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22 novembro 2018

O Umbral - Nilton Moreira




O UMBRAL



Muitos de nós já conhecemos através das leituras da madruga que grande parte da população da Terra é responsável pela existência do umbral. Local denominado de baixo padrão vibratório situa-se na crosta da Terra, mas só é visualizado por videntes ou por ocasião de nosso passamento, já que se encontra no estado fluídico e não material denso que nos encontramos quando estamos encarnados, ou seja, agora por exemplo.Muitos de nós já conhecemos através das leituras da madruga que grande parte da população da Terra é responsável pela existência do umbral. Local denominado de baixo padrão vibratório situa-se na crosta da Terra, mas só é visualizado por videntes ou por ocasião de nosso passamento, já que se encontra no estado fluídico e não material denso que nos encontramos quando estamos encarnados, ou seja, agora por exemplo.

É o umbral um local de densidade fluídica bastante pesada, pois ali se encontram aqueles espíritos que se comprazem no mal, ou seja, as mesmas mentes maldosas que habitavam aqui na Terra conosco e só pensavam em prejudicar e entravar o progresso da humanidade, praticando atrocidades das mais diversas. Neste local, portanto, ficam impedidas de atingirem camadas mais elevadas, os desencarnados, numa e espécie de comunhão de ideias, a exemplo de nós que estamos vivendo na carne e nos juntamos por afinidades às pessoas maldosas.

É evidente que não ficam ai para sempre, pois como o Pai é misericordioso, envia mensageiros do bem para socorrê-los, mas a ajuda depende dos que ali estão, pois sabemos que muitos mesmo depois do passamento querem continuar a perseguir os que ficaram neste plano. São os obsessores como os denominamos, mas isso é assunto para outro artigo.

Aqui no mundo chamado dos “vivos” vemos pessoas que praticam maldades, drogando-se e, portanto cometendo crimes hediondos, e muitas vezes, mesmo que convidados a serem ajudados, recusam e preferem continuar cometendo o mal e acabam execradas em prisões. Assim também no umbral, quando lhes é estendida a mão em socorro, revoltam-se e recusam o auxilio dos benfeitores de luz.

Quando a humanidade perseverar no bem e as mentes evoluírem suficientemente, certamente o umbral desaparecerá e existirá a felicidade plena, pois que a crosta terrestre ficará aclarada, e encarnados e desencarnados irmanados numa psicosfera salutar possibilitarão reinar a nova Terra mencionada no Apocalipse. Mas isso ainda demandará tempo considerável.

Em síntese, umbral nada mais é que um local formado pelas mentes ruins que povoam a Terra. São os nossos pensamentos de mediocridade que dão o suporte para que a Terra Fluídica fique envolta opacamente e aspecto lúgubre, quem sabe se assemelhando com o falado purgatório.

Que possamos nos esforçar filtrando nossos pensamentos, para que aconteça à tão sonhada evolução planetária no todo.


Nilton Moreira 
Coluna Semanal A Vida Além da Vida
Fonte: Spirit Book


21 novembro 2018

Terapias Alternativas - Joanna de Ângelis



TERAPIAS ALTERNATIVAS


A ignorância, geradora do egoísmo, que propicia o apego e a paixão às pessoas e coisas, é a grande responsável pelos sofrimentos.

Considerando-se a impermanência de tudo, em um mundo em constantes alterações, o apego representa a ilusão para deter a marcha dos acontecimentos e reter tudo mais, impossibilitando o surgimento da realidade.

O impermanente é a materialização transitória da realidade, e, por conseqüência, todo apego exagerado à forma produz sofrimento em razão das inevitáveis alterações que ela experimenta. Corresponde à ilusão de pretender-se deter o tempo, que deixará frustrado aquele que se apega a tal intento.

Assim, a maioria das enfermidades se origina na área emocional, como efeito do desequilíbrio da energia, transferindo-se para o psíquico ou físico, produzindo lesões que alteram a estrutura orgânica.

As terapias da medicina objetivam deter as doenças, destruir os invasores, sustentar o corpo. Toda a filosofia médica ocidental centraliza-se nesse objetivo como essencial à saúde.

A sabedoria oriental, em contrapartida, estabelece, há milênios, que, sendo as doenças efeitos degeneradas da energia pelos fatores já examinados, elas devem ser combalidas nas suas causas. Assim, variam as técnicas alternativas para a aquisição da saúde, mediante a supressão da sua causalidade.

A Ciência Espírita, reconhecendo que todo o sofrimento decorre do mau uso do livre-arbítrio, propõe como mecanismo a transformação moral do paciente, pois qualquer terapia que seja aplicada poderá modificar-lhe o quadro orgânico, porém não ira liberá-lo por completo, ela ressurgirá em outras patologias já vigentes no campo vibratório não reequilibrado.

A “Acupuntura”, por exemplo, considera o corpo como um instrumento de um sistema energético, portanto, não físico, o que equivale a dizer, menos denso do que aparenta.

Esse sistema tem prevalência sobre todo o conjunto, qual se fosse um outro sistema nervoso mais complexo, sustentando toda a aparelhagem delicada e os seus implementos mais sutis da organização somática.

Encarrega-se de manter a interação “mente-corpo, emoção-sensação, pensamento-matéria”. A técnica da acupuntura busca, através do corpo físico, alcançar o campo de energia e vitalizá-lo, eliminando os bloqueios impeditivos da irrigação de forças mantenedoras da saúde. Esse sistema energético é composto de meridianos que são correntes de energia.

A “Yoga” trabalha a emoção em desequilíbrio, para os graves problemas psicológicos e alguns outros na área de saúde. O conhecimento dos chakras (rodas) como fontes de energia, propiciou técnicas de desenvolvimento, alimentação e equilíbrio de forças, para a manutenção da aparelhagem material de que se utiliza o Espírito no seu processo de evolução.

Os chakras, em número de sete, são considerados como órgãos de energia. Do coronário ao genésico eles são o suporte de sustentação das funções psíquicas e orgânicas do corpo.

O mais importante a ser considerado nos chakras é a denominada energia “Kundalini”, também conhecida como “serpente adormecida”, que se manifesta pela espinha dorsal, nutrindo-os e sendo por eles sustentada. É também responsável pela energização dos nervos.

A “cromoterapia” talvez se haja inspirado na helioterapia, que consiste na utilização dos raios solares, com equilíbrio, provocando uma ativação salutar dos mecanismos vitais do corpo.

A colesterina sob a ação dos raios ultravioletas se transforma na vitamina (D) ou anti-raquítica. É de excelente resultado, quando sob cuidadoso controle.

A “cor vermelha” é considerada excitante, enquanto o “azul” é calmante. Com essa conclusão, aplica-se a cor vermelha nos estados melancólicos e a azul nos de exaltação.

A cromoterapia devidamente aplicada, por meio de um correto conhecimento das cores e dos efeitos, proporciona estados de recuperação da saúde.

A “Homeopatia” nasceu por volta de 1796, quando Samuel Hahnemann iniciou a sua aplicação, após publicar o seu ensaio sobre um novo principio para descobrir as virtudes curativas das substâncias medicinais.

Ele havia experimentado em si mesmo e nos familiares por seis anos a nova terapêutica, cujos resultados foram surpreendentes.

A homeopatia se fundamenta no principio de que os semelhantes curam os semelhantes e, através de diluições infinitesimais, nas quais, teoricamente, não devem existir moléculas da substância original, o medicamento deixa de ser químico para tornar-se físico.

Considerando a valiosa contribuição de todas elas, não podemos esquecer que é na transformação moral do indivíduo para melhor, na ação da caridade, como prescreve o Espiritismo, respaldado no conceito de Cristo “àqueles a quem sarou, para que não voltassem a pecar” a fim de que não lhes acontecesse nada pior.

Ao lado de todo o contributo “ético-moral” que suaviza o sofrimento e altera-lhe a causalidade, produzindo gêneses saudáveis para o futuro, a assistência médica, quando se trate de questões na área da saúde física, assim como a assistência das ciências psíquicas no comportamento alienado ou nos conflitos da personalidade são de relevante valor.

O sofrimento está muito relacionado com o processo espiritual. Se possuem fé religiosa e transferem o testemunho para o futuro espiritual, suportam melhor as lâminas cortantes, com equilíbrio, logrando vencer a conjuntura, superando-se e saindo da crise com amadurecimento e paz.

Carl Gustav Jung foi possivelmente quem melhor penetrou a realidade do sofrimento, propondo a sua elucidação e cura.

Enquanto a preocupação geral se baseava nos resultados físicos, no bem-estar emocional, sob a angulação médica, ele recorreu a dois métodos para encontrar-lhe a gênese e a solução: os sonhos e a imaginação.

Embora reconhecesse que toda generalidade peca por insuficiência de recursos para o atendimento, desde que cada caso é específico e exige uma linguagem terapêutica especial, adotava os dois comportamentos como método eficaz para os resultados saudáveis.

Ao mesmo tempo recomendava o apoio religioso, portador de excelentes contribuições para a cura da alma, na qual se sediam todas as causas dos sofrimentos.

A promoção moral proposta pelo Espiritismo e a contribuição que dá, pelo fato de ser a alma imortal, herdeira dos próprios atos que, equivocados, são geradores de sofrimentos, e da reencarnação, em cujos renascimentos o ser espiritual se depura, mediante, não raro, o sofrimento, constituem terapias irrecusáveis, no programa de eliminação da dor no homem e na Terra.

O sofrimento tem vigência transitória, por ser efeito do desequilíbrio da energia que, direcionada para o bem e para o amor, deixa de desarticular-se, facultando aos seres a iluminação, a plenitude, portanto, a saúde integral, que a todos no mundo está reservada pelo Pai Criador.


Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo P.Franco
Obra: Plenitude


20 novembro 2018

Quem são meus guias – Miramez




QUEM SÃO MEUS GUIAS


Nem sereis chamados guias, porque um só é o vosso guia, o Cristo. (Mateus, 23:10)


A primeira preocupação dos candidatos ao desenvolvimento mediúnico é saber quem são seus guias. Recomendamos que não dêem tanto interesse a tal cogitação, e recordem o que Jesus dissera aos seus discípulos, anotado por João, capítulo 14:6 : “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”.

Tenhamos, pois, o Cristo como guia de todos nós e os outros aparecerão como por encanto, sem que exijamos as suas presenças. Não vamos tirar de todo o direito, e esse não é nosso propósito, do médium interessar-se pela personalidade espiritual que o dirige ou acompanha. O que o bom senso reclama é não tornar isso um fanatismo.

O sensitivo de hoje, mormente o espírita, compreende e resguarda os deveres diante da função mediúnica. Encontra na comunicação um fenômeno altamente respeitável e, entendendo as leis espirituais do intercâmbio, deixa, neste tocante, e em primeiro lugar a vontade de Deus, a espontaneidade.

Nunca força comunicações, por saber que os Espíritos superiores sabem mais do que os próprios médiuns, quando devem ou não se manifestar. O mundo espiritual elevado tem programação de todos os seus trabalhos, o seu tempo é todo esquematizado, sem que percam uma fração que seja de oportunidade.

Tudo o que se relaciona ao bem, em todas as suas divisões, tudo o que se cogita em favor da caridade, na sua mais alta conscientização, tudo o que o amor usa como eixo principal, é feito em nome de Jesus Cristo, para que Ele nos inspire e nos oriente em toda a execução.

A mediunidade nos homens, para nós, é uma porta, senão ponte, por onde podem e devem transitar as nossas idéias. Todavia, abrir a porta ou deixar livre o pontilhão, fica por conta do próprio medianeiro, que deve acrescentar o asseio indispensável aos canais que lhe pertencem.

Podem notar que cada Espírito que tem a missão de escrever mensagens por intermédio dos homens, insiste no aprimoramento dos seus tutelados, para que possam, com isso, ajudar a serem ajudados.

Tudo no mundo, para o bom funcionamento, requer cuidados especiais, e em se referindo ao automóvel, o dono não deve esquecer da gasolina, do óleo, da limpeza, e de vez em quando um “check-up” no seu motor.

Pois o instrumento físico é um carro com maiores requisitos. O pensamento é a gasolina; a palavra, o óleo; o esforço de melhorar todos os dias, o “check-up” e o aprendizado, a limpeza. A lei é a mesma, sendo que no homem esplende em outra dimensão.

Quando encontramos um instrumento mediúnico apropriado, sentimo-nos contentes, e a nossa alegria beneficia muito a quem serve de canal para nós, e esse benefício certamente é extensivo a muitas criaturas. Se quisermos as boas companhias espirituais, cultivemos as boas tendências, porque somos mais assistidos pelos nossos semelhantes.

Os nossos guias são aqueles que atraímos com os nossos feitos. E Jesus... Ele, o Cristo de Deus, é o Pastor e todo o rebanho terreno. Ele é o Guia principal de todos nós, por misericórdia humana e divina, sem que por isso nos assemelhemos a Ele.

Confiemos em Deus, escolhendo o Mestre dos mestres como Guia, analisando, meditando e procurando imitá-Lo em todos os momentos, para que possamos emprestar aos Espíritos elevados as nossas possibilidades, que por ela, falarão aos outros.

E quando aparecer na tua mente a fome de saber quem são teus guias espirituais, ora, espera e entrega ao tempo, que a revelação vem, sem que tanto te esmeres na preocupação.

Enquanto o véu de Ísis não se rasgar, para que conheças os teus protetores espirituais, decora e repete este versículo, que tornamos a escrever:  Nem sereis chamados guias, porque um só é o vosso guia, o Cristo. (Mateus, 23:10)


Miranez
Psicografia de João Nunes Maia
Obra: Médiuns - Capítulo 98

19 novembro 2018

O mau momento - Momento Espírita




O MAU MOMENTO


Quem de nós já não passou por um mau momento na vida?

Momentos inesperados que surgem parecendo ameaçar as melhores construções da nossa caminhada.

Nesses momentos, nossa organização nervosa se deixa destrambelhar, ocasionando reações imprevisíveis.

Descobrimos, em nós próprios, conteúdos desconhecidos.

Foi o que aconteceu com Vanessa naquela tarde.

Ela, que sempre parecera calma e equilibrada, se permitiu envolver na profundidade do sofrimento, ante uma notícia alarmante.

Pelo telefone, foi avisada de um grave acidente ocorrido com seu marido. E, ainda, um pedido de sua presença urgente, no hospital municipal.

O impacto pareceu lhe tirar o chão dos pés. Não sabia o que fazer por primeiro: chamar um táxi? Dirigir o próprio carro? Pedir a alguém para acompanhá-la?

E começou a falar, sem parar, maldizendo a sorte.

Quando, por fim, chegou ao hospital e soube que o esposo não resistira, dadas as lesões profundas sofridas, tudo piorou.

Queria saber quem era o culpado, quem fora o irresponsável causador do acidente, quem tomaria providências para punir essa pessoa.

Maldizia a Deus e ao mundo por não se conformar com a situação de perda que sofrera.

Tornou-se de tal forma inconveniente, que causou problemas aos que se encontravam no mesmo local. Por fim, teve tal crise nervosa, que precisou ser socorrida e medicada devidamente.

* * *

Sentimentos negativos só fazem piorar os momentos especiais que necessitamos enfrentar.

Quando nossa sensibilidade se apresenta em desequilíbrio somente aumentamos os problemas.

A visão imprecisa ou impensada de determinados fatos nos fazem vê-los como invencíveis.

Essa visão equivocada do acontecimento, alimentada pelos sentimentos infelizes que trazemos em nosso íntimo favorece o alongamento do momento infeliz.

Os sentimentos nobres conquistados e vivenciados no decorrer de nossa vida nos ajudarão a enfrentar o que nos chegue, com um tanto de calma.

Até mesmo porque problemas não se resolvem na confusão, nem na impaciência ou na gritaria.

Em verdade, eles nos exigem ponderação, calma para tentar encontrar a melhor solução, ou tomar a providência que seja a mais acertada, conforme o caso se apresente.

Se temos o hábito da oração, ela nos auxiliará a nos mantermos equilibrados, ante fatos inesperados que nos aconteçam.

O momento mau passa como tudo passa em nossas vidas.

O que fica é a nossa maneira pessoal de enfrentar as provas a que somos submetidos.

Os testes morais, os desencantos, as perdas de entes queridos, as desilusões e decepções deixam suas marcas em nós.

Quando positivas, nos deixarão mais fortalecidos, mais experientes.

Saber extrair a lição do mau momento é que faz a diferença para cada um de nós.

Bom seria se desde cedo aprendêssemos a enxergar a vida com mais compreensão, para sofrermos menos.

Assimilarmos que decepções são oportunidades de praticarmos a nossa força de vontade, humildade e superação.

Que bons sentimentos, paciência, conhecimento e desejo sincero de acertar, nos trarão melhores maneiras de encarar o mau momento que surgir.

Assim é que podemos transformá-lo em bendita hora de aprendizado e crescimento espiritual.

Pensemos nisso!


Redação do Momento Espírita, com base no cap. 27, do livro Luz Viva, pelos Espíritos Joanna de Ângelis e Marco Prisco, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL



18 novembro 2018

Paciência e Resignação - Márcio Martins da Silva Costa




PACIÊNCIA E RESIGNAÇÃO 



Otávio entrou no gabinete do Diretor para despachar um documento de rotina da empresa. Depois de apresentar todo o material, voltou para seu escritório repleto de alterações para fazer no texto.

Cerca de uma hora depois finalizou as diversas correções e retornou ao chefe. “Agora vai estar tudo certo”, pensou. Sentando-se à frente do seu avaliador, percebeu que não seria bem assim. Com uma caneta vermelha na mão, o patrão rabiscou quase todas as páginas e mandou retornar.

Mais uma hora e meia depois, Otávio retornou ao gabinete com a nova versão. “Agora vai”, pensou mais uma vez. Mas a caneta vermelha novamente coloriu todo o seu trabalho e ele voltou para a sua mesa.

Este movimento se repetiu por quase dez vezes, sendo que em cada momento que ele retornava ao chefe, este se estressava mais e ele ficava mais desanimado.

Na décima oitava vez em que voltou ao gabinete não se conteve com as novas correções e ponderou, quebrando seu silêncio:

– Chefe, essas alterações que o senhor está colocando agora são exatamente aquelas que eu inseri na primeira versão do documento, as quais o senhor disse que estavam erradas.

– As coisas evoluem, Otávio – respondeu o chefe irritado. Agora estou tendo uma visão melhor do relatório. Você é que não entendeu o que eu quero.

Otávio voltou para a sua mesa sem nada falar e foi fechar o documento mais uma vez.

Desta feita, porém, o colega que estava sentado ao lado dele e tinha visto todo o acontecimento ponderou:

– Como você tem tanta paciência, Otávio? Eu não teria aguentado tudo isso.

– A paciência que eu tinha já se esgotou, amigo. Mas deu lugar às preces que faço pelo nosso chefe.

* * *

Paciência e resignação são os ensinamentos que a Doutrina Espírita nos concede para suportar as vicissitudes deste plano onde estamos encarnados (1).

Vivendo em um mundo de expiação e provas, estamos sujeitos a diversas situações que podem levar ao limite a nossa paciência, como também podem exigir muita resignação de nossa parte. Logo, falar de paciência e resignação para nós mesmos pode vir a ser, para tantos, uma tarefa muito difícil.

Mais complexo, porém, é falar de paciência e resignação para com os outros. Quantos de nós exercitamos a paciência de ouvir histórias repetidas daqueles cujo tempo já lhes roubou a memória, mas precisam de nossos ouvidos para ainda se sentirem úteis? Quantos de nós nos resignamos diante da tarefa de acolher a dor de um parente enfermo, estar próximo a ele, deixando para trás os apelos da vida que continua à nossa volta?

Devemos estar atentos a estas oportunidades de darmos uma nova face àquilo que chamamos de paciência e resignação, transformando-as em amor e caridade para com o próximo.

Em certos momentos, uma prece, um pequeno gesto de atenção e amor que pareça pouco para nós, poderá ser muito para aquele que recebe cônscio ou não desse gesto.

E mais ainda será para o Divino Pai, cuja benevolência e o amor que envolve a todas as criaturas indistintamente, não deixará de enviar sua espiritualidade de luz para acolher o irmão necessitado, em atendimento às nossas sublimes vibrações.


Márcio Martins da Silva Costa

Referências:

(1) KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 93a ed. Brasília (DF): Federação Espírita Brasileira, 2013.


17 novembro 2018

Você pensa em desistir? Não desista! - Vania Mugnato de Vasconcelos




VOCÊ PENSA EM DESISTIR? NÃO DESISTA!



Desculpem falar, mas não somos vítimas. A vida que vivemos foi escolhida por nossos atos passados e decisões presentes, além de minuciosamente planejada antes da reencarnação, com objetivo de amadurecermos para transcender.

Claro, não é agradável viver sofrimento e dor, depressão e angústia, mágoa e rancor, falta do que é material, afetivo, moral e espiritual. Porém, é bem mais triste ver tantas vidas desperdiçadas, jogadas fora pela inconsequência, inatividade, vícios, suicídio direto e indireto, pelo crime. Vidas que terão que ser recomeçadas e cujas provas não vencidas deverão ser experimentadas outra vez.

Ninguém ignora que os tempos atuais estejam forçando ao máximo a nossa fé – em Deus, no homem, no futuro. E que há muita fé falindo quando deveria fazer-se forte para vencer mais uma onda nesses tantos tsunamis que parecemos ter que enfrentar. Os momentos atuais são complexos e para muitos está difícil manter o otimismo, a paciência, a esperança no amanhã permanecendo firme na vivência carnal. Para esses, desistir parece mais simples, mas desistir não significa outra coisa senão escolher a morte.

Aos que creem convictamente na imortalidade do espírito, como os espíritas, a morte não é nada além que o modo de voltar para casa, e é bem-vinda quando há consciência do dever cumprido. Todavia, acreditem, jamais deve ser desejada ou procurada antes da hora!

Ninguém foge de si mesmo. Desistir é protelar, transferir dívidas para serem pagas no futuro, com juros e correções. Todos são herdeiros de si mesmos, carregando na morte física para a vida imortal do espírito o que sentem, conhecem e as consequências morais de suas ações.

Não, repito, ninguém foge de si mesmo! Deus não pune, é o homem que semeia para colher. Quem tenta fugir apenas protelará o encontro com o que foi abandonado e somará ao que falta realizar. Certamente terá mais trabalho para solucionar tudo de uma vez…

Se em sua mente passa a terrível ideia de morrer voluntariamente, pense outra vez. Não procure mais sofrimento do que já vive. Peça ajuda, busque auxílio moral, espiritual, afetivo, profissional. E não tema cair, pois terá apoio para levantar. Não desista, pois não só fará sofrer quem fica, mas aumentará a própria dor ao descobrir que ninguém foge daquilo que é e que precisa viver.



Vania Mugnato de Vasconcelos



16 novembro 2018

O que fica de pé? Valores enraizados! - Marcus Braga




O QUE FICA DE PÉ? VALORIZADOS ENRAIZADOS! 



Este segundo semestre de 2018 foi marcado por uma tragédia em relação ao patrimônio cultural do país. Um incêndio de grandes proporções consumiu o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, destruindo parte considerável de seu acervo, ligado basicamente à ciência.

Um desastre, que deixou de pé apenas as paredes do Museu, como um símbolo de resistência às chamas. Passado o pior, uma tropa de pesquisadores se debruça sobre os escombros, na busca de encontrar peças resilientes, como o crânio de Luzia, que foi achado em meados de outubro de 2018, como um sinal de esperança diante do pessimismo da terra arrasada.

Assim como esse sinistro no museu, outras situações se abatem em nossas vidas, deixando-a em escombros. Separações, desencarnes, doenças prolongadas e dolorosas, crises políticas, desastres climáticos e conflitos armados, apenas para citar os mais comuns. Situações que abalam famílias, cidades, países, que se desestruturam, ficando de pé apenas o que estava fincado em bases mais sólidas.

O que já era frágil, já tinha suas fissuras, rui. De um sofrimento atroz na família, rompem-se relações. De conflitos armados, trocam-se governos. De desastres climáticos, mudam-se rotinas e valores. A força acachapante da vida e suas mudanças, abala o que não é forte, com uma raiz profunda, testando valores, pessoas e comunidades. Provas de fogo que o homem enfrenta desde o início da civilização no planeta.

Mas, de onde tirar a força para erigir coisas que fiquem de pé, diante das maiores intempéries? Como proteger o que deve ser protegido? Esconder? Espalhar? A resposta não é novidade. Essa sabedoria tem sede no Evangelho de Jesus, quando no Capítulo 7 do livro de Mateus, o mestre se refere a:

“(…) quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda.”

Os alicerces na rocha. A base firme e bem construída. A fé viva, vivida e raciocinada. A senha para a conduta que prepara para esses momentos…O viver enraizado, imbricado da mensagem de Jesus é a chave para valores fortes, que resistem aos dias mais escuros, e que florescem nos raios de sol mais brilhantes.

Tudo pode vir…muitas coisas virão…são leis da existência…desafios da encarnação, em plano individual e coletivo. O que vier demandará de cada um, vivenciando a experiência reencarnatória, valores enraizados. Valores postos à prova, diante de dias difíceis. Cultivados na bonança, são o alimento da escassez, e precisam, nesse enraizamento, encontrar a boa terra em cada coração, pessoas dispostas a aceitar e albergar estes bens espirituais, para que eles se mantenham de pé.

O Brasil, o mundo, tem passado momentos conturbados. Dias difíceis…tensões de diversas ordens, que arrastam modos de vidas, verdades, esperanças. Situações que nos exigem uma sabedoria profunda, que remeta à raiz de nossa essência como espíritos, criados para amar e para evoluir.

E nesses dias mais tortuosos, é que vemos a beleza das flores que resistem à enxurrada, assim como o crânio de nossa antepassada, que brilha entre os escombros, diante da catástrofe, nos relembrando a sua importância. O que tem alicerce forte, enraizado, fica de pé, como testemunho do que é preciso ficar, como herança, para as gerações que se seguem, como marcos do processo evolutivo desse grupo de espíritos que chamamos de humanidade.

15 novembro 2018

A Seara Doméstica é de nossa responsabilidade... também! - Adriana Machado




A SEARA DOMÉSTICA É DE NOSSA RESPONSABILIDADE...TAMBÉM



Sou uma pessoa de fé. Desde que me entendo por gente, sempre tive Deus como “Alguém” que participa ativamente da minha vida (seja para os momentos de dor, seja para os de alegria).

De criança passei a adolescente, de adolescente passei a adulta em cujo momento formei uma família, uma família cristã. Sim, Jesus foi quem escolhi para ser o meu Mestre e de minha família em nossa caminhada.

Junto ao marido, dediquei minhas ações e verbos para que os meus filhos entendessem o significado das verdades cristãs, temperadas com as verdades espirituais que nos chegam através das literaturas espiritualistas, palestras... que nos chegam pelas experiências diárias.

Mas, não foi uma, nem duas, às vezes que pensei se estou fazendo o suficiente!

Já que estamos juntos nesta “investigação”, tentem pensar se vocês também estão fazendo o “suficiente” pela sua família: será que estamos agindo como Ele nos ensinou? Será que estamos conseguindo passar as nossas crenças, as nossas verdades com coerência para aqueles que são nossos amores? Nossas ações estão condizentes com o nosso pensamento cristão?

Sei que vocês podem estar achando que estes questionamentos não são justos porque cada um absorve o que quer, independente de nossa vontade, mas me acompanhem até o final porque acho que ficará melhor.V No geral, a nossa resposta àquelas perguntas é: muitas vezes, não!

Essa resposta é dada porque ainda estamos crescendo. Não importa que sejamos adultos agora, somos ainda aprendizes embrionários em nossa escola da vida. Ainda muitos anos precisaremos cursar para sairmos desta primitiva escola de reencarnações e desencarnações. E, como foi disse antes, cada um absorverá o que quiser para a sua vida, independentemente de nossa vontade.

Mas, como mãe, esse questionamento está um pouco recorrente, por isso, eu resolvi conversar com vocês sobre isso. Talvez seja porque tenho filhos adolescentes, talvez seja porque estou buscando uma melhor atuação em meu lar, talvez seja porque eu não esteja sendo muito amiga de mim mesma...

O ponto crucial, no entanto, é que só nos questionamos assim quando algo “dá errado”, quando algo que não desejamos acontece. E aí é que está o nosso equívoco.

Precisamos mudar essa postura, porque, na verdade, na verdade, se estamos falando de crescimento interior, deveria ser quando “dá certo” que realmente perceberíamos o quanto a nossa educação ou influência está dando resultados, o quanto estamos ativos em nossa seara doméstica.

Me acompanhem no meu raciocínio: se estamos ensinando o “certo”, não será quando agirem corretamente que enxergaremos a nossa influência? Não será quando “dá certo” que enxergaremos o quanto cada um daqueles que nos acompanham quiseram absorver as nossas orientações?

O problema é que, viciados em só pararmos para pensar quando algo está fora do contexto, queremos fazer essa análise baseada nos equívocos daqueles que, como nós, também estão trilhando sua jornada de aprendizados. E, diante desses erros, achamos que nada estamos contribuindo para o crescimento do nosso âmbito familiar e de amizade.

Apesar de, a partir de agora, entendermos isso, ainda precisamos pensar no que temos reiteradamente falado aqui e talvez vocês não tenham notado: somos responsáveis por levar entendimentos mais cristãos para os que amamos, mas não somos os únicos. Não conseguiremos fazer uma colheita fértil no coração alheio, se ele não cultivar as sementes que lhes entregamos. Somos responsáveis sim, mas não podemos acolher culpas que não nos pertencem, se este alguém não quiser seguir pelo mesmo caminho que entendemos ser o mais correto. Não podemos estar errados também?

Usando um exemplo glorioso: se o próprio Jesus, depois de tudo o que Ele nos ensinou, não nos convenceu ainda de abraçarmos, com toda a nossa potencialidade, o ser divino que há em nós, como desejaremos que nós consigamos convencer alguém de fazer o mesmo?

Façamos a nossa parte, entendendo que, nesta seara, esse trabalho é coletivo e cada um de nós será responsável pela sua própria plantação e colheita.

Sejamos nós, pais, filhos, avós, amigos, etc, estamos todos envolvidos numa mesma missão, a de nos aperfeiçoarmos, de crescermos individual e coletivamente e, neste último, principalmente, nossa atuação na seara doméstica é mais do que imprescindível, mas não pode ser considerada só nossa.

14 novembro 2018

Liberdade e Paz - Divaldo P.Franco



LIBERDADE E PAZ


Passados os dias agitados antes das eleições democráticas do país, foi eleito aquele que conseguiu a maioria dos votos.

Lentamente as pessoas retornam à normalidade e preparam-se para a construção da nova etapa governamental.

Em uma análise perfunctória, pode-se notar a politização das massas em seu começo, apresentando-se na maneira como cada cidadão expôs sua forma de amar a pátria e expender os comentários que mais lhe pareceram próprios para a conquista da felicidade nacional.

Houve alguns excessos, como é natural, em um país com dimensões continentais, mas todos quanto desejavam expressar-se lograram fazê-lo.

Agora nos cabe a união em favor do país, cada qual contribuindo da melhor maneira em favor da paz e do progresso, dispondo-se a oferecer a sua melhor oferta em benefício do trabalho e da preservação dos valores ético-morais, que constituem recursos de dignificação humana. Inevitável que permaneçam alguns ressentimentos e frustrações, mas que devem ser vencidos mediante a reflexão e a esperança das mudanças que sempre ocorrem no tempo.

A conquista da liberdade de pensar, exprimir o pensamento e agir é das mais valiosas no contexto da sociedade. Indispensável, porém, ser considerado que o direito à liberdade tem os seus limites no direito do próximo, a fim de serem evitados a libertinagem e o desrespeito ao outro.

Somos uma grande família em construção e todos nos devemos unir, identificando-nos nos objetivos e ideais que nos são comuns, superando, por momentos, aqueles que nos fazem diferentes.

A fidelidade ao que pensamos, no caso em tela, o engrandecimento do Brasil e do seu povo, convida-nos à reflexão de que a edificação do bem a todos proporcionado, mediante oportunidades de trabalho, de saúde, de educação, de repouso e de desenvolvimento intelecto-moral, é dever de cada qual individualmente e de todos em conjunto.

A prosperidade, porém, somente ocorrerá se cada cidadão tornar-se um agente multiplicador da fraternidade e do auxílio a todos quantos se encontrem em desolação ou abandono.

A filosofia do amor preconizada por Jesus em todo Seu ministério torna-se socorro físico, moral e espiritual ao nosso próximo, conforme a parábola do bom samaritano, amenizando os conflitos e paixões primárias que remanescem em nosso processo evolutivo. As sombras das expectativas e dos rancores serão diluídas através das clarinadas de luz do novo tempo, e o Brasil alcançará o seu destino sob o comando dos nossos deveres para com a pátria e o nosso irmão necessitado.

Esta é a hora de união fraternal. A liberdade e a paz dar-se-ão as mãos em favor da plenitude de todos que anelamos pelo bem e pela harmonia.

Divaldo P.Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, de 1º de novembro 2018.

13 novembro 2018

Falsa Noção - Orson Peter Carrara



FALSA NOÇÃO


Trago aos leitores página preciosa do estudioso Deolindo Amorim (1906 – 1984), que foi jornalista, sociólogo,publicitário e escritor, nascido na Bahia. Pelo oportunismo do texto, bem adequado aos dias que vivemos, no quais muitos nos escondemos em diferentes máscaras e diante da crise moral que se abate sobre o País, sempre é bom refletir sobre essas questões. Peço ao leitor atenta leitura, embora a transcrição abaixo seja parcial:

“(...) muita gente pensa que ser humilde é não ter personalidade. O próprio Cristo, que foi o Cristo, o bom, o justo por excelência, não abriu mão de Suas ideias, não recuou diante das dificuldades... se Ele não tivesse personalidade, naturalmente ficaria acomodado à situação e não teria suportado o que suportou em defesa do ideal que O iluminava.

No entender de muitas pessoas, o que, aliás, está muito errado, ser humilde é dizer amém a tudo, é ficar bem com todos, ainda que tenha de sacrificar as mais fortes razões da consciência.

Não foi isto o que o Cristo ensinou. Nem foi isto o que Ele praticou.

Veja-se bem que o Evangelho reprova o procedimento dos que, calculadamente, ocultam os seus pensamentos, isto é, não dizem o que pensam nem o que sentem, porque preferem agir na sombra! Tanto é certo que o Cristo valorizava a personalidade, que ele mesmo disse, e de modo direto, que a criatura deve ser quente ou fria; ninguém deve ser morno. Que significa isto? Significa ter personalidade, no mais alto sentido humano e espiritual. Ficar morno é ficar indeciso, de caso pensado, é não se definir de propósito, para tirar algum partido próximo ou remoto. Isto, porém, não é procedimento compatível com a ética cristã. Não tenho receio das pessoas que tomam atitudes francas, para um lado ou para outro; mas tenho muito cuidado com os que ficam mornos, pois foi para estes que o Cristo chamou a atenção de Seus seguidores.

Se o Cristo disse que o nosso falar deve ser ‘sim sim’ e ‘não não’, é claro que, com isto, reconheceu que o homem deve ter personalidade. Vejo e ouço, constantemente, citar-se o Evangelho, mas também noto que muita gente ainda não compreendeu o sentido de certas máximas fundamentais do Evangelho. Vou dar um exemplo disto: quando alguém toma atitude, porque tem personalidade, e não está conformado com isto ou aquilo, logo se diz que é um antifraternista, que é um demolidor, etc. Pouco falta para se chamar o companheiro de um herético ou pecador público, simplesmente porque é sincero, é idealista, e diz o que pensa.

É preciso que se compreenda a situação de cada um de nós, em face da responsabilidade própria. Tomar uma atitude contra qualquer coisa venha de onde vier, não quer dizer que se pretenda destruir seja o que for. É agir sinceramente, de acordo com a consciência. Já é tempo de se acabar com a suposição ou com o sofisma de que, para praticar a humildade, é necessário curvar-se a tudo ou abdicar do direito de pensar e falar abertamente. Há, entre nós, uma noção muito falsa de humildade, para encobrir muita coisa ruim. (...)”

Coincidência ou não, o texto foi publicado em 1964 e parece-nos preciso ser republicado novamente, face à excessiva valorização de valores transitórios, com desprezo aos valores reais e morais, aqueles que permanecem.

Por Orson Peter Carrara

12 novembro 2018

Partidas e Chegadas - Richard Simonetti




PARTIDAS E CHEGADAS



Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara.

O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.

Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.

Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: “já se foi”.

Terá sumido? Evaporado?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.

O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas.

O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver. Mas ele continua o mesmo. E talvez, no exato instante em que alguém diz: já se foi, haverá outras vozes, mais além, a afirmar: “lá vem o veleiro”.

Assim é a morte.
Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro, e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos: “já se foi”.

Terá sumido? Evaporado? Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O ser que amamos continua o mesmo. Sua capacidade mental não se perdeu. Suas conquistas seguem intactas, da mesma forma que quando estava ao nosso lado.

Conserva o mesmo afeto que nutria por nós. Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita no outro lado.

E é assim que, no mesmo instante em que dizemos:
já se foi, no mais além, outro alguém dirá feliz: “já está chegando”.

Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a viagem terrena.

A vida jamais se interrompe nem oferece mudanças espetaculares, pois a natureza não dá saltos.

Cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário.V A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas.

Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada.

Um dia partimos do mundo espiritual na direção do mundo físico; noutro partimos daqui para o espiritual, num constante ir e vir, como viajantes da imortalidade que somos todos nós.


Richard Simonetti



11 novembro 2018

O Mundo de Regeneração- Antônio Carlos Navarro



O MUNDO DE REGENARAÇÃO



Steven Arthur Pinker, linguista e psicólogo, com doutorado em Psicologia Experimental, e escritor de livros de divulgação científica, foi durante 21 anos professor no Departamento do Cérebro e Ciências Cognitivas do Massachusetts Institute of Technology.

Ele demonstra, com estatísticas, que a humanidade passa por seu mais pacífico período histórico. Nessa visão, o terrorismo islâmico, os massacres em escolas e locais públicos e a criminalidade urbana empalidecem diante da brutalidade sem limites das eras anteriores. Pinker diz que o anjo civilizatório, enfim, aprisionou a maldade inata do homem, e que as estatísticas são imprescindíveis para justificar qualquer argumento científico. Elas são um método válido e seguro de avaliação. “É o que torna a minha tese legítima”.

Afirma ele: “O fato é que, desde 1945, o número de mortos em guerras ou de vítimas de assassinatos e estupros é o menor dos últimos 5.000 anos, quando se leva em conta a relação com o total da população”. Questionado por que então o mundo se tornou mais pacífico, ele afirma “que uma sucessão de eventos históricos fez com que o lado bom do homem sobressaísse ao violento e animalesco. Todos temos demônios e anjos dentro de nós. O processo civilizatório, com o advento do estado, a institucionalização da Justiça, a difusão e o aprimoramento da cultura, permitiu que os anjos derrotassem os demônios. Foi o que livrou a espécie humana da barbárie”.V Foge do nosso escopo, neste momento, discutir sua afirmativa quanto a existência de “anjos e demônios dentro de nós”, mas vale muito a pena assistir, com legendas, a defesa de suas idéias no endereço eletrônico http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/steven_pinker_on_the_myth_of_violence.html.

 Em nome da ciência, e por método científico, Steven Pinker prova que a civilização está muito melhor em comparação com o passado.

A esse respeito, atentemos para O Livro dos Espíritos.

Em sua questão 784 encontramos: “A perversidade do homem é muito grande. Não parece recuar em vez de avançar, pelo menos do ponto de vista moral? – Engano vosso. Observai bem o conjunto e vereis que o homem avança, uma vez que compreende melhor o que é o mal e a cada dia corrige abusos. É preciso o mal chegar a extremos para fazer compreender a necessidade do bem e das reformas.”

Avançar significa progredir, e como o progresso é parte da Lei Natural, o Codificador questionou na questão 779: O homem traz em si o impulso de progredir ou o progresso é apenas fruto de um ensinamento? – O homem se desenvolve naturalmente, mas nem todos progridem ao mesmo tempo e do mesmo modo; é assim que os mais avançados ajudam pelo contato social o progresso dos outros.

A resposta acima nos leva à particularidade do desenvolvimento dos espíritos, em função do Livre Arbítrio de cada um, e à “obrigatoriedade” dos que estão em posição superior, qualquer que seja essa posição, espiritual ou material, de socorrer os mais necessitados.

Com relação a dualidade do progresso do espírito, a questão 780 é muito clara: “O progresso moral é sempre acompanhado do intelectual? – É sua conseqüência, mas nem sempre o segue imediatamente”. Desta forma, há uma diversidade de entendimento moral entre os espíritos vinculados ao nosso globo, e a explicação vem pela questão 755, onde Kardec pergunta: “Como se explica existirem, no seio da civilização mais avançada, seres algumas vezes tão cruéis quanto os selvagens? – Exatamente como numa árvore carregada de bons frutos há os que ainda não amadureceram, não atingiram o pleno desenvolvimento. São, se o quiserdes, selvagens que têm da civilização apenas o hábito, lobos extraviados no meio de ovelhas. Espíritos de ordem inferior e muito atrasados podem encarnar em meio a homens avançados na esperança de avançarem; mas, sendo a prova muito pesada, a natureza primitiva os domina”.

O futuro é promissor, e é evidenciado pela questão 756: “A sociedade dos homens de bem estará um dia livre dos malfeitores? – A humanidade progride; esses homens dominados pelo instinto do mal que se acham deslocados entre as pessoas de bem desaparecerão pouco a pouco, como o mau grão é separado do bom depois de selecionado. Então renascerão sob um outro corpo e, como terão mais experiência, compreenderão melhor o bem e o mal. Tendes um exemplo disso nas plantas e nos animais que o homem conseguiu aperfeiçoar e nos quais desenvolveu qualidades novas. Pois bem! É somente depois de muitas gerações que o aperfeiçoamento se torna completo. É a imagem das diferentes existências do homem”. E o método utilizado pela Inteligência Suprema é descrito pela questão 783: “O aperfeiçoamento da humanidade segue sempre uma marcha progressiva e lenta? – Há o progresso regular e lento que resulta da força das coisas; mas quando um povo não avança rápido o suficiente a Providência provoca, de tempos em tempos, um abalo físico ou moral que o transforma”.

Como o estágio de regeneração é coisa para o futuro, convém nos inteirarmos a respeito da benção que temos nas mãos, entendendo que a mensagem do Consolador é redentora, conforme esclarece a questão 799: “De que maneira o Espiritismo pode contribuir para o progresso? – Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, e fazendo os homens compreenderem onde está seu verdadeiro interesse. A vida futura, não estando mais encoberta pela dúvida, fará o homem compreender melhor que pode, desde agora, no presente, preparar seu futuro. Ao destruir os preconceitos de seitas, de castas e de raças, ensina aos homens a grande solidariedade que deve uni-los como irmãos”.

Então, as perguntas que se seguem é: o que estamos fazendo com nossas possibilidades de progresso? Como estamos direcionando nossas conquistas? A quem temos ajudado? O que temos feito pelos nossos inimigos e pelos inimigos da sociedade?

O Senhor Jesus deixou claro que a seara é grande, e por isso há necessidade de muitos trabalhadores, e para que tenhamos o “direito” de viver em um mundo regenerado, será preciso crescer moral e intelectualmente, socorrendo os que se encontram à nossa retaguarda, desenvolvendo e exemplificando a confiança e o otimismo, porque, assim como o Senhor disse que iria nos preparar o lugar, disse também que a cada um sempre é dado segundo suas próprias obras.

Pensemos nisso.


Antônio Carlos Navarro
C. E. Francisco Cândido Xavier – São José do Rio Preto /SP 


10 novembro 2018

Relações Conjugais Cármicas - Fernando Rossit



RELAÇÕES CONJUGAIS CÁRMICAS


Nos sentimos atraídos por outras pessoas por duas razões, basicamente: afinidade ou compromissos espirituais.

Num primeiro momento, nem sempre é possível distinguir uma coisa da outra quando nos aproximamos de alguém com a intenção de consolidar um relacionamento mais íntimo (amizade, namoro, casamento…).

A dúvida é: – o que estou sentindo advém de uma “atração cármica” ou trata-se de um espírito amigo com o qual já me relacionei saudavelmente no passado?

“Quando duas pessoas se encontram nos caminhos da Vida e sentem, de forma imediata e automática, uma conexão/atração mútua e irresistível, pode tratar-se de uma situação de um relacionamento cármico entre os dois, que já vem de outras vidas”.V Talvez por isso é que muitos relacionamentos que inicialmente pareciam ter tudo para dar certo, acabam de forma dramática e muitas vezes trágica.

Mas por que será que isto acontece? E o que são encontros cármicos?

São encontros de almas que têm pendências de outras vidas para resolverem entre si.

A principal característica de um relacionamento cármico baseia-se no fato de que ambos parceiros carregam emoções não resolvidas dentro de si, tais como culpa, medo, dependência, ciúmes, raiva, ressentimentos etc, trazidas de outras vidas e que precisam ser resolvidas na vida atual.

E a oportunidade de resolver dá-se exatamente pelo “reencontro” entre as duas almas.

Num reencontro cármico, a outra pessoa é-nos imediata e estranhamente familiar, mesmo que nunca a tenhamos visto nesta vida ou que não a conheçamos bem.

Este tipo de reencontro, muitas vezes, acaba por se transformar num relacionamento amoroso ou numa intensa paixão. E então as emoções que experimentamos podem ser tão avassaladoras, que acreditamos ter encontrado a “alma gêmea”.

Por causa da “carga emocional” não resolvida, estes dois seres sentem-se atraídos um pelo outro na vida atual e o reencontro é a oportunidade de resolverem o que ficou pendente e libertarem-se, para uma vivência mais plena e feliz.

Então o que acontece quando duas pessoas assim se encontram?

Dois seres com questões por resolver, quando se encontram, sentem uma compulsão, quase que uma emergência em estar mais perto um do outro.

Entretanto, depois de algum tempo, por força dos problemas e atritos que inevitavelmente surgem no relacionamento atual (dessa vida), poderão repetir os mesmos padrões emocionais que causaram rompimentos e dores numa vida passada.

Uma nova existência juntos é a grande oportunidade para enfrentarem os problemas pendentes e lidar com eles de uma forma mais iluminada.

Ou não!

Tudo depende do grau de maturidade emocional de cada um e da vontade de superar as dificuldades do relacionamento.

Por isso, muitos casais acabam por se separar de forma dramática e dolorida, mesmo que o relacionamento tenha começado num aparente “mar de rosas” e, muitas vezes, nem eles mesmos conseguem perceber muito bem por que as coisas deram errado.

Este tipo de relacionamento, por causa da carga emocional e bloqueios que traz consigo, trará sempre grandes desafios, muitos deles bem dolorosos, que virão à tona mais cedo ou mais tarde.

Após algum tempo, geralmente os parceiros acabam envolvendo-se num conflito psicológico, que poderá ter como base a luta pelo poder, o controle e a dependência, seja emocional, material, ou de outra natureza.

E o que isto significa? Significa que muitas vezes, estes dois seres acabam repetindo comportamentos ou criando situações que o seu subconsciente “ reconhece” de uma vida anterior, onde essas pessoas podem ter sido amantes, pai e filho, patrão e funcionário, ou algum outro tipo de relacionamento.

Pode ser que, nessa vida anterior, um dos dois tenha aberto uma ferida emocional no outro, através infidelidade, abuso de poder, manipulação, agressão etc, tendo provocado cicatrizes profundas e trauma emocional.

O propósito espiritual deste tipo de “reencontro” para ambos os parceiros é que eles aproveitem esta oportunidade para fazer escolhas diferentes das que fizeram numa vida passada e aprendam um com o outro, tudo o que deve ser aprendido e absorvido, para a evolução de ambos.

Identifique se está neste tipo de relacionamento, aprenda as lições necessárias, cresça e amadureça.

Caso ambos parceiros sejam suficientemente maduros e evoluídos emocionalmente, o relacionamento cármico pode sim ser verdadeiramente benéfico e transformador para ambos.

Fernando Rossit
Bibliografia de apoio: Reencarnação – Richard Simonetti