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28 fevereiro 2010

Um Convite a Mais - Ivan de Albuquerque

Um convite a mais

No momento presente, perante o desacato da Sombra frente aos esforços da Claridade, vimos convidar os amigos de boa vontade, dispostos ao serviço de renovação do planeta, a começar de si mesmos, para:

Dedicar-se, com entusiasmo, ao imperativo de autoconhecer-se;

Aproveitar cada hora da lida terrena, para semear no campo das almas uma única semente que seja de fraternidade, de bondade, de amizade;

Não permitir que se passe cada dia sem uma pausa para aprofundar meditação sobre a vida que esteja levando, sobre o mal que tenha conseguido transformar em bem e a respeito do amor que, aos poucos, esteja implantando n'alma;

Voltar-se, sem esmorecimento, para o aprimoramento dos próprios valores, dando-lhes sempre maior incremento, o que significa melhorar cada desempenho, seja no que for que conduza à vitória sobre si mesmo, sobre a ignorância que infelicita o mundo;

Sentir-se sempre estimulado a impulsionar a vida para o alto, sem escandalizar-se com as aberrações em torno, mantendo a alegria de viver em cooperação com o Criador.

Aquele que aceitar esse convite a mais que Jesus Cristo nos formula, guarde a certeza de que estará diminuindo as rudezas do caminho, melhorando os contatos celestes e, assim, candidatando-se a mensageiro de Deus entre os irmãos do mundo.

Por: Ivan de Albuquerque
Mensagem psicografada pelo médium Raul Teixeira, em 24.02.01,
na Fazenda Recreio, em Pedreira-SP.

27 fevereiro 2010

O Laboratório do Mundo Invísivel - Geziel Andrade

O LABORATÓRIO DO MUNDO INVISÍVEL

Allan Kardec, no Capítulo VIII, da Segunda Parte de "O Livro dos Médiuns", nos deu a conhecer as características dos fluidos espirituais, a saber:

O Espírito age sobre a matéria;

O Espírito tem sobre os elementos materiais dispersos na atmosfera um poder e uma ação que os homens estão longe de suspeitar;

O Espírito pode concentrar os elementos da Natureza através da sua vontade. Assim, ele dá a esses elementos a forma que convenha às suas intenções. Atuando sobre os componentes da Natureza, transforma as propriedades íntimas da matéria;

O Espírito submete, com a sua vontade, a matéria etérea às transformações que deseja para produzir objetos, roupas, acessórios, substâncias diversas e mesmo remédios;

O Espírito dispõe, em toda parte, da matéria universal para tirar dela os elementos que ele precisa transformar;

A vontade do Espírito permite que a matéria elementar sofra uma transformação íntima, levando-a a adquirir certas propriedades especiais;

O Espírito, com a sua vontade, e com a permissão de Deus, pode agir sobre a matéria elementar transformando-a em substâncias salutares;

Quanto mais elevado for o Espírito, mais facilmente entenderá o mecanismo da produção dos fenômenos espirituais e físicos;

Um médium, assistido por um Espírito, encontra condições para operar e agir sobre a matéria. Assim, em conjunto, podem produzir uma modificação nas propriedades da água ou mesmo atuar sobre os fluidos orgânicos, obtendo um efeito curativo através de uma ação magnética convenientemente dirigida;

O médium, que é um Espírito encarnado, não perde a faculdade de agir sobre a matéria com a sua força de vontade. Mas as modificações produzidas por ele nas propriedades da matéria situam-se dentro de certos limites;

Isto explica a faculdade de curar pelo contato e pela imposição das mãos, que algumas pessoas possuem num grau elevado.

De "Terapêutica Espírita", de Geziel Andrade

26 fevereiro 2010

Almas Enamoradas - Momento Espírita

Almas Enamoradas

Geralmente, é na juventude do corpo que temos despertado o interesse em buscar o sexo oposto para compartilhar dos nossos sonhos.

Quando encontramos a alma eleita, o coração parece bater na garganta e ficamos sem ação. Elaboramos frases perfeitas para causar o impacto desejado, a fim de não sermos rejeitados.

Então, tudo começa. O namoro é o doce encantamento.

Logo começamos a pensar em consolidar a união e nos preparamos para o casamento.

Temos a convicção de que seremos eternamente felizes. Nada nos impedirá de realizar os sonhos acalentados na intimidade.

Durante a fase do namoro é como se estivéssemos no cais observando o mar calmo que nos aguarda, e nos decidimos por adentrar na embarcação do casamento.

A embarcação se afasta lentamente do cais e os primeiros momentos são de extrema alegria. São os minutos mais agradáveis. Tudo é novidade.

Mas, como no casamento de hoje observa-se a presença do ontem, representada por almas que se amam ou se detestam, nem sempre o suave encantamento é duradouro.

Tão logo os cônjuges deixem cair as máscaras afiveladas com o intuito de conquistar a alma eleita, a convivência torna-se mais amarga.

Isso acontece por estarem juntos Espíritos que ainda não se amam verdadeiramente, que é o caso da grande maioria das uniões em nosso planeta.

Assim sendo, tão logo a embarcação adentra o alto mar, e os cônjuges começam a enfrentar as tempestades, o primeiro impulso é de voltar ao cais. Mas ele já está muito distante...

O segundo impulso é o de pular da embarcação. E é o que muitos fazem.

E, como um dos esposos, ou os dois, têm seus sonhos desfeitos, logo começam a imaginar que a alma gêmea está se constituindo em algema e desejam ardentemente libertar-se.

E o que geralmente fazem é buscar outra pessoa que possa atender suas carências.

Esquecem-se dos primeiros momentos do namoro, em que tudo era felicidade, e buscam outras experiências.

Alguns se atiram aos primeiros braços que encontram à disposição, para logo mais, sentirem novamente o sabor amargo da decepção.

Tentam outra e outra mais, e nunca acham alguém que consolide seus anseios de felicidade. Conseguem somente infelicitar e infelicitar-se, na busca de algo que não encontram.

* * *

Se a pessoa com quem nos casamos não é bem o que esperávamos, lembremo-nos de que, se a escolha foi feita pelo coração, sem outro interesse qualquer, é com essa pessoa que precisamos conviver para aparar arestas.

Lembremo-nos de que na Terra não há ninguém perfeito, e que nossa busca por esse alguém será em vão.

E se houvesse alguém perfeito, esse alguém estaria buscando alguém também perfeito que, certamente, não seríamos nós.

* * *

Os casamentos são programados antes do berço.

Assim, temos o cônjuge que merecemos e o melhor que as Leis Divinas estabeleceram para nós.

Dessa forma, busquemos amar intensamente a pessoa com quem dividimos o lar, pois só assim conseguiremos alcançar a felicidade que tanto almejamos.

Redação do Momento Espiríta

25 fevereiro 2010

O Único Pecado - Richard Simonetti

O ÚNICO PECADO

Será necessário que professemos o Espiritismo e creiamos nas manifestações espíritas, para termos assegurada a nossa sorte na vida futura?

Se assim fosse, seguir-se-ia que estariam deserdados todos os que não creem, os que não tiveram ensejo de esclarecer-se, o que seria absurdo. Só o bem assegura a sorte futura. Ora, o bem é sempre o bem, qualquer que seja o caminho que a ele conduza.

- Mamãe, quero ser batizado.

- Por que, meu filho?

- Meus amiguinhos, na escola, dizem que irei para o Inferno.

Diálogos assim exprimem as dificuldades de crianças cujos pais participam de movimentos religiosos onde não há o batismo que, segundo a orientação ortodoxa, promove nossa reconciliação com Deus, após uma briga que não foi nossa.

Os culpados teriam sido Adão e Eva, expulsos do Paraíso por cometerem o pecado da desobediência. Sua culpa, como se fora infalível mácula genética, transmitir-se-ia, desde então, a todos os descendentes do mitológico casal, impedidos de uma comunhão plena com Deus até que se submetam às virtudes mágicas daquele ritual.

O batismo foi durante muitos séculos um dos instrumentos de afirmação do catolicismo, a impor como axioma um lamentável equívoco dogmático: "Fora da Igreja não há salvação".

Qualquer pessoa medianamente informada sabe que semelhante concepção teológica é uma aberração, porquanto bilhões de seres humanos têm transitado pela Terra, ao longo dos séculos, sem nenhuma notícia a respeito do assunto, sem nenhum esclarecimento quanto às supostas propriedades redentoras da pia batismal.

Nada disso encontra respaldo nas lições de Jesus, que ensinava: "A cada um segundo suas obras" (Mateus, 16:27), estabelecendo o princípio da responsabilidade individual.

Não nos pedirão contas, na Espiritualidade, da religião que professamos, e muito menos dos rituais a que nos submetemos. Pesará, na avaliação de nossa existência, apenas o conteúdo de nossas ações, considerando-se que tanto mais se exigirá quanto mais ampla a nossa noção do bem e do mal, do certo e do errado, do que devemos ou não fazer...

A pretensão de deter o monopólio da verdade e o endereço da salvação caracterizam as religiões de um modo geral, originando preconceitos execráveis e absurdas discriminações que não raro desembocam em lutas fratricidas, como se o objetivo da religião fosse a guerra, não a paz; a discórdia, não o entendimento; o ódio, não o amor.

Maomé, o fundador do Islamismo, encarna bem essa tendência, estabelecendo que os adeptos de outras religiões, deviam ser convertidos ou eliminados, na aplicação do terrível "crê ou morre". Ainda hoje, muçulmanos exaltados defendem uma revolução islâmica armada, uma guerra sem tréguas aos "infiéis".

Os reis cristãos da Europa medieval não fizeram por menos, disparando as famigeradas cruzadas em que, a pretexto de libertar o solo sagrado da Palestina, em poder dos árabes, converteram o Cristianismo em bandeira de guerra e a figura augusta do Cristo em inspiração da violência e da morte.

Jesus enfrentou problemas semelhantes com seus próprios compatriotas, um povo fanático que alimentava a pretensão de ter sido escolhido por Deus para elevar-se ao domínio das nações. E acabou sendo sacrificado porque pregava a revolucionária ideia de que aos olhos do Criador a importância de um homem não está em sua nacionalidade ou crença que professa, mas na quantidade de benefícios que seja capaz de prestar ao próximo.

*

O Espiritismo oferece uma visão muito objetiva a respeito destas questões, a começar pela palavra "salvação", que em seu sentido escatológico, de consequências finais, tradicionalmente sugere a absurda ideia de que há almas que se perdem, condenadas a irremissível sofrimento, o que contraria frontalmente os atributos divinos.

Sendo Onisciente - tudo sabendo do presente, passado e futuro - porque consumaria Deus a criação de um Espírito, sabendo que iria perder-se?

Como considerá-lo Onipotente, se não consegue impedir que seus filhos se percam irremediavelmente?

Infinitamente misericordioso, não deveria o Criador conceder infinitas oportunidades de reabilitação às criaturas transviadas?

Por isso, superando o abominável sectarismo que divide as religiões, Kardec desfraldou como bandeira da Doutrina Espírita um princípio universalista: "Fora da Caridade Não Há Salvação".

A Deus não importa que religião professamos. Nosso Pai espera apenas que nos comportemos como seus filhos, reconhecendo que a fraternidade (parentesco de irmãos), impõe o dever elementar de nos ajudarmos uns aos outros, sem o que jamais estaremos "salvos" de desentendimentos, brigas, violências, explorações, desequilíbrios, frustrações e muitos outros problemas que fazem a infelicidade humana.

*

Discute-se nos círculos religiosos quais os pecados mais danosos, capazes de precipitar a perdição humana. A tradição teológica chega a enumerar os "capitais": orgulho, avareza, luxúria, gula, ira, inveja e preguiça.

Na verdade, só há um pecado, no sentido de transgressão, de descumprimento da vontade de Deus: a falta de amor ou, mais exatamente, o amor voltado para nós mesmos, na exaltação do egoísmo.

Tudo o mais, todos os nossos comprometimentos com o mal, nascem desse pecado original, desse amor retido, desse amor fechado em si mesmo, que nega sua própria vocação - doar-se; que contraria sua gloriosa finalidade - estabelecer a comunhão entre os filhos de Deus.

A caridade salva-nos dessa suprema contradição, ajudando-nos a libertar o amor para que o amor nos redima.

De "Um jeito de ser feliz", de Richard Simonetti

24 fevereiro 2010

O Espírita Deve Ser - André Luiz

O ESPÍRITA DEVE SER
O Livro dos Espíritos - Questão 843

O Espírita deve ser verdadeiro, mas não agressivo, manejando a verdade a ponto de convertê-la em tacape na pela dos semelhantes.

Bom, mas não displicente que chegue a favorecer a força do mal, sob o pretexto de cultivar a ternura.

Generoso, mas não perdulário que abrace a prodigalidade excessiva, sufocando as possibilidades de trabalho que despontam nos outros.

Doce, mas não tão doce que atinja a dúbia melifluidade, incapaz de assumir determinados compromissos na hora da decisão.

Justo, mas não implacável, em nome da justiça, impedindo a recuperação dos que caem e sofrem.

Claro, mas não desabrido, dando a ideia de eleger-se em fiscal de consciências alheias.

Franco, mas não insolente, ferindo os outros.

Paciente, mas não irresponsável, adotando negligência em nome da gentileza.

Tolerante, mas não indiferente, aplaudindo o erro deliberado em benefício da sombra.

Calmo, mas não tão sossegado que se afogue em preguiça.

Confiante, mas não fanático que se abstenha do raciocínio.

Persistente, mas não teimoso, viciando-se em rebelar-se.

Diligente, mas não precipitado, destruindo a si próprio.

"Conhece-te a ti mesmo" - diz a filosofia, e para conhecer a nós mesmos, é necessário escolher atitude e posição de equilíbrio, seja na emotividade ou no pensamento, na palavra ou na ação, porque, efetivamente, o equilíbrio nunca é demais.

André Luiz (Waldo Vieira)

De "Opinião Espírita",
de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira,
pelos espíritos Emmanuel e André Luiz

23 fevereiro 2010

Negativismo Dispensável - Orson Peter Carrara

Negativismo Dispensável

Incrível como ondas ocasionais de ameaças disfarçadas, negativismo acentuado e divulgação de supostas forças dominadoras que tudo podem, invadem a nobreza do movimento espírita causando atrasos nos programas do bem para o planeta.

Sim, aí estão. São livros, palestras, expositores, simpósios, temas e encontros oferecendo foco destrutivo e pessimista a ouvidos atentos que buscam exatamente o contrário.

Ora, convenhamos! A proposta do Espiritismo é proposta consoladora, confortante ao coração, motivadora ao bem e especialmente orientadora na superação dos desafios próprios de nossa condição humana e de espíritos em aprendizado.

Fico a pensar na inutilidade de abordagens ameaçadoras ou de autênticos sermões morais que destacam simplesmente a ação das trevas, sem oferecer exatamente o caráter lúcido e esclarecedor dos textos claros do Codificador e do pensamento de Jesus.

Ninguém ignora que a ignorância promove prejuízos em toda parte. Espíritos ainda em estágio de imperfeição, somos capazes de ocasionar desordens no plano material e mesmo no plano espiritual ou entre eles, como tão bem descritos na realidade humana que podemos observar ou na inesgotável literatura espírita, mediúnica ou não.

Todavia, o que se observa em muitos casos, é o foco para destacar essas infelizes ações, quando, antes, deveríamos focar nossos esforços para construir o bem, continuamente. Temos o dever de espalhar esperança, de disseminar a clareza e orientações constantes dos códigos do Evangelho e do Espiritismo. Temos o impostergável dever de auxiliar continuamente para que o bem prevaleça.

Será que já paramos para pensar nos prejuízos que causamos em pessoas ainda indecisas, impressionáveis ou abatidas por provações? Temos noção da responsabilidade do que estamos transmitindo através da palavra escrita ou falada?

Trazer o assunto a público nesta rápida abordagem tem um único objetivo: motivar-nos a perguntarmos a nós mesmos o que podemos fazer para auxiliar o próximo que está a nossa frente, no público ouvinte ou leitor. Ao invés de transmitir-lhe medo, insegurança, pavor mesmo em muitos casos.

Cobranças de reforma moral, ameaças do umbral e de obsessões, sermões impositivos ou manipulações que criem dependentes não integram o salutar programa de aprimoramento intelecto-moral tão bem descrito do Espiritismo.

Valorizar o mal é fornecer-lhe combustível. Sejamos aqueles que transmitem alegria, esperança, motivação. Afinal, todo esse negativismo que vez por outra invade nosso movimento, é absolutamente dispensável. É ele que promove divisões, melindres, disputas e incentiva a maledicência e as conhecidas manifestações de orgulho e egoísmo que tanto nos prejudicam... Não precisamos dele. Optemos, antes, por construir o bem, onde estivermos.

22 fevereiro 2010

QUANDO... - Rubens Costa Romanelli

QUANDO...

Filho meu !

QUANDO, nas horas de íntimo desgosto, o desalento te invadir a alma e as lágrimas te aflorarem aos olhos, busca-me: eu sou aquele que sabe sufocar-te o pranto e estancar-te as lágrimas;

QUANDO te julgares incompreendido dos que te circundam e vires que, em torno, a indiferença recrudesce, acerca-te de mim: eu sou a LUZ, sob cujos raios se aclaram a pureza de tuas intenções e a nobreza de teus sentimentos;

QUANDO se te extinguir o ânimo para arrostares as vicissitudes da vida e te achares na iminência de desfalecer, chama-me: eu sou a FORÇA capaz de remover-te as pedras dos caminhos e sobrepor-te às adversidades do mundo;

QUANDO, inclementes, te açoitarem os vendavais da sorte e já não souberes onde reclinar a cabeça, corre para junto de mim: eu sou o REFÚGIO, em cujo seio encontrarás guarida para o teu corpo e tranqüilidade para o teu espírito;

QUANDO te faltar a calma, nos momentos de maior aflição, e te considerares incapaz de conservar a serenidade de espírito, invoca-me: eu sou a PACIÊNCIA, que te faz vencer os transes mais dolorosos e triunfar das situações mais difíceis;

QUANDO te debateres nos paroxismos da dor e tiveres a alma ulcerada pelos abrolhos dos caminhos, grita por mim: eu sou o BÁLSAMO que te cicatriza as chagas e te minora os padecimentos;

QUANDO o mundo te iludir com suas promessas falazes e perceberes que já ninguém pode inspirar-te confiança, vem a mim: eu sou a SINCERIDADE, que sabe corresponder à franqueza de tuas atitudes e à nobreza de teus ideais;

QUANDO a tristeza e a melancolia te povoarem o coração e tudo te causar aborrecimento, clama por mim: eu sou a ALEGRIA, que te insufla um alento novo e te faz conhecer os encantos de teu mundo interior;

QUANDO, um a um, te fenecerem os ideais mais belos e te sentires no auge do desespero, apela para mim: eu sou a ESPERANÇA, que te robustece a fé e te acalenta os sonhos;

QUANDO a impiedade recusar-se a relevar-te as faltas e experimentares a dureza do coração humano, procura-me: eu sou o PERDÃO, que te levanta o ânimo e promove a reabilitação de teu espírito;

QUANDO duvidares de tudo, até de tuas próprias convicções, e o cepticismo te avassalar a alma, recorre a mim: eu sou a CRENÇA, que te inunda de luz o entendimento e te habilita para a conquista da Felicidade;

QUANDO já não provares a sublimidade de uma afeição terna e sincera e te desiludires do sentimento de teu semelhante, aproxima-te de mim: eu sou a RENÚNCIA, que te ensina a olvidar a ingratidão dos homens e a esquecer a incompreensão do mundo;

E QUANDO, enfim, quiseres saber quem sou, pergunta ao riacho que murmura e ao pássaro que canta, à flor que desabrocha e à estrela que cintila, ao moço que espera e ao velho que recorda. Eu sou a dinâmica da vida, e a harmonia da Natureza: chamo-me AMOR, o remédio para todos os males que te atormentam o espírito.

Estende-me, pois, a tua mão, ó alma filha de Minh 'alma, que eu te conduzirei, numa seqüência de êxtases e deslumbramentos, às serenas mansões do Infinito, sob a luz brilhante da Eternidade.

De "O primado do Espírito",
de Rubens Costa Romanelli

21 fevereiro 2010

Entusiasmo e Responsabilidade - Irmão X

Entusiasmo e Responsabilidade

Nos primeiros tempos da nova fé, Aureliano Correia não regateava as manifestações entusiásticas.

- Sou espírita – exclamava convicto -, pertenço às fileiras dos discípulos sinceros da Nova Revelação. Tenho a minha tarefa a cumprir.

O rapaz vivia embriagado de júbilio. Comparecia pontualmente às reuniões doutrinarias, comentava ardoroso, os ensinamentos ouvidos. Ex punha projetos grandiosos, relativamente ao futuro. Instituiria núcleos de fé viva, disseminaria fundações de amor fraternal. Afirmava, sem medo, a nova atitude e prometia realizações seguras e generosas.

Não se contentava em estabelecer compromissos com a fé. Aureliano ia mais longe. Referia-se ao Espiritismo na política, na filosofia, nas artes, nas ciências. Trabalharia sem cessar, dizia ele, e criaria diretrizes novas e edificações mais sólidas para o espírito humano.

Continuava atravessando a região do entusiasmo fácil, quando, certa noite, no parcial desprendimento do sono, foi conduzido à presença de um de seus orientadores espirituais.

O companheiro exultava.

A entidade amiga falou carinhosamente, depois de abraçá-lo:

- Aureliano, que o Senhor te abençoe as esperanças de redenção. Teu caminho cobre-se, agora de júbilos santos. Guardas, meu amigo, a divina lâmpada no coração. A benção do Eterno Pai segue tuas aspirações de progresso. Sê bendito e feliz, filho meu! Teu ideal de crente fervoroso será uma roseira florida no jardim do Mestre Generoso e o perfume de fé em teu espírito idealista.

O rapaz chorava de contentamento e emoção.

E o sábio mentor prosseguiu calmo e bondoso:

- Atingirás a praia sublime da paz consoladora e, seguro na terra firme das convicções sadias, observarás, espiritualmente, de longe, o oceano revolto do mundo, embora continues em serviço de abnegação ativa a beneficio dos nossos irmãos encarnados, aflitos e vacilantes, na grande jornada, através das ondas vorazes da ilusão. Receberás consolações celestes, ao contacto dos amigos espirituais que te esperam, deste lado da vida. Conhecerás a profunda alegria da luz eterna, no tabernáculo da alma crente. As dificuldades da terra surgirão aos teus olhos, na qualidade de benfeitoras. No seio das lutas mais forte, sentirão o beijo caricioso da amizade dos Servos Glorificados de Deus, invisíveis no mundo aos olhos mortais. Cada dia será uma taça de oportunidades benditas ao teu coração e cada noite um parque de claridades compassivas, onde meditarás nas Dádivas Celestes, entre a alegria e o reconhecimento. Alcançarás o bem-estar de quem encontrou o amor universal, a compreensão de todos os seres e o respeito a todas as coisas e, venturoso, estarás a caminho de esferas iluminadas, a distancia dos círculos inferiores da carne, seguindo com Jesus, amparado por seu divino amor...

Enquanto a entidade fazia súbita parada, sentia-se Aureliano o mais feliz dos homens. Seria o aprendiz superior, discípulo dileto do Cristo. Não cabia em si de satisfação. O orientador devotado, porém, quebrou a pausa longa e tornou a falar:

- Mas, como sabes Aureliano, não existe concessão sem responsabilidade. Alguma coisa dará de ti mesmo, para receberes tantas bênçãos. Para que te integres na posse definitiva de semelhante tesouro, é necessário que abandones a caverna dos instintos inferiores e que sejas um homem renovado em Cristo-Jesus. Não poderás perder o Mestre de vista, procurando seguir-lhe os passos, desde a manjedoura de submissão a Deus até o cuspo irônico povo de Jerusalém, a fim de que o encontres no Calvário, a caminho da ressurreição. È indispensável seguir Jesus e

Alcançá-lo, no monte do testemunho, diante dos homens e da suprema obediência ao Eterno Pai. Serás bafejado pelas harmonias celestes; entretanto, não te poderás esquivar aos sacrifícios terrestres. Receberás a tranqüilidade que excede a compreensão das criaturas; todavia, para que isto se verifique, é indispensável te arrependas do passado delituoso e creias na tua sublime oportunidade de hoje, negando-te a alimentar o “homem velho” que ainda te domina o coração, e suportando a luminosa cruz de teus serviços de cada dia, acompanhando Aquele que nos dirige os destinos desde o principio. Ganharás a luz, Aureliano, mas é imprescindível que expulses as sombras que te rodeiam. Atingirás a esfera superior; no entanto, é preciso que te retires das zonas mais baixas dos vastos caminhos da vida. Não temas, porém, meu filho! Jesus não desampara a boa-vontade dos homens!

Nesse instante, Aureliano acordou muito pálido. Aquela advertência calara-lhe fundo. Sentia-se desapontado. Estimava o entusiasmo, as vibrações festivas, os rasgos da palavra, mas não se lembrara ainda do campo da responsabilidade e do serviço inevitáveis. Queria uma doutrina para se proteger, mas nunca pensara na fé que exige trabalho, abnegação e testemunho no bem ativo. Estava, portanto, decepcionado. Aureliano, tão expansivo nas afirmações fáceis, levantou-se da cama, profundamente amuado, arredio, nervoso. Sua mente recuava, a passos largos, nas promessas feitas.

Mal não saíra de casa, a caminho do centro urbano, eis que quatro companheiros humildes lhe surgem à frente, solicitando ansiosos:

- Aureliano amigo, fundamos ontem um núcleo modesto e contamos com você! Sentimo-nos cercados de necessidades espirituais e precisamos cooperadores de sua envergadura. Venha hoje à noite, não falte. Esperamos que aceite o nosso convite e que não desampare a nossa confiança!

O interpelado, porém muito diferente da véspera, sem qualquer disposição ao serviço sério, e positivamente em fuga ante a idéia de responsabilidade, respondeu com secura:

- Não, meus amigos, não posso dizer que sou espírita.

E, depois de uma pausa, ante o espanto dos companheiros, concluiu, como muita gente:

- Tenho muita vontade de ser.

Por: Irmão X
Do livro: Pontos e Contos,
Médium: Francisco Cândido Xavier

20 fevereiro 2010

Comportamento Preventivo do Câncer - Orson Peter Carrara

Comportamento Preventivo do Câncer
Orson Peter Carrara

Já se sabe que as emoções impactam de maneira expressiva nosso sistema imunológico. Pensamentos bons, atitudes dignas, emoções de suavidade fazem bem à saúde e o oposto, como agressividade ou revolta nos gestos e sentimentos prejudicam a saúde.

Isso em linhas gerais, pois o assunto comporta desdobramentos inesgotáveis. Ficar bravo, triste, enciumado, magoado é humano, portanto, natural. A questão toda está na manutenção desses sentimentos por semanas, meses e até anos. Num período de alguns dias é normal, natural, mesmo porque precisamos “mastigar” o assunto, entendê-lo para procurar caminhos de superação.

Basta pensar que uma tristeza mantida durante muito tempo faz cair a resistência imunológica, sujeitando-nos às doenças.

Usaremos, todavia, um exemplo simples para ampliar o assunto. Um jogador de futebol não gosta do banco de reserva; um militar que não é enviado ao campo de batalha igualmente sente-se incompleto ou o profissional de qualquer categoria deseja exercitar o que saber, demonstrando sua capacidade e seu poder criativo nas situações que se apresentem, onde sua inteligência e gosto pela atividade escolhida o fazem crescer profissionalmente.

Assim também com as angústias e aflições próprias desse mundo, qualquer que seja o nome com que a classifiquemos: desemprego, ofensa, enfermidade, humilhação, carência de qualquer tipo, solidão, medo, condicionamentos ou qualquer outro tipo de limitação exige de seus protagonistas um primeiro passo de superação: coragem!

Sim, o desencorajamento diante das adversidades, sejam quais forem, é um veneno que mina nossas forças interiores. Portanto, é preciso erguer-se com coragem e determinação das angústias e aflições de nossa condição e prosseguir, sem medo.

É o que se pode chamar de bem e mal sofrer. Sofrer todos sofrem, de um jeito ou de outro. Agora, o importante é saber sofrer. E saber sofrer é enfrentar a dificuldade, esforçar-se para super a adversidade apresentada para posteriormente dizer: eu fui mais forte e venci!

O mal sofrer é a revolta, a reclamação, a acomodação. Quem luta, apesar das limitações todas que possa encontrar, enquadra-se no time daqueles que têm oportunidade de provar sua firmeza, sua determinação, sua perseverança.

No bem sofrer, de resignação ativa, conquistamos amadurecimento, aprendemos a superar obstáculos e avançamos nos degraus do conhecimento e da moral.

Por essas reflexões todas, o bem sofrer, ou seja, o saber tirar do sofrimento o aprendizado que precisamos, é comportamento preventivo contra o câncer, porque entregar-se à tristeza, à revolta, à inconformação, mina nossas defesas orgânicas, sujeitando-nos às infecções e enfermidades. A mágoa, por exemplo, guardada e alimentada, é detonadora de processos de AVC, é destruidora de cédulas, é acionadora de mecanismos que resultarão em infartos e outras complicações de saúde.

Melhor, pois, optar pela coragem, pela alegria de viver, pela perseverança no bem e pela determinação de superar obstáculos em atitudes de confiança e otimismo. Tais comportamentos protegem a saúde, reforçam o sistema imunológico e nos fazem mais saudáveis.

Se a tristeza chegar, convide-a à alegria através de uma boa música, de uma boa leitura ou da convivência com amigos animados. Veja um bom filme de Chaplin ou saia caminhar. Há vários caminhos para superar nossas limitações. O importante é não nos permitirmos dias seguidos de tristeza, solidão ou mágoas. Perdoar e prosseguir, eis a senha de saúde, com bom ânimo, boa vontade e bom humor no comportamento. Se o ciúme ou a inveja, o rancor ou a vingança nos convidar à ação, expulse-os de sua vida. Não precisamos deles. Contamine-se antes, de alegria e entusiasmo. Você, como eu, como qualquer outra pessoa, guardamos um tesouro dentro de nós: a capacidade de viver, de ser criativo, de superar medos e obstáculos! Prossigamos, pois! É preciso!

Para ampliar o assunto, sugerimos pesquisa no item 18 do capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo, onde a monumental mensagem assinada pelo Espírito Lacordaire inspira refletir sobre a questão.

19 fevereiro 2010

Provações e Orações - Emmanuel

PROVAÇÕES E ORAÇÕES

Referimo-nos, muitas vezes, às circunstâncias difíceis, como sendo óbices insuperáveis, trazidos por forças cegas do destino, arrasando-nos a coragem e a alegria de viver, simplesmente porque, em certas ocasiões, as nossas súplicas ao Céu não adquiriram respostas favoráveis e prontas. Outro, porem, ser-nos-á o ponto de vista, se considerarmos que os acontecimentos críticos são carreados até nós pelos recursos inteligentes da vida, certificando-nos a capacidade de auto superação.

Imaginemos o desmantelo e a desordem que levariam no mundo se todos os nossos desejos fossem imediatamente atendidos. Por outro lado, analisemos a mutabilidade de nossas situações e disposições, e verificaremos que muitas das providências solicitadas por nós ao Suprimento Divino, quando concedidas, em muitos casos, já nos encontram em outras faixas de petição.

Daí, o caráter ilícito de nossas queixas, quando alegamos que o Senhor nem sempre nos ouve nos dias de angústia.

Hoje, queremos isso ou aquilo, amanhã já não queremos aquilo ou isso. Disputamos a posse de objeto determinado e passamos a desinteressar-nos da concessão, depois de obtida.

Como esperar que a Divina Misericórdia nos suprima o amparo ou o remédio, o socorro ou a lição, se as horas difíceis são os instrumentos de que carecemos para que se nos sulque convenientemente o espírito para as tarefas do necessário burilamento?

Se provações constrangedoras te alcançam a estrada, não te permitas a omissão da luta, através de fuga ou desânimo. Persevera trabalhando na área em que te afligem, na certeza de que são fatores de promoção a te elevarem de nível.

Tolera as condições desfavoráveis que te respondem na senda de cada dia, pois, se as aceitas, servindo e construindo, para logo observares que o amparo do Alto te sustenta na travessia de todas elas, porque em nenhum lugar e em tempo algum estaremos separados de Deus.

De "Alma e Coração",de
Francisco Cândido Xavier,
pelo Espírito Emmanuel

18 fevereiro 2010

O Cristão e o Enfrentamento do Mundo - Francisco de Paula Vítor

O CRISTÃO E O ENFRENTAMENTO DO MUNDO

Se o mundo nos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim.
Jesus (Jo. 15:18)

Mesmo entre os adeptos das inumeráveis crenças religiosas, são encontrados os irmãos que se lamentam em demasia.

Parece que se acostumaram a afivelar ao rosto máscaras de padecimentos e de infelicidades crônicos, sem as quais estariam muito deslocados no meio social de que fazem parte.

Lamentável é percebermos que, sendo a mensagem do Evangelho enunciada como de alegria e de esperança, haja um número tão expressivo de almas que fixaram em seus caracteres a morbidez que velhas e infelizes lideranças lhes impuseram ao apresentar os pontos e normas das respectivas crenças.

Muita gente guarda a ilusão de que o fato de estar inscrita em dada agremiação de fé religiosa seria o suficiente para se ver livre de enfermidades, das lutas da vida e dos infortúnios diversos que caracterizam a marcha planetária.

Em chegando ao mundo terrestre, todo e qualquer espírito, desde os mais simplórios aos mais bem aquinhoados de valores gerais, estará a braços com as condições do planeta. É como se um príncipe penetrasse uma choça para visitar um pestilento. Não obstante a sua hierarquia social, teria que suportar os maus odores do ambiente e pisar o mesmo chão pisado por todos.

Assim, então, não será complicado entender porque Sócrates,o grande Sócrates, foi obrigado a sorver uma taça de veneno embora só fizesse o bem, embora só ensinasse maravilhas; porque Ghandi, o Mahatma Gandhi, foi vilmente assassinado quando só pregava e vivia para o bem; porque, Jesus, o Cristo, foi morto numa cruz pelo crime de ensinar e viver o amor entre as criaturas.

Aqueles que se acham por demais desafortunados, infelizes ou desgraçados perante os obstáculos à boa saúde, diante dos apertos financeiros ou face às relações sociais tormentosas, devem observar com mais atenção a forma como viveu o nosso Modelo espiritual, o nosso Senhor.

Os que sonham com uma vida sem problemas, mesmo estando na Terra, com certeza se acham injustiçados por Deus, por tê-los internado nessa e não outra paragem cósmica.

Jesus afirmou que o discípulo não está acima do seu mestre, e nos propôs ter coragem e bom ânimo diante de tudo o que sofrêssemos provocado pelos desmandos e exorbitâncias dos nossos irmãos do mundo, o que podemos estender para toda e qualquer aflição ou carência que nos assalte na marcha comum. O desalento, o desânimo perante os episódios ou momentos críticos, já indicam grande inclinação à derrota, à falência completa.

Se na Terra nem Jesus foi poupado ao sofrimento imposto pelos homens, sem que Ele mesmo nada devesse, como é que nós, espíritos em regime de resgate para a harmonização própria com as leis do Criador, vamos pretender um tratamento melhor do mundo para conosco?

À frente de toda dificuldade que nos apareça, trabalhemos no sentido de superá-la com alegria. Diante de toda dor que nos alcance, realizemos o nosso esforço de modo a suplantá-la, mantendo a chama da esperança de tempos melhores mais adiante.

Atentos ao Apóstolo Paulo, que nos ensinou a dar graças por tudo, evitemos esse clima de tragédia ou de vitimação que, costumeiramente, muitos religiosos imprimem em suas vidas.

Se tivermos que sofrer e chorar, que o façamos confiantes de que Deus vela e que, mais dia, menos dia, nossos dramas serão resolvidos, se perseveramos na ação feliz do bem até o fim.

Sem duvida, Jesus é Aquele que nos veio ensinar a extrair o lado bom e útil de todo sofrimento que nos seja imposto, seja por almas em processo de desajustamento e perturbação, seja nas erupções do mundo íntimo, em virtude de guardarmos a certeza de que tudo tem a sua raiz, a sua razão de ser.

Nas experiências das relações humanas, caso venhamos a sofrer toda a carga do ódio daqueles que, ensandecidos, injustos ou cruéis invistam contra nós, enquanto tomamos as providências cabíveis, recomendadas pela nobreza e pela dignidade moral, mantenhamos a paz interior, reconhecendo que, antes de nós, também Ele, pulcro e bom, padeceu igualmente.

De "Quem é o Cristo?",
de J. Raul Teixeira,
pelo Espírito Francisco de Paula Vítor

17 fevereiro 2010

O Centro Espírita - João Cléofas

O CENTRO ESPÍRITA

O Centro Espírita é uma célula viva e pulsante onde se forjam caracteres, sob a ação enérgica do bem e do conhecimento.

Mais do que uma sociedade de criaturas encarnadas, é um núcleo onde se mesclam os seres desprovidos da carne que faculta a evolução no programa de amor e trabalho.

Escola - torna-se educandário, graças ao qual a instrução alarga-se, desde a geração de fenômenos educativos de hábitos, para produzir discípulos conscientes da própria responsabilidade, até cidadãos capacitados para a vida.

Oficina - onde se trabalham os sentimentos e se modelam os valores éticos, aos camartelos do sofrimento e da renovação, nas diretrizes que a caridade propõe como método depurativo e elevado.

Hospital - enseja as mais exclusivas terapêuticas para alcançar as causas geradoras do sofrimento, apresentando as ramificações das enfermidades e as expressões das dores morais, que devem ser transformadas em estado de saúde lenificadora.

Santuário - que se converte em altar de holocausto dos valores morais negativos e de soerguimento das virtudes, em intercâmbio saudável com o pensamento cósmico, mediante a oração, a concentração e a atividade libertadora.

Na sua poli-Valência, o Centro Espírita enseja o intercâmbio continuado de criaturas de um plano com o outro e, na mesma faixa de vibrações, estimula o desenvolvimento das mentes equilibradas construtoras da sociedade feliz do futuro.

Allan Kardec, fundando a Sociedade Espírita de Paris, estabeleceu ali, na casa-máter do movimento nascente, o Centro ideal, para onde convergiam as aspirações, as necessidades, os problemas e objetivos de ordem espírita, a fim de serem examinados e bem conduzidos.

O Centro Espírita é o núcleo social onde se caldeiam os sentimentos, auxiliando os seus membros a tolerarem-se reciprocamente, amando-se, sem o que, dificilmente, os que o constituem, estariam em condições de anelar por uma sociedade perfeita, caso fracassem no pequeno grupo onde se aglutinam para o bem.

O Centro Espírita é, portanto, a célula ideal para plasmar a comunidade dos homens felizes de amanhã, oferecendo-lhes o contributo do respeito e da fraternidade, da atenção e do bem. Honrar-lhe as estruturas doutrinárias com a presença e a ação, pelo menos duas vezes por semana, é dever que todo espírita se deve impor, a benefício da divulgação da Doutrina que ama e que o liberta da ignorância.

De "Suave luz nas sombras",
de Divaldo Pereira Franco,
pelo Espírito João Cléofas

16 fevereiro 2010

Sorte ou Merecimento? - Momento Espírita

Sorte ou Merecimento?

A palavra sorte costuma ser muito utilizada.

Em face de algum acontecimento significativo, fala-se em boa ou má sorte.

Diz-se que algumas pessoas têm muita sorte.

A vida parece lhes sorrir.

Têm grandes amigos, saúde, bom emprego, família equilibrada.

Já para outros a vida não é tão risonha.

Vivem a braços com grandes dificuldades.

Relacionam-se afetivamente com pessoas indignas.

Seus empreendimentos profissionais não obtêm sucesso.

Sua saúde costuma oscilar.

São muitas as formas pelas quais se tenta explicar e contornar a má sorte.

Consulta-se a posição das estrelas no momento do nascimento.

Fazem-se pequenos rituais, a fim de obter conjunções propícias.

Em face de sucessivos desgostos, há quem afirme ser uma questão de carma.

A pessoa imagina estar destinada ao sofrimento e à derrota.

Ocorre ser mais correto raciocinar em termos de Lei de Causa e Efeito.

Tudo o que se faz gera conseqüências inexoráveis.

Muitos comportamentos do passado ainda hoje estão a espargir efeitos.

Quem semeou espinhos nos caminhos alheios não pode esperar transitar por róseas estradas.

Mas a pior herança que a criatura traz em si são os maus hábitos.

Aquele que se acostumou no pretérito a gastar mal o tempo persiste preguiçoso.

O rico dilapidador segue imprevidente, mesmo vivendo na pobreza.

O maledicente de ontem continua mais ocupado com o viver alheio do que com o seu.

O Espírito troca de corpo físico, em suas diferentes romagens terrenas, mas persiste o mesmo em seu íntimo.

Toma algumas boas resoluções no período em que permanece no plano espiritual.

Entretanto, a existência terrena é proveitosa quando põe em prática suas salutares deliberações.

A reforma íntima exige esforço e perseverança.

Ninguém abandona maus hábitos a brincar.

Virtudes também não são desenvolvidas por um golpe de vontade.

É necessário coragem e disciplina para recomeçar a cada tropeço.

A rigor não é importante o que você fez no passado.

O pretérito se apresenta na forma de algumas dificuldades, é certo.

Mas dificuldades são desafios, nada além disso.

Seus problemas são principalmente fruto do modo como você vive hoje.

Certamente você deseja atrair pessoas dignas para sua esfera de relações.

Então, adote hábitos dignos.

Se deseja um bom emprego, torne-se um profissional competente.

Quando necessita demitir, um patrão sempre trata de preservar os melhores empregados.

Assim, para ter tranqüilidade, gaste seu tempo estudando e se aprimorando.

Faça sempre um pouco a mais do que lhe pedem.

Não imagine que passar em um teste de admissão ou em um concurso tenha a ver com sorte.

Bons amigos também não são sorteados ao acaso.

Saúde vigorosa pressupõe bons hábitos de vida.

As coisas boas da vida devem ser conquistadas.

Viver bem não é uma questão de sorte, mas de merecimento.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita

15 fevereiro 2010

O Outro Lado da Festa - Momento Espírita

O OUTRO LADO DA FESTA

Os preparativos para a grande festa estão sendo providenciados há meses.

As escolas de samba preparam, ao longo do ano, as fantasias com que os integrantes irão desfilar nas largas avenidas, em meio às arquibancadas abarrotadas de espectadores.

Os foliões surgem de diversos pontos do planeta, trazendo na bagagem um sonho em comum: "cair na folia".

Pessoas respeitáveis, cidadãos dignos, pessoas famosas, se permitem "sair do sério", nesses dias de carnaval.

Trabalhadores anônimos, que andam as voltas com dificuldades financeiras o ano todo, gastam o que não têm para sentir o prazer efêmero de curtir dias de completa insanidade.

Malfeitores comuns se aproveitam da confusão para realizar crimes nefastos, confundidos com a massa humana que pula freneticamente.

Jovens e adultos se deixam cair nas armadilhas viscosas das drogas alucinantes.

Esse é o lado da festa que podemos observar deste lado da vida. Mas há outro lado dessa festa tão disputada: o lado espiritual.

Narram os Espíritos superiores que a realidade do carnaval, observada do além, é muito diferente e lamentavelmente mais triste. Multidões de Espíritos infelizes também invadem as avenidas num triste espetáculo de grandes proporções. Malfeitores das trevas se vinculam aos foliões pelos fios invisíveis do pensamento, em razão das preferências que trazem no mundo íntimo.

A sintonia, no Universo, como a gravitação, é lei da vida. Vive-se no lugar e com quem se deseja psiquicamente. Há um intercâmbio vibratório em todos e em tudo. E essa sintonia se dá pelos desejos e tendências acalentados na intimidade do ser e não de acordo com a embalagem exterior.

E é graças a essa lei de afinidade que os espíritos das trevas se vinculam aos foliões descuidados, induzindo-os a orgias deprimentes e atitudes grotescas de lamentáveis conseqüências.

Espíritos infelizes se aproveitam da onda de loucura que toma conta das mentes, para concretizar vinganças cruéis planejadas há muito tempo.

Tramas macabras são arquitetadas no além túmulo e levadas a efeito nesses dias em que momo reina soberano sobre as criaturas que se permitem cair na folia.

Nem mesmo as crianças são poupadas ao triste espetáculo, quando esses foliões das sombras surgem para festejar momo.

Quantos crimes acontecem nesses dias...quantos acidentes, quanta loucura...

Enquanto nossos olhos percebem o brilho dos refletores e das lantejoulas nas avenidas iluminadas, a visão dos espíritos contempla o ambiente espiritual envolto em densas e escuras nuvens criadas pelas vibrações de baixo teor.

E as conseqüências desse grotesco espetáculo se fazem sentir por longo prazo. Nos abortos realizados alguns meses depois, fruto de envolvimentos levianos, nas separações de casais que já não se suportam mais depois das sensações vividas sob o calor da festa, no desespero de muitos, depois que cai a máscara...

Por todas essas razões vale a pena pensar se tudo isso é válido. Se vale a pena pagar o alto preço exigido por alguns dias de loucura.

Os noticiários estarão divulgando, durante e após o carnaval, a triste estatística de horrores, e esperamos que você não faça parte dela.

Você sabia?

Você sabia que muitas das fantasias de expressões grotescas são inspiradas pelos espíritos que vivem em regiões inferiores do além?

É mais comum do que se pensa, que os homens visitem esses sítios de desespero e loucura durante o sono do corpo físico, através do que chamamos sonho.

Enquanto o corpo repousa o espírito fica semiliberto e faz suas incursões no mundo espiritual, buscando sempre os seres com os quais se afina pelas vibrações que emite.

Assim, é importante que busquemos sintonizar com as esferas mais altas, onde vivem espíritos benfeitores que têm por objetivo nos ajudar a vencer a difícil jornada no corpo físico.

Equipe de redação do Momento Espírita. Texto baseado nos capítulos 6 e 23 do livro Nas Fronteiras da Loucura, de Manoel Philomeno de Miranda (espírito), psicografado por Divaldo Franco. ed. Leal.

14 fevereiro 2010

Programa de Amor - Marília Barboza

PROGRAMA DE AMOR

Sob o fragor da tempestade que domina as paisagens morais da Terra, Cristo é a Bonança, sustentando-nos na luta ingente, na conjuntura desesperadora.

Ante as circunstâncias que se nos apresentam rudes e calamitosas - efeito natural da irresponsabilidade e da insânia do passado -, ao invés da posição derrotista e acomodada, neurótica e pessimista, reunamos as forças claudicantes, investindo-as na ação libertadora.

O programa que se nos desdobra, à frente, é um desafio ao valor moral e à resistência espiritual dos cristãos decididos, porque de amor.

Não obstante o socorro aos que tombaram sob a vigorosa tormenta, e que ameaça os caminhantes descuidados, apliquemos todos os possíveis esforços na educação e apoio da criança, trabalhando, desde hoje, pela humanidade de amanhã.

Na raiz da violência do adulto jaz uma criança amarfanhada, confundida, infeliz.

Em cada agressor pulsa um coração infantil assaltado pelo medo.

Na gênese do desconcerto social existe uma vida que foi estiolada na nascedouro.

A marginalização da criança engendra a delinquência juvenil, carreando para o adulto a loucura e a destruição.

Toda e qualquer providência que vise a mudança da atual paisagem humana da Terra, por mais respeitável, não deverá lograr êxito, se não tiver como suporte a criança, que prossegue sendo o amanhecer do futuro.

Nesse sentido, todos os recursos devem ser canalizados para esse fanal, obviamente não esquecendo de minimizar-se a situação dos mutilados do corpo e da alma, que transitam sob conjunturas infelizes, agredidos em si mesmo e agressores, revoltados contra todos.

Orientação sobre o sexo com responsabilidade - educação dos adultos; conscientização em torno da estrutura familiar - educação comunitária; dignificação do indivíduo, que deverá possuir o mínimo que seja para sobreviver como cidadão - educação dos governantes; orientação espiritual em torno do destino imortal, lavrado na realidade, sem tabus nem superstição - educação religiosa; exemplo de enobrecimento humano e respeito à criatura - educação infantil; apoio e socorro aos carentes de pão e de paz, de amor e de solidariedade- educação social, constituem alguns itens para, encarados de frente, encetar-se a tarefa de transformar o momento de angústias que se vive, nos risonhos dias de alegrias que chegarão.

Não se trata de uma fácil tarefa ou de um difícil empreendimento, mas de um compromisso que o homem do presente mantém em relação com a sociedade porvindoura.

Ninguém se pode escusar de iniciar este ministério: o de preparar o futuro.

Aquele que se não considere em condições de levantar o edifício da paz, não negue o tijolo da cooperação; quem se acredite capaz de doar o teto, não deixe de oferecer a telha indispensável; não podendo fazer tudo, contribua com a sua parte, porém, não se detenha a gerar problemas, apontando erros e impedindo-se a solução deles.

O jovem carente torna-se o adulto desditoso, sem rumo.

A criança esfaimada, talvez sobreviva à falta do leite e do pão, nos primeiros dias da vida infantil, porém, marcada pela degenerescência cerebral, que a armará de violência e de idiotia, fará que ela cobre a indiferença sócio-econômica de que foi vítima.

... Enquanto prolifera aritmeticamente a natalidade entre as chamadas classes abastadas, nos guetos e favelas multiplica-se geometricamente a vida humana que, nessa ordem, quando menos se espere, assomará, desnutrida e agressiva, em grande mole, promovendo o caos...

Não há, para o problema, solução de emergência. Ninguém se deixe enganar.

Cada família seja um santuário de amor e de um teto para o pequenino de hoje, tombado a rés-do-chão.

Cada lar abra suas portas a uma criança agora sem rumo, oferecendo-lhe diretriz.

Cada criatura doe ternura a uma vida que começa, encaminhando-a para o bem.

... Enquanto não chega a hora de assim proceder-se, cooperemos com os ninhos de amor, que são os lares coletivos onde gorjeiam esses seres canoros que, na infância inocente, merecem e possuem o "reino dos Céus", conforme afirmou Jesus, auxiliando-os, de nossa parte, a serem felizes nas paisagens da Terra, por onde seguem na atualidade, para não perderem a plenitude que os aguardará no futuro espiritual.

Marília Barboza
De "Terapêutica de Emergência",
de Divaldo P. Franco - Diversos Espíritos

13 fevereiro 2010

Filhos Adotivos - Raul Teixeira

Filhos Adotivos

Vale a pena pararmos para pensar no significado dos filhos na nossa vida.

Quando um casal se une e dessa união provém um filho, esse filho é o coroamento de um relacionamento que se admite importante.

Um filho é símbolo da rigidez de uma união que foi estabelecida em bases de bem querer, em bases de afeto, de amor.

O filho, enfim, é esse laço que costuma unir duas partes humanas: o pai e a mãe, o casal, para que, a partir daí, se estabeleça a família.

Quando pensamos em filhos biológicos é isso que se dá. Mas e quando a questão envolve os filhos adotivos?

Como o nome diz, são nossos filhos porque os adotamos como tais.

Não são nossos filhos biológicos, não nasceram de nossas entranhas, de nossas células, mas nasceram dos nossos sentimentos.

Os filhos adotivos são aqueles que vêm preencher uma necessidade que temos de amar e não preencher um espaço vazio dentro de casa, como alguém que consegue um animalzinho de estimação porque está vivendo muito só e precisa de companhia.

Um filho adotivo jamais deve sê-lo por essa razão.

Quando adotarmos uma criança, em qualquer idade que seja, é pelo desejo que o adotante tenha de amar essa criança, de dar a essa criança melhores condições de vida, melhores possibilidades de vitória.

A adoção deve ser um ato de amor legítimo para com o ser adotado. Ninguém que esteja vivendo a depressão da solidão vai adotar alguém apenas para se ver livre da depressão da solidão.

Muito embora se, durante a depressão solitária, advier-nos essa chama do amor e adotarmos alguém para lhe dar bem querer, para ajudar-lhe o crescimento, sem dúvida, a nossa depressão começará a bater em retirada.

É muito difícil uma depressão que suporte um menino travesso. Qualquer mãe depressiva, que tenha meninos travessos, tem duas saídas, aliás, uma só entre duas possibilidades: ou abandonar os meninos ou abandonar a depressão.

É muito importante pensar que um filho adotivo vem somar à nossa família, vem colocar um tempero em nossa família.

Muitas vezes há casais que desejariam ter mais filhos.

Por razões diversas de ordem orgânica não podem ter e apelam para o filho que desejam ter. Já que não o podem ter biologicamente, tratam de buscar um filho emocional, um filho sentimental, um filho do coração. É assim que deveremos dizer aos nossos filhos adotivos: São filhos do nosso coração, nasceram de nossa alma, são filhos afetivos.

Nesse campo de entendimento, ninguém está obrigado a adotar crianças. Mesmo sendo religiosos, os indivíduos não estão obrigados.

Ah, eu sou católico romano, tenho que adotar. Eu sou evangélico, tenho que adotar. Eu sou espiritista, tenho que adotar.

Não, ninguém tem que adotar.

Temos que aprender a amar. É o amor que diz o que deveremos e poderemos fazer.

Muitas vezes não temos condições de adotar e trazer para dentro de nossa casa, mas podemos ajudar a mantê-lo onde ele está: no casebre simples, na casa pobre, no lar assistencial, na instituição que o hospeda, ajudando-o a estudar, a vesti-lo, a tratá-lo, visitando-o.

Há diversas maneiras de termos filhos adotivos. Nem sempre os adotivos moram conosco dentro da mesma casa.

Adotivos podem morar com seus próprios pais que sejam pobres, que sejam incapazes, que sejam enfermos e, de onde estivermos, vamos lançar nossa rede de amor na direção dessa criança e adotá-la, como parte de nossa vida.

* * *

Quando desenvolvemos um sentimento pela adoção é porque o nosso coração não está tranquilo, não está feliz vivendo do jeito que vive. É preciso que a gente dê alimento ao coração.

O coração vive de sentimentos, o coração é sentimento e, dessa forma, quando pensamos em adotar, não devemos ocultar dele que ele é nosso filho adotivo, ainda que o adotemos bebê. Nada de esconder. A vida, de uma maneira ou de outra, vai mostrá-lo, vai afirmá-lo e vai desmascarar o nosso enredo, gerando traumas, frustrações, complexos, revoltas.

Cada Espírito adotado por alguma família precisa atravessar essa experiência de se sentir adotado. Nisso constitui a sua provação, se podemos dizer assim. Aí está a sua necessidade provacional: saber-se não biológico daquela família, saber-se não biológico daquele grupo, mas, sim, afetivo.

E o importante para a família não é dizer para a criança que ela é filha carnal. O importante para a criança é ser amada, é verificar que não há distinção entre os filhos biológicos e ela.

Dessa maneira, não há porque esconder, não há porque inventar histórias.

Você é meu filho do coração, você não nasceu do ventre da mamãe, nasceu do sentimento da mamãe. Mamãe foi buscar você. Você veio ao encontro da mamãe ou do papai, quer dizer, essa conversa é franca, é tranquila e a criança se ajusta muito bem a ela.

Porque, muitas vezes, uma família completamente diferente biologicamente do filho adotado não pode mentir para esse filho: uma família negra, que adote filhos brancos; uma família branca, que adote filhos negros, filhos asiáticos ou vice versa, então não há porquê mentir.

O mais importante é o amor que se dedique a essas crianças. O mais importante é o trabalho que se faça com essas crianças adotadas.

Quantos casais dão preferência por adotar crianças lesionadas, com síndrome de Down, com deficiências mentais, aleijadas.

Verificamos que é uma experiência de amor inusitada porque todos querem um filho perfeito.

Algumas famílias procuram filhos que se assemelhem biologicamente à sua própria família: querem com pele assim, com olhos assim, com cabelo desse jeito, mas quem quer amar, ama a criança que precisa ser amada, não importa de onde ela venha, não importa a cor da epiderme, não importa.

Então é muitíssimo importante verificarmos que a adoção é, de fato, uma extensão do nosso sentimento que busca outros sentimentos. É alguém que deseja amar diante de alguém que precisa ser amado.

Nesses tempos da nossa sociedade, está em voga uma questão muito séria, muito delicada, que é a adoção de crianças por casais gays, por casais homossexuais, homens ou mulheres.

Dessa forma, surgem as discussões sociais quase sempre vazias, quase sempre despropositadas, porque o amor, ensinam-nos os Bons Espíritos, o amor não tem sexo. O amor é o amor.

Como é que poderemos imaginar que será melhor para uma criança ser criada na rua, ao relento, submetida a todo o tipo de execração a ser criada, nutrida, abençoada por um lar de um casal homossexual?

Muita gente assevera que a criança corre riscos. Mas como, se estamos acompanhando as crianças correndo riscos nas casas dos seus pais heterossexuais?

Outros afirmam que a criança criada com homossexuais poderá adotar a mesma postura, a mesma orientação sexual, o que também é falso.

A massa de homossexuais do mundo advém de lares heterossexuais. Então teríamos que concluir que são os heterossexuais que formam homossexuais.

Logo, não temos que entrar nessa discussão, que é apenas tola e preconceituosa.

Aquele que tenha amor para dar que o dê e, dessa maneira, estaremos colaborando com Deus na obra da Criação.

Não importa qual seja nossa orientação sexual, importa qual seja a orientação do nosso sentimento, do nosso amor, do nosso coração. Há tantos casais hetero, duros, frios, indiferentes.

Ninguém se preocupe com isso. Na medida em que as leis o permitam, adotem as crianças. Na medida que o coração o peça, adotem as crianças e que sejamos todos muito felizes.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 171, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.
Programa gravado em setembro de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 13.09.2009. Disponível no DVD Vida e Valores, v. 4, ed. Fep.

12 fevereiro 2010

Efeitos Físicos - André Luiz

Efeitos Físicos

SIMBIOSES ESPIRITUAIS – Compreendendo-se que toda criatura se movimenta no seio das emanações que lhe são peculiares, intuitivamente percebemos os processos simbióticos, dentro dos quais se efetua a influenciação das Inteligências desencarnadas que tomam alguém para instrumento de suas manifestações.

Muitas vezes, essa ou aquela individualidade, ao reencarnar, traz nos próprios passos a companhia invisível dessa ou daquela entidade com a qual se mostre mais intensamente associada em tarefas e dívidas diferentes.

Harmonizadas na mesma onda mental, é possível sentir-lhes a integração, qual se fossem hipnotizador e hipnotizado, em processo de ajustamento.

Se a personalidade encarnada acusa possibilidades de larga desarticulação das próprias forças anímicas, encontramos aí a mediunidade de efeitos físicos, suscetível de exteriorizar-se em graus diversos.

Eis porque comumente somos defrontados na Terra por jovens mal saídos da primeira infância, servindo de medianeiros a desencarnados menos esclarecidos que com eles se afinam, na produção dos fenômenos físicos de espécie inferior, como sejam batidas, sinais, deslocamentos e vozes de feição espetacular.

É certo que semelhantes evidências do plano extrafísico se devam, de modo geral, a entidades de pouca evolução, porquanto, imanizadas aos médiuns naturais a que se condicional, entremostram-se entre os homens, à maneira de caprichosas crianças, em afetos e desafetos desgovernados, bastando, às vezes, simples intervenção de alguma autoridade moral, através da exortação ou da prece, para que as perturbações em andamento cessem de imediato.

Tal eclosão de recursos medianímicos, capaz de ocorrer em qualquer idade da constituição fisiológica, independe de quaisquer fatores de cultura da inteligência ou de aprimoramento da alma, por filiar-se a fatores positivamente mecânicos, tal qual ocorre nas demonstrações públicas de agilidade ou de força em que uma ginasta qualquer, com treinamento adequado, apresenta variadas exibições.

MÉDIUM TELEGUIADO – Imaginemos que persista na individualidade encarnada a fácil desassociação das forças anímicas. Nesse caso, temo-lo habilitada ao fornecimento do ectoplasma ou plasma exteriorizado de que se valem as Inteligências desencarnadas para a produção do fenômenos físicos que lhes denota a sobrevivência.

Chegada a esse ponto, se a criatura deseja cooperar na obra do esclarecimento humano, recebe do Plano Espiritual um guarda vigilante – mais comumente chamado , segundo a apreciação terrestre - , guarda esse, porém, que, diante da esfera extrafísica, tem as funções de um zelador ou de um mordomo responsável pelas energias do medianeiro, sempre de posição evolutiva semelhante.

Ambos passam a formar um circuito de forças, sob as vistas de Instrutores da Vida Maior, que os mobilizam a serviço da beneficência e da educação, em muitas circunstâncias com pleno desdobramento do corpo espiritual do médium, que passa a agir à feição de uma Inteligência teleguiada.

Daí nasce a possibilidade da constituição dos círculos de estudo das ocorrência de materialização, com os fenômenos de telecinesia, a começarem nos e a culminarem na ectoplasmia visível.

DIFICULDADES DO INTERCÂMBIO – Não podemos esquecer que o campo de oscilações mentais do médium – envoltório natural e irremovível que lhe pulsa do espírito – é o filtro de todas as operações nos fenômenos físicos.

Incorporam-se-lhe ao dinamismo psíquico os contingentes ectoplásmicos dos assistentes, aliados recursos outros da Natureza; mas ainda aí, os elementos essenciais pertencem ao médium que, consciente ou inconscientemente, pode interferir nas manifestações.

A exteriorização dos princípios anímicos nada tem a ver, em absoluto, com o aperfeiçoamento moral.

Cumpre destacar, assim, as dificuldades para a manutenção de largo intercâmbio, dilatado e seguro, nesse terreno.

Basta leve modificação de propósito na personalidade medianímica, seja em matéria de interesse econômico ou de conduta afetiva, para que se lhe alterem os raios mentais

Verificada semelhante metamorfose, esboçam-se-lhe, na aura ou fulcro energético, formas-pensamentos, por vezes em completo desacordo com o programa traçado no Plano Superior, ao mesmo tempo que perigosos consideráveis assomam na esfera do serviço a fazer, de vez que a transformação das ondas mediúnicas imprime novo rumo à força exteriorizada, que, desse modo, em certas ocasiões, pode ser manuseada por entidades desencarnadas, positivamente inferiores, famintas de sensações do campo físico.

Em tais sucessos, perturbações variadas podem ocorrer, desencorajando experiências magnificamente encetadas.

MÉDIUM E ASSISTENTES – todavia, é imperioso anotar que não somente o fulcro mental do médium intervém nas atividades em grupo.

Cada assistente aí comparece com as oscilações que lhe são peculiares, tangenciando a esfera mediúnica em ação, e, se os pensamentos com que interfere nesse campo diferem dos objetivos traçados, com facilidade se erige, igualmente, em fator alternante, por insinuar-se, de modo indesejável, nos agentes de composição da obra esperada, impondo desequilíbrio ao conjunto, qual acontece ao instrumento desafinado numa orquestra comum.

Disso decorrem os embaraços graves para o continuísmo eficiente dos agrupamentos que se formam, na Terra, para as chamadas tarefas de materialização.

Se as entidades espirituais sensatas e nobres estão dependentes da faixa de ondas mentais do médium, para a condução correta das forças ectoplasmáticas dele exteriorizadas, o médium depende também da influência elevada dos circunstantes, para sustentar-se na harmonia ideal.

É por isso que, se o medianeiro tem o espírito parcialmente desviado da meta a ser atingida, sem dificuldade se rende, invigilante, às solicitações dos acompanhantes encarnados, quase sempre imperfeitamente habilitados para os cometimentos em vista, surgindo, então, as fraudes inconscientes, ao lado de perturbações outras de que se queixam, aliás inconsideradamente, os metapsiquistas, pois lidando com agentes mentais, longe ainda de serem classificados e catalogados em sua natureza, não podem aguardar equações imediatas como se lidassem com simples números.

LEI DO CAMPO MENTAL – Lamentam-se amargamente os metapsiquistas de que a maioria dos fenômenos mediúnicos se encontram eivados de obscuridades e extravagâncias, e de que, por isso mesmo, a doutrina da sobrevivência, para eles, se mostra repleta de impossibilidades.

Estabelecem exigências e, depois de atendidos, acusam a instrumentação medianímica de crias personalidades imaginárias; exageram a função dos chamados poderes inconscientes da vida mental, estranhando que a força psíquica, como recurso mediador entre encarnados e desencarnados, não procede na balança da observação humana à maneira, por exemplo, das combinações do cloro com o hidrogênio.

Com referência ao assunto, é imperioso salientar que se desconhece ainda, no mundo, a Lei do Campo Mental, que rege a moradia energética do Espírito, segundo a qual a criatura consciente, seja onde for no Universo, apenas assimilará as influências a que se afeiçoe.

Cada mente é como se fora um mundo de per si, espirando nas ondas criativas que despede – ou na psicosfera em que gravita para esse ou aquele objetivo sentimental, conforme os próprios desejos -, sem o que a lei de responsabilidade não subsistiria.

Um médium, ainda mesmo nas mais altas situações de amnésia cerebral, do ponto de vista fisiológico, não está inconsciente de todo, na faixa da realidade espiritual, e agirá sempre, nunca à feição de um autômato perfeito, mas na posição de uma consciência limitada às possibilidades próprias vontade.

FUTUROS DOS FENÔMENOS FÍSICOS – No entanto, devemos declarar que conhecemos, em vários países, alguns círculos de ação espiritual nos quais a sinergia das oscilações mentais entre médiuns, assistentes e entidades desencarnadas se ergue a níveis convenientes, facultando acontecimentos de profunda significação, nas províncias do espírito, não obstante, até certo ponto, servirem apenas como índice de poder mental ou de simples informações sem maior proveito para a Humanidade, tal o mecanismo compreensivelmente fechado em que se encerram.

A ciência humana, porém, caminha na direção do porvir.

A nós, os Espíritos desencarnados, interessa, no plano extrafísico, mais ampla sublimação, para que façamos ajustamento de determinados princípios mentais, com respeito à execução de tarefas específicas.

E aos encarnados interessa a existência em plano moral mais alto para que definam, com exatidão e propriedade, a substância ectoplasmática, analisando-lhe os componentes e protegendo-lhe as manifestações, de modo a oferecerem às Inteligências Superior mais seguros cabedais de trabalho, equacionando-se, com os homens e para os homens, a prova inconteste da imortalidade.

Do livro: Mecanismos da Mediunidade,
Médiuns: Francisco Candido Xavier e Waldo Vieira

11 fevereiro 2010

A Metamorfose - Momento Espírita

A Metamorfose

Você já observou a borboleta pousada sobre uma folha nova, especialmente escolhida por ela, uma que não caia antes da saída das lagartinhas do ovo, dobrar o abdome até sentir a face inferior da folha e ali colocar o ovo?

Por essas maravilhas da natureza, que somente a Providência Divina explica, cada espécie de borboleta sabe exatamente qual o tipo de planta que deve escolher para colocar o ovo que, graças a uma substância viscosa de secagem rápida, fixa-se imediatamente.

As borboletas são muito admiradas pela leveza dos seus voos e a beleza do colorido de suas asas.

Elas procuram, nas flores, na areia úmida ou em frutos fermentados, o seu alimento, sendo que as flores são muito frequentadas pelas borboletas fêmeas, enquanto os machos preferem as areias úmidas.

Algumas espécies existem que têm a capacidade de permanecer imóveis por tempo considerável, enquanto outras fazem voos curtos, por vezes muito rápidos, indo de uma flor a outra.

Elas buscam a pradaria, as ramadas das árvores, beijam as folhas farfalhantes e driblam o vento apressado.

Bailam em meio às gotículas que se desprendem das quedas d'água ou como pétalas voejam, balançando no espaço.

Seu matiz é mensagem de alegria. A sua liberdade é um convite à paz.

No entanto, dias antes de se mostrarem tão belas não passavam de larvas rastejantes no solo úmido ou na casca apodrecida de algum tronco relegado.

Lagartas, jamais sonhariam com os beijos do sol ou com o néctar das flores. Mas, passam as semanas e após a fase de crisálida, ei-las que surgem maravilhosas, coloridas, exuberantes, plenas de vida.

* * *

À semelhança da lagarta, vivemos no terreno das experiências humanas.

Afinal, chega um dia em que somos convidados a adormecer na carne para despertar na Espiritualidade, planando acima das dificuldades que nos afligiam.

É a morte que nos alcança e nos ensina que a vida não se resume num punhado de matéria que entrará em decomposição.

Também não é simplesmente um amontoado de episódios marcantes ou insignificantes, promotores de esparsos sorrisos e rios de pranto.

A vida é a do Espírito, que vive para além da aduana da morte, tendo como destino a vida na amplidão.

Por isso, quando formos constrangidos a acompanhar, com lágrimas, aquele afeto que se despede das lutas do mundo, rumando para a Espiritualidade, não lastimemos, nem nos desesperemos.

Mesmo com dores n'alma, despeçamo-nos do coração querido com um suave até logo porque exatamente como as borboletas, ele alcançou a liberdade, enfim.

* * *

Ao morrer o corpo, o Espírito que dele se utilizava como de um veículo, se liberta.

Ninguém se aniquila na morte. Muda-se, simplesmente, de estado vibratório, sem que se opere uma mudança nos sentimentos, paixões e anseios naquele que é considerado morto.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 10 do livro Rosângela, pelo Espírito homônimo, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter; no verbete Morte, do livro Repositório de sabedoria, v. 2, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal e no verbete Borboleta, da Enciclopédia Mirador, v. 4, ed. Encyclopaedia britannica do Brasil