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08 março 2017

Reencarnação é para progredir - Eliana F. H.



REENCARNAÇÃO É PARA PROGREDIR


"Ninguém reencarna para ser castigado. A finalidade da reencarnação é o melhoramento progressivo da humanidade.  Sem isto, não haveria JUSTIÇA. Deus nunca age de maneira caprichosa e tudo no Universo é regido por leis que revelam a sua sabedoria e sua bondade." LE

Muito interessante, como espíritas, será sempre esclarecermos sobre a supremacia da Lei do Amor nos fatos da vida, pois muitas vezes acaba pairando sobre nós o triste estigma de preconceituosos, devido ao radicalismo do sofre-porque-pecou, sofre-porque-merece, está-pagando-o-que-fez-de-errado, tomando-nos frios aos olhos mais desavisados, insensíveis ao sofrimento alheio no tempo presente, julgando, condenando, assinalando culpas, dívidas, resgates, etc. Somos cheios de "boas" justificativas. Temos invariavelmente um discurso pronto sobre Lei de Causa e Efeito.

Problema: na maioria das vezes, comentada à luz de meras interpretações pessoais. Não universais. Ainda tem sido dificil nos desvencilharmos da noção dos castigos, das penas. Ainda substituímos infernos por umbrais, demônios por obsesssores.

Para se compreender bem o Espiritismo, na sua essência, todo cuidado é pouco, para que não caiamos em discursos vazios e sejamos vitimados pelas marcas indeléveis do passado. É preciso urgentemente apagá-las com o entendímento e a vivência dos ensinamentos renovadores do Consolador Prometido - a Doutrina Espírita, a Terceira Revelação, trazida por uma plêiade de Espíritos elevados, cujas comunicações foram submetidas ao controle universal do método cientifico, bom-senso e disciplina do genial Codificador, Allan Kardec.

Sabedores que somos da verdade da reencarnação, encontramos infantilmennte culpados para todos os lados, para todos os fatos com motivos muitas vezes por demais simplistas, apegando-nos a casos particulares - alguns citados isoladamente na literatura espírita, como partes de um contexto específico - e aplicando-os como leis gerais, do tipo: morreu assassinado, porque assassinou; não tem braço, porque roubou; é cego, porque furou o olho do outro; tem câncer de útero porque abortou; mora na rua, porque desabrigou etc, etc ... Pensemos: cada Espírito é único, com suas próprias experiências e desafios a serem enfrentaados. Não temos o conhecimento, por exemplo, do histórico espiritual de cada indivíduo, e tentamos quase sempre irrresponsavelmente analisar o seu passado.

Sem nos atermos à excelência da misericórdia divina relativa ao esquecimento do passado nas encarnações, ainda julgamos e opinamos pelo o que se nos apresentam no presente, por aparência. Como podemos julgar um eleito, se não conhecemos as causas? Se somos diferentes, agimos com intenções também diferentes. Conclusão: podemos ter várias causas para um efeito aparentemente comum. É preciso URGENTE uma reflexão mais aprimorada dos espíritas sobre a Lei de Causa e Efeito para que não sejamos encarados pela sociedade tão necessitada de respostas como frios e calculistas.

O exemplo mais evidente para se pennsar: Jesus. Pela idéia retrógrada e rançosa do castigo, Jesus então teria sofrido porque teria sido mau ... Não fosse Jesus, com sua história contada, discutida e recontada, poderíamos dizer que foi crucificado porque crucificou ...

Para os suicidas, também, os efeitos serão os mesmos? Tudo vai depender do entendimento, da evolução de cada um. Onde encontrar Espíritos com a mesma evolução num mundo de provas e expiações como a Terra? Cada caso é um caso, embora o efeito aparente - nesse caso o suicídio - seja o mes mo. DEUS JULGA A INTENÇÂO, já explicaram os Espíritos. E quem somos nós para conhecermos intimamente a intenção dos outros?

Pensemos, antes de opinar: Sabemos qual a intenção do menino. João Hélio, que desencarnou no seu processo reencarnatório? Conclusão: cuidado com as deduções apressadas. Só assim começaremos a estudar e a compreender a magna justiça amorosa da Lei Divina para atos e fatos de heroísmo, prova, aprendizado, dívida, missão, tarefa ou resgate.

Precisamos mudar o enfoque do castigo da reencarnação pelo enfoque da oportunidade de evolução - quanto mais esforço, mais mérito. O que não podemos deixar de enaltecer é o foco luminoso e MISERICORDIOSO da pluralidade das existências. Explicaram os Espíritos em OLE-167 e 171, respectivamente - "A finalidade da reencarnação é o melhoramento progressivo da humanidade" e "um bom pai deixa sempre aos filhos uma porta aberta ao arrependimento".

" Ninguém reencarna para sofrer, para ser castigado porque pecou. Reencarnamos para nos tornarmos melhores - e sermos felizes, porque ou nos preparamos para passar pelas provas; ou estamos sendo amparados pelo amor divino para crescermos, aprendermos e renovar valores através das expiações - medida misericordiosa, também, que nos faz retomar o caminho da felicidade do qual nos desviamos por escolhas errôneas. E tem mais: cumpre-nos transformar cada efeito em uma nova causa. Tudo é dinâmico. Quanto mais evoluídos, mais compreendemos inclusive, o que seja felicidade. Daí a nossa confusão nos julgamentos prematuros num planeta como o nosso, ainda de provas e expiações, que abriga Espíritos: como nós, que ainda temos necessidade de aprender a amar e raciocinar através de meios - muitas vezes CHOCANTES, incompreensíveis sem a luz da vida espiritual, eterna e repleta de novas oportunidades.

Como encarar uma tragédia como uma felicidade? Somente se levarmos em consideração a parte espiritual, eterna, a caminhada dos próprios seres rumo à perfectibilidade. Por isso dissera Jesus que os escândalos eram necessários ... Do choque dos escândalos, da indignação social, das aparentes injustiças, do desespero pela falta de entendimento e fé raciocinada virão as reflexões sobre o bem e o mal, os movimentos sociais, as reformas, as transformações etc, etc ... Até que não necessitemos mais deles e consigamos galgar como Espíritos os degrau dos mundos mais felizes, porque pela Lei de Causa e Efeito também cessarão tal ajustes. Não haverá quem necessite escandalizar; muito menos quem necessite ser escandalizado ...

Reencarnação é benção; não é castigo e se funda na justiça AMOROSA de Deus. A Lei de Causa e Efeito é uma Lei de AMOR não é apenas uma Lei de Correção e Reprimendas, que nos faz ajoelhar chorosos e revoltados no milho, no canto da sala, à espera de chicotes e palmatórias. Se uma reencarnação dolorosa (aos nossos olhos) não servisse para transformar o Espírito e toda a Humanidade pela busca do Bem e sua conseqüente evolução, não teria sentido ser ela atribuída à misericórdia amorosa de uma inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, que nos faz incessantemente o convite para uma nova oportunidade de acertos e realizações. Aí, sim, estaríamos mesmo num caos de fatalidades e injustiças, numa Torre de BabeI de iniqüidades.

Cairíamos no nada, pois sem Deus nada existiria. Também não podemos esquecer que a dor tem dois lados: pode parecer um grande mal para quem não a compreeende, mas será sempre um enorme bem, quando precisarmos nos provar que podemos ser ainda bem melhores. A dor é relativa. Essa compreensão, porém, também não pode nos imobilizar ao ponto de não nos sensibilizarmos com o sofrimento alheio, pois seja lá qual for o desafio do Espírito, ele conta com a lei natural da solidariedade existente entre toda a Criação. Daí a necessidade de sermos caridosos no auxílio para que as metas reencarnatórias sejam alcançadas. Não nos cabem o comodismo, a indiferennça, mas - sim - participação, colaboração, indulgência, fraternidade e muito amor. É essa lente espiritual do amor que precisa nos direcionar. Estudemos, esforcemo-nos e trabalhemos muito por essa compreensão, caso contrário vamos ficar cheios de conhecimento e falando sozinhos!


Eliana F. H. - Jornal Espírita - Março/07


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