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16 abril 2010

Bico de Luz - Richard Simonetti

BICO DE LUZ

Um homem transitava por estrada deserta, altas horas. Noite escura, sem luar, estrelas apagadas... Seguia apreensivo. Por ali ocorriam, não raro, assaltos... Percebeu que alguém o acompanhava.

- Olá! Quem vem aí? - perguntou, assustado.

Não obteve resposta. Apressou-se, no que foi imitado pela perseguidor. Correu... O desconhecido também. Apavorado, em desabalada carreira, tão rápido quanto suas pernas o permitiam, coração a galopar no peito, pulmões em brasa, passou diante de um bico de luz. Olhou para trás e, como por encanto, o medo desvaneceu-se. Seu perseguidor era apenas um velho burro, acostumado a acompanhar andarilhos.

A história assemelha-se ao que ocorre com a morte. A imortalidade é algo intuitivo na criatura humana. No entanto, muitos têm medo, porque desconhecem inteiramente o processo e o que os espera na espiritualidade.

As religiões, que deveriam preparar os fiéis para a vida além-túmulo, conscientizando-os da sobrevivência e descerrando a cortina que separa os dois mundos, pouco fazem nesse sentido, porquanto limitam-se a incursões pelo terreno da fantasia.

O Espiritismo é o "bico de luz" que ilumina os caminhos misteriosos do retorno, afugentando temores irracionais e constrangimentos perturbadores. Com a Doutrina Espírita podemos encarar a morte com serenidade, preparando-nos para enfrentá-la. Isso é muito importante, fundamental mesmo, já que se trata da única certeza da existência humana: todos morreremos um dia!

A Terra é uma oficina de trabalho para os que desenvolvem atividades edificantes, em favor da própria renovação; um hospital para os que corrigem desajustes nascidos de viciações pretéritas; uma prisão, em expiação dolorosa, para os que resgatam débitos relacionados com crimes cometidos em existências anteriores; uma escola para os que já compreendem que a vida não é mero acidente biológico, nem a existência humana uma simples jornada recreativa; mas não é o nosso lar. Este está no plano espiritual, onde podemos viver em plenitude, sem as limitações impostas pelo corpo carnal.

Compreensível, pois, que nos preparemos, superando temores e dúvidas, inquietações e enganos, a fim de que, ao chegar nossa hora, estejamos habilitados a um retorno equilibrado e feliz.

O primeiro passo nesse sentido é o de tirar da morte o aspecto fúnebre, mórbido, temível, sobrenatural... Há condicionamentos milenares nesse sentido. Há pessoas que simplesmente recusam-se a conceber o falecimento der um familiar ou o seu próprio. Transferem o assunto para um futuro remoto. Por isso se desajustam quando chega o tempo da separação

"Onde está, ó morte, o teu aguilhão?" - pergunta o apóstolo Paulo (I Co 15:55), a demonstrar que a fé supera os temores e angústias da grande transição. O Espiritismo nos oferece recursos para encarar a morte com idêntica fortaleza de ânimo, inspirados, igualmente, na fé. Uma fé que não é arroubo de emoção. Uma fé lógica, racional, consciente. Uma fé inabalável de que conhece e sabe o que o espera, esforçando-se para que o espere o melhor.

De "Quem tem medo da morte?",
de Richard Simonetti

15 abril 2010

Processo Desencarnatório - Manoel Philomeno de Miranda


PROCESSO DESENCARNATÓRIO

Para desvencilhar-se das amarras do organismo físico, o Espírito necessita de adestramento e habilidade que se desenvolvem desde quando deambula encarcerado no mecanismo da reencarnação.

Impressões longamente fixadas e sensações vividas com sofreguidão assinalam profundamente os tecidos sutis do perispírito, impondo necessidades e dependências que a morte não logra, de imediato, interromper.

Da mesma forma que o processo reencarnacionista se alonga desde a concepção até os primeiros momentos da adolescência(*), num complexo assenhoreamento das células que se submetem aos moldes do corpo de plasma biológico, a liberação da clausura exige um período de adaptação à realidade de retorno, dependendo, de certo modo, dos condicionamentos impostos pelo uso das funções fisiopsicológicas que geram amarras fortes ou diluem-nas na sucessão do tempo, em face do teor vibratório de que se revestem as aspirações vividas ou acalentadas.

A ruptura dos vínculos de manutenção do Espírito ao corpo é somente um passo inicial na demorada proposta da desencarnação.

Normalmente encharcado de impressões de forte teor material, o Espírito se demora mimetizado pelas vibrações a que se ambientou, prosseguindo sob estados de variadas emoções que o aturdem.

Quando aclimatado às experiências psíquicas e mediúnicas, mais fácil se lhe faz o desenovelar-se dos grilhões que o prendem à retaguarda, readquirindo a lucidez, cuja claridade racional apressa o mecanismo de libertação.

Mesmo assim, necessita de conveniente adaptação, a fim de readquirir as funções que jaziam bloqueadas pelo corpo ou sem uso conveniente, em razão do comportamento carnal.

A mente responde, portanto, por vasta quota de responsabilidade no fenômeno da morte física.

Conforme a experiência corporal, assim se fará o desligamento espiritual.

Nesse transe, para o qual todos os homens se devem preparar, através de exercícios de renúncia e desapego, torna-se imprescindível o conhecimento da vida espiritual, que estua, atraente, dando curso a quaisquer empreendimentos que, por acaso, fiquem interrompidos...

Desimpregnar-se das sensações mortificantes, que anteriormente escravizaram, é o capítulo mais penoso da convalescença post mortem.

Acostumado a viciações e hábitos perniciosos, que se comprazia em vitalizar com as atitudes físicas e mentais, vê-se o desencarnado subitamente interditado de dar-lhes prosseguimento, o que então lhe constitui tormento inenarrável, levando-o a arrojar-se sobre os despojos em decomposição, ávido de gozo impossível, nele próprio produzindo estados umbralinos de perturbação psíquica em que passa a jazer por longo período, ou se atira, por afinidade de gostos, em intercursos obsessivos, em que as suas vítimas lhe emprestam o veículo para a nefária dependência...

A morte já não é um ponto de interrogação, como antes, graças às informações dos que lhe transpuseram a aduana e retornam para desvelar os aparentes enigmas que a vestiam com o misterioso e o sobrenatural.

O Espírito veste-se e despe-se do corpo obedecendo ao automatismo das leis do progresso, que propõem a lição dos seres, sendo facultado aos que o desejem, pelo esforço e estudo, a aprendizagem e o uso das técnicas de renascer e desencarnar sem choques nem padecimentos perfeitamente evitáveis.

Compreendendo que o fenômeno da morte faz parte do compromisso da vida, o homem se arma de valores para o momento da própria como da libertação dos afetos, que voltará a encontrar na grande pátria de onde todos procedemos.

Com esse cuidado completa-se o quadro de auxílio aos desencarnados, por parte dos familiares e amigos que permanecerão por mais um pouco no corpo, evitando-se as emissões de ondas mentais de rebeldia e desespero, de mágoa e angústia, que são verdadeiros ácidos que ardem e requeimam naqueles desencarnados em cuja direção se arremessam tais vibrações de desconforto e insatisfação.

Morrer é desnudar-se diante da vida, é verdadeira bênção que traz o Espírito de volta ao convívio da família de onde partiu...

A experimentação mediúnica desenvolvida pelo Espiritismo é o mais seguro guia destinado a esclarecer o transe da morte e preparar os homens para a inevitável decorrência libertadora.

A libertação, todavia, depende de cada criatura que experimenta o acidente fisiológico que lhe interrompe o ciclo, propiciando a tranqüilidade ou o demorado sofrimento que carpirá.

Partindo-se da experiência espírita que elucida o fenômeno da morte, ressuma a filosofia comportamental que se alicerça na moral cristã, lavrada no amor a Deus e ao próximo, a expressar a vivência da caridade sob todas as modalidades e em cuja prática o Espírito evolve, progredindo sem cessar no rumo da plenitude.

(*) Nota da Editora: consultado o Espírito Manoel P. de Miranda, este esclareceu, por intermédio de Divaldo Franco, que mesmo terminado aos sete anos o processo reencarnatório, este se vai fixando, lentamente, até o momento da transformação da glândula pineal, na sua condição de veladora do sexo.

De "Temas da Vida e da Morte",
de Divaldo Pereira Franco,
pelo Espírito Manoel P. de Miranda - Editora FEB

14 abril 2010

Palavrões - Momento Espírita

Palavrões

Você costuma dizer palavrões?

O que você pensa disso?

Para muitas pessoas, dizer palavrões é uma forma de "aliviar" tensões.

Para outras, um modo descontraído de falar. E, para alguns ainda, um jeito "brasileiro" de se comunicar.

Tão só pela riqueza de vocabulário que a língua portuguesa nos oferece, o uso de palavrões já seria dispensável.

Mas, além dos aspectos lingüísticos a ressaltar, existem, é claro, objeções espirituais ao uso de expressões de baixo calão.

Tudo em a Natureza é uma forma de energia.

Os nossos órgãos de percepção física apenas filtram e interpretam as vibrações energéticas ou fluídicas, dando-nos a imagem, o som, o cheiro, a luminosidade, a densidade e a cor.

Vejamos o som, por exemplo.

Um objeto qualquer faz vibrar as moléculas do ar.

Essa vibração chega aos nossos ouvidos a uma velocidade de trezentos e quarenta metros por segundo.

De acordo com a sua freqüência, o ouvido transmitirá ao cérebro uma informação que será interpretada como o som de uma buzina, ou a musicalidade de um violino.

Assim como no Mundo físico o ar é o veículo do som, no Mundo Espiritual os fluidos são o veículo dos pensamentos emitidos.

É fácil entender, então, que além da sonoridade conhecida das palavras, existe uma outra mensagem, inaudível aos ouvidos humanos, mas que o Espírito sempre capta, de uma forma ou de outra.

Os palavrões, pois, reúnem em si uma dupla problemática: a agressividade sonora, claramente percebida, e a vulgaridade mental, que atinge quem escuta o palavrão, mas prejudica muito mais a quem o diz.

Prejudica a quem o diz, porque cria em torno da pessoa uma psicosfera negativa, propiciando sintonia com Espíritos inferiores.

Os palavrões são uma maneira infeliz de demonstrar o vazio que as pessoas trazem na alma.

Para aqueles que dizem aliviar tensões pronunciando palavrões, chamamos a atenção para um aspecto importante.

Ao colocarmos para fora uma violência contida, não estamos nos livrando dela, mas, pelo contrário, fortalecendo em nossa intimidade o nosso lado agressivo.

Ao nos referirmos à questão dos palavrões, não poderíamos deixar de recordar a lição de um Espírito amigo:

"As palavras carregam consigo a realidade interior de quem as profere."

* * *

Os Espíritos se comunicam pela linguagem do pensamento.

Apesar de os menos evoluídos terem a impressão de falar, na verdade é o seu pensamento que faz a comunicação.

O pensamento produz imagens no Mundo Espiritual.

São justamente essas imagens que atraem para junto de nós os Espíritos que se afinam com elas.


Equipe de Redação do Momento Espírita

13 abril 2010

Seara de Ódio - Irmão X

SEARA DE ÓDIO

- Não! Não te quero em meus braços! - dizia a jovem mãe, a quem a Lei do Senhor conferira a doce missão da maternidade, para o filho que lhe desabrochava do seio - não me furtarás a beleza! Significas trabalho, renúncia, sofrimento...

- Mãe, deixa-me viver!... Suplicava-lhe a criancinha no santuário da consciência - estamos juntos! Dá-me a bênção do corpo! Devo lutar e regenerar-me. Sorverei contigo a taça de suor e lágrimas, procurando redimir-me... Completar-nos-emos. Dá-me arrimo, dar-te-ei alegria. Serei o rebento de teu amor, tanto quanto serás para mim a árvore de luz, em cujos ramos tecerei o meu ninho de paz e de esperança...

- Não, não...
- Não me abandones!

- Expulsar-te-ei.
- Piedade mãe! Não vês que procedemos de longe, alma com alma, coração a coração?

- Que importa o passado? Vejo em ti tão-somente o intruso, cuja presença não pedi.
- Esqueces-te, mãe, de que Deus nos reúne? Não me cerres a porta!...

- Sou mulher e sou livre. Sufocar-te-ei antes do berço...
- Compadece-te de mim!...

- Não posso. Sou mocidade e prazer, és perturbação e obstáculo.
- Ajuda-me!

- Auxiliar-te seria cortar em minha própria carne. Disputo a minha felicidade e a minha leveza feminil...
- Mãe, ampara-me! Procuro o serviço de minha restauração...

Dia a dia, renovava-se o diálogo sem palavras, até que, quando a criança tentava vir à luz, disse-lhe a mãezinha cega e infortunada, constrangendo-a a beber o fel da frustração:

- Torna à sombra de onde vens! Morre! Morre!
- Mãe, mãe! Não me mates! Protege-me! Deixa-me viver...

- Nunca!
- Socorre-me!
- Não posso.

Duramente repelido, caiu o pobre filho nas trevas da revolta e, no anseio desesperado de preservar o corpo tenro, agarrou-se ao coração dela, que destrambelhou, à maneira de um relógio desconsertado...

Ambos, então, ao invés de continuarem na graça da vida, precipitaram-se no despenhadeiro da morte.

Desprovidos do invólucro carnal, projetaram-se no Espaço, gritando acusações recíprocas.

Achavam-se, porém, ligados um ao outro, pelas cadeias magnéticas de pesados compromissos, arrastando-se por muito tempo, detestando-se e recriminando-se mutuamente...

A sementeira de crueldade atraía a seara de ódio. E a seara de ódio lhes impunha nefasto desequilíbrio.

Anos e anos desdobraram-se, sombrios e inquietantes, para os dois, até que, um dia, caridoso Espírito de mulher recordou-se deles em preces de carinho e piedade, como a ofertar-lhes o próprio seio. Ambos responderam, famintos de consolo e renovação, aceitando o generoso abrigo...

Envolvidos pela caricia maternal, repousaram enfim.

Brando sono pacificou-lhes a mente dolorida.

Todavia, quando despertaram de novo na Terra, traziam o estigma do clamoroso débito em que se haviam reunido, reaparecendo, entre os homens, como duas almas apaixonadas pela carne, disputando o mesmo vaso físico, no triste fenômeno de um corpo único, sustentando duas cabeças.

Pelo Espírito Irmão X
Do livro: Contos e Apólogos
Médium: Francisco Cândido Xavier

12 abril 2010

Normose - Momento Espírita

Normose

A palavra normose foi criada na França pelo escritor e conferencista Jean-Ives Leloup para designar, em síntese, essa forma de comportamento visto como normal mas que, na realidade, não é normal.

Transportando esse conceito para observação da sociedade atual verificamos que as pessoas se pautam por padrões estabelecidos por alguém ou um grupo, em algum momento.

Por exemplo, segundo padrões da moda atual, ser normal é ser magro e bonito.

Para isso, vale dieta e, a cada dia surge uma diferente, ditada por essa ou aquela celebridade que afirma ter conseguido o peso ideal em um tempo mínimo.

Para alcançar as medidas ideais da dita normalidade vale a frequência a academias, com rigorosos exercícios físicos, massagens e tudo o mais que possa permitir atingir o idealizado.

E depois vêm as cirurgias para modificar tudo que seja possível alterar.

Não escapam os dentes, que devem ser perfeitos e brancos e, para isso, submetem-se as pessoas a aplicações de laser, porcelana e o que mais seja necessário.

Não importa se algo faz mal à saúde. O importante é ser normal que inclui, ao demais, estar sempre na moda, vestir a roupa do momento, custe o que custar.

Gastam-se verdadeiras fortunas com cabeleireiros, maquiagem, produtos de beleza.

Porque não se pode perder festa alguma. Nem evento importante. Isso logo nos desqualificaria como um ser normal.

Naturalmente, é louvável o cuidado com o corpo, a atenção ao parecer bem, à elegância. Faz parte da evolução da criatura cultivar o belo, o bom.

Mas daí aos exageros, aos excessos vai uma distância que prima pela insensatez.

Gasta-se o que não se tem, finge-se o que não se é. Tudo para parecer normal... Como os demais.
Que padrão de normalidade, afinal, estamos elegendo? Algo totalmente físico, exterior, passageiro em detrimento de valores reais?

Será isso que desejamos para os nossos filhos, a Humanidade do amanhã?

Desejaremos uma Humanidade de pessoas esquálidas, bulímicas, estressadas e vazias de conteúdo?

Cabe-nos pensar um pouco, antes que nossos filhos, por não atenderem aos padrões ditados por alguns se lancem no fundo poço da depressão, perdendo as oportunidades de progresso nesta vida.

Estamos na Terra para angariar sabedoria, ilustrar a mente, dulcificar o coração, ascender à perfeição.

A mente se ilustra com estudo, reflexão, esforço. O coração se dulcifica no exercício do bem ao próximo, entendendo que as diferenças existem para permitir realce à verdadeira beleza.

Invistamos nisso. E, em vez de nos esgotarmos em horas e mais horas de trabalho para conseguir mais dinheiro para atender a necessidades tolas, reservemos tempo para conviver com a família, com os amigos.

Reservemos tempo para leituras, alimentando as ideias; para a reflexão, a fim de nos enriquecermos interiormente.

Tempo para olhar o nascer do sol e seu desaparecer no poente, para ouvir a sinfonia da chuva em dias quentes, o agradecimento da terra pela água que sorve, com sofreguidão.

Tempo para amar, para viver, para ser um humano de valor, para ser feliz.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita

11 abril 2010

Médiuns e Instrutores - Irmão X

MÉDIUNS E INSTRUTORES

Ante os enigmas da mediunidade entre os homens, você pergunta, espantadiço: “Não dispõem os Espíritos Benevolentes e Sábios de recursos suficientes para impedir o abuso e a má fé? Estaremos sempre à mercê de médiuns infelizes, capazes de amplo comércio com as forças da sombra, a tisnarem de lodo o serviço nobre dos medianeiros honestos? Por que não instituir o estudo metódico da Doutrina Espírita nos templos de nossa fé, plasmando-se o caráter do instrumento mediúnico, antes de guinda-lo à publicidade?”

Suas inquirições realmente chegam a comover pela sinceridade em que se expressam; no entanto, meu caro, respondemos com a mesma clareza que os amigos desencarnados não escravizam as faculdades dos companheiros que permanecem no mundo.

Somente as entidades inferiores avocam para si o privilégio da posse temporária sobre as inteligências enfermiças, nos tristes processos da obsessão. Entrosadas entre si, partilham, na Terra, a loucura e a delinqüência, provocando, onde passam, os mais estranhos sentimentos, que variam do ridículo à compaixão.

Todavia, entre os que despertaram para a responsabilidade, a governança tem o seu justo limite.

Os instrutores espirituais, qual acontece aos professores da escola comum, esclarecem e auxiliam sem constranger aos que lhes recebem assistência e bondade, encaminhando-os para a educação sem, contudo, violentar-lhes o livre arbítrio.

Do que posso deduzir, pelos estudos a que me consagro presentemente, milhares de tarefeiros da mediunidade foram conduzidos à Esfera Humana, durante o primeiro século do Espiritismo, todos eles munidos de honrosas designações de trabalho, em diversos países do Globo. Doutrinadores, materializadores, escreventes, assistentes, enfermeiros e condutores de opinião receberam preciosos títulos mediúnicos, renascendo na coletividade terrestre com a missão de servi-la, à feição de operários da luz; entretanto, raros atingiram o objetivo a que se propunham.

Muitos desertaram, receando as preocupações do caminho; outros se distraíram excessivamente com as fascinações marginais; alguns esqueceram a conta que lhes seria pedida no Plano Divino, colocando-se na disputa ao poder humano; e alguns outros, ainda, preferiram acomodar-se a propostas menos dignas, descansando em felicidades ilusórias do mundo, como se pudessem fugir à sacudidela da morte.

Partilhando as energias e os recursos dos Espíritos Benevolentes que os sustentavam, assim como pupilos amparados pelo prestígio e pela bolsa dos benfeitores que lhes estendem proteção e carinho, supuzeram-se donos de possibilidades que lhes não pertenciam e, superestimando o próprio valor, entregaram-se a aventuras particulares, nas quais se iniciaram em dolorosas experiências, quando não se afundaram em escabrosos precipícios de frustração.

Nessas circunstâncias, o médium está sempre na posição de criatura que sacou valioso empréstimo no Banco da Bondade Divina com determinada finalidade, gastando o dinheiro a benefício próprio, com agravo dos próprios débitos.

E, como a administração de qualquer instituto bancário não pode interferir na consciência dos seus devedores, sob pena de coartar-lhes a ação, também a Espiritualidade não subtraíra de nenhum modo, a iniciativa dos espíritos que se reencarnaram, com esse ou aquele mandato específico, porquanto, é da Lei que a colheita corresponda à espécie da plantação.

No entanto, o último tópico de seus apontamentos merece anotação especial. Efetivamente, compete às organizações espíritas indiscutível responsabilidade na formação e observação dos médiuns, com mais ampla tarefa na divulgação doutrinária. Isso, porque a mediunidade, interpretada no ponto de vista de sintonia, só por si não constitui galardão. Há médiuns de todo feitio, inclusive aqueles que, por força de seu próprio passado, ainda suportam pesada influência das sombras, esperando que a Doutrina Espírita lhes envolva o campo mental na bênção de sua luz, a fim de que possam executar as próprias obrigações.

Ainda aqui, todavia, não podemos compelir os irmãos de ideal, nos variados setores de nossa edificação, a proceder nesse ou naquele padrão de conduta, de vez que os princípios do Espiritismo são claros para nós todos.

De qualquer modo, porém, não se atenha ao desânimo.

Cada noite é a introdução de nova manhã.

De uma verdade inconteste, podemos guardar absoluta convicção, e essa verdade é a de que Jesus não nos abandona em razão de nossas fraquezas, de que a Doutrina Espírita continuará brilhando sempre por chave de luz do Evangelho, acima de quaisquer desacertos humanos, e de que todos nós, seja onde for, receberemos sempre da vida, de acordo com as próprias obras.

Pelo Espírito Irmão X
Do livro: Histórias e Anotações
Médium: Francisco Cândido Xavier

10 abril 2010

Nas Relações Sociais - Raul Teixeira

Nas Relações Sociais

Cada criatura humana está na Terra para atender a determinados objetivos da vida. Não é à toa que vivemos em sociedade.

No começo, vivíamos quase que num estado de anomia, aquele estado no qual a gente fala a esmo, fala para ninguém e, por outro lado, ninguém nos escuta.

Gradativamente, ao longo do processo de formação social, passamos a falar coisas com intencionalidade, com direcionamento e, por causa disso, passamos a ter pessoas interessadas em nos escutar. Começam aí as formações propriamente sociais.

Agora já tínhamos saído dos grupos anômicos ou das sociedades anômicas e partimos para o período das comunicações.

Só existe comunicação quando conseguimos falar alguma coisa dirigida a alguém e esse alguém captar a mensagem a ele dirigida. Dessa maneira, vivemos em sociedade.

O notável Aristóteles afirma que o ser humano é um animal social. E começamos a perceber como o nosso viver social vai tomando direção, posição. Vamos formando a família, as instituições, escolas, igrejas, oficinas, centros de cultura. Isso tudo foi acontecendo, ao longo das idades, para dizer a nós mesmos porque estamos na Terra. Para que estamos aqui?

Essa vivência em sociedade, estabelecida pelo nosso Criador, tem um sentido muito especial: permitir que cada um de nós possa trocar com os outros nossa bagagem, nosso aprendizado, as coisas que somos e as coisas que temos.

Essa troca é fundamental, é indispensável. É graças a ela que passamos a conhecer o progresso social.

No bojo da nossa sociedade, passamos a descobrir que temos papéis a cumprir. Cada um de nós tem, na sociedade, um papel a cumprir. Temos deveres a realizar no contexto social.

Esses deveres nos levam a refletir sobre a importância de sermos pessoas úteis nas relações que estabelecemos. O que a gente fizer deve ser de utilidade para terceiros e para o conjunto.

Há necessidade de sermos pessoas honestas. A honestidade é um desses valores muito ausentes nesta atualidade do mundo, nas relações sociais.

Mas a pessoa que é desonesta na relação social, aquela que é infiel na relação social, é desonesta consigo mesma, é infiel a si mesma.

Daí nos perguntarmos: Quando é que a pessoa está sendo infiel a si mesma? Desonesta para consigo mesma?

Todas as vezes que aprendemos coisas importantes à vida, à nossa vida, importâncias que herdamos da ciência, do pensamento filosófico ou das religiões e não colocamos isso a serviço da vida, em prol da nossa vida, estamos sendo infiéis à verdade que conhecemos. Estamos sendo infiéis ao valor que nos chegou.

É dessa maneira que vamos achar muita gente intelectualizada, bem formada, que já aprendeu o malefício do alcoolismo, do tabagismo para sua saúde física e continua fumando e bebendo e justificando.

O conhecimento intelectual que ela adquiriu não lhe foi útil. A sabedoria cultural que ela desenvolveu não se lhe tornou útil porque ela prossegue justificando, porque não é fiel a si mesma, é desonesta para consigo mesma.

E se estabelece a partir daí aquilo que aprendemos a chamar de suicídio indireto. A criatura não tem a ideia de se matar mas ela sabe que aquela usança, aquilo que ela está lançando mão, pouco a pouco, a está destruindo.

É importante ter essa percepção de que quem não é fiel a si mesmo, quem não é honesto consigo próprio, dificilmente se-lo-á com terceiros.

* * *

Na medida em que vamos sendo honestos conosco, fiéis a nós próprios, passamos a nos interessar de maneira mais equilibrada pelos demais, passamos a respeitar na sociedade, por exemplo, as pessoas que são diferentes de nós.

As pessoas têm gostos diferentes dos nossos, gostam das músicas que nós não gostamos. Elas têm razões para gostar como nós temos para não gostar.

Pessoas que gostam de roupas com as quais não nos identificamos; elas têm motivos para gostar desse vestuário e nós temos motivos para não gostar.

É muito importante aprendermos a viver numa sociedade plural, onde as pessoas são como querem ser. Desde que elas não desrespeitem ao status quo, aos direitos dos outros, cada um viverá como sabe, como pode.

Há pessoas que são vegetarianas, outras são macrobióticas, muitas são lacto-ovovegetarianas, lacto-ovofish-vegetarianas, outras são carnívoras. Qual é o problema?

Há mercado para todos, há lugar para todos, há espaço para todos. Mas quando não sabemos viver na relação social saudável, quem é vegetariano começa atormentar o outro que come carne: Como você come carne? Como você carrega um cemitério na barriga? Como você sacrifica os bichinhos?

Da mesma maneira que o outro que fala tem a língua ferina. As liberdades. Imaginemos se a criatura quer impor a sua vontade a terceiros.

Quando vivemos nas relações sociais, se aprende a ser feliz onde estiver, com quem estiver. Não permitimos que o mal do outro nos alcance porque estaremos vincados na frequência do bem, estaremos atrelados à frequência do bem.

Quando vivemos uma relação saudável na sociedade, o mau exemplo dos outros não pode servir de exemplo para nós se somos pessoas do bem.

Não se justifica que saiamos a dizer: Eu faço porque Fulano faz. Eu uso porque Beltrano usa. Eu digo porque Sicrano diz. De jeito nenhum. Temos responsabilidades individuais, embora estejamos vivendo na coletividade.

Há compromissos nossos, ao nível do indivíduo que somos e há compromissos nossos, ao nível da sociedade da qual participamos. Saber viver em sociedade é uma arte.

Quantas são as pessoas que não sabem. Elas moram num condomínio de apartamentos ou num condomínio de casas e não se dão conta de que há vizinhos. Quando elas querem ouvir as suas músicas, põem nos mais altos decibéis.

Que se dane o vizinho. Não lhes importa se há crianças que precisam dormir, se há doentes, idosos que precisam descansar ou simplesmente não lhes importa que o vizinho não queira ouvir aquele tipo de música, naquela altitude.

Então, verificamos que essas são as pessoas que não sabem viver em sociedade. Esse lado humano, social ainda não se lhes desenvolveu.

Encontramos criaturas que querem fazer aquilo que não lhes compete e começam a mexer na Caixa de energia do prédio. Daqui a pouco, todos estão sem energia elétrica. Começam a mexer na caixa do telefone e dali a pouco, todos estão com seus telefones avariados.

As pessoas imaginam que elas são o centro do mundo. Claro que é preciso ter cuidado para que saibamos viver uma relação social saudável.

Foi Jesus Cristo que disse ao Pai Celeste em Se referindo aos Apóstolos: Meu Pai, não Te peço para que os tires do mundo. Peço-Te para que os livres do mal.

O mundo é a nossa escola. É na Terra que vamos nos desenvolver. Nossas habilidades mais espiritualizantes serão desenvolvidas nesse atritar de experiências, nesse rilhar de vivências entre nós.

Muitíssimo importante é que saibamos viver em sociedade como quem deseja dar o seu melhor, sonhando com um mundo mais perfeito.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 178, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.
Programa gravado em setembro de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 06.12.2009.

09 abril 2010

Palavrão: hábito infeliz - Momento Espírita

Palavrão: hábito infeliz

Você gosta de ouvir palavrões?

É bem possível que existam pessoas que apreciem ouvir palavras chulas, de baixo calão. Todavia, aqueles que as proferem não levam em conta a grande maioria das que abominam esse hábito infeliz.

O bom senso estabelece que aquele que gosta de dizer palavrões deveria prestar atenção à sua volta para não violar a intimidade dos ouvintes, mas é mais lógico admitir que quem diz palavrões em público é desprovido de bom senso.

Os que discordam desse ponto de vista provavelmente dirão que são simples palavras, que não há mal nenhum nisso.

No entanto, as palavras são veículos que transmitem mensagens. E, por certo, os palavrões são a mensagem da irreverência. É a comunicação do feio, da agressividade, além de um grande desrespeito ao comportamento educado.

Infelizmente, nos dias atuais, o palavrão faz parte de grande parte dos meios de comunicação. Está nos programas de televisão de baixo nível, nos programas radiofônicos, nos jornais, revistas, músicas etc.

Confundindo-se o que é comum com o que é normal, o palavrão é levado à conta da normalidade.
Todavia, o uso generalizado jamais fará com que esse hábito pernicioso seja normal.

Podemos dizer que é comum, porque muitos fazem uso dele, mas não podemos admitir que seja normal.

Pessoas educadas e de bom senso não se permitem esse tipo de expressão.

Programas sérios e bem elaborados não necessitam desse expediente.

Canções bem inspiradas e de cunho elevado, dispensam as palavras chulas, que aliás, dão mostra de pouca criatividade.

O uso de palavrões geralmente é defendido sob a designação de “liberdade”... Mas liberdade de quem?

Se a linguagem do feio passar a fazer parte integrante da nossa sociedade a ponto de ser impossível escapar dela, então perguntaremos: quem é livre e quem não o é?

Se aquele que gosta de falar obscenidades é livre para dizê-las, aquele que não gosta de ouví-las deve, igualmente, ter a liberdade de não ter seus ouvidos convertidos em lixeiras.

O que mais se lamenta, nesse caso, é o fato de os próprios educadores, na condição de pais ou professores, fazerem uso de palavrões com naturalidade, como se fosse uma prática normal.

Conforme ensinou-nos Jesus, o Espírito mais sábio que a humanidade conheceu, “a boca fala do que está cheio o coração”.

Assim sendo, antes de proferir uma palavra, prestemos atenção na mensagem que estará veiculando, pois ela dará notícias da nossa intimidade.

Pense nisso!

As palavras são apenas o veículo das nossas idéias.

Portanto, só o fato de nos permitirmos pensamentos indignos já será um mal para nós mesmos.
Não foi outro o motivo pelo qual Jesus advertiu sobre o adultério por pensamento. E não foi à toa que um sábio assegurou que nós somos o que pensamos, falando ou não.

Equipe de Redação do Momento Espírita

08 abril 2010

Ensinamentos Oportunos - Marco Prisco

ENSINAMENTOS OPORTUNOS

Realize o seu programa de amor a partir desta manhã cheia de sol e de esperança. Abra o braço, saúde o dia e plante bondade em toda parte.

Deixe com o ontem o tormento das recordações negativas.
A água passada não umedece o solo ressequido.

Aja no momento presente e beneficie-se com a aurora nascente que expressa uma santa oportunidade de crescer espiritualmente.

Higienize a mente através da elaboração de idéias superiores.
Há clichês mentais que se fixam de tal forma, que a “morte” sequer os apaga.
Lembre-se de que cada ser respira o clima mental que produz.

Confiança em nossos atos é fortalecimento para a coragem alheia.
Otimismo nas realizações também é aliança de identificação com as Esferas Superiores.

Você não está na carne em vão.
Aproveite a oportunidade, valorize as bênçãos da vida, difunda gratidão e alegria por onde passar, com quem estiver, com a concessão que possuir, justificando em atos edificantes a sua passagem pela Terra.

Adestre a mente com a vigilância necessária ao policiamento das idéias mefíticas.
O pensamento é fio de segurança por onde transitam a felicidade e a desdita.

Faça dos seus pensamentos uma Farmacopéia moral, onde você possa formular medicamentos para males de qualquer natureza.

Não se esqueça de que a humildade expressa a mais elevada qualidade de sabedoria.

Preserve da tristeza os dons da sua alegria, para que usufrua felicidade continuada.
Conserve a simpatia para ser sempre jovem, mantendo palavra calma, gestos moderados e silêncios oportunos.

Marco Prisco (espírito) / psicografia de Divaldo Franco.
Livro: Ementário Espírita

07 abril 2010

Paz de Espírito - Emmanuel

PAZ DE ESPÍRITO

Temos hoje, em toda parte da Terra, um problema essencial a resolver, a aquisição da paz de espírito, em que se desenvolvem todas as raízes da solução aos demais problemas que sitiam a alma.

Que diretrizes, porém, adotar na obtenção de semelhante conquista?

Usar a força, impor condições, armar circunstâncias?

Não desconhecemos, no entanto, que a tensão apenas consegue impedir o fluxo das energias criadoras que dimanam das áreas ocultas do espírito, agravando conflitos e mascarando as realidades profundas de nossa vida íntima, habitualmente manifestas.

A paz de espírito, ao contrário, exclui a precipitação e a inquietude, para deter-se e consolidar-se na serenidade e no entendimento. Para adquiri-la, por isso mesmo, urge entregar as nossas síndromes de ansiedade e de angústia à providência invisível que nos apóia.

As ciências psicológicas da atualidade nomeiam esse recurso como sendo "O poder criativo e atuante do inconsciente", mas, simplificando conceitos, a fim de adaptá-los ao clima de nossa fé, chamamos-lhe "o poder onisciente de Deus em nós".

Render-nos aos desígnios de Deus, e confiar a Deus as questões que nos surjam intrincadas no cotidiano, é a norma exata da tranqüilidade suscetível de garantir-nos equilíbrio no mundo interno para o rendimento ideal da vida.

Colocar à conta de Deus a parte obscura de nossa caminhada evolutiva, mas sem desprezar a parte do dever que nos compete.

Trabalhar e esperar, realizando o melhor que pudermos. Fé e serviço, calma sem ócio.

Pensemos nisso e alijemos o fardo dos agentes destrutivos de ódio, ressentimento, culpa, condenação, crítica ou amargura que costumamos arrastar no barro da hostilidade com que tratamos a vida, tanta vez arruinando tempo e saúde, oportunidade e interesses.

Fundamentemos a nossa paz de espírito numa conclusão clara e simples: Deus que nos tem sustentado, até agora, nos sustentará também de agora em diante.

Em suma, recordemos o texto evangélico que nos adverte sensatamente: "Se Deus é por nós, quem poderia ser contra!"

Emmanuel (espírito) / psicografia de Chico Xavier
Livro: Alma e Coração

06 abril 2010

Quantas Vezes Perdoarei? - Clóvis Ramos

QUANTAS VEZES PERDOAREI?...

Quantas vezes perdoarei ao meu irmão? Não perdoareis sete vezes, mas setenta vezes sete vezes. Eis ai um desses ditos de Jesus que mais devem golpear-vos a inteligência e falar mais alto ao coração. Esmiuçai essas palavras de misericórdia, tão simples e concisas e tão profundas em suas intenções, e achareis sempre o mesmo pensamento. Jesus, o justo por excelência, respondeu a Pedro: Perdoarás, mas sem limites; perdoarás cada ofensa sempre que te ofendam; ensinarás aos teus irmãos esse esquecimento de si mesmo, que os tornará invulneráveis à acusação, aos meus procedimentos e às injustiças.

A cólera é contrária à caridade e à humildade cristã.

O homem permanece vicioso porque quer; mas o que deseja corrigir-se, pode fazê-lo sempre; de outra forma a lei do progresso não existiria para ele.

Serás manso e humilde de coração, não encurtando nunca a tua tolerância. Farás, enfim, o que desejas que Deus, nosso Pai, faça por ti. Ele não te tem perdoado sempre, e porventura contou o número de vezes que o seu perdão já apagou as tuas faltas?

Perdoai, usai de condescendência, sede cristãos, magnânimos, pródigos mesmo de amor. Daí, que o Senhor vos restituirá. Perdoais, que o Senhor vos perdoará. Abaixai-vos, que o Senhor vos erguerá. Humilhai-vos, que o Senhor vos assentará à sua direita.

Perdoai aos vossos irmãos como é necessário que se vos perdoe. Se os seus atos vos causaram danos, é isso uma razão a mais para a vossa bondade, porquanto o mérito do perdão é proporcional à gravidade do delito.

Esquecei o mal que vos fizeram, e pensai somente no bem que puderdes prestar. Aquele que penetrar nessa estrada não se deve desviar nem sequer pelo pensamento, pois sois responsáveis pelos vossos pensamentos diante de Deus, que os conhece. Deus sabe o que está no coração de cada um. Bem-aventurado aquele que pode cada noite adormecer, dizendo: "Nada tenho contra meu semelhante".

Há dois modos bem diversos de perdoar, que são: o perdão dos lábios e o do coração. Muitas pessoas dizem que perdoam o inimigo, ao passo que, interiormente, sentem certo prazer com o mal que lhe sucede, achando que foi muito bem feito. Quantos há que dizem perdoar, mas nunca se reconciliarão , nem querem ver nunca mais o desafeto. Será esse o perdão segundo o Evangelho? Não. O perdão sincero, o perdão cristão é o de quem coloca um véu sobre o passado.

O esquecimento completo e absoluto das ofensas é próprio das grandes almas. O rancor é sempre sinal de baixeza e inferioridade. Não esqueçais que o verdadeiro perdão se reconhece mais pelos atos que pelas palavras.

O homem indulgente não vê os defeitos de outrem, e se os vê, acautela-se de falar deles e de os divulgar. Ao contrário, oculta-os a fim de que apenas sejam conhecidos dele, e, se o maledicente os descobre, ele tem sempre uma escusa pronta para dissimular, uma desculpa admissível, razoável, e não dessas que, em vez de atenuarem as faltas, fazem-na sobressair com insidiosa finura.
De "O perfume do Evangelho",
de Clóvis Ramos

05 abril 2010

A Fé e o Amor - Caibar Schutel

A FÉ E O AMOR

"Uma mulher que havia doze anos padecia de uma hemorragia e que tinha sofrido bastante às mãos de muitos médicos e gastado tudo que possuía, sem nada aproveitar, antes ficando cada vez pior, tendo ouvido falar a respeito de Jesus veio por detrás entre a multidão e tocou-lhe a capa; porque dizia: se eu tocar somente as suas vestes, ficarei curada. E no mesmo instante cessou sua hemorragia, e sentiu no seu corpo que estava curada do seu flagelo. E Jesus disse-lhe: Filha, a tua fé te curou; vai-te em paz, e fica livre de teu mal." (Marcos, V.25-34)

Sabedoria e santidade são os dois atributos para aquisição da felicidade.

A Luz dá sabedoria, a Religião dá santidade, mas só o Amor resume toda a Lei e a Profecia.

A Esperança consola e anima; a Caridade robustece e ampara; a Fé salva; o Amor anima todas estas virtudes; o Amor é a Lei.

Os homens titubeiam; a Humanidade degrada; tudo parece perdido como a nau batida pela tempestade! Eis que aparece o Amor e faz ouvir sua voz convincente: tudo se acalma!

A bonança sucede à impetuosidade dos ventos e à fúria dos mares! a luz sucede às trevas como o dia sucede à noite!

Não há o que melhor manifeste a Lei de Deus do que o Amor. Seu nome, escrito unicamente com quatro letras, indica os quatro pontos cardeais da felicidade espiritual; suas letras são luzes; sua luz brilha mais e aquece melhor que o Sol!

A Esperança está ligada à Imortalidade; mas a Fé é inseparável do Amor.

A mulher enferma, cheia de fé, aproxima-se do Senhor, toca-lhe as vestes. "Assim fazendo, pensou, ficarei curada do mal que há muitos anos me aflige". E o milagre efetuou-se!

Assim também sucederá a todos aqueles que tiverem fé e de Jesus se aproximarem: "O que me seguir não verá trevas."

Todos os que tiverem Fé, e com Fé buscarem vencer as dificuldades, triunfarão porque o Amor coopera com a Fé para abater barreiras, destruir domínios, aniquilar empecilhos e suprimir dificuldades.

"Se tiveres fé, disse Jesus, dirás a este monte: passa-te para lá e ele passará."

"Se tiveres fé, dirás a esta figueira: transplanta-te para além, e assim acontecerá."

A missão exclusiva de Jesus foi reviver os corações na Fé, para que as almas cheguem às alturas do amor de Deus.

Em todas as suas excursões, o Mestre semeava Fé, para que as gentes, com o seu produto, granjeassem os tesouros do Amor.

É assim que, cultivando seus ensinos, nós alçaremos os mundos de luz que se movimentam no Éter acionados pela vontade de Deus.

A Luz dá Sabedoria e salva; Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida; o Amor é a Lei.

Parábolas e Ensinos de Jesus
De Cairbar Schutel

04 abril 2010

Remédio Contra Tentações - Irmão X

REMÉDIO CONTRA TENTAÇÕES

Instado por um cristão novo de Jerusalém, que se fazia portador de preciosos títulos sociais, desejoso de ouvi-lo quanto a remédio eficaz contra as tentações, Simão Pedro, já velhinho, explicou sem rebuços:

– Certo homem de Gaza, que amava profundamente o Senhor e lhe observava, cauteloso, os mandamentos, após cumprir todos os deveres para com a família direta, viu-se, na meia-idade, plenamente liberto das obrigações mais imediatas e, porque suas aspirações mais altas fossem as de integração definitiva com o Altíssimo Pai, consagrou-se à contemplação dos mistérios divinos. Recolheu-se à oração e à meditação exclusivas. Extasiava-se diante das árvores e das fontes, perante o lar e o céu, louvando o Criador em cânticos interiores de reconhecimento. Tão maravilhosamente fiel se tornara ao Poder Celestial, que as Forças Divinas permitiram ao Espírito das Trevas aproximar-se dele, qual aconteceu, um dia, a Job, na segurança de sua casa em Hus.

O Rei do Mal acercou-se do crente perfeito e passou a batalhar com ele, tentando enegrecer-lhe o coração.

Após longos dias de conflito acerbo, o aspirante ao paraíso implorou ao Eterno, em soluços, lhe fornecesse recurso com que esquivar-se à tentação. Suplicou auxílio com fervor tão intenso, que o Misericordioso, através de um emissário, aconselhou-o a cultivar a terra.

O piedoso devoto atendeu à ordem, rigorosamente.

Adquiriu extensos lotes de chão, preparou sementeiras e adubou-as; protegeu grelos tenros, dividiu as águas com inteligência; tomou a colaborarão de regular exército de servidores e, vindo o Perverso Dominador, tão ocupada lhe encontrou a mente que foi obrigado a adiar a realização dos escuros propósitos.

O aliado de Deus agiu com tanto brilho que, em breve, a propriedade rural de que se fizera fiador converteu-se em abençoado centro de riqueza geral, a produzir, mecanicamente, para a fartura de todos.

Atendida a designação que procedia do Alto, o mordomo voltou a repousar e o Malvado se lhe abeirou dos passos, novamente.

Outro combate silencioso e o devoto suplicou a intervenção do Altíssimo.

Manifestando-se, por intermédio de devotado mensageiro, recomendou-lhe o Pai Bondoso fiar a lã dos rebanhos de ovinos que lhe povoavam as pastagens, e o beneficiado do conselho celeste observou fielmente a determinação.

Movimentou pessoal, selecionou carneiros, adquiriu teares e agulhas, fez-se credor de larga indústria do fio e, chegando o Maligno, notou-o tão ocupado que, sem guarida para provocações, se refugiou a distância, aguardando oportunidade.

O esforço do missionário, em poucos anos, imprimiu grande prosperidade ao serviço fabril, dispensado-o de maiores preocupações.

Reparando-o livre, regressou o Gênio Satânico rearticulou-se a guerra íntima.

O aprendiz da fé recorreu à prece e outra vez implorou medidas providenciais ao Doador das Bênçãos.

O Poderoso, exprimindo-se por um anjo, induziu-o a moer grãos de trigo para benefício comum.

Voltou o favorecido ao trabalho e construiu, utilizando o concurso de muita gente, valiosos moinhos, suando, à frente de todos, na fabricação de farinhas alvas. Tornando o Dragão das Sombras e percebendo-lhe tão grande preocupação na atividade salvadora, retirou-se de novo, constrangido, espreitando ocasião mais oportuna.

Com o êxito amplo do servo leal, novo descanso abriu-se para ele e Satanás retornou, furioso, à batalha pela posse de sua vida.

O piedoso discípulo da salvação refugiou-se na confiança em Deus e o Todo Amantíssimo, por outro enviado, aconselhou-o a erguer um pomar, em benefício dos servidores que lhe seguiam a experiência.

Retornou o crente ao serviço ativo e tão entregue se achava às responsabilidades novas que o Perseguidor se viu na contingência de retroceder, na expectativa de ensejo adequado.

A fidelidade conferiu ao trabalhador operoso novas bênçãos de merecida prosperidade e o apaziguamento lhe felicitou o caminho.

Quando se fixava o crente, despreocupado e feliz, na beatitude, a fim de melhor agradecer as dádivas divinas, eis que ressurge o Maldito, convocando-o a retomar o duelo oculto.

O devoto, entretanto, compreendendo, por fim, as lições do Senhor, não se internou em novas rogativas. Envolveu-se no serviço útil ao mundo e aos semelhantes, até ao fim de seus dias, quando partiu da Terra ostentando a coroa da eternidade.

O ouvinte sorriu, algo apreensivo, e o velho Pedro, calejado no sofrimento e no sacrifício, terminou, muito calmo:

– O único remédio seguro que conheço contra as tentações é o mergulho do pensamento e das mãos no trabalho que nos dignifique a vida para o Senhor.

E deu por finda a fraternal entrevista.

Pelo Espírito Irmão X
Do livro: Luz Acima
Médium: Francisco Cândido Xavier

03 abril 2010

As Duas Faces - Joanna de Ângelis

AS DUAS FACES

Afirma-se que um famoso pintor do Renascimento, quando pintava um quadro sobre o menino Jesus e Judas, após conceber a tela e fazer os primeiros estudos, procurou uma criança que lhe servisse de modelo para a face do Mestre, na infância.

Após procurá-la em muitos lugares, fortuitamente encontrou um pequeno sujo que brincava nas ruas, porém retratava no olhar e na face toda a pureza, bondade, beleza e ternura que se podia conceber.

Explicando-lhe o que desejava, e ante a anuência da família, o pintor levou-o a posar no seu atelier, retribuindo-lhe o trabalho com expressiva soma em moedas de ouro.

Concluída a primeira etapa, o artista pôs-se a buscar alguém que lhe pudesse oferecer o rosto de Judas.

Em mercados e praças públicas, tavernas e antros de costumes perniciosos por onde esteve à procura, não encontrou ninguém que se assemelhasse, em aparência, ao discípulo equivocado.

Já desanimava de o encontrar, deixando a tela inacabada, quando, em visita a uma tasca de má qualidade, se deparou com um delinquente e ébrio, em cujo olhar e semblante se encontravam os conflitos do traidor, conforme a concepção que dele fazia.

A barba hirsuta, a cabeleira mal cuidada, eram a moldura para o olhar inquieto, desconfiado, num rosto contorcido pelo desconforto íntimo, formando um conjunto de dor e revolta, insegurança e arrependimento ímpares.

Comovido com o fato, o artista convidou o bandido para posar, o qual anuiu sob a condição de régio pagamento.

O pinto começou a obra e percebeu, ao fim de algumas sessões, que a face congestionada do modelo se modifica a cada dia, perdendo a agressividade e a perturbação.

Indagado a respeito, aquele explicou:

- Posando, nesta sala, recordo-me de outras sessões, quando servi ao senhor de modelo para a face do Menino Jesus...

E prosseguiu, ante o artista vivamente impressionado:

- Eu sou aquele em cujo rosto o senhor encontrou a paz e a beleza do justo traído... O dinheiro que ganhei, em face da minha imaturidade, mais tarde pôs-me a perder e, de queda em queda, numa noite em que me embriagara, por uma disputa insignificante matei outro homem. Condenado, num julgamento arbitrário, envenenei-me de ódio...

"Recordando-me daquele tempo, retorno, emocionalmente, a ele e me acalmo..."

Paradoxalmente, o mesmo indivíduo ficou retratado na face de Jesus Menino e de Judas, em duas fases diferentes da mesma vida.

Nem sempre a pobreza é provação dolorosa.

No conforto e na fortuna podem desenvolver-se os germes do crime e da ruína, quando não se têm fortalecidos os valores morais para se enfrentar as ocorrências.

O dinheiro, por isso, não é responsável pelo bem ou pelo mal, sendo veículo para uma outra ação, conforme se faz dirigido.

As resistências morais, geradoras das virtudes, desabrocham em qualquer campo, malgrado o homem se encontre na riqueza ou no desconforto econômico e moral, devendo ser cultivadas para que os sentimentos superiores predominem e estruturem a personalidade.

*

Aprende a conviver e a dirigir a vida com pouco, a fim de treinares a condução dos haveres, quando te cheguem.

Exerce a generosidade, em qualquer situação, de modo a vencer a avareza e o instinto de posse, ante os recursos transitórios do mundo.

Chamado a qualquer posição, na abastança ou na escassez, mantém a face do equilíbrio, que seja consequência da tua paz de espírito, devendo prosseguir inalterada.

Joanna de Ângelis Milão, Itália, 12.11.1983 De "Seara do Bem", de Divaldo P. Franco - Diversos Espíritos

02 abril 2010

Amar - Maria Nunes

AMAR

Ame sem escravizar e sem escravizar-se. -(Emmanuel)

Para o entendimento correto do amor, é preciso que se entenda a sua universalidade, de modo que ele abranja todas as coisas, com o mesmo interesse de servir de canal para Deus.

Fala-nos a voz da espiritualidade mais alta que o amor não deve escravizar, e nem tampouco escravizar-se. Ele é livre na sua jornada de harmonizar a vida em toda parte; ele é, pois, o sustentáculo da criação. O Evangelho nos diz que Deus é Amor. Isto basta para compreendermos a sua posição de virtude maior, que serve de fonte para todas as outras virtudes, dando início à reforma moral de todas as criaturas.

Se você deseja saber como começar a amar e a se amar, busque primeiro a vida do Cristo e a Sua herança nas páginas do Evangelho, lendo com atenção e analisando com discernimento todos os seus conceitos que, com esse esforço, a inspiração tornar-se-á mais fácil para o seu coração, de maneira que a razão desperte, movendo-se com a caridade sem escolhas, e sem buscar interesses próprios.

O maior dever do ser humano é amar e amar-se com todos os esforços na intimidade da alma, a fim de que esse amor cresça no coração, passando a fazer parte integrante da consciência.

Não queira materializar os sinais de amor que vibram em sua alma; procure espiritualizar esse sentimento, até à sintonia com o Cristo na sua fraternidade universal. Se falamos mais diretamente com o espírita é por encontrar nele mais possibilidade de entendimento, acerca das mudanças de vida.

Não perca tempo, no trato com seus irmãos mais próximos; converse com eles, procurando o estímulo do amor, na conjunção da caridade, nos pensamentos, nas palavras, na tolerância, no perdão, no trabalho e na própria vida que você vive porque, sem que veja, existem muitas criaturas dos dois planos da vida o observando, para ajudar-lhe ou para esmorecê-lo, dependendo do seu modo de proceder ante as oportunidades que Deus está lhe concedendo para o crescimento.

Não se esqueça destas leis que regem e sustentam a vida universal. Não ame somente os que o cercam, os seus familiares, os seus parentes, os seus amigos, os que lhe fazem o bem, porque isso é o seu dever de criatura: retribuir o bem com o bem. No entanto, o verdadeiro amor é aquele que dispensamos aos que nos perseguem e caluniam, aos que nos apedrejam e nos ofendem. Os últimos, recebendo de seu coração os fluidos sacrossantos do amor, sejam eles quem forem ou o que fizeram com você, logo mudarão de opinião a seu respeito, reconhecendo que o Cristo está entre vocês dois, doando para ambos a paz.

É interessante notar que este ambiente de paz serve para o despertamento das suas qualidades superiores, no mundo interno da alma e, deste modo, estaremos todos envolvidos com a verdade, amando sem escravizar e sem escravizar-se, com a consciência tranquila, sorvendo dos céus da alma o alimento mais puro da vida, o amor na sua limpidez espiritual.

Como a fala do apóstolo João nos lembra que Deus é Amor, devemos entender que o melhor é amar a Deus em tudo.

De "Sabedoria - A lei de Deus no pensamento dos homens"
de João Nunes Maia
Pelo Espírito Maria Nunes

01 abril 2010

Segue em Frente - Joanna de Ângelis

SEGUE EM FRENTE

Nunca te surpreendas com o surgimento de dificuldades, no ministério a que te afervoras.

Toda ação enobrecida gera simpatia entre os que se afeiçoam ao Bem. Entretanto, produzem animosidade entre aqueles que preferem a vigência do desequilíbrio e do mal.

Não te escuses, por isso mesmo, de levar o teu labor avante.

As tarefas de pequena monta, as fáceis, podem ser realizadas por qualquer pessoa, até mesmo como forma de espairecimento.

Os serviços estafantes e desagradáveis, no entanto, pertencem aos idealistas devotados, aos lutadores incansáveis.

Assim, não anotes queixas, nem relaciones problemas.

Cada etapa vencida faz parte da meta a ser conquistada.

Um passo à frente e uma ação em triunfo são avanços no programa a executar.

Chocam-se as atitudes de beligerância entre os companheiros e aturdem-te reações que os levam a assumir posições danosas ao trabalho.

Os homens ainda são as paixões que cultivam, todavia, continuando a merecer o mesmo afeto e simpatia.

Estão despertando, sem possuírem, por enquanto, as condições características dos servidores ideais.

Nem poderia ser diferente.

Muitos, ainda ontem, opunham-se tenazmente ao que ora aceitam e a transição mental de uma para outra idéia ou opinião nem sempre faz-se acompanhada por uma real mudança de atitude e de comportamento.

Há quem se afervore a um serviço, desde que esse esforço o promova; muitos apóiam as realizações somente quando elas os beneficiam; inumeráveis trabalhadores apenas cooperam com aqueles que se lhes submetem ao talante...

Sê tu quem ajuda, sem condições nem exigências.

Coloca o combustível da paciência e do amor na chama que arde no teu sentimento espírita e prossegue.

Ninguém é obrigado a ajudar-te nem a compreender- te.

Tu, no entanto, deves a todos auxiliar e entender.

Desde que já consegues superar um pouco as tuas limitações e dificuldades, faze-te o companheiro dos outros, ensinando sem palavras o que se deve fazer, como fazer e para que fazer o bem sem descanso.

A multidão tem os seus líderes, que sempre são por ela devorados.

Respeita-os e opera ao lado dos que se acerquem de ti, sem prejuízo do teu compromisso para com a Vida.

O dia se desenrola em apenas vinte e quatro horas, que são suficientes para marcar presença e atuar no programa da Eternidade.

Vai, portanto, em frente, com tranqüilidade e fé.

Pelo Espírito Joanna de Ângelis
Do livro: Roteiro de Libertação
Médium: Divaldo Pereira Franco - Editora LEAL

31 março 2010

O Peso do Viver - Momento Espírita

O Peso do Viver

Viver não é uma tarefa muito fácil.

Em todas as fases da vida os desafios se apresentam.

Na infância, há os trabalhos escolares, as tarefas cada vez mais complexas.

Na adolescência, perceber o mundo pode ser bastante doloroso.

Na juventude, deve-se optar por uma profissão e desenvolver esforços para conquistá-la.

Na época da maturidade, surgem problemas com filhos e abundam desafios profissionais.

Na velhice, o balanço do que se viveu pode causar decepção, sem falar nas forças físicas em declínio.

Permeando tudo isso, há problemas de saúde e amorosos, além de dificuldades com a família.

A vida é repleta de encontros e desencontros, de despedidas, lutas, vitórias e fracassos.

Dependendo do ângulo que se analisa, a vida pode parecer um castigo, um autêntico peso a ser suportado.

E realmente os problemas são inerentes ao viver.

Desconhece-se alguém que tenha atravessado a existência sem enfrentar dúvidas e crises.

Entretanto, viver é uma dádiva divina.

Embora a vida também envolva dores e sacrifícios, ela não se resume nisso.

Há a emoção do nascimento de um filho, a alegria de amar e ser amado, a beleza de um pôr-do-sol.

Depende de cada um escolher quais aspectos de sua existência irá valorizar.

É possível manter a mente focada na longa enfermidade que se atravessou, ou nas lições que com ela foram aprendidas.

Podem-se destacar os esforços feitos em determinada direção, ou a satisfação da vitória.

Conforme seja enfocado o aspecto positivo ou negativo das experiências, viver será algo mais ou menos leve.

Mas há outro aspecto a ser considerado a respeito das dificuldades inerentes à existência humana.

Como tudo no universo, os homens estão em constante aprimoramento.

Todos são espíritos, em jornada para a amplitude.

A existência terrena é um diminuto instante nessa maravilhosa viagem pelo infinito.

Após estagiar por longo tempo na seara do instinto, a humanidade desenvolve sua razão e ruma para a angelitude.

Para isso, necessita aprimorar sua sensibilidade, tornar-se valorosa e nobre.

As experiências com que a criatura se depara voltam-se justamente a prepará-la para seu glorioso porvir.

É preciso que os instintos gradualmente percam sua força, dando lugar às virtudes.

Assim, amar não mais como manifestação de posse, mas de forma sublime, preocupando-se em ver feliz o ser amado.

Educar a própria libido, percebendo-a como energia criativa, em harmonia com o cosmo.

Esquecer a tendência de dominar pela força, aprendendo a convencer pela lucidez dos argumentos.

Abdicar da violência, desenvolvendo a afabilidade e a doçura.

A vida chama as criaturas para um amanhã de luz, de paz e ventura.

Ocorre não ser possível cultivar um jardim em pleno charco.

Justamente por isso viver parece tão difícil.

É que os homens são constantemente convidados a abrir mão de velhos vícios.

Tanto maior seja a resistência em aprender a lição, tanto mais contundente ela será.

Assim, se você quer ser feliz, desfrutar de bem-estar, passe a remar a favor da maré.

Dome seus vícios, conscientizando-se de que eles é que o infelicitam e tornam sua existência penosa.

Ame a vida, seja honesto, trabalhador, bondoso e puro.

Em pouco tempo seu viver se tornará leve e prazeroso, pois você terá instalado um céu dentro de sua própria consciência.

Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita

30 março 2010

Convite à Harmonia - Joanna de Ângelis

CONVITE À HARMONIA

"Pois toda criatura de Deus é boa e nada deve ser rejeitado, se é recebido com gratidão." (I Timóteo, 4:4)

Como hábito, uma que outra vez com regularidade, altera o ritmo das atividades do quotidiano, a fim de haurires na comunhão da Natureza a necessária harmonia para o prosseguimento dos labores abençoados.

Uma evasão da cidade agitada na direção do bosque;

Uma excursão a um local bucólico e ameno;

Uma jornada aos campos dos arredores;

Uma caminhada pela orla marinha;

Um convescote à montanha...

Paisagens novas, inabituais à contemplação, ao exercício, à reflexão.

Neste recanto uma delicada flor oscilando em haste tênue; do alto visão ampliada, superando detalhes e vencendo distâncias; em volta o ar rarefeito, dúlcido, respirável; pequenas boninas salpicando o verdor de todos os tons; o pulsar do corpo gigante do mar; búzios e algas variados pelas praias, despertando atenção; painéis coloridos, variados, o céu, o sol, a vida...

Detém-te um pouco a considerar a harmonia que palpita em toda parte, ausculta o coração da Natureza, deixa-te arrastar...

Refaze programações, renova o entusiasmo, desasfixiando-te, eliminando tóxicos, miasmas que te excitam no dia-a-dia ou te entorpecem na maior parte das horas...

Nada de complexas, exaustivas arrumações: barracas, farnéis, guloseimas, isto, aquilo.

Algumas horas nada são. Não devem ser complicadas, de modo a não se converterem em nova inquietação, diferente ansiedade.

Se, todavia, acreditares não dispor de tempo, de oportunidade, de meios - recurso nenhum, senão disposição, - abre a janela, à noite e fala às estrelas, escuta os astros fulgurantes, harmoniza-te.

Harmonia é também pão e medicamento. Não prescindirás dela se pretendes lograr êxito.

Mesmo Jesus, após as atividades de cada dia, ao lado dos amigos, refugiava-se, longe das multidões, no contato com a Natureza, orando, para prosseguir em harmonia com o Pai. E como afirma Paulo que "toda criatura de Deus é boa", mister se faz desdobrar essa natural bondade, a fim de que, em harmonia, tudo receba "com gratidão".

De "Convites da Vida",
de Divaldo Pereira Franco,
pelo Espírito Joanna de Ângelis