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25 novembro 2018

Perdão - Divaldo P.Franco



PERDÃO


“Se perdoardes aos homens as ofensas que vos fazem, também vosso Pai celestial vos perdoará os vossos pecados. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará os vossos pecados". (Mateus, VI: 14-15)

O perdão na visão da Psicologia profunda é dar o direito de cada um ser como é. E também a nós o direito de sermos como somos. Se o próximo é assim, não nos cabe modificá-lo, mas se estou assim, tenho o dever de modificar-me para melhor.

Não posso impor-me ao outro, porque minhas palavras serão apenas propostas. Eu que estou desejando ser feliz tenho a psicologia da minha autotransformação. E nunca devolverei mal por mal; procurarei sempre retribuir o mal com o bem. Se o outro é um caluniador, não posso me permitir ser igual a ele.

Toda vez que fico com raiva a pessoa está me manipulando, e eu não deixo ninguém me manipular. Não posso permitir que um desequilibrado me oriente. Sou eu a pessoa saudável; não devo dar a ele a importância que se atribui. Devo olhá-lo como um terapeuta olha um doente.

Se tenho uma visão diferente da vida, e se desejo transmitir esta visão, é nobre; mas não posso esperar que o outro a acate, porque ele está em outro nível de evolução. Devo dar o direito ao outro de ser inferior, se isto lhe agrade.

Se achamos que ele nos ofendeu, a nossa é uma situação simpática. Se ele nos caluniou, tanto eu como ele sabemos que é mentira dele. Se nos traiu, somos a vítima e ele sabe que é nosso algoz. Então o problema é da consciência dele. Não devemos cultivar animosidade, e sim perdoar. Não ficarmos manipulados, dominados pelo ódio, odiando também.

Esquecer é outra coisa. Na luz da Psicologia profunda o perdão não tem nada a ver com o esquecimento. Na visão espiritualista o perdão é o total esquecimento. São dois pontos diferentes. Não devolver o mal depende de mim; esquecer depende da minha memória. Muita coisa eu queria esquecer e simplesmente não esqueço.

Se dou um golpe num móvel e causou uma lesão nos tecidos da mão, essa lesão só vai desaparecer com o tempo, quando o organismo se recompor. Eu posso reconhecer que não devia ter feito, mas esse reconhecimento não tira o dano que causei.

À luz da Psicologia profunda, o perdão é exatamente não devolver o mal. Tenha a raiva, mas não a conserve que faz muito mal. Á predominância da natureza animal, sobre a espiritual, questão 742 do Livro dos Espíritos. Sentimos o impacto e não temos como evitar a raiva, é fisiológico, reagimos no momento. Mas conservar a mágoa é da minha vontade.

Se eu conservar a mágoa tenho um transtorno psicológico, sou masoquista, gosto de sofrer. É tão maravilhoso quando a gente ouve: Coitado! E aí fica pior. O outro vai embora e a gente fica aquele depósito de lixo, intoxicando-se. O racional é nos libertarmos de tudo que nos perturba. Somos seres inteligentes e possuímos os mecanismos de libertação.

Geralmente dizemos: Mas ele não devia ter feito isto comigo. Mas fez, o problema é dele. Quem rouba, quem furta é que é o ladrão. Já está encarcerado na consciência culpada. A visão psicológica do perdão é diferente da visão espiritualista do perdão. Como seres emocionais sentimos o impacto da agressão, mas não devemos nos revoltarmos, e trabalhemos para esquecer.

A medida que formos trabalhando, a mágoa, a ofensa, vai perdendo o significado. A medida que vamos descobrindo nossos valores, ela vai desaparecendo. Quando estamos de bom humor, ouvimos até desaforo e dizemos: "Sabe que você tem razão?" Quando levantamos de mau humor, só de a pessoa nos olhar, perguntamos: "Qual é o caso?" Não é o ato em si; é conforme nós recebemos o ato.

Divaldo conta o caso de alguém que, na festa de aniversário, recebeu de uma pessoa que não gostava dela, como presente, um vaso de porcelana, com um bilhete: "Recebe o meu presente, e dentro dele o que você merece". Dentro dele havia dejetos humanos. No aniversário da pessoa que havia enviado tal "presente", o nosso personagem lhe enviou o mesmo vaso, com os dizeres: "Estou devolvendo o vasilhame. O seu conteúdo coloquei num pé de roseira, e estou lhe enviando as rosas que saíram dali".

É um ato de perdão, devolver em luz o que se recebe em trevas. O esquecimento somente vem quando a memória se encarrega de diluir a impressão negativa, o que demanda tempo, reflexão e auto-superação. Perdão não é conivência com a coisa errada.

Quando uma pessoa me agride, eu não estou de acordo com ele; simplesmente não estou contra ele. Se meu filho age erradamente, está aturdido emocionalmente, é ingrato, faz tudo quando me desagrada como se fosse de propósito, eu não estou de acordo, é lógico. Mas eu não posso ficar contra ele. Porque mais do que nunca ele precisa de mim; ele está doente. Não é normal, isto é, não é saudável uma atitude assim.

Mas então eu tenho o direito de me sacrificar? Sim, se aceitou a maternidade, a paternidade, não há condição difícil. Ser co-criador é co-participador. Será que Deus nos abandona toda vez que somos ingratos para com ele? que blasfemamos, que fazemos tudo quanto não devemos? Então o perdão não é conivência com a coisa errada. Não é uma atitude para fingir que tudo está bem.

Alguém nos prejudica e nos pede desculpa. Respondemos: "Ok! mas ele me paga". É melhor enfrentar a realidade. Quando alguém nos disser "me desculpe", responderemos "Não posso. Hoje, eu não posso. Estou muito magoado". A gente diz: "eu te perdôo!" e no outro dia amanhece com dor de cabeça, porque não digeriu. O que devemos é não devolver o mal que nos foi feito.

A pessoa nos diz uma palavra grave, e nós conseguimos segurar. Aí ela diz "você me desculpe, eu não tive a intenção... Você vai perdoar?" — Estou pensando. — Mas então não perdoa? você não é espírita? sou espírita, mas, agora, não tenho condição de perdoar, agora me dê licença. Geralmente, dizemos: "Perdôo de todo o meu coração"; perdoa, mas com ele nunca mais.

E ainda pensamos: "Quem me fizer, faça bem feito, porque não vai ter outra oportunidade". Entretanto, o meu problema não é com ele, é comigo. Seja gentil com você. Se eu me permito viver magoado, ressentido, sofrendo, como vou amar o outro?

Eu mereço ter uma vida melhor. Ao chegar ao escritório: "Bom dia!", o outro responde: "não vejo porque seja tão bom assim". Não nos ofendermos com isso; se ele está de mau humor é problema dele, a doença do mau humor requer tratamento psiquiátrico. Seja gentil com você. Ame-se. Não permita que ninguém torne sua vida insuportável, nem para você, nem para os outros.

Divaldo conta o caso da pessoa que foi visitar um hospital de doentes mentais e lhe chamou a atenção, o psiquiatra. Noventa por cento dos agitados passavam perto do psiquiatra, uns diziam: Dr. já estou curado; ele respondia: Ok!; outros falavam absurdos, e ele ouvia, silenciava, ou concordava, e continuava a caminhada. No final, o visitante perguntou o por que da atitude dele, ao que respondeu: Eu sou saudável, não posso me atingir com o que dizem ou fazem, pois são doentes. E aí podemos perguntar: Será que a Terra não é um grande hospital?

A pessoa saudável não faz o mal conscientemente a ninguém. Mas quando está de mal consigo, agride o outro. Então seja gentil com você; seja honesto; está com raiva, admita. Estou magoado, etc. Reprimir esses ressentimentos vai ficar lhe prejudicando. Digira sua raiva; digira o ressentimento. Não os mantenha. Necessário deixar cicatrizar; às vezes fica uma cicatriz e é necessário uma cirurgia.

Devemos nos empenhar em descobrir os nossos pontos vulneráveis. E Divaldo narra uma experiência pessoal. "Depois de anos de auto-análise, descobriu alguns pontos vulneráveis e começou a trabalhar esses pontos. Notou que atendendo o público, às vezes ficava irritado. E descobriu que o ponto vulnerável era o cansaço. Quando ia ficando cansado perdia um pouco a lucidez.

O autógrafo é a oportunidade de ter um contacto com as pessoas. Alguns são tímidos, não chegam para conversar, pensam que vai incomodar. Mas o atendimento às vezes é prolongado. Começa 18h30 e vai até 1h30, 2h da manhã ainda está em pé. Quando a fila estava grande, ficava ansioso. Fez sua autoterapia: Está ali porque quer; faz porque gosta.

Certo dia, uma senhora, o anjo bom, lhe disse: "Pelo menos me olhe". O sangue subiu, voltou. — Muito obrigado, porque a senhora acaba de me ajudar. "Como me fez bem. Descobri o ponto vulnerável".

Devemos dar o direito de a pessoa ser agressiva, mas não nos dar o direito de revidar a agressão. A raiva é semelhante a uma labareda, ou um raio. Pode provocar danos incalculáveis. É inesperada.

O rancor é calculado. É necessário que aprendamos a colocar um para-raio e evitemos os tóxicos do rancor. Porque esse rancor nos dá prazer. Observamos mesmo entre os companheiros espíritas. Quando alguém que não lhe é simpático sofre algum dano, algum sofrimento, a pessoa diz: "Ah! já esperava. Quando não faço, Deus faz por mim". Deus é pai dele; do outro só é padrasto.

Não tenha prazer na infelicidade de alguém. Se devemos ter compaixão de quem sofre, devemos sentir prazer com a felicidade dos outros. Por seu intermédio, Bezerra de Menezes fez uma prece em que pede em favor dos que fazem os outros sofrerem. Geralmente pedimos pelos que sofrem, mas os que fazem sofrer estão em situação pior.

Geralmente, quando alguém progride nós temos inveja. Deus sabe como ele conseguiu tal coisa. Devemos alegrar-nos com o triunfo dos outros. É uma forma de perdoar a vida, por não nos haver dado aquilo que outro recebeu. Saúde, sucesso financeiro, são responsabilidades, provações.


Divaldo Pereira Franco
Seminário sobre o Perdão
Compilado por José Argemiro da Silveira




24 novembro 2018

Vampirismo Espiritual - Leandro Martins



VAMPIRISMO ESPIRITUAL


Cansaço, baixa imunidade às doenças, falta de equilíbrio e concentração, bem como excesso de irritabilidade podem ser indícios de uma perda energética provocada pelo vampirismo.

Quando a Doutrina Espírita se refere aos vampiros, não fala de seres mitológicos com dentes agudos, adaptados para sugar o sangue das pessoas saudáveis, mas sim, de encarnados e desencarnados, que, desrespeitando as leis de Deus, se munem de sentimentos de vingança contra desafetos do passado, ou mesmo de sentimento oportunista e passam a viver à custa de energia vital de outrem.

Há também aqueles seres que embora tenham deixado o corpo físico, continuam ainda vivendo os prazeres obscuros da carne e dos vícios como o fumo e as drogas, bem como os desregramentos da bebida e do sexo, entre outros e que por se encontrarem impossibilitados de satisfazerem seus prazeres, induzem outras pessoas encarnadas a fazê-lo, e delas captam os fluidos, sentindo-se assim os mesmos prazeres produzidos pelo ato.

2. - Espíritos vampirizadores

O termo vampiro é usado analogamente para definir o ato do espírito que suga intencionalmente as energias do outro, em alusão à figura mítica de Drácula que hipnotizava suas vítimas e lhes sugava o sangue até a morte. No mundo espiritual encontram-se figuras distintas deste ser mas que atuam de forma muito parecida com as artimanhas do conhecido ser das trevas do folclore.

Há espíritos que sugam as energias sutis de seus hospedeiros a ponto de lhes causar sérios danos à saúde física e psicológica, uma vez que, além de lhes enfraquecer as forças, lhes envolvem em formas mentais grosseiras, que os martirizam mentalmente levando-os, às vezes, a casos de loucura. André Luiz chamou este processo de infecção fluídica, tão grave é o dano causado a vítima.

3. - Seres alienados

Ao desencarnar, o homem leva consigo todos os seus vícios e necessidades. Dependendo de sua nova situação no mundo dos espíritos e, principalmente da região onde habita, é muito comum que sinta as mesmas necessidades que tinha quando encarnado. Como não tem meios para desfrutar dos prazeres da vida corpórea, e sem condições de suprimir esta necessidade em sua nova condição na erraticidade, ele busca apoio naqueles encarnados que podem lhe oferecer formas para a satisfação destas vontades.

Temos aí o sugador de forças vitais, que se aproxima de um encarnado que detém as mesmas necessidades que as suas, induzindo-o a prática em excesso dos vícios em comum. Podemos citar os viciados no campo sexual, das drogas, do jogo, e até nas práticas mais comuns do dia a dia, mas que em excesso, oferecem sérios prejuízos, como o caso da alimentação, como mostram os ensinamentos do espírito André Luiz nos livros da Coleção Mundo Espiritual (FEB).

Encarnados se alimentam e bebem em excesso, o fazem por si e por outros espíritos, e quando em comportamento sexual vicioso, expõem sua vida íntima e privada a uma série de experiências no campo sexual.

4. - Os monstros

Narra a literatura espírita que, no plano espiritual, há entidades que pela ignorância e atraso moral, além de subjugar suas vítimas encarnadas e até mesmo desencarnadas, mantêm pela chamada ideoplastia seu perispírito em formas monstruosas. Sentem-se bem sendo temidos e reconhecidos pela forma que se apresentam e, normalmente agem em bandos visando intimidar os outros espíritos que encontram pela frente.

Ambientes terrenos onde impera o vício e a imoralidade são roteiros preferidos destes espíritos, uma vez que lá encontram por afinidade suas presas com maior facilidade. Segundo o Espírito Miramez pela psicografia de João Nunes Maia, na série de livros que trata da Vida Espiritual (Editora Fonte Viva), bem como pelos livros de André Luiz, os matadouros de animais estão repletos destas criaturas que sugam a energia do animal abatido, saciando dos seus instintos ferozes com os fluidos da presa.

Velórios e cemitérios cujos enterros não contam com a proteção fluídica da prece e a presença de espíritos nobres, podem também ficar vulneráveis à presença destas criaturas, que aproveitam para colher os resquícios de fluidos vitais dos recém-desencarnados.

5. - Vítimas do ódio

Espíritos que mantém desavenças enquanto encarnados, também no plano espiritual, continuam nutrindo o mesmo ódio por seus inimigos. Sentindo-se em vantagem, travam forte perseguição a seus desafetos, aproximando-se deles e, muitas vezes, induzindo-os a tomar atitudes que os prejudiquem como a prática de vícios, o excesso físico, além da escravidão psíquica. Os Centros Espíritas tem por função serem abrigos ao viajor que bate à porta em busca do auxílio para os males do corpo físico ou da alma.

Entre os males da alma, é na Casa Espírita que aquele que, sentindo a pressão da cobrança de uma entidade espiritual vingativa, encontra a proteção e o entendimento necessários ao resgate dessa dívida cármica. Em reunião mediúnica privativa, este espírito será lembrado das palavras do Nazareno que ensinou a perdoar o mal que nos fazem, e que esta dívida cármica será sim quitada com a moeda da ação caridosa em favor de alguém e sem espera de recompensas que não seja outra senão a da alegria na prática do bem.

Envolvido em uma psicosfera de amor e oração, este cobrador do além sentirá o envolvimento de sentimentos de paz e bondade que o estimulará a desistir do intento de vingança e a compreender que o perdão liberta quem perdoa e não quem é perdoado.

6. - Vampiros encarnados

Não podemos deixar de falar da obsessão dos encarnados aos desencarnados. É o que acontece devido ao apego aos entes queridos. Ao desencarnar o homem passa a habitar um mundo desconhecido do plano físico, porém, há laços afetivos que não se rompem. O pensamento daquele que fica aqui atravessa as barreiras físicas chegando à alma daquele que está do outro lado da existência.

Se o pensamento do encarnado for de inconformismo e desespero, isto poderá causar desequilíbrios ao desencarnado que poderá sentir a necessidade de voltar a viver junto a seus entes queridos; e infelizmente é esta atitude que muitos tomam ao ouvir os chamados incessantes de seus entes queridos encarnados.

Mas a presença do espírito normalmente se torna um problema, pois ele passa a dividir o espaço com os encarnados e a tirar deles, mesmo involuntariamente, seus fluidos vitais e, pela ligação psíquica, podem passar sua insegurança emocional. Assim ambos, encarnados e desencarnados, são prejudicados.

Há também o exercício irresponsável da mediunidade, quando espíritos são praticamente escravizados por médiuns que os usam para a satisfação de prazeres pessoais e a manutenção de sua vaidade medianímica, como ensina André Luiz no livro Nos Domínios da Mediunidade:

“Desencarnados são mais vampirizados que vampirizadores. Fascinados pelas requisições dos médiuns que lhe prestigiam a obra infeliz, seguem-lhes os passos, como aprendizes no encalço dos mentores aos quais se devotam.”

Fala também do futuro destes irmãos envolvidos no processo de simbiose mental: “Na hipótese de não se reajustarem no bem, tão logo desencarnem o dirigente deste grupo e os instrumentos medianímicos que lhe copiam as atitudes, serão eles surpreendidos pelas entidades que escravizaram, a lhes reclamarem orientação e socorro.”

7. - Proteção

A forma de fugir desta influência é seguir as orientações da Espiritualidade que recomenda a vigilância e a mudança de hábitos. Ninguém pode nos forçar a fazer aquilo que não desejamos desde que tenhamos forças para resistir, conforme ensina o saudoso escritor Herculano Pires: ”Vivendo no plano extra-físico, os vampiros agem sobre nós por indução mental e afetiva. Induzem-nos a fazer o que desejam e que não podem fazer por si mesmos. Quanto mais os obedecemos, mais submissos nos tornamos”.

É preciso ter força para ignorar e resistir às más orientações, perdoar seus inimigos. Além de melhorar sua condição espiritual, você ainda convida os seus obsessores a seguirem seus passos em direção ao bem.


Leandro Martins
Revista Espiritismo


23 novembro 2018

Desordens de comportamento e obsessão - Jorge Hessen



DESORDENS DE COMPORTAMENTO E OBSESSÃO


Charity era viciada em drogas e deu à luz o menino Paris. Nove anos depois engravidou novamente e teve a menina Ella. O menino era mais introvertido e tímido, enquanto Ella era extrovertida, teimosa e determinada.

Charity conseguiu ficar longe das drogas por alguns anos. Porém, quando Paris tinha 12 anos e Ella 3, teve uma recaída (por seis meses) com cocaína. Foi difícil para Paris perceber que sua mãe era uma viciada. Transtornado, com 13 anos de idade, ele sufocou e esfaqueou sua irmã 17 vezes com uma faca de cozinha. Após o crime, ligou para o 911, o número de emergência local. Paris disse à polícia que estava dormindo e que, ao acordar, viu que Ella tinha se transformado em um demônio em chamas. Então, ele teria pegado a faca e tentado matar o “demônio”.

Em 2007, Paris foi condenado a 40 anos de prisão pelo assassinato. Charity estava convencida de que o crime não havia sido um acidente ou resultado de uma psicose temporária, pois, para ela, Paris realmente quis matar a irmã. Charity acredita que a recaída nas drogas contribuiu para deixar Paris furioso. Entretanto, do mesmo modo crê que grande parte do que está por trás da personalidade do filho seja genética, pois o pai de Paris tinha esquizofrenia do tipo paranoica, caracterizada por exemplo pela presença de ideias frequentemente de perseguição, em geral acompanhadas de alucinações.

Cremos que o ambiente familiar e social tem papel importante no desenvolvimento e manutenção de transtorno de conduta. Em alguns casos o uso de álcool e drogas pela mãe durante a gestação, e também de alguns medicamentos, já foram confirmados. As pessoas com transtorno de conduta são caracterizadas por padrões persistentes de comportamento socialmente inadequado, agressivo ou desafiante, com violação de normas sociais ou direitos individuais. São pessoas carentes de amor e de apreço pela sociedade, por isso ignoram o outro. Adotam costumes criminosos sem nenhum remorso, conservando-se frios e insensíveis ao que ocorre ao seu redor.

Para a psicologia o “self” nessas pessoas é desconectado do “ego”, padecendo uma rachadura que impede o completo relacionamento que determinaria a sua adaptação ao grupo social. O Espiritismo explica que isso procede de legados morais e espirituais que brotam das experiências infelizes de outras existências, quando o Espírito delinquiu, camuflando a sua culpa e se esquivando da coexistência social. E há em muitos casos influências espirituais que podem levar a desviosde conduta e mau caráter.

Allan Kardec esclarece que há vários tipos de obsessão, sendo o mais grave o de subjugação, em que o obsessor interfere e domina o cérebro do encarnado. A subjugação pode ser psíquica, física ou fisiopsíquica. Assim, as doenças mentais ou físicas também podem, de acordo com o conhecimento espírita, sofrer influências externas.

Recuando à época de Jesus, conferimos que os evangelistas anotaram diversos episódios de obsessões. A exemplo de Lucas, que descreveu o homem que se achava no santuário, possuído por um Espírito infeliz, a gritar para Jesus, tão logo lhe marcou a presença: “que temos nós contigo?”. [1] Numa ação obsessiva, seguida de possessão e vampirismo, o evangelista Marcos escreveu sobre o auxílio seguro prestado pelo Cristo ao pobre gadareno, tão intimamente manobrado por entidades cruéis, e que mais se assemelhava a um animal feroz, refugiado nos sepulcros. [2] No episódio da obsessão envolvendo alma e corpo, o apóstolo Mateus anotou que o povo trouxe ao Mestre um homem mudo, sob o controle de um Espírito em profunda perturbação e, afastado o hóspede estranho pela bondade do Senhor, o enfermo foi imediatamente reconduzido à fala. [3]

Na obsessão indireta, cuja vítima padece de influência aviltante, sem perder a própria responsabilidade, o discípulo amado João registrou que um Espírito perverso havia colocado no sentimento de Judas a ideia de negação do apostolado. [4] E na complicada obsessão coletiva causadora de “moléstias-fantasmas”, encontramos o episódio em que Filipe, transmitindo a mensagem do Cristo entre os samaritanos conseguiu que muitos coxos e paralíticos se curassem, de pronto, com o simples afastamento dos Espíritos inferiores que os molestavam. [5]

Diante dessas inquietações espirituais, Emmanuel afirma que o Novo Testamento trata o problema da obsessão com o mesmo interesse humanitário da Doutrina Espírita. Em face disso, devemos manter-nos atentos e ampliar o serviço de socorro aos processos obsessivos de qualquer procedência, porque os princípios de Allan Kardec revivem os ensinamentos de Jesus, na antiga batalha da luz contra a sombra e do bem contra o mal. [6]

Jorge Hessen

Referências bibliográficas:

[1] Lucas 4: 33,35

[2] Marcos 5: 2,13

[3] Mateus 9: 32,33

[4] João 13: 2

[5] Atos 8: 5,7

[6] Xavier, Francisco Cândido. Seara dos Médiuns, ditado pelo espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 2001


22 novembro 2018

O Umbral - Nilton Moreira




O UMBRAL



Muitos de nós já conhecemos através das leituras da madruga que grande parte da população da Terra é responsável pela existência do umbral. Local denominado de baixo padrão vibratório situa-se na crosta da Terra, mas só é visualizado por videntes ou por ocasião de nosso passamento, já que se encontra no estado fluídico e não material denso que nos encontramos quando estamos encarnados, ou seja, agora por exemplo.Muitos de nós já conhecemos através das leituras da madruga que grande parte da população da Terra é responsável pela existência do umbral. Local denominado de baixo padrão vibratório situa-se na crosta da Terra, mas só é visualizado por videntes ou por ocasião de nosso passamento, já que se encontra no estado fluídico e não material denso que nos encontramos quando estamos encarnados, ou seja, agora por exemplo.

É o umbral um local de densidade fluídica bastante pesada, pois ali se encontram aqueles espíritos que se comprazem no mal, ou seja, as mesmas mentes maldosas que habitavam aqui na Terra conosco e só pensavam em prejudicar e entravar o progresso da humanidade, praticando atrocidades das mais diversas. Neste local, portanto, ficam impedidas de atingirem camadas mais elevadas, os desencarnados, numa e espécie de comunhão de ideias, a exemplo de nós que estamos vivendo na carne e nos juntamos por afinidades às pessoas maldosas.

É evidente que não ficam ai para sempre, pois como o Pai é misericordioso, envia mensageiros do bem para socorrê-los, mas a ajuda depende dos que ali estão, pois sabemos que muitos mesmo depois do passamento querem continuar a perseguir os que ficaram neste plano. São os obsessores como os denominamos, mas isso é assunto para outro artigo.

Aqui no mundo chamado dos “vivos” vemos pessoas que praticam maldades, drogando-se e, portanto cometendo crimes hediondos, e muitas vezes, mesmo que convidados a serem ajudados, recusam e preferem continuar cometendo o mal e acabam execradas em prisões. Assim também no umbral, quando lhes é estendida a mão em socorro, revoltam-se e recusam o auxilio dos benfeitores de luz.

Quando a humanidade perseverar no bem e as mentes evoluírem suficientemente, certamente o umbral desaparecerá e existirá a felicidade plena, pois que a crosta terrestre ficará aclarada, e encarnados e desencarnados irmanados numa psicosfera salutar possibilitarão reinar a nova Terra mencionada no Apocalipse. Mas isso ainda demandará tempo considerável.

Em síntese, umbral nada mais é que um local formado pelas mentes ruins que povoam a Terra. São os nossos pensamentos de mediocridade que dão o suporte para que a Terra Fluídica fique envolta opacamente e aspecto lúgubre, quem sabe se assemelhando com o falado purgatório.

Que possamos nos esforçar filtrando nossos pensamentos, para que aconteça à tão sonhada evolução planetária no todo.


Nilton Moreira 
Coluna Semanal A Vida Além da Vida
Fonte: Spirit Book


21 novembro 2018

Terapias Alternativas - Joanna de Ângelis



TERAPIAS ALTERNATIVAS


A ignorância, geradora do egoísmo, que propicia o apego e a paixão às pessoas e coisas, é a grande responsável pelos sofrimentos.

Considerando-se a impermanência de tudo, em um mundo em constantes alterações, o apego representa a ilusão para deter a marcha dos acontecimentos e reter tudo mais, impossibilitando o surgimento da realidade.

O impermanente é a materialização transitória da realidade, e, por conseqüência, todo apego exagerado à forma produz sofrimento em razão das inevitáveis alterações que ela experimenta. Corresponde à ilusão de pretender-se deter o tempo, que deixará frustrado aquele que se apega a tal intento.

Assim, a maioria das enfermidades se origina na área emocional, como efeito do desequilíbrio da energia, transferindo-se para o psíquico ou físico, produzindo lesões que alteram a estrutura orgânica.

As terapias da medicina objetivam deter as doenças, destruir os invasores, sustentar o corpo. Toda a filosofia médica ocidental centraliza-se nesse objetivo como essencial à saúde.

A sabedoria oriental, em contrapartida, estabelece, há milênios, que, sendo as doenças efeitos degeneradas da energia pelos fatores já examinados, elas devem ser combalidas nas suas causas. Assim, variam as técnicas alternativas para a aquisição da saúde, mediante a supressão da sua causalidade.

A Ciência Espírita, reconhecendo que todo o sofrimento decorre do mau uso do livre-arbítrio, propõe como mecanismo a transformação moral do paciente, pois qualquer terapia que seja aplicada poderá modificar-lhe o quadro orgânico, porém não ira liberá-lo por completo, ela ressurgirá em outras patologias já vigentes no campo vibratório não reequilibrado.

A “Acupuntura”, por exemplo, considera o corpo como um instrumento de um sistema energético, portanto, não físico, o que equivale a dizer, menos denso do que aparenta.

Esse sistema tem prevalência sobre todo o conjunto, qual se fosse um outro sistema nervoso mais complexo, sustentando toda a aparelhagem delicada e os seus implementos mais sutis da organização somática.

Encarrega-se de manter a interação “mente-corpo, emoção-sensação, pensamento-matéria”. A técnica da acupuntura busca, através do corpo físico, alcançar o campo de energia e vitalizá-lo, eliminando os bloqueios impeditivos da irrigação de forças mantenedoras da saúde. Esse sistema energético é composto de meridianos que são correntes de energia.

A “Yoga” trabalha a emoção em desequilíbrio, para os graves problemas psicológicos e alguns outros na área de saúde. O conhecimento dos chakras (rodas) como fontes de energia, propiciou técnicas de desenvolvimento, alimentação e equilíbrio de forças, para a manutenção da aparelhagem material de que se utiliza o Espírito no seu processo de evolução.

Os chakras, em número de sete, são considerados como órgãos de energia. Do coronário ao genésico eles são o suporte de sustentação das funções psíquicas e orgânicas do corpo.

O mais importante a ser considerado nos chakras é a denominada energia “Kundalini”, também conhecida como “serpente adormecida”, que se manifesta pela espinha dorsal, nutrindo-os e sendo por eles sustentada. É também responsável pela energização dos nervos.

A “cromoterapia” talvez se haja inspirado na helioterapia, que consiste na utilização dos raios solares, com equilíbrio, provocando uma ativação salutar dos mecanismos vitais do corpo.

A colesterina sob a ação dos raios ultravioletas se transforma na vitamina (D) ou anti-raquítica. É de excelente resultado, quando sob cuidadoso controle.

A “cor vermelha” é considerada excitante, enquanto o “azul” é calmante. Com essa conclusão, aplica-se a cor vermelha nos estados melancólicos e a azul nos de exaltação.

A cromoterapia devidamente aplicada, por meio de um correto conhecimento das cores e dos efeitos, proporciona estados de recuperação da saúde.

A “Homeopatia” nasceu por volta de 1796, quando Samuel Hahnemann iniciou a sua aplicação, após publicar o seu ensaio sobre um novo principio para descobrir as virtudes curativas das substâncias medicinais.

Ele havia experimentado em si mesmo e nos familiares por seis anos a nova terapêutica, cujos resultados foram surpreendentes.

A homeopatia se fundamenta no principio de que os semelhantes curam os semelhantes e, através de diluições infinitesimais, nas quais, teoricamente, não devem existir moléculas da substância original, o medicamento deixa de ser químico para tornar-se físico.

Considerando a valiosa contribuição de todas elas, não podemos esquecer que é na transformação moral do indivíduo para melhor, na ação da caridade, como prescreve o Espiritismo, respaldado no conceito de Cristo “àqueles a quem sarou, para que não voltassem a pecar” a fim de que não lhes acontecesse nada pior.

Ao lado de todo o contributo “ético-moral” que suaviza o sofrimento e altera-lhe a causalidade, produzindo gêneses saudáveis para o futuro, a assistência médica, quando se trate de questões na área da saúde física, assim como a assistência das ciências psíquicas no comportamento alienado ou nos conflitos da personalidade são de relevante valor.

O sofrimento está muito relacionado com o processo espiritual. Se possuem fé religiosa e transferem o testemunho para o futuro espiritual, suportam melhor as lâminas cortantes, com equilíbrio, logrando vencer a conjuntura, superando-se e saindo da crise com amadurecimento e paz.

Carl Gustav Jung foi possivelmente quem melhor penetrou a realidade do sofrimento, propondo a sua elucidação e cura.

Enquanto a preocupação geral se baseava nos resultados físicos, no bem-estar emocional, sob a angulação médica, ele recorreu a dois métodos para encontrar-lhe a gênese e a solução: os sonhos e a imaginação.

Embora reconhecesse que toda generalidade peca por insuficiência de recursos para o atendimento, desde que cada caso é específico e exige uma linguagem terapêutica especial, adotava os dois comportamentos como método eficaz para os resultados saudáveis.

Ao mesmo tempo recomendava o apoio religioso, portador de excelentes contribuições para a cura da alma, na qual se sediam todas as causas dos sofrimentos.

A promoção moral proposta pelo Espiritismo e a contribuição que dá, pelo fato de ser a alma imortal, herdeira dos próprios atos que, equivocados, são geradores de sofrimentos, e da reencarnação, em cujos renascimentos o ser espiritual se depura, mediante, não raro, o sofrimento, constituem terapias irrecusáveis, no programa de eliminação da dor no homem e na Terra.

O sofrimento tem vigência transitória, por ser efeito do desequilíbrio da energia que, direcionada para o bem e para o amor, deixa de desarticular-se, facultando aos seres a iluminação, a plenitude, portanto, a saúde integral, que a todos no mundo está reservada pelo Pai Criador.


Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo P.Franco
Obra: Plenitude


20 novembro 2018

Quem são meus guias – Miramez




QUEM SÃO MEUS GUIAS


Nem sereis chamados guias, porque um só é o vosso guia, o Cristo. (Mateus, 23:10)


A primeira preocupação dos candidatos ao desenvolvimento mediúnico é saber quem são seus guias. Recomendamos que não dêem tanto interesse a tal cogitação, e recordem o que Jesus dissera aos seus discípulos, anotado por João, capítulo 14:6 : “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”.

Tenhamos, pois, o Cristo como guia de todos nós e os outros aparecerão como por encanto, sem que exijamos as suas presenças. Não vamos tirar de todo o direito, e esse não é nosso propósito, do médium interessar-se pela personalidade espiritual que o dirige ou acompanha. O que o bom senso reclama é não tornar isso um fanatismo.

O sensitivo de hoje, mormente o espírita, compreende e resguarda os deveres diante da função mediúnica. Encontra na comunicação um fenômeno altamente respeitável e, entendendo as leis espirituais do intercâmbio, deixa, neste tocante, e em primeiro lugar a vontade de Deus, a espontaneidade.

Nunca força comunicações, por saber que os Espíritos superiores sabem mais do que os próprios médiuns, quando devem ou não se manifestar. O mundo espiritual elevado tem programação de todos os seus trabalhos, o seu tempo é todo esquematizado, sem que percam uma fração que seja de oportunidade.

Tudo o que se relaciona ao bem, em todas as suas divisões, tudo o que se cogita em favor da caridade, na sua mais alta conscientização, tudo o que o amor usa como eixo principal, é feito em nome de Jesus Cristo, para que Ele nos inspire e nos oriente em toda a execução.

A mediunidade nos homens, para nós, é uma porta, senão ponte, por onde podem e devem transitar as nossas idéias. Todavia, abrir a porta ou deixar livre o pontilhão, fica por conta do próprio medianeiro, que deve acrescentar o asseio indispensável aos canais que lhe pertencem.

Podem notar que cada Espírito que tem a missão de escrever mensagens por intermédio dos homens, insiste no aprimoramento dos seus tutelados, para que possam, com isso, ajudar a serem ajudados.

Tudo no mundo, para o bom funcionamento, requer cuidados especiais, e em se referindo ao automóvel, o dono não deve esquecer da gasolina, do óleo, da limpeza, e de vez em quando um “check-up” no seu motor.

Pois o instrumento físico é um carro com maiores requisitos. O pensamento é a gasolina; a palavra, o óleo; o esforço de melhorar todos os dias, o “check-up” e o aprendizado, a limpeza. A lei é a mesma, sendo que no homem esplende em outra dimensão.

Quando encontramos um instrumento mediúnico apropriado, sentimo-nos contentes, e a nossa alegria beneficia muito a quem serve de canal para nós, e esse benefício certamente é extensivo a muitas criaturas. Se quisermos as boas companhias espirituais, cultivemos as boas tendências, porque somos mais assistidos pelos nossos semelhantes.

Os nossos guias são aqueles que atraímos com os nossos feitos. E Jesus... Ele, o Cristo de Deus, é o Pastor e todo o rebanho terreno. Ele é o Guia principal de todos nós, por misericórdia humana e divina, sem que por isso nos assemelhemos a Ele.

Confiemos em Deus, escolhendo o Mestre dos mestres como Guia, analisando, meditando e procurando imitá-Lo em todos os momentos, para que possamos emprestar aos Espíritos elevados as nossas possibilidades, que por ela, falarão aos outros.

E quando aparecer na tua mente a fome de saber quem são teus guias espirituais, ora, espera e entrega ao tempo, que a revelação vem, sem que tanto te esmeres na preocupação.

Enquanto o véu de Ísis não se rasgar, para que conheças os teus protetores espirituais, decora e repete este versículo, que tornamos a escrever:  Nem sereis chamados guias, porque um só é o vosso guia, o Cristo. (Mateus, 23:10)


Miranez
Psicografia de João Nunes Maia
Obra: Médiuns - Capítulo 98

19 novembro 2018

O mau momento - Momento Espírita




O MAU MOMENTO


Quem de nós já não passou por um mau momento na vida?

Momentos inesperados que surgem parecendo ameaçar as melhores construções da nossa caminhada.

Nesses momentos, nossa organização nervosa se deixa destrambelhar, ocasionando reações imprevisíveis.

Descobrimos, em nós próprios, conteúdos desconhecidos.

Foi o que aconteceu com Vanessa naquela tarde.

Ela, que sempre parecera calma e equilibrada, se permitiu envolver na profundidade do sofrimento, ante uma notícia alarmante.

Pelo telefone, foi avisada de um grave acidente ocorrido com seu marido. E, ainda, um pedido de sua presença urgente, no hospital municipal.

O impacto pareceu lhe tirar o chão dos pés. Não sabia o que fazer por primeiro: chamar um táxi? Dirigir o próprio carro? Pedir a alguém para acompanhá-la?

E começou a falar, sem parar, maldizendo a sorte.

Quando, por fim, chegou ao hospital e soube que o esposo não resistira, dadas as lesões profundas sofridas, tudo piorou.

Queria saber quem era o culpado, quem fora o irresponsável causador do acidente, quem tomaria providências para punir essa pessoa.

Maldizia a Deus e ao mundo por não se conformar com a situação de perda que sofrera.

Tornou-se de tal forma inconveniente, que causou problemas aos que se encontravam no mesmo local. Por fim, teve tal crise nervosa, que precisou ser socorrida e medicada devidamente.

* * *

Sentimentos negativos só fazem piorar os momentos especiais que necessitamos enfrentar.

Quando nossa sensibilidade se apresenta em desequilíbrio somente aumentamos os problemas.

A visão imprecisa ou impensada de determinados fatos nos fazem vê-los como invencíveis.

Essa visão equivocada do acontecimento, alimentada pelos sentimentos infelizes que trazemos em nosso íntimo favorece o alongamento do momento infeliz.

Os sentimentos nobres conquistados e vivenciados no decorrer de nossa vida nos ajudarão a enfrentar o que nos chegue, com um tanto de calma.

Até mesmo porque problemas não se resolvem na confusão, nem na impaciência ou na gritaria.

Em verdade, eles nos exigem ponderação, calma para tentar encontrar a melhor solução, ou tomar a providência que seja a mais acertada, conforme o caso se apresente.

Se temos o hábito da oração, ela nos auxiliará a nos mantermos equilibrados, ante fatos inesperados que nos aconteçam.

O momento mau passa como tudo passa em nossas vidas.

O que fica é a nossa maneira pessoal de enfrentar as provas a que somos submetidos.

Os testes morais, os desencantos, as perdas de entes queridos, as desilusões e decepções deixam suas marcas em nós.

Quando positivas, nos deixarão mais fortalecidos, mais experientes.

Saber extrair a lição do mau momento é que faz a diferença para cada um de nós.

Bom seria se desde cedo aprendêssemos a enxergar a vida com mais compreensão, para sofrermos menos.

Assimilarmos que decepções são oportunidades de praticarmos a nossa força de vontade, humildade e superação.

Que bons sentimentos, paciência, conhecimento e desejo sincero de acertar, nos trarão melhores maneiras de encarar o mau momento que surgir.

Assim é que podemos transformá-lo em bendita hora de aprendizado e crescimento espiritual.

Pensemos nisso!


Redação do Momento Espírita, com base no cap. 27, do livro Luz Viva, pelos Espíritos Joanna de Ângelis e Marco Prisco, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL



18 novembro 2018

Paciência e Resignação - Márcio Martins da Silva Costa




PACIÊNCIA E RESIGNAÇÃO 



Otávio entrou no gabinete do Diretor para despachar um documento de rotina da empresa. Depois de apresentar todo o material, voltou para seu escritório repleto de alterações para fazer no texto.

Cerca de uma hora depois finalizou as diversas correções e retornou ao chefe. “Agora vai estar tudo certo”, pensou. Sentando-se à frente do seu avaliador, percebeu que não seria bem assim. Com uma caneta vermelha na mão, o patrão rabiscou quase todas as páginas e mandou retornar.

Mais uma hora e meia depois, Otávio retornou ao gabinete com a nova versão. “Agora vai”, pensou mais uma vez. Mas a caneta vermelha novamente coloriu todo o seu trabalho e ele voltou para a sua mesa.

Este movimento se repetiu por quase dez vezes, sendo que em cada momento que ele retornava ao chefe, este se estressava mais e ele ficava mais desanimado.

Na décima oitava vez em que voltou ao gabinete não se conteve com as novas correções e ponderou, quebrando seu silêncio:

– Chefe, essas alterações que o senhor está colocando agora são exatamente aquelas que eu inseri na primeira versão do documento, as quais o senhor disse que estavam erradas.

– As coisas evoluem, Otávio – respondeu o chefe irritado. Agora estou tendo uma visão melhor do relatório. Você é que não entendeu o que eu quero.

Otávio voltou para a sua mesa sem nada falar e foi fechar o documento mais uma vez.

Desta feita, porém, o colega que estava sentado ao lado dele e tinha visto todo o acontecimento ponderou:

– Como você tem tanta paciência, Otávio? Eu não teria aguentado tudo isso.

– A paciência que eu tinha já se esgotou, amigo. Mas deu lugar às preces que faço pelo nosso chefe.

* * *

Paciência e resignação são os ensinamentos que a Doutrina Espírita nos concede para suportar as vicissitudes deste plano onde estamos encarnados (1).

Vivendo em um mundo de expiação e provas, estamos sujeitos a diversas situações que podem levar ao limite a nossa paciência, como também podem exigir muita resignação de nossa parte. Logo, falar de paciência e resignação para nós mesmos pode vir a ser, para tantos, uma tarefa muito difícil.

Mais complexo, porém, é falar de paciência e resignação para com os outros. Quantos de nós exercitamos a paciência de ouvir histórias repetidas daqueles cujo tempo já lhes roubou a memória, mas precisam de nossos ouvidos para ainda se sentirem úteis? Quantos de nós nos resignamos diante da tarefa de acolher a dor de um parente enfermo, estar próximo a ele, deixando para trás os apelos da vida que continua à nossa volta?

Devemos estar atentos a estas oportunidades de darmos uma nova face àquilo que chamamos de paciência e resignação, transformando-as em amor e caridade para com o próximo.

Em certos momentos, uma prece, um pequeno gesto de atenção e amor que pareça pouco para nós, poderá ser muito para aquele que recebe cônscio ou não desse gesto.

E mais ainda será para o Divino Pai, cuja benevolência e o amor que envolve a todas as criaturas indistintamente, não deixará de enviar sua espiritualidade de luz para acolher o irmão necessitado, em atendimento às nossas sublimes vibrações.


Márcio Martins da Silva Costa

Referências:

(1) KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 93a ed. Brasília (DF): Federação Espírita Brasileira, 2013.


17 novembro 2018

Você pensa em desistir? Não desista! - Vania Mugnato de Vasconcelos




VOCÊ PENSA EM DESISTIR? NÃO DESISTA!



Desculpem falar, mas não somos vítimas. A vida que vivemos foi escolhida por nossos atos passados e decisões presentes, além de minuciosamente planejada antes da reencarnação, com objetivo de amadurecermos para transcender.

Claro, não é agradável viver sofrimento e dor, depressão e angústia, mágoa e rancor, falta do que é material, afetivo, moral e espiritual. Porém, é bem mais triste ver tantas vidas desperdiçadas, jogadas fora pela inconsequência, inatividade, vícios, suicídio direto e indireto, pelo crime. Vidas que terão que ser recomeçadas e cujas provas não vencidas deverão ser experimentadas outra vez.

Ninguém ignora que os tempos atuais estejam forçando ao máximo a nossa fé – em Deus, no homem, no futuro. E que há muita fé falindo quando deveria fazer-se forte para vencer mais uma onda nesses tantos tsunamis que parecemos ter que enfrentar. Os momentos atuais são complexos e para muitos está difícil manter o otimismo, a paciência, a esperança no amanhã permanecendo firme na vivência carnal. Para esses, desistir parece mais simples, mas desistir não significa outra coisa senão escolher a morte.

Aos que creem convictamente na imortalidade do espírito, como os espíritas, a morte não é nada além que o modo de voltar para casa, e é bem-vinda quando há consciência do dever cumprido. Todavia, acreditem, jamais deve ser desejada ou procurada antes da hora!

Ninguém foge de si mesmo. Desistir é protelar, transferir dívidas para serem pagas no futuro, com juros e correções. Todos são herdeiros de si mesmos, carregando na morte física para a vida imortal do espírito o que sentem, conhecem e as consequências morais de suas ações.

Não, repito, ninguém foge de si mesmo! Deus não pune, é o homem que semeia para colher. Quem tenta fugir apenas protelará o encontro com o que foi abandonado e somará ao que falta realizar. Certamente terá mais trabalho para solucionar tudo de uma vez…

Se em sua mente passa a terrível ideia de morrer voluntariamente, pense outra vez. Não procure mais sofrimento do que já vive. Peça ajuda, busque auxílio moral, espiritual, afetivo, profissional. E não tema cair, pois terá apoio para levantar. Não desista, pois não só fará sofrer quem fica, mas aumentará a própria dor ao descobrir que ninguém foge daquilo que é e que precisa viver.



Vania Mugnato de Vasconcelos



16 novembro 2018

O que fica de pé? Valores enraizados! - Marcus Braga




O QUE FICA DE PÉ? VALORIZADOS ENRAIZADOS! 



Este segundo semestre de 2018 foi marcado por uma tragédia em relação ao patrimônio cultural do país. Um incêndio de grandes proporções consumiu o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, destruindo parte considerável de seu acervo, ligado basicamente à ciência.

Um desastre, que deixou de pé apenas as paredes do Museu, como um símbolo de resistência às chamas. Passado o pior, uma tropa de pesquisadores se debruça sobre os escombros, na busca de encontrar peças resilientes, como o crânio de Luzia, que foi achado em meados de outubro de 2018, como um sinal de esperança diante do pessimismo da terra arrasada.

Assim como esse sinistro no museu, outras situações se abatem em nossas vidas, deixando-a em escombros. Separações, desencarnes, doenças prolongadas e dolorosas, crises políticas, desastres climáticos e conflitos armados, apenas para citar os mais comuns. Situações que abalam famílias, cidades, países, que se desestruturam, ficando de pé apenas o que estava fincado em bases mais sólidas.

O que já era frágil, já tinha suas fissuras, rui. De um sofrimento atroz na família, rompem-se relações. De conflitos armados, trocam-se governos. De desastres climáticos, mudam-se rotinas e valores. A força acachapante da vida e suas mudanças, abala o que não é forte, com uma raiz profunda, testando valores, pessoas e comunidades. Provas de fogo que o homem enfrenta desde o início da civilização no planeta.

Mas, de onde tirar a força para erigir coisas que fiquem de pé, diante das maiores intempéries? Como proteger o que deve ser protegido? Esconder? Espalhar? A resposta não é novidade. Essa sabedoria tem sede no Evangelho de Jesus, quando no Capítulo 7 do livro de Mateus, o mestre se refere a:

“(…) quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda.”

Os alicerces na rocha. A base firme e bem construída. A fé viva, vivida e raciocinada. A senha para a conduta que prepara para esses momentos…O viver enraizado, imbricado da mensagem de Jesus é a chave para valores fortes, que resistem aos dias mais escuros, e que florescem nos raios de sol mais brilhantes.

Tudo pode vir…muitas coisas virão…são leis da existência…desafios da encarnação, em plano individual e coletivo. O que vier demandará de cada um, vivenciando a experiência reencarnatória, valores enraizados. Valores postos à prova, diante de dias difíceis. Cultivados na bonança, são o alimento da escassez, e precisam, nesse enraizamento, encontrar a boa terra em cada coração, pessoas dispostas a aceitar e albergar estes bens espirituais, para que eles se mantenham de pé.

O Brasil, o mundo, tem passado momentos conturbados. Dias difíceis…tensões de diversas ordens, que arrastam modos de vidas, verdades, esperanças. Situações que nos exigem uma sabedoria profunda, que remeta à raiz de nossa essência como espíritos, criados para amar e para evoluir.

E nesses dias mais tortuosos, é que vemos a beleza das flores que resistem à enxurrada, assim como o crânio de nossa antepassada, que brilha entre os escombros, diante da catástrofe, nos relembrando a sua importância. O que tem alicerce forte, enraizado, fica de pé, como testemunho do que é preciso ficar, como herança, para as gerações que se seguem, como marcos do processo evolutivo desse grupo de espíritos que chamamos de humanidade.

15 novembro 2018

A Seara Doméstica é de nossa responsabilidade... também! - Adriana Machado




A SEARA DOMÉSTICA É DE NOSSA RESPONSABILIDADE...TAMBÉM



Sou uma pessoa de fé. Desde que me entendo por gente, sempre tive Deus como “Alguém” que participa ativamente da minha vida (seja para os momentos de dor, seja para os de alegria).

De criança passei a adolescente, de adolescente passei a adulta em cujo momento formei uma família, uma família cristã. Sim, Jesus foi quem escolhi para ser o meu Mestre e de minha família em nossa caminhada.

Junto ao marido, dediquei minhas ações e verbos para que os meus filhos entendessem o significado das verdades cristãs, temperadas com as verdades espirituais que nos chegam através das literaturas espiritualistas, palestras... que nos chegam pelas experiências diárias.

Mas, não foi uma, nem duas, às vezes que pensei se estou fazendo o suficiente!

Já que estamos juntos nesta “investigação”, tentem pensar se vocês também estão fazendo o “suficiente” pela sua família: será que estamos agindo como Ele nos ensinou? Será que estamos conseguindo passar as nossas crenças, as nossas verdades com coerência para aqueles que são nossos amores? Nossas ações estão condizentes com o nosso pensamento cristão?

Sei que vocês podem estar achando que estes questionamentos não são justos porque cada um absorve o que quer, independente de nossa vontade, mas me acompanhem até o final porque acho que ficará melhor.V No geral, a nossa resposta àquelas perguntas é: muitas vezes, não!

Essa resposta é dada porque ainda estamos crescendo. Não importa que sejamos adultos agora, somos ainda aprendizes embrionários em nossa escola da vida. Ainda muitos anos precisaremos cursar para sairmos desta primitiva escola de reencarnações e desencarnações. E, como foi disse antes, cada um absorverá o que quiser para a sua vida, independentemente de nossa vontade.

Mas, como mãe, esse questionamento está um pouco recorrente, por isso, eu resolvi conversar com vocês sobre isso. Talvez seja porque tenho filhos adolescentes, talvez seja porque estou buscando uma melhor atuação em meu lar, talvez seja porque eu não esteja sendo muito amiga de mim mesma...

O ponto crucial, no entanto, é que só nos questionamos assim quando algo “dá errado”, quando algo que não desejamos acontece. E aí é que está o nosso equívoco.

Precisamos mudar essa postura, porque, na verdade, na verdade, se estamos falando de crescimento interior, deveria ser quando “dá certo” que realmente perceberíamos o quanto a nossa educação ou influência está dando resultados, o quanto estamos ativos em nossa seara doméstica.

Me acompanhem no meu raciocínio: se estamos ensinando o “certo”, não será quando agirem corretamente que enxergaremos a nossa influência? Não será quando “dá certo” que enxergaremos o quanto cada um daqueles que nos acompanham quiseram absorver as nossas orientações?

O problema é que, viciados em só pararmos para pensar quando algo está fora do contexto, queremos fazer essa análise baseada nos equívocos daqueles que, como nós, também estão trilhando sua jornada de aprendizados. E, diante desses erros, achamos que nada estamos contribuindo para o crescimento do nosso âmbito familiar e de amizade.

Apesar de, a partir de agora, entendermos isso, ainda precisamos pensar no que temos reiteradamente falado aqui e talvez vocês não tenham notado: somos responsáveis por levar entendimentos mais cristãos para os que amamos, mas não somos os únicos. Não conseguiremos fazer uma colheita fértil no coração alheio, se ele não cultivar as sementes que lhes entregamos. Somos responsáveis sim, mas não podemos acolher culpas que não nos pertencem, se este alguém não quiser seguir pelo mesmo caminho que entendemos ser o mais correto. Não podemos estar errados também?

Usando um exemplo glorioso: se o próprio Jesus, depois de tudo o que Ele nos ensinou, não nos convenceu ainda de abraçarmos, com toda a nossa potencialidade, o ser divino que há em nós, como desejaremos que nós consigamos convencer alguém de fazer o mesmo?

Façamos a nossa parte, entendendo que, nesta seara, esse trabalho é coletivo e cada um de nós será responsável pela sua própria plantação e colheita.

Sejamos nós, pais, filhos, avós, amigos, etc, estamos todos envolvidos numa mesma missão, a de nos aperfeiçoarmos, de crescermos individual e coletivamente e, neste último, principalmente, nossa atuação na seara doméstica é mais do que imprescindível, mas não pode ser considerada só nossa.

14 novembro 2018

Liberdade e Paz - Divaldo P.Franco



LIBERDADE E PAZ


Passados os dias agitados antes das eleições democráticas do país, foi eleito aquele que conseguiu a maioria dos votos.

Lentamente as pessoas retornam à normalidade e preparam-se para a construção da nova etapa governamental.

Em uma análise perfunctória, pode-se notar a politização das massas em seu começo, apresentando-se na maneira como cada cidadão expôs sua forma de amar a pátria e expender os comentários que mais lhe pareceram próprios para a conquista da felicidade nacional.

Houve alguns excessos, como é natural, em um país com dimensões continentais, mas todos quanto desejavam expressar-se lograram fazê-lo.

Agora nos cabe a união em favor do país, cada qual contribuindo da melhor maneira em favor da paz e do progresso, dispondo-se a oferecer a sua melhor oferta em benefício do trabalho e da preservação dos valores ético-morais, que constituem recursos de dignificação humana. Inevitável que permaneçam alguns ressentimentos e frustrações, mas que devem ser vencidos mediante a reflexão e a esperança das mudanças que sempre ocorrem no tempo.

A conquista da liberdade de pensar, exprimir o pensamento e agir é das mais valiosas no contexto da sociedade. Indispensável, porém, ser considerado que o direito à liberdade tem os seus limites no direito do próximo, a fim de serem evitados a libertinagem e o desrespeito ao outro.

Somos uma grande família em construção e todos nos devemos unir, identificando-nos nos objetivos e ideais que nos são comuns, superando, por momentos, aqueles que nos fazem diferentes.

A fidelidade ao que pensamos, no caso em tela, o engrandecimento do Brasil e do seu povo, convida-nos à reflexão de que a edificação do bem a todos proporcionado, mediante oportunidades de trabalho, de saúde, de educação, de repouso e de desenvolvimento intelecto-moral, é dever de cada qual individualmente e de todos em conjunto.

A prosperidade, porém, somente ocorrerá se cada cidadão tornar-se um agente multiplicador da fraternidade e do auxílio a todos quantos se encontrem em desolação ou abandono.

A filosofia do amor preconizada por Jesus em todo Seu ministério torna-se socorro físico, moral e espiritual ao nosso próximo, conforme a parábola do bom samaritano, amenizando os conflitos e paixões primárias que remanescem em nosso processo evolutivo. As sombras das expectativas e dos rancores serão diluídas através das clarinadas de luz do novo tempo, e o Brasil alcançará o seu destino sob o comando dos nossos deveres para com a pátria e o nosso irmão necessitado.

Esta é a hora de união fraternal. A liberdade e a paz dar-se-ão as mãos em favor da plenitude de todos que anelamos pelo bem e pela harmonia.

Divaldo P.Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, de 1º de novembro 2018.