simonetti reúne artigos veiculados em Reformador, porta voz oficial da Casa de Ismael, em outros periódicos espíritas, bem como alguns textos inéditos.

Aqui também está o primeiro texto do autor vindo a lume no centenário periódico em 1963, inserido no Para viver a grande mensagem como primeiro capítulo!

São dois resgates históricos em uma só obra!

Escrevi alhures as palavras que se seguem sobre a importância do estudo da Doutrina Espírita. Considero que uma boa forma de iniciar esse aprendizado é com a leitura de um livro desse nosso amigo-irmão, de fala firme e de escrita leve, acessível à compreensão de todos e consoante com o pensamento de Allan Kardec, Codificador do Espiritismo.

“A leitura atenta e o estudo continuado das obras fundamentais do Espiritismo sempre renovam nossa oportunidade de aprender. Dá a impressão, inclusive, de que estamos diante de um conteúdo inédito, quando nos certificamos, após algum tempo, de que já o havíamos lido anteriormente. Isso decorre, em nosso entendimento, de duas razões principais: a constante atualização dos conteúdos doutrinários expostos na obra básica da Codificação Espírita, isto é, o conteúdo espírita organizado na obra kardequiana foi, é e continua sendo atual; e a oportuna necessidade de atualizarmos nosso entendimento acerca da mensagem evangélica pelo salutar hábito do estudo, ou seja, precisamos “atualizar” nossa ignorância, buscando novos conhecimentos, cujos assentamentos encontram-se, sem exceção, nas inamovíveis bases definidas no arcabouço doutrinário.

As orientações seguras advindas da Espiritualidade Superior nos recomendam, inclusive, que dediquemos pelo menos 15 minutos diariamente para a leitura de alguma obra escrita sob a responsabilidade de Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita.

Esse contato diário com a obra básica, integrada pelo Pentateuco Kardequiano (O livro dos Espíritos, O livro dos médiuns, O evangelho segundo o Espiritismo, O céu e o inferno e A gênese), somando-se Obras póstumas, O que é o Espiritismo e a extraordinária Revista Espírita (1858-1869), certamente nos colocará a par da sabedoria espiritual e da genialidade de Kardec ao ensejar que tais ensinamentos renovadores fossem materializados na Terra para acesso de todos nós, trabalhadores e aprendizes da última hora.

O estudo possibilita ampliar a visão e o entendimento, a reflexão e a prática, sobre tudo o que nos sensibiliza as percepções, dilatando gradativamente a nossa capacidade de compreensão, a zona lúcida, conforme expressão do estudioso francês Paul Gibier.

O estudo espírita pode ser individual, num processo persistente de autodesenvolvimento, e coletivo, quando nos predispomos a integrar algum grupo interessado em propósitos semelhantes de se reunir e aprender, pelo compartilhamento de lições e experiências.

Ambas as tipologias de estudo, individual e coletivo, exigem planejamento, disciplina e organização do proponente ao aprendizado.

Para o estudo individual, alimentemo-nos de boa vontade, separemos um tempo diário de pelo menos 15 minutos, e iniciemos com o propósito firme de ir adiante. No início, há de se vencer algumas resistências naturais. Depois, torna-se mais fácil.

Para o estudo em grupo, as casas espíritas ofertam várias possibilidades, aproveitando-se do material de excelente qualidade disponibilizado ao movimento espírita pela FEB. São os programas do Estudo Sistematizado, do Estudo Aprofundado, do Estudo e Prática da Mediunidade, de cursos específicos sobre as obras da Codificação e de algumas publicações subsidiárias.

Oportunidades de estudo e aprendizado não faltam. O que às vezes falta é nossa boa vontade de estudar e aprender.

Que tal enriquecermos nossa trajetória presente, aproveitando a oportunidade de educação espiritual, propondo-nos à efetiva renovação íntima pelo exercício dos magnos mandamentos recomendados pelo Espírito de Verdade: amai-vos e instrui-vos?!”

*

Estou certo de que a leitura desta obra e as reflexões dela decorrentes propiciarão a você, amigo leitor, inesquecível aprendizado e o despertar para vivência cotidiana da grande mensagem do Evangelho de Jesus, revivido integralmente pela Doutrina Espírita nos tempos atuais.


Geraldo Campetti Sobrinho
Brasília (DF), julho de 2018
Vice-Presidente da Federação Espírita Brasileira


13 outubro 2018

Estamos vivenciando um guerra velada - Adriana Machado



ESTAMOS VIVENCIANDO UMA GUERRA VELADA


Vemos grupos de pessoas brigando entre si sobre questões de ordem psíquica, emocional e familiar, levando uma boa parte de nossa sociedade a se manifestar de uma forma descontente, frustrada, irritada.

Existe uma onda, onde alguns, para não perderem o pequeno espaço que já conquistaram, estão mais atuantes em defender aquilo que acreditam. Fazem barulho, expõem suas ideias, chamam a atenção para as suas verdades, criam circunstâncias que escandalizam, trazem desconforto ou, ao contrário, dão condições de novos entendimentos aos nunca tinham sido colocados frente àquelas novas concepções. Outros, por serem contrários, lutam pelas suas convicções e valores, não querendo que essa onda os afogue, temendo o que não conhecem ou vislumbrando as consequências de adotá-las. Infelizmente, nenhum dos lados está a salvo das revoltas e indignações produzidas pelas ponderações trazidas pelo seu oposto.

Tentando analisar com brandura e raciocínio, venho tentando ouvir e ver o que está acontecendo ao meu redor, mas admito que estou me sentindo “afogar” vez por outra.

Influenciando essa batalha, temos os meios de comunicação, que, infelizmente, trazem as notícias, espelham em suas novelas, tudo o que está negativo em nosso país: corrupção, violência, descaso aos valores familiares, etc.

Tudo isso nos faz chegar ao final do dia com a impressão de que nada está bem, mas isso não é verdade!

Afirmo isso porque, o que generalizam como se fosse a característica de nosso povo, não nos resume. O que vemos alguns fazerem tão gravemente, não pode ser espelhado aos milhões de brasileiros. A maioria de nós se importa com o futuro de nosso país e usa das armas que tem, como votar com mais consciência e continuar trabalhando, esperançosa que mudanças aconteçam. Muitos estrangeiros afirmam não entender como podemos ser tão mansos e pacíficos diante dos últimos acontecimentos. Eu diria que somos assim (!), talvez “por enquanto”, talvez “isso nunca mude”, mas digo que é melhor do que pegarmos em armas e resolvermos pela força e pela violência. Será que reagimos assim por sermos o país que é considerado o “coração” do mundo, a pátria do evangelho[1]? Saímos da ditadura militar sem uma guerra civil. Não acham que, em razão de nossa postura “pacífica”, não recebemos o auxílio divino para que as etapas de nosso aprendizado surjam? Fica aí a minha suspeita para vocês pensarem.

A decência de nosso povo não se resume ao samba nem na alegria de viver, mas de sabermos que somos capazes de, mesmo pobres, devolvermos bolsas de dinheiro perdidas aos seus verdadeiros donos; de termos ONGs, templos religiosos e trabalhadores voluntários que se dedicam efetivamente a auxiliar os mais necessitados; de vermos bons policiais que arriscam, todo dia a sua vida, recebendo um salário minguado, para fazer o seu trabalho por convicção de que eles podem fazer a diferença em um país ainda violento; por termos médicos que, mesmo em hospitais sem condições mínimas de trabalho, ainda se esforçam para salvar vidas e dar dignidade àqueles que os procuram; de vermos trabalhadores honestos diariamente superando longas distâncias para serem úteis e merecerem a sua remuneração no final do mês...

Vocês poderiam dizer que nem todos são assim ou que “os países mais avançados também fazem isso”, como se isso fosse desmantelar os meus argumentos. Mas, ao contrário, só me dá a certeza que estamos no caminho certo. Aqueles que não fazem têm o exemplo daqueles que fazem para aprender a fazer diferente, essa é a proposta da lei divina que nos rege. Como eu estava dizendo, muitos são os bons exemplos, mas estes não são divulgados. E por que não? Porque afirmam os meios de comunicação que não é assunto que interessa ao público. Será mesmo? Quantos de nós já manifestam a insatisfação de deixarmos entrar em nossos lares o “lixo” produzido por essas programações?

Se não buscarmos querer enxergar aquilo que está ao nosso redor “com os nossos próprios olhos” (e não com os da mídia), essa onda que está nos levando de um lado para o outro, sem boia e sem leme, nos influenciará de tal forma que acabará com a nossa autoestima, com os nossos valores familiares e morais, com o nosso orgulho de sermos brasileiros... e aí, o que sobrará? Hoje, estamos vivenciando uma verdadeira guerra velada dentro de nossa sociedade. Mas, essa guerra pode deixar de sê-lo se defendermos os nossos valores sem raiva e indignação, porque deixaremos de ver quem pensa diferente de nós como inimigo e poderemos achar um porto seguro, onde todos poderão repousar, não tendo que “aniquilar” ninguém, mas sim compreender as diferenças pelo diálogo e respeito.



Francisco Cândido Xavier. Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho (pelo Espírito Humberto de Campos)


12 outubro 2018

Eles já estão entre nós - Jaime Ribeiro



ELES JÁ ESTÃO ENTRE NÓS
Estamos preparados para receber uma nova ordem de humanos?

A época atual é de transição; confundem-se os elementos das duas gerações – A Gênese Cap. XVIII -28.


Alguns jovens estão batendo nas nossas portas. Estão em silêncio, no fundo da sala das reuniões públicas ou vagando curiosos nas nossas livrarias, de prateleira em prateleira. Observam-nos atentamente. Muitos deles chegaram aos nossos centros após serem impactados por algum conteúdo espírita nas redes sociais. Outros, seguiram os passos de familiares ou sofreram alguma desilusão da vida e agora estão em busca de esperanças e consolações, exatamente como aconteceu conosco no passado.

Esses jovens foram atraídos pela força inexorável dos compromissos reencarnatórios. Eles já estão entre nós.

Na revista espírita de abril de 1866, por meio dos médiuns Srs. M e T, em sonambulismo, os espíritos nos alertaram que “os tempos estão chegados”. Falaram que a humanidade chegou a um de seus períodos de transformação e que a Terra vai elevar-se na hierarquia dos mundos.V A humanidade tornou-se adulta. Já conquistamos inúmeros recursos cognitivos e dominamos significantemente a ciência. Neste momento, estamos vivenciando o início de uma grande revolução tecnológica, no qual os dados e a inteligência artificial vão revolucionar as estruturas das organizações , afetando significativamente a forma como a humanidade se relaciona entre si.

Com a chegada dessas novas possibilidades, provenientes do domínio dos dados e o uso dessas informações extraídas do chamado big data(1), abrem-se as portas de novas necessidades para o ser humano. Faz-se necessário o desenvolvimento das habilidades emocionais e espirituais, essenciais para liderar essa nova fase, de maneira sábia e responsável. Elementos importantes para o protagonismo, diante da configuração dessas máquinas e robôs, para que sirvam ao bem comum do mundo.

Nessa fase adulta, na qual o intelecto já está desenvolvido e endereçado, abre-se espaço para o foco no amadurecimento moral e comportamental.

No meu livro novo, Empatia: por que as pessoas empáticas serão os futuros líderes do mundo, publicado este ano pela editora Letramais, alertamos para que o foco da educação, seja nas escolas ou nas famílias, contemple o fortalecimento das habilidades socioemocionais. No momento em que a tecnologia parece nos distrair com excesso de informações e conteúdo, a capacidade de discernir o que é relevante ou não, para nós e para o outro, agindo de forma empática, será uma das principais fortalezas da humanidade.

O fortalecimento dos chamados soft skills(2) é essencial para a consolidação de um novo ciclo, a nova era. Pesquisadores ao redor do mundo, demonstraram que se faz necessário descentralizar a responsabilidade e a urgência do entendimento dos temas relacionados ao trato humano; retirando a exclusividade das congregações religiosas e discussões filosóficas sofisticadas.

Essa convergência entre ciência e religião é mais um sinal de que o mundo de regeneração está chegando.

Para a concretização dessa nova etapa, milhares de seres de uma nova ordem espiritual estão reencarnando no mundo, com o objetivo de nos auxiliar nessa grande transição. Espíritos nobres, que se aliarão conosco, na preparação do mundo de regeneração. Já estamos recebendo essa nova categoria de espíritos, provenientes de sistemas e regiões mais evoluídas, para acelerar a evolução do nosso planeta.

Ao longo desse processo, anunciado pelos espíritos que coordenaram a codificação espírita, fica uma indagação: será que estamos preparados para receber esses novos colaboradores, nas nossas instituições? Será que estamos atentos e vigilantes para que eles não passem despercebidos aos nossos olhos desatentos?

Já há algum tempo, o mundo inteiro vem falando o quanto as outras gerações se assustam com a Geração Y- jovens nascidos pouco depois dos anos 80 até o ano 2000 - os chamados Millennials desafiaram o nosso tempo com suas transformações comportamentais e provocações sociais.

Esses jovens passam o dia inteiro interagindo, quase o tempo todo apenas pela tela de seus celulares. São ansiosos, autoconfiantes e não se encaixam facilmente em hierarquias. Contudo, são mais preparados para lidar com as diversidades e se preocupam com o meio ambiente como nunca nos preocupamos antes na história da humanidade.

Os Millennials são menos propensos a se vincular a uma instituição religiosa. Acreditam que a religiosidade é mais importante do que a religião, exatamente como nos ensinaram os espíritos há várias gerações atrás. Essa característica é suficiente para demonstrar a sinergia entre eles e a perspectiva religiosa da Doutrina Espírita, que ressignificou o culto religioso, trazendo-o para dentro do coração. Afastando-o das formas exteriores e resgatando a característica singular que Jesus trouxe à relação com o Criador.

Provavelmente, essa é uma das gerações que veio nos preparar para as novas fases que estão na iminência de se apresentar ao mundo: épocas caracterizadas pela dominância da tecnologia em quase todas as frentes da organização humana.

Só que não parou por aí. Depois deles já chegou a Geração Z, que já nasceu submetida às novas tecnologias e formas de interação, entre 1994 e 2010, os primeiros nativos digitais. Essa nova geração, não se conforma em ser passiva e tem profundo interesse em produzir e consumir o seu próprio conteúdo. Quem nunca ouviu falar dos youtubers, que desafiam a audiência de grandes emissoras e celebridades da televisão? Enquanto nós sonhávamos com a facilidade de ter tudo pronto e disponível nas nossas casas para economizar tempo, eles são encantados com a possibilidade de fabricar e customizar o que consomem.

Segundo alguns amigos de Chico Xavier, Emmanuel teria reencarnado no Brasil por volta do ano 2000. Uma provocação que precisamos nos fazer nesse momento é: seríamos capazes de reconhecer Emmanuel, hoje um jovem de aproximadamente 18 anos, se ele chegasse em nossas casas, com fones de ouvido e smartphone na mão, nos “desafiando” a construir um novo conteúdo ou uma nova plataforma digital para o movimento espírita? Ele teria espaço para nos ajudar a redesenhar a dinâmica de nossos estudos doutrinários longos e tradicionais? Será que esperamos que ele, ou algum espírito da mesma ordem de grandeza, cheguem às nossas casas apenas na meia-idade, empunhando pergaminhos e vestidos com o figurino do romance Há dois Mil anos? Receberíamos com alegria as suas sugestões e ideias, nos tornando responsáveis por conduzir e ajudar a desenvolver tamanho potencial espiritual, ou faríamos com que ele desistisse de nós e procurasse outra casa? Lideraríamos oportunidades para que eles desenvolvessem suas habilidades mediúnicas e doutrinárias ou transformaríamos esse processo numa prática de resiliência e paciência?

Emmanuel, se você está lendo esse artigo aqui no blog da Intelítera, por favor, não desista da gente. Nós estamos nos preparando e lutando contra os desafios das transformações de nossa época. Foi mal, Mano! 😊

Se você for um jovem espírita e estiver de alguma forma triste com a gente: persista. A Doutrina Espírita é o Consolador prometido por Jesus. Precisamos de você para executarmos juntos a transição planetária. Será uma alegria me conectar com você também: meu instagram é @jaimeribeiro.

Eu, particularmente tive muita sorte. Quando era um jovem - da Geração X- no movimento espírita, em Pernambuco, encontrei mentores e orientadores na Sociedade Espírita Bezerra de Menezes. O mais importante foi Luiz Mário, hoje já no plano espiritual, que silenciosamente me incentivou aos estudos da codificação e me engajou ao trabalho doutrinário e social. Uso a palavra sorte, porque ouvimos muitos os relatos de jovens que se desapontam ao tentar desenvolver alguma atividade em instituições Brasil afora, alguns se mantém firmes à Doutrina, outros se desapontam e retardam a tarefa. Diferente do que pensamos, a culpa não é deles. A tarefa de integrá-los e desenvolvê-los, é nossa.

Provavelmente ainda estamos presos à forma como fomos engajados ao espiritismo no passado, o que nos leva a acreditar que as novas gerações devem se adequar ao formato que acreditamos ser o melhor. Para nós, se eles não entendem, é um indício de que não estão efetivamente comprometidos ou preparados para servir a Jesus.

Estamos tão enganados como os pais que tentam fazer os filhos se interessarem por atividades, jogos, músicas, danças e filmes que gostavam na sua época de juventude. Alguns jovens podem até achar legal conhecer os gostos dos pais, mas, em alguns momentos, pode parecer bem estranho para eles.

Desde a época do surgimento dos primeiros Millennials, estamos quebrando a cabeça para entender porque nossos centros e nossos eventos estão com pouca participação do público jovem. Quando assumimos que eles já não têm interesse por questões espirituais como nós tínhamos, estamos repetindo o mesmo comportamento que nossos pais tiveram no passado, quando apontaram que a nossa geração, já não cultivava valores morais nobres como a deles. Assim como nossos pais estavam exagerando na análise dos conflitos de gerações, nós também estamos, quando realizamos esse confortável julgamento.

Allan Kardec apontou que “a nova geração se distingue por inteligência e razão geralmente precoces, juntas ao sentimento inato do bem e a crenças espiritualistas, o que constitui sinal indubitável de certo grau de adiantamento anterior” (A Gênese Cap. XVIII -28 fonte Kardecpedia).

Ao longo dos últimos anos, nos ocupamos em buscar atividades para encantá-los. Promovemos corais, brincadeiras, salas coloridas e outras atividades, numa tentativa bem-intencionada de adivinhar quais os seus objetos de interesse. Tomamos essas nobres iniciativas, desavisados do fato que essa geração gosta de criar suas próprias dinâmicas, cabendo a nós o dever de apoiar e amparar.

Muitas vezes, desejamos que eles assumam compromissos com o trabalho do bem sem entendermos a melhor forma de promover essa nova rotina. Repetimos “disciplina, disciplina e disciplina” para eles, mas o que vai fazer com que se engajem no trabalho e se adequem á disciplina do serviço do bem, é o propósito claro e a alegria da liberdade em servir. Para eles, o compromisso vem depois do engajamento. Nós queremos que seja o inverso.

Infelizmente estamos enganados. Essas novas gerações não vão se comprometer com alguma atividade só porque falamos que é bom e necessário. Os bônus horas, para eles, são os bitcoins(3) espirituais que estão dispostos a acumular, mas precisam que deixemos claro, de forma racional, os benefícios do serviço no campo do bem.

Dessa forma, as instituições filantrópicas também precisam se desafiar a avaliar novos modelos de voluntariado. Preparando-se para receber a cota de dedicação, mais ou menos generosas, que cada um deles tem para oferecer nesse momento da vida.

Diferente do que a maioria de nós imagina, essa forma de eles se envolverem não é um problema. A fração de trabalho, ou o nível de engajamento que cada um pode dar, serão sempre bem-vindos no campo do trabalho do Cristo. Se o jovem só pode vir duas vezes ao mês ao trabalho no orfanato do centro, não é porque seja menos compromissado com a sociedade do que o voluntário de meia-idade que vai toda semana fazer a mesma tarefa. Ele apenas pode ter outras tarefas para cumprir, como estudar, estar com os amigos, praticar esportes, viajar com a família ou simplesmente ser jovem. Precisamos compreender essa nova dinâmica social.

É verdade que os jovens são chamados “trouble makers” (criadores de problemas), mas é exatamente essa que é a nossa necessidade, em especial nas casas espíritas. Isso é uma boa notícia para a nossa evolução. Para não nos tornarmos obsoletos no nosso próprio mundo e na nossa própria época. Precisamos de maturidade espiritual para aproveitar todos esses “problemas” apresentados e trazidos para nossa zona de conforto, para garantirmos a continuidade do movimento espírita, por meio da modernização das práticas sociais e consolidação inovações nos modelos pedagógicos de estudos doutrinários.

Lembremos que Jesus também foi considerado pela sociedade de sua época, um criador de problemas. Nosso Mestre curava aos sábados e se hospedava na casa de cobradores de impostos, o que já era mais do que suficiente para escandalizar os sacerdotes e religiosos. Giordano Bruno foi considerado “trouble maker” porque discordou da Igreja e falou que a Terra não era o centro do universo. Kardec também foi um “trouble maker” para os espiritualistas americanos, quando a Doutrina Espírita apresentou a reencarnação e a igualdade entre senhores e escravos, perante as leis de Deus.

Os trouble makers são necessários para a evolução do mundo e da sociedade. Sem a provocação bondosa e fraterna, não há ruptura e avanço espiritual.

Por isso, precisamos estar atentos para não falharmos como líderes nesse processo de aceleração da Nova Era, como falei no meu último artigo aqui no blog. Em especial aqueles que são dirigentes das casas espíritas, têm o compromisso de preparar os sucessores para continuarem a missão de alavancar o progresso do nosso mundo. Não daqui a 20 anos: AGORA!

Como falou o codificador: sabemos que o Espiritismo é o caminho que conduz à renovação, porque acaba com os dois maiores obstáculos que a ela se opõem: a incredulidade e o fanatismo.

Ultimamente, temos visto empresas, escolas, universidades e grandes instituições, se movimentando e se adaptando para atrair talentos dessas novas gerações, com o objetivo de garantir a continuidade de seus produtos e serviços. Essas organizações estão em busca de se conectar ao mundo atual e se preocupam em não perder a própria relevância. Nós precisamos seguir o exemplo deles e fazer o mesmo em nossas instituições e eventos doutrinários.

Se eu pudesse, humildemente, apontar uma tarefa como a mais importante para que o movimento espírita eleja como foco para os próximos cinco ou dez anos, eu resumiria no esforço para responder sim para a pergunta que eu faço novamente: Estamos preparados para receber o jovem Emmanuel reencarnado, com seu smartphone na mão e querendo modernizar o youtube do nosso centro?

Ao fazer essa pergunta novamente, acredito que oficialmente entramos na lista dos trouble makers. Contudo, tenho certeza que após uma breve reflexão coletiva, seremos absolvidos e chamados também de “problem solvers”(4)

Jaime Ribeiro
 Fonte: Intelitera

Notas:

(1) Big data é um termo que descreve o grande volume de dados — tanto estruturados quanto não-estruturados — que sobrecarrega as empresas diariamente
(2) habilidades ou capacidades relacionadas com a inteligência emocional, com as habilidades mentais de cada pessoa.
(3) são moedas virtuais modernas.
(4) Tradução livre: resolvedores de problemas



11 outubro 2018

Que eu leve...a paz, de leve! - Marcus Vinicius de Azevedo Braga



QUE EU LEVE...A PAZ, DE LEVE!


A chamada Oração de São Francisco, também chamada de Oração da Paz, é na verdade um texto surgido pela primeira vez em uma publicação francesa de 1912, e que atribuem essa relação com Francisco de Assis (1182-1226) não apenas pelos ideais ali esposados, mas pelo fato de em 1916 esta oração ter sido impressa em Roma com a foto de Francisco de Assis no verso. Independente da razão, o fato é que esse texto se consolidou como ligado a essa personalidade.

Um texto singelo, convidativo, que traz uma visão de oposição, mas de forma diferente, como um tipo de completude, de forma que diante de várias mazelas do mundo, pedimos a Deus que sejamos a solução, e que pelas nossas mãos se suplante esse mal, mas de uma forma leve, cândida como era o homem de Assis.

Permitam-me explicar um pouco melhor… Quando a oração fala de cada problema da natureza humana: o ódio, a ofensa, a discórdia, a dúvida, o erro, o desespero, a tristeza e as trevas, ela propõe que o mesmo homem seja o instrumento apaziguador, mas que faça isso de forma leve, serena, combatendo o mal com o bem, com as armas próprias dessa visão, convertendo-nos em instrumentos da divindade. O único pedido é que tenhamos essa potencialidade.

Deus age assim também de forma leve, não interventiva. Ao invés de agir de forma abrupta, se utiliza de nós, encarnados, que nos dispomos a isso, para que sejamos o caminho para a construção desse mundo novo, substituindo o ódio pelo amor, em uma visão bem consoante com o nosso livre arbítrio trazido na forma de O Livro dos Espíritos, em uma visão evolutiva, que nos mostra uma estrada que seguimos sem tutela, mas amparados pela providência divina.

O mundo é ruim? Decepcionante? Acreditamos que estaríamos em melhor situação agora? Temos elementos para superar isso em nós mesmos: basta estarmos disponíveis para nos sintonizarmos com a divindade, e sair para semear coisas boas que suplantem essas coisas ruins. Não é um discurso vazio de autoajuda. É entender que o futuro é construído por nós, e que não basta ser bom, nos cabe fazer o bem, como lembra Kardec. Somos todos interdependentes, seres da criação, como relembra a vida de Francisco de Assis.

Jesus também nos lembrou dessas verdades, quando nos citou como Sal da Terra, e Luz do Mundo, cabendo a reflexão que toda essa decepção atual com a humanidade encarnada, capaz de coisas deploráveis, é permeada também de atos maravilhosos gerados pelas mesmas mãos humanas. O mundo já foi pior, e mesmo na noite mais escura, se levantou o sol de Assis para nos iluminar.

Francesco, o bardo de Assis, o Irmão Sol, que nos inspira, um homem que mudou de forma leve a religião predominante em seu tempo, e que hoje pela primeira vez é o título do representante máximo dessa denominação religiosa, foi um contraponto de uma Idade Média de guerras religiosas, ignorância, perseguições e deturpação da mensagem do Cristo. Hoje é lembrado, de forma minimalista, como protetor dos animais.

Seu abandono daquelas roupas velhas – e digo aqui, roupas no sentido espiritual –, não se deu de forma violenta, mas sim pelo exemplo, pelo trabalho e assim ele lançou a semente do resgate dos ideais do cristianismo, do humanismo, distante de um ideário de pompa e de metais preciosos, como exercício da religiosidade.

Outros assim o fizeram. Podemos citar Gandhi (1869-1948), que em um mundo mais próximo da realidade na qual vivemos hoje, soube fazer da mudança política necessária diante do jugo colonizador, algo permeado pela ideia de não violência (A-Himsa), exemplificando que é possível mudar, sem deturpar seus ideais, sem se tornar aquilo que você mais abomina.

Em mais um dia quatro de outubro, no qual se comemora o dia de Francisco de Assis, a sua mensagem – não como apenas o protetor dos animais, mas sim como o gigante que enfrentou a ordem estabelecida com a paz de suas palavras – se faz mais uma vez necessária. Um mundo em ebulição, em mudanças, em conflitos, de extremos e de violência manifesta. Ao que nos convida o Sol de Assis?

Nos convida a um agir de forma leve, buscando levar amor onde houver ódio, e sobre as trevas, fazer a luz. Mas sem com isso deixar de ser amor, de ser luz. Esse é o desafio Franciscano, de nesses tempos difíceis, se fazer ativo na luta do bem, mas não empunhando armas, não combatendo, palavras que por si só contrariam a lógica do Cristo. Mas sim amparando, consolando, orientando e exemplificando. Seguindo as pegadas do Cristo em um mundo de chips e DNAs, mas também de homens e mulheres, com suas lutas interiores, que remontam às mais distantes eras.


Marcus Vinicius de Azevedo Braga


10 outubro 2018

Ante a Calúnia - Joanna de Ângelis



ANTE A CALÚNIA


É inevitável ser vítima da calúnia, que faz parte do orçamento moral de muitas pessoas, a fim de ser apresentada no mercado da leviandade humana.

Muitos se comprazem em urdi-la e desferi-la, por inveja, ciúme ou, simplesmente, por doença moral.

Outros se encarregam de divulgá-la, alegrando-se em fazê-lo, porque também atormentados.

Não sintonizes com aqueles que vivem nessa faixa.

Igualmente não te permitas atingir pelas farpas caluniosas que te arrojam.

Vive de tal forma, que o caluniador fique desmoralizado por falta de provas.

Cada dia é lição que se transforma em vida, ao longo do teu caminho eterno.

Diariamente surgem episódios de calúnia, intentando alcançar alguém.

Assim, perdoa o caluniador.

Ele não fugirá de si mesmo.

Contam que uma caluniadora buscou o seu confessor e narrou, arrependida, a sua insensatez.

Pedindo a absolvição para o triste delito, perguntou ao ouvinte atento qual era a sua penitência.

Aquele reflexionou e pediu-lhe que fosse ao lar e trouxesse uma almofada de plumas, subisse à torre da igreja e dali as espalhasse ao vento com máximo cuidado, e, após, viesse receber a competente liberação.

Tão logo terminou de fazê-lo, a confessa retornou e perguntou:

— E agora?

— Volta lá — respondeu o sacerdote — recolhe todas as plumas e refaze a almofada.

A calúnia são plumas ao vento que vão sempre adiante para a amargura do caluniador.


Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco


09 outubro 2018

O que significa sonhar com um parente falecido? - Hugo Lapa



O QUE SIGNIFICA SONHAR COM UM PARENTE FALECIDO?


Os sonhos muitas vezes são lembranças das atividades da alma quando esta se desprende do corpo durante o sono. Sonhar com pessoas falecidas pode sinalizar um encontro espiritual de ambos. Nesse caso, é importante prestar atenção em como a alma se apresenta. Se a alma aparece triste, com semblante fechado, com raiva, ou com outras características hostis ou negativas, isso pode significar que ela não realizou de forma favorável a transição, ainda tem apegos materiais e pode estar encarcerada a esses sentimentos grosseiros.

Ao contrário, se a alma se apresenta bem, feliz, pacífica, com boas vibrações, sorridente, envolvida em luz ou vestida com uma roupagem branca, esse pode ser um retrato do seu estado espiritual e de sua capacidade de libertação do plano terreno. Quanto maior for a nossa libertação da matéria e das pessoas melhor estaremos no plano espiritual. O contrário também é verdadeiro: quanto mais presos e apegados estivermos a coisas, nomes, formas e pessoas, mais difícil e sofrida será nossa passagem. É como um viajante que gostou muito de uma cidade e não deseja mais sair de lá… Quanto maior for seu apego a esse local, mais sofrida será sua partida e mais dolorosa a sua estadia longe. Por isso, pessoas muito ligadas ao mundo tendem a ser infelizes no plano espiritual e podem permanecer em zonas inferiores.

Há pessoas que ficam desejando sonhar toda noite com seus entes queridos já desencarnados. Devemos advertir que isso não é algo que ninguém deva almejar. Sonhar sempre com um desencarnado pode ser um sinal de que esse espírito está preso à Terra e ligado a nós, talvez como um obsessor espiritual. É muito comum sonharmos uma ou duas vezes com pessoas que passaram recentemente pela transição. Isso é natural e aceitável, pois muitos espíritos desejam despedir-se das pessoas que amam e usam a via dos sonhos para esse encontro. Uma última visita em sonho ocorre com várias pessoas e é algo normal, humano e saudável. Muitas vezes o encarnado não tem consciência de que se encontrou com o desencarnado. No entanto, sonhar repetidas vezes com nossos entes queridos é um indicativo claro de apego dos dois lados, e pode assinalar um processo obsessivo já estabelecido. Os sonhos não devem ser utilizados como forma de alimentar nossos apegos aos entes queridos falecidos.


Hugo Lapa

08 outubro 2018

A razão e o dever - Momento Espírita



A RAZÃO E O DEVER


As reclamações a respeito de dificuldades são comuns entre nós, os habitantes deste bendito planeta.

De forma aberta ou velada, incontáveis de nós damos a entender que nos consideramos injustiçados pela vida.

Acreditamos merecer mais do que temos.

Alguns desejaríamos ter esposas ou esposos mais compreensivos. Gostaríamos que nossos filhos fossem mais estudiosos e comportados.

Apreciaríamos dispor de mais salário e menos trabalho.

Reclamamos das agruras da profissão.

Consideramos qualquer dificuldade, física ou moral, sumamente injusta.

Doenças são uma catástrofe imerecida, problemas financeiros representam um desastre perverso.

É comum falarmos do desejo de jogar tudo para o alto e sumir.

Como bem poucos fazemos isso, temos aí um certo sinal de maturidade.

Entretanto, a real maturidade se revelaria ao assumirmos a própria realidade, tal qual se apresenta, sem reclamações.

A Lei Divina é perfeita e cuida de todos.

No mundo há homens injustos, mas não injustiçados.

Sempre temos, em qualquer drama, um processo de retificação e aperfeiçoamento.

Contudo, vítimas injustiçadas a rigor não existem no mundo.

Nas situações mais dolorosas, há uma matriz no passado, a clamar por correção.

A vida é inesgotável, ninguém jamais escapa dela ou consegue enganar suas regras de equilíbrio.

Assim, importa prestarmos muita atenção nos próprios deveres.

A razão se ilumina pela reflexão a respeito da justiça e da bondade divinas.

Sendo Deus sumamente justo dá a Seus filhos o que merecem e precisam.

E também manifesta por eles grande desvelo, na figura de moratórias e oportunidades de utilização do bem para retificar o mal.

Tudo isso se mostra coerente com o Deus bom, o Pai, desvelado aos homens por Jesus.

O Deus bom que faz se levantem as ondas e soprem os ventos. Que oferece a brisa leve nos dias de calor e os raios do sol para aqueles de frio.

O Deus de amor que tudo vê, tudo sabe, tudo providencia.

* * *

Com a razão esclarecida por essas reflexões, procuremos encarar nossos deveres de modo positivo.

O trabalho não é um castigo, mas uma forma de sermos úteis ao progresso coletivo.

Não busquemos folgas demais, para não gastarmos mal o precioso tempo que a misericórdia divina nos oferece.

Vejamos nos irmãos de trato difícil nossos credores de erros do pretérito.

Agora, mais dignos e maduros, temos condições de amparar, compreender e perdoar.

O dever mais elementar entre os homens reside na fraternidade. Procuremos, portanto, nos amparar mutuamente.

Afinal, estamos todos a bordo da mesma grande nave mãe, chamada planeta Terra.

Nosso exemplo de conduta digna pode ser um farol nas existências dos que nos rodeiam.

Identifiquemos em cada crise uma chance de nos superarmos.

Se a vida nos exige certos tributos, podemos e devemos dá-los.

Submetamo-nos aos desígnios superiores e façamos o nosso melhor.

O dever bem cumprido é o nosso passaporte para a felicidade.

Pensemos nisso.


Redação do Momento Espírita