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14 dezembro 2020

Vida e Imortalidade - Joanna de Ângelis

 
VIDA E IMORTALIDADE

O Universo é um ser vivo que se expande e se contrai ao impacto de forças inimagináveis num continuum infinito.

Tudo quanto se movimenta traduz ação, portanto, vida imanente em desenvolvimento.

Eis porque a vida se encontra em toda parte demonstrando ser incoercível.

Desde as expressões vibratórias mais primárias até as colossais, ei-la em crescimento e qualificação que transcendem a qualquer observação, por mais profunda que seja.

O ser humano encontra-se no pináculo da vida desde o momento que pode pensar e entender os desígnios que dizem respeito ao existir.

A partir dos primeiros ensaios moleculares até o estabelecimento equilibrado de todas as que dão forma e compreensão ao ser humano, a vida alcançou um dos mais harmônicos e belos estágios do processo de evolução.

A energia que reuniu os inumeráveis segmentos que se transformaram em órgãos até alcançar a arte de pensar, entender e cocriar, é, como definiram os Espíritos do Senhor, o princípio inteligente do Universo, conforme a resposta de número 23 de O livro dos Espíritos.

Esse princípio, portanto, representa a fase inicial da experiência criadora que jamais cessará de desenvolver os inconcebíveis conteúdos que lhe jazem em potência gigantesca.

A vida humana, pois, é bênção que o ser alcança no seu processo de evolução, por meio de mutações, de atividades incessantes para alcançar a plenitude, nessa viagem descomunal da imortalidade.

Nada perece, pois que tudo se encontra em movimento, mesmo que não perceptível, rumando em direção do finalismo que lhe está destinado, e deve ser alcançado a esforço pessoal, o que representa, no conceito do Evangelho de Jesus, a conquista do Reino dos Céus.

Assim sendo, não existe a morte, a destruição, no que diz respeito ao aniquilamento, mas sim, contínuas transformações dentro de um esquema adrede traçado, no qual a presença do que se denomina caos faz parte do processo.

Os sentidos físicos são muito pobres para perceberem a grandeza e majestade do fenômeno a que se chama vida, especialmente a de natureza humana, que desafia os seus mais cuidadosos investigadores, em razão da sua complexidade infinitamente sutil - o Espírito; semimaterial – o perispírito, e o corpo material, em uma interpenetração energética de grande intensidade.

Quando a organização física deixa de receber a força mantenedora que vem do Espírito, dá-se o afrouxamento dos liames perispirituais e a separação do princípio inteligente. Esse fenômeno, a morte, é uma fase para a restruturação dos valores do Espírito durante a vilegiatura material.

Retorna às origens, envolto no invólucro perispiritual, no qual estão impressas as ondas vibratórias do comportamento moral que o capacitam ao acesso de patamar superior ou repetição da experiência por intermédio de nova investidura carnal.

A libertação da roupagem celular dá lugar a consequências compatíveis com as qualidades morais de que se fez utilitário o Espírito imortal.

Morrer constitui a separação dos invólucros materiais e a desencarnação quando há a separação dos despojos em processo de transformação na química inorgânica da Natureza ou dos fatores que produziram o fenômeno, libertando o Espírito.

Assim sendo, morte é transferência de vibração ou de onda nas quais se movimentam os seres.

Cada qual vive no campo energético a que faz jus, o que a felicidade ou desdita.

Essa a razão pela qual a vida exige uma ética para ser experienciada por todos os indivíduos.

*

O desenvolvimento intelecto-moral do Espírito ocorre por meio de etapas terrenas e espirituais, quando aprende a compreender a realidade da vida.

Por essa razão, as Leis que regem o Universo estabelecem códigos e programas que facultam a aprendizagem e desenvolvem os potenciais divinos que se encontram adormecidos no cerne da energia vital.

Quando esses códigos são vivenciados dentro dos padrões estabelecidos, novos desafios surgem e abrem horizontes mais amplos que proporcionam bem-estar e estímulo para a continuação do processo.

No sentido oposto, quando não se valorizam as lições existenciais, permanece-se nas faixas primevas entre os instintos agressivos e as possibilidades emocionais não utilizadas.

A reencarnação é o recurso precioso que a Vida oferece a todos que rumam na busca da plenitude.

Primordial, a Lei de Amor é a base de todas as demais, por ensejar a ampliação do conhecimento e controle das manifestações ambientais e sociais que servem de escola para a conquista de si mesmo, já que é do interior que partem os impulsos e as emoções.

Essas Leis sustentam a do Progresso, que favorece com a de Justiça, do Trabalho, de Solidariedade, de Perdão, de Destruição...

Periodicamente, o aprendiz deste educandário, que é a Terra, é chamado a prestar contas dos recursos que lhe foram confiados e de como foram ou não aplicados devidamente.

Trata-se da morte, transferência de onda existencial, a fim de serem conferidas as atividades a que cada qual esteve submetido.

Todos os seres vivos periodicamente experimentam essa inevitável transformação, que é uma etapa da Imortalidade.

É natural que, durante a sua ocorrência, aqueles que se encontram no convívio carnal experimentem a ausência das afeições que se fizeram estabelecer mediante a estrutura da afetividade, na família, na convivência social e espiritual...

Essa saudade, que fere os sentimentos, pode e deve ser superada ante a certeza do reencontro que se dará oportunamente, quando da partida de quem ficou e agora segue ao Mais Além.

Não te deixes abater ou retirar o teu sentido existencial quando alguém amado for convidado a retornar antes.

Prossegue amando e recordando os momentos felizes que viveste ao seu lado e faze o bem em sua memória, maneira eficaz de demonstrar-lhe a gratidão pelas dádivas que foram fruídas ao seu lado.

A morte é inevitável experiência para a conquista da perenidade.

Não a lamentes nem a louves.

Respeita-a e prepara-te para o teu momento.

Mesmo Jesus, o Divino Construtor do planeta, utilizou-se de um corpo tangível para depois experimentar o fenômeno da morte e ressurgir em gloriosa forma de luz.

...Enquanto isso, ama e opera no bem crescendo para Deus.

Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica de 27 de agosto de 2020


13 dezembro 2020

Na seara do bem - Rogério Coelho


NA SEARA DO BEM

A indulgência atrai, acalma, ergue, suaviza as agruras da vida “Dentre as muitas formas de amparar sem apoio argentário, falar para o bem é uma delas.” – Emmanuel

Infinito em tudo Deus também o é em Seu amor por todos nós…

João, o Evangelista, regista a Lei das leis: (1) “se Deus de tal forma nos amou, devemos nós também amar-nos uns aos outros.” Nesta última frase: “amar-nos uns aos outros”, vemos uma estrada de mão dupla, duas direções: amar e ser amado.

A humanidade está carente de amor, daí tantas misérias, despautérios, tristezas e tragédias geradas no atual frenético burburinho social. O egoísmo entronizado, ganhando títulos de cidadania, fomenta a cizânia e o desgoverno moral, estabelecendo o doloroso “status-quo” vigente… Em tal seara o amor não viceja por falta de elementos vitalizadores. Torna-se necessário alterar este quadro de dores dantescas do proscênio terrestre e levantar os olhos para o Infinito, abarcando a grandeza da Criação e o nosso alcandorado, mas ainda longínquo destino de paz e perfeição…

Uma das primeiras atitudes para retomarmos o caminho certo é erradicar o mal, dosar de forma mais abundante nosso conteúdo de indulgência e vigiar nossas palavras, alcançando a compreensão do célebre e inolvidável “Vidente de Damasco” que nos alertou: “seja a vossa palavra sempre voltada para a edificação.”

Jesus afirmou que “a boca fala do que está cheio o coração”. Assim, ao vestirmos o nosso pensamento com as palavras articuladas estamos exibindo a todos uma espécie de “raio X” do que vai em nossa intimidade. Portanto, como aconselhou Sócrates, antes de tornar conhecido qualquer pensamento nosso pela fala, passemo-lo em três filtros: 1 – É bom? 2 – É verdade? 3 – É útil? Assim, deixemos no silêncio quaisquer pensamentos presos nesses filtros.

Nosso querido Amigo Espiritual, José Grosso, diz que é de toda conveniência instalarmos “um interruptor na língua”.

Emmanuel, no livro “Mais perto”, psicografado por Chico Xavier, elucida: “(…) devemos atentar para o tesouro das boas palavras que transportamos conosco. Basta ligar os dispositivos da memória e o verbo edificante se nos derramará da boca, à feição de torrente de luz”.

Um Espírito Protetor chamado José, oferece-nos ricos subsídios para a pauta de nossas ações e palavras na vida de relação, afirmando (2): “(…) a indulgência jamais se ocupa com os maus atos de outrem, a menos que seja para prestar um serviço; mas, mesmo neste caso, tem o cuidado de atenuá-los tanto quanto possível. Não faz observações chocantes, não tem nos lábios censuras; apenas conselhos e, as mais das vezes velados. Sede pois, severos convosco mesmos, indulgentes para com os outros. A indulgência atrai, acalma, ergue, suaviza as agruras da vida. Ela substitui a cólera que conspurca pelo amor que purifica.”

É ainda nesse livro que aprendemos a Lei Maior: “amar-nos uns aos outros e fazer aos outros o que queríamos que nos fizessem eles.” Aí toda a religião, toda a moral se acham encerradas. Em decorrência disso não haveria mais ódios.

A sublimidade da Doutrina Cristã repousa no fato de que elege o direito do próximo como base no nosso próprio direito, não havendo, pois, duas medidas nos critérios Divinos.

A caridade moral que todos podemos praticar nada custa materialmente, porém é a mais difícil de exercer-se. Ela consiste em nos suportarmos uns aos outros e é o que menos fazemos.

Emmanuel nos conclama a ajudar aos que ajudam em benefício do próximo, criando o clima de otimismo e da esperança indispensável à sustentação da alegria e da paz.

O dever retamente cumprido é também uma forma de “falar”. E útil será também jamais pronunciar a frase de pessimismo ou desencanto, desaprovação ou amargura…

A dificuldade estará presente, mas se forjarmos confiança na força espiritual que nos é característica, de modo a transpô-la ou desfazê-la, conseguiremos liquidá-la muito mais facilmente, vez que estaremos mobilizando o poder da cooperação.

Não desencorajes, seja a quem seja… Feridas reviradas agravam o sofrimento. Erros comentados estendem a sombra. Cada consciência é um mundo por si, com obstáculos e problemas próprios. Todos nós temos qualidades nobres que acumulamos e imperfeições das quais nos devemos desvencilhar.

Lembremo-nos do auxílio que podemos aditar ao auxílio para o bem dos semelhantes. Portanto, se nos propomos a colaborar, na edificação do Reino de Deus, comecemos pela caridade silenciosa de não complicar e nem desanimar ninguém… Ouçamos a todos, trabalhando e trabalhando; respondamos a tudo, servindo e servindo; colaboremos com nossos irmãos, amando e amando; confiemos no Mais Alto, esperando e esperando…

Segundo informação dos Espíritos Amigos, “a caridade é a âncora de salvação em todos os Orbes existentes no Universo.”

Comecemos pela caridade das boas palavras, imbuídos do axioma paulino de que toda palavra deve servir tão somente para a edificação.

Rogério Coelho

Referências:

(1) I Jo., 4:11;
(2) KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 129.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2009, cap. X, item 16.

12 dezembro 2020

Suicídio: os extremos da vida na visão do Direito e do Sagrado - Leonardo Vizeu


SUICÍDIO: OS EXTREMOS DA VIDA NA VISÃO DO DIREITO SAGRADO

Tema extremamente sensível para a humanidade reside no ato de por termo a própria vida. Suicídio traduz-se no ato intencional de matar a si próprio. Para o direito, não há como se punir o suicida, por confusão processual, uma vez que a mesma pessoa não pode ser autor e réu no mesmo ato. Todavia, algumas legislações comparadas tratam a tentativa de suicídio e seu respectivo autor como um ato criminoso. No Brasil, o que é objeto de tipificação são as condutas de auxílio, instigação e indução ao suicídio, a teor do art. 122 do Código Penal. Suas causas são objeto de debate e discussão nas academias científicas, filosóficas e religiosas. Sua legitimação moral é extremamente questionável e altamente variável, a depender da cultura e da época analisadas.

No Japão feudal, o código de honra dos samurais, conhecido como bushido, admitia uma cerimônia capital, denominada seppuku, mais conhecida como harakiri, como forma de expiar um fracasso, de protesto ou, ainda, como pena de morte frente à desonra. Nas religiões abraâmicas e em suas respectivas ramificações, o suicídio é visto como uma ofensa contra Deus, face à sacralização da vida como um dom ofertado pela divindade.

Na Idade Média, a Igreja Católica Romana condenava o suicídio, e, para desestimular o ato, os autocídas ficavam insepultos e expostos ao ar livre para serem devorados por feras e aves necrófagas. Para a maioria das escolas filosóficas cristãs, o suicídio é um pecado capital. Influentes pensadores canônicos, como Agostinho e Tomás de Aquino consideraram o suicídio como um ato atentatório as Leis de Deus. Baseados no mandamento maior “Não matarás”, aplicado no âmbito do Novo Testamento por Jesus em Mateus XIX:18, bem como na ideia de que a vida é um dom dado por Deus que não deve ser desprezada, afirmaram que o suicídio é contra a ordem natural e, portanto, contra a vontade de Deus.

A Bíblia menciona seis pessoas específicas que cometeram suicídio: Abimeleque (Juízes IX:54), Saul (I Samuel XXI:4), o escudeiro de Saul (I Samuel XXXI:4-6), Aitofel (II Samuel XVII:23), Zinri (I Reis XVI:18) e Judas (Mateus XXVII:5). Cinco deles eram homens pecadores e perversos, porém não se sabe o suficiente sobre o escudeiro de Saul para fazer um julgamento a respeito de seu caráter. Para a doutrina espírita, não há determinismos, tampouco penas e sofrimentos perpétuos. A alma de um suicida é sofredora, mas passível de auxílio e resgate. Deus não desampara nenhum de seus filhos, não importa a gravidade de suas faltas. Para as almas que colocaram termo a própria vida, a literatura espírita ensina que existe um local apropriado na psicosfera de nosso planeta, denominado Vale dos Suicidas. Lá, fica um hospital colônia, conhecido como Legião dos Servos de Maria, dirigido por Maria Mãe de Jesus, que cuida de toda a assistência de que necessitam.

O Vale dos Suicidas é descrito, com riqueza de detalhes, em uma obra escrita pelos espíritos Camilo Castelo Branco e Léon Denis, trazida a lume pela psicografia de Yvone do Amaral Pereira, Memórias de um Suicida. Considerada com um dos melhores livros espíritas de todos os tempos e um marco na bibliografia mediúnica brasileira, é o melhor exame sobre o suicídio, do ponto de vista doutrinário espírita. (1) Constitui-se num libelo contra o suicídio, descrevendo em sua primeira parte, os sofrimentos experimentados pelos que atentaram contra a própria vida.

Na segunda e na terceira partes, explica os trabalhos de assistência e de preparação para uma nova encarnação. Conforme nos ensina o Espírito da Verdade, no Livro dos Espíritos, questões 943 e seguintes, todo o ato extremo atentatório à vida, traduz-se em loucura temporária e mera protelação às provas e lutas que nos são reservadas. (2)

Leonardo Vizeu
Fonte:
Correio Espírita


Referências:
 
(1)  Memórias de um Suicida (Rio de Janeiro: FEB, 1955. 568p.).

(2) Biblia on line. https://www.bibliaonline.com.br/ consulta realizada em 02.03.2016, às 14:00 horas
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11 dezembro 2020

Envelhecer com sabedoria - Momento Espírita

 
 
ENVELHECER COM SABEDORIA

Helena teve cinco filhos. Foi mãe muito jovem. Passou boa parte da vida cuidando das suas crianças, que tão rapidamente tornaram-se adultos.

Agora eram os netos que enchiam a casa de risos e correria.

Um dia, quando os afazeres já não eram tão numerosos e o tempo parecia passar mais lentamente, ela viu-se diante do espelho da sala.

Deteve-se.

Deus do céu!

Quem era aquela velhota que estava no reflexo do espelho?

Ou melhor, onde fora parar a jovem mulher que ela ainda sentia existir em sua intimidade?

Estaria aprisionada em uma carcaça envelhecida?

Como era possível isso?

Cobriu a face com as mãos e sentiu a pele enrugada.

Mexeu nos cabelos e procurou encontrar fios negros.

Tarefa difícil.

Restavam tão poucos.

As mãos também não pareciam mais com aquelas mãos operosas que tanto produziram ao longo da vida.

Ora, ora!

Então era isso!

Distraída em viver, ela não havia se dado conta que os anos haviam passado rapidamente.

Marcaram seu corpo, alteraram sua fisionomia.

Seu fôlego já não era mais o mesmo.

Nem seus movimentos que, antes ágeis, agora eram imprecisos e lentos.

Mas enquanto observava a transformação ocorrida, helena percebeu que o brilho de seus olhos permanecia igual.

Reconhecia em seu olhar o mesmo olhar de seu passado.

As vivências transformaram a jovem que ela fora em uma mulher muito mais sábia.

Seu corpo não era mais tão vigoroso, mas sua alma era muito mais forte do que havia sido antes.

O mesmo tempo que lhe trouxera rugas havia lhe oferecido experiência.

Ontem, jovem e bela, impetuosa e impaciente.

Hoje, madura e envelhecida, tolerante e compreensiva.

Helena olhou-se e sorriu.

Adoraria ter a pele um pouco mais lisa, mas sabia que não era isso que a faria feliz.

Sabia que a decadência do corpo não representava prejuízo algum a sua alma vibrante e disposta.

As marcas que o tempo fizera em seu corpo eram apenas para sinalizar o passar dos dias e as constantes mudanças da vida.

Vida essa que não se acaba nunca, nem mesmo quando os corpos envelhecidos deixam de funcionar.

Helena sentiu o coração encher-se de alegria.

“Melhor do que nunca!” – disse para si mesma – “a cada dia que passa eu me sinto melhor do que nunca!”

Celebre a vida todos os dias.

Celebre o fato de dispor de um corpo, seja ele jovem ou não, que lhe possibilita mais essa experiência na Terra.

Agradeça ao Criador pela dádiva da existência.

Aproveite seus minutos, seus dias, sua vida.

Aproveitar, no entanto, não significa exaurir as forças vitais pelos excessos de toda a ordem.

Aproveitar quer dizer, em verdade, fazer bom uso, dar utilidade.

O corpo físico, invólucro perecível de nossas almas imortais, deve ser tratado com o zelo que garanta sua utilização adequada.

Mas sem neuroses ou preocupações descabidas, mesmo quando a juventude for apenas a lembrança de mais uma etapa superada.

Envelhecer de forma sábia é reflexo de se viver bem.

Pense nisso, e viva com sabedoria.

Momento Espírita
Texto extraido do site Momento Espírita
 

10 dezembro 2020

A renovação exige coragem e perseverança - Leda Maria Flaborea

 
A RENOVAÇÃO EXIGE CORAGEM E PERSEVERANÇA

O trabalho de renovação das disposições íntimas vai exigir, de todo aquele que se proponha executá-lo, perseverança e determinação. Perseverança, por causa da necessidade da repetição contínua e sistemática na correção do desvio feito nos caminhos da existência, e determinação, para que não se abandone o comprometimento com essa nova atitude.

As ideias fantasiosas que temos sobre renovação deixam-nos manietados a outros erros, e iludidos na certeza de que a estamos realizando. Quase sempre, por desconhecimento, apenas trocamos o nome, o rótulo de antigos enganos, que insistimos em manter – nos apraz tal situação –, distorcendo o verdadeiro significado de tal fato. Esse engano, parece-nos, está ligado à noção equivocada de que estamos, realmente, comprometidos com a mudança e que a estamos realizando. Mas a verdade é que, se observarmos nossa conduta, poderemos perceber, muitas vezes, que insistimos em cometer os mesmos erros, fazendo as mesmas escolhas e guardando a certeza de que já havíamos superado essa fase.

Todavia, a consciência dessa repetência permitirá que nos coloquemos em alerta, porque nos permitirá saber que, ainda, estamos no início da caminhada e distantes dessa superação. As situações, nas quais somos chamados a dar testemunho daquilo que já aprendemos – e quase sempre supomos que já o fizemos –, constituem-se em excelentes vitrines para essas observações. São armadilhas que surgem para que nos testemos, para que tenhamos um parâmetro da nossa evolução, para que possamos medir o quanto, ainda, a paciência, a tolerância com as diferenças, o entendimento fraterno a quem nos agride, a capacidade de perdoar e esquecer e tantos outros, que imaginávamos já dominar, estão longe do ideal da prática amorosa que Jesus nos ensinou.

São decepções que infligimos a nós mesmos e que sacodem a nossa acomodação, no pouco que fizemos, mas que supomos ser muito. É importante lembrar aqui que qualquer avanço na senda do progresso é louvável e, às vezes, requer muito esforço de quem o executa. O que não pode ocorrer é a estagnação desse movimento renovador, com a justificativa de que muito já foi feito. Isso nos desequilibra e nos adoece física e emocionalmente, permitindo que, inúmeras vezes, sejamos alvos fáceis de aproximação de outras mentes em desalinho, sejam elas encarnadas ou desencarnadas.

Por essa razão, a superação de sentimentos inferiores, sob o ponto de vista de Jesus, como os de revide, vingança, vaidade, personalismo, por exemplo – expressões do egoísmo na vida de relação –, é de vital importância para a recuperação e manutenção do equilíbrio e da harmonia no âmbito da vida íntima. É essa condição que nos permitirá não sermos feridos pelas correntes aflitivas e conflitantes que nos cercam, proporcionando um outro olhar sobre essas armadilhas, um olhar com objetividade, dando a cada situação o justo peso de importância.

Para que isso ocorra, faz-se mister buscar conhecer nossos sentimentos – raiz de nossas escolhas –, dimensioná-los, estabelecendo prioridades para serem trabalhadas, com foco nas suas transformações, partindo do mais simples e, portanto, do mais fácil – aquele mais imediato, mais próximo, que está mais claro para nós – para o mais complexo e mais difícil. O mais importante nesse processo, em última análise, é ter a coragem de identificar esses sentimentos malsãos, iniciar a tarefa de renovação e, depois, permanecer nesse caminho. Passeando entre a luz e a sombra, a razão e a emoção, nunca acertaremos a rota se não nos comprometermos com a mudança e perseverar nela, mesmo que se tenha de refazer os passos mil vezes.

Muitos de nós creem que somente a fé em Deus seja suficiente para que essas mudanças ocorram. Entretanto, a proposta de renovação, que Jesus nos convida a realizar, transcende a simples fé divina. Ela vai além e toca na essência do Espírito, na vontade genuína de realizá-la. Daí, a presença dessas duas forças transformadoras em nós: a fé humana e a fé divina, porque, ainda que se aceite a soberana presença de Deus em nossa vida; ainda que a fé nos leve a adorá-lo em Espírito e Verdade; ainda que a Natureza O revele através das belezas que nos cercam, se não O sentirmos e mostrarmos ao mundo, através de nossas atitudes, nada terá sentido.

Aceitar a Sua presença e não vê-lo no próximo é cegueira mental; adorá-lo em Espírito e Verdade e só colocá-lo em altares terrenos é diminuir-Lhe a majestade; e vê-lo revelado em Suas obras e não entendê-lo é olhar-se no espelho e não reconhecê-lo em si mesmo.

É na busca dessa identidade com o Criador que reside nossa luta renovadora. “O Pai e eu somos um só”, disse Jesus, mostrando que somente pela superação de nós mesmos e da materialidade na qual insistimos em permanecer, seremos livres e nos reconheceremos, finalmente, como filhos de Deus.

Leda Maria Flaborea
Fonte:
Espiritismo na Rede


09 dezembro 2020

O Sofrimento - Divaldo Pereira Franco

 
O SOFRIMENTO
 
Na atualidade, talvez mais do que em outros períodos da sociedade, o sofrimento parece tomar parte em todos os atos e aspirações humanos, tornando-se um elemento de séria perturbação ao processo evolutivo.

Quando se começam a delinear os traços básicos de qualquer planejamento, pensa-se a respeito do sofrimento que advirá da audaciosa realização e gasta-se muito tempo nas tentativas de anular-lhe a presença. Não acostumado aos investimentos novos e às suas exigências, o candidato às mudanças, que devem acontecer, espera imediata adesão das demais pessoas, o que não ocorre, e sofre com as reações que se apresentam, mesmo antes de serem postos em prática os primeiros projetos. O mesmo ocorre com os idealistas acostumados às lutas ante o impositivo do progresso e das construções contínuas do conhecimento.

O caráter da maioria das pessoas, inseguro e atado a valores de perturbação, parece armado contra tudo que é novo e que sacode a preguiça ou a vaidade maldisfarçada, em que se refugia para nada fazer de bem...

Siddharta Gautama, o Buda, foi um dos primeiros pensadores a deter-se no estudo desse comportamento, criando as quatro regras de ouro, que constituem alicerce filosófico da sua doutrina.

Tudo é sofrimento, afirma o apóstolo da busca interior para a felicidade. O sofrimento que deflui do sofrimento, que são as consequências não superadas das aflições que se padece no transcorrer da existência; as causas do sofrimento, as razões que dão força para a luta e, por fim, como libertar-se do sofrimento, caminho que leva à cessação do sofrimento.

Toda a Doutrina de Jesus, o Mártir da Cruz, é o esforço para superar ou evitar o sofrimento mediante as ações beneméritas do Amor em todas as suas expressões.

Porque a criatura humana prefere o prazer, o agradável das sensações, mesmo que perniciosas, o sofrimento é a consequência inevitável da escolha e se instala até quando se resolve por trilhar o caminho que conduz à sua cessação. Esse esforço é ingente e penoso, e ninguém logra o bem-estar, a plenitude existencial, sem o contributo do sofrimento gerador do sofrimento.

Buda propõe oito regras de retidão para evitar-se o sofrimento, denominadas Nobre Caminho Óctuplo: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta.

Jesus sintetizou todas as diretrizes que impedem a presença do sofrimento ou a libertação dele através do amor, que responde por todas as necessidades existentes e se fortalece na execução do programa da verdade e da vida. ...E o Espiritismo completa informando que se trata da Lei de Causa e Efeito, decorrência de tudo quanto se faz.

Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 12.11.2020.

08 dezembro 2020

A Necessidade Maior - Antônio Carlos Navarro

 
A NECESSIDADE MAIOR

Ao atingir o Reino Hominal, o Espírito tem latente em si toda a força dos instintos, desenvolvidos ao longo de sua trajetória pelo reino da animalidade inferior.

Preponderando os instintos de sobrevivência e de manutenção da espécie, a sua preocupação maior é comer, beber, dormir e procriar, colocando em prática as devidas ações para que as coisas aconteçam no sentido de lhe satisfazer essas suas necessidades.

A medida que a inteligência se desenvolve, alargando seu raciocínio, uma segunda necessidade se lhe apresenta ao entendimento: assegurar-se quanto a satisfação de suas necessidades primárias.

Desenvolve, então, territórios físicos, sociais e psicológicos e a posse material, moradias mais seguras, e atividades que lhe garantam a permanência no patamar alcançado.

Mas o Espírito é um ser gregário, social, e por isso desenvolve necessidades relacionadas aos seus iguais, e a medida em que se envolve na sociedade humana, e por ela é envolvido, passa a sentir falta de afeto, amor, afeição, em sentido de duas mãos, ou seja dar e receber, sempre segundo seu amadurecimento. Esse é um terceiro estágio das necessidades humanas.

Percebe-se que este terceiro estágio se dá no campo da subjetividade, em contraposição às duas primeiras, embora estas possam se sobrepor devido ao domínio da viciação e da falta de confiança nos mecanismos da vida.

O próximo patamar é o de ser reconhecido em seus valores, ser estimado e respeitado por tudo o que é, realiza e representa. No entanto, se só exige para si e não retribui, é egoísta, e se já age da forma com que gostaria que agissem com ele, é generoso e em consequência admirado por sua postura humana.

Para o próximo e último estágio no entendimento de suas reais necessidades, que é o da auto realização enquanto ser humano, a distância será correspondente ao grau de consciência de quem ele é, de onde veio e para onde vai, e o que deve fazer enquanto ser pertencente ao mundo dos encarnados. As experiências vividas anteriormente, se bem aproveitadas, lhe darão maiores possibilidades de avanço rápido rumo a sua destinação.

A reflexão íntima, na análise de como se comporta em relação ao próximo, na busca pela identificação de seus valores menos felizes, que geram atitudes negativas e prejudiciais a si e a outrem, demonstrará avanço acelerado rumo à subjetividade maior, fazendo com o que é fisiológico se transforme tão somente em ferramentas para avançar mais e mais na escalada evolutiva.

Estamos todos, Espíritos que somos, em busca dessa subjetividade, e a Doutrina Espírita tem, em sua mensagem, todos os esclarecimentos necessários para que possamos entender, definitivamente, que somos seres espirituais em experiência corporal e não o contrário.

Convém, portanto, em analisando nossos valores, aptidões e tendências, observar atentamente quais são as necessidades que clamam pela nossa atenção e interesse em satisfazê-las, porque se fisiológicas e egóicas em primeiro lugar, mais animalizados estaremos, mas se subjetivas, mais próximas do Reino dos Céus, que outra coisa não é senão o Reino do Espírito, que é de onde viemos com a tarefa de nos prepararmos para lá nos estabelecermos em definitivo, quando atingirmos o grau maior de subjetividade representada pelo amor que Nosso Senhor Jesus Cristo pregou e exemplificou.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro
Fonte:
Kardec Rio Preto

07 dezembro 2020

Assistência Social e Espiritismo - Joanna de Ângelis



ASSISTÊNCIA SOCIAL E ESPIRITISMO

Diante das multidões esfaimadas, dos velhos ao desabrigo; das crianças socialmente abandonadas; dos doentes ao desamparo; da mendicância e da dor, contemplas através da telas da imaginação, a humanidade espírita cristã do futuro e antevês o tesouro da assistência social ao alcance de todos, oferecendo bênçãos e socorro em abundância....

Desejas, desde logo, antecipar essa Era de Paz, procurando erguer uma Instituição que possa expressar a realidade do amor em bases positivas com socorro e assistência aos aflitos da Terra. E pensas em Assistência Social, falas sobre Assistência Social realizas Assistência Social. Aqui como ali, tocados pelo entusiasmo, companheiros de lide espírita, levantam obras assistenciais respeitáveis, capazes de atender muito sofrimento e diminuir muitas dores.

O primeiro sinal da conversão ao Espiritismo para muitos é caracterizado pelas “mangas arregaçadas do paletó” no serviço de assistência social, objetivando o próximo combalido.

Impulso nobre, merece, no entanto, consideração e exame...

* * *

A dor que tumultua o coração do homem do presente, conserva, todavia, raízes fixadas no passado...

Tentar o cultivo em solo coberto de mata espessa e danosa, seria candidatar as valiosas mudas a asfixia e a morte, em não se cuidando do arroteamento cuidadoso da terra...

Por isso é indispensável mergulhar a meditação nas causas do sofrimento humano e, utilizando os ensinos espíritas, visitar a intimidade das mentes, fazendo luz íntima...

Podes apresentar os evidentes sinais da convicção espírita sem atavios do movimento externo que todos identificam procedendo de maneira segura e concisa intimamente...

Tantos se preocupam com as consequências dos males, que olvidam as causas dos males em si mesmas É imperioso, pois colimar, os objetivos espiritistas no panorama da própria alma...

Conduta reta, fidelidade ao dever, respeito as tarefas alheias e alheios direitos, discrição e sinceridade, cultivo da fé e da humildade, tolerância com perseverança nos ideais esposados, mesmo quando haja conspiração aparente do mal, renúncia às ambições com os derivados da alegria espontânea e de um coração rico em esperança, também são altas expressões de identificação espírita e renovação social que, todavia, começa em quem pretende retificar e solucionar os problemas alheios...

Não pretendemos colocar à margem as tarefas ponderáveis da moderna filantropia, da considerada assistência social. Desejamos apenas, realçar o valor que vai sendo desconsiderado, de situar em primeiro plano o Espiritismo que objetiva a estruturação moral do homem nas lídimas bases evangélicas; e estas são essencialmente as da tarefa interior com as consequentes manifestações do amor ao próximo... como a si mesmo...

Nem Espiritismo sem Assistência Social, nem Assistência social sem Espiritismo, para nós espiritistas encarnados e desencarnados.

* * *

O Espiritismo, como bem definiu Allan Kardec “trata da origem, da natureza e do destino dos espíritos...”, convidando o homem a ser “hoje melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje”...

Assim sendo, é imperioso a tarefa de estudá-lo, buscando conhecer as nascentes da vida, a jornada do princípio espiritual e trabalhando com segurança e valor a si mesmo, para, renovado a cada dia, apresentar o índice de melhoria moral e espiritual de cada hora...

O conhecimento da Doutrina Espírita, colima na sua aplicação com a assistência social; no entanto, a recíproca não é verdadeira.

Espalhemos a Revelação Espírita e iluminando, os que esmagam e estrangulam corações estimulando a miséria, o desconforto, o abandono de grande parcela da humanidade, estaremos salvando o amanhã, porquanto, o homem generoso e esclarecido de agora, não renascerá, para ressarcir e recuperar nas palhas da pobreza e na enxerga da dor.

E guardemos a certeza de que, ao lado da assistência material que possamos doar, a assistência moral e espiritual deve ter primazia...

Alguns amigos menos esclarecidos, falarão sobre sectarismo, outros poucos afervorados à convicção espiritista, informarão que o auxílio não deve ser trocado pelo impositivo de ensino...

Não lhes dês ouvidos.

Derrama no gral da generosidade que te enobrece o perfume da fé renovadora que te liberta e dá a libar, a quantos te buscam, esse incomparável elixir...

Quando te encontrares com a moderna metodologia da Assistência Social, nunca te esqueças, de depois dela, converteres o coração junto ao sofredor, em dois braços abertos à semelhança de Jesus, guardando a postura de quem deseja, no próprio seio agasalhar a dor...

* * *

O inimitável Governador da Terra, homenageado por jubilosa cortesã, antes obsidiada e recém-liberta, que lhe untava os pés com perfume raro, respondeu a Judas, que pensava a respeito da aplicação que se poderia dar à essência exótica, se transformadas em moedas e dirigidas aos necessitados: “Os pobres sempre os tendes convosco, mas a mim, nem sempre me tendes”...

Aromatizemos a senda por onde seguimos, ajudando e amando; mas conhecendo, também, quem somos, donde viemos e para onde vamos, procedamos com equidade e honradez, oferecendo ao mundo atormentado, a segurança de nossa renovação espiritual com o amor dilatado em forma de auxílio a todas as criaturas...

Joanna de Ângelis
Médium: Divaldo P. Franco
Livro: Dimensões da Verdade - 14


06 dezembro 2020

Insatisfação Amorosa e Sexual - Morel Felipe Wilkon

 
INSATISFAÇÃO AMOROSA E SEXUAL

Muitas pessoas ainda atrelam a sua felicidade à outra pessoa. Acham que precisam de alguém pra ser felizes. Isso gera uma constante insatisfação, pois não é possível nos apossarmos dos sentimentos de outra pessoa para preencher nosso próprio vazio existencial.

Muita gente atravessa problemas emocionais e sentimentais:

-Pessoas que estão traindo e não querem abrir mão nem do parceiro nem do amante.

-Pessoas que foram traídas, acham que perdoaram mas não superam o desgosto.

-Pessoas que não conseguem se relacionar com ninguém.

-Pessoas que têm dúvidas sobre a própria sexualidade.

-Pessoas que pulam de um relacionamento pro outro e nunca estão satisfeitas.

É assombroso o egoísmo de algumas pessoas. É o caso de quem vive um relacionamento extraconjugal mas não quer romper os laços com o cônjuge. Pode parecer que se trata de amor ou de compaixão. Se analisarem um pouquinho a si mesmos perceberão que pensam, mesmo, é em si próprios, e o que não querem é diminuir a sua cota de prazeres e atenção.

Ou então a pessoa para quem nenhum relacionamento dá certo, e culpam a Deus, à Vida, ao “carma”. Perguntam, revoltadas, se estão aqui só pra “pagar”, e por que Deus não as deixa ser felizes. Não se deram ao trabalho de se perguntarem por que ninguém fica mais tempo com elas. Será que todo mundo está errado e só elas estão certas? Será que não estão exigindo demais?

Noutros casos, as pessoas se debatem durante anos em dolorosos conflitos sobre a própria orientação sexual, cheias de culpas e dúvidas. Casos complexos demais, originados de desajustes iniciados em outras existências, que exigem muito mais do que conselho ou consolo.

Ou aqueles que não se sentem amados, ou que deixaram de amar, ou que traíram e não se perdoam.

A busca pela solução demonstra o desejo de resolver o mal que os aflige. Só que pedir ajuda ou orientação pela internet, digitando algumas dúzias de palavras, é fácil. E não há soluções fáceis para problemas difíceis. Problemas sérios exigem soluções sérias. É preciso querer se ajudar. É preciso deixar a preguiça, o medo, a inércia, o comodismo, a indiferença.

Problemas são oportunidades de crescimento.

É preciso, antes de mais nada, perceber algo que é óbvio, mas infelizmente ainda não é óbvio pra todos: “o mundo não gira em torno de você. As pessoas não são sua propriedade. A Vida não existe para transarmos com todo mundo; prazer sexual não é amor; romantismo não é amor”.

A ideia de que a nossa felicidade está na dependência de uma relação qualquer afasta qualquer possibilidade de bem-estar íntimo.

É importante ter alguém para dividir a passagem pela matéria; a própria natureza, enquanto reencarnados, nos induz a isso.

Mas isso não é sinônimo de felicidade. Ser feliz é um estado de ser que independe de fatores externos.

A preocupação quanto à vida amorosa ou sexual (que quase sempre se confundem) gera cada vez mais incertezas, produz desconforto com a situação vigente, faz a Vida perder o sentido.

A Vida é muito mais que isso. A Vida é oportunidade de aprendizado, de disciplina, de autoconhecimento e de troca de conhecimentos e experiências. Resumir a Vida a encontros e desencontros sexuais é voltar ao estágio animal.

Quem passa por problemas desse tipo e quer solução, deve buscá-la com todas as suas forças. Se está lendo um artigo espírita é de se supor que seja simpatizante do Espiritismo. Leia. Estude. Se esclareça. Ore. Ore várias vezes ao dia, faça disso um hábito. Frequente o centro espírita. Procure um tratamento no centro espírita.

Procure participar de grupos de estudo no centro espírita – a troca de experiências é um dos aprendizados mais eficazes.

Pergunte-se acerca dos seus reais valores: O que você espera acrescentar nesta vida? O que você pretende fazer para aproveitar a oportunidade da atual reencarnação?

Você já percebeu que sexo e atração física são fenômenos ilusórios e, portanto, passageiros? Já se deu conta de que músculos e nádegas caem, que rostinhos bonitos murcham, que o tesão acaba, que palavrinhas românticas só têm valor nos momentos fugazes de prazer?

Você não notou, ainda, que a consciência é o seu juiz, e que cobra você e continuará cobrando você sempre que você errar?

Não sabe que não há como ser feliz mentindo pra si mesmo, tentando enganar à própria consciência?

Ou você pensa que respeito, retidão de caráter, fidelidade, amizade, são apenas conceitos? Ou acha que essas coisas são fruto de pregações religiosas atrasadas e conservadoras?

Está encrencado? Quer viver em paz? Mude!

Quando você muda, o mundo muda.

Pare de se queixar e de achar que a Vida é um complô contra você. Há 7 bilhões de espíritos encarnados iguaizinhos a você. Você acha que você merece uma atençãozinha especial de Deus? Não sabe que não há privilégios na Lei divina? Faça alguma coisa por si mesmo, torne-se uma pessoa melhor, deixe de pensar só em si. Você irá se cobrar severamente se não mudar de atitude a tempo.

Você é o seu juiz…

E o seu estado de espírito de hoje, a maneira como você está se sentindo neste exato momento lhe responde como você vem agindo.

Morel Felipe Wilkon
Fonte:
Kardec Rio Preto

05 dezembro 2020

Bullying e cyberbullying, problemas sociais da atualidade - Fátima Moura

 
BULLYING E CYBERBULLYING, PROBLEMAS SOCIAIS DA ATUALIDADE

Bullying, termo inglês que significa implicar, maltratar, brutalizar descreve o ato de violência física ou psicológica intencionais e repetitivas contra um indivíduo ou um grupo.

Nas escolas, o bullying cresce vertiginosamente e, segundo relatos dos profissionais de educação, já toma lugar à frente das drogas, causando grandes transtornos as vítimas dessa brutalização.

Como fatores mais frequentes para essa conduta, podemos mencionar: insegurança, desejo de chamar a atenção sobre si mesmo, busca de poder no grupo a que pertence, segregação racial e social, dentre outros motivos.

O espírito Emmanuel, através da mediunidade de Chico Xavier nos alerta: “Muitas vezes, o agressor é apenas um doente, mais necessitado de medicina do que de punição”.

A palavra espiritual é altamente esclarecedora. A ausência de crenças e de valores voltados para o cultivo do espírito, falta de limites e de educação moral, valorização demasiada das coisas materiais, desencadeia no jovem ou na criança dotada de tais atitudes de desregramento, o papel do vilão agressor, daquele que precisa ofender, humilhar para se sentir melhor ou em condição superior aos demais.

O cyberbullying envolve o uso de tecnologias da informação e da comunicação. As agressões são feitas através de e-mails, celulares, mensagens instantâneas, salas de bate-papo, sites difamatórios, enquetes pessoais com fins pejorativos colocados online, produzidos individualmente ou em grupos, causando muitas vezes danos irreversíveis como nos mostra o numero de suicídios de jovens que não tiveram oportunidade de receber ajuda através de grupos de apoio.

As redes sociais são um ambiente propício à prática desastrosa do bullying digital. Muitas pessoas a fim de buscar uma maior inserção em um determinado grupo, de adquirir um “sentimento de pertença”, acabam se expondo mais do que deveriam, fragilizando sentimentos e emoções que muitas vezes inviabilizam os mecanismos de reação e/ou defesa por parte das vítimas, ainda mais se tratando de jovens ou adolescentes.

Bastante divulgado nas redes sociais, o caso da adolescente canadense Amanda Todd, de 15 anos de idade, chocou a opinião pública. A jovem cometeu suicídio depois de publicar um vídeo pedindo ajuda e denunciando que estava sendo vítima de cyberbullying no Facebook

No estado do Colorado, Estados Unidos, no ano de 1999, dois de seus ex-alunos invadiram uma escola matando colegas e professores contabilizando um total de 23 feridos.

Em Realengo, Zona Oeste Carioca, um jovem atirou em vários alunos da escola onde havia estudado, para se vingar dos maus tratos sofridos enquanto estudante, gerando uma situação lamentável.

Jovem, tudo começa em nós. Como viajantes do bem a caminho da luz, busquemos como valores maiores o bom senso e a compaixão, a retidão de atitudes e a firmeza de caráter, que não esperam recompensa, mas cuja grandeza está em bastar-se a si mesmo.

Estejamos atentos! Oremos pelos desregrados sociais mas, acima de tudo, eduquemos a nós mesmos, a fim de pacificarmos a nossa convivência interpessoal.


Fátima Moura
Fonte:
Correio Fraterno

04 dezembro 2020

Insegurança - Orson Peter Carrara

 
INSEGURANÇA

Este é um tema sempre presente nos relacionamentos e, claro, na vida individual. O cultivo de tal postura pode levar ao pânico, daí a importância do investimento de prevenção no assunto.

Afinal, é preciso sempre confiar na Providência Divina que, em qualquer circunstância, sempre está a proteger as criaturas humanas. Muitos medos são originários da imaginação doentia, em fatos e circunstâncias que talvez nunca venham a ocorrer. Surge aí a importância de educar também a imaginação, para que não adoeça.

O melhor remédio é prosseguir trabalhando, no esforço de domínio das emoções. Isso por uma razão muito simples: a renovação das ideias é fundamental para quem se sente inseguro.

Trazer bons livros, boas músicas e bons filmes para o mundo íntimo é capaz de arejar os panoramas emocionais e mentais. O trabalho em favor de almas mais fragilizadas é um dos caminhos preventivos para igualmente vencermos as inseguranças interiores.

Daí a sabedoria da vida em recomendar que troquemos o pessimismo pela alegria e pela esperança, mesmo diante da adversidade, pois o cultivo constante da negatividade é capaz de se transformar em doenças.

Como diz Emmanuel na conhecida mensagem “O auxílio virá”, em seu parágrafo final, “Por meios que desconheces, Deus permanece agindo”, lembremo-nos de contar com a proteção de Deus, que nunca nos abandona.

Portanto, ao sentir-se inseguro, confia e prossegue. Os desafios que nos cercam vão passar, os panoramas se modificam e a presença de Deus tudo coloca no seu devido lugar. Confia e prossegue!

Orson Peter Carrara
Fonte: Agenda Espírita Brasil

03 dezembro 2020

Você é uma maravilha - Momento Espírita

 
VOCÊ É UMA MARAVILHA

Pablo Casals foi um famoso violoncelista, regente e compositor espanhol, que morreu no ano de 1973.

Certa vez, ele escreveu a respeito do momento único do Universo, um momento que jamais vai se repetir.

O momento que estamos com nosso filho.

E o que ensinamos ao nosso filho? – Indaga o compositor.

Ensinamos coisas que lhe valerão para a vida, para o mundo das formas em que nos agitamos.

Ensinamos que dois e dois são quatro. Ensinamos que a capital da França é Paris. Que a Espanha fica no Continente Europeu.

Ensinamos sobre relevo, para que ele saiba a diferença entre um planalto, planície, morro, uma montanha.

E onde fica a cordilheira dos Andes, os Balcãs, o oceano Atlântico.

Ensinamos que o sol é uma estrela de quinta grandeza, que a Terra se move ao redor dele, num concerto harmonioso.

Que o sol viaja pelo espaço, levando consigo a sinfonia dos mundos que o rodeiam. Que a lua dos enamorados é um satélite da Terra.

Sim, ensinamos muitas coisas.

São coisas importantes. Nosso filho crescerá, se tornará profissional, regerá sua própria vida.

Movimentar-se-á pelas vias do mundo, produzindo, semeando, interferindo em outras vidas com a sua maneira de agir, de ser.

Tudo, graças ao que lhe ensinamos.

Mas, naquele momento único, mágico, em que estivemos com ele, nós lhe dissemos que ele é uma maravilha?

Que não existe sobre a face da Terra nenhum ser igual a ele?

Nós lhe informamos sobre as maravilhas do mundo antigo e moderno e o fizemos se encantar com elas.

Mas, dissemos como ele é especial?

Alguma vez lhe dissemos: Você sabe que é uma pessoa única? Desde o começo do mundo, nunca houve outra criança como você.

Suas pernas, seus braços, seus dedos, a maneira como você se movimenta, as coisas que diz, os gestos que faz, tudo isso é único, é só seu.

Você pode se tornar um Shakespeare, um Michelangelo, um Beethoven.

Você é capaz de fazer qualquer coisa. E, quando crescer, vai poder ter um filho que será como você, uma maravilha. Sabe?

Isso, com certeza, tornará nosso filho capaz de enfrentar muitos desafios.

Esta mensagem o acompanhará aonde quer que vá. Quando o mundo tentar lhe dizer que ele é um fracasso, ele recordará do nosso recado.

Quando o desapontamento por um revés tentar colocar em seus ombros o manto da tristeza, ele lembrará da nossa mensagem.

Quando o namoro acabar, quando a nota alcançada no concurso não for a esperada, quando o dia se apresentar cinzento, ele recordará...

E, recordando, erguerá a cabeça, ajustará os ombros, e dirá a si mesmo: Posso não ter vencido o concurso, mas eu tentei.

Não consegui o emprego almejado, mas realizo muito bem o meu trabalho.

Não ganho tanto quanto eu desejara, mas tenho certeza de que sou muito bom naquilo que faço.

Eu sou uma maravilha, sou um filho de Deus, especial.

Ninguém, no mundo, é igual a mim.

E continuará em frente, avante, para o Alto.

Redação do Momento Espírita com base em dizeres de Pablo Casals, do livro Histórias para aquecer o coração – Edição de Ouro, de Jack Canfield e Mark Victor Hansen, ed. Sextante.

02 dezembro 2020

Descontentamento - Divaldo Pereira Franco

 
DESCONTENTAMENTO
 
 Vivemos, sem dúvida, um período profundamente perturbador sob muitos aspectos considerados, especialmente nas áreas da economia e do comportamento. As dificuldades estão presentes nos países ricos como nos em desenvolvimento, nos quais as criaturas sentem o aturdimento da hora grave que experienciam. Nada obstante, são muitos os bens que se encontram à disposição da criatura humana, graças à evolução da ciência e da tecnologia. Enfermidades terríveis têm encontrado tratamentos adequados, que nem sempre são conseguidos por todos os pacientes, recursos de higiene e orientações para a saúde multiplicam-se, facilidade nas comunicações, na movimentação, ampliam-se a cada instante e mil outras bênçãos.

Apesar disso, defrontamos a multidão dos desalentados ou descontentes. Para esses indivíduos com problemas de comportamento psicológico, tudo está mal, não vale a pena viver, as pessoas são hipócritas e más, desfilando amarguras e pessimismo. Vivem com o semblante carrancudo, com o humor péssimo, quando não agressivos, insolentes e desagradáveis. Este é o século das glórias do pensamento e das misérias morais. Mas é natural, porque neste momento opera-se a grande transformação do planeta de mundo de provas e de expiação para o mundo de regeneração. Se observarmos na História, constataremos períodos de grandeza seguidos pelos de decadência. Conquistas extraordinárias assinalam uma época, dando lugar a situações asselvajadas com guerras de genocídio e de ódio irracionais.

Cabe-nos, a todos nós, modificar a situação lamentável, mediante a nossa transformação moral para melhor, vivendo dentro de padrões de dignidade, de respeito à vida, à cidadania, a todos e a tudo. Viver com alegria e esperança, contribuindo em favor do bem geral, é a melhor opção deste momento. Não é necessário que nos tornemos célebres ou líderes, autoridades ou pessoas de destaque na comunidade, mas bastar-nos-á o cumprimento dos deveres que nos dizem respeito.

Divaldo Franco
Publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 16-07-2015. Divaldo Franco escreve na quinta-feira, quinzenalmente.

01 dezembro 2020

Como faz bem esquecer - Rogério Miguez

 
COMO FAZ BEM ESQUECER

Quem se alegra em lembrar dos deslizes cometidos na vida presente? Alguém sente satisfação em relatar condutas próprias contrárias às leis de Deus? Traz tranquilidade manter bem vivo na memória os feitos impensados cometidos no passado desta mesma existência?

Pouquíssimos, ou mesmo ninguém, responderia estas perguntas dizendo sim: É muito bom lembrar os equívocos passados, expondo-os a todos!

Estas poucas questões nos indicam não valer a pena recordar os enganos praticados, pelo contrário, na verdade fazemos de tudo para apagar completamente lembranças de todo e qualquer vestígio dos antigos atos irrefletidos.

É natural, afinal, bom mesmo é recordar coisas boas, experiências saudáveis, atitudes corretas tomadas em momentos críticos, lembranças de fatos trazendo-nos alegria e satisfação, isso sim é gratificante.

Diante desta constatação, por que alguns desejam avidamente conhecer quem foram em antigas vidas? Há alguma lógica em desejar descortinar episódios distantes, quando sabemos que estamos ainda ligados a um mundo de provas e expiações, cuja característica básica é a de abrigar Espíritos faltosos e contumazes descumpridores dos postulados divinos?

Esta é a realidade, poucos podem acessar o passado e não se envergonhar; raros são os detentores da condição de não se surpreender diante da recordação de levianas atitudes e grosseiras condutas praticadas contra o próximo, e, tantas vezes, contra nós mesmos.

É por conta desta realidade que Deus nos faz esquecer temporariamente muitas experiências e ações desagradáveis do nosso pretérito, todas registradas no períspirito.

A lei do esquecimento é uma dádiva para Espíritos ainda pouco afeiçoados à prática do bem, como todos nós ainda somos, pois, recordando-nos de tudo que já fizemos; e se aqueles a nos cercar, os nossos próximos mais próximos – os familiares -, também tivessem este conhecimento, a vida se tornaria insuportável, os grupamentos familiares se esfacelariam, inviabilizando a evolução do grupo.

Desta forma, não nos preocupemos em desvendar o pretérito batendo às portas dos adivinhos, magos ou bruxos. Embora alguns possam ser verdadeiros médiuns, não detém autorização para revelar o passado, e, na ânsia de consegui-lo, estaremos sujeitos a toda a sorte de embustes e mentiras, sempre prejudiciais ao nosso momento presente.

Mas como fazer então!? Trabalhemos as nossas tendências instintivas, observemos as nossas condutas, estejamos atentos à forma como agimos e reagimos no nosso cotidiano diante das situações corriqueiras do dia a dia, estes são bons indicadores de como vivemos no passado, dizem muito sobre nós mesmos, dão-nos uma boa ideia do que fomos e do que continuaremos a ser, caso não trabalhemos os aspectos negativos de nossa personalidade.

E mais, quando estivermos insatisfeitos e desgostosos na vivência de nossas inexplicáveis expiações e provas, ambas medidas corretivas e auxiliadoras em nosso processo evolutivo; quando as dúvidas nos assaltarem a consciência tornando a vida aparentemente insuportável, experimentemos conversar com o nosso guia espiritual, ele está sempre atento ao nosso momento, quem sabe, após uma oração sincera, a leitura de um texto evangélico, renovadas forças nos serão comunicadas, talvez uma nova luz se acenda em nosso cinzento horizonte, e, com estas providências divinas, poderemos retomar o andamento de nossas jornadas com ânimo forte e a convicção de que Deus é sábio e justo, quando determina este provisório esquecimento do passado.


Rogério Miguez
Fonte:
Agenda Espírta Cristã
 

30 novembro 2020

Mortos e Mortos - Joanna de Ângelis


MORTOS E MORTOS

Todas as civilizações da antiguidade oriental tributavam aos antepassados e aos mortos em geral expressivo culto de respeito e carinho. E até as pirâmides do Egito nos apresenta o significado das cerimônias que cercavam as exéquias fúnebres, inscritos nas pedras ou registrados nas páginas do Livro dos Mortos.

Na Grécia, como em Roma, as almas dos mortos mereciam as mais altas considerações e não poucas vezes os historiadores nos dizem dos colóquios havidos entre os que transpuseram a aduana do túmulo e os reencarnados, na retaguarda física...

Com Jesus, no entanto, as considerações que eram devidas aos desencarnados perderam toda e qualquer significação, ocupando estes o lugar que eles era próprio, na condição de espíritos imortais. E atestando-lhes a configuração imortalista o Rabi, várias vezes, os atendeu, mantendo expressivo comércio fraternal de esclarecimento e socorro com eles...

Nos tempos modernos ou no passado, em todas as dimensões da história, resssumam fatos comprobatórios da continuidade da vida depois da disjunção carnal.

O espiritismo, a seu turno, veio oferecer o atestado eloquente da imortalidade, ensejando experiências valiosas para a dignificação do homem a luz dos ensinos hauridos na boca dos imortais.

(...) E a morte não significa mais que veículo para os horizontes sem fim da vida verdadeira.

Há, no entanto, que considerar mortos e mortos.

Nem todos, porém, que vivem na carne são vivos e nem os considerados mortos são mortos.

Alguns vivem, é certo, mas poucos estão vivos para a vida...

* * *

Não importa a condição social em que os encontres.

Uns deambulam, ilustres, embora a indumentária carnal, cadaverizados pelo egoísmo.

Outros jornadeiam, bem acondicionados, mumificados pelo orgulho.

Mais outros passam, superficiais e inermes ante a ação corruptora da impudicícia.

Alguns movimentam-se, hipnotizados pelo prazer, a ele entregues.

Diversos aparecem inertes, aprisionados na indignidade.

Outros tantos escorregam, dominados pelo torpor do gozo animalizante.

Vários transitam aligeirados, abraçando a cobiça.

Grande número constitui-se de presunçosos, apodrecendo no ócio a que se entregam...


Mortos, todos eles, embora estejam no corpo físico. E há aqueles que, considerados mortos, continuam vivos.

Mortos que estão levantando as bases morais da sociedade sob o influxo da misericórdia de Jesus Cristo, o Excelso triunfador da morte..

Mortos que amam e retomam ao cativeiro da carne para que suas vozes falem sobre a vida.

Mortos que sofrem e voltam para anunciar, agônicos, as surpresas que experimentaram depois da travessia...

Mortos que trabalham e distendem braços incorpóreos na direção da dor alheia e socorrem.

Mortos que dilatam o Reino de Amor e Benignidade nos corações e nos espíritos ao império do clamor da Verdade.

Sim, mortos e Mortos.

Os primeiros estão ao teu lado, em toda parte, e os vês, falam contigo e os escutas. Examina-os de perto, usando as luzes com que a Doutrina Espírita te clareia o discernimento.

Os segundos também estão ao teu lado, em toda parte, embora nem sempre os vejas e, falando contigo, não os escutes.

Aqueles são os chamados vivos e atuantes, enquanto estes teimosamente são considerados mortos.

Medita!

Considerando a tua própria situação, em face dos ensinos do Espiritismo-cristão, examina como vives, como ages, que pretendes.

Se, em verdade, és do grupo que vive caminhando para a Vida, não te detenhas no charco das lamentações nem pares no poço escuro da revolta; arrebenta as algemas do erro, aproveita a preciosa gema da oportunidade e faze-te atuante instrumento desses mortos diligentes em quem crês, a quem amas, de quem te fala a mensagem espiritista, oferecendo a contribuição valiosa do teu esforço para que também tu, depois da morte sejas um desses incansáveis mortos...

Joanna de Ângelis
Médium: Divaldo P. Franco Livro: Dimensões da Verdade - 21


29 novembro 2020

Com Liberdade - Francisco de Paula Vitor,


COM LIBERDADE

Há sempre tempo para o indivíduo pensar acerca do que está fazendo da própria vida no mundo.

É possível atravessar as estradas planetárias com franca disposição de renovar-se para uma vida mais aprimorada e mais feliz.

O pensamento formoso de Jesus demonstra o total respeito ao livre arbítrio de cada criatura e dá a certeza de que aqueles que O buscam se adiantam na esfera de abençoadas conquistas da alma imortal.

Os que vão a Ele são os que, sem temer preconceitos, aprestam-se para a realização do que é nobre, do que é bom, do que faz parte das sublimes leis de Deus, enquanto se acham nas experiências da vida material.

Os que se dirigem a Ele são, também, os que reconhecem as próprias carências e limitações, e se atiram aos esforços de conquistar os valores e as virtudes que lhes faltam.

Os que seguem para o Cristo são, ainda, os heróis da coragem que, enchendo-se de consciente fé, enfrentam as mais ignóbeis e graves situações no mundo, afrontam os testemunhos mais acerbos, sem lamentar, sem blasfemar, sem se rebelar contra as sábias leis que regulam a vida.

São esses e todos quantos ao bem se aplicam, nos mais diversos arraiais da Terra, que estarão sempre na aura venturosa do Espírito do Cristo, mantidos sob a Sua claridade, por iniciativa própria. São os que, de fato, não se afastam da Sua vibração excelente.

O texto da Boa Nova, em destaque, deixa-nos o ensejo de refletir sobre as experiências de cada um que se acha nos caminhos de duros aprendizados no planeta. E à medida que a pessoa se dispõe ao serviço renovador, à caminhada de reabilitação e à liça redentora, é que se ajusta ao contexto dos que são albergados sob a assistência do nosso Celeste Amigo.

Faz-se importante que cada pessoa verifique se os seus rumos seguem para o Cristo, ou se se afastam Dele.

É vital que cada um avalie as próprias realizações, para ter a certeza de que está inserido entre os que se mantêm na faixa psíquica de Jesus, por haver escolhido os caminhos que a Ele conduzem.

O exercício da simplicidade, o trabalho que reconstrói, a ação caritativa que socorre, a disposição para o crescimento interior, a fé nos sublimados desígnios do Criador, são elementos indispensáveis para que alguém se acerque do Senhor e, dessa forma, seja mantido debaixo da Sua vigorosa claridade.

No tempo que urge a convocar-nos ao empenho libertador, torna-se imperioso o esforço para que nos dirijamos a Ele, o Celeste Guia, para que também nos ajustemos ao grupo que guarda sítio cativo em Sua glória, em Seu Reino de plena ventura, de radiosa felicidade.

Por: Francisco de Paula Vitor
 

28 novembro 2020

A Intolerância Religiosa e a Ignorância - Carlos Imbassahy


 
A INTOLERÃNCIA RELIGIOSA E A IGNORÂNCIA

Transcrevemos a descrição daquilo que se chamava auto-de-fé:

“O auto de fé - diz o escritor - consistia em apanhar uma dúzia de culpados, na consciência dos quais se haviam encontrado uns pensamentos escondidos (un recel de pensées);

empilhavam-se, então, feixes de lenha, muito bem colocados, uns sobre outros, em boa ordem e simetria, visto que nossa Santa Madre Igreja sempre foi inimiga da desordem; do monte de achas emergia um poste; havia três, dez, algumas vezes uns vinte, destes belos postes, muito convenientemente espetados; ligavam-se a eles, com cordas inteiramente novas, os malandros suspeitos de medíocre fervor católico. Depois, vinham os monges com círios e punham fogo aos feixes; a fumaça ascendia; as chamas precipitavam-se; os infortunados tentavam esforços sobre-humanos por se libertarem dos laços; a carne tostava; escapavam-se lhes bramidos de dor... Morriam em inomináveis agonias, com a face retorcida, a alma desesperada por tanta perversidade. Chamava-se a isto um auto-de-fé." (9)

Um exemplo, este nosso:

Giordano Bruno proclamava que milhares de mundos, sóis inumeráveis se achavam disseminados na infinita amplidão; que a Terra era um átomo lançado no espaço; não tinha importância especial nem preeminência com relação a outras terras, as quais também se moviam no etéreo espaço infinito; afirmava que tudo é perfeição e ordem na natureza, devendo ter-se como errada a doutrina que conferisse prerrogativas ao atrasado mundo em que habitamos. Essas e outras profundas heresias fizeram-no subir à fogueira purificadora.

Na data de sua execução, que foi a 17 de fevereiro de 1600, as ruas da cidade de Roma estavam repletas de povo. Nada menos de cinquenta cardeais vieram para a grande festividade crematória. Por toda parte viam-se as filas de peregrinos, longas, intermináveis, com variado indumento, que se iam de igreja em igreja implorar o perdão de seus pecados, e encomendar as santas almas ao Criador.

No meio da plebe notavam-se príncipes e eminentíssimas personagens e não raro, atrás deles, o pontífice .De todas as bocas se erguiam preces; todos os joelhos baixavam à terra; as procissões desembocavam de todas as esquinas. Era uma demonstração nunca vista de humildade e brandura. Disseram-se em S. Pedro quarenta e uma mil e duzentas e trinta e nove missas (41. 239), havendo, também, um número espantoso de comunhões.

Ouçamos, agora, Arturo Labriola e Lúcio Vero:

"Quell' immenso concorso di popolo - i cronisti del tempo [anno ascendere a tre milioni ilnumero dei pellegrini convenuti a Roma - quel continuo pregare sembravano il segno piusicuro che tutti i cuori dovessero inclinare a misericordia e perdono, e tutti congiungersi amorevoli nel Redentore pacifico dell' umanità. Pure non era cosi."

"Aquele imenso concurso de gente - os cronistas do tempo faziam ascender a três milhões o número de peregrinos vindos a Roma - aquelas contínuas rezas pareciam o mais seguro penhor de que todos os corações ali estavam para se inclinar à misericórdia e ao perdão, para se unirem, em amor, ao Redentor pacífico da humanidade. Mas tal não se dava." (9-A)

De fato, não foi o que se viu. O pobre filósofo, cujo imenso crime era não estar ao nível da ignorância da época, nem concordar com a escravização do pensamento, foi ao suplício, acompanhado da imensa multidão Que enxameava nas ruas e nos templos. Os sacerdotes empunhavam crucifixos; soldados e guardas conservavam as suas armas, como se temessem ainda o prisioneiro, que marchava a pé, sem um parente, sem um conhecido, sem um amigo ao lado, amarrado, acorrentado, encadeado, em direção ao local do martírio, que, por ironia, tinha o nome poético de Campo das Flores.

O cortejo fúnebre cantava litanias, fazia orações e lançava anátemas ao condenado. Depois o puseram sobre as achas e lhes deitaram fogo, enquanto a multidão piedosa alternava os olhares entre o Céu e as chamas, como agradecendo àquele o esplendoroso espetáculo que estas lhe proporcionavam.

E assim se extinguiu, nas contorções do hediondo martírio, aquele homem ilustrado, clarividente, sincero e bom, mas que abalara a Igreja secular com as verdades que viera trazer ao mundo.

Resta-nos, hoje, no século das luzes, luzes certamente mais brandas, o consolo de que já não seremos queimados. Apenas, as verdades espíritas, na opinião de muitos, ainda se não podem ou se não devem dizer de público, pelo menos nas escolas.

Referências:

(9) Michel Zevaco - "Triboulet"

(9A) Arturo Labriola e Lucio Vero - "Giordano Bruno" pág.87, Roma, Ed.Podrecca e Galantara.

Autor: Carlos Imbassahy - Fonte: Religião - Palavras Preliminares