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17 março 2015

Obsessão e Possessão - Donizete Pinheiro



OBSESSÃO E POSSESSÃO


Tradicionalmente, o demônio é considerado o anjo revoltado que eternamente combate a Deus e instiga o homem para o mal. O Espiritismo dá interpretação diferente. Não é compatível com a sabedoria e a bondade divinas a criação de seres para sempre voltados à maldade e à destruição. Deus não faz nenhuma distinção entre seus filhos. Cria-os todos simples e ignorantes e dá-lhes as mesmas oportunidades de alcançar a felicidade, pelo desenvolvimento da inteligência e dos sentimentos.

O demônio é simplesmente um espírito que ainda não compreende as leis divinas e, não podendo ser feliz, não quer permitir que os outros também o sejam. Pelos crimes cometidos, afundou-se tanto nas trevas que não acredita possa um dia libertar-se dela; desconhecendo os efeitos salutares do amor, apega-se à força e a emprega contra todos e tudo, imaginando com isso manter-se indene de quaisquer investidas contra si, mesmo as de Deus, cujo domínio recusa-se a admitir. Contudo, por mais que se demore no mal, a lei do progresso fará com que se arrependa e retorne ao caminho do bem.

Demônios, pois, são todos aqueles espíritos renitentes no erro, na vingança, na revolta. Tanto podem ser desencarnados como encarnados. É comum encontrarmos pessoas tão malvadas, cruéis e frias que nos referimos a elas como sendo o próprio demônio.

E esses espíritos podem realmente atormentar uma pessoa, tentando-a ao mal, insuflando nela pensamentos negativos de variada natureza, num processo que a Doutrina Espírita denomina de obsessão. Em outras vezes, conseguem maior domínio sobre ela e a subjugam, fazendo com que tenha condutas violentas, anormais e ridículas, de maneira que aos olhos dos outros e dos médicos é considerada uma louca. Também não é muito raro os casos em que o espírito imprime fortemente sua personalidade sobre a pessoa, que é como se ele mesmo estivesse ali no corpo agindo e falando.

Afora isso, não se utiliza o vocábulo possessão, porque daria a falsa ideia de que é possível ao espírito maléfico apoderar-se definitivamente do corpo de alguém e passar a usá-lo como se fosse seu. A alma está ligada ao corpo por laços fluídicos estabelecidos desde a concepção, os quais só se rompem com a morte. Portanto, enquanto há vida, ali está a alma, que não pode ser substituída por outra.

Perturbações espirituais não são afastadas com palavras cabalísticas, objetos ou talismãs, porque os obsessores sabem que estes nenhum mal lhes causa. É preciso que o obsidiado renove a sua mente para o bem, adquira hábitos sadios, exercite a caridade e fortaleça a sua fé em Deus pela oração. Nos casos mais graves, é imprescindível o diálogo esclarecedor com o obsessor, conclamando-o ao amor, ao perdão ou ao entendimento fraterno.

Em qualquer caso, porém, somos nós mesmos que atraímos espíritos inferiores, como um imã atrai a limalha, quando mantemos vida desregrada, nos vícios e na sensualidade, na usura e na ambição, na vaidade e na inveja, na preguiça e no pessimismo, na revolta e na intolerância, enfim, quando estamos distantes de Deus.

Daí a importância de uma reflexão sobre a nossa vida, de reavaliamos as nossas condutas, de modo que, fazendo luz, afastemos as trevas de nosso caminho.


Autor: Donizete Pinheiro
Livro: Respostas Espíritas

16 março 2015

Laços de Família - Leda de Almeida Rezende Ebner



LAÇOS DE FAMÍLIA


Resultante de um longo processo evolutivo do princípio espiritual junto ao princípio material, cada Espírito é uma individualidade, um ser independente, herdeiro de si mesmo, responsável pelo que de bom ou de mau desenvolve em si.

Ao renascer na Terra, o Espírito herda dos pais apenas o corpo físico. Recebe a influência desse corpo, dos meios familiar e social em que nasce e vive, mas é livre nas suas decisões, cedendo sempre às influências que mais se afinem com as suas tendências.

Cada existência terrestre é então, muito importante para o desenvolvimento do Espírito, pela riqueza de experiências, de opções que ela lhe proporciona.

Partindo, pois, do processo reencarnatório, condição sine-qua-non da evolução do Espírito, podemos compreender que o parentesco familiar remonta às existências anteriores.

Imaginemos um Espírito, após suas primeiras (que podem ser muitas!) encarnações, já com alguma razão, algum discernimento, algum livre-arbítrio, vivendo já em família e vamos imaginá-lo reencarnando e desencarnando “n” vezes até hoje.

Essas inúmeras existências fizeram-no conviver com “n” famílias, com “n” pessoas, como esposos, pais, irmãos, amigos..., almas imortais como ele e, resultando dessas “n” existências, ligações, liames entre elas. Algumas dessas relações foram simpáticas, outras desagradáveis, dolorosas e outras indiferentes.

Como os Espíritos evoluem de acordo com o seu livre-arbítrio, evidentemente que muitos com os quais esse nosso Espírito se relacionou, evoluíram para graus mais elevados, outros continuam mais ou menos iguais a ele e outros estão mais atrasados.

Nesse longo tempo, esse Espírito conviveu em determinadas épocas com Espíritos ou grupos de Espíritos diferentes daqueles com os quais iniciou sua jornada.

Assim, nossa família atual pode nada ter a ver com as famílias com as quais convivemos num passado distante ou mesmo, próximo. Talvez, possamos estar juntos com alguns elementos, mais dificilmente com muitos.

Este raciocínio pode nos dar um “chacoalhão” em nossos sentimentos de posse afetiva. Mas, se pensarmos que o objetivo da nossa caminhada, como consequência da etapa evolutiva que estamos vivendo é: “AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO”, expressão moral da perfeição a ser conquistada, podemos perceber o quanto é necessário convivermos com pessoas e grupos diferentes que nos proporcionem condições mais amplas e variadas de aprendizado e desenvolvimento.

Compreendemos também que nossa família atual pode ou não ser parte da nossa família espiritual que se constitui de todas as pessoas com as quais convivemos e com as quais estabelecemos laços agradáveis de afeição.

A família consanguínea não cria, necessariamente e por si só, os laços espirituais.

A família, no sentido espiritual, é constituída por Espíritos que mantêm os laços espirituais antes, durante e após as reencarnações, mesmo estando em planos diferentes.

A família espiritual se dilata cada vez mais à medida em que o círculo de afeições se amplie.

Percebemos, pois, que cada reencarnação, proporcionando condições de aperfeiçoamento e equilíbrio de afeições já existentes e início de novas, amplia nossa família espiritual, da qual podemos perceber alguns elementos no lar, dentre os amigos...

E este raciocínio nos leva à compreensão da importância da família consanguínea, que reúne não somente os afinados pela afeição e interesses comuns, como também os ligados pelos sentimentos negativos, amigos e adversários para que na convivência cotidiana, nas lutas, nas alegrias e tristezas, a harmonização se faça e se amplie na sublimação dos sentimentos amorosos, transformando os relacionamentos difíceis em agradáveis.

Cabe-nos, pois, todo o esforço na conquista e conservação da harmonização no lar, mesmo à custa de renúncias e sacrifícios a fim de que todos os elementos da família consanguínea passem a fazer parte da nossa já existente família espiritual.


Por: Leda de Almeida Rezende Ebner
Bibliografia: O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - cap. XIV item 8
Publicado em: Jornal Verdade e Luz Nº 169 de Fevereiro de 2000

15 março 2015

Convite ao Otimismo - Joanna de Ângelis


CONVITE AO OTIMISMO

 “... Estou cheio de conforto, transborda-me o gozo em toda a nossa tribulação.” (II Coríntios: 7-4.)


Não vitalizes tristezas nem desencantos, apesar das configurações de sofrimentos que surjam e se avolumem pela senda que percorres.

Quando tudo parece perdido, invariavelmente uma solução surge, inesperada, providencial. E se não se materializa a resposta almejada, diretriz melhor conduzirá o problema de maneira salutar para ti mesmo, se te dispuseres esperar.

Sombras não se modificam com sombras.

O pântano não renascerá drenado com a condenação da lama.

Mister esparzir luz e fazer canais providenciais.

Para tanto, o homem deve impor-se a tarefa de abrir janelas de otimismo nas salas onde dominam tristezas e arejar escaninhos pestilenciais de pessimismo mediante o aroma da esperança.

Pessimismo é enfermidade que engendra processo de psicose grave por antecipação de um mal que, talvez não ocorrerá.

A cada instante as circunstâncias geram circunstâncias outras, fatores atuais compõem fatores futuros, dependendo da direção que lhes imponhas.

Não te canses, desse modo, exageradamente sob o peso da nostalgia ou te entorpeças asfixiado pelos tóxicos das frustrações que todos experimentam.

Entrega-te a Deus e deixa-te conduzir tranquilamente.

Otimismo é estímulo para o trabalho, vigor para a luta, saúde para a doença das paisagens espirituais e luz para as densas trevas que se demoram em vitória momentânea.

Nas duas traves da Cruz, quando tudo pareceria perdido, o Justo, em excelente lição de otimismo, descerrou os painéis da Vida Verdadeira, morrendo para surgir em gloriosa madrugada de Imortalidade, que até hoje é o canto sublime e a rota segura, plena de alegrias para todos nós.


Pelo Espírito Joanna de Ângelis
Obra: “Convites da Vida”
Médium: Divaldo P. Franco

14 março 2015

Quantas vezes Você já passou pelo "Déjà vu"? - Pedro Fagundes Azevedo


QUANTAS VEZES VOCÊ JÁ PASSOU PELO "DÉJÀ VU"?


Você já teve a sensação de conhecer um lugar onde nunca esteve antes?

Ou de já conhecer uma pessoa que está encontrando pela primeira vez?

Ou, quem sabe, de já ter tido essa mesma conversa de agora?

Esta experiência chama-se "déjà vu", um termo da língua francesa , pronuncia-se deja vi e significa "já visto".

Ocorre porque nosso cérebro possui vários tipos de memória, tais como a memória imediata, que é capaz de repetir um número de telefone e depois esquecê-lo.

Ou a memória de curto prazo , que dura algumas horas , e a memória de longo prazo, capaz de durar meses ou até anos.

E tem ainda a memória transpessoal, que somente agora está sendo investigada, que registraria as experiências de vidas passadas.

Muitas pessoas não admitem este tipo de memória porque, por motivos científicos ou religiosos, não aceitam a ideia de reencarnação.

Henry Ford, uma das maiores inteligências do século passado, criador das modernas linhas de montagem e considerado o pai do automóvel, passou por algumas experiências de "déjà vu" e por mais que investigasse, não encontrava explicação para as mesmas.

Até que leu um livro sobre Reencarnação e a partir daí tudo ficou bem mais claro.

Eis o seu próprio testemunho, em 26/08/1928 , publicado no jornal San Francisco Examiner:

"Quando eu era jovem, sentia-me como muitos outros, aturdido.

Via-me fazendo perguntas a mim próprio:-

- Para que estamos aqui?

Não encontrava resposta.

E, sem uma resposta a essa pergunta, a vida fazia-se vazia, inútil.

Então, certo dia, um amigo entregou-me um livro que me deu a resposta que eu tanto esperava.

Mudou toda a minha vida.

Do vazio e da inutilidade, meus pontos de vista passaram para uma vida de propósitos e significação.

Acredito que estamos aqui, agora, e tornaremos a voltar. Disso eu tenho certeza.

Aqui estamos com um propósito e continuaremos com ele.

Mente e memória são eternas.

Adotei a teoria da reencarnação quando tinha vinte e seis anos.

A religião nada me oferecia nesse ponto.

O próprio trabalho não podia me dar inteira satisfação.

O trabalho é fútil se não podemos utilizar a experiência que reunimos numa vida, para usá-la na próxima.

Quando descobri a reencarnação foi como se tivesse encontrado um plano universal.

Compreendi que havia uma oportunidade para pôr em jogo as minhas idéias.

O tempo já não era limitado.

Eu já não me sentia aprisionado aos ponteiros do relógio.

Gênio é experiência.

Algumas pessoas parecem pensar que se trata de um dom ou um talento.

Mas ele é fruto de longa experiência, em muitas vidas.

Algumas almas são mais antigas do que outras, por isso sabem mais.

A descoberta da reencarnação tranquilizou a minha mente.

Se registrarem esse meu pensamento, registrem de forma a tranquilizar a mente dos homens.

Eu gostaria de comunicar aos outros a calma que a visão da reencarnação nos dá!".


Contribuição de Pedro Fagundes Azevedo
Psicólogo Transpessoal
Centro Espírita Caminhos de Luz
Pedreira/SP - Brasil

13 março 2015

Diferenças Entre Ser uma Autoridade e Ser Mandão - Enéas Martim Canhadas


DIFERENÇAS ENTRE SER UMA AUTORIDADE E SER 
MANDÃO

Por quê tememos a autoridade?

Antes de fazer esta pergunta é necessário fazer uma outra: “Por quê nós temos medo da autoridade?” Se esclarecermos o medo, provavelmente vamos saber lidar melhor com as ameaças representadas por todas as atitudes de mando, comando e autoridade. A questão não se resolve com uma resposta simples. Quando temos temor frente à autoridade, cabe uma parcela de responsabilidade a quem a representa para nós, mas também cabe uma parcela a nós mesmos, porque a figura de autoridade ou esse temor de que estamos falando habita o nosso íntimo e nos faz, geralmente, muito mal.

Somos nós mesmos que deixamos os medos da autoridade tomar conta da gente? Como este medo surge?

A figura de autoridade torna-se muito grande sobre nós devido a importância ou valor que atribuímos a ela. As raízes desses medos tem início, bem cedo, na maneira como a autoridade é passada para nós através da educação. Primeiramente, a influência do lar. Os diálogos que são ouvidos pelas crianças é uma das maneiras como elas aprendem. Os pais são os seus principais autores. Quando a mãe diz, de forma natural e inconseqüente “você vai ver quando o papai chegar, vou contar tudo para ele”, não tem idéia do conteúdo que está passando para o seu filho relacionado a autoridade. Nesta idade, a criança não sabe ainda que é a própria mãe que conta para o pai tudo que aconteceu durante o dia na ausência dele. Para a criança, fica a constatação de um fato misterioso.

O pai fica sabendo do que acontece mesmo não estando presente. Num outro momento, a mãe usa outra expressão como “papai do céu vai castigar você se mentir outra vez”. Para a criança o papai do céu que pode ficar sabendo da sua mentira é outro mistério. Na cabecinha infantil estes dois mistérios começam a funcionar em conjunto. Papai do céu pode saber de tudo que ela faz e o seu papai também fica sabendo das coisas que acontecem mesmo não estando presente.

Ambos os papais representam autoridade invisível. Mais do que isso, uma autoridade sobrenatural porque o papai do céu Todo Poderoso fica na mesma categoria e dimensão do seu papai, pois ambos adquirem o mesmo tipo de poder. É o que eu chamo de caráter sobrenatural da autoridade. Daí por diante, qualquer figura de autoridade vai ter um traço de poder misterioso e sobrenatural. Esta verdade que foi fixada pela criança vai sendo confirmada pela vida afora, com expressões do tipo “se a tua professora ver estar letra, você vai levar um zero deste tamanho!” ou “se o teu chefe te pega fazendo isso, você vai levar uma bronca daquelas” até que as pessoas se casem, constituindo um novo casal e reiniciem o ciclo ao educar os seus filhos, quando a nova mãe ou o novo pai vai usar, e pior do que isso, vai repetir uma expressão semelhante a que ouviu na infância “se a tua mãe ver você mexendo na água, ela vai te bater!”. Isto dito pelo pai ou pela babá, tem o mesmo efeito da frase da mãe “você vai ver quando o seu pai chegar”.

As frases ouvidas durante a infância recebem outras versões, mudam os personagens, mas o sentido continua o mesmo. Sempre conferindo à figura de autoridade, um traço de super poder, na medida em que pode punir, mesmo não estando presente ao ato que a criança pratica. É o poder praticado à distância, não porque esse poder exista de fato, mas ele passa a agir dentro de cada um de nós como verdadeiro. Esta verdade interna aparece nos medos e pelas sensações de perseguição que vêm a nossa mente, quando nos sentimos emocionalmente ameaçados pela autoridade invisível que pode ver e punir. Chefes, professores, policiais e principalmente os pais, moram dentro da gente como autoridades causadoras de medo, porque representam o castigo que devemos sofrer por fazer alguma coisa errada.

Que diferenças podem existir entre a autoridade e a pessoa que manda?

As diferenças residem nas diversas maneiras como a autoridade é exercida. Estas maneiras de que falamos, vão determinar a qualidade do modo de exercer autoridade e, ao mesmo tempo, construir a legitimidade da autoridade exercida por alguém. O uso do autoritarismo, é apenas um modo de exercer a autoridade, e podemos dizer que é o modo ruim ou desqualificado de uma pessoa em posição de comando ou de liderança, atribuindo-se o título de dono da verdade.

Alexandre Herculano disse que “o princípio da autoridade, considerado como critério único e exclusivo da verdade, é não menos falso que o da razão, da consciência, ou de qualquer outro, tomado do mesmo modo exclusivamente”. A posição de mando não confere à pessoa a condição de idônea, nem torna a faz verdadeira nos seus atos. A pessoa que manda, deve construir a sua autoridade durante o tempo que está a frente de um grupo ou exercendo um cargo que lhe permite ter pessoas subordinadas, para que possa vir a ser referência para os outros, pelo seu modo de ser e de agir. Não precisará provar nada, pois é como é. Será reconhecida. Saberá ouvir quem a procure sem medos e sem sentir-se ameaçada. Possui sabedoria e conhecimentos para criar e estabelecer regras e normas, e saberá avaliar as exceções quando elas surgirem. Será capaz de demonstrar visão de futuro, percebendo novas tendências, novos valores, hábitos e costumes. Mostrar-se-á como uma pessoa de mente atualizada e inovadora. Acima de tudo, será capaz de praticar atitudes éticas. Nenhuma dessas qualidades você vai encontrar na pessoa mandona, porque ela depende dos outros estarem submissos e concordes para conseguir demonstrar pseudo firmezas e aparente segurança nas atitudes.

À luz da Doutrina Espírita, como podemos esperar as atitudes de autoridade?

A faculdade mediúnica possibilita a ligação entre as inúmeras dimensões vibracionais do Universo, mostrando que a vida é ampla e infinita e, para que possamos ser bons instrumentos da Vontade Divina, precisamos apenas viver a normalidade da condição humana.

Por não termos “senso de humanidade”, é que não aceitamos o atual estágio evolutivo, ou seja, não admitimos viver, no momento presente, a etapa existencial que o Criador nos destinou. No Livro dos Médiuns em resposta à pergunta 226 encontramos a afirmação de que o desenvolvimento da mediunidade não se processa na razão do desenvolvimento moral porque a faculdade mediúnica é orgânica e sendo assim, independe da moral. Mas o mesmo não acontece com o uso da mediunidade que, pode ser bom ou mau, segundo as qualidades de cada um. Desta forma, a autoridade moral que podemos esperar de um dirigente ou praticante da Doutrina Espírita que se constitua autoridade, esta sim, depende da pessoa que vai, ao longo da vida, amadurecendo um pouco mais o seu Espírito para encontrar-se já, em elevação moral e ser capaz de exercê-la com este traço. Podemos pois, afirmar que uma figura de autoridade de traços morais e éticos duvidosos, não sabe administrar bem o que é valor pessoal ou valor de outras fontes, querendo usar como se fosse dele, a sabedoria e o discernimento de uma autoridade que não lhe pertence.

Você pode comentar alguma coisa sobre a questão ética? O que é mesmo?

A palavra Ética vem do latim e significa moral. Segundo o Dicionário Aurélio, é o estudo dos juízos de apreciação que fazemos sobre a conduta humana e suas atitudes, classificando-as do ponto de vista do bem e do mal dentro de uma determinada sociedade.

Segundo o pensador francês André Comte-Sponville, não nascemos virtuosos, mas nos tornamos pela educação, pela moral, pelo amor. Agir bem e, antes de mais nada, fazer o que temos que fazer, e depois o que se deve fazer, o que vem a ser moral. Portanto, a moral estará mais no que devemos fazer. E é claro que nesse dever, entra em questão o respeito e a consideração aos outros. Como seres que um dia alcançaremos as virtudes, ser ético é praticar o senso de justiça sendo portanto, justo e bom. Nunca fazer alguma coisa para alguém que não gostaríamos que fizessem a nós.

Enéas Martim Canhadas
Fonte: Portal do Espírito

12 março 2015

Quando o corpo fala - Maisa Baria

 

QUANDO O CORPO FALA

Quando as dores da alma se transformam nas dores do corpo, nem mesmo a medicina, hoje em dia já tão avançada, é capaz de explicar suas causas e origens.

Ao sentirmos dores no corpo, em geral, temos o hábito de deixar para lá ou nos automedicar, não dando muita importância aos motivos que levaram aquela dor a aparecer. Mas, às vezes essa dor vem de tal forma insistente que não nos deixa alternativa a não ser recorrer aos médicos em busca de uma solução. No entanto, há muitos casos onde a medicina não consegue solucionar esse problema, foge ao seu alcance a cura e nos tornamos dependentes de remédios que aliviam nosso sofrimento, mas não o finalizam.

Onde existe dor é preciso estar atento ao fato de que é provável localizar ai algum distúrbio de sentimentos e padrões comportamentais. Não é uma regra, mas muitas vezes a dor surge como um pedido de socorro. Quando estamos adentrando por um caminho que não será produtivo para nós, ou nos encontramos em uma condição de pensamentos que nos envenenam a alma, a dor aparece como uma tentativa da vida de nos resgatar, nos obrigando a parar tudo e focar em nós mesmos.

Outra condição que é bastante interessante de ser analisada é o fato de que a dor nos torna mais frágil, e essa fragilidade algumas vezes é positiva para nos reaproximar com pessoas, amigos, amores, familiares, com os quais estávamos travando uma batalha. Quando a dor surge na forma de uma doença, é muito válido observar como a trégua se faz entre as pessoas, todos os motivos que antes eram o bastante para gerar conflitos perdem a força e as pessoas se unem, se solidarizam pelo bem estar e recuperação daquele que agora precisa de carinho e atenção.

Perceba que essa dor, que normalmente surge na hora menos apropriada, nos aflige e nos faz sofrer (não somente a nós mais também aqueles que nos amam) é também uma semente de esperança, pois nos obriga a sair de nossa zona de conforto nos fazendo encarar nossos medos, reavaliar sentimentos e reajustar relacionamentos. Voltando-nos, dessa forma, para dentro de nós mesmos nos coloca frente a frente com os reais valores e significados que a vida deveria ter.

Quantas pessoas descobrem a sua força somente quando são forçadas a serem fortes; Quantas pessoas ultrapassam seus limites quando se veem obrigadas a arriscar e ir além de suas próprias crenças; Quantos de nós nos surpreendemos com o amor ou a dedicação de alguém justamente quando pensamos que não haveria ninguém ao nosso lado. São sementes de esperança que germinam diante da dor nos provando uma vez mais que a vida tem seus próprios meios de nos fazer caminhar.

A dor é um convite à renovação, é um apelo da vida para nos mostrar que alguma coisa está fora do eixo, sendo necessário voltarmos nossos olhos para dentro de nós mesmos e para tudo que nos cerca de forma que possamos perceber o que precisa e pode ser realinhado. Quando não sabemos exteriorizar nossos conflitos internos corretamente acabamos por refletir isso em nosso corpo, armazenando tensões que resultam em dor e sofrimento. Somente o balanço correto entre nossos sentimentos e a realidade a nossa volta, será capaz de liberar o nosso corpo do sofrimento que é imposto pela nossa alma.

Se a visita da dor bate a sua porta antes de indagar “Por quê?” pergunte a si mesmo “Para que?”, a resposta a essa pergunta te indicará o melhor caminho para o reequilíbrio interior tornando-te apto e enfrentar as lutas diárias com mais serenidade e confiança. Quando descobrimos de onde a dor vem aprendemos para onde ela vai.

Maisa Baria

11 março 2015

Sem Esforço, o Sonho Não Vira Conquista - Regina Hennies

 

SEM ESFORÇO, O SONHO NÃO VIRA CONQUISTA



Uma frase feita, cantada em verso e prosa tornou-se famosa: “Tudo na vida é conquistado com esforço”. Ou, então, sua similar no negativo: “Não se conquista nada na vida sem esforço”. Certamente que não. Mas, se destrincharmos a palavra “esforço”, percebemos que ela é muito mais do que um simples ato de reunir forças para se chegar a um objetivo. No esforço, a força maior vem da Alma, do ser interior de cada um, que traz à tona a vontade “de ferro” para se conseguir o que é almejado.

Para cada um de nós, a necessidade dessa palavra varia conforme sua atuação. Se uma pessoa necessita de esforço para passar de ano na escola, outra necessita para fazer uma dieta. Em qualquer situação torna-se imprescindível essa ação, que caminha com o ser a partir da vontade de se fazer algo, seja o que for, até sua realização completa.

Vários são os motivos que levam uma pessoa a desistir de seus sonhos. Preguiça, desânimo, medo, descaso, inércia. A falta de um objetivo real, a falta de paixão pela vida, a falta disso, a falta daquilo, nos mostra que a escassez é algo profundo quando se fixa na alma humana. Acredito que esse é um dos principais motivos através do qual um jovem entra para o caminho das drogas.

Porém, no lado contrário de uma história triste, estão aqueles jovens que se destacam por escolherem o caminho do grande esforço para a conquista da verdadeira vitória. Nessa época do ano, especialmente, os cansados estudantes estão às voltas com as provas do Enem e com os inúmeros vestibulares, na tentativa de se colocarem em boas universidades e contarem, assim, com uma força a mais – a formação acadêmica – na busca pelos seus sonhos. Admiro profundamente aquelas pessoas que canalizam sua energia jovial para o caminho do Bem, buscando encontrar seu lugar no mundo. E admiro mais ainda aqueles que trocam suas opções caso percebam que isso seja necessário.

Coragem é item fundamental para quem é esforçado. E coragem a juventude tem de sobra. Pena que, em alguns casos, ela seja confundida com a fuga da realidade e a busca pelo prazer rápido mesmo que, em seguida, desalentador.

Mas não queremos aqui ressaltar aqueles que optam pela trilha mais fácil. Mesmo porque temos, sim, é que encorajar os jovens guerreiros do Bem que, com sua Fé e energia, transformam o esforço cotidiano na sua maior ferramenta de construção da Felicidade. E é por eles que torcemos e queremos que esse país se transforme e vivencie a Paz de uma sociedade mais justa.

Contamos com você, jovem guerreiro do Bem, cansado, suado, perdido entre pilhas de apostilas e livros cheios de destaques em amarelo fluorescente, correndo para pegar o portão aberto em dias de provas e, depois, chegar ao portão das universidades, no próximo período escolar. Porque você merece! Porque você realmente sabe o que significa esforçar-se! E porque você será também um adulto por quem se valerá a pena lutar.


Por Regina Hennies*
*Autora do livro a Ordem do Caos, publicado pela Mundo Maior Editora.

10 março 2015

No Culto a Prece - André Luiz

 

NO CULTO A PRECE

E tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos e todos ficaram cheios do Espírito Santo." - (ATOS, 4:31.)

Todos lançamos, em torno de nós, forças criativas ou destrutivas, agradáveis ou desagradáveis ao círculo pessoal em que nos movimentamos.

A árvore alcança-nos com a matéria sutil das próprias emanações.

A aranha respira no centro das próprias teias.

A abelha pode viajar intensivamente, mas não descansa a não ser nos compartimentos da própria colméia.

Assim também o homem vive no seio das criações mentais a que dá origem.

Nossos pensamentos são paredes em que nos enclausuramos ou asas com que progredimos na ascese.

Como pensas, viverás.

Nossa vida íntima - nosso lugar.

A fim de que não perturbemos as leis do Universo, a Natureza somente nos concede as bênçãos da vida, de conformidade com as nossas concepções.

Recolhe-te e enxergarás o limite de tudo o que te cerca.

Expande-te e encontrarás o infinito de tudo o que existe.

Para que nos elevemos, com todos os elementos de nossa órbita, não conhecemos outro recurso além da oração, que pede luz, amor e verdade.

A prece, traduzindo aspiração ardente de subida espiritual, através do conhecimento e da virtude, é a força que ilumina o ideal e santifica o trabalho.

Narram os Atos que, havendo os apóstolos orado, tremeu o lugar em que se encontravam e ficaram cheios do Espírito Santo: iluminou-se-lhes o anseio de fraternidade, engrandeceram-se-lhes as mentes congregadas em propósitos superiores e a energia santificadora felicitou-lhes o espírito.

Não olvides, pois, que o culto à prece é marcha decisiva. A oração renovar-te-á para a obra do Senhor, dia a dia, sem que tu mesmo possas perceber.

Pelo Espírito de André Luiz
Médium: Francisco Cândido

09 março 2015

9 Meses (Oração do Bebê) - Autoria Desconhecida


 

9 MESES (ORAÇÃO DO BEBÊ)
 Mensagem para as futuras Mães
 

Um mês e o tempo voa
Eu já sou
E você nem descobriu

São dois e chega perto
Mas eu ainda sou
Pequeno demais, viu

Três meses e o tormento
Esse que é o sofrimento
Eu também já posso sentir
Vê se aquieta o coração
Pra quando eu sair daqui
Talvez eu dê trabalho

Uma vida de despesas
Mais por favor me deixa ficar
E se por um acaso eu não tiver seus olhos
Você ainda vai me amar
Eu sei que ansiedade
É quase uma inimiga
Mas eu não quero ser confusão
Então por favor me deixa na sua vida
Mas vê se aquieta o seu coração

Se é tempestade todo medo se for arrependimento
Por favor tira daí
Você ainda não me tem inteiro
Nem me conhece direito
Mas já posso te ouvir
E quando a barriga for crescendo
Você ainda vai ser linda
E eu nem preciso te ver
Seque o choro e fique aqui comigo
Que até assim tristinha
Eu já sei que eu amo você

Quatro meses tempo
Eu te imploro paciência
Eu vim do céu por causa do amor
Com cinco faltam quatro
E eu aposto que os presentes
Já tão vindo em rosa ou azul

E quando chega o sexto
Todo mundo já viu
Que você não anda sozinha
No sétimo eu já tenho lencinhos
Com meu nome
Desculpa pai mas ela é só minha

Se é tempestade todo medo se for arrependimento
Por favor tira daí
Você ainda não me tem inteiro
Nem me conhece direito
Mas já posso te ouvir
E quando a barriga for crescendo
Você ainda vai ser linda
E eu nem preciso te ver
Seque o choro e fique aqui comigo
Que até assim tristinha
Eu já sei que eu amo você

Oitavo mês aguenta
Que eu já tô chegando
Só quero um jeito de te encontrar
No nono vem a pressa
A dor, o choro, a gente
Desculpe você ter que sangrar

E por mais uns anos
Você vai fazer planos
Pensando se eles servem pra mim
E eu vou te acordar
Bem de madrugada
Você vai me amar mesmo assim

O meu primeiro passo
Vai ser no teu abraço
Me segura quando eu cair
E no final do dia
É só a tua voz
Que vai poder me fazer dormir

Se é tempestade todo medo se for arrependimento
Por favor tira daí
Você ainda não me tem inteiro
Nem me conhece direito
Mas já posso te ouvir
E quando a barriga for crescendo
Você ainda vai ser linda
E eu nem preciso te ver
Seque o choro e fique aqui comigo
Que até assim tristinha
Eu já sei que eu amo...

Se é tempestade todo medo se for arrependimento
Por favor tira daí
Você ainda não me tem inteiro
Nem me conhece direito
Mas já posso te ouvir
E quando a barriga for crescendo
Você ainda vai ser linda
E eu nem preciso te ver
Seque o choro e fique aqui comigo
Que até assim tristinha
Eu já sei que eu amo você 

Autoria Desconhecida

 

08 março 2015

Quando o cônjuge morre o outro tem o direito de refazer sua vida sentimental? - Wellington Balbo

 

QUANDO O CÔNJUGE MORRE O OUTRO TEM O DIREITO DE REFAZER SUA VIDA SENTIMENTAL?

Dia desses recebi email de um jovem, que assim disse:

“Minha mãe morreu há 2 anos, meu pai que ainda é jovem está de paquera com uma moça... Mas e minha mãe? E o que eles viveram? Então ele não a amava?”:-

R: Meu caro amigo, não se aflija por isso, o lugar de sua mãe no coração de seu pai é cativo, a história que viveram é deles, somente deles... O coração é elástico, quanto mais se ama, mais se cabe amor. Não é o fato de ele querer refazer a vida sentimental que o fará esquecer de sua mãe. Não se preocupe com isso. Ademais, ele tem todo o direito de buscar a felicidade e não nos cabe podar as iniciativas dos outros que querem encontrar seu lugar ao sol. 

Sejamos benevolentes e apoiemos as pessoas em busca de sua felicidade. Abençoe seu pai e seu novo relacionamento. Vou confessar-te algo: Também passei por isso, minha mãe se foi e meu pai arrumou outra companheira. Foi a melhor coisa que aconteceu. 

Pessoa de ótimo caráter trouxe outra família para brindar a vida com a nossa. Pense nisso e seja feliz...

O Espiritismo trata com muita propriedade dos temas que inquietam o coração das pessoa, basta estudamo-lo para constatarmos que pode responder várias indagações da alma.

Mostra que ninguém é de ninguém, que somos Espíritos em evolução e em busca da felicidade. Sabedores de que o Espírito não morre e continua sua jornada na vida além túmulo, naturalmente não morre o amor que sentimos pelos outros e os outros por nós. 

Em assim sendo, é razoável refletirmos que quando algum ente querido deixa este plano é perfeitamente aceitável que não cultivemos o sofrimento contínuo e nos abramos para um amor que poderá surgir.

Caso surja, vamos vivê-lo. Por que não?

Até porque a ideia de metade eterna é fantasia e não estamos fadados a viver com alguém pela eternidade.

Já tivemos, pelas inúmeras andanças inúmeros companheiros e companheiras de jornada e o fato de termos nos relacionado com outros não apaga a nossa história com quem quer que seja.

Sim, somos seres que têm uma história!

E, por isso, quem nos ama deverá nos respeitar; respeitar nossas escolhas e quererá nos ver bem e feliz.

Ilustrativa é a história do Espírito de André Luiz que no plano dos Espíritos ao saber que sua ex companheira consumara matrimônio sente uma ponta de ciúmes, mas depois reflete e percebe que o amor é sentimento que não pode conhecer exclusividade. 

Reconhece-se o verdadeiro espírita pelos esforços que faz para domar suas más inclinações, foi o que fez André Luiz, controlou-se.

A vida na Terra já não é “bolinho”, se formos nos preocupar em podar a felicidade dos outros e querer anular a vida alheia porque a morte do corpo físico visitou nossa família iremos complicar ainda mais a situação.

Vida mais leve, mais tranqüila, certeza na imortalidade, menos cobrança e fé no futuro...

Isso o Espiritismo nos ensina, por isso é uma doutrina consoladora e cabe-nos divulgá-la, sempre...

Pensemos nisso.


Wellington Balbo


07 março 2015

Temos Data e a hora Certa, para Desencarnar ? - José Raul Teixeira/Richard Simonetti,



TEMOS DATA E A HORA CERTA, PARA DESENCARNAR?


Quando encarnamos, recebemos uma carga de fluido vital (fluido da vida) !

Quando este fluido acaba, morremos.

Somos como a pilha que com o tempo vai descarregando.

Chegamos ao ponto que os remédios já não fazem mais efeito.

Daí não resta outra alternativa senão trocar de “roupa” e voltar para a escola planetária.

Mas a quantidade de fluido vital não é igual em todos seres orgânicos.

Isso dependerá da necessidade reencarnatória de cada um de nós.

Quando chegamos á Terra cada um tem uma estimativa de vida.

Vai depender do que viemos fazer aqui.

André Luiz, através da psicografia de Chico Xavier, explica que poucos são completistas, ou seja, nascemos com uma estimativa de vida e, com os abusos, desencarnamos antes do previsto, não completamos o tempo estimado, isso chama-se suicídio indireto.

Se viemos acertar as pendências biológicas por mau uso do corpo, como o suicídio direto ou indireto, nós vamos ficar aqui pouco tempo.

É só para cobrir aquele buraco que nós deixamos.

Exemplo:- - Se nossa estimativa de vida é 60 anos e nós, por abusos, desencarnamos aos 40 anos, ficamos devendo 20 anos.

Então, na próxima encarnação viveremos somente 20 anos.

Mas há outros indivíduos que vem para uma tarefa prisional.

E daí vai ficar, 70, 80, 90, 100 anos.

Imaginamos que quem vira os 100 anos está resgatando débitos.

Porque vê as diversas gerações que já não são as suas.

E o indivíduo vai se sentindo cada vez mais um estranho no ninho.

Os jovens o olham como se ele fosse um dinossauro.

Os da sua idade já não se entendem mais porque já faltam certos estímulos (visuais, auditivos, etc.).

Já não podem visitar reciprocamente, com raras exceções.

Tornam-se pessoas dependentes dos parentes, dos descendentes para levar aqui e acolá.

Até para cuidar-se e tratar-se.

Então, só pode ser resgate para dobrar o orgulho, para ficar nas mãos de pessoas que nem sempre gostam dela.

Alguns velhos apanham, outros são explorados na sua aposentadoria, outros são colocados em asilos onde nunca recebem visitas.

Em compensação, outros vêm, cuidam da família, educam os filhos em condição de caminhar, fecham os olhos e voltam para a casa com a missão cumprida com aqueles que se comprometeu em orientar, impulsionar, a ajudar.

Por isso, precisamos conversar com os jovens.

Dizer a eles que é na juventude que a gente estabelece o que quer na velhice, se chegar lá.

E que vamos colher na velhice do corpo o que tivermos plantado na juventude.

Se ele quiser ter um ídolo, que escolha alguém que esteja envolvido com a Paz, com a Saúde, a Ética, ao invés de achar ídolos da droga, do crime, das sombras.

E aqueles que não tem jovens para orientar e que estão curtindo a própria maturidade, avaliar o que fizeram da vida até agora.

Se a morte chegasse hoje, o que teríam para levar?

Se chegarem a conclusão que não tem nada para levar lembrem que:-
- HÁ TEMPO.

Enquanto Deus nos permitir ficar na Terra, HÁ TEMPO, para fazermos algum serviço no Bem seja ao próximo ou a nós mesmos:- - Estudar, Aprender uma Língua (Idioma), uma Arte, Praticar um Esporte.

Enquanto respirarmos no corpo perguntemos:-
- “O QUE DEUS QUER QUE EU FAÇA?”

Usemos bem o fluido que nos foi disponibilizado.

A vida bem vivida pela causa do Bem pode nos dar “moratória”, ou seja, uma sobrevida, uma dilatação do tempo de permanência do Espírito no corpo de carne.

Então, há idosos em caráter expiatório e em caráter de moratória.


Rudymara compilou este texto da palestra de José Raul Teixeira e de Richard Simonetti
Grupo de estudo Allan Kardec

06 março 2015

Onde deflagre a Violência, o Espiritismo faz-se esteio da Educação - Jorge Hessen

 


 ONDE DEFLAGRE A VIOLÊNCIA, O ESPIRITISMO FAZ-SE ESTEIO DA EDUCAÇÃO


A violência urbana ocorre na maioria das sociedades modernas em face do “consumo” do subproduto da agressão potencializada pela televisão, rádio, jornal, revista, mídias tecnológicas. Há diversos tipos de violências que normalmente sugerem ações organizadas de jovens que agem em grupo contra o patrimônio material e pessoas, comumente unidas às quadrilhas que demarcam territórios. A selvageria do homem civilizado tem as suas raízes profundas e vigorosas na mata espessa da violência. O homo brutalis tem as suas leis: subjugar, humilhar, torturar e matar.

O utilitarismo das sociedades contemporâneas robotizou o homem, tornando-o um autômato inconsequente. O mesmo “cristão” que se prostra diante das imagens frias dos altares das igrejas ou na idolatria pela Bíblia “decorada” nos templos, volta ao seu posto de mando para ordenar torturas canibalescas. O homem contemporâneo vive atormentado pelo medo, esse inimigo atroz que o assombra. Uma vez submetido às contingências da vida atual, de insegurança e de incertezas, sofre como resultado em transtornos graves da mente, pela angústia dissolvente da própria individualidade.

Diz-se que o Oriente Médio é uma área violenta. Sim, é verdade, porém a América Latina é uma das áreas mais brutais e arriscadas da Terra, conforme demonstra o portal Business Insider. Das 50 cidades mais violentas ao redor do mundo 16 estão no Brasil. A “Pátria do Evangelho” é grande produtora de armas (contrastando com o compromisso espiritual) por isso cremos que proibir sua comercialização no mercado interno é prática recomendável, pois o problema seria atacado diretamente em sua origem. (1) No “Coração do Mundo” o homicídio é o crime mais comum. Além dos assassinatos, o tráfico de drogas, guerras de gangues, instabilidade política, corrupção e a pobreza influenciam na alta violência nas cidades listadas pelo portal Business. (2) Obviamente esta análise é restritiva, e tende a reforçar as diversas variáveis que pesam nos distintos atores que agem com brutalidade, sendo que as formas de selvageria empregadas e sua intensidade variam muito. Portanto, o aumento da violência que se conhece desde o pós-guerra não é imputável a uma categoria específica de indivíduos, mas a uma generalização dos comportamentos agressivos nas diferentes camadas da população.

Não se pode desconsiderar esses outros tipos de violências (não menos impactantes) como as que ocorrem diariamente no trânsito, as violências sexuais , os maus tratos infantis ou as agressões conjugais . Muitos conflitos que antes se manifestavam em afrontamentos sangrentos atualmente foram transmutados nos diferentes tipos de agressivas competições esportivas.

Todos tememos a violência, obviamente. Muitos erguem altos muros com fios eletrificados ao redor de suas residências, tentando manter a paz doméstica. Contratam seguranças para protegerem suas empresas e seus lares. Instalam equipamentos sofisticados que os alertem da chegada de eventuais usurpadores de seus bens. Contudo, existe outro tipo de violência a que não damos atenção: é a que está fincada dentro de cada um de nós. Violência íntima, que alguns alimentam, diariamente, concedendo que ela se torne animal voraz.

Paradoxalmente, pregamos a paz produzindo ogivas, canhões assassinos; cobiçamos resolver os problemas sociais ativando a edificação dos presídios e bordéis. “Esse progresso é o da razão sem a fé, onde os homens se perdem em luta inglória e sem-fim”. (3) 

A atual situação de violência, maldade, injustiça, opressão dos poderosos sobre os fracos, tanto em nível de pessoas, como instituições e países, certamente terá que ceder lugar a uma nova era de paz, harmonia, fraternidade e solidariedade.

Uma das soluções para a criminalidade seria desarmar a população brasileira através da proibição do comércio de armas de fogo em todo o País, ressalvada a aquisição pelos órgãos de segurança pública federal e estadual, municipal e pelas empresas de segurança privada regularmente constituídas, na forma prevista em Lei. Naturalmente não somos ingênuos de ajuizarmos que a tão somente restrição (proibição) do uso de armas de fogo, por si só, equacione definitiva e imediatamente o problema da violência.

Sabemos. É óbvio que a arma de fogo pode ser substituída por outras, talvez não tão “eficientes”. Na ausência de estrutura da aparelhagem repressora e preventiva do Estado, as armas de fogo continuarão chegando às mãos dos marginais e fazendo suas vítimas. Por isso, urge meditar que devemos aprender a nos defender , desarmando, antes de tudo, nossos espíritos e isto só se consegue pela prática do amor e da fraternidade.

É certo que a sociedade de hoje não está reduzida a ruínas irrecuperáveis. “O espírita é chamado à função da viga robusta, suscetível de mostrar que nem tudo se perdeu. Há quem diga que a Humanidade jaz em processo de desagregação. O espírita é convidado a guardar-se por célula sadia, capaz de abrir caminho à recuperação do organismo social. O espírita, onde surja a destruição, converte-se em apelo ao refazimento; onde estoure a indisciplina, faz-se esteio da ordem e, onde lavre o pessimismo, ergue-se, de imediato, por mensagem de esperança.” (4).

Por isso, a solução que a Doutrina Espírita apresenta para a violência é a educação em seu amplo aspecto. O Espiritismo, essencialmente educativo, conclama-nos ao amor e à instrução que poderão formar uma nova mentalidade entre os homens. Até porque a violência é o fruto espúrio da ignorância humana.

 Remanescente da agressividade animal explode na natureza graças às bases do egoísmo, o câncer moral que carcome o organismo social. O antídoto ao egoísmo é o altruísmo (amor ao próximo, abnegação). Por consequência, a melhor maneira de tornar uma sociedade justa e altruísta é a educação das gerações novas. 

Sabendo que, através da educação, formaremos caracteres saudáveis, deveremos investir tudo nesta obra libertadora, que é uma das mais elevadas expressões da caridade.


Jorge Hessen

Notas e referências bibliográficas:

(1) Hoje, no Brasil, existem três empresas fabricantes de armas de fogo de onde grande parte de sua produção é destinada à exportação.
(3) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Ditada pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed FEB, 2001, perg 199.
(4) Xavier. Francisco Cândido. Livro da esperança, ditado pelo Espírito Emmanuel, Uberaba/MG: Ed CEC, 1964

05 março 2015

Quando os filhos crescem - Momento Espírita



QUANDO OS FILHOS CRESCEM


Há um momento, na vida dos pais, em que eles se sentem órfãos.

 Os filhos, dizem eles, crescem de um momento para outro. É paradoxal. Quando nascem, pequenos e frágeis, os primeiros meses parecem intermináveis. Pai e mãe se revezam à cata de respostas aos seus estímulos nos rostinhos miúdos.

Desejam que eles sorriam, que agitem os bracinhos, que sentem, fiquem em pé, andem, tudo é uma ansiosa expectativa.

Então, um dia, de repente, ei-los adolescentes. Não mais os passeios com os pais, nos finais de semana, nem férias compartilhadas em família.

Agora tudo é feito com os amigos.

Olham para o rosto do menino e surpreendem os primeiros fios de barba, como a mãe passarinho descobre a penugem nas asas dos filhotes. A menina se transforma em mulher. É o momento dos voos para além do ninho doméstico.

É o momento em que os pais se perguntam: Onde estão aqueles bebês com cheirinho de leite e fralda molhada? Onde estão os brinquedos do faz-de-conta, os chás de nada, os heróis invencíveis que tudo conseguiam, em suas batalhas imaginárias contra o mal?

As viagens para a praia e o campo já não são tão sonoras. A cantoria infantil e os eternos pedidos de sorvetes, doces, pipoca foram substituídos pelo mutismo ou a conversa animada com os amigos com que compartilham sua alegria.

Os pais se sentem órfãos de filhos. Seus pequenos cresceram sem que eles possam precisar quando. Ontem, eram crianças trazendo a bola para ser consertada. Hoje, são os que lhes ensinam como operar o computador e melhor explorar os programas que se encontram à disposição.

A impressão é que dormiram crianças e despertaram adolescentes, como num passe de mágica.

Ontem, estavam no banco de trás do automóvel; hoje, estão ao volante, dando aulas de correta condução no trânsito.

É o momento da saudade dos dias que se foram, tão rápidos. É o momento em que sentimos que poderíamos ter deixado de lado afazeres sempre contínuos e brincado mais com eles, rolando na grama, jogando futebol.

Deveríamos tê-los ouvido mais, deliciando-nos com o relato de suas conquistas e aventuras, suas primeiras decepções, seus medos. Tê-los levado mais ao cinema, desfrutando das suas vibrações ante o heroísmo dos galãs da tela.

Tempos que não retornam, a não ser na figura dos netos, que nos compete esperar.

Pais, estejamos mais com nossos filhos. A existência é breve e as oportunidades preciosas.

Tudo o mais que tenhamos e que nos preencha o tempo não compensará as horas dedicadas aos Espíritos que se amoldaram nos corpos dos nossos pequenos, para estar conosco.

Não economizemos abraços, carícias, atenções, porque nosso procedimento para com eles lhes determinará a felicidade do crescimento proveitoso ou a tristeza dos dias inúteis do futuro.

* * * 

A criança criada com carinho aprende a ser afetuosa.

A mensagem da atenção ao próximo é passada pelos pais aos filhos.

No dia-a-dia com os pais, os filhos aprendem que o ser humano, seus sentimentos são mais importantes do que o simples sucesso profissional e todos os seus acessórios.

Em essência, as crianças aprendem o que vivem.


Redação do Momento Espírita