Total de visualizações de página

12 agosto 2019

Como os Espíritos nos Influenciam? - Fernando Rossit



COMO OS ESPÍRITOS NOS INFLUENCIAM?


Primeiro, porque estão ao nosso lado e vêem tudo o que fazemos. Não existe um segredo que possamos esconder deles – mesmo aqueles que escondemos de nós mesmos.

Além disso, existem os espíritos que conhecem também os atos que praticamos em outras vidas e dos quais, momentaneamente, não nos lembramos.

É muito mais fácil esconder algo de pessoas vivas do que dos Espíritos.

Os bons sempre irão procurar nos ajudar de alguma forma, por mais terríveis sejam nossos pensamentos e atos, por uma questão muito simples: eles não julgam e praticam o Bem sem impor condições.

Já os de natureza inferior vão reagir da forma que faziam quando estavam vivos. Uns vão debochar e zombar de nossas dificuldades, manias, de nossas imperfeições e poderão, se o permitirmos, pregar peças e trazer muitas dificuldades.


Simples assim: os bons pensamentos, boas intenções, o esforço que fazemos por nos tornarmos melhores, atrairão para perto de nós os Espíritos Protetores, especialmente aqueles que são ligados a nós por afeição.

A contrário, quando nosso pensamento é negativo, prejudicial a nós ou a outras pessoas, os Espíritos que pensam de igual modo irão se aproximar de nós por afinidade.

Da mesma forma que possuímos amigos, pessoas que com as quais nos afinamos e cuja companhia nos é agradável, também formamos nosso grupo de Espíritos que nos acompanham por afinidade.

Sabemos que os Espíritos influem sobre nossos pensamentos e atos e, muitas vezes, podem até nos comandar.


Quando a influência é dominadora, coercitiva, denomina-se obsessão, pois ela se torna prejudicial para sua vítima.

Um Bom Espírito jamais irá nos dominar, pois respeita nosso livre-arbítrio. Apenas sugere e aconselha, procurando nos conduzir para o bem a fazer.

É muito difícil distinguir quando uma ideia é nossa ou nos é sugerida pelos Espíritos, já que eles agem sobre nós exatamente porque temos afinidade com eles, quer dizer, pensamos da mesma maneira.

Se pensamos igual, como saber se o pensamento é nosso ou não?


O que pode acontecer então se você ficar irritado? Com a influência dos Espíritos que atrairá a irritação será potencializada, podendo aumentar muito a ponto de você perder o controle e praticar atos não esperados.

Passado o nervosismo e analisadas com mais calma as consequências do seu ato, como ter ofendido pessoas aos gritos, ter agredido alguém etc., você deverá se sentir arrependido do que fez.

Mas da mesma forma que um Espírito mal intencionado potencializa sentimentos ruins em nós (veja bem: o sentimento é nosso, apenas é aumentado), os Bons nos envolvem com ternura e amor, proporcionando bem estar indefinível, quando nos propomos a fazer o Bem.

Sim, o Bem também se propaga.

A sintonia com os Bons Espíritos e os mal intencionados irá sempre depender de nós.


No livro “Pensamento e Vida”, Emmanuel esclarece que sintonizamo-nos com todas as criaturas encarnadas e desencarnadas que pensam como pensamos.


Isso é possível porque o pensamento é uma onda eletro-magnética que percorre o espaço a uma velocidade maior do que a da luz. Portanto, a distância que os Espíritos e as pessoas vivas estão de você, não tem a menor importância. Pensou, sintonizou instantaneamente.

Por isso, quanto maior o número de pessoas que estão juntas, pensando e fazendo a mesma coisa (boa ou não), maior é o poder de realização pois a força dos pensamentos se multiplica.

Pensamentos de intolerância e ódio, por exemplo, podem nos levar à prática de atos insanos, agressivos e até violentos.


A vigilância, que implica em prudência, atenção, cautela, é um recurso que devemos sempre ter como aliado. O outro é a prece que nos ligará aos Bons Espíritos que vão nos ajudar, nos fortalecer nos momentos de tormenta.

A escolha sempre dependerá de nós.



Fernando Rossit

Fonte:

– O Livro dos Espíritos – questões: 456 a 461

11 agosto 2019

O Frio que Enregela a Alma - Vania Mugnato de Vasconcelos



O FRIO QUE ENREGELA A ALMA


Não é incomum que só a aflição pessoal motive suficientemente o ser humano, alterando sua conduta perante o angústia do outro; não é raro que o tormento pessoal ou de alguém bem próximo sejam as únicas forças com energia para aquecer corações antes enregelados pela indiferença; que o martírio sentido na própria pele seja o maior incentivador daquele olhar que realmente enxerga, dirigido para os seres abandonados da sorte. Para muitos, somente quando isso acontece é que o sentimento de misericórdia nasce, então é que ocorre a percepção de que todos os gestos devem ser aquecidos pelo amor.

Aliás, no meio espírita é corriqueiro escutar a expressão “quem não vai pelo amor, vai pela dor”. Significa dizer que temos o direito de realizar o que quisermos, pois o livre arbítrio nos permite escolher. Todavia, quando escolhemos caminhos tortuosos ao invés dos caminhos da benevolência, decidimos aprender com as consequências muitas vezes dolorosas que nos visitarão no futuro, pois é da semente que se escolhe plantar que nascerá o fruto a ser colhido no amanhã.

Em outras palavras, seria melhor se despertássemos para a bondade já, se a visão da necessidade alheia tocasse as fibras de nossas almas e com ela nos tornássemos “pelo amor”, colaboradores de Deus.

Seria muito bom se nós, que já sentimos o frio na pele prenunciando o inverno que chegará em breve, pudéssemos lembrar como é bom estar aquecidos, e desse modo decidíssemos pela generosidade de doar desde a vestimenta que não nos serve mais até o cobertor comprado com objetivo de proteger um irmão. Seria… seria não, será! Será muito bom quando lembrarmos do sofrimento e não esperarmos que ele nos chegue para fazer recordar dos que já sofrem todos os tipos de necessidade.

Que o amor seja a nossa escolha, que nossa alma se aqueça no embalo da caridade e que nesse sentimento, saibamos estender as mãos.


Vania Mugnato de Vasconcelos


10 agosto 2019

Estudo das obras fundamentais do Espiritismo - Geraldo Campetti Sobrinho



ESTUDO DAS OBRAS FUNDAMENTAIS DO ESPIRITISMO


A leitura atenta e o estudo continuado das obras fundamentais do Espiritismo sempre renovam nossa oportunidade de aprender. Dá a impressão, inclusive, de que estamos diante de um conteúdo inédito, quando nos certificamos, após algum tempo, de que já o havíamos lido anteriormente. Isso decorre, em nosso entendimento, de duas razões principais: a constante atualização dos conteúdos doutrinários expostos na obra básica da Codificação Espírita, isto é, o conteúdo espírita organizado na obra kardequiana foi, é e continua sendo atual; e a oportuna necessidade de atualizarmos nosso entendimento acerca da mensagem evangélica pelo salutar hábito do estudo, ou seja, precisamos “atualizar’ nossa ignorância, buscando novos conhecimentos, cujos assentamentos encontram-se, sem exceção, nas inamovíveis bases definidas no arcabouço doutrinário.

As orientações seguras advindas da Espiritualidade Superior nos recomendam, inclusive, que dediquemos pelo menos 15 minutos diariamente para a leitura de alguma obra escrita sob a responsabilidade de Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita.

Esse contato diário com a obra básica, integrada pelo Pentateuco Kardequiano (O livro dos Espíritos, O livro dos médiuns, O evangelho segundo o Espiritismo, O céu e o inferno e A gênese), somando-se Obras póstumas, O que é o Espiritismo e a extraordinária Revista Espírita (1858-1869), certamente nos colocará a par da sabedoria espiritual e da genialidade de Kardec ao ensejar que tais ensinamentos renovadores fossem materializados na Terra para acesso de todos nós, trabalhadores e aprendizes da última hora.

O estudo possibilita ampliar a visão e o entendimento, a reflexão e a prática, sobre tudo o que nos sensibiliza as percepções, dilatando gradativamente a nossa capacidade de compreensão, a zona lúcida, conforme expressão do estudioso francês Paul Gibier.

O estudo espírita pode ser individual, num processo persistente de autodesenvolvimento, e coletivo, quando nos predispomos a integrar algum grupo interessado em propósitos semelhantes de se reunir e aprender, pelo compartilhamento de lições e experiências.

Ambas as tipologias de estudo, individual e coletivo, exigem planejamento, disciplina e organização do proponente ao aprendizado. Para o estudo individual, alimentemo-nos de boa vontade, separemos um tempo diário de pelo menos 15 minutos, e iniciemos com o propósito firme de ir adiante. No início, há que se vencer algumas resistências naturais. Depois, torna-se mais fácil.

Para o estudo em grupo, as casas espíritas ofertam várias possibilidades, aproveitando-se do material de excelente qualidade disponibilizado ao movimento espírita pela FEB. São os programas do Estudo Sistematizado, do Estudo Aprofundado, do Estudo e Prática da Mediunidade, de cursos específicos sobre as obras da Codificação e de algumas publicações subsidiárias.

Oportunidades de estudo e aprendizado não faltam. O que às vezes falta é nossa boa vontade de estudar e aprender.

Que tal enriquecermos nossa trajetória presente, aproveitando a oportunidade de educação espiritual, propondo-nos à efetiva renovação íntima pelo exercício dos magnos mandamentos recomendados pelo Espírito de Verdade: amai-vos e intruí-vos?!


Geraldo Campetti Sobrinho
Fonte: FEBNet


Referências:

Gibier, Paul. Análise das coisas: ensaio sobre a ciência futura e sua influência certa sobre religiões, filosofias, ciências e artes. Trad. de T. 6. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. cap. 2.


Kardec, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. de Evandro Noleto. 2. ed. de bolso, 1. imp. Brasília: FEB, 2016. cap. 6, it. 5.

09 agosto 2019

Liberação - Divaldo P.Franco



LIBERAÇÃO


As cargas mentais negativas possuem a nefasta força de desorganizar as engrenagens psicológicas e físicas do ser. Acostumando-se-lhes, será necessário ingente esforço para destrinçá-las nos sutis emaranhados dos campos de energia geradora da vida.

Recordações desagradáveis, pensamentos perturbadores, idéias viciosas, frases deprimentes do ontem, ressumam como necessidades de queixas, ressentimentos guardados, iras conservadas, depreciação de si mesmo, desamor, num conjunto de ingredientes destrutivos, que terminam por desorganizar o ser que se lhes permite vitimar.

Não se pode evitar o haver nascido em um lar agressivo, entre pessoas hostis, sob injunções sóciomorais e econômicas penosas. Tal acontecimento faz parte do passado e a lamentação somente complica-o, ao invés de eliminá-lo. Submeter-se às reminiscências deploráveis torna-se uma forma de infeliz masoquismo, que vitaliza o que não se tem como eliminar, embora os recursos de que se dispõe para sobrepô-las e esquecê-las.

Toda vez que alguém se apóia à autocompaixão diante do insucesso da existência planetária, acomoda-se ao sucedido e preserva-o por conformismo. Faz-se, então, inadiável, a decisão para ser feliz, revertendo o ocorrido.

A reencarnação conduziu-te a um lar que consideras inadequado para o teu progresso, e que te faz sofrer. Talvez, tu mesmo o hajas elegido para adaptar-te desde cedo ao processo reparador.

Cada um se vincula aos seres de que necessita para a evolução. Permanecer, porém, ergastulado a esses eventos afligentes é atitude acomodatícia com o negativo e perturbador, quando dispões de valiosos meios para a libertação.

Problemas existem, para serem solucionados.

Dificuldades são testes para desafiar os valores latentes do conhecimento, da capacidade de luta de cada um.

Se preferes a autopiedade, ninguém te poderá ajudar.


O ressentimento, o medo, a queixa, a reclamação do passado, mais te farão dependente do acontecido, no qual inconscientemente te apóias a fim de não lutares pela restauração da paz, e o logro da alegria.

Não podes, nem deves incorporar à existência os vaticínios danosos que te fizeram, as expressões chulas que te dirigiram, as frases deprimentes que te endereçaram, as agressões verbais, morais e físicas de que foste vítima. Isso já passou e não tens como fazer, para que não houvessem sucedido. Desviar-lhes, porém, os efeitos daninhos, sim, cabe-te realizá-lo.v Sabes que não és o que te acusaram. Mas, se por infortúnio da tua fragilidade psicológica, incorporaste à personalidade as investidas aleivosas e te crês conforme te definiram, rompe as algemas e ensaia a tua libertação.

És uma gema bruta por lapidar. Se, exteriormente, a ganga é impura, tens no íntimo o brilho das estrelas, que te cumpre liberar. Começa agora o novo processo da tua vida.

Dá-te a oportunidade de provar a ti mesmo quanto possuis, e conseguirás produzir.

Experimenta o prazer de construir o teu futuro e, de pronto, começarás a ser uma pessoa ditosa.

• O auxílio divino invade-me durante os dias da minha vida e encoraja-me.
• Empenho-me em abandonar a acomodação e o desânimo, revigorando-me na prece e trabalhando pela conquista dos recursos superiores.
• As sombras que me envolvem permanecem, porque as sustento com o pensamento.
• Serei o sol do esforço pessoal e banhado pela divina luz me restaurarei, sendo feliz.


Autor: Divaldo Pereira Franco

08 agosto 2019

A chave Espírita na interpretação da mensagem de Cristo - Marta Antunes de Moura

 (Bliznetzov by Getty Images)


A CHAVE ESPÍRITA NA INTERPRETAÇÃO DA MENSAGEM DO CRISTO



Emmanuel afirma: “O Espiritismo, na sua missão de Consolador, é o amparo do mundo neste século de declives da sua História; só ele pode, na sua feição de Cristianismo redivivo, salvar as religiões que se apagam entre os choques da força e da ambição, do egoísmo e do domínio, apontando ao homem os seus verdadeiros caminhos.[…].”[1] E acrescenta,:

Em todos os tempos surgem no mundo grandes Espíritos que manejam a palavra, impressionando multidões; entretanto, falam em âmbito circunscrito, ainda quando se façam ouvidos em vários continentes.

[…]


A palavra de Jesus, no entanto, transcende lavores artísticos, joias literárias, plataformas políticas, postulados filosóficos, fórmulas estanques. Dirige-se a todas as criaturas da Terra, com absoluta oportunidade, estejam elas nesse ou naquele campo de evolução.

É por isso que a Doutrina Espírita a reflete, não por mera reforma dos conceitos superficiais do movimento religioso, à maneira de quem desmontasse antigo prédio para dar disposição diferente aos materiais que o integram, em novo edifício destinado a simples efeitos exteriores.

Os ensinamentos do Mestre, nos princípios espíritas-cristãos, constituem sistema renovador, indicação de caminho, roteiro de ação, diretriz no aperfeiçoamento de cada ser [2]

O certo é que temos adiado, em muito, a oportunidade de conhecer, meditar, sentir e vivenciar a mensagem do Cristo,[3] como informa Alcíone, sábia personagem de Renúncia, livro de Emmanuel, transmitido pela mediunidade de Chico Xavier. Sendo assim, estejamos atentos a este esclarecimento do benfeitor espiritual: “Mas é chegado o tempo de um reajustamento de todos os valores humanos. Se as dolorosas expiações coletivas preludiam a época dos últimos ”ais” do Apocalipse, a espiritualidade tem de penetrar as realizações do homem físico, conduzindo-as para o bem de toda a Humanidade.”[4]

Em O Evangelho segundo o Espiritismo consta: “Muitos pontos do Evangelho, da Bíblia e dos autores sacros em geral só são ininteligíveis, parecendo alguns até irracionais, por falta da chave que nos faculte compreender o seu verdadeiro sentido. Essa chave está completa no Espiritismo, como já puderam convencer-se os que o estudaram seriamente, e como todos o reconhecerão melhor ainda, mais tarde.[…]”[5] A chave para analisar a mensagem do Cristo, em espírito e verdade, como orienta Allan Kardec é o Espiritismo:

Se o Cristo não pôde desenvolver o seu ensino de maneira completa, é que faltavam aos homens conhecimentos que eles só podiam adquirir com o tempo e sem os quais não o compreenderiam; há muitas coisas que teriam parecido absurdas no estado dos conhecimentos de então. completar o seu ensino deve entender-se no sentido de explicar e desenvolver, e não no de juntar-lhe verdades novas, porque tudo nele se encontra em estado de germe, faltando-lhe somente a chave para se apreender o sentido de suas palavras.[6]

Existem no mundo inúmeras interpretações da mensagem de Jesus, a maioria subordinada às teologias das igrejas cristãs, às suas práticas de culto externo ou dogmas definidos pela tradição ou pelas políticas clericais, ao longo da história. Tal constatação indica que o estudo da mensagem cristã abrange mais o aspecto literal, o da letra, relegando a planos secundários a essência dos ensinamentos de Cristo. Neste contexto, há estudiosos sérios que, ao se debruçarem sobre o assunto, enfatizam o aspecto histórico-cultural (Jesus Histórico) ou a análise espiritual do Evangelho que extrapola as dimensões temporais e histórico-culturais dos textos e das interpretações literais ou simbólicas.

O termo Jesus histórico refere-se a uma tentativa de reconstruções acadêmica do século I da figura de Jesus de Nazaré. Estas reconstruções são baseadas em métodos históricos, incluindo a análise crítica dos evangelhos canônicos[7] como a principal fonte para sua biografia, juntamente com a consideração do contexto histórico e cultural em que Jesus viveu.

A pesquisa sobre o Jesus histórico teve início no século XVIII e se desenvolveu, até os nossos dias, em três ondas, preocupadas em reconstruir os fatos históricos e a pessoa humana de Jesus, que ficavam como que escondidos atrás das afirmações dogmáticas e de fé das Igrejas.

Tal busca teve como premissa uma mentalidade racionalista, que acredita poder reconstruir a verdade histórica relacionada a Jesus por meio da razão, e foi impulsionada pela descoberta da estratificação e fragmentação dos textos bíblicos e sua consequente classificação. Um aspecto fundamental dessa busca é tentar inserir Jesus no contexto histórico-sociocultural do judaísmo do século I na Palestina por meio do estudo de fontes canônicas, apócrifas[8] e pseudoepígrafas[9], que lançaram novas luzes sobre a complexidade da religião e da sociedade judaica daquela época.

A busca pelo Jesus histórico se apoia na literatura bíblica e extra bíblica do século I; nas descobertas arqueológicas e nos estudos sociológicos e historiográficos, para reconstruir e entender o contexto histórico, sociológico e religioso do tempo de Jesus, tentando entender e imaginar o impacto de sua pessoa e de sua mensagem dentro deste mesmo contexto, portanto, parte-se do pressuposto que Jesus deve ser lido dentro do contexto da Galileia daquela época. [10]

Para compreender os fundamentos das lições de Jesus, à luz do entendimento espírita, faz-se necessário conhecer os princípios básicos da Doutrina Espírita, a fim de utilizá-los como chave interpretativa. Caso contrário, permaneceremos nas posições dogmáticas e literais ou nas meramente opinativas.

Os princípios básicos do Espiritismo, nomeados por Allan Kardec como aos pontos mais importantes, estão indicados em O Livro dos Espíritos, Introdução VI. São orientações que o espírita precisa conhecer de forma mais aprofundada e que se encontram citados não só na primeira obra da Codificação, ora citada, mas explicados nas demais (O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese. Os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo).

Os programas de estudos regulares da Doutrina Espírita, como ESDE (Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita), EADE (Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita) e MEP (Mediunidade – Estudo e Prática) analisam em detalhes os pontos principais do Espiritismo que, resumidamente, são os que se seguem.

Deus, Pai e Criador; Jesus, Guia e Modelo da Humanidade terrestre; Espírito, ser imortal, existente, pré-existente e sobrevivente à morte do corpo físico; Perispírito, organização estrutural do ser humano e dos animais; Livre-arbítrio e Lei de Causa e Efeito, processos que governam a liberdade e consequências das escolhas humanas; Evolução, mecanismo divino que determina o progresso intelectual e moral do Espírito; Encarnação e Reencarnação; mecanismos reguladores da evolução do Espírito; Pluralidade dos Mundos Habitados, princípio doutrinário espírita que esclarece a respeito das categorias evolutivas dos mundos habitados no Universo: primitivos, de expiação e provas, de regeneração, felizes e divinos; Plano Espiritual, que trata das condições da vida do Espírito imortal na dimensão extrafísica da vida; Influência e Comunicabilidade dos Espíritos, revelam as ações do Espíritos sobre o plano físico e a mediunidade, faculdade de comunicabilidade da mente humana.

A proposta de estudar os textos do Evangelho, inseridos nos 27 livros do Novo Testamento, à luz do Espiritismo, é a de realizar estudo metódico, sério, continuado, partindo-se do simples para o complexo, porém mantendo o permanente cuidado de não confundir o símbolo com o ensinamento essencial da mensagem. Tal metodologia amplia a aprendizagem do assunto e orienta o comportamento do espírita, visto que a mensagem do Cristo é o código moral de conduta por excelência.
Marta Antunes de Moura 
Fonte: FEBNet

Referências:

[1] XAVIER, F.C. A caminho da luz. Pelo Espírito Emmanuel. Cap. 25, p. 201.

[2] Idem. Palavras de vida eterna. Pelo Espírito Emmanuel. Cap. 118, p. 251-252.

[3] XAVIER, F.C.. Renúncia. Pelo Espírito Emmanuel. Parte 2, cap. III, p. 328.

[4]Idem. A caminho da luz. Pelo Espírito Emmanuel. Cap. 25, p. 201.


[5] KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. de Evandro Noleto Bezerra. Introdução, p.14-15, [6] Idem. A gênese. Os milagres e as predições segundo o espiritismo. Trad. de Evandro Noleto Bezerra. Cap. I, item 28, p.26. 

[7] Evangelhos canônicos: referem aos textos de Mateus, Marcos, Lucas e João, considerados para a maioria das igrejas cristãs como os legítimos e que foram diretamente inspirados por Deus. Integrados ao Novo Testamento, constituem o seu Cânon (do grego, régua ou vara de medir), possivelmente a partir de 150 anos d.C. Os livros canônicos não podem ser removidos ou acrescentados. 

 [8] Fontes apócrifas, pseudocanônicas ou ocultas: são livros escritos por comunidades cristãs (NT) e pré-cristãs (AT), não reconhecidos pelas igrejas cristãs e que se encontram excluídos do cânon bíblico. A definição de um livro como apócrifo varia de acordo com a religião: há livros considerados apócrifos pela igreja católica, mas que não são para o judaísmo, e vice-versa. 

 [9] Fontes pseudoepígrafas: são textos antigos aos quais são atribuídos falsa autoria. 

[10] Jesus Histórico: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jesus_hist%C3%B3rico Acesso em 21 de junho de 2019. 


07 agosto 2019

Nossa missão espiritual - Hugo Lapa

(Chico Xavier e Emmanuel)


NOSSA MISSÃO ESPIRITUAL


Algumas pessoas me pedem explicações sobre a missão espiritual de cada um. Elas afirmam que não sabem qual é a sua missão e por isso, não sabem como começar a coloca-la me prática. Um questionamento comum é: o que devo fazer em minha vida para cumprir minha missão? Essa é uma pergunta comum, mas não é tão simples de ser respondida, pois nossa missão espiritual está muito mais próximo de algo que devemos sentir interiormente do que de algo que precisamos saber intelectualmente.

A melhor resposta que se pode dar a esse impasse é que, na verdade, quase ninguém sabe ao certo qual é a sua missão, pois nosso compromisso espiritual não é algo que pode nos ser informado, mas sim algo que cabe a cada um de nós desvendar. Revelar ao outro qual é a sua missão seria o mesmo que um professor passar todas as perguntas ao aluno antes dele fazer a prova. Se o aluno sabe de antemão o que lhe será perguntado, ele não será testado em seus conhecimentos. O mesmo se dá com a nossa missão espiritual. Se um anjo descesse do céu e dissesse: “Faça isso”, a pessoa estaria fazendo apenas porque o anjo a ordenou e não porque ela sente interiormente que deve fazer. Por isso, Deus não pode revelar nossa missão, mas somos nós é que precisamos descobri-la sozinhos. Na quase totalidade das vezes não sabemos qual é a nossa missão, mas vamos aos poucos resolvendo os enigmas e a desvendando. Isso ocorre no momento em que decidimos seguir o nosso coração, os impulsos de nossa alma, as aspirações mais profundas do nosso ser.

Uma das principais características de uma missão espiritual é seu caráter impessoal e desprendido. Nossa missão não é algo feito para nós, para nossos interesses pessoais, para ganhar dinheiro, ou para obter coisas no mundo. O cumprimento de metas pessoais tem a ver com nosso karma pessoal, com os efeitos do nosso ego, de nossa personalidade, e não com nossa missão. A missão espiritual é um impulso que vem do nosso espírito e é um legado que a pessoa deixa para a humanidade. É uma obra que deve ser concretizada no mundo e que tem sua origem nos ecos do nosso espírito. Não é uma realização pessoal, mas vem de uma aspiração coletiva. Não se trata de nossa necessidade, mas de uma necessidade do conjunto da sociedade.

É preciso dizer que ninguém deve realizar sua missão pensando nos ganhos materiais que obterá, pois quem faz isso está se desviando de sua missão e percorrendo um caminho pessoal e interesseiro. Quando isso ocorre, é comum falharmos em nossa missão. Sim, é possível se falhar em uma missão. Um homem religioso, por exemplo, pode vir com a missão de inspirar em milhares de pessoas a fé em Deus, mas pode sentir-se muito atraído pelo dinheiro das doações, pega-las para si mesmo, enriquecer e assim, falhar em sua missão. Nesse exemplo, o religioso pode se tornar não alguém que conduz as pessoas a Deus, mas sim aquele que as desvia do caminho espiritual. O religioso pode vir com o dom da oratória. Esse dom o ajudaria em sua missão e muitas pessoas poderiam sentir-se tocadas pelas suas palavras e, assim, sentirem-se inspiradas a seguir o caminho espiritual. Mas o dom que seria utilizado de forma positiva pode também ser utilizado de forma negativa, caso o religioso falhe em sua missão e deixe-se levar pelas tentações materiais. Nesse caso, a pessoa pode até mesmo aprofundar seu karma negativo e ficar ainda mais endividada.

Dizem que os espíritos mais elevados não falham em suas missões, mas os espíritos não tão adiantados, como 99,9% da humanidade, podem sim cometer erros e fracassar. O principal erro que alguém pode cometer para colocar em cheque sua missão é seguir um caminho do seu ego e não do seu espírito. O orgulho, a vaidade e o egoísmo são frequentemente o principal motivo das pessoas falharem em suas missões. Outro dado relevante é que missões muito importantes para a humanidade e que tratam de questões de necessidade evolutiva global e planetária não são depositadas apenas em um único indivíduo, mas em dois, três ou mesmo quatro pessoas. Isso significa que, se uma pessoa vem com uma missão muito importante de ser concretizada, outros espíritos podem nascer ao mesmo tempo para garantir que aquela obra seja feita. Por exemplo, Buda encarnou e cumpriu sua missão, mas caso ele tivesse falhado (o que é muito improvável) outro já estava pronto para realiza-la. Essa pessoa foi Mahavira, contemporâneo de Buda. Um homem com uma vida muito semelhante a de Buda e que foi incumbido da mesma missão.

Mas que tipo de missões as pessoas podem realizar em benefício da humanidade? Uma pessoa pode ter a missão de escrever um ou mais livros. Outra pessoa pode ter a missão de cuidar de crianças abandonadas. Outro pode ter como missão produzir filmes humanistas. Outro pode ter como missão dar palestras sobre um determinado tema em seu país ou em vários países. Outra pessoa pode ter como missão uma profissão comum, como exercer a medicina, a enfermagem, a psicologia, a advogacia, tudo isso em prol do bem comum. Há também aqueles que são pessoas de destaque e poder na sociedade, como por exemplo um jogador de futebol, de basquete, ou um ator famoso, um político, um juiz, etc, e que precisem realizar, dentro de suas respectivas áreas, missões de transformação social e humana. Um político pode realizar muito pela população de sua cidade; um juiz pode ter como missão prender pessoas do crime organizado e livrar uma cidade dos malfeitores, para tanto ele precisa enfrentar o medo de morrer e colocar sua vida a serviço do bem comum, mesmo sob o risco de morte; um jogador de futebol pode usar seu prestígio prévio para dar bons exemplos de cidadania, ética e solidariedade a todos os seus fãs; um homem muito rico pode utilizar seu dinheiro para ajudar instituições, construir abrigos, criar fundações, etc.

Um ator famoso, por seu lado, pode se engajar em projetos sociais e usar sua influência para chamar a atenção para determinada causa ou sensibilizar a população sobre algum segmento excluído da sociedade, como por exemplo os deficientes físicos. Em cada área de atuação é possível se realizar grandes obras, deixar sua contribuição, estimular avanços e provocar a abertura de novos campos. Cientistas podem também ser grandes missionários e realizar grandes feitos pela humanidade. Um bom exemplo é Albert Sabin, que renunciou a patente da vacina contra a polimielite pra que ela pudesse ser distribuída gratuitamente para todas as pessoas. Sabin ajudou a salvar milhões de vidas ao redor do mundo com sua renúncia, sua solidariedade e sua benevolência. Ele pode ser considerado um exemplo de cientista abnegado e missionário que veio a Terra. Outro exemplo de cientista missionário foi Albert Einstein, que lutou durante anos contra a bomba atômica e foi uma voz importante no discurso pacifista e da união dos povos. Einstein não era um cientista clássico, com um pensamento mecanicista, mas tinha uma veia filosófica profunda e humanista.

Além das missões de abrangência local, de pequena monta, há também aqueles missionários cósmicos, que vêm a Terra de tempos em tempos, algumas vezes obedecendo conjunções astrológicas, cumprir missões de cunho planetário. Esse é o caso dos mestres espirituais, conhecidos como os avatares na Índia, ou Adeptos na Teosofia. Esses podem ser considerados os maiores mestres da humanidade; espíritos muito elevados que vêm trazer mensagens e realizar obras que ajudam a impulsionar a evolução espiritual de toda a humanidade. São exemplos de missionários cósmicos personalidades como Jesus, Buda, Krishna, Lao Tsé, Thot, Zoroastro, Rama, Seraphis, Padma Sambhava, dentre outros. Alguns deles foram considerados deuses na antiguidade, pois suas histórias oficiais se perderam na noite dos tempos e eles se tornaram muito mais um mito ou uma figura lendária do que um personagem histórico. No caso de uma missão cósmica tão importante e decisiva para a humanidade, é necessário que outros espíritos venham antes do mestre e preparem o terreno para o florescimento de sua obra. Esse foi o caso de João Batista antes de Jesus. João veio ao mundo apenas para tornar as pessoas mais receptivas a vinda do messias. Ele preparou o povo para aquele que viria depois dele. Há também seres que realizam sua missão silenciosamente, sem serem conhecidos e de forma absolutamente discreta. Trabalham nos “bastidores do mundo”, mas nem por isso sua missão é de menor relevância. Para esses espíritos, a fama, a promoção pessoal e a projeção do seu nome nada representam: eles são movidos unicamente pela sintonia com o espírito universal, fonte de toda a vida. Sua única inspiração é fazer o bem pelo bem. Exemplos de missionários espirituais de menor alcance do século XX e XXI são: Amma, Dadi Janki, Ram Bonjam, Mathieu Ricard, Padre Pio de Pietrelcina, Irmã Dulce, Teresa Neuman, Ramana Maharshi, Yogananda, Vivekananda, Albert Schweitzer, dentre outros.

Mas é certo que poucas são as pessoas que conhecem sua missão e sabem exatamente o que devem fazer. Um exemplo conhecido de todos é o de Chico Xavier. Certo dia, Chico estava calmamente descansando próximo a uma cachoeira quando teve o primeiro contato direito com seu mentor espiritual. O mentor de Chico era o espírito que ficou conhecido como Emmanuel. Esse espírito guia conversou com Chico e lhe passou as informações iniciais sobre a missão que ele deveria desenvolver em sua vida a partir daquele momento. Inicialmente, Emmanuel revelou que Chico deveria escrever 30 livros. Chico disse que não havia dinheiro para fazer as publicações. Emmanuel disse que Chico não se preocupasse com isso, pois tudo isso seria arranjado pela espiritualidade.

Esse é um aspecto importante da missão de cada um. Quando alguém está no caminho certo, mesmo que ela não disponha dos recursos para alguma realização, se aquilo precisa acontecer, de fato acontece. Por exemplo, uma pessoa deseja fazer um filme humanista e essa é sua missão. Se a pessoa idealiza o filme e só falta o capital para sua produção, o plano cósmico dá um jeito de trazer esse investimento. Isso não significa, obviamente, que uma certa carga de esforço não seja necessária. O esforço é essencial e a pessoa pode atravessar muitas dificuldades até conseguir os recursos, mas se o filme tem que sair, o plano divino dá um jeito de fazer tudo acontecer.

Já explicamos no livro “Tratado de Terapia de Vidas Passadas” que existem três tipos de pessoas que vem a Terra. A primeira vem apenas para cumprir seu karma e viver certas provações. A segunda vem com o destino de cumprir uma parcela de seu karma e, ao mesmo tempo, também realizar alguma missão espiritual. Outros, esses bem mais raros, vieram apenas para cumprir sua missão, sem a necessidade de expiar seu karma. Mas é certo que a maioria veio ao mundo apenas para cumprir seu destino kármico e assim aprender certas lições. Pessoas que nasceram apenas para cumprir karma e atravessar certas provações podem ter como tarefa principal, por exemplo, nascer em condições subumanas, viver uma existência de miséria e privações, sofrer algum acidente, ficar paralítico, perder todo o dinheiro, casa e estabilidade. Outros vêm para enfrentar a morte de um filho, da esposa e de outros familiares. Outros ainda vêm para resolver certas pendências com seu parceiro evolutivo, além de perdoar, arrepender-se de certos erros, cuidar de familiares ou amigos, ser o ponto de equilíbrio numa família, dentre outras tarefas kármicas. É importante diferenciar a missão do karma. Missão espiritual é uma realização de alcance coletivo. Tarefas kármicas são realizações apenas de alcance pessoal, que fazemos para nós mesmos e nossa evolução espiritual.

Aqueles que desejam iniciar sua missão devem ficar atentos àquilo que os antigos chamavam de sinais. Devemos prestar atenção nos sinais e dar valor a eles, caso desejemos descobrir as tarefas que devemos iniciar. Por outro lado, para realizar nossa missão espiritual devemos iniciar empreendendo tudo aquilo que sentimos que deve ser feito. Qual é a coisa que você mais sente afinidade? O que mais te realiza? O que mais você busca e almeja na vida? O que te faz feliz? Imagine-se daqui a 10 ou 20 anos, o que você gostaria de ter feito ou ter iniciado? Você gostaria de ser lembrado por ter realizado qual obra? Qual atividade ou qual realização dentro do seu trabalho mais te preenche, te alegra, te faz sentir pleno e realizado?

Entre dentro de si mesmo e tente sentir onde está o seu coração, onde está seu espírito se manifestando na Terra. Pense e reflita nessas questões. Se as suas maiores aspirações forem realizações de interesse meramente pessoal, pode ser que você tenha vindo a terra somente para viver seu karma e suas provações. Mas se as suas aspirações tiverem uma perspectiva coletiva, talvez você seja um missionário que veio ao mundo deixar uma obra.

Faça aquilo que você sente em sua consciência que é o correto a se fazer… e naturalmente você estará cumprindo aquilo que veio realizar.

Hugo Lapa


06 agosto 2019

É sempre tempo de receber visitas - Jane Maiolo



É SEMPRE TEMPO DE RECEBER VISITAS



“Pois, se nem ainda podeis as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras?” (1) Lucas - 12:26

O evangelista Lucas descreve a presença de Jesus na casa de Marta e Maria. Narra que na ocasião o Mestre é recepcionado pelas irmãs de Lázaro, o “ressuscitado”, iniciando um momento prazeroso de conversação, seguido de grandes e preciosos ensinamentos. (2)

É oportuna a narrativa para reflexão sobre a ansiedade e as escolhas que fazemos diariamente. É imperioso, pois, analisar alguns dados sobre o comportamento do homem contemporâneo e os reflexos do tênue e arriscado mundo virtual em nossa saúde sócio psicossomática.

A temática, descrita por Lucas: “Jesus na casa de Marta e Maria”, traz do mesmo modo, uma indicação sutil de como desenvolvermos hábitos saudáveis nos círculos de convivência e como o Evangelho meditado, sentido e vivenciado pode lançar luz sobre nossas escolhas.

A personagem “Marta” simboliza a ação, agitação e o fazer, enquanto que “Maria” representa a serenidade, contemplação e a emoção. Portanto, “Marta” e “Maria” sintetizam as variantes dos estados psicológicos do ser humano.

Nesse sentido, podemos rematar que todos temos uma parcela psíquica de “Marta” e um fragmento de “Maria”, no entanto é urgente o incremento do equilíbrio íntimo a fim de provar nossas escolhas com o foco na serenidade e na paz diante dos desafios dos atuais dias conturbados que vivemos.

O apontamento de Lucas demonstra que Jesus destacou a opção de “Maria” como a melhor parte, que não lhe será tirada. Ao ensejo da lição é importante ajuizarmos nossas eleições entre “Marta” e “Maria” sabendo que “Marta” continua sendo a representação de tudo o devemos realizar sem com isso nos aprisionar.

O apego aos bens materiais, o corre-corre tresloucado, as doenças psicossomáticas indicam-nos sobre o imperativo de organizarmos redes de proteção e nos percebamos acudidos nos círculos de afetos, apaziguando, por efeito, as rotineiras agitações e distonias que desavisadamente elegemos.

A inquietação mental e a agitação emocional impactam a saúde de tal modo que resultam nas inevitáveis incapacitações de atos proativos, promovem distúrbios e ou transtornos que obrigam a um longo período de terapias psicológicas.

Segundo dados disponíveis no portal da OMS, os transtornos de ansiedade atingem um total de 264 milhões de indivíduos, 18 milhões são brasileiros.

Para apaziguar os colapsos psicológicos generalizados será imprescindível o atendimento médico especializado, as psicoterapias, e outros processos terapêuticos além das propostas socorristas das casas espíritas, através de palestras, cursos doutrinários, acolhimento fraternal, atividades assistenciais, passe magnético e a água fluidificada.

Porém, para bancar tais procedimentos socorristas e atendimentos apropriados o trabalhador do centro espírita não pode constar no rol dos neurotizados, padecendo as mesmas alterações cognitivas e comportamentais dos desajustados do mundo.

Paira certo transtorno de ansiedade nalguns trabalhadores espíritas, mormente quando tais “obreiros” aceleram as imaginações futuristas em processos de antecipação de eventuais ocorrências futuras. Aliás, paranoia contida nas evidentes correrias para promoções de eventos, obstando plenificação consciencial nas lides espíritas através das experiências simples do cotidiana.

A desordem ansiosa começa quando tal subversão fica descomedida. O nervosismo narcotiza o indivíduo, impedindo que realize as tarefas, atrapalhando os compromissos, emperrando a vida social e espiritual.

Logicamente os tempos apresentados na referência de Lucas eram diferentes e não decretavam das pessoas tantas atividades sociais, culturais e econômicas, entretanto a lição contida na citação do evangelista é lecionar aos homens, de todas as épocas, a discernir entre o que é circunstancial e o que é essencial na vida.

Personificar “Maria” é oferecer as melhores escolhas, assumir “Marta” pode equilibrar circunstancialmente as ações mirando o bom, o belo e o bem sem desânimo e sem inquietação.

Em síntese: “É importante mover as mãos de “Marta”, contudo, primordialmente vale auscultar o coração de “Maria”.


Referência bibliográfica:

1-Lucas -  12:26

2-Lucas -  10:38

05 agosto 2019

A mulher, a violência e o homem (um ponto de vista espírita) - José Lucas




A MULHER, A VIOLÊNCIA E O HOMEM
(UM PONTO DE VISTA ESPÍRITA)



Portugal tem sido assolado por uma onda de violência doméstica sem precedentes. Somente de janeiro de 2019 a esta data (1), já foram mortas pelos seus companheiros mais de uma dezena de mulheres, inclusive com mortes macabras. O entendimento do Espiritismo pode resolver esse problema.

No ponto de vista espírita, o Ser Humano é um Espírito imortal, criado por Deus, que começou a sua evolução no reino hominal, na 1ª encarnação em mundos primitivos, simples e ignorante. Ao longo dos milênios, esse Espírito vai tendo reencarnações sucessivas e progressivas, desenvolvendo o intelecto e a moral, até que um dia atinja o estado de Espírito puro, não necessitando mais de reencarnar, continuando a sua evolução como cocriador de Deus, no Universo.

Nessa viagem de milhões de anos, o Espírito tanto reencarna como homem ou mulher, de acordo com o que for mais útil para si, tendo em conta as suas necessidades evolutivas.

Em “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, que comporta a filosofia espírita, podemos encontrar conceitos claros sobre o assunto, explicando que o Espírito é portador de sexualidade, mas não de sexo. Apenas quando tem necessidade de reencarnar, o Espírito adota uma polaridade sexual (masculina ou feminina) tendo em conta aquilo que necessita aprender nessa reencarnação.

Na questão 202 de “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec pergunta:

“Quando somos Espíritos, preferimos encarnar num corpo de homem ou de mulher?

Resposta - Isso pouco importa ao Espírito; depende das provas que ele tiver de sofrer.

Os Espíritos encarnam-se homens ou mulheres, porque não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, oferece-lhes provas e deveres especiais e novas ocasiões de adquirir experiências. Aquele que fosse sempre homem, só saberia o que sabem os homens”.

Nesse sentido, não faz qualquer sentido haver discriminação de raças (racismo), de povos (xenofobia), desprezo pela Natureza (ecologia), de condição social (pobreza) e de sexo, pois que o Espírito reencarnará na raça, no país, na condição social e com o sexo que lhe forem mais úteis para a sua evolução, naquele momento.

Tendo esse conhecimento, sabendo que o Universo rege-se pela Lei de Causa e Efeito (tudo o que sentimos, pensamos e fazemos repercute sobre nós), somente o desconhecimento das Leis Morais de Deus pode levar a esta autêntica guerra de sexos, ao longo da história da Terra.

Com o Espiritismo, o Homem toma consciência de que é um passageiro no comboio da vida, colhendo mais além o que semeou mais atrás. Se foi rude, violento, repetidas vezes, para com o sexo oposto, a bondade divina pode proporcionar-lhe, pedagogicamente, uma ou várias vivências futuras na polaridade sexual feminina, para que assim aprenda a valorizar o sexo desprezado, adquirindo qualidades e características típicas desse sexo, que lhe serão úteis para o seu equilíbrio espiritual, em busca da sua felicidade. O mesmo acontece ao inverso, da polaridade feminina para a masculina.

O homem e a mulher sofrem na Terra as contingências culturais do local onde nascem, a aculturação social, no entanto, trazem no seu íntimo a noção de Bem e de Mal, do que está certo e está errado, do ponto de vista moral.

A reencarnação (hoje provada cientificamente pelos estudos do psiquiatra americano Ian Stevenson, entre outros) tem ainda o condão de proporcionar ao Espírito a vida em sociedade, aprendendo com diferentes pessoas, de ambos os sexos, de diferentes países e culturas, no caminho intelectual e moral que o catapultará para estados de alma mais felizes, em vidas futuras, na Terra ou noutros planetas mais evoluídos.

O planeta Terra pode ser comparado a grande escola, com milhões de alunos, uns mais atrasados do que outros, uns mais pacíficos do que os demais, uns mais inteligentes do que os restantes, no entanto, como em qualquer escola, existem regras de conduta que não podem ser violadas, em prol do bem comum, sob pena de uma advertência ou processo disciplinar, com vista à reeducação do aluno.

Também nas reencarnações sucessivas, o Espírito será sempre o responsável pela sua conduta moral, colhendo as alegrias ou as dores morais que defluem da sua conduta passada.

Acreditamos que com uma maior e melhor divulgação da Doutrina Espírita (Espiritismo ou Doutrina dos Espíritos), que não é mais uma religião ou seita, mas sim uma filosofia de vida, as pessoas despertarão mais rapidamente para uma consciencialização de que são Espíritos imortais, consciência essa que terá inevitavelmente consequências morais na sua maneira de sentir, pensar e agir.

“Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei”.


 José Lucas

(1) Este artigo foi escrito no dia 8 de março de 2019
Dia Internacional da Mulher.

04 agosto 2019

Obras de referência na literatura espírita - Geraldo Campetti Sobrinho



OBRAS DE REFERÊNCIA NA LITERATURA ESPÍRITA


A literatura espírita está cada vez mais rica, com uma oferta vultosa de títulos pelo mercado editorial que nos causa admiração. São obras mediúnicas e outras escritas por estudiosos e pesquisadores do Espiritismo, apresentando valiosa contribuição para o entendimento das questões transcendentes do Espírito imortal e de suas existências físicas.

Dentre esse vasto acervo, crescente em escala geométrica a cada dia, é recomendável que jamais descuremos do contato com as obras fundamentais codificadas por Allan Kardec, a fim de mantermos sempre a segurança doutrinária e sabermos distinguir, pela lógica e lucidez, o conteúdo espírita do que vem sendo confundido com outros conceitos, supostamente “espiritistas”, em obras de duvidosa origem e informações questionáveis.

Como o universo é amplo, não temos tempo para ler todas as obras que são publicadas. O ideal é que tais livros fossem rigorosamente selecionados pelas editoras antes de sua edição, procedimento infelizmente não adotado na maioria das vezes. Resta, em tais situações, a seleção da leitura pelo próprio leitor, nem sempre preparado para esse mister, sobretudo quando incipiente em matéria doutrinária.

Para facilitar o acesso à informação espírita têm surgido diversas obras de referência destinadas a serem o ponto inicial de qualquer pesquisa e estudo doutrinário, atendendo a finalidades variadas de preparação de palestras, aulas, estudos individuais e em grupo, esclarecimento de dúvidas, redação de artigos e livros… São bibliografias, catálogos, dicionários, enciclopédias, glossários, guias, índices, manuais, repertórios, tesauros, entre outros trabalhos do gênero, merecedores de especial atenção pelo aprendiz do Evangelho de Jesus à luz da Doutrina Espírita.

A Federação Espírita Brasileira, no cumprimento de sua missão relativa à difusão, estudo e prática do Espiritismo, preocupa-se, por intermédio da FEB Editora, em disponibilizar ao público esse valioso recurso de pesquisa. Dessa forma, vem publicando ao longo do tempo obras de acentuado valor para facilitar a vida do pesquisador, estudioso ou mesmo do curioso em aprofundar seus conhecimentos sobre os conteúdos doutrinários.

Dicionário da alma, Pérolas do além, Vocabulário histórico e geográfico dos romances de Emmanuel, Palavras de Emmanuel, O livro espírita na FEB, O Espiritismo de A a Z, Guia de fontes espíritas, Índice da Revista Espírita são algumas dessas publicações, parte delas disponibilizadas para pesquisa no portal www.febnet.org.br.

Nessa diretriz, a FEB Editora lançou mais uma valiosa obra de referência intitulada A vida no mundo espiritual: estudo da obra de André Luiz. Resultado de esforço coletivo, e contando com significativa apresentação do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, pela psicografia de Divaldo Pereira Franco, trata-se de repertório que contempla o resumo dos livros e de cada capítulo das obras da conhecida coleção, minibiografia dos personagens citados pelo autor, coletânea de orações, índice consolidado, glossário, previsões científicas e tecnológicas na obra de André Luiz, e as referências utilizadas como fonte de consulta para a realização do trabalho.

Esperamos que o estimado leitor usufrua dessa fonte de preciosos recursos para o estudo e entendimento da atualíssima coleção A vida no mundo espiritual ditada pelo Espírito André Luiz ao médium Francisco Cândido Xavier.



Geraldo Campetti Sobrinho
Fonte: FEBNet

03 agosto 2019

Postura coerente ou so aparência? - Orson Peter Carrara



POSTURA COERENTE OU SÓ APARÊNCIA?


Tem sido desafio em todos os tempos mantermo-nos coerentes com as noções de justiça e bondade que gradativamente vamos adquirindo pelas experiências de vida, sejam nos relacionamentos ou até mesmo com as reflexões interiores sempre presentes. Afinal sempre é tempo de nos perguntarmos se somos coerentes com o que já sabemos ou afirmamos saber, quando confrontamos tais conteúdos com as posturas e comportamentos que adotamos. Ou, em outras palavras, se estamos com as ilusões da aparência.

Num planeta com tantos extremos que todo dia apresenta quadros de mediocridade e violência, igualmente contrastando com as belezas e harmonia da natureza, é de se perguntar mesmo como estamos...

Há uma afirmação do Apóstolo Paulo que nos ajuda nessa reflexão. Acompanhe comigo página do capítulo 23 do livro Caminho, Verdade e Vida (ed. FEB, autoria de Emmanuel):

“Na epístola aos romanos, Paulo afirma que o justo viverá pela fé. Não poucos aprendizes interpretaram erradamente a assertiva. Supuseram que viver pela fé seria executar rigorosamente as cerimônias exteriores dos cultos religiosos.

Frequentar os templos, harmonizar-se com os sacerdotes, respeitar a simbologia sectária, indicariam a presença do homem justo. Mas nem sempre vemos o bom ritualista aliado ao bom homem. E, antes de tudo, é necessário ser criatura de Deus, em todas as circunstâncias da existência.

Paulo de Tarso queria dizer que o justo será sempre fiel, viverá de modo invariável, na verdadeira fidelidade ao Pai que está nos céus.

Os dias são ridentes e tranquilos? Tenhamos boa memória e não desdenhemos a moderação. São escuros e tristes? Confiemos em Deus, sem cuja permissão a tempestade não desabaria. Veio o abandono do mundo? O Pai jamais nos abandona.

Chegaram as enfermidades, os desenganos, a ingratidão e a morte?

Eles são todos bons amigos, por trazerem até nós a oportunidade de sermos justos, de vivermos pela fé, segundo as disposições sagradas do Cristianismo”

A expressão “o justo viverá pela fé”, de Paulo, extrapola a falsa noção que atribuímos a esse viver, como se ele fosse o mero cumprimento de aparências estabelecidas. A fé não está atrelada a aparências; há que ser cultivada, conquistada, construída, meditada, vivida, portanto, nos esforços do comportamento coerente com o conhecimento, em qualquer circunstância, para a conquista de uma postura coerente que não seja mera aparência...


Orson Peter Carrara

02 agosto 2019

Serenidade - Divaldo P.Franco



SERENIDADE


A vida moderna, com os seus múltiplos e complexos mecanismos para uma existência com saúde, harmonia e rica de valores ético-morais e culturais, exige esforços quase sobre-humanos. Os vários processos que estimulam e realizam o crescimento interior impõem expressiva quota de disciplina e de serenidade.

A aplicação desses recursos exige uma bem planejada programação, a fim de poder-se atender a todos sem sobrecarga física, mental ou emocional, mantendo o ritmo do equilíbrio. Nem sempre, porém, se consegue esse roteiro aplicado nas atividades do dia a dia. E pode-se notar os resultados numa sociedade ansiosa, cansada, excitada e em contínua fuga da realidade, procurando soluções que não conseguem acalmar o ânimo nem manter o bem-estar.

A tecnologia voltada para facilitar as atividades também abre espaço para os prazeres e divertimentos que tomam muito tempo, tornando-se fugas psicológicas para uma autorrealização impossível. Como consequência imediata, o individualismo domina grande número de pessoas que se acomodam nos jogos e futilidades da comunicação virtual, não se aprofundando nos objetivos reais do existir.

A celeridade das comunicações facilita a multiplicação de compromissos e o seu elevado número desanima todos aqueles que desejam estar a par de tudo, participar de todos os eventos, ser notícia constante, brilhar nas telas dos aparelhos de divulgação. Ante a ocorrência sem interrupção, se vão instalando distúrbios emocionais, entre os quais se destaca a irritação, resultante do natural cansaço das atividades, entre as quais aquelas de somenos importância.

Esse nervosismo disfarçado com sorrisos televisivos e destituídos de real alegria desorganiza o emocional, e a serenidade indispensável a uma existência feliz desaparece. Discute-se por quase nada, vive-se armado como se os relacionamentos devessem ocorrer num campo de batalha, e o ego inquieto, inseguro, soma experiências malsucedidas, levando a transtornos de perturbação. Afinal, as conquistas da ciência e da tecnologia têm por fim o bem-estar do cidadão e a sua perfeita integração na coletividade.

Cada indivíduo deve esforçar-se para manter a calma em qualquer situação em que se veja colocado, extraindo, daquelas desafiadores e afligentes, os melhores proveitos para manter-se no clima da alegria de viver e de fomentar o progresso moral do mundo. Sem serenidade, tudo aquilo que se adquire perde o brilho e o significado, sendo indispensável o comportamento amparado numa filosofia otimista e coroado por uma crença religiosa confortadora e lógica, explicando o sentido da vida, que é amar.

Há uma ânsia perturbadora para se ter, possuir e brilhar. No entanto, é necessário ser sereno e amar para bem viver.

Divaldo Pereira Franco Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 27.6.2019.

01 agosto 2019

Anjos Tutelares - Momento Espírita

(Imagem meramente ilustrativa)

ANJOS TUTELARES


Joana era uma garotinha de pouco mais de três anos. Em sua curta existência, já conhecera muita dor. Desde a morte de sua mãe, sentira solidão, abandono e sofrera maus tratos.

O pai, para prover o sustento familiar, necessitava viajar para longas distâncias, onde se detinha por semanas inteiras.

Logo após a viuvez, tentara se reaproximar dos sogros, para que eles cuidassem da neta.

Mas, eles, ainda feridos pelo casamento que fora a seu contragosto, sequer o quiseram receber.

Entregue a vizinhos e a mãos mercenárias, nem sempre a pequena recebia cuidados esmerados.

Por vezes, grosserias a feriam, de outras, o simples descaso.

Afagos e carinhos, somente quando o pai retornava de suas viagens. Então ela se aninhava em seu regaço e ali se demorava, rogando em seu coração infantil que aqueles momentos se eternizassem.

Contudo, breves dias e eis José de novo a empreender suas viagens.

Certo dia, em que a tristeza mais a envolvia, Joana percebeu aproximar-se do portão uma jovem mulher, de beleza invulgar e sorriso bondoso.

Atraída por aquele halo de bondade que dela se exalava, a pequena se aproximou e, sem temor, como se a conhecesse de longo curso, estendeu-lhe a mão e a acompanhou.

Atravessaram ruas, parques, jardins.

Finalmente, a gentil senhora lhe apontou um pequeno chalé, de grades brancas e muitas flores nos jardim.

Sabe quem mora ali? - perguntou.

Não, foi a resposta de Joana.

São seus avós, pequena. Vá até lá, bata à porta. Quando atenderem diga apenas:

"Eu sou Joana, filha da Luísa".

A menina parecia teleguiada e tudo fez conforme lhe foi dito.

A avó, ao olhar a garota, teve um sobressalto. Era o retrato vivo de sua filha, morta há pouco mais de dois anos. Filha que ela não via há muito mais tempo, desde que, contra a vontade dos pais se casara com um rapaz pobre e de cultura inferior à sua.

Trêmula, a velha senhora chamou o marido e logo desejou saber quem trouxera Joana até ali.

Ela insistia em afirmar que fora uma mulher, mas não sabia declinar o nome.

Então, entrando a sala, conduzida pelas mãos dos avós, emocionados, ela apontou para um quadro na parede e disse: "foi aquela mulher que me trouxe!"

E ambos reconheceram que ela apontava para o quadro da filha.

Porque desencarnam, as mães não deixam de ser anjos tutelares dos seus filhos, ainda encarnados.

De onde se encontram, assistem e velam pelos que lhes foram entregues à guarda e cuidados pela providência divina.

* * *

Você sabia que a morte não mata senão o corpo físico? Que a alma prossegue vivendo e nesse mundo onde vive, alimenta os mesmos sentimentos que tinha quando ainda na carne?

E que a morte não destrói os sentimentos elevados, como o amor, a dedicação, a amizade?

É por isso que, em verdade, não há verdadeiros órfãos, pois os espíritos dos que os amam, os assistem de onde se encontram.


Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em história de autoria desconhecida.