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20 março 2017

O “amor a si” , o “auto perdão” e o “próximo” como alvo - Jorge Hessen



O "AMOR A SI", O "AUTO PERDÃO" E O "PRÓXIMO" COMO ALVO

Estabeleceu Jesus a síntese da Lei: “amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos”. [1] O resumo da Norma indicada pelo Mestre é das mais admiráveis terapias pessoais. Somos todos importantes. Somos criaturas únicas no Universo que buscamos a felicidade através do aprendizado do amar a nós mesmos, ao próximo e a Deus.

Contudo, de que forma amar a nós mesmos? Naturalmente a proposta de Jesus é um imperativo que não deve ser confundido com o egoísmo ou o egocentrismo. Quando escolhemos aprender, para o aprimoramento intelectual, estamos nos auto amando. Quando compreendemos as nossas imperfeições temporárias, nos esforçando para corrigir os erros, estamos amando a nós mesmos. “O auto amor proporciona uma visão mais clara de quem se é, do que se deseja e do que não se deseja para si”. [2]

Quando escolhemos perdoar e extinguir o peso de uma mágoa, estamos amando a nós mesmos. O asseio mental e a estabilização emocional têm procedências brilhantes naquele que consegue praticar e receber o perdão. Todos somos convocados a praticar o perdão no ambiente doméstico, profissional, religioso; enfim na convivência social.

Afinal de contas, perdoar significa absolver, indultar, desculpar, anistiar. O prefixo “per” quer dizer “total” e “doar” significa dar inteiramente, ou seja, um empenho de autodoação plena. Portanto, perdoar-nos resulta no pleno amor a nós mesmos. Para nos libertarmos, tanto da culpa quanto da desculpa, necessitamos cultivar o auto amor, a autoconsciência, o arrependimento e o aprendizado para as reparações imprescindíveis. É verdade! O auto perdão não é uma simples revogação da consciência de culpa, mas um procedimento de auto-exame consciencioso de nós mesmos, o que requer arrependimento e reparação.

Somente cultivando o auto amor é que crescemos espiritualmente. Por isso não podemos ficar sob o guante do ingênuo pesar. Quem ama a si mesmo (como recomendou Jesus) preenche a vida de alegria e paz. Todavia, uma das causas de auto-agressão vem da procura frenética de perfeição irrestrita, como se todos devêssemos ser deuses ou deusas de um momento para o outro.

Quando esperamos perfeição em tudo e confrontamos o lado “primário” de nossa natureza humana, nos sentiremos fatalmente diminuídos e envolvidos por uma aura de fracasso. A baixa autoestima nasce quando não nos aceitamos como somos. Somente a auto aceitação nos leva a sentir plena segurança ante os fatos e ocorrências do cotidiano.

Nossas reações perante a vida não acontecem em função tão somente dos episódios exteriores, mas sobretudo de como percebemos e julgamos interiormente esses mesmos acontecimentos. A forma de refletirmos e nos comportarmos em face das nossas reações perante os outros, avaliando-os como bons ou maus, é talhada por um mecanismo de autocensura que se encontra alojado em nossos níveis de consciência mais profundos. Este juiz íntimo foi cultivado sobre bases de valores e de princípios que empilhamos através dos tempos recuados sob reencarnações inumeráveis.

Todos nos equivocamos tendo o dever de perdoar-nos, porém não permaneçamos no erro. É imprescindível, buscarmos não reincidir no mesmo endividamento moral, libertando-nos das algemas constringentes do remorso, até mesmo porque “o remorso é um lampejo de Deus sobre o complexo de culpa que se expressa por enfermidade da consciência”.[3] Podemos experimentar culpa e condenação, perdão e liberdade, de acordo com os nossos valores, crenças, princípios e normas vigentes. Apreendemos assim que para alcançar o auto perdão é imperioso que reexaminemos nossas convicções profundas sobre a natureza do nosso próprio EU.

Todos cometemos desacertos de maior ou menor agravamento, alguns dos quais, como vimos, são arquivados nos porões do inconsciente. Cedo ou tarde ressurgem devastadores, causando mal-estar, ansiedade, insatisfação pessoal, em caminho de transtorno de conduta.

A terapia moral pelo auto perdão impõe-se como indispensável para a recuperação do equilíbrio emocional e o respeito por nós mesmos. Seja qual for a gravidade do ato infeliz, é possível repará-lo quando se está disposto a fazê-lo, recobrando o otimismo, a alegria de viver, amando a Deus e ao próximo, perdoando-nos e amando-nos verdadeiramente.


Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com


Referências bibliográficas:

[1] Mt. 22:34

[2] FRANCO, Divaldo Pereira. Amor, imbatível amor, ditado pelo espírito de Joanna de Ângelis, Bahia: ed. Leal, 2005, cap. 13

[3] XAVIER, Francisco Cândido. Pronto Socorro, ditado pelo espirito Emmanuel SP: Ed CEU 1980

19 março 2017

Morrer é renascer - L.F. Carvalho



MORRER É RENASCER


Segundo o Espiritismo, o problema do destino da alma, após a morte física, fica definido em termos muito claros e lógicos.

O espírito humano, no nível de desenvolvimento e civilização em que se apresenta hoje, foi criado por Deus há milênios sem conta, alguns até em outros planetas, tendo emigrado para a Terra há mais ou menos tempo, conforme suas necessidades evolutivas.

Em sua marcha ascensional rumo ao aperfeiçoamento, o espírito passa por tantas encarnações em corpos materiais quantas sejam necessárias. Essas encarnações guardam perfeita relação de causa e efeito entre si. Assim é que temos as existências de prova, de expiação, de missão e de refazimento, conforme o mérito do espírito no momento de se planejar a próxima vida na carne, e suas vinculações com aqueles com os quais tenha de conviver.

Assim como a água passa do estado sólido para o líquido e deste para o gasoso e vice-versa, sem deixar de ser água, assim também o espírito passa dos planos mais grosseiros da matéria para os mais fluídicos da espiritualidade, sem perder sua individualidade, suas conquistas e seus comprometimentos para com a Lei. Da mesma forma como existe uma infinidade de aspectos da realidade, forças naturais normalmente imperceptíveis mas conhecidas, em grande parte, pela ciência e utilizadas a serviço do homem — como a eletricidade, o magnetismo, a radiatividade, as ondas hertzianas, a gravitação, etc. — assim também o vasto mundo espiritual é uma realidade palpável para os que o habitam. É, aliás, o ambiente natural de vida do espírito, sendo que o mundo material é que é transitório, limitada estação de adestramento, em sincronia com o plano espiritual.

A permuta de habitantes entre os dois planos se dá de forma natural e constante pelos milhares de seres que diariamente nascem e morrem em todo o mundo. Mas existem também outras formas de contato e percepção dessas realidades entre si, como sejam: o desdobramento pelo sono, pelos transes psíquicos, pela mediunidade etc.

Em razão disso, os fenômenos naturais do nascer e do morrer não são mais que meras transferências de morada, no suceder das experiências.

Mas ensina-nos também a Doutrina Revelada pelos Espíritos Superiores que as ligações de afeto e estima entre as almas só perduram no além túmulo pelas afinidades verdadeiras, que independem do parentesco e convivência mantidos na terra; que os espíritos desencarnados se sensibilizam com as nossas lembranças e homenagens, mas que a demonstração de nosso afeto e até comunicação com eles, por via intuitiva ou mediúnica, não precisa ficar na dependência do ambiente pouco atraente dos “campos santos”, nem de dias convencionados para se homenagear os “mortos”.

Podemos nos sentir em natural ligação uns com os outros, encarnadas e desencarnadas, pela linguagem universal dos sentimentos, da prece, e permanecer confortados, lá e cá, no prosseguimento de nossa lida e aprendizado, até o reencontro, feliz e sereno, em diferentes condições!


L.F. Carvalho

 

18 março 2017

Não há morte - Joanna de Ângelis



NÃO HÁ MORTE


Depois que partiram do círculo carnal aqueles a quem amas, tens a impressão de que a vida perdeu a sua finalidade.

As horas ficam vazias, enquanto uma angústia que te dilacera e uma surda desesperação que te mina as energias se fazem a constante dos teus momentos de demorada agonia.

Estiveram ao teu lado como bênçãos de Deus, clareando o teu mundo de venturas com o lume da tua presença e não pensaste, não te permitiste acreditar na possibilidade de que eles te pudessem preceder na viagem de retorno.

Cessados os primeiros instantes do impacto que a realidade te impôs, recapitulas as horas de júbilo enquanto o pranto verte incessante, sem conforta-te, como se as lágrimas carregassem ácido que te requeima desde a fonte do sentimento à comporta dos olhos, não diminuindo a ardência da saudade. . .

Antes da situação, o futuro se te desdobra sombrio, ameaçador, e interrogas como será possível prosseguir sem eles.

O teu coração pulsa destroçado e a tua dor moral se transforma em punhalada física, a revolver a lâmina que te macera em largo prazo.

Temes não suportar tão cruel sentimento. Conseguirás porém superá-lo. Muito justas, sim, tuas saudades e sofrimentos.

Não, porém, a ponto de levar-te ao desequilíbrio, à morte da esperança, à revolta. . .

Os seres a quem amas e que morreram, não se consumiram na voragem do aniquilamento. Eles sobreviveram.

A vida seria um engodo, se se destruísse ante o sopro desagregador da morte que passa.

A vida se manifesta, se desenvolve em infinitos matizes e incontáveis expressões. A forma se modifica e se estrutura, se agrega e se decompõe passando de uma para outra expressão vibratória sem que a energia que a vitaliza dependa das circunstâncias transitórias em que se exterioriza.

Não estão portanto, mortos, no sentido de destruídos, os que transitaram ao teu lado e se transferiram de domicílio.

Prosseguem vivendo aqueles a quem amas.

Aguarda um pouco, enquanto, orando, a prece te luarize a alma e os envolvas no rumo por onde seguem. Não te imponhas mentalmente com altas doses de mágoas, com interrogações pressionantes, arrojando na direção deles os petardos vigorosos da tua incontida aflição.

Esforça-te por encontrar a resignação.

O amor vence, quando verdadeiro, qualquer distância e é ponte entre abismos, encurtando caminhos.

Da mesma forma que anelas por volver a senti-los, a falar-lhes, a ouvir-lhes, eles também o desejam.

Necessitam, porém, evoluir, quanto tu próprio.

Se te prendes a eles demoradamente ou os encarcera no egoísmo, desejando continuar uma etapa que hora se encerrou, não os fruirás, porque estarão na retaguarda.

Libertando-os, eles prosseguirão contigo, preparar-te-ão o reencontro, aguarda-te-ão…

Faze-te, a teu turno, digno deles, da sua confiança, e unge-te de amor com que enriqueças outras vidas em memórias deles, por afeição a eles. Não penseis mais em termos de “adeus” e, sim, em expressões de “até logo mais”.

***

Todos os homens na terra são chamados a esse testemunho, o da temporária despedida. Considera, portanto, a imperiosa necessidade de pensar nessa injunção e deixa que a reflexão sobre a morte faça parte do teu programa de assuntos mentais, com que te armarás, desde já para o retorno, ou para enfrentar em paz a partida dos teus amores. . .

Quanto àqueles que viste partir, de quem sofres saudades infinitas e impreenchíveis vazios no sentimento, entrega-os a Deus, confiando-os e confiando-te ao Pai, na certeza de que, se souberes abrir a alma à esperança e a fé, conseguirás senti-los, ouvi-los, deles haurindo a confortadora energia com que te fortalecerás até o instante da união sem dor, sem sombra, sem separação pelos caminhos do tempo sem fim, no amanhã ditoso.


Autor: Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Franco


17 março 2017

Sobre as datas do fim do mundo - Hugo Lapa



SOBRE AS DATAS DO FIM DO MUNDO


Amigos, de vez em quando vemos uma ou outra notícia sobre fim do mundo. Datas e mais datas são apresentadas pelas pessoas como o dia derradeiro em que o mundo terá seu fim. Várias datas já foram colocadas e provavelmente outras datas ainda virão, mas nenhuma delas é verdadeira e vamos explicar o porquê.

Sobre essa questão do fim do mundo, do final dos tempos, do apocalipse, etc, é preciso esclarecer uma coisa… Não existe fim do mundo como as pessoas entendem. Não existe um dia ou um período determinado no qual o planeta Terra vai simplesmente acabar, deixar de existir. Isso ocorre por um motivo muito simples. Nada, absolutamente nada em todo o universo termina, acaba ou chega a um fim, mas tudo, sem exceção… tudo se transforma. Aquele que observa as manifestações da natureza pode contemplar esse modus operandi do mundo natural, que é exatamente o mesmo para tudo o que existe. Nada nunca termina, tudo sempre se transforma; assim como nada começa, mas o que chamamos de começo é sempre uma continuidade transformada daquilo que consideramos o “fim” de algo. Dessa forma, não há início e nem fim… há sempre transformações sucessivas.

Essa lei natural abrange também a existência dos mundos. Um mundo jamais acaba, ele apenas se transforma. Nosso mundo já passou por muitas transformações, mas ele nunca acabou e nem nunca vai acabar. Os antigos conheciam essa verdade e a tratavam como uma realidade incontestável. O mundo segue em ciclos, sejam eles maiores ou menores. Nesses ciclos há sempre contrações e expansões, há conflitos e apaziguamentos, há destruições e reconstruções, há sempre o fim de algo e o início de outra coisa, mas esse fim e início nada mais são do que uma transformação. Há o abandono do modo antigo e há a adesão ao novo. Há o ponto de mutação e há depois o ponto de estabilidade e ambos se harmonizam e se completam. Toda ordem natural segue essa lei de transformações regidas pelos ciclos. Quando o dia termina vem a noite e quando a noite chega ao seu auge, um novo dia nasce. O mundo não terminou ao final de um dia, mas apenas nasceu um novo período. O mesmo ocorre na passagens das estações, do ano, dos séculos, dos milênios e das eras.

Cada tempo passado assinala uma fase que é deixada para trás, consolidando o fim “daquele mundo” e anunciando o início do “próximo mundo”. O mundo tal como era antigamente já se foi, já não existe mais. O mundo que conhecíamos da década de 50, por exemplo, já não existe mais. Hoje esse dia esse mundo morreu para dar lugar a um novo mundo, que nasceu e agora está em voga. Por mais que nos esforcemos, nunca mais o mundo será como era na década de 50. Por mais nostálgica que for uma pessoa, ela jamais conseguirá viver novamente da mesma forma que vivia nos anos 50. Isso ocorre simplesmente porque o mundo dos anos 50 já não existe mais, já morreu, já pereceu e deu lugar a um outro mundo. Mas até mesmo esse mundo que vivemos agora está morrendo e renascendo a cada momento, e isso demonstra que nada é permanente… nem no mundo e nem em nossas vidas. Tudo sempre está em movimento, em transformação, em revisão e em nascimentos e mortes sucessivos, assim como nós mesmos. Por isso, não podemos falar em “fim do mundo”, mas sim no fim do mundo como existia antes ou como o concebemos no passado. A cada momento morre um mundo e nasce um outro mundo. A cada ano morre uma primavera e nasce um verão, e assim vai trascorrendo eternamente.

A pergunta que cabe aqui é: mas será que um dia nosso planeta não será destruído completamente? A resposta é: sim, um dia, o “corpo físico” do nosso planeta será destruído, assim como nosso próprio corpo físico um dia retornará a terra e se resolverá em seus componentes fundamentais. Mas o que acontece com nosso corpo físico quando morremos é o mesmo que ocorre com o corpo físico da Terra quando ela perecer. Quando nosso corpo morrer, nosso espírito vai se libertar e passará a existir em outra dimensão. Agora podemos afirmar que o mesmo processo ocorrerá com o planeta Terra: quando o corpo físico da Terra, nosso planeta físico, perecer, a alma da Terra se libertará deste corpo de matéria planetário e a alma da Terra passará a existir em outra dimensão. O planeta físico e material será destruído, mas a alma da Terra, o espírito planetário, esse continuará a existir em outro plano. É assim com os seres humanos e com os mundo; é assim também no nível macro tal como no nível micro.

Por isso, quando falamos de fim do mundo, estamos sempre falando de uma transformação, de uma passagem de um estado a outro de existência. É uma pena que muitas pessoas ainda cultivem a ideia de um fim definitivo para nosso mundo e fiquem propagando tais equívocos. Nenhuma data estará correta, posto que ninguém sabe exatamente quando se dará uma transformação em nível planetário. As pessoas nem deveriam se preocupar com essas questões, até porque quando chegar o momento de partirmos deste plano ou até de deixarmos a Terra, isso será feito e nada poderá ser feito para mudar isso tentando nos salvar fisicamente.

A ideia da “salvação” de que fala a bíblia e outros textos sagrados e mestres espirituais não é a salvação do corpo, mas a salvação da alma. É a alma que deve ser salva no “final dos tempos”, e esse “final dos tempos” é agora mesmo, pois ele é o momento em que vamos fazer a transição para uma nova consciência, aderindo a uma nova era de paz e fraternidade. A verdadeira salvação é a tomada de consciência do espírito que somos. Quem despertar para isso, não provará mais a morte e tampouco precisará se preocupar com o fim do mundo.


Hugo Lapa

16 março 2017

Para Onde Vamos Durante o Sono? - Momento Espírita



PARA ONDE VAMOS DURANTE O SONO?

O Espiritismo Vem nos Elucidar



Era manhã de sol nas proximidades do mar.

A esposa despertara ansiosa por narrar ao marido a experiência que tivera na noite anterior.

Estavam fisicamente separados por cerca de cinco dias, em cidades diferentes, e a saudade batia forte.

Há mais de trinta anos que dividiam a mesma cama, a mesma vida, e qualquer rápida separação era sentida por ambos.

Tomando do telefone, ela lhe conta que, na noite anterior, tivera uma sensação muito especial.

Deitada na cama, nos primeiros instantes do sono, sentira o perfume dele, como se ele tivesse acabado de sair do banho, e se colocado ao seu lado, como sempre o fazia em casa.

Além do aroma agradável, percebeu uma presença muito forte, como se ele realmente estivesse ali.

Virou-se rapidamente, mas não havia ninguém.

O marido, do outro lado da linha, ouvia tudo também emocionado.

Quando ela terminou a narração, foi a vez dele dizer:

Pois também vivi uma experiência singular nesta noite. Na madrugada, acordei com a certeza de que você estava dormindo ao meu lado. Tinha certeza que você estava ali. Mas quando olhei para o seu lugar na cama, nada vi.

Terminam os dois a conversa, surpresos, dizendo: É... acho que nos encontramos esta noite!

* * *

Muitos de nós temos histórias peculiares sobre o período do sono.

Aqueles que conseguem lembrar mais claramente dos sonhos trazem experiências ricas, por vezes, e que merecem nossa análise.

Para onde vamos durante o sono? Todas essas lembranças serão apenas produto do cérebro?

O espiritismo vem nos elucidar, afirmando que, durante o período do sono, a alma se emancipa, isto é, se afasta do corpo temporariamente.

Dessa forma, o que conhecemos como sonhos são as lembranças do que o Espírito viu e vivenciou durante esse tempo. Quando os olhos se fecham, com a visitação do sono, o nosso Espírito parte em disparada, por influxo magnético, para os locais de sua preferência.

Através da atração produzida pela afinidade, procuramos muitas vezes aqueles que nos são caros, amigos, parceiros e amores.

Por isso é que aqueles que muito se amam na Terra, podem se encontrar no espaço, e continuarem juntos.

É assim que encontramos Espíritos amados, que já não se encontram conosco fisicamente, e partilhamos com eles momentos inesquecíveis. Por vezes lembramos, por outras tantas não, mas sempre conservamos no íntimo bons sentimentos, ou a sensação de ter vivido experiência agradável.

O Espírito sopra onde quer, e mesmo durante nosso aparente repouso, perceberemos que ele está em atividade, sempre.

* * *

Você sabia que podemos nos preparar melhor para conseguirmos ter bons sonhos?

Obviamente que os acontecimentos do dia, e nosso estado emocional irão influenciar nossas experiências oníricas, mas podemos tomar alguns cuidados a mais para aproveitar melhor esse período: uma leitura salutar, a oração sincera, uma música suave que nos acalme, alguns momentos de meditação.

Todos estes ingredientes colaboram para que as últimas impressões do dia sejam positivas, e sejam levadas conosco, favorecendo a emancipação da alma.

Assim, tenha bons sonhos...


Redação do Momento


15 março 2017

O criminoso nato e a reencarnação - Domério de Oliveira

 
O CRIMINOSO NATO E A REENCARNAÇÃO


Não podemos deixar passar em branco o problema do criminoso nato relativamente à reencarnação. Sabemos que o progresso espiritual não é, exclusivamente, uma função de ordem biológica, pois o Espírito tem o seu livre arbítrio e sua caminhada própria.

O homem, neste nosso plano, ainda sofre as influências de seu estado de humor e influências emocionais, mas não podemos ignorar a precedência do Elemento Espiritual nas relações da Personalidade. Os antigos já diziam, com segurança, que Espírito comanda a matéria.

Assim, tendo o homem o instinto assassino, concluímos que o seu próprio Espírito que já traz o aludido instinto. Sabemos que o instinto procede do Espírito e não da matéria. Podemos dizer que o instinto criminoso é relativo à inferioridade do Espírito. As desarmonias glandulares e as condições sociais favorecem à manifestação do instinto, mas não constituem a causa das más inclinações. A má inclinação é inerente ao Espírito. As disposições anatômicas são apenas os meios pelos quais o Espírito exterioriza os seus pendores. Sabemos que a nossa consciência é um patrimônio de ordem espiritual. A manifestação da consciência não depende do corpo somático.

A simples manifestação da nossa consciência já prova a emancipação do nosso Espírito. A lógica mais elementar, por certo, leva-nos a admitir que o Espírito é anterior à formação do corpo. Assim, ao reencarnar, o Espírito traz consigo, formando a sua personalidade, os princípios do bem e do mal, depen­dendo do seu grau de evolução.

O sonambulismo oferece elementos comprobatórios da independência entre o corpo somático e o Espírito. Assim, além da hereditariedade biológica, também existe a hereditariedade do próprio Espírito. Ao assumir o corpo físico, o Espírito já traz, de reencarnações pretéritas, o seu próprio instinto. Se o indivíduo já nasce com o instinto do crime, então, perante a Doutrina Espírita, temos que admitir a tese do criminoso nato.

Neste aspecto, a Educação tem um valor importantíssima Através de processos educativos que tocam o campo da reforma íntima, podemos guiar estes nossos irmãos, com tendências criminosas, ao caminho do bem. A filosofia espírita fundamenta-se no princípio reencarnacionista para justificar a assertiva do criminoso nato. É o Espírito, ao reencarnar, que já traz o germe do bem ou do mal.

Perante o Espiritismo, a personalidade humana participa, ao mesmo tempo, de três ordens de fatores: biológicos, ambientais e espirituais. Podemos dizer, ainda mais, que se, por um lado, o comportamento humano está sujeito ao determinismo ambiente e de organização biológica, por outro lado, a personalidade exterioriza reações e tendências inerentes a peculiaridades próprias do Espírito, mais identificadas com a existência anterior do que propriamente com as solicitações ou imposições da existência atual.

Nosso plano, como sustenta Allan Kardec, é um vasto cenário de provas e expiações. Aqui, deparamos com irmãos de todos os níveis, infelizmente, mais agressivos do que fraternos. Então, meus amigos, temos que ser bons equilibristas para não cairmos do arame da nossa evolução.


Domério de Oliveira - Jornal Espírita - Abril/04



14 março 2017

Sobre a morte - David Monducci



SOBRE A MORTE

"Quase tão difícil quanto definir quando a vida começa é tentarmos definir e determinar quando ocorre a morte"

Para a Doutrina Espírita a morte é uma simples mudança de estado para o Espírito, que se desfaz de uma forma física que não possui mais as condições necessárias para atendê-lo. A extinção da vida orgânica provoca a separação da alma e do corpo, pela ruptura do laço fluídico que os une.

Na antiguidade não existiam critérios confiáveis para o diagnóstico de morte e o sepultamento era quase imediato. Tais procedimentos não apenas causavam muita confusão como, também nos ajudam a entender algumas das mais fascinantes passagens dos Evangelhos.

Em Matheus IX - 23 a 26, Marcos V - 35 a 43 e Lucas VIII - 49 a 56 podemos ler a passagem sobre a filha de Jairo que fora considerada morta, mas que Jesus informou estar apenas dormindo.

Em João XI vemos o mesmo padrão de relato para o caso de Lázaro. Por outro lado, todos os evangelistas relatam a morte de Jesus seguida do seu quase imediato sepultamento. Mas, o relato mais curioso é o que podemos ler nos Atos dos Apóstolos, capítulo V, concernente à fraude de Ananias e da sua esposa Safira.

Neste relato, Ananias, surpreendido em mentira, cai morto perante o apóstolo Pedro e o seu corpo é retirado e sepultado. Três horas mais tarde chega a sua esposa que ainda não sabe do ocorrido. Flagrada na mesma mentira do seu marido, Safira também caiu morta aos pés do apóstolo Pedro sendo retirada e sepultada ao lado do seu marido.

Nestes relatos vemos dois diagnósticos errados de morte física e outros dois de diagnósticos extremamente rápidos de morte com sepultamento quase imediato. Até meados do século XVIII muito pouca coisa havia mudado, apesar da utilização de métodos um tanto quanto esquisitos para o diagnóstico de morte.

Contudo começaram a surgir alguns relatos de pessoas que foram enterradas vivas e em 1785 um médico inglês mostrou que era possível ressuscitar um homem considerado morto por afogamento enchendo seus pulmões de ar. A partir de então, quando alguém era dado como morto esperava-se alguns dias de observação até que começassem a aparecer sinais de putrefação para que o corpo pudesse ser sepultado.

Em 1846 o médico francês Eugene Bouchut estabeleceu um conjunto de três parâmetros para definir a morte orgânica e prevenir os sepultamentos prematuros. Os sinais de morte segundo Bouchut eram a ausência da respiração, de batimentos cardíacos e da circulação por 10 minutos. Foi deste procedimento que derivou a tradição moderna de associarmos a morte com a perda da função cardio-respiratória.

Entretanto, poucas décadas mais tarde os patologistas sabiam que o coração de algumas pessoas decapitadas continuava a bater por até uma hora após a execução, o que exigiu uma revisão dos critérios em voga. Aos sinais de morte postulados por Bouchut foi acrescentado o exame das pupilas.

Na virada do século XX o diagnóstico de morte exigia a confirmação da ausência de sinais de função cardio-respiratória mais a constatação de que as pupilas estavam dilatadas e não reagiam a um feixe de luz.

Tais critérios permaneceram soberanos até meados dos anos 60 quando entraram em cena os primeiros modelos de respiradores artificiais e a criação das Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Apesar das novidades a situação parecia estar sob controle, todavia o primeiro transplante de coração realizado por Cristian Bárnard, em 1967, precipitou de maneira inevitável uma discussão sobre o estabelecimento de critérios para o diagnóstico de morte com o máximo de antecedência possível.

Em 1968 foi formado um comitê de notáveis na Universidade de Harvard com a finalidade de estabelecer quais seriam os critérios mínimos para se definir a morte. Começava a surgir o conceito de morte cerebral que evoluiu até a idéia atual de morte encefálica. A consequência desses estudos nos últimos 38 anos resultou na compreensão de que a morte é um processo lento e gradual no qual é possível distinguir-se uma morte clínica, uma morte biológica e uma morte encefálica.

Embora a vida e a morte sejam eventos de ordem natural, ou até justamente por serem eventos naturais, eles são considerados fatos jurídicos, pois é deles que se origina o Direito. Esta tese sustenta a resolução 1480/97 do Conselho Federal de Medicina que regulamenta no Brasil os critérios de morte encefálica e do doador cadáver de órgãos para transplante, pois a morte encefálica tem o mesmo status de morte clínica.

Neste ponto, alguns confrades adotam uma postura de extrema reserva perante a doação de órgãos para transplantes com doador-cadáver, alegando que o estado de morte encefálica não implica em desencarnação e que, nestas circunstâncias, a retirada de órgãos para transplante equivaleria a um homicídio.

Um estudo mais aprofundado d'O Livro dos Espíritos nos ensina que a parada da função cardíaca não é a única lesão que causa a morte (pergunta 69), portanto ante O Livro dos Espíritos podemos admitir que o estado de morte encefálica é equiparável ao de morte clínica.

A questão 136a nos informa que a vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar corpo sem vida orgânica. E, na pergunta 156, os Espíritos informaram que "na agonia, às vezes, a alma já deixou o corpo, que nada mais tem do que a vida orgânica.... O corpo é uma máquina que o coração põe em movimento. Ele se mantém enquanto o coração lhe fizer circular o sangue pelas veias e para isso não necessita da alma".

A questão 19 d'O Livro dos Espíritos nos diz que a ciência nos foi dada para o nosso adiantamento em todos os sentidos. Os recursos técnicos disponíveis atualmente permitem ao médico fazer um diagnóstico de morte encefálica com segurança, diferenciando este estado de outras condições neurológicas. Se dispomos dos meios para identificar com segurança um doador-cadáver de órgãos e se podemos ajudar a outros através da tecnologia dos transplantes, qual o motivo para não o fazermos??


Dr. David Monducci - Jornal Espírita - Fevereiro/07


13 março 2017

Viagens - Divaldo P.Franco



VIAGENS


Viagens Em face das comodidades e tecnologia de alta qualidade, os veículos modernos facultam diminuir as distâncias físicas, ao tempo que oferecem oportunidades excelentes de conhecer-se outros países, seus hábitos e costumes, suas formas exóticas ou clássicas de viverem.

Esportes inimagináveis e edificações para os divertimentos multiplicam-se com celeridade, ao tempo em que a necessidade de repouso e de lazer mais se acentua na cultura contemporânea, levando os indivíduos a viagens constantes.

Simultaneamente, negócios de alto porte exigem a presença de funcionários qualificados em diferentes partes do planeta, assim como especializações e aprimoramentos de técnicas e de estudos avançados apresentam-se convidativos nos países mais desenvolvidos.

Especialmente, a busca de gozos físicos e emocionais, festas retumbantes e exaustivas em navios luxuosos de turismo do prazer cruzam os mares, à medida que aviões, cada vez mais velozes e confortáveis, facilitam as incessantes transferências a lugares luxuosos e exuberantes.

Não poucas vezes, porém, as viagens têm como objetivo encontrar-se paraísos onde a alegria seja permanente e os problemas desapareçam ao toque mágico do sexo conturbado, de bebidas especiais, de drogas de alta qualidade, a fim de vencer-se o cansaço, o tédio, os transtornos emocionais…

O ser humano, na busca do gozo, é quase insaciável…

Busca-se fugir dos problemas naturais da existência, tenta-se ignorá-los, postergando-se-lhes a solução, o que mais os complica.

A finalidade do existir na Terra é desenvolver os valores que jazem internos, que exigem uma viagem corajosa e sem quartel: a de natureza interna.

Os conflitos pessoais e as lutas exteriores fazem parte do programa de crescimento moral e da busca da saúde integral, da plenitude. Ninguém existe que não os experimente.

Com sabedoria Jesus asseverou que o Seu reino, o da paz, não é deste mundo, ensinando que, na Terra, só mediante o esforço de uma viagem interior, tentando-se eliminar as anfractuosidades do caráter, é que se encontra o mais seguro e acertado empreendimento que nos cabe realizar. As modernas psicoterapias, de igual maneira, não solucionam as ansiedades nem os desafios pessoais, mas orientam o indivíduo ao esforço salutar de descobrir o sentido da vida, elegê-lo e lutar com empenho. Enquanto cada qual não se resolva por essa conquista, as viagens poderão multiplicar-se ao infinito, mas onde quer que se vá, leva-se o problema também.

Dispomos, graças aos meios diversos ao nosso alcance, de tesouros valiosos para serem penetrados: leituras edificantes, realizações fraternas, solidariedade, ações de autoiluminação, amor e comunhão com Deus.

Viaje bem!


Divaldo Pereira Franco.
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 16/01/2017


12 março 2017

Cérebro e Mente - Manuel Portásio


CÉREBRO E MENTE

"O CLINICAMENTE MORTO PODE NÃO ESTAR TÃO MORTO QUANTO SE PENSA"



Os relatos de pessoas que passaram pelas experiências de quase-morte (EQMs) vêm causando certo 'frisson' no meio científico. Alguns profissionais da medicina, que tomaram conhecimento desses relatos, enveredaram pelo caminho dos questionamentos mais profundos acerca da vida após a morte e do dualismo cérebro-mente, o que implica em trilhar o caminho desafiador da alma. Enquanto isso, outros, absolutamente céticos, prosseguem em sua peregrinação pela vereda pedregosa do materialismo empedernido. Para estes, não há nada mais. Pobres seres, que jamais conseguirão deter a marcha do progresso e que, no futuro, acabarão por abraçar essa mesma causa que hoje desprezam.


A revista The Sunday Times Magazine, suuplemento dominical do prestigioso jornal briitânico The Times, de 14 de dezembro de 2008, publicou interessantíssima matéria a respeito, intitulada 'O morto vivo', trazendo ao conhecimento público as últimas notícias dessa área da Ciência que tangencia o campo religioso e inforrmando a respeito do projeto que visa alcançar provas suficientes de que cérebro e mente são coisas absolutamente distintas e de que esta última existe independentemente daquele. O articulista, Mr. Bryan Appleyard, acaba por revelar sua crença nesta realidade e encerra o artigo dizendo que "there are more things in heaven and Earth than are dreamt of in any of our philosophies", mais ou menos como disse Sir William Shakespeare: 'há mais coisas entre a terra e o céu do que pode imaginar nossa vã filosofia'.


A reportagem começa descrevendo a situação vivida por um suposto paciente vítima de uma parada cardíaca, deitado numa maca de hospital, e o processo delicado por que vem passando, toda a assistência recebida por ele e o desânimo dos profissionais da medicina que já o dão como morto. Na verdade, ele está 'vivo' e assiste a tudo; além disso, vê a chegada de seus parentes 'mortos'. Olhando em torno, ele vê um túnel de luz e, talvez, ele até possa ver Jesus, Maomé ou Krishna. O caos ao lado de sua cama é interessante, engraçado mesmo, mas nada de especial. "A morte, ele sabe agora, com absoluta certeza, é uma ilusão". Esse é o ponto de vista dos pacientes, que costumam descrever detalhes de tudo o que acontece no centro cirúrgico, durante a operação por que passam, enquanto outros chegam a relatar fatos ocorridos fora das dependências do próprio hospital.


Agora, um grupo de médicos de 25 hospitais dos Estados Unidos da América e do Reino Unido, coordenado pelo Dr. Sam Parnia, da Southampton University, montou um projeto tendente a pôr em prova as descrições dos ressuscitados, segundo metodologia científica criada pelo grupo, de molde a se assegurarem de que não se trata de alucinação, fraude ou fantasia dos que passaram pela experiência. Para tanto, usarão um "objetivo invisível" (hidden target), que ficará colocado num local somente acessível a quem esteja flutuando próximo ao teto da sala. "Mesmo que as experiências de quase-morte não provem que exista vida após a morte, elas podem lança LUZ sobre a mente humana", diz Chris French, professor do Goldsmiths College, de Londres.


O objetivo é comprovar, afinal, que a mente existe independentemente do cérebro. É a Ciência em busca do Espírito, cuja descoberta virão certamente - a esclarecer - muitas situações já vivenciadas pelo homem há milênios, e que vêm sendo explicadas pela Doutrina Espírita há mais de 150 anos, com lógica e competência. Para o articulista da revista, o mundo é feito de dois elementos: pensamentos e coisas (ou Espírito e matéria, de acordo com o ensinamento espírita), e eles não parecem ser feitos da mesma matéria-prima, segundo ele. Esse dualismo, em última análise, significa que mente e cérebro não são feitos das mesmas coisas e, portanto, eles podem ser separados, como nas EQMs, ele conclui.


Desde que o Dr. Raymond Moody lançou o seu livro Vida Além da Vida, em 1975, a questão das experiências de quase-morte passou a ter real importância aos olhos da Ciência, por aquilo que elas já vinham revelando anteriormente; no âmbito restrito dos hospitais. A, Dra. Elisabeth Kubler-Ross, depois de estudar muitos desses casos, acompanhados de perto por ela mesma; escreveu O Túnel e a Luz, descrevendo os relatos de muitos dos seus pacientes e concluindo que "a vida na Terra não é senão uma escola pela qual temos que passar de modo a aprender lições especiais".


O artigo termina colocando as seguintes questões: "Então, o que acontece quando uma pessoa morre? O elemento psicológico apenas se desvanece?". E conclui afirmando: "O clinicamente morto pode não estar tão morto quanto se pensa." Neste momento, não podemos deixar de lembrar Kardec, em Obras Póstumas: "Quando as ciências médicas levarem em conta a influência do elemento espiritual na economia do ser, grande passo terão dado e novos horizontes se lhes abrirão. Muitas causas de molestias serão então descobertas, bem como poderosos meios de combatê-las." (Primeira Parte, Manifestações dos Espíritos, parágrafo 1°.) Pelo que já vem acontecendo, de alguns anos a esta parte, tudo leva a crer que a Ciência está muito próxima da sua maior descoberta em todos os tempos: o elo perdido.


Manuel Portásio - Jornal Espírita

11 março 2017

Paixões - Cláudio Fajardo


 (S.Paulo/SP)

PAIXÕES

“Não te deixes levar por tuas paixões e refreia os teus desejos. Se cedes ao desejo da paixão, ela fará de ti objeto de alegria para teus inimigos.” (Eclesiástico, 18: 30 e 31)

A paixão é tida por todos nós como um mal que assola a humanidade, muitos culpando a ela por vários desequilíbrios existentes entre nós.

Na verdade não é bem assim, o princípio que lhe dá origem é bom, o excesso que gera o abuso é que ocasiona o mal.

Muitas são as grandes obras da humanidade que têm por base a paixão daqueles que as realizaram, tendo desta forma, nela, um germe de positividade.

A história nos dá outros grandes exemplos do princípio da paixão bem equilibrada gerando o bem. Paulo de Tarso, o converso de Damasco é um dos mais notórios, ele empregou na nova proposta que assimilara – aquela disseminada pelo Cristo que lhe apareceu - a mesma energia com que servira à lei antiga, e o resultado não poderia ter sido melhor. Ou seja, o princípio originário que o movia foi o mesmo, o sentido de atuação é que foi modificado.

Em suma, a paixão é como um cavalo, se bem governado presta excelentes serviços, porém, se ao contrário perde-se dele o domínio, pode causar vários transtornos.

É preciso desta forma que reavaliemos nossos sentimentos, estão eles sob controle, podemos governá-los satisfatoriamente? Se a resposta for sim, tudo bem, eles não serão negativos. Todavia, caso o não seja o resultado de nossas meditações, tenhamos cautela, é possível que estejamos no princípio de um processo em que seremos dominados, isto é, escravizados pelos nossos próprios desejos.

Uma outra questão há ainda que deve ser ponderada. Estão as nossas paixões alimentando nossa tendência animal, ou à nossa natureza espiritual? Sabemos que o sentido que a Providência propõe para que cresçamos, é o espiritual; assim, se nossos sentimentos nos conduzem para o lado oposto, eles estão atrasando o nosso progresso, e consequentemente, afastando-nos de nossa meta. Se no entanto eles nos conduzem para a boa parte, ou seja, se fortalecem os valores espirituais, estejamos sem medo, eles devem ser incentivados.

Concluindo, podemos afirmar com segurança, não está na força que imprimimos em realizar qualquer ação, o bem ou o mal, e sim no sentido em que ela atua. Analisemos com cautela qual a nossa mais íntima motivação e saberemos com certeza se estamos nos aproximando de Deus ou Dele afastando.

“Porque, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, que são pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte. Mas, agora, estamos livres da lei, pois morremos para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra.” (Paulo aos Romanos, 7: 5 e 6


Cláudio Fajardo


10 março 2017

A Malidicência - Valentim Lorenzetti



A MALEDICÊNCIA


Se você se preocupa muito em identificar os espinhos da estrada, dentro em breve estará no meio de um espinheiro, cercado por todos os lados.

Esta é uma advertência do Espírito André Luiz, no livro Agenda Cristã, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier. Muito apropriada para todos nós mas, particularmente, para aquelas pessoas que vivem achando defeito em tudo, criticando todos. De tanto apontar defeitos e falhas, acabam se identificando com as falhas e os vícios e passam a viver num mundo particular em que tudo é difícil.

"O mundo é mau", exclamam enfatuados, esquecendo-se de que a maldade encontra neles livre curso para expandir-se. Assemelham-se a um rio que espalha, por larga extensão de suas margens, o material envenenado que nele é atirado por indústrias dirigidas por homens invigilantes. Esquecem-se de que a maldade - como os agentes da poluição - se controlada em ambiente fechado, sem um curso que a leve para o exterior, pode ter sua ação bastante circunscrita.. A maldade ou a maledicência podem ser bastante minimizadas se não encontrarem veículos de divulgação. O homem que vive identificando espinhos em sua estrada é um excelente veículo de expansão de ambas essas pragas sociais.

Aliás, a maledicência, como uma das manifestações da maldade, é um flagelo social. É o diz-que-diz-que leviano, entremeado de calúnias e meias-verdades. Passa de boca em boca e chega a arrasar muitas pessoas; chega a provocar desastres de grandes proporções. A maledicência geralmente começa com simples brincadeira de mau gosto O "identificador de espinhos" leva-a a sério, aumenta-a com o fel de sua própria mente, e passa-a à frente. E lá vai a maledicência. Mais adiante encontra outro "identificador de espinhos" que a apanha no ar, elabora-a com mais requintes de maldade, e coloca-a novamente em circulação. Teremos, assim, um drama social de boas proporções.

É preciso que as pessoas se compenetrem de que o mal não merece comentários em parte alguma. Não o comentando estaremos colaborando para sua própria extinção. O mal merece ação enérgica; sim, sim; não, não. Merece decisão, nunca omissão. Comentários e futricas, não. Estes só servirão para aumentar a extensão do mal, para dar a outras pessoas as ferramentas para cometer males idênticos.

O bem, por sua vez, deveria ser mais divulgado. Mais comentado, para servir de exemplo. Para formação de uma corrente benéfica, uma corrente capaz de apertar o cerco ao mal.

Quando se fala em divulgar o mal ou o bem, logo todo mundo pensa na função da imprensa, do rádio e da televisão. Claro que representam papéis importantes para o aumento ou a redução do mal ou do bem. Entretanto, tais veículos não são os únicos responsáveis. Cada indivíduo é uma peça importante desse trabalho. A divulgação, boca a boca, é das mais eficientes. Se colocada a serviço da maledicência pode-se avaliar o mal que causará. Portanto, não devemos transferir a responsabilidade para os órgãos de divulgação. Toda pessoa, como ser pensante, ouvinte e falante, é um veículo de comunicação. É responsável perante a sociedade pela extensão do mal.


Valentim Lorenzetti

09 março 2017

Quem procura, acha - Dulcídio Dibo


QUEM PROCURA, ACHA


Allan Kardec, na obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, capíítulo 25, cita o ensinamento Buscai e achareis, mencionando Mateus, 19:21 e 25-34, subtítulo Olhai as aves do céu: "Olhai as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem fazem provimentos nos celeiros; e, contudo, vosso Pai celestial as sustenta. Porventura não sois muito mais que elas?"

Allan Kardec, na explicação deste ensinamento, coloca a questão: "Se tomásssemos estas palavras ao pé-da-letra, elas seriam a negação de toda a providência e de todo o trabalho, e, conseqüentemente, de todo o progresso". E conclui: "Não se pode ver nestas palavras, portanto, mais do que uma alegoria poética da Providência, que jamais abandona os que nela confiam, mas com a condição de que também se esforçam. Finalizando, Allan Kardec comenta: "É assim que, se nem sempre os socorre com ajuda material, inspira-lhe os meios de saírem por si mesmos de suas dificuldades".

André Luiz, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, sinaliza que esta questão das dificuldades se exemplifica com a ação da prece: "Você é o lavrador; o outro é o campo: você é o desejo de seguir para Deus, mas entre Deus e você, o próximo é a ponte. E conclui textualmente:"O Criador atende as criaturas, através das criaturas. É por isso que a Oração é você, mas o seu merecimento está nos outros".

Contextualização - Neste sentido, temos o fortalecimento da prece. Allan Kardec nos oferece modelos de preces, para o começo e o fim de uma reunião espírita. No primeiro caso, para o começo de uma reunião, tem-se: "Rogamos ao Senhor enviar-nos Bons Espíritos para nos assistirem, afastar aqueles que possam induzir-nos ao erro, e darmos a luz necessária para distinguirmos a verdade da impostura. Pedimos especialmente ao Espírito, nosso guia espiritual, para nos assistir e velar por nós.

Emmanuel, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, nos oferece, também, uma Prece no Templo Espírita: "Senhor Jesus, abençoa, por misericórdia, o lar que nos deste ao serviço da Oração. Reúne-nos aqui em teu amor; sê nossa força: sê nosso arrimo. Ajuda-nos para que a caridade em nossa existência não seja vaidade. Auxilia-nos para que a nossa Fé não se converta em fanatismo. Mestre sublime: reergue-nos para a lição. E, sobretudo, Senhor, faze que entendamos a Divina Vontade, a fim de que, aprendendo a servir contigo, saibamos dissolver a sombra de nossa presença na glória de tua Luz".

Allan Kardec, por fim, nos oferece uma prece sintética para o fim das reuniões espíritas: "Agradecemos aos Bons Espíritos que vieram comunicar-se conosco; pedimos que nos ajudem a pôr em prática as instruções que nos deram, e façam que cada um de nós, ao sair daqui, seja fortificado na prática do bem e do amor ao próximo".

Através da psicografia de Chico Xavier, Emmanuel complementa Kardec com a Prece de gratidão e rogativa: "Senhor! Ensina-nos a agradecer os bens que temos recebido. Agradecemos a presença dos amigos. Agradecemos a bênção dos associados de trabalho e de ideal que nos reconfortam. Senhor!... Agradecemos a luz e o clima de harmonia que nos tranqüiliza a estrada que nos cabe percorrer. E sejam quais forem as provas a que fomos chamados, ajuda-nos a reconhecer que a tua sabedoria reina sobre nós e que, acima das nossas tribulações e obstáculos, dificuldades e lágrimas, estamos todos sustentados em teu amor, para sempre".

Conclusão - O Buscai e achareis e o Olhai as aves do céu, nos leva, simbolicamennte, à prece espírita, e à prática evangélica do Lar como conseqüência necessária e sublime entre os espíritas. A propósito, o que se chama Evangelho no Lar corresponde diretamente a uma reunião espírita que trata da Oração, da Prece e do ensino-aprendizagem do O Evangelho Segundo o Espiritismo no Lar. É uma oportunidade marcante para ensejar às famílias o encontro de seus participantes na intimidade do Lar, com o estudogem e meditação do Evangelho de Jesus de Nazaré à luz da Doutrina Espírita.

E é ainda onde, argumentamos, se ampliam os conhecimentos necessários à vivência diária. É, portanto, a prática evangélica do Lar, através da prece, da oração e do estudo, que nos traz benefícios salutares, como permite a compreeensão ampla dos ensinamentos de Jesus de Nazaré, através dos Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, sob a interpretação espírita, de acordo com Allan Kardec e Espíritos superiores como Emmanuel, André Luiz e outros, bem como a prática eficiente da Boa Nova, da boa notícia, do Evangelho em sua plenitude, no ambiente doméstico em que vivemos, no dia-a-dia desta existência.


Dulcídio Dibo - O Semeador - Abril/07


08 março 2017

Reencarnação é para progredir - Eliana F. H.



REENCARNAÇÃO É PARA PROGREDIR


"Ninguém reencarna para ser castigado. A finalidade da reencarnação é o melhoramento progressivo da humanidade.  Sem isto, não haveria JUSTIÇA. Deus nunca age de maneira caprichosa e tudo no Universo é regido por leis que revelam a sua sabedoria e sua bondade." LE

Muito interessante, como espíritas, será sempre esclarecermos sobre a supremacia da Lei do Amor nos fatos da vida, pois muitas vezes acaba pairando sobre nós o triste estigma de preconceituosos, devido ao radicalismo do sofre-porque-pecou, sofre-porque-merece, está-pagando-o-que-fez-de-errado, tomando-nos frios aos olhos mais desavisados, insensíveis ao sofrimento alheio no tempo presente, julgando, condenando, assinalando culpas, dívidas, resgates, etc. Somos cheios de "boas" justificativas. Temos invariavelmente um discurso pronto sobre Lei de Causa e Efeito.

Problema: na maioria das vezes, comentada à luz de meras interpretações pessoais. Não universais. Ainda tem sido dificil nos desvencilharmos da noção dos castigos, das penas. Ainda substituímos infernos por umbrais, demônios por obsesssores.

Para se compreender bem o Espiritismo, na sua essência, todo cuidado é pouco, para que não caiamos em discursos vazios e sejamos vitimados pelas marcas indeléveis do passado. É preciso urgentemente apagá-las com o entendímento e a vivência dos ensinamentos renovadores do Consolador Prometido - a Doutrina Espírita, a Terceira Revelação, trazida por uma plêiade de Espíritos elevados, cujas comunicações foram submetidas ao controle universal do método cientifico, bom-senso e disciplina do genial Codificador, Allan Kardec.

Sabedores que somos da verdade da reencarnação, encontramos infantilmennte culpados para todos os lados, para todos os fatos com motivos muitas vezes por demais simplistas, apegando-nos a casos particulares - alguns citados isoladamente na literatura espírita, como partes de um contexto específico - e aplicando-os como leis gerais, do tipo: morreu assassinado, porque assassinou; não tem braço, porque roubou; é cego, porque furou o olho do outro; tem câncer de útero porque abortou; mora na rua, porque desabrigou etc, etc ... Pensemos: cada Espírito é único, com suas próprias experiências e desafios a serem enfrentaados. Não temos o conhecimento, por exemplo, do histórico espiritual de cada indivíduo, e tentamos quase sempre irrresponsavelmente analisar o seu passado.

Sem nos atermos à excelência da misericórdia divina relativa ao esquecimento do passado nas encarnações, ainda julgamos e opinamos pelo o que se nos apresentam no presente, por aparência. Como podemos julgar um eleito, se não conhecemos as causas? Se somos diferentes, agimos com intenções também diferentes. Conclusão: podemos ter várias causas para um efeito aparentemente comum. É preciso URGENTE uma reflexão mais aprimorada dos espíritas sobre a Lei de Causa e Efeito para que não sejamos encarados pela sociedade tão necessitada de respostas como frios e calculistas.

O exemplo mais evidente para se pennsar: Jesus. Pela idéia retrógrada e rançosa do castigo, Jesus então teria sofrido porque teria sido mau ... Não fosse Jesus, com sua história contada, discutida e recontada, poderíamos dizer que foi crucificado porque crucificou ...

Para os suicidas, também, os efeitos serão os mesmos? Tudo vai depender do entendimento, da evolução de cada um. Onde encontrar Espíritos com a mesma evolução num mundo de provas e expiações como a Terra? Cada caso é um caso, embora o efeito aparente - nesse caso o suicídio - seja o mes mo. DEUS JULGA A INTENÇÂO, já explicaram os Espíritos. E quem somos nós para conhecermos intimamente a intenção dos outros?

Pensemos, antes de opinar: Sabemos qual a intenção do menino. João Hélio, que desencarnou no seu processo reencarnatório? Conclusão: cuidado com as deduções apressadas. Só assim começaremos a estudar e a compreender a magna justiça amorosa da Lei Divina para atos e fatos de heroísmo, prova, aprendizado, dívida, missão, tarefa ou resgate.

Precisamos mudar o enfoque do castigo da reencarnação pelo enfoque da oportunidade de evolução - quanto mais esforço, mais mérito. O que não podemos deixar de enaltecer é o foco luminoso e MISERICORDIOSO da pluralidade das existências. Explicaram os Espíritos em OLE-167 e 171, respectivamente - "A finalidade da reencarnação é o melhoramento progressivo da humanidade" e "um bom pai deixa sempre aos filhos uma porta aberta ao arrependimento".

" Ninguém reencarna para sofrer, para ser castigado porque pecou. Reencarnamos para nos tornarmos melhores - e sermos felizes, porque ou nos preparamos para passar pelas provas; ou estamos sendo amparados pelo amor divino para crescermos, aprendermos e renovar valores através das expiações - medida misericordiosa, também, que nos faz retomar o caminho da felicidade do qual nos desviamos por escolhas errôneas. E tem mais: cumpre-nos transformar cada efeito em uma nova causa. Tudo é dinâmico. Quanto mais evoluídos, mais compreendemos inclusive, o que seja felicidade. Daí a nossa confusão nos julgamentos prematuros num planeta como o nosso, ainda de provas e expiações, que abriga Espíritos: como nós, que ainda temos necessidade de aprender a amar e raciocinar através de meios - muitas vezes CHOCANTES, incompreensíveis sem a luz da vida espiritual, eterna e repleta de novas oportunidades.

Como encarar uma tragédia como uma felicidade? Somente se levarmos em consideração a parte espiritual, eterna, a caminhada dos próprios seres rumo à perfectibilidade. Por isso dissera Jesus que os escândalos eram necessários ... Do choque dos escândalos, da indignação social, das aparentes injustiças, do desespero pela falta de entendimento e fé raciocinada virão as reflexões sobre o bem e o mal, os movimentos sociais, as reformas, as transformações etc, etc ... Até que não necessitemos mais deles e consigamos galgar como Espíritos os degrau dos mundos mais felizes, porque pela Lei de Causa e Efeito também cessarão tal ajustes. Não haverá quem necessite escandalizar; muito menos quem necessite ser escandalizado ...

Reencarnação é benção; não é castigo e se funda na justiça AMOROSA de Deus. A Lei de Causa e Efeito é uma Lei de AMOR não é apenas uma Lei de Correção e Reprimendas, que nos faz ajoelhar chorosos e revoltados no milho, no canto da sala, à espera de chicotes e palmatórias. Se uma reencarnação dolorosa (aos nossos olhos) não servisse para transformar o Espírito e toda a Humanidade pela busca do Bem e sua conseqüente evolução, não teria sentido ser ela atribuída à misericórdia amorosa de uma inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, que nos faz incessantemente o convite para uma nova oportunidade de acertos e realizações. Aí, sim, estaríamos mesmo num caos de fatalidades e injustiças, numa Torre de BabeI de iniqüidades.

Cairíamos no nada, pois sem Deus nada existiria. Também não podemos esquecer que a dor tem dois lados: pode parecer um grande mal para quem não a compreeende, mas será sempre um enorme bem, quando precisarmos nos provar que podemos ser ainda bem melhores. A dor é relativa. Essa compreensão, porém, também não pode nos imobilizar ao ponto de não nos sensibilizarmos com o sofrimento alheio, pois seja lá qual for o desafio do Espírito, ele conta com a lei natural da solidariedade existente entre toda a Criação. Daí a necessidade de sermos caridosos no auxílio para que as metas reencarnatórias sejam alcançadas. Não nos cabem o comodismo, a indiferennça, mas - sim - participação, colaboração, indulgência, fraternidade e muito amor. É essa lente espiritual do amor que precisa nos direcionar. Estudemos, esforcemo-nos e trabalhemos muito por essa compreensão, caso contrário vamos ficar cheios de conhecimento e falando sozinhos!


Eliana F. H. - Jornal Espírita - Março/07


07 março 2017

Armagura - Leda Flaborea

 

AMARGURA


No nosso entender, a palavra amargura pode ter dois significados: o primeiro, ligado à inconformação, à rebeldia ante os desígnios de Deus; e o segundo, significando queixume, descontentamento com a própria vida.

Independentemente de sua significação, esta é uma atitude que não combina com o servidor de Jesus, se desejamos ser - pressupõe- se que essa deva ser, cristãos que somos, nossa busca constante - Seus discípulos.

Problemas todos nós temos, até porque o comprometimento ante as leis divinas, que criamos nas estações planetárias pelas quais transitamos, não nos permitiria uma vida isenta de preocupações. Por exemplo, no lar, jardim de espinheiro, onde angústias e inquietações exigem de cada um de nós renúncias e sacrifícios; no trabalho profissional, que não nos agrada realizar, porque quase sempre nos julgamos merecedores de melhores posições, mesmo que não tenhamos as aptidões necessárias para tal; no grupo de assistência social ou espiritual do qual, fazemos parte, que não valoriza nossas idéias e esforços, geralmente - segundo nosso ponto de vista - melhores e maiores do que as que estão sendo praticadas. Tudo isso são dificuldades colocadas em nosso caminho, obrigando-nos a refletir sobre o verdadeiro significado de sua presença em nossa existência.

Somado a isso, surgem, no campo de atuação no qual estamos inseridos, aqueles problemas inerentes à própria existência, uma vez que o planeta onde estagiamos, presentemente, é eivado de dificuldades para nossa sobrevivência. lsto quer dizer que, vivendo em um planeta ainda tão materializado, habitando corpos ainda tão grosseiros, necessitamos de recursos materiais para não perecermos, sem termos cumprido o programa reencarnatório a nós destinado. Evidentemente que Deus sempre proverá o planeta e a Humanidade que nele habita com os recursos necessários, para que a Lei do Progresso se cumpra, segundo Seus desígnios.

Então, não importa o tamanho ou a importância desses problemas - recursos financeiros que falta, enfermidade que chega a nós ou em ente querido, desajustes afetivos que não conseguimos administrar, tribulações que nos intranquilizam -, o fato é que o Pai precisa nos encontrar executando as tarefas que nos competem, para poder nos ajudar.

Destacamos isto porque, muitas vezes, pennsamentos de pesar, de vitimização ("Deus me abandonou" ou "ninguém olha por mim") afastam-nos das nossas obrigações mais simples, contaminam os companheiros de jornada, afetam o trabalho, o grupo no qual atuamos e, nos adoecem. Agora, se permanecemos atentos, agradecendo ao Pai as oportunidades oferecidas, Seus Mensageiros encontrarão, na própria tarefa, os meios de nos socorrer. Por tudo isso, é importante prosseguirmos ajudando os outros dentro das nossas limitações. Poderemos ser ou estar limitados neste momento, mas não poderemos ser ou estar ociosos, física e/ou intelectualmente.

Santo Agostinho nos recorda que ainda na condição de desencarnados, vagando no espaço, escolhemos a prova, porque nos considerávamos bastante fortes para suportá-la. E pergunta-nos, com toda razão: "Por que murmurais agora?"

E, prosseguindo, alerta: "Vós, que pediste a fortuna e a glória o fizestes para sustentar a luta com a tentação e vencê-la. Vós, que pediste para lutar de alma e corpo contra o mal moral e físico, sabeis que quanto mais forte fosse a prova, mais gloriosa seria a vitória, e que saisseis triunfantes, mesmo que vossa carne vossa lançada sobre o monturo, na ocasião da morte, ela deixaria escapar uma alma esplendente de alvura, purificada pelo batismo da expiação do sofrimento.'"

Emmanuel destaca, ainda, com propriedade, a diferença entre amargura real e amargura injustificada. Na primeira, é compreensível, mas não pode paralisar nossa ação junto daqueles que estão ligados a nós. Na segunda, se os fatos são de menor importância, não merece de nós nem o fato de ficarmos descontentes ou queixosos ... judiciosamente, o benfeitor espiritual adverte para guardarmos reflexão e prudência, a fim de não perturbarmos a obra do Mestre, e para que aqueles que nos cercam, sobretudo os nossos amados, não se privem da graça de Deus.'

Assim, em qualquer circunstância, não nos esqueçamos de que em nos queixando do quê e de quem quer que seja, "estaremos intimando, a nós mesmos, a viver em nível mais alto e a fazer coisa melhor." (Palavras de vida eterna, Emmanuel).


Leda Flaborea - Jornal Espírita