Total de visualizações de página

19 janeiro 2011

A Família e os Deveres dos Filhos com Relação aos Pais - F.Altamir da Cunha

A Família e os Deveres dos Filhos com Relação aos Pais

É muito comum o desenvolvimento de temas enfocando a louvável preocupação a respeito dos deveres dos pais com relação aos filhos, no núcleo familiar. Sem sombra de dúvida, seria inaceitável a indiferença a tão importante e oportuno assunto. Porém, considerando a família, como instituição social na qual se reúnem espíritos encarnados de variados níveis evolutivos, credores e devedores uns dos outros, rumo à perfeição, não podemos olvidar o regime de reciprocidade de deveres entre os mesmos.

Se, é verdade que aos pais compete o dever de amar, proteger, assistir e educar o filho para a vida, não é menos verdade que aos filhos cabe o dever de amar, respeitar e assistir os pais em suas necessidades; principalmente na velhice, quando peso da idade os torna dependentes. É importante lembrar, que o cumprimento desse dever, independe de como os pais se comportaram, se cumpriram ou não seus deveres. Isso não deve interferir no dever dos filhos; a oportunidade reencarnatória, da qual os pais se fizeram instrumentos, já é suficiente para que os filhos lhes sejam gratos.

Cometeriam grave erro, os filhos que se acomodassem ao simples dever da assistência material, embora reconhecedores que somos de sua importância. Porém, é importante ressaltarmos, que toda criatura necessita muito mais do que este tipo de assistência.

Lembramos que em uma das visitas costumeiras a um ancianato, ouvimos de uma interna o comentário: “aqui eu tenho apartamento com televisão e uma pessoa para cuidar de mim. Mas o que eu queria mesmo, era estar ao lado do meu filho. Hoje (era um sábado), ele deve estar passeando com os filhos e a esposa. Sinto muita saudade dele”. Este comentário revela, que a necessidade maior é a da presença, do carinho e da atenção.

A ingratidão dos filhos para os pais, principalmente, quando estes se encontram em idade provecta, é a maior prova da insensibilidade de algumas criaturas; reflexo do utilitarismo, que domina a sociedade contemporânea. Na antiguidade algumas sociedades, mantinham em seu seio, grupos formados por anciões, os quais, eram respeitados, e pela experiência de que eram portadores, tornavam-se conselheiros para as decisões mais importantes.

Hoje, a inversão de valores se fez patente - o mais importante não é ‘ser’ (ser experiente, ser honesto, ser justo, etc.), mas, sim, ‘ter’ (mesmo que seja apenas, a astúcia para conseguir de forma desonesta), causando abandono e solidão àqueles que não são mais produtivos. Essa é uma triste realidade, que precisa ser mudada.

Desconhecer a importância daqueles que no passado, limparam e araram a terra, plantaram as sementes e cuidaram, para que se tornassem árvores

frondosas e frutíferas de cujas sombras e frutos hoje nos servimos, é a manifestação cruel do egoísmo, em forma de ingratidão.

Nós como filhos, que inúmeras vezes, idealizamos grandes projetos

humanitários, não podemos esquecer, que se ainda não aprendemos a abrir os corações para amar os nossos pais, jamais conseguiremos amar à humanidade.

Respeitar pai e mãe conforme prescrito em os dez mandamentos, é assisti-los em todos os aspectos; não deveria representar para os filhos um sacrifício, mas, sim, um prazer – o prazer de retribuir a dedicação e o carinho, recebidos na infância.

Portanto, aos filhos hoje, compete o legítimo exercício da caridade e da gratidão, sem esquecer que da vida apenas recebemos o que damos. Quem semeia indiferença, candidata-se à solidão!

F.Altamar da Cunha - Publicado no jornal O Clarim - Março/2008

18 janeiro 2011

Drogas: Fonte de Prazer ou Sofrimento - F.Altamir da Cunha

DROGAS: FONTE DE PRAZER OU SOFRIMENTO?

Um dos temas mais interessantes da atualidade é, sem sombra de dúvida, aquele que se relaciona com uso de drogas. Estudar e avaliar seus efeitos nas esferas biopsíquica, social e espiritual, constitui-se ação impostergável.

É bastante fazermos uma retrospectiva na história da humanidade, para constatarmos, que o uso de drogas não é um problema de agora. Na bíblia é relatada a história de uma das primeiras vítimas: "E começou Noé a cultivar a terra e plantou uma vinha. Bebeu do vinho e embriagou-se; e achava-se nu dentro da sua tenda" (Gênesis 9, 20-21).

Nas civilizações antigas mascavam-se determinadas folhas, para se obter energia e disposição, a fim de vencer as intempéries e os perigos. Na Índia e no Egito eram conhecidos os efeitos das drogas para provocar a liberação parcial do espírito (desdobramento); através desse fenômeno comunicavam-se com os desencarnados, os quais eram interpretados como deuses. Cristóvão Colombo, quando esteve nas Américas, fez menção a respeito dos índios, habitantes daquelas terras que, através de um canudo de determinada planta, inalavam uma substância, que os tornava excitados.

Portanto, registros sobre o uso e conhecimento dos efeitos das drogas, sempre estiveram presentes na história da humanidade.

Na atualidade, no entanto, os reflexos nocivos do uso abusivo de drogas alcançaram vários setores da sociedade, onerando as finanças públicas, desestruturando famílias, causando sofrimento e morte.

Ante as repetidas notícias, através da mídia, destacando a insensibilidade dos traficantes e o sofrimento dos escravos do vício, os demais cidadãos angustiados questionam: Até quando?...
Todo sofrimento tem um termo, mas somente acontecerá quando forem eliminadas as suas causas. Existem traficantes porque existem pessoas imaturas que, acovardadas ante os desafios da vida ou movidas por curiosidade, iniciam-se no uso de substâncias de efeito tóxico e delas tornam-se escravas. Não acreditam nas possibilidades que lhe são inerentes e que seriam suficientes para torná-las vencedoras.

Quanto à legalidade, existem as drogas lícitas e as ilícitas. Entre as consideradas legais ou licitas, nós poderíamos incluir o cigarro e as bebidas alcoólicas.

O cigarro, que há tempo faz parte do dia-a-dia de uma considerável parcela da população, gera dependência, causando a médio e longo prazo, problemas cardiovasculares e vários tipos de cânceres. Os alcoólicos, que conquistam cada vez mais consumidores jovens, têm sido uma das causa principais da violência urbana e dos acidentes de trânsito. O alcoolismo, hoje considerado um problema de saúde, é responsável por uma grande parcela de ocupação dos leitos hospitalares, faltas no ambiente de trabalho, desestrutura familiar, cirrose hepática, câncer e perda da memória.

Lembramos de um dos melhores professores de matemática que tivemos no curso ginasial (primeiro grau). Destacava-se, na época, pela sua rapidez de raciocínio e competência profissional. Era consumidor de alcoólicos; perdeu o controle e tornou-se alcoólatra. Anos depois o encontramos; ele nos apresentou um problema de matemática de nível ginasial para que resolvêssemos, pois não conseguira resolver. Ao lermos o problema constatamos ser um dos mais elementares. O álcool havia prejudicado sua memória, incapacitando-o para o exercício profissional. Mas não ficou restrito à memória os danos causados pelo álcool; alguns anos depois, com pouco mais de 40 anos, retornava ao plano espiritual, vítima de cirrose hepática.

Após essa exposição superficial, a respeito das drogas lícitas, não podemos deixar passar a oportunidade de tecermos também algumas considerações sobre as drogas alucinógenas ou ilícitas. Estas têm conseqüências mais devastadoras, não apenas pelo seu efeito nocivo na saúde do consumidor, mas também, pela ganância dos traficantes, em luta pelo domínio de áreas de venda.
O mundo tem passado por uma vertiginosa transformação, exigindo de todos, adequações psicológicas e espirituais. Mas é justamente o que não tem acontecido; alguns espíritos imaturos, na sua maioria oriundos de lares desestruturados, sentem-se como peixe fora da água; buscam através das drogas amortecer as angústias que os atormentam. Fogem momentaneamente da realidade, por força do efeito alucinógeno; porém, quando cessa esse efeito, sentem-se mais angustiados, necessitando de repetidas doses que os conduzem inexoravelmente à dependência e à autodestruição; destruição física, destruição moral, destruição de sonhos e da dignidade, porque o usuário torna-se escravo do vício.

Os efeitos das drogas não se restringem apenas ao corpo físico; a sua ação vigorosa, complementada por astúcia de espíritos perversos, desagrega a personalidade, liberando dos arquivos do subconsciente imagens de dramas vividos em encarnações anteriores. Atingido esse estágio, que na maioria das vezes torna-se irreversível, vem, a seguir, a loucura ou a morte.
Ante o exposto, que representa o drama vivido pelo dependente de drogas enquanto encarnado, é oportuno lembrarmos, que ele não termina com a morte. As desarmonias causadas na tessitura perispiritual e a dependência (necessidade da droga) lhe causarão muitos transtornos, até que se reabilite com as leis da vida, o que se dará através de outras oportunidades reencarnatórias.

Portanto não encontramos motivos para interpretar que o uso de drogas proporcione prazer, quando na realidade é fonte de sofrimento e destruição. (F. Altamir da Cunha).


17 janeiro 2011

Pagar o Quê? Para Quem? - Orson Peter Carrara

Pagar o Quê?...Para Quem?

Somente o desconhecimento dos princípios espíritas pode gerar a ideia de que temos que pagar com sofrimentos, e para alguém, dívidas de existências passadas. Eis o equívoco.

O que ocorre é que a existência do espírito é única; as existências corpóreas é que são múltiplas, mas o ser integral é sempre o mesmo. As múltiplas existências corpóreas cumprem a finalidade de estágios de aprendizado, na verdade degraus de aperfeiçoamento.

Como estamos todos em aprendizados, cometemos equívocos. Tais equívocos geram consequências. Tais consequências podem redundar em prejuízos para nós mesmos ou para terceiros. E tais prejuízos devem ser reparados. Isto é das Leis Divinas.

Tais reparações nós as devemos à nossa própria consciência, à vida. E, neste processo, podemos nos encontrar em situações aflitivas, decorrentes todas dos equívocos que nos envolvemos.

Porém, tudo isso, não se refere a outro ser que viveu noutro tempo e que, aparentemente nenhum vínculo com ele mantemos. Não! Somos nós mesmos que agíamos nesta caminhada de aprendizados e que trazemos nas lembranças e registros, ainda que inconscientes, a necessidade dessas reparações que ora se apresentam na atualidade consciente que estamos vivendo.

Assim funciona a Lei da Reencarnação. Os filhos de Deus estagiam em diversas existências corpóreas (visando o próprio progresso, repetimos), habitando países e corpos diferentes, mas a individualidade é a mesma, razão pela qual carrega consigo seu patrimônio moral e intelectual, bem como as reparações devidas aos equívocos praticados com prejuízos para si mesmo ou para terceiros.

Então, não se trata de uma questão de pagar, mas de conquistar a paz de consciência. Quando constatamos, antes da presente encarnação, que prejudicamos alguém ou a nós mesmos, solicitamos que a próxima encarnação propicie os mecanismos de reparação.

Esses mecanismos podem apresentar-se com a aparência de enfermidades, limitações físicas, dificuldades materiais, obsessões, entre outras.

E a visão distorcida sobre os princípios espíritas gera a errônea idéia de que estamos no mundo para pagar... Renascemos simplesmente para dar continuidade ao processo evolutivo. Mas, como ontem (aqui significado existências corpóreas) nos alimentamos em excesso, hoje (atualidade que estamos vivendo da presente encarnação) poderemos estar enfrentando uma forte dor de estômago ou até uma incômoda diarréia, simplesmente como conseqüência imediata da gula. Agora peço ao leitor substituir o exagero da alimentação pelas diversas situações que podem ser imaginadas, em outros exemplos. O exemplo da alimentação é apenas comparativo.

Assim também nos prejuízos, de qualquer ordem, causados a terceiros. Criamos vínculos com eles e os trazemos em nós através de conseqüências que também podem ser apresentar com diversas aparências. Isto é apenas a reação de uma ação.

E o assunto ainda pode ser ampliado na visão dos aprendizes negligentes. Negligência no passado ou mesmo no presente. Tarefas adiadas, desprezadas, abandonadas... Tudo traz reflexos. Afinal colhemos hoje as ações de ontem e estamos continuamente semeando para o amanhã.

Por outro lado, a título de ilustração do assunto, solicito ao leitor considerar também que nem todo equívoco passado pode apresentar-se atualmente através de dificuldades. Muitas vezes, equívocos podem ser reparados através de trabalho e dedicação a causas e pessoas. Isto tudo porque, conforme já sabemos, "o amor cobre a multidão de pecados".

Por Orson Peter Carrara


16 janeiro 2011

Cultura Espírita - José Herculano Pires

 
CULTURA ESPÍRITA
Se o homem-espírita de hoje não compreender a real necessidade da prática real e efetiva dos princípios doutrinários e dormir sobre os louros literários, a Civilização Espírita abortará ou será transformada numa simples caricatura da fórmula proposta, como aconteceu com o Cristianismo

Para que uma civilização se desenvolva é necessária a integração dos homens nos seus princípios e pressupostos. Uns e outros se encontram nos livros de Kardec, mas se esses livros não forem realmente estudados, investigados na intimidade profunda dos textos e transformados em pensamento vivo na realidade social, a civilização não passará de urna utopia ou de uma deformação da realidade sonhada.

Por mais frágil e efêmero que seja o homem na sua existência, é ele que dá vida ao presente e ao futuro, é ele o demiurgo que modela os mundos. Para o homem-espírita construir a Civilização do Espírito é necessário que a viva em si mesmo, na sua consciência e na sua carne, pois é nesta que a relação da consciência com o mundo se realiza. E para isso não bastam os livros, é necessário o concurso de todos os meios de comunicação: a palavra, a imprensa, o rádio, a televisão, e mais ainda, a prática intensiva e coletiva dos princípios doutrinários, de maneira correta e fiel.

Se o homem-espírita de hoje não compreender isso e dormir sobre os louros literários, a Civilização Espírita abortará ou será transformada numa simples caricatura da fórmula proposta, como aconteceu com o Cristianismo. É disso que os espíritas precisam tomar consciência com urgência. Ou acordam para a gravidade do problema ou serão esmagados pelo avanço irrefreável dos acontecimentos no tempo.

A idéia comodista de que Deus faz e nós desfrutamos ou suportamos não tem lugar no Espiritismo. Pelo contrário, neste se sabe que o fazer de Deus no mundo humano se realiza através dos homens capazes de captar a sua vontade e executá-la. Não há milagres nem ações mágicas na Natureza, onde a vontade de Deus se cumpre através dos Espíritos, desde o controle das formações atômicas até o crescimento dos vegetais.

Dizia Talles de Mileto, o filósofo vidente, que o mundo está cheio de deuses que trabalham em toda a Natureza, e deuses, para os gregos, eram espíritos. Kardec repetiu em outros termos e de maneira mais explícita e minuciosa essa mesma verdade. No mundo humano os Espíritos se encarnam, fazem-se homens para modelá-lo. Cada espírito encarnado trás consigo sua tarefa e a sua responsabilidade individual e intransferível. O que não cumpre o seu dever, fracassa. Não há outra alternativa.

O fracasso da maioria dos cristãos resultou na falência quase total do Cristianismo. O que se salvou foi o pouco que alguns fizeram. E é a partir desse pouco, dois mil anos depois da pregação do Cristo e do seu exemplo de abnegação total, foi, que Kardec partiu para a arrancada espírita. O exemplo da França é uma advertência aos brasileiros. A hipnose materialista absorveu os franceses no imediato e o Espiritismo quase se apagou de todo nos campos arroteados por Kardec, Denis, Flammarion, Delanne e tantos outros. O mesmo acontece hoje entre nós, sob a complacência de instituições representativas da doutrina e o apoio fanático de líderes carismáticos, piegos espirituais e alucinados mentais a dirigir multidões de cegos.

Todas as tentativas de correção dessa situação perigosa se chocam com a frieza irresponsável dos que se dizem responsáveis pelo desenvolvimento doutrinário. E a passividade da massa espírita, anestesiada pelo sonho da salvação pessoal, do valor mágico da tolerância bastarda, da crença ingênua do valor sobrenatural das esmolas pífias (o óbulo da viúva dado por casais de contas comuns nos bancos) vai minando em silêncio o legado de Kardec.

O medo do pecado que sai da boca, da pena ou das teclas – enquanto se come e bebe à farta, semeiam-se migalhas aos pobres e dorme-se na bem-aventurança das longas digestões – faz desaparecer do meio espírita o diálogo do passado recente, substituindo o coro dos debates pelo silêncio místico das becas de siri. Ninguém fala para não pecar e peca por não falar, por não espantar pelo menos com um grito as aves daninhas e agoureiras que destroem a seara.

A imprensa espírita, que devia ser uma labareda, é um foco de infestação, semeando as mistificações de Roustaing, Ramatis e outras, ou chovendo no molhado com a repetição cansativa de velhos e surrados slogans, enquanto as terras secas se esterilizam abandonadas.

À margem dessa imprensa paroquial, feita para alimentar a família, os jornais que surgem em condições de mostrar ao grande público a grandeza e o esplendor da Doutrina morrem de inanição, enquanto jornais mistificadores, preparados com os condimentos da imprensa sensacionalista e louvaminheira, ou temperados com bocas de siri (quanto mais fechadas, mais gostosas) são mantidos pela renda de instituições comerciais ou por interesses marginais.

As escolas espíritas marcam passo na estrada comum. Os programas de rádio são sufocados por adulteradores e substituídos por improvisações acomodatícias. A televisão só se abre para sensacionalismos deturpadores. Os recursos financeiros só são empregados na caderneta de poupança da caridade visível, que no invisível rende juros e correções monetárias. As iniciativas editoriais corajosas – como o lançamento de toda a coleção da Revista Espírita – morrem asfixiados pelo encalhe, ante o desinteresse de um público apático. Os hospitais Espíritas transformam-se em organizações comuns, mantidos pelas verbas oficiais de socorro a doentes que podem carreá-las aos seus cofres, a antiga e legítima caridade espírita de anos atrás, sustentada por alguns abnegados que já passaram para o Além, murcha como flor de guanchuma em pastos ressequidos. Restam apenas, nessa paisagem desoladora, alguns pequenos oásis sustentados pelos últimos e pobres abencerragens de uma velha estirpe desaparecida.

É necessário que se diga tudo isso, que se escreva e semeie essa verdade dolorosa, para que toque os corações, na esperança de uma reação que talvez não se verifique, mas que pelo menos se tenta despertar. Na hora decisiva da colheita, as geadas da indiferença e as parasitas do comodismo ameaçam as mínimas esperanças de antigos e cansados lavradores. Apesar disso, os que ainda resistem não podem abandonar os seus postos. É necessário lutar, pois o pouco que se possa salvar poderá ser a garantia de melhores dias.

O homem, as gerações humanas morrem no tempo, mas o espírito não. O tempo é o campo de batalha em que os vencidos tombam para ressuscitar. Quem poderia deter a evolução do espírito no tempo? A consciência humana amadurece na temporalidade. A esperança espírita não repousa na fragilidade humana, mas nas potencialidades do espírito, que se atualizam no fogo das experiências existenciais. Curta é a vida, longo é o tempo, e a Verdade intemporal aguarda a todos no impassível Limiar do Eterno. O homem é incoerência e paixão, labareda esquiva que se apaga nas cinzas, mas o espírito é a centelha oculta que nunca se apaga e reacenderá a chama quantas vezes for necessário, para que a serenidade, a coerência e o amor o resgatem na duração dos séculos e dos milênios.

Todas as Civilizações da Terra se desenvolveram, numa assombrosa sucessão de sombra e luz, para que um dia – o Dia do Senhor, de que falavam os antigos hebreus – a Civilização do Espírito se instale no planeta martirizado pelas tropelias da insensatez humana. Então teremos o Novo Céu e a Nova Terra da profecia milenar. Os que não se tornarem dignos da promessa continuarão a esperar e a amadurecer nas estufas dos mundos inferiores, purgando os resíduos da animalidade. Essa é a lei inviolável da Antropologia Espírita.

José Herculano Pires
No livro O Espírito e o Tempo
Editora Paideia

15 janeiro 2011

Deus é Ecumênico - Rita Foelker

Deus é Ecumênico

Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, não temos uma idéia completa de seus atributos? Do vosso ponto de vista, sim, porque acreditais abranger tudo. Mas ficai sabendo bem que há coisas acima da inteligência do homem mais inteligente e que a vossa linguagem, limitada às vossas idéias e sensações, não pode explicar. (...) O Livro dos Espíritos, questão 13.
Ecumênico. Não, este não é o mais novo atributo de Deus. É apenas uma tentativa de compreender melhor esta ligação entre o Criador e nós, suas criaturas em evolução.
Querer fazer com que Deus caiba em palavras é um destes equívocos da racionalização, que impedem uma compreensão mais profunda e verdadeira das coisas. Mas se, por um lado, as palavras têm suas limitações, por outro, elas nos ajudam a pensar.

Ecumênico significa geral, universal. Sem recorrer a uma definição de dicionário, podemos dizer que ecumênico é um adjetivo que exprime uma disposição de aceitação, de convivência e de diálogo entre diversas idéias religiosas e filosóficas a respeito de Deus e de assuntos relacionados.
Um pensamento ecumênico é aquele que não reconhece Deus como pertencente a esta ou àquela visão doutrinária.

Podemos dizer que este é o pensamento espírita, segundo o qual tudo na Criação é uma prova da Inteligência Divina e nada se exime de suas leis. Deus ama, como suas criaturas, os espíritas, assim como os budistas, os católicos e os ateus. Todos são Espíritos em experiências evolutivas.

Os diferentes níveis de desenvolvimento da inteligência e da virtude geram formas diferentes de adoração. Da escolha de orações, vestimentas e locais específicos, até a liberdade de apenas sentir Sua presença em toda parte e buscá-lo em espírito e verdade - todas estas formas de adoração sendo consideradas legítimas, desde que embasadas na sinceridade do sentimento. Se tudo manifesta Deus, como ele poderia não estar em algum lugar? Alguém estaria impedido da ligação com Deus através da prece, apenas pela sua forma de pensar?...

Quando se diz que Deus está "ausente", há uma imprecisão da nossa linguagem. É um modo de dizer que nós o deixamos de fora de nossas vidas, que ele não está em nosso coração, iluminando nossa razão e nossas escolhas, por vontade nossa. Pode significar também que deixamos de senti-lo. Mas em alguns meios, independentemente de denominações religiosas, conseguimos senti-lo melhor. E onde sentimos mais a sua presença é onde as criaturas buscam sinceramente aproximar-se dele e dar um sentido maior às suas vidas. É o efeito da comunhão do pensamento, de várias mentes e corações unidos num propósito.

Quando isto ocorre, não é porque algum sacerdote, pastor ou dirigente espírita se coloca a falar em nome de Deus ou em nome da verdade, que conseguimos sentir a presença de Deus naquele local, mas porque há ali criaturas unidas pela fé, seja ela cantada, recitada ou silenciosa; seja em grego, inglês ou japonês; em pé, sentadas ou de joelhos.

Entre os espíritas, dizemos que Deus não está confinado num templo ou igreja, significando que podemos perceber sua existência em toda parte e nos ligarmos a ele, através da prece, onde quer que estejamos. Ou seja, se buscado com sinceridade nos templos e igrejas, aí será encontrado. Mas há espíritas que se recusam a participar de cultos religiosos, até mesmo para acompanhar amigos e parentes, justificados pelo simples fato de serem espíritas. Ao menos para mim, esta atitude soa como discriminatória e preconceituosa e não caberia dentro das concepções filosóficas do Espiritismo.

Arriscaria dizer, poeticamente, que Deus vela por suas criaturas de maneira tão particular e única, que se apresenta a cada um da forma como melhor possa ser compreendido, no momento presente.

Por Rita Foelker


14 janeiro 2011

Quero uma Religião - Adenáuer Novaes

Quero uma Religião

Quero uma religião que não me proíba, mas que me eduque; que não me incrimine, mas que me ofereça soluções; que não me reprima, mas que me ensine a encontrar melhores formas de expressão; que não me condene, mas que ofereça um adequado senso de justiça; que não me inferiorize, mas que me aproxime do Criador da Vida.

Quero uma religião que me deixe sorrir nas manhãs de domingo, permitindo que minha prece seja o olhar para a natureza. Quero uma religião que, nos dias mais escuros do meu viver, dela não me lembre quando sentir medo e nela não me abrigue feito criança em consolações pueris. Quero uma religião que me incentive a oferecer rosas aos doentes e a levar alegria aos enterros, e a só chorar quando souber que a dor foi compreendida e que o morto vive e está bem.

Quero uma religião que me oriente a reverenciar a inocência e a aplaudir de pé os que respeitam a sabedoria dos mais velhos. Quero uma religião que possa encontrá-la com quem estiver, por onde for, também no coração dos que ferem e gritam achando ter razão. Quero uma religião que abrigue aqueles que se arriscam em viver e abençoe os que se perdem nos labirintos escuros da própria ignorância.

Quero uma religião que possa senti-la na compaixão, seja com a abundância dos perdulários ou com a miséria dos aparentemente incapazes, sem que me falte a necessária solidariedade. Quero uma religião que me faça sentir irmão de quem me contraria ou me rouba a esperança, também dos que me reverenciam inocentemente. Quero uma religião que retire a venda de minha cegueira, sem me tirar a ignorância completa, educando-me para a continuidade do aprendizado.

Quero uma religião que não exclua nem estigmatize nenhuma criatura, nem crie castas de eleitos ou de salvos pela adoção de princípios lógicos. Quero uma religião cujo cântico e cuja liturgia incluam a voz da alma e o pulsar dos corações, para que um dia, quando não mais precisar de nada, eu encontre a mim mesmo.

Do livro Religião Pessoal
De Adenáuer Novaes

13 janeiro 2011

A Alegria dos Outros - Momento Espírita

A Alegria dos Outros

Um jovem, muito inteligente, certa feita se aproximou de Chico Xavier e indagou-lhe:

Chico, eu quero que você formule uma pergunta ao seu guia espiritual, Emmanuel, pois eu necessito muito de orientação.

Eu sinto um vazio enorme dentro do meu coração. O que me falta, meu amigo?

Eu tenho uma profissão que me garante altos rendimentos, uma casa muito confortável, uma família ajustada, o trabalho na Doutrina Espírita como médium, mas sinto que ainda falta alguma coisa.

O que me falta, Chico?

O médium, olhando-o profundamente, ouviu a voz de Emmanuel que lhe respondeu:

Fale a ele, Chico, que o que lhe falta é a “alegria dos outros”! Ele vive sufocado com muitas coisas materiais. É necessário repartir, distribuir para o próximo...

A alegria de repartir com os outros tem um poder superior, que proporciona a alegria de volta àquele que a distribui.

É isto que está lhe fazendo falta, meu filho: a “alegria dos outros”.

* * *

Será que já paramos para refletir que todas as grandes almas que estiveram na Terra, estiveram intimamente ligadas com algum tipo de doação?

Será que já percebemos que a caridade esteve presente na vida de todos esses expoentes, missionários que habitaram o planeta?

Sim, todos os Espíritos elevados trazem como objetivo a alegria dos outros.

Não se refere o termo, obviamente, à alegria passageira do mundo, que se confunde com euforia, com a satisfação de prazeres imediatos.

Não, essa alegria dos outros, mencionada por Emmanuel, é gerada por aqueles que se doam ao próximo, é criada quando o outro percebe que nos importamos com ele.

É quando o coração sorri, de gratidão, sentindo-se amparado por uma força maior, que conta com as mãos carinhosas de todos os homens e mulheres de bem.

Possivelmente, em algum momento, já percebemos como nos faz bem essa alegria dos outros, quando, de alguma forma conseguimos lhes ser úteis, nas pequenas e grandes questões da vida.

Esse júbilo alheio nos preenche o coração de uma forma indescritível. Não conseguimos narrar, não conseguimos colocar em palavras o que se passa em nossa alma, quando nos invade uma certa paz de consciência por termos feito o bem, de alguma maneira.

É a Lei maior de amor, a Lei soberana do Universo, que da varanda de nossa consciência exala seu perfume inigualável de felicidade.

Toda vez que levamos alegria aos outros a consciência nos abraça, feliz e exuberante, segredando, ao pé de ouvido: É este o caminho... Continue...

* * *

Sejamos nós os que carreguemos sempre o amor nas mãos, distribuindo-o pelo caminho como quem semeia as árvores que nos farão sombra nos dias difíceis e escaldantes.

Sejamos os que carreguemos o amor nos olhos, desejando o bem a todos que passam por nós, purificando a atmosfera tão pesada dos dias de violência atuais.

E lembremos: a alegria dos outros construirá a nossa felicidade.

Redação do Momento Espírita, com base em relato sobre episódio da vida de Francisco Cândido Xavier, de autor desconhecido, e que circula pela Internet

12 janeiro 2011

Pressão Doméstica - Momento Espírita

Pressão Doméstica

Hoje em dia, talvez motivados pelo desejo de ver seus filhos bem sucedidos, muitos pais começam desde cedo a fazer grande pressão sobre eles.

Alguns dizem e repetem com freqüência: meu filho tem que ser o primeiro... Meu filho tem que ser o melhor... Ele tem que ser um vencedor.

A criança cresce ouvindo isto o tempo todo e entende que esse é o desejo de seus pais. E, porque gosta dos pais, não quer que estes se decepcionem.

Quiçá seja por essa razão que no dia da prova, quando se sente insegura, busca colar de alguém para obter uma boa nota e não infelicitar os pais, que esperam que ela seja a maior...

A criança precisa ser aceita, e entende que para que os pais gostem dela, deverá ser como eles desejam que seja.

Nesse caso, ela fará qualquer coisa para ser "gostada".

Começa colando na escola, depois paga para que terceiros façam os trabalhos propostos pelos professores... E acabam roubando teses para conseguir a graduação que almejam.

Logo surgem os expedientes mais desonestos para subir de posto, no campo profissional. Não hesitam em caluniar colegas para conquistar o cargo que desejam.

Afinal, se os pais sempre esperaram que ele fosse o primeiro, é preciso ser o primeiro, mesmo que isso custe a sua dignidade, aliás, ele nem sabe o que quer dizer isto, pois seus pais não lhe falaram a respeito dessa virtude.

Cobraram-lhe resultados e ele foi à luta. Deveria ser o melhor, e ele tem se esforçado para isso... A que preço? Bem, isso é o de menos... O importante é que seja o primeiro.

Pais que agem dessa maneira, talvez pensem que o fazem por amor, mas estão cometendo um crime sem se dar conta disso.

Dizemos um crime porque incentivam o filho a se tornar um cidadão desonesto, irresponsável, tudo porque desejam que seja visto nos primeiros lugares no palco do mundo, ainda que isso o faça ser o último nos palcos celestes.

Um crime porque o espírito que lhes foi confiado pelo Criador para que o ajudassem a ser um gigante, foi convertido em um pigmeu moral.

Faz-se urgente pensar nesse problema que a tantos tem infelicitado.

Pais que pressionaram os filhos para que fossem sempre o primeiro, muitas vezes só se dão conta disso quando vêem seus nomes nas manchetes dos jornais, figurando como contraventores.

Há pouco tempo os noticiários falaram a respeito do primeiro ministro de um importante país europeu, que lançou mão de expedientes duvidosos para incriminar outro país e fomentar a guerra.

Aí é que se percebe a que ponto pode chegar um homem para conseguir o que deseja.

É para esse fato que muitos pais não atentam: que suas crianças um dia se tornarão adultos e poderão decidir os destinos de uma nação.

Por essas e outras razões, vale a pena investir no homem de amanhã, tomando-o pela mão quando ainda criança, e dar-lhe noções de dignidade e honradez, sem essa tolice de querer que sejam os primeiros em tudo.

Ensinar-lhe que não importa ser o melhor, mas que sejam bons o bastante para formar outros cidadãos de bem, exercer com honra e justiça suas profissões, construir um mundo melhor.

Pense nisso!

Se você recebeu de seus pais uma educação que fez de você uma mulher ou um homem honesto, não negue isso a seus filhos.

Pense que somente um amor exigente e lúcido será capaz de conduzir uma alma pelo caminho do bem.

Seu filho é essa alma sedenta de luz, não o deixe caminhar para as trevas da desonra e da insensatez.

Avalie os valores que lhe tem passado e, se necessário, corrija os passos e acerte a direção, sem demora nem hesitação.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em seminário proferido por Raul Teixeira, no VI Simpósio Paranaense de Espiritismo, no dia 27/05/03

11 janeiro 2011

Vaidade - Espírito Carlos

VAIDADE

A vaidade, quando passa dos limites, é como tempestade no deserto: não destrói nada, por que não tem nada para destruir. No entanto, não deixa ninguém passar.

*

A vaidade é igual ao sal: se não se o põe fica insípido; se se o põe muito, o sabor se torna insuportável.

*

Ela é semelhante a um parafuso: se não ficar na medida não segura a porca.

*

A alma pretensiosa faz muito barulho, e realiza pouca coisa.

*

Se tu fizeste alguma coisa, não desmereças a tua obra, falando muito dela.
Deixa essa tarefa para os outros. A auto-educação é trabalho nobre, todavia a autovalorização é papel dos néscios.

*

A vaidade pode ser até um alimento, que, muito quente estraga o paladar, e bem morninho agrada a consciência.

*

E o pior é falar muito do que não fizemos ainda: o amor próprio se transforma em desespero, e passa a acreditar nas piores das mentiras, aquelas mais ou menos conscientes das ilusões afirmadas. E a alma fica torturada pela consciência.

*

O gabo em boca própria é jardim sem flores, é casa sem habitação.
É teoria sem prática, é tribuno sem ouvintes.

*

Só resta uma coisa para o que fala muito de si mesmo: é que algum dia venha ele a fazer tudo o que diz.

*

A nossa mente pode ter uma grande fertilidade de criação, fornecida pela inteligência. Entretanto, a sabedoria nos mostra comedimento até no pensar.
Em muitos casos estamos sujeitos a criar ilusões, que tomam formas mentais, a nos perseguirem, pelo que prometemos a nós mesmos, e não fizemos.

*

A imodéstia é edifício levantado na areia: pode cair a qualquer hora.

A decepção maior é a do mentiroso, e não a dos que ouvem as suas lorotas. E a cegueira mais forte dos que não falam a verdade ocorre quando eles passam a acreditar nas suas próprias ilusões.

*

Quem promete muitas coisas e se esquece de cumpri-las, é como nuvens e ventos que não trazem chuva, é como papagaio que repete o que ouve. É como o cão que ladra para a sua própria sombra.

*

A vaidade não é uma beberagem comum, deve ser tomada como doses homeopáticas.

De “Tuas Mãos”
De João Nunes Maia
Pelo Espírito Carlos

10 janeiro 2011

Viage, do Renascimento - Augusto Cezar

VIAGEM DO RENASCIMENTO

Achava-se numa ilha de esperança, em pleno mar da Espiritualidade, consciente de que me aproximava do retorno à vida física.

Pensava na jovem que me receberia nos braços.

Lembrava-me de havê-la conhecido em outras estâncias. A memória, porem, lutava para reconstituir-lhe a imagem dentro de mim. Só ela conseguiria fixar-me de novo na Terra, pela força do amor.

Correi os olhos, como quem se preparava para uma jornada intuitiva de volta ao passado, no intuito de refazer-lhe os traços.

Era ela, sim, que devia esperar-me.

Sentia-lhe as mãos de veludo, resguardando-me a segurança, enquanto os seus pensamentos perpassavam por minha cabeça, com a suavidade das brisas que se movimentam no alvorecer.

Revia-lhe os olhos, na tela de minhas reminiscências, à feição de estrelas que me descobriam a alma.

No intimo, registrava-lhe o calor da fé em Deus e em si mesma, refundindo-me as energias, de modo a retornar-me na existência terrestre.

Percebia-lhe, de novo, nas fibras recônditas do espírito, a coragem sem temeridade, a beleza sem orgulho, a bondade sem afetação, a lealdade sem fraqueza, a confiança sem desânimo, o amor sem vacilações e a luz sem sombra...

Só então notei que a meditação se me transformara numa viagem maravilhosa...

Desligara-me da ilha em que achava e reconhecia-me sob poder de atração inexplicável.
Vi-me no aconchego de um lar em que ela me aguardava.

A irradiação estelar que lhe fluía do peito era o seu coração a falar-me de seus sonhos e aspirações.

Queria um filho que era eu mesmo.

Nunca a julguei tão linda a esperar-me, a fim de instilar-me vida nova.

Beijei-lhe a face com a simplicidade da flor humana em que passara a transfigurar-me.

Ela chorou e envolvi-lhe os cabelos, com as minhas próprias lágrimas.

Observei-me na condição do menino que ela própria mentalizara e, recolhendo-me ao seu colo, descansei com a despreocupação da criança que novamente começara a ser.

Quis gritar a minha felicidade em cânticos de louvor a Deus, mas repousando junto àquele coração, à maneira da ave cansada que se reacomoda no ninho, pude apenas dizer: “Minha mãe!... Minha mãe!...”

Do livro "Presença de Luz"
Pelo Espírito Augusto Cezar
Médium: Francisco Cândido Xavier

09 janeiro 2011

O Tormento do Egoísmo - Joanna de Ângelis

O Tormento do Egoísmo

Desde o momento da fissão do Self com o ego, que o eixo do equilíbrio ficou fragmentado.

O esforço de crescimento intelecto-moral do ser humano deve ser o logro da perfeita identificação desses dois arquétipos com a sua consequente fusão harmônica proporcionadora do equilíbrio emocional.

Infelizmente, porém, remanescendo os instintos agressivos em predomínio na psique humana, o ego assume a diretriz do comportamento, trazendo sempre à tona os conflitos de insegurança, de insatisfação, de morbidez, que são decorrência dos períodos ancestrais percorridos antes do surgimento das emoções superiores.

Em razão dessa governança perturbadora o ego está sempre vigilante e dominador, em luta contínua para manter-se, dominado pelo medo de perder a posição de que desfruta.

Disfarçando-se com habilidade, torna-se agressivo, porque é receoso, exibe as qualidades que não possui, exatamente para superar o complexo de inferioridade para voos mais altos no conhecimento e na emoção, atribuindo-se direitos e privilégios que teme lhe sejam retirados, pouco, no entanto, preocupando-se com os deveres que lhe dizem respeito.

É o ego que se cerca de presunção e de avareza, de ciúme e de desfaçatez, de suspeitas constantes e de censuras aos outros, de forma que não se torne conhecido, permanecendo na obscuridade dos seus propósitos enfermiços.

Pode manifestar-se gentil com certa autenticidade, ocultando, porém, interesses mesquinhos, quais os de autopromoção e de exibicionismo, reagindo sempre quando não recebendo a resposta a que aspira nas suas artimanhas. Faz-se, então, adversário soez e persistente de todos aqueles que lhe não concedem o valor que se atribui, podendo tornar-se violento e insano.

Identificado, logo se permite exteriorizar todas as mazelas que lhe são peculiares, tecendo redes de intrigas, fomentando a maledicência, pugnando pela divisão dos grupos, quando então mais fácil se lhe torna o domínio.

O egoísmo é virose perigosa que ataca a sociedade contemporânea, qual ocorreu em todas as épocas da história da humanidade.

Combatido pela ética e pela moral, tem sido motivo de cuidados especiais por todas as doutrinas religiosas, especialmente pelo Cristianismo, que nele encontra um perverso adversário da solidariedade, do amor e da lídima caridade.

O Espiritismo, na sua condição de restaurador do pensamento de Jesus, tem, no egoísmo, a condição de bafio pestilencial, que necessita de terapia preventiva muito bem elaborada e tratamento persistente depois que se encontra instalado.

Não ceder-se espaço ao egoísmo, sob qualquer forma em que se manifeste, deve ser a atitude do cristão sincero, do espírita consciente das suas responsabilidades.

Evitar agasalhá-lo em qualquer dos seus disfarces, é uma forma segura de precatar-se da sua vigorosa constrição.

Não foram poucos os missionários do bem que se permitiram tombar nas artimanhas nefastas do egoísmo, conforme hoje sucede em todos os segmentos da sociedade.

O altruísmo, que lhe é oposto, constitui-lhe estímulo vigoroso para a união do eixo psicológico fragmentado, fazendo que o bem e o mal encontrem a emoção comum do amor que lhes é a meta a conquistar.

* * *

Das nascentes do ser brotam as emoções, a princípio violentas, como resultado das experiências afligentes, tornando-se, a pouco e pouco, equilibradas e propiciadoras de felicidade.

Na razão direta em que o Espírito desabrocha a consciência e a perfeita lucidez em torno dos objetivos essenciais da sua existência na Terra, o egoísmo vai-se diluindo e cedendo lugar à solidariedade, por facultar a vivência das emoções mais elevadas, aquelas que santificam o ser no exercício da lídima caridade.

Passa a reconhecer o seu real valor de aprendiz da vida, facultando-se a solidariedade de que necessita, a fim de mais amplamente penetrar nas razões profundas do existir.

Não se jacta, nem se subestima, permanecendo identificado com a realidade que o cerca e procurando alcançar os patamares mais nobres da evolução.

A humildade surge-lhe naturalmente enquanto compreende a grandeza da vida e o seu papel de cooperador na obra magnífica da Criação.

A alegria de viver adorna-o, dando-lhe um suave encantamento em tudo quanto faz e sente, porque se reconhece membro efetivo do conjunto universal.

Enquanto se atormenta nas sensações do medo, da incerteza e das suspeitas, a prepotência alucina-o, porém, quando percebe que a sua segurança encontra-se no ser e não no poder, nos valores internos e não nas aquisições de fora, passa automaticamente para os comportamentos pacíficos e pacificadores.

Colocando-se a serviço do Bem, é dúctil à verdade e ao dever, não elegendo postos nem lugares de destaque, mas dispondo-se a trabalhar em qualquer setor em que seja colocado, aí dando mostras da felicidade de produzir.

Jesus, na carpintaria de Seu pai, aprendeu o ofício modesto e o exerceu, quando era possuidor do conhecimento universal.

Podendo expressar a Sua mensagem com o verbo profundo e complexo que decifrasse os enigmas do universo, optou pela singeleza e poesia da linguagem do povo modesto, compondo poemas insuperáveis com os grãos de mostarda, peixes e pães, semeadura e sega, redes e moedas, ovelhas e azeite, ultrapassando todos os pensadores do passado e mesmo do futuro.

Ninguém falou com a destreza e magia com que Ele narrou as maravilhas do Seu reino, estimulou os alquebrados a levantar-se e prosseguir, amparou os tíbios e os fortaleceu, recuperou os perdidos e mortos, dando-lhes significados existenciais.

Enfrentou o farisaísmo com sabedoria, mas sem presunção, embaraçou os jactanciosos não os humilhando, e pairou acima do biótipo comum pela grandeza de que era portador, não em decorrência de homenagens e honrarias mentirosas.

Recebeu com naturalidade o carinho e o destaque merecido, através das lágrimas de uma mulher recuperada do processo obsessivo e destacou que, naquele gesto, ela o embalsamava por antecipação...

A honraria foi maior para aquela que lhe beijou e ungiu com perfume os pés do que Ele próprio...

...E, no entanto, é o Rei Solar!

* * *

Recorda-te que a pérola pálida e preciosa é uma defesa do organismo da ostra à agressividade do grão de areia no seu organismo. Silenciosa e continuamente, o animálculo envolve o invasor na exsudação da sua mucosa ferida e abençoa-o com deslumbrante beleza.

A humildade realiza o mesmo, quando o egoísmo tenta espezinhá-la, submetê-la e destruí-la.

Examina as nascentes da alma e extirpa o egoísmo no seu nascedouro, trabalhando sem cansaço pela tua ascensão na obra de amor que tens pela frente, mantendo-te altruísta e solidário em tudo.

Com esse poder defluente do esforço de ser melhor, alcançarás a emoção afetuosa da alegria de autossuperação das tendências infelizes, logrando as bênçãos da verdadeira fraternidade.

Espírito de Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na noite de 9 de julho de 2010, em Moscou, Rússia

08 janeiro 2011

A Verdade que Liberta - Raul Teixeira


A Verdade que Liberta

Aprendemos com Jesus Cristo: Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.

Ora, ouvimos isto do Mestre, há vinte e um séculos e não nos parece que essa expressão seja bem compreendida por nós, pela Humanidade cristã.

Ouvimos algo semelhante, nas falas de Buda. Ouvimos algo parecido, nas falas de Lao-Tsé, de Zaratustra, que estavam sempre conclamando sua gente a esse amor à verdade em prol de uma vida melhor, de uma vida livre.

Nesses dois milênios que nos separam da vinda de Jesus Cristo à Terra, temo-nos visto cada vez mais escravizados. Somos escravos, por exemplo, do nosso temperamento e chegamos a afirmar: Quem gostar de mim tem que ser como eu sou. Eu sou assim.

As pessoas não têm noção de que chegamos à Terra como somos, mas não é para que saiamos do mesmo jeito. É para que, durante a vilegiatura humana, a trajetória humana, nos modifiquemos, nos transformemos, uma vez que a Terra é uma grandíssima escola das almas, uma grandíssima escola de todos nós.

Temos sido escravos do nosso temperamento, do gênio ruim.

Há pessoas que têm pavios curtos, outras os têm curtíssimos, e há pessoas que nem pavio tem.

Mas como, se estamos na marcha para a liberdade?

Aprendemos o malefício do mau gênio, do mau temperamento, da irritabilidade. Malefícios sobre a mente, malefícios sobre o corpo, mas nos mantemos assim.

Há outros que são escravos dos vícios. Se não estiverem embriagados não estão bem. Se não estiverem mal cheirosos de tabaco, dentes amarelos, bigodes, unhas amarelas, o tabaco vazando pela sudorese, elas não estão bem.

E aí vamos achando aqueles que são escravos da marijuana, da maconha, da cocaína, do craque, do ecstasy, de toda essa sorte de loucuras químicas ou bioquímicas, que a criatura vai achando no sentido de fugir. Fugir de si mesma, fugir dos problemas do mundo. Mas continua escravo.

Não adianta, muitas vezes, dizer dos malefícios que elas estão provocando à própria saúde. Saúde cerebral, saúde mental, saúde orgânica, de um modo geral.

Nada vale lhes mostrar as amputações, os internamentos hospitalares, muitas vezes psiquiátricos ou a própria visão da morte. Para quem é escravo dos vícios parece que nada disso é verdade. Até o dia em que ocorrem.

Mas ainda nos vemos escravos do medo.

Há pessoas na Terra que têm medo de tudo. Desde medo de barata, da periplaneta australasiae, ao medo de se contaminar.

Medo das doenças, pessoas hipocondríacas. Medo da sociedade, medo de sair à rua. Medo de lidar com os outros, medo de se abrir, medo de amar. Medo de ter filho para que os filhos não sofram. Medos...

Mas como, se Jesus nos disse que o conhecimento da verdade nos libertaria?

Então começamos a perceber. Alguma coisa está equivocada ou aquilo que nós estamos aprendendo não é a verdade ou se é a verdade, não estamos fazendo bom proveito dela.

Dessa forma, constatamos que ainda precisaremos caminhar bastante tempo mais até alcançar essa verdade que tem que nos libertar.

Vale a pena porém, que comecemos a verificar em que níveis de inverdades temos vivido. Quais são as ilusões, que nos têm envolvido.

É tempo de refletir a respeito da maneira como estamos levando a nossa vida, as relações, nossa trajetória. Se nos estamos deixando embair, enganar, iludir por mentiras.

Se estamos criando nossas próprias mentiras e fugindo da verdade. Justificativas que nada justificam, para fugir da realidade.

Mas se o Cristo nos disse: Conhecereis a verdade e ela vos libertará, penso que isso não deve tardar mais.

* * *

Quando nós pensamos nessa questão da necessidade de buscarmos a verdade, é muito comum que as pessoas que querem fugir deste questionamento a si mesmas, fiquem se perguntando: o quê, que é a verdade?

Pilatos fez essa pergunta a Jesus Cristo na hora mais estranha possível.

Quando ele estava mancomunado com a mentira e com os mentirosos e que queria lavar as mãos daquele problema, que Jesus representava pra ele, ele perguntou ao Mestre:

E o que é a verdade?

Quando Cristo disse que quem O conhecia, entendia a verdade da Sua voz.

Jesus podia ter feito o melhor e mais eloquente discurso sobre a verdade, para convencer ou converter a Pilatos e o fez e o discurso mais eloquente que Cristo fez para Pilatos foi silenciar.

Porque o Mestre sabia que é muito complicado querer se falar a verdade para quem gosta da mentira, pra quem ainda não está interessado na verdade.

Então, naquela confusão, naquela gritaria, naquela agitação toda, como é que Cristo atado, sofrido, iria fazer discurso sobre a verdade para Pôncio Pilatos?

Então nós podemos pensar a verdade de duas formas: nós podemos conhecer a verdade, ou seja, tomar informações sobre ela:

Não eu conheço tudo isso! Eu já sei tudo isto!

Em nível meramente intelectual. Nós quando usamos o verbo conhecer, ele admite essas duas facetas: conhecemos o comércio em tal lugar, tenho informações dele.

Eu conheço fulana ou fulano, por vê-los, por saber onde eles moram, mas eu não conheço aquele comércio obrigatoriamente, na sua realização interna. Eu não conheço essas pessoas obrigatoriamente na sua intimidade.

O segundo elemento do verbo conhecer, nos leva a pensar num conhecimento de intimidade.

Quando lemos os livros sagrados, quando lemos a Bíblia e que o escritor diz assim:

E fulana conheceu a seu marido ou conheceu a sua mulher. Isso quer dizer que teve intimidade um com o outro. O verbo conhecer tem relação com a intimidade.

Nós conhecemos alguma coisa, quando conseguimos penetrar a intimidade dessas coisas. Afora isto temos informação a respeito dessas coisas e a essas informações, nós também chamamos de conhecimento.

Enquanto a verdade em nossas vidas, não passar de mera informação, ela não nos libertará. Porque não somos obrigados a fazer aquilo de que fomos informados.

Diz a voz popular: entra por um ouvido sai pelo outro.

Daí então, a verdade só conseguirá ser trabalhada por nós, vivida por nós e por conseguinte nos libertar, quando for o segundo entendimento do verbo conhecer, quando tivermos intimidade com a verdade.

Quando a verdade passar a ser uma vivência nossa, um estilo de vida nosso. Aí então, por amar a verdade, por respirá-la, por se sensibilizar com ela, a criatura humana então conseguirá se libertar.

Por quê, que eu vou manter meu temperamento desse jeito, se ele está me fazendo mal? Qual é razão de eu ter medo disso ou daquilo?

Eu preciso temer a mim mesmo, minhas reações, já que é o que sai do homem, que faz mal ao próprio homem.

E por que é que eu vou me barafustar, por esses caminhos de droga, de drogadição, de dependência química?

A partir do momento que nós ingerimos a verdade e passamos a metabolizá-la em nosso raciocínio, em nosso discernimento, em nosso sentimento, aí passamos a ter vontade de ser melhor. Aí passamos a trabalhar para ser melhor. Aí passamos a entender as coisas de um outro ângulo e começamos a nos libertar. Já não temos mais medos, já não quero me corromper com as drogas, nem me infelicitar com meu temperamento rebelde, frio ou maligno.

É importante então, que a verdade que nos liberta, seja a verdade vivenciada. A verdade meramente informada, não consegue fazer nada conosco, a não ser nos deixar esse conhecimento das coisas que existem.

Mas para que sejamos felizes verdadeiramente, a partir do conhecimento da verdade, é necessário que mergulhemos nela e deixemos que ela mergulhe em nós, fermentando de paz e de luz as nossas entranhas.

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 194, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.

07 janeiro 2011

Três Conclusões - André Luiz

TRÊS CONCLUSÕES

O tempo concedido ao Espírito para uma reencarnação, por mais longo, é sempre curto, comparado ao serviço que somos chamados a realizar.

Meditemos no gasto excessivo de forças em que nos empenhamos levianamente no trato com assuntos da repartição de outrem.

Quantos milhares de minutos e de frases esbanjamos por década, sem a mínima utilidade, ventilando temas e questões que não nos dizem respeito?

Para conjurar essa perda inútil, reflitamos em três conclusões de interesse fundamental.

O que os outros pensam - Aquilo que os outros pensam é idéia deles. Não podemos usufruir-lhes a cabeça para imprimir-lhes as interpretações que são capazes diante da vida.

Um indígena e um físico contemplam a luz, mantendo conceitos absolutamente antagônicos entre si.

Acontece o mesmo na vida moral. Precisamos nutrir o cérebro de pensamentos limpos, mas não estar em nosso poder exigir que os semelhantes pensem como
nós.

O que os outros falam - A palavra dos amigos e adversários, dos conhecidos e desconhecidos, é criação verbal que lhes pertence.

Expressam-se como podem e comentam as ocorrências do dia-a-dia com os sentimentos dignos ou menos dignos de que são portadores.

Efetivamente, é dever nosso cultivar a conversação criteriosa; contudo, não dispomos de meios para interferir na manifestação pessoal dos entes que nos
cercam, por mais caros nos sejam.

O que os outros fazem - A atividade dos nossos irmãos é fruto de escolha e resolução que lhes cabe.

Sabemos que a Sabedoria Divina não nos criou para cópias uns dos outros.
Cada consciência é domínio à parte.

As criaturas que nos rodeiam decerto que agem com excelentes intenções, nessa ou naquela esfera de trabalho, e, se ainda não conseguem compreender o mérito da sinceridade e do serviço ao próximo, isso é problema que lhes compete e não a nós.

Fácil deduzir que não podemos fugir da ação nobilitante, a benefício de nós mesmos, mas não nos compete impor nas decisões alheias, que o próprio Criador deixa livres.

À vista disso, cooperemos com os outros e recebamos dos outros o auxílio de que carecemos, acatando a todos, mas sem perder tempo com o que possam pensar, falar e fazer. Em suma, respeito para os outros e obrigação para nós.

André Luiz (Waldo Vieira)

De “Estude e Viva” - Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira
Espíritos: Emmanuel e André Luiz

06 janeiro 2011

Belíssima Mensagem - Yvonne Pereira


"Amigos e irmãos,abraço-os fervorosamente.

Nesta oportunidade, desejo compartilhar com os companheiros um fato relacionado ao suicídio que resultou numa série de ações, desenvolvidas ao longo de 18 meses, aproximadamente, mas cujo desfecho superou todas as expectativas,mesmo as inimagináveis.

As regiões de sofrimento onde vivem os suicidas, de todas as categorias, são inúmeras e vastas nos planos do Espírito. Brotam de um dia para outro, pois os excessos da Humanidade têm reduzido o tempo de reencarnação para um número significativo de pessoas. Os atentados contra a manutenção da saúde física, mental e psicológica atingem cifras realmente assustadoras. A campanha em Defesa da Vida, conduzida pelos espíritas, é ação que ameniza a situação. Mas algo mais intenso e abrangente, que envolva a sociedade, urge ser desenvolvido. Assim, passamos ao nosso relato.

Localizamos em determinado nicho, em nosso plano, uma comunidade de suicidas vivendo em situação precária, em todos os aspectos. Chamava a nossa atenção que tal reduto de dor nunca reduzia de tamanho. Ao contrário, contabilizávamos um número crescente, dia após dia. Procurando analisar a problemática por todos os seus ângulos, verificamos que no local, incrustado em espaço de difícil acesso, existia uma espécie de "escola" - se este é o nome que se pode utilizar - cujos integrantes se especializaram em indução ao suicídio: técnicas, recursos e equipamentos sofisticados eram desenvolvidos para que encarnados cometessem suicídio.

O suicida era, então, conduzido à instituição e, sob tortura, a alma sofredora fornecia elementos mentais que serviam de alimento à manutenção de diferentes desarmonias que conduzem o homem ao desespero. Fomos surpreendidos pela existência de tal organização e estarrecidos diante do fato, de como a alienação, associada à maldade, pode desestruturar o ser humano. Após tomar conhecimento dos detalhes, um plano de trabalho foi definido, depois que um mensageiro de elevada região veio até nós. Durante algum tempo pelejamos para sermos adequadamente preparados, inclusive aprendendo a liberar vibrações mais sublimadas, a fim de fornecer a matéria mental e sentimentos puros que pudessem erguer um campo de força energético ao redor do local.

Almas devotadas estiveram conosco permanentemente, instruindo-nos, fortificando-nos e nos revelando a excelsitude do amor. Entretanto, era preciso fazer algo mais. Desfazer a organização não representaria, em princípio, maiores problemas; o desafio seria convencer os instrutores a não fazer mais aquele tipo de maldade.Várias tentativas foram envidadas, neste sentido. Orientadores esclarecidos da Vida Maior foram rejeitados e até ridicularizados. Nada conseguíamos com os dirigentes daquela instituição, voltada para a prática do suicídio. Mas, a vitória chegou, gloriosa, no final da tarde do domingo último, quando, convidados a participar do encerramento do Congresso, aqueles dirigentes presenciaram a luminosidade do amor. Conseguiram, finalmente, ver o significado da vida, a sua importância e fundamentos. Foram momentos de grande emoção que envolveu a todos nós, quando uma nesga de luz desceu sobre os encarnados e desencarnados no exato instante em que todos, em ambos os plan os da vida, se deram as mãos e cantaram a música em prol da paz. A nesga de luz se alargou, cresceu, envolveu a todos. A força do amor jorrou plena e, em sublime explosão, rompeu o ar, circulou sobre a cabeça de todos, espalhou-se como poderosa onda para além do recinto, ganhando a cidade.

Brasília se nimbou de luz, no solo, nas águas. À nossa visão estupefata e maravilhada parecia que uma nova estrela estava surgindo. Os seres da Criação, vegetais, animais e hominais, os elementos inertes, rochas e minerais, as construções humanas, prédios, edifícios, avenidas, bancos, repartições públicas e privadas, residências, tudo, enfim, foi banhado por luz pura e cristalina que jorrava do Alto. Célere, a bela luminosidade espalhou do coração da Pátria para todos os recantos do Brasil, das Américas, da Europa, África, mais além, no Extremo e Médio Oriente, atingindo todos os continentes, países e cidades. Alcançou os polos do Planeta, girou em bailado sublime, por breves minutos ao redor da Terra e se prolongou mais além, em direção ao infinito.

Jesus tinha se aproximado do Planeta, em brevíssima visita de luz, amor e compaixão.

Jamais presenciei tanta beleza e tanta paz !

Com afeto."

YVONNE PEREIRA* (espírito)
Mensagem psicográfica recebida por Marta Antunes de Moura, na Federação Espírita Brasileira, e Brasília, no dia 22 de abril de 2010. Encerramento do 3º Congresso Espírita Brasileiro

***

*Yvonne Pereira (1900 - 1984) foi uma das maiores médiuns brasileiras, sendo que, dentre as suas obras psicografadas encontra-se a magnífica trilogia de profundo conteúdo doutrinário/evangélico de autoria do espírito Charles: Nas Voragens do Pecado / O Cavaleiro de Numiers / O Drama da Bretanha

Obs.: Mensagem psicografada sem titulo

05 janeiro 2011

Obediência - Momento Espírita

Obediência

Em uma Epístola aos Hebreus, Paulo de Tarso dissertou sobre a obediência de Jesus a Deus.

Salientou que o Cristo manifestou Sua obediência ao Criador até o mais extremo sacrifício.

E que, após a consumação do martírio, tornou-Se o meio de salvação para todos os que por sua vez O seguirem.

É interessante refletir a respeito da obediência.

Toda criatura obedece a alguém ou a alguma coisa.

Ninguém permanece sem objetivo.

A própria rebeldia está submetida às forças corretoras da vida.

O homem obedece a toda hora.

Contudo, por vezes não consegue definir a própria submissão por virtude construtiva.

Não entende a necessidade de submeter-se com dignidade ao cumprimento dos deveres que a vida lhe apresenta.

Ressente-se com os encargos que lhe competem e busca abandoná-los.

Então, atende, antes de mais nada, aos impulsos mais baixos da natureza.

Por resistir ao serviço de autoelevação, torna-se um rebelde.

Quase sempre, em seu coração, transforma a obediência que o salvaria na escravidão que o condena.

O Senhor da vida estabeleceu as gradações do caminho.

Instituiu a lei do próprio esforço, na aquisição dos supremos valores da vida.

Em Sua extrema bondade, elaborou formosos roteiros para que o homem encontre a felicidade e se plenifique.

Deus determinou que o homem, para ser verdadeiramente livre, aceite os Seus sagrados desígnios.

Contudo, a criatura frequentemente prefere atender à sua condição de inferioridade e organiza o próprio cativeiro.

O discípulo precisa examinar atentamente o campo em que desenvolve a sua tarefa.

Quanto a você, a quem obedece?

Acaso, atende, em primeiro lugar, às vaidades humanas?

Cuida, acima de qualquer coisa, das opiniões alheias?

Ou consegue acomodar o seu sentimento no tranquilo cumprimento dos deveres que lhe competem?

São frequentes as tentações que o mundo apresenta no caminho de quem deseja viver retamente.

O discurso mundano fornece desculpas para quase tudo.

Seja o abandono do lar, a traição conjugal, a sonegação de tributos ou a pouca dedicação aos filhos.

Sempre é possível achar alguma justificativa, ainda que pífia, para passar pela porta larga da perdição.

O problema é que nessa passagem compromete-se a própria dignidade.

Como cada qual é o artífice do seu destino, sempre chegará o momento de assumir as consequências.

Em termos morais, não há atos despidos de consequências.

O sacrifício das próprias fantasias e vaidades em favor do bem rende plenitude e luz, logo adiante.

Já a vivência de paixões, em clima egoísta, traz uma inevitável cota de dores e desilusões.

Jesus ensinou e exemplificou a vivência do amor, em regime de pureza.

Apenas a obediência aos Seus ensinamentos permite quebrar a escravidão do mundo em favor da libertação eterna.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 16 do livro Pão nosso, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb

04 janeiro 2011

Quando Tudo dá Errado - Momento Espírita

Quando Tudo dá Errado

O que se faz naquele dia em que tudo parece dar errado?

Há quem diga: Levantei com o pé esquerdo.

Entende-se que quem assim fala, acredita que um pé é mais valioso do que outro.

Esquece-se de que ambos os pés são preciosos, pois que a base sobre a qual recai o peso do corpo, sustentado pelas pernas.

De toda forma, nesse dia em que tudo deve dar errado, porque começou errado, o que fazer?

Primeiro: repelir a idéia de uma perseguição de Deus aos Seus filhos.

As coisas não dão errado porque Deus quer.

Dão errado porque nós, os Seus filhos, agimos errado.

Vejamos. Você levantou pela manhã atrasado? De quem é a culpa?

Não é do despertador, que não soou o alarme, ou soou mais tarde.

A questão é sua, porque quem programa as funções do aparelho é você.

Portanto, não há porque se zangar. O que acontece, em seguida, para o melhor ou para o pior, é sua decisão.

Você pode levantar de um pulo, pôr-se em pé, sair às tontas do quarto e... se bater na porta, em um móvel.

Pensasse que nada traria de volta os minutos passados, levantaria com calma e faria tudo com mais vagar.

Quando você está com pressa e tenta fazer várias coisas ao mesmo tempo, tem muita probabilidade de algo desagradável acontecer.

O leite transborda, sujando o fogão, você se corta ao fazer a barba, o botão da camisa cai, pela violência que você usa, tentando abotoá-lo.

Enfim, a lista é quase interminável. E a culpa, com certeza, não é de Deus.

Faça tudo com calma. O carro não dá partida?

Verifique o porquê e resolva, se possível, sem se estressar.

Perdeu o horário do ônibus?

Lembre que a sua ansiedade ou a sua irritação não fará o próximo se adiantar. Espere.

Se preciso, avise seu superior, sua chefia, seu cliente, do atraso.

Se perderá uma aula, uma prova, já perdeu. De que adianta gritar, se zangar? Nada trará de volta os minutos perdidos.

A palavra já diz: perdidos.

O trânsito está congestionado? Não faça tolices, não viole as regras do bom motorista.

Tenha sempre à mão um livro, uma revista e aproveite o tempo.

A chuva o surpreendeu no caminho? Aguarde um pouco. Tudo passa. A chuva também passa.

Aguardar um pouco não lhe deve causar maior preocupação.

Enfim, em tudo seja responsável e pense que em suas mãos está permitir que tudo ande nos eixos, ou não ande.

Tudo se resolva, a pouco e pouco, ou não.

Por fim, pense: não vale a pena perder minutos preciosos da vida por estresse, irritação ou impaciência.

Deus quer a sua felicidade. Colabore com Ele nesta conquista.

* * *

Tudo no Universo traduz harmonia, precisão. Os planetas obedecem às suas trajetórias e cada qual se enquadra, na linha do dever que lhe é própria.

Os astros giram, as estrelas lançam sua luz ao espaço. Tudo obedece ao Grande Pai de todos nós.

Não sejamos diferentes. Harmonizemo-nos.

Colaboremos com nossa própria felicidade.

E pensemos a cada dia: Hoje tudo vai dar certo. Perfeitamente certo.

Eu farei o possível para tudo acontecer acertadamente.

Momento Espírita


03 janeiro 2011

Uma Figura Incomparável - Momento Espírita

Uma Figura Incomparável

A figura de Jesus não encontra equivalente em nenhuma outra.

Qualquer que seja a personalidade humana que se pretenda estudar, ela apresenta nuanças de luz e sombra.

Em algum aspecto de sua vida, titubeou e cometeu deslizes.

Com Jesus isso não se verifica.

Ele é o Modelo dado por Deus a todos os homens.

Ao surgir no cenário terreno, já havia atingido o ápice de Seu estado evolutivo.

Embora essencialmente humano, não portava nenhuma das mazelas comuns aos homens.

Justamente por isso, causou tanto impacto.

Como Ser perfeito, não Se deixou contaminar por desejos e preconceitos humanos.

Transcendeu a todos os vícios, embora cheio de compaixão pelos pobres viciados.

Sua Celestial Sabedoria confundiu os mais doutos da época.

Sempre pacífico, nem por isso deixou de combater a hipocrisia.

Sem desrespeitar as consciências alheias, tratou de demonstrar em que realmente consistia a essência das Leis Divinas.

Valorizou as mulheres, em uma época em que nenhum direito lhes era reconhecido.

Tratou de leprosos, quando todos fugiam deles.

Amparou e encaminhou prostitutas, as quais eram objeto de intenso desprezo.

Conviveu com pessoas de má vida, sem Se importar com as críticas.

Abriu os braços às crianças, encantado com sua fragilidade e com a pureza que simbolizam.

Gastou tempo com seres ignorantes e rudes, sempre paciente e benfazejo.

Ele viveu no mundo, sem ser do mundo.

Amparou, cuidou e esclareceu a toda a gente, sem jamais ser manchado pela impureza que O rodeava.

Qualquer que seja o ângulo pelo qual se observa, a grandeza de Jesus impressiona.

Não Se deixou tocar pelos preconceitos próprios da época.

Amou sem esperar ser amado.

Ensinou e viveu a compaixão em um período de sentimentos rudes e hábitos cruéis.

Movimentou recursos magnéticos e de cura até hoje desconhecidos.

Lançou a ideia da vida futura, como uma esperança para todos os homens.

Substituiu o conceito de um Deus vingativo e cruel pelo de um Pai amoroso.

Trata-Se de uma figura incomparável, superior a qualquer outra.

E é dEle o convite que ressoa, através dos séculos:

Quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me!

* * *

Em algum momento será necessário atender ao amoroso chamado, romper com o passado de equívocos e marchar para a luz.

O seu momento pode ser agora!

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita. Disponível no livro Momento Espírita, v. 8 e no CD Momento Espírita Especial de Natal, v.15, ed. Fep.

02 janeiro 2011

Caridade e Influência - Emmanuel

CARIDADE E INFLUÊNCIA

Frequentemente admitimos que socorro, perdão, caridade e donativo encontram significado exclusivamente nas horas de crise.

Entretanto, estamos todos à frente da vida e dentro dela, com a obrigação de reconhecermos a presença dos benfeitores que nos estenderam os braços para a travessia dos obstáculos naturais na experiência comum.

Acionemos os botões da memória e vê-los-emos todos:

é a criatura vinculada ao nosso afeto, que nos amparou em família, encorajando-nos na realização dos nossos melhores ideais, quando as circunstâncias adversas nos induziam à frustração e desânimo;

é a pessoa que nos deu as mãos na travessia de risco iminente;

é o irmão que nos favoreceu com exemplos de intrepidez e tolerância;

é o amigo que nos auxiliou a encontrar o privilégio de servir;

é o companheiro que nos mostrou a bênção da oração, renovando-nos a vida.

Onde estiveres, pensa nisso e relaciona os bens que podes distribuir.

Ninguém calcula os resultados construtivos da sementeira considerada vulgar.

Alguém dirá que isto é óbvio, entretanto, aquilo que é óbvio é sempre o inevitável na existência e o mais difícil de se fazer.

Auxiliar aos outros, a fim de sermos auxiliados, é claro imperativo no mecanismo das relações humanas, contudo, é preciso relacionar quantos séculos estamos despendendo, a fim de senhorear semelhante aprendizado.

A fonte de água limpa é suprimento óbvio na sustentação da comunidade.

Experimente, porém, essa ou aquela pessoa passar sem ela.

Meditemos nisso e observemos a significação da nossa influência sobre aqueles que nos rodeiam, para entendermos que ninguém deve esperar por ofensa, necessidade, desastre ou penúria, a fim de cultivar o amor a que somos chamados, através do respeito e do amparo que nos devemos uns aos outros.

E assim agindo reconheceremos, por fim, que todo dia e toda situação constituem ensejo e lugar para nos devotarmos todos à construção do bem.

De "URGÊNCIA'
Médium: Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito Emmanuel

01 janeiro 2011

Carta de Ano Bom - Casimiro Cunha

CARTA DE ANO BOM


Entre um ano que se vai

E outro que se inicia,

Há sempre nova esperança,

Promessas de Novo Dia...


Considera, meu amigo,

Nesse pequeno intervalo,

Todo o tempo que perdeste

Sem saber aproveitá-lo.


Se o ano que se passou

Foi de amargura sombria,

Nosso Pai Nunca está pobre

Do pão de luz da alegria.


Pensa que o céu não esquece

A mais ínfima criatura,

E espera resignado

O teu quinhão de ventura.


Considera, sobretudo

Que precisas, doravante,

Encher de luz todo o tempo

Da bênção de cada instante.


Sê na oficina do mundo

O mais perfeito aprendiz,

Pois somente no trabalho

Teu ano será feliz.


Não esperes recompensas

Dos bens da vida terrestre,

Mas, volve toda a esperança

A paz do Divino Mestre.


Nas lutas, nunca te esqueça

Deste conceito profundo:

O reino da luz de Cristo

Não reside neste mundo.


Não olhes faltas alheias,

Não julgues o teu irmão,

Vive apenas no trabalho

De tua renovação.


Quem se esforça de verdade

Sabe a prática do bem,

Conhece os próprios deveres

Sem censurar a ninguém.


Ano Novo!... Pede ao Céu

Que te proteja o trabalho,

Que te conceda na fé

O mais sublime agasalho.


Ano Bom!... Deus te abençoe

No esforço que te conduz

Das sombras tristes da Terra

Para as bênçãos de Jesus.


Casimiro Cunha (Espírito)
Psicografia de Francisco Cândido Xavier