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17 novembro 2019

Continuidade Natural - Orson Peter Carrara



CONTINUIDADE NATURAL


Novamente trago ao leitor a indicação de um bom filme. É o filme O orfanato. Misturando drama e suspense, mas com uma mensagem embutida muito emocionante.

A sinopse do filme indica: “Laura (Belén Rueda) passou os anos mais felizes de sua vida em um orfanato, onde recebeu os cuidados de uma equipe e de outros companheiros órfãos, a quem considerava como se fossem seus irmãos e irmãs verdadeiros. Agora, 30 anos depois, ela retornou ao local com seu marido Carlos (Fernando Cayo) e seu filho Simón (Roger Príncep), de 7 anos. Ela deseja restaurar e reabrir o orfanato, que está abandonado há vários anos. O local logo desperta a imaginação de Simón, que passa a criar contos fantásticos. Entretanto à medida que os contos ficam mais estranhos Laura começa a desconfiar que há algo à espreita na casa.”

Com uma hora e quarenta minutos, a produção exalta a imortalidade da alma e a permanência do amor entre os seres. Apesar dos exageros próprios, é interessante pensar na mensagem final do filme, que em alguns pontos assemelha-se a outra produção no mesmo gênero: Os Outros.

E o bom mesmo é pensar no filme aplicando o raciocínio da imortalidade, dos relacionamentos, da determinação e da fé. É mesmo uma busca intensa o que faz a mãe em relação ao filho. Mas isso vou deixar ao leitor descobrir.

O filme está inclusive disponível na Internet. Não deixe de ver.

O leitor vai se deparar com o sempre empolgante tema da vida depois da morte. A produção desperta a reflexão sobre as sempre presentes questões: para onde vamos, quem vai nos receber, onde estaremos, com quem? Como a boa lógica e o raciocínio indicam a continuidade natural da vida após o decesso do corpo, é bom ver um filme assim, pois faz pensar. Estimula, inclusive, a busca por leitura específica.

A cena mais emocionante do filme está, como de se esperar, no final, demonstrando a naturalidade do que realmente somos: criaturas imortais, o que permite que os afetos, os amores, nunca se percam, nem sejam destruídos os laços que ligam as criaturas humanas. E a naturalidade disso é demonstrada com muita competência. Claro que, na produção de um filme, como citei acima, os exageros estão inclusos, mas o que fica mesmo em destaque são os sentimentos que despertam.

Veja o filme, leitor. Vai lhe fazer bem.

Orson Peter Carrara

16 novembro 2019

Aparições de Pessoas vivas Distantes - Márcio Martins da Silva Costa




APARIÇÕES DE PESSOAS VIVAS DISTANTES


Em julho de 1856, uma senhora da cidade francesa de Boulogne-sur-Mer escreve uma carta, no mínimo curiosa, à Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.


Ela estava na sala de jantar com o seu filho, um notável médium capaz de manter comunicações com os Espíritos, lendo um livro sobre magnetismo. Em certo momento, ele pega o livro da mãe e começa a folhear algumas páginas. Sob a orientação de seu mentor espiritual, o rapaz volta a sua atenção para história de um médico que houvera visitado, em Espírito, um amigo distante enquanto dormia o seu corpo físico.


Aquela aventura lhe faz lembrar seus amigos em Londres e o jovem comenta o quanto gostaria de passar por experiência semelhante. Na carta, sua mãe conta que, ouvindo aquele pedido, o seu guia espiritual lhe informa que no dia seguinte seria domingo e ele poderia levantar mais tarde. E complementa com a informação de que na sexta-feira seguinte receberia uma carta de seus amigos.


No dia seguinte, às oito da manhã, o jovem entra em sono profundo. Meia hora depois se levanta sem lembrar-se de nada do que ocorrera.

Passa-se então uma semana e exatamente na sexta-feira seguinte, conforme descrito pelo seu guia espiritual, chega uma carta de seus amigos da Inglaterra. Com uma perfeição de detalhes, não explorados pela narradora para não alongar a transcrição, os amigos censuram o jovem por ter ficado tão pouco tempo com eles.

Segundo os relatos da mãe, não havia dúvidas de que o filho fora até a cidade britânica e lá tenha ficado trinta minutos com os amigos. A carta deles era a prova dos fatos ocorridos.


* * *


Este caso foi publicado por Allan Kardec na Revista Espírita de dezembro de 1858, sob o título “Aparições” (1). Nesta publicação citam-se ainda outros eventos de possíveis aparições dos Espíritos dos vivos em locais distantes de onde se encontravam os seus corpos físicos.


Um deles era o de uma senhora que constantemente via a circulação de pessoas entrando e saindo de sua casa à noite. Independente da iluminação e mesmo com todas as portas fechadas, a movimentação ocorria e a deixava espantada. Certa feita percebeu nitidamente que se tratava do seu irmão que morava na Califórnia e que não havia morrido.

Estes fatos são possíveis e conhecidos pelo nome bicorporeidade (2).


Enquanto estamos em vida, nosso Espírito liga-se ao corpo por meio de uma substância semimaterial que o envolve e que a Doutrina Espírita o designa como sendo o períspirito. Quando dormirmos, afrouxam-se os laços que nos ligam ao corpo físico (3). Conforme as nossas intenções e possibilidades, podemos ficar, em Espírito, próximos ao corpo físico que repousa ou irmos ao longe, mantendo-se conectados àquele.


Em estado normal, o períspirito mantem-se invisível para nós. Contudo, pode sofrer modificações que o tornam perceptíveis e até tangíveis. Logo, não é impossível ocorrer de estarmos com alguém à nossa vista que, em verdade, esteja fisicamente bem distante. Tudo dependerá da disposição molecular do períspirito que atenderá a vontade do Espírito de se tornar visível ou não, seguindo-se leis naturais que ainda desconhecemos.

Márcio Martins da Silva Costa
Fonte: Kardec Rio Preto

Referências:

(1) KARDEC, A. Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos, 1858.
(2) KARDEC, A. O Livro dos Médiuns. 81a ed. Brasília (DF): Federação Espírita Brasileira, 2013a.
(3) KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 93a ed. Brasília (DF): Federação Espírita Brasileira, 2013b.

15 novembro 2019

A vida tem sublime significado! - Francisco Rebouças




A VIDA TEM SUGLIME SIGNIFICADO!


“Porque aquele que quiser salvar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á.” Jesus – Mateus 16:25

Na caminhada evolutiva da humanidade, cada indivíduo entende a vida de um modo todo particular.

Um se dedica ao desenvolvimento do intelecto pela aquisição de cultura, outro visa o destaque pessoal na sociedade a que pertença, aquele outro objetiva a conquista da fortuna, ainda outro almeja alcançar a glória de deter o poder de mandar, mas, são poucos ainda, os que sonham com a construção de uma família ditosa e feliz.

Para conquista de seus objetivos, cada qual dedica seus melhores recursos e esforços para a obtenção do êxito em suas metas, previamente, estabelecidas. Esses planos elaborados, individualmente, trazem o cunho da personalidade de seu executor, que termina por estimular a luta desigual, a competição desleal, levando muitos ao desespero e à insensatez.

Quando o indivíduo alcança o que planejou, sente-se realizado e satisfeito, no entanto, caso o resultado não seja o esperado, sente-se frustrado, insatisfeito, decepcionado, caindo em desânimo, ou até mesmo em depressão.

Poucos de nós entendemos a vida em seu verdadeiro significado, de auto-aprimoramento do Ser imortal que precisa valorizar os recursos que as virtudes ínsitas em nosso mundo íntimo nos propiciam na estrada do progresso evolutivo, em que todos estamos inseridos.

As virtudes representam, para cada um de nós, os tesouros adormecidos em nosso interior, aguardando há milênios nossa disposição de desenvolvê-los e multiplicá-los em nosso próprio benefício como recursos indispensáveis para a conquista definitiva da paz e da pureza espiritual a que estamos destinados.

Este é ainda um trabalhoso desafio que a vida nos propõe como condição preponderante para construção de um porvir diferente para melhor, que não será possível realizar sem empenho e disciplina.

Urge entendermos que as aquisições que valorizam o ego, os bens materiais, os títulos de qualquer ordem, quase sempre resultam em ociosidade, provocando o surgimento do tédio, do desânimo, descambando depois para insegurança, instabilidade, insatisfação depressão e, muitas vezes, terminando pelo suicídio.

O verdadeiro sentido da vida é a vivência do amor, sedimentado nas Leis de Divinas, de doação, renúncia, na prática da caridade que dignifica e implanta a esperança, capaz de proporcionar-nos equilíbrio, paz, e prazer em viver.

Para que alcancemos o sentido real da vida, urge entendermos que é necessário esforço ininterrupto por se despojar das paixões atreladas às desordens de toda ordem, substituindo-as por elevadas construções de harmonia e paz que só alcançamos, vivenciando, efetivamente, as sublimes Leis Divinas.

“Haja o que houver, distribua confiança e bom ânimo, porque a alegria é talvez a única dádiva que você é capaz de ofertar sem possuir.
Evite amargura e desespero, porque todos estamos seguindo ao encontro do júbilo imperecível.
Se você não acredita que Deus é plenitude de paz e amor, alegria e luz, pense que a Terra poderá envolver-se nas sombras da noite, mas haverá sempre no Céu a fatalidade do alvorecer.” (1)


Francisco Rebouças

Referências Bibliográficas:

(1) XAVIER, FRANCISCO CÂNDIDO. Espírito André Luiz. Livro Busca e Acharás. Capítulo Cartões de paz.

14 novembro 2019

Prefira Viver - Vania Mugnato de Vasconcelos



PREFIRA VIVER


“A calma e a resignação adquiridas na maneira de considerar a vida terrestre e a confiança no futuro dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio”. Allan Kardec


Não devemos minimizar as razões que levam uma pessoa a buscar a morte antes do tempo. Só a própria pessoa é capaz de avaliar o peso que carrega, a dor que sente, o vazio que experimenta, a desesperança que a atemoriza. Não se trata de julgar se a procura pela morte é coragem ou covardia, pois, de fato, a decisão de morrer nasce de motivações internas que somente quem as vive pode avaliar.


Isso, contudo, não torna a morte antecipada um ato mais nobre ou correto. A dor pode explicar, mas não justifica o abandono de si mesmo nem soluciona o problema que levou a tal escolha, ao contrário, agrava a situação. A questão é que na vontade de morrer existe o engano terrível de que através do fim da vida carnal, a pessoa escapará do que a tortura, pondo fim às angústias que sente.


O erro, pior do que se pode imaginar, é percebido, imediatamente, após a consumação do ato: a destruição do envoltório material não cessa a vida espiritual, e a pessoa não deixa de sentir o que sentia antes da aniquilação do corpo que a aprisionava.


Havendo fim apenas para a vestimenta provisória a que chamamos corpo, a vida espiritual, moral e intelectual, continua vigorosa; não há fuga si mesmo ou das experiências necessárias ao próprio desenvolvimento, de tal modo que se somam às dores do passado recente e do futuro antecipado.


Quem entende essa realidade, racionalmente, explicada pelo Espiritismo, sabe que a existência se prolonga, indefinidamente, no além-túmulo, que tudo que se é e sente, vem de dentro de si e, não existindo fim, sentirá o mesmo, posteriormente. Para evitar o pior, devemos praticar a paciência e a resignação, no exercício da coragem moral que nos permite vencer um dia de cada vez.


O mundo é complexo e nem sempre se veem motivos para continuar. Mas é imperioso compreender que cada ação tem consequência; é urgente que se faça uma conscientização geral sobre as graves implicações espirituais do suicídio, das dores dos familiares, do impacto da violência à própria natureza, conhecimento que ajuda a diminuir a incidência desse crime.

Morrer não apaga a dor.
Busque ajuda, converse a respeito.
Prefira viver.


Vania Mugnato de Vasconcelos

13 novembro 2019

Boa Nova - Amélia Rodrigues



BOA NOVA


A história da Boa Nova é a epopéia do homem atormentado buscando as fontes inexauríveis da Divina Misericórdia e recebendo a linfa refrescante da paz, que vem sorvendo lentamente através dos dois últimos milênios.

Por enquanto, condicionado às circunstâncias da própria necessidade, não tem sabido valer-se do gral asseado da abnegação e a toma em vasilhames impregnados de sujidades que impedem a absorção total e lenificadora do refrigério de que se faz instrumento.

Seguindo Jesus, o Amigo Excelente, não tem sabido o homem abandonar a estreiteza das limitações ideológicas em torno das quais circunvaga, para buscar os horizontes ilimitados da solidariedade onde se pode realizar e adquirir plenitude.

Asfixiado pela volúpia dos gozos imediatos, e suserano das paixões reluta no momento de abdicar as velhas acomodações derrotistas, plasmando o esforço nobre da sublimação dos ideais.

Confundido pelas ideologias estranhas de classes e nações, padronizando direitos e deveres conforme os preconceitos que vitaliza estoicamente, aferra-se ao mundo conquanto o conhecimento comprove a invalidade da estrutura das chamadas realidades objetivas.

Por isso amargura-se, demorando lamentavelmente vinculado aos hábitos anestesiantes nos quais se amolenta e envilece, surpreendendo-se com a morte e desesperando-se, odiando o sofrimento e fomentando-o, fugindo ao medo e espalhando-o, experimentando a própria alucinação justiçando-o.

No entanto, a Boa Nova em sua epopéia representa a história do homem atormentado que bate às portas dos céus, ansiosamente, e recebe a resposta da esperança e do amor, atendendo-o generosamente.

Por toda parte a figura do Singular Galileu era um raio de luz na noite dos apelos humanos, clareando por dentro as necessidades gerais.

Combatido a Seu tempo não é aceito hoje, ainda, pela falsa cultura que entroniza o crime e desdenha a honra, arrazoando contra o amor, por meio de despeito azedo, por identificar na vitória que os desconsiderados pelo mundo conseguem em si mesmo, como sendo Sua derrota ante o malogro das suas aspirações.

.. . E a epopeia do Cristo canta com toda a pujança.

Aí está no dia-a-dia a representação das vidas que a Sua Vida levantou. Repontam em abundância as existências que Ele soergueu e no incessante re nascer das mesmas aflições como reflorescimento das velhas árvores da angústia, parecem aguardar o Jardineiro doutrora…

Aqui estão embrulhadas na dor as aflitas mães viúvas em evocação à de Naim, rogando ajuda com as almas em frangalhos, desesperançadas; vestida? de ilusão, derrapando na ociosidade alucinada, virgens loucas desfilam em contínuo cortejo de insensatez esquecidas da responsabilidade, embriagando-se para logo tombarem sonolentas nos resvaladouros do erro, perdendo os noivos, quando chegam; os onzenários que preferem a algaravia cambial e o sonido expressivo dos valores que perseguem, em detrimento da jóia de alto preço, que merece adquiri-rida com o resultado arrecadado pela venda de todas as pequenas jóias, porque estão desatentos perdem a mais preciosa: a paz interior; interrogantes os príncipes da ciência e da filosofia, indagando e indagando sempre, sem reflexionar, fixados aos compêndios tradicionais e aos conceitos dúbios a que se aferram, são surpreendidos pela desencarnação para constatarem, arrependidos, tardiamente…

Rareiam os novos centuriões cuja fé rutila nos olhos e clareia por dentro, prosternando-se ante Ele para esperar a cura do servo e consegui-la, ou da mulher siro-fenícia cujo ardor deu-lhe intrepidez para tocar-lhe as vestes e arrancar-lhe “a virtude” da saúde; ou a obsidiada de Magdala que rompeu em definitivo a noite interior para que a Sua luz a incendiasse por dentro, haurindo n’Ele o combustível que a manteria em claridade contínua até a vitória final.

Ele, no entanto, continua esperando.

Sua voz utiliza para ensinar a singeleza de um grão de mostarda, de redes a secarem ao sol, de peixes e varas verdes, de uma figueira brava, de talentos, de pérolas, de fermento, conhecidas de todos essas expressões, arrancadas da experiência diária de cada um, como lição sempre nova, abrindo clareiras de sabedoria na floresta dos conceitos complexos e inexpressivos que não conduzem a mente atormentada a lugar nenhum.

A Boa Nova ressuma esperança, pois é a história do homem angustiado, batendo e Jesus respondendo, em forma de socorro lenificador incessante, como a dádiva de Deus para a libertação do ser.


Amélia Rodrigues
Médium: Divaldo Pereira Franco
Livro: Luz no Mundo

12 novembro 2019

Cirurgia Plástica na Visão Esírita - Richard Simonetti



CIRURGIA PLÁSTICA NA VISÃO ESPÍRITA


Perguntaram a Chico Xavier:
– Você faria uma plástica facial?
– Claro, se me fosse possível, pois assim não assustaria tanto meus semelhantes.


A resposta bem-humorada do médium nos conduz à problemática dessa especialidade médica, bastante desenvolvida na atualidade.

Técnicas modernas tornaram os procedimentos mais simples e acessíveis.

Há, porém, sob o ponto de vista espiritual, a impertinente questão:

Será lícita essa iniciativa, buscando-se a beleza física, quando o que importa é o embelezamento espiritual?


Bem, amigo leitor, costuma-se dizer que para sermos felizes devemos gostar de nós mesmos.

Obviamente, isso envolve, também, a aparência.

Razoável, portanto, que a pessoa não satisfeita com seu visual trate de melhorá-lo.


Argumentam os opositores que seria incensar a velha vaidade humana, tão prejudicial à evolução do Espírito.


Se assim considerarmos, deveremos renunciar aos cuidados com a roupa, os sapatos, os cabelos, a higiene pessoal.


Todos apreciam uma pessoa bem trajada, cabelos bem penteados, suave perfume.


Igualmente desejável boa postura, ar saudável, expressão jovial, harmonia nos traços, ausência das rugas que tanto incomodam a alma feminina.


Há profissionais que devem observar cuidadosamente esses aspectos: modelos e artistas, por exemplo, cujo trabalho exige apuro com o visual.

Condenável seria o excesso.


Vejo pessoas que se submetem a tantas recauchutagens faciais que ficam com a aparência de uma boneca de cera, pele esticada, face inexpressiva.


Ouvi, certa feita, famosa atriz já na madureza, a proclamar que jamais se submeteria à cirurgia rejuvenescedora facial, por considerar que rugas dão dignidade e respeitabilidade à velhice.


Exemplar sua postura, embora não devamos levar sua observação a extremos, suprimindo até mesmo os recursos de preservação da saúde.

Afinal, de certa forma contrariamos a Natureza quando lutamos contra a morte, buscando longevidade.


***

Há a questão do carma.

A cirurgia plástica estaria interferindo na programação cármica.

Será?

Consideremos a herança genética.


Herdamos de nossos pais suas características físicas e não me parece que toda uma ancestralidade tenha enfiado o nariz onde não devia ou não ouviu os avisos da vida, justificando o nariz adunco ou as orelhas de abano.


Mesmo quando há legítimo problema cármico relacionado com a aparência ou a funcionalidade física, isso não significa que não possamos corrigi-lo ou amenizá-lo.


Na contabilidade espiritual, quando se trata do pagamento de débitos cármicos, a medicina, com seus avanços, é a própria Misericórdia Divina a nos oferecer generosos descontos, amenizando as dores do resgate.


Consideremos, ainda, que a dor é apenas o estágio primário no processo de reajuste quando contrariamos as leis divinas e nos comprometemos no mal.

Num segundo estágio, há os prejuízos que causamos.

Um exemplo:


Num exercício de vandalismo, chuto a vitrine de uma loja, fazendo-a em pedaços. No ato, corto a perna e vou parar no hospital.


Dependendo dos recursos que venha a mobilizar, inclusive cirurgia plástica, posso demorar mais ou menos na recuperação, ficar ou não com cicatriz antiestética ou limitação de movimentos, mas o resgate de minha dívida com o comerciante será o meu compromisso maior.

Somente estarei liberado quando ressarcir os prejuízos que lhe causei.


Ainda que ele não necessite dessa reparação, sentir-me-ei em débito com minha própria consciência, obrigando-me a ações compensatórias dirigidas ao bem comum.


Podemos considerar a cirurgia plástica uma espécie de maquiagem para o homem perecível, sem nenhum efeito na economia do Espírito imortal.

Portanto, caro leitor, use-a, se o desejar, sem abusar, e lembre-se:

O bisturi melhora precariamente o visual físico.


Para melhorar o visual espiritual é preciso usar largamente outro bisturi: o empenho de renovação, extraindo mazelas e imperfeições de nossa alma, mão firme no esforço do Bem.


Richard Simonetti

11 novembro 2019

Olhe para o Alto - Momento Espírita



OLHE PARA O ALTO



Conta-se que uma senhora, cujo trabalho exigia leitura constante, começou a ter dificuldades com os seus olhos, por isso foi consultar um especialista.


Depois de um exame, o profissional lhe disse: "seus olhos estão somente cansados; você precisa descansa-los."

Ela replicou: "mas isso é impossível, por causa do tipo de trabalho que eu faço"..

Depois de alguns momentos, o médico respondeu: "tem janelas em seu local de trabalho?"

"Oh, sim," respondeu ela com entusiasmo.


"Das janelas da frente pode-se ver os picos de montanhas distantes, e das janelas dos fundos pode-se contemplar um belo e produtivo pomar.."

O médico respondeu: "é exatamente isto o que você precisa".


Quando sentir seus olhos cansados, olhe para as suas montanhas por uns dez minutos – por vinte minutos seria melhor.

"Olhar para longe vai descansar os seus olhos!"


* * *

Esse fato singelo pode nos trazer valiosos ensinamentos.


Se é verdade que no âmbito físico podemos descansar os olhos, olhando para longe, também pode ser verdadeiro para as questões espirituais.

Os olhos da alma muitas vezes estão cansados e fracos de tanto focalizar problemas e dificuldades.

Nesse momento, olhar à distância e para o alto, vai ajudar você a restaurar sua perspectiva espiritual.


Às vezes você sente a sobrecarga das dificuldades da vida. No entanto, se voltar os olhos para Deus, poderá visualizar seus problemas na devida proporção e renovar suas forças e o seu bom ânimo..

Vamos, levante os seus olhos!


Quando as imagens dos problemas começarem a ameaçar a sua disposição para a luta, eleve o olhar e busque paisagens distantes.


Quando você vislumbra os obstáculos de um ponto de vista elevado, eles parecem menos ameaçadores e facilmente conseguirá superá-los.


Mas se os observa de um ponto inferior, eles assumem proporções gigantescas e paralisam a sua vontade de vencer.

Vamos lá... desvie, por alguns minutos, seu olhar.

Olhe para a gigantesca força que habita o infinito azul, a quem chamamos Deus.


Pode ter certeza de que o socorro virá. Uma onda de tranqüilidade lhe invadirá a alma e aplacará os seus olhos cansados.

E essa onda de harmonia facilitará a solução dos problemas.

Sua alma se aquietará e as dificuldades farão silêncio.

E nesse silêncio você ouvirá as respostas que o seu olhar cansado buscou no infinito.


Pense nisso, e quando os olhos da alma estiverem cansados, eleve o olhar ao Senhor da Vida e Nele encontrará o alívio que busca.


* * *


Quando os dias frios e cinzentos do inverno cobrirem o seu olhar com as brumas escuras da tristeza, abra as cortinas do horizonte e contemple a primavera invencível, que logo recobrirá com tapetes perfumados os campos crestados pela invernia.


Quando as dores da alma ameaçarem a sua esperança, rasgue as cortinas do tempo e mire a face sorridente da eternidade a lhe dizer, como quem sabe a verdade: esse dia de sombras também passará.


Fonte: Equipe de Redação do Momento Espírita


10 novembro 2019

Poderosa Alavanca – Orson Peter Carrara



PODEROSA ALAVANCA


O dinâmico processo de viver, aprender, progredir e especialmente aprimorar-se no intelecto e na moralidade, estabeleceu valiosas experiências nos relacionamentos com terceiros e, claro, consigo mesmo, na individualidade. Afinal, o amadurecimento psicológico-emocional é fator preponderante para o equilíbrio diante dos gigantescos desafios de viver em harmonia. Especialmente se pensarmos na velha questão do auto encontro, pois que muitos de nós nos esmeramos em diversas atividades para além da própria intimidade, auxiliando muita gente, distribuindo conhecimento, e nos esquecemos de auxiliar a nós mesmos.

A maior tarefa é da auto educação, do auto aprimoramento. Somos pródigos no aconselhamento para terceiros e nos debatemos em aflições quando as adversidades nos atingem diretamente, esquecendo-nos de que o que falamos deveríamos usar primeiro em favor próprio, equilibrando as próprias emoções.

Dentre os fatores do dinamismo da vida está a transformação trazida pelo fenômeno biológico da morte. É um fenômeno natural, integrante desse processo todo, uma vez que somos mortais apenas no corpo, pois que imortais como seres inteligentes.

As conquistas e dificuldades continuam, pois ela, a morte, não anula, nem simplifica as dificuldades, uma vez que levamos o equilíbrio ou a desarmonia interior, conosco. Uma vida moral e emocionalmente equilibrada desde já resultará num futuro também equilibrado, como espírito livre da matéria. Uma mente, por sua vez, emocional e moralmente desequilibrada, levará para a vida espiritual um indivíduo desequilibrado, requerendo as mesmas providências que nos são exigidas continuamente durante a vida corpórea.

Tais reflexões são resultantes da leitura do capítulo 15 – Os inimigos desencarnados, constante do livro Tramas do Destino, edição FEB, na psicografia de Divaldo Franco e de autoria do Espírito Manoel Philomeno de Miranda. Afirma o autor no citado capítulo:

“(…) Não sendo a morte outra coisa senão um instrumento da vida estuante em toda parte, a desencarnação não anula, nem simplifica as dificuldades. Cada um se desenovela dos liames físicos consoante a força vitalizadora de que se utilizava na sua sustentação. Transferem-se de uma para a outra posição da realidade espiritual os sentimentos cultivados, as aspirações irrealizadas, as fixações, os resíduos morais. (…) Cada um desencarna conforme se encontra reencarnado. Os conflitos não equacionados, como os ódios e os amores, prosseguem com maior volúpia. (…)”.

Por isso é importante o esforço desde já no equacionamento dos conflitos que ainda trazemos, nos distúrbios emocionais e psicológicos, arejando a mente com os recursos valiosos da alegria de viver, da confiança em Deus, da resignação ativa e do trabalho no bem.

E isso pode começar com uma virtude sempre esquecida: a gratidão. Sim, a gratidão, que é valioso ponto de apoio ou alavanca incomparável para início dessa trajetória de progresso. Aprendermos a agradecer. Há muitas razões para isso, basta parar para pensar um pouco…

Por isso, a valiosa informação no mesmo capítulo: “(…) O conhecimento da vida espiritual representa valiosa aquisição para a responsabilidade e a ascensão do indivíduo (…)”.

A ascensão e a responsabilidade individuais são conquistas da alma, determinadas pela Sabedoria Divina, por meio da Lei do Progresso. Viver é, pois, prosseguir aprendendo. Muitos, diante dos desafios, desejam fugir da vida e dos desafios. Alguns se entregam ao equívoco do suicídio ou à perda do encantamento pelas maravilhas da vida e suas riquezas. Não adianta. A lei da vida é dinâmica e nos determina o progresso contínuo. Por isso, acionemos a poderosa alavanca da vontade, levantemo-nos de nossas fraquezas e sigamos adiante. A morte não muda o que somos, e como diz o autor espiritual na obra em referência, não anula nem simplifica as dificuldades. Essas deverão ser superadas com o contínuo aprendizado decorrente dos enfrentamentos inevitáveis da evolução.



Orson Peter Carrara
Com a clareza do pensamento espírita, nossa gratidão à fabulosa e incomparável obra da Codificação Espírita, de Allan Kardec. Uma justa homenagem ao 3 de outubro de 1804.

09 novembro 2019

Pensando um mundo de paz - Momento Espírita




PENSANDO UM MUNDO DE PAZ

Para estes dias de tanto medo, eu desejaria ser aquele que o pudesse afugentar das mentes e dos corações.


Desejaria que as mães tivessem mais tranquilidade quando deixassem seus filhos na escola, com a certeza de que ali seria um lugar onde nada além das letras, dos números, das linhas retas e curvas, da camaradagem pudesse existir.


Desejaria que enquanto as pessoas se dirigem ao mercado para a aquisição do alimento, não sofressem os sobressaltos das loucuras do trânsito, nem eventuais tentativas de assalto.


Tudo assusta. Tudo atemoriza. Eu desejaria que ao levarmos as crianças para brincar nos parques, não precisássemos estar atentos à maldade de sequestro ou de balas aleatórias, sempre mortais.


Desejaria que no mundo houvesse menos doenças, menos fome, menos ameaças de guerra. Que se falasse mais em construir do que em destruir.


Que se preservassem os monumentos do passado, como a História gravada em pedra a nos dizer do que os nossos antepassados nos deixaram como legado.


Que se preservassem os museus, porque falam dos passos de uma Humanidade que lutou, conquistou, atravessou fases difíceis, mas não esqueceu da arte, nem da ternura.


Então, poderíamos continuar a nos extasiar ante os quadros dos pintores de distantes países ou do nosso próprio.


Poderíamos ler em telas vibrantes o colorido da História e verificar que as cores da guerra não deveriam ser reprisadas, jamais.


Os documentos, as imagens nos falam de períodos insanos de sofrimento, em que irmãos mutilam ou matam seus irmãos.


E, como num altar, faríamos a promessa de lutar pela paz que começa em cada um de nós.


Começa na obediência às leis humanas e divinas. E deixaríamos as armas que matam para abraçar as ferramentas da construção do bem.


Como motoristas, respeitaríamos as leis de trânsito, zelando pela manutenção do veículo de que nos servimos, não ultrapassando a velocidade permitida, aguardando, sem pressa, a nossa vez de trafegar.


Respeitaríamos as pessoas que andam pelas ruas e os que transitamos pelas ruas, teríamos cuidado conosco mesmo, igualmente respeitando as leis, preservando a nossa e a vida do semelhante.


Seria tão bom se em vez de espalharmos tantas notícias alarmantes pelas redes sociais, todas as desavenças e pequenas querelas que nos ocorrem, propagássemos mais o Amor de Deus.


Falássemos mais da esperança do mundo que todos podemos construir juntos, pudéssemos convocar as pessoas a pensar em coisas positivas, a educar bem seus filhos, a espalhar notícias de tantos que vivem o mundo de regeneração, no serviço ao seu semelhante.

Seria tão relevante que convidássemos as pessoas a ter momentos de meditação, momentos para si mesmas, realizando uma viagem interior, para entregar-se Àquele que é nosso Criador, Deus, que a tudo preside e tudo governa.

Seria tão bom se pensássemos mais nEle, na Sua Providência, no Seu Amor.


Nossas vibrações, com certeza, colaborariam imensamente para a melhoria da psicosfera do nosso planeta, tão rico de bênçãos e tão maltratado por nós, física e psiquicamente.

Que tal começarmos hoje a concretizar nosso sonho de paz, de amor, de alegrias?

Redação do Momento Espírita

08 novembro 2019

A dor da perda - Letícia Thompson



A DOR DA PERDA


É um caminho inevitável. Temos todos, um dia ou outro, de uma forma ou de outra (e geralmente de várias formas mesmo), que viver isso. Não porque é uma fatalidade do destino, mas porque faz parte da vida.

E cada um de nós vive, mesmo se de maneira dolorosa igual, de um jeito diferente as diferentes perdas pelas quais temos que atravessar.

A pior de todas, é quando alguém que a gente ama morre. Esse é um sentimento de perda irreparável. Um amigo não vale pelo outro, um irmão não vale pelo outro e nada no mundo poderá substituir nossos pais. Tenho uma amiga sábia que diz que “nunca somos velhos o suficiente para ficarmos órfãos.” E ela tem razão. E mesmo se o tempo aplaca essa dor, sempre vai ficar dentro da gente aquele sentimento indecifrável de vazio. É a idéia do “nunca mais ver” que dói mais. E quando esta se une à idéia de não termos feito algo mais, não termos dito algo mais, ainda é pior.

Outra dor de perda é quando a pessoa que se ama se vai. Nesse caso existe uma mistura de dor de orgulho e dor de medo de se ficar sozinho, muitas vezes porque o que existia não era realmente amor, mas uma dependência emocional do outro. Dor de orgulho, porque ninguém nessa vida foi feito pra perder. Dor de ter sido deixado, dor de rejeição, que chega a doer até fisicamente. Não adianta dizer nesse momento que “quando se perde um ônibus vem dez atrás”, porque a pessoa vai te dizer que o que perdeu era justamente aquele que queria. Mas quando o tempo cura essa ferida (e o tempo cura todas as feridas!) e o coração começa a bater mais forte por outra pessoa, aí então a gente esquece. E ninguém precisa ter medo de ficar sozinho, pois só vai ficar sozinho quem não se abrir a novas possibilidades

E com isso tudo, o que é preciso mesmo é que aprendamos o sentimento de aceitação. Não passiva, de se deixar levar. Mas aquela de quando se sabe que vai se viver o inevitável, de viver isso da melhor maneira possível. Nenhum de nós está preparado pra isso, mas sabemos que é a vida.

E não deixar que a dor do orgulho possa impedir que vivamos, isso é importante. Alguém me contou recentemente que sofreu dois anos por ter perdido um amor e depois é que reconheceu que o sofrimento não era realmente de amor, mas do orgulho de ter sido deixado. Uma vez reconhecido isso, ele deu um passo à frente e encontrou aquela que hoje em dia é sua esposa, que portanto já fazia parte do grupo que conhecia e freqüentava. É preciso muita sabedoria para se tirar a venda do orgulho dos olhos.

Fazer com que os que amamos saibam disso é uma maneira de se preparar a viver diferente a perda, se esta se der. É preciso dar de si mesmo enquanto se pode. É preciso evitar o “ah, se eu soubesse” e “ah, se eu pudesse voltar” do futuro. É preciso oferecer flores enquanto se pode vê-las e senti-las.

Se você gosta de alguém, diga, demonstre. Nem todo mundo sabe adivinhar. Transforme em gestos e palavras tudo aquilo que se passa no seu coração.

Vive muito melhor dor de perda quem sabe que fez a sua parte. Ainda vai doer, mas de maneira bem diferente.

Letícia Thompson

07 novembro 2019

Mediunidade e alienação mental - Arlene Paes Dias



MEDIUNIDADE E ALIENÇÃO MENTAL


“A mediunidade, conforme sabemos, exige exercício disciplinado, sintonia com as esferas superiores, meditação constante, isto é, vida íntima ativa e bem direcionada, ao lado do conhecimento do seu mecanismo e estrutura, de modo a tornar-se facilidade superior da e para a vida.” ¹

A mediunidade é a faculdade que nos permite entrar em contato com o mundo espiritual. Aprendemos, para exercê-la, as lições que nos são dadas pelos bons Espíritos e, assim, podemos consolar encarnados e desencarnados que procuram nossa orientação e carinho. Quando praticada com disciplina e baseada nos ensinamentos de Jesus, é consolo e lenitivo para todos nós.

Muitas pessoas, por falta de conhecimento, não acreditam na possibilidade dessa comunicação. Não têm fundamento os argumentos que usam para justificar seus pontos de vista, porque suas opiniões se baseiam em comentários que ouviram de pessoas que também não são estudiosas do assunto. No capítulo 43, ‘Alienação Mental’, do livro “Seara dos Médiuns”, Emmanuel, estimado benfeitor espiritual, dirige-se a essas pessoas que acreditam haver ligação entre mediunidade e alienação mental. Afirma que “especialistas que apenas examinassem os problemas do homem natural através do homem doente” ² não estariam fazendo uma análise verdadeira.

Quem pratica a mediunidade é o médium. De acordo com Kardec, no capítulo 14 de “O Livro dos Médiuns”, todo aquele que sente, em qualquer grau, a influência dos Espíritos, é médium. Mas somente aqueles que conseguem desenvolvê-la, torná-la positiva e atuante, serão considerados médiuns.

Há médiuns desequilibrados? Sim, assim como há pessoas desequilibradas em qualquer lugar da nossa sociedade, independentemente da formação, da posição social, religião que seguem ou praticam. Não podemos julgar toda uma comunidade porque um membro que dela participa apresentou problemas de equilíbrio, de saúde, de comportamento. Kardec afirma que cada um expressa a mediunidade em um grau diferente de outros companheiros. E Emmanuel corrobora dizendo que cada pessoa vai expressar sua mediunidade de acordo com seu grau de evolução.

Como a pessoa se porta no convívio social? Como se expressa através dos seus órgãos dos sentidos? Olhos, ouvidos, boca (fala). O que nossos olhos veem? A bondade praticada silenciosamente por um grupo grande de homens e mulheres ou a maldade estrondosa e barulhenta, praticada por outro grupo, muitas vezes bem menor que o primeiro, mas que ocupa manchetes de televisão, rádio, jornal, redes sociais?

O mesmo se dá com o que ouvimos. Ou falamos. Temos certeza de que nossos comentários são verdadeiros? Que vão ajudar nosso próximo? Ou desmerecem alguém? Quanto tempo, ou melhor, quantas encarnações, ainda, precisaremos para entender que nossos pensamentos, que precedem nossos atos, geram consequências?

No livro Dissertações mediúnicas, Emmanuel aborda aspectos interessantes que muitas vezes não são percebidos pelos médiuns. No capítulo 1, ele afirma que “esse posto é posto da renúncia, da abnegação e dos sacrifícios espontâneos”, ou seja, é importante saber que quem nasceu para executar a tarefa de trabalhar na mediunidade, a favor de sua evolução, mas, principalmente, atuando no socorro ao próximo, encarnado ou desencarnado, precisa conseguir filtrar tudo o que pode afetar seu equilíbrio espiritual. O apóstolo Paulo de Tarso já dizia: “sei que tudo posso, mas nem tudo me convém”. Agir com responsabilidade e encaixar a tarefa mediúnica nas suas atividades semanais, sem deixar de cumpri-la.

Por essa razão, Emmanuel afirma que a mediunidade deve ser encarada como um sacerdócio, ser cumprida com nobreza, com a consciência serena, para não tombar na luta e sempre pesar as consequências dos próprios atos, ou seja, renunciar aos desejos e aspirações de ordem material que possam impedir sua evolução moral.

O médium deve se preocupar sempre com os estudos relativos à tarefa que realiza. Já nos disse o Espírito de Verdade que o primeiro mandamento dos espíritas é amar. E, o segundo, instruir-se. Quando o médium estuda, ele está se preparando para enfrentar todos os obstáculos do seu caminho. Estudar fortalece sua fé, sua boa vontade. E, assim, o trabalhador será luz da crença e esperança para todos que o procuram.

Todos nós sabemos que a Terra é um planeta de expiações e provas, e que, por isso, ainda somos cercados por sombras, lágrimas e sofrimentos. Por tudo isso, é importante vigiar e orar para evitar que sejamos atingidos por vibrações que podem nos desequilibrar. “Os médiuns, em sua generalidade – prossegue o benfeitor –, não são missionários na acepção comum do termo; são almas que fracassaram desastradamente, que contrariaram, sobremaneira, o curso das leis divinas e que resgatam sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades, o passado obscuro e delituoso.” São Espíritos que tombaram porque abusaram do poder, da autoridade, da fortuna, da inteligência. Retornaram à Terra para difíceis resgates, que muitas vezes significam sacrificar-se a favor das almas que prejudicaram, devendo considerar os sofrimentos que enfrentam como ações renovadoras. E isso só ocorrerá quando conseguirem reconhecer e assumir as escolhas infelizes que fizeram, porque somente assim atingirão a redenção.

Ter consciência de que, para cumprir sua tarefa, deverá estudar, entender e praticar os ensinos de Jesus. Conhecer o Evangelho do Mestre na sua divina pureza. Ser humilde, não encarando a mediunidade como um privilégio, e sim, como bendita oportunidade de recomeçar, através da correção de atitudes inadequadas e injustiças que possa ter cometido.

Podemos concluir, assim, que Deus nos permitiu fazer uso da atividade mediúnica para nossa evolução. Cada um de nós, de acordo com suas possibilidades e empenho, fará o melhor uso possível dessa faculdade, pois requererá de nós responsabilidade, disciplina e persistência. É uma tarefa árdua, mas Deus nos dá todo o suporte através da atuação dos Espíritos Superiores nos esclarecendo, sustentando e apoiando, para enfrentarmos com êxito nossas dificuldades.

“A mediunidade é uma delicada flor que, para desabrochar, necessita de acuradas precauções e assíduos cuidados. Exige o método, a paciência, as altas aspirações, os sentimentos nobres, e, sobretudo, a terna solicitude do bom Espírito que a envolve em seu amor, em seus fluidos vivificantes.” ²

Arlene Paes Dias

Bibliografia:

1. FRANCO, Divaldo Pereira - Loucura e Obsessão, ditado pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda - 9ª Edição – FEB - Rio de Janeiro, cap. 22 – 2003.

2. XAVIER, F. C. Seara dos Médiuns – ditado pelo Espírito Emmanuel – 22ª edição, FEB – cap. 43.

3. DENIS, Léon – No Invisível – 2ª reimpressão - FEB – Rio de Janeiro - Cap. 5 – Parte 1 - 2010.

06 novembro 2019

Os estranhos credores - Espiritistimo na Rede



OS ESTRANHOS CREDORES


Poucas vezes, tive ao meu lado entidade tão bela. Tratava-se da nobre Diana que, desde muito, segundo me informaram, se consagrara ao ministério de iluminação das almas cegas e infelizes.

Demorava-se longas semanas no abismo. Acendia luz evangélica entre gemidos e sombras. Ao contrário de muita gente evolvida, resistia, heroica, ao peso da atmosfera baixa e espessa.

Inúmeros criminosos impenitentes rendiam-se-lhe à palavra persuasiva e maternal. Jamais falava como quem reprova condenando, mas como quem esclarece amando, em nome de Deus.

Certo dia, visitou-nos o grupo em elevada tarefa. Ouvi-a dissertar sobre grandes teses humanas, deslumbrando-me com a sabedoria que lhe vibrava em cada definição.

O que mais impressionava, contudo, em sua venerável figura feminina, era a luz que a rodeava inteiramente. Parecia viver num ambiente maravilhoso, exclusivamente seu, tão sublime era o halo radioso que a circundava, isolando-a das influências exteriores.

Asseverou-me um amigo que a abnegada mensageira possuía direito indiscutível para desfrutar semelhante situação, não só por trabalhar em círculos de criaturas positivamente inferiores a ela, como também porque vencera, em si mesma, as deficiências mais rudes da condição animal.

Alma divina, Diana reunia a beleza e a bondade, a ciência e a expressão.

Quando terminou a palestra encantadora que a trouxera ao nosso núcleo de serviço, aproximei-me, curioso e enlevado. Outros companheiros imitaram-me o gesto.

A singular posição luminosa daquela mulher arrebatava-nos o espírito. A emissária, no entanto, muito simples, parecia desconhecer a própria elevação. Sorria fraternalmente e comentava os problemas terrestres, como se estivesse ainda envolta na roupagem carnal. Soberano entendimento de todas as coisas lhe transparecia das mínimas expressões.

Emocionado, em lhe observando a renúncia a favor das almas embrutecidas, indaguei do porquê de seu sacrifício, retendo-lhe as respostas surpreendentes.

— Sim, meu amigo — respondeu sem afetação —, num impulso espontâneo de minha própria consciência, ofereci cinquenta anos de trabalho aos nossos irmãos das zonas mais baixas da vida e não me envergonho de explicar-lhe a razão de meu gesto.

E sorridente, ante o interesse geral, prosseguiu delicada:

— Não sei se conhecem as extremas dificuldades do Espírito para alijar as vestes animalizadas do sentimento.

Sorrimos, de modo significativo, dando-lhe a entender a nossa inferioridade.

— Pois bem — continuou a embaixatriz da caridade e da sabedoria —, confesso que pertenci à classe das piores mulheres que já existiram nos círculos do Planeta. O ciúme, o egoísmo e a vaidade eram o meu trio de verdugos cruéis.

Voltei à carne, numerosas vezes. Somente para atacar o ciúme fulminante, recebi a oportunidade de nove existências sucessivas, sem resultado eficiente. Para combater o egoísmo e a vaidade, regressei ao corpo físico muitas vezes, falhando nas mais insignificantes promessas.

Sempre a recapitulação do movimento vicioso. Envenenava meu companheiro pelo ciúme, destruía o lar pelo egoísmo e perdia os filhos, através da vaidade. Amigos desvelados seguiam-me, carinhosos, de Esferas mais altas, estendendo-me braços fraternais; entretanto, fracassei, de modo invariável. Valia-me da bênção do esquecimento na reencarnação, para perpetrar novos erros e espezinhar as sagradas leis. O tempo, contudo, ia passando, implacável, e os meus antigos benfeitores espirituais se foram distanciando, elevados a regiões menos densas. Despediam-se, afetuosos, estimulando-me ao desempenho dos deveres cristãos, permanecendo, assim, relegada a mim mesma, entre problemas inquietantes e complicados.

Por fim, o esposo amigo, sócio abençoado de experiências e empresas inúmeras, foi convocado a Esfera superior, em virtude dos méritos adquiridos, e, dos Espíritos amados que me foram pais e filhos, em várias estações evolutivas, não existia nenhum ao lado de minha pequenez. Quando me vi irremediavelmente sozinha, experimentei intraduzível pavor e amargoso desânimo. Abandonei-me, então, a propósitos menos dignos, demorando-me nos recantos abismais qual trapo inútil, embora consciente, vencida pelo trio nefasto. Muitos anos partilhei o desencanto da soledade quase absoluta.

Dia houve, no entanto, em que fui visitada por nobre missionária do bem, que me contou, carinhosamente, o romance que lhe dizia respeito. Estivera em minha posição degradante, mas superara os obstáculos, utilizando o concurso de entidades infelizes. Depois de aventuras extravagantes, no curso das quais fora invariavelmente derrotada, voltou à Terra, na qualidade de mãe de filhos monstruosos, e tão rijos lhe foram os testemunhos de abnegação que chegou ao admirável triunfo sobre a tríade tenebrosa, dominando o ciúme, o egoísmo e a vaidade no decurso de setenta anos de sacrifício incessante. Aconselhou-me, assim, a visitar as furnas do sofrimento purgatorial e a rogar a colaboração dos dirigentes daqueles que estacionam nas províncias da angústia, candidatando-me à maternidade dolorosa na Terra. Aceitei o alvitre, jubilosa.

Que representavam setenta anos de esforço e paciência para conseguir uma realização que me escapara durante milênios? A prestimosa amiga conduziu-me às retaguardas das trevas e, horrorizada, percebi a existência de infortunados irmãos nossos, em estágios longos de loucura, cegueira e deformação. Agitavam-se em torvelinho de padecimentos indescritíveis. Acovardei-me ante o quadro triste, mas a piedosa mensageira que me custodiava reanimou-me e, afinal, solicitei a concessão. Quando meu fervor se exteriorizou em lágrimas de esperança, fez-se visível um dos vigilantes da atormentada região, acolhendo-me a súplica. Aceitar-me-ia o compromisso e designou-me quatro crianças monstruosas que me caberia adotar. Reunir-se-iam à minh'alma, dentro de algum tempo, nos círculos carnais. Foi assim que, entre o pavor e a ansiedade, regressei ao renascimento terrestre. Vi-me, desde cedo, em condições dolorosas e precárias. Nos rudimentos da infância, observei que meu corpo estava em formal desacordo com os meus sentimentos íntimos. A princípio, vigorosa rebeldia dominou-me o coração, mas fui lavando as manchas da revolta com lágrimas benfazejas e, porque a orfandade me colhera nos primeiros anos, fui compelida a desposar um homem terrivelmente disforme, que me impôs quatro filhos desventurados. Logo após o nascimento do último deles, meu infeliz esposo, companheiro de quedas noutra época, veio a desencarnar, legando-me pobreza e viuvez irremediáveis.

Tentei a conquista do trabalho digno; entretanto, o infortúnio dos filhos não mo permitiu. Um era cego, outro leproso e dois aleijados. Muita vez, a vaidade me inclinou à prostituição, mas o instinto de mãe não me separava dos filhinhos e toda gente me evitava a presença com manifesta repugnância. O egoísmo procurou vendar-me os olhos, sugerindo os enjeitasse; contudo, a maternidade sofredora me ajudava a vencer no combate do coração. O ciúme alvitrava o desespero e o crime, mormente quando surgiam as mães tranquilas e afortunadas, ao meu olhar; todavia, o beijo de minhas pobres crianças atormentadas convidava-me à gratidão pela caridade pública, à humildade e ao entendimento. Nunca tive pouso certo, como nunca dispus de parentes que me solucionassem as necessidades.

Vagueei mendigando nos caminhos, errando sem direção, invariavelmente acompanhada pelos quatro meninos desditosos, que se transformaram em sentenciados adultos, cheios de necessidades. Ambos os aleijados partiram mais cedo para o sepulcro, o leproso desencarnou algum tempo depois e o cego andou comigo, por mais de quarenta anos. Suportei sede, fome, privações e conheci de perto a enfermidade e a aflição, com os filhos amargurados, agonizantes ou insepultos… Ao completar, porém, os setenta anos, achava-me liberta do trio maldito. A morte surpreendeu-me totalmente renovada e, com as bênçãos divinas, pude entoar o meu cântico de vitória.

Silenciou a nobre Diana, sob a nossa viva emoção. A sublime narrativa revelava nova interpretação da luta terrestre.

Ante a quietude que nos assaltara, concluiu a mensageira do bem, com vibrante expressão:

— Segundo verificam, sou devedora insolvável para com os nossos irmãos do purgatório escuro. Em companhia deles, na reencarnação terrestre, aprendi lições que muitos séculos de aprendizado pacífico não me puderam ensinar, à vista de minha rebeldia e viciação. E tão grande é a minha alegria e tão bela a minha noção de vitória individual que, se rastejasse nas trevas, por alguns milênios, a fim de servi-los, não lhes pagaria, em hipótese alguma, quanto lhes fiquei a dever para a eternidade.


Irmão X
Redação do Blog Espiritismo Na Rede baseado no livro Pontos e contos, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

05 novembro 2019

Desafios existenciais - Divaldo P.Franco



DESAFIOS EXISTENCIAIS


O maior desafio da existência física é o bem viver.


A maioria das pessoas permanece sempre preocupada em viver bem, isto é: ser detentora de coisas, como uma residência confortável com piscina e espaço para recreação; um automóvel de preferência importado; um novo celular, equivale dizer, o mais recente; situação agradável na vida social; destaque e poder… Para consegui-lo, investe todos os esforços, mesmo aqueles que não são éticos, porque os seus são direitos inalienáveis, e quando algo acontece com características desagradáveis, logo, aborrecendo-se, interroga: Por que eu?


Nunca se preocupando em formular a pergunta em razão das ambiciosas situações de destaque, de imediato precipita-se no rumo do desgosto ou da revolta.

Seria o caso, entretanto, de inquirir de maneira quase igual, indagando-se: Por que não eu?

Todos fazemos parte do organismo social em processo de evolução, sujeitos às mesmas ocorrências nos mais diferentes estágios vivenciais.


A imaturidade psicológica e o egoísmo que predominam na coletividade humana são os responsáveis pelos comportamentos esdrúxulos e especiais que cada um deseja permitir-se, sem facultar aos demais as mesmas condições.

Manter a existência em clima de bem-estar constitui grave questão que exige esforço mental, moral e físico.


Vivemos em uma sociedade imediatista cuja formação espiritual é baseada em interesses do próprio indivíduo, que se não dá conta dos deveres para com o próximo e a Natureza. Em consequência, as suas são aspirações relativamente mesquinhas, porque destituídas de valores que engrandecem a vida.


Na atualidade, quando a violência toma corpo em cada atitude e as paixões de baixo nível são cultivadas com empenho, o ser humano perde o sentido existencial e desnorteia-se.


As aspirações do bom, do bem e do belo cedem lugar ao individualismo perverso, ao consumismo alucinado e ao exibicionismo que aliena.

Cada qual pensa em sobreviver de qualquer forma e o seu próximo é, sem dúvida, um inimigo em potencial.


O excesso de tecnologia desvaloriza o esforço pessoal nos relacionamentos e somente se pensa em aproveitar a oportunidade para fruir prazer, apesar da insegurança pessoal e do medo subsequente.


As várias expressões filosóficas, inclusive as pessimistas, abraçando o materialismo, reduziram o indivíduo à condição de fruto do acaso e ele somente deseja viver bem, mesmo que, momentaneamente.


É indispensável que se faça uma revolução espiritual urgente em busca de sentido moral e se terá como objetivo bem viver, isto é: respeitar a vida e torná-la ditosa sob a luz meridiana do amor conforme Jesus nos apresentou e viveu.


Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, 19 de setembro 2019.

04 novembro 2019

Não te detenhas - Joanna de Ângelis



NÃO TE DETENHAS


A calúnia afetou o teu comportamento, desanimando-te, porque lhe deste ouvidos.

A maledicência causou-te danos, porque lhe permitiste consideração.

A perturbação alcançou os teus ideais, porque fizeste uma pausa para conceder-lhe cidadania.

O ódio te macerou, porque o agasalhaste no amor próprio ferido.

A disputa desgostou-te o trabalho, porque te permitiste engalfinhar na peleja imprópria.

A dúvida se estabeleceu em teus painéis mentais, porque paraste na ação, perdendo tempo de alto valor.

Os acusadores estão sempre em faixa inferior de vibração.


Concedeste-lhes atenção demasiada, esperando que a opinião geral fosse a teu favor e descuraste de auscultar a opinião de Deus.

Se trabalhas no bem e te acusam;
se és generoso e te denominam estróina;
se és humilde e te chamam parvo;
se és disciplinado e te apontam como rigoroso;
se és cumpridor dos deveres e te execram por isso;
se insistes na prece e na ação evangélica, e te menosprezam, está é a opinião dos ociosos e dos ficais da vida alheia, no entanto, não é o conceito que de ti faz o Pai de Misericórdia.

Não te detenhas.

Não te deixes afligir pelas opiniões desencontradas que te chegam, gerando sombra ou tumulto..


Acata as sugestões que conclamam à ordem, que inspiram a paz e fomentam o progresso, sem extravagância nem acusação.

Sempre houve e haverá aqueles que produzem e aqueloutros que apenas opinam, acusam e perseguem.


Todos passam, mas a obra dos realizadores permanece, desafiadora, tempos a fora, felicitando as vidas em nome do Bem.


Joanna de Ângelis
Médium: Divaldo P. Franco
Livro: Viver é Amar