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10 dezembro 2010

O Trabalho em Equipe - Raul Teixeira


O Trabalho em Equipe

O trabalho é uma das mais antigas aquisições da Humanidade. Desde que o homem é homem, no mundo, ele está relacionado ao trabalho.

Encontramos, se nos basearmos nos textos bíblicos, que, desde os primeiros seres, o trabalho existia. Mas a Bíblia Judaica nos traz uma conotação curiosa de trabalho, parece que trabalho é uma coisa negativa porque, segundo o texto, o Senhor Elohim determinou que, a partir da expulsão do paraíso, Adão e Eva deveriam ganhar a vida com o suor do rosto.

Isso foi interpretado como sendo uma coisa negativa, quando determinava o período de amadurecimento do ser humano, quando ele já sairia das mãos de quem o conduzia, para viver em plenitude na medida do seu livre-arbítrio.

Na velha Roma, havia um tipo de castigo que se impunha aos detentos, que era amarrá-los em três paus, como aquilo que conhecemos, nas sociedades de agora com o nome de pau-de-arara, nos presídios antigos que os utilizavam. Em Roma, esse castigo em que o preso era amarrado em três paus e o corpo pesava e ele ia sofrendo pelo peso do corpo, as extremidades presas aos paus, passou-se a admitir que aquele sofrimento, aquele sacrifício era comparável ao esforço para a manutenção da vida.

Como aqueles três paus eram chamados em latim de tripalum, de tripalum nasce a palavra trabalho. A partir daí se admite que trabalho é sofrimento, que trabalho é dor, que trabalho é dificuldade.

Nada obstante, Jesus Cristo ao Seu tempo estabelece: Meu Pai trabalha sempre e eu trabalho também.

O Livro dos Espíritos nos fala que trabalho é uma Lei Divina, a Lei do trabalho. Se Deus trabalha sempre, se Jesus Cristo trabalha também, é óbvio que para nós, os filhos de Deus, será uma honra trabalhar, como trabalha o nosso Pai.

Nada obstante, para que o trabalho flua melhor, para que ele realize coisas mais amplas e mais profícuas, seria importante que nós nos uníssemos a outras pessoas. Distribuir tarefas, distribuir trabalhos, em função das habilidades dessas pessoas.

Há criaturas que não conseguem trabalhar em grupo. É do seu temperamento, é da sua psicologia individual trabalhar a sós.

Dentre esses que gostam de trabalhar a sós, há aqueles que realizam trabalhos grandiosíssimos a sós, que conseguem inspirações formosas quando trabalham sozinhos.

Mas todos podemos admitir que no trabalho cotidiano que realizamos, seria tão importante se pudéssemos contar com uma equipe. Ainda que fosse pequena a equipe, seria muito bom.

Já vemos na estrutura da família o trabalho em equipe porque, muitas vezes, a mãe está cuidando dos rebentos em casa, o marido está no trabalho profissional, ganhando seu pão diário.

Se a esposa precisa sair também para ganhar o pão diário fora do lar, contrata servidores domésticos para auxiliá-los, a ela e ao marido, nesse trabalho de cuidar da casa e das crianças. Vamos formando uma equipe. Marido, mulher, empregados, todos em função daquele lar, das crianças, dos filhos, dos serviços.

Temos aí um trabalho em equipe. No final, cada qual percebe seu salário e está feito o trabalho em grupo.

É muito importante, então, que pensemos na utilidade de aprendermos a trocar com as pessoas as nossas experiências, trabalhando em equipe.

Imaginemos uma emissora de rádio, uma emissora de televisão, uma única pessoa não daria conta de todo recado. Então, temos os sonoplastas, os figurinistas, os locutores, aqueles que lidam com toda parafernália eletrônica, numa emissora de rádio, os cameramen na emissora de televisão. E todo o pessoal que forma uma lista enorme de trabalhadores para que as coisas funcionem.

Numa escola, os professores, os diretores, os inspetores de alunos, os serventes, para facilitarem a realização daquele mister.

Começamos a entender como é útil trabalhar em equipe, muitas vezes, como é indispensável trabalhar em equipe. Mas, é importantíssimo que, nesse trabalho em equipe, aprendamos a nos entender, a nos respeitar, respeitar os limites e as possibilidades uns dos outros para que o nosso trabalho realize aquilo para o que veio.

* * *

Certamente foi pensando na importância do trabalho em grupo, do trabalho em equipe, que o Criador nos colocou aqui na Terra, cada qual com uma habilidade diferente.

É certo que, às vezes, encontramos indivíduos que fazem muitas coisas, que são carpinteiros, eletricistas, bombeiros, pedreiros, eles próprios, mas é muito raro.

A massa da Humanidade se interdepende, cada indivíduo depende do trabalho que o outro sabe fazer.

Temos o padeiro, o açougueiro, o alfaiate, o médico, o advogado, o engenheiro, numa mesma sociedade, querendo dizer que nós não conseguimos viver em sociedade se aquilo de que necessitamos não puder chegar até nós, pelas mãos dos seus respectivos lidadores, dos seus profissionais.

Esse é um trabalho em equipe. Aquilo que a Humanidade tem que realizar em prol de um mundo maior, um mundo melhor, em prol dela mesma, só em equipe. Jamais conseguiremos elevar a condição do mundo, solitariamente.

Percebamos que se olharmos esse aspecto da vida espiritual, encontraremos Francisco de Assis reunindo em torno dele, na Úmbria, uma equipe de amigos seus, de servidores do bem, criaturas que tinham o seu mesmo ideal. Nada obstante pensassem por si mesmos, cada qual tinha o seu ideal ligado ao ideal de Francisco e de Clara de Assis.

Clara se fez acompanhar de um grupo de moças, jovens, mulheres. Francisco de rapazes, um grupo de moços, de homens que adotavam aquela visão de mundo franciscana e, graças a esses trabalhos, conhecemos hoje, tudo quanto se tornou legado de Francisco de Assis ou, se quisermos, de São Francisco de Assis e de Clara ou Santa Clara. Suas Ordens, seus trabalhos remanescem até a atualidade dos dias.

Mas, ao mesmo tempo, o mais notável filho de Deus que já chegou à Terra, Jesus de Nazaré, não realizou o que realizou, a sós. Cercou-Se de doze homens, de doze criaturas, que poderiam espalhar a proposta, a mensagem que Ele veio trazer da parte do nosso Pai Celestial, demonstrando que Ele valorizava o trabalho em equipe.

O fato de Ele valorizar o trabalho em equipe não significava que Ele não precisasse de, em alguns momentos estar a sós, como O fez. A mesma coisa acontecendo com Francisco, a mesma coisa com Antônio de Pádua.

Teresa d’Ávila, uma das mais notáveis místicas da Europa, tinha a sua equipe de trabalho.

Desde há muito tempo, as pessoas antenadas com a Espiritualidade realizaram seus misteres com sua equipe.

Mas, repitamos, havia momentos em que Jesus Cristo precisava estar a sós, havia momentos em que Francisco precisava estar a sós e Tereza d´Ávila também. O fato de trabalharmos em equipe não nos tira a privacidade do nosso momento pessoal, individual e solitário.

Há momentos em que eu quero pensar alguma coisa por mim mesmo para depois levar à equipe. Nenhum problema, mas eu quero levar à equipe para que ela discuta comigo, analise comigo, avalie e verifique junto a mim se aquilo que eu pensei, se aquilo que eu levei, é plausível ou não.

Quando pensamos no bem da Humanidade, quando nos referimos ao progresso do mundo e dizemos que, graças ao país tal ou ao país qual, ao Presidente X ou ao Presidente Y é que o mundo está em guerra, é que o mundo está à matroca, é que o mundo está passando fome, isto, aquilo, estamos com este discurso estabelecendo que a paz do mundo não pode partir de uma criatura só. Tem que partir dos governos do mundo. Precisa partir dos cidadãos do mundo. Nós todos reunidos nessa marcha pelo bem estar do nosso planeta.

Daí, quando pai, mãe, professores, dialogando com suas crianças ou com seus jovens, vão lhes mostrando o valor de cuidar da natureza, dos animais, das florestas, das plantas, dos mananciais e esse é um trabalho em equipe, estamos atendendo aos propósitos da Divindade para que, mais hoje, mais amanhã, o nosso planeta brilhe. Porque mais dia, menos dia, todos nós seremos anjos e os anjos, os doces Espíritos do Senhor trabalham em equipe.

Por isto, vale a pena estruturar-nos numa equipe para aprender com ela a servir melhor.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 193, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.

09 dezembro 2010

Os Falsos Profetas - Raul Teixeira

Os Falsos Profetas

A estrutura antiga do povo judeu trazia nas suas tradições a ideia dos profetas. O que eram os profetas no judaísmo antigo?

Eram os sensitivos, os médiuns, como chamamos hoje ou os paranormais. Na Judeia se conhecia como profeta aquilo que na Grécia era o Piton, a pitonisa. Indivíduos dotados de certa peculiaridade psíquica para registrar o seu diálogo com os Espíritos, para registrar as informações dos Espíritos, que eram chamados de deuses, de divindades, naquela antiguidade do mito.

Naturalmente que, quando nos damos conta desse fato, temos que convir que hoje em dia também nós lidamos com muitos profetas.

Há criaturas intermediárias dos Espíritos em toda parte, em todos os lugares. Algumas que têm consciência disso e outras que disso não têm nenhuma consciência.

Como os seres espirituais atuam sobre nossas vidas de tal modo que, costumeiramente, são eles que nos dirigem os passos, pelo nível e pela intensidade das influências que nos causam, conhecemos tantos profetas, nesta atualidade.

Só que esses profetas, quando se dão conta disto, têm algumas maneiras de viver. Ou educam essa faculdade para servirem ao bem numa instituição que se dê esse trabalho de educar as nossas faculdades paranormais, ou se deixam levar pela atitude egoística de cobrar por aquilo que conseguem, que realizam ou que dizem poder realizar.

Em todo lugar, por onde passamos, encontramos placas, cartazes, anúncios, flyers, avulsos, anunciando pessoas com poderes mágicos para aproximar casais, para separar casais, para trazer a alma querida, para resolver problemas financeiros, para nos resgatar dos dramas econômicos e, curiosamente, podemos perceber que esses indivíduos, homens ou mulheres que oferecem tais serviços à sociedade, não resolvem os seus próprios problemas, os dramas de suas próprias vidas.

Dramas financeiros, econômicos, afetivos. Logo, o que eles estão pregando e propondo para os outros não deixa de ser uma inverdade, uma falsidade.

Não foi sem sentido que Jesus Cristo nos chamou a atenção para que tivéssemos cuidado com os falsos profetas, falsos intermediários, falsos médiuns, existentes em todas as épocas da Humanidade.

Pessoas que fazem mau uso da sua capacidade psíquica de registrar o mundo imortal, de registrar esse mundo espiritual e, porque fazem mau uso, acabam por se fragilizar moralmente e abrir espaço para intromissão, para intervenção de entidades nefastas, de almas infelizes que desejam causar todos os tipos de perturbações na vida alheia.

Falsos profetas, então, existem aqui no mundo, entre os seres encarnados. Pessoas que mentem, pessoas que enganam, para tirar sempre proveitos materiais.

Encontramos falsos profetas nesse outro lado da vida, na Imortalidade, no mundo dos Espíritos. E esses falsos profetas fazem de tudo para nos iludir.

Trazem-nos costumeiramente ideias esdrúxulas, revelações bombásticas e mentirosas, na certeza de que serão cridos pelas pessoas ingênuas, pelas mentes incautas. E, como o mundo está cheio de mentes ingênuas, de pessoas incautas, crédulas...

Essa ingenuidade e essa credulidade ocorre sempre com maior intensidade, naqueles que ignoram, que desconhecem como é que funciona o mundo espiritual; como é que funcionam as Leis de Deus.

A partir de quê as Leis de Deus regulam as nossas vidas na Terra?

Teremos que ter muito cuidado com os que mentem, com os falsos profetas.

* * *

É muito comum encontrarmos esse tipo de criaturas, onde quer que nos movimentemos. Às vezes, os achamos nas feiras livres, homens e mulheres do povo, que desejam vender seus produtos de qualquer maneira.

Quantas vezes temos laranjas bonitas, vendidas como dulcíssimas e que são azedas? Quantas vezes?

Mas a pessoa garante que são laranjas dulcíssimas.

Encontramos esse gênero de falso profetismo que não causa maiores embaraços, a não ser a frustração de desejarmos uma laranja doce e tê-la ácida.

Encontramos esse tipo de falso profetismo, de falso profeta, durante as campanhas políticas. Quantos são os candidatos, as candidatas que se aproximam do povo, dos pobres, principalmente dos pobres, com aquele sorriso plastificado no rosto, aquele sorriso congelado.

Pegam crianças sujas nos braços, beijam mendigos nas ruas, comem nos bares com o povo, até o dia em que se veem consagrados, até o dia que vencem o pleito.

Nunca mais retornam àqueles guetos, àqueles lugares, não recebem nos seus gabinetes aqueles que neles votaram. Nunca mais se lembram das crianças sujas, dos velhos e dos mendigos e passam a lidar com aqueles que neles votaram como se fossem seus senhores.

Depois que eles ganham o pleito se tornam imperadores da simplicidade, da pobreza dos outros, falsos profetas. Mentem deslavadamente, a cada quatro anos, para que a sociedade gradativamente aprenda a lidar com eles.

Encontramos falsos profetas nos meios profissionais da saúde, por exemplo. Profissionais que prometem curas mirabolantes, curas milagrosas a custos bastante baixos, a preços módicos e dão preferências às pessoas simplórias, às pessoas crédulas, que deixam ali seu suado dinheiro, suas parcas moedas e certamente não vão conseguir a cura jamais, para os seus problemas. Acreditaram nas pessoas que mentiram. Acreditaram naqueles que os enganaram.

Encontramos, na área educacional, instituições que fazem propaganda do valor dos seus cursos. Que as pessoas sairão dali e conseguirão isso, aquilo, conquistarão tal coisa na sociedade, mas é tudo inverdade.

Quase sempre são estabelecimentos de má qualidade profissional, exploradores e, certamente, os alunos ou profissionais que saiam dali, estarão em desvantagens diante daqueles que fizeram bons cursos, onde reinava a verdade pedagógica, a verdade educacional.

Encontramos esses falsos profetas em número exorbitante nas religiões. Cada um deles deseja garantir que tenha acesso direto com Deus, falam diretamente com Deus, sabem do que Deus quer e do que Deus não quer e as pessoas tolas, de todos os tempos, acreditam piamente.

Quando aprendemos, desde sempre, que entre a criatura humana e Deus só existe uma ponte, que é Jesus.

Eu sou o Caminho. Caminho da Verdade, Caminho da Vida. Ninguém chegará ao Pai se não for por Mim.

Mas as criaturas que não têm muita intimidade com as lições de Jesus, preferem dar ouvidos a quem esteja mais próximo, o religioso desaforado, mistificador, falso profeta.

Vendem brinquedos dizendo que são instrumentos religiosos, ganham dinheiro das massas e quanto mais enganam, mais e melhor conseguem iludir, porque a massa é a massa de todos os tempos: incauta, ignorante, crédula, emocionalmente imatura. Por isso, excessivamente emocional.

Com isso, nós vamos percebendo Jesus Cristo cuidadoso nos chamando atenção:

Tende cuidado com os falsos profetas. E complementa o Mestre: Se possível fosse eles enganariam os próprios eleitos.

Imaginemos se eles são capazes de enganar os próprios eleitos, o que não acontecerá conosco, que somos tão somente candidatos à felicidade.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 208, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.

08 dezembro 2010

Deus em Nossa Vida - Raul Teixeira


Deus em Nossa Vida

Esses tempos do mundo têm sido tempos muito complicados. Para onde quer que nos voltemos, existem as perturbações.

E neste momento das perturbações, é muito comum que a criatura humana esteja em busca de soluções.

Para onde nos voltemos há soluções à vista, mas nem sempre essas soluções são de fato aquelas que terão possibilidades de resolver os problemas do mundo complicado.

Tem se procurado soluções políticas. E, quando se procuram soluções políticas, se lança mão dos parlamentares, dos porta-vozes, dos embaixadores, dos países, dos governos ou mesmo das instituições comuns.

Tem-se procurado também soluções econômicas. É o problema da economia, a plantação, a colheita, o consumo.

Mas, há outras vezes em que as soluções buscadas são de ordem armada, militar. São soluções beligerantes, em que um povo ataca outro povo, em que um país se atira contra outro país. Todos em busca de soluções para as complicações do mundo.

Muitas vezes são procuradas soluções em nível religioso. Quando alguém imagina que a sua crença, o seu modo de ver é superior ao do outro, surgem as guerras religiosas, ou melhor, as guerras entre religiosos, o que não pode ser mais estapafúrdio.

Daí, começamos a pensar nas soluções que deveremos procurar para o nosso mundo complicado.

É bem verdade que, quando pensamos nessas complicações da atualidade, temos que convir que elas não são propriamente da atualidade.

Desde que existe o ser humano sobre a Terra, desde quando surgiram as comunidades, as sociedades, os grupos humanos organizados, aí estão as complicações. Porque desde que uma pessoa pense diferente de outra pessoa, começam as discordâncias.

Temos sempre muita dificuldade de viver, de coabitar com o que nos seja diferente. Pessoas diferentes de outras parece que estão ameaçadas.

Sofremos grande ameaça quando alguém não pensa como nós, alguém não se veste como nós, alguém não reza como nós ou não vive no mesmo bairro em que nós vivemos.

A partir disso é necessário pensar na busca de soluções verazes para os problemas do mundo complexo. E, quando pensamos nessas soluções a buscar, não podemos perder de vista a ideia de que nós não estamos ao léu no mundo.

O planeta não está à matroca, é uma grande nau, uma grande embarcação que singra os espaços abertos do Cosmo e sob a sua coordenação está o Homem de Nazaré.

Sim, pelo que nós aprendemos nas crenças cristãs, é Jesus Cristo o grande supervisor do progresso planetário. Ele é que nos vem falar de Deus, do Nosso Pai, da nossa grandeza e, propõe que aprendamos a colocar Deus em nossa vida.

A partir do momento em que ponhamos Deus em nossa vida, as providências tomadas para a solução dos problemas terrestres igualmente serão maiores, serão melhores, com grandes chances de êxito.

É por isso que não deveremos perder de vista o conceito de Deus na nossa vida cotidiana. A ideia de Deus para nós todos.

Mas, que ideia de Deus é esta que estamos querendo?

Não pode ser pieguista, não há nenhuma necessidade de falarmos de Deus como se Ele fosse o grande castigador, o grande juiz, o grande julgador.

A imagem que Cristo nos deixa entrever de Deus é a de Nosso Pai Criador. Uma vez que tenhamos essa percepção, todas as coisas se alterarão na nossa maneira de ver e de interpretar o mundo.

A partir daí, será mais fácil encontrarmos soluções para os problemas do mundo complicado, a partir das soluções que encontremos para nossa própria complicação.

* * *

A ideia de Deus nos tranquiliza. Sim, nos tranquiliza porque, na medida em que pensemos que o Universo está nas mãos do Criador, temos certeza de que o Universo está bem. As Leis funcionarão perfeitamente porque o Criador do Universo é perfeito.

A ideia de Deus, além de nos tranquilizar, nos aproxima, passamos a entender que somos todos irmãos.

Não importa a cor de nossa pele, a nossa cultura ou as nossas culturas, não importa qual seja o nosso estágio socioeconômico. Importa-nos que somos todos filhos de Deus, irmãos portanto. Logo, deveremos nos aproximar afetivamente, emocionalmente para que a vida tenha um outro sentido.

A ideia de Deus nos permite pensar na proposta da paz. Essa paz que não se consegue através de armistícios, de assinaturas de papéis porque daqui a pouco se assinam outros papéis para a guerra, para a violência, para as licenças grotescas de que temos sido testemunhas nesses tempos do mundo.

A ideia de Deus nos permite pensar numa paz verdadeira porque construída dentro da criatura.

A ideia de Deus nos dá familiaridade com a natureza, nos auxilia a refletir sobre a manutenção da nossa casa planetária. Na medida em que nos sintamos bem em nossa casa planetária, vamos querer que ela esteja cada dia melhor e, por causa disso, teremos cuidados com a vegetação, com os animais, com os mananciais, com o ar que nós respiramos e conosco propriamente.

Se estamos preocupados com a natureza, com a ecologia, com o ecossistema, já sabemos que o ser humano é o indivíduo mais importante desse ecossistema.

Então é justo que pensemos em Deus, que permitamos que a ideia de Deus conviva com a nossa vida cotidiana, acreditando sempre que a ideia de Deus não pode ser um adorno social para as questões de fé. O Criador não precisa dessas confissões labiais que nós usamos tanto.

Eu tenho muita fé em Deus. Eu acredito em Deus. Não é isso o mais importante. O mais importante é que vivamos de tal forma na Terra que Deus, isto sim, possa confiar em nós.

A partir dessa confiança de Deus em nós, Ele nos oportunizará sempre as condições melhores para a realização de que temos necessidade no mundo.

Todas as complicações do planeta irão desaparecendo porque nos amaremos a nós próprios, e reciprocamente. Nós todos nos respeitaremos, aprenderemos a compreender ou admitir que as pessoas possam ser diferentes de nós, que as pessoas devam ser diferentes de nós.

Seria terrível um mundo em que todos fossem iguais, um mundo cujo arquétipo fosse copiado por toda a massa de bilhões de almas.

A grande beleza da Divindade é nos fazer de tal modo que cada um seja um. A grandeza de Deus é permitir que nós construamos nossa própria feição espiritual.

Há esse que é calmo, aquele que é mais excitado, aquele que é brigão, mas todos estaremos marchando para a harmonia.

Existe esse que é cantor, aquele que é pintor, o outro que é marceneiro, que é chofer, que é boiadeiro, mas todos estamos aprendendo a lidar com a Casa Cósmica, com a morada de Deus.

Quando colocamos Deus em nossa vida temos grandes chances de seguir para a felicidade.

Não é essa felicidade de ter coisas, de ter poderes, é essa felicidade de ter a consciência tranquila pelo dever retamente cumprido ou cumprido da melhor forma que podemos.

E, uma vez colocado Deus na pauta de nossas reflexões, dos nossos pensamentos, transmitindo-O aos nossos filhos, à nossa família e, entronizando-O em nosso próprio coração, as complicações do mundo atual tenderão todas a desaparecer na caudal do amor que verte dessas regiões sublimes, onde vibra o amor de Deus.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 182, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.


07 dezembro 2010

A Reconciliação - Raul Teixeira

A Reconciliação

Eu conheci Karen numa das viagens que fiz a uma das cidades do Sul do Brasil.

Uma jovem que à época contava 16 para 17 anos. Loira, quase ruiva, olhos de um azul celestial. Magrinha, de pequena estatura, mas uma alma muito querida.

Procurou-me depois de uma palestra e perguntou-me se poderia falar duas coisas comigo. Acedi, dei-lhe o tempo e Karen começou a me falar que carregava um grave problema na alma. As lágrimas chegaram aos seus olhos sem cair. Perguntei-lhe qual era o problema tão grave e ela respondeu-me que era sua mãe.

Mas o que pode haver de tão grave com sua mãe? Retruquei.

E Karen me respondeu, deixando que as lágrimas agora rolassem.

É que minha mãe é meretriz e eu não quero saber dela, envergonho-me dela. Tenho um namoradinho, professor, e tenho muita vergonha que ele saiba que minha mãe é assim. Gostaria de nunca mais vê-la.

Vi o sofrimento daquela jovem, na forma como ela narrava os tormentos do seu coração em relação à situação de sua mãe.

Percebendo isso dirigi-me a Karen e lhe perguntei: Por acaso, minha amiga, você já conversou com sua mãe, para saber dela o que a levou a esse estilo de vida?

Possivelmente sua mãe o tenha feito para defendê-la. Na fragilidade do próprio coração, queria salvar a filha, de repente, de um padrasto, de alguém que ela temesse desrespeitar você. Converse com sua mãe, tenho certeza de que você ainda vai descobrir a mãe que tem.

Karen chorou, abraçou-me, perguntou se poderia me escrever. Eu assenti.

Duas semanas depois do nosso encontro em sua cidade, eu recebo uma pequena carta da jovenzinha e ela me dizia: Telefonei para minha mãe e pedi a ela um encontro para que conversássemos.

Ela ficou tão contente e marcamos de conversar no dia X.

Fiquei aguardando a chegada do dia X, para ver o que é que a menina iria me escrever depois.

Quase um mês se passou, quando recebi uma cartinha mais longa de Karen e dizia-me que conversaram, ela e sua mãe, durante uma noite inteira. De fato, sua mãe confirmara que tivera medo de casar-se outra vez depois da viuvez e alguém, introduzido no seu lar, abusar de sua filha que ela amava tanto.

Pela fragilidade de sua alma ela, então, se envolveu com um homem, se envolveu com outro homem e quando se deu conta, estava viciada em se envolver com os homens.

A jovem me falava na carta que sentiu uma ternura tão grande por sua mãe, que ficaram amigas ao fim da conversa.

Já tinham combinado de irem morar no mesmo apartamento, as duas ficariam no mesmo quarto para que pudessem conversar durante muitas horas, retirando o atraso daquele tempo em que estiveram distanciadas, não pela mãe mas pela filha.

Tempos depois recebi outra mensagem da jovem do Sul, dizendo-me que sua mãe era a melhor pessoa do mundo, como a amava, como a ajudava e que estava vivendo com sua mãe, um verdadeiro paraíso.

Já tinha apresentado seu namorado para a mãe e sua mãe o tratava muito bem, ele gostava da futura sogra.

Os dias foram se passando, os meses. Dois anos depois da primeira conversa, Karen me diz que tinha ficado noiva, depois me manda o convite do seu casamento para o qual sua mãe seria a madrinha. Seria uma festa de corações. Ela se reconciliara com sua genitora e, agora, Karen tem dois meninos.

Atualmente um tem seis anos, outro tem quatro anos, amam a avó, vivem no mesmo lar.

A antiga mãe atormentada pela prostituição se converteu no anjo tutelar da família. Cuida dos netos para que a filha e o genro possam trabalhar. Ama as crianças de paixão e a reconciliação abriu as portas da alma de Karen para descobrir um amor que a amava tanto, ainda que à distância.

* * *

Quando penso na história de Karen, história que eu conheci pessoalmente, fico imaginando quantos dramas familiares existem nessa mesma direção.

Filhos, filhas que se antagonizam com pais, com mães, cheios de razões e muitas vezes com razões de fato, mas que nunca se predispuseram a ouvir as razões do outro.

Conversar com o pai, conversar com a mãe, saber o que de fato aconteceu e abrir a alma para saber perdoar. Nenhum filho tem esse direito de ficar de mal com sua mãe, de ficar de mal com seu pai, por mais complicados que eles sejam, porque foram eles que nos permitiram chegar.

Há muitas mães certinhas, cheias de virtudes, mas que não deixam os filhos nascer. Há muitos pais certinhos socialmente, cultos, mas que não querem filhos.

Então os nossos pais, as nossas mães ainda que pobres, analfabetos, portando certos vícios, até o hábito da prostituição sexual, mas que abriram as portas da reencarnação para que nós chegássemos.

Não é sem sentido que o Decálogo de Moisés estabelece num dos seus mandamentos: Honra a teu pai e a tua mãe, a fim de viveres longo tempo na terra que o Senhor te dará.

Honrar é respeitar. Ninguém poderá impor a um filho amar o seu pai, amar a sua mãe, principalmente quando consideramos as nuanças da reencarnação.

Muitas vezes renascemos como filhos, como filhas de antigos inimigos nossos. Muitas vezes recebemos no lar como filhos, como filhas, antigos adversários nossos e é natural que, pelas Leis da afinidade, nós não tenhamos tantas aberturas para amar, tanto incentivo para amar. Toleramos, suportamos, no entanto, respeitando sempre.

Não precisamos concordar com tudo que eles fazem. Mas odiar o pai, odiar a mãe, ter raiva do pai, ter raiva da mãe certamente nos complicará porque isso caracterizará um crime de lesa-coração, um crime de desrespeito aos pais, de ingratidão, que o Evangelho aponta como sendo uma das coisas mais sérias que a alma pode contrair, para sua vivência atual e futura.

Do mesmo modo, precisamos nos reconciliar com nossos amores, pai, mãe, irmãos enquanto é tempo, enquanto estamos juntos deles. Não nos esqueçamos que foi Jesus Cristo que nos propôs: Reconcilia-te com teu adversário, enquanto estás a caminho com ele. Enquanto estamos aqui na Terra.

Se o nosso adversário falecer antes de nós ou nós antes dele, teremos aí um grave imbróglio, porque pode ser que ele, no Além, não nos perdoe as ingratidões, a malquerença, os distúrbios provocados em sua vida.

Pode ser que daqui não tenhamos mais chances de pedir-lhes desculpas, de pedir-lhes perdão e carregaremos o complexo de culpa, o tormento íntimo durante uma existência inteira, sentindo sempre que somos culpados ou responsáveis pelas desditas que eles passaram ou mesmo por sua morte.

Quantas vezes encontramos filhos, esposos, amigos que se agarram à alça do ataúde onde estão os corpos das pessoas por eles desamadas e gritam e se desesperam. Para quem esteja vendo parecerá bem querer, mas no fundo da alma de cada uma pode ser complexo de culpa.

Eu podia ter vivido melhor com ele.

Eu podia ter sido melhor para ela.

Eu podia ter feito um pouco mais para nos reconciliarmos.

Eu poderia ter investido um pouco mais, para não deixar murchar o amor, que nunca morre.

A indiferença, a malquerença nos complica. Antes de irmos ao templo entregar nossa oferenda, diz o Evangelho, antes de irmos para as nossas práticas religiosas, sejam elas quais forem, reconciliemos o coração com aquelas pessoas que nos atendem, que nos servem ou mesmo com aqueles que nos antagonizam, que são nossos adversários ou mesmo que sejam nossos inimigos.

É por isto que, baseando-nos nos ensinos de Jesus Cristo, entendo Karen, entendi Karen. E há tantas outras Karens vivendo no mundo, precisando amar.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 209, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.

06 dezembro 2010

Os Adversários, Mestres Oportunos - Joanna de Ângelis

Os Adversários, Mestres Oportunos

Abraçando os ideais de enobrecimento, pensa-se que todas as criaturas estão vibrando no mesmo diapasão do progresso e que, em consequência, haverá uma natural adesão em torno dos objetivos relevantes que devem conduzir as vidas para os altiplanos da felicidade.

O ser humano é um conquistador insuperável, fadado às estrelas que lhe estão ao alcance, na medida em que se empenha por alcançá-las.

Desde a descoberta do fogo e do invento da roda, o seu mundo jamais foi o mesmo, alterando os seus padrões de comportamento e de convivência no rumo de melhores resultados.

Mediante o esforço e o raciocínio que se lhe foi desdobrando – a Divina Presença no cerne do ser! – levantou-se e começou a avançar na direção do Infinito, ora sob dores acerbas, noutros momentos em júbilos inexcedíveis, conquistando espaços e adquirindo conhecimentos.

Renascendo em contínuo processo de crescimento intelecto-moral, vem acumulando as experiências que se transformam em bênçãos que deve esparzir pelos caminhos percorridos, deixando pegadas apontando o porto de segurança que se encontra sempre à frente.

Quando atraído pela mensagem libertadora de Jesus, porém, modificam-se-lhe as paisagens interiores e alteram-se-lhe os interesses, ampliando-lhe as possibilidades de ser útil, conseguindo um significado especial para a existência.

Nada obstante, porque se movimenta num planeta igualmente de provas e de expiações, não se pode furtar à psicosfera que lhe é peculiar, nem às injunções que o caracterizam.

Compreensível, portanto, que nem todos aqueles que navegam na mesma barca da evolução estejam firmados em propósitos de edificação nobilitante, alguns ainda detendo-se em estágio inferior, assinalados pelo primarismo de que se fazem portadores.

Indiscutivelmente, o processo de transformação interior, no qual os instintos cedem lugar aos valores da razão e da consciência, é lento, ainda mais, tendo-se em vista que nem todos os viandantes da indumentária material iniciaram-se no empreendimento espiritual no mesmo instante.

Procedentes de especiais momentos da evolução, incontáveis, inevitavelmente, encontram-se em patamares diferentes, que explicam as diversas aspirações que os tipificam.

Felizes aqueles que já compreendem os impositivos da existência terrena, após vencerem os impulsos agressivos que lhes conferiam a sensação de dominadores do mundo e que o sentido exclusivo da vilegiatura carnal seria conquista dos prazeres e das sensações que mais os agradam.

Aqueles que são mais fisiológicos do que psicológicos, detêm-se nas faixas das paixões primevas e, mesmo quando a consciência se lhes desperta, prosseguem vivenciando um período de transição, que ainda lhes não permite uma visão perfeita da realidade. Embora ansiando por algo melhor, competem, quando deveriam cooperar, malsinam os companheiros, quando lhes cabia o dever de os auxiliar, porque a predominância do ego torna-os ambiciosos e prepotentes.

Não sabem servir com abnegação, sem servir-se, retirando os lucros do orgulho e da presunção, que lhes constituem a moeda retributiva. Podem mesmo desejar ser melhores, no entanto, os impulsos afligentes que resultam dos conflitos e dos complexos de inferioridade que os acompanham de existências pretéritas, transformam-nos em inimigos de todos aqueles que supõem lhes farão sombra...

São infelizes, disfarçados de joviais, humanitários e bondosos, na hipocrisia em que vivem, ocultando os sentimentos inferiores.

Desse modo, transformam-se em adversários perversos dos demais que não lhes compartem as ideias e que pensam pretenderem excluir.

* * *

Adversidade é lição para a vida e adversários são mestres que proporcionam o treinamento no bem., sem o concurso do aplauso ou da bajulação habituais, dificultando o trabalho honorável do servidor fiel.

Esses irmãos infelizes que se propõem envenenar-te os sentimentos com a sua pertinaz perseguição, merecem compaixão ao invés de reproche ou de animosidade.

Se é verdade que não lhes deves facultar um relacionamento pusilânime, não é justo devolveres os seus pensamentos enfermiços com outros do mesmo gênero.

Sofres, porque gostarias de servir sem a presença desse tipo de tribulação.

Choras, porque os teus são anseios de construção do amor em toda parte, e, no entanto, sentes o amargor da calúnia que te antecede os passos, da maledicência que te aturde quando lhes tomas conhecimento, ou da zombaria depois que vais adiante...

O melhor comportamento em tais circunstâncias é não valorizar o mal nem aquele que se te fez mau.

Concede-lhe o privilégio de ser como se encontra, mas impõe-te o dever de ser fiel ao compromisso com Jesus, que também experimentou iguais ofensas sem dar-lhes a menor importância.

Gastas tempo e preocupação mental com esses companheiros que te vigiam e acusam, que te acompanham com insistência e infernizam os momentos em que trabalhas e quando repousas.

Ficas indagando como conduzir-te, desde que, se silencias ao mal e ao descalabro que reinam, acusam-te de omisso, mas se levantas a voz e proclamas a verdade, taxam-te de intolerante e mendaz...

Desse modo, faze o que deves e comporta-te conforme estabelece o teu programa ante a consciência do dever.

Esses adversários dos teus objetivos não são apenas opositores teus, mas, sem dar-se conta, dAquele a quem procuras servir, que os entende e concede-lhes tempo para a reabilitação.

Aprende, portanto, com os inimigos, fraternidade legítima, compreensão gentil, exercitando sempre a compaixão.

Na aduana da caridade, a misericórdia e o amor dão-se as mãos, a fim de ensejarem à virtude máxima a ocasião de expressar-se.

Constituam-te estímulo o serviço desses mestres desconhecidos, apurando-te mais, qualificando-te melhor, a fim de produzires com segurança na seara da elevação espiritual da humanidade.

Ninguém atravessa o rio carnal sem experimentar a correnteza violenta sobre a qual navega o Espírito.

Todos os homens e mulheres afeiçoados ao bem pagaram o pesado tributo da diferença entre eles o os que os cercavam, a época em que viveram e naquela pela qual anelavam, e é graças a eles que percorres os atuais caminhos por onde segues em júbilo e dores, porém, fixado na meta que te fascina.

* * *

O mundo ainda não tem condições de compreender e aceitar o compromisso da iluminação íntima como primeiro passo para a marcha ascensional.

Por enquanto, somente aqueles que se fizeram fortes e decididos conseguem ultrapassar as barreiras das dificuldades, colocando marcos na senda escura, de maneira a facilitar a jornada espiritual dos que virão depois.

Todo desbravador carrega as marcas da sua audácia de aventureiro do progresso. Abrem picadas na densa mata, traçam roteiros nos mares bravios, alçam-se aos céus ampliando os espaços e caminham sobre acúleos, quebrando-os, assim preparando a senda para o porvir...

Exulta, portanto, por teres adversários, mestres desconhecidos, a seres adversário de quem quer que seja.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na noite de 2 de junho de 2010, em Istambul, Turquia

05 dezembro 2010

Vozes da Vida - Maria Dolores

VOZES DA VIDA

Ao homem que alegou perante os Céus
Que de nada dispunha para dar
Por sentir-se tão pobre quão sozinho,
O Senhor concedeu a benção de escutar
As migalhas e cousas do caminho!. . .

Disse-lhe um pão largado a um canto da sacola:
Dá-me a feliz esmola
De poder amparar!
Passaram hoje aqui dois pequenos sem nome. . .
Ah!. . . Quanto desejei arredá-los da fome!. . .

Para ajudar, porém, necessito, primeiro,
De tuas mãos, nobre companheiro,
porquanto, é lei de Deus, na exaltação do bem,
Que pessoa nenhuma
Possa melhor servir sem apoio de alguém. . .

Uma rosa a entreabrir-se, acetinada e bela,
Exclamou da janela:
O vento da manhã explicou-me que existe
Em vizinho hospital!
Uma jovem doente abandonada e triste,
Desejando uma flor. . .
Quero sair daqui
Para ofertar-lhe ao peito uma nota de amor
Mas para realizar o sonho
Em que, pobre de forças, me agasalho,
Tentando transformar-me em fé, simpatia e trabalho,
Nada posso sem ti!. . .

Um bloco de papel atirado ao relento
Rogou, a sacudir-lhe o pensamento:
Vem agora comigo,
O impulso de teu lápis não me cansa,
Anseio ser contigo
A carta mensageira de esperança!. . .

Antigo cobertor aposentado
Transmitiu-lhe um recado:
O irmão enfermo, em frente, pede caridade,
Não me conserves sem utilidade. . .
Devo entregar-lhe a paz contra a guerra do frio,
Para isso, porém, neste culto de amor,
A fim de que eu lhe dê o amparo do calor,
Tanto ao catre vazio
Quanto ao corpo cansado de exaustão,
Não te dispenso a colaboração. . .

Pequenina moeda ergueu a voz
E falou-lhe do bolso em que jazia:
Pobre mão de criança semimorta
Veio hoje e pediu socorro à porta. . .
Leva-me a trabalhar.
Suplico a Deus para que alguém me aceite,
Preciso converter-me em xícara de leite
Que nutra, reconforte
E arranque essa criança ao domínio da morte!. . .

O homem renovado
Aguçou a atenção e escutou, mais além. . .
Sementes, fruto, fontes,
Os legumes do vale e as árvores dos montes. . .
Tudo era aceno e voz para o convite ao bem!. . .
Integralmente transformado,
Ouvindo a natureza, em derredor,
Viu-se rico e feliz, firme, grande, maior,
E exclamou para os Céus,
Em júbilo profundo:
Obrigado, meu Deus,
O Dom de trabalhar é o tesouro do mundo,
Ensina-me a servir,
Sê louvado, Senhor,
Na grandeza da vida e na benção do amor!. . .

Pelo Espírito Maria Dolores
Do livro: Encontro de Paz
Médium: Francisco Cândido Xavier

04 dezembro 2010

O Mundo e Tu - Joanna de Ângelis

O MUNDO E TU

Os olhos umedecem quando meditas, considerando as pequenas migalhas que te exornam a existência, como minguadas concessões que consegues desfrutar.

Deslizam, ao teu lado, sobre as águas cantantes do rio do prazer as barcaças da ilusão apinhadas de aficionados.

Parecem felizes, competindo com a luz formosa, adereçados de encantamentos, num festival de radiosa febricidade de alegria. Gostarias de ser como eles.

Alguns passam céleres pela tua porta em veículos modernos de extravagante arrogância, com petulante desdém, espraiando triunfo pessoal que os empolga. Desejarias fruir, como eles, algumas horas de sonhos.

Muitos desfilam vaidosos, e repousam em tronos de alegria e beleza, imperando vitoriosos, embriagados de poder. Anelarias experimentar as emoções que os amolentam.

Conheces da experiência carnal somente dificuldades.

O pão te chega à mesa a preço de amargo suor.

Carpes incompreensão em poço de indescritível soledade.

Consegues o mínimo com esforço inaudito.

A alegria é hóspede desconhecido do teu coração.

Nenhuma extravagância, nenhum excesso.

As horas dividem-se entre deveres e deveres.

Parece-te que a lei da divina justiça te tributa pesado imposto pela honra da vida.

Assinalas nos outros o que eles exibem e que lhes não pertence.

Não creias em felicidade a manifestar-se ruidosa.

Não confundas triunfo com algazarra.

Muitos vencedores foram assassinados após as vitórias, enquanto repousavam em coxins suaves.

Escravos de si mesmos e escravos de outros escravos que os dominam às ocultas têm sede de liberdade e vida simples, esses que te exibem sorrisos profissionais de falsa alegria.

Pensas que eles tudo têm mas em verdade não se têm sequer a si próprios. Não conseguem desvencilhar-se do cipoal a que se enovelaram nem conseguem sobreviver sem o tóxico que os aniquila vigorosamente.

Choram sem lágrimas, pois que estas secaram pelos caminhos que percorreram na terrível busca desse nada.

Sofrem e não encontram ouvidos que os escutem.

Aqueles que os cercam, quase sempre desejam roubar-lhes o lugar para envergarem as suas amarfanhadas fantasias. Embora os aplausos, os sorrisos e os amigos, vivem sozinhos...

És livre, porém, apesar dos elos da cadeia dos deveres nobilitantes.

Ama apesar de não receberes retribuição.

Ajuda mesmo sem a consideração dos socorridos.

Estende os tecidos da esperança embora não te identifiquem os beneficiados.

Podes fruir a paz que dimana da prece e a harmonia que se derrama da fé.

Possuis felicidade sem mesclas de crime nem bases de enganos.

Não invejes os que se estão atirando ao autocídio inconsciente.

Pensas nesses triunfadores enganados com simpatia e cordialidade.

Exulta por te encontrares em pleno caminho de redenção espiritual, expungindo enquanto outros se infelicitam, libertando-se ao tempo em que outros se enclausuram.

E se puderes partir os elos mesquinhos da autocompaixão infundada e desnecessária, bendize o que tens, a vida que experimentas e a fé cristã-espírita que te ilumina interiormente conseguindo sobrepor os ideais incorruptíveis da imortalidade aos jogos vis e escravocratas do mundo.

Muito oportuno recordares o ensino de Jesus; "No mundo só tereis aflições"... mas os que porfiarem fiéis até o fim herdarão a glória excelsa.

De "Espírito e Vida",
de Divaldo P. Franco,
pelo Espírito Joanna de Ângelis

03 dezembro 2010

Credores Sempre - Emmanuel

CREDORES SEMPRE

Pais e mães — dois vínculos de amor - na experiência terrestre que não se podem esquecer sem perpetrar ingratidão.

São eles que se esquecem para que os filhos — espíritos reencarnantes no mundo — deles faça berço e ninho, apoio e teto; que se arrancam das gratificações dos sentidos para sacrifício e abnegação, a fim de que os próprios rebentos não sofram carência de proteção notadamente no difícil período de adaptação, a que denominamos “infância”; que formam o lar e sustentam-no por base do aperfeiçoamento e do progresso; que garantem aos filhos a certidão de presença na Terra, doando-lhes o nome e a localização social de que necessitam.

*

Existem na Terra os que asseguram que a comunhão afetiva entre duas criaturas é incompatível com os serviços de fraternidade e elevação, sem se recordarem de que dispõem de um corpo em favor da própria evolução, à custa de pai e mãe que se puseram a servi-los, através da comunhão afetiva, cujo valor pretendem desconhecer.

Que se corrijam as manifestações poligâmicas, em nome do amor, é providência justa; entretanto, condenar a ligação afetiva, entre os seres que sabem honrar os compromissos que assumem e da qual se derivam todas as civilizações existentes no Planeta, seria renegar a fonte da própria vida, que nos empresta a vida na Terra, em nome de Deus.

**

Pais e mães, como forem e onde estiverem, são e serão sempre credores respeitáveis nos domínios da existência, principalmente para quantos se lhes erigem na condição de filhos e descendentes.

Decerto que os filhos nem sempre se harmonizam com os pais nos ideais que abraçam, como também nem sempre os pais se harmonizam com os filhos, nos propósitos a que se afeiçoam, — de vez que no campo da alma cada Espírito é um mundo por si —; no entanto, é tão significativa a função dos progenitores, nas lides terrenas, que a voz do Mundo Maior, ouvida por Moisés, no lançamento das Leis Divinas incluiu, entre os itens mais importantes para a felicidade do homem na Terra, a legenda inesquecível — “honrarás pai e mãe”.

De “Rumo Certo”
De Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito Emmanuel

02 dezembro 2010

Criança e Futuro - Bezerra de Menezes

CRIANÇA E FUTURO

A criança, hoje, — abençoado solo arroteado que aguarda a semente da fertilidade e da vida — necessariamente atendida pela caridade libertadora do Evangelho de Jesus, nas bases em que Allan Kardec o atualizou, é o celeiro fecundo, que se abarrota de esperanças para o futuro.

Criança que se evangeliza - adulto que se levanta no rumo da felicidade porvindoura.

Todo investimento de amor, no campo da educação espírita, tendo em vista a alma em trânsito pela infância corporal, é valiosa semeação de luz que se multiplicará em resultados de mil por um...

Ninguém pode empreender tarefas nobilitantes, tendo as vistas voltadas para a Era Melhor da Humanidade, sem um vigoroso empenho na educação espírita do pequenino da atualidade.

Embora ele seja um espírito em recomeço de tarefas, reeducando-se, não raro, sob os impositivos da dor em processo de carinhosa lapidação, é oportunidade ditosa, que surge como desafio para o momento e promessa de paz para o futuro. Isto, porque sabemos que a infância é ensejo superior de aprendizagem e fixação, cabendo-nos o mister relevante de proteger, amparar e sobretudo de conduzir as gerações novas no rumo do Cristo.

Esse cometimento desafio é-nos grave empresa, por estarmos conscientizados de que o corpo é concessão temporária e a jornada física um corredor por onde se transita, entrando-se pela porta do berço e saindo-se pela do túmulo, na direção da Vida Verdadeira.

A criança, à luz da Psicologia atual, não é mais o "adulto em miniatura", nem a vida orgânica representa mais a realidade única, face às descobertas das modernas ciências da alma.

Ao Espiritismo, que antecipou as conquistas do conhecimento, graças à revelação do Imortais, compete ao superior ministério de preparar o futuro ditoso da Terra, evangelizando a infância e juventude do presente.

Em tal esforço, apliquemos os contributos da mente e do sentimento, evocando o Senhor quando solicitou que deixassem ir a Ele as criancinhas, a fim de nelas plasmar, desde então, mais facilmente e com segurança, o "reino de Deus" que viera instaurar na Terra.

De: "Compromissos Iluminativos"
De Divaldo P. Franco

Espírito Bezerra de Menezes

01 dezembro 2010

Honrarás a Liberdade - Emmanuel

HONRARÁS A LIBERDADE

Honrarás a liberdade, não para voltar às brumas do passado em cujos desvarios já nos submergimos muitas vezes, e que te impeliram a tomar novo corpo no plano físico, mas, frequentemente para resgatar as conseqüências infelizes dos atos impensados.

Estimarás a liberdade para cultivar a consciência tranqüila pelo exato desempenho dos compromissos que esposaste.

Muitos companheiros da Humanidade se farão ouvir, diante de ti, alinhando teorias brilhantes em se referindo a independência e progresso, quase sempre para justificar o desgovernado predomínio do instinto sobre a razão, como se progresso e independência constituíssem retorno ao primitivismo e à animalidade.

Ouvirás a todos eles com tolerância e bondade, observando, porém, as ciladas que se lhes ocultam sob o luxo verbalístico, à maneira de armadilhas recobertas de flores, e seguirás adiante de coração atento à execução dos encargos que a vida te reservou.

Sabes que a inteligência, quando se propõe desregrar-se no esquecimento dos princípios que lhe ditam comportamento digno, inventa facilmente vocábulos cintilantes, de modo a disfarçar a própria deserção.

Aceitarás o trabalho no grupo doméstico ou na equipe de ação edificante aos quais te vinculas, na produção do bem geral, doando o melhor de ti mesmo em abnegação aos companheiros que te compartilham a experiência, na certeza de que unicamente nas lutas e sacrifícios em que somos obrigados a viver e a conviver, uns à frente dos outros, é que conseguiremos a carta de alforria no cativeiro que nos aprisiona aos resultados menos felizes das existências passadas.

Orarás e vigiarás, segundo os ensinamentos de Jesus, e honrarás a liberdade qual ele mesmo a dignificou, amando aos semelhantes sem exigir o amor alheio e prestando auxílio sem pensar em recebê-lo.

Serás, enfim, livre para obedecer às Leis Divinas e sempre mais livre para ser cada vez mais útil e servir cada vez mais.

Pelo Espírito Emmanuel
Do livro: Na Era do Espírito
Médium: Francisco Cândido J. Xavier e Herculano Pires - Espíritos Diversos

30 novembro 2010

Sugestões de Paz - Emmanuel

SUGESTÕES DE PAZ

Aceita, na Terra, a existência que a Divina Sabedoria te confiou, mantendo-te na atitude do cultivador que se consagra sinceramente ao trato de solo que lhe cabe lavrar.

Quando e quanto se te faça possível, auxilia aos companheiros de experiência, sem absorver-lhes as responsabilidades.

Se alguns daqueles que te compartilham a paisagem se mostrarem desinteressados, quanto as obrigações que lhes competem ou se desorganizarem as tarefas que lhes dizem respeito, ajuda-os no reajuste desejável, sem tisnar-lhes o livre arbítrio, mas não te lamentes se não conseguires fazer isso, de vez que todos responderemos pelos nossos próprios encargos.

Ama aos familiares e aos entes queridos sem vinculá-los a qualquer exigência e sejamos agradecidos aos que nos estendam compreensão e bondade.

Não aspires a retificar apressadamente os outros, quando os consideres errados, segundo os teus pontos de vista, porque também nós, quando em erro, nem sempre admitimos corrigendas imediatas.

Quando ofensas te espancarem o coração, esquece todo mal, recordando quantas vezes teremos ferido impensadamente aos outros e não conserves mágoas que te envenenariam a vida.

Não imponhas o teu ideal de felicidade àqueles que estimas, de vez que a felicidade das criaturas varia sempre conforme o degrau evolutivo em que se encontrem.

Diante de opiniões alheias, respeita no próximo o direito de emiti-las conquanto nem sempre te sintas no dever de adotá-las, reconhecendo que os pensamentos de nossos vizinhos podem ser diferentes dos nossos.

Em matéria de fé, procura acatar o modo pelo qual esse ou aquele irmão se coloca à busca de Deus, porque, se para cada cidade terrestre dispomos de trilhas numerosas, imagina quantas vias de acesso existirão para o acesso aos Lugares Divinos.

Administra com equilíbrio e abnegação os bens materiais e espirituais que a Eterna Bondade te situou nas mãos, entretanto, não olvides que a tua permanência na Terra guarda por objetivo essencial, acima de tudo, ensinar-te a ser um Espírito Sublimado para a Verdadeira Vida, além da morte, e que, um dia, partirás do mundo, carregando contigo unicamente os valores que houverdes entesourado dentro de ti.

Quanto puderes, como puderes e onde puderes, guardando a consciência tranqüila, trabalha servindo sempre. Assim agindo, ainda que não percebas, desde agora, estarás, imperturbavelmente, nos domínios da paz.

Pelo Espírito Emmanuel
Do Livro: Buscas e Acharás
Médium: Francisco Cândido Xavier - Editora Ideal

29 novembro 2010

Evangelho e Simpatia - Emmanuel

EVANGELHO E SIMPATIA

Do apostolado de Jesus, destaca-se a simpatia por alicerce da felicidade humana.

A violência não consta da sua técnica de conquistar.

Ainda hoje, vemos vasta fileira de lidadores do sacerdócio usando, em nome dEle, a imposição e a crueldade; todavia, o Mestre, invariavelmente, pautou os seus ensinamentos nas mais amplas normas de respeito aos seus contemporâneos.

Jamais faltou com o entendimento justo para com as pessoas e as situações.

Divino Semeador, sabia que não basta plantar os bons princípios e sim oferecer, antes de tudo, à semente favoráveis condições, necessários à germinação e ao crescimento.

Certo, em se tratando do interesse coletivo, Jesus não menoscaba a energia benéfica.
Exprobra o comercialismo desenfreado que humilha o Templo, quanto profliga os erros de sua época.

Entretanto, diante das criaturas dominadas pelo mal, enche-se de profunda compaixão e tolerância construtivas.

Aos enfermos não indaga quanto à causa das aflições que os vergastam, para irritá-los com reclamações.

Auxilia-os e cura-os.

Os apontamentos que dirige aos pecadores e transviados são recomendações doces e sutis.

Ao doente curado do Tanque de Betesda, explica despretensioso:
_ Vai e não reincidas no erro para que te não aconteça coisa pior.

À pobre mulher, apedrejada na praça pública, adverte, bondoso:
_ Vai e não peques mais.

Não indica o inferno às vitimas da sombra. Reergue-as, compassivo, e acende-lhes nova luz.

Compreende os problemas e as lutas de cada um.

Atrai as crianças a si, compadecidamente, infundindo nova confiança aos corações maternos.

Sabe que Pedro é frágil, mas não desespera e confia nele.

Contempla o torvo drama do espírito de Judas, no entanto, não o expulsa.

Reconhece que a maioria dos beneficiários não se revelam à altura das concessões que solicitam, contudo, não lhes nega assistência.
Preso, recompõe e orelha de Malco, o soldado.

À frente de Pilatos e da Ántipas, não pede providências suscetíveis de lançar a discórdia, ainda mesmo a título de preservação da justiça.

Longe de impacientar-se com a presença dos malfeitores que também sofreram a crucificação, inclina-se amistosamente para eles e busca entendê-los e encoraja-los.
Á turba que o rodeia com palavrões e cutiladas envia pensamentos de paz e votos de perdão.

E, ainda além da morte, não foge aos companheiros que desertaram. Materializa-se, diante deles, induzindo-os ao serviço da regeneração humana, com o incentivo de sua presença e de seu amor, até ao fim da luta.

Em todas as passagens do Evangelho, perante o coração humano, sentimos no Senhor o campeão da simpatia, ensinando como sanar o mal e construir o bem. E desde a Manjedoura, sob a sua divina inspiração, um novo caminho redentor se abre aos homens, no rumo da paz e da felicidade, com bases no auxílio mútuo e no espírito de serviço, na bondade e na confraternização.

Do livro "Roteiro"
Pelo Espírito Emmanuel
Médiuns: Francisco Cândido Xavier

28 novembro 2010

Rumo Certo - Emmanuel

RUMO CERTO

Leitor amigo:

Cremos não emprestar qualquer pretensão de ordem pessoal no título
deste livro.

Rumo certo, sim, não porque as idéias nele contidas sejam nossas.

Integramos também com as falhas que nos caracterizaram individualmente a legião dos espíritos que evoluem nos climas culturais da Terra, tão falíveis ainda quanto quaisquer outros.

E, qual ocorre a milhões de viajores do Planeta, encarnados e desencarnados, observamos não apenas os caminhos da existência física, mas igualmente, e em muito maiores proporções, os caminhos da vida espiritual.

Estradas de todos os feitios se nos desdobram à visão.

Avenidas do ideal, flamejantes de luz.

Sendas de laboriosas realizações.

Alamedas de sonhos e alegrias.

Carreiros de serviço construtivo, talhados nas rochas do esforço máximo.

Veredas de provações edificantes.

Trilhos de socorro ou de regeneração, através de pântanos e de lágrimas.

Atalhos de sofrimento.

Corredores de privações educativas.

Túneis de perigosas experiências.

E em todas essas vias reconhecemos o impositivo do conhecimento e do autoconhecimento, para que o erro ou o desequilíbrio não nos compliquem a romagem ou atrasem a marcha.

Eis porque, livremente associados à obra benemérita da Doutrina Espírita que, na atualidade, restaura para nós outros os ensinamentos do Cristo, solicitamos vênia para entregar-lhe, nestas páginas simples, a bússola das lições evangélicas que nos têm servido à própria recuperação íntima, na viagem para a Vida Superior.

São estas notas, por isso mesmo, reflexos da lâmpada acesa que o Senhor misericordiosamente nos permitiu empunhar por dever, a fim de que conhecêssemos as próprias deficiências, de maneira a tratá-las e extingui-las. Carregando semelhante luz por fora até que possamos instalá-la por dentro de nós mesmos, ofertamo-la aos companheiros encarnados no Mundo, na forma de anotações para rumo certo, a benefício de nós todos, os que já nos reconhecemos necessitados da paz interior, com a vitória sobre nós mesmos, com vistas à nossa definitiva integração em Jesus, de modo a viver e saber viver com Jesus e por Jesus.

Prefácio do livro RUMO CERTO,
de Francisco Cândido Xavier,

pelo Espírito Emmanuel.

27 novembro 2010

Ambição - Augusto Cezar

A M B I Ç Ã O

Era noite.
O mentor Silvério Pires recomendou-me esperá-lo por instantes.
Em seguida, veio a mim explicando:
Augusto, temos serviço urgente. Venha comigo. Trata-se de um pedido de mãe devotada, em apoio de um filho enfermo.

Obedeci, de imediato, mesmo porque o orientador é um desses professores diletos a que nos vinculamos por afetuoso reconhecimento.

Alguns minutos voaram e atingimos um palacete de primorosa estrutura, cercado por jardins que brilhavam ao luar, dentro da noite.
Entramos.

O mentor parecia familiarizado com os mínimos recantos do solar, enriquecido de tapetes e telas raras.

Em aposento próximo, mobiliado segundo os hábitos portugueses do século XVIII, um homem, aparentando cinqüenta janeiros, escrevia e escrevia...

Porque estacássemos, de repente, perguntei surpreso ao meu condutor:
- Onde está o doente?

O amigo fez um gesto de proteção, sobre a cabeça do homem que me era desconhecido e acentuou:
- Este é o irmão Celestino que nos requisita assistência.

Fitei o desconhecido, da cabeça aos pés e não lhe notei qualquer anormalidade.

Entretanto, o mentor solicitou-me:
- Tome papel e lápis e copie a carta em andamento.Trata-se de um estudo que nos cabe fazer.
Sem vacilar, passei a escrever o texto que o desconhecido produzia à nossa frente.
Era uma carta que ele provavelmente endereçava a algum irmão distante, e assim dizia:

"Meu caro Aprígio:
Segure os cinqüenta mil sacos de arroz no armazém número dois e aguardemos mais preço. Os dez mil litros de óleo para cozinha, mantenha você em estoque e os dois mil sacos de café em grão guarde no armazém quatro. Não venda bulhufas. Mais algumas semanas e estaremos numa boa. Tudo isso terá preços altos, nos próximos dias.
E olhe: Não dê migalha alguma a ninguém. Religiosos têm vindo aqui a me pedir socorro. Dizem que os tutelados deles estão em carência. Até freiras já vieram aqui com petitórios. Não atenda a ninguém se você for procurado. Esse negócio de religião e caridade já era. Um certo amigo chegou a me dizer que a minha fazenda pela qual suei tanto, pertence a Deus e a mim, que eu não passo de sócio. Eu queria que esse maluco visse os meus terrenos quando Deus estava aqui trabalhando sozinho. Era mato e cobras em toda parte. Fique tranqüilo e nada de coração mole. Espero estar aí na próxima semana.
Até quinta-feira.
Um abraço do seu irmão
Celestino"

Celestino, pois esse era o nome de nosso anfitrião, colocou a caneta em lugar adequado e, logo após, levou a mão ao peito. Gemia. Afigurava-se-me que ele sentia muita dor.
Em dado momento, pressionou o botão de uma campainha e estirou-se em larga poltrona.
Um servidor apareceu.
Celestino pediu um coronário-dilatador e a presença do seu médico particular.

O cardiologista surgiu com presteza e determinou a remoção do doente para um hospital.
Pires sentenciou:
- Devemos acompanhá-lo. Esta é a última noite de nosso amigo na vida física.

Internado, Celestino estava submetido a minuciosos exames.
Silvério se dispôs à retirada e disse-me simplesmente;
- Veja você. Tanta ambição e dentro de poucas horas o nosso amigo estará desencarnado, sob a suspeita de enfarte. Amanhã viremos buscá-lo.
Nada mais acrescentou e eu fiquei a meditar sobre a lição recebida.

Do livro "Fotos da Vida
Pelo Espírito: Augusto Cezar
Médium:Francisco Cândido Xavier

26 novembro 2010

Justiça Misericordiosa - Irmão Saulo

JUSTIÇA MISERICORDIOSA

Se não aceitarmos a reencarnação poderemos admitir logicamente a justiça de Deus? Ou preferimos rejeitar o próprio Deus, ignorar-lhe ou negar-lhe a existência? A tese da reencarnação é um desafio para os povos do Ocidente, onde prevalece, através de longa tradição religiosa, a idéia da unicidade da existência. Hoje, porém, cientistas empenhados na solução dos problemas psicológicos, que atormentam cada vez maior número de pessoas, dedicam-se a investigações nesse campo.

Seria possível obtermos a prova científica da reencarnação, dentro das rígidas exigências metodológicas da Ciência? Ian Stevenson, diretor do Departamento de Neuropsiquiatria da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos que não é espírita nem reencarnacionista já examinou mais de 500 casos de possíveis reencarnações, chegando a algumas conclusões curiosas. Em seu livro “20 Casos Sugestivos de Reencarnação” aparecem dois casos de reencarnação observados no Brasil.

Na própria Rússia os cientistas se interessam pelo assunto. O Prof. Wladimir Raikov, da Universidade de Moscou, é um dos expoentes da pesquisa sobre “memória extra-cerebral”. O Prof. Barnejee, que esteve entre nós, é o mais conhecido dos pesquisadores indianos. Essa abertura científica, de âmbito mundial, no campo da reencarnação, revela que o problema já deixou de ser apenas religioso. E a própria existência das pesquisas no plano universitário responde às dúvidas quanto ao problema metodológico. Na verdade, o avanço atual das Ciências em direção à Metafísica, ou pelo menos à Parafísica, modificou e modificará cada vez mais a rigidez dos dogmas metodológicos, tornando possível o esclarecimento de problemas até há pouco considerados fora de cogitação científica.

A crise da família, que é apenas uma parte da crise geral do mundo contemporâneo, encontra explicação satisfatória à luz do princípio da reencarnação. Desentendimentos entre casais, rebeldia dos filhos, descontrole de outros elementos familiais podem ter sua origem nas vidas anteriores. Por sinal, foi esse o motivo que levou Ian Stevenson, segundo suas próprias declarações, a iniciar as investigações sobre a reencarnação. Não encontrando explicação possível,nem qualquer teoria aceitável para explicar anomalias estranhas no lar de vários de seus clientes, o conhecido neuropsiquiatra norte-americano resolveu corajosamente aceitar a teoria da reencarnação como hipótese de trabalho. A insistência das mensagens psicográficas no tocante à reencarnação e suas conseqüências não é, portanto, absurda. A mensagem de Emmanuel, ora considerada, encontra apoio no interesse atual dos cientistas pela reencarnação.

Por Irmão Saulo
Do Livro: Chico Xavier Pede Licença
Médium: Francisco Cândido Xavier e J.Herculano Pires

25 novembro 2010

O Santo Desiludido - Neio Lúcio

O SANTO DESILUDIDO

Inclinara-se a palestra, no lar humilde de Cafarnaum, para os assuntos alusivos à devoção, quando o Mestre narrou com significativo tom de voz: — Um venerado devoto retirou-se, em definitivo, para uma gruta isolada, em plena floresta, a pretexto de servir a Deus.

Ali vivia, entre orações e pensamentos que julgava irrepreensíveis, e o povo, crendo tratar-se de um santo messias, passou a reverenciá-lo com intraduzível respeito.

Se alguém pretendia efetuar qualquer negócio do mundo, dava-se pressa em buscar-lhe o parecer.

Fascinado pela alheia consideração, o crente, estagnado na adoração sem trabalho, supunha dever situar toda gente em seu modo de ser, com a respeitável desculpa de conquistar o paraíso.

Se um homem ativo e de boa-fé lhe trazia à apreciação algum plano de serviço comercial, ponderava, escandalizado: — É um erro.
Apague a sede de lucro que lhe ferve nas veias.
Isto é ambição criminosa.
Venha orar e esquecer a cobiça.

Se esse ou aquele jovem lhe rogava opinião sobre o casamento, clamava, aflito: — É disparate.
A carne está submetendo o seu espírito.
Isto é luxúria.
Venha orar e consumir o pecado.

Quando um ou outro companheiro lhe implorava conselho acerca de algum elevado encargo, na administração pública, exclamava, compungido: — É um desastre.
Afaste-se da paixão pelo poder.
Isto é vaidade e orgulho.
Venha orar e vencer os maus pensamentos.

Surgindo pessoa de bons propósitos, reclamando-lhe a opinião quanto a alguma festa de fraternidade em projeto, objetava, irritadiço: — É uma calamidade.
O júbilo do povo é desregramento.
Fuja à desordem.
Venha orar subtraindo-se à tentação.

E assim, cada consulente, em vista da imensa autoridade que o santo desfrutava, se entristecia de maneira irremediável e passava a partilhar-lhe os ócios na soledade, em absoluta paralisia da alma.

O tempo, todavia, que todo transforma, trouxe ao preguiçoso adorador a morte do corpo físico.

Todos os seguidores dele o julgaram arrebatado ao Céu e ele mesmo acreditou que, do sepulcro, seguiria direto ao paraíso.

Com inexcedível assombro, porém, foi conduzido por forças das trevas a terrível purgatório de assassinos.

Em pranto desesperado indagou, à vista de semelhante e inesperada aflição, dos motivos que lhe haviam sitiado o espírito em tão pavoroso e infernal torvelinho, sendo esclarecido que, se não fora homicida vulgar na Terra, era ali identificado como matador da coragem e da esperança em centenas de irmãos em humanidade.

Silenciou Jesus, mas João, muito admirado, considerou: — Mestre, jamais poderia supor que a devoção excessiva conduzisse alguém a infortúnio tão grande! O Cristo, porém, respondeu, imperturbável: — Plantemos a crença e a confiança entre os homens, entendendo, entretanto, que cada criatura tem o caminho que lhe é próprio.

A fé sem obras é uma lâmpada apagada.

Nunca nos esqueçamos de que o ato de desanimar os outros, nas santas aventuras do bem, é um dos maiores pecados diante do Poderoso e Compassivo Senhor.

Pelo Espírito Neio Lúcio
Do Livro: Jesus no Lar
Médium: Francisco Cândido Xavier

24 novembro 2010

História de uma Gotinha - Huberto Rohden

HISTÓRIA DE UMA GOTINHA

Mar imenso...Quietude perene...Movimento eterno...

Permite que eu suba do teu seio e aos ares me erga - levíssima!...

Raio solar, vem cá!, ajuda-me a subir. Empresta-me esse fiozinho dourado...

Oh maravilha! Vou subindo, subindo - feito esbranquiçado vapor...

Alto, sempre mais alto - por cima das grimpas da selva, por cima dos cumes dos montes...

Ah! Quão grande é o mundo! Quão azul é o espaço!...

Que é isso? Um sopro de ar que me empolga...

Um vento me arrebata...

Lá vou eu, minúscula gotinha, sobre as asas das brisas, associar-me a muitas irmãs...

Formamos um Estado, uma República de gotas - uma nuvem...

Perdemos de vista o mar e a praia e os rochedos - e tudo...

Corremos por cima de selvas imensas, de montes altíssimos. Semanas a fio - de dia e de noite...

Até que, por fim, à falta de auras, paramos por cima de vastas planícies...

De súbito nos rompe do seio centelha vivíssima - e surdo trovão desperta ecos soturnos no recôncavo da serra...

Tamanho foi o abalo do feroz estampido que tombei das alturas - e milhares de irmãs comigo tombaram...

Alagamos florestas, pomares, jardins - saciando a sede de seres em conta.

E fomos correndo, correndo, sem nunca parar - sem saber para onde...

Sempre de cima para baixo - nunca de baixo para cima - porque perdemos as asas...

As asas invisíveis que o sol nos tecera...

De todos os lados nos vêm contingentes, pequenos e grandes, sócios de viagem...

Eis que de súbito se abre ante nós planície imensa - o mar!

Lancei-me em seus braços - afundei em seu seio...

Contei-lhe as mil aventuras que na longa jornada tivera...

E preparei-me para nova viagem...

Oh! Vida ditosa! Andar pelo mundo espargindo benefícios - Regressar à origem colhendo energias - e novos benefícios difundir!...

Tal é teu destino, minh'alma, no mundo dos homens - gotinha minúscula...

Tépidos bafejos de raios divinos te erguem do seio das vagas...Em asas etéreas...

Auras benignas te tangem pelo mundo das almas...

Vínculos de amor te unem a outras gotinhas.

Um raio, um trovão, um grande abalo - e desces, gotinha cristalina, sobre as almas humanas...

E retornas ao seio do mar - buscar novas forças para novo trabalho...

Asas etéreas - para nova viagem...

Gotinha de Deus...

De "De Alma para Alma"
De Huberto Rohden

23 novembro 2010

Mortos Voluntários - André Luiz

MORTOS VOLUNTÁRIOS

Condicionou-se a mente humana, de maneira geral, a crer que a madureza orgânica é antecâmara da inutilidade e eis muita gente a se demitir, indebitamente, do dever que a vida lhe delegou.

Inúmeros companheiros, porque hajam alcançado aposentadoria profissional ou pelo motivo de abraçarem garotos que lhes descendem do sangue, dizem-se no paralelo final da carreira física.
Esquecem-se de que o fruto amadurecido é a garantia de toda a renovação da espécie, e rojam-se prostrados, à soleira da inércia, proclamando-se desalentados.

Falam do crepúsculo, como se não contassem com a manhã seguinte.

Começam qualquer comentário em torno dos temas palpitantes do presente, pela frase clássica: ”no meu tempo não era assim”.
Enquanto isso, a vida, ao redor, é desafio incessante ao progresso e à transformação, chamando-os ao rejuvenescimento.

Filhos lhes reclamam orientação sadia, netos lhes solicitam calor da alma, amigos lhes pedem o concurso da experiência e os irmãos da Humanidade contam com eles para novas jornadas evolutivas.
Bastará pensar, porém, que as crianças e os jovens não acertam o passo sem os mentores adestrados na experiência, peritos em discernimento e trabalho, para que não menosprezem a função que lhes cabe.
Nada de esquecer que o Espírito reencarna, atravessando as faces difíceis da infância e da juventude para alcançar a maioridade fisiológica e começar a viver, do ponto de vista da responsabilidade individual.
Quanto empeço vencido e quanta ilusão atravessada para consolidar uma reencarnação, longe das praias estreitas do berço e da meninice, a fim de que o Espírito, viajor da eternidade, alcance o alto mar da experiência terrestre!
Entretanto, grande número de felizardos que chegam ao período áureo da reflexão, com todas as possibilidades de serviço criador, estacam em suposta incapacidade, batendo à porta do desencanto como quem se compraz na volúpia da compaixão por si mesmos.
Trabalhemos por exterminar a praga do desânimo nos corações que atingiram a quadra preciosa da prudência e da compreensão.

Vida é chama eterna. Todo o dia é tempo de inventar, clarear e prosseguir.

Os companheiros experientes no esforço terrestre constituem a vanguarda dos que renascem no Planeta e não a chamada “velha guarda” que a rabugice de muitos imaginou para deprimir a melhor época da criatura reencarnada na Terra.

Desencarnação é libertação da alma, morte é outra coisa. Morte constitui cessação da vida, apodrecimento, bolor.

Os que desanimam de lutar e trabalhar, renovar e evoluir são os que verdadeiramente morrem, conquanto vivos, convertendo-se em múmias de negação e preguiça, e, ainda que a desencarnação passe, transfiguradora, por eles, prosseguem inativos na condição de mortos voluntários que recusam a viver.
Acompanhemos a marcha do Sol, que diariamente cria, transforma, experimenta, embeleza.

Renovemo-nos!...

Do livro "Estude e Viva"
Pelos Espíritos André Luiz e Emmanuel
Médiuns: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

22 novembro 2010

Censuras - Orson Peter Carrara

CENSURAS

Ler, pensar e refletir sobre os textos de Emmanuel é sempre oportunidade renovada de aprender continuamente. A capacidade de síntese desse notável benfeitor que se utilizou das mãos abençoadas de Chico Xavier para nos orientar através de seus textos é admirável. Suas linhas compactas, seus parágrafos e textos lúcidos ensinam muito. Daí a importância de nos debruçarmos sobre seus livros para saciar a sede de conhecimento e aprender muito. Seus romances clássicos ou seus livros de mensagens que comentam o Evangelho ou os livros da Codificação são preciosos.

No livro Rumo Certo, editado pela FEB, no capítulo 49, encontramos a importante reflexão Não censures, de onde nos permitimos refletir sobre os ensinos ali contidos. Ao convidar à não censura, Emmanuel já traz valioso ensino no início de sua abordagem: Onde o mal apareça, retifiquemos amando, empreendendo semelhante trabalho a partir de nós mesmos.

Note o leitor que diante de mal de qualquer origem, ela pede que nos retifiquemos amando, ao invés de apenas censurar, a partir de nós mesmos e na sequência relaciona exemplos do artista e do cirurgião que, utilizando atenção, carinho, paciência, retifica os quadros a que se dedicam ou se lhes apresentam, alcançando resultados em suas áreas específicas.

É que em tudo, como indica a sequência do texto que sugiro ao leitor conhecer na íntegra, ele destaca a importância da paciência para se alcançar resultados. Isso porque o progresso, a luz, a felicidade nascem da construção lenta do tempo. Citando Deus com sua esperança e paciência infinitas, coloca o exemplo magnífico da semente que se transforma para gerar os frutos de sua essência, através do tempo...

Parece-nos que o objetivo maior da linda mensagem é destacar que, diante das adversidades a que estamos expostos, nunca devemos nos desesperar ou desanimar. É preciso mesmo muita paciência para transformar as ocorrências em bênçãos de aprendizado e orientação.

É que Deus está em toda parte, opera por caminhos que desconhecemos e transforma tudo em aprendizado para que amadureçamos nas experiências. Isto é amor Divino.

A experiência do próprio autor espiritual faz com que conclua a reflexão com a sabedoria que lhe é própria em linda frase: sempre que nos vejamos defrontados por dificuldades e incompreensões, saibamos servir com paciência e aprenderemos que, à frente dos problemas da vida, sejam eles quais forem, não existem razões para que venhamos a esmorecer ou desesperar.

Sim, porque Deus sempre permanece agindo através da sabedoria de suas leis e se usarmos a paciência nas dificuldades, superaremos os problemas e desafios e com uma grande vantagem: aprendemos algo mais, saímos amadurecidos. Afinal, tudo passa.

Caso você não tenha o livro em casa, poderá ler a mensagem na íntegra, pesquisando na internet: RUMO CERTO – Francisco Cândido Xavier – pelo Espírito Emmanuel. Você encontrará o livro todo e aí basta pesquisar no índice a lição 49.

Orson Peter Carrara

21 novembro 2010

O Significado da Paz - Momento Espírita

O Significado da Paz

Em determinada passagem do evangelho, Jesus afirma:

"Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz; não vo-la dou como o mundo a dá".

Evidencia-se que a paz do Cristo é muito diferente da paz do mundo.

Para entender o significado da paz do Cristo, torna-se necessário refletir sobre o que habitualmente se concebe por paz.

Os dicionários fornecem inúmeros significados para esse vocábulo.

Por exemplo, identificam-no com ausência de guerra, descanso e silêncio.

Ocorre que o descanso e o silêncio, por si sós, não significam necessariamente algo bom.

Em uma penitenciária, no meio da noite, pode haver descanso e silêncio absolutos.

Mas é difícil sustentar que as criaturas que lá se encontram sejam pacificadas.

Em um charco as águas são paradas e há silêncio nele e em torno dele.

Contudo, não se pode ignorar a podridão que ali jaz oculta.

Também é possível que algumas pessoas sejam conservadas inertes e em silêncio, por medo.

Determinada casa pode ser silenciosa e ordeira pelo pavor que o chefe da família inspira.

Entretanto, a submissão criada pela violência nada tem de desejável.

No âmbito internacional, ao término de uma guerra, freqüentemente são impostas duras condições aos países derrotados.

Ocorre que uma paz que esmaga os vencidos contém em si o gérmen de futuras violências.

Também não raro percebemos coisas erradas acontecendo, em prejuízo dos outros.

Mas podemos preferir silenciar, a título de preservar nossa paz.

Assim, a paz, na concepção mundana, muitas vezes envolve opressão, preguiça e conivência.

Não causa espanto que a paz do Cristo seja diferente da paz do mundo.

Pode-se afirmar que a paz do Cristo constitui decorrência lógica da vivência de Seus ensinamentos.

Afinal, o mestre afirmou que não basta dizer Senhor! Senhor! Para entrar no reino dos céus.

É necessário efetivamente realizar a vontade do pai celestial.

Essa vontade encontra-se explícita nas palavras e nos exemplos de Jesus.

O céu a que se refere o Cristo não é um local determinado no espaço.

Trata-se de um estado de consciência em harmonia com as leis divinas.

A paz do Cristo não se identifica com a inércia. É um sublime estado de consciência, feito de serenidade e harmonia. É um profundo silêncio interior, que não depende das ocorrências do mundo.

Essa paz somente pode ser desfrutada por quem ama o progresso e trabalha efetivamente no bem. Ela é muito trabalhosa e operante. Reflete o estado de quem pode observar com tranqüilidade os próprios atos. Só se sente assim quem cumpre seu dever. Não é um presente, mas uma conquista. O seu gozo pressupõe esforço em burilar o próprio caráter, em crescer em entendimento e compreensão.

Apenas se pacifica quem procura desenvolver seus talentos pelo estudo e o trabalho constantes, e utiliza seus talentos na criação de um mundo melhor.

A paz do Cristo está à disposição de todos. Mas só a desfruta quem pratica a lei de justiça, amor e caridade, estabelecida por Deus para a harmonia da criação.

Pense nisso!

Equipe de Redação do Momento Espírita