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17 fevereiro 2019

A vontade - Joanna de Ângelis



A VONTADE 



A vontade deve e pode ser trabalhada através de exercícios mentais, da geração de interesse e de motivação para conseguir-se auto-realização, a conquista de recursos de vária natureza, especialmente na transformação dos instintos em sentimentos, dos hábitos doentios em saúde, da conquista da beleza, dos ideais de engrandecimento humano.

Ninguém é destituído de vontade, porquanto tudo que se realiza, no movimento e na ação, está vinculado a esse fulcro desencadeador de forças para objetivação.

A vontade é, portanto, o motor que impulsiona os sentimentos e as aspirações humanas para a conquista do infinito, sendo sempre maior quanto mais é exercitada. Inexpressiva, nos primeiros tentames, logo se transforma no comando das possibilidades que se dilatam, enriquecendo o ser com os valores imperecíveis da sua evolução.

A vontade se radica nos intrincados tecidos sutis do Espírito, que, habituado à execução de tarefas ou não, consegue movimentar as forças internas de que se constitui, a fim de atingir os objetivos que lhe devem representar fator de progresso.

Quando alguém fracassa, em qualquer atividade, isso não representa debilidade de esforço ou falta de vontade bem direcionada, antes transforma-se em um elemento de experiência para futuros tentames.

Toda tentativa que não resulta como um sucesso, transforma-se em mensagem de conquista de valor que poderá ser utilizado em nova ocasião, facultando o logro noutro ensejo.

A vontade, por isso mesmo, não cede quando falecem os resultados, repetindo a experiência quantas vezes sejam necessárias até que se colimem os interesses que se têm em mente.

Desenhado um objetivo interior, e de imediato forças complexas apresentam-se para que o mesmo seja conquistado.

Repetindo-se a tentativa, cria-se o hábito de agir e, por consequência, o mesmo se torna elemento vital para a vontade.

Sem uma vontade bem direcionada, não há vida saudável.



Joanna de Ângelis
Psicografia: Divaldo Pereira Franco
Do livro: Triunfo Pessoal, Cap. 2
  

16 fevereiro 2019

Espiritualidade de idolatria e submissão - Dora Incontri



ESPIRITUALIDADE DE IDOLATRIA E SUBMISSÃO


Não podemos nos omitir diante dessa grave denúncia e que está ultrapassando as centenas, em relação ao renomado médium (que nunca foi espírita, mas isso tanto faz): João de Deus de Abadiânia.

Nesses últimos meses, diversos líderes religiosos têm sido denunciados como assediadores, abusadores de mulheres e/ou crianças e adolescentes. Já escrevemos aqui um artigo a respeito, quando se falou do médium de Curitiba Maury Rodrigues da Cruz.

Depois foram monges budistas, sobre os quais se pediu uma posição mais clara e enérgica do Dalai Lama; depois foi o Prem Baba e, claro, os padres católicos de sempre.

O que todos esses abusadores denunciados têm em comum?

Todos são homens. Todos aparentemente abusaram de pessoas que estavam em situação de fragilidade emocional (seja por uma questão de doença física, psíquica ou por idade ainda imatura). E todos gozam de uma suposta superioridade moral, diante da qual a comunidade se curva reverente. Uma autoridade inquestionável, porque envolta nas dimensões do sagrado!

Então, vamos ao primeiro item… o machismo estrutural, enraizado em nossa cultura e em todas as culturas humanas, há milênios. Nesse mesmo instante em que estou escrevendo esse artigo, milhares de mulheres no mundo estão sendo assediadas, estupradas e mortas. Milhares de crianças estão perdendo precocemente sua infância, abusadas por pais, padrastos, tios, avôs, parentes ou estranhos.

Isso acontece no contexto da família, das instituições, das religiões. Em toda parte, os abutres abusam, se insinuam e acham que isso é natural, é seu direito, é o que os torna “homens”. Então, em primeiro lugar precisamos mudar a educação das crianças, afastando a ideia e a projeção de que o homem (masculino) tem que ser aquele macho predatório, sem sensibilidade e, portanto, sem compaixão de ninguém. Esse é o estofo do abusador e do estuprador.

Em segundo lugar, precisamos falar claramente às meninas e aos meninos também: falar sobre os abusos, sobre os cuidados que devem ter consigo, com os alertas que devem estar sempre presentes, já que estão mergulhados num mundo de homens violentos. O desafio é falar e conscientizar, sem que percam a capacidade de confiar no amor e no ser humano, principalmente no ser humano masculino. Falar de maneira delicada para compreenderem que são donos dos próprios corpos. Entretanto a fala só fará sentido se desde pequenas as crianças sejam tratadas com afeto e respeito, com cuidado e atenção. Elas saberão se proteger na medida em que forem protegidas.

Lembro-me da minha bisavó italiana, nascida no século XIX, que não cheguei a conhecer, mas cuja cultura de cuidado e atenção chegou até mim, através de minha avó e de minha mãe: essas mulheres estavam sempre de olho, não deixavam fechar as portas, não descuidavam de prestar atenção…não sei que experiências essa minha bisavó teve, para ser precavida e sempre atenta desse jeito. Mas com mães assim por perto, abusos não ocorrem.

Em terceiro lugar – e esse é o tema mais importante aqui: precisamos finalmente tratar a espiritualidade de forma desierarquizada. Nem mestres, nem gurus, nem médiuns veneráveis, nem sacerdotes inatingíveis. Humanos somos todos. A espiritualidade deve ser horizontal, no campo da fraternidade. Verticalidade só com Deus, o supremo. Mas Deus está dentro de nós, de todos nós.

Então chega de querer procurar salvadores, curadores, mestres, a quem nos entregamos cegamente. Qualquer tipo de relação religiosa ou espiritual que leve à submissão, à idolatria, à anulação da própria criticidade e razão, à humilhação, deve ser posta imediatamente sob suspeita. Mestres verdadeiros não querem submissão, nem obediência do outro. Querem servir, acolher, discretamente; ensinam sem espalhafato, através do exemplo e de conselhos que servem para todos. Jesus não aceitou o título de bom, Gandhi tinha horror quando o chamavam de Mahatma. Não aceitava devoção e submissão de ninguém.

A espiritualidade verdadeira e saudável promove o ser humano ao melhor de si. Empodera-o para superar seus problemas, para desenvolver suas capacidades. Não aprisiona a um guru que o pode explorar financeiramente, psiquicamente e… sexualmente.

O abusador, o falso profeta seduz com elogios (você é especial!), oferece milagres, ameaça, submete.

Então, como tanta gente cai numa cilada dessas, quando é tão óbvio o engodo? Nunca tinha ido ver João de Deus, mas nada me caía bem: as pessoas (sobretudo mulheres) ajoelhadas diante dele, ele sentado numa espécie de trono, acima do povo, os retratos dele próprio na parede… quando um suposto líder espiritual não se envergonha de receber devoção e homenagens indébitas, já de imediato pode-se desconfiar dele. Além disso, o comércio em torno das atividades dele (a Veja publicou em 2013 um artigo alertando sobre os seus milhões), já o colocam de imediato sob a suspeita de charlatanismo.

Considero que o mais problemático são os espíritas não terem suficiente avaliação crítica para não perceberem de antemão o clima de exploração das massas. Embora ele nunca tenha se declarado espírita e ter práticas diferentes das propostas pelo espiritismo, conheço muitos espíritas que lá foram! E gostaram. Quem estuda Kardec deveria saber que a mediunidade deve ser algo desprendido, discreto e jamais espetacular e que os médiuns são seres falíveis como qualquer um e não devem ser endeusados.

Trabalhei durante mais de 20 anos num trabalho mediúnico de cura, com uma médium já falecida, minha querida amiga D. Addy Piedade, no Centro Espírita Pedro e Anita em São Paulo. Eu ficava na sustentação com outras pessoas. Foram dos momentos mais elevados espiritualmente que tive em minha vida. No entanto, ela fazia um trabalho anônimo, para pouca gente, devagar e sempre, sem nenhuma ostentação e sempre demonstrando carinho, respeito e acolhimento para as pessoas que vinham buscá-la. E vi muitas curas acontecerem, até com pessoas da minha família.

A mediunidade deve ser, assim, distribuída democraticamente entre muita gente, que trabalha em pequenos círculos familiares e em centros discretos. A mediunidade espetáculo, onde multidões vão buscar cura, cartas, oráculos, dá sempre nisso. Nenhum médium tem essa potência de curar a todos, de atender com veracidade a todos. Se tivesse, seria um Jesus e mesmo Jesus não curava todo mundo e nem se punha como fonte distribuidora de milagres. Dizia: “vai, tua fé te salvou!” Essa é a verdadeira cura, aquela que nos remete ao nosso próprio poder e não aquela que manipula nosso desejo de salvação fácil.

Cresçamos e deixemos de ser crianças espirituais, sempre pedintes de consolo, cura, cartas. Formemos muitos médiuns, trabalhemos em círculos pequenos e igualitários. Façamos uma espiritualidade de comunhão e escuta mútua e não de idolatria e submissão! E uma espiritualidade com muitas mulheres!

Finalmente, quero deixar a minha solidariedade às inúmeras vítimas, incluindo a filha dele, que conta sua vida de extrema violência e nossa indignação em relação a esses homens, que como se já não bastasse o machismo nosso de cada dia, ainda fazem do campo da fé, um campo de violência sexual.

Quero deixar registrado aqui também meu apoio à Sabrina Campos Bittencourt que, tendo sofrido ela mesma violência sexual de religiosos, está nesse ativismo necessário e urgente de denunciar e ajudar as mulheres a contarem suas dores. Coragem admirável de todas elas, porque é através da fala destemida e franca, que havemos de curar essas chagas da humanidade.


Dora Incontri



15 fevereiro 2019

Faça o bem - Valci Silva



FAÇA O BEM



Somos uma população encarnada de mais de 7 bi de habitantes e falidos moralmente em razão de um passado delituoso e comprometido com as leis naturais ou Divinas. Em razão de nossa pequenez moral, a humanidade pratica diariamente bilhões de atos de maldade, contaminando a psicosfera do planeta que fica envolto por uma camada de miasma deletério, poluindo o psiquismo humano e também o meio ambiente. O miasma deletério no sentido espiritual, é a emanação de uma vibração negativa, que causa uma sensação de ansiedade opressora e mal-estar geral.

Em consequência desses pensamentos e atos deletérios, estamos todos sujeitos a essa influência que nos tira, muitas vezes, o discernimento da realidade e dos acontecimentos em nossa volta, distorcendo a nossa compreensão da vida e suas vicissitudes. Isso nos coloca em uma condição de mútuo comprometimento com a realidade existencial e com a finalidade de estarmos encarnados, qual seja, a de nos empenharmos em nosso desenvolvimento, especialmente o moral, provocando assim uma espécie de imantação ao mal ou ao bem, dependendo do que vai no interior de cada alma. Diante de catástrofes e grandes mudanças coletivas, somos imantados por esse nosso psiquismo, como uma espécie de atração para passar por tais episódios.

Somos todos interligados por essa realidade em razão de, ainda como espíritos moralmente falidos, somos submetidos, muitas vezes, ao sofrimento, a tortura e até mesmo prematuramente à morte do corpo, o que nos leva a conclusão de que muitas vezes há e haverá injustiças nesse mundo, mas que nenhum de nós somos injustiçados em razão das próprias maldades por nós criadas diariamente, comprometendo o ajustamento da marcha evolutiva em direção à perfeição a qual estamos todos destinados.

Uma das formas de atenuar e até mesmo modificar essa condição é a proposta do bem, praticando-o na sua mais extensa profundidade, qual seja, fazer o bem sem olhar a quem, naquela alusão de o evangelho que nos conclama a: “não saiba a vossa mão esquerda o que faz a vossa mão direita”. Mas como fazer o bem pode mudar nossa realidade? Quando, de fato, se faz o bem como preconiza o evangelho, estamos criando uma nova realidade interior e exterior pois, passamos a construir novas opções nas nossas ações diante da vida. Porém quando alguém faz um bem, mesmo a contra gosto, surgem realidades e circunstâncias nem sempre por nós compreendidas ou percebidas de imediato, como ocorreu com Simão de Cirinaica, naquela fatídica tarde da via crucis em que retornava de exaustivo dia de trabalho, se depara com Jesus carregando injustamente em seus ombros o madeiro infame da acusação de pervertedor da ordem estabelecida, e se vê obrigado por um soldado romano a carregar a cruz até o Monte da Caveira e, ao abaixar-se para devolver a cruz que não lhe pertencia, cruza seus olhos com os do Mestre que lhe diz: “Meu filho, Deus te abençoe a dádiva bem vinda, mesmo que a contra gosto, por que todo bem feito é uma luz que se ascende pelo caminho.” Naquele momento Simão sente um frêmito e fica magnetizado por aquele olhar que lhe invade a alma. Sem compreender essa sensação, agitado e ansioso, retira-se rapidamente desejando chegar ao seu lar.

Ora, se um bem feito, mesmo a contra gosto, uma luz se ascende pelo caminho, imaginemos o bem intencionalmente feito com o propósito de amparar o carente, o desamparado, o abandonado, o vilipendiado, o excluído, a criança de rua, os animais, os acometidos pelas grandes catástrofes, que pomposamente chamam de “tragédia ambiental”, enquanto que na verdade esse tipo de tragédia ambiental provém do mais alto grau de egoísmo e cupidez humanas, sendo um crime contra a vida.

São esses atos que podemos denominar de o amor em ação, que progressivamente praticados, mesmo que a contra gosto, vai eliminando de nossas almas as mazelas da indiferença, da omissão, da ganância, do egoísmo, da vaidade de nossos nomes e títulos, do orgulho de nos crermos melhores do que nosso irmão de caminhada, por ainda não compreendermos que somos todos iguais perante Deus e que devemos amar ao nosso próximo com toda a intensidade para que nos sintamos irmãos diante uns dos outros.

Que grande sabedoria e que maravilhosa estratégia que a lei divina nos concede em podermos nos melhorar através de nós mesmos. É o Criador em nosso íntimo, permitindo chegar até Ele com nossos atos e atitudes, sem que dependamos de quem quer que seja para o nosso crescimento. Portanto, a chave do nosso avanço moral reside em nosso íntimo e dispomos dos meios para eliminarmos de nossas almas os rígidos sentimentos antifraternos e egoísticos, que a séculos e milênios nos tem mantidos morosos conosco mesmo, impedindo-nos de alcançar o brilho das estrelas dos diversos mundos do cosmo infinito. Não fomos criados para permanecer nesta inércia e apatia diante da grandiosidade da vida que nos é reservada na Obra Divina. No entanto, cabe-nos a iniciativa de buscar os meios para que a evolução aconteça. Portanto, façamos o bem, sem olhar a quem e muitos menos que seja alardeado com o fim de recebermos a auréola social dos nossos atos pois, ela será divina, no íntimo de nossas almas e com a presença do Criador em nós.

Foi exatamente assim que aconteceu com Simão, que não tinha a mínima noção do que viria a acontecer-lhe, por um ato a contra gosto: Na pedra fria do calvário Jesus ao receber novamente a cruz, cruza o seu olhar com o de Simão e sente que ele também carregava uma cruz em seus ombros, que era a cegueira de sua amada filhinha que o aguardava no lar, e por esse seu gesto sendo obrigado a carregar momentaneamente sua cruz, cura a cegueira da criança como gratidão pelo bem que recebera em um momento em que não conseguia mais carregar o infame madeiro sobre seus ombros.


Valci Silva – Psicólogo
Diretor Depto. Doutrina
USE Intermunicipal de Tupã
São Paulo-SP


14 fevereiro 2019

Desencarne Coletivo – Uma pequena visão da Misericórdia Divina - Adriana Machado




DESENCARNE COLETIVO
UMA PEQUENA VISÃO DA MISERICÓRDIA DIVINA


Este artigo se diferenciará dos demais, porque não serei eu a comentar o tema proposto.

Peço licença para trazer-lhes uma mensagem psicografada por mim, de um irmão espiritual que, juntamente com outros tantos, trabalha diretamente com o socorro das almas que desencarnam em situações desalentadoras.

Suas palavras nos levam a meditar sobre a Misericórdia Divina e a entender o quanto somos amados e nunca desamparados pelo Pai que tudo sabe.

Espero que estas palavras tragam paz aos seus corações, como trouxe ao meu.

"Amigos, Paz!

Estamos nos deparando com alguma frequência com aquilo que chamamos de desencarnes coletivos.

Tais fatos nos confrangem a alma porque os enxergamos como uma calamidade, uma catástrofe, uma dor incomensurável.

Sentimos na pele a dor dos familiares, porque nos é (im)possível pensar o que sentiríamos se fôssemos nós os parentes das vítimas deste holocausto. Mas, jamais poderemos esquecer que, mesmo diante de tal calamidade, existe a presença divina da Providência a nos conduzir pelos caminhos certos para a nossa redenção íntima.

Certo é que a nossa pequena evolução moral já nos dá a oportunidade de participarmos de nossa programação reencarnatória no que concerne ao resgate de nosso coração ante as mazelas produzidas por nossas ações equivocadas. No plano da real existência, a culpa nos acompanha e dilacera a nossa alma, sentindo-nos necessitados de resgatar os males provocados por nós em existências anteriores.

E, se assim é no campo individual, também se estende para o campo coletivo.

Quando na coletividade, criamos situações em que provocamos o mal alheio, quando em grupo provocamos a dor direta ou indireta de nossos irmãos em Cristo, criamos para cada um de nós a necessidade de resgatarmos coletivamente o que se tornou uma mazela em nosso ser e que nos parece irrecuperável.

Diante de nossa consciência mais sábia sobre o que é certo e errado, percebemos as mazelas que trazemos e, abarrotados de um sentimento de culpa que nos escraviza a alma, buscamos nos libertar através dos aprendizados futuros advindos de nossas próprias escolhas.

Como agimos no pretérito pelo conjunto, será pelo conjunto que poderemos sucumbir na matéria perecível e, através dela, elevarmo-nos em nossas aspirações mais espiritualizadas.

Face a um evento catastrófico, provocando as desencarnações coletivas, a Providência Divina nos dá a chance de buscarmos no nosso tribunal interior o perdão dos pecados que ainda entendemos carregar. Por séculos, se algo dessa magnitude não acontecer, ficaríamos escravizados a culpas atrozes por acreditarmo-nos merecedores do inferno de Dante, sem remissão, sem perdão.

Por isso, voltemos os nossos corações aos que retornaram para o plano imaterial, levando-lhes, pelas orações, a compreensão de que mais uma etapa de findou e que tudo o que vivenciaram foi acrescentado em seu benefício.

Aprendamos a enxergar a misericórdia de Deus em todas as circunstâncias, porque o aprendizado se faz para os mais próximos, mas também para os que não vivenciaram diretamente os reflexos do evento devastador.

Voltemo-nos aos que ficaram, nos solidarizando pelas lágrimas vertidas e dores sentidas. Façamos o que está ao nosso alcance para que a paz reine em seus corações, porque a dor ensina, mas será pela caridade que se amenizará as chagas das suas feridas emocionais.

Acalmem os corações deles e os seus, pulsando as suas intenções pelo bem e sempre no bem para que as energias deletérias criadas com a dor e revolta possam se dissipar e a paz volte a reinar.

Fiquem bem!"

Irmão Jacinto
Trabalhador socorrista na Seara do Mestre Jesus

13 fevereiro 2019

Alerta Amarelo - Marcelo Henrique Pereira



ALERTA AMARELO


A vida possui muitos dissabores. Dificuldades de convivência e relacionamento; contratempos, imprevistos, perdas; reveses no trabalho, na vida afetiva, desilusões amorosas, embates entre parentes e amigos... Todos passam por isso. Alguns mais, outros menos. Somos criaturas eternas, com inúmeras vivências anteriores, embora nossa memória não forneça claros e completos registros, mas o fato é que estamos na Terra para cumprir testes, resgatar faltas do passado e cumprir missões de variadas importâncias. Assim é a cátedra espírita.

Cada um, individualmente, sabe o peso do fardo que carrega. Aquele Sublime Carpinteiro, motivado por consultas dos que lhe seguiam, atento às necessidades de todos e com sua didática do amor, certa feita vaticinou: “- Vinde a Mim, os que estão aflitos e sobrecarregados, pois eu sou o alívio. Suave é o meu jugo e leve, o meu fardo”. Quanto carinho e compreensão vindo daquele que foi um dos maiores que já pisou no solo deste planeta...

Estamos findando mais um mês do calendário humano e as campanhas, que se repetem a cada ano, informam que Setembro é Amarelo. O amarelo da atenção, do cuidado, da percepção aguçada, do amparo, da solicitude, do ombro amigo, do ouvido compreensivo, dos que podem ajudar alguém a carregar o fardo, num momento de fraqueza e desespero.

O alerta amarelo é acerca da perspectiva de muitos dos que nos circundam não conseguirem resistir à visão imediata da vida, ante a ausência de respostas ou justificativas para problemas e dificuldades, e no entendimento de que, fora da existência, possam estar melhores ou mais aliviados. E vão-se, muitos, pela porta do suicídio, a interrupção voluntária da vida.

Kardec, nossa referência, dialogou com os Espíritos Superiores sobre o tema. E foi além, ao interpretar relatos de alguns que, não conseguindo mais continuar suas jornadas, delas deram cabo em atos agudos e irreversíveis. Pelos textos da Filosofia Espírita, no entanto, não há qualquer prescrição definitiva e condenatória a quem quer que seja. O Espiritismo deve ser, sempre, um caminho de compreensão e entendimento, seja qual for o destinatário, tanto o indivíduo que abdica da vida material – mas conserva a sua espiritual – quanto para seus entes queridos que por aqui permanecem, muitos, inconsoláveis.

Por vezes, leio textos ou assisto palestras (presenciais ou em vídeo), uns e outros ditos espíritas, vejo expositores ou articulistas se apressarem em prescrever acerca do que vão encontrar os suicidas além do portal da morte. Citam, inclusive, alguns relatos tidos como mediúnicos, pós-Kardec, para referendar suas incipientes teses. Em paralelo, é bastante comum que os espíritas tradicionais falem de “lugares circunscritos” para onde vão os “sofredores”, os “devedores” e, como o tema permite, os “suicidas”. Compõem colônias ou vales, onde o sofrimento descrito se assemelha muito às passagens bíblicas antiqüíssimas, em que são caracterizados o Purgatório ou o Inferno das religiões cristãs.

Causa assombro ver essa repetição e ênfase na “cultura do sofrimento”, quase uma idolatria, como se a “passagem” pela dor fosse condição inescusável e inafastável para a progressão dos Espíritos. Não é! Parece-nos que a afinidade com tal cultura extravasa séculos, quiçá milênios, entre encarnações sucessivas, e as prédicas acabam sendo constantes na tríade “medo-culpa-punição”, como que uma justificativa para as próprias penúrias que o ser vivencia, quando na carne, ou fora dela.

Esquecem-se, tais pessoas, que nem o mais “temente” ser, num momento de profundo desespero e não conseguindo enxergar outras saídas, não evita o ato capital apenas por prescrições de natureza religiosa, sejam de onde provenham. Se assim fosse, aqueles, por exemplo, que se dizem cristãos, inclusive partícipes de igrejas ou templos, ou de casas espíritas, jamais passariam por estes momentos dolorosos, seja em relação a si mesmos, seja em face daqueles que ombreavam com eles as atividades ditas religiosas.

O discurso há de ser outro. E as atitudes, também. Se a teoria espírita nos coloca na posição de protagonistas em nossas vidas, não há qualquer predestinação de espíritos para lugares de “pranto e ranger de dentes”, indefinidos quanto ao tempo, como parecem prelecionar muitos espíritas. As atitudes de cada um, no curso das existências, é o condão, o fiel das nossas balanças existenciais, e o amor, enquanto realidade e prática de cada passo, opera como “advogado” importante para avaliar nossos desatinos e atos negativos. Sempre...

Esperamos da casa espírita MUITO mais diálogo, muito mais ATITUDES. Há quanto tempo você não conversa com o seu companheiro “de mesa” ou “de trabalho”. Vocês se conhecem, mesmo? Quando é que a conversa vai além do mero cumprimento, das amenidades, ou do “como vai”, que na verdade é uma saudação corriqueira, porque, as mais das vezes, quase ninguém tem tempo (nem interesse) de saber como a vida do outro está indo. E quanto às pessoas que, semanalmente, comparecem às atividades, para assistir uma palestra, participar do estudo ou receber um passe? Quem são eles? De onde vêm? Do que precisam?

Especialistas em prevenção do suicídio – autoridades, profissionais clínicos ou voluntários capacitados de organização não-governamentais – salientam sempre que o maior “antídoto” contra o suicídio é o acolhimento. É o estar PRESENTE. É o disponibilizar os OUVIDOS. É o ficar JUNTO. É o se disponibilizar, pelo diálogo, pelo carinho, pela assistência, em ser o ombro amigo, o parceiro, o ouvinte. Sem julgar, sem condenar, sem prescrever quaisquer condutas.

Desejo que a sua casa ou trabalho espírita possa destinar alguns instantes dos múltiplos e compenetrados afazeres para o acolhimento. O Alerta Amarelo está sempre às nossas vistas. É preciso enxergar... E ajudar!

Vamos?


Marcelo Henrique Pereira


12 fevereiro 2019

Embates de outras vidas - Nilton Moreira




EMBATES DE OUTRAS VIDAS



Antes de nascermos e ainda quando nos encontramos no Plano Espiritual, praticamente todos os espíritos procedem ao planejamento da vida que vai levar aqui na Terra, ou em outro planeta de categoria similar. Disse praticamente todos, pois existem aqueles que ainda estão numa fase de rebeldia, que os próprios benfeitores é que procedem nas diretrizes a serem seguidas após o nascimento.

Mas nem tudo está delineado. Apenas os tópicos importantes é que nos aparecem como metas a serem atingidas, pois do contrário seríamos como máquinas, e não é assim que acontece, pois temos o livre arbítrio que vai nos possibilitar a oportunidade de seguirmos ou não determinado rumo. Teremos sempre o poder de decidir qual a atitude tomar diante das provas que nos forem apresentadas.

Ainda no período de planejamento temos consciência das vidas anteriores vividas e por isso vamos ajustar nossa futura vinda à carne de acordo com aquilo que fomos anteriormente, procurando sempre vivenciar questões que permitam nosso crescimento dentro dos parâmetros da Lei Divina. Se mal fizemos, teremos de reparar. Se fomos vítimas, temos de possibilitar que outrem faça o reparo em relação a nós, se realizando assim a lei de causa e efeito.

Poderíamos pensar então em não reparar o mal que fizemos, mas isso de nada adiantaria a nossa vinda ao mundo, pois ficaríamos estacionados na evolução. Então escolhemos sempre resgatar dentro de uma intensidade que possamos concretizar. Por isso dizemos que Deus nunca nos da o fardo maior que podemos carregar.

É lógico que dentro desse resgate estaremos nos reencontrando com outros espíritos que tivemos desavenças em vidas pretéritas e é bastante difícil para nós ter este contato, por isso Deus permite que ao nascermos na nova vida, nos esqueçamos de tudo, pois assim quando nos encontrarmos com desafetos, poderemos sentir algum resíduo de energia negativa, mas certamente como não nos lembramos de nada, haverá grande possibilidade de convívio e de revertermos à aversão sentida, em aproximação amorosa.

Temos então uma explicação do motivo de existir muitas aversões familiares, rejeições entre pais, filhos, irmãos. É que certamente em algum momento do passado estivemos em posicionamentos contrários e quem sabe até inimigos fomos e agora nos reencontrando sentimos a dificuldade do diálogo, dado ao esquecimento Misericordioso.

Muitas vezes não basta uma vida física para resolver as contendas, são necessárias várias reencarnações para que as diferenças sejam sanadas, pois no cotidiano vemos confrontos bastante sérios, envolvendo violência e muito desamor, e isso deixa marcas que se alongam por várias e várias vidas, até que um dia como é o desejo do Pai, o amor volta a fazer parte destes seres e acaba eclodindo a evolução efetivamente.

Portanto ao nos depararmos com situações difíceis de relacionamento, devemos dar tempo ao tempo, evitando confrontos que só agravariam. Recorramos à prece sempre que estivermos em vias de desavenças, pois que certamente ali estão presentes pessoas que tiveram embates em vidas passadas. Muita paz amigos.


Nilton Moreira
Coluna Semanal Estrada Iluminada
Fonte: Espirit Book

11 fevereiro 2019

Deus nos livre! - Marcelo Henrique Pereira



DEUS NO LIVRE!


Leio, estupefato, as declarações de uma futura integrante do primeiro escalão governamental brasileiro, a partir de primeiro de janeiro de 2019, em que afirma que “as instituições estão todas piradas” e que é o “momento da Igreja governar”.

De pronto, minha mente resgata expressões comuns na mídia, que informam acerca da existência de “bancadas” políticas no Congresso Nacional do Brasil (Câmara e Senado), intitulando-se como “bancada evangélica”, “bancada católica”. E, considerando a auto-menção dos candidatos eleitos para a próxima legislatura, também divulgada pela imprensa, de que há sete espíritas, já antevejo, com pesar e perplexidade, amanhã ou depois, a expressão “bancada espírita”.

De início – e já escrevi isso por diversas vezes – quero destacar que sou totalmente favorável à inserção dos espíritas em movimentos e instituições sociais. No passado, tivemos alguns vultos ligados à Política, declaradamente espíritas, e outros que eram espíritas e resolveram se candidatar para a realização de algumas metas ou projetos de assistência social e atendimento aos socialmente carentes, ou para aquilo que Kardec sempre ponderou como necessário, a “inserção das ideias espiritistas na Sociedade”, participando, o profitente espírita, de movimentos e ações sociais, políticas, públicas.

Mas a expressão que dá título a este nosso artigo – quase um apelo espiritual – está voltada à perigosa e indesejável “mistura” entre os valores das Religiões e os do Estado. O passado não muito distante, em que Igreja e Política andavam de braços dados, sobretudo nos regimes monárquicos onde figuras exponenciais das igrejas católica e protestante tinham papel consultivo e, até, funções políticas em determinados países, é fato de triste lembrança!

As religiões – e a espírita, também, já que majoritariamente na terra brasilis os espíritas “adotam” uma religião vinculada ao pensamento filosófico de Allan Kardec e, também, via de regra, as instituições espíritas (associações) gozam dos mesmos benefícios administrativos e fiscais concedidos às igrejas, destacadamente a ISENÇÃO de impostos – sempre são parciais, excludentes e impositivas. Elas constroem uma moral autônoma, peculiar, presente em suas liturgias e exercida a partir do comando de suas lideranças, representando, assim, um conjunto de regras internas, aplicável aos seus adeptos e representantes, importando, inclusive, na imposição de “castigos” (como, por exemplo, o voto de silêncio imposto há algumas décadas ao então Frei Leonardo Boff, afastamento de cargos e destituição de títulos honoríficos ou cargos dentro das hierarquias religiosas). No “movimento espírita” não é diferente, sendo comuns as ocorrências em que se busca silenciar, afastar, ou, até, “vencer no voto”, no caso de instituições que adotam (mais ou menos democraticamente) o sufrágio e a renovação das diretivas, de tempos em tempos, fazendo com que pouco haja de espaço e independência.

Curioso falar em “silêncio”, em “exclusão” e em “banimento”, no seio de uma doutrina que se baseia estruturalmente na liberdade de pensamento (e de expressão), e que espelhou, no período em que seu fundador, Allan Kardec, esteve encarnado (1857-1869), na dialógica entre o Espiritismo e o professor francês, com correntes filosóficas e religiosas do seu tempo (inclusive bispos, padres e pastores) assim como em face de outros espíritas que tinham visões distintas e que, inclusive, como seu conterrâneo francês, Roustaing, tinham patrocinado a edição de obras de conteúdo conflitante com os princípios espíritas. Kardec jamais impôs a “sua” lógica de raciocínio a quem quer que fosse. Kardec jamais visitou uma instituição espírita – e elas chegaram a ser em centenas, naquele período, na França e outras importantes cidades da Europa – para “avaliar” atividades e impor uma única forma de “pensar” e “praticar” o Espiritismo.

Tanto no campo associativo e do movimento formado pelos espíritas como, em face do mote deste artigo, no cenário social e político, eu realmente temo pela restrição das liberdades e pela imposição na base da “fé”. Os fundamentos do Estado Democrático de Direito, com a instituição, a partir da Constituição Cidadã (1988), do Estado Laico, com balizas constitucionais relacionadas tanto à liberdade de crença, quanto à garantia ao direito de expressão, derivado do direito ao livre pensamento, não podem sofrer, nem no âmbito institucional espírita, nem no contexto da Sociedade brasileira, qualquer risco ou ameaça.

Se, politicamente, todos nós, operadores jurídicos, servidores públicos, pensadores, professores, partícipes de movimentos sociais e os cidadãos em geral, desde já, e com “foco especial” nesta lamentável declaração de futura agente política de “primeira grandeza” no Brasil, estamos atentos e preparados para a propositura de ações e remédios jurídicos CONTRA qualquer tentativa de minimização dos direitos constitucionais e sociais, também desejo convocar todos os meus queridos companheiros espíritas livres-pensadores para continuarmos, igualmente, atentos e perseverantes para buscar o retorno do Espiritismo às suas bases, afastando-o das condutas religiosistas, ao “espírito de sistema” e à massificação dos raciocínios em nome do Espiritismo.

Lembremos que o próprio Kardec, movido pela necessidade de esclarecer que o Espiritismo seria DIFERENTE das religiões vigentes no seu tempo, preocupando-se por apresentar argumentos que validassem a ideia de FILOSOFIA e não de RELIGIÃO (formal ou informal), apresentou-nos o laço (moral) que seria o elemento característicos de todos os espíritas sensatos.

Disse ele: “Qual é, pois, o laço que deve existir entre os espíritas? Eles não estão unidos entre si por nenhum contrato material, por nenhuma prática obrigatória; qual o sentimento no qual se devem confundir todos os pensamentos? É um sentimento todo moral, todo espiritual, todo humanitário: o da caridade para com todos, ou, por outras palavras: o amor ao próximo, que compreende os vivos e os mortos, pois sabemos que os mortos também fazem parte da Humanidade” (“Revista Espírita”, Dezembro, 1868, “Sessão anual comemorativa dos mortos”).

Esta moralidade, esta ética é a essência do Espiritismo e, quiçá, um dia, também deva ser a da Sociedade transformada, por obra da Lei de Progresso, que alcança todos os seres no Universo. Somente esta moralidade é relevante. E não e nunca a “adjetivação” (espírita, católico, evangélico, ou qualquer outra), baseada em convenções litúrgicas e modos de interpretação parciais e excludentes, que impõem a todos uma mesma conduta, vinculada aos cânones religiosos e combate e pune aqueles que não forem, a eles, submissos.

Deus nos livre!


Marcelo Henrique Pereira


10 fevereiro 2019

Metempsicose - Visão Espírita - Richard Simonetti




METEMPSICOSE – VISÃO ESPÍRITA


1 – O que dizer dos que filmes exploram a ideia da reencarnação do homem em corpo de animal, um cachorro, por exemplo?

Decididamente, há o cão que se comporta como gente. Só falta falar. E também há gente que se comporta como cachorro. Só falta ladrar.

2 – Então, é possível?

Não há a mínima chance. Trata-se de uma fantasia, originária de culturas antigas. Chamava-se metempsicose, segundo a qual a alma pode animar, sucessivamente, variados corpos, de homens, animais e vegetais.

3 – Há quem afirme que o Espiritismo ensina a metempsicose...

Quem o faz inspira-se na ignorância ou exercita má fé. O assunto foi esgotado por Kardec. Ele deixou bem claro, em várias obras, que o Espírito não retrograda, não retorna a estágios superados.

4 – Consta que Pitágoras teria introduzido a reencarnação no cultura grega, trazendo-a do Egito, com duas vertentes: aos iniciados, as vidas sucessivas, como conhecemos; ao povo inculto, a ameaça da metempsicose. “Se você não se comportar, reencarnará como animal!”

Parece-me pouco provável que um filósofo do porte de Pitágoras divulgasse semelhante fantasia para assustar as pessoas. Ele admitia, acertadamente, que há indivíduos de comportamento animalesco, do tipo macaco, hiena, cascavel, preguiça… Em nenhum momento, entretanto, proclamou que devessem reencarnar como tais, embora bem o merecessem.

5 – Na Índia, um país de milenar tradição reencarnacionista, a população admite a metempsicose. São perto de um bilhão de pessoas. Isso não a legitima?


Praticamente toda a população terrestre admitia que a Terra era o centro do Universo, segundo a teoria de Ptolomeu (100-178). Nem por isso deixou de ser uma bobagem monumental.


6 – A civilização hindu, não obstante o subdesenvolvimento econômico, não está mais próxima da verdade? Afinal, é bem mais espiritualizada que a ocidental…



E também menos informada. A cultura mal orientada pode inspirar uma visão distorcida da verdade, como é o caso do materialismo, mas a ignorância, decididamente, é uma lente pior.

7 – A ideia da metempsicose, seria, então, uma manifestação de ignorância?


Sem, dúvida. Somente a ignorância poderia levar o indiano a não matar moscas, imaginando que possam ser familiares reencarnados, ou dispor-se a plantar árvores para conter a natalidade, partindo da espantosa ideia de que quanto mais Espíritos “envegetarem”, menos haverá para reencarnar.

8 – O homem não pode reencarnar como cachorro. E o cachorro, pode reencarnar como homem?

Todo o animal tem um princípio espiritual em evolução que um dia atingirá a complexidade necessária ao exercício do pensamento continuo, transformando-se em Espírito, habilitado à experiência humana. Não obstante o comportamento de certas pessoas sugerir que fizeram essa transição recentemente, ela demanda o concurso dos milênios e ocorre em outros planos da Criação, não na Terra, e envolve estágios intermediários. Não há, portanto, a mínima possibilidade de que um animal possa reencarnar como ser humano.


Richard Simonetti
Livro Reencarnação, Tudo o que Você Precisa Saber 


09 fevereiro 2019

Mediunidade Infantil - Espiritismo na Rede



 MEDIUNIDADE INFANTIL


Quantas vezes não escutamos relatos de pais que falam que seus filhos veem espíritos? O que a doutrina espírita fala sobre a mediunidade infantil?

O espiritismo nos ensina que a mediunidade é uma faculdade que toda pessoa tem de captar sinais magnéticos de comunicação com o plano espiritual. Porém, enquanto em algumas pessoas a mediunidade é aflorada, em outras, ela é “inativa”.

E ainda, muitos dizem que possuem sensações e intuições, isso porque todos nós temos um mentor espiritual que nos aconselha e guia em nossa encarnação.

Mediunidade infantil

Este fenômeno pode ocorrer nas crianças pelo simples fato delas estarem passando pelo processo de finalização de sua reencarnação, não estando totalmente ligadas ao seu corpo.

No programa Mediunidade Hoje, Carlos Bacceli, disse que as crianças de 5,6,7 anos, são espíritos que ainda não estão totalmente adaptados ao nosso meio, ou seja, ao mundo dos encarnados. Por isso, há uma maior sensibilidade.

Muitas crianças possuem mediunidade. Algumas nascem ou renascem com suas faculdades afloradas. Vale lembrar que a mediunidade infantil pode ter sido programada pelo plano espiritual para que a família busque a fé e a espiritualidade.

Médiuns, como por exemplo, Chico Xavier e Divaldo Franco desde pequenos viam espíritos.

Diante disso, pode-se perguntar:

Em que idade se pode ocupar, sem inconvenientes, de mediunidade?

“Não há idade precisa, tudo depende inteiramente do desenvolvimento físico e, ainda mais, do desenvolvimento moral. Há crianças de doze anos a quem tal coisa afetará menos do que a algumas pessoas já feitas. Falo da mediunidade, em geral; porém, a de efeitos físicos é mais fatigante para o corpo; a da escrita tem outro inconveniente, derivado da inexperiência da criança, dado o caso de ela querer entregar-se a sós ao exercício da sua faculdade e fazer disso um brinquedo.” (O Livro dos Médiuns)

Como os pais devem agir?

Muitas crianças não sabem que são médiuns, por isso, acabam despertando uma preocupação nos pais. Por isso, os pais devem deixar que seus filhos falem naturalmente, e quando, os eles contarem algo é preciso ouvi-los.

Os pais podem também:

Procurar uma casa espírita

Ir apresentando de modo gradual a doutrina espírita, os ensinamentos de Jesus

Fazer o Evangelho no Lar

Entretanto, quando os pais devem intervir?

A partir do momento em que essas manifestações se mostrarem constantes, trazendo algum prejuízo. E ainda, os pais devem encarar essas manifestações desde que:

Não prejudique a saúde das crianças;

Não perturbe o sono;

Não traga qualquer prejuízo Allan Kardec, ainda em O Livro dos Médiuns, fala se existe algo desfavorável à mediunidade infantil quando ela é manifestada naturalmente:

“Quando numa criança a faculdade se mostra espontânea, é que está na sua natureza e que a sua constituição se presta a isso.

O mesmo não acontece, quando é provocada e sobre excitada. Nota que a criança, que tem visões, geralmente não se impressiona com estas, que lhe parecem coisa naturalíssima, a que dá muito pouca atenção e quase sempre esquece. Mais tarde, o fato lhe volta à memória e ela o explica facilmente, se conhece o Espiritismo”.




08 fevereiro 2019

Anjos para custodiar crimonosos? - Orson Peter Carrara



ANJOS PARA CUSTODIAR CRIMINOSOS?


Se você tem que enfrentar um animal feroz, agressivo, enjaulado ou que te surpreende, há que se utilizar de recurso resistente de defesa, fugir do local ou se for o caso de entrar em seus domínios, terá que valer-se de pessoa forte, experiente, que possa dominar a situação.

Da mesma forma você não vai convocar uma ovelha para domar um lobo feroz. Ela será fácil e rapidamente trucidada.

O raciocínio também vale para as atrocidades humanas, saindo agora dos animais agressivos, muito semelhantes em várias situações a comportamentos bem animalescos.

Para enfrentar pessoas com índole perversa, que lamentavelmente se transformam em homicidas, caminham pelo crime generalizado (não só com armas de fogo, claro), é preciso para enfrenta-los igualmente pessoas inteligentes, ágeis e fortes, em muitos casos fisicamente também. Inclusive em inúmeros casos com o mesmo perfil psicológico e também com a malícia própria de índoles bem parecidas, embora com focos diferentes.

A reflexão surgiu depois da leitura do capítulo I – Ouvindo elucidações – do livro Libertação

(André Luiz/Chico Xavier), bem cabível para as situações cotidianas, que tantos embates tem provocado na realidade humana. Observe atentamente:

“(…) Homens perversos, calculistas, delituosos e inconsequentes são vigiados por gênios da mesma natureza, que se afinam com as tendências de que são portadores. Realmente nunca faltou proteção do Céu contra os tormentos que as almas endurecidas e ingratas semearam na Terra, e os numes guardiões não se despreocupam dos tutelados; no entanto, seria ilógico e absurdo designar um anjo para custodiar criminosos. (…)”. – na longa e consistente fala do Ministro Flácus.

Pense comigo, amigo e amiga, sobre o final da reflexão. Sugiro que não percam a chance de reler o valioso capítulo, na íntegra, para não ficarmos apenas na superfície do trecho transcrito.

Realmente, usando a mesma comparação acima citada…. Não se envia anjos para custodiar criminosos. Para enfrentar um lobo, envia-se outro lobo….

Deixo à imaginação do leitor as reflexões e conclusões que possa tirar.

Orson Peter Carrara


07 fevereiro 2019

A maior necessidade do momento - Geraldo Campetti Sobrinho




A MAIOR NECESSIDADE DO MOMENTO



Amigo leitor!

O título deste artigo parece pretensioso. Talvez seja.

Seria demais, provavelmente, responder em poucas linhas qual a maior necessidade do ser humano aqui na Terra neste princípio de século, perante tantos desafios e problemas graves, como a miséria, a injustiça social, a criminalidade, a violência urbana, o preconceito, a corrupção, a ignorância, a maldade…

A lista é praticamente infindável. Afinal, estamos em um mundo de expiações e provas em plena transição para a regeneração.

A crise, por demanda imperiosa do progresso, evidencia as desigualdades e enfermidades morais, dando a impressão de que a sociedade terrena está falida nos valores educacionais do Espírito imortal.

Se nossa visão for limitada ao presente e restrita a fatores econômicos, políticos e sociais, a resposta tende a ser afirmativa: o mundo parece estar piorando.

Porém, torna-se imprescindível ampliar os horizontes, enxergando realidades além daquelas percebidas quando nos restringimos a aspectos materiais da existência terrena.

Nós, que somos aprendizes do Evangelho de Jesus à luz do Espiritismo, já temos as informações suficientes para entender que a recomendação maior do Cristo foi e continua sendo o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Ainda, o Mestre inovou, enfatizando que deveríamos amar o semelhante como Ele nos amou.

Deixou a recomendação e a receita.

Resta-nos apenas cumpri-las.

Simples assim… para falar.

Tão complicado, entretanto, para vivenciar.

O amor deve estar na base de todas as nossas ações, palavras e pensamentos. Tudo estaria resolvido se amássemos, verdadeiramente, a nós mesmos, ao próximo e a Deus, pois assim o respeito e a solidariedade universais estariam garantidos na promoção da paz e felicidade geral.

*

Acontece que o tempo não para. As coisas ocorrem em velocidade cada vez mais célere. As transformações estão surgindo tão rapidamente que temos tido sérias dificuldades em saber lidar com o mundo atual.

Parece que a loucura se generalizou!

As pessoas estão perdidas, sem rumo, não sabem para onde ir, sequer têm compreensão de onde se encontram e o que lhes cabe fazer.

E isso tem nos afetado também, pois ninguém está imune à influência, seja de qual natureza for, nem despojado da capacidade de influenciar pessoas próximas ou distantes.

Temos nos deixado perturbar e temos sido instrumentos da perturbação.

Somos incompreendidos pelo nosso irmão e nos tornamos agentes da incompreensão em nossas relações interpessoais.

Temos sido relegados por terceiros e atuado como ferramentas da indiferença diante do sofrimento alheio.

Está nos faltando viver a mensagem ensinada por Jesus há dois mil anos e renovada pelas claridades do Espiritismo desde os idos do século XIX. Esta mensagem nos recomenda o respeito e a solidariedade a todos. E mais, por extensão, ensina-nos que devemos ser gratos àqueles que nos antecederam na realização de importantes trabalhos. Cumpre-nos reconhecer que, se não fossem tais pioneiros, enfrentaríamos hoje grandes dificuldades para fazer o que estamos tentando empreender. Gratidão e respeito, portanto, nunca serão demais.

*

A maior necessidade do momento, perante tantas outras que entendemos importantes, é a de discernir, adotando o equilíbrio e o bom senso, tão escassos atualmente no comportamento pessoal, inclusive na postura de boa parte dos formadores de opinião.

Discernir, segundo o dicionário eletrônico Houaiss, é: a) perceber claramente (algo, diferenças etc.); distinguir, diferenciar, discriminar; b) compreender (conceito, situação etc.); perceber, entender; c) formar juízo; apreciar, julgar, avaliar; d) identificar (algo) com conhecimento de causa.

Depreendemos dessas quatro acepções principais do verbo discernir que não podemos ouvir, ler, ver e sentir tudo como se fossem verdades absolutas.

Há que se redobrar a vigilância quanto aos cavaleiros do apocalipse que, em tempos de transição, pululam em diversos cantos causando discórdia e levando pessoas, instituições e povos a se confrontarem como se estivessem em plena guerra.

A quem interessa a divulgação de notícias bombásticas, descobertas assombrosas, revelações impactantes, furos jornalísticos?!…

Quem são os agentes da confusão, da balbúrdia, da dúvida, da insegurança, do desrespeito?!…

Discernir é saber escolher, decidir, posicionar-se, adotando o Evangelho de Jesus como roteiro e o esquecimento do mal como estratégia. É fomentar a união e a paz, a concórdia e o bem, a felicidade e a realização.

Na atualidade, correm soltas a irresponsabilidade e a insanidade, a desesperança e a precipitação, a ignorância e a confusão.

Por isso mesmo, o momento é propício ao discernimento, com emprego do bom senso e do equilíbrio. Vamos fazer a nossa parte?!


Geraldo Campetti Sobrinho
Fonte: FEBNet


06 fevereiro 2019

Rei Triunnfante - Joanna de Ângelis



REI TRIUNFANTE


Roma distendera o seu manto esmagador sobre o mundo conhecido, e as legiões temíveis dominavam os povos afligidos...

O poder da águia perigosa estava em toda parte, e o sofrimento humano era a consequência natural da sua grandeza.

Júlio César substituíra os deuses-lares e tornara-se divino, embora viesse a sucumbir sob o punhal traiçoeiro de Brutus e de outros senadores infiéis, no apogeu das suas glórias.

A decadência do primeiro Triunvirato deixara marcas de horror em toda parte, e o segundo esvaira-se em face do suicídio de Antônio, após vencido na segunda Batalha de Filipos por Cássio, e da supremacia de Otávio, governador de Roma.

Era, naquele momento atroz, um império esfacelado, mas que estava em lutas de reabilitação.

Nesse novo regime começou a pairar uma onda de harmonia onde antes os abutres das guerras devoravam os cadáveres dos povos vencidos.

Uma psicosfera de paz espraiava-se pela paisagem humana, e filósofos, poetas, artistas e sábios preenchiam os imensos espaços com lições de altruísmo e beleza.

As rebeliões, sempre esmagadas com impiedade, amainaram, e o progresso passou a derramar bênçãos de alegria e de esperança...

Foi nesse clima de relativo equilíbrio social, político e artístico, que nasceu Jesus, numa gruta modesta na pequena Belém de Judá.

Israel experimentava, há mais de quatrocentos anos, um silêncio sepulcral a respeito das revelações em torno do seu Messias, produzindo uma grande expectativa de esperança e de alegrias, de modo que pudesse atenuar as dores e as amarguras do seu povo.

Repentinamente houve um tumulto produzindo renovação dos costumes e receios sob a arbitrária governança de Herodes, o Grande, portador de uma crueldade jamais conhecida. Ele não era judeu, e sim idumeu, detestando o povo que governava, enquanto, por sua vez, era odiado por aqueles que lhe sofriam o jugo impiedoso.

A matança tornara-se quase natural, fosse no palácio suntuoso em Jerusalém ou em qualquer burgo dos mais miseráveis...

A Humanidade não podia compreender o que se estava passando, quando se Lhe ouviu a voz dúlcida e forte envolta em paz, enfrentando os abutres das guerras que devoram os cadáveres das nações vencidas.

* * *

Uma psicosfera de harmonia encontrava-se instalando na paisagem humana a oportunidade do amor e da fraternidade, com novos padrões éticos existenciais.

As rebeliões, antes esmagadas com impiedade, amainavam, e o progresso começou a derramar bênçãos inesperadas.

Uma revolução de ideias, como nunca antes acontecera, passou a soar de quebrada em quebrada, alterando a geografia dos corações humanos antes em desespero...

Tratava-se de uma voz que nenhuma tempestade lograva silenciar ou diminuir-lhe o impacto incomum.

Nesse comenos, um pequeno grupo de homens amorosos constituiu o modelo de uma sociedade feliz.

A mensagem era qual lâmina aguçada que penetrava as carnes do coração, e todos que a ouvissem não mais conseguiam permanecer indiferentes.

Apesar de ser dirigida aos abandonados pelo mundo, alcançava patamares elevados e contribuía para a instalação da justiça e da solidariedade entre os que se hostilizavam terrivelmente.

Avançando das praias do lago de Genesaré, ou mar da Galileia, região pobre e desprezada por muitos judeus, atravessava o deserto escaldante e as montanhas, alcançando o Sinédrio formal e hipócrita e abalando-lhe as estruturas frágeis.

As multidões sempre perseguidas e exaustas pelos impostos injustos, a avareza e o poder temporal perversos, chamava a atenção de todos e despertava o rancor dos dominadores servis.

Ninguém ficava insensível à Sua música incomparável.

Vestido de peregrina luz, os Seus vassalos multiplicavam-se, aureolados de paz.

Jamais alguém se apresentara com tanta autoridade que se exteriorizava sem a necessidade de armas, de grupos defensores, dos miserandos recursos terrestres que atemorizam.

Ele aparecia com os Seus de repente em lugar estranho e, ao distender as Suas mãos, alterava a existência daqueles que passavam a conhecê-lO.

Ninguém que O encontrasse ficava insensível ao Seu magnetismo: amavam-nO ou odiavam-nO de imediato.

Não havia dúvida: Ele era o Rei que se esperava, mas para cujo Reino não se estava preparado.

Não atemorizava ninguém, exceto pela nobreza dos Seus argumentos, evitava quaisquer manifestações infelizes e disseminava o amor, renegava a intriga, enquanto sustentava os caídos e padecentes de toda natureza.

Pouco a pouco, dividiram-se aqueles que O ouviam.

Ele falava dos Céus, e quase todos queriam a Terra.

Ele denunciava o crime; a maioria, porém, se comprazia na sua prática.

Ele cantava a humildade e a renúncia, vivendo com total simplicidade, e desagradava aos que cultivavam o orgulho e a posse.

A inveja e a sordidez humanas passaram a segui-lO.

Não para aprender a Sua mensagem, mas para surpreendê-lO em qualquer dito que se Lhe pudesse transformar em acusações, criando armadilhas e sedições para O aniquilarem.

...E Ele a todos surpreendeu, porque viera para amar e servir, edificando um Reino de Bênçãos no ádito dos corações, embora nem sempre recebesse amor, fidelidade e gratidão.

Essa conduta não O surpreendia, porque Ele sabia que a sementeira é imediata, mas o resultado exige tempo e oportunidade.

O Seu era o ministério de ensementar na História da Humanidade o poder do amor em confronto com as sombras dominadoras em toda parte.

Por isso, foi traído, negado, chibatado cruelmente e depois arrastado pelas estreitas ruas por onde passara antes em triunfo de mentira na direção do Calvário, que Lhe serviria de cenário para a ascensão a Deus.

* * *

Porque soubesse, desde então, que não havia lugar para Ele, prometeu enviar os Seus mensageiros, em momento grave da sociedade a fim de que a pudesse conduzir sob Sua tutela ao Reino dos Céus.

Surgiu o Espiritismo no Século das Luzes, que ora se expande e altera definitivamente a conduta da Humanidade para melhor.

Neste Natal, evoca-O, celebra-Lhe o nascimento, fazendo do próprio coração a Manjedoura para que Ele renasça e esparza a musicalidade sublime de que é portador, neste mundo em sombras que O aguarda.


Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica de 24 de setembro de 2018, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.