Total de visualizações de página

20 novembro 2010

O Joio e o Trigo - Irmão José

O JOIO E O TRIGO

"Mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou o joio no meio do trigo, e retirou-se." (Mateus, cap. 13 - v. 25)

Carecemos de estar atentos.

Em nosso atual estágio evolutivo, o joio estará sempre misturado ao trigo de nossas melhores intenções.

À feição da erva daninha que invade a plantação, comprometendo a colheita, o joio costuma aparecer em qualquer gleba da vida, alastrando-se sorrateiro...

Às vezes, é o companheiro invigilante que coloca em risco o andamento de determinada tarefa.

Às vezes, somos nós mesmos que, traídos pelas próprias imperfeições, escandalizamos os amigos que se escoravam em nossa conduta.

Jesus é claro ao dizer que ambos, o joio e o trigo, cresceriam lado a lado...

Observemos, no entanto, que o trigo é pão que mata a fome, ao passo que o joio é arbusto para a fogueira.

Fácil, assim, será distingui-los, de vez que se diferenciam por si mesmos.

O homem-trigo é aquele que é útil aos seus semelhantes; o homem-joio é o que prejudica o próximo...

O homem-trigo é o que produz bons frutos.

O homem-joio é estéril nas boas obras.

Quase sempre, os dois coexistem dentro da alma humana; ora predomina o homem-trigo, ora predomina o homem-joio...

O trigo de nossas virtudes está sempre ameaçado pelo joio de nossos vícios.

Assim como nós carecemos saber apartar a boa da má semente, aprendamos a separar nos outros as qualidades dos defeitos.

Não desprezemos ninguém pelo joio de seus erros; antes, destaquemos o trigo de seus acertos, a fim de que no próximo tanto quanto em nós a lavoura do bem supere o plantio do mal.

Para os homens, Madalena não passava de joio ameaçador; para Jesus, ela era o trigo da esperança na ressurreição...

Após ser joio para os cristãos, Paulo não se transformou em trigo para o Evangelho!

Não olvidemos que o trigo da Boa-Nova que o Divino Semeador espalhou no mundo cresceu em meio ao joio da descrença, do fanatismo, da violência...

Em qualquer plantação das instituições humanas encontraremos o joio e o trigo contrabalançando-se, como se a Vida nos dissesse que na Terra, por um bom tempo ainda, os homens haverão de oscilar, indecisos, entre a sombra e a luz.

Estamos longe de uma seara de trigo homogênea em qualquer setor de nossas atividades, materiais e espirituais. Judas não floresceu como joio no trigal do colégio apostólico?!

Desenvolvamos o discernimento, para que não venhamos lançar o trigo ao fogo, confundindo-o com o joio, porque, para quem souber discernir, não fará diferença que o joio coexista com o trigo; antes servirá de elemento aferidor de valores entre o que é certo e o que é errado.

De "Evangelho e Doutrina"
De Carlos A. Baccelli
Pelo Espírito Irmão José

19 novembro 2010

A Gênese da Alma - Caibar Schutel

A GÊNESE DA ALMA

REVENDO O PASSADO - Todas as almas têm a mesma origem
- Não é sem um sadio orgulho que admiro as florestas por onde passei, as lutas que enfrentei, as lágrimas que derramei! Não é sem pesar que conto o tempo que perdi na inércia, abrasado pelo fogo das paixões más; não é sem gratidão que me elevo ao Senhor, pedindo-lhe prêmios para aqueles que foram os guias da minha alma, os mestres da minha vida, o lenitivo nas minhas aflições! Cada corpo por que passei, como as contas de um colar presas pelo mesmo fio, entoa o cântico eterno com que louvo o meu Criador, pelo amparo com que me cercou, pela vida que me concedeu!

"Todas as almas têm a mesma origem, e são destinadas ao mesmo fim; a todos o Supremo Senhor proporciona os mesmos meios de progresso, a mesma luz, o mesmo Amor".

O cão é sempre cão, como o asno é sempre asno, mas o Espírito que anima aqueles corpos vêm de longe e destina-se às esferas elevadas onde reina a felicidade; tudo tem um alvo, e acreditar que Deus criou seres inteligentes sem futuro, seria blasfemar contra a sua bondade e justiça! Estudai a inteligência e a reflexão do cão, o seu amor-próprio, a sua linguagem, o amor pelo seu dono, os seus atos de verdadeiro heroísmo, e negai, se fordes capazes, que aquele corpo inferior encerra um Espírito, uma alma que pensa, que sente, que quer e que não quer, que ama! Percorrei toda a escala zoológica, penetrai com espírito investigador todos os animais que formam os seres inferiores da Criação e vereis ao lado do instinto que os movimenta, a inteligência desabrochando como prêmio dos seus sofrimentos! A Revelação Espírita soluciona o problema da alma do animal, ao mesmo tempo que esclarece a Gênese da Alma. Para estes estudos que vamos fazer, muito nos valeu a interessante obra Evolução Anímica, de Gabriel Delanne, obra que recomendamos à atenção dos leitores e que está de pleno acordo com o O Livro dos Espíritos e A Gênese, de Allan Kardec, extraordinários missionários que enriqueceram a Ciência com livros de real valor, não só para resolver a questão de que tratamos, como também para dar a conhecer a causa dos fenômenos em geral, da memória, do inconsciente psíquico, do futuro das almas. Felizes os que aproveitaram o seu tempo, aproximando os lábios sequiosos da taça da Revelação e beberem a água da sabedoria, para se esclarecerem e poderem ver o passado; apoderarem-se do presente e vislumbrarem o futuro que lhes acena com as magnificências da Vida Imortal!

O BERÇO DA ALMA - Donde viria o homem?
Em que tempos nasceu, em que plagas, chorou pela primeira vez?
Onde cresceu? Onde estudou? Onde aprendeu o que sabe?
Vejo homens de fronte erguida para o alto, vejo outros curvados em busca dos tesouros da Terra; vejo bons, vejo maus; uns inteligentes, outros estúpidos; uns santos, outros diabos; vejo sãos, vejo enfermos; bonitos e feios; pergunto-lhes donde vieram, quem são e para onde vão, mas nenhum deles me responde!

Mas eu sei que vieram de muito longe, porque trazem no seu físico os traços indeléveis da animalidade e sua alma reflete os instintos dos seres inferiores da criação!

Por mais que o homem se mascare, por mais polido que se mostre, por mais superior que se diga, nunca enganará a visão penetrante do Espírito, que sonda as profundezas da Terra e esquadrinha os refolhos do coração!
Se estudarmos com atenção a alma humana, e lhe remontarmos a origem, veremos o homem desaparecer da Humanidade, e só poderemos encontrar novamente as suas pegadas, deixando o reino hominal e entrando no reino animal, infância espiritual de todos os sábios e ignorantes, de todos os ricos e pobres, de todos os bons e maus, de todos os grandes e pequenos que vagueiam neste mundo de Deus!
Todos nós pagamos o nosso tributo ao reino inferior para chegarmos ao reino humano.
Ninguém adquire, sem trabalho e sem esforços, certa soma de bem estar, por menor que seja, nem certo grau de superioridade.
A lei inexorável do destino, que nos leva para estados cada vez melhores, obriga-nos à luta, e a luta não se faz sem dores e sem trabalhos, que nos garantem o mérito das nossas ações.
"Será humilhação para os grandes gênios, o terem sido fetos informes nas entranhas maternas?" - pergunta um elevado Espírito numa mensagem que transmitiu para colaboração de O Livro dos Espíritos.
E nós com ele respondemos: "Não, se alguma coisa deve humilhar o homem é a sua inferioridade perante Deus, a sua incapacidade para sondar a profundeza dos seus desígnios e a sabedoria das leis que regem a harmonia do Universo".
A alma não podia deixar de ter o seu começo, o seu nascimento, no reino animal, nos seres da criação, onde passou por todas as transformações indispensáveis ao seu progresso; onde evoluiu, chorando ali, trabalhando acolá, brincando além, para após essas alternativas de tristezas, de gemidos, de lutas e de alegrias, despontar na Humanidade, onde mediante o seu progresso, mais esclarecida e dotada de outros atributos prepara o glorioso surto de gênio para a posse da Vida na Imortalidade!

Do livro "Gênese da Alma", caps. VII e VIII, por Cairbar Schutel, Espíritos Diversos

Texto para estudo em grupo. Se houver interesse, buscar nos livros citados por Cairbar - "Evolução Anímica", de Gabriel Delanne, "O Livro dos Espíritos" e "A Gênese", de Allan Kardec, - os capítulos que abordam o assunto em questão. Não existindo grupo, o estudo pode ser feito a sós.

18 novembro 2010

Separação - Momento Espírita

Separação

Jesus, ao se aproximar o momento de Seu martírio, teve longas conversas, nas quais instruiu Seus discípulos a respeito dos tempos vindouros.

Em dado momento, afirmou:

Todavia, digo-vos a verdade: a vós convém que eu vá.

Semelhante declaração do Mestre é rica de significados.

Ninguém como Ele soube amar tanto e tão bem.

Contudo, foi o primeiro a reconhecer a conveniência de Sua partida, em favor dos companheiros.

Que teria acontecido, se Jesus teimasse em permanecer?

Provavelmente, as multidões terrestres teriam acentuado as tendências egoístas, consolidando-as.

Como o Divino Amigo havia buscado Lázaro no sepulcro, ninguém mais se resignaria à separação pela morte.

Por se haverem limpado alguns leprosos, ninguém aceitaria, de futuro, a cooperação proveitosa das moléstias físicas.

O resultado lógico seria a perturbação geral no mecanismo evolutivo.

O Mestre precisou ausentar-Se para que o esforço de cada um se fizesse visível no Plano Divino da obra mundial.

De outro modo, seria perpetuar a indolência de uns e o egoísmo de outros.

Os Apóstolos permaneceriam como alunos, confortavelmente situados ao lado de seu Mestre.

Não se lançariam nos rudes testemunhos que os burilaram e amadureceram.

A todo momento, poderiam contar com o esclarecimento direto do Cristo.

Consequentemente, não decidiriam por si mesmos quanto aos seus destinos.

Poderiam até se comportar bem, mas não teriam maiores méritos.

Sob diferentes aspectos, a grande hora da família evangélica repete-se nos agrupamentos humanos.

Inúmeras vezes surgem a viuvez, a orfandade, o sofrimento da distância, a perplexidade e a dor, por elevada conveniência do bem comum.

É da natureza humana rejeitar o sofrimento.

Sempre se deseja o caminho mais fácil e a proximidade dos amores mais caros.

Ocorre que a vida terrena ainda por um tempo será destinada à vivência de provas e expiações.

Espíritos necessitados de experienciar eventos dolorosos e de testemunhar sua firmeza no bem é que nela renascem.

Essa é a finalidade do globo terrestre.

Ele serve de palco a lutas redentoras e a abençoados esforços para um viver digno.

Nesse contexto, há luto, separações e lágrimas.

Mas não são castigos, tragédias ou desgraças.

Representam antes um programa anteriormente traçado para a dignificação de quem os deve vivenciar.

No momento exato, é preciso cumprir a programação sem dramas em excesso.

Em momentos de grande dor, convém recordar a passagem evangélica em que Jesus anunciou sua partida.

As separações no mundo são mesmo tristes.

Contudo, se a morte do corpo é renovação para quem parte, também representa vida nova para os que ficam.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 125 do livro Pão nosso, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.

17 novembro 2010

Pecado Sem Perdão - Vinícius

PECADO SEM PERDÃO

"Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas o pecado contra o Espírito Santo não lhes será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro."

Das palavras acima transcritas, outrora dirigidas por Jesus aos fariseus, concluímos que existem duas categorias de pecados: uma que faz jus a perdão, outra que não o faz.

Vejamos como distingui-las.

Que é pecado? - Pecado é toda infração à Lei de Deus. Essa Lei é perfeita, é integral; abrange a verdade em sua plenitude, a suprema razão, a infinita justiça.

O homem, ser relativo, não é passível de culpa pelas infrações da Lei senão daquela parte que conhece. Sua responsabilidade é medida pela extensão exata do saber adquirido. "A quem muito tem sido dado, muito será pedido."

Todo pecado, cometido na ignorância da Lei, será, portanto, perdoado ao homem.

Toda a falta, porém, praticada com conhecimento de causa, constitui pecado sem perdão.

Estará, então, o pecador irremediavelmente perdido consoante o dogma das penas eternas? De modo algum - Pecado que não tem perdão é pecado que deve ser reparado, e dívida contraída cujo pagamento será exigido. Está visto que, uma vez pago o derradeiro ceitil, o devedor ficará isento de ônus.

Porque classifica Jesus tal pecado como praticado contra o Espírito Santo?

Porque importa em atos reprovados pela consciência. Não nos referimos à consciência na acepção psicológica, porém, no seu sentido moral, esse testemunho íntimo ou julgamento sobre nossas próprias ações e pensamentos por mais secretos que sejam. Através dessa faculdade de nossa alma é que se refletem os raios da soberana justiça. A Lei manifesta-se ali palpitante e viva, dilatando os horizontes de nossa liberdade espiritual, e, ao mesmo tempo, aumentando nossa responsabilidade.

"Aos Espíritos do Senhor, que são as virtudes do Céu", compete agir sobre as consciências, despertando-as para o conhecimento da verdadeira vida. Toda vez, pois, que o homem recalcitra contra a influência dos mensageiros celestes, peca contra o Espírito Santo, visto como peca contra a luz de sua própria consciência. Semelhante culpa não tem perdão; exige reparação, quer neste mundo, quer no vindouro.

Criamos, por conseguinte, em nós mesmos, nosso céu ou nosso Hades.
Gravamos em nosso astral, em caracteres indeléveis, toda a história de nossa vida através das múltiplas existências transcorridas, aqui ou além. Nossa responsabilidade é rigorosa e escrupulosamente aquilatada pela Lei, segundo o nosso grau de adiantamento intelectual e moral. A Lei é uma força viva que se identifica conosco e vai acompanhando o surto de evolução que ela mesma imprime em nosso espírito. É insofismável em seus juízos, é inalienável em suas conseqüências.

De “Nas pegadas do Mestre”
De Vinicius (Pedro de Camargo)

16 novembro 2010

A Riqueza - Hilário Silva

A RIQUEZA

Amélia Kauper, anciã, estava em sua tapera, nos arredores de Chesapeake Bay, no interior de Maryland, quando Craig Poter, um de seus muitos sobrinhos, foi observar-lhe a situação.
- Seu tio James - dizia ela ao parente, referindo-se ao marido desencarnado - desde que se fez médium, num templo espírita, deu aos necessitados tudo quanto pôde. Não deixou dividas, mas, depois do funeral, vim a saber que a nossa própria casa se achava hipotecada e fui constrangida, por isso, a entregar todos os nossos recursos aos credores...
- A senhora está arruinada, tia? - perguntou o moço.
- Estou com a roupa do corpo... - esclareceu a velhinha.
E designando antigo móvel:
- Mas, graças a Deus, tenho o meu tesouro no cofre.
O rapaz, que conhecera os tios nos bons tempos, quando possuíam preciosas reservas no Texas, pensou um minuto e deliberou, de súbito, que a tia o acompanhasse.
No dia imediato, a viúva Kauper, depois de entregar enorme mala ao sobrinho, entrou no jipe, carregando pequeno baú, carinhosamente.
Então, começou para ela uma vida nova.

Craig, que possuía sitio próspero na Virgínia, chamou Edward, seu irmão mais velho, cujas terras confinavam com as dele, trocaram idéias confidencialmente e concluíram que a estreita caixa de lata de que a tia jamais se distanciava deveria conter jóias riquíssimas... E combinaram entre si guardar a anciã, cuidadosamente.
Vieram familiares de longe, disputando a convivência da Sra. Kauper, mas Craig e Edward alegavam que “tia Amélia” estava fatigada, que médicos não lhe permitiam maior esforço...
Habitualmente à noite, um ou o outro espiava a velhinha, pelo buraco da fechadura, e viam-na segurando a vela acesa, a debruçar-se sobre o baú aberto, decerto fitando, através dos óculos, aquilo a que ela chamava “minha riqueza” ou “meu tesouro”. Assim viveu, ainda por mais nove anos, requestada por toda a família e tratada com respeitosa atenção por ambos o sobrinho que a mantinham, interessados...

Quando a morte quebrou semelhante situação conduzindo a viúva Kauper na direção de vida melhor, Craig e Edward trancaram-se no quarto que ela deixara, apossando-se do cobiçado baú; no entanto, ao abri-lo apenas encontraram dentro dele um antigo exemplar do Evangelho e, sobre o ensebado volume, o seguinte bilhete que lhes era dirigido pela tia desencarnada:
- Meus filhos, Deus os recompense pela caridade para comigo, mas tomem cuidado com a vida na Terra...
E com a sua longa experiência do mundo, a velhinha terminava com o versículo número dez capitulo seis da Primeira Epístola do apóstolo para Timóteo:
“... Porque a paixão pelo dinheiro é a raiz de todos os males e, nessa cobiça, alguns desviaram da fé e se traspassaram a si mesmo com muitas dores.”

Do livro "Entre Irmãos de Outras Terras"
Pelo Espírito Hilário Silva,
Médiuns: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

15 novembro 2010

Por que matar seu filho? - Momento Espírita

Por que matar seu filho?

Os três funcionários daquela seção já não eram apenas colegas de trabalho, eram bons amigos.

A senhora que ocupava o cargo de chefia era uma espécie de mãe para os dois rapazes que dividiam com ela as atividades diárias.

O horário de expediente não era próprio para intensificar a amizade, e o tempo do cafezinho era curto para travar uma conversa mais demorada. Por essa razão o moço Ronaldo, já casado, convidou o amigo para visitar sua casa.

Raul, o jovem solteiro, passou a frequentar o lar do colega e os laços do afeto se estreitaram também com sua jovem esposa.

Passado algum tempo, o casal comemorava o nascimento da primeira filha. A alegria tomou conta daquele lar com a chegada da pequena Ana Cláudia.

O tempo passou e, um dia, Ronaldo chegou ao trabalho meio cabisbaixo, o que não passou despercebido ao amigo, sempre atencioso e sensível.

O que está acontecendo, meu amigo? Perguntou Raul.

Ronaldo disse-lhe que algo o estava preocupando muito, mas agora não era o momento para falar no assunto.

Naquele dia ele convidou Raul para tomar o cafezinho, alguns minutos antes. Precisava desabafar.

Mal se sentaram à mesa e Ronaldo disse ao amigo: Você sabe que minha filha acaba de fazer dez meses e minha esposa está grávida outra vez?

Não deu tempo para o amigo se manifestar e completou, aborrecido: Mas eu não vou aceitar esse filho. Já marcamos o aborto para amanhã cedo. Vamos tirar a criança.

Raul sentiu como se o chão lhe faltasse sob os pés. Como cristão, não conseguia entender como um pai e uma mãe têm coragem de cometer um crime desses.

Ronaldo continuou suas justificativas dizendo: Não dá para aceitar um filho logo em seguida do outro. Nossa menina está com apenas 10 meses...

Raul agora entendera melhor as razões do amigo e perguntou com sincera vontade de obter uma resposta séria: Mas, e por que você deseja matar seu filho?

A pergunta caiu como uma bomba no coração de Ronaldo. Ele ainda não havia pensado na gravidade da situação.

Pensara em abortamento, mas não no que ele representa: um homicídio.

Raul ainda lhe fez mais uma pergunta: E se sua filha vier a morrer, como ficarão as coisas?

Ronaldo ficou desconcertado, abaixou a cabeça, terminou de tomar seu café e voltaram, ambos, para o trabalho.

Raul tinha atividades no seu templo religioso e como a reencarnação é parte das suas convicções, rogou com fervor a Deus para que salvasse aquela criança.

No dia imediato, os dois chegaram à seção, no período da tarde, pois trabalhavam só meio expediente, mas Raul não teve coragem de perguntar nada ao amigo. Temia pela resposta.

Mas Ronaldo tomou a iniciativa, dizendo: Minha esposa e eu não conseguimos dormir esta noite...

O coração do amigo bateu acelerado... mas não falou nada.

Logo, Ronaldo concluiu: Resolvemos deixar que venha mais um....

Raul explodiu em lágrimas de profunda alegria e alguns meses depois estava na festa de um ano de Ana Paula, a segunda filha do casal, contemplando, feliz, o paizão exibindo as duas meninas, uma em cada braço.

O tempo passou. Um dia, após retornar de breve viagem, Raul não encontrou o amigo na repartição, e quis saber o que havia acontecido.

A chefe lhe falou: Então você ainda não sabe?

Não, me diga o que houve, por favor. E a notícia lhe abalou novamente a estrutura ao ouvir a resposta:

A filha mais velha do Ronaldo morreu.

Raul dirigiu-se imediatamente para o lar dos amigos para encontrar o casal em profunda tristeza.

Ronaldo, que chorava discretamente com a segunda filha adormecida em seu colo, disse com profunda dor ao amigo:

Quero lhe agradecer por ter salvado minha vida. Sim, porque se você não tivesse evitado que eu matasse Ana Paula, a essa hora eu já teria matado a mim, movido pelo remorso e pelo desespero.

Os amigos se abraçaram e choraram juntos por algum tempo. Mas Raul não esqueceu de agradecer a Deus por ter atendido as suas preces, poupando a vida daquela criança, que agora dormia, serena, no colo do pai, que um dia havia pensado em matá-la, no ventre da mãe.

Redação do Momento Espírita, com base em história contada por Raul Teixeira em palestra na Comunhão Espírita Cristã de Curitiba-PR, em 11.04.2002

14 novembro 2010

Vida Estreita - Emmanuel

VIDA ESTREITA

"Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-le-á, mas qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, esse se salvará". - Jesus ( Marcos: 8 - 35 )

Para que possamos entender a grandeza do oculta do ensinamento do Cristo é imprescindível considerações especiais no círculo de nossa própria individualidade.

Já pensaste relativamente à propriedade legítima da vida? Pertencer-te-ão, de fato, os patrimônios materiais, as paisagens exteriores, o teu próprio corpo?

Sabes que não.

O homem esclarecido está certo da transitoriedade do quadro em que se movimenta nos caminhos do mundo, reconhecendo a si mesmo como usufrutuário na Casa de Deus.

Nem mesmo o invólucro carnal lhe pertence em sentido absoluto.

Jesus, portanto, não aludia à Vida Universal, criação do Pai Eterno, mas à vida estreita de expressões caprichosas que o homem egoísta inventou a si próprio, na Terra.

Tanto assim, que o Mestre se refere à Sua Vida e não à nossa vida.

Enquanto a criatura deseje salvar caprichos criminosos, perderá a oportunidade de elevar-se aos domínios da Sublimação Espiritual.

Quase sempre edificamos criações menos dignas no processo evolutivo e erigimos barreiras entre nós e a Inspiração Superior.

A Mensagem Divina flui incessantemente para os nossos corações, mas numerosos companheiros estão procurando defender certas construções indesejáveis nos caminhos da viciação, do dinheiro, da sexualidade.

Todavia, enquanto perdure semelhante atitude mental, é impossível que o Homem se identifique com a Plenitude da Vida Eterna.

Estará comprando objetos materiais e vendendo-os nos mercados inferiores, amarrando o coração para desamarrá-lo depois, em grandes padecimentos na esfera das afeições desviadas.

Aguilhoado às ilusões venenosas onde se compraz em viver temporariamente, é um seixo arestoso nas estradas terrestres, mas quando delibera afeiçoar-se à Consciência Universalista de Jesus, o Homem é a Estrela que conquistou as Vastidões do Céu.

Pelo Espírito Emmanuel
Do livro: Harmonização

Médium: Francisco Cândido Xavier

13 novembro 2010

A Escola - Demétrio Nunes Ribeiro

A ESCOLA

Texto para estudo ou análise mais demorada, em grupo ou a sós.
Espiritismo: Leia. Estude. Pratique!

Muita caridade se pratica realmente na Terra, como lançamento de alicerces à nossa felicidade futura.
Há quem levante valiosos monumentos de pedra para acolher os famintos da estrada, saciando-lhes a fome e vestindo-lhes o corpo.
Quantas vezes temos vertido lágrimas ao pé do enfermo abandonado à própria sorte? Em quantas ocasiões a indignação nos assoma à boca, diante do sofrimento de uma criancinha desprezada?
Em razão disto, comumente, a prece de gratidão emerge a para de nossa alegria, quando contemplamos as casas de amor fraterno, erguidas pela beneficência nas grandes e nas pequenas cidades, oferecendo uma pausa ou um ponto final à dura miséria.
Perante o moribundo sem família, que haja encontrado um teto, ou diante do menino infeliz, que se regozija com o seio materno que lhe faltava, faz-se em nossa alma o grande e intraduzível silêncio do júbilo, que se não exterioriza em palavras.

O infortúnio do próximo é sempre a nossa infelicidade provável.
A dor é, como o incêndio, suscetível de transferir-se da habitação do vizinho para a nossa casa.

Atentos em semelhante realidade, somos constrangidos a reconhecer que qualquer espécie de benemerência exalta o gênero humano e santifica-o, por fazer-nos mais confiantes na virtude e mais seguros de nossa vitória final no bem.
O Criador como que se revela sempre mais sábio, mais vivo e mais abundante de graças nos mínimos acontecimentos em que a bondade da criatura se manifesta.
Seja amparando o velho mirrado, seja insuflando coragem ao triste, ou abrigando o órfão, ou pensando as feridas de um corpo em chaga, o coração que ajuda é invariavelmente um foco de luz cujo brilho se irradia em ascensão para os mais altos céus.

Mas uma caridade existe, mais extensa e menos visível, mais corajosa e menos exercida, que nos pede concurso decisivo para a melhoria substancial da paisagem humana.
É a caridade daquele que ensina.

A Terra de todos os séculos sofre a flagelação de dois grandes males. Um deles é a miséria. O outro, e o maior, é a ignorância.

É a ignorância a magia negra de todos os infortúnios. Ao seu grosso tição de trevas, o rico esconde o ouro destinado à prosperidade, e o pobre se envenena com o desespero, eliminando as possibilidades resultantes do trabalho.
Pela ignorância, os homens se julgam senhores absolutos do latifúndio terrestre, que lhes não pertence, arruinando-se em guerras de extermínio; o bom se faz ameaçado pela crueldade esmagadora, o mau se torna pior; a evolução de alguns estaciona com o manifesto atraso de muitos, e a vida, que é sempre magnífico patrimônio de recursos para a sublimação, se vê assediada pela discórdia e pela ira, pela ociosidade e pela indigência.
Na rede da ignorância, o homem complica todos os problemas do seu destino, por ela contribui para as aflições alheias e com ela se arroja aos abismos da dor e se entrega às surpresas do tempo.

Por este motivo, se o orfanato ou o asilo são casas abençoadas do agasalho e do pão, a escola será, em todos os seus graus, um templo da luz divina.

O pão mantém a carne perecedoura.
A luz santifica o espírito eterno.

Não bastará disciplinar as maneiras do homem adulto, como quem submete animais inteligentes.
A domesticação reclama apenas um braço firme, uma vergasta e uma voz autoritária, que não hesitem na aplicação da força corretiva.
Bom é corrigir. Melhor, porém, é educar.
A retificação rude, não raro, produz o temor destrutivo. O aperfeiçoamento suave e persuasivo gera sempre o amor edificante.
A ignorância necessita de muito esforço e sacrifício para deixar suas presas.

Quem se consagre ao mister de auxiliar deve dispor-se a sofrer.

O exemplo é a força mais contagiosa do mundo. Por esta razão, quem conserve hábitos dignos, quem se devote ao dever bem cumprido, quem fale ou escreva para o bem, combate a ignorância na posição de soldado legítimo do progresso.
Semelhantes benefícios, no entanto, precisam da sagrada iniciação com o ato de alfabetizar.
Ensinar a ler e elevar o padrão mental de quem lê constituem obras veneráveis de caridade.
Descerremos a espessa cortina de sombras que retém o espírito – ninfa divina – no casulo da inércia.
Os que trabalham em favor das garantias públicas, se quiserem alcançar, efetivamente, as realizações a que se propõem, não podem esquecer, em tempo algum, a instrução e a educação.
É por elas e com elas que as nações sobrevivem no turbilhão dos acontecimentos que agitam os séculos. À claridade que despendem, extinguem-se os pruridos de hegemonia que desencadeiam os conflitos civis e internacionais, fenece a agressão, desaparece o ódio, apaga-se o incêndio da revolta.

Depois da morte, reconhecemos que todas as atividades do homem, por mais nobres, terão sido vãs, ou, mesma cinza niveladora se o objetivo de aperfeiçoamento espiritual não foi procurado.
Pela conquista do ouro, quase sempre acordamos velhos monstros do egoísmo que jazem adormecidos dentro da alma.
Pela ascensão ao poder político, não raro, a massa enlouquece no delírio da vaidade.
Pelo abuso nos prazeres físicos, frequentemente o homem se equipara ao bruto.
Sem a escola, somente liberamos os instintos inferiores da personalidade ou da multidão, quando pretendemos libertar-lhes a consciência.

Educando e educando-se, o espírito penetra a essência da vida, compreende a lei do uso e elege o equilíbrio por norma de suas menores manifestações.

Grande é a tarefa do pão, que gera o reconhecimento e a simpatia; entretanto, muito maior é o ministério do abecedário, que opera o divino milagre da luz, estabelecendo a comunhão magnética entre a inteligência do aprendiz de hoje e a mente do instrutor que viveu há milênios.
Cultura e, sobretudo, esclarecimento, são armas pacíficas contra a discórdia.
Abramos escolas e o canhão se recolherá ao museu.
Se cada criatura que sabe ler alfabetizasse uma só das outras que desconhecem a sublime função do livro, a regeneração do mundo concretizar-se-ia em breve tempo.
Jesus desempenhou o mais alto apostolado da Terra sem uma cátedra de academia, mas não se projetou nos séculos sem as letras sagradas do Evangelho.
É preciso ler para saber pensar e compreender.
Por esta razão expressiva, o Cristo, que consolou almas aflitas e curou corpos doentes, que patrocinou a causa dos sofredores e construiu caminhos para a salvação das almas nos continentes infinitos da vida, não se afirmou como sendo restaurador ou médico, advogado ou engenheiro, mas aceitou o título de Mestre e nele se firmou, por universal consagração.

Fortaleçamos a escola, pois.

Do livro "Falando à Terra"
pelo Espírito Demétrio Nunes Ribeiro
Médium: Francisco Cândido Xavier

12 novembro 2010

Saúde - Joaquim Murtinho

S A Ú D E

Se o homem compreendesse que a saúde do corpo é reflexo da harmonia espiritual, e se pudesse abranger a complexidade dos fenômenos íntimos que o aguardam além da morte, certo se consagraria à vida simples, com o trabalho ativo e a fraternidade legitima por normas de verdadeira felicidade.

A escravização aos sintomas e aos remédios não passa, na maioria das ocasiões, de fruto dos desequilíbrios a que nos impusemos.

Quanto maior o desvio, mais dispendioso o esforço de recuperação. Assim, também, cresce o número das enfermidades à proporção que se nos multiplicam os desacertos, e, exacerbadas as doenças, tornam-se cada vez mais difíceis e complicados os processos de tratamento, levando milhões de criaturas a se algemarem a preocupações e atividades que adiam, indefinidamente, a verdadeira obra de educação que o mundo necessita.

O homem é inquilino da carne, com obrigações naturais de preservação e defesa do patrimônio que temporariamente usufrui.

Não se compreende que uma pessoa instruída amontoe lixo e lama, ou crie insetos patogênicos no próprio âmbito doméstico...

Existe, no entanto, muita gente de boa leitura e de hábitos respeitáveis que permite a entrada em si, de minuto a minuto, de tóxicos variados, como a cólera e a irritação, dando pasto a pensamentos aviltantes cujos efeitos por muito tempo se fazem sentir na vida diária.*

Sirvamo-nos deste símbolo, para estender-nos em mais simples considerações. Se sabemos imprescindível a higiene interna da casa, por que não movermos o espanador da atividade benéfica, desmanchando as teias escuras das idéias tristes? Por que não fazer ato salutar do uso da água pura, em vasta escala, beneficiando os mais íntimos escaninhos do edifício celular e atendendo igualmente ao banho diário, no escrúpulo do asseio? Se nos desvelamos em conservar o domicílio suficientemente arejado, por que não respirar, a longos haustos, o oxigênio tão puro quanto possível, de modo a facilitar a vida dos pulmões?

Quem construa uma habitação, cogita, não somente bases sólidas, que a suportem, senão da orientação, de tal jeito que a luz do sol a envolva e penetre profundamente; jamais voltaria esse alguém a situar o ambiente doméstico numa caverna de troglodita.

Analogamente, deve o homem assentar fundamentos morais seguros, que lhe garantam a verdadeira felicidade, colocando-se, no quadro social onde vive, de frente voltada para os ideais luminosos e santificantes, de modo que a divina inspiração lhe inunde as profundezas da alma.

Frequentemente a moradia das pessoas cuidadosas e educadas se exorna, em seu derredor, de plantas e de flores que encantam o transeunte, convidando-o à contemplação repousante e aos bons pensamentos.
Por que não multiplicar em torno de nós os gestos de gentileza e de solidariedade, que simbolizam as flores do coração?

Ninguém é tentado a descansar ou a edificar-se em recintos empedrados ou espinhosos.

Assim também, a palavra agradável que proferimos ou recebemos, as manifestações de simpatia, as atitudes fraternais e a compreensão sempre disposta a auxiliar, constituem recursos medicamentosos dos mais eficientes, porque a saúde, na essência, é harmonia de vibrações.

Quando nossa alma se encontra realmente tranqüila, o veículo que lhe obedece está em paz.

A mente aflita despede raios de energia desordenada que se precipitam sobre os órgãos à guisa de dardos ferinos, de consequências deploráveis para as funções orgânicas.

O homem comumente apenas registra efeitos, sem consignar as causas profundas.

E que dizer das paixões insopitadas, das enormes crises de ódio e de ciúme, dos martírios ocultos do remorso, que rasgam feridas e semeiam padecimentos inomináveis na delicada constituição da alma?
Que dizer relativamente à hórrida multidão dos pensamentos agressivos duma razão desorientada, os quais tanto malefício trazem, não só ao indivíduo, mas, igualmente, aos que se achem com ele sintonizados?

O nosso lar de curas na vida espiritual vive repleto de enfermos desencarnados. Desencarnados embora, revelam psicoses de trato difícil.
A gravitação é lei universal, e o pensamento ainda é matéria em fase diferentes daquelas que nos são habituais. Quando o centro de interesses da alma permanece na Terra, embalde se lhe indicará o caminha das alturas.
Caracteriza-se a mente também, por peso específico, e é na própria massa do Planeta que o homem enrodilhado em pensamentos inferiores se demorará, depois da morte, no serviço de purificação.
Os instrutores religiosos, mais do que doutrinadores, são médicos do espírito que raramente ouvimos com a devida atenção, enquanto na carne.
Os ensinamentos da fé constituem receituário permanente para a cura positiva das antigas enfermidades que acompanham a alma, século após século.
Todos os sentimentos que nos ponham em desarmonia com o ambiente, onde fomos chamados a viver, geram emoções que desorganizam, não só as colônias celulares do corpo físico, mas também o tecido sutil da alma, agravando a anarquia do psiquismo.
Qualquer criatura, conscientemente ou não, mobiliza as faculdades magnéticas que lhe são peculiares nas atividades do meio em que vive. Atrai e repele. Do modo pelo qual se utiliza de semelhantes forças depende, em grande parte, a conservação dos fatores naturais de saúde.

O espírito rebelde ou impulsivo que foge às necessidades de adaptação, assemelha-se a um molinete elétrico, armado de pontas, cuja energia carrega e, simultaneamente, repele as moléculas do ar ambiente; assim, esse espírito cria em torno de si um campo magnético sem dúvida adverso, o qual, a seu turno, há de repeli-lo, precipitando-o numa “roda-viva” por ele mesmo forjada.

Transformando-se em núcleo de correntes irregulares, a mente perturbada emite linhas de força, que interferirão como tóxicos invisíveis sobre o sistema endocrínico, comprometendo-se a normalidade das funções.

Mas não são somente a hipófise, a tireóide ou as cápsulas supra-renais as únicas vítimas da viciação. Múltiplas doenças surgem para a infelicidade do espírito desavisado que as invoca. Moléstias como o aborto; a encefalite letárgica, a esplenite, a apoplexia cerebral, a loucura, a nevralgia, a tuberculose, a coréia, a epilepsia, a paralisia, as afecções do coração, as úlceras gástricas e as duodenais, a cirrose, a icterícia, a histeria e todas as formas de câncer podem nascer dos desequilíbrios do pensamento.

Em muitos casos, são inúteis quaisquer recursos medicamentosos, porquanto só a modificação do movimento vibratório da mente, à base de ondas simpáticas, poderá oferecer ao doente as necessárias condições de harmonia.
Geralmente, a desencarnação prematura é o resultado do longo duelo vivido pela alma invigilante; esses conflitos prosseguem na profundeza da consciência, dificultando a ligação entre a alma e os poderes restauradores que governam a vida.
A extrema vibratilidade da alma produz estados de hipersensibilidade, os quais, em muitas circunstâncias, se fazem seguir de verdadeiros desastres organopsíquicos.

O pensamento, qualquer que seja a sua natureza, é uma energia, tendo, conseguintemente, seus efeitos.

Se o homem cultivasse a cautela, selecionando inclinações e reconhecendo o caráter positivo das leis morais, outras condições, menos dolorosas e mais elevadas, lhe presidiriam à evolução.
É imprescindível, porém, que a experiência nos instrua individualmente. Cada qual em seu roteiro, em sua prova, em sua lição.
Com o tempo aprenderemos que se pode considerar o corpo como o “prolongamento do espírito”, e aceitaremos no Evangelho do Cristo o melhor tratado de imunologia contra todas as espécies de enfermidade.

Até alcançarmos, no entanto, esse período áureo da existência na Terra, continuemos estudando, trabalhando e esperando...

Do livro "Falando à Terra"
pelo Espírito Joaquim Murtinho
Médium: Francisco Cândido Xavier/Espíritos Diversos

11 novembro 2010

Temperamento - Emmanuel

"TEMPERAMENTO"
TEMA: AUTOCONTROLE

Somos cuidadosos, salvaguardando o clima doméstico. Dispositivos de alarme, faxinas, inseticidas, engenhos de proteção e limpeza.

No entanto, raros de nós se acautelam contra o inimigo que se nos instala no próprio ser, sob os nomes de canseira, nervosismo, angústia ou preocupação.

Asseguramos a tranqüilidade dos que nos cercam, multiplicando recursos de segurança e higiene, no plano exterior, e, simultaneamente, acumulamos nuvens de pensamentos obsessivos que terminam suscitando pesadelos dentro de casa...

Muitas vezes, desapontados conosco mesmos, à face dos estragos estabelecidos por nossa invigilância, recorremos a tranquilizantes diversos, tentando situar a impulsividade que nos é própria no quadro das moléstias nervosas, no pressuposto de inocentar-nos.

Sem dúvidas não podemos subestimar o poder da mente sobre o campo físico em que se apóia. Se acalentarmos a irritação sistemática, é natural que os choques do espírito atrabiliário alcancem corpo sensível, descerrando brechas à enfermidade.

Nesse caso, é preciso rogar por socorro ao remédio. Ainda assim, é imperioso nos decidamos ao difícil entendimento do autodomínio.

No que concerne a temperamento, é possível receber as melhores instruções e receitas de calma; entretanto, em última análise, a providência decisiva pertence a nós mesmos.

Ninguém consegue penetrar nos redutos de nossa alma, a fim de guarnece-la com barricadas e trancas.

Queiramos ou não, somos senhores de nosso reino mental.

Por muito nos achemos hoje encarcerados, do ponto de vista de superfície, nas conseqüências do passado, pelas ações infelizes em nossa estrada de ontem, somos livres, na esfera íntima, para controlar e educar o nosso modo de ser. Não nos esqueçamos de que fomos colocados, no campo da vida, com o objetivo supremo de nosso rendimento máximo para o bem comum.

Saibamos enfrentar os nossos problemas como sejam e como venham, opondo-lhes as faculdades de trabalho e de estudo que somos portadores. Nem explosão pelas tempestades magnéticas da cólera e nem fuga pela tangente do desculpismo.

Conter-nos.

Governar-nos.

Aqui e além, estamos chamados a conviver com os outros, mas viveremos em nós estruturando os próprios destinos, na pauta de nossa vontade, porque a vida, em nome de Deus, criou em cada um de nós um mundo por si.

Do livro "Encontro Marcado"
pelo Espírito Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier

10 novembro 2010

Os Espíritos no Cotidiano - Waldenir Aparecido Cuin

OS ESPÍRITOS NO COTIDIANO

“ — Os Espíritos exercem influência sobre os acontecimentos da vida? — Seguramente, pois que te aconselham. “ (pergunta 525, de O Livro dos Espíritos — Allan Kardec).

Acredita o homem na Terra que a ação dos Espíritos deve dar-se de forma ostensiva, extraordinária, mediante a produção de fenômenos alarmantes. Isso, obviamente, pode acontecer, mas com raridade.

Via de regra, a ação dos Espíritos acontece de forma oculta, sobre os nossos pensamentos. Através dos laços de afinidade, sintonizam conosco e podem, quando desejam, inspirar uma ideia, sugerir um comportamento, ditar uma atitude. No entanto, não podemos olvidar que a decisão de aceitar o que sugerem sempre será nossa, pois que temos o livre arbítrio.

Somos, em realidade, responsáveis absolutos por tudo o que fazemos. O que os Espíritos conseguem só é possível com a nossa concordância, assim, em momento algum poderemos assumir uma postura e depois atribuí-la somente a uma possível ação espiritual. Os desencarnados, certamente estarão influenciando, mas temos plenas condições de repeli-los ou aceitá-los mediante a nossa vontade.

Dessa forma, teremos ao nosso lado as amizades espirituais que desejamos. Na Terra também é assim, pois não gostamos de determinada pessoa procuramos evitá-la. Com a nossa determinação, coragem e decisão aceitamos ou não a presença de um Espírito.

A maneira como seguimos os caminhos da vida tem muita importância e exerce profunda influência na presença, ao nosso lado, de Espíritos bons ou não. Paulo de Tarso, afirmou que “estamos cercados por uma multidão de testemunhas”. Então, será sempre muito oportuno saber como viver, como agir, para que não permaneçam junto de nós aqueles seres espirituais que não oferecem nada de agradável.

Quando utilizamos bebidas alcoólicas, por exemplo, ou alguma substância tóxica, estarão junto de nós Espíritos que, na Terra, se prestaram a tais viciações e que ainda não tiveram forças para se libertarem delas.

Quando cultivamos o pensamento recheado de desejos de fazer o bem e ocupamos nossas mãos com tarefas de socorro àqueles que sofrem, obviamente, estaremos convidando a permanecerem conosco os Espíritos da mesma natureza, e, nesse clima de equilíbrio e nobreza colheremos deles as vibrações de paz que somente os corações que amam podem dardejar.

Compreendendo então, convictamente, essa inquestionável realidade, deixemos de pensar que os nossos irmãos desencarnados somente se apresentam através de fenômenos espetaculosos. Nada disso, cotidianamente estão conosco, ombreando os passos que damos na estrada da vida.

Quando a contar com os bons ou com os imperfeitos, compete única e exclusivamente decidirmos pelo rumo que damos aos nossos pensamentos, pois os espíritos não criam o mal em nós, mas aproveitam o mal que carregamos para insuflarem ações infelizes, com graves consequências para o nosso avanço espiritual.

Quando Jesus disse que era preciso amar até aos inimigos e que devíamos fazer aos outros o que queremos para nós mesmos, estava informando que a sublimidade de pensamentos atrai as intenções sublimes das “testemunhas” que nos cercam.

Pensemos nisso.

De “Em busca da Paz”
de Waldenir Aparecido Cuin

09 novembro 2010

Oficinas de Assistência - Augusto Cezar

OFICINAS DE ASSISTÊNCIA

E porque nós outros – um grupo de rapazes – nos acercamos do Mentor, indagando que opinião era a dele sobre as oficinas de assistência aos necessitados, nas realizações cristãs, ele nos respondeu cortesmente:
- O assunto é do maior interesse. A propósito, desejo contar-lhes a experiência de um companheiro. Um amigo, que foi batista na Terra, chegou à Vida Espiritual com grande prestígio pelos serviços prestados à Causa do Senhor. Conduzido por devotados benfeitores à grande cidade da Vida Maior, passou a visitar os setores de trabalho que o empolgavam. Tomando a companhia de um professor, entrou a movimentar-se.

Na sequência de suas excursões, viu-se diante de vasto sanatório, em cujo interior e em todas as dependências se notava tremenda algazarra. Impropérios, acusações mútuas, insultos e rixas. A balbúrdia era enorme.
Impressionados, ele e o acompanhante, perguntaram a um dos diretores da instituição se ali estava algum setor da zona infernal, ao que o interpelado replicou humildemente:
- Sim, a nossa casa pode ser considerada uma região de inferno, onde alguns de nós, irmãos acordados para a vida, devemos treinar abnegação e tolerância.
Nosso amigo inquiriu:
- Poderá nos informar se aqui vivem alguns batistas?
- Muitos, foi a resposta.
E o diálogo prosseguiu:
- E presbiterianos?
- Grande quantidade.
- E católicos?
- Número imenso.
- E luteranos de outras interpretações?
- Igualmente muitos.
- E espíritas?
- Legião incalculável.

Nosso companheiro considerou:
- É uma lástima! E como se comportam na comunidade?
- Infelizmente – esclareceu o diretor – os religiosos que se acham aqui são espíritos cristalizados nos enganos que abraçaram. Foram, todos eles, homens e mulheres, habitualmente discutidores e intimamente revoltados. Agarrados aos próprios pontos de vista, são rebeldes, indiferentes, vaidosos e intolerantes. Viveram no mundo físico em teorias e anátemas, mergulhados em preguiça mental, a ponto de muitos deles não aceitarem a realidade da vida espiritual em que se encontram...
- E quando estarão libertos de tanta cegueira?
O diretor explicou:
- Quando demonstrarem a renovação espiritual precisa, a fim de merecerem o privilégio de aprender a servir.

Indiscutivelmente, os visitantes saíram dali desolados e depois de alguns quilômetros surpreenderam grande colônia espiritual, de cujo interior se irradiavam luz e harmonia.
Pararam observando...
Em seguida solicitaram a um dos guardiões da porta, a presença de alguém que lhes pudesse prestar os informes que julgavam precisos.
Veio um diretor e repetiram a indagação sobre a natureza e finalidade daquele instituto.
O amigo respondeu:
- Aqui somos todos uma só família; todos os que residem aqui são aqueles que acreditaram em Jesus e seguiam-lhe os passos, trabalhando e servindo, por amor aos semelhantes. Não há denominações religiosas que nos diferenciam, até porque temos conosco muitos ateus que se consagraram espontaneamente ao bem do próximo, ignorando que estavam acompanhando o Divino Mestre. A prestação de serviço aos outros, sem idéias de recompensa, nos proporcionou a felicidade de estarmos todos juntos em Cristo.

Foi então que compreendi melhor o valor das oficinas de assistência aos necessitados. Aí, nesses recantos abençoados, é possível estudar as Lições do Senhor e segui-lo verdadeiramente no rumo das alegrias imperecíveis.
Somente os que aprendem a trabalhar e a servir, com esquecimento de si mesmos, acham-se no rumo exato da felicidade real, de vez que nada valem as preciosas argumentações vazias de boas obras, porque, sem as realizações do amor ao próximo, não teremos senão a alternativa de tudo recomeçar, aprendendo, por fim, a fazer o melhor de nós e de nossa vida, para que possamos justificar o privilégio de conhecer...

Do livro "Fotos da Vida"
pelo Espírito Augusto Cezar
Médium:Francisco Cândido Xavier

08 novembro 2010

Tarefa do Espiritismo - Manuel Vianna de Carvalho

TAREFA DO ESPIRITISMO

Ao Espiritismo compete a tarefa indeclinável de espelhar nova luz sobre a Humanidade inquieta e atormentada.

Possuindo suas nascentes no mundo das causas, a Ciência Espírita está capacitada a informar e comprovar as legitimidades da vida originada em Deus e manifestada no Universo.

Apoiada em fatos amplamente comprovados, dispõe de instrumentalidade, da lógica e da razão para discutir e esclarecer.

Fundamentada no Evangelho sublimado do Galileu Excelso, pode acender a fé nos corações e mentes enregelados, e acenar ao homem a esperança de paz nas linhas seguras do equilíbrio.

Doutrina de liberdade, enseja conceitos inteiramente novos de conduta, convocando os Espíritos à ação correta e digna, que tem escasseado em múltiplos departamentos da sociedade.

Disse Jesus: "Buscai a verdade e a verdade vos fará livres."

Centralizando seus ensinos nessa busca infatigável, enseja a liberdade que faz o homem escravo do dever e do amor, antes que da libertinagem, que o leva ao vício e à corrupção.

Nesse sentido, aos espíritas cabe, no momento, o honroso mister de edificar no imo os postulados do Espiritismo, como vanguardeiros de um mundo estável, pródomo de um mundo feliz.

Para tanto é necessário não mensurar esforços, nem regatear sacrifícios.

Simão Bolívar, o libertador do seu povo, dele fez-se escravo para preservar-lhe a liberdade.

Alberto Schweitzer, para cuidar dos corpos e das almas, no Congo belga, fez-se súdito dos seus vassalos.

Jesus, ensejando a libertação pelo amor, através do seu evangelho de atos, tornou-se servo de todos desde o começo até agora, sem cansaço nem queixa...

Hasteemos a flâmula do ideal espírita nos torreões da nossa fortaleza moral e doemo-nos à ingente campanha da luz.

Mesmo agora a dor zomba dos sofredores - façamos algo.

Movimentemo-nos resolutamente na construção do mundo moral, base angular da vida inteligente na Terra, e felicitemo-nos pela honra da convicção que nos disciplina.

A liberdade de ação do Espírito é como a de um rio caudaloso e nobre, espalhando vida, sendo o Espírito como um dique que lhe disciplina as águas a irromperem volumosas e violentas...

"Pois que têm a liberdade de pensar, têm igualmente a de obrar" - conforme ensinaram os Espíritos da Luz e escreveu o Codificador.

Atuante na colmeia humana, seja o espírita o irmão de todos, senda amiga para todos, protótipo do lídimo cristão, a exemplo de Jesus e Kardec que, de olhos fitos no futuro, se entregaram ao presente para viverem eternamente.

MANUEL VIANNA DE CARVALHO

Verbo eloquente, espírito arrebatado, idealista irresistível, homem de ação infatigável - eis MANUEL VIANNA DE CARVALHO, o maior orador espírita que o Brasil conheceu. Engenheiro militar, bacharel em matemática e ciências físicas, alcançou o posto de Major, tendo sido, por algum tempo, Chefe do Estado Maior da atual 7ª Região Militar, por alguns anos estacionado no Recife.

Polemista de incomparável vigor e estilista profundo, era dotado de indiscutível técnica que arrebatava as multidões que superlotavam todos os Auditórios em que se apresentava.

Transferido de uma para outra Capital, a instância da intolerância clerical da época, onde esteve Vianna de Carvalho - Vianinha, como o chamavam os confrades - conseguia reunir a família espírita e dilatava-lhe os laços da fraternidade, criando Núcleos novos, reativando as atividades, ampliando os horizontes do entendimento humano à luz da fé e da razão.

Autor do movimento de evangelização para crianças e jovens, foi também pioneiro do abençoado labor da Unificação dos Espíritas Brasileiros, sob o lábaro de Ismael.

Desde os 17 anos, quando abraçou o Espiritismo, na Escola Militar, em Fortaleza, dedicou-se com absoluta abnegação à vivência e à divulgação da Doutrina, como ninguém o fizera até então. Sua vida é uma canção ao Bem e uma sinfonia à Verdade. Intemerato e intimorato nada temeu.

Nascido na cidadezinha de Icó, no Ceará, a 10 de dezembro de 1874, desencarnou a bordo do vapor "Iris", defronte da praia de Amaralina, em Salvador, no dia 13 de outubro de 1926.

Cultor da música clássica, Vianna de Carvalho era excelente violinista. Unia aos dotes da privilegiada inteligência as expressões sutis e nobres da Arte.

De estatura mediana, portador de invulgar magnetismo, sua presença conquistava, inclusive, os adversários doutrinários, que, implacáveis, odiavam as ideias renovadoras e belas da Doutrina Espírita, de que ele se fazia Embaixador...

Jamais saiu perdedor numa pugna idealista. Sempre aplaudido de pé pelos ouvintes emocionados deixou um rastro de efeitos nobres como exemplo para a posteridade. (Contracapa da obra citada)

De "À Luz do Espiritismo"
de Divaldo P. Franco
pelo Espírito Vianna de Carvalho

07 novembro 2010

O Revolucionário Sincero - Neio Lúcio

O REVOLUCIONÁRIO SINCERO

No curso das elucidações domésticas, Judas conversava, entusiástico, sobre as anomalias na governança do povo, e, exaltado, dizia das probabilidades de revolução em Jerusalém, quando o Senhor comentou, muito calmo: — Um rei antigo era considerado cruel pelo povo de sua pátria, a tal ponto que o principal dos profetas do reino foi convidado a chefiar uma rebelião de grande alcance, que o arrancasse do Trono.

O profeta não acreditou, de início, nas denúncias populares, mas a multidão insistia.

“O rei era duro de coração, era mau senhor, perseguia, usurpava e flagelava os vassalos em todas as direções” — clamava-se desabridamente.

Foi assim que o condutor de boa-fé se inflamou, igualmente, e aceitou a idéia de uma revolução por único remédio natural e, por isso, articulou-a em silêncio, com algumas centenas de companheiros decididos e corajosos.

Na véspera do cometimento, contudo, como possuía segura confiança em Deus, subiu ao topo dum monte e rogou a assistência divina com tamanho fervor que um Anjo das Alturas lhe foi enviado para confabulação de espírito a espírito.

À frente do emissário sublime, o profeta acusou o soberano, asseverando quanto sabia de oitiva e suplicando aprovação celeste ao plano de revolta renovadora.

O mensageiro anotou-lhe a sinceridade, escutou-o com paciência e esclareceu: — “Em nome do Supremo Senhor, o projeto ficará aprovado, com uma condição. Conviverás com o rei, durante cem dias consecutivos, em seu próprio palácio, na posição de servo humilde e fiel, e, findo esse tempo, se a tua consciência perseverar no mesmo propósito, então lhe destruirás o trono, com o nosso apoio.” O chefe honesto aceitou a proposta e cumpriu a determinação.

Simples e sincero, dirigiu-se à casa real, onde sempre havia acesso aos trabalhos de limpeza e situou-se na função de apagado servidor; no entanto, tão logo se colocou a serviço do monarca, reparou que ele nunca dispunha de tempo para as menores obrigações alusivas ao gosto de viver.

Levantava-se rodeado de conselheiros e ministros impertinentes, era atormentado por centenas de reclamações de hora em hora.

Na qualidade de pai, era privado da ternura dos filhos; na condição de esposo, vivia distante da companheira.

Além disso, era obrigado, freqüentemente, a perder o equilíbrio da saúde física, em vista de banquetes e cerimônias, excessivamente repetidos, nos quais era compelido a ouvir toda a sorte de mentiras da boca de súditos bajuladores e ingratos.

Nunca dormia, nem se alimentava em horas certas e, onde estivesse, era constrangido a vigiar as próprias palavras, sendo vedada ao seu espírito qualquer expressão mais demorada de vida que não fosse o artifício a sufocar-lhe o coração.

O orientador da massa popular reconheceu que o imperante mais se assemelhava a um escravo, duramente condenado a servir sem repouso, em plena solidão espiritual, porquanto o rei não gozava nem mesmo a facilidade de cultivar a comunhão com Deus, por intermédio da prece comum.

Findo o prazo estabelecido, o profeta, radicalmente transformado, regressou ao monte para atender ao compromisso assumido, e, notando que o Anjo lhe aparecia, no curso das orações, implorou-lhe misericórdia para o rei, de quem ele agora se compadecia sinceramente.

Em seguida, congregou o povo e notificou a todos os companheiros de ideal que o soberano era, talvez, o homem mais torturado em todo o reino e que, ao invés da suspirada insubmissão, competia-lhes, a cada um, maior entendimento e mais trabalho construtivo, no lugar que lhes era próprio dentro do país, a fim de que o monarca, de si mesmo tão escravizado e tão desditoso, pudesse cumprir sem desastres a elevada missão de que fora investido.

E, assim, a rebeldia foi convertida em compreensão e serviço.

Judas, desapontado, parecia ensaiar alguma ponderação irreverente, mas o Mestre Divino antecipou-se a ele, falando, incisivo: — "A revolução é sempre o engano trágico daqueles que desejam arrebatar a outrem o cetro do governo.
Quando cada servidor entende o dever que lhe cabe no plano da vida, não há disposição para a indisciplina, nem tempo para a insubmissão".

Pelo Espírito Neio Lúcio
Do livro: Jesus no Lar
Médium: Francisco Cândido Xavier

06 novembro 2010

O Amor e a Intolerância Religiosa - Francisco Cajaseiras

O AMOR E A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Jesus não foi aceito como o messias prometido nas escrituras pela maioria dos seus compatriotas principalmente por não satisfazer ao perfil que se lhe fizera antecipadamente, baseado na virulência opiniática e no nacionalismo mórbido então vigentes.

Ao contrário de um revolucionário político e chefe militar plenipotente, bem ao gosto dos judeus seus contemporâneos, o Mestre Galileu se comportava como um renovador de ideias e um pacificador, destituído tanto dos farisaicos rigorismos formais, quanto do sectarismo e do orgulho racial judaicos então dominantes.

Sobrepunha os interesses espirituais aos materiais, entendendo o poderio romano como fato circunstancial e decorrente da imperfeição humana e, por isso mesmo, secundário, em importância, à mensagem que trazia do Alto.

“Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

A despeito de sua postura pacífica, fraterna e universalista, muitos dos que se autointitulam cristãos (e, consequentemente, seus seguidores) têm se mostrado beligerantes e cruéis, não apenas com seus irmãos em Humanidade, profitentes de outras crenças religiosas, mas também — e até, parece, com maior rigor — com os que se aglutinam nas diversas facções que têm no Cristo seu condutor. Paradoxal realidade!

A ideia fixa de fazer prevalecer a sua opinião, a egolatria e o orgulho — tão semelhantes aos dos contemporâneos de Jesus — ainda dirigem o ânimo desses nossos companheiros.

Quanto morticínio e ódio, quanta maldade e ferocidade têm sido empregados em nome de Jesus, em flagrante confronto com sua máxima:

“Amai-vos uns aos outros, como eu vos tenho amado!”

Acaso ele excitou seus seguidores contra quem quer que fosse?
Suscitou a mínima violência em qualquer nível? Pediu a cabeça de algum dos seus opositores e inimigos?...

Não! Simplesmente amava-os e perdoava-os, sugerindo aos seus que assim também o fizessem.

Pedro, abaixo a tua espada, pois aquele que fere com a espada, por ela perecerá”.

“Amai os vossos inimigos e orais pelos que vos perseguem”.

A sua é uma doutrina de amor e não de ódios; de perdão, não de vinganças; de compreensão, não de intolerância!

Hoje, na alvorada do terceiro Milênio, apesar de todo o avanço alcançado pela ética, a razão e a inteligência humana, vê-se com tristeza, ainda, o mesmo quadro de fragilidade moral, desamor, radicalismo e fanatismo destruidores e desarticuladores do bem e da paz, na atitude de muitos
profitentes e líderes religiosos.

Compreendamos! É perfeitamente possível conviver harmoniosamente com as nossas diferenças interpretativas, alinhando os pontos em comum existentes entre as diversas manifestações religiosas ditas cristãs (a crença em Deus, o respeito a Jesus e a imortalidade da alma), sem necessidade de abrimos mão das outras ideias sobre esse ou aquele ponto, mas com o intuito único de somar esforços para a disseminação desses ensinamentos gerais a todos os homens de boa vontade, banindo de vez o materialismo de sobre a Terra.

Trocar o sectarismo, o egoísmo e o fanatismo pelo respeito ao semelhante e à sua maneira de pensar, pela fraternidade e pela humildade é o que Jesus nos pede, assim como seus discípulos e o que o Espiritismo, na condição de Cristianismo redivivo ensina aos seus prosélitos.

De “Elementos de Teologia Espírita”
de Francisco Cajazeiras

05 novembro 2010

Sexo e Amor - Emmanuel

SEXO E AMOR

Ignorar o sexo em nossa edificação espiritual seria ignorar-nos.

Urge, no entanto, situá-lo a serviço do amor, sem que o amor se lhe subordine.

Imaginemo-los ambos, na esfera da personalidade, como rio e o dique na largueza da terra.

O rio fecunda.

O dique controla.

O rio espalha forças.

O dique policia-lhes a expansão.

No rio, encontramos a natureza.

No dique, surpreendemos a disciplina.

Se a corrente ameaça à estabilidade de construções dignas, comparece o dique para canalizá-la proveitosamente, noutro nível. Contudo se a corrente supera o dique, aparece a destruição, toda vez que a massa líquida se dilate em volume.

Igualmente, o sexo é a energia criativa, mas o amor necessita estar junto dele a funcionar por leme seguro.

Se a simpatia sexual prenuncia a dissolução de obras morais respeitáveis, é imprescindível que o amor lhe norteie os recursos para manifestações mais altas, porquanto sempre que a atração genésica é mais poderosa que o amor, surgem as crises de longo curso, retardando o progresso e o aperfeiçoamento da alma, quando não lhe embargam os passos na loucura ou na frustração, na enfermidade ou no crime.

Tanto quanto o dique precisa erguer-se em defensiva constante, no governo das águas, deve guardar-se o amor em permanente vigilância, na frenação do impulso emotivo.

Fiscaliza, assim teus próprios desejos.

Todo pensamento acalentado tende a expressar-se em ação.

Quase sempre, os que chegam além-túmulo, sexualmente depravados, depois de longas perturbações, renascem no mundo, tolerando moléstias insidiosas, quando não se corporifiquem em desesperadora condição inversiva, amargando pesadas provas como consequência dos excessos delituosos a que se renderam.

À maneira de doentes difíceis, no leito da contenção, padecem inibições obscuras ou envergam sinais morfológicos em desacordo com as tendências masculinas ou femininas em que ainda estagiam, no elevado tentame de obstar a própria queda em novos desmandos sentimentais.

Ama, pois, e ama sempre, porque o amor é a essência da própria vida, mas não cogites de ser amado. Ama por filhos do coração aqueles de quem, por enquanto, não podes partilhar a convivência mais íntima, aprendendo o puro amor fraterno que Jesus nos legou.

Mas se a inquietação sexual te vergasta as horas, não te decidas a aceitar o conselho da irresponsabilidade que te inclina a partir levianamente "ao encontro de um homem" ou ao "encontro de uma mulher" muitas vezes em perigoso agravo de teus problemas.

Antes de tudo, procura Deus, na oração, segundo a fé que cultivas, e Deus que criou o sexo em nós para engrandecimento da criação, na carne e no espírito, ensinar-nos-á como dirigi-lo.

Do livro "Religião dos Espíritos"
Pelo Espírito Emmanuel
Médium: Francisco C. Xavier

04 novembro 2010

Pergunte a Si Mesmo - Ernest O’Brien

PERGUNTE A SI MESMO

Em que base devemos colocar o problema da morte?
Naturalmente, a morte não existe. A própria vida exige a morte como um renascimento; entre ambas, nossa consciência permanece.

Experiências vêm e experiências vão; nesse ínterim, a consciência prossegue. Consciência é Justiça Divina dentro de nós. Não se esqueça de que você vive sempre. O espírito deve ser visto pelo que é; portanto, ele somente pode prosseguir, no Além, no nível ao qual se ajustou. Atravessamos os portões da morte, para viver de novo. Como se sabe, encontramos aquilo que buscamos.

Você experimentará, mas tarde, a felicidade no Além, de acordo com os seus atos agora. Pense nisso. Faça de conta que você se encontra no seu próprio plano póstumo e examine bem suas obrigações antes de contraí-las.

Todas as manhãs, pergunte a si mesmo: “Que pretendo?” Primeiro de tudo, ouça a sua consciência; não faça rodeios. Todos nos devemos curvar diante da verdade.

Quando estiver errado, é melhor admitir os seus enganos, sem reservas, e repará-los daí em diante. Você é chamado ao sofrimento; não se engane a si mesmo, fugindo dele.

A educação, para a felicidade no Além, gira em torno das nossas aflições diárias. Você não pode produzir boas obras, sem esforço.

As dificuldades revelam-lhe o caráter. Se você prometer ajudar a alguém, faça-o agora. Se deseja progredir, não o deixe para amanhã. Faça-o hoje.

Sua origem é o céu e para lá você voltará, levando, na consciência, o fruto das suas obras.

Antes de regressar ao Além, você deve purificar seu mundo interior.

Acima de tudo, conserve uma boa consciência.

O campo do pensamento é livre.

Na verdade, você vive pelos atos e não pelos sonhos.

Onde está Deus, está a alegria, mas, onde está Deus, aí está também a responsabilidade.

Empregue as faculdades que lhe foram emprestadas, em benefício de todos, pois, quando a morte chega, você terá tudo quanto deu aos outros.

Aqui e acolá, que o amor de Deus possa ser visto por seu intermédio.

Do livro "Entre Irmãos de Outras Terras"
Pelo Espírito Ernest O'Brien
Médiuns: Francisco C. Xavier e Waldo Vieira

03 novembro 2010

A Súplica Final - Irmão X

A SÚPLICA FINAL

Convencido de que o Mestre distribui as graças, de acordo com as solicitações dos discípulos, o crente fervoroso e sincero, vivamente interessado na perfeita integração com o Senhor, pediu-lhe dinheiro, alegando a necessidade de recursos materiais para atender-lhe aos desígnios.

Ouvindo-lhe a rogativa, o Salvador mobilizou emissários para satisfazê-lo.

Em breve, a fortuna vinha ao encontro do aprendiz, enchendo-lhe os cofres e prestigiando-lhe a casa.

Multiplicaram-se-lhe, porém, as preocupações e surgiram desgostos graves. Longe de elevar-se à espiritualidade superior, passava dias e noites vigiando a entrada e a saída do ouro, assinalando os depósitos crescentes.

Distraído das obrigações mais humildes, perdeu a companhia da esposa e dos filhos, desgarrados do lar pelas fascinações da vida fácil.

No fundo, entretanto, conservava a fé inicial e, quando lhe transbordaram as arcas, reconheceu a dificuldade para alçar-se ao Cristo.

Prosternou-se em oração e implorou a Jesus lhe desse autoridade, assegurando que aguardava semelhante vantagem a fim de segui-lo.

O Senhor acolheu-lhe a suplica e expediu mensageiros que lhe garantissem a desejada aquisição.

Quase de imediato, o discípulo foi guinado a nobre posição administrativa; todavia sem bases na experiência, em pouco tempo se viu odiado e incompreendido, incapaz de suportar calunia e crítica observações descabidas e advertências mordazes de subalternos e superiores. Movimentava vultosos patrimônios materiais; contudo, não correspondia aos imperativos do espírito.

Aturdido e desencantado, tornou à oração e implorou a Jesus a concessão de dons maravilhosos, afiançando que somente assim poderia servi-lo.

O Divino Doador anotou-lhe a solicitação e recomendou aos assessores lhe confiasse o poder de curar.

O aprendiz recebeu a dádiva e entregou-se ao trabalho.

Dentro de alguns dias, enormes fileiras de necessitados batiam-lhe à porta. A popularidade absorveu-lhe as horas. Escasseou-lhe o tempo, até para alimentar-se. Sem preparação para o delicado serviço, no decurso de alguns meses declarou-se em falência. Faltavam-lhe forças para o ministério. Em face da multidão dos sofredores e dos ignorantes, os familiares que lhe restavam no lar abandonaram o campo doméstico. E o pobre, por sua vez, não soube tratar com os desesperados da sorte. Quando não podia atender alguém, depois de haver socorrido dezenas de aflitos, sentia-se crivado de acusações que não sabia acolher com serenidade. Submeteu-se, desse modo, ao cansaço absoluto. Descontrolou-se. Renegou o dom que o Céu lhe emprestara.

No entanto, porque a fé ainda lhe vibrava no intimo, regressou à petição, com sinceridade, e renovou a súplica.

Em pranto, implorou a pobreza e a obscuridade. Desejava desfazer-se de todos os laços com a posse terrestre. Seria trabalhador anônimo. Ligar-se-ia à Providencia, através do esforço desconhecido.

Registrando-lhe os rogos, o Mestre enviou prepostos adequados à situação. O discípulo foi conduzido à penúria. Esgotaram-se-lhe os recursos. A enfermidade visitou-o com insistência. Desacertaram-se-lhe os negócios. Fugiram amigos e apareceram credores.

Sozinho e desamparado, viu-se igualmente inapto para aquele gênero de provação. Sarcasmos e zombarias choviam-lhe na estrada. Foi apontado à conta de imprevidente e relapso, sem o governo da própria existência. Debalde tentou colaborar em obras edificantes. Mesmo ai encontrou gargalhadas por parte de alguns companheiros. Ninguém confiava nele. Aos olhos alheios era relaxado e dissipador. Verificou o misero que a impaciência e a revolta passaram a freqüentar-lhe o coração. Surpreendia-se, por vezes, irado e infeliz, ensaiando reações.

Socorrido, porém, pela sublime claridade da fé, proclamou a incapacidade de suportar a pobreza absoluta e, genuflexo, implorou ao Senhor:

- Mestre Amado, sei que me abres a porta sempre que bato confiante, mas, em verdade, ignoro a essência de meus próprios desejos. Reconheço agora que dispensas a riqueza, o poder e a gloria de teus dons, conforme os méritos e as necessidades dos aprendizes. Não dás a escassez externa àquele que ainda não sabe utilizá-la para o bem, nem confias tuas dádivas aos que não sabem como transportá-las, entre os homens ingratos e cruéis. Conheces a posição de cada um de nos e medes, com sabedoria, a extensão de nossas possibilidades. Não conferes o beneficio da lágrima ao coração endurecido, como não deixas o cetro da direção, por muito tempo, nas mãos levianas ou inábeis; não concedes a pobreza absoluta a quem não sabe aproveitar o sofrimento, como não permites que a riqueza se demore na moradia dos insensatos!...

Emudece, Senhor, os pedidos de minha ignorância, não permitam que eu te suplique situações que desconheço... Modifica minha vontade, para que meus desejos concordem com os teus desígnios... Até hoje tenho sido cego! Não me negues tua misericórdia!... Faze que eu veja!...

O Mestre ouviu-lhe a rogativa, mas, dessa vez, não mandou emissários para a colaboração indireta. Veio, Ele mesmo, ao santuário interior do aprendiz.

O discípulo, em pranto, sentiu então que alguém lhe falava do centro dalma. Não era uma voz semelhante às vozes que escutara no mundo...

Era um sopro divino, nascido da misteriosa cripta do coração, renovando-lhe todo o ser. Extasiado e feliz, reconheceu a presença do Senhor que lhe falou á consciência desperta:

- Doravante, permanecerá em mim, como permaneço em ti. Estaremos unidos para sempre!...

Do livro: Pontos e Contos
Pelo Espírito Irmão X
Médium: Francisco Cândido Xavier

02 novembro 2010

Vivência Cristã - Augusto Cezar Netto

VIVÊNCIA CRISTÃ

Prezada Irmã.

A sua carta nos comoveu.

Compreendemos.

A Senhora se declara fatigada. Anseia integrar uma equipe fraterna, em que possa desenvolver os seus ideais de bondade, no entanto, está encontrando unicamente motivações e desgostos. Incompreensões e antagonismos. Observações descaridosas que lhe depreciam as melhores intenções. Críticas e fofocas.

E nos solicita: “Augusto amigo, como ajustar-se a pessoa ao relacionamento cristão? Não poderá você enviar-me algumas notas ligeiras, em derredor do assunto?”.

Francamente, a sua confiança nos confunde e, por isso, limito-me a endereçar-lhe a pagina breve, que consideramos de elevada importância nas relações dos grupos evangélicos, de uns para com os outros.

Conta um benfeitor espiritual que depois da crucificação de Jesus, ei-lo de volta, as vezes, quando menos se esperava, para essa ou aquela visita a determinado seguidor.

O Divino Mestre ressuscitado empenhava-se em acalentar a fé nos discípulos vacilantes e intranqüilos.

Foi assim que, em certa noite, o apostolo Tiago, o mais idoso, em orações ao Eterno Amigo, clamou desalentado:

- Senhor, como interpretar a lição do amor que nos ensinastes? Os instrutores antigos foram unânimes em declarar, de geração em geração, que se deve odiar o mal e só vejo o mal em torno de nós. Enquanto estendemos as mãos no socorro aos que sofrem, surgem adversários que nos espancam os braços. Pronunciando a palavra fraterna no trato com os semelhantes, mas, ao nosso lado, esbravejam aqueles que nos injuriam com expressões cruéis. Das migalhas que nos chegam as mãos, repartimos com os necessitados a maior parte, contudo não são poucos aqueles que nos penetram a moradia, mostrando falsa mendicância, para furtar-nos o apoio que nos envias, através de corações generosos para o socorro aos infelizes. Os poucos amigos que colaboram conosco são perseguidos e humilhados. Muitos deles já foram acusados de crimes que não cometeram e espancadas ocultamente nas prisões, até que se lhes demonstrasse a inocência... Senhor, que fazer diante de tanto mal? Somos simplesmente um punhado de criaturas indefesas, a frente das legiões de inimigos armados até os dentes!..

Entretanto, ainda não terminara as alegações quando estranho rumor se fez ouvir. Doente rebelde, que se recolhera no refugio dos apóstolos, regressava da rua em graves condições. Largara-se dos compromissos assumidos, excedera-se numa festa e se embriagara com vinho forte. Chegava tarde e gemendo em descontrole, esquecia-se do benfeitora quem devia respeito e bradava:

- Sai daí, santarrão de mentira!

E cambaleando:

- Erga-se daí e dê-me o remédio. Cumpra com as suas obrigações e não me venha com pregações encomendadas!...

Tiago se mostrava a ponto de irritar-se quando, na penumbra do quarto, viu que alguém escorava o infeliz, evitando-lhe a queda.

Fixou o desconhecido com atenção, até que reconheceu nele a presença do mestre.

Comovido e pasmo, o companheiro indagou:

- Mestre, pois, pois és tu?

Jesus estendeu a mão no rumo do infeliz, como a indicar-lhe a tarefa de assistência que lhe cabia fazer antes que se lhe ocultasse a visão, disse-lhe apenas:

- Tiago, eu não vim ao mundo para curar os sãos!...

O discípulo transformou-se, renovando a própria atitude e eu, querida irmã, dentro de minha pequenez, peço a sua permissão pra lhe dizer que, em matéria de assistência cristã, em nosso relacionamento com Jesus e com o próximo, a nossa situação é isso aí.

Pelo Espírito Augusto Cezar Netto
Do Livro: Augusto Vive
Médium: Francisco Candido Xavier

01 novembro 2010

Panegírico do Conhecimento - Francisco do Monte Alverne

PANEGÍRICO DO CONHECIMENTO

A teimosia da ignorância — remanescente das experiências nas faixas inferiores do progresso da evolução - é dos mais vigorosos obstáculos a ser transposto por aqueles que se afadigam pela operosa atividade do bem, na Terra. Porque gerada na brutalidade do instinto que não discerne, é acomodada e recalcitrante, reacionária aos processos de transformação das estruturas, de modo a poupar-se esforços por conciliação com as mínimas necessidades a que se fixa.

Antídoto valioso, o conhecimento constitui-lhe o impulso do crescimento, a mola que a expulsa, abrindo as percepções para a liberdade que facilita os horizontes amplos a conquistar.

Onde medra a luz do saber legítimo aí não vicejam a agressão nem o ciúme, a corrupção nem o desespero.

O conhecimento da verdade desmonta as armaduras da insensatez, ao mesmo tempo fomentando o ideal de elevação.

A Átila, açulado pela paixão da guerra, a Gêngis Cão, sedento de glórias bélicas, faltaram as claridades da sabedoria, que os libertariam das expressões primitivas, canalizando suas forças para arregimentarem os povos escravos, oferecendo-lhes mais amplo relacionamento fraternal, gerador do progresso e da felicidade.

Afirma-se, no entanto, em atitude sofista, que os maiores criminosos da História, que provocaram guerras lamentáveis, eram dotados do conhecimento de que se utilizavam para destruir e submeter as vítimas com sadismo selvagem.

A colocação, no entanto, não procede, já que tais promotores das desditas coletivas aferravam-se ao conhecimento intelectual sem qualquer vivência emocional do seu conteúdo. Portadores de personalidades esquizóides, ou infelizmente subjugados por mentes atormentadas que os telecomandavam do além-túmulo, entregavam-se aos macabros devaneios da dominação absurda, extrapolando da cultura em que se poderiam edificar para a ceifa de vidas, numa loucura auto aniquilante...

Quando nos referimos ao conhecimento, aludimos às experiências da educação em profundidade, num complexo de saber e agir com ordem e amor.

O conhecimento sem a vigência do amor ensoberbece e alucina.

O homem que sabe, mas que se não deixa dulcificar pela aspiração do bem e do belo - expressões do amor ideal - termina por transformar-se em sicário dos outros e chacal de si mesmo...

O conhecimento, do nosso ponto de vista, tem amplitude abrangente, enfeixando a informação intelectual, a ação vivencial e a experiência evangélica numa tríade que se completa, harmônica, para os resultados otimistas da criatura que os cultiva.

Face a isto, torna-se carente o homem que coleta dados e informações, porém não se identifica com a mensagem fascinante de Jesus Cristo.

É certo que há exceções de homens que estão na história do pensamento e que se não identificaram diretamente com as lições do Cristo. Convém ressaltar, porém, que assim foram, porque eles próprios eram Emissários do Senhor ou discípulos desses, que preparavam a gleba para o Enviado Divino ou Lhe sucederam abrindo brechas mentais para que a meridiana luz da estrela de primeira grandeza, que é o Mestre Galileu, pudesse impregná-los em totalidade.

O conhecimento propele à reflexão quanto à humildade, em se considerando o entendimento da fragilidade e da pequenez do seu detentor, que se auto ilumina, descobrindo-se na situação real.

O exercício da reflexão conduz, igualmente, à busca da ascensão pela prece, que se converte em estímulo a impulsionar para a superação dos limites e para o crescimento interior.

O retorno da oração faz que a alma lenida e inspirada, após a conquista do alto, mergulhe nas baixadas onde a dor reside, oferecendo braços de socorro se doando forças, aos combalidos que tombaram como aos calcetas que se desesperaram na alucinação, necessitando de ajuda.

Jesus, o sábio por excelência, veio ao paul dos homens a fim de erguê-los às luminíferas constelações, onde nos aguarda, magnânimo.

O conhecimento da verdade esbate as trevas da ignorância, corrige as arestas da imperfeição, fortalece a fraqueza para que se alcance a meta a que todos se encontram destinados.

Vencei a ignorância atrabiliária e infeliz com o alfabeto, pondo nas letras as fulgurações do amor e da paciência, geratrizes do perdão e da caridade, que são as chaves para se decifrarem os enigmas da personalidade humana, nesta soberana arrancada da criatura que sai da treva da ignorância, fascinada pelos primeiros lampejos da luz da verdade que já consegue vislumbrar!

De” Florilégios Espirituais”
Médium: Divaldo P. Franco
Espírito Francisco do Monte Alverne